Posts com a Tag : Jimmy Garoppolo

Podcast #9 – Uma coleção de asneiras IX

Estamos de volta!

Repercutimos, claro, o Super Bowl: como foi a vitória dos Eagles, os personagens envolvidos e mais algumas bobagens.

Discutimos os assuntos do momento, como a renovação de Jimmy Garoppolo e o pé na bunda que Josh McDaniels deu nos Colts.

Por fim, falamos da offseason e o que podemos esperar desse período maravilhoso.

Participação especial: João Paulo, do @EaglesBR.


Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

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Jimmy, San Francisco e a procura pelo QB ideal

Existe uma questão que praticamente todo time da NFL que passa por uma reconstrução precisa cedo ou tarde responder. E a resposta para essa pergunta, muitas vezes, pode determinar o sucesso ou fracasso de um período inteiro de reconstrução, e definir o futuro da franquia.

Como conseguir o seu quarterback para o futuro?

Querendo ou não, a posição de QB é de longe a mais importante do futebol americano, e muitas vezes o diferencial entre o sucesso e o fracasso. Existe um motivo pra que 90% dos vencedores do prêmio de MVP sejam quarterbacks. Então se você é um time ruim que quer ser bom, a melhor forma de atingir essa virada – e, talvez mais importante, de garantir que essa virada seja sustentável no médio e longo prazo – é conseguir acertar em cheio no jogador que você escolhe para comandar o ataque da sua franquia. Times como Jets e Texans tentaram se reconstruir muitas vezes nos últimos anos, mas sem achar uma solução para a posição, sempre dependeram de um sucesso pontual em meio a diversos anos decepcionantes (o Texans, claro, parece enfim ter encontrado seu QB). O Browns nunca conseguiu uma reconstrução em parte por nunca ter achado o seu quarterback. Times como o Jaguars – que deve finalmente voltar aos playoffs esse ano e está 9-4 – podem conseguir um bom ano atrás de uma dominante defesa apesar de ter Blake Bortles como titular. Mas pense em quantos anos de boas defesas não foram desperdiçados em Jacksonville, Chicago, Saint Louis (descanse em paz) e Minnesota devido à incerteza na principal posição do jogo.

Por isso times que estão em reconstrução precisam, em algum momento, encarar essa mesma questão e decidir de onde vão tirar um quarterback para chamar de seu. E, como todo jogador, existem três formas de se adquirir um: por troca, pelo Draft, ou contratando um agente livre. E o pior, ou talvez mais interessante, é que não existe uma resposta certa. Todos os três meios têm seus prós e contras, e não existe uma maneira segura de garantir que seu time vai encontrar uma solução para os próximos 10 anos. GMs inteligentes em reconstruções são os que mantém as três vias abertas e manipulam seus ativos de forma a maximizar suas chances, e se colocam assim em uma boa situação para aproveitar as oportunidades que aparecem.

O Draft costuma ser a via mais utilizada por tais times em busca de um franchise QB, o que faz bastante sentido. Times em reconstrução costumam ser ruins e ganhar poucos jogos, o que significa que escolhem perto do topo do Draft com frequência – o lugar onde costumam se encontrar os melhores QBs. Dos 32 QBs titulares “ideais” nesse ano na NFL, 20 deles foram selecionados na primeira rodada, e 5 outros na segunda rodada. Uma escolha alta no Draft é, em tese, a melhor maneira de garantir que esses jogadores estejam no seu time.

Outro benefício de encontrar esse jogador no Draft é que isso garante a você 5 anos baratos (no caso da primeira rodada, ou 4, no caso de outras rodadas e, por fim, se você for um mago do scouting, 3 anos no caso de jogadores Undrafted) para a posição mais cara do time, economizando assim um valioso dinheiro que pode ser usado em outras posições importantes (Russell Wilson, escolha de 3ª rodada, é o melhor exemplo disso: durante 4 anos o Seahawks teve seu Franchise QB ganhando 1 milhão por ano, e pôde gastar esse dinheiro para ir na free agency contratar estrelas e renovar com seus melhores jogadores, montando assim a espinha dorsal do time campeão em 2013).

Mas o Draft também é de certa forma uma loteria. O índice de acertos não é grande o suficiente para essa ser uma opção de baixo risco, e escolher o QB errado no topo do Draft é uma coisa que pode atrasar sua reconstrução em anos enquanto a franquia fica comprometida com um jogador ruim. O Rams escolheu Sam Bradford, não deu certo, e demorou 8 anos até voltar a ser um time competitivo (embora Jeff Fisher tenha lá sua parcela de culpa). Titans, Jaguars e Vikings escolheram, respectivamente, Jake Locker, Blaine Gabbert e Christian Ponder no mesmo Draft, e demoraram anos para se recuperar da decisão. O Broncos parece ter errado feio com Paxton Lynch, e agora tem talvez a pior situação de QBs da NFL segurando o que deveria ser um ótimo time. E, para para piorar o problema, muito do sucesso no Draft envolve a forma como os times desenvolvem os jovens talentos que adquiriram, e um time em reconstrução normalmente não tem grandes peças para colocar em volta de um jovem QB e auxiliar seu desenvolvimento (pense em Alex Smith, escolha #1 de 2005, com os 49ers), o que pode diminuir as chances de sucesso de uma escolha desse tipo. É uma opção de alto risco.

Buscar esse QB na free agency não tem o mesmo risco, mas também é uma oportunidade infinitamente mais limitada por um simples motivo: franchise QBs simplesmente não chegam no mercado. A estrutura de salários da NFL – em especial a Franchise Tag – gera incentivos muito maiores para os times manterem suas grandes estrelas, e como QB é a posição mais importante do time, esses são os jogadores que as equipes concentram esforços para manter. Situações como as de Drew Brees e Peyton Manning são enormes outliers – contextos muito únicos com questões complicadas de lesões para adicionar – que times em reconstrução dificilmente podem prever ou se apoiar como uma estratégia confiável. Os QBs que normalmente se encontram no mercado são os medianos , os Tyrod Taylors e Jay Cutlers da vida, que podem até servir em um situação favorável, mas estão longe de serem uma garantia – caso contrário não estariam disponíveis. Certo, Brock Osweiler?

O que o desespero não faz com as pessoas.

Geralmente os melhores resultados na free agency vêm para times que fazem compras baratas e apostam em um jogador que floresce em um contexto favorável e específico, com o Vikings encontrou esse ano com Case Keenum ou o Cardinals com Carson Palmer. Mas esses casos são minoria, e ambos tiveram sucesso em parte porque encontraram uma situação muito favorável e um time extremamente completo e bem montado ao seu redor, situação que um time ruim em reconstrução dificilmente pode proporcionar. Além disso, não é como se fossem apostas feitas com convicção: Keenum foi contratado para ser a terceira opção atrás de Bradford e um Teddy Bridgewater em recuperação, e se o Vikings tivesse a menor ideia de que Keenum iria explodir em Minnesota, com certeza teria oferecido a ele um contrato mais longo que mantivesse-o sob controle da franquia por mais tempo (e a um baixo custo).

Por fim, as trocas são as situações mais imprevisíveis das três. Franchise QBs raramente ficam disponíveis para troca, e os jogadores que ficam muitas vezes são os que enfrentam muitas dúvidas ou que dependiam muito de um esquema tático específico. A melhor situação é algo como o que  aconteceu com Alex Smith – um bom QB “forçado” ao banco por uma opção melhor – e ainda assim são situações que costumam envolver um alto preço, muitas vezes em escolhas de Draft, que um time em reconstrução pode hesitar em pagar, a menos que o interesse seja muito grande – ou a janela esteja fechando. É talvez a opção mais interessante por oferecer maior variedade de situações, e a que os GMs mais precisam estar alertas para aproveitar quando aparece, mas também é uma via bastante escassa.

Então considerando a imprevisibilidade e alto custo da primeira opção, e a baixa oferta das últimas duas, não é de se espantar que tantos times esbarrem na dificuldade de achar um bom quarterback para seu time, especialmente um que faça sentido com a timeline do resto do seu elenco. Cometa um erro com a opção errada, e seu time pode se atrasar em anos até voltar a ser competitivo. Deixe passar uma boa opção, e seu emprego estará em xeque com sua cabeça sendo pedida por boa parte da mídia e dos torcedores (como aconteceu com o Browns, por exemplo). É uma situação delicada, uma fina linha entre explorar o máximo de vias possíveis enquanto não compromete os recursos de forma apressada, e saber exatamente a hora (e o custo) certo para se fazer uma aposta. Paciência, pensamento de longo prazo e – sejamos sinceros – uma boa dose de sorte costumam fazer a diferença nessas horas.

A reconstrução do 49ers

O 49ers era um dos times que estava nessa situação no ano passado. Com Jed York finalmente admitindo o erro passado e aceitando que a franquia precisava recomeçar quase do zero, San Francisco dispensou os resquícios da antiga gestão (incluindo seu QB titular, Colin Kaepernick), trouxe um novo técnico e um novo GM, e anunciou sua intenção em enfim focar no longo prazo (a decisão correta, com dois anos de atraso). E, claro, parte importante desse processo (especialmente tendo dispensado um QB que te levou ao Super Bowl quatro anos antes) era descobrir quem seria o novo quarterback de uma franquia com uma longa tradição na posição.

E o interessante é que o novo GM John Lynch tinha à sua frente múltiplas opções para tomar na busca pelo novo QB do futuro da franquia, e sendo seu primeiro cargo executivo na NFL, muitas pessoas especulavam se essa falta de experiência levaria Lynch a querer ir para o Home Run logo de cara com alguma grande movimentação nesse sentido. No entanto, Lynch fez aquilo que, a meu ver, foi a decisão mais correta no momento: ele não fez nada.

Com a escolha #2 do Draft, San Francisco estava em boas condições de ir atrás de um QB como Mitch Trubsky ou Deshaun Watson, consideradas as duas melhores opções do ano na posição. No entanto, a avaliação de Lynch era de que nenhum dos dois valeria essa escolha – uma avaliação partilhada por mim e grande parte dos analistas – então Lynch inteligentemente foi na direção oposta, trocando suas escolhas para descer no Draft e acumular seleções extras (como times em reconstrução deveriam fazer). Ajudou também o fato que o Chicago Bears aparentemente não tem a menor ideia do que está fazendo. 

O que o desespero não faz com as pessoas.

Enxergando (novamente de forma correta) que não teria à sua disposição como adereçar a questão do QB de forma satisfatória e ao preço certo no momento (e, talvez, que não fosse a hora para isso), o GM do Niners se preocupou em manter as opções em aberto para o ano seguinte. A classe de QBs de 2018 prometia ser bastante intrigante com Josh Rosen e Sam Darnold. As escolhas de Draft extras que Lynch acumulou no seu primeiro recrutamento como GM deram ao 49ers um rico baú de ativos que poderia usar caso quisesse entrar em alguma negociação de troca, ou até para subir no próximo Draft. E, no horizonte, Kirk Cousins estava ameaçando virar free agent depois de dois anos jogando sob a Franchise Tag e múltiplos dissabores com a diretoria de Washington. O Chicago Bears é, novamente, o exemplo de quem não sabia o que estava fazendo. Mike Glennon, gente. Mike Glennon. 

Ao invés de tentar resolver tudo de uma vez só, Lynch enxergou no horizonte possibilidades muito melhores se desenhando para ano que vem, e posicionou o time de forma a explorar todas elas conforme fossem aparecendo. Enquanto isso, manteve a pólvora seca: trouxe Brian Hoyer na free agency, um QB veterano que já tinha trabalhado com Kyle Shanahan e iria ajudar a implementar seu esquema tático, e usou uma escolha de terceira rodada (luxo que poderia se dar com tantas escolhas adicionais) em CJ Beathard. Nenhuma das duas era um movimento que fosse provável resolver a posição para o futuro, mas foram dois movimentos de baixo custo que poderiam dar resultados modestos no médio prazo, apostas inteligentes de baixa probabilidade, mas baixo custo – e, afinal, ALGUÉM precisava jogar de QB para esse time.

Lynch faz o seu movimento

Agora todos já sabemos como essa história terminou. Depois de passar boa parte do ano esperando o mercado se desenhar enquanto Beathard e Hoyer não funcionaram como titulares (quem poderia imaginar, QUEM?), o 49ers eventualmente acabou enviando sua escolha de segunda rodada de 2018 (um preço bastante em conta considerando que San Francisco tem escolhas extras de segunda e terceira rodada em 2018, rodada graças às trocas do Draft passado) para New England em troca de Jimmy Garoppolo, o promissor QB que não encontrou espaço para jogar graças a um tal de Tom Brady.

O preço de uma escolha de segunda rodada por Jimmy G é bastante modesto comparado ao que New England supostamente estava pedindo ano passado e até no Draft desse ano, que variava entre múltiplas escolhas de primeira rodada ou uma escolha alta de primeira rodada. E isso é um testamento ao quão bem o 49ers jogou o jogo da paciência. A impressão que dá, entre tudo que é era reportado vindo de Foxborough, é que a vontade de Bill Belichick sempre foi manter Brady E Garoppolo (o que, de certa forma, já é um elogio imenso à capacidade do camisa 10) no time. Belichick tentou caminhar a linha de manter os dois jogadores até que concluiu que não seria possível, e acabou aceitando a proposta do 49ers.

Tente não se apaixonar.

Lynch lidou com a situação de forma perfeita. Se essa troca fosse feita no começo do ano, teria custado bem mais ao 49ers, pois o Patriots ainda estava com a força das negociações e tentando manter os dois QBs. Ao invés disso, Lynch esperou até o momento que o Patriots enfraqueceu sua posição e chegou a um bom acordo com um dos GMs mais difíceis de negociar da NFL.

Claro que o Niners poderia ter simplesmente esperado acabar o ano e tentar pegar Garoppolo então, mas isso também envolveria muitos riscos. New England ainda poderia usar a Franchise Tag (e nesse caso dificilmente o preço cairia mais), e mesmo se ele chegasse ao mercado, isso significaria que o 49ers teria que entrar em uma provável batalha financeira com outros times interessados, o que aumentaria consideravelmente o preço financeiro do negócio, e aumentaria também as chances do Niners NÃO conseguir o jogador. E, se conseguisse, provavelmente seria em um contrato longo e muito custoso, para um jogador que o 49ers teria  tido apenas DOIS jogos como titular em New England (ambos ano passado, em um esquema tático diferente e conhecido por “proteger” seu QBs e fazer jogadores medianos parecerem muito melhores) para avaliar. É o tipo de jogada all-in de altíssimo risco que o 49ers deveria evitar (e vem evitando), e trocando por Garoppolo agora não só San Francisco se colocou com todas as cartas para manter o jogador no time no longo prazo por um contrato menor do que daria no mercado, como também ganhou meia temporada para avaliá-lo, seja jogando como titular, seja nos treinos e como se relaciona com a comissão técnica, antes de tomar a decisão se quer apostar seu futuro no jogador.

E o mais interessante é o seguinte: com o contrato expirante de Jimmy, essa troca em nenhum momento compromete as outras possibilidades para o 49ers de conseguir um QB. Se Garoppolo não fosse/for bem ou o time avaliasse/avaliar que não valeria a pena seguir investindo no jogador, San Francisco poderia simplesmente deixá-lo ir embora, aceitar a escolha compensatória pelo jogador (inferior à que o time pagou por ele, sem dúvida, mas um preço que o time pode se dar o luxo de pagar), e voltar sua atenção para as opções no topo do Draft ou para Kirk Cousins. Isso teria um custo, mas a informação e a posição de força nas negociações adquirida teriam valido a pena, e a franquia poderia não se comprometer com uma opção sub-ótima, mantendo ainda as opções muito abertas.

Mas, claro, até aqui parece muito improvável que vá chegar a isso.

Jimmy Garoppolo em campo

Dois jogos não fazem uma carreira, sem dúvida. É impossível avaliar um jogador com tão pouco, e mesmo em cinco jogos (a quantidade de jogos que Garoppolo pode ter de titular antes de virar free agent) muita coisa ainda será um mistério. Quase qualquer QB ruim (menos Paxton Lynch) da NFL pode pegar dois jogos da carreira e apontar para eles como sendo uma amostra de que é um bom jogador. Então sempre temos que tomar cuidado para não ler demais em informações de menos.

Mas é humanamente impossível não se empolgar com o que Jimmy Garoppolo está mostrando em suas duas primeiras partidas como titular. Não é a questão da sua produção, embora essa também esteja sendo ótima: 66,7%, 9.0 Y/A, 8,3 AY/A, 645 jardas, 2 TDs, 2 INTs. Seu QBR seria 6º na NFL inteira, e seu DVOA seria #2, logo na frente de Tom Brady. Mas vocês não vão me ver referenciando esses números de novo nessa coluna, simplesmente porque eles não importam. 2 jogos é uma amostra pequena demais, e nenhuma estatística tem valor com uma amostra insignificante dessas. Não são os números que estão enchendo os olhos. É como Jimmy está jogando.

O 49ers teve uma abordagem cautelosa com seu novo QB. Ao invés de jogar Garoppolo no fogo de cara, mantiveram o camisa 10 no banco enquanto ele aprendia o playbook e o Niners esperava sua boa dupla de tackles (Trent Brown e Joe Staley) voltarem do departamento médico. Ainda assim, Jimmy entrou em uma situação bastante complicada após a lesão de Beathard, conhecendo apenas uma parte pequena do playbook, e com um elenco de apoio bem abaixo da média em termos de alvos e linha ofensiva.

E apesar disso, nesses dois jogos Garoppolo mostrou que estava mais do que pronto para o desafio. Apesar do conhecimento limitado do playbook e o pouco entrosamento com o resto do ataque, a simples presença de um QB capaz de ler e executar as jogadas já abriu muito esse ataque. Kyle Shanahan está conseguindo chamar mais jogadas e explorar mais jogadores e movimentações do que jamais conseguiu com Beathard e Hoyer, e o comando do ataque que Garoppolo já tem é surreal para alguém com tão pouco tempo de casa. Seu entendimento do jogo e da posição permitiu que isso fosse possível, e sua entrada já destravou mais o ataque do que poderíamos imaginar. 

Mas o que mais chama a atenção em Garoppolo é sua capacidade de lidar com a pressão. Na semana 14, desfalcado de seu RT e sofrendo pressão em incríveis 47% das jogadas de passe (maior marca da rodada), ele mostrou todo seu repertório depois de alguns passes ruins no começo do jogo. Em parte por sua força no braço, Jimmy tem no seu currículo o lançamento patenteado de Aaron Rodgers em movimento, que consegue lançar a bola com velocidade e precisão impressionantes só com o movimento do pulso, e o QB sabe usar isso muito bem. Ele espera até o último segundo para soltar a bola (e seu lançamento é incrivelmente rápido) e tem a combinação de conseguir sentir e lidar com o jogador de defesa no seu cangote enquanto mantém os olhos na secundária para continuar achando as jogadas, fazendo com que repetidamente vença a blitz em conversões cruciais e transforme situações negativas em ganhos. Nos seus dois jogos como titular (contra duas defesas acima da média) Garoppolo continuou mantendo campanhas vivas com conversões longas em terceiras descidas apesar de jogar com um defensor pendurado nele o tempo todo. Essa é uma das habilidades mais importantes de um QB no nível profissional, e Garoppolo está mostrando ser um dos melhores no negócio.

A verdade é que nesses dois jogos Jimmy mostrou todas as habilidades que você procura em um franchise QB. Sua inteligência em campo e sua leitura de jogo são excelentes. Ele consegue jogar em alto nível tanto dentro do pocket como saindo dele. Tem uma excelente precisão e ótima força no braço, e está se mostrando capaz de executar praticamente todos os passes que o ataque de Shanahan exige. Sua capacidade de lidar com a pressão é ainda mais impressionante. E se você acredita que para ser QB na NFL você precisa de uma certa qualidade quase “mística” de incentivar e motivar os companheiros, você não precisa ir muito longe para tropeçar em algum jogador do 49ers derramando elogios sobre seu novo signal caller. Até agora, Jimmy G parece ser o pacote completo. The real deal. 

Clowney who?

Novamente, é importante frisar o quanto dois jogos não servem para fazer uma avaliação exaustiva e completa de nenhum jogador. Nós só podemos avaliar o que nós vimos nesses dois jogos, mas não necessariamente Garoppolo será sempre o que foi neles. Nossa avaliação é limitada a esse respeito, graças a uma amostra pequena.

Mas também é importante lembrar que a avaliação do 49ers sobre Garoppolo não se limita apenas aos jogos. Além do que vemos em campo, o Niners tem Garoppolo nos treinos, aprendendo o playbook, lidando com jogadores e comissão técnica. Essa também é uma valiosa fonte de informações e muito maior e mais rica em qualidade do que nós, observadores externos, podemos captar. E é esse conhecimento agregado que só o Niners possui é o que vai fazer a diferença na hora do time decidir o que fazer com a situação do seu QB para 2018. Lembre-se: Belichick queria mantê-lo no elenco, e isso se deve muito ao fato de tê-lo observado nos treinos por anos.

Por enquanto, o que podemos dizer é que tudo indica que o 49ers achou o seu QB do futuro, e que ele é realmente muito bom – o tipo do jogador em torno do qual você constrói algo maior. O 49ers até aqui jogou todas as suas cartas com perfeição, maximizando suas avenidas para achar esse jogador, e os primeiros retornos indicam que o time conseguiu cumprir essa complicadíssima tarefa com bastante sucesso.

Ainda temos que ver como o 49ers vai dar os próximos passos nessa situação, e qual vai ser sua abordagem em 2018. Mas é difícil não se animar com o que estamos vendo do casamento entre Garoppolo e Kyle Shanahan, e com uma offseason inteira para se reforçar pela frente (na qual San Francisco deve ter mais salary cap do que qualquer organização da NFL tirando o Browns, ou seja, o time da NFL com mais espaço), esse ataque pode começar a fazer barulho muito antes do que o esperado. Dedos cruzados.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

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Quatro meses esperando janeiro

Já estamos cansados de repetir que Tom Brady ganhará pela 14ª vez a AFC East. Quando inevitavelmente chegar a hora dos playoffs, também comentaremos com desgosto sobre como, mesmo tendo sofrido com duas ou três lesões importantes (sério, pode ser literalmente qualquer um), New England ainda deu um jeito de não jogar a primeira rodada da fase final. Assim, os Pats chegarão descansados e bem preparados na semifinal para enfrentar um Steelers ou Titans meio-baleados. Porque, bom, essa é a vida na NFL.

Para nos deixar ainda mais desgraçados da cabeça, craque, desses transcendentais que realmente se destacarão na multidão daqui a 30 anos, o time só tem um: Rob Gronkowski. Tom Brady, o maior QB de todos os tempos, é um grande executor das tarefas que lhe são designadas (o que, obviamente, cria vitórias) – mas basta colocá-lo lado a lado das peripécias de Aaron Rodgers ou até Ben Roethlisberger e veremos que ele não é tudo isso. Lembre-se: de acordo com o próprio sr. Bünchen, o MVP do último Super Bowl foi James White.

Um homem do povo.

De certa forma (e sabemos que vocês curtem essas comparações), olhar o depth chart dos Patriots é bem parecido com estudar a escalação do Corinthians e não entender que caralhos esse time está fazendo onde está. Cássio e Rodriguinho, por exemplo, só não saíram do time para sempre porque seus substitutos eram piores ainda (aguarde a coleção de dispensados nesse elenco patriota). Jô pode ser funcional, mas duvido que seja a primeira opção de qualquer pessoa para a posição (e aqui ficam comparados Jô com Brady ou Edelman, o que for menos ofensivo). E, sério, Romero? Ainda?

Um ataque reforçado

Falando em inúteis, já que o craque Gronkowski tem problemas sérios em manter-se saudável (última vez em que ele esteve em campo os 16 jogos foi em 2011), os Patriots se reforçaram com Dwayne Allen que, draftado no mesmo ano, sempre esteve em uma disputa constante com Coby Fleener sobre quem conseguiria ser o mais inútil na posição de tight end em Indianapolis. Porém, ele recebeu seis TDs em 2016 e oito em 2014, então podemos esperá-lo como uma presença interessante na redzone.

E sobre reforços de verdade, enquanto a torcida dos Patriots acreditava que Julian Edelman era um dos melhores WRs da liga (repetimos: não é. E não venham com aquela catch do Super Bowl), Belichick se mexeu e foi atrás da melhor opção para Tom Brady desde Randy Moss: por uma escolha de primeiro round, o time contratou Brandin Cooks.

Apesar das nossas ressalvas pessoais (não gostamos dele, basicamente e não precisamos explicar os motivos), e de provavelmente ser o terceiro melhor WR em New Orleans, Cooks produziu mais de 1100 jardas nas duas últimas temporadas. Melhor ainda: ele representa uma ameaça as defesas adversárias em passes longos, o que abrirá espaço para as jogadas intermediárias com o próprio Edelman, Chris Hogan e um dos 300 mil RBs da equipe.

Sim, porque empenhado em encontrar a combinação ideal, o time tem 10 jogadores para a posição no elenco. A opção mais interessante ainda deverá ser Dion Lewis, ao menos durante os seis ou oito jogos em que ele participará antes (ou depois) de se machucar. As novas contratações Rex Burkhead e Mike Gillislee (respire fundo e repita comigo: QUEM? 1116 jardas, os dois somados em 2016) deverão brigar por espaço com James White (139 jardas, 3 TDs em 20 toques no Super Bowl, incluindo 14 recepções) – o primeiro mais como receiver, o segundo como trombador. Entretanto, pensando no fantasy, lembre: lá pela 9ª rodada, o RB titular dos Patriots será alguém que hoje provavelmente é o quarto reserva em Dallas ou Minnesota.

Esse dia foi louco.

Quanto a linha ofensiva, sério, torcedor dos Patriots, não tem com o que se preocupar. Os inexperientes, porém seguros, do interior da linha de 2016 estão um ano mais maduros, e enquanto Nate Solder e Marcus Cannon se mantiverem saudáveis, os corredores terão espaço e Brady terá tempo.

Não é delicioso esquecer que Jimmy Garoppolo existe?

É sim, bastante. Se deus quiser ele ficará no banco sem dar as caras esse ano (porque ninguém aguenta mais historinhas Jimmy x Brady sem sentido). Em 2018, Garoppolo será problema do texto sobre algum outro time, que pagará 400 bilhões de dólares para descobrir que ele nem é tudo isso (oi, Jaguars, estamos olhando para vocês).

A magia do tio Bill

Talvez o leitor se deixe enganar por esse ataque, seria compreensível. Mas as coisas que acontecem nessa defesa só dão certo porque, bom, têm que dar. A magia negra obriga que funcionem.

O S Patrick Chung, por exemplo, é a cara do que estamos falando: absolutamente inútil quando saiu de Boston, bastou voltar para formar uma bela dupla com Devin McCourty. O undrafted Malcolm Butler, que surgiu para o mundo no Super Bowl XLIX com a interceptação mais inesperada da história, se tornou um CB mais do que sólido – mas não o suficiente para receber um grande contrato do tio Bill.

Aproveitando-se do espaço no cap, New England roubou Stephon Gilmore do rival Buffalo com um mega-contrato de 5 anos e 65 milhões (mesmo que, pra gente, ele não está nem entre os 15 melhores Corners da NFL); para completar a secundária, NE conta também com o retorno de Eric Rowe, que deve trabalhar principalmente no slot.

No front seven, ano passado o time deixou ir (na verdade, trocou) seus até então dois melhores jogadores: Chandler Jones (pass rusher) e Jamie Collins (linebacker puro). Somente Dont’a Hightower (aparente crush de Belichick) teve seu contrato renovado: 35,5 milhões em 4 anos. Como LB típico para marcar a corrida, o time trouxe o veterano David Harris (dispensado pelo Jets!), que mesmo aos 33 anos se sentirá renovado saindo de um time medíocre para sonhar com um Super Bowl no maior rival.

Se juntas já causa, imagina juntas.

A linha defensiva sim deveria ser motivo para preocupação – supondo que fosse um time normal. Alan Branch e Malcom Brown até deverão manter a solidez no interior, e a escolha de quarta rodada de 2015, Trey Flowers, produziu sete sacks em apenas oito partidas como titular em 2016.

Entretanto, a grande aposta para correr atrás dos QBs adversários fica por conta de Kony Ealy, que mesmo tendo muito hype no draft de 2014, acabou não conseguindo se estabelecer como titular em Carolina (com exceção do seu desempenho nos playoffs de 2015, na verdade, ele tem sido bem merd*) – fica a curiosidade pelo que, em seu último ano de contrato rookie, as mãos de Bill Belichick e Matt Patricia conseguirão tirar dele.

Previsão: 13-3, para ser humilde. Brady deverá começar voando, mas administrará o braço, estratégias e um tropeço em Tampa é bem possível. Com nove vitórias até a décima rodada, a divisão já estará garantida antes mesmo do time encontrar-se com Miami ou Buffalo. Jogar em Denver, no México (contra Oakland) ou em Pittsburgh não deverão ser tarefas fáceis, mas obter duas vitórias nesses três jogos é possível, o que até permitiria que Jimmy Garoppolo jogasse bem as duas últimas semanas (em casa contra Bills e Jets) para deixar Brady fresquinho. Polêmica para os playoffs!

Esqueçam Tony e Jimmy: tudo o que o Bills precisa está em Tyrod Taylor

A temporada de 2016 chegou ao fim da maneira mais eletrizante possível, com um dos melhores Super Bowls dos últimos tempos. Infelizmente, junto com ele vem a depressão que chamamos de inter ou pré-temporada, afinal, como já disse Belichick, o trabalho para 2017 já começou na segunda feira passada: o show não para.

Mas como preencher o grande vazio em nossos corações. Explorar outros esportes? Priorizar outras partes importantes da vida? Obviamente não. Vamos especular fatos que podem acabar não acontecendo, criticar decisões que podem acabar sendo as corretas e tudo isso envolvendo a principal peça de cada time: o quarterback.

Logicamente, se já nessa época da temporada seu time não tem definido quem será o titular que o levará aos playoffs, saiba que tudo começará mal. Pare de ler um instante e confira os participantes dos últimos SBs: nos últimos 30 anos, somente Trent Dilfer, que venceu o SB XXXV pelo Baltimore Ravens, chegou no time e no mesmo ano disputou (e no caso dele, ganhou) o grande jogo. Para colaborar com a história, ele foi dispensado no ano seguinte, o que prova que ele mais “não atrapalhou” do que realmente ajudou aquela incrível defesa campeã.

Entretanto, existem times que acham que podem repetir o feito dos Ravens – e, inevitavelmente, irão quebrar a cara tentando. Com vocês, a participação especial do Buffalo Bills, que sequer chegou aos playoffs nas últimas 17 temporadas, pior marca da NFL, querendo se livrar de Tyrod Taylor – o QB que, provaremos, é melhor do que as demais opções.

Além de tudo, com o salário “mixaria” que deverá ter: US$ 27.5 milhões garantidos apenas por quatro anos. Lembra do salário do Osweiler? Não olharei porque não quero me deprimir. Enfim, tudo o que Bills deveria fazer era nada e deixar o contrato ativar-se no dia 12 de março de 2017. Mas parece que Buffalo resolverá “tomar uma atitude”.

Spoiler: será uma grande besteira.

“Confiem em mim, porra!”

Por que optar pela imobilidade

E quando falo em imobilidade, quero dizer que os Bills não deveriam fazer nada e não que eles deveriam trocar o veloz Tyrod Taylor pelos pocket passers que estão como opção no mercado. Primeiramente, vamos ter claras as opções: Jay Cutler deve ser dispensado, mas não seríamos loucos de propor um absurdo desses a qualquer time, o tempo de Cutler já passou e ele fracassou. Já Kirk Cousins também pode acabar sem contrato, mas os Redskins serão obrigados a dar os 20 e poucos milhões de dólares que ele peça simplesmente porque é assim que a vida funciona.

Também temos a classe de rookies, que pode ser resumida em um “talvez um ou outro se torne um bom jogador, mas certamente não será em 2017”.

Isso tudo acabará restringindo nossa discussão a dois QBs de mesma origem: Eastern Illinois, universidade que basicamente tudo o que produziu de útil para o mundo da NFL dentro das quatro linhas possivelmente estará restrito a estes nomes: Tony Romo, quarterback de melhor rating e pior ombro da história da NFL, e Jimmy Garoppolo, mais um rostinho bonito, desses que estão em falta na liga. Mas entre estes nomes, a decisão sábia seria manter Taylor.

Primeiro, porque os dois devem custar escolhas do draft para consegui-los. Jerry Jones pode até ser amigável e imitar o que Indianapolis fez com Peyton Manning, dispensando Romo por gratidão para que ele possa estender um pouco mais sua carreira (ainda que declare o contrário, já que “Romo ainda pode ser útil”, “me doeria muito vê-lo com outra camisa” e blablabla). Mas Garoppolo certamente não sairá de graça. Sequer barato. Porque quem manda em Garoppolo é Belichick e “it’s all business”.

Estabelecidos custos, ainda há mais motivos para não ir atrás de Romo. Com Romo, o seu time deve estar pronto para tentar o Super Bowl por dois ou três anos, para em seguida começar todo o processo de buscar uma solução na posição novamente (ou ficar preso com um QB que nunca se sabe quando te deixará na mão, não é mesmo, Arizona Cardinals?).

Mais do que isso: uma pancada bem dada e você acaba na mão de um reserva medíocre como estava em março. Tudo bem, você pode até acreditar que o próximo ano será saudável para Romo, mas 2016 também deveria ter sido. E melhor ainda: os números de Dak Prescott, que mantiveram Romo no banco em 2016, foram os seguintes: 1,8 TDs, 0,5 turnovers e 247 jardas por jogo. Os de Tyrod Taylor? 1,5 TDs, 0,5 turnovers e 240 jardas por jogo, sem o seu melhor alvo e sem a melhor OL da liga – aliás, muito longe disso.

Jimmy Garoppolo tem um asterisco ainda maior ao lado do seu nome. Em apenas duas partidas, ele certamente pareceu muito bom, dominante, seguro. Mas extrapolar de 2 a 16 é sempre temerário, como aprendemos todos os anos na NFL. Essencialmente, Garoppolo ainda é um rookie em termos de tempo de jogo, o que clama por erros estúpidos até ele se acostumar com a vida real.

A lógica também diz que quarterbacks de segunda rodada não chegam prontos à liga e precisam sofrer para crescer. Somados a isso, voltemos a Belichick: se talvez nem Tom Brady seria Tom Brady não fosse o trabalho de Bill, por que vamos nos deixar levar pela mesma situação que produziu pérolas como Matt Cassel e Brian Hoyer?

Por que Tyrod Taylor?

Seguindo o raciocínio aplicado a Garoppolo, Tyrod Taylor está entrando em seu terceiro ano prático de NFL. Obviamente, seus quatro anos em Baltimore após ser escolhido na sexta rodada do draft de 2011 (aquele maravilhoso, de Locker, Gabbert e Ponder) lhe ajudaram a se acostumar à velocidade do football profissional, mas observando sua produção nesses anos anteriores, percebe-se que ele também não teve snaps significativos na posição, algumas vezes até sendo utilizado como running back ou em trick plays. Desta forma, sua carreira começou com Rex Ryan em 2015, após assinar um contrato de apenas três milhões de dólares em 2 anos e ainda assim vencendo uma disputa contra E.J. Manuel e Matt Cassel pela titularidade.

Com boas atuações enquanto efetivamente “aprendia” a ser um QB titular, especialmente protegendo a bola e não se “auto-destruindo” em nenhum jogo, elevando o nível da estrela do ataque, Sammy Watkins, ao final da temporada de 2015 Taylor recebeu um novo contrato, de possíveis 6 anos/92 milhões de dólares (15,3 ao ano, 16º na NFL), com letras pequenas que diziam: “esse contrato só valerá após o final de 2016, caso os Bills não decidam dispensá-lo e ir atrás de outro QB”.

Bora lá, caras…

2016 veio e, não surpreendentemente, sua produção foi praticamente a mesma. Entretanto, tudo o que deu errado para o time (como acabar a temporada com apenas 7 vitórias) acabou caindo na conta do jogador – que cometeu mais de um turnover apenas uma vez, enquanto a defesa de Rex Ryan definhava (19ª em jardas, 16ª em número de pontos) ou Greg Roman, seu coordenador ofensivo, era demitido após a segunda semana de temporada. Também é válido lembrar que Tyrod manteve sua produção tendo como principais alvos disponíveis o TE Charles Clay e o RB LeSean McCoy, já que Robert Woods e Sammy Watkins somaram “18 starts” e 79 recepções apenas, números que deveriam ter individualmente.

Ainda assim, seus números foram acima da média (3 TDs para cada turnover é, insistimos, trabalho de alguém que merece ser titular na NFL), somados a flashes de que não é um mero QB medíocre, como contra a sempre assustadora defesa de Seattle. Inclusive o quarterback dos Seahawks, Russel Wilson, é facilmente uma das melhores comparações do potencial que Taylor pode alcançar, assim como RGIII ou Michael Vick que, coincidentemente, saiu da mesma universidade, Virginia Tech.

Observem: ainda que às vezes percam as jogadas mais fáceis, como aquele tight end livre entre os safeties e os linebackers (com uma leve insistência em lançar para os lados do campo), têm a capacidade de lançar bombas a 50 jardas (quando tem WR capaz de recebê-las) e são tão perigosos com os pés, tanto para escapar de sacks claros como para produzir corridas absurdas dignas de running back – o que, sabemos, é uma ameaça que sempre ajuda o verdadeiro corredor, vide as 5.4 jardas por corrida de LeSean McCoy.

Tudo isso de maneira frequente, não somente em situações esporádicas. Além disso, podemos notar dois problemas também comuns aos quatro: a altura abaixo do ideal (o que ainda, sabe-se lá os motivos, broxa muitos front-offices da NFL) e a necessidade de que o OC se adapte ao jogador que tem. Mas quando seu QB pode fazer isso qual a dificuldade em se adaptar?

Para mim, especialmente com o salário devido, Taylor é uma melhor opção que Kirk Cousins. Ele não se apoia em bons recebedores nem em uma grande proteção. A consistência que ele tem com suas habilidades mostra que você pode criar um bom ataque ao seu redor. Ele não é um Jay Cutler, é um cara que pode criar jogadas, estendê-las e melhorar os jogadores que tem no seu time”, declara Cian Fahey, colaborador do site Pre-Snap Reads e autor de um livro com estatísticas após observar cada snap de cada QB da liga.

Os coaches

Existe um problema a mais em relação a Tyrod ficar em Buffalo: por mais que saibamos que Rex Ryan era um estorvo, Taylor era um de seus homens, desde quando ganhou a posição em 2015. “Nós acreditamos que temos um grande jogador em Tyrod, mas também um líder”, enfatizava o antigo treinador, antes da última temporada, sobre a crença no jogador e em sua evolução.

Entretanto, uma das principais razões para a demissão de Rex antes do fim da temporada também foi sua fidelidade a Taylor, já que os Bills, sem chances de chegar aos playoffs, queriam que o jogador não disputasse o último jogo da temporada sob o risco de sofrer uma lesão (na verdade, agravar uma lesão já existente no seu ombro) que garantiria o seu contrato. Demitido o head coach, Tyrod esquentou o banco.

Sean McDermott, o novo treinador em Buffalo, por outro lado, chegou com declarações políticas sobre Taylor: “Tomemos o nosso tempo para tomar decisões em relação à uma posição tão crítica”. Apesar disso, Rick Dennison, novo coordenador ofensivo da equipe de McDermott, é conhecido por utilizar um ataque West Coast, que poderia servir bem para Taylor, ainda que o treinador tenha mais experiência em trabalhar com jogadores mais “tradicionais”, mesmo que de diferentes níveis, como Peyton Manning, Jay Cutler e a aposta em Trevor Siemian.

De qualquer forma, fica estabelecido que Taylor será uma boa opção e que fará algum time feliz em 2017, seu terceiro ano como titular, normalmente um período de breakout para muitos jogadores. Palpite? 4 mil jardas totais e um ratio de 5 TDs para cada turnover, além de finalmente aterrorizar nos playoffs. Resta saber se os Bills serão sábios o suficiente para serem os vencedores dessa brincadeira ou Tyrod levará seus talentos para algum outro lugar – que não seja Cleveland, que não seja Cleveland, que não seja Cleveland…

Para esse time, o único preview que importará é dos playoffs

“Deflategate is finally over”, era o anúncio que ecoava pelos jornais e sites esportivos quando finalmente Tom Brady desistiu que ia deixar de lutar contra a suspensão de quatro jogos pelos incidentes da já longínqua final da AFC da temporada de 2014, em que bolas murchas ajudaram (ou não) o time de Boston a bater os Colts por uma ampla margem de 45-7. Além disso, Bill Belichik também perdeu sua primeira escolha no draft deste ano e a quarta de 2017, o que pode ter sido mais um fator motivador para trocar Chandler Jones (mais sobre a seguir). Dessa vez, após muito drama, reviravoltas e julgamentos, o comissário Roger Goodell levou a melhor.

Outro acontecimento importante da offseason dos Patriots foi a mencionada troca do pass-rusher Chandler Jones, responsável por 12.5 sacks em 2015, pelo guard Jonathan Cooper, sétima escolha do draft de 2013 e por uma escolha de segundo round em 2016 (novamente trocada, resultando no G Joe Thuney e no WR Malcolm Mitchell). Jones, o principal responsável para colocar pressão no QB nessa defesa, foi trocado especialmente porque Belichik buscava ter mais opções no draft e, principalmente, porque Belichik considera mais importante renovar com os LBs Donta Hightower e Jamie Collins (também em ano de receber um novo contrato), acreditando que não teria salary cap suficiente para manter os três – e ao invés de perdê-lo de graça no final da temporada, preferiu apostar em um guard cheio de potencial, mas com problemas com lesões, e em dois jogadores aparentemente medianos (mas sabemos que o Lord Sith pode produzir sua mágica nesses tipinhos) no draft.

WaterBoy

Water boy, muso das sidelines. QB reserva nas horas vagas.

Não vai acontecer de novo

O ano era 2001, o QB e titular indiscutível Drew Bledsoe havia assinado um contrato de 10 anos e (então recorde) 103 milhões de dólares, quando, no segundo jogo da temporada, sofre hemorragia interna após um tackle de um jogador dos Jets e é substituído pela escolha 199 do draft do ano interior. O resto, como dizem, é história: Bill Belichik tomaria nas rodadas seguintes uma decisão discutível, mas certeira, Tom Brady seria o MVP do Super Bowl daquele ano e o aparentemente intocável e ídolo da torcida nunca mais vestiria a camisa dos Patriots, trocado para o Buffalo Bills.

15 anos depois, tudo o queríamos era ver um pouco de história se repetindo – quase não nos importaria ver os Patriots campeões do Super Bowl de novo desde que Tom Brady estivesse vendo tudo de fora com cara de bunda. Infelizmente, não parece que vai acontecer. Jimmy Garoppolo terá a primeira oportunidade de ser titular em jogos de verdade na NFL e sofrerá um batismo de fogo jogando contra as ferozes (e inclusive contra o ex-companheiro Chandler Jones) defesas de Cardinals, Texans e Bills. Mais do que isso, seus números (7 TDs, 3 INTs, 7,4 jardas por passe) em sete jogos contra defesas medíocres em pré-temporada não empolgam.

Com atuações pouco espetaculares, mas eficientes (Bill Belichik fez Matt Cassel produzir uma campanha 11-5), de Jimmy Garoppolo (palpite: 10 TDs, 5 interceptações, e trocado para algum time desesperado e pouco inteligente por uma escolha de segundo round ano que vem. 2º palpite: Washington Redskins), é provável que os Patriots comecem com uma campanha de pelo menos duas vitórias antes que Tom Brady retorne para levar New England mais uma vez aos playoffs.

O motor rumo aos playoffs

Falando em Brady, era de esperar que o jogador estivesse começando a fazer a curva agora que está chegando aos 39 anos. Entretanto, jogando de maneira inteligente e eficiente (4770 jardas, 36 TDs e somente 7 interceptações em 2015), aproveitando-se dos passes curtos e rápidos, além do entrosamento criado ao longo dos anos com o monstro TE Rob Gronkowski, seu alvo favorito e sério candidato a mais de 15 TDs todos os anos enquanto saudável (a vida de festeiro sempre parece roubar-lhe alguns jogos da sua condição física todos os anos), e o seguro WR Julian Edelman (692 jardas e 7 TDs em apenas 9 jogos), Tom afirma que pretende jogar até os 45 anos.

Além dos alvos tradicionais, o quarterback contará com ainda mais ajuda do que teve em 2015. O WR Chris Hogan e o TE Martellus Bennett foram trazidos para tentar emular jogadores que fizeram sucesso na equipe no passado e que até agora não foram substituídos a altura: o eterno WR Wes Welker e o complemento perfeito de Gronkowski, o hoje preso TE Aaron Hernandez. O time da Nova Inglaterra também contará com o retorno de um saudável RB Dion Lewis, que impactou a NFL com sua habilidade em evitar tackles (os famosos dibres) e grande produção em apenas sete jogos.

Brady também deverá contar com melhor proteção após ser destruído na final da AFC pela defesa dos Broncos, já que o T Nate Solder estará de volta após atuar em apenas quatro jogos em 2015. Além disso, a competição que adicionou os dois novos guards já mencionados (Cooper e Thuney) aos titulares medianos (Tre Jackson e Shaq Mason, rookies em 2015) só pode ser benéfica para escolher os melhores à frente de Brady. Entretanto, perder Sebastian Vollmer na segunda semana da pré-temporada deverá ser um grande golpe à linha, já que Marcus Cannon não parece ser um RT capaz na NFL – nem parece possível que o time encontre um substituto melhor a essa altura.

Apostando em veteranos

As grandes perdas dos Patriots essa temporada parecem concentrar-se no lado defensivo. Além de Chandler Jones, o time também perdeu o DT Akiem Hicks (para os Bears) e dispensou o DT Dominique Easley por causar problemas no vestiário. Para resolver o problema de falta de opções na linha, Belichik contará com dois novos veteranos que já demonstraram qualidade, mas não tiveram no seu melhor em 2015: o DT Terrance Knighton (de Washington, mas que jogou bem pelos Broncos) e o DE Chris Long (titular em apenas cinco partidas pelos Rams ano passado).

Atrás deles, os já comentados LBs Collins e Hightower devem repetir as boas atuações da temporada anterior, e para complementá-los e tentar adicionar um pouco de profundidade ao grupo, foi trazido o bust Shea McLellin, em uma tentativa de que o HC faça dos seus milagres. Na secundária, caberá ao sempre presente S Devin McCourty e ao herói do Super Bowl XLIX Malcom Butler, oposto ao CB Logan Ryan, tentarem compensar a fraca linha defensiva que os Patriots devem ter esse ano.

BUTLEY

Jogada que permitirá uma carreira de 10 anos a Malcolm Butler.

Sempre importante lembrar: Bellichik tem fama de tirar leite de pedra e fazer jogadores medíocres parecerem elite. Logo, não nos deve surpreender se essa defesa aparentemente mediana acabar entre as 10 melhores no final das contas.

Palpite: 13-3, folga na primeira rodada dos playoffs e a lenda continua. Jimmy Garoppolo continua só sendo lindo no banco a partir da quinta rodada e Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.