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Análise Tática #16 – Semana #9: Jared Goff, o ex-bust

Bust é o termo utilizado para denominar jogadores que não justificam em campo a crença neles depositada. Todo o processo do Draft da NFL é baseado em julgar atletas em fundamentos que podem ou não se traduzir no futebol americano profissional (baseado em porra nenhuma).

Jared Goff é um desses casos. Primeira escolha geral em 2016, com direito a uma troca que penhorou o futuro do Los Angeles Rams. O primeiro ano de Goff na NFL foi sofrível. Apesar de Jeff Fisher, o signal caller dos Rams sobreviveu.

A chegada de Sean McVay trouxe um novo fôlego a uma carreira que parecia destinada ao fracasso antes mesmo ter começado direito. Um ataque mais criativo e com leituras mais simples, foi o suficiente para renascer as carreiras de Goff e Todd Gurley, peças principais do time. As chegadas de Robert Woods, Sammy Watkins e o recém-draftado Cooper Kupp (caro leitor, pesquise tweets da época do Draft e você verá críticas ferrenhas a esta escolha) acrescentaram armas para um QB que tem a missão de não estragar tudo. Como dissemos semana passada, técnicos são pagos para maximizar o rendimento de seus atletas, e é exatamente isso que Sean McVay vem fazendo em LA.

Com objetivo de trazer sempre uma perspectiva nova do football ao leitor da coluna, e também para não desgastar o formato, essa semana focaremos no papel de Jared Goff para o esquema dos Rams, utilizando a partida contra os Giants como exemplo. Ao se analisar o desempenho de um quarterback dentro de campo, costumo observar os seguintes traits: mecânica de passe, trabalho de pés, velocidade das leituras e progressão ao longo do campo e o uso dos olhos e corpo para deslocar defensores. Evidentemente, não somos a palavra final e nem pretendemos ser, portanto, o debate é sempre bem-vindo.

Quanto aos atributos físicos, a mecânica do movimento de passe tem por objetivo fazer com que a bola oval entre em espiral e atinja uma velocidade favorável para chegar ao recebedor. Existem vários tipos e técnicas de passe no nível profissional que se adequam à árvore de rotas e a situação descida-distância em campo, mas no contexto geral, o movimento perfeito deve ser curto e encerrando na altura da orelha do QB. O trabalho de pés é importante para que o jogador possua o equilíbrio necessário para executar qualquer um dos passes na jogada, bem como gerar a força que é transferida ao longo do corpo até chegar na ponta dos dedos e ser direcionada à bola.

Quanto aos apectos mentais, o QB deve conhecer a jogada a ser realizada, possibilitando a leitura  do posicionamento da defesa em campo. Novamente fazendo um jabá do livro Take Your Eye off the Ball (ainda estamos esperando o contato, Amazonde Pat Kirwan, em seu capítulo destinado a quarterbacks, o autor menciona a quantidade assustadora de elementos que um jogador profissional precisa processar ao longo da jogada. Primeiramente, deve-se reconhecer o posicionamento e a quantidade de safeties em campo, seguindo aos cornerbacks. Isso permite ao atleta reconhecer o tipo de cobertura e ajustar as rotas, se o mesmo tiver essa liberdade. De forma resumida, em seguida, deverá reconhecer a existência ou não de blitz e de onde a mesma vem, comunicando o ajuste de proteção à linha ofensiva.

É comum observar QBs gritando pré-snap, “54 (ou outro número) is the Mike!”. Isso sinaliza à OL o inside linebacker, ponto de referência dos bloqueios da jogada, corrida ou passe. A partir do momento em que ocorre o snap, o QB precisa processar tudo o que reconheceu na fase anterior da jogada e perceber se o mesmo está realmente acontecendo. É nesse ponto que entra a velocidade das leituras: 2,5 segundos já são suficientes para gerar um sack na jogada, e antes desse tempo, o QB precisa reconhecer padrões de defesa e soltar a bola no ponto certo, um trabalho quase impossível.

Contra marcações em zona, bons QBs movem os jogadores de secundária para longe de onde se desenvolve o melhor matchup em campo com o uso dos olhos. Marcadores em zona observarão para onde o QB está movendo a cabeça, e isso pode ser usado como isca.

Agora depois de todo essa longa e resumida (e ao mesmo tempo, ainda insuficiente) explanação do trabalho de um quarterback da NFL em campo (não é à toa tem tanto cidadão ruim jogando no seu time, caro leitor, o trabalho é difícil mesmo), vamos ao tape. Lembrando que hoje o objetivo não é dizer por que os Rams ganharam dos Giants, e sim observar como Sean McVay está ajudando Jared Goff, e esse por sua vez, o ataque como um todo.

Jogada 1 – Rotas Cruzadas

Uma das formas de ajudar um QB a ESMERILHAR uma defesa é utilizar rotas que se cruzam. Isso faz com que a defesa precise se comunicar devidamente para que ninguém fique livre em uma cobertura em zona, ou que os defensores se atrapalhem entre si no tráfego de uma cobertura mano-a-mano. Aqui, os Rams estão em uma 3rd & 2 na linha de 8 do campo de ataque. Goff em shotgun, stack formation com 1-1 personnel.

Sean McVay abusa das crossing routes, desenhando um padrão que intercala praticamente todos recebedores da jogada, fazendo com que apenas Sammy Watkins execute uma fade route. A defesa dos Giants responde com a tentativa de mostrar uma blitz do nickel corner, que recua. Os demais jogadores de secundária protegem a linha de gol em um padrão semelhante a um cover 3.

Observe que mesmo com alguns tropeções de recebedores, a defesa dos Giants fica confusa com o cruzamento, abrindo um espaço no meio da endzone. Jared Goff executa um 3-step droback. Seu footwork é bem deficitário, mas trabalhando em um ambiente favorável, Goff consegue vender a ameaça de Todd Gurley olhando em direção à sua wheel route. Ele observa que sua OL limpa o caminho em direção ao TE no meio da endzone, projeta seu corpo em direção a essa rota e lança um dagger para o touchdown.

Jogada 2 – A eficiência do No Huddle 

Vimos no texto sobre o drive da vitória dos Raiders contra os Chiefs, que campanhas no huddle, além de clock management, têm por objetivo explorar um pacote errado colocado pela defesa. Por exemplo, caso o adversário esteja esperando a corrida e coloca jogadores mais pesados em campo para contê-la, aproveitar-se do no huddle vale a pena para cansar esse personnel com jogadas de passe.

Além disso, o no huddle também pode ser usado fora de situações de pouco tempo no relógio, aumentando o fator surpresa. Com mesma formação vista no touchdown anterior, o Rams aproveita a tentativa dos Giants (alinhados com formação base de defesa 3-4) em conter a corrida para surpreender com uma big play.

Como é Jared Goff em campo, essa chamada foi feita por Sean McVay via ponto eletrônico no capacete do quarterback (jogadores mais experientes ou melhores teriam a liberdade de escolher a melhor jogada para a situação dentro de um pacote). Ele usa Todd Gurley como isca para a defesa dos Giants, que pressiona com 5 rushers. Enquanto isso, Sammy Watkins executa uma rota vertical. Conceito semelhante ao dagger, porém com rotas saindo de pontos opostos do campo. A quebra de rota de Cooper Kupp deixa Watkins no mano-a-mano com Landon Collins.

O safety dos Giants, fora de posição no início da jogada devido à ameaça de corrida, é batido em profundidade. Sean McVay aproveita-se dos tempos de Goff em Cal, em que executava um ataque da filosofia air-raid, resumidamente se trata de execução de rotas longas. A adição de um bom jogo terrestre permite ao QB explorar o play-action e pegar a defesa desguarnecida. Outro ponto importante dessa jogada é a noção de Goff de onde está a pressão, protegendo-se no ponto oposto ao qual a linha desliza.

Jogada 3 – Queimando a blitz 

Defesas que não encontram respostas em campo costumam mandar mais blitzes que o normal a fim de criar um fato novo. Já outras defesas, como o Titans de Dick LeBeau, o Jets de Todd Bowles e o Cardinals de Bruce Arians baseiam-se em métodos específicos de pressionar o QB com homens a mais que o normal. Para todos esses casos, existe a resposta: ou você tem um jogador da velocidade de raciocínio de Tom Brady ou você precisa ser criativo com as rotas.

Observe as rotas que se cruzam no meio. Elas formam o núcleo de um conceito popular em ataques West coast conhecido como mesh concept. Os Giants sinalizam a overload blitz pelo lado do right tackle, enquanto a secundária está com marcação individual.

Fonte: @ITPylon

No conceito mesh, a marcação individual indica que os recebedores X e Y executantes da shallow-cross devem seguir até o outro lado do campo. O tráfego no box fará com que o recebedor Y esteja livre do outro lado do campo. E é exatamente isso o que aconteceu no MetLife Stadium. Execução de manual de um conceito simples do futebol americano.

Quanto ao trabalho de Goff na jogada, trata-se de um 5-step dropback (conte os passos após o snap, leitor). Quanto ao trabalho de olhos, ele não precisa necessariamente atrair marcadores para determinado ponto do campo, nem conseguiria, já que em marcações individuais, os defensores preocupam-se apenas em acompanhar as rotas – nesse caso, Goff só precisa não ser estúpido o suficiente a ponto de telegrafar o passe. Contra a blitz, o principal fator é a velocidade de processamento da jogada. Observe que o mesmo mantém o olho focado na região em que se desenvolverá o conceito mesh. Goff reconhece o camisa #17 livre após cruzar as hashmarks e manda o passe no mesmo momento em que é atingido pelo pass rusher. Touchdown.

  • Diego Vieira aparentemente capturou os GIFs com uma pedra e obrigou o editor a ir atrás do gametape. 

Deixando o fantasma de Jeff Fisher para trás

Existem grandes momentos. E existem momentos que nós não vamos esquecer. A demissão de Jeff Fisher é um deles. Após empatar o recorde de maior número de derrotas de um head coach na história da NFL, Fisher foi chutado do Los Angeles Rams. O momento da demissão e o discurso final foram gravados pela HBO em sua série All or Nothing, que acompanha a temporada de algum time da liga e, em 2016, deu o azar de acompanhar os Rams.

Resolver os problemas que cinco anos de Fisher trouxeram não será fácil. O time ainda colhe frutos das decisões tomadas por seu antigo técnico, mas não podemos deixar de apontar também para o GM Les Snead. À seu favor consta que o histórico no draft não é dos piores – vejam Ryan Grigson, por exemplo.

Claro, algumas escolhas deram muito errado, outras deram muito certo, é assim em toda NFL. Porém Snead falhou completamente em um lado da bola: o ataque. Seleções como as de Tavon Austin e Greg Robinson não vingaram e o dispêndio de escolhas altas nesses jogadores criou buracos no elenco, pois acreditava-se que eles resolveriam problemas existentes nas suas posições. Além deles, nenhum WR escolhido pelos Rams desde a chegada de Snead, seja em St. Louis ou em LA, vingou na liga.

Para piorar, esse exemplo de modelo de “gestão” tem outra dificuldade: superar seus erros. A demora para demitir Fisher demonstra isso claramente. Além disso, renovar com jogadores como  Austin por quantias absurdas fez com que os Rams se tornassem, hoje, a equipe com menos espaço disponível no Salary Cap (Sério, já pararam pra pensar no quão absurdo isso é? Existem elencos muito mais talentosos ao redor da liga com muito mais espaço para gastar com salários.). E esse feito foi conquistado sem ao menos ter sido realizada a astronômica renovação de contrato do DT Aaron Donald. Concomitantemente, a franquia deixou o CB Janoris Jenkins partir em favor do CB Trumaine Johnson. Jenkins teve uma temporada de destaque em Nova York, enquanto Johnson está em sua sua segunda franchise tag: além de optarem pelo cara errado, os Rams ainda não sabem o que fazer com Trumaine e seu contrato.

Virando a página

O homem encarregado de resolver as cagadas supracitadas atende pelo nome de Sean McVay. Sean chega a Los Angeles principalmente para resolver os problemas do ataque. Para isso, ele terá que fazer mágica, tendo em vista que Jared Goff, quando jogou, pareceu qualquer coisa, menos um QB titular da NFL.  Não acreditamos que Goff tenha um futuro promissor, mas é preciso ser justo com ele: todos sabiam que Jared era um jogador cru, e ter seu primeiro ano no sistema de Jeff Fisher não ajudou em nada o seu desenvolvimento. Podemos até taxá-lo como bust, mas Goff ainda pode mostrar resultados.

Ainda no ataque, McVay terá o trabalho de reencontrar o futebol de Todd Gurley, perdido no meio dos buracos que a OL de Los Angeles abre – para os defensores adversários. Gurley estava claramente insatisfeito com a comissão técnica anterior, afirmando inclusive que o sistema parecia um “ataque de escola”. Essa talvez seja a missão mais fácil que o novo técnico encontrará: Todd tem muito talento e, a situação, pior que estava, dificilmente ficará.

Ele arruinou o Fantasy de milhões de pessoas.

E falando em linha ofensiva, ela terá algumas mudanças importantes: Andrew Whitworth, um dos melhores LTs da NFL, chega para o lugar de Greg Robinson, que foi trocado para Detroit por um saco de bolas vazias e um pirulito. O resto do grupo deve se manter o mesmo e, agora em um novo sistema, os jogadores terão chances de mostrar mais resultado. Intriga um pouco, porém, a inércia da equipe no draft em relação a OL, já que nenhum jogador da posição foi escolhido.

Já no corpo de WRs, a principal mudança é a chegada de Sammy Watkins, trocado junto aos Bills. Todos conhecemos o potencial de Sammy – quando ele está em campo, embora essa seja sua maior dificuldade. Robert Woods também chega de Buffalo e, ainda falando em mudanças,  o time crê que Cooper Kupp e Josh Reynolds, escolhidos no último draft, possam ajudar a suprir a perda de Kenny Britt, líder da equipe em recepções na temporada passada. Por fim, espera-se que Tavon Austin consiga produzir no sistema de McVay; do contrário, ele dificilmente continuará em LA por muito tempo.

Na posição de Tight End, os Rams esperam ver uma evolução de Tyler Higbee, escolha de quarta rodada, agora em seu segundo ano na liga, além de boas atuações de Gerald Everett, escolha de segunda rodada neste draft, a primeira da equipe. Se eles conseguirem um bom desempenho – o que é de se esperar, visto que McVay fez um bom trabalho com TEs em Washington -, Los Angeles terá mais força tanto no ataque aéreo quanto terrestre.

Um novo xerife na cidade

Não, não estamos falando de Dan Orlovsky, mas sim do “novo” coordenador defensivo, Wade Phillips. Wade dispensa apresentações, mas, se você não sabe quem ele é, saiba que estamos falando do arquiteto da defesa dos Broncos que carregou aquilo-que-diziam-ser-Peyton-Manning para o Super Bowl. Phillips chega para o lugar de Gregg Williams – chamado por muitos de, simplesmente, “um babaca”.

Se com Williams a defesa já era forte, agora ela pode dar o próximo passo e se tornar uma das melhores da NFL. Aaron Donald é um dos cinco melhores jogadores da liga por apresentar capacidades que nenhum outro atleta da sua posição possui. Capaz de gerar pressão no QB adversário, além de parar as corridas, tudo isso pelo interior da DL, Donald é o melhor Defensive Lineman do país.

Paguem o homem!

Porém ele está em busca de um contrato novo, como já havíamos mencionado. Aaron ainda não se apresentou para os treinos, mas esperamos que ele não deixe de jogar durante a temporada regular, apesar dos rumores de que se trata de uma possibilidade real (seria muita burrice dos Rams se isso acontecesse).

O front 7 é a principal força dessa defesa, que conta, na linha defensiva, com o já citado Donald (que sozinho já vale mais que muitas defesas inteiras) e com o bom Michael Brockers, antiga escolha de primeira rodada. No corpo de LBs Alec Ogletree e Mark Barron formam uma dupla versátil; e agora o grupo também conta com Robert Quinn, que deixou de ser DE para se tornar um OLB no novo esquema tático. Além deles, Connor Barwin, recém-chegado da Philadelphia, promete ajudar, tanto com suas jogadas como com sua experiência.

No entanto, a secundária ainda é um ponto de interrogação. Trumaine Johnson e Maurice Alexander são os titulares da última temporada que retornam para uma nova aventura. Nas outras posições, brigam pela titularidade na posição de cornerback Nickell Robey-Coleman e Kayvon Webster. Já entre os safeties, John Johnson, escolha de terceira rodada no último draft, e Lamarcus Joyner, disputam a última vaga de titular.

Não é só isso

Assim como fizemos com Kansas City, é importante lembrar dos Special Teams dos Rams. Esse, que foi o grupo mais bem-sucedido da era-Jeff Fisher, segue inalterado: Greg “The Leg” Zuerlein continua como kicker, assim como Johnny Hekker como punter e Tavon Austin retornando chutes. O técnico John Fassel, que assumiu a equipe interinamente após a demissão de Fisher, retorna para o cargo de coordenador. Esperamos, assim, que Los Angeles continue com suas jogadas divertidas nos times especiais – especialmente aquelas que enganam Seattle.

Palpite: Os Rams ainda não são um time bem balanceado. O ataque precisa de playmakers, já que, hoje, não podemos confiar 100% em Sammy Watkins e Todd Gurley. A defesa fará o suficiente para vencer muitos jogos, mas, no final, o time esbarrará nas limitações técnicas de Jared Goff e da linha ofensiva. Após esse ano, o experimento com Goff terminará. E, quem sabe com a iminente campanha medíocre, Los Angeles possa escolher um verdadeiro franchise QB na suposta classe recheada de 2018.

Um novo messias em Los Angeles

Sean McVay. Nessa altura do campeonato, você já deve ter ouvido seu nome algumas vezes no noticiário, afinal ele é o novo head coach da principal (eles são os donos do futuro estádio, não é) franquia da segunda maior cidade dos Estados Unidos: o fracassado Los Angeles Rams.

Após cinco temporadas abaixo de 50% de aproveitamento com o histórico Jeff Fisher, Stan Kroenke e cia resolveram inovar. E, por inovar, entendam de todas as maneiras possíveis: McVay é o HC mais jovem da história da NFL, com apenas 30 anos; quando ele nasceu, Jeff Fisher estava começando sua carreira como treinador. Além disso, Sean era também um ilustre desconhecido: seu trabalho na ascensão de Kirk Cousins era visível, mas se cruzássemos com ele na rua, provavelmente pensaríamos estar vendo Carson Wentz; se ouvíssemos seu nome, provavelmente pensaríamos em algum destes novos atores que surgem no Netflix – e desaparecem na mesma velocidade.

O início

Como é de se imaginar, Sean tem bons contatos no mundo NFL. Seu avô, John McVay, foi treinador do New York Giants no final da década de 70 (demitido após o primeiro “Miracle in the Meadowlands”). John também foi uma das peças principais do front office da dinastia que levou cinco Super Bowls em San Francisco – Sean, por outro lado, não era sequer nascido nas duas primeiras conquistas.

McVay cresceu em Atlanta e teve uma boa carreira no ensino médio, quando foi eleito jogador de ataque do ano da Georgia como QB e ainda jogou dois anos na Universidade de Miami (Ohio) até 2007, sem grandes aspirações a NFL. Novamente, para dar uma ideia de sua juventude: o último jogador com carreira na liga a sair desta universidade foi Ben Roethlisberger, draftado em 2004.

Tempo bom que não volta mais.

Assim que se graduou, conseguiu uma vaguinha como assistente em Tampa Bay, com o irmão daquele que lhe daria a grande oportunidade, Jon Gruden. No ano seguinte, foi trabalhar na extinta UFL, em um time em que Jay Gruden era coordenador ofensivo. Em 2010, foi contratado pelos Redskins como “assistente de treinador de tight ends” e, no final dessa mesma temporada, acabou promovido porque o responsável pela posição abandonou o cargo para virar HC de uma equipe de college football.

Dessa forma, com 24 anos, ele era responsável por um jogador como Chris Cooley, um veterano estabelecido três anos e meio mais velho que ele e em uma de suas melhores temporadas; a princípio, ele desconfiou das capacidades do jovem treinador, mas assim que Sean abriu a boca, Cooley acabou impressionado: “Aprendi mais sobre football em quatro semanas do que tinha aprendido em toda a minha carreira”.

Washington Redskins

Uma rápida pesquisa é suficiente para encontrar diversas declarações apaixonadas dos TEs que trabalharam com McVay. Jordan Reed, que teve grandes temporadas sempre sob a tutela do treinador, pediu especificamente para continuar realizando trabalhos individuais com ele quando Sean foi promovido a coordenador ofensivo entre a demissão de Mike Shanahan (e do treinador dos 49ers, Kyle Shanahan) e a contratação de Jay Gruden (em 2014).

Logan Paulsen, hoje nos 49ers, ressalta a facilidade que McVay tem de recordar nomes e tratar de maneira extremamente pessoal cada pessoa que trabalhava nos Redskins, desde outros treinadores às tias da limpeza. Essa mesma habilidade foi apontada por jornalistas que lhe entrevistaram durante o encontro anual de treinador em Phoenix: estudioso, conhecia e se referia a cada repórter pelo primeiro nome ao dar as respostas. O já citado Cooley, talvez seu maior fã depois do próprio pai, falava já no início de 2016 para quem quisesse ouvir que McVay ia ser head coach em 2017. A princípio, riram dele.

Entretanto, o novo treinador dos Rams não ganhou a sua posição por um bom trabalho com TEs. Talvez não por ter sido excepcional em suas duas entrevistas com o seu novo chefe – durante a qual Kevin Demoff, da diretoria dos Rams, enviou uma mensagem para Jon Gruden dizendo “meu deus, ele é igualzinho a você”.

Seu trabalho com Kirk Cousins, um jogador draftado na quarta rodada exclusivamente para ser reserva de RG3, levando ele ao nível que sempre se esperou alcançar com Griffin, foi o que lhe garantiu um novo emprego. Recordes consecutivos de jardas lançadas em Washington foram quebrados (4.917 em 2016), além de um rating de elite e 63 TDs ao longo de dois anos inteiro juntos, resultando também em mais de 40 milhões de dólares que Kirk recebeu com sua franchise tag dupla; como princípio de funcionamento do ataque, o objetivo era sempre ter Cousins em uma posição favorável de terceiras descidas.

Brothers.

É fato que muito se fala de Kyle Shanahan em San Francisco como destino de Kirk quando ele inevitavelmente não consiga o contrato que ele quer em Washington para continuar ali nas próximas temporadas; entretanto, seu sucesso realmente veio com McVay. Obviamente, o jovem treinador tem um desafio interessante em Los Angeles, mas se tudo der errado com Jared Goff, atenção a esse leilão em 2018.

O desafio Goff

Pouco preocupa a defesa dos Rams. Esse lado do time está muito bem resolvido ancorado pelo monstruoso Aaron Donald; melhor do que isso, McVay agiu rapidamente e contratou Wade Phillips (Texans, Broncos) para ser seu coordenador defensivo. Se alguma coisa vai mudar por ali, será para melhor. Isso dá uma boa base para um setor ofensivo que precisará fazer o mínimo para chegar longe, especialmente em uma NFC sempre tão disputada.

Todd Gurley também deverá voltar a jogar bem – é difícil acreditar que aquele talento do primeiro ano tenha desaparecido; é bem mais fácil botar a culpa em Jeff Fisher e sua incapacidade generalizada. O time também trouxe reforços para a linha ofensiva, como os veteranos Andrew Witworth, ex-Bengals, e John Sullivan, ex-Vikings – inclusive, dois dos três únicos jogadores que são mais velhos que McVay: o Rams é o time mais jovem da liga já há alguns anos.

Mas a eficiência do setor ofensivo passa pelo QB. O dos Rams, de quem já falamos aqui e zoamos sempre que possível, não é grande coisa. Na verdade, até o momento, provou ser um bust daqueles. Tentando observar por outra perspectiva, seus números podem equivaler-se àqueles que Kirk Cousins tinha antes de encontrar seu guru em McVay – como última curiosidade etária, se pode esperar ao menos que McVay se entenda bem com Goff, somente oito anos mais jovem que ele; Belichick, por exemplo, tem 25 anos a mais que Brady.

Novo no pedaço.

Além disso, não se deve riscar qualquer jogador depois de apenas sete partidas: sempre soubemos, Goff era um “projeto” a ser desenvolvido e não é culpa dele que os Rams tenham investido tudo o que investiram; eles não têm o direito de esperar retorno imediato.

De qualquer forma, não será por falta de trabalho da parte do treinador. Dormir entre 22h e 23h é comum para Sean, assim como acordar no dia seguinte às 4 da manhã. E, como brinca Chris Cooley, dá um soco no ar de animação para mais um dia de football. Esperemos apenas que Goff ou, vai saber, Sean Mannion ou algum outro desavisado que passe na frente do CT e saiba, realmente, lançar uma bola, não destrua todo este entusiasmo.

Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenum, certo?

Em meio ao crescimento de Dak Prescott, as oscilações normais para um novato que Carson Wentz vem sofrendo até aqui, ao menos um dos QBs selecionados no último draft tem tido uma temporada tranquila: Jared Goff.

E enquanto o Rams caminha para sua já tradicional campanha 8-8, Goff não cometeu os mesmos erros tão comuns a rookies que Prescott cometeu ou oscilou como Wentz oscilou após um início quase irretocável. O único “porém” para Jared é que, até a semana 10, ele não participou de um mísero snap: o Los Angeles Rams trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para conseguir Goff e, por longas semanas, ele se restringiu a esquentar o banco.

Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams.

Parecia que a franquia que não vai aos playoffs desde 2004 estava pronta para um recomeço, para apostar seu futuro em um jovem talentoso, certo? Parecia, mas na verdade ele permaneceu sentado enquanto Case Keenum levava a equipe às piores médias da NFL em todos os quesitos ofensivos.

Ninguém entendeu essa merd*.

Ninguém entendeu essa merd*.

E ressalte-se que nunca louvamos Jeff Fisher como um guru ofensivo, muito pelo contrário. Mas mesmo assim os números atuais soam ofensivos até para alguém com tamanha atração pela mediocridade como Fisher.

Na contramão da liga

Hoje o Dallas Cowboys é a melhor equipe da NFL com Dak Prescott comandando as ações. Carson Wentz tem momentos de instabilidade, mas em geral tem jogado razoavelmente bem e conseguido manter o Eagles na disputa por uma vaga na pós-temporada em umas das divisões mais disputadas da liga.

Se formos além, teremos ainda outros bons exemplos: Jacoby Brissett suportou a pressão e conseguiu levar o Patriots à vitória quando exigido e, se ampliarmos o leque até o pior time da NFL, veremos que tanto Cody Kessler como Kevin Hogan tiveram a mesma eficiência que Josh McCown teve com o Cleveland Browns (infelizmente isso quer dizer nenhuma).

Considerando todo este cenário podemos afirmar, sem medo, que todos os atletas acima citados são melhores que Case Keenum – enquanto, aparentemente, ao menos para o Rams, Jared Goff não era.

As razões para a ausência de Goff soam inexplicáveis. O Los Angeles Rams conta com um bom sistema defensivo e, em uma temporada marcada pela igualdade, jogando em uma divisão com um Seattle Seahawks claramente um passo a frente, um San Francisco 49ers que sofreria no primeiro quarto contra algumas equipes do college football e um Arizona Cardinals que pouco lembra a equipe dos últimos dois anos, com um ataque minimamente decente Los Angeles poderia brigar por uma vaga nos playoffs; mas com Keenum este ataque esteve longe, muito longe, de poder ser considerado minimamente decente: foram apenas 139 pontos em 10 semanas, pior marca da liga.

#exausta

#exausta

Talvez Fisher tenha pensado que manter Goff esperando era o melhor para seu desenvolvimento a longo prazo? É uma tese até certo ponto coerente, mas podemos discordar, apesar de muitos especialistas afirmarem que expor Goff nesta situação poderia ser extremamente prejudicial porque erros poderiam abalá-lo, além de, por estar em um sistema ofensivo caótico, seria necessário adquirir hábitos que posteriormente seriam difíceis de serem corrigidos.

Tudo isso, porém, cai por terra quando assumimos que evolução só é possível através da experiência. E se o Rams viu algum talento em Jared durante a faculdade, eles desperdiçaram algumas semanas em que ele poderia estar em campo descobrindo como adequá-lo, como aperfeiçoar suas virtudes e, sobretudo, quais características precisaria deixar para trás na NFL.

Por outro lado, se a preocupação era preservá-lo psicologicamente, tentemos olhar tudo a partir da perspectiva de Jared. O Rams poderia ter selecionado Carson Wentz. O Rams poderia ter mantido suas escolhas de primeira e segunda rodadas e selecionado Dak Prescott, ao que tudo indica o quarterback mais “pronto” desta classe, no terceiro ou quarto round. O Rams poderia ainda ter decido continuar com Keenum, assumindo mais um ano medíocre e preparando o terreno para o draft de 2017. Mas o Rams trocou meia dúzia de escolhas para selecionar Goff e, semana após semana, o preteriu em favor de Keenum.

Goff pode simplesmente ter passado dez semanas entendo aquilo como um simples “Case é melhor que Jared”. É um cenário aterrorizante: o que faz um quarterback ser pior do que Case Keenum? Ele saberia segurar uma bola? Ele poderia pisar em um estádio de football? (Considerando a ficha criminal de alguns jogadores, o que faria alguém ser proibido de entrar num estádio?)

"Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?"

“Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?”

Olhemos então um pouco mais para o passado: os últimos seis quarterbacks selecionados na primeira rodada que chegaram a novembro sem iniciar uma partida na NFL foram Johnny Manziel, Jake Locker, Tim Tebow, Josh Freeman, JaMarcus Russell e Brady Quinn. Tudo bem, não iremos supor que nenhum deles teve sucesso na NFL por não terem iniciado uma partida como profissional em seus primeiros meses na liga, sabemos que eles provavelmente estão desempregados hoje por simplesmente serem ruins.

Mas a verdade é que first picks normalmente são diretamente colocados na linha de fogo, prova disso são os cinco últimos QBs escolhidos na primeira posição do draft antes de Goff: Jameis Winston (bônus para Marcus Mariota, segundo selecionado no mesmo ano), Andrew Luck (também com o bônus de Robert Griffin III), Cam Newton, o já citado Sam Bradford e Matthew Stafford. Todos iniciaram como titulares logo no primeiro ano.

Mas agora isso pouco importa, já que com mais da metade da temporada perdida, enfim Jeff Fisher anunciou que Jared Goff será titular na semana #11. Se Fisher precisou de dez semanas para assumir que este ano não resultará em nada além da já habitual mediocridade, ao menos restam seis partidas para observar Goff em situações reais de jogo.

(Não) há luz no fim do túnel

Durante a derrota para o Panthers, há algumas semanas, os torcedores (?) do Rams perderam a paciência e gritaram “Queremos Goff” (e, dizem, “Queremos Tebow” também ecoou no estádio). Muitos, aliás, deixaram o Memorial Coliseum antes mesmo do final da partida.

Provavelmente a grande questão para eles é a mesma que persegue aqueles que acompanham a NFL: Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenun, certo? A realidade, porém, é que Goff não impressionou na pré-temporada. Na verdade ele foi… horrível. Foram apenas 22 passes completos em 49 tentativas, para 232 jardas, dois touchdowns e duas interceptações.

Aliás, na última partida da pré-temporada, contra o Vikings, Jared protagonizou momentos constrangedores, completando apenas seis passes em 16 tentados para 67 jardas. Neste lance, em formação shotgun, ele dropa o snap e cai com a cara no chão tentando recuperar a bola que, claro, acabou com o Vikings. Pouco tempo depois, uma obra prima difícil de descrever.

Em linhas gerais, o saldo final da participação de Jared na pré-temporada foi um quarterback que parecia distante das condições físicas ideias (e não nos referimos a preparo) para suportar um jogo tão intenso como o football profissional e completamente inseguro de suas capacidades.

O fundo do poço

Agora tudo está jogando contra Jared Goff – assim como, no Rams, jogou contra Sam Bradford. O Los Angeles Rams é um time construído para ganhar com sua defesa, enquanto o quarterback coloca a bola nas mãos de Todd Gurley.

Até aqui, não saiu como o planejado e, claro, Case Keenum não é o único culpado: a linha ofensiva é digna de risos e não há nenhum WR confiável. E enquanto o Rams insiste em dar a bola para Gurley, basta a defesa adversária congestionar a linha de scrimmage e desafiar QB e WRs a jogarem. E aqui entra a parcela de culpa de Keenum: ele não é tão inocente quanto Fisher quer que você pense.

E além deste cenário caótico, Goff encontrará ainda um técnico que historicamente não soube trabalhar com quarterbacks novatos (McNair é a famosa exceção que confirma a regra) e lutando por sua reputação após quatro temporadas colecionando derrotas.

Jared Goff, claro, pode não estar pronto, mas ainda paira sobre ele o benefício da dúvida – algo que Case Keenum já perdeu. Ele pode não melhorar o Rams imediatamente, mas é inconcebível não imaginá-lo como QB da franquia nas duas próximas temporadas pelo menos. É preciso honrar a aposta, é necessário cobrir o alto valor pago para subir no draft e selecioná-lo.

Na última offseason, o Rams se apaixonou por Goff quando foi a Berkeley vê-lo treinar em sua universidade. Choveu muito e mesmo assim Los Angeles aguardou mais um dia, já que Goff queria jogar, queria mostrar seu valor. Naquela offseason, o mau tempo não os assustou. Agora, se os Rams possui alguma real pretensão de em breve deixar a mediocridade, ele também não pode assustá-los.

Status: em um relacionamento sério com a mediocridade

Pela primeira vez desde 2002 (quando foi criado o Texans, devolvendo uma franquia da NFL a Houston), temos um “novo” nome na liga. Aspas porque, na verdade, 2016 marcará a o retorno dos Rams a Los Angeles, cidade que deixaram em 1994 e que, na época, dividiam com os Raiders.

Em St. Louis, a franquia conquistou seu primeiro Super Bowl (em um jogo contra os Titans que acabou com The Tackle), com o “The Greatest Show on Turf”, um dos ataques históricos da NFL, liderado por Kurt Warner, duas vezes MVP da liga em St. Louis. Entretanto, nos últimos 10 anos pelo menos, a franquia já não conseguia o mesmo sucesso de outrora, o que só diminuía o interesse da torcida.

Além disso, dois nomes foram muito importantes para esta mudança (ou retorno) do time: Edward Jones e Stan Kroenke. O primeiro é o estádio, de propriedade da cidade de St. Louis, que já não cumpria os requisitos para manter-se como um dos melhores da liga, o que abriu a possibilidade da quebra de contrato de aluguel. Já o segundo é o homem que se tornou dono majoritário do time em 2010, um grande empresário da área de construção e especulação imobiliária, que em 2014 comprou um terreno em Los Angeles com planos de construir um novo estádio – tendo time ou não.

O único grande problema da nova velha cidade é o batido motivo pelo qual Raiders e Rams a abandonaram em um primeiro momento: se saíram de St. Louis porque o povo já não estava tão interessado na equipe, tudo leva a crer que esse não será um problema resolvido em LA.

A cidade já está dividida entre os outros três times da Califórnia e é tão cosmopolita que tem torcedores de provavelmente todos os times do país vivendo nela – tanto é que os verdadeiros torcedores do Rams já devem estar preparados para disputar ingressos e gritos contra os adversários.

Sobre chegar causando impacto

Jared Goff será um dos maiores busts da história da NFL e não consigo escrever isso sem cogitar quebrar a tela do notebook com minha própria testa. Pese ainda o fato de que o Los Angeles Rams gastou meia dúzia de escolhas para selecioná-lo, o que só torna tudo ainda mais absurdo – você até pode tentar justificar a decisão, alegando que não é possível chegar em uma nova cidade com Nick Foles como seu quarterback, mas convenhamos: Jared Goff está longe de ser a resposta.

De qualquer forma, aclamado como o QB do futuro dos Rams, estabeleceu-se que Jared iria ser o ponto do crescimento do Rams em algum momento da temporada – nunca no início. É, claro, preciso dar o benefício da dúvida, mas infelizmente já vimos Goff em campo, mesmo que durante a pré-temporada, este período tão relevante quanto o elenco de apoio da nova novela das seis.

Mesmo assim, dos três QBs do Los Angeles Rams, Goff foi de longe o pior. Foi pior que Case Keenum e outro cidadão que mal lembramos o nome. E não nos referimos apenas a questões técnicas, mas, sobretudo, inteligência e tomada de decisões: além de tudo, Goff parece extremamente burro.

Podemos estar sendo exigentes e até certo ponto cruéis demais, afinal, se adaptar à NFL é algo extremamente complexo – e você precisa fazer isso enquanto um projétil humano de 180kg mira seu tórax. Sim, adaptação é sempre uma questão tensa para quarterbacks rookies mas, bem, nem todos eles custam seis escolhas de draft para sua equipe.

Por que cês fizeram isso, caras?

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Vamos supor que Jared Goff não feda

Até aqui é nítido que Case Keenum iniciará a temporada como QB titular dos Rams, mas assumir que Keenum é um projeto a longo prazo seria o mesmo que casar com a mediocridade. E não se investe tanto em uma escolha se não se pretende usá-la, não é? Então vamos supor que Goff consiga se adaptar com certa velocidade, apesar das dificuldades habituais: seu melhor wide receiver será… Tavon “30 milhões” Austin.

Os Rams, aliás, tiveram um dos piores núcleos de recebedores da NFL em 2015. O próprio Austin tem sido uma decepção, considerando que foi uma escolha top 10 em 2013. E, bem, se você vê algum valor em Kenny Britt ou tem um excelente coração ou está alucinado (ou ambos).

O fato é que tudo leva a crer que em vez do futuro de uma franquia, o Rams encontrou, na verdade, um novo Sam Bradford – uma figura já quase terna, encoberta em um passado que, embora se negue, eles devem sentir muita saudade. O que basicamente resume a situação atual.

O que realmente importa neste ataque

Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley.

Só eu presto.

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Jeff Fisher e a mediocridade

Jeff Fisher é medíocre. Fisher já teria sido demitido de 30 times da NFL. Talvez tivesse muletas para sobreviver nos Browns e, sabe Deus como, ainda sobrevive no Rams.

Há duas verdades inexoráveis sobre o Rams de Fisher: eles irão terminar a temporada com um 8-8 ou, na pior das hipóteses, um 7-9. Eternamente, enquanto Jeff Fisher for seu head coach. E irão vencer o Seatlle ou Arizona, em algum jogo completamente sem sentido, que lhes dará alguma falsa esperança em algum momento aleatório da temporada.

De todo modo, quando olhamos para o que foi este ataque na temporada passada, compreendemos o tamanho da desgraça. Era um time que não tinha a menor ideia do que estava fazendo ou buscando. O que torna tudo ainda mais triste é que temos certeza que, um par de anos atrás, o Rams teve a chance de se tornar relevante. Houve esta janela de tempo, onde eles tinham algum talento, uma boa defesa e inúmeras escolhas: Fisher então pautou a reformulação da equipe através da negociação de Robert Griffin III, que abasteceu o Rams com as ótimas escolhas de draft por três ou quatro anos.

Mas nada minimamente decente aconteceu e todas estas escolhas, somadas a movimentos “certeiros” na free agency, conduziram o Rams exatamente a uma média de zero vitórias a mais do que antes da clássica negociação.

O currículo de Jeff Fisher apenas corrobora nossa tese: são 20 temporadas completas como head coach e, se em apenas duas delas, equipes sob seu comando terminaram com menos de seis vitórias, também vale lembrar que em 12 delas os pupilos de Jeff acabaram com recorde entre seis e nove vitórias.

Jeff Fisher é isto, amigos: se lhe dá a certeza que raramente você será péssimo, também está no contrato que você nunca deixará de ser medíocre.

O lado não tão ruim

Se a situação do ataque é desanimadora e soa compreensível que o Rams entregue a bola para Gurley (provavelmente o melhor RB desde… Adrian Peterson?) e confie em sua defesa. O porém é que se um dia ela flertou com as melhores da liga, hoje o futuro é incerto.

O CB Janoris Jenkins rumou para os Giants com um contrato de mais de US$60 milhões, então agora será preciso encontrar alguém que preencha este espaço para atuar ao lado de Trumaine Johnson. E. J. Gaines, selecionado na sexta rodada de 2014 e que impressionou em seu primeiro ano, deve ocupar esta lacuna – ele, porém, perdeu toda a temporada de 2015 devido a uma lesão.

Outra perda na secundária será Rodney McLeod, que assinou com o Eagles. Ainda não se sabe quem atuará ao lado do S T. J. McDonald, possivelmente um dos melhores nomes da posição.

A saúde do DE Chris Long, que perdeu 14 jogos nas últimas duas temporadas, é outro ponto incerto para colaborar no pass rush ao lado do monstro Aaron Donald, o único que parece capaz de fazer frente à JJ Watt na disputa por melhor jogador defensivo da atualidade (e ele está apenas em seu terceiro ano!), especialmente em relação às famosas avaliações dos caras da PFF.

Em um cenário ideal, as peças de reposição irão se encaixar naturalmente em um sistema já consolidado, mas sabemos que isso é difícil de acontecer. Ao menos a boa notícia é que James Laurinaitis, um dos piores linebackers que já pisou em um campo de football, não está mais entre eles – que Deus o tenha.

Palpite: o importante é ser fiel aos compromissos que um dia você assumiu e ao assinar com Jeff Fisher o Rams se comprometeu a terminar 7-9 ou 8-8 e iludir seus fãs com uma atuação espetacular aleatória contra Cardinals ou Seahawks. De qualquer forma, quanto antes aceitarem que Jared Goff é absurdamente burro, antes poderão planejar a próxima grande besteira que farão em um futuro não tão distante.