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Torcendo para manteiga cair virada para cima

Regressão é um conceito estatístico que pode ser aplicado quando se observa uma variação muito diferente entre amostras de dados. Fazendo um mea culpa por esse momento monóculo, esse conceito ilustra bem as duas últimas temporadas do Atlanta Falcons. Um time que esteve a 25 pontos do paraíso em 2016 (nunca poderemos nos esquecer da vantagem de 28 a 3 ao fim do terceiro quarto no Super Bowl), mostrou-se muito menos explosivo em 2017.

A queda de produção no ataque

Em 2016, Matt Ryan foi MVP em um ataque que se tornou referência de jogo moderno na NFL, ao contar com aplicação de conceitos clássicos já estabelecidos no modelo profissional, além da adição de elementos de College Football. Tudo era lindo até que o sistema se mostrou vítima da própria complexidade no Super Bowl, quando se precisava de chamadas mais simples para queimar tempo. Em 2017, esse cenário mudou.

A substituição de Kyle Shanahan por Steve Sarkisian, vindo de passagens por USC e Alabama, foi como cancelar o pacote de internet mais foda que você tem disponível na sua cidade (ESPAÇO DESTINADO PARA MARCAS INTERESSADAS EM PARCERIAS) e voltar para a internet discada.

Nos primeiros jogos, Sarkisian até tentou manter os conceitos do ataque, muito pela manutenção das peças, mas à medida em que a temporada foi avançando, as tendências ficaram gravadas em game tape, tornando complicada a missão de manter o nível ofensivo.

“Você se importaria em chamar as jogadas no meu lugar?”

Sarkisian foi criticado principalmente por diminuir o envolvimento do WR Julio Jones na endzone: Julio recebeu apenas 3 TDs na temporada. A falta de capacidade do coordenador de variar as chamadas de acordo com a situação de campo fez com que o ataque emperrasse por muitas vezes na redzone. Um exemplo dessa inépcia são as duas partidas nos playoffs. Após uma vitória improvável contra os Rams em Los Angeles, em que a defesa se sobressaiu para parar o ataque mais prolífico da temporada, uma ida à Philadelphia. Um jogo bem feio.

O ataque teve o último drive da partida, com placar em 15 a 10. Após chegar a redzone com uma sequência de boas jogadas, duas tentativas de fade (aquela que, no Madden, você muda no audible) para Julio Jones, uma delas com rollout, determinaram o destino de Atlanta. Os Falcons terminaram o ano com um record 10-6, e a regressão se mostrou clara nas estatísticas das principais peças do ataque. Comparando, Matt Ryan foi de uma temporada de 4944 jardas e 38 TDs para 4095 jardas e 20 TDs, mesmo com as peças em 2017 sendo praticamente as mesmas de 2016.

Para o infortúnio do torcedor do estado da Georgia, não houve manutenção do elenco para 2018, com o time perdendo os WRs Taylor Gabriel e Andre Roberts e o TE Levine Toilolo. Via draft, Atlanta adicionou o WR Calvin Ridley (escolha de primeira rodada) e o RB Ito Smith. Ridley é apontado como um grande corredor de rotas e provavelmente terá uma transição tranquila para o jogo profissional, o que não ocorre com a maioria dos recebedores.

LEIA TAMBÉM: Patriots e Brady: vencer é mera formalidade

No papel, um ataque com Matt Ryan, Julio Jones, Mohamed Sanu, Calvin Ridley, Austin Hooper, Jake Matthews, Alex Mack, Andy Levitre, Tevin Coleman e Devonta Freeman é bastante talentoso, mas fica a dúvida se Sarkisian será capaz de fazer tanto talento corresponder dentro de campo. Se o cenário não mudar, é provável que o coordenador ofensivo entregue o boné ao fim da temporada, o que já deveria ter sido feito, inclusive.

Uma defesa modelo

Se o ataque dos Falcons foi decepção, o torcedor não pode reclamar da defesa (na realidade, até pode, pois é inalienável o direito do torcedor à corneta gratuita e injustificável – especialmente quando sua defesa permite AQUELA conversão de terceira descida).

A unidade, construída com a velocidade como foco, deu um grande passo em 2017 para se tornar uma das grandes forças na NFL. O trabalho de Dan Quinn vem dando resultados e é possível ver evoluções inclusive em relação à sua passagem pelo Seahawks.

“Excuse me, but I’ll take this.”

Nomes como Takkarist McKinley, Grady Jarrett, Keanu Neal, De’Vondre Campbell, Desmond Trufant, Robert Alford, além dos principais destaques: Vic Beasley e Deion Jones. Um time muito jovem e talentoso, que ainda terá destaque por pelo menos as próximas cinco temporadas.

Apesar de uma regressão de Beasley no número de sacks, o time aumentou a quantidade de pressões em relação a 2016 e viu os holofotes se voltarem para Deion Jones, atualmente um dos melhores linebackers da liga. À medida em que essa jovem defesa se torna mais experiente, vai roubando espaço com uma das melhores da liga.

A disponibilidade de talento no lado defensivo da bola em Atlanta é enorme, o que se evidencia pelo fato de que, mesmo após as saídas de Dontari Poe e Adrian Clayborn, a expectativa para 2018 é de melhora.

Precisamos falar sobre Special Teams

Apesar de um visível contrabalanço na gestão de ataque e defesa dos Falcons, o fiel da balança para o time salvar o pescoço de Steve Sarkisian está no special teams. Espera-se que a defesa segure ataques logo no início dos drives, com sua agressividade e velocidade. Se o ataque emperrar, a atuação do punter Matt Bosher e do kicker Matt Bryant será essencial como forma de desafogo. O punter pode colocar a defesa em situação de anotar pontos através de turnovers, enquanto o kicker pode garantir aqueles field goals longos essenciais a um ataque que pouco produz quando o campo diminui. Para isso, o Falcons conta com dois dos melhores jogadores da NFL nesse quesito, capazes de ter importante contribuição para o placar das partidas.

Nota do editor: perceba a fé que o jovem tem nos esquemas de Steve Sarkisian. 

Palpite

É praticamente impossível prever o desenrolar da NFC South, que conta com três times que foram aos playoffs em 2017 e ainda tem condições de repetir o feito. Em uma divisão que é uma legítima briga de foice no escuro, não perder jogos para o Tampa Bay Buccaneers em pura implosão será obrigatório. Enquanto isso, a tabela não facilita em nada, com confrontos contra Eagles, Panthers, Saints e Steelers em quatro das cinco primeiras semanas.

O time é talentoso, mas terá que lidar com o azar de ter uma força de tabela muito alta devido à sua divisão. Podemos visualizar um cenário em que o Falcons encaixe uma campanha de 14 vitórias e garanta uma semana de descanso nos playoffs. Mas também pode acontecer de o time “trocar” derrotas com os rivais de divisão, precisando fazer contas para entrar no Wild Card. Tudo parece estar nas mãos do ataque comandado por Steve Sarkisian. A unidade deve ser o fiel da balança ao final da temporada. Com base no histórico do coordenador ofensivo, isso não acontecerá e o time pode terminar o ano com algo entre 8 e 10 vitórias. 

Semanas #8 e #9: os melhores piores momentos

Depois de uma semana de férias, estamos de volta! O motivo das férias é simples: se os GIFs demoram a carregar para você (recomendamos acessar a coluna de um computador ainda mais o da firma, consuma os dados, ninguém pode te impedir), imagine para quem tem que caçar nos arquivos do Gamepass. Por 10 reais mensais de cada leitor dessa página, prometemos que a coluna sai logo depois do Monday Night Football.

*Os lances que aconteceram na Semana 8 estão sinalizados.

Vamos ao que interessa:

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Durante muitos anos, sexy Rexy Grosmann conquistou a liga com seus passes longos, daqueles que você olha e pensa “que caralhos está acontecendo?”. Em sua homenagem, foi criado o “Fuck It, I’m Going Deep Fan Club“, algo que poderia ser traduzido como “Fã Clube do Foda-se, Vou Tentar o Lançamento Longo”.

1.1 – Semana 8: 

1.1.1 – Phillip Rivers

Apresentando o famoso conceito de punt com braço.

1.1.2 – Trevor Siemian

Prometemos nunca mais cair no conto de Trevor Siemian.

1.2 – Semana 9: 

1.2.1 – Brock Osweiler 

HAHAHAHAHAHA

Agora, com o auxílio da SUPER-CÂMERA™, veja que Brock Osweiler lançou o passe de olhos fechados.

1.2.2 – Joe Flacco 

Nem a deep ball é elite mais.

1.2.3 – Brock Osweiler (sim, de novo)

A cobertura era tripla. Afinal, o que poderia dar errado?

O segredo para evitar passes como esses é mirar no buraco do peru, tal qual recomenda Jon Gruden, técnico campeão de Super Bowl.

2 – O hat trick da desgraça, estrelando Blair Walsh: 

Blair Walsh (aquele). O homem havia errado um chute de 28 jardas contra os Seahawks nos playoffs. Como parte do acordo (única explicação possível), ele recebeu um contrato em Seattle algum tempo depois. E recompensou o time como sabe: errando três Field Goals na derrota apertada contra os Redskins. Foram erros de 44, 39 e 49 jardas. Separamos a reação dele em cada um.

3 – Homens que queriam voar:

3.1 – Semana 8: Antonio Brown

3.2 – Marshall Newhouse

4 – Jameis Winston 

Jameis é um cara muito energético, e seu espírito de liderança é invejável. Porém, como tudo nessa vida, em excesso faz mal. E Jameis se excedeu. Muito. Em seu discurso antes da pelada contra o Saints, Jameis disse algo como “comer o W” (eat the W, que seria algo como comer a vitória – nem em inglês faz sentido mesmo). A reação dos seus colegas de equipe diz tudo. 

5 – Tentativas de truques engraçados que deram errado

Apenas parem.

5.1 – Semana 8: Tyreek Hill

Isso que dá ser exposto a Trevor Siemian.

5.2 – O “retorno” de kickoff dos Saints

Temos certeza que no papel estava lindo.

Por esse ângulo fica ainda mais bizarro.

6 – Defesas fazendo o impossível

Já vimos drills em que cones apresentaram mais resistência. Vamos deixar as imagens falarem por si só.

6.1 – New York Giants

6.2 – Dallas Cowboys

7 – Tretas.

As famosas CENAS LAMENTÁVEIS. O retorno da NFL raiz.

7.1 – AJ Green vs Jalen Ramsey 

7.2 – Mike Evans vs Marshon Lattimore

8 – Imagens que trazem PAZ

8.1 – Semana 8: Ainda na NFL raiz, quando o gato invadiu o campo

8.2 – O Special Teams dos Chiefs

Por isso não gostamos de trabalhos em grupo.

8.3 – Semana 8: Lances raros

Entenda porque o jogo entre Ravens e Dolphins não foi tão encantador quanto se imaginava.

9 – Troféu Dez Bryant da Semana 

O Prêmio que premia o jogador de nome que desaponta quando precisamos dele. Só vamos dar um prêmio para semana 9 (já mostramos como você pode ajudar a coluna a crescer e, por mais R$20 mensais, teremos dois Troféus Dez Bryants por semana).

Foram 6 recepções para 118 jardas (em 12 alvos), mas Julio Jones, ao dropar a bola sendo marcado por ninguém mais ninguém menos que GASPARZINHO, o CB camarada, levou pra casa o Troféu Dez Bryant da Semana.

O jogo terminou 20-17 para Carolina, e os torcedores de Atlanta não podem deixar de imaginar o que aconteceria se Jones tivesse feito o que até aquele seu tio velho e racista teria feito: agarrar a bola.

10 – Nossos lances preferidos da semana

10.1 – Semana 8: Travis Benjamin

Você que joga Madden (paga nóis, EA Sports) com certeza já correu pra trás e acabou se fodendo por isso. Travis Benjamin achou razoável correr para trás (“agora eu se consagro!”, pensou ele), e acabou sofrendo um Safety. Gênio.

10.2 – Kirk Cousins

O homem que sacrificou o seu running back para os deuses do futebol americano. Descanse em paz, Rob Kelley.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Razões para o Atlanta Falcons vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

As histórias dos esportes muitas vezes são contadas através de narrativas. Aspectos do jogo e dos personagens envolvidos são cuidadosamente selecionados para que seja criado um roteiro com começo, meio e fim. Como em toda história, as narrativas esportivas envolvem o mocinho contra o bandido, o bem contra o mal, a luta pela justiça e a busca pelo final feliz.

No Super Bowl LI, a narrativa predominante parece ser a cruzada por vingança do poderoso New England Patriots e de seu QB superstar, submetidos a punições controversas em um caso que chega a murchar nossas bolas de tão ridículo que foi. Mesmo os que não gostam do Patriots sentiriam um gostinho especial se Roger Goodell fosse obrigado a entregar o troféu para Tom Brady. Para o Patriots, vencer o próximo Super Bowl vai muito além de Brady conquistar seu quinto anel e tornar a equipe um dos times mais vitoriosos da história da NFL: é a oportunidade de obrigar a poderosa liga a se curvar diante do time que superou todas as adversidades e, mais uma vez, atingiu o topo.

É uma história realmente muito interessante. Ou, talvez, seja apenas a história mais fácil de se tornar uma bela narrativa, mas não é a única desse Super Bowl. Do outro lado do campo, o New England Patriots encontrará o inexpressivo Atlanta Falcons, time que chega apenas pela segunda vez à grande final da NFL e nunca conquistou o título. Seu líder é um QB que tem menos carisma que um poste e que até a temporada 2016 poucas vezes tinha passado da linha da mediocridade.

Contar uma história sobre Matt Ryan definitivamente não é fácil. Seus coadjuvantes também não chamam muita atenção. São competentes, mas estão longe de ser grandes estrelas e poderiam ser substituídos tranquilamente por grande parte dos jogadores da NFL. A exceção talvez seja o WR Julio Jones, um dos melhores recebedores da liga quando é considerada a mescla de tamanho, velocidade e talento natural. Julio, porém, tem uma ética de trabalho admirável e é avesso às polêmicas que envolvem outros WRs, como Odell Beckham Jr e Antonio Brown. Ou seja, é mais um personagem difícil de virar parte central de uma bonita história.

A sorte do Atlanta Falcons é que as narrativas esportivas são superestimadas e tendem a distorcer um pouco a percepção que as pessoas têm do que realmente importa quando o objetivo é lançar uma bola e marcar mais pontos do que o adversário. Não, não é uma tentativa de menosprezar Tom Brady, mas é muito mais fácil enxergar nele um QB com poderes sobrenaturais do que reconhecer e valorizar tudo que Matt Ryan fez nessa temporada. É muito mais fácil perceber as virtudes de um QB que disputará seu sétimo SB do que dar o valor adequado a um time que tem, entre todos os seus jogadores, cinco participações na grande decisão.

Existe um contraste midiático muito grande entre Patriots e Falcons. Porém, narrativas à parte, o fato é que o Atlanta Falcons é um time melhor que o New England Patriots. Mesmo que não seja uma história bonita, que vá emocionar e trazer lágrimas aos olhos, não há motivo algum para ter receio de dizer: não vai ser fácil, mas Matt Ryan levantará o Lombardi Trophy no próximo domingo.

Fiquem sussa, caras.

Um ataque perfeito

Poucos ataques na história da NFL se aproximaram da perfeição. O Atlanta Falcons de 2016 é um deles. Mesmo com apenas uma grande estrela, Julio Jones, o sistema ofensivo do Falcons funciona com uma eficiência poucas vezes vista. Na temporada regular, foram 33,8 pontos por jogo, melhor da NFL, 415,8 jardas totais, segundo melhor, 295,3 jardas passadas e 120,5 jardas corridas, terceiro e quinto melhores números da liga, respectivamente. Ou seja, eles estão no top 5 da NFL em todas as estatísticas ofensivas relevantes.

Desavisados podem pensar que a temporada regular pode não ser o parâmetro ideal, já que o Falcons enfrentou times fracos que poderiam ter colaborado com a inflação dos números. Mas a resposta veio rápida: nos dois jogos de pós-temporada que disputou, inclusive contra a defesa do Seattle Seahawks, Atlanta marcou 80 pontos. OITENTA, uma média de sete pontos a mais que na temporada regular e a terceira melhor marca da história dos playoffs.

O ataque explosivo começa com Matt Ryan, virtual vencedor do prêmio de MVP da temporada. Ryan é o cérebro que distribui a bola como nenhum outro e, além de ter sido o melhor jogador da temporada regular, parece ainda melhor na pós temporada. Nos jogos contra Seahawks e Packers foram 730 jardas passadas, 7 TDs e 0 INT, que gerou um rating de 132,6. Voltando à história inicial das narrativas, como esses números foram produzidos por Matt Ryan, e não por Tom Brady, eles parecem um pouco menosprezados. Mas a verdade é que estamos diante de uma performance histórica que tem grandes chances de continuar no Super Bowl.

Mesmo que Bill Belichick seja conhecido por criar esquemas eficientes para barrar os pontos fortes dos ataques adversários, o Falcons é equilibrado o suficiente para tornar essa missão praticamente impossível. Não adianta criar um esquema de marcação dupla, ou mesmo tripla, para parar Julio Jones. Se isso acontecer, Matt Ryan encontrará Mohamed Sanu, Taylor Gabriel, Austin Hooper e outros ilustres desconhecidos completamente livres. Se Bill decidir enfatizar a defesa contra o passe, o Falcons tem em Devonta Freeman e Tevin Coleman a dupla de RBs mais dinâmica e produtiva da NFL que certamente vai causar estragos.

O cobertor é curto e, por mais genial que Belichick seja, a defesa do Patriots (ou qualquer defesa da NFL) não parece ser capaz de neutralizar ou reduzir significativamente os estragos provocados pelo ataque do Falcons. Esse argumento pode parecer falho, já que a defesa de New England é a melhor da NFL em termos de ponto por jogo. Mas é necessário lembrar que trata-se de uma defesa que ainda não foi verdadeiramente testada, especialmente nos playoffs. Convenhamos que o Houston Texans de Brock Osweiler e o Pittsburgh Steelers sem Le’Veon Bell não estão nem perto do que é o Atlanta Falcons. No duelo ataque do Falcons contra defesa do Patriots, a vantagem é de Atlanta.

Defesa arroz com feijão

Como o Super Bowl LI tem como protagonistas dois ataques prolíficos, que dificilmente serão parados, há quem considere que o jogo será um duelo de defesas: quem fizer o melhor trabalho, ganha. Esse pode ser um dos motivos que abalam levemente a convicção de que o título vai acabar na Georgia, já que a defesa do Atlanta Falcons não é um primor, muito longe disso. O Falcons tem a sexta defesa que mais cedeu pontos na temporada regular da NFL, em contraste com a defesa do Patriots, a melhor neste quesito. Nos playoffs, porém, Atlanta mostrou uma evolução significativa e só permitiu 41 pontos combinados para o razoável ataque do Seattle Seahawks e para o excelente Green Bay Packers.

O segredo da boa performance nos dois jogos de playoff que venceu parece ser a capacidade de colocar pressão no QB adversário. Mesmo que não tenha conseguido um número significativo de sacks contra Wilson e Rodgers, o Falcons conseguiu mover a linha ofensiva adversária o suficiente para que os QBs ficassem incomodados e apressassem suas decisões. A mesma fórmula deve funcionar com Tom Brady, que perdeu dois SBs para o New York Giants, que não tinha uma defesa espetacular, mas contava com um pass rush eficiente. Vic Beasley, que liderou a liga em sacks em 2016, pode acabar se tornando uma espécie de Von Miller no SB L, fazendo a diferença no jogo.

Esse dia foi massa.

Além de incomodar Tom Brady, o Atlanta Falcons terá que usar uma estratégia completamente diferente as usada pelo Pittsburgh Steelers, que preferiu colocar cones em campo e acabou comido vivo por Julian Edelman e Chris Hogan. Pelas características do ataque e dos recebedores do Patriots, é fundamental optar por mais marcação homem a homem e menos marcação por zona. Edelman e Hogan são recebedores pequenos, que têm dificuldade em ganhar disputas físicas com os marcadores e buscam sempre o espaço vazio que as marcações em zona permitem. É claro que é impossível parar completamente o ataque do Patriots, mas se conseguir marcar fisicamente os recebedores na linha de scrimmage, acabando com a precisão das rotas e com o timing das jogadas, o Atlanta Falcons aumenta significativamente suas chances. É necessário fazer o arroz com feijão e limitar possíveis ganhos grandes de jardas: se ficar assistindo Chris Hogan anotar TDs de 60 jardas, como o Steelers fez, estará escrita a receita para o fracasso.

O sucesso da defesa do Falcons no SB também está atrelado ao ataque. Se abrir uma boa vantagem no começo do jogo, como costuma fazer, New England terá que abandonar, em parte, o jogo corrido e terá um ataque unidimensional que, teoricamente, será mais fácil de ser marcado. Se seguir essa cartilha básica, é provável que o Atlanta Falcons pelo menos não seja ridicularizado, como o Pittsburgh Steelers foi, o que aumentará significativamente as chances de Atlanta vencer seu primeiro Super Bowl.

Palpite: 33×27, em um jogo em que o Falcons abrirá uma boa vantagem no primeiro tempo, mas permitirá uma reação no segundo. Haverá um pouco de emoção no final, mas a vantagem de seis pontos será mantida e Matt Ryan ajoelhará para a glória.

Kyle Shanahan e Matt Ryan (ou porque devemos levar o Falcons a sério)

Do quarteto que chega às finais de conferência de 2017, você certamente já ouviu falar muito sobre Tom Brady, seu retorno após suspensão e como ele fica melhor com o passar do tempo; do assustador trio BBB do ataque de Pittsburgh e dos milagres de Aaron Rodgers. Já a opinião sobre o quarto time deste seleto grupo, antes da temporada iniciar, estava restrita a um “vai cumprir tabela e ser interessante para o fantasy”, afinal o potencial desse ataque para produzir era claro – mas obviamente não esperávamos nada além disso, especialmente porque se acreditava que a mediocridade tomaria conta de Matt Ryan: hoje, um QB que passa para 4000 jardas e 25 TDs em 16 partidas é considerado normal? Sam Bradford conseguiu praticamente a mesma coisa! E, bem, também se esperava que a defesa de Atlanta fosse perder muitos jogos.

Tínhamos em Atlanta o time menos atrativo da sua divisão, já que o Saints e Brees PRECISAM ALGUM DIA conseguir não perder para a própria defesa; o Panthers vinha de um Super Bowl com o atual MVP da liga e Tampa Bay era uma equipe em franco crescimento e que deve incomodar mais ainda nos próximos anos.

Mas obviamente nos enganamos. Nada fora do padrão Pick Six – e aqui já adiantamos que ninguém será demitido por isso.

A defesa de Dan Quinn

Há muitos anos o elo fraco da equipe é seu sistema defensivo, tanto que, em 2015, o Falcons contratou o DC da mítica defesa de Seattle para tentar consertar seu caos particular. O 8-8 da temporada passada mesmo com Devonta Freeman e Julio Jones inspiradíssimos rodada após rodada, contando também com o líder de sacks do time, Vic Beasley, conseguindo quatro na temporada toda, mostra que o processo não ocorreu tão rapidamente quanto se gostaria. E logo no primeiro jogo de 2016 o time sofreu 31 pontos dos Buccaneers, então a certeza era de que a sina continuaria.

Já quando o time chegou à semana 11 cedendo menos de 20 pontos somente uma vez (para Trevor Siemian!) e mais de 30 em metade dos jogos, parecia questão de tempo até que os velhos hábitos voltassem e o Falcons acabasse inevitavelmente fora dos playoffs com um ataque espetacular. Mas os ajustes aconteceram. Os turnovers (por exemplo, Beasley e o rookie S Keanu Neal são números 1 e 2 em fumbles forçados com 6 e 5 respectivamente) só aumentavam as chances de um ataque que marca pontos em mais da metade das suas posses de bola (obviamente líder da NFL no quesito). O sinal da evolução, porém, só ficou claro logo após a bye week: nas 7 vitórias que teve desde o descanso, o Falcons cedeu mais de 20 pontos somente uma vez. Contra New Orleans, claro, em nome da tradição.

E se Matt Ryan é o MVP da NFL e quem está carregando esse time nas costas, lembre-se que Atlanta também tem seu próprio projeto de Von Miller: o já citado Vic Beasley, aquele que liderou o time em 2015 com quatro sacks, repetindo o feito esse ano com incríveis 15.5, dessa vez liderando também a NFL, deixando para trás outros nomes muito mais famosos.

Foto artística.

Válido também ressaltar outro grande responsável por essa ascensão, o veterano dos spin moves que chegou esse ano para provavelmente encerrar a carreira em Atlanta: Dwight Freeney tomou o jovem para ensiná-lo de perto desde a pré-temporada e demonstrou orgulho do seu pupilo, o considerando defensor do ano.

“Agora mesmo, acho que nossa defesa está jogando melhor que a dos Broncos. Acho que isso diz muito sobre o que Vic tem feito. E acho que seria incrível que seu nome fosse mencionado”, disse Dwight.

Um trio ou quarteto ou quinteto ou… um conjunto!

Todos esperavam uma temporada decente de Ryan, do nível que ele é acostumado a proporcionar ano após ano – em comparação a negações que temos por aí, Ryan sempre mostrou “bons” resultados, mas nunca suficientes para enfrentar a elite de QBs da liga e carregar uma defesa sofrível.

Mas desta vez ele veio provar que estávamos enganados. Obviamente, como diria gente velha, “uma andorinha sozinha não faz verão” – e, curiosamente, o paralelo com Cincinnati, especialmente o do ano passado, na melhor temporada da vida de Dalton (atenção aos parênteses), fica assustadoramente claro; como ponto positivo, aqui se nota a diferença que Matt Ryan faz em relação a Andy Dalton, produzindo bem mais e não pipocando, contra um sempre bom time dos Seahawks.

Mas como elenco de apoio, para a sorte dos Falcons, há talentos genuínos, e não simplesmente fabricados por um QB mágico: Julio Jones (AJ Green) e suas 1409 jardas recebidas, independente do quão marcado esteja; Devonta Freeman (Giovani Bernard) e sua capacidade de achar 1541 jardas totais, além de 13 TDs só no rebolado; Tevin Coleman (Jeremy Hill) atropelando defesas para trazer mais dimensão ao jogo corrido; além de Mohamed Sanu e Taylor Gabriel, complementando o rolê fazendo os alvos de segurança. Somado a isso, todos estes jogadores conseguiram manter-se saudáveis: a linha ofensiva é uma das únicas que repetiu a mesma formação em todas as partidas da temporada, garantindo estabilidade e entrosamento.

E assim, graças a todo um grande conjunto, Matt Ryan produziu sua grande temporada – ainda que, por comparação, percebemos que ele poderia ter simplesmente atrapalhado. Mas assim como Dalton teve em seu tempo o auxílio de Hue Jackson, Matt Ryan também tem uma grande cabeça ao seu lado.

Sangue no zóio.

O verdadeiro MVP

Confesso que existia vontade de questionar seriamente o título que Ryan inevitavelmente ganhará no sábado de Super Bowl, falando em Tom Brady (que, de qualquer forma, já ganhou tantas vezes que é quase um hors concours) ou em como Derek Carr tinha um time inferior ao seu redor e mesmo assim foi mais divertido. Mas o grande mestre que poderia (deveria) tirar o título de Ryan não compete com ele; na verdade é talvez o grande responsável pela inevitável coroação de Matt: Kyle Shanahan – enquanto digitamos estas linhas, ainda OC dos Falcons, mas provavelmente em um futuro não muito distante HC dos 49ers.

Filho do lendário Mike Shanahan (head coach dos Broncos de John Elway bicampeões do Super Bowl), Kyle chegou à liga com aquela ajuda do papai, alguma indicação aqui e ali, tornou-se o coordenador ofensivo mais jovem da história da NFL, mas manteve-se nela porque realmente entende os “X’s and O’s” do esporte, como ele mesmo gosta de dizer.

Um nerd assumido, Kyle teve problemas até para fazer seus próprios jogadores compreenderem os conceitos de seu ataque. “No primeiro ano ele quis fazer tudo do jeito dele e tivemos problema em entender que tínhamos os mesmos objetivos”, comentou Julio Jones, que ainda assim recebeu para 1871 jardas em 2015.

Entretanto, o time também foi o que mais cometeu turnovers na redzone na temporada passada, fazendo com que mesmo sendo o sétimo em número de jardas, algo habitual na carreira de Shanahan, que coordenou um ataque top 10 em jardas sempre que teve um QB minimamente capaz, fosse apenas o 21º ataque em número de pontos.

Já em 2016 o time claramente entendeu a proposta de Shanahan, finalmente transformando jardas em pontos e vitórias. “Ele entende como colocar-nos em posições para fazer o que fazemos melhor. Ele entende o que todos fazem e o que ele quer que eles façam nesse ataque. E nós também”, disse o WR Aldrick Robinson.

O Ludacris torce para o Falcons?

E basta observar alguns lances de Ryan e compará-los com outros QBs para entender o poder que Shanahan tem nesse ataque. É tudo tão bem desenhado que, desde que todos executem suas funções estabelecidas e as leituras sejam bem-feitas (SEMPRE TEM ALGUÉM LIVRE), a defesa não terá opção senão tentar minimizar danos, seja no jogo aéreo das mãos de Ryan, seja no jogo corrido com a dupla Coleman-Freeman.

Sem mágicas, sem jogadas criadas no calor da partida; o verdadeiro MVP dos Falcons é um gênio que tem tudo desenhado antes da jogada acontecer. Mesmo que ele não esteja tão certo disso:

Minha esposa, Mandy, seria a primeira a dizer que eu não sou tão inteligente assim. Ela te contaria quantas vezes não consigo encontrar as chaves do carro. Ou seja, se eu não servisse para o football, estaria com grandes problemas”.

Análise Tática #4 – O melhor ataque da liga e um desastre chamado Mariota

Matt Ryan & Julio Jones

A vitória por 48 a 33 do Atlanta Falcons contra o Carolina Panthers foi marcada por duas performances histórias. O QB Matt Ryan e o WR Julio Jones quebraram os recordes da franquia de jardas passadas (503) e de jardas recebidas (300). Foi a primeira vez na história da NFL que um QB lançou mais de 500 jardas e que um WR recebeu pelo menos 300 jardas em um mesmo jogo. Julio ainda entrou para o livro de recordes da liga ao se tornar apenas o sexto WR a ter um jogo de 300 jardas.

A performance do ataque do Falcons foi espetacular, porém foi construída também devido à incapacidade da defesa do Carolina Panthers, que deixou de ser uma unidade sólida, fundamental para levar o time ao Super Bowl do ano passado, para se tornar o grande problema, especialmente contra o passe.

A seguir, analisaremos duas jogadas que evidenciam tanto os méritos do ataque dos Falcons quanto as dificuldades da defesa do Panthers.

Austin Hooper (QUEM?) completamente livre para o TD:

Apesar de ter lançado 300 jardas apenas para Julio Jones, Matt Ryan tem se mostrado extremamente confortável distribuindo a bola para os mais diversos alvos. Nessa jogada, por exemplo, foi o TE Austin Cooper (81) que ajudou a construir as históricas 503 jardas passadas de Ryan.

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O Falcons optou por um play action para o RB Devonta Freeman com Matt Ryan se deslocando em um rollout para o lado direito. Os LBs do Panthers (no círculo) morderam a isca e foram para a marcação do jogo corrido, o que foi chave para o sucesso da jogada.

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Além dos LBs não terem percebido que se tratava de play action, toda a secundária do Panthers se movimentou em direção ao lado direito do ataque para marcar os recebedores que tinham rotas cruzando o campo. Enquanto isso, não havia um jogador do Panthers a pelo menos 24,3 KM de Matt Ryan.

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O rookie TE Austin Hooper também ficou completamente sozinho para receber seu quarto passe na temporada e anotar o TD mais fácil que terá em sua carreira.

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Julio Jones, TD de 75 jardas, sem muito esforço:

Julio Jones atingiu a marca de 300 jardas recebidas no último quarto da partida, quando recebeu um passe de 75 jardas para o touchdown. Em formação em I, o Falcons novamente usou play action. E os LBs do Panthers novamente morderam a isca.

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Todos os LBs do Panthers estão próximos à linha de scrimmage para evitar o avanço terrestre. Isso deixou os dois WRs do Falcons em marcação individual, com apenas um Safety em profundidade. Julio Jones, na parte de baixo da tela, tinha rota cruzando o campo.

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Quando recebeu o passe, Julio precisou apenas usar sua velocidade para bater o CB e se livrar do S, que estava muito distante para poder fazer algo.

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Um desastre chamado Marcus Mariota:

Marcus Mariota, QB segundo anista do Tennessee Titans, tem sido uma das grandes decepções da temporada. Mariota, que tinha mostrado flashes de brilhantismo antes de se machucar na temporada passada, não está conseguindo mostrar evolução em 2016: em quatro jogos foram apenas 4 TDs, 5 INT e um rating de 73,9, apenas o número 39 da liga.

Os péssimos números foram construídos em jogadas como a da imagem abaixo. Mariota fez play action para o RB Derrick Henry enquanto os dois recebedores tinham rotas comeback em profundidade. Henry também seria opção para o passe curto.

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Com a jogada em andamento, Mariota não tinha nenhum dos alvos livres e precisou correr para seu lado esquerdo para se livrar da pressão que vinha atrás.

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Em movimento, Mariota encontrou o TE Delanie Walker, que conseguiu se livrar do marcador. Se tivesse optado por continuar correndo com a bola, teoricamente um de seus pontos fortes, o QB do Titans poderia ter conquistado por volta de 5 jardas.

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Como teve que lançar contra o movimento do corpo, o passe não foi na direção do recebedor.

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A jogada acabou em uma interceptação muito fácil do Safety do Houston Texans.

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Não vamos a lugar nenhum (e não temos vergonha disso)

Por um breve espaço de tempo, aquele lapso entre nada e coisa alguma, o Atlanta Falcons foi o melhor time da NFL em 2015. Por um instante, Matt Ryan era o melhor QB da liga, Devonta Freeman conquistava corações órfãos e Julio Jones… Bem, Julio Jones sempre foi Julio Jones. Essa combinação explosiva rendeu vitórias contra Redskins, Giants, Eagles, Dallas e Houston. O Texans, aliás, levava 42-0 após três quartos. O futuro parecia brilhante e o céu (Super Bowl) era o limite!

A verdade, porém, é que ele foi cruel – não que nos importemos com o Falcons; sabemos que ninguém se importa com o Falcons. Como sentir alguma compaixão de um time que sai de um 5-0 para um 3-8, passando por uma sequência em que o único triunfo em oito partidas foi contra um Tennessee Titans que tinha Zach Mettenberg como quarterback titular? Nossos avós já nos avisaram que é feio bater em bêbado.

O fato é que, em um primeiro momento, o HC Dan Quinn fez tudo parecer fácil. Ele começou corrigindo minimamente a defesa, sua especialidade. Até que nada mais deu certo. E se o início foi arrasador, no final ninguém se salvou. O próprio Matt Ryan, referência da equipe, parecia inerte e incapaz de reagir. Seus números finais ajudam a demonstrar a catástrofe: foram apenas 21 touchdowns, 16 interceptações e um rating de 89.

Mas enquanto QBs tradicionalmente são os maiores culpados por todo e qualquer fracasso, seria injusto dar a Ryan a maior carga deste fardo quando seu ataque teve 37 drops, a quarta maior marca da liga.

De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan?

[Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]

Há luz no fim do túnel?

Dan Quinn foi contratado para dar um pouco de credibilidade aquela que até então era umas das piores defesas da NFL. Não podemos negar que houve uma certa evolução, mas a verdade é que o cenário anterior era tão deprimente que parar em pé já seria considerado positivo.

Mesmo assim, esse leve crescimento influenciou positivamente no ataque dos Falcons, já sob responsabilidade do coordenador ofensivo Kyle Shanahan. Shanahan começou o trabalho pela linha ofensiva, moldando-a à mesma forma que seu pai, Mike Shanahan, consagrou em Denver. O resultado foi um Falcons dominante pelo chão, liderados por um Devonta Freeman ensandecido (1056 jardas e 11 TDs) que provavelmente nunca mais veremos.

Os números citados acima, claro, estão inflados pelo começo arrasador, já que na reta final Freeman ganhou pouco mais de 3 jardas por tentativa. 2016 deve lhe render uma nova chance, ao menos no início da temporada porque, aos poucos, Tevin Coleman, em sua segunda temporada, deve ter mais oportunidades – sua média de 4,5 jardas por tentativa em 2015 reforça esta impressão, porém também é verdade que ele teve apenas duas recepções, número insignificante quando comparado a Devonta.

De qualquer forma, o grande reforço para a nova temporada também está nas trincheiras: qualquer RB agradeceria por ter o C Alex Mack a sua frente abrindo espaços. E por isso Atlanta despejou um caminhão de dinheiro no ex-jogador do Browns.

“VOU PARA UM TIME DE VERDADE AGORA!!!” (inocente)

Talvez o túnel não tenha fim

Se Matt Ryan teve apenas quatro interceptações nos primeiros cinco jogos, depois a carroça desandou: foram 12 nas 11 partidas restantes. O Falcons ainda perdeu cinco partidas por 4 pontos ou menos e três delas (Saints, Bucs e Colts) acabaram em interceptações de Matt Ryan.

Há quem justifique o excesso de turnovers por um certo desconforto com o novo sistema implantado, mas, quando analisadas isoladamente as jogadas, vemos que boa parte deles vieram de passes forçados ou decisões estúpidas.

Aqui, mesmo que sejamos um pouco condescendentes com Matt Ryan, começamos a perceber que no fundo Atlanta não tem acompanhado seu potencial ofensivo nos últimos anos; o jogo corrido se reencontrou apenas na última temporada, enquanto o jogo aéreo insiste em se resumir a um homem só; Julio Jones é um dos melhores WRs da NFL e inquestionavelmente o principal alvo de Ryan. Principal? Sejamos sinceros: hoje Jones é o único alvo de Ryan.

Em seus melhores momentos, assim como qualquer mortal, Ryan teve opções. Por um período de tempo, teve Tony Gonzalez ou ainda Roddy White – antes de se tornarem zumbis, claro.  E nenhum dos dois foi substituído à altura.

A esperança agora está no rookie Austin Hooper, que possui porte atlético, mas provavelmente não estará pronto para contribuir imediatamente (como a maioria dos WRs novatos). Por isso, é bem provável que Jones precise continuar fazendo tudo sozinho, já que para substituir o que restou de White, o Falcons trouxe Mohamed Sanu – mas seria melhor ter gasto menos dinheiro com os restos mortais de Roddy do que com Sanu.

Bom, vamos parar de falar de Mohamed Sanu, nos entristece lembrar que ele ganhará US$32 milhões enquanto estamos aqui cagando regra de graça.

Um túnel longo e escuro?

Se há inúmeros problemas no ataque, não há nada comparado a esta defesa. Mas vamos começar pelo lado positivo [spoiler II: será um conversa curta]: há um ótimo cornerback em Robert Alford e Desmond Trufant é mais do que isso, se solidificando cada dia como um dos melhores da posição – ele permitiu uma porcentagem de conclusão inferior a 60% pelo terceiro ano consecutivo. Também é preciso ressaltar que a bola foi lançada sob sua cobertura apenas 56 vezes, contra uma média superior a 90 lançamentos em suas duas primeiras temporadas; o que só prova como os coordenadores ofensivos o enxergam. E, bem, acabaram as boas notícias.

O restante é uma tristeza sem fim: a defesa contra o jogo corrido dependerá do velho Johnathan Babineaux pelo interior da linha defensiva e de dois rookies que ainda tem que se adaptar à velocidade da NFL em Deion Jones e De’Vondre Campbell, já que os velhos linebackers como Philip Wheeler e Sean Wheatherspoon não se mostraram capazes de cumprir bem aquilo que deles se espera.

Enquanto isso, para tentar colaborar com o trabalho de Trufant e Alford, Jalen Collins, escolha de segunda rodada em 2015, simplesmente fedeu em seu primeiro ano, enquanto Vic Beasley, escolha de primeira rodada no mesmo ano, ganhou o título de bust antes da metade da temporada (ele vai melhorar, acreditem).

Como resultado, Atlanta conseguiu apenas 19 sacks em 2015. Para tentar melhorar o pass rush, que não funciona desde a saída de John Abraham, o Falcons ainda trouxe Courtney Upshaw (5 sacks… em 4 anos na liga). Para ajudar o Baltimore Ravens, obviamente, que se livrou desta desgraça.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Palpite: a grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.