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A hora de enxergar a luz no fim do túnel

Cleveland chegou ao fundo do poço na última temporada, com uma campanha com apenas uma vitória e 15 derrotas. Mas o fato é que se tratava de um passo necessário: antes de iniciar o processo de recuperação, era preciso sanar as dúvidas em torno da posição mais importante do football – ter seis quarterbacks em um único ano nunca foi uma receita para o sucesso.

Além disso, é difícil ser pior do que os Browns foram neste passado recente, então ao menos agora há razões para otimismo. Voltando para 2016, a franquia trouxe Hue Jackson como HC na esperança que ele desenvolvesse outro QB em Ohio – ele fez de Andy Dalton alguém um pouco acima da linha da mediocridade, então não podemos duvidar de sua capacidade.

Quem transforma mediocridade em produção ergue o dedo.

E se antes o retorno de RGIII não vingou (nós já sabíamos) e Cody Kessler ainda luta contra uma imaturidade latente e um braço de macarrão, a esperança está em DeShone Kizer, já que, graças ao bom Deus, Brock Osweiler não está mais entre nós.

Melhores do que você supõe

Apesar dos números finais da campanha indicarem o contrário, a verdade é que Cleveland não foi uma piada na última temporada: era apenas uma franquia em reconstrução, que se manteve segura em seu plano e trazia consigo a falta de talento em vários setores. Ainda com isso, sob o comando de Hue Jackson, os Browns conseguiram construir sua própria identidade, além de ter um plano de jogo coeso mantido mesmo nas situações mais adversas – eles jogaram duro, e venderam caro ao menos 5 ou 6 derrotas: Cleveland foi muito melhor do que suas 15 derrotas podem sugerir.

Para 2017, inegavelmente, o elenco é melhor, embora não vejamos muita melhora no jogo aéreo – aliás, na NFL contemporânea, um jogo aéreo como o que os Browns tem hoje tende a mantê-los na irrelevância.

E mesmo que DeShone Kizer surja como um motor propulsor, ainda faltarão armas para auxiliá-lo. Corey Coleman teve que aprender o que era ser um WR praticamente do zero em seu primeiro ano, e não podemos cravar que se tornará um alvo confiável para sua segunda temporada; Kenny Britt chegou da free agency, mas sua carreira na NFL até aqui teve a consistência de uma gelatina; no final das contas, Kizer deve se apoiar muito no rookie TE David Njoku que, além de precisar se ajustar rápido a NFL, precisará se adaptar ao sistema ofensivo intenso e extremamente exigente com TEs de Hue Jackson (que, não obstante, consagrou jogadores medíocres como Gary Barnidge).

A esperança

A OL dos Browns é uma das melhores unidades de bloqueio da NFL. Joe Thomas, além do maior ser humano que já pisou neste planeta, é indiscutivelmente o melhor protetor do blind side da liga (se quiser discorda, discorda aí na sua casa). E o G Joel Bitonio é excelente – para compreender sua importância, tenha em mente que Joel jogou apenas quatro partidas completas na última temporada, e os Browns marcaram mais que 20 pontos em três delas; nas outras 12, o Browns ultrapassou o número apenas quatro vezes.

A gente nunca deixará você esquecer que entrevistamos ele.

Nessas quatro partidas em que Joel esteve em campo, Isaiah Crowell teve média de 6.5 jardas por tentativa, ultrapassando a marca de 120 jardas duas vezes. Sim, esses foram números de Isaiah Crowell. Acredite.

Cleveland, porém, teve alguns problemas na posição de Center, já que Cameron Erving era algo próximo de uma tragédia. Para preencher esta lacuna (era como se o Browns jogasse sem um C. Não estamos exagerando), JC Tretter, ex-Green Bay Packers, desembarca em Ohio. E mesmo que jogue sem usar um braço, Tretter será um imenso reforço quando comparado a Erving (que Deus o tenha).

O outro lado

O Browns demitiu seu coordenador defensivo e um caminhão de assistentes e trouxe o veterano Gregg Williams, que tem em seu currículo um excelente trabalho no finado St. Louis Rams (além do também saudoso bountygate em Nova Orleans), para consertar o setor.

Com a mudança de comando é natural também uma mudança de esquema, que já vinha sendo planejada e teve as escolhas do último draft focadas nesta nova filosofia. O DE Myles Garret, talvez uma das maiores abominações físicas que a humanidade já viu, foi a primeira escolha e tem tudo para se tornar um dos melhores pass rushers da NFL já em sua primeira temporada – com apenas 21 anos.

Crush.

Aliás, deixar Mitchell Trubisky para o Bears e selecionar o óbvio, Myles Garret, é uma das histórias mais simbólicas do último draft; olhe para o passado e raciocine: seria algo como o Texans deixar de escolher Jadeveon Clowney para selecionar Blake Bortles em 2014!

Já Jabril Peppers iniciará o ano como SS, embora tenha jogado também como LB no college (mas não tem estrutura física para a posição em âmbito profissional), e possa também se aventura como CB esporadicamente.

Claro, eles terão que lidar com a curva de aprendizado natural em uma transição entre faculdade e NFL, mas ambos têm o talento necessário para se adaptar rapidamente. Outro grande trunfo desta defesa foi manter o LB Jamie Collins (adquirido ano passado em uma troca com os Patriots), extremamente cobiçado durante a offseason.

Já para a posição de CB, o Browns trouxe Jason McCourty, que deve ser extramente útil – e agora precisará ajudar a suprir a ausência de Joe Haden, aparentemente um torcedor do Steelers que passou alguns anos infiltrado em Cleveland.

Palpite: O Browns não é mais a pior equipe da NFL – no fundo, nem no ano passado eles eram. Cleveland tem umas das grandes OLs da liga e uma defesa jovem e talentosa. Lembra aquelas 5 ou 6 derrotas que foram entregues com muito suor em 2016? Provavelmente em 2017 elas se tornarão vitórias suadas, então uma realidade com algo entre 5 a 7 êxitos não chega a soar um absurdo; um pequeno passo em direção ao Super Bowl em, talvez, 2020.

From Cleveland to Brazil: Joe Thomas speaks about the Browns future

It is hard to talk about everything that makes Joe Thomas so effective; he’s probably the quintessential offensive tackle: nobody in the NFL can use their hands better or has the same reaction power.

Joe’s individual accomplishments make us realize how good he really is. After all, since he entered the league in 2007, watching a Browns game was, for a long time, summed in watching the OT’s game: 160 games (he started all games since he was drafted) and 10 trips to the Pro Bowl.

On the other hand, Joe also saw 18 quarterbacks, 8 offensive coordinators and 6 head coaches passing through Cleveland in that span. All these changes led the Browns to just 48 wins, 10 of those in his first year as a player and, since then, just one season with more than 5 (7 in 2013).

The selection

Joe was drafted right after Calvin Johnson. Adrian Peterson came off the board four spots after the Wisconsin lineman. Patrick Willis, the linebacker who made history playing for the San Francisco 49ers and Marshawn Lynch, drafted by the Buffalo Bills, were picks 11 and 12 that year. Darrelle Revis was number 14 and the likes of Eric Weddle and Ryan Kalil were drafted only in the second round.

In my freshman year in college, coaches questioned me whether I’d like to participate in the Scouting Combine, to measure my status for the draft”, Joe remembers. “Until that day, I’d never really thought of reaching the NFL, even with a few more years with the Badgers ahead”.

Combine results showed he would be drafted in the beginning of the first round and amplified Joe’s perception: in that moment, he realized the NFL would become a reality. Years later, with the third pick, the Browns drafted Thomas. And, even if the Draft is generally an erroneous science, it is almost unquestionable that, among that years’ picks, Joe has built one of the most solid careers so far.

A nice guy!

A long winter

Thomas landed in Cleveland at the same time as the Cavs were flirting with the NBA Finals and the city was trying to purge its sports curses trough LeBron James, Akron’s prodigy son. “Definitely, there is a different buzz”, Thomas joked in a Grantland interview at the time. “But I know that even if the people are happy about having a great basketball team, deep down, Cleveland is still a football city”.

And even if neither the Cavaliers nor the Browns won titles in 2007, there was a clear excitement in Ohio; Browns won 10 games in Thomas’ rookie season. “You heard about Believeland. People used to hold posters in the stadium. It looked like it was coming back. But in the following year we had a bad season and since then we got into ‘reset mode’”.

The last “reset”

With each new quarterback and each new head coach, Joe realized this also meant two or three more years of rebuilding, and that pushed him away from his objectives: to make the Browns a winning team. After years in this process, projections are great now.

I think the Browns are gonna be much better this year. We’ve had a huge infusion of talent from free agency and more recently from the draft. I think Sashi Brown did an excellent job during the draft picking talented players while also adding picks in future years”, says Joe, who promises to be a mentor to the rookies. “My favorite thing to tell young players is: be on time, pay attention, and work hard. Those are three simple things but they are the keys to success in the NFL”.

Maybe for the first time, Thomas doesn’t hide his excitement: in his Twitter account, Joe affirmed that Myles Garrett, Jabrill Peppers and David Njoku will all be Hall of Famers. And if the future reserves better days to Cleveland, nothing is better than making the franchise global.

I’m really excited to be playing in London this upcoming season and hope the NFL will continue to expand in future years, including Brazil”, says. “I think this international expansion is one of the best things the NFL has done recently. It’s important for us to realize how many fans we have in other countries and how eager those fans are to be able to enjoy the fantastic NFL product in person”.

*Special thanks to @ShikSundar and @EulerBropleh for making this possible.

De Cleveland ao Brasil: Joe Thomas fala sobre o futuro do Browns

É difícil falar sobre tudo que torna Joe Thomas tão efetivo; ele é provavelmente um modelo perfeito do que é ser um offensive tackle: ninguém usa melhor as mãos, ninguém tem um poder reativo semelhante a ele na NFL atual.

E isolar os feitos individuais de Joe apenas faz com que vejamos o quão bom ele realmente é; desde sua estreia na liga em 2007, por muito tempo assistir a uma partida do Browns se resumiu a apreciar o jogo do OT: são 160 partidas (todas, desde sua seleção) e 10 idas ao Pro Bowl (todos).

Por outro lado, Joe também viu passarem por Cleveland 18 quarterbacks entre idas e vindas, oito coordenadores ofensivos e seis head coaches. Tudo isso resultou em apenas 48 vitórias, sendo que 10 delas logo no primeiro ano e, desde então, apenas uma temporada com mais de cinco (sete, em 2013).

A escolha

Joe foi selecionado logo após Calvin Johnson. Adrian Peterson veio quatro escolhas após o OT de Wisconsin. Já Patrick Willis, LB que fez história no San Francisco 49ers, e Marshawn Lynch, RB selecionado pelo Buffalo Bills, foram as escolhas 11 e 12 daquele ano. Darrele Revis foi o número 14 e gente como Eric Weedle e Ryan Kalil só saíram na segunda rodada.

Em meu primeiro ano no college, os treinadores questionaram se eu queria me inscrever na avaliação dos scouts, para ter uma noção de meu status para o draft”, relembra. “Até aquele dia, realmente nunca havia pensado em chegar a NFL, mesmo com vários anos de Badgers pela frente”.

O resultado dos scouts indicaram que ele sairia logo na primeira rodada e ampliaram a percepção de Joe: foi ali que ele percebeu que a NFL poderia se tornar uma realidade. Anos depois, na terceira escolha, o Browns selecionaria Thomas. E, mesmo que o draft seja uma ciência com mais erros do que acertos, é quase inquestionável afirmar que dentre os selecionados naquele ano, Joe construiu umas das carreiras mais sólidas até aqui.

Um cara legal!

Um longo inverno

Thomas chegou a Cleveland na mesma época em que o Cavs flertava com as finais da NBA e a cidade tentava expurgar suas maldições esportivas através de LeBron James, o filho prodígio de Akron. “Definitivamente há um zumbido diferente”, brincara Thomas em entrevista ao Grantland na época. “Mas sei que mesmo que as pessoas estejam felizes por ter uma ótima equipe de basquete, no fundo, Cleveland ainda é uma cidade sobre football”.

E mesmo que nem o Cavaliers, tampouco o Browns, tenham saído vencedores em 2007, havia uma nítida excitação em Ohio; Cleveland venceu 10 partidas no ano de estreia de Thomas. “Você ouvia sobre Believeland. As pessoas seguravam cartazes no estádio. Parecia que estava voltando. Mas no ano seguinte tivemos uma temporada ruim e desde então entramos em ‘modo reset’”.

O último “reset”

E a cada novo quarterback, a cada novo head coach, Joe percebia que isso também significava dois ou três anos de reconstrução, o que o afastava de seu objetivo: tornar o Browns um time vencedor. Após anos neste processo, as perspectivas são animadoras.

Os Browns vão ser muito melhores esse ano. Conseguimos bons talentos na free agency e mais recentemente no draft; Sashi Brown fez um trabalho excelente durante o draft, selecionando jogadores talentosos e ainda adicionando escolhas de draft para o futuro”, diz Joe, que promete ser um mentor para os rookies. “O que mais gosto de falar aos jovens jogadores é ‘seja pontual, preste atenção e trabalhe duro’. São três coisas simples, mas que são a chave para ter sucesso na NFL”.

Talvez pela primeira vez, ele não esconda a empolgação: em seu Twitter, já afirmou que Myles Garret, Jabrill Peppers e David Njoku irão todos para o Hall da Fama. E se o futuro reserva dias melhores para Cleveland, nada melhor do que tornar a franquia global.

Não vejo a hora de jogar em Londres esse ano e espero que a expansão continue no futuro, inclusive para o Brasil”, diz. “Essa internacionalização é uma das melhores coisas que a liga fez recentemente: é importante percebermos a quantidade enorme de fãs que temos em outros países e o quão ansiosos eles estão para curtir a NFL ao vivo”.

*Agradecemos aos amigos @ShikSundar e @EulerBropleh por tornar essa conversa possível.