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O primeiro jogo do ano – e do resto de nossas vidas

Parecia que a temporada do Green Bay Packers duraria pouco mais de 20 minutos. Rodgers poderia ter sofrido uma séria lesão no joelho mesmo antes da metade do segundo quarto do primeiro SNF e, de repente, talvez estivéssemos vendo um dos maiores QBs de sua geração desperdiçar mais um ano de seu auge: quando Aaron Rodgers se dirigiu aos vestiários, qualquer apaixonado por football prendeu o ar e pensou “de novo”? E, bem, a expressão do quarterback convergia com aquilo estávamos pensando.

Os próximos atos do roteiro indicavam o pior cenário possível para os torcedores do Packers: Green Bay seria triturado logo na semana #1, contra seu maior maior rival. Khalil Mack fazia o backup, DeShone Kizer, parecer uma criança indefesa assistindo a um filme de terror e, bem, ali mesmo já era claro que seria um longo ano se Kizer fosse o titular nas próximas semanas.

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Mack, ao respirar, MOVIMENTAVA O AR e transformava Kizer em um atleta amador (talvez ele seja isso aí mesmo e errado é quem espera algo diferente). Khalil logo conseguiu um sack, uma interceptação, forçou um fumble e anotou um touchdown em poucos minutos ou tudo no mesmo lance (se você estivesse dopado pelo medo, seria incapaz de distinguir): em pouco tempo, Chicago abria 17 pontos de vantagem no Lambeau Field pela primeira vez desde 1948.

Restava a nós, meros mortais, amaldiçoar o front office de Green Bay eternamente por ser incapaz de cercar Aaron por algum talento capaz de lhe auxiliar, e culpar Mike McCarthy (essa é fácil) por todos os seus crimes inafiançáveis contra o esporte (em breve uma lista própria sobre o tema).

Você já viu o que McCarthy é “capaz” de fazer com um time quando não tem um HoF QB ao seu dispor, e ninguém em sã consciência teria prazer em assistir uma continuação deste filme.

Um quase (não) retorno

Quando Aaron retornou no terceiro quarto, os Bears logo abriram 20 pontos de frente – e o quarterback claramente não estava saudável: ele se protegia, tentava permanecer dentro do pocket (o equivalente a uma tentativa de suicídio quando consideramos a OL de Green Bay) e alterava seu posicionamento para evitar sobrecarregar a perna esquerda.

Mas como o próprio Aaron Rodgers afirmaria na entrevista pós-jogo, para retornar a uma partida, basta “fazer algumas boas jogadas” – facilita, claro, quando se é Aaron Rodgers, e não DeShone Kizer. Não estamos falando de ciência aeroespacial aqui, afinal. 

Algumas jogadas depois, Aaron completou cinco passes em um drive, que terminaria com um FG de Mason Crosby; a vantagem do Bears voltava para 17 pontos, mas agora restavam apenas 15 minutos no relógio. Não era uma cenário necessariamente tranquilo. 

Mas quando o Packers recebeu a bola novamente, já no último período, Rodgers precisou de apenas seis jogadas – em quatro delas, ele encontrou Geronimo Allison para, na última delas, conseguir um touchdown de 39 jardas em que a bola FLUTOU EM UMA PARÁBOLA CELESTIAL, reduzindo o déficit para apenas 10 pontos. Convenhamos: ali, você já sabia o que estava por vir.

Um novo three-and-out de Chicago deu mais uma injeção de ADRENALINA ao Packers que, aproveitou a chance com uma conexão de 51 jardas para Davante Adams – que, três jogadas depois, anotaria o TD. Naquela altura, era evidente o colapso mental que rondava o Bears. Mesmo após marchar quase um campo inteiro, o time conseguiu apenas um FG, insuficiente para selar a vitória – a vantagem no placar era de apenas 6 pontos. 

Segundas chances

Pouco menos de três minutos e uma jogada que poderiam ter selado a partida. Logo na primeira tentativa, Kyle Fuller poderia ter interceptado Rodgers, mas dropou a pelota, em um lance aparentemente fácil para um atleta de seu nível.

Contra Aaron Rodgers, tudo que você pode pedir aos céus é uma chance para terminar a partida. Contra Aaron Rodgers, tudo que você não pode ceder, é uma segunda chance: duas jogadas depois, ele encontrou Randall Cobb no meio do campo – e Randall correu 75 jardas para a glória.

Cobb é inegavelmente quem tem mais méritos no sucesso dessa jogada específica – e também inegavelmente o sistema defensivo do Bears teve uma crise de caibrã mental naqueles segundos. Mas, mesmo que tentemos negar, desde o passe para Geronimo Alisson, um lançamento que nenhum outro ser humano poderia fazer, sabíamos o que os próximos minutos reservavam: após um início com apenas três passes completados em sete tentativas e uma lesão, Rodgers terminou a partida com 20 passes (em 30 tentados), para 286 jardas e três TDs – todos no último período.

Algo possível apenas para alguém capaz de fazer uma torcida inteira acreditar graças ao simples fato de estar em campo.

O outro lado

A então improvável vitória de Green Bay também é fruto de uma série de decisões no mínimo questionáveis de um HC em sua primeira temporada e um QB de 24 anos e apenas 13 partidas como profissional (além de uma dúzia delas em sua carreira universitária).

Durante a primeira etapa (e aqui se inclui o período com Rodgers em campo), o Bears expôs todas as fraquezas do sistema defensivo de Green Bay, tripudiando daquilo que parecia algo formado por torcedores sorteados antes da partida para trajar uniformes e entrar em campo: os RBs Tarik Cohen e Jordan Howard alinhavam no backfield, o OT Charles Leno abria espaços como se estivesse DANÇANDO BALÉ e Clay Matthews tinha como estatística a incrível média de “uma vergonha” por snap. 

Após anos sofrendo nas mãos de John Fox, Chicago enfim tinha um sistema ofensivo criativo e moderno. No fundo, o Packers só chegou com alguma chance ao terceiro período, porque o LB Blake Martinez era um pequeno sopro de dignidade dentre os “defensores”. Sim, Blake Martinez era o melhor jogador de Green Bay em campo. Leia novamente até acreditar.

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Mas com a mesma velocidade que essa sensação de que um novo ataque havia desembarcado em Illinois chegou, ela desapareceu. Durante todo o segundo tempo, Trubisky se limitou a procurar Cohen e Howard (Allen Robinson e Taylor Gabriel eram meros figurantes), sua confiança diminuiu e algumas oportunidades com recebedores livres foram desperdiçadas.

Claro, não se pode colocar toda a conta da derrota no jovem QB, e sua atuação nos dois últimos períodos tornam a decisão de Matt Nagy em uma jogada crucial, capaz de cravar um punhal em Green Bay, ainda mais questionável: em uma 3&1, com pouco menos de três minutos restantes, na linha de 14 jardas do campo de ataque, Chicago tentou um passe para Anthony Miller que acabou incompleto e resultou em um FG – naquela altura, o jogo estava 23 a 17 e, bem, já falamos sobre como essa história termina.

Nesse instante, a defesa do Bears já não era a mesma: Mack foi incrível nos dois primeiros quartos, mas esperar que ele mantivesse o mesmo nível por 60 minutos com apenas uma semana de treinos seria irreal – tanto que nos últimos períodos ele passou uma quantidade significativa de snaps na linha lateral e, quando esteve em campo, encontrou dificuldades para vencer o RT Byan Bulaga (que havia tido uma atuação trágica antes do intervalo).

Mesmo assim é evidente que melhores dias para a defesa do Bears, com Mack e Roquan Smith cada vez mais entrosados, são mera questão de tempo: tudo que aconteceu em Wisconsin são ótimos sinais a se apegar, sobretudo para uma franquia que precisava desesperadamente de novas perspectivas.

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E não há nada de errado em se agarrar ao “se”: “se” Fuller não tivesse dropado uma interceptação fácil, “se” Howard tivesse corrido aquela maldita jarda ou “se” Mitch enxergasse WRs livres, o Bears teria saído com a vitória.

Claro, não se vive de “se” (já diria o ditado: “se estivesse um rio aqui, eu estaria pescando, e não escrevendo merda“), mas há diversas novas possibilidades que valem a pena ter em conta quando olharmos os próximos passos do Chicago Bears em 2018.

Na primeira partida, porém, uma festa que parecia certa foi estragada. Mas foi estragada por uma dos melhores jogadores da história. Não há motivos para desespero: os dias de Chicago na NFC North podem (e devem) chegar em breve. Desde que, claro, Aaron Rodgers não consiga se apoiar em pé no Lambeau Field.

O respeito voltou

Quando foi a última vez que você respeitou o Chicago Bears pelo que a franquia é no presente? É difícil lembrar. O time não joga os playoffs desde o começo da década e, quando esteve próximo de quebrar a sequência negativa, acabou colapsando de maneira que só Aaron Rodgers é capaz de explicar. Antes de tudo isso, bem… Acreditamos que o amigo leitor não quer gastar seu tempo lendo sobre Rex Grossman.

Essa inércia que só se deslocava em direção a fracassos era representada, principalmente, por Jay Cutler. Você sabe quem ele é. A paciência da diretoria com a apatia de Jay eventualmente se esgotou e, ao final da temporada 2016/17, Cutler foi enfim chutado da franquia.

Para o seu lugar o time foi atrás de Mike Glennon, que nos reservamos o direito de ignorar, já que também foi defenestrado de Illionois. Além dele, o Bears selecionou Mitch Trubisky no draft, gastando – desnecessariamente – algumas escolhas para isso. Após anos vivendo a experiência Jay Cutler, Chicago percebeu que uma equipe reflete o seu quarterback. Se ele é um vencedor, a franquia tende a seguir o mesmo caminho. Se não é… Bem, existem outros esportes para acompanhar.

Por isso, a escolha de Mitch simboliza a virada nos rumos de um time que, além de tudo, carecia de uma personalidade. Agora, com seu novo QB – e seu contrato de calouro – o Bears espera montar uma equipe jovem, dinâmica e capaz de competir com a elite da liga.

Iniciando o processo

O início de carreira de Trubisky não foi muito promissor. Após começar no banco de Glennon, o jovem finalmente recebeu a oportunidade para mostrar seu valor. As atuações não inspiraram muito confiança, mas podemos atribuir isso a dois fatores: em primeiro lugar, o sistema montado pelo técnico John Fox era voltado para uma época em que Jon Gruden ainda prestava como HC; em segundo lugar, não era segredo pra ninguém que Mitch não chegava à NFL “pronto”, seria necessário tempo para que ele pudesse moldar seu jogo ao nível profissional.

Em outros tempos, provavelmente não teríamos essa boa vontade com Trubisky. Acontece que, após protagonizar uma das piores temporadas de calouro da história, Jared Goff provou que é possível realizar um grande salto de qualidade e produtividade no segundo ano.

Percebendo as novas tendências ofensivas da liga e o sucesso de Goff em Los Angeles, Chicago decidiu copiar esse processo. Para isso, a franquia buscou Matt Nagy que, assim como Sean McVay, é uma mente ofensiva da nova geração. A expectativa é que Nagy consiga extrair de Mitch resultados semelhantes aos que McVay conseguiu de Goff.

Está saindo da jaula, o monstro (?)

Para dar continuidade ao processo “salvem a carreira de Trubisky e os nossos traseiros da demissão“, o Bears percebeu que precisava de Wide Receivers. Não de Wide Receivers novos ou promissores, de Wide Receivers mesmo. Afinal, uma pequena busca pelos “tops” do time na posição em 2017 tem Titus Davis (conhecido pelo pseudônimo QUEM?) como primeiro retorno. O resto do elenco você pode encontrar nas famosas listas “Que fim levou?”, de nosso concorrente mais rico.

Por isso, foram contratados Allen Robinson, que conseguiu se provar útil mesmo recebendo passes de Blake Bortles e Taylor Gabriel, que quando usado efetivamente pode ser uma espécie de curinga no ataque. No draft, a escolha de Anthony Miller dará a Kevin White a tranquilidade para não ser nem o WR3, o que pode ajudá-lo a, enfim, deslanchar. Além deles, para a posição de TE, Trey Burton poderá mostrar que é muito mais que uma jogadinha ensaiada – aliás, saudades.

Fechando o ataque, a linha ofensiva composta por Bobby Massie, Kyle Long, Cody Whitehair, Eric Kush e Charles Leno Jr não apenas não compromete, como não surpreenderia se fosse uma 6 ou 7 melhores da NFL no ano. Também underrated, o RB Jordan Howard forma uma dupla interessante com Tarik Cohen, ainda mais agora que estão sob a batuta da mente ofensiva de Matt Nagy.

A defesa, esta sim, uma besta enjaulada com ódio

É importante destacar que, se esse preview tivesse sido escrito com antecedência, os elogios a defesa dos Bears também estariam presentes. Porém, como você já deve saber, a unidade saltou de um bom grupo com grande potencial para uma das grandes forças da conferência, mesmo se tratando da forte NFC.

Khalil Mack, um dos jogadores mais consistentes do esporte e um dos três melhores defensores dos últimos anos, chega para ser o grande nome de um grupo que já era bom, mas ainda não tinha uma super-estrela como ele. Ao seu lado, estará uma linha defensiva composta por Akiem Hicks e Eddie Goldman, ambos bons jogadores, além do LB Leonard Floyd que, além de ótimo jogador, se beneficiará da atenção que será dada aos talentos de Mack. Fechando o grupo de linebackers, Roquan Smith, um dos calouros mais interessantes do ano – e que de fato conhecemos, afinal esteve nos playoffs do College – jogará junto de Danny Trevathan, outro, adivinhem, bom jogador.

Na secundária, Adrian Amos e Eddie Jackson formam uma dupla interessante e underrated que pode inclusive melhorar em relação ao ano anterior, já que tratam-se de jogadores novos. Por fim, Prince Amukamara e Kyle Fuller não formam a melhor tandem de CBs, mas, quando são eles o (talvez) elo mais fraco da defesa, é um sinal de que será difícil se preparar para enfrentar essa unidade em 2018.

Palpite

Por se tratar de um time novo, um QB ainda inexperiente e um Head Coach em seu primeiro ano, o Bears, mesmo sendo uma franquia de potencial, ainda é muito imprevisível. Um cenário em que as peças não se encaixem como o esperado é perfeitamente plausível, assim como uma situação parecida como a dos Rams em 2017, em que tudo vai bem, obrigado e a equipe surpreende a todos. Como a possibilidade mais razoável provavelmente é o meio-termo, podemos esperar uma evolução considerável em relação aos anos anteriores. Porém, levando em conta os times da NFC e da própria divisão, sonhar com playoffs já em 2018 pode ser demais. Mais que um bom record final, o que o torcedor mais espera é que a temporada mostre que a franquia está, enfim, de volta ao caminho das vitórias.

Entre 2014 e o futuro, 1998

Se você começou a assistir futebol americano este século (o que é muito provável, e também o nosso caso), dificilmente viu o Oakland Raiders com um desempenho satisfatório – pior: a franquia foi por muito tempo motivo de piada e, ao pensar em organizações avacalhadas, era o nome que vinha em mente junto com o Cleveland Browns.

Desde 2002, ano em que chegou ao Super Bowl, o Raiders acumulou campanhas que variavam entre o 4-12 e o 5-11, com um 2-14 e um 3-13 nesse meio. Pior do que esses records medonhos, era a inércia do time: mesmo com escolhas altas no Draft, Oakland não conseguia retomar os dias de sucesso do século XX.

Em 2014, porém, isso começou a mudar. Após ameaçar até mesmo terminar o ano 0-16, o Raiders começou a dar sinais de melhora. O time ainda não era bom, mas havia encontrado em Khalil Mack uma futura estrela e em Derek Carr um QB com capacidade de liderança e que parecia ser o cara para tirar a franquia do limbo.

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2015 foi um ano de afirmação. Embora vejamos muitos exemplos de times que saem de campanhas catastróficas para os playoffs nos anos seguintes, o Raiders passou pelo processo de natural de maturação. O record final de 7-9 confirmava a boa impressão do ano anterior, e fez com que as expectativas para 2016 fossem pelo teto.

Dias de luta, dias de glória

A temporada regular de 2016 conseguiu superar essas expectativas. Se em setembro o torcedor esperava que a equipe brigaria pelos playoffs, em dezembro o sonho do Super Bowl tinha deixado de ser uma alucinação para se tornar uma possibilidade.

Amari Cooper e Michael Crabtree faziam provavelmente a melhor dupla de Wide Receivers da liga; Derek Carr despontava como candidato a MVP; Khalil Mack jogou como o Defensive Player of The Year; a linha ofensiva era, se não a melhor, a segunda melhor da liga e Jack del Rio aparecia como possível Coach of The Year.

Mais que amigos: friends.

Tudo isso durou até a semana 16, quando Derek Carr quebrou a perna no jogo contra o Indianapolis Colts. Por mais sólida que fosse a equipe, a perda de seu Quarterback acabou com qualquer chances do time de ir longe na pós-temporada (não vamos linkar a atuação de Connor Cook contra os Texans em respeito à saúde do amigo leitor).

Apesar do final ruim, o saldo de 2016 parecia extremamente positivo. Esperava-se que Oakland fosse uma força dentro da AFC pelos próximos anos.

Tudo que sobe, desce

Como você sabe (ou deveria saber), a realidade pode ser dura. Se o 7-9 de 2015 parecia promissor, o 6-10 de 2017 foi visto como catástrofe. Derek Carr, de contrato novo, começou a ser questionado; Crabtree, que acabou sendo cortado, e Cooper tiveram anos abaixo do esperado e Jack del Rio acabou demitido. Khalil Mack ainda foi bem, mas a defesa dos Raiders era tão eficaz quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Além disso, se antes os jovens talentos eram motivo de esperança para a franquia, os jovens de agora não eram nem talentos nem davam esperanças. Amari Cooper foi a única boa escolha do Draft de 2015; nem mesmo a primeira escolha de 2016, Karl Joseph, passou muita confiança; e a classe de 2017 não teve um grande impacto positivo.

Draftar muito bem (Khalil Mack, Derek Carr e Gabe Jackson em 2014) lhe rende alguns anos de tranquilidade, mas, se o sucesso das seleções não se repetir com o tempo, os times acabam com alguns jogadores muito bons porém caros, mas muitos buracos no elenco. O Raiders sentiu isso na pele.

Apertando o reset  (ou o botão do pânico, vai de cada um)

Após a demissão (e até antes de acordo com algumas fontes) de Jack del Rio, Oakland foi atrás de Jon Gruden, o técnico que derrotou o próprio Raiders no Super Bowl da temporada 2002. Gruden, como você provavelmente já sabe, foi o comentarista dos Monday Night Football nos últimos 10 anos.

De volta.

A contratação divide opiniões. Se por um lado é um técnico vencedor do Super Bowl e que ajudou a montar o último time dos Raiders que chegou lá, por outro ele está há 10 anos afastado do cargo de Head Coach, e há quem afirme que ele nunca foi um grande técnico pra início de conversa.

A única certeza que temos é que Jon não vai ser só mais um entre os 32 treinadores da liga. Se vai dar certo ou errado, ele já mostrou que vai fazer as coisas do seu jeito, querendo jogar um futebol americano como o praticado em 1998. 

E não parece ser da boca pra fora, já que as contratações indicam isso: os Raiders foram atrás de jogadores que eram destaques das suas equipes, mas em 1998. São os casos de Jordy Nelson, Doug Martin e Breno Giacomini (sim, aquele. E sim, ainda existe).

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Além deles, Gruden buscou Ryan Switzer e Martavis Bryant via troca. Estes nem nascidos eram em 1998, mas estão longe de serem certezas na posição. Bryant pode inclusive perder a temporada toda por suspensão. Ainda estão estourando champanhe em Pittsburgh.

O draft também foi um pouco suspeito. As duas melhores escolhas, Arden Key e Maurice Hurst, estavam disponíveis no terceiro e no quinto round por um motivo, e é mais fácil achar um torcedor do Titans que um torcedor do Raiders satisfeito com Kolton Miller na #15. Por fim, Marquette King foi cortado e era tão bom que merecia seu próprio parágrafo. Como se trata de um punter, o parágrafo é curto. Sim, ele já acabou.

Os convocados de Felipão

Passear pelo Depth Chart dos Raiders é como visitar um museu. Para cada Amari Cooper, temos um Marshawn Lynch e um Donald Penn. Para cada Khalil Mack, temos um Leon Hall e um Reggie Nelson. O elenco de Oakland está repleto de nomes conhecidos, de forma que pode pegar o fã casual desprevenido.

Porém talvez a única certeza no time hoje seja Khalil Mack. Derek Carr precisa provar que merece o dinheiro que recebeu em 2017, e Amari Cooper precisa se recuperar do ano aquém que teve. A linha ofensiva, apesar de boa, está cada vez mais velha e pode não ter a mesma força dos últimos anos. Resta saber se Lynch ainda tem gasolina no tanque e se Jared Cook vai se consolidar como boa opção – se você realmente acredita nisso, sentimos muito.

A defesa, porém, dificilmente será pior que a de 2017. Espera-se uma colaboração maior dos jogadores selecionados no ano passado, especialmente de Gareon Conley, além da melhora de Bruce Irvin, que não foi tão bem pelas bandas da Califórnia. Por outro lado, Tahir Whitehead e Derrick Johnson chegam para ocupar o posto de LB mediano deixado por NaVorro Bowman já em fim de carreira.

Palpite

Derek Carr não é o Quarterback que muita gente imaginava, mas também não é o desastre que vimos em 2017. Suas atuações, porém, não serão o suficiente para salvar o time de uma campanha medíocre como a do ano passado. O elenco está mais velho e não terá muita renovação. E, em uma liga como a de hoje, em que Sean McVays e Doug Pedersons são reis, a visão de jogo de Jon Gruden tem tudo para dar errado. Sério, vai dar merda. Não espantaria se o time repetisse o 6-10 do ano passado, mas, enfim, caso chegue aos playoffs, não será um feito tão absurdo. A NFL, como sabemos, é uma caixinha de surpresas #analise #acertada.

Semana #7: os melhores piores momentos

A NFL segue se mostrando cada vez mais estranha. Os jogos de quinta-feira estão sendo os mais divertidos, Joe “Iron Man” Thomas (conversou conosco, nunca esqueceremos) se machucou e o Piores Momentos da Semana voltou a sair na terça-feira. Agora que já cumprimos o requisito do editor de sempre introduzir os textos com algo, vamos ao que interessa:

1 – Defesas passando vergonha

Miami Dolphins e Indianapolis Colts. Quem diria.

1.1 – Miami Dolphins

A cabeça até doeu contando quantos defensores perderam o tackle. Paramos em 73.

1.2 – Indianapolis Colts

“O time está mal por que Andrew Luck não joga”, disse o iludido torcedor.

2 – O pior onside kick da história

Alguém avise o rapaz que a bola só precisa viajar 10 jardas. E é ideal também que ela suba.

3 – Kelvin Benjamin 

Você sabe o que é awareness? Entenda o significado da palavra ao ver um exemplo de um rapaz que não o tem. Aparentemente Kelvin Benjamin ficou paralisado por ter feito uma boa jogada (não mostramos ela de propósito – ele não merece). Ainda bem que o juiz estava lá para ajudá-lo.

Preste atenção no relógio e no momento do jogo.

4 – Jeff Heath, verdadeiro herói americano

Quando Dan Bailey se machucou, o Safety Jeff Heath assumiu os kickoffs Extra Points dos Cowboys, e o resultado vai te surpreender. Infelizmente ele não teve a oportunidade de chutar um Field Goal de 47 jardas para se consagrar ainda mais.

5 – Imagens que trazem PAZ

Até hoje não sabemos pAra quem.

5.1 – Trabalhe pra NFL, eles disseram. Vai ser divertido, eles disseram.

A sensibilidade de Mike Evans é comovente. Ele se preocupa apenas em mostrar que pegou a bola.

Strike

5.2 – Khalil Mack

Especialista em fazer os outros passarem vergonha.

5.3 – Ainda sobre verdadeiros heróis nacionais

Repare como o nosso ídolo sequer derruba o copo.

5.4 – Le’Veon Bell 

Nosso amigo @oQuarterback disse tudo.

6 – Jimmy Graham 

Não gostamos dele e não escondemos de ninguém (ver: http://picksix.com.br/podcast-4-uma-colecao-de-asneiras-iv/). Deixaremos as imagens falarem por si só.

6.1 

6.2 

7 – A saga de um torcedor dos Colts

Estragar um carregador. Atropelar o seu celular. Lançar o seu celular no campo. E essa nem é a pior parte. Acompanhe esse emocionante relato de um sofredor.

8 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O prêmio que premia o jogador de nome que, quando você mais precisa dele, desaparece. Lembre-se disso quando pensar em criticar a escolha da semana.

TY Hilton. Sempre evito colocar WRs aqui sem que eles recebam muitos targets – é o caso de TY. Mas depois de duas semanas com jogos medíocres (menos de 50 jardas no total), ele se tornou um forte candidato. Então ele resolveu botar a culpa de sua ineficiência na linha ofensiva. Assim levou o Troféu Dez Bryant para casa. Parabéns!

Foda certas situs.

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Em busca da redenção

Os Raiders terminaram a temporada passada com mais vitórias do que derrotas e retornaram a pós-temporada pela primeira vez desde 2002. Apesar disso, ela terminou de forma nada agradável, com um anunciado segundo divórcio com Oakland e um casamento com Las Vegas com data marcada – em um roteiro de traição digno das melhores (piores) novelas mexicanas.

Mas tudo começou a ruir quando Derek Carr fraturou sua perna direita em um lance sem nenhum sentido lógico, durante uma vitória por 33 a 25 contra o Colts na tarde anterior ao Natal. Depois, já sem Carr, Oakland foi destroçada por Denver (24-6), terminando a temporada regular 12-4, para depois ser derrotado por Houston por 27 a 14 no wild card em uma partida em que assistimos Connor Cook (cuzão) desfilar toda sua incompetência e ensinar ao HC Jack Del Rio uma importante lição: “Não perca seu quarterback”, declarou durante o último NFL Scouting Combine.

De qualquer forma, ao longo da temporada passada, abordamos a situação de Oakland diversas vezes no Pick Six; por um período extenso, a franquia foi uma grande confusão. Desde a perda do Super Bowl, passaram pelo Raiders nove treinadores e 18 QBs, até tudo mudar com a chegada de Del Rio e a consolidação de Carr. E, após o fim trágico para uma temporada mágica, houve ainda a chega de Marshawn Lynch, quase como uma resposta aos fãs após a confirmação da mudança para Las Vegas.

Incertezas

Obviamente, se espera que Derek Carr se recupere de sua lesão, mas mesmo assim o Raiders enfrentará muita incerteza naquela que será sua primeira temporada no Oakland Coliseum (aliás, nunca o nome de um estádio fez tanto sentido) enquanto a nova casa em Las Vegas é construída.

Em 2016, Oakland teve um dos melhores desempenhos em casa da NFL, mas agora sabemos como os torcedores irão responder após a “traição” (ou ao business, como você preferir): “Invariavelmente há o fato de que um determinado número de torcedores está desapontado até que chegará um ponto em que não apoiarão mais”, disse Jack.

Parabéns, é exatamente esse o tipo de pessoa que você quer irritar.

As boas notícias

Oakland teve um dos melhores sistemas ofensivos da NFL em 2016 e é bem provável que ele retorne ainda melhor. Com Carr saudável e o retorno de Lynch após um ano de férias (ou aposentadoria, como você preferir), não há motivos para duvidar disso: Lynch correu para mais de 9 mil jardas e 74 TDs em nove temporadas e tirou férias (ou se aposentou, como você preferir), após lutar contra lesões em 2015.

Porém é inegável que, saudável, é uma adição e tanto para um jogo que corrido que até então tinha Latavius Murray como seu principal nome; agora a combinação de Lynch com Jalen Richard e DeAndre Washington dá a Oakland três boas armas – consideremos ainda que o Raiders tem também o FB Jamize Olawale, com (algumas) boas corridas na temporada passada.

Este, claro, é o cenário ideal, mas é preciso ressaltar o que citamos anteriormente: a última vez que Lynch entrou em campo foi em 2015, quando correu para 417 jardas e três touchdowns em sete partidas (média inferior a quatro jardas por tentativa). O que Oakland precisa é uma versão 70% próxima do running back do Seattle Seahawks que teve quatro temporadas consecutivas com mais de 1000 jardas entre 2011 e 2014. Se isso acontecer, Derek Carr terá o campo ainda mais aberto, para encontrar seus alvos.

O preço que se paga

Antes da lesão, talvez por um delírio coletivo, Derek Carr era cogitado para o MVP – seus números eram dignos: 3937 jardas, 28 TDs e apenas seis interceptações. Seu rating anual, aliás, prova sua evolução: 76.6 em sua temporada como rookie, 91.1 no segundo ano e 96.7 no ano passado.

Tudo isto resultou em uma extensão contratual de cinco anos, o tornando o quarterback mais bem pago da NFL (ao menos por ora): US$ 125 milhões, 70 deles garantidos.

“RICO!!!”

Para justificar o valor pago, Carr terá como alvos Amari Cooper, quarta escolha geral do draft de 2015, um talento raro, embora não tenha dado o salto esperado em 2016. Michael Crabtree é a outra opção e se espera que continue sendo acionado na redzone: na temporada passada foram 8 TDs, boa parte deles no final das partidas.

Há, ainda, o TE Jared Cook; Cook sempre foi uma grande promessa, mas nunca entregou realmente aquilo que dele se esperava como profissional – o que pesa a seu favor é que, ao menos em Green Bay, ele teve alguns lampejos (méritos de Aaron Rodgers?), então ao menos há um resquício de esperança.

O quão longe se pode ir

Oakland tem um ataque intenso que certamente o levará aos playoffs, mas na verdade é seu sistema defensivo que nos mostrará o quão longe eles podem chegar em janeiro, por isso o Raiders focou em posições defensivas durante a free agency.

O LB Jelani Jenkins veio do Dolphins – em 2016 ele lutou contra uma lesão no joelho, mas tem apenas 25 anos e sua presença pode reforçar uma unidade historicamente pobre; em contrapartida, os Raiders perderam o LB Perry Riley. A linha defensiva também perdeu Dan Williams e Stacy McGee, mas trouxe o DT Eddie Vanderdoes, selecionado na terceira rodada do draft, mas visto como uma escolha de primeira até lesões invadirem sua carreira no college.

Por outro lado, há alguns pontos fortes no sistema defensivo de Oakland: Khalil Mack é um dos melhores defensores da NFL. Mack começou em 2016 em marcha lenta, com apenas um sack em seus cinco primeiros cinco jogos, mas mesmo assim terminou o ano com 11. Se você precisasse apostar em alguém para ter um 2017 excelente, poderia escolher Khalil sem medo – que deve ter grande ajuda de Bruce Irvin (7 sacks em seu primeiro ano em Oakland).

A secundária pode evoluir com a adição de Gareon Conley, escolha 24 do último draft – ele, porém, enfrenta sérias acusações de estar envolvido em um caso de estupro. Mas como sabemos que nossa querida NFL aparentemente não se importa com esta situações, é bem provável que ele esteja em um campo de football em setembro.

Palpite: Esse ataque é capaz de levar Oakland aos playoffs, assumindo que Carr permaneça saudável. Mas inegavelmente eles precisam evoluir defensivamente para chegar ao Super Bowl. De qualquer forma, cedo saberemos o destino do Raiders: eles têm uma das tabelas mais difíceis da NFL e serão testados logo de cara, com três jogos fora de casa (?) nas quatro primeiras semanas. Mais de 10 vitórias e o título da AFC West, de qualquer forma, é uma realidade palpável – tal qual uma decepção em janeiro.

Marshawn Lynch, Oakland e uma mudança para Las Vegas

Sobre o que realmente estamos falando quando dizemos que o Oakland Raiders, tradicional franquia californiana, está se mudando para a cidade de Las Vegas para aproveitar um “melhor mercado para a NFL”? A resposta é simples: falamos da realidade impiedosa dos números. E não nos referimos a números de vitórias, pontos por jogo e outras estatísticas caras ao football. Na maior parte das decisões da liga, números significam dinheiro, balanço de contas, venda de ingressos e merchandising.

De qualquer forma, o primeiro número que podemos considerar nessas contas da NFL é a população das cidades de Oakland, com aproximadamente 400 mil habitantes, e Las Vegas, já na casa dos 620 mil. A liga se baseia nesse argumento para dizer que a franquia se sustenta melhor em um mercado mais amplo de mídia (direitos de transmissão televisiva) e venda de ingressos, incluindo nesse caso a presença massiva de turistas na “capital do pecado”. Bem, esse argumento cai com um sopro quando pensamos que várias cidades de população menor que Oakland, como New Orleans, Minneapolis, Cleveland, Tampa, Pittsburgh, Cincinnati e Buffalo, possuem franquias da NFL e não circulam boatos relativos à mudança de endereço dessas equipes.

Talvez o número mais importante a ser considerado é 17.0%. Essa é a porcentagem de habitantes de Oakland abaixo da linha da pobreza, enquanto a mesma estatística em Las Vegas traz um índice inferior a 7%. Em resumo, Oakland não teve o dinheiro para manter seu popular time de football. Mas porque isso é um grande problema?

Senso de comunidade

A única pessoa a votar contra a mudança dos Raiders de cidade foi o proprietário do Miami Dolphins, Stephen Ross: “Minha posição hoje foi que nós, como donos e como uma liga, devemos aos fãs nossos esforços para fazermos tudo que pudermos para ficar nas comunidades que nos apoiaram, até todas nossas opções forem esgotadas“.

Como Ross disse, é uma questão de comunidade. A Raider Nation, torcida oficial do time, é uma tradição completamente embrenhada nas raízes das comunidades em Oakland – e foi a cidade e seu povo que emprestou ao time uma identidade imediatamente reconhecida em todo o planeta. Adotado como time oficial de uma cena de hip-hop de Compton, um dia centrada na N.W.A., cujo membro Ice Cube usava o boné com o escudo dos piratas do futebol americano com orgulho em todas as suas aparições, hoje centrada em Kendrick Lamar, os Raiders se tornaram parte da identidade das comunidades afro-americanas de baixa renda na Califórnia e além. E a recusa do time, motivado por dinheiro, a permanecer com seu público, é brutal.

Outro motivo apontado por muita boataria para a mudança de endereço dos Raiders é uma possível renovação nas políticas da NFL em relação às apostas e jogos de azar. Atualmente, jogadores da liga não podem nem mesmo visitar a cidade de Nevada por causa desses regulamentos estritos, e a cidade é vista como uma enorme distração para jovens com milhões de dólares no bolso e, claro, potenciais problemas com a lei. Mas se Roger Goodell está mirando o modelo britânico da Premier League, com apostas legalizadas, talvez esse seja o caminho que a liga esteja trilhando.

Terremotos em Oakland.

O bom filho a casa torna

A parte mais peculiar de toda essa história? Bem, os Raiders terão que permanecer dois anos, mesmo após o anúncio oficial da mudança, em sua cidade de origem. E para reverter esse caos de relações públicas, eles conseguiram uma peça importante para a narrativa do time: tiraram da aposentadoria um dos filhos mais célebres da cidade de Oakland, o running back Marshawn Lynch, ex-estudante do mesmo Colégio em Oakland que gerou Huey Newton, ícone do movimento negro pelos direitos civis nos EUA.

Já sobre Marshawn, uma de suas muitas histórias conhecidas, aconteceu na offseason de 2015. Durante um Youth Camp, Lynch correu ao lado de um jovem. “Essa interação de dois minutos pode mudar a vida dele”, disse Yossef Azim, oficial do departamento de Polícia de San Francisco, que levara ao camp três jovens, casos considerados graves de delinquência juvenil. Ali, na Oakland Tech High School, eles foram orientados por uma estrela da NFL.

“Marshawn está fazendo com que vejam a vida de uma nova perspectiva. Ele está realmente atingindo um grupo e os influenciando de uma maneira que ninguém mais poderia“, completou Yossef. Mais do que touchdowns ou nomeações ao Pro Bowl, Lynch estava construindo seu legado através de ações diárias na região de Oakland.

Há pouco mais de um ano, Lynch inaugurou sua loja na 811 Broadway, coração de Oakland. As sete pessoas que ali trabalham, estão ligadas a sua infância. As confecções são quase em sua exclusividade locais; Marshawn faz alguns projetos por conta própria, outros em parceria com o designer local Hingeto. Por todos estes fatores, o apelo populista dessa contratação é inegável, mas será suficiente para encobrir a traição inicial?

Vai dar boa.

Dentro de campo

Inegavelmente há certa melancolia ao redor de um retorno que, talvez, esteja acontecendo apenas para atenuar uma perda. Mas vamos levantar também outra questão: Lynch no Raiders pode ser muito, muito divertido.

Marshawn já é uma lenda nos arredores; há camisas penduradas por toda a costa. E, como já dissemos, ele sempre permaneceu ligado à comunidade. Agora, dentro das quatro linhas, o Raiders de 2017 contará com um ataque comandado por Derek Carr, um jovem e talentoso quarteback; Khalil Mack, um dos defensores mais dominantes da liga e, bem, a última temporada já nos prova que, sob o comando de Jack Del Rio, eles estão preparados para a grandeza.

Agora adicione Marshawn Lynch que, mesmo com 30 anos de idade e após um ano aposentado, ainda é um RB que impõe respeito: é uma aposta muito mais seguro que as que Saints e Broncos fizeram com Adrian Peterson e Jamaal Charles, por exemplo.

Mesmo assim, o Oakland Coliseum nunca teve um nome tão simbólico como em 2017. O que o fã verá lá é a luta de uma cidade contra sua desvalorização, de um fã contra o impulso de abandonar sua paixão, de um time que finalmente tem chances de trazer para seus torcedores um título, mas resolveu buscar novos ares. Verá o passado e o futuro da liga, dois gladiadores em campo em um embate que, invariavelmente, só acabará com a morte de um símbolo americano.

*Ana Clara torce para os Patriots, morreu no intervalo do último SB, mas passa bem.

Top Pick Six #4: os 15 melhores LBs da NFL

Quinta-feira, dia de rankings! Após uma semana com uma breve pausa, voltamos com tudo classificando os melhores LBs da NFL! Nos mesmos moldes da lista que fizemos com os WRs, TEs e CBs, ao todo 8 pessoas selecionaram seus 15 melhores LBs (incluindo suas ramificações: OLB, MLB e ILB) entrando na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times já na próxima temporada – desconsiderando o draft, claro.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí 16 pontos. O jogador com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Os LBs são jogadores fundamentais, atuando no meio da defesa, entra a linha e os defensive backs. Muitos deles são jogadores monstruosos, de extrema força física e alguns até com boa velocidade. Alguns dos melhores nomes da historia do esporte são Lawrence Taylor, Ray Lewis, Dick Butkus, Derrick Thomas e Junior Seau.

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, colocamos a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Ruan. Vamos ao que interessa! 

15° Bruce Irvin
15 | – | – | – | – | 6 | – | 14
Time: Oakland Raiders
Idade: 29 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 15
College: West Virginia
Career Stats
Total tackles: 188
Sacks: 29.0
Forced Fumbles: 10
Interceptions: 3
Touchdowns: 2

Maloqueiro, abandonou a escola durante o ensino médio (ou tentou, porque afinal de contas ainda acabou na faculdade), mas craque é craque. Surpreendeu muita gente ao ter sido escolhido no primeiro round de 2012, mas correspondeu às expectativas graças principalmente ao seu talento físico. Foi contratado pelos Raiders para complementar a dupla Aldon Smith e Mack, mas com os problemas do primeiro, acabou tendo que assumir a responsabilidade. Os stats não são os mais impressionantes, mas sua presença em campo sim. Também é o único jogador a ser expulso em um Super Bowl, por dar um soco em Rob Gronkowski, o que por si só deveria garantir um lugarzinho na lista.

TOP PICK SIX 1: OS 15 MELHORES WRS DA NFL

14° Lavonte David
– | 9 | 10 | – | – | 14 | 10 | –
Time: Tampa Bay Buccaneers
Idade: 27 anos
Draft: 2012 / Round: 2 / Pick: 58
College: Nebraska
Career Stats
Tackles: 664
Sacks: 18.0
Forced fumbles: 12
Interceptions: 10

Ao contrário de Irvin, David foi selecionado muito mais tarde do que deveria. Uma máquina de tackles e um dos líderes da defesa dos Bucs, além de ser queridinho dos técnicos que passaram por Tampa, ele também é uma dessas raças raras de linebacker que tem capacidade de defender o passe, essencial na NFL atual.

13° Thomas Davis
– | – | – | 15 | 7 | 8 | 12 | –
Time: Carolina Panthers
Idade: 34 anos
Draft: 2005 / Round: 1 / Pick: 14
College: Georgia
Career Stats
Total tackles: 939
Sacks: 25.5
Interceptions: 13
Forced fumbles: 18

Thomas Davis é um mito simplesmente por conseguir correr: entre 2009 e 2011, ele conseguiu o feito de acabar as 3 temporadas na injury reserve por ter rompido os ligamentos do joelho. Ainda assim, como (insira aqui algo que depois de quebrado, melhora), Davis voltou melhor do que era anteriormente, realizando mais de 100 tackles em todas as temporadas desde seu retorno em 2012. Assim como Lavonte David, é outro que domina a arte de brincar de cornerback e é o complemento ideal do outro monstro (mais a frente) Luke Kuechly.

12° Jamie Collins
11 | 12 | – | 10 | 15 | 10 | 15 | –
Time: Cleveland Browns
Idade: 27 anos
Draft: 2013 / Round: 2 / Pick: 52
Career Stats
Total tackles: 360
Sacks: 12.5
Forced fumbles: 11
Pass deflections: 16
Interceptions: 5

É bom pra caralho, mas joga nos Browns.

“Oh meu deus, Bill Belichik trocou um de seus melhores defensores, qual o problema dele? ” – e pior ainda, Collins foi mandado para Cleveland. Apesar da sacanagem, até o momento não percebemos qual o seu problema, afinal, ele continua sendo o mesmo belo LB de sempre e se espera que ele seja um dos principais pilares da reconstrução dos Browns. Talvez, o problema seja que ele simplesmente é pior que o seu antigo companheiro de defesa (spoiler: sétimo colocado do ranking, mas 6.5 milhões mais pobre).

11° Jerrell Freeman
12 | – | – | 8 | 11 | – | 8 | –
Time: Chicago Bears
Idade: 30 anos
Draft: 2008, Undrafted
College: Mary Hardin-Baylor
Career Stats
Total tackles: 587
Sacks: 12.0
Interceptions: 4
Forced fumbles: 8
Fumble recoveries: 3
Touchdowns: 2

“Ninguém se importa com esse cara, quem votou nele? Não vamos escrever nada sobre ele!”, MORAES, Rodrigo, 2017.

10° Melvin Ingram
13 | – | – | – | 10 | 5 | 7 | –
Time: Los Angeles Chargers
Idade: 27 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 18
College: South Carolina
Career Stats
Total tackles: 203
Sacks: 24.5
Forced fumbles: 11
Pass deflections: 18

Melvin Ingram demorou para engrenar, mas desde que começou a jogar temporadas completas, é o terror dos quarterbacks, prova disso é que Los Angeles usou a franchise tag nele. Além disso, ele foi por muitos anos o lobo solitário da defesa de San Diego, mas com a chegada de Joey Bosa as oportunidades devem aumentar, junto com o seu valor, o número de sacks e o contratinho que deve aparecer em algum momento de 2017.

TOP PICK SIX #2: OS 15 MELHORES CBS DA NFL

09° Sean Lee
9 | 13 | 11 | 4 | 12 | 7 | 6 | 15
Time: Dallas Cowboys
Idade: 30 anos
Draft: 2010 / Round: 2 / Pick: 55
College: Penn State
Career Stats
Tackles: 567
Sacks: 2.5
Interceptions: 12
Forced fumbles: 2
Touchdowns: 2

O representante da “linebacker university” nesse ranking, Sean Lee é um dos grandes azarados da liga: o seu potencial sempre foi muito claro (11 INTs nos seus primeiros 4 anos, por exemplo), mas lesões variadas atrasaram o seu desenvolvimento. Finalmente, nos dois últimos anos, ele tem se mantido razoavelmente saudável e os resultados são os esperados: quase 300 tackles acumulados ente as duas temporadas e sendo um dos principais jogadores de uma defesa que todos esperavam ser medíocre ou menos. Enquanto seu corpo aguentar, ele é um dos principais na posição da NFL.

“Amo Sean Lee e vou protegê-lo”, BASSO, Murilo, 2017.

08° Chandler Jones
6 | 8 | 7 | – | 9 | 4 | – | 3
Time: Arizona Cardinals
Idade: 27 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 21
College: Syracuse
Career Stats
Total tackles: 260
Sacks: 47.0
Interceptions: 1
Forced fumbles: 14
Fumble recoveries: 3
Touchdowns: 2

Chega a ser absurdo pensar que o 7º, 8º e 12º dessa lista jogaram juntos para Bill Belichik; para a sorte dos adversários, ele mesmo achou melhor trocá-los por escolhas do draft para que eles fossem ser ricos em algum outro canto. Ao contrário de seus dois ex-companheiros, Chandler Jones (irmão DAQUELE Jon Jones, sempre legal lembrar) é um especialista em perseguir quarterbacks: e demonstrou tranquilamente seu valor para Arizona, conquistando 11 sacks, além de toda a pressão que botava neles.

07° Dont’a Hightower
7 | 10 | 6 | 13 | 8 | 9 | 9 | 4
Time: New England Patriots
Idade: 27 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 25
College: Alabama
Career Stats
Tackles: 372
Sacks: 17.0
Interceptions: 0
Forced fumbles: 2

Hightower foi um dos heróis improváveis do último Super Bowl, ao forçar um fumble de Matt Ryan em um dos momentos cruciais para a virada do Patriots, afinal, nem só de estrelas ofensivas vive a NFL: é preciso ter jogadores capazes de decidir partidas dos dois lados do campo. Nesta offseason, o LB chegou flertar com os Steelers, mas acabou retornando para Boston (4 anos, US$43,5 milhões) e tem tudo para ser um dos pilares da defesa de New England na próxima temporada.

06° Bobby Wagner
8 | 6 | 4 | 11 | 4 | 11 | 5 | 11
Time: Seattle Seahawks
Idade: 26 anos
Draft: 2012 / Round: 2 / Pick: 47
College: Utah State
Career Stats
Total tackles: 645
Sacks: 12.0
Pass deflections: 24
Interceptions: 6
Forced fumbles: 2
Touchdowns: 2

Em 2015, Bobby Wagner recebeu um voto para MVP –  e isso por si só já é muito insano. 2016, sem nenhuma surpresa, também apenas evidenciou seu talento: foram 165 tackles (liderando a NFL e atingindo o recorde de sua franquia), 4.5 sacks e outra meia dúzia de estatísticas surpreendentes. E nada indica que ele não manterá o nível na próxima temporada.

O sorriso de quem acaba de ficar milionário.

05° Vic Beasley
5 | 4 | 5 | 7 | 6 | – | 11 | 5
Time: Atlanta Falcons
Idade: 24 anos
Draft: 2015 / Round: 1 / Pick: 8
College: Clemson
Career Stats
Total tackles: 65
Sacks: 19.5
Forced fumbles: 8
Pass deflections: 5
Interceptions: 1

Beasley é a diferença em um sistema defensivo mediano – e ele só tem 24 anos! E embora poucos realmente prestassem atenção no que ele estava fazendo enquanto liderava a NFL em sacks na última temporada e forçava meia dúzia de fumbles, as características intangíveis (como sua capacidade de exercer pressão no QB ou seu poder de adaptação após o snap) conferem ainda mais qualidade ao OLB do Falcons, que só tende a evoluir em 2017.

TOP PICK SIX #3: OS 15 MELHORES TES DA NFL

04° Justin Houston
4 | 7 | 8 | 3 | 5 | 12 | 4 | 7
Time: Kansas City Chiefs
Idade: 28 anos
Draft: 2011 / Round: 3 / Pick: 70
College: Georgia
Career Stats
Total tackles: 286
Sacks: 60
Interceptions: 3
Forced fumbles: 9
Fumble recoveries: 4
Touchdowns: 1

Quarterbacks são indiscutivelmente as grandes estrelas da NFL e, no atual momento do esporte, um bom pass rusher talvez seja tão fundamental quanto as grandes estrelas que distribuem passes para a construção de grandes equipes. E, saudável, Justin Houston é um desses caras. Se em 2016 lesões atrapalharam seu desempenho, em 2017, sem contratempos, Houston tem tudo para ser um dos pilares do Kansas City Chiefs.

03° Luke Kuechly
3 | 2 | 2 | 6 | 3 | 3 | 3 | 9
Time: Carolina Panthers
Idade: 25 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 9
College: Boston College
Career Stats
Tackles: 693
Sacks: 9.0
Interceptions: 12
Passes defended: 43
Forced fumbles: 4
Touchdowns: 1

Luke é um dos melhores LBs na cobertura de passe e, incrivelmente, ele melhora ano após ano! Outro ponto a seu favor é sua capacidade de mesclar instintos com senso de posicionamento de forma quase única – o que ele já explicou ser fruto de sua dedicação em estudar adversários aliado a, claro, uma confiança extrema em suas habilidades. Lesões também o prejudicaram em 2016, mas saudável, nada indica que ele não continuará evoluindo na próxima temporada.

02° Khalil Mack

2 | 3 | 3 | 1 | 1 | 2 | 1 | 2
Time: Oakland Raiders
Idade: 26 anos
Draft: 2014 / Round: 1 / Pick: 5
College: Buffalo
Career Stats
Tackles: 226
Sacks: 30.0
Forced fumbles: 8
Interceptions: 1
Touchdowns: 1

Khalil vai para seu quarto ano na NFL. Em dois anos, ele foi escolhido para o Pro Bowl como LB e como DE. Acho que não precisamos falar mais nada além disso!

01° Von Miller
1 | 1 | 1 | 2 | 2 | 1 | 2 | 1
Time: Denver Broncos
Idade: 28 anos
Draft: 2011 / Round: 1 / Pick: 2
College: Texas A&M
Career Stats 
Tackles: 338
Sacks: 73.5
Forced fumbles: 19
Fumble recoveries: 5
Interceptions: 1
Touchdowns: 2

Aqui deixaremos as imagens falarem por nós!

Algumas curiosidades do ranking:

– Apenas Von Miller e Khalil Mack foram unanimidades no top 3 e top 5.
– 7 jogadores são comuns aos 8 rankings: Miller, Mack, Kuechly, Houston, Wagner, Hightower e Lee.
– Um total de 33 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo.
– O top 15 contempla 8 jogadores da NFC e 7 da AFC.
– 9 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts: Miller, Mack, Kuechly, Beasley, Hightower, Jones, Ingram, Davis e Irvin.
– Somente um jogador não foi draftado: Jerrell Freeman.
– 6 são campeões do Super Bowl: Miller, Wagner, Hightower, Jones, Collins e Irvin.
– Vic Beasley é o jogador que aparece com maior diferença de posição entre dois rankings: é o 4° no ranking do Digo e não está no ranking do Felipe.
– Apenas dois times, Raiders e Panthers, tiveram 2 jogadores entre o top 15: Mack/Irvin (OAK) e Kuechly/Davis (CAR).
– Ficaram fora do top 15, em ordem: Lorenzo Alexander (BUF), Clay Matthews (GB), Anthony Barr (MIN), Tamba Hali (KC), C.J. Mosley (BAL), Ryan Shazier (PIT), Kiko Alonso (MIA), Brandon Marshall (DEN), Terrell Suggs (BAL), Malcolm Smith (SF), Vontaze Burfict (CIN), Julius Peppers (CAR), Nick Perry (GB), Whitney Mercilus (HOU), Kwon Alexander (TB), Telvin Smith (JAX), Zach Brown (BUF), Eric Kendricks (MIN).
– Este é o ranking que fizemos até o momento com o maior número diferente de atletas citados: 33.
– Todos os atletas citados são milionários!

Entre um dono querendo fugir e vizinhos quase-campeões

A offseason dos Raiders começou agitada já em fevereiro. Bom, janeiro, na verdade, ou até antes, considerando que eles não tinham chances de playoffs na temporada passada. Começou agitada porque os Raiders eram um dos times envolvidos, junto com Chargers e Rams, em um possível retorno à Los Angeles (já foram Los Angeles Raiders entre 1982-94), com um projeto solitário. No final das contas, o tal do projeto não foi aprovado pelos donos da NFL e coube ao owner, Mark Davis (e seu corte de cabelo maravilhoso), voltar a buscar opções para conseguir um novo estádio: Las Vegas, San Antonio ou mesmo um acordo com a própria prefeitura de Oakland – afinal, não é como se faltasse paixão na torcida alvinegra na cidade.

Também durante a offseason, os torcedores da cidade viram seus vizinhos, o Golden State Warriors (a Oracle Arena é anexa ao Oakland Coliseum), realizarem a melhor campanha da história da temporada regular da NBA, só para terem sua alegria destruída por LeBron James e o Cleveland Cavaliers na final. Um time de Cleveland campeão? Claro que não seria na NFL! Bom, quem sabe os Raiders não usam isto como motivação e se vingam dos Browns nos playoffs da NFL? Não, não se vingarão porque os Browns não vão aos playoffs nem a pau.

Mas entre várias historinhas, há um bom time de football. Mais do que isso, um time jovem cheio de potencial, com um ataque interessante liderado por Derek Carr em sua terceira temporada (aquela temporada que já se convencionou nomear de “AGORA VAI”) e uma defesa feroz liderada pelo candidato a DPOY Khalil Mack que, se chegar próximo às expectativas, vai ser uma presença constante nos playoffs pelos próximos anos, quebrando uma seca de 13 temporadas sem chegar lá (desde que perderam o Super Bowl para o Bucs em 2003. Sim, para o Bucs).

markinhodahsius

Markinho, filho do lendário Al Davis, cansou do playground em Oakland.

Ou vai ou racha

Historicamente, o terceiro ano é um período muito importante no desenvolvimento dos QBs, o que separa homens dos meninos, já que é ali que acabam desculpas clássicas como “ele ainda não teve tempo suficiente para se adaptar” ou “é a primeira temporada que ele é o titular indiscutível desde o training camp”. Não, a hora é agora, especialmente para a classe de quarterbacks de 2014 (que inclui ainda nomes como Bridgewater, Bortles, Garoppolo), que além do próprio desempenho, também terão o desempenho dos “colegas” para ser comparado.

E quem olha os números de Derek Carr por cima verá um futuro Tom Brady, com seus 32 TDs e apenas 13 interceptações. Ok, nos empolgamos: sabemos que valores como 7 jardas por passe tentado e pouco mais de 60% de passes completos não colocam nenhum QB no hall da fama; Carr ainda precisa e pode evoluir significativamente.

E mais do que capacidade para evoluir, Carr terá ajuda para provar que é realmente o franchise QB que Oakland busca desde Rich Gannon (MVP em 2002 que jogou seus últimos cinco anos na Califórnia): o Raiders provavelmente teve melhor linha ofensiva da NFL junto com os Cowboys na temporada passada e ainda fizeram um investimento de 58 milhões de dólares em 5 anos para trazer Kelechi Osemele (LG, mas que jogou bem sendo improvisado como LT pelos Ravens ano passado), o que só poderá torná-la ainda melhor e garantir que o time terá tempo para desenvolver o jogo aéreo, além de espaços para o jogo corrido, qualidades importantes para quem enfrenta Kansas City e Denver duas vezes por ano.

Por fim, mas certamente não menos importante, Carr conta com alvos de respeito. Além do running back Latavius Murray que serve como escape para momentos de pressão (41 passes recebidos ano passado), o time tem uma dupla de wide receivers de alto nível: Amari Cooper, que tende a melhorar após uma primeira temporada rara entre rookies (1070 jardas, 6 TDs), na qual ainda enfrentou diversos problemas com lesões, e Michael Crabtree, com 9 TDs recebidos ano passado – Crabtree, aliás, parece estar reencontrando aquele potencial que demonstrou em seus primeiros anos em San Francisco: como as defesas focam em Amari Cooper, sobram espaços, que devem ser aproveitados.

1derekling

Marca o touchdown e ainda mostra a língua.

Khalil Mack e amigos vão pegar você

O que Khalil Mack, Bruce Irvin e Mario Edwards têm em comum além de atropelarem linhas ofensivas, serem muito rápidos e, se possível fosse, comerem QBs no café da manhã? Todos eles compõem o front seven do Raiders (que é ancorado pelo gigante – literalmente – Dan Williams) e vão trabalhar em um dos pass-rush mais ferozes da liga. Mais do que isso, Khalil Mack é um dos melhores (melhor?) jogadores defensivos da liga e o primeiro jogador escolhido para All-Pro Team em duas posições (LB e DE).

É incrível pensar que poderiam ser ainda melhores se Aldon Smith, suspenso por um ano e que virou hit no twitter após postar um vídeo fumando maconha falando “ninguém sabe que sou eu, não tá escrito Aldon Smith em lugar nenhum”, fosse menos idiota e pudesse colaborar na perseguição aos atacantes adversários também.

Além disso, a secundária também foi reforçada, mesmo com a aposentadoria de Charles Woodson depois de 18 grandes anos na NFL. A chegada de Sean Smith (40 milhões em 4 anos) como CB e de dois novos safeties, o veterano Reggie Nelson e o rookie Karl Joseph, deve ser benéfica para o setor, responsável por ter cedido quase 25 pontos por jogo na temporada anterior.

O time é inteiro bom, mas…

No meio do caminho há uma pedra. No caso, algumas pedras. O caminho para os playoffs será muito difícil, a começar pela briga dentro da própria divisão: a defesa dos Broncos segue nada menos que incrível (mesmo que Mark Sanchez seja o QB. Aceitem: estamos em 2016 e Mark Sanchez ainda é o quarterback de algum time), os Chargers talvez esteja finalmente saudáveis e os Chiefs são candidatos aos playoffs com um time tão equilibrado quanto e mais experiente que o Raiders. Além disso, os piores QBs no caminho de Oakland serão Brock Osweiller e Tyrod Taylor, ambos teoricamente com capacidade próxima a do próprio Derek Carr – excluindo, obviamente, o Broncos: sabemos que eles não dependem de um QB para ganhar nada.

Provavelmente, os primeiros cinco jogos (@NO, ATL, @TEN, @BAL, SD), aparentemente mais fáceis que o restante da tabela, serão cruciais para definir o destino do Raiders esta temporada – se ganhar menos de quatro partidas das cinco iniciais, mais um ano longe dos playoffs. E a razão é bem simples: ganhar mais da metade dos outros 11 jogos será uma grande superação.

Palpite: 8-8, terceiro lugar na AFC West, jogando bem e perdendo vários jogos no detalhe (dois por erros de kicker) e, novamente, muita esperança para sair da fila na temporada 2017-2018. Além disso, Mark Davis vai visitar mais três cidades interessadas em ser a nova casa dos Raiders e Derek Carr verá mais dinheiro do que você em toda sua vida antes da metade do ano que vem.