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Um peru amargo, um golpe de marketing e um time ruim

Você deve se perguntar porque diabos, ano após ano, o Lions passa vergonha no dia de Ação de Graças. A resposta óbvia é, que bem, é uma tradição – e todos sabemos que tradições devem ser respeitadas. Então, todos os anos, desde 1934 – excetuando uma pequena interrupção durante o período da segunda Guerra Mundial -, o Detroit Lions entra em campo na quinta-feira de Thanksgiving.

O fato é que hoje os Lions não são sinônimo de muitas coisas boas, então talvez a associação com o dia de “Ação de Graças” seja a melhor delas.

História

Há quase oito décadas, na última quinta-feira de novembro, Detroit se divide entre perus e a bola oval – seja nas épocas boas (qualquer ano com Barry Sanders carregando a pelota em direção ao nada), ou nas más (volte na linha do tempo até 2008 e relembre a gloriosa temporada 0-16).

A tradição, porém, começou com um golpe publicitário de fazer inveja a qualquer agência descolada da Vila Olimpia (SP) nos dias atuais: em 1934 os Lions estavam em sua primeira temporada em Detroit, após deixar Portsmouth (Ohio), ainda como Spartans; uma bela cidade, dizem os registros, mas pequenas demais para uma franquia da NFL.
Mas, mesmo com uma campanha com 10 vitórias e apenas uma derrota, os registros de público eram constrangedores: em média 10 mil #guerreiros acompanhavam o time, em uma cidade cujo a grande paixão era o baseball – o próprio Detroit Tigers tinha vencido um bilhão de jogos naquele distante ano, ocupando todo o espaço no coração daquele sofrido povo de Michigan.

À essa altura ainda havia esperança.

Desesperado para parar de passar vergonha, George A. Richards, proprietário de uma rede de rádios e que havia comprado a franquia e a levado para Detroit teve então a brilhante ideia de “adiantar” o duelo contra o Bears alguns dias – além de usar sua influência para que mais de 90 estações de rádios ao redor dos EUA transmitissem a partida.

Detroit, claro, perdeu, mas uma multidão para os padrões da época (26 mil desocupados) passou pelas catracas, além de muitos (10 mil, esses ainda mais desocupados), terem acompanhado a partida nos arredores do University of Detroit Stadium.

Hoje o Lions tem um campanha de 36 vitórias, 39 derrotas e 2 empates em jogos no dia de Ação de Graças. Entre 2004 e 2012, aliás, uma sequência de 9 derrotas – interrompida por quatro animadores triunfos nos anos seguintes. De qualquer forma, frustrar uma torcida também parece ser tradição em Motor City.

Tradição

Por que passar o feriado mais importante do país sentado ao longo da avenida Woodward enquanto suas extremidades congelam lentamente? Tradição e família, responderá qualquer morador de Detroit, que chegou à Woodward antes mesmo das 8 horas da manhã.

Um povo sofrido.

Então resta acompanhar um dos maiores desfiles do país por cerca de três horas e entao rumar para o Ford Field, assistir o Lions. A casa da franquia, aliás, traz um pouco de calor: é um dos estádios mais charmosos da NFL e, quase como aquela sua tia simpática, o presenteia logo na chegada.c

Dias antes do jogo, em entrevista à imprensa local, o S Glover Quin foi questionado sobre sua memória favorita do dia de Ação de Graças: “Vencer, eu acho. Eu estou invicto”, respondeu. E até então, o Lions vinha com uma campanha incrível em novembro sob o comando de Jim Caldwell (11 vitórias e 3 derrotas, desde 2014). Aliás, com Caldwell como HC, foram 4 vitórias na tradicional data.

“O duelo contra o Eagles foi muito divertido”, relembrou o QB Matthew Stafford, se referindo a partida de 2015. “Sempre que você vence, o peru tem um gosto melhor”, completou.

Naquele dia, Stafford completou 27 passes em 38 tentativas, para 5 TDs e mais de 300 jardas. E, bem, foi um bom dia em Detroit.

Ganhar é melhor que perder. Mas perder faz parte. 

“Tudo bem perder”

Nesta quinta-feira de Ação de Graças o Lions recebeu o Vikings, disputando o topo da NFC North, já que o Bears não merece ser levado a sério e o Packers sem Aaron Rodgers é, na melhor das hipóteses, um amontado de figurantes de The Walking Dead.

E o Lions perdeu, é claro. Como quase sempre perde. Stafford foi irreconhecível nos primeiros trinta minutos e Jim Caldwell ainda não percebeu que tem um time física e mentalmente incapaz de correr com a bola. Mesmo assim, Eric Ebron não dropou nenhuma bola, chocando a torcida local em um claro milagre de Thanksgiving.

A calmaria antes da tempestade.

Mas, por um momento, Detroit empatou o jogo nos instantes finais, bloqueando um FG e retornando-o para TD (confira o lance aqui). Durante aqueles poucos segundos, desconhecidos se abraçaram, o Lions ganhou alguns novos torcedores e tudo fez sentido – mesmo que na realidade, Darius Slay tenha cometido uma falta e Nevin Lawson tenha corrido 85 jardas em vão.

Quando falamos que desconhecidos se abraçaram, não mentimos. Essa foi a nossa reação na arquibancada. Como assistimos o jogo atrás do Goal Poast (o popular “Y”), não deu para ver a falta que eventualmente anularia a jogada. Por isso, fomos do êxtase à decepção em questão de segundos. Ouça como foi:

Por muito tempo, o jogo de Ação de Graças trazia consigo uma dualidade para Detroit: uma equipe horrível em campo, mas que por um dia o país pararia assisti-la. Perder, no esporte, normalmente lhe faz mais forte e, de qualquer forma, jogar (e perder) no maior feriado nacional, ano após ano, provavelmente seria uma tradição insignificante para torcedores de Patriots, Packers ou Steelers, franquias acostumadas aos holofotes e ao frio de fevereiro.

Mas ir ao Ford Field após congelar na Woodward Avenue ainda é a única a coisa que os Lions têm – e, graças a Deus, esporte não é sobre vencer.

Porque, eventualmente, as coisas têm que dar certo

A maldição de Bobby Layne

Bobby Layne comandou Detroit em três títulos da NFL, até ser trocado em 1958. Ele havia se machucado na última temporada, e os Lions decidiram mandá-lo para Pittsburgh. Ao deixar a cidade, Layne praguejou: seu ex-time não venceria mais nada por 50 anos.

Dito e feito. No intervalo da “maldição”, Detroit só venceria um jogo de playoff – em 1991, o suficiente apenas para não ser a franquia há mais tempo sem vencer na pós temporada. Desde aquela partida, são oito viagens aos playoffs. E oito derrotas.

A maldição deveria terminar em 2008. Naquele ano, a torcida até acreditou que o azar havia acabado, com um grand finale digno de cinema: a temporada marcou os Lions para sempre na história, como o único time a perder todos os dezesseis jogos. Dali pra frente, não dava para cavar mais fundo. A franquia só podia ir para cima. Porém, como não estamos em Hollywood, Detroit até melhorou nos anos subsequentes, mas nada que fizesse o torcedor bater no peito com o orgulho e bradar: “Aqui é Lions, PORRA!!!

Força, amigo.

A desgraça, ela é eterna

Todo time é feito de ídolos. Sem eles, você acaba sendo um New England Patriots: a menos que o melhor técnico de todos os tempos e um menino de ouro salvem a franquia do anonimato, ninguém conhecerá sua história.

Antes que você, torcedor dos Patriots, destile seu ódio nesse texto sobre o Lions, pare para pensar em quantos ídolos você conhece antes de Brady – não vale citar Drew Bledsoe.

Nota da edição: Procuramos por Patriots Idols no Google Imagens e só vimos fotos de jogadores recentes ou da década passada. Então deixamos essa menção aleatória ao time de New England passar.

Mas, e se os ídolos do seu time resolverem parar de jogar por ele, porque simplesmente não aguentam mais? É o caso dos Lions.

Barry Sanders, o maior ídolo da franquia, resolveu se aposentar porque estava insatisfeito com a incapacidade dos Lions de montar um time competitivo. “Era difícil me manter focado em motivado“, Sanders contou em seu livro, que revelou para o mundo o verdadeiro motivo de sua aposentadoria.

Com Calvin Johnson Jr. não foi diferente. O jogador, que abandonou a NFL quando ainda poderia produzir muito, também demorou, mas revelou os motivos de sua aposentadoria: “Não via a chance de eles ganharem um Super Bowl na época. Pelo trabalho que eu fazia, não valia meu tempo continuar batendo a cabeça na parede, e não chegar a lugar nenhum.”

Não os culpamos.

O messias e seus amigos

Finada a maldição de Bobby Layne, os Lions esperam que um homem leve a franquia de volta para o caminho das vitórias: Matthew “is he worth it?” Stafford. Stafford é o quarterback de Detroit desde 2009, quando foi escolhido na primeira escolha geral do draft. Hoje ele é o jogador mais bem pago da liga – amanhã será outro QB de outro time desesperado.

Matthew é um bom jogador, mas possui números bastante questionáveis quando joga contra times com um winning record. Ao menos é a maior certeza que o time tem na posição de quarterback desde que as cores existem.

A banda agora é de um homem só.

Jogando na posição de running back, os Lions contam com Ameer Abdullah e Theo Riddick. O primeiro é mais eficiente correndo com a bola, enquanto o segundo é melhor recebendo passes. Se eles conseguirem se manter saudáveis (não foi o caso em 2016), o backfield pode ser bastante produtivo. Ao menos Zach Zenner, atualmente o segundo melhor RB branco da liga, se mostrou um backup razoável.

O corpo de WRs será comandado por Golden Tate, um dos jogadores mais divertidos da NFL. Marvin Jones Jr, porém, irritou muito a torcida no ano passado, mas já teve seus momentos de destaque. Fecha o grupo Kenny Golladay, que, após jogadas brilhantes na preseason, entrou no radar de muita gente como futuro membro do Hall da Fama – o futuro sem Calvin Johnson realmente não parece muito empolgante. 

Não espere, neste site, mais uma take do tipo “esse é o breakout year do Eric Ebron!“. Nós não diremos isso, porque não será. E é bem possível que Michael Roberts, escolha de quarta rodada esse ano, se destaque mais que ele.

A linha ofensiva foi reforçada durante a offseason, mas perdeu o OT Taylor Decker, que só deve voltar de lesão no meio da temporada. Para o seu lugar, o time trocou dois bonés por Greg Robinson, que é péssimo. Será a missão de Graham Glasgow, Travis Swanson, TJ Lang e Rick Wagner consertar suas eventuais cagadas. Eles são bons jogadores, se pelo menos isso serve de alento.

Tentando ser boa pela primeira vez na história

Começando pela linha defensiva, a defesa de Detroit está repleta de incertezas. A’Shawn Robinson, escolha de segunda rodada em 2016, e Haloti Ngata, já em final de carreira, jogam pelo meio. Com a perda de Kerry Hyder, Ziggy Ansah deve ser o único pass rusher de destaque da equipe.

O corpo de linebackers não era bom, e os reforços que vieram também não são certezas absolutas, o que preocupa. Jarrad Davis não foi a escolha mais empolgante da primeira rodada desse ano, e Paul Worrilow também é recém-chegado, mas vem de uma temporada decepcionante em Atlanta – onde perdeu a titularidade. Tahir Whitehead teve um bom ano em 2016, e talvez seja o jogador mais confiável do grupo.

A secundária é comandada por Darius Slay, um dos melhores cornerbacks da liga. Opostos a ele, Nevin Lawson e Teez Tabor, escolha de segunda rodada, devem revezar a titularidade. O safety Glover Quin tem sido um bom jogador em Detroit, e agora jogará ao lado do pouco-inspirador Tavon Wilson.

Palpite: O time dos Lions não empolga. A ida aos playoffs no ano passado foi algo aleatório, e esse ano a briga será para não ser o pior time da divisão. A equipe conseguirá vencer no máximo meia dúzia de jogos em 2017. A ideia de ser grande vai continuar para o futuro. Essa também será a última temporada (graças a Deus) de Jim Caldwell como um head coach da NFL. 

De Peyton Manning a Andrew Luck: mesmos erros, mesmas histórias

Com a primeira escolha geral do draft de 1998, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Peyton Manning, de Tennessee. Com a primeira escolha geral do draft de 2012, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Andrew Luck, de Stanford.

Não é só a posição em que foram escolhidos que aproxima a carreira dos dois melhores QBs que a cidade de Indianapolis já viu. Peyton Manning enfrentou dificuldades nos seus primeiros anos na liga e Andrew Luck também o fez. Peyton teve um head coach questionado no início de sua carreira, Andrew ainda o tem. Manning comandava um ataque explosivo quando jovem e Luck ainda o faz.

Esses aspectos em comum trazem a tona a seguinte questão: por que o Colts não consegue aproveitar seus jovens quarterbacks ao máximo? Por que um time que contou com Peyton Manning e conta com Andrew Luck tem um Super Bowl a menos que a franquia que venceu a liga duas vezes com Joe Flacco (aquele!) e Trent Dilfer (quem?) no mesmo período?

Direto do túnel do tempo

Peyton Manning chegou em Indianapolis em 1998, após o time ter uma temporada 3-13. Em seu primeiro ano na liga ele lançou 29 interceptações e os Colts terminaram com o mesmo recorde anterior. Ruim, óbvio, mas aceitável para um rookie, afinal, desde que abandonara Baltimore na calada da noite, a franquia nunca teve uma mentalidade vencedora. A exigência não era a maior do mundo.

Na temporada seguinte o time de Jim Mora terminou o ano 13-3, vencendo 11 dos últimos 12 jogos. Manning foi escolhido para o Pro BowlSecond Team All Pro. Além disso, o RB Edgerrin James despontou na liga e foi escolhido como rookie ofensivo do ano. Mas tal rendimento na temporada regular não garantiu uma boa estreia nos playoffs: derrota por 19-16 para os Titans, jogo em que Peyton completou 19/42 passes, não lançou nenhum touchdown e, mais assustador, correu pra um. Apesar da eliminação, o futuro se mostrava promissor no RCA Dome.

2000 foi marcado pela irregularidade dos Colts e o resultado final de 10-6 evidenciou isso. Mais uma vez, Manning foi Second Team All-Pro e escolhido para o Pro Bowl juntamente com o WR Marvin Harrison e o RB Edgerrin James. Nos playoffs, porém, nova decepção: mais um jogo ruim de seu quarterback (197 jardas e 1 touchdown) e os Colts deixaram uma vantagem de 14 pontos no intervalo escapar para o Dolphins do glorioso Jay Fiedler – uma espécie de Dan Marino ao contrário. Além disso, o kicker Mike Vanderjagt perdeu o que seria o FG da vitória; para se ter uma noção do feito, essa é a vitória mais recente do time de Miami nos playoffs. Sim, há quase 20 primaveras.

Ainda estamos vários parágrafos distantes dessa cena.

Depois de duas derrotas nos playoffs, o técnico Jim Mora – na época o mais velho da NFL – era questionado por não conseguir fazer a equipe dar o “próximo passo”. Nada mudou e a temporada de 2001 foi péssima. A defesa dos Colts permitiu uma média de 30 pontos por jogo, Peyton lançou 23 interceptações e foi sackado 29 vezes, maior marca de sua longa carreira. Após terminar a temporada 6-10, Mora acabou demitido, deixando como legado um dos maiores vídeos da história do futebol americano.

Mudanças (mas nem tanto)

Em 2002, Indianapolis foi buscar o técnico Tony Dungy com o objetivo de consertar aquilo que alguns tinham a audácia de chamar de defesa. Foi também o primeiro ano da equipe na AFC South, depois de 32 temporadas na AFC East. Após 10 vitórias e 6 derrotas na temporada regular, o Colts foi humilhados pelos Jets nos playoffs, perdendo por 41-0. Manning lançou pra 137 jardas e 2 INTs na oportunidade, mesmo tendo novamente sido escolhido para o Pro Bowl naquele ano.

Para curar a ressaca, 2003 foi um grande ano para o time e para Peyton: o time chegou a final da AFC após um recorde de 12-4 na temporada regular. Na vitória por 41-10 no wild card contra os Broncos, Manning teve um rating perfeito (158.3) pela segunda vez na temporada. No Divisional, vitória por 38-31 sobre os Chiefs, em mais um sólido jogo: 304 jardas e 3 TDs. Na final da AFC, uma derrota amarga para os Patriots por 24-14: Peyton foi interceptado e sackado quatro vezes e teve terceiro pior rating da carreira (35,5). Como prêmios individuais, ele foi escolhido 1st Team All Pro, Pro Bowl além de dividir o prêmio de MVP com o também QB Steve McNair.

A temporada de 2004 dos Colts foi marcada por um ataque colossal: 522 pontos totais – os 277 no primeiro tempo dos jogos foi maior que a marca total de 7 equipes naquele ano (para se ter uma ideia, o ataque dos Rams em 2016 marcou 224, ou seja, precisaria de 2,33 temporadas pra alcançar o mesmo que o sistema ofensivo de Indianapolis consegui só em 2004).

Manning lançou ainda 49 TDs, batendo o recorde que na época pertencia a Dan Marino (48), foi novamente MVP, jogador ofensivo do ano, 1st Team All Pro e Pro Bowler. A equipe terminaria a temporada 12-4 e tornaria a vencer os Broncos no Wild Card em mais um grande jogo de seu quarterback: 27/33, 4 TDs 1 INT, uma corrida de 4 jardas pra TD e 145,7 de rating. Já no Divisional, derrota por 20-3 em New England, em partida que a defesa permitiu mais de 200 jardas terrestres e o ataque foi neutralizado.

Mesmo roteiro ou filme repetido? 2005 foi mais um grande ano dos Colts e, como já se tornara habitual, de Manning. O time venceu 14 jogos na temporada regular, incluindo um convincente 40-21 sobre o New England Patriots em Foxborough. Em uma das poucas oportunidades em que lançou para menos de 4000 jardas, ainda assim Peyton teve o melhor rating da liga (104.1). Não foi o suficiente para ser novamente MVP: o camisa 18 ficou atrás de Shaun Alexander na votação. As escolhas para o Pro Bowl e 1st Team All Pro, porém, se mantiveram, além do Walter Payton Man of The Year, conquistado pela primeira vez.

Mas a derrota nos playoffs foi de partir o coração. Enfrentando o último classificado, Pittsburgh, Indianapolis poderia ter passado de fase se não fosse por um jogador esfaqueado que não conseguiu escapar do tackle do ultra-atlético-só-que-não Ben Roethlisberger e um kicker idiota que desperdiçou um chute para empatar a partida com 17s restantes no relógio.

Como o tempo é capaz de curar tudo, 2006 finalmente foi o nosso ano caralho chegou e, com ele, mais recordes foram quebrados: os Colts se tornaram o primeiro time da história a vencer seus nove primeiros jogos em duas temporadas consecutivas. Nos playoffs, Indianapolis derrotou Kansas City por 23-8, em jogo tranquilo. Já no Divisional, em Baltimore, não houve tanta facilidade. Nenhum dos times conseguiu marcar touchdowns e Adam Vinatieri, kicker então recém-contratado, exorcizou todos os demônios imagináveis e marcou 5 FGs na vitória por 15-6.

Era tudo tão mágico que o AFC Championship Game foi um dos jogos mais memoráveis da história. Sério: se você nunca assistiu, assista. Após estar atrás por 21-3 em determinado ponto do jogo, os Colts conseguiram uma dramática vitória por 38-34, em um jogo que contou inclusive com 2 TDs marcados por jogadores de linha ofensiva.

Estávamos diante dos portões do paraíso: o Super Bowl XLI, disputado em Miami contra o Chicago Bears, aconteceu sob forte chuva, que a cada gota que tocava o sagrado uniforme de Indy, lavava anos e mais anos de desgraças intermináveis. No campo, ambas as equipes foram prejudicadas pela bola molhada, mas, no final, o estilo de jogo conservador dos Colts, distribuindo passes curtos, prevaleceu. A franquia e Peyton Manning, finalmente alcançaram o objetivo maior e, enfim, no fundo todos sabíamos que os deuses do football não cometeriam a heresia de permitir que Rex Grossman levantasse o Vince Lombardi.

Ano após ano, nosso time sempre caía. E isso era decepcionante“, disse um emocionado Manning, escolhido MVP da partida. “De alguma forma achamos um jeito de aprender com essas derrotas. E nos tornamos um time melhor por causa disso“, completou.

Aconteceu? É real?

De volta à realidade

Os Colts entraram em 2007 como favoritos para vencer o Super Bowl e o time mostrou sua força no início da temporada. As sete vitórias nos sete primeiros jogos por três anos seguidos foi mais um recorde batido pela equipe. O S Bob Sanders foi escolhido Defensive Player of The Year. Terminando a temporada 13-3, Manning recebeu Phillip Rivers (que mesmo com o ligamento rompido terminou o jogo: abraços, Jay Cutler) e os Chargers naquele que foi o último jogo do RCA Dome. Ele lançou 402 jardas e 3 TDs, mas as 2 interceptações foram custosas na derrota por 28-24, em um duelo de muitas alternâncias de liderança.

Já o início de 2008 não foi muito promissor, mas após 9 vitórias consecutivas, Manning levou os Colts para os playoffs e o seu terceiro prêmio de MVP para casa, além da seleção para mais um 1st Team All Pro. Nos playoffs, o time não conseguiu a revanche contra os Chargers: após empate no tempo normal, San Diego venceu o coin toss e anotou o touchdown na prorrogação.

Para a temporada seguinte, Tony Dungy, técnico hoje no Hall da Fama, se aposentou e em 2009 os Colts contavam com Jim Caldwell como seu novo head coach. Tal mudança no comando não atrapalhou o rendimento da equipe, que terminou o ano 14-2, incluindo uma vitória memorável contra os Patriots, em virada emocionante no último quarto. Peyton foi, pela quarta e última vez em Indianapolis, MVP e 1st Team All Pro, junto com Dallas Clark e Dwight Freeney. Na rodada Divisional dos playoffs, uma vitória tranquila sobre os Ravens em Indy levou os Colts a final da AFC contra os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!). Após começar atrás, Manning comandou a equipe lançando pra mais de 350 jardas e 3 TDs para chegar a seu segundo Super Bowl. Então no quarto SB da franquia, os Colts enfrentaram o New Orleans Saints: derrota por 31-17 na partida que ficou marcada por um onside kick de New Orleans voltando do intervalo e do “retorno pra história” de Tracy Porter.

2010 foi o último ano de Manning como quarterback titular dos Colts. Naquele ano, ele completou 450 passes (melhor marca da história até então, que o próprio Peyton empatou em 2013) para 4700 jardas (também melhor marca pessoal até então) para levar Indianapolis a um recorde de 10-6 e mais uma pós-temporada. Dessa vez, os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!) levaram a melhor no Lucas Oil Stadium, vencendo o jogo com o relógio expirado. E aquele foi o último jogo de Peyton Manning pelo Indianapolis Colts: após múltiplas cirurgias no pescoço, Peyton perdeu toda a temporada 2011 e os Colts acabaram o ano 2-14 (você ainda lembra de Curtis Painter?), assegurando a primeira escolha do draft seguinte.

Um novo começo

A primeira escolha geral do draft de 2012 e as incertezas em relação ao estado de saúde de Manning fizeram com que os Colts dispensassem seu quarterback para ir atrás de uma reposição mais jovem e que, para muitos, tinha potencial parecido com o de Peyton: Andrew Luck.

Recomeçando essa desgraça.

O primeiro ano de Luck na liga foi um ótimo cartão de visitas. O recorde final de 11-5 veio com muitas viradas emocionantes, incluindo uma partida sensacional contra o Detroit Lions e o provável melhor jogo de Reggie Wayne com a camisa dos Colts. Luck foi selecionado para o Pro Bowl e, para alguns, deveria também ter sido o calouro ofensivo do ano. Ele também quebrou o recorde de jardas lançadas por um rookie, com 4374. Além da escolha de Andrew, o Indianapolis selecionou outros jogadores para compor o ataque da equipe, como o WR TY Hilton e os TEs Coby Fleener e Dwayne Allen. Nos playoffs, os Colts não marcaram touchdowns e acabaram derrotados pelos Ravens, que seriam campeões naquele ano, por 24-9.

Como o ano anterior na verdade era visto como um período de reconstrução, as expectativas para 2013 eram ainda maiores. E, apesar de inconsistente, os Colts fizeram uma boa temporada: vitórias sobre os finalistas da NFC Seahawks e 49ers, além de um jogo inesquecível contra os Broncos no primeiro reencontro de Manning com a equipe. O resultado foi o mesmo do ano anterior: 11-5. Mas Luck teve o seu melhor ano protegendo a bola, lançando 9 INTs, sofrendo apenas um fumble e novamente sendo selecionado para o Pro Bowl.

Já na pós-temporada, o time conseguiu a segunda maior virada da história dos playoffs, revertendo uma desvantagem de 28 pontos em mais um jogo épico que você deveria assistir. No Divisional, a equipe viajou até New England e tomou uma sova: Luck lançou 4 INTs e a defesa permitiu mais de 200 jardas para os RBs adversários, além de seis (sim, SEIS!) touchdowns terrestres.

Está conseguindo encontrar um padrão? Então, lá vamos nós novamente! 2014 foi o melhor ano de Luck na NFL, quebrando recordes e se estabelecendo como um dos grandes nomes da liga: ele bateu o recorde de jardas lançadas da franquia, passando Peyton Manning (4761 x 4700), além de outras marcas importantes. Os bons números e boas atuações eram comemorados, mas faltava dar um passo adiante: contra adversários como New England e Pittsburgh, Indianapolis não conseguia jogar bem, só tomando lavadas. Devido a essa inconsistência, o recorde foi de 11-5 pelo terceiro ano consecutivo.

No Wild Card os Colts jogaram bem e passaram pelos Bengals sem maiores sustos por 26-10. No Divisional a equipe viajou até Denver para enfrentar, mais uma vez, Peyton Manning. Já sentindo a idade, o xerife não jogou bem e os Colts controlaram a partida para vencer por 24-13. O AFC Championship Game, felizmente para os Colts, ficou mais marcado por fatores extra-campo: no jogo que ficou conhecido pelo Deflategate, New England mais uma vez passou o carro sobre a fraca defesa de Indianapolis. Andrew Luck lançou apenas 126 jardas e 2 INTs na derrota por 45-7. E, convenhamos, se as bolas estivessem devidamente infladas não mudaria porra nenhuma.

Novos anos, novas expectativas

Mesmo assim, 2015 chegou com muitas expectativas. As contratações na free agency e a empolgação vinda do ano anterior criaram uma necessidade grande de vencer. Muitos torcedores e analistas usavam inclusive a expressão Super Bowl or Bust. Mas nada saiu como o esperado. Andrew Luck começou o ano de forma irregular, inclusive perdendo alguns jogos por lesão. Quando as coisas pareciam entrar nos trilhos, o QB dilacerou o rim em uma jogada contra os Broncos. Apesar dos esforços do backup Matt Hasselbeck (que também não sobreviveu a linha ofensiva do time até o final da temporada), o ano acabou com um 8-8 e as férias chegaram mais cedo.

Na Black Monday daquela temporada, a expectativa era que o HC Chuck Pagano, então com o contrato terminado, deixasse a franquia. A relação com o GM Ryan Grigson não era das melhores e haviam inclusive relatos de que eles não se falavam. Após uma longa reunião, já no final daquele dia, Pagano e Grigson tiveram seus contratos renovados – vale lembrar que Grigson ainda tinha um ano vigente, mas como uma espécie de “prêmio” pelos bons serviços prestados (HAHAHA), recebeu uma extensão.

Então chegou 2016 e com ele muitas interrogações. Já não se esperava muito daquele mesmo time, e a percepção geral indicava que os Colts só conseguiam bons resultados por jogar em uma divisão fraca. A ideia era consertar a linha ofensiva e reforçar a defesa, os principais problemas da equipe. No draft, quatro OLs foram selecionados, além de outros quatro defensores. Na temporada regular, os Colts perderam muitos jogos no final e/ou por margens pequenas porque, na maioria das vezes, a defesa não conseguiu segurar a vantagem que o ataque construiu.

Andrew Luck ainda perderia um jogo por causa de concussão, além de ser poupado em boa parte dos treinos, mas mesmo assim terminaria o ano com sua melhor taxa de acerto de passe (63,5%) e melhor média de jardas por tentativa completada (7.8); por outro lado igualou o pior número de sacks sofridos na carreira (41, como em 2012): assim, o Colts ficou fora dos playoffs pelo segundo ano consecutivo e pela primeira vez desde 2001 ficou fora da pós-temporada tendo seu QB titular jogando.

Havia a expectativa da demissão de Chuck Pagano, mas ela não aconteceu. Na verdade, quem rodou foi o idiota do Ryan Grigson. Toda esta história apenas nos mostra um padrão, apenas nos evidencia que apenas um Super Bowl nesse longo período está longe de ser o ideal.

Aquela carinha de quem não aguenta mais apanhar.

Mesmos erros, mesmas “desculpas”

Peyton Manning se estabeleceu como um dos maiores quarterbacks da história jogando em Indianapolis, mas diversos fatores que estavam fora de seu controle não permitiram que ele vencesse mais que um SB. Já em quatro anos com o Denver Broncos, o camisa 18 conseguiu os mesmos números do que em 13 temporadas (excluindo 2011) em Indy, quando o assunto é “anéis no dedo”. É, inclusive, emblemático que sua última conquista tenha vindo com ele atuando como coadjuvante, sendo a defesa a grande estrela do time.

Em alguns momentos faltou sorte para os Colts quando Peyton comandava a equipe e podemos dizer que, se não fosse um certo time de New England, Indianapolis poderia ter chegado a mais finais da NFL. Mas também é inegável que faltou competência: o padrão de um sistema defensivo aparentemente mentalmente incapaz de segurar vantagens de 10, 14 pontos nos últimos períodos, além de permitir toneladas de jardas terrestres nos momentos decisivos, é notório.

As semelhanças entre Andrew Luck e Peyton Manning são grandes, mas também é importante ressaltar algumas diferenças. Apesar de não ter as defesas mais fortes da liga, Peyton via algumas estrelas do outro lado da bola em sua equipe: Dwight Freeney, Robert Mathis e Bob Sanders eram capazes de mudar jogos. A linha ofensiva também fazia sua parte e, na primeira metade da carreira, Edgerrin James ajudava muito o ataque. Não podemos esquecer ainda que Tony Dungy era uma grande mente defensiva e Bill Polian entrou para o Hall da Fama na NFL.

Já Andrew não conta com a mesma sorte: o melhor defensor da equipe era Mathis que, no final da sua carreira, já não tinha tanto gás. Vontae Davis teve um grande ano em 2014, mas não mostrou a mesma consistência em outros momentos. A defesa, inclusive, sofre muito para chegar ao QB adversário, o que não era um problema para Freeney. Bob Sanders jogou pouco tempo na liga, mas mesmo assim mostrou mais bola que todos os safetys que os Colts contam hoje no elenco somados. Há, ainda, a questão da linha ofensiva, que paradoxalmente parece tentar matar Luck a cada jogo, e não protegê-lo. Pese também o fato de que o jogo corrido dos Colts só parou de feder em 2016 (não vamos nem falar o que veio antes disso). Chuck Pagano deveria montar uma grande defesa, mas até aqui ele só falhou, e nunca cansaremos de repetir: Ryan Grigson é um imbecil.

A amostragem é menor, mas durante a “era Andrew Luck“, os Colts cometem erros que cometeram com Peyton no início de sua jornada e a insistência com um técnico questionado e a incapacidade de construir uma defesa consistente se destacam. Agora parece que, dessa vez, esses erros se somam a outros ainda maiores: Luck é o QB que mais apanha na NFL e faltam playmakers na defesa.

Tal pai, tal filho.

É claro que não podemos afirmar isto com exatidão, mas em um exercício de imaginação, dá para acreditar que Luck conseguiria levar times como Denver e Seattle ao Super Bowl, como as próprias franquias fizeram nos últimos anos. Ou até mesmo resolver os problemas de equipes que tinham sólidas defesas, mas precisavam de um quarterback, como Bills e Jets em determinados recortes específicos de tempo.

Jim Irsay sabe que tem que aproveitar mais um grande QB em sua franquia e espera que os Colts vençam ao menos dois Super Bowls nessa nova era. Para que isso aconteça, ele precisa tomar as decisões corretas e se livrar de Ryan Grigson foi o primeiro passo. De qualquer forma, é impossível prever o futuro, então resta esperar que Andrew Luck supere as limitações que seu próprio time lhe impõe ou que os Colts, em algum momento, consigam montar uma equipe vencedora ao seu redor. Luck não pode fazer tudo sozinho; na NFL, ninguém é capaz disso.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBR e está procurando um lugar no corpo para tatuar o rosto de Chris Ballard.

Será que ainda restam esperanças sem Calvin Johnson?

A verdade é que quando há uma pergunta no título inicial de um texto, a resposta dela é normalmente um grande e definitivo não. Entretanto, a resposta para a pergunta destas linhas mal escritas é: pô, não havia vida nem com ele – ao menos não muita.

Matt Stafford parece destinado a ser um quarterback eternamente razoável com um braço incrível, Jim Caldwell fez o seu nome na NFL graças ao brilhantismo de Peyton Manning e a defesa não é capaz de parar uma Hail Mary de 63 jardas no último lance de um jogo que garantiria um sweep sobre o Green Bay Packers pela primeira vez em aparentemente nunca.

Além disso, Martha Firestone Ford (neta dos fundadores da Firestone, casada com um descendente do próprio Henry Ford), a dona de 90 anos do time, demitiu o presidente e o GM no meio da temporada, quando o time chegou a uma campanha de 1-7, a pior da NFL, com direito a um discurso apaixonado falando da necessidade de mudança de cultura dentro do time, que nunca sequer chegou a um Super Bowl (e à final da NFC somente uma vez, há 25 anos).

E já que estamos falando da cultura de derrota impregnada no time de Detroit, é válido lembrar que o caso de Calvin Johnson não é exatamente inédito para os leões. Barry Sanders, provavelmente o melhor running back da sua geração, um dos sete únicos na história a correr para mais de 2000 jardas (em 1997), se aposentou aos 31 anos com quatro anos restantes de um contrato de 35 milhões de dólares, possivelmente porque estava cansado de jogar em um time que não tinha grandes ambições ou capacidades; os Lions ganharam apenas um jogo de playoff durante sua carreira – inclusive, o único jogo de pós-temporada ganho pelo time na NFL moderna. Não valia a pena arriscar sua saúde por tão pouco.

O copo meio cheio

A segunda metade da temporada, com uma campanha de 6-2 (sendo uma das derrotas aquela bizarrice contra Green Bay), dá razão a qualquer torcedor que queira ter esperança nesse time; pelo menos mostra que talvez Jim Caldwell e Matt Stafford tenham capacidade de liderar e se motivar mesmo quando jogando “por nada”.

Além disso, o time ainda tem bons jogadores dos dois lados da bola. O genioso Golden Tate (lembre-se, ele e Percy Harvin brigaram no vestiário do Super Bowl 48) continuará sendo o alvo de segurança para o quarterback (189 recepções nos últimos dois anos), enquanto Ahmeer Abdullah (maior número de jardas em retornos de kickoff em 2015) mostrou potencial suficiente para ser o dono do backfield do time essa temporada. A linha ofensiva também promete ser melhor, com o novo draftado Taylor Decker cobrindo o lado cego de Stafford, enquanto o G Larry Warford deve voltar a seu desempenho de 2014.

Do outro lado, Detroit tem alguns candidatos a All-Pro. Ziggy Ansah segue sua evolução enquanto aprende cada vez mais sobre a posição de defensive end, demonstrada pelos seus 14.5 sacks no ano passado, que só prometem aumentar; Darius Slay, depois de uma campanha fraca como rookie, jogou como um legítimo shutdown corner em 2015; e o linebacker DeAndre Levy estará de volta nessa temporada depois de perder 15 jogos da passada.

Acima disso, essa defesa é comandada pelo coordenador defensivo Teryl Austin, provavelmente um dos melhores da liga, inclusive parecendo destinado a um trabalho como head coach em breve.

lions defense

A grande razão de esperança é maltratar os QBs adversários até eles ficarem piores que Stafford.

Quem sabe um copo não tão cheio assim

Apesar de alguns bons pontos, a situação não é nada boa. A primeira dúvida facilmente apontada é se Matthew Stafford capaz de continuar produzindo sem o seu principal alvo. Claro, o rating próximo a 100 do quarterback na temporada pode parecer uma clara indicação de que ele está finalmente chegando ao alto nível na posição, mas se o próprio Aaron Rodgers sofreu na temporada passada sem Jordy Nelson (que não chega perto do nível hall of famer de Calvin Johnson), parece nebuloso o futuro do ataque aéreo de Detroit, por mais que Matthew siga lá produzindo suas 4500 jardas e 25 TDs – em contrapartida, podem aumentar o número de turnovers e ampliar a pressão sobre a defesa, já que o ataque fica menos tempo em campo. E não, por mais que seu contrato de 40 milhões de dólares pareça indicar o contrário, Marvin Jones não tem qualidade suficiente para substituir Calvin à altura.

Ainda como opção para a saída do Megatron, os leões trouxeram o veteraníssimo e sempre confiável Anquan Boldin (apesar dos 35 anos, 371 targets e 3026 jardas recebidas nos últimos três anos pelos 49ers), mas que também já parece destinado a fazer a curva e tornar-se apenas mais uma lenda que se arrasta em campo há alguns anos (pode continuar surpreendendo, mas mais cedo que tarde sua hora deve chegar).

A linha ofensiva, apesar da promessa de melhora, foi especialmente problemática em 2015. Os jogadores Riley Riff e Laken Tomlinson, ambos escolhidos no primeiro round do draft, além do center Travis Swanson, jogaram muito mal no ano passado, e não há exatamente um prospecto de grande melhora entre eles – e o único reforço trazido para a área foi Geoff Schwartz que, apesar de talentoso, tem passado mais tempo no departamento médico do que em campo.

Além disso, a defesa continua a perder peças importantes sem conseguir repô-las. Desde a dupla Suh e Fairley, dois monstros do interior da linha defensiva, que se foram e não foram repostos, criando um vazio no meio, até jogadores complementares importantes como Jason Jones, que jogava do outro lado da linha e aproveitava as oportunidades abertas por Ansah, e Abdul-Quddus, que fazia um bom trabalho na parte traseira da secundária, não houve reposição no mesmo nível.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Talvez o copo esteja vazio

Quando se quer analisar as expectativas para a temporada de um time, além dos 22 titulares, é inevitável observar os principais adversários do time no caminho para os playoffs. E os Lions estão na divisão mais difícil da conferência nacional, quiçá da NFL. Vikings e Packers foram aos playoffs na temporada passada e parecem destinados a jogá-los novamente esse ano; além disso, os Bears se reforçaram muito e também parecem candidatos a ter mais vitórias do que derrotas. O time também terá em seu calendário a cada dia mais forte AFC South, que deverá criar grandes dificuldades.

Palpite: 5-11, Jim Caldwell na corda bamba (talvez demitido; se não, vai ser apenas uma preparação para ser demitido em 2017) e Marvin Jones com o título de bust dado pela imprensa antes da metade da temporada. Vitórias contra Eagles e Rams darão uma sensação de AGORA VAI, mas daí para frente restará aquele sofrimento tradicional.