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Análise Tática #23 – Wild Card: os pontos chaves para a virada do Tennessee Titans

Finalmente chegamos aos playoffs. No último sábado, o Kansas City Chiefs foi eliminado mais uma vez no Arrowhead Stadium após uma boa temporada, assumindo o papel de seleção mexicana da NFL, em seu mote “jogamos como nunca, perdemos como sempre”.

E dessa vez, foi com requintes de crueldade. 21 a 3 no primeiro tempo, grande exibição, ataque produzindo bastante jardas e jogo corrido engrenado. A defesa dos Titans comandada por Dick LeBeau não conseguia respostas, enquanto o ataque comandado por Marcus Mariota parecia mal preparada e desenhada.

No segundo tempo, tudo mudou: os Titans anotaram 19 pontos seguidos, enquanto a defesa não cedeu nada aos Chiefs, 22 a 21 na primeira vitória de pós-temporada de Marcus Mariota. O técnico Mike Mularkey inclusive pensou que seria demitido, enquanto o time ganhou uma sobrevida para enfrentar o New England Patriots na rodada divisional.

Domínio dos Chiefs

O primeiro tempo foi marcado pelo ataque dos Chiefs dominando a defesa dos Titans em todos os pontos do jogo, principalmente com o TE Travis Kelce. O ataque coordenado por Matt Nagy partiu principalmente do 11 personnel. Nagy costuma posicionar Kelce em diferentes pontos do ataque, como X, Y e Z, geralmente utilizando motion para fornecer leituras defensivas ao QB Alex Smith. Esse comportamento é comum em times com TEs dominantes.

Na imagem acima mostra-se a primeira conversão de terceira descida do jogo. Jogada desenhada para Travis Kelce sair do motion e ajudar Alex Smith detectar a marcação. Junto com a posição do quadril dos CBs e o acompanhamento de um jogador, Smith sabe que encara uma cobertura mano-a-mano.

O desdobramento dessa leitura pré-snap é que Kelce provavelmente terá vantagem em relação a seu marcador devido ao atleticismo. O TE executa uma rota de double move que eu chamo de slant-corner (na realidade esse nome é um conceito, como o curl flats do Madden), provavelmente o corte para fora é devido à sua leitura de opção. Smith coloca a bola no ombro de fora, ponto que apenas Kelce consiga alcançar. Novo set de downs.

Aqui, cabe-se o fato de que devido ao cushion dado pelos safeties na marcação em zona, Kelce fica em marcação individual. Adoree’ Jackson percebe e larga Tyrek Hill para fechar o tackle e evitar um ganho maior que 14 jardas.

A defesa dos Chiefs segurou o ataque dos Titans. Novamente em uma terceira descida, o Chiefs apresenta um shotgun em 11 personnel.

O interessante dessa jogada, que dependendo da progressão que Alex Smith faça na jogada, ela pode ser um conceito smash, levels ou mesh. Aqui, pela situação descida/distância, Smith enfrenta um 3-men rush e se concentra nas rotas internas, definindo o conceito mesh.

Mariota a ponto de ter o passe desviado.

Tyreek Hill quebra os tackles, conta com o bloqueio de Kareem Hunt na rota wheel e consegue um ganho de 45 jardas. Big play responsável por ditar o ritmo do drive que terminou com o primeiro touchdown da partida.

A defesa dos Chiefs forçou mais um 3-and-out, e o ataque novamente capitalizou. Após um drive de 6 jogadas, 3 delas com ganho maior que 15 jardas. A pontuação veio com um ganho de 13 jardas em uma 1st & 10 na redzone, ainda no primeiro quarto.

Travis Kelce parte da posição de 3 apoios na rota seam, a preferida dos TEs dominantes, pois é impossível defender contra um lob-pass. Contra um LB e um safety, Alex Smith coloca o passe acima da cabeça de Kelce, que faz a recepção. As rotas espalhadas para as laterais criam esse mismatch, deixando o meio do campo livre.

O domínio defensivo dos Chiefs

Como mencionado repetidas vezes, a defesa dos Chiefs forçou 3 punts, conquistou uma interceptação e cedeu apenas um field goal. Vamos observar a jogada em que Marcus Peters intercepta Marcus Mariota quando o placar estava 14 a 0 para o time de Kansas City.

Os Titans tentam aplicar um tipo de Strong flood em que três rotas out e uma rota dig quebram em regiões diferentes do campo, criando camadas de leitura (tal como o conceito levels) para o QB. Aqui, a progressão provavelmente é entre as rotas dos recebedores no lado forte da linha (direito).

O recebedor mais aberto tentará atrair Marcus Peters até o fundo da endzone enquanto Delanie Walker quebrará a rota na altura da linha de 5 jardas. A jogada dá errado por que Peters (marcando em zona, repare como os quadris estão voltados para o meio do campo) reconhece o padrão e percebe que o passe vai na direção de Walker, pula na rota e faz a interceptação.

Um ball placement abaixo do desejável por Mariota permite que Marcus Peters alcance a bola.

Os ajustes ofensivos de Tennessee

No segundo tempo o jogo mudou. Em parte, devido à concussão de Travis Kelce, o Kansas City Chiefs não conseguiu manter o poderio ofensivo mostrado na primeira etapa, além do fato de que o coordenador ofensivo Matt Nagy ter limitado Kareem Hunt a cinco carregadas. Não se tira a bola do seu melhor jogador quando se está ganhando o jogo, ainda mais quando o mesmo é um running back.

Na parte defensiva, Dick LeBeau ajustou seus esquemas de pressão a Alex Smith, ao contrário do que estava tentando na primeira etapa. Smith não é exatamente o QB mais prolífico da liga, então algumas blitzes pontuais eram necessárias para dar uma nova leitura ao QB, tentar deixá-lo desconfortável no pocket. No primeiro tempo de jogo, Tennessee tentava pressionar Smith na maioria das vezes com 3-men-rush, e o QB encontrava jogadores livres devido ao tempo disponível no pocket.

No ataque, Marcus Mariota finalmente apareceu para jogar. O QB vindo de Oregon fez exatamente o que se espera de um líder de um time no momento de maior necessidade. Criou jogadas com as pernas, conectou bons passes e mesmo bloqueou na jogada que selou a vitória.

Tennessee virou a relação de posse de bola, passando a comandar campanhas ofensivas mais longas, da mesma forma em que a defesa conseguia tirar Kansas City de campo mais rapidamente. Os Titans abriram o terceiro quarto com uma campanha de 15 jardas e quase 10 minutos que acabou em touchdown, o cenário dos sonhos para qualquer bom ataque.

Os Titans executam o conceito levels, porém a defesa de Kansas City marca todas as rotas individualmente e obriga Marcus Mariota a ir para o checkdown. Contra um 4-men-rush, o QB consegue permanecer no ponto ótimo de proteção e conecta o passe.

Pela “teoria do cobertor curto”, como as rotas principais estavam bem marcadas, isso logicamente abriu um espaço para que Derrick Henry conquistasse muitas jardas com as pernas, 29 ao todo. O drive terminou no touchdown de Mariota em que ele recepcionou o próprio passe defletido pela defesa de Kansas City e se atirou no pylon.

Em seguida, os Titans tiveram sorte ao Harrison Butker perder um field goal em um drive vindo de um turnover de special teams. Os Titans capitalizaram com touchdown, reduzindo a vantagem para 5 pontos.

Pelo texto em que demonstramos o plano de jogo dos Steelers, o leitor já deve conhecer o conceito trap. Um jogador de linha ofensiva, geralmente o guard bloqueia no lado oposto ao seu em relação ao center, na direção em que se desenvolve a jogada. Aqui, vemos Josh Kline realizar esse papel.

 

Observando a jogada de frente, observamos que Kline engaja seu bloqueio no camisa 21, enquanto a linha se desloca para a direita. O gap criado ocorre bem na direção da hashmark esquerda. Alcançando o mesh point em velocidade, Henry toma a leitura bang. Nenhum defensor é capaz de alcançá-lo e o touchdown acontece.

Na jogada que resultou a virada no placar, observamos que Terry Robiskie –coordenador ofensivo – desenha duas rotas para a mesma direção, com Eric Decker e Delanie Walker. Em quesito estratégico, isso dificulta o trabalho de Mariota, pois concentra os dois safeties para a direção da bola, em vez de abrir o espaço no meio do campo.

Aqui, Mariota conta com o excelente trabalho da linha contra um 4-men-rush e coloca o passe em uma ótima posição, resultando em touchdown. 22 a 21, a virada aconteceu.

Ajustes defensivos de Tennessee

Para exemplificar como Dick LeBeau trabalhou a defesa no segundo tempo, vamos observar uma jogada chave de passe incompleto, stop que antecedeu o drive do touchdown da virada pelos Titans.

Os Chiefs tentam realizar uma conversão rápida de um 3rd & 2 com uma slant simples. Por causa do press coverage, a rota fica fora de timing com Alex Smith, enquanto o recebedor tenta improvisar indo um pouco mais fundo no campo. O single-high safety reage bem na jogada e fecha a linha de passe.

Após uma virada improvável, Tennessee tem mais uma dura tarefa ao enfrentar os Patriots em Foxborough, onde não perdem em um jogo de playoffs desde o AFC Championship Game da temporada de 2012.

  • Diego Vieira será Titans desde criancinha no próximo sábado.

Semana #12: os melhores piores momentos

75% da temporada da NFL já foi jogada. Já estreamos novos segmentos, consagramos jogadores e vimos muita desgraça até aqui. Porém, a coluna só trouxe uma certeza até hoje: se ela for continuar em 2018, certamente não serei eu que a farei. Eu não aguento mais. O leitor não liga para os meus desabafos, então vamos lá:

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

Quando o Quarterback (semana passada vimos que nem sempre só o quarterback) resolve jogar a bola longe sem medo de ser feliz.

1.1 – Matt Moore 

Quando o DB disputa com outro DB quem vai agarrar a bola, certamente não foi uma boa decisão.

1.2 – Marcus Mariota

Baseado na jurisprudência do caso anterior, além de que o drop do Darius Butler e o receiver escorregando mereceram ser destacados.

1.3 – Tyrod Taylor (part. especial: Marcus Peters)

Nada como ter o defensor do seu lado.

1.4 – Joe Flacco

Claramente procurando Rahim Moore na secundária.

2 – O Fumble Bowl 

2.1 – Malcom Jenkins

Sempre muito triste sofrer um fumble depois de interceptar um passe.

2.2 – Mitch Trubisky

Quando draftado, sabia-se que Trubisky precisaria de um tempo para se adaptar. Mas, porra, no College tu não segurava snap também não?

2.3 – Jay Ajayi

Quando a vontade de se consagrar é maior que a vontade de segurar a bola.

3 – Imagens que trazem PAZ

3.1 – Brock Osweiler

3.2 – Broncos @ Raiders 

3.3 – Robbie Anderson (assista com áudio)

3.4 – A defesa do Oakland Raiders, Paxton Lynch e… isto.

A primeira interceptação do Raiders na temporada veio em grande estilo.

3.5 – Este idiota dos Redskins

Repare como ele desconhece a regra do touchback. Seu companheiro de equipe conhecia, e ficou pistola.

3.6 – O center de New England

Tentou dar uma chance aos Dolphins. Não adiantou.

3.7 – Tyreek Hill e outro guerreiro de Kansas City 

A imagem que simboliza como o ataque dos Chiefs derreteu de algumas rodadas pra cá.

4 – Troféu Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time tem um jogo complicado e precisa que o jogador de nome apareça? O torcedor dos Cowboys sabe. O torcedor dos Cowboys também sabe que Dez Bryant não é o nome ideal para esses momentos.

Por tudo isso, o vencedor do troféu Dez Bryant da Semana é Leonard Fournette. Parabéns!

 

Power Ranking: semanas #7, #8 e #9

Estamos na metade da temporada e uma certeza se consolida em nossas mentes: a de que não sabemos nada. Chegamos a dizer que o Tampa Bay Buccaneers era candidato a Super Bowl, mas acabamos vendo Jameis Winston fazendo discursos motivacionais duvidosos antes de derrotas vexatórias. Cravamos que o New York Jets era uma piada completa, mas hoje temos que engolir as quatro vitórias que o bravo time já conseguiu.

A NFL é assim mesmo: difícil de prever. Mesmo assim, continuamos tentando e errando com convicção.

32 – Cleveland Browns (0/ 0-8)

Cleveland só não tem o maior número de derrotas da liga porque tem um jogo a menos que o 49ers.

31 – San Francisco 49ers (0/ 0-9)

Jimmy Garopollo pode até ser a resposta para o futuro, mas em 2017 será apenas submetido a um time completamente sem talento.

Moreno sensual.

30 – Indianapolis Colts (-1/ 3-6)

Andrew Luck deveria ter voltado a jogar há algumas semanas. Hoje, não se sabe nem se ele um dia vai voltar a jogar.

29 – New York Giants (-3/ 1-7)

Jogadores, torcida, imprensa e qualquer pessoa que goste minimamente da NFL estão em vigília pela demissão de Bem McAdoo.

28 – Tampa Bay Buccaneers (-13/ 2-6)

Não é à toa que está colado no Giants no ranking: o Bucs também é um time que já desistiu.

27 – Miami Dolphins (0/ 4-4)

De alguma forma quase inexplicável, um dos piores ataques da história da franquia está 4-4. E agora não tem mais Jay Ajayi.

26 – Chicago Bears (+2/ 3-5)

Mitchell “não me chamem de Mitch” Trubisky tem mostrado que não podemos ridicularizar tanto escolhas de draft, mas o Bears ainda é uma versão mais pobre de algo como um Baltimore Ravens.

25 – Green Bay Packers (-9/ 4-4)

Brett Hundley é a prova de que os times deveriam investir um pouco mais em um bom backup. Saudades, Aaron.

24 – Houston Texans (-13/ 3-5)

Tom Savage é a prova de os times deveriam investir um pouco mais em um bom backup. Saudades, Deshaun.

23 – New York Jets (+7/ 4-5)

O Jets tem sido tão interessante que até dá vontade de torcer por ele, mas logo passa.

22 – Cincinnati Bengals (+1/ 3-5)

O Bengals é tão frustrante que AJ Green já pensa em seguir carreira no MMA.

21 – Baltimore Ravens (+3/ 4-5)

Sem exageros, o Ravens é o time mais chato de assistir.

20 – Arizona Cardinals (0/ 4-4)

O Cardinals é um daqueles times 4-4 que não podem ser levados a sério. Muito em breve tudo vai desmoronar de maneira retumbante.

19 – Los Angeles Chargers (+6/ 3-5)

O Chargers parece ser melhor que o recorde de 3-5. O Chargers parece ser pior que o recorde de 3-5. Sei lá.

18 – Denver Broncos (-14/ 3-5)

Gostaria de anunciar a minha candidatura à presidência da AEDB, a Associação dos Enganados pelo Denver Broncos.

17 – Oakland Raiders (+4/ 4-5)

Será que a divisão ainda está ao alcance do inconstante Raiders ou a vaga para os playoffs virá por Wild Card? Provavelmente nenhuma das duas coisas.

16 – Washington Redskins (-2/ 4-4)

Já disse antes e volto a dizer: é difícil concluir qualquer coisa sobre o Redskins. Talvez seu lugar terno seja exatamente onde está: em cima da linha da mediocridade.

15 – Tennessee Titans (+4/ 5-3)

Não sabemos como, mas o Titans já conseguiu cinco vitórias e vai se distanciando um pouco do rótulo de decepção.

14 – Buffalo Bills (+3/ 5-3)

A derrota para o Jets não estava nos planos, mas o Bills segue na luta para encerrar a atual maior seca de aparições nos playoffs. Acreditem: é possível.

13 – Jacksonville Jaguars (+9/ 5-3)

A defesa vem jogando em nível tão alto que pode entrar para a história da NFL. O problema é se, em algum momento, o time depender de Blake Bortles para vencer. E, se chagar aos playoffs, precisará de seu QB.

12 – Atlanta Falcons (-4/ 4-4)

Decepção. s.f. Sentimento de desgosto, de mágoa ou de desalento; sensação de tristeza; circunstância emocional de melancolia; ausência de alegria.

11 – Detroit Lions (-1/ 4-4)

O Lions é um dos times 4-4 que podem ser levados a sério. Matthew Stafford é um QB que precisa ser mais respeitado.

10 – Seattle Seahawks (+2/ 5-3)

A derrota para o Washington Redskins em casa foi dura de engolir, mas podemos simplesmente culpar o kicker, certo?

9 – New Orleans Saints (+11/ 6-2)

O Saints talvez seja o time mais surpreendente a entrar no top 10. A defesa, que vinha sendo uma piada há anos, parece ter encontrado seu caminho e agora chega a ser temida, acreditem.

8 – Minnesota Vikings (+1/ 6-2)

Grande favorito para vencer a NFC North. Teddy Bridgewater pode voltar a jogar a qualquer momento. Vai fazer diferença? Não muita.

7 – Dallas Cowboys (+6/ 5-3)

Do ataque já esperávamos coisas boas e agora a defesa tem jogado muito bem. O Cowboys está a uma (ou mais) decisão judicial de ser um contender.

6 – Carolina Panthers (0/ 6-3)

Cam Newton lamentou a troca que mandou o WR Kelvin Benjamin para o Bills, mas disse que “o Titanic precisa seguir viagem”. É esperado que o time afunde no próximo Power Ranking, mas por enquanto tudo está sob controle.

5 – Los Angeles Rams (+2/ 6-2)

Vários anos assistindo os times de Jeff Fischer ainda nos fazem olhar meio torto para o Rams, mas é preciso reconhecer que a versão 2017 do time é empolgante.

4 – New England Patriots (+1/ 6-2)

Lembram quando todo mundo estava entrando em pânico com o início da temporada do Patriots? Dois meses depois o time está confortavelmente sentado em um 6-2, como era esperado.

3 – Kansas City Chiefs (-2/ 6-3)

O encanto parece ter acabado, mas a memória das primeiras semanas mantem viva a esperança de ver aquele ataque jogando novamente tudo o que já jogou. A defesa? Bem, a defesa é uma coisa bastante triste.

2 – Pittsburgh Steelers (+1/ 6-2)

Aos poucos, o ataque vai engrenando e pode, facilmente, se tornar o melhor da NFL. Enquanto isso, a defesa é disparada a que menos cede pontos.

Feliz na nova casa.

1 – Philadelphia Eagles (+1/ 8-1)

Em um ano em que não há times verdadeiramente dominantes, o Eagles é o melhor deles.

 

Análise Tática #14 – Semana #7: O drive da vitória do Oakland Raiders

Poucas coisas no football são mais bonitas que um two-minute drill bem gerenciado. O momento em que a onça bebe água, a hora que separa os homens dos meninos. É exatamente aí em que as lendas nascem, não à toa que um dos maiores gerenciadores de two-minute offenses (sdds Peyton) é o responsável por eu estar escrevendo isso neste momento.

Derek Dallas Carr, 26 anos, irmão de David Carr (primeira escolha da história do nosso glorioso e tradicional Houston Texans), teve sua vida destinada a brilhar nesse esporte. Responsável por devolver o Oakland (por enquanto) Raiders aos seus momentos de glória, o QB recebeu um salário de 25 milhões de dólares anuais na última offseason.

Em sua quarta temporada na NFL, a escolha de segunda rodada vinda de Fresno State ainda tem alguns problemas: imprecisão nos passes, pressa no pocket, ineficiência em terceiras descidas, leituras arriscadas e baixa média de jardas por tentativa.

Em 2014, sua primeira vitória na NFL veio exatamente contra os Chiefs após uma jogada digna de piores momentos da semana (a coluna da família brasileira)Agora que você já sabe quem é Derek Carr (achamos importante apresentá-lo a nossa maneira), já pode ler, abaixo, um dos momentos mais divertidos de sua carreira.

Vocês perceberam na semana passada, que, apesar do título, apenas quatro ou cinco jogadas não são o suficiente para entender o que de fato ocorreu em um jogo. Por isso, nessa semana, o foco será o drive final do Oakland Raiders em sua totalida (também não ajudará no contexto macro da partida, vejam o tape completo, é divertidíssimo). O mesmo resultou na vitória por 31-30 no último Thursday Night Football (que em 2017 tem sido assustadoramente divertido).

Após sack dividido entre Khalil Mack e Denico Aultry, os Raiders receberam a bola restando 2:25 no relógio na linha de 25 jardas do campo de defesa, com um tempo por pedir. Foram 16 snaps, sendo 11 jogadas de ataque, 4 faltas e 1 extra point. 85 jardas até a vitória.

Durante esse drive, Derek Carr saiu do shotgun em todos os snaps. Na primeira jogada, o alvo é o WR Amari Cooper, alinhado como o recebedor X. Os Raiders se alinham em formação shotgun ace, com 3 recebedores do lado direito e Cooper isolado. Os Chiefs demonstram uma formação de Cover 2, com Marcus Peters alinhado para marcar em zona (repare que ele volta seu quadril em direção ao QB) e Terrance Mitchell marcando Cooper individualmente.

Após o snap, as rotas se desenvolvem de forma a deixar Amari Cooper, executando uma rota comeback, com marcação individual. Cabe ao mesmo vencer a press coverage de Mitchell na linha de scrimmage e se posicionar para receber o passe.

Ao receber a bola, Cooper se livra de dois marcadores girando o corpo para dentro, até ser tackleado no meio do campo. O two-minute warning parou o relógio ao fim dessa jogada. Os próximos dois lances foram malsucedidos para Oakland após Derek Carr colocar uma bola muito baixa para Amari Cooper no meio do campo e em seguida Johnny Holton cometer um offensive pass interference flagrante.

Em uma situação de 2nd & 20, com 01:47 restantes no relógio, Oakland volta a se alinhar em shotgun, dessa vez com um TE para ajudar nos bloqueios. Os Chiefs mostram blitz e dois safeties na cobertura antes do snap, porém apenas quatro homens iriam perseguir o signal caller.

Novamente Amari Cooper é o alvo da jogada e se encontra alinhado sozinho no lado esquerdo do campo como X. Ele executará primariamente uma rota post em direção ao símbolo dos Raiders no meio do campo. Derek Carr identifica o posicionamento dos safeties (primeira leitura pré-snap que todo QB deve fazer), e aliado à situação relógio-placar, sabe que enfrentará coberturas em zona.

Após um 3-step dropback um pouco atrapalhado, Carr tem o pocket limpo, e com os olhos, consegue atrair um dos safeties para a esquerda (você não o vê acima, mas o verá abaixo) da imagem. Enquanto isso, Cooper vende aos seus marcadores uma rota corner. Logo após, o recebedor executa um double move em direção ao meio do campo, o que configura a post mostrada na imagem antes do snap. Em vermelho, mostra-se a janela que Derek tem no momento do passe, facilmente completado pela excelente coordenação e conhecimento de playbook entre o QB e seu recebedor.

Na minha terra isso tem nome. “Livre pra caralho”, o nome.

Como dito anteriormente, Derek Carr ainda tem alguns problemas a corrigir. O principal deles é se livrar rápido demais da bola, mesmo com pockets limpos (medo de lesões, talvez?). Aqui, observa-se no lado direito um conceito semelhante ao levels (sdds Peyton), em que duas rotas se quebram para o meio ou para a linha lateral em amplitudes diferentes do campo. O objetivo dessa jogada é causar estresse na cobertura em zona, principalmente na comunicação entre CB/S, aproveitando os espaços.

Pode-se contestar que nessa jogada, a linha ofensiva não segurou os bloqueios por tempo suficiente para deixar a rota em azul se desenvolver. Entretanto, parte da proteção contra o passe também é responsabilidade do QB, que deve se posicionar no ponto ideal. Jogadores de OL geralmente treinam a coordenação de pass-protection com dummies posicionados no ponto de proteção, e o QB deverá permanecer no pocket, conforme mostra Pat Kirwan em seu livro Take Your Eye off the Ball (paga nois, Amazon).

Na imagem acima, Derek se desespera com o pass rush e ativa a rota de checkdown, enquanto havia um espaço considerável para escalar no pocket. Observe que o QB mantém corretamente seus olhos vagando pelo lado direito do campo, forçando os safeties a abrirem um espaço no seam. Caso tivesse mantido a calma e andado para frente, Carr poderia conseguir um ganho de aproximadamente 25 jardas para os Raiders. Aqui, houve uma perda de 1 jarda, além do relógio continuar rodando após o tackle dentro de campo.

Os próximos snaps resultaram em passes incompletos após bolas mal colocadas por Derek Carr, o que colocou os Raiders em uma situação de 4th & 11 com 00:41 restantes no relógio.

Formação de empty backfield com 5 recebedores espalhados pelo campo, enquanto os Chiefs colocam três defensive backs no fundo. As rotas são todas verticais e Jared Cook é o alvo da jogada. Ele precisa vencer o marcador fisicamente e receber a bola na marca do first down, enquanto os demais recebedores afastam a marcação em zona para o fundo do campo.

Contra um jogador mais baixo e mais fraco fisicamente, Jared Cook consegue se desvencilhar da marcação, recebe um passe alto e alcança a linha de first down na força física. Conversão que manteve os Raiders vivos na partida.

Nas duas jogadas seguintes, Derek Carr arriscou bolas em cobertura dupla no melhor estilo Brett Favre, duas interceptações dropadas pela defesa dos Chiefs.

Jogou de peruada.

A partir de então, o jogo virou a esquina da loucura. Raiders em 3rd & 10 na linha de 29 do campo de ataque, alinhados em shotgun ace com três recebedores na parte esquerda e apenas um na parte direita. Conceito four verticals (aquela jogada que você usa no Madden até ficar chato) e Jared Cook alinhado de Split-end, receberá uma jump ball na direção do pylon à beira da endzone. Cook recebe a bola e se joga em direção à endzone. Touchdown! Porém, após a revisão da jogada, observou-se pela pylon cam que houve um down by contact a um fio de cabelo da endzone. Após a reversão do lance, a arbitragem retirou 10 segundos do relógio (alguns torcedores do Lions infelizmente morreram) e o Raiders teve 1st & goal na linha de 1 jarda. Os Raiders não correram com Marshawn Lynch pois esse já havia saído na mão com um árbitro e fora devidamente expulso da partida.

Tal qual o nosso Titans (quem é sabe), foi quase.

Houve faltas nos próximos 3 snaps, uma para os Raiders, após Michael Crabtree empurrar demais o coleguinha em uma jogada de fade, e duas seguradas defensivas dos Chiefs, uma delas com o cronômetro zerado. Segundo a regra, se houver uma falta defensiva no momento em que o cronômetro atinge zero, a falta é aplicada e o ataque recebe mais uma jogada. Isso aconteceu duas vezes seguidas nessa partida, salva de palmas para a defesa de Kansas City – ser burro dessa forma é um feito e tanto.

Sem tempo no relógio, Raiders na linha de 2, com shotgun ace e 11 personnel. Nas duas jogadas anteriores, Carr havia tentado 2 passes no meio da endzone, e aqui os Chiefs protegem a linha de gol pelo meio. Após várias chamadas contestáveis ao longo da partida, o coordenador ofensivo, Todd Downing faz Derek Carr executar um roll-out para esquerda, enquanto Michael Crabtree se direciona ao pylon.

Um passe contra o movimento natural do corpo, Derek Carr mostra a força de seu braço. Michael Crabtree protegeu de forma inteligente com o corpo o ponto de recepção, não permitindo que Terrance Mitchell defendesse o passe. O interessante é que a jogada havia sido treinada para o lado contrário, mas Oakland decidiu invertê-la para evitar a cobertura de Marcus Peters.

Vitória dos Raiders em um dos melhores jogos de quinta-feira dos últimos tempos, em que sabemos que os times chegam despreparados ou cansados pela semana curta. A NFL está em um nível de loucura tão absurdo que os melhores jogos de primetime dessa temporada foram exatamente na quinta-feira.

Os torcedores de Chiefs e Raiders ainda não tinham experimentado emoção suficiente, então coube ao kicker Giorgio Tavecchio selar a vitória dos Raiders em um extra point. O mesmo já havia perdido dois field goals ao longo da partida.

Com a vitória, os Raiders dão sobrevida à sua temporada, record de 3-4, sendo 1-2 dentro da AFC West. Do outro lado, será que estamos vendo nos Chiefs (5-2) mais um time começar bem e implodir após cinco jogos? (vide Falcons em 2015 e Vikings em 2016).

Diego Vieira, o estagiário prodígio, mora em Manaus e não é atingido pelo horário dos jogos. Maldito.

Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

Power Ranking: semanas #5 e #6

Cada vez mais percebemos que não entendemos nada do esporte conhecido como futebol americano: quem imaginava que os Giants venceriam os Broncos?

Por outro lado, alguns fatos seguem como certezas: o New England Patriots sendo ajudado pela arbitragem e o Cleveland Browns sendo o Cleveland Browns.

32 – Cleveland Browns (-1 / 0-6)

Seis semanas. Esse foi o tempo necessário para a esperança desaparecer completamente e o Cleveland Browns voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

31 – San Francisco 49ers (-2 / 0-6)

A conexão C.J. Beathard – George Kittle é o futuro de um time ruim em completa reconstrução. Na verdade, o futuro é Kirk Cousins.

30 – New York Jets (+2 / 3-3)

O Jets foi mantido na lanterna desse ranking por seis semanas. Admitir o erro é um ato de nobreza: o time é melhor do que se poderia prever. Porém, não seria surpresa se não vencer mais nenhum jogo nessa temporada.

29 – Indianapolis Colts (+1 / 2-4)

O desejo de colocar o Colts um pouco acima nesse ranking existe, mas ele acaba quando lembro que as duas vitórias que o time acumula foram contra Browns e 49ers e o head coach é Chuck Pagano.

28 – Chicago Bears (0 / 2-4)

Mitchell Trubisky vem sambando na cara dos que deram risada do Draft do Bears (nós).

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27 – Miami Dolphins (0 / 3-2)

Vencer o Atlanta Falcons foi um feito considerável, mas não sabemos se foi uma vitória do Dolphins ou uma derrota do Falcons. O fator Jay Cutler impede que o time esteja em melhor posição no ranking.

26 – New York Giants (0 / 1-5)

A vitória contra o Denver Broncos serviu apenas para provar que ninguém sabe nada nessa porra toda.

25 – Los Angeles Chargers (0 / 2-4)

Duas vitórias consecutivas e uma certeza: esse time não vai a lugar algum.

24 – Baltimore Ravens (-6 / 3-3)

Esse talvez seja um dos times mais difíceis de assistir. O ataque é um show de mediocridade e a defesa não é tão boa quanto parecia.

23 – Cincinnati Bengals (+1 / 2-3)

Depois de passar bastante vergonha no início da temporada, o Bengals renasceu. O verdadeiro teste, porém, será contra o Steelers, no próximo domingo.

22 – Jacksonville Jaguars (+1 / 3-3)

A defesa é muito boa e a que mais gera turnovers. Leonard Fournette é MUITO bom. Mas é só depender minimamente de Blake Bortles que a coisa não vai pra frente. Talvez esse time consiga superar seu próprio QB e chegar aos playoffs, mas a obrigação moral é mantê-lo do meio pra baixo do ranking.

21 – Oakland Raiders (-12 / 2-4)

Ninguém está jogando nada em um time que era uma das prováveis forças da AFC

20 – Arizona Cardinals (+1 / 3-3)

Aparentemente estamos em 2009 e o trio Palmer-Fitz-Peterson está no auge. Resta saber quanto tempo isso vai durar.

19 – Tennessee Titans (0 / 3-3)

É difícil classificar o Titans como decepção. Talvez seja apenas um time medíocre mesmo.

18 – New Orleans Saints (+4 / 3-2)

Acreditem: o New Orleans Saints tem uma defesa consistente e um ataque baseado no jogo corrido. Essa é a NFL em 2017. Não há lógica.

17 – Buffalo Bills (-2 / 3-2)

A campanha é boa, graças à defesa, mas vai chegar a hora em que o ataque terá que marcar pontos e descobrirá que simplesmente não tem recebedores.

16 – Green Bay Packers (-14 / 4-2)

Queda de 14 posições no ranking: é isso que a perda de Aaron Rodgers significa para o Packers.

A temporada acabou.

15 – Tampa Bay Buccaneers (-4 / 2-3)

Cinco partidas disputadas e a certeza de que esse time foi superestimado já está presente.

14 – Washington Redskins (+6 / 3-2)

É difícil saber o que mais Kirk Cousins terá que fazer para conseguir um contrato de longa duração.

13 – Dallas Cowboys (0 / 2-3)

Manobras legais vão mantendo Ezekiel Elliot em campo. Dak Prescott vem jogando muito bem. Será que o ataque conseguirá novamente mascarar uma defesa duvidosa?

12 – Seattle Seahawks (+2 / 3-2)

Aos poucos, o Seahawks vai melhorando. Todo ano é assim. E todo ano o time estará jogando em janeiro.

11 – Houston Texans (+6 / 3-3)

No nosso primeiro Power Ranking, dissemos que Deshaun Watson CLARAMENTE não estava pronto para a NFL. Quatro semanas depois e vários recordes quebrados, apenas nos resta pedir desculpas.

10 – Detroit Lions (-3 / 3-3)

A bye-week fará bem a um time que parece ser bom mas que vem de duas derrotas, uma delas tomando 52 pontos do Saints. Quando perder para Pittsburgh, na semana 8, cairá ainda mais nessa lista.

9 – Minnesota Vikings (+7 / 4-2)

Não só venceu o Packers, mas também venceu automaticamente a divisão com a contusão de Aaron Rodgers.

8 – Atlanta Falcons (-3 / 3-2)

O alerta geral já está ligado em Atlanta. Perder para o Dolphins foi uma grande vergonha. O mínimo que esse time precisa fazer é vencer a revanche do Super Bowl contra o Patriots. Sabemos que isso não vai acontecer.

7 – Los Angeles Rams (+3 / 4-2)

Ver: http://picksix.com.br/jared-goff-estrelando-o-verdadeiro-bust-era-jeff-fisher/

6 – Carolina Panthers (+2 / 4-2)

A derrota para o Eagles em casa não estava nos planos, mas por falta de times bons o Panthers sobe para a posição seis do ranking.

5 – New England Patriots (+1 / 4-2)

Nada como uma pequena ajuda da arbitragem para bater o Jets, mas o Patriots vem lentamente evoluindo e já lidera a divisão.

4 – Denver Broncos (-1 / 3-2)

É preciso manter o pensamento positivo: a derrota para o Giants foi apenas um momento de diarréia mental. 

3 – Pittsburgh Steelers (+1 / 4-2)

É bastante confuso perder de maneira vergonhosa para o Jaguars e depois vencer o até então invicto Chiefs fora de casa. O que importa é que o talento está presente em Pittsburgh e as coisas devem se ajeitar.

2 – Philadelphia Eagles (+10 / 5-1)

Parece ser a principal força da NFC. O confronto contra o Washington Redskins no Monday Night Football colocará isso à prova.

1 – Kansas City Chiefs (0 / 5-1)

A derrota para o Pittsburgh Steelers parece ter sido apenas uma pedra no caminho. Nada como enfrentar o modorrento Oakland Raiders no Thursday Night Football para recuperar o ritmo.

Pensativo…

Alex Smith como você nunca viu

Um dos maiores erros cometidos quando falamos de draft – e dos jogadores nele selecionados – é acreditar que se trata de uma ciência linear. Nós achamos que os resultados são sempre constantes em função do jogador selecionado, e tudo que muda é o time que escolheu uma pessoa ao invés da outra.

O melhor exemplo recente disso é Dak Prescott, selecionado pelo Cowboys na quarta rodada e que se tornou um dos melhores jovens QBs da NFL. Muitos analistas começaram a apontar o grande erro de estratégia dos outros times da NFL em não selecionar um jovem franchise QB em Prescott quando tiveram a chance, esquecendo que o próprio Cowboys passou Dak três vezes e só selecionou o camisa 4 depois de não conseguir DUAS opções que preferiam a ele, Paxton Lynch e Connor Cook (cuzão).

Mas o mais importante as pessoas estão esquecendo: caso Dak Prescott não fosse para Dallas, existe uma chance bastante considerável de que ele nunca teria tido o 2017 que teve, e não teria se tornado o QB que aparenta ser hoje. Ambiente, complementos e desenvolvimento contam muito para a evolução de qualquer jogador, e Dak pode passar seu ano de calouro jogando atrás da melhor linha ofensiva da NFL, complementado por um devastador ataque terrestre que tirava a atenção da defesa de suas costas.

Pense nisso: se Prescott tivesse acabado em um time como o Browns, passado o ano todo tendo que se preocupar em fugir da pressão atrás de uma linha ofensiva ruim, precisando lançar bolas demais por jogar atrás no placar, e sem um jogo terrestre dominante, podem ter certeza que Prescott não teria se desenvolvido tão bem e hoje não seria visto como metade do jogador que é em Dallas. Contexto importa, desenvolvimento importa ainda mais, e esquecemos disso com uma frequência impressionante.

Comparação

Na história recente da NFL talvez não exista um melhor exemplo disso do que Alex Smith. Primeira escolha no draft de 2005 – 23 escolhas antes de Aaron Rodgers – Smith durante muito tempo foi considerado um dos grandes busts da história da NFL.

As estatísticas ajudavam a ratificar essa impressão; entre 2005 e 2010, Alex Smith jogou 54 jogos e completou apenas 57.1% dos seus passes, com 51 TDs, 53 INT, 6.2 Y/A, 5,3 AY/A e um rating de 72.1. Com Aaron Rodgers assumindo a titularidade e se tornando uma superestrela em Green Bay, a narrativa cada vez mais forte era de que o 49ers tinha feito a escolha errada.

Mas embora seja muito provável que San Francisco realmente tenha feito a escolha errada, assumir que o resultado teria sido o mesmo (mas trocado) para os jogadores e times envolvidos é ignorar os trajetos totalmente opostos que Smith e Rodgers enfrentaram na NFL. Smith, quando chegou a San Francisco como escolha #1, enfrentou a pior situação possível para o desenvolvimento de um jovem QB: colocado logo de cara no fogo, atrás de uma horrível linha ofensiva e sem alvos para ajudá-lo, Alex passou seus primeiros anos correndo pela vida, incapaz de desenvolver as habilidades certas por estar sempre precisando jogar atrás no placar e fugir da defesa adversária.

Além disso, em seus primeiros sete anos de NFL, Alex Smith teve seis técnicos e sete coordenadores ofensivos diferentes, um constante fluxo de mudanças que impediam que o jovem QB aprendesse e desenvolvesse um playbook consistente, e cada troca vinha com novas adaptações, novas mudanças, e novas jogadas. Adicione a isso lesões no ombro – geradas e agravadas pelas repetidas pancadas sofridas atrás dessa fraca linha ofensiva – e a verdade é que Alex Smith nunca recebeu em seus anos formadores a condição de se desenvolver e ter sucesso como QB titular de NFL.

Do outro lado, Rodgers teve a melhor situação possível. Ficou três anos aprendendo com a tutela de um QB Hall of Famer (Brett Favre), sem nenhuma pressão ou desespero. Seu técnico, seu playbook, seu estilo de jogo – tudo permaneceu constante desde que chegou à NFL, o que ajudou demais seu desenvolvimento. Quando Rodgers enfim se tornou titular em 2008, estava muito mais maduro e pronto, conhecedor de um playbook estável, em um bom time. A chance de alguém se desenvolver assim era muito maior.

Então sim, é possível que Rodgers desde o começo simplesmente fosse melhor que Smith e merecedor da escolha #1. Mas a verdade é que, se você trocasse Smith e Rodgers na noite do draft, a carreira de ambos teria sido totalmente diferente. Smith nunca teria lidado com tantos problemas e teria se desenvolvido melhor, e Rodgers nunca – repetindo: NUNCA – teria se tornado o QB que é hoje se tivesse começado sua carreira na horrível situação que lhe seria proporcionada pelo 49ers, desenvolvendo maus hábitos e com aprendizado interrompido por constantes mudanças e uma péssima infraestrutura.

A sorte bate a porta

A sorte – e a narrativa sobre a carreira – de Smith mudou em 2011, com a chegada de Jim Harbaugh. Pela primeira vez Smith tinha não apenas um bom técnico e ótimo mentor de QBs para guiá-lo, como também não precisava ser ou se desenvolver em alguém que não era. Harbaugh desenhou todo o playbook do 49ers não em torno de algo que Smith deveria ser, mas do que ele tinha de melhor: a inteligência, paciência, precisão nos passes e boa leitura de jogo.

Agora, atrás de uma boa linha ofensiva e um poderoso jogo terrestre, e complementado pela melhor defesa da NFL, Smith não precisava fazer passes difíceis ou soltar grandes bombas para vencer. O 49ers precisava que ele tomasse conta da bola, trabalhasse o play action, tomasse boas decisões e fosse um complemento, uma peça a mais em um time completo e muito bem montado.

Em 2011, Smith teve seu melhor ano na carreira até então, completando 61.7% dos passe para 17 TDs e 5 INTs, 7.1 jardas por passe (Y/A) e 7.3 jardas ajustadas por passe (AY/A). Com Smith no comando, o 49ers chegou até as Finais da NFC e só não foi ao Super Bowl por conta de dois fumbles em retornos de punt (a atuação de Smith contra o Saints nos playoffs ainda é uma das mais impressionantes da história recente da NFL).

No ano seguinte, porém, Smith acabou indo para o banco depois de uma lesão em favor do maior potencial de Colin Kaepernick, mas novamente vinha tendo um grande ano: 70.2%, 13 TDs, 5 INTs, 8,0 Y/A, 8.1 AY/A. Ao todo, Alex Smith jogou 26 jogos completos sob Jim Harbaugh, e o 49ers venceu 20 deles.

Mas apesar do sucesso individual e coletivo sob Harbaugh, Smith ainda continuava preso aos rótulos. Se agora não era mais o rótulo de bust, o fracasso no draft, agora era um novo: “Game manager”. A ideia era de que Smith tinha sucesso por ser alguém que apenas “gerenciava” o jogo, alguém que só era capaz de evitar erros, dar a bola para o running back, e confiar na defesa – ele não perdia jogos, mas não ganhava, então só teria sucesso em um time que pudesse ganhar jogos por ele. E, apesar de performances como seu lendário jogo contra o Saints em 2011, por exemplo, começou a se espalhar a ideia de que ser um QB sólido, consistente, que fazia as coisas para ajudar seu time a ganhar, mas não lançava para 300 jardas e 3 TDs, não era uma coisa BOA – o que é bastante idiota.

Talvez fosse verdade de que Alex Smith não seria capaz de carregar nas costas rumo ao sucesso um elenco medíocre como, por exemplo, o do Colts, mas até quantos QBs na NFL seriam? Cinco? Ser um QB capaz de levar um bom time longe era bastante valioso por si só, mas a narrativa fez parecer uma coisa ruim, com se Alex fosse incapaz de fazer mais.

Nas seis temporadas desde a chegada de Harbaugh (duas em SF e quatro em Kansas City), Smith jogou 85 jogos na temporada regular como titular, seu time venceu 60 delas e foi cinco vezes aos playoffs (incluindo 2012). E, de alguma forma, a narrativa fazia crer que Smith ainda não era um QB bom o suficiente para ser um titular de um time que aspirasse a mais na NFL.

Trabalhando dentro do limites

As críticas a Smith se baseavam no seu estilo de jogo. Suas forças indiscutivelmente estavam nos passes curtos, na precisão, no controle de jogo e na inteligência, e muito de seus playbooks foram montados em torno dessas características, de forma a minimizar as jogadas de alto risco e focar em eficiência e ganhos curtos. Dadas as forças e fraquezas de Smith, era uma forma inteligente de montar seu ataque, mas não significava que o camisa 11 não era capaz de fazer nada mais.

E, no entanto, foi assim que a narrativa se desenvolveu, ao ponto de que seu próprio time – que foi aos playoffs três vezes na divisão mais competitiva da NFL com Smith – foi atrás de um substituto no draft, trocando múltiplas escolhas para selecionar Pat Mahomes, um quarterback bastante cru, mas com um braço extremamente forte. Ou seja, exatamente o oposto de Smith. O tempo de Alex Smith em Kansas City parecia contado, e os pedidos para que Mahomes fosse titular aumentavam a cada dia, dizendo que era a única chance do Chiefs de subir de patamar ofensivamente.

O verdadeiro MVP

Tudo que Smith fez desde então foi devorar planetas e chutar bundas. Em cinco semanas de NFL, Alex Smith tem sido talvez o melhor jogador da liga. Seus números parecem coisa de videogame: 76.6% de aproveitamento, 11 touchdowns, 0 interceptações, 8.8 jardas por passe, 10.2 jardas ajustadas por passe, 125.8 de rating, 68.1 QBR – tirando touchdowns (onde Smith era #3 depois da Semana 5) e QBR (#4), todas essas marcas lideram a NFL com MUITA folga.

Após cinco rodadas, Smith e o Chiefs tem a melhor campanha da NFL a 5-0, e tem o melhor time, melhor ataque, e o melhor ataque aéreo da NFL (em DVOA), tendo vencido no processo os times #2 (Washington), #5 (Eagles) e #6 (Houston) da NFL em DVOA (além de New England, atualmente #22). Sob qualquer medida possível, é um dos inícios individuais e coletivos mais dominantes da história da NFL, e embora seja precoce falar isso, Smith parece hoje um dos favoritos ao prêmio de MVP da liga, enquanto Kansas City vai se consolidando como o time a ser batido de 2017. Os pedidos por Pat Mahomes parecem a cada dia mais distantes.

Como diabos isso está acontecendo

Mas o mais interessante não é só que Smith tem jogado em nível MVP, mas sim como isso está acontecendo. Durante anos, a história contada sobre Alex Smith era de que seu braço era fraco demais para a NFL, um QB incapaz de fazer passes longos e que só conseguia ser eficiente, o que era de certa maneira um reflexo de seu estilo de jogo; de acordo com o site especializado Football Outsiders, até o começo da temporada 2016 Alex Smith era o quarterback cujos passes viajavam a menor distância em toda a NFL, com seus passes viajando 6.81, 5.97 e 6.87 jardas além da linha de scrimmage em média durante suas três primeiras temporadas no Chiefs (2013-2015). Em 2016, apenas 9,4% de seus passes (46) viajaram mais de 20 jardas no ar, segunda pior marca da NFL entre QBs qualificados, e completou apenas 32.6% deles para 521 jardas e 2 TDs contra 2 interceptações, um rating medíocre de 72.8.

Elite?

Em 2017, no entanto, a história tem sido outra. Nessas cinco rodadas, 12% (19) dos passes do camisa 11 tem sido de mais de 20 jardas, uma marca que teria sido #11 em 2016. Sua média de distância no ar por passe também subiu consideravelmente, para 7.7 em 2017, 18ª melhor marca da NFL (entre 33 QBs qualificados). Smith está lançando bolas longas e passes mais distantes com frequência maior do que em qualquer momento na carreira desde sua volta por cima em 2011, e seus resultados também tem sido melhores do que nunca: nesses passes Smith tem aproveitamento de 57.9% (#1 na NFL), com 440 jardas (#2 na NFL) e 3 TDs (#2 na NFL) contra 0 interceptações, que garantem um rating de 142.0 – a melhor marca de toda a liga.

Alguns desses passes foram jogadas fáceis, como o TD de Tyreek Hill contra o Patriots em uma falha de marcação, mas outros tem sido passes difíceis absolutamente perfeitos, como esse passe maravilhoso para Travis Kelce em rede nacional contra o Redskins, o TD de Hill contra o Chargers e a perfeita bomba para Hill na lateral contra o Texans – jogadas que mostram bastante habilidade e toque nos passes em profundidade.

Essa nova faceta do seu jogo tem um efeito bem maior do que somente as jogadas longas em si. Antes, era muito mais fácil para as defesas se aproximarem da linha de scrimmage – até como precaução contra o forte jogo terrestre do Chiefs – de forma a evitar os passes curtos, e desafiando Smith a vencer com passes longos que castigassem essa formação. Agora que as defesas precisam se preocupar com os passes longos, forçando os safeties a jogarem mais atrás e a defesa a respeitar a zona intermediária, abre-se demais o campo para o jogo terrestre e os passes curtos (ainda a especialidade de Smith), ainda mais em um time com muitas ameaças para conseguir jardas depois da recepção.

E me chamem de cínico, mas pessoalmente não acredito que um QB de 33 anos que até 8 meses atrás não tinha capacidade de lançar bolas longas de repente aprendeu a fazer isso da noite para o dia. Ainda que seja nítido que Smith melhorou o seu jogo em 2017, não é o tipo da coisa que você simplesmente absorve nessa altura da vida. O mais provável é algo que muitos defendiam faz algum tempo: ainda que não seja sua especialidade, Smith tem total capacidade de executar lançamentos mais longos e difíceis, e que se a falta dessa dinâmica no jogo do Chiefs estava limitando a franquia, a solução não era buscar um substituto, e sim dar mais condições e liberdade para Smith explorar essa parte do seu jogo.

E foi o que aconteceu em 2017: em parte porque o elenco de apoio (em especial o veloz Tyreek Hill e a ascensão contínua de Travis Kelce) agora está mais capacitado para esse tipo de jogada, talvez até mesmo pelo esquema tático já ter sido um pouco modificado pensando em Mahomes, mas o Chiefs finalmente começou a colocar Smith em situações favoráveis para esses passes, e com o sucesso e aumento de confiança do seu QB, começou até a usá-lo em situações não tão óbvias ou favoráveis, e em geral com bons resultados.

Até onde se pode chegar

Smith não se tornou Brett Favre da noite para o dia – sua principal força ainda é a inteligência e os passes curtos, e seus números de uso de bolas longas ainda é apenas médio da NFL. Nunca será sua maior força ou o foco do ataque de Kansas City. Mas Smith finalmente ganhou a oportunidade de explorar a totalidade das suas habilidades, e os resultados tem sido melhores do que até o mais otimista defensor de Smith (que devo ser o autor deste texto) se atrevia a sonhar, para ele e para o time.

A pergunta que fica então é o quanto esse nível de performance é sustentável. Smith não passará o ano todo sem interceptações – mesmo em seu melhor ano no quesito (2011) o camisa 11 ainda foi interceptado em 1.1% de seus passes, e isso fazendo passes muito menos complexos e arriscados do que os desse ano.

Me engulam.

Também é difícil acreditar que Smith manterá seus números em aproveitamento, jardas por passe e jardas por passe ajustadas, que atualmente se encontram em níveis que superam os que Tom Brady jamais conseguiu em qualquer ano da carreira. Times agora terão mais vídeos para estudar desse novo Alex Smith, e a novidade que são seus passes longos tende a perder alguma da efetividade com o tempo. Algumas big plays não conseguirão ser repetidas com tanta frequência, e seus números mais absurdos tendem a regredir para a média com o tempo.

Mas a questão mais importante é que sua performance não precisa se manter nesse nível. Claro, seria ótimo para o Chiefs que seu QB repentinamente se tornasse uma mistura de Tom Brady e John Elway, mas ninguém espera que isso aconteça. Mas se Smith já era um QB bom o bastante para levar o Chiefs aos playoffs ano após ano e seu maior problema era a falta de potencial do ataque devido ao seu estilo conservador, a verdade é que esse problema provavelmente não existe mais.

Smith não vai ser tão eficiente assim o ano todo nos passes longos, mas só dessa dimensão existir e estar sendo explorada – e Alex e o Chiefs estarem confortáveis com ela – já muda totalmente o quão bom Alex Smith é, e o quão bom ele e o ataque de Kansas City podem ser com ele no comando.

As estatísticas avançadas dizem que o Chiefs é com folga o melhor time da NFL (em DVOA, o time #2 da NFL – Washington – está mais perto do #10 – Bills – do que do #1 Chiefs), as estatísticas mais básicas (inclusive número de vitórias) concordam, e o teste visual corrobora essa informação. O teto desse time está mais alto do que jamais foi: ninguém está jogando melhor, e o Chiefs parece ter se estabelecido como um dos grandes favoritos ao título da temporada. Tudo graças a Alex Smith, uma frase que pareceria impossível sete anos atrás, mas que pode ser a consagração de uma das histórias de superação mais divertidas que a NFL viu em anos.

Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints. Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado. Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Power Ranking: semanas #3 e #4

Alguns times nos enganaram nas duas primeiras semanas, mas tomamos as devidas providências para que não mais aconteça. Não estamos nem aí se a posição do seu time te desagrada. Lamentamos, mas é a realidade como ela é.

32 – New York Jets (0 / 2-2)

O record 2-2 é uma mera obra do acaso e o Jets ainda é o pior time da NFL. Não seremos enganados.

31 – Cleveland Browns (-1 / 0-4)

Esperávamos que a reconstrução trouxesse resultados mais rápidos, mas o ritmo das obras está um pouco lento, o que não é uma grande surpresa em se tratando de Cleveland Browns. 

30 – Indianapolis Colts (+1 / 1-3)

Sai Scott Tolzien. Entra Jacoby Brissett. É o suficiente para subir uma posição no ranking.

29 – San Francisco 49ers (0 / 0-4)

O time pelo menos está jogando com dignidade e dando sufoco nos adversários. Pena que dignidade não ganha jogos.

28 – Chicago Bears (0 / 1-3)

Após Mike Glennon fazer nossos olhos sangrarem no último TNF, está começando a era Mitchell (ele não gosta que o chamem de Mitch) Trubiski em Chicago.  

27 – Miami Dolphins (-11 / 1-2)

Foi um início promissor com a vitória contra o Chargers na primeira semana, mas depois o Dolphins e Jay Cutler mostraram o que verdadeiramente são: um lixo.

26 – New York Giants (-3 / 0-4)

Eu não aguento mais assistir Eli Manning entregar a bola para Paul Perkins perder três jardas. Eu simplesmente não aguento mais. Salvem o meu Giants.

Do tempo que o torcedor dos Giants podia sorrir.

25 –  Los Angeles Chargers (-7 / 0-4)

O Chargers é o único time da NFL que não tem vantagem por jogar em casa, já que não tem torcedores. Não tem vitórias também.

24 – Cincinnati Bengals (+2 / 1-3)

Deu trabalho ao Packers e atropelou o Browns. Não há motivos para empolgação, mas pelo menos a humilhação acabou.

23 – Jacksonville Jaguars (+1 / 2-2)

Queria entender a lógica de ganhar do Ravens, mas perder pro Jets. Ou ganhar do Texans, mas perder pro Titans. É difícil saber qual é o verdadeiro Jaguars.

22 – New Orleans Saints (+3 / 2-2)

Nos últimos dois jogos, a até então tenebrosa defesa do Saints tomou apenas 13 pontos. É pra aplaudir de pé.

21 – Arizona Cardinals (+1 / 2-2)

As vitórias contra Colts e 49ers dão um alento ao time que perdeu seu principal jogador, mas queremos ver vitórias contra times que são de fato times.

20 – Washington Redskins (0 / 2-2)

Kirk Cousins está jogando muito bem enquanto arruma as malas para ser o QB do San Francisco 49ers em 2018.

19 –  Tennessee Titans (-2 / 2-2)

Duas boas vitórias contra Jaguars e Seahawks pareciam o início da caminhada para a glória, mas aí o Titans tomou 57 pontos do Texans e ainda pode perder Marcus Mariota por alguns jogos.

18 – Baltimore Ravens (-10 / 2-2)

No primeiro Power Ranking foi dito que o Ravens tinha uma “defesa dominante e um ataque competente”. Fomos enganados.

17 – Houston Texans (+4 / 2-2)

Deshaun Watson talvez seja o jogador mais divertido de assistir até o momento. Resta saber se as atuações de gala vão durar.

16 – Minnesota Vikings (-7 / 2-2)

A contusão de Dalvin Cook trará consequências muito mais relevantes do que se pode imaginar. Além disso, o único QB com joelhos saudáveis no time é o terceiro reserva.

15 – Buffalo Bills (+12 / 3-1)

Desafio você, leitor, a encontrar alguém que tenha previsto um início de temporada 3-1 para o Bills, incluindo uma vitória em Atlanta. O time é bom, especialmente a defesa, mas talvez já tenha atingido seu auge.

O comandante da porra toda.

14 – Seattle Seahawks (+1 / 2-2)

Aos poucos, o time vai engrenando, mas é visível que não é mais o mesmo, tanto defensiva quanto ofensivamente.

13 – Dallas Cowboys (-3 / 2-2)

A derrota para o Rams em casa escancarou vários defeitos de um time que sempre pareceu ser um pouco overrated.

12 – Philadelphia Eagles (+2 / 3-1)

Um time regular que já venceu dois confrontos de divisão. Tem tudo para estar nos playoffs.

11 – Tampa Bay Buccaneers (0 / 2-1)

Com apenas três jogos na conta, o Bucs nem decepcionou nem surpreendeu. O verdadeiro teste será contra o New England Patriots.

10 – Los Angeles Rams (+9 / 3-1)

É hora de começar a levar esse time a sério, por mais surrealista que isso seja.

9 – Oakland Raiders (-6 / 2-2)

A derrota para o Washington Redskins foi bastante feia, mas o time ainda é bom quando todos estão saudáveis. Precisa começar a vencer jogos para sonhar com uma vaga de Wild Card, já que a divisão está parecendo cada vez mais inatingível.

8 – Carolina Panthers (+5 / 3-1)

A vitória em New England foi bastante convincente para um time que parecia estar vencendo aos trancos e barrancos. O problema é que Cam Newton não parece mais ser o mesmo.

7 – Detroit Lions (+5 / 3-1)

O record é 3-1, mas poderia facilmente ser 4-0, se Golden Tate não tivesse sido parado na linha de meia jarda contra o Falcons. A questão é se esse time é capaz de manter o nível até a semana 17.

6 – New England Patriots (-1 / 2-2)

A defesa do New England Patriots é a pior da NFL. A DEFESA DO NEW ENGLAND PATRIOTS É A PIOR DA NFL. Mas isso será corrigido, não se preocupem.

Confie no homem.

5 – Atlanta Falcons (-1 / 3-1)

O declínio em relação à temporada passada já era esperado. Uma derrota em casa para o Buffalo Bills não era esperada. O Falcons ainda é bom, mas não é mais o mesmo.

4 – Pittsburgh Steelers (+2 / 3-1)

Inexplicavelmente, o Steelers perdeu para o Bears de Mike Glennon, mas a recuperação veio com uma vitória tranquila em Baltimore. Não parece ter adversários na divisão e ainda não atingiu nem metade de seu potencial.

3 – Denver Broncos (-1 / 3-1)

O Broncos não teria perdido a posição 2 se não tivesse perdido para o Bills e quase tomado o empate do Raiders de EJ Manuel. De qualquer forma, o time parece ter se consolidado como a segunda força da divisão (e da conferência).

2 – Green Bay Packers (+4 / 3-1)

A defesa melhorou muito em relação à temporada passada e Aaron Rodgers continua sendo o melhor jogador da NFL (aceitem). Candidato sério a Super Bowl.

1- Kansas City Chiefs (0 / 4-0)

É o time mais completo e equilibrado da liga. Tem um ataque dinâmico e o melhor RB da liga no momento. A defesa parece que vai sobreviver sem Eric Berry. Além disso, tem um técnico que merece ganhar pelo menos um Super Bowl antes da aposentadoria. Esse é o ano de Andy Reid?

Kareem Hunt ainda trará a paz mundial.