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Homens causando (e passando) medo

Nunca é fácil escrever (e por escrever aqui queremos normalmente dizer “falar mal”) sobre o que time que se gosta, mesmo que tal tarefa não possa ser delegada a algum dos outros marginais que também fazem parte desta “mídia” (só os mais antigos entenderão).

Além disso, é ainda mais difícil escrever sobre um time que perdeu o que parecia ser sua grande chance na hora da verdade para ninguém menos que Nick Foles, enquanto se acredita que agora se pode chegar mais longe do que da última vez.

A razão disso, além da defesa sobre a qual dedicaremos mais linhas do que são devidas para contar suas fortalezas, é o novo quarterback que, quando Mike Zimmer chegou em Minnesota, era uma possibilidade inimaginável: Kirk Cousins, que assinou um contrato de três anos e 84 milhões de dólares com o único objetivo de ganhar o primeiro título da história dos Vikings. Qualquer coisa diferente disso será considerado um fracasso.

E não faltam razões para falarmos em fracassos e decepções na história recente de Minnesota: desde Christian Ponder (que, hoje, vemos que não tinha como dar certo), até as insistentes lesões de Teddy Bridgewater – que agora parece destinado a ser feliz em um lugar mais quente e Sam Bradford.

A efeito de potencial, podemos muito bem olhar para a carreira do próprio Nick Foles: QBs branquelos com cara de nerdões podem ganhar um Super Bowl dada a oportunidade correta. Cousins, inclusive, teve muito mais estabilidade do que Foles (isso depois, assim como um dia fizeram com Aaron Rodgers – alerta de comparação esdrúxula gratuita – passar três anos esquentando banco e aprendendo sobre a liga) e tem números para fortalecer seu posicionamento como um dos bons QBs da NFL: como titular, sempre passou para mais de 4.000 jardas e mais de 25 TDs, coisa que os Vikings não vêm desde Brett Favre – outra temporada feliz, mas deprimente.

Como última curiosidade, quando se enfrentaram em 2017, Cousins conseguiu marcar 2 TDs corridos. Quem sabe o homem seja até mesmo uma ameaça dupla (não é, ele correu para 5 jardas).

Diggs, Thielen & Cook

Se no momento em que falávamos sobre QBs importantes da história recente de Minnesota você sentiu falta do último, Case Keenum, saiba que foi intencional para usá-lo como exemplo de quão bom são esses jogadores de suporte: o eternamente medíocre Keenum teve um rating de 98.3, 22 TDs e 3547 jardas lançadas (das quais 2125 acumularam Diggs – hoje 72 milhões mais rico – e Thielen – o primeiro WR de 1000 jardas desde Sidney Rice), além de ter surpreendentemente vencido 11 jogos (mais do que no resto da carreira). Se Kirk Cousins teve um bom desempenho com Josh Doctson e Jamison Crowder, é válido sonhar com números absurdos com o novo trio.

É preciso mencionar também os complementos Kyle Rudolph e Laquon Treadwell. Rudolph foi um alvo importante na redzone para Keenum e produziu 8 TDs, mas segue sendo apenas um TE sólido, que colabora muito com o ataque sem trazer o brilho que outros têm na liga (como, por exemplo, tem Jordan Reed); Laquon Treadwell, por outro lado, teve uma segunda temporada tão decepcionante quanto a primeira, mas o fato de ter se solidificado como WR3 na equipe durante a pré-temporada lhe coloca como o principal coringa de Cousins (que curte distribuir a bola) e pode surpreender na temporada.

Um terror chamado linha (ofensiva)

É importante marcar que essa linha é o ponto de sustentação mais importante desse ataque com potencial absurdo que já falamos até aqui. E é facilmente o maior medo da torcida – vide o trabalho dos Eagles naquela final de conferência inesquecível (por mais que se tente).

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Ainda é impossível apontar exatamente a escalação completa dos Vikings (claro, tal qual os outros times em que erramos bastante também), mas aqui o problema especial é a própria OL. Mesmo após ter melhorado seu desempenho em relação aos tempos de Sam Bradford e Teddy (e talvez parte disso seja a “lendária” presença no pocket de Case Keenum), somente Riley Reiff estará presente na mesma posição de 2017.

Mike Remmers foi movido para o interior e será o RG, enquanto Rashod Hill (que jogou algumas partidas já no ano passado, mas, de acordo com ele mesmo, sentiu a falta de fôlego naquele jogo dramático contra os Eagles) provavelmente lhe substituirá como RT.

Pat Elflein, o C e melhor jogador da linha está machucado, enquanto o time trocou por Brett Jones, que não seria titular nos Giants nesse ano (apesar de ter sido o C titular em 2017), e contratou Tom Compton – desses três, deverão sair dois titulares (e se você não tem um titular definido a essa altura do campeonato, já sabemos que algum problema está aí).

Outro terror também chamado linha (defensiva) – e mais alguns amigos ricos

Se por um lado a estabilidade do ataque passa pela linha ofensiva, o caminho para a terra prometida passa pela defesa. Uma das histórias mais interessantes da offseason eram os Vikings tentando achar dinheiro para pagar Kirk Cousins, a melhor opção de QB no mercado, sem ter que abrir mão de importantes peças defensivas – e, ao que tudo indica, conseguiram até mais do que isso, pelo menos para 2018.

Principalmente porque a grande contratação de 2018 pode acabar sendo Sheldon Richardson ao invés de Cousins: no ano passado, a equipe não contava com um verdadeiro 3T como um dia teve Kevin Williams para destruir defesas pelo meio e agora tem, logo ao lado do monstruoso e imparável Linval Joseph.

Para piorar, do lado de cada um deles, estarão Everson Griffen, que dispensa comentários além dos seus 13 sacks (maior marca da carreira, ou seja, ainda está melhorando), e Danielle Hunter que, se não produziu números em 2017 (7 sacks em sua primeira temporada como titular absoluto), sua capacidade de cheirar cangotes de QB e empurrar gordinhos da OL está posta no papel na forma dos mesmos 72 milhões que recebeu Stefon Diggs.

Na rotatividade dessa linha, inclusive, deverá ser incluído o já mencionado Anthony Barr, única estrela de 2017 que ainda não recebeu um novo contrato, que com a saída de Brian Robison (dispensado), deverá ter a oportunidade de caçar QBs da linha como fazia na época da universidade. O seu companheiro, Erick Kendricks, também ganhou contrato novo, mas mais modesto: só 50 milhões.

A secundária, que disputou em 2017 e deverá disputar em 2018 com a dos Jaguars pelo posto de qual cede menos aos adversários, também tem reforços novos, tanto em campo como nas sidelines: ao invés de escolher um jogador de linha ofensiva como todos esperavam, na primeira rodada do draft os Vikings pegaram Mike Hughes, CB maloqueiro e aparentemente já tem dado resultados na difícil posição do slot, tirando a relevância de Mackesie Alexander. Como novo treinador, o time contou com a aposentadoria de Terrance Newman, que chegou ao fim de sua carreira interminável e seguirá como apoio.

Treinados por Newman (“técnico de defesa nickel”, no título oficial), deverá se repetir o grupo que jogou com ele em 2017: as estrelas Xavier Rhodes e Harrison Smith, que frequentemente são colocados como os melhores ou entre os melhores das suas posições, opostos por Trae Waynes e Andrew Sendejo, que um dia foram considerados medíocres, mas a temporada de 2017 apenas consolidou a evolução deles e o esperado é que isso siga para 2018 (sob pena de serem ameaçados por jogadores como o próprio Alexander e George Iloka, velho conhecido de Zimmer que veio por um salário mínimo para brigar pelo seu lugar ao sol).

Palpite:

13-3, sem medo de ser feliz. Uma das derrotas, a mais previsível de todas, será contra os Bears no Soldier Field – porque os Vikings nunca ganham lá e temos medo de Khalil Mack. Outra, será contra os Eagles para enterrar qualquer esperança de que a equipe possa chegar ao título da NFC – e motivará o time para a grande final da conferência. É importante, e devo falar aqui como torcedor, acreditar que a vingança virá. E aí o drama de enfrentar um Super Bowl fica para outro texto.

Tentando permanecer relevante

“This one is for Pat!”. Quando John Elway ergueu o Lombardi após a vitória no Super Bowl 50, ele estava (talvez) no ponto mais alto de sua carreira. Depois de vencer a NFL duas vezes como jogador, ele finalmente conseguiu repetir o feito, agora como General Manager.

Não restavam dúvidas: John havia montado em 2013 um dos melhores ataques da história da liga, apenas para ver esse mesmo ataque sendo destroçado pela Legion of Boom. Elway, então, entendeu que “se não pode com eles, junte-se a eles”, e assim montou uma defesa quase tão poderosa quanto aquela unidade comandada por Peyton Manning.

Dois anos depois, Manning já não era mais o mesmo, e quem ficou marcado na conquista do Super Bowl foi o sistema defensivo montado por John. Três anos, dois Super Bowls e duas grandes equipes, bem diferentes entre si. Elway, que já estava no Hall da Fama como jogador, mostrava que poderia repetir o feito como dirigente.

Rostinho que passa credibilidade.

Você é bom, até que não é mais

Duas temporadas se passaram, e essa percepção foi praticamente apagada da cabeça dos torcedores. Se antes John era aplaudido por recrutar Peyton Manning, hoje a questão paira como uma dúvida: é tanto mérito assim contratar aquele que é pra muitos o melhor QB da história?

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Os questionamentos vêm em função dos substitutos escolhidos para O Testa. Brock Osweiler (HAHAHA) se tornou um dos piores exemplos possíveis na história da liga, Paxton Lynch só sabe jogar futebol americano se for no Madden e Trevor Siemian foi apenas um devaneio de algumas noites de setembro.

Some isso ao fato de que a defesa não conseguiu repetir as atuações dos playoffs de 2015/16 e você tem um time que, se antes era um dos destaques da liga, passou a ser uma daquelas equipes que você rola os olhos quando descobre que está no Primetime e/ou vai ser a transmissão do segundo horário da ESPN (essas equipes são um oferecimento do Dallas Cowboys™).

Virando a página?

Ciente das pataquadas que fez nos últimos drafts, Elway resolveu mudar a fórmula. Desistiu de apostar em prospectos na posição de QB e foi atrás de nomes de experiência e já consolidados na posição. Bem, Case Keenum não é necessariamente o nome que vem à mente quando falamos dessas características, mas era o que o mercado tinha a oferecer depois que Kirk Cousins resolveu agitar a economia de Minnesota. A escolha é extremamente questionável, ainda mais se considerarmos que a essa altura do ano passado Keenum não era nem nota de rodapé nas matérias que antecipavam a temporada.

Tem tudo pra dar errado.

A defesa também já não é aquela que fez Tom Brady sentir o gostinho dos gramados do Colorado por 60 minutos. Após o título do Super Bowl 50 a saída de Malik Jackson deixou um buraco no meio da linha defensiva. Ano passado o time se livrou de TJ Ward, que por sua vez foi encher o saco em Tampa Bay. E, em 2018, Aqib Talib foi trocado pra Los Angeles por quatro potes de Whey Protein. Além deles, DeMarcus Ware está curtindo a vida de aposentado já há algum tempo. E, claro, repetir o alto nível de jogo com essas ausências foi ainda mais difícil quando o ataque tinha dificuldades até mesmo de entrar em campo (acredite nos seus sonhos).

Por fim, a aposentadoria precoce de Gary Kubiak deixou a franquia sem o técnico que levou o time ao ponto mais alto do pódio (que na NFL não existe). O escolhido, Vance Joseph, fez um trabalho tão ruim em 2017 que haviam rumores de que ele poderia ser demitido após a temporada, colocando-o no hall de técnicos que passaram pelo one-and-done ao lado de lendas do esporte como Jim “cara de rato” Tomsula.

Ano novo, vida nova (mas nem tanto)

Para sair do limbo que é a mediocridade das últimas temporadas, o Broncos e John Elway apostam em um espécie de híbrido daquele time que venceu o Super Bowl com um bando de novas faces.

Case Keenum, como já falamos, vem pra ser a decepção na posição de Quarterback da vez. Paxton Lych é palavra proibida dentro da franquia, a não ser que o assunto seja “troca”. Chad Kelly (sim, aquele), pode acabar levando o posto de backup.

Pode apostar que vai dar merda.

O corpo de Wide Receivers é basicamente aquele que você se acostumou a ver: Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas revezando boas e más atuações, com algumas lesões no meio. Chegaram para ajudar, pelo Draft, Courtland Sutton e DaeSean Hamilton. Se considerarmos o histórico de Elway draftando jogadores da posição, podemos esperar, dentre outras coisas, vários nada.

Já nas posições de Running Back e Tight End, temos o que podemos descrever como um bando de incógnitas. Se Devontae Booker ainda não mostrou muito serviço, podemos falar o mesmo de Jake Butt. E, tal qual Royce Freeman, Troy Fumagalli (sim!) é um calouro que, ao contrário da indústria do draft, não vamos fingir saber o que esperar deles. Se você está sentindo falta de alguém, CJ Anderson está nos Panthers (nós também esquecemos).

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Por fim, a linha ofensiva, que já vinha melhorando desde as chegadas de Ronald Leary e Garett Bolles, conta agora com o reforço (?) de Jared Veldheer. Pode não ser a melhor unidade da liga, mas já é muita coisa se considerarmos que a NFL é lar de times como o Seattle Seahawks.

A defesa ainda é um esboço daquilo que nos habituamos a ver. Derek Wolfe e Von Miller comandam a linha defensiva, que agora pode contar com a monstruosa adição de Bradley Chubb. Basicamente, a ideia dos Broncos é reeditar a parceria de sucesso que Miller teve com DeMarcus Ware.

Os LBs ainda são comandados por Brandon Marshall e Todd Davis, enquanto a secundária ainda conta com Chris Harris e Darian Stewart. Além deles, a equipe parece esperar boas contribuições de Bradley Roby e Justin Simmons. Por fim, a adição do problemático Xavier Su’a Cravens traz uma opção versátil para a unidade. Se tudo sair como o planejado, Denver pode voltar a ter uma das melhores defesas da NFL.

Palpite

A ideia de mesclar os veteranos do time com novas caras parece boa, mas a vida útil do jogador da NFL é muito curta. Acreditar que alguns atletas vão retomar as grandes atuações e que os novatos vão emplacar requer muito boa vontade. Case Keenum está longe de empolgar como QB. Por tudo isso, e por jogar em uma das divisões mais complicadas da liga, dificilmente o Broncos volta aos playoffs. Uma temporada entre 7-9 e 9-7 pode ser o limite para esse time.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Kirk Cousins: você gosta disso, Redskins?

Antes de entrarmos nessa discussão é preciso ter consciência de que salários de quarterbacks raramente fazem sentido, sobretudo porque a própria realidade da NFL raramente permite que eles sejam pautados pela lógica. Lembre-se: Jay Cutler recebeu mais dinheiro garantido na assinatura de sua renovação com o Bears do que contrato vigente de Aaron Rodgers. Mais que os mesmos aproximados US$ 30 milhões que estão pingando na conta de nomes como Matt Ryan, atual MVP, e Alex Smith, futuro MVP. Não podemos esquecer também que Brock Osweiler já fez muito, muito dinheiro.

O fato é que, muitas vezes, os melhores quarterbacks são ridiculamente mal pagos em comparação com jogadores abaixo da linha de mediocridade, mas que calharam estar no lugar certo, na hora certa. Um jogador, porém, pode alterar novamente a perspectiva dessa mercado: Kirk Cousins. Talvez não esteja exatamente no lugar certo, mas seu contrato, mais uma vez, acabará na melhor hora – ao menos para ele.

Cousins é um Teste de Rorschach (“o que você vê neste borrão, caro amigo?”) em forma de quarterback: ainda há um debate constante sobre o quão bom ele realmente é. Claro, você pode enxergá-lo da forma que lhe convir, mas sua opinião final revelará muito mais sobre como você enxerga o football e a NFL atual, do que sobre o talento do QB do Redskins. Kirk é um quarterback capaz de vencer na pós-temporada? Ou é um mero produto de estatísticas que apenas evidenciam que passar para mais de 4 mil jardas já não é algo mais tão extraordinário?

Afinal, lembre-se: Andy Dalton tem mais temporada de 4 mil jardas do que John Elway e Joe Montana somados – hoje, qualquer QB com o mínimo de coordenação motora é capaz de esticar o campo e produzir números capazes de impressionar.

Um bom malandro, conquistador…

Oferta e demanda

O preço a se pagar por um bom quarterback aumentou consideravelmente conforme a importância de um bom quarterback dentro de campo também cresceu (menos em Jacksonville, mas lá a coisa é meio louca mesmo). E se antes a posição já era considerada de forma quase unânime a mais importante entre todos os esportes, em algum momento ela se tornou ainda mais importante.

E antes de Matthew Stafford, nesta última offseason, Derek Carr já havia quebrado o recorde de maior contrato da NFL – que Andrew Luck, indiscutivelmente mais talentoso que ambos, quebrara em sua renovação mais recente.

Contexto é fundamental para um QB conseguir um contrato de seis dígitos e, goste você ou não, Cousins atingiu o topo da lei de oferta e procura nas duas vertentes do mercado: mesmo que não seja um cenário dos sonhos, Kirk é bom o suficiente para qualquer boa equipe. Do outro lado da moeda, para franquias que insistem em maltratar nossos olhos, ele alcançou o melhor status possível: simplesmente está disponível.

Um sonho de verão na capital

Mesmo que o futuro de Kirk tenha sido debatido a exaustão durante a última offseason, todos sabíamos que ele não acabaria em lugar algum além de Washington: os US$ 24 milhões de sua franchise tag soaram como decisão óbvia em um liga onde Mike Glennon é considerado um free agent de US$ 15 milhões e, bem, não vamos lembrar quanto o Houston Texans “investiu” em Brock Osweiler.

Lógico, fãs de football, sobretudo do Washington Redskins, podem considerar o valor exorbitante, mas jogadores como Kirk são caros porque se provaram extremamente confiáveis – e quase nunca estão disponíveis. O próprio Redskins, por exemplo, não escalava o mesmo quarterback por quatro temporadas desde 1993. Quem quebrou esse cenário de incertezas? Kirk, titular indiscutível desde as últimas seis partidas da temporada de 2014.

Também é compreensível demonstrar certo receio em distribuir valores entre US$22 e US$27 milhões ao longo de cinco temporadas – a receita básica e usual para destruir um salary cap – se você não tem a absoluta certeza de estar diante de um quarterback cujo a habilidade é capaz de preencher grande parte das falhas em um elenco com seu talento.

Mas após dois anos de ótimas atuações, Kirk tem mostrado esse talento, sobretudo em um Washington Redskins já plenamente moldado ao seu estilo de jogo – agora restam pouco mais de dois meses para a franquia encontrar a certeza que está diante de seu futuro.

Controlando as ações

Joe Banner, com passagens em cargos gerenciais em franquias como Eagles, Browns e Falcons, afirmou recentemente ao Washington Post que nunca viu um atleta com tanto controle sobre as negociações e seu futuro quanto Kirk: ele simplesmente não precisa assinar com o Redskins por menos que um contrato enorme que o fará, ao menos durante próximo verão, o quarterback mais bem pago da NFL.

É uma alteração significativa em todo o sistema econômico de uma liga multimilionária: Kirk Cousins será o FA mais cobiçado desde Peyton Manning em 2012. Sim, você leu isso. O “porém” é que, além disso, o contexto em que Cousins está inserido é melhor que o de Manning há cinco anos: ele estará completando 30 anos, o que o fará assinar o maior contrato da história ou obrigará o Redskins a usar a franchise tag novamente, dessa vez por algo em torno de US$34 milhões (!).

Os reflexos em toda a NFL serão diretos: considere que a média salarial de Aaron Rodgers é, hoje, algo em torno de US$22 milhões. Parece óbvio, então, que qualquer renovação com um nome de seu calibre seja pautada por um cenário em que ele receba ao menos US$ 30 milhões anuais – ao menos em um mundo onde Kirk está tendo seus vencimentos nesta faixa.

Ao Redskins, só há um cenário em que sua situação pode melhorar (pouco) diante de todo o contexto: os números de Kirk em campo diminuírem significativamente. Mesmo assim, Cousins seguirá no controle: ele sabe que a taxa de sucesso para quarterbacks selecionados na primeira rodada do Draft gira em torno de 50% – e talvez o próprio Washington ainda esteja curando as feridas da escolha gasta com o RGIII (descanse em paz). E caso a franquia deixe Kirk escapar, precisará mergulhar na free agency, um território em que eles sabem que nunca encontrarão alguém como Kirk; o mesmo território em que Mike Glennon conseguiu encontrar alguém para depositar US$ 16 milhões em sua conta bancária (#dabears).

Kirk terá ainda muitos pretendentes; se o 49ers, agora comandado por seu antigo coordenador, Kyle Shanahan, parece o favorito e o cenário ideal (não mais pois Cousins perdeu a disputa para um QB mais bonito), é preciso considerar que há muitas equipes além de San Francisco com espaço disponível para pagar o que Cousins pretende receber; o Jets, por exemplo, terá mais de US$56 milhões livres em seu salary cap.

You Like That?

Claro, alguns QBs poderiam conseguir um bom nível de sucesso em Washington, mas não há garantia alguma de que deixar Kirk partir traria um deles para o Redskins. E, independente da forma como esta temporada termine – parece difícil chegar aos playoffs em um cenário em que o Eagles mantenha o nível e já com duas derrotas para o rival direto – a decisão de Washington para o próximo ano se resumirá a o quão confiante a franquia está em seu sistema ofensivo, e se ele por si só é capaz de transformar qualquer quarterback em um atleta que funcione dentro da estrutura já existente.

Por ora, Cousins pode pensar em pedir o quanto quiser, mas sua melhor arma para conseguir o maior contrato da história é continuar mostrando que pode transformar o ataque aéreo de Washington em um dos mais eficientes da NFL – em uma liga em que Joe Flacco está recebendo US$25 milhões para lançar passes de 3 jardas, talvez a melhor alternativa seja dar a Kirk o valor que ele realmente merece – ou que o mercado diz que ele merece. 

Show me the money!

O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como terceira opção.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.

Divagações de offseason: uma eterna luta contra o tédio

Ao traçar estas linhas, adianto: como é visível o grande interesse que a NBA parece ter tomado no Twitter (NBA!!! Estive até me preocupando com a saída de Ricky Rubio ou a chegada de Jimmy Butler em Minnesota), esse é provavelmente o mês mais tedioso de nossa amada liga.

Para nossa sorte, porém, dentro de poucas semanas devem começar os training camps e, com eles, o contrato de 7 bilhões ao longo de 18 anos de algum suposto astro do basquetebol (sério, os contratos da bola laranja são ridículos) será substituído na escala de relevância do noticiário esportivo pela lesão no dedão do pé do WR4 dos Jets – se Deus (Tebow) permitir.

E como tal, tentemos colocar nossas cabeças para trabalhar e comecemos com suposições. Nem que seja para aparecer logo no início da retrospectiva do ano que vem sobre “percebam como começamos o ano já falando merda”. Pensando nisso, apresentamos nove situações que deveriam acontecer em julho, mas provavelmente não passarão de mera ilusão até meados de setembro:

1 – Kyle Shanahan descolando uma troca por Kirk Cousins

Quem sabe se ele mandasse um 1st round top-10 protected para os Redskins, além de dois core players, Washington desistisse de tanta briga por um novo contrato que nunca acontecerá e aceitasse liberá-lo para o lugar em que Cousins finalmente será feliz. E, inevitavelmente, decepcionará devido à mediocridade que lhe cercará em San Francisco.

Na verdade, adoraríamos sugerir a troca de Philip Rivers ou Eli Manning – vem Davis Webb! – ou algum veteraníssimo, mas como esse é uma época de esperanças, não encontramos nenhuma situação em que poderíamos ser criativos o suficiente – mas imagina que doido Rivers no Broncos, hein?

2 – Alex Smith, Mike Glennon pro banco

Pensamos em adicionar Tom Savage à lista, mas até para essa dupla de medianos, comparar com Savage é muita humilhação – e talvez os Texans sejam sábios o suficiente para colocar o Tom ruim no banco em julho mesmo. Mas, sério: alguém tem alguma dúvida que, mais cedo ou mais tarde, Mahomes e Mitch serão os titulares de Chiefs e Bears?

Alex Smith teria que se transformar no Tom Brady do Oeste para evitar que o novo Brett Favre (a cada passe fué de Smith, Reid olhará para o banco e lembrará que Pat está ali, completamente cru, mas com o canhão que todos amam na liga) tome a sua posição mesmo com uma campanha vitoriosa.

“Alex Smith sentiu um desconforto na alma, precisa meditar e, portanto, vai ficar fora tempo suficiente para Mahomes assumir”, será a manchete que encontraremos.

O veterano tem ainda menos esperança no duelo Mike x Mitch. Entretanto, é válido lembrar: o último time que apostou pesado duplamente em QBs (os Redskins, em 2012, draftando Cousins no quarto round ao invés de apostar em alguma outra posição em que poderia encontrar um titular) acabou se dando bem justo com a opção “secundária”.

Passa credibilidade?

3 – Algum RB admitindo que não correrá para mais de mil jardas na temporada

“É, sabe como é, na verdade estaremos em um grande comitê, vou dividir carregadas com outros dois jogadores medianos como eu e, no final das contas, não vou produzir o suficiente para ser draftado com qualquer das suas três primeiras escolha no fantasy.”

Era só o que queríamos ouvir: um pouco de realidade para variar e poder, assim, evitar as dicas do Michael Fabiano. É claro que em uma época do ano em que todos os times esperam vencer todas as  partidas (menos os Jets, na AFC, e os Rams, na NFC), talvez esperar ouvir verdades de jogadores do grupo de Adrian Peterson e Marshawn Lynch seja excesso de esperança.

4 – Pete Carroll admitindo que tentará matar Russel Wilson

A ideia era começar o tópico listando os titulares possíveis. A verdade: é impossível adivinhar quem serão. Luke Joeckel (daquele maravilhoso draft de 2013) e Ethan Pocic (rookie) são nomes reconhecíveis, mas tampouco passam segurança.

Senhoras e senhores, a OL dos Seahawks. Além disso, Carroll se diz “animado com a evolução da linha”, que cedeu 42 sacks em um jogador liso como Russell Wilson, que também acabou sofrendo com lesões em 2016. Também, com o novo contrato do QB, a janela para a incrível Legion of Boom está se fechando: Kam Chancellor, por exemplo, tem seu contrato acabando esse ano e Michael Bennett e Cliff Avril não estão ficando mais novos.

Se o responsável por manter os bons resultados em Seattle será o marido da Ciara (e seus US$ 20 milhões anuais), é bom que seu head coach e o grande “especialista em linha ofensiva” Tom Cable parem de tentar assassiná-lo.

“Vou te matar”

5 – Jogador reconhecendo que não está totalmente saudável ou em plena forma física

Acontece todo ano. Todo mundo chega das férias voando, melhor forma da carreira e blablabla independente de raça, posição ou idade. Chega o final de setembro, o mesmo craque sente o quadril, o tornozelo, o joelho e admite que “não era bem assim”.

Um belo exemplo, como torcedor dos Vikings, será observar o retorno de Teddy Bridgewater. Por mais emocionante que seja, uma lesão que levaria dois anos para uma boa recuperação está se tornando uma lesão que permitirá que ele volte para competir diretamente pela titularidade com Bradford. Atenção às mentiras: não é bem assim.

6 – Os Chargers encontrarem um estádio de verdade

Ataque gratuito: mas, sério, com um esporte que tem de média 60-70 mil espectadores tanto a nível profissional como a nível universitário, jogar em um estádio que não poderia receber uma final de Libertadores, é uma piada.

7 – Josh Gordon liberado

Maconha: essa droga que destrói famílias na liga e faz as pessoas sofrerem ao redor do mundo. De qualquer forma, especialmente com o aumento de estados americanos que permitem o uso da erva, é uma questão de tempo até que a NFL inevitavelmente supere suas regras de Arábia Saudita e permita que, ao menos, se teste os benefícios que ela pode ter para seus funcionários.

Enquanto isso, já passou da hora de perdermos talentos do nível de Gordon (87 catches, 1646 jardas em 2013 com Brian Hoyer ou algo equivalente) simplesmente por serem maconheiros. Legaliza, Goodell.

8 – Parar de ler esse tipo de texto quando bate a saudades e damos aquela passadinha no site da NFL

Sério? Calma, caras! E, pior, até faria sentido trabalhar com nomes do nível de Odell Beckham, que tem destruído a liga já há algumas temporadas. Mas colocar Carson Wentz como HOFer em potencial é apostar muito, mas muito alto; inclusive, apostamos que Schein não botou nem 10zão em Vegas esperando que Wentz chegue em Canton lá por 2040.

E para não dizer que batemos só em casos fáceis, Jameis Winston e Amari Cooper? Eles têm potencial, lógico, mas tanto quanto, sei lá, Jarvis Landry. Sério, uma média de 1 INT/jogo e ser o WR1a do WR1b Michael Crabtree não são exatamente o que esperamos ver como Hall of Famer em 20 anos.

Mal dá para esperar que cheguem finalmente aqueles reports maravilhosos de Training Camp sobre lesões irrelevantes ou pequenas cenas lamentáveis rapidamente solucionadas.

9 – Um QB machucado sendo substituído por ELE: Colin Kaepernick

Vocês sabiam, quando começaram a ler esse texto, que chegaríamos inevitavelmente aqui. Os mais desiludidos já dizem que Kaep jamais voltará a liga; a regra geral diz que é questão de tempo. Por exemplo, sabemos que, no caso de lesão de Flacco ou Wilson, John Harbaugh e Pete Carroll sabem onde encontrar um quarterback titular.

No resto da liga, será ao menos curioso ver o que acontece quando o inevitável fantasma das lesões atacar e deixar algum time pronto refém de Case Keenum ou Matt Cassel para chegar aos playoffs.

Como dissemos lá no início: talvez não aconteça em julho, mas setembro. E com ele nossa liga favorita, (ansiosos esperamos) sempre chega.

Um novo messias em Los Angeles

Sean McVay. Nessa altura do campeonato, você já deve ter ouvido seu nome algumas vezes no noticiário, afinal ele é o novo head coach da principal (eles são os donos do futuro estádio, não é) franquia da segunda maior cidade dos Estados Unidos: o fracassado Los Angeles Rams.

Após cinco temporadas abaixo de 50% de aproveitamento com o histórico Jeff Fisher, Stan Kroenke e cia resolveram inovar. E, por inovar, entendam de todas as maneiras possíveis: McVay é o HC mais jovem da história da NFL, com apenas 30 anos; quando ele nasceu, Jeff Fisher estava começando sua carreira como treinador. Além disso, Sean era também um ilustre desconhecido: seu trabalho na ascensão de Kirk Cousins era visível, mas se cruzássemos com ele na rua, provavelmente pensaríamos estar vendo Carson Wentz; se ouvíssemos seu nome, provavelmente pensaríamos em algum destes novos atores que surgem no Netflix – e desaparecem na mesma velocidade.

O início

Como é de se imaginar, Sean tem bons contatos no mundo NFL. Seu avô, John McVay, foi treinador do New York Giants no final da década de 70 (demitido após o primeiro “Miracle in the Meadowlands”). John também foi uma das peças principais do front office da dinastia que levou cinco Super Bowls em San Francisco – Sean, por outro lado, não era sequer nascido nas duas primeiras conquistas.

McVay cresceu em Atlanta e teve uma boa carreira no ensino médio, quando foi eleito jogador de ataque do ano da Georgia como QB e ainda jogou dois anos na Universidade de Miami (Ohio) até 2007, sem grandes aspirações a NFL. Novamente, para dar uma ideia de sua juventude: o último jogador com carreira na liga a sair desta universidade foi Ben Roethlisberger, draftado em 2004.

Tempo bom que não volta mais.

Assim que se graduou, conseguiu uma vaguinha como assistente em Tampa Bay, com o irmão daquele que lhe daria a grande oportunidade, Jon Gruden. No ano seguinte, foi trabalhar na extinta UFL, em um time em que Jay Gruden era coordenador ofensivo. Em 2010, foi contratado pelos Redskins como “assistente de treinador de tight ends” e, no final dessa mesma temporada, acabou promovido porque o responsável pela posição abandonou o cargo para virar HC de uma equipe de college football.

Dessa forma, com 24 anos, ele era responsável por um jogador como Chris Cooley, um veterano estabelecido três anos e meio mais velho que ele e em uma de suas melhores temporadas; a princípio, ele desconfiou das capacidades do jovem treinador, mas assim que Sean abriu a boca, Cooley acabou impressionado: “Aprendi mais sobre football em quatro semanas do que tinha aprendido em toda a minha carreira”.

Washington Redskins

Uma rápida pesquisa é suficiente para encontrar diversas declarações apaixonadas dos TEs que trabalharam com McVay. Jordan Reed, que teve grandes temporadas sempre sob a tutela do treinador, pediu especificamente para continuar realizando trabalhos individuais com ele quando Sean foi promovido a coordenador ofensivo entre a demissão de Mike Shanahan (e do treinador dos 49ers, Kyle Shanahan) e a contratação de Jay Gruden (em 2014).

Logan Paulsen, hoje nos 49ers, ressalta a facilidade que McVay tem de recordar nomes e tratar de maneira extremamente pessoal cada pessoa que trabalhava nos Redskins, desde outros treinadores às tias da limpeza. Essa mesma habilidade foi apontada por jornalistas que lhe entrevistaram durante o encontro anual de treinador em Phoenix: estudioso, conhecia e se referia a cada repórter pelo primeiro nome ao dar as respostas. O já citado Cooley, talvez seu maior fã depois do próprio pai, falava já no início de 2016 para quem quisesse ouvir que McVay ia ser head coach em 2017. A princípio, riram dele.

Entretanto, o novo treinador dos Rams não ganhou a sua posição por um bom trabalho com TEs. Talvez não por ter sido excepcional em suas duas entrevistas com o seu novo chefe – durante a qual Kevin Demoff, da diretoria dos Rams, enviou uma mensagem para Jon Gruden dizendo “meu deus, ele é igualzinho a você”.

Seu trabalho com Kirk Cousins, um jogador draftado na quarta rodada exclusivamente para ser reserva de RG3, levando ele ao nível que sempre se esperou alcançar com Griffin, foi o que lhe garantiu um novo emprego. Recordes consecutivos de jardas lançadas em Washington foram quebrados (4.917 em 2016), além de um rating de elite e 63 TDs ao longo de dois anos inteiro juntos, resultando também em mais de 40 milhões de dólares que Kirk recebeu com sua franchise tag dupla; como princípio de funcionamento do ataque, o objetivo era sempre ter Cousins em uma posição favorável de terceiras descidas.

Brothers.

É fato que muito se fala de Kyle Shanahan em San Francisco como destino de Kirk quando ele inevitavelmente não consiga o contrato que ele quer em Washington para continuar ali nas próximas temporadas; entretanto, seu sucesso realmente veio com McVay. Obviamente, o jovem treinador tem um desafio interessante em Los Angeles, mas se tudo der errado com Jared Goff, atenção a esse leilão em 2018.

O desafio Goff

Pouco preocupa a defesa dos Rams. Esse lado do time está muito bem resolvido ancorado pelo monstruoso Aaron Donald; melhor do que isso, McVay agiu rapidamente e contratou Wade Phillips (Texans, Broncos) para ser seu coordenador defensivo. Se alguma coisa vai mudar por ali, será para melhor. Isso dá uma boa base para um setor ofensivo que precisará fazer o mínimo para chegar longe, especialmente em uma NFC sempre tão disputada.

Todd Gurley também deverá voltar a jogar bem – é difícil acreditar que aquele talento do primeiro ano tenha desaparecido; é bem mais fácil botar a culpa em Jeff Fisher e sua incapacidade generalizada. O time também trouxe reforços para a linha ofensiva, como os veteranos Andrew Witworth, ex-Bengals, e John Sullivan, ex-Vikings – inclusive, dois dos três únicos jogadores que são mais velhos que McVay: o Rams é o time mais jovem da liga já há alguns anos.

Mas a eficiência do setor ofensivo passa pelo QB. O dos Rams, de quem já falamos aqui e zoamos sempre que possível, não é grande coisa. Na verdade, até o momento, provou ser um bust daqueles. Tentando observar por outra perspectiva, seus números podem equivaler-se àqueles que Kirk Cousins tinha antes de encontrar seu guru em McVay – como última curiosidade etária, se pode esperar ao menos que McVay se entenda bem com Goff, somente oito anos mais jovem que ele; Belichick, por exemplo, tem 25 anos a mais que Brady.

Novo no pedaço.

Além disso, não se deve riscar qualquer jogador depois de apenas sete partidas: sempre soubemos, Goff era um “projeto” a ser desenvolvido e não é culpa dele que os Rams tenham investido tudo o que investiram; eles não têm o direito de esperar retorno imediato.

De qualquer forma, não será por falta de trabalho da parte do treinador. Dormir entre 22h e 23h é comum para Sean, assim como acordar no dia seguinte às 4 da manhã. E, como brinca Chris Cooley, dá um soco no ar de animação para mais um dia de football. Esperemos apenas que Goff ou, vai saber, Sean Mannion ou algum outro desavisado que passe na frente do CT e saiba, realmente, lançar uma bola, não destrua todo este entusiasmo.

Bons e maus negócios: Texans, Brock Osweiler e o Browns

Na NFL, assim como no mundo empresarial, existem bons e maus negócios. Também há negócios horríveis e há, ainda, aqueles que se revelam tão desgraçados que uma das partes envolvidas precisa assumir o erro e apenas se livrar dele – porque, afinal, um erro por si só pode ser compreensível, mas insistir nele é imperdoável.

O melhor exemplo destas negociações vergonhosas foi protagonizado pelo Houston Texans, e o atestado de culpa foi o envio de Brock Osweiler (e uma escolha de segunda rodada no draft de 2018) para o Cleveland Browns para simplesmente se livrar de seu contrato – e, claro, de um quarterback com aparentes problemas de coordenação motora.

Paralelamente, isso significava também que os Texans estariam preparando terreno para receber Tony Romo (o que, pouco mais de um mês depois, ainda não ocorreu – mas aguardemos com a devida paciência. Nota: aguardamos e um dia após a publicação destas tortas linhas, Antonio Ramiro se aposentou. Chupa, Texans!): seria um ajuste perfeito para uma equipe que nas últimas temporadas construiu uma das melhores defesas da liga e possui talentos razoáveis em diversas posições ofensivas; DeAndre Hopkins é inegavelmente um dos grandes WRs da NFL e Lamar Miller, senão entrará para a história, ao menos é um ótimo RB.

O problema é que, em 2016, tudo isso esteve à disposição de um QB abaixo da linha de mediocridade, que após faturar um Super Bowl graças a Von Miller e amigos, garantiu quase US$40 milhões em sua conta bancária. E, após sua primeira temporada como titular, com média de 5.8 jardas por tentativa, só foi melhor do que Ryan Fitzpatrick – o que sabemos, não quer dizer nada.

O último ato

Houston chegou a semifinal da AFC e o jogo que pôs fim a temporada do Texans é um retrato perfeito da franquia nos últimos anos: o sistema defensivo interceptou Tom Brady duas vezes naquela tarde de sábado (igualando o que o então futuro MVP do Super Bowl tinha feito em toda a temporada). No que essas interceptações resultaram? Dois field goals. E embora o placar final, 34 a 16 para New England, não mostre, até o Super Bowl Houston fora o adversário que mais proporcionara problemas para o Patriots na pós-temporada.

Agora, em uma análise fria graças a distância temporal, fica ainda mais nítido que o desempenho de Houston foi traído por um ataque comandado por Brock Osweiler, que converteu apenas três de 16 terceiras descidas. Foi um choque de realidade, um pequeno novo lembrete do quão distante eles estão de se tornarem contenders, afinal, ali estava evidenciado que com uma defesa deste nível, até mesmo um ataque minimamente eficiente poderia ter causado reais problemas para o Patriots – no entanto, no final da história, eles conseguiram apenas 285 jardas totais e 16 pontos.

Alô, galera de cowboy!

Choque de realidade

Brock terminou sua última partida com a camisa do Texans com média inferior a 5 jardas por tentativa (198 em 40 passes), um TD e 3 INT. Ele teve um bom momento, um passe profundo para o touchdown de Will Fuller, mas foi apenas um lampejo, logo apagado porque por quase 60 minutos ele foi o mesmo quarterback que havia sido o ano todo.

Lamar Miller, Jadeveon Clowney e DeAndre Hopkins, nos seus melhores anos, tiveram mais uma temporada desperdiçada (JJ Watt, o deus, lesionado, tinha o 2016 jogado no lixo já, o que não deixa de ser uma desculpa). E se o trabalho de Bill O’Brien parecia seguro – merecidamente – agora havia o que se questionar: por três anos ele conseguiu extrair o máximo de uma equipe com péssimos quarterbacks, mas seu papel na contratação de Brock não havia sido preponderante?

Era evidente que todos os fatores envolvendo Osweiler colocava o Texans em uma situação complexa: uma grande defesa, bons talentos ofensivos, mas tudo isso preso a um QB inerte?

O processo

Assim que a notícia da troca entre Texans e Browns se tornou pública, as especulações de que Cleveland nem mesmo manteria Brock em seu roster ganharam a internet; mesmo que fosse preciso desperdiçar alguns milhões de dólares mantendo ou dispensando Osweiler, Cleveland tinha essa flexibilidade e os ganhos nos próximos drafts compensariam qualquer movimento.

De qualquer forma, a negociação apenas evidenciou o processo que o Browns estava adotando (algo semelhante ao que Sam Hinkle fez com o Philadephia 76ers na NBA): desde o início eles sabiam que Osweiler não seria o futuro da franquia, que Brock sequer seria um QB decente, mas eles sabiam que precisavam “queimar” US$100 milhões na próxima temporada e, graças a isso, conseguiram mais um ativo valioso.

Inegavelmente, é um processo de reconstrução genial para uma franquia que por muito tempo não passou de uma piada: nos dois próximos drafts, Cleveland terá 11 escolhas em cada um deles; dez delas nas cinco primeiras rodadas deste ano, e 8 nos cinco rounds iniciais de 2018.

Tem sido assim desde que Paul DePodesta, ex-MLB, assumiu o comando de Cleveland: independente do que o Browns faça com Osweiler, é uma tentativa válida. Nenhuma equipe da NFL tentou o que ele vem tentando. Obviamente, outras equipes flertaram com a linha da mediocridade por longos períodos, mas nenhuma equipe buscou reconstruir seu futuro ao redor de jovens escolhas de forma tão intensa: eles possuem a escolha de primeira rodada do Eagles e a de segunda de Tennessee em 2017, as escolha de segunda rodada de Houston e do mesmo Eagles em 2018 e até mesmo a escolha de quarta rodada do Panthers, que conseguiram em uma troca por um punter. Sim, um punter!

Não foque no óbvio, que o Browns buscaram em Osweiler um quarterback, posição que tem sido a encarnação de todas as falhas da franquia ao longo dos últimos anos. Concentre-se no quão profundo é o movimento: os Browns estão aberto a negócios ou dispostos a preencher salary cap em troca de picks. Para eles, não é um negócio sobre Osweiler, se ele permanece ou seguirá seu caminho: ele é apenas um bônus – na medida em que um quarterback com problemas de coordenação motora pode ser considerado um bônus, mas ainda um bônus (Hue Jackson é o cara que fabricou Andy Dalton, válido lembrar).

“Que porra é essa?”

Novas perspectivas

Olhando em retrospecto a contratação de Osweiler se tornou uma piada, mas não se pode criticar a tentativa de Houston – poderíamos, claro, se eles não tivessem reconhecido o erro. De qualquer forma, contratá-lo após meia dúzia de partidas em que, evidentemente, foi carregado por uma das grandes defesas da história em seu auge, foi apenas um reflexo do que a NFL se tornou: uma liga desesperada por quarterbacks, afinal, o número de tentativas de passes cresceu aproximadamente 20% na última década; infelizmente, para as equipes, o crescimento do número de bons QBs não acompanhou esta demanda e o resultado disto é que, para preencher a posição mais importante do jogo, vemos alguns absurdos, como o próprio Brock ganhando mais dinheiro do que Russel Wilson em 2017.

É extremamente raro franchise quarterbacks chegarem a free agency, então é natural que erros sejam cometidos. O Chicago Bears, por exemplo, foi maltratado por Jay Cutler por quase uma década após uma tentativa frustrada. Houston errou, mas seu erro não mudou só a franquia, alterou também a NFL.

Podemos então traçar um paralelo com Kirk Cousins: o quarterback do Washington Redskins está longe de ser um gênio, mas por outro lado, possui um histórico real e efetivo de adaptação – o que de cara já prova que ele é muito superior a Brock. Então, mais uma vez, foi preciso usar a franchise tag em Cousins e ele será pago como um franchise quarterback.

O exemplo do que ocorreu com o Texans em 2016 assusta qualquer franquia minimamente séria: não ter um quarterback confiável pode ser um pesadelo; não é uma opção viável. E seria ainda mais terrível para Washington, que vem lutando por vaga na pós-temporada a quatro anos, com mais acertos do que erros.

Cousins sabe que está em um nível intermediário entre as grandes estrelas e um mercado recheado de mediocridade e o medo do desconhecido, de repetir erros do passado, lhe dá o poder necessário para ficar milionário. E, claro, ele gosta disso.

O sistema defensivo de Houston é outro que, paradoxalmente, foi auxiliado pelo fator Osweiler: sem JJ Watt e liderados por Jadeveon Clowney e Whitney Mercilus, eles cederam o menor número total de jardas na última temporada. E também foram a segunda melhor unidade contra o passe. Mas nada disso pesa mais que a “estatística de vitórias apesar de Brock Osweiler”: foram nove!

Até mesmo John Elway, GM do Denver Broncos, pode comemorar – mesmo que o The Denver Post afirme que Elway tentou segurar Brock, mas ele preferiu a proposta de Houston. “Muitas vezes os melhores negócios são aqueles que você não faz”, justificou em meados de setembro passado. Já o Browns, como mencionamos, ganhou escolhas e melhores perspectivas para o futuro.

O maior vencedor e os perdedores

Nada que Brock Osweiler mostrou em 2016 e mesmo que ele inicie a temporada como titular no Browns, indica que ele terá perspectivas futuras na NFL; na verdade, tudo nos leva a crer que ele será mais um jogador cuja carreira será definida por um contrato ruim. Dentro de campo, em dezembro, ele já era reserva de Tom Savage. E só recuperou a posição graças a uma concussão de Tom.

Mas nada disso importa, já que mesmo sem capacidade mental para lançar um passe, mesmo sendo um dos piores QBs da atualidade, Brock Osweiller pode dizer que venceu um Super Bowl e está milionário – enquanto nós nos divertimos falando mal dele de graça e nunca mais teremos de volta aquelas tardes de domingo em que ele maltratou nossos olhos.

O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo de acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do PickSix: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que disse anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, me dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs um ano, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos. E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo ou ainda um eleitor de Donald Trump, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependentes de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival a New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não criação de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago. Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos e uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinado em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí já parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro). Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga as traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais – quer você goste ou não.

Destinados à decepção: quanto maior a expectativa, maior o tombo

Era algo que não esperávamos, mas a verdade é que Kirk Cousins impressionou em seu primeiro ano como quarterback titular do Washington Redskins; com ele foram nove vitórias e sete derrotas, além do título da NFC East. O que mais chamou a atenção, porém, foi que tudo ocorreu de maneira despretensiosa, afinal, no início desta história, ninguém em sã consciência acreditaria que ele levaria o Redskins tão longe.

De qualquer forma, exceto por um ou outro motivo esquecível, como ajoelhar na bola a cinco jardas do touchdown ou ainda a explosão que viralizou (“You like that?”, amigos?), Kirk raramente esteve próximo das manchetes ou de declarações desagregadoras: seu jogo falou por si só e, ao menos parece, era o que ele buscava. E é o que ainda diz buscar.

“Gostaria de ser o San Antonio Spurs da NFL”, disse Cousins recentemente em entrevista à NBC. “Seja entediante e talvez, ao final da temporada, as pessoas apenas pensem ‘eles tiveram um bom ano’. E em nenhum momento precisamos falar sobre isso”.

A busca por um modelo de gestão consagrado é justificada e o espelho para o Redskins não poderia ser melhor: ano após ano o Spurs é um dos melhores times da NBA e levou cinco títulos desde 1999, além de marcar presença na pós-temporada consecutivamente desde 1998.

Há, no entanto, alguns poréns: enquanto San Antonio se restringe as quadras, nos últimos anos, Washington tem vivido em ebulição constante, ocupando o noticiário mais por polêmicas extra campo do que pelos resultados conseguidos nele. “Não preciso me promover. Temos muitas pessoas aqui são boas o suficiente no que fazem. Só quero jogar football, não quero me preocupar com outra coisa: se você ganhar seus jogos, o resto é consequência. É uma receita simples”, pondera o mesmo Cousins.

O fato é que, em qualquer grande liga norte, muitos usam San Antonio como modelo. E a mudança entre como o Spurs deixou de ser o “time que todo mundo odeia” para exemplo de “gestão e basquete bem jogado” deixa claro os motivos deles estarem no topo há tanto tempo: sempre elogiamos a escolha de um projeto a longo prazo e ideia de transpor o modelo pode soar tentadora, mas o Redskins tem alguém como Tim Duncan disponível para construir um projeto ao seu redor? Há um Manu Ginobili em início de carreira FedEx Field? A teoria parece simples, mas a verdade é que todo este sistema depende de algumas peças bem difíceis de se encontrar. E depende, sobretudo, de talento.

O lado bom

Os números de 2015 de Kirk Cousins são os melhores da franquia: 4166 jardas, 379 passes completos (69,8%). O mais importante é que tudo indica que Kirk aprendeu a proteger a bola – algo de que ele parecia muito longe em seus primeiros anos na NFL: foram apenas 11 interceptações e 4 fumbles. Ele também foi mais eficiente ao escapar de sacks que seu antecessor. Números estes que fizeram o Redskins a usar a frachise tag em Cousins.

Também é inegável que Kirk tem bons alvos a sua disposição: o TE Jordan Reed liderou Washington em recepções (87), jardas (952) e touchdowns (11) em sua terceira temporada. DeSean Jackson se destacou em rotas longas, com média superior a 17 jardas por recepção e Pierre Garçon, apesar da idade, ainda se mostra confiável.

A dúvida paira sobre o jogo corrido: Matt Jones, após um bom ano como rookie, assume a responsabilidade do jogo terrestre substituindo o veterano Alfred Morris – outro que deixou a equipe foi o fullback Darrel Young. Como Morris irá reagir dirá muito sobre as pretensões do Redskins na temporada.

Já o meio termo está na linha ofensiva: se a linha ofensiva não é extremamente confiável, ao menos deixou de feder. O LT Trent Williams, quatro vezes selecionados para o Pro Bowl, continua a ser sustentação do sistema, enquanto LG Brandon Scerff, quinto selecionado no draft de 2015, foi brilhante em sua temporada de estreia.

GLENDALE AZ, OCTOBER 12: Washington quarterback Kirk Cousins (8), left, sits with injured quarterback Robert Griffin III (10) on the bench very late in the 4th quarter as the Arizona Cardinals defeat the Washington Redskins 30 - 20 in Glendale AZ, October 12, 2014 (Photo by John McDonnell/The Washington Post via Getty Images)

Cousins também pode ter problemas essa temporada porque perdeu seu segurador de prancheta.

O lado não tão bom

A outra grande história que gerou muita expectativa na offseason em Washington foi a chegada de Josh Norman, dando-lhe rapidamente um mega-contrato de 5 anos que poderá valer até 75 milhões de dólares – um contrato que os Panthers, seu ex-time, não tinha intenção de dá-lo, o que talvez fale um pouco sobre quão duvidosa é essa contratação.

De qualquer maneira, o cornerback Norman, que complicou a vida de quase todos os wide receivers que enfrentou no ano passado, deverá melhorar imediatamente a secundária ao lado de Bashaud Breeland, DeAngelo Hall (que trocou de posição e jogou razoavelmente como safety) e Duke Inehacho. Mais reforços também foram trazidos: Greg Toler, que era apenas mediano nos Colts, e Kendall Fuller, que era cotado para a primeira rodada do draft, mas caiu para a terceira por ter sofrido uma micro fratura no joelho – se estiver saudável, será com certeza um grande reforço, mesmo que CBs novatos demorem a se desenvolver.

A frente deles, o rookie Su’a Cravens foi trazido para tentar ajudar um corpo de linebackers que foi especialmente ruim em 2015 – ninguém parecia adequado para jogar como inside LB. Além disso, Cravens deverá executar uma função híbrida de LB/S, a la Kenny Vaccaro, fazendo uma ligação entre os dois extremos da defesa e colaborando contra a corrida e o jogo aéreo.

Junto a ele estarão Preston Smith, agora mais maduro após um ano de estreia eficiente (foi inclusive apontado como um dos melhores jogadores com menos de 25 anos pela NFL.com) e Ryan Kerrigan, talvez finalmente jogando uma temporada inteira saudável (jogou parte da passada com a mão quebrada) e com um novo contrato, em busca de melhorar um pass rush que conseguiu apenas 38 sacks ano passado – sem conseguir pressão suficiente.

Por último, a linha defensiva perdeu provavelmente o seu melhor jogador em Terrance Knighton, que foi para New England – por pura falta de esforço da diretoria de Washington. Assim, sobraram Trent Murphy, que mudará de posição e começará a correr atrás dos QBs partindo com a mão no chão (depois de dois anos como OLB) e Chase Baker pelas laterais, enquanto Knighton será substituído por outro gigante no nose tackle Kendric Golston, mas bem menos habilidoso: não é um bom cenário.

Sep 27, 2015; Charlotte, NC, USA; Carolina Panthers cornerback Josh Norman (24) celebrates after intercepting a pass in the fourth quarter against the New Orleans Saints at Bank of America Stadium. Carolina defeated the Saints 27-22. Mandatory Credit: Jeremy Brevard-USA TODAY Sports

Ok, Odell, olhamos para essa carinha e também temos vontade de dar uma cabeçada.

Palpite: Podemos acreditar que Cousins repetirá o feito incrível do ano passado? E Josh Norman é realmente um craque ou apenas mais um que é produto de um bom esquema de jogo? De qualquer forma, parece que os Giants fizeram bem mais para evoluir, enquanto os Redskins parecem destinados a repetirem o 9-7 do ano passado – dessa vez, sem playoffs.