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As dores e alegrias de Denver

Mais uma temporada que se inicia em Denver, e mais uma vez Von Miller será a verdadeira face do Broncos – uma máquina de demolir quarterbacks adversários em um sistema defensivo capaz de aterrorizá-los por terra ou pelo ar. Mas infelizmente, nada disso parece adiantar, já que Denver não aparenta ter um quarterback mentalmente capaz de vencer jogos – na verdade, se Trevor Siemian ou Paxton Lynch forem algo próximo a um ser humano com coordenação motora, já será uma vitória.

O novo HC Vance Joseph herdou um time recém campeão do Super Bowl – parece distante, mas há apenas dois anos Peyton Manning e companhia levantavam o Lombardi Trophy. E se o ano que seguiu a conquista foi quase trágico, John Elway tratou de reformular o corpo técnico da equipe: Mike McCoy, ex-HC do Chargers, é o novo OC.

Além dele, desembarcaram no Colorado nomes como Bill Musgrave, Jeff Davidson e Geep Chryst, todos com responsabilidade de reconstruir um sistema ofensivo que agrediu nossos olhos ao longo da última temporada.

Elway argumenta que, para retornar aos playoffs pela sexta vez nos últimos sete anos, é necessário trabalhar com pessoas com “atitude, que odeiam perder” – para ele, o caminho para a pós-temporada começa nas trincheiras.

Quase decolando

Em 2016, o ataque do Broncos sempre parecia prestes a decolar – embora isso nunca tenha acontecido de fato. Mesmo assim, Trevor Siemian terminou seu primeiro ano com 8 vitórias (e 6 derrotas), 18 TDs e 10 INT – Siemian, porém, passou por uma cirurgia em seu ombro esquerdo e perdeu boa parte dos treinos de pré-temporada. Mesmo assim, estamos falando de uma franquia que entregou o comando de seu ataque para alguém como Trevor Siemian após alguns anos com Peyton Manning, certo?

E, bem, se perguntássemos se aquele ataque, liderado por um dos maiores QBs de todos os tempos, vencedor do Super Bowl em 2016, era significativamente melhor que o comandado por Trevor no ano seguinte, o que você responderia? Possivelmente ouviríamos um “sim” tão certo quanto o próximo fiasco do Jacksonville Jaguars, mas isso não pode ser considerado uma verdade absoluta: em 2015-2016, o ataque do Broncos teve média de pouco mais de 22 pontos por partida; na temporada seguinte, o número ficou um pouco acima de 20.

Logicamente não estamos sequer cogitando que Siemian é tão bom quanto Manning, mesmo em sua versão figurante de The Walking Dead; os números apenas ajudam a entender que nem Trevor ou mesmo Paxton Lynch podem ser apontados como o principal motivo da derrocada do Broncos; o maior culpado é a linha ofensiva, que passou a figurar entre as piores unidades de bloqueio da NFL.

Se juntar os dois, não dá um.

Tapando buracos

Pensando nisso, todos os esforços da offseason foram focados em fortalecer a OL, seja via draft com a escolha do OT Garet Bolles na primeira rodada ou na free agency, com as contrações do LG Ron Leary e do RT Menelik Watson (grandes bost*) – além disso, Vance Joseph já demonstrou que o novo esquema ofensivo exigirá que o QB libere a bola mais rapidamente o que, invariavelmente, deverá trazer consigo uma redução no número de sacks.

Outro fator já apontado pelo corpo técnico é que, com o reforço da OL, Denver tentará também se impor através do jogo terrestre: CJ Anderson entra em uma temporada decisiva para sua carreira; Devontae Booker pode ganhar mais oportunidades e há, ainda, o restos mortais de Jamaal Charles – que com cinco temporadas com mais de 1000 jardas, se conseguir parar em pé, dará ao Broncos oportunidades para diversificar ainda mais seu sistema ofensivo. Mas, bem, ninguém mais acredita nessa possibilidade.

Voa, cavalinho!

A melhora da linha ofensiva é uma necessidade fundamental para que Paxton Lynch assuma o posto de QB titular – convenhamos, ninguém espera que uma escolha de primeira rodada, mesmo que ainda em estado bruto e precisando de desenvolvimento, vá esquentar o banco de Trevor Siemian por muito tempo, certo?

Quando isto acontecer, naquele período obscuro que compreende o limbo entre a última semana da pré-temporada e a week 6, Lynch precisará que Demaryus Thomas consiga agarrar passes; não se nega o talento de Demaryius, mas também não podemos fazer vistas grossas aos inúmeros drops de 2016 – Joseph, aliás, já desafiou Thomas a voltar “a ser uma estrela”.

O fato é que Sanders tem sido uma arma mais confiável para Denver do que Demaryius e, para que eles consigam atingir todo seu potencial, precisarão de ajuda, sobretudo na redzone – é aqui que a seleção do TE Jake Butt, que deve entrar em campo apenas em meados de outubro, pode auxiliar a dupla de WRs.

A esperança

O principal motivo pelo qual os Broncos conseguiram vencer o Super Bowl 50, apesar do desempenho horrível de Manning, foi a solidez de seu sistema defensivo; Denver bloqueou o ataque mais explosivo da liga na época sem maiores problemas.

Se juntar os dois, dá quatro.

Mesmo que seja nítido alguns passos para trás, a narrativa de que a defesa dos Broncos não consegue mais fazer jus às expectativas não passa de uma grande bobagem – desmentida por qualquer estatística. E a verdade é que ela foi a principal razão para a franquia terminar a temporada passada com um recorde positivo e quase beliscar uma vaga nos playoffs.

Para 2017, Denver trouxe os NTs Domata Peko, que procura reverter a queda que mostrou ano passado em Cincinnati, e Zach Kerr, que deve se adaptar ao esquema sem maiores problemas. Mesmo assim, o Broncos precisa que o LB Brandon Marshall se recupere efetivamente de uma lesão no tendão que o acompanhou na temporada que passou.

Já Von Miller é uma entidade sobrenatural, uma força da natureza, e deve perseguir o prêmio de melhor jogador defensivo, que perdeu em 2016 por um voto para Khalil Mack. Shane Ray substituirá o aposentado DeMarcus Ware e a secundária, comandada por Chris Harris e Aqib Talib, que aparenta não envelhecer, tentará liderar a NFL na defesa contra o passe pela terceira temporada consecutiva.

Palpite: Os Broncos acreditam que os problemas da OL começaram a ser solucionados. Mesmo assim, ainda há a questão do quarterback: essa defesa foi capaz de carregar um decrépito Peyton Manning até a glória, mas conseguirá fazer o mesmo com Lynch ou Siemian? Não é sábio duvidar – mas também seria pouco inteligente apostar nisso. Mesmo assim, seria burrice acreditar em um time comandado por Alex Smith, além do fato de que o Chargers é pouco ou nada confiável. Algo entre sete ou nove vitórias é uma realidade palpável – mas talvez, ainda assim, insuficiente para retornar aos playoffs.

Bons e maus negócios: Texans, Brock Osweiler e o Browns

Na NFL, assim como no mundo empresarial, existem bons e maus negócios. Também há negócios horríveis e há, ainda, aqueles que se revelam tão desgraçados que uma das partes envolvidas precisa assumir o erro e apenas se livrar dele – porque, afinal, um erro por si só pode ser compreensível, mas insistir nele é imperdoável.

O melhor exemplo destas negociações vergonhosas foi protagonizado pelo Houston Texans, e o atestado de culpa foi o envio de Brock Osweiler (e uma escolha de segunda rodada no draft de 2018) para o Cleveland Browns para simplesmente se livrar de seu contrato – e, claro, de um quarterback com aparentes problemas de coordenação motora.

Paralelamente, isso significava também que os Texans estariam preparando terreno para receber Tony Romo (o que, pouco mais de um mês depois, ainda não ocorreu – mas aguardemos com a devida paciência. Nota: aguardamos e um dia após a publicação destas tortas linhas, Antonio Ramiro se aposentou. Chupa, Texans!): seria um ajuste perfeito para uma equipe que nas últimas temporadas construiu uma das melhores defesas da liga e possui talentos razoáveis em diversas posições ofensivas; DeAndre Hopkins é inegavelmente um dos grandes WRs da NFL e Lamar Miller, senão entrará para a história, ao menos é um ótimo RB.

O problema é que, em 2016, tudo isso esteve à disposição de um QB abaixo da linha de mediocridade, que após faturar um Super Bowl graças a Von Miller e amigos, garantiu quase US$40 milhões em sua conta bancária. E, após sua primeira temporada como titular, com média de 5.8 jardas por tentativa, só foi melhor do que Ryan Fitzpatrick – o que sabemos, não quer dizer nada.

O último ato

Houston chegou a semifinal da AFC e o jogo que pôs fim a temporada do Texans é um retrato perfeito da franquia nos últimos anos: o sistema defensivo interceptou Tom Brady duas vezes naquela tarde de sábado (igualando o que o então futuro MVP do Super Bowl tinha feito em toda a temporada). No que essas interceptações resultaram? Dois field goals. E embora o placar final, 34 a 16 para New England, não mostre, até o Super Bowl Houston fora o adversário que mais proporcionara problemas para o Patriots na pós-temporada.

Agora, em uma análise fria graças a distância temporal, fica ainda mais nítido que o desempenho de Houston foi traído por um ataque comandado por Brock Osweiler, que converteu apenas três de 16 terceiras descidas. Foi um choque de realidade, um pequeno novo lembrete do quão distante eles estão de se tornarem contenders, afinal, ali estava evidenciado que com uma defesa deste nível, até mesmo um ataque minimamente eficiente poderia ter causado reais problemas para o Patriots – no entanto, no final da história, eles conseguiram apenas 285 jardas totais e 16 pontos.

Alô, galera de cowboy!

Choque de realidade

Brock terminou sua última partida com a camisa do Texans com média inferior a 5 jardas por tentativa (198 em 40 passes), um TD e 3 INT. Ele teve um bom momento, um passe profundo para o touchdown de Will Fuller, mas foi apenas um lampejo, logo apagado porque por quase 60 minutos ele foi o mesmo quarterback que havia sido o ano todo.

Lamar Miller, Jadeveon Clowney e DeAndre Hopkins, nos seus melhores anos, tiveram mais uma temporada desperdiçada (JJ Watt, o deus, lesionado, tinha o 2016 jogado no lixo já, o que não deixa de ser uma desculpa). E se o trabalho de Bill O’Brien parecia seguro – merecidamente – agora havia o que se questionar: por três anos ele conseguiu extrair o máximo de uma equipe com péssimos quarterbacks, mas seu papel na contratação de Brock não havia sido preponderante?

Era evidente que todos os fatores envolvendo Osweiler colocavam o Texans em uma situação complexa: uma grande defesa, bons talentos ofensivos, mas tudo isso preso a um QB inerte?

O processo

Assim que a notícia da troca entre Texans e Browns se tornou pública, as especulações de que Cleveland nem mesmo manteria Brock em seu roster ganharam a internet; mesmo que fosse preciso desperdiçar alguns milhões de dólares mantendo ou dispensando Osweiler, Cleveland tinha essa flexibilidade e os ganhos nos próximos drafts compensariam qualquer movimento.

De qualquer forma, a negociação apenas evidenciou o processo que o Browns estava adotando (algo semelhante ao que Sam Hinkle fez com o Philadephia 76ers na NBA): desde o início eles sabiam que Osweiler não seria o futuro da franquia, que Brock sequer seria um QB decente, mas eles sabiam que precisavam “queimar” US$100 milhões na próxima temporada e, graças a isso, conseguiram mais um ativo valioso.

Inegavelmente, é um processo de reconstrução genial para uma franquia que por muito tempo não passou de uma piada: nos dois próximos drafts, Cleveland terá 11 escolhas em cada um deles; dez delas nas cinco primeiras rodadas deste ano, e 8 nos cinco rounds iniciais de 2018.

Tem sido assim desde que Paul DePodesta, ex-MLB, assumiu o comando de Cleveland: independente do que o Browns faça com Osweiler, é uma tentativa válida. Nenhuma equipe da NFL tentou o que ele vem tentando. Obviamente, outras equipes flertaram com a linha da mediocridade por longos períodos, mas nenhuma equipe buscou reconstruir seu futuro ao redor de jovens escolhas de forma tão intensa: eles possuem a escolha de primeira rodada do Eagles e a de segunda de Tennessee em 2017, as escolha de segunda rodada de Houston e do mesmo Eagles em 2018 e até mesmo a escolha de quarta rodada do Panthers, que conseguiram em uma troca por um punter. Sim, um punter!

Não foque no óbvio, que o Browns buscaram em Osweiler um quarterback, posição que tem sido a encarnação de todas as falhas da franquia ao longo dos últimos anos. Concentre-se no quão profundo é o movimento: os Browns estão aberto a negócios ou dispostos a preencher salary cap em troca de picks. Para eles, não é um negócio sobre Osweiler, se ele permanece ou seguirá seu caminho: ele é apenas um bônus – na medida em que um quarterback com problemas de coordenação motora pode ser considerado um bônus, mas ainda um bônus.

“Que porra é essa?”

Novas perspectivas

Olhando em retrospecto a contratação de Osweiler se tornou uma piada, mas não se pode criticar a tentativa de Houston – poderíamos, claro, se eles não tivessem reconhecido o erro. De qualquer forma, contratá-lo após meia dúzia de partidas em que, evidentemente, foi carregado por uma das grandes defesas da história em seu auge, foi apenas um reflexo do que a NFL se tornou: uma liga desesperada por quarterbacks, afinal, o número de tentativas de passes cresceu aproximadamente 20% na última década; infelizmente, para as equipes, o crescimento do número de bons QBs não acompanhou esta demanda e o resultado disto é que, para preencher a posição mais importante do jogo, vemos alguns absurdos, como o próprio Brock ganhando mais dinheiro do que Russel Wilson em 2017.

É extremamente raro franchise quarterbacks chegarem a free agency, então é natural que erros sejam cometidos. O Chicago Bears, por exemplo, foi maltratado por Jay Cutler por quase uma década após uma tentativa frustrada. Houston errou, mas seu erro não mudou só a franquia, alterou também a NFL.

Podemos então traçar um paralelo com Kirk Cousins: o quarterback do Washington Redskins está longe de ser um gênio, mas por outro lado, possui um histórico real e efetivo de adaptação – o que de cara já prova que ele é muito superior a Brock. Então, mais uma vez, foi preciso usar a franchise tag em Cousins e ele será pago como um franchise quarterback.

O exemplo do que ocorreu com o Texans em 2016 assusta qualquer franquia minimamente séria: não ter um quarterback confiável pode ser um pesadelo; não é uma opção viável. E seria ainda mais terrível para Washington, que vem lutando por vaga na pós-temporada a quatro anos, com mais acertos do que erros.

Cousins sabe que está em um nível intermediário entre as grandes estrelas e um mercado recheado de mediocridade e o medo do desconhecido, de repetir erros do passado, lhe dá o poder necessário para ficar milionário. E, claro, ele gosta disso.

O sistema defensivo de Houston é outro que, paradoxalmente, foi auxiliado pelo fator Osweiler: sem JJ Watt e liderados por Jadeveon Clowney e Whitney Mercilus, eles cederam o menor número total de jardas na última temporada. E também foram a segunda melhor unidade contra o passe. Mas nada disso pesa mais que a “estatística de vitórias apesar de Brock Osweiler”: foram nove!

Até mesmo John Elway, GM do Denver Broncos, pode comemorar – mesmo que o The Denver Post afirme que Elway tentou segurar Brock, mas ele preferiu a proposta de Houston. “Muitas vezes os melhores negócios são aqueles que você não faz”, justificou em meados de setembro passado. Já o Browns, como mencionamos, ganhou escolhas e melhores perspectivas para o futuro.

O maior vencedor e os perdedores

Nada que Brock Osweiler mostrou em 2016 e mesmo que ele inicie a temporada como titular no Browns, indica que ele terá perspectivas futuras na NFL; na verdade, tudo nos leva a crer que ele será mais um jogador cuja carreira será definida por um contrato ruim. Dentro de campo, em dezembro, ele já era reserva de Tom Savage. E só recuperou a posição graças a uma concussão de Tom.

Mas nada disso importa, já que mesmo sem capacidade mental para lançar um passe, mesmo sendo um dos piores QBs da atualidade, Brock Osweiller pode dizer que venceu um Super Bowl e está milionário – enquanto nós nos divertimos falando mal dele de graça e nunca mais teremos de volta aquelas tardes de domingo em que ele maltratou nossos olhos.

Não precisamos de Peyton Manning, afinal temos Von Miller

Quando entrar em campo em 2016, o Denver Broncos não verá a camisa 18 e a testa gigantesca de um dos maiores jogadores de todos os tempos. Peyton Manning está aposentado e nesse momento deve estar em algum lugar do sul dos EUA extremamente ocupado regando plantas, jogando dominó e gravando comerciais bizarros.

Pode parecer estranho, mas a aposentadoria do QB detentor de grande parte dos recordes da NFL será o grande reforço do Denver Broncos para 2016. Essa afirmação soa ainda mais absurda quando lembramos que existe uma grande possibilidade de que Mark Sanchez seja o quarterback titular do time. Seria a transição do que muitos consideram o maior QB de todos os tempos para um dos jogadores mais risíveis que já pisaram em um gramado.

E como isso pode ser bom para o Broncos? Peyton Manning foi um dos piores QBs da NFL em 2015. Se hoje é considerado um gênio que revolucionou a posição, não foi pelo que fez na temporada passada. É conveniente esquecer estatísticas horrorosas quando o jogador está segurando o Lombardy Trophy em Fevereiro, mas o que Peyton fez em 2015 é tão ruim que merece (e deve) ser lembrado. Foram apenas 9 TDs, 17 INTs e um passer rating de 67,9, o pior da liga. Manning foi tão ruim que virtualmente qualquer QB que vista a camisa do Broncos em 2016 será um reforço, inclusive Mark Sanchez. Estamos falando de um time que venceu um Super Bowl desafiando a lógica da NFL atual, em que QBs são os principais responsáveis pelos sucessos e pelos fracassos. Até mesmo Brock Osweiller, que substituiu Manning em alguns jogos e que acabou recebendo um contrato absurdo no Houston Texans, foi apenas medíocre em 2015. O Broncos conseguiu vencer e se tornar à prova de QBs ruins.

Ok, mas o que isso tudo significa para a temporada 2016 do Denver Broncos? Não vai ser agradável, mas quer dizer que a torcida não precisa entrar em pânico caso Mark Sanchez receba o primeiro snap na revanche contra o Carolina Panthers. Também não precisa ter um colapso nervoso caso o escolhido seja o rookie Paxton Lynch. Até mesmo o desconhecido Trevor Siemian parece ter chance de ganhar a vaga de titular. A verdade é que o Broncos só precisa de um QB que não comprometa. O resto do time resolverá tudo.

Amemos John Elway sobre todas as coisas

John Elway não fez um grande esforço para renovar o contrato de Brock Osweiller, que estava em Denver há quatro anos e deveria ser o sucessor natural de Manning. Elway parece concordar com a tese de que qualquer um pode ter sucesso em Denver e não estava disposto a pagar nada próximo aos US$ 37 milhões garantidos em dois anos que Osweiller recebeu do Houston Texans. Sem opções viáveis no mercado, preferiu contratar um veterano barato para quebrar um galho durante a transição do rookie que escolheu no primeiro round do draft.

O veterano Mark Sanchez e o rookie Paxton Lynch parecem ser os favoritos a vencer a batalha pela titularidade, mas Trevor Siemian (quem?) vem ganhando hype e terá a chance de começar como titular o jogo contra o Los Angeles Rams pela semana 3 da pré-temporada. A não ser que consiga impressionar os técnicos com uma atuação muito acima da média, Siemian não deve passar de um jogador que se destaca nos treinos e que serve para deixar os outros QBs com a pulga atrás da orelha. De qualquer forma, são três jogadores em uma disputa franca pela titularidade.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Mark Sanchez vença a disputa e seja titular até um pouco antes da metade da temporada, quando começará a fazer muita bosta e será substituído por Lynch, já um pouco mais amadurecido. Nenhum deles terá números astronômicos, mas também não estarão entre os piores da liga: o sistema ofensivo do head coach Gary Kubiak costuma mascarar defeitos dos QBs. Com ênfase no jogo corrido e com muitas play actions, Kubiak conseguiu produzir números razoáveis com QBs abaixo da média em Houston, por exemplo.

Quem quer que vença a batalha terá à disposição uma das melhores duplas de recebedores da liga. Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders talvez já tenham passado do auge, mas ainda são WRs acima da média. Times como o Los Angeles Rams e o Tennessee Titans, por exemplo, dariam tudo para ter uma dupla desse calibre. Devido à natureza do ataque e à qualidade da defesa, é difícil imaginar qualquer um dos dois tendo números monstruosos. Demaryius parece ser o que tem mais chance de produzir estatísticas respeitáveis. Se lembrarmos novamente de Gary Kubiak em Houston, lembraremos de Andre Johnson tendo bons números – e mais ninguém. Além disso, como a defesa é muito boa, o ataque não tem a obrigação de marcar muitos pontos, o que limita o teto dos recebedores.

1MARKAUM

“É, torcida, acreditar nessa defesa, né?”

Não temos QB, então vamos correr

O jogo corrido deve ser o pilar de sustentação do ataque. Kubiak deve correr bastante com a bola para limitar as prováveis inconsistências de seus QBs. C.J. Anderson será o principal RB do time e terá que provar que vale o contrato de quatro anos e US$ 18 milhões, com US$ 5 milhões de bônus, assinado em março, quando o Broncos decidiu cobrir o salário oferecido ao jogador pelo Miami Dolphins. Se permanecer saudável, com o volume que poderá receber, deve melhorar os números medíocres de 2015: dividindo as carregadas quase igualmente com Ronnie Hillman, Anderson conseguiu apenas 720 jardas e 5 TDs. Com menos disputa por oportunidades de correr com a bola, já que alguns acreditam até que Hillman deva ser cortado, C.J. deve ultrapassar a marca de 1000 jardas e se aproximar dos 8 TDs. Devontae Booker, rookie escolhido no quarto round, deve servir como complemento e pode receber oportunidades caso Anderson não jogue bem.

Quem quer que esteja correndo com a bola para o Broncos terá que se adaptar a uma linha ofensiva completamente desfigurada. Do quinteto que iniciou o Super Bowl, restou apenas o C Matt Paradis. Como é uma unidade que depende muito do entrosamento, a linha ofensiva deve ter problemas pelo menos nos primeiros jogos e ocupa apenas a posição 28 no ranking do site Pro Football Focus.

Deus no céu e Von Miller na terra

O grande trunfo do Denver Broncos para 2016 é o mesmo que o levou à vitória no Super Bowl: uma defesa agressiva que aterroriza os ataques adversários. Mesmo com as perdas de Danny Trevathan e de Malik Jackson, que só não foi MVP do Super Bowl porque Von Miller existe, o front seven do Broncos deve continuar sendo um dos melhores da NFL.

A linha defensiva deve continuar eficiente contra o jogo corrido e ajudar a colocar pressão no pass rush. Os linebackers, liderados por Von Miller e Brandon Marshall, são os melhores da liga pressionando o quarterback e também são extremamente capazes fazendo a cobertura do passe.

A receita da defesa (quase) perfeita fica completa com a melhor secundária da liga, que permanece intocada. Talvez Chris Harris, Aqib Talib e Bradley Roby individualmente não sejam os melhores jogadores da NFL na posição, mas formam o grupo de cornerbacks mais completo. Já os safeties T.J. Ward e Darian Stewart não são tão brilhantes quanto os cornerbacks, mas não chegam a comprometer.

Se conseguir manter a absurda pressão que colocou nos QBs adversários em 2015 (Cam Newton não consegue esquecer), e não há motivos para acreditar que haverá uma queda drástica, o Broncos continuará sendo a melhor defesa da NFL em 2016. E só ela basta para ter grandes planos.

1MILLERMVP

Sempre legal lembrar de Miller infernizando a vida de Cam Newton.

Palpite: em uma divisão que tem vários times em ascensão, o Denver Broncos terá dificuldades, mas conseguirá uma suada classificação aos playoffs, com o recorde de 10-6. Von Miller continuará comandando a melhor defesa da NFL, enquanto o ataque será razoável e não chegará a prejudicar o time. Entretanto, o desempenho na pós-temporada não será bom o suficiente e Denver acabará eliminado para um time obscuro logo na rodada de Wild Card. Nunca erramos uma previsão, acreditem – mas também ainda não acertamos!