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Quando tudo e nada gira em torno de Blake Bortles

Vamos direto ao que interessa: Blake Bortles. Você sabe quem é, você já riu dele e já até se aventurou com uma ou outra piadinha cretina. É assim com praticamente todos que acompanham a NFL: Bortles já deixou de ser apenas um QB para se tornar um personagem. A percepção que temos dele não vai mudar. Se fosse eliminado em New England, diríamos que ele não chegaria longe. Quando vencer o Super Bowl, diremos que “BLAKE BORTLES venceu o Super Bowl. Fechem a NFL etc etc”.

Ao longo do ano, Bortles alternou diversos momentos: na preseason ele quase perdeu o posto de titular; no início da temporada o time fez tudo para tirar a bola das suas mãos e; no meio da temporada, ele alternou momentos brilhantes (uma sequência avassaladora em dezembro em que foi o melhor QB em diversas métricas) e momentos ruins. Talvez o jogo contra Buffalo – o que mais gente assistiu  – tenha sido seu pior momento na temporada. Mas, no geral, Blake Bortles não foi terrível. Muito pelo contrário: ele mostrou que o time é capaz de vencer com ele. Ou apesar dele, se você preferir.

Não vamos analisar um milhão de estatísticas diferentes para mostrar os aspectos positivos e negativos do seu jogo, afinal a conclusão sobre ele já está tirada: é um dos piores QBs da liga, mas às vezes joga bem. E quando joga bem, é porque embalou. E Blake Bortles está embalado.

Vou ganhar.

O jogo contra Pittsburgh não muito bom, nem muito ruim. O que para Bortles é um tanto quanto atípico, tendo em vista que é um jogador muito 8 ou 60: ou é bom ou é péssimo. Foram 14 de 26 passes completos, para 214 jardas e um touchdown. Números um pouco abaixo do razoável, mas Blake não cometeu nenhum erro fatal na partida, o que, para ele, podemos considerar uma vitória.

A inconstância faz parte do seu jogo, mas ele já conquistou o respeito de seus companheiros, seja pela sua resiliência ou pelo que tem mostrado dentro de campo.

O ataque além de Bortles 

Leonard Fournette mostrou no jogo contra os Steelers porque foi escolhido com a quarta escolha geral do Draft. Suas 109 jardas em 25 tentativas e 3 TDs talvez não dêem a exata dimensão do quanto ele foi dominante e ajudou sua equipe a vencer o jogo. Depois de uma segunda metade de temporada um pouco abaixo do esperado, ele mostrou que está pronto para voltar ser a principal peça do ataque.

A linha ofensiva, uma das principais incógnitas no início do ano, mostrou que, além de dar conta do recado, pode ser uma das forças no ataque de Jacksonville. No duelo contra a defesa de Pittsburgh – a que mais sackou em 2017 -, nenhum sack foi permitido e Bortles não fez nenhuma jogada idiota por sofrer com a pressão. Os números de Fournette e Yeldon na partida mostraram que, apesar do jogo terrestre ser a principal preocupação das defesa que enfrentam os Jaguars, a OL também consegue trabalhar bloqueando para a corrida.

O corpo de recebedores sofreu com lesões ao longo do ano, mas Keelan Cole, Marqise Lee, Allen Hurns e Dede Westbrook já tiveram seus momentos durante a temporada. Não é um grupo recheado com grandes nomes, mas há profundidade na posição. Além deles, Marcedes Lewis também já mostrou que, além de ainda estar vivo, ainda consegue jogar.

Fournette talvez seja a única estrela do lado ofensivo dos Jaguars, mas isso não tem impedido o ataque de mostrar que pode enfrentar qualquer defesa.

Sacksonville 

Uma DL capaz de vencer o jogo sozinha. Um corpo de LBs rápidos e versáteis. Uma secundária que conta com a melhor dupla de CBs da NFL. Jacksonville não despendeu um caminhão de dinheiro no lado defensivo da bola à toa.

Calais Campbell é candidato a MVP na liga esse ano, além de ser First Team All Pro. E prefeito de Sacksonville. Campbell ganhou a honraria quando, ainda no início de dezembro, já havia quebrado o recorde de sacks da franquia em uma temporada. Ele ainda joga ao lado de Yannick Ngakoue (ianiq ngaqüe), que teve 12 sacks no ano, e nessa pós-temporada já se fez presente quando tirou a bola de Ben Roethlisberger. Malik Jackson – aquele – e Marcell Dareus, dois caras que juntos recebem o suficiente para comprar o Carolina Panthers completam a linha defensiva: e eles têm jogado tão bem quanto recebem (tá, talvez nem tanto, mas ainda são melhores que aquele DT estranho que seu time escolheu na quinta rodada dois anos atrás. Muito melhores, aliás).

Telvin Smith foi escolhido Second Team All Pro: seus 102 tackles, maior número da equipe no ano, juntamente com 3 interceptações, certamente contribuíram pra isso. Você deve se lembrar dele rindo de um Steeler enquanto terminava de trotar rumo à endzone. Ele joga ao lado de Myles Jack (90 tackles no ano), que também é bem versátil. Por fim, os restos mortais de Paul Posluszny ainda conseguem uma jogada aqui e acolá, afinal, é muita gente boa jogando ao seu redor e eventualmente sobra algo pra ele: amigo, acredite, até você, que não consegue nem levantar pra pegar uma água durante o jogo por preguiça, conseguiria algum highlight jogando nessa defesa.

Sacksonville: é você que financia.

Você já parou pra ouvir a palavra de Jalen Ramsey? Faça isso agora. “As pessoas falam: “ele é AJ Green, ele nunca passou por isso [um jogo frustrante em que perdeu a cabeça]”, bem, ele nunca enfrentou Jalen Ramsey antes.” Note a eloquência e serenidade em seu olhar ao falar de Green: quisera eu insultar (e poder insultar) dessa forma. Você pode continuar pesquisando sobre seu trash talking, e saiba que ele já garantiu a vitória no Super Bowl. Até Tom Brady se recusou a confrontá-lo nessa declaração. Medo, talvez? Acreditamos que sim.

Jalen também é First Team All Pro, e já está na conversa para ser considerado o melhor CB da NFL. Ao seu lado está AJ Bouye, Second Team All Pro e que teve 6 interceptações no ano. Fecham a secundária Barry Church e Tashaun Gipson, que tiveram cada um 4 interceptações na temporada, mesmo número de Ramsey. Some essas 18 interceptações. O Oakland Raiders de 2017 precisaria de mais de 3 temporadas e meia (3,6 – 57 jogos e dois quartos) para alcançar essa marca.

A unidade defensiva mostrou sua força também no coletivo: Sacksonville foi número 2 em interceptações e sacks, e ainda foi a primeira colocado no ranking do Football Outsiders, melhor que as métricas tradicionais para definir os melhores grupos da NFL.

O sentimento não vai parar

E quem é que vai parar tudo isso? Nick Foles vai conseguir lançar algum passe nessa secundária? A defesa contra o jogo corrido não é muito boa, mas se tirar Foles do jogo os Jaguars poderão focar em parar os RBs dos Eagles.

Case Keenum não vai conseguir outro milagre de Minneapolis, porque seus passes balão serão completados, mas não da forma que ele imaginou.

Tom Brady? Estude mais. Contra um time que tem Tom Coughlin, uma defesa com pass rush dominante e um QB inconstante, New England treme nos playoffs. E não somos nós que estamos falando. São os números (0 vitórias e duas derrotas). Já adiantamos: fechem a NFL antes que aconteça.

Semana #12: os melhores piores momentos

75% da temporada da NFL já foi jogada. Já estreamos novos segmentos, consagramos jogadores e vimos muita desgraça até aqui. Porém, a coluna só trouxe uma certeza até hoje: se ela for continuar em 2018, certamente não serei eu que a farei. Eu não aguento mais. O leitor não liga para os meus desabafos, então vamos lá:

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

Quando o Quarterback (semana passada vimos que nem sempre só o quarterback) resolve jogar a bola longe sem medo de ser feliz.

1.1 – Matt Moore 

Quando o DB disputa com outro DB quem vai agarrar a bola, certamente não foi uma boa decisão.

1.2 – Marcus Mariota

Baseado na jurisprudência do caso anterior, além de que o drop do Darius Butler e o receiver escorregando mereceram ser destacados.

1.3 – Tyrod Taylor (part. especial: Marcus Peters)

Nada como ter o defensor do seu lado.

1.4 – Joe Flacco

Claramente procurando Rahim Moore na secundária.

2 – O Fumble Bowl 

2.1 – Malcom Jenkins

Sempre muito triste sofrer um fumble depois de interceptar um passe.

2.2 – Mitch Trubisky

Quando draftado, sabia-se que Trubisky precisaria de um tempo para se adaptar. Mas, porra, no College tu não segurava snap também não?

2.3 – Jay Ajayi

Quando a vontade de se consagrar é maior que a vontade de segurar a bola.

3 – Imagens que trazem PAZ

3.1 – Brock Osweiler

3.2 – Broncos @ Raiders 

3.3 – Robbie Anderson (assista com áudio)

3.4 – A defesa do Oakland Raiders, Paxton Lynch e… isto.

A primeira interceptação do Raiders na temporada veio em grande estilo.

3.5 – Este idiota dos Redskins

Repare como ele desconhece a regra do touchback. Seu companheiro de equipe conhecia, e ficou pistola.

3.6 – O center de New England

Tentou dar uma chance aos Dolphins. Não adiantou.

3.7 – Tyreek Hill e outro guerreiro de Kansas City 

A imagem que simboliza como o ataque dos Chiefs derreteu de algumas rodadas pra cá.

4 – Troféu Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time tem um jogo complicado e precisa que o jogador de nome apareça? O torcedor dos Cowboys sabe. O torcedor dos Cowboys também sabe que Dez Bryant não é o nome ideal para esses momentos.

Por tudo isso, o vencedor do troféu Dez Bryant da Semana é Leonard Fournette. Parabéns!

 

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

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A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Eu realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando m**da: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar. Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

Mock Draft 2017: várias coisas sem sentido no mesmo lugar

Estou certo que todos lembraremos, daqui alguns dias, das asneiras que escreverei logo abaixo. E não seria surpresa se nossos haters gastassem preciosos minutos memorizando as previsões para então nos torturarem em sequência. Postura correta, aliás.

De qualquer forma, não é o primeiro e nem o último Mock Draft que você lerá – e mesmo assim você ainda ficará puto com alguma das escolhas. Sinceramente, meu amigo, até quando? Vamos a elas:

01) Cleveland Browns: Myles Garrett, DE, Texas A&M
Você ainda lê a explicação justificando a escolha dos Browns? Todo ano temos um prospecto que é o “melhor desde Andrew Luck”, e Garrett é esse cara em 2017.

02) San Francisco 49ers: Solomon Thomas, DE, Stanford
Difícil aqui era escolher uma posição em que os 49ers não precisam escolher algum talento para preencher o buraco. Thomas vem pra ajudar o pass rush que não é o mesmo de quatro anos atrás.

03) Chicago Bears: Malik Hooker, S, Ohio State
Aos poucos a defesa de Chicago vai se tornando uma unidade respeitável. Hooker, com sua capacidade de cobrir uma extensa parte do campo, chega para se tornar uma âncora da equipe por muitos anos.

04) Jacksonville Jaguars: Leonard Fournette, RB, LSU
A posição de maior carência no roster de Jacksonville é a linha ofensiva, mas nenhum jogador tem valor para ser escolhido neste ponto do draft. Sendo assim, os Jaguars selecionarão um jogador capaz de fazer aquilo que Blake Bortles tem certa dificuldade: avançar a bola antes do jogo já estar perdido.

05) Tennessee Titans (via Los Angeles Rams): Corey Davis, WR, Western Michigan
Os Titans chegam ao draft precisando de reforços no corpo de recebedores e na secundária. Como a classe é mais forte nessa segunda unidade, a equipe opta por um WR em sua primeira escolha. Davis chega para se tornar o melhor amigo de Marcus Mariota.

06) New York Jets: O.J. Howard, TE, Alabama
Os Jets precisam de uma identidade no ataque e Howard chega para ser o jogador que vai fazer com que a equipe pare de tratar a posição de Tight End como se ela não existisse.

07) Los Angeles Chargers: Jamal Adams, S, LSU
Os Chargers encontram o sucessor de Eric Weddle (algum tempo depois de sua saída). Adams chega para ser um dos grandes jogadores da defesa, com suas jogadas e liderança dentro de campo.

08) Carolina Panthers: Mike Williams, WR, Clemson
Kelvin Benjamim já mostrou que pode e que não pode ser o cara de Cam Newton. Os Panthers escolhem um WR para ajudar o seu quarterback a voltar a ter uma grande temporada.

09) Cincinnati Bengals: Jonathan Allen, DL, Alabama
Ninguém se importa com os Bengals mesmo. Eles pegarão um bom jogador e farão alguma besteira em janeiro se chegarem lá – é isso que vocês precisam saber.

10) Buffalo Bills: Marshon Lattimore, CB, Ohio State
Depois de perder Stephon Gilmore na Free Agency, os Bills vão atrás do melhor CB da classe.

11) New Orleans Saints: Gareon Conley, CB, Ohio State
Já podemos chamar o que os Saints tem de defesa, o que é um avanço se considerarmos o que a franquia tinha há alguns anos. Como a troca com os Patriots por Malcom Butler não deu certo, New Orleans seleciona um CB mais barato, mas com muito potencial.

12) Cleveland Browns: Deshaun Watson, QB, Clemson
Watson já teve uma carreira vitoriosa no College e todos sabemos que você não pode ter tudo nessa vida: selecionado no Browns, sabemos que sua carreira profissional será arruinada. Por que não Mitchel Trubisky? 13 jogos como titular não são necessariamente o que Cleveland  – que tem trabalhado cada vez mais com estatísticas – procuram no seu futuro “QB“.

13) Arizona Cardinals: Deshone Kizer, QB, Notre Dame
Apesar das tentativas do seu técnico da faculdade de boicotá-lo, Kizer é escolhido em uma posição que é boa para os dois lados: ele terá tempo para aprender com Carson Palmer – que a qualquer momento pode simplesmente desaparecer – e Bruce Arians.

14) Philadelphia Eagles (via Minessota): John Ross III, WR, Washington
Nenhuma arma é demais para o menino Carson Wentz, que em alguns momentos confia demais no seu braço para fazer jogadas. Com Ross no time, é só jogar lá no fundo e torcer para que John resolva com sua velocidade.

15) Indianapolis Colts: Christian McCaffrey, RB, Stanford*
Os Colts se dão o luxo que não podem conceder a si mesmos e ignoram a defesa na primeira rodada. McCaffrey vem para tornar o ataque dos Colts uma das melhores unidades da liga, ajudando Andrew Luck de todas as formas possíveis: correndo, recebendo e até mesmo fazendo o trabalho que a linha ofensiva não gosta de fazer (bloquear).

*Nota do editor: clubismo-mo-mo

Vem pra casa, lindo!

16) Baltimore Ravens: Derek Barnett, DE, Tennessee
Com a partida de Elvis Dumervil e a idade chegando a Terrell Suggs, os Ravens decidem dar um upgrade no seu pass rush.

17) Washington Redskins: Dalvin Cook, RB, Florida State
Dalvin Cook chega para não deixar dúvidas sobre a qualidade do jogo corrido em Washington. Kirk Cousins agradece, pois com um ataque mais balanceado ele finalmente vai receber aquela renovação de contrato (ou não).

18) Tennessee Titans: Marlon Humphrey, CB, Alabama
Já dissecamos o plano dos Titans nesse draft, e com a escolha de Humphrey a equipe sai com dois grandes reforços nas duas posições de maior carência no elenco.

19) Tampa Bay Buccaneers: Forrest Lamp, OG, Western Kentucky
É importante proteger Jameis Winston das defesas adversárias e dele mesmo: às vezes o rapaz se empolga tanto quando a jogada colapsa e ele sobrevive que acaba fazendo alguma cagada.

20) Denver Broncos: Garett Bolles, OT, Utah
Alguns torcedores dos Broncos defendem que Siemian é, sim, um bom QB, mas a linha ofensiva não ajuda. Reforçando a linha ofensiva, eles descobrirão que Siemian não é um bom QB.

21) Detroit Lions: Haason Reddick, LB, Temple
O corpo de LBs dos Lions precisa de reforços e um jogador com a versatilidade de Reddick chega para ajudar onde o time precisar – mas, infelizmente, não será suficiente: ele não pode se multiplicar.

22) Miami Dolphins: Reuben Foster, LB, Alabama
Miami se beneficia pelo segundo ano seguido de um jogador que caiu no board devido a alguns problemas extracampo. Com essa adição, a defesa dos Dolphins pode dar o próximo passo e se tornar uma unidade capaz de vencer jogos.

23) New York Giants: David Njoku, TE, Miami
Essa escolha pode ser entendida como um recado a Eli Manning: “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara pra pegar a bola. Ou vai ou racha“.

24) Oakland Raiders: Jarrad Davis, LB, Florida
Os Raiders precisam de ajuda na posição de LB. Não é a pick mais sexy desse draft, mas o jogador chega para melhorar uma defesa já em ascensão – também não é como se fosse possível ela piorar.

25) Houston Texans: Patrick Mahomes, QB, Texas
Sério que você quer saber porque os Texans escolheram um QB? Aproveita que o Game Pass está de graça até o meio de junho e assista ao jogo contra os Patriots: Andy Dalton venceria aquele jogo – ou pelo menos passaria perto.

26) Seattle Seahawks: Ryan Ramzcyk, OT, Wisconsin
Existe uma lenda de que se você tem mais de 1,90, pesa mais de 130 kg e deixa sua identidade cair perto da sede dos Seahawks na mesma semana você vai estar jogando na linha ofensiva de Seattle. Ramzcyk chega para acabar com um dos maiores provedores de empregos do mercado americano.

27) Kansas City Chiefs: Mitch Trubisky, QB, North Carolina
Alex Smith não te levará longe e Kansas City já percebeu isso. E não é como se ele fosse fazer cagadas ao longo da temporada para que o menino Trubisky tenha que sair do banco para resolver alguma bronca, como jogar a bola além da marca do 1st down.

Qualquer perspectiva de futuro é melhor sem Alex Smith.

28) Dallas Cowboys: Kevin King, CB, Washington

Porque o Mock já estava pronto quando lembramos.

29) Green Bay Packers: Quincy Wilson, CB, Florida
Quando me chamaram para fazer esse mock me disseram: “SÓ TIRA O GUNTER DO TIME TITULAR PELO AMOR DE DEUS”.

30) Pittsburgh Steelers: Budda Baker, S, Washington
Alguém precisa tacklear Chris Hogan: o WR dos Patriots está correndo até hoje na secundária de Pittsburgh. Mas no fundo queremos muito que os Steelers escolham um QB para que as pessoas comecem a acreditar em Roethlisberger. Nós sabemos que você não quer se aposentar, Ben.

31) Atlanta Falcons: Charles Harris, LB, Missouri
Atlanta substitui os spin moves de Dwight Freeney pelos de Charles Harris. Queremos acreditar que se Harris estivesse em campo os Patriots não virariam aquele jogo. Queremos.

32) New Orleans Saints (via New England): T. J. Watt, LB, Wisconsin
Como já dissemos, a defesa de New Orleans já pode ser chamada de defesa, mas ainda precisa de alguns reforços. Nada melhor que apostar no gene da família Watt.

Bônus:
Você que torce pra um time que trocou a escolha de primeira rodada (mesmo que seja por Sam Bradford) não foi esquecido.  Até porque não tem como se esquecer de algo que não existe – alô torcida dos Rams:

Los Angeles Rams: Pat Elflein, C, Ohio State
O ataque dos Rams não vai ser bom em 2017, mas ninguém pode impedi-los de tentar. Reforçar a linha ofensiva já é um grande primeiro passo.

Minessota Vikings: Dan Feeney, G, Indiana
Qualquer coisa que não seja o que os Vikings tem no elenco na linha ofensiva já pode ser considerado um reforço.

New England Patriots: Anthony Cioffi, S, Rutgers
A primeira escolha dos Patriots só vem na terceira rodada, nada que vá impedi-los de chegar ao Super Bowl (e provavelmente vencê-lo). Logo, a escolha de um safety de Rutgers que ninguém conhece não vai deixar os torcedores chateados. Enfim, o time não precisa dele mesmo.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e diz que cancelou alguns compromissos para assistir o draft, mas nós sabemos que ele ia ficar em casa de qualquer jeito.