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O inferno de Cody Parkey e a lenda de Nick Foles

No clássico da literatura A Divina Comédia, Dante Alighieri descreveu os nove círculos do inferno, descendo de Jerusalém até, em uma linguagem moderna, o colo do capeta – naquela época, só existiam três continentes conhecidos (Europa, Ásia e África), e Dante imaginou que no polo oposto a Europa, algo como 43 jardas distante, estava a ilha do purgatório, que estaria ligada ao inferno por uma passagem aberta após a queda de Lúcifer.

É bem provável que Cody Parkey tenha passado pelos noves círculos enquanto seu chute percorria aquelas pouco mais de 40 jardas. Um chute que bateu em uma trave, beliscou outra caprichosamente, matou o mascote do Bears, transformou companheiros de time que estavam na sideline em memes e, bem, fez Nick Foles mais rico.

Um chute capaz de retratar a angústia de uma torcida que não participava dos playoffs desde 2010 – algo ainda mais dolorido para uma franquia que terminou a temporada com 12 vitórias, seu melhor ano desde o distante 2006.

O mais cruel é que não havia ninguém mais apropriado que Parkey para ser protagonista do destino escapando pela ponta das mãos – ou, bem, pela ponta dos pés: em novembro, Cody havia acertado a trave quatro vezes em um duelo contra o Lions (e mesmo assim o Bears venceu). Na última semana da temporada regular, Parkey carimbou a trave contra o Vikings mais uma vez (e, novamente, o Bears venceu).

Não se flerta com o perigo três vezes. E se há algo que a sabedoria popular (e um técnico de futebol multicampeão) foi capaz de cunhar para a eternidade é o fato de que “a bola pune”.

Um futuro para chamar de seu

Na estreia da temporada afirmamos que se a então improvável derrota do Bears diante do Packers era fruto de uma série de decisões no mínimo questionáveis de um HC em sua primeira temporada e um QB de 24 anos, ao mesmo tempo era evidente que após anos sofrendo nas mãos de gente como Jay Cutler e John Fox, Chicago enfim tinha um sistema ofensivo criativo e moderno. E que melhores dias para a defesa do Bears, com Khalil Mack, Leonard Floyd e Roquan Smith cada vez mais entrosados, eram mera questão de tempo.

Foi assim na rodada de Wild Card: assim como ao longo do ano, Chicago apoiou-se na melhor defesa da NFL para se manter com chances. Foles fez ótimas jogadas em momentos cruciais, mas de uma forma geral, o sistema comandado por Vic Fangio conseguiu manter o Bears no jogo – Nick foi interceptado duas vezes e o jogo terrestre do Eagles beirou o ridículo.

Para o futuro, porém, é preciso ficar de olho no questionável desenvolvimento de Trubisky, que pareceu melhor em seu segundo ano sob o comando de Matt Nagy, mas, algo normal, nunca soou 100% confiável. Vez ou outra, sua capacidade de fazer boas jogadas, ler coberturas e escapar de um pocket em colapso estão lá, mas nunca de forma totalmente consistente – hoje, para classificar Trubisky como um sucesso, seria necessário mais do que Parkey acertar um FG de 40 jardas.

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Já sobre a defesa em si, é preciso voltar no tempo para compreender o quão  complexo é os motivos que levam Chicago a ambicionar um “sistema defensivo” eficiente mais do que outras franquias – mesmo que outras equipes tenham em sua história defesas fantásticas, como lendária “Cortina de Ferro” dos Steelers, o Ravens do final dos anos 90 ou mesmo o Denver Broncos vencedor do SB 50.

De qualquer forma, na história, para o Bears, todos os seus grandes momentos ainda vivos na memória tiveram como pano de fundo uma grande defesa – seja ao vencer a NFL pré-Super Bowl em 1963 ou no histórico time de 1985, que também levantou o troféu, e é por muitos considerado a melhor defesa de todos os tempos; o Bears sempre sentiu que defender era o melhor caminho e moldou sua identidade a partir disso.

“Pode ser diferente em Indianápolis ou Green Bay, onde a torcida quer ver Aaron Rodgers lançar touchdowns. Aqui simplesmente querem nos ver defender”, declarou recentemente o ex-CB Charles Tillman.

Para 2019-2020 Chicago precisará fazer escolhas, que podem não ser suficientes para manter o CB Bryce Callahan e o S Adrian Amos, ambos free agents na próxima intertemporada – mesmo assim, perdas são normais na NFL. Mas a maior mudança no setor pode não estar em um jogador: o DC Vic Fangio fez um trabalho tão eficaz que é cotado como um dos nomes para se tornar HC na próxima temporada; perdê-lo, porém, pode ser um golpe duro no principal sistema defensivo da NFL.

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Mas mesmo que Fangio fique a história nos mostra que é improvável que a defesa de Chicago repita o mesmo desempenho monstruoso; quando se está em um nível sobrenatural é normal dar um passo atrás; lembre-se da própria defesa do Bears de 85, ou ainda do Jacksonville Jaguars de 2017 (agora comparada ao desempenho um pouco mais fraco em 2018).

Aqui note uma possível (futura) semelhança: Jacksonville terminou 2017 como a melhor unidade em DVOA – eles foram ainda mais eficientes que o Bears de 2018. Na temporada atual, porém, o Jaguars caiu para a sexta posição nesta mesma métrica e, como o ataque não compensou essa oscilação natural, não foi possível equacionar o desempenho: de certa forma, Blake Bortles foi um obstáculo que a defesa do próprio Jaguars não foi capaz de superar. E com base naquilo que Trubisky apresentou ao longo da temporada, se tornar o Jacksonville de 2018 pode ser o maior pesadelo que o Bears pode ter em 2019.

De qualquer forma, em um cenário mais adequado a realidade de Chicago, volte ao já citado Broncos de 2015-2016. Mas mesmo assim, após anos sofrendo com Fox e Cutler, ao menos agora há algo a se apegar: em setembro, quando Mack, Floyd e Smith se alinharem no Soldier Field em uma tarde fria de domingo, a história de Chicago estará novamente em seu lugar – basta não deixá-la desaparecer após duas décadas procurando o que fora perdido.

A lenda de Big Dick Nick

Quando Nick Foles derrotou Tom Brady e se tornou o herói improvável do último Super Bowl, você achou que havia acabado. Mas ele fez de novo, e mais uma vez manteve o Eagles vivo em uma temporada que parecia perdida. E, claro, você pode chamá-lo de MVP, Big Dick Nick ou simplesmente de Foles, mas seja qual a nomenclatura escolhida, é hora de reconhecer que ele é muito bom em vencer jogos de football realmente importantes – ou que simplesmente estejamos diante de alguém com poderes concedidos por alguma entidade celestial; talvez esta seja a opção mais lógica.

Mesmo assim, antes de Parkey esbarrar na trave pela sexta (ou sétima, se você for alguém extremamente cruel) vez no ano, e o próprio Foles encontrar Golden Tate na endzone, Nick vinha em sua atuação menos impressionante desde que decidiu se tornar uma lenda; foram 25 passes completos em 40 tentativas, 2 TDs e 2 INTs (a primeira vez desde 2015) e, também pela primeira vez em suas aventuras de janeiro, um rating inferior a 100 (77.7).

Mesmo assim, quando Philly recebeu a bola com pouco menos de 5 minutos no relógios, os torcedores do Eagles dirão que não duvidaram dele por um segundo sequer – eles, claro estarão mentindo.

Quando o ataque chegou a beira da endzone, agora, qualquer analista de obra concluída, pode cravar que era óbvio que Darren Sprolles não chegaria ao paraíso em suas duas corridas. A terceira tentativa também foi em vão e, quando Doug Pederson usou seu primeiro timeout, praticamente implodindo qualquer possibilidade de ter a bola novamente se tudo desse errado, não parecia existir outra alternativa além de uma nova Philly Special. Mas, claro, não importa mais como, Nick encontrou Golden Tate e mais US$ 1 milhão na sua conta.

Mas sua atuação não acabou aí: quando Parkey chutou a bola, de alguma forma, Foles a moveu com os olhos, provando que pode manipular o ar, o espaço ou mesmo tempo. Provando que pode, além de encontrar Golden Tate e derrotar Tom Brady, mover o eixo gravitacional da terra – e, de alguma forma, provando para o front office do Eagles e para quem mais diabos duvida que pode vencer dois Super Bowls em sequência.

A Louisiana é logo ali

Volte no tempo até 2013. Lá, por dois meses, Foles foi o quarterback mais eficiente da NFL. Mas até encontrar Brady e os Patriots em fevereiro passado, tudo acabara ali e Nick, em geral, transitou entre (e abaixo da) linha da mediocridade.

Hoje é irônico ver que o Eagles precisou abrir mão de uma caminhão de escolhas para selecionar Carson Wentz, torná-lo o presente e o futuro da franquia, para ter um backup que eles já haviam descartado os levando para o Super Bowl.

E embora é possível (e muito provavelmente o mais lógico e sábio) que Wentz seja o escolhido para guiar o Philadelphia Eagles pelo futuro, é Foles que tem o amor e a gratidão da Filadéfila – agora imagine o que acontecerá com ele caso consiga repetir o mesmo roteiro de 2018.

Além disso, Foles é um herói improvável porque sua personalidade não pede que ele seja. No próprio Eagles há jogadores muito mais talhados a esse papel – do próprio Wentz, jovem e promissor, a Chris Long ou mesmo Malcom Jenkins, muito mais ativos no vestiário; há ainda Fletcher Cox, indiscutivelmente um dos melhores nomes da sua posição em toda a NFL.

Foles, por outro lado, não nasceu para os holofotes. E, de certa forma, nas últimas décadas, Philadelphia teve inúmeros quarterbacks talentosos que poderiam ter vivido a glória: Randall Cunningham, Donovan McNabb e, mais tarde, Michael Vick. O próprio Wentz, é provável, ainda terá tempo para brilhar. Mas, bem, a verdade é que agora é Nick Foles quem está em um avião a caminho de New Orleans – e, mesmo que pareça improvável, não seria prudente duvidar dele.

O respeito voltou

Quando foi a última vez que você respeitou o Chicago Bears pelo que a franquia é no presente? É difícil lembrar. O time não joga os playoffs desde o começo da década e, quando esteve próximo de quebrar a sequência negativa, acabou colapsando de maneira que só Aaron Rodgers é capaz de explicar. Antes de tudo isso, bem… Acreditamos que o amigo leitor não quer gastar seu tempo lendo sobre Rex Grossman.

Essa inércia que só se deslocava em direção a fracassos era representada, principalmente, por Jay Cutler. Você sabe quem ele é. A paciência da diretoria com a apatia de Jay eventualmente se esgotou e, ao final da temporada 2016/17, Cutler foi enfim chutado da franquia.

Para o seu lugar o time foi atrás de Mike Glennon, que nos reservamos o direito de ignorar, já que também foi defenestrado de Illinois. Além dele, o Bears selecionou Mitch Trubisky no draft, gastando – desnecessariamente –algumas escolhas para isso. Após anos vivendo a experiência Jay Cutler, Chicago percebeu que uma equipe reflete o seu Quarterback. Se ele é um vencedor, a franquia tende a seguir o mesmo caminho. Se não é… Bem, existem outros esportes para acompanhar.

Por isso, a escolha de Mitch simboliza a virada nos rumos de um time que, além de tudo, carecia de uma personalidade. Agora, com seu novo QB – e seu contrato de calouro – o Bears espera montar uma equipe jovem, dinâmica e capaz de competir com a elite da liga.

Iniciando o processo

O início de carreira de Trubisky não foi muito promissor. Após começar no banco de Glennon, o jovem finalmente recebeu a oportunidade para mostrar seu valor. As atuações não inspiraram muito confiança, mas podemos atribuir isso a dois fatores: em primeiro lugar, o sistema montado pelo técnico John Fox era voltado para uma época em que Jon Gruden ainda prestava como HC; em segundo lugar, não era segredo pra ninguém que Mitch não chegava à NFL “pronto”, seria necessário tempo para que ele pudesse moldar seu jogo ao nível profissional.

Em outros tempos, provavelmente não teríamos essa boa vontade com Trubisky. Acontece que, após protagonizar uma das piores temporadas de calouro da história, Jared Goff provou que é possível realizar um grande salto de qualidade e produtividade no segundo ano.

Percebendo as novas tendências ofensivas da liga e o sucesso de Goff em Los Angeles, Chicago decidiu copiar esse processo. Para isso, a franquia buscou Matt Nagy que, assim como Sean McVay, é uma mente ofensiva da nova geração. A expectativa é que Nagy consiga extrair de Mitch resultados semelhantes aos que McVay conseguiu de Goff.

Está saindo da jaula, o monstro (?)

Para dar continuidade ao processo “salvem a carreira de Trubisky e os nossos traseiros da demissão“, o Bears percebeu que precisava de Wide Receivers. Não de Wide Receivers novos ou promissores, de Wide Receivers mesmo. Afinal, uma pequena busca pelos “tops” do time na posição em 2017 tem Titus Davis (conhecido pelo pseudônimo QUEM?) como primeiro retorno. O resto do elenco você pode encontrar nas famosas listas “Que fim levou?”, de nosso concorrente mais rico.

Por isso, foram contratados Allen Robinson, que conseguiu se provar útil mesmo recebendo passes de Blake Bortles e Taylor Gabriel, que quando usado efetivamente pode ser uma espécie de curinga no ataque. No draft, a escolha de Anthony Miller dará a Kevin White a tranquilidade para não ser nem o WR3, o que pode ajudá-lo a, enfim, deslanchar. Além deles, para a posição de TE, Trey Burton poderá mostrar que é muito mais que uma jogadinha ensaiada – aliás, saudades.

Fechando o ataque, a linha ofensiva composta por Bobby Massie, Kyle Long, Cody Whitehair, Eric Kush e Charles Leno Jr não apenas não compromete, como não surpreenderia se fosse uma 6 ou 7 melhores da NFL no ano. Também underrated, o RB Jordan Howard forma uma dupla interessante com Tarik Cohen, ainda mais agora que estão sob a batuta da mente ofensiva de Matt Nagy.

A defesa, esta sim, uma besta enjaulada com ódio

É importante destacar que, se esse preview tivesse sido escrito com antecedência, os elogios a defesa dos Bears também estariam presentes. Porém, como você já deve saber, a unidade saltou de um bom grupo com grande potencial para uma das grandes forças da conferência, mesmo se tratando da forte NFC.

Khalil Mack, um dos jogadores mais consistentes do esporte e um dos três melhores defensores dos últimos anos, chega para ser o grande nome de um grupo que já era bom, mas ainda não tinha uma super-estrela como ele. Ao seu lado, estará uma linha defensiva composta por Akiem Hicks e Eddie Goldman, ambos bons jogadores, além do LB Leonard Floyd que, além de ótimo jogador, se beneficiará da atenção que será dada aos talentos de Mack. Fechando o grupo de linebackers, Roquan Smith, um dos calouros mais interessantes do ano v e que de fato conhecemos, afinal esteve nos playoffs do College – jogará junto de Danny Trevathan, outro, adivinhem, bom jogador.

Na secundária, Adrian Amos e Eddie Jackson formam uma dupla interessante e underrated que pode inclusive melhorar em relação ao ano anterior, já que tratam-se de jogadores novos.

Por fim, Prince Amukamara e Kyle Fuller não formam a melhor tandem de CBs, mas, quando são eles o (talvez) elo mais fraco da defesa, é um sinal de que será difícil se preparar para enfrentar essa unidade em 2018.

Palpite

Por se tratar de um time novo, um QB ainda inexperiente e um Head Coach em seu primeiro ano, o Bears, mesmo sendo uma franquia de potencial, ainda é muito imprevisível. Um cenário em que as peças não se encaixem como o esperado é perfeitamente plausível, assim como uma situação parecida como a dos Rams em 2017, em que tudo vai bem, obrigado e a equipe surpreende a todos. Como a possibilidade mais razoável provavelmente é o meio-termo, podemos esperar uma evolução considerável em relação aos anos anteriores. Porém, levando em conta os times da NFC e da própria divisão, sonhar com playoffs já em 2018 pode ser demais. Mais que um bom record final, o que o torcedor mais espera é que a temporada mostre que a franquia está, enfim, de volta ao caminho das vitórias.

Seja o que Deus quiser

Todos já passamos por isso: aquela prova complicada chegando, você não sabe nada, tampouco começou a estudar. Os dias se passam e, para não se desesperar, você simplesmente desiste: “na hora dou um jeito. Ninguém nunca tira 0, não vai acontecer comigo né?”. O resultado chega e, bem, digamos que agora você se planejará melhor para a prova (ou para o ano que vem, já que o semestre já era).

Essa estratégia, apesar de burra, é vista não apenas no seu mundinho particular. É algo que vemos no universo dos esportes o tempo todo, e o mais recente exemplo disso é o Miami Football Dolphins (sim, aquele). Não, não estamos comparando o Dolphins com um estudante incompetente. Estamos comparando com você. Se achou que a primeira frase estava errada, bem, aí é porque a carapuça serviu. Não podemos fazer nada.

Chegando aqui

Precisamos fazer um mea culpa. Se você leu o preview de Miami no ano passado sabe do que estamos falando. O panorama que traçamos apontava uma equipe em crescimento, e nem a ideia de Jay Cutler nos fez colocar a mão na consciência: “os Dolphins possuem boas chances de retornar aos playoffs.” Você já sabe que não rolou. Erramos feio, erramos rude.

Além de não chegar a pós-temporada, o time não jogou bem – por mais paradoxal que possa parecer. Não é só o record 6-10 que mostra isso. Nos rankings de DVOA (a única estatística possível), os Dolphins tiveram seu ataque ranqueado na 27a posição, e a defesa foi ainda pior, uma colocação abaixo.

Assim, em apenas um ano, a lua de mel com Adam Gase acabou. Se antes o técnico era apontado como uma das mentes mais promissoras da liga, agora sua situação é o inverso disso: caso sua equipe repita a temporada medíocre, é provável que Gase esteja sacando o FGTS em 2019.

O processo de (des)construção

Ainda em 2017 Miami trocou o RB Jay Ajayi para Philadelphia por quatro barrinhas de proteína. Na época, foi dito que a comissão técnica queria “punir” o jogador pela sua indisciplina. Provavelmente alguém viu os Patriots enviando Jamie Collins para os Browns e quis replicar o conceito, mas talvez esse alguém não tenha capturado a essência da questão.

A situação de Jarvis Landry, como era previsto, foi se arrastando até que o jogador recebeu a franchise tag apenas para ser trocado para Cleveland (ei! Talvez alguém tenha entendido) por não apenas outras quatro barrinhas, mas uma caixa delas.

Além deles, o Dolphins ainda cortou o DT Ndamukong Suh e o C Mike Pouncey. O primeiro de forma questionável, já que era o melhor jogador da equipe e um dos melhores defensores da liga. O segundo, apesar de ter sido um dos pilares da linha ofensiva no passado, sofria com lesões há algum tempo.

As reposições foram questionáveis. Para o lugar de Landry, chegaram Danny Amendola e Albert Wilson que, somados, totalizam 73% de um Wide Receiver. Robert Quinn, já bem longe do auge, e Josh Sitton, também velho mas ainda bom, chegaram em Miami.

Junta tudo e vê no que dá

No draft, Miami buscou o S Minkah Fitzpatrick, que pode vir a formar uma dupla interessante com Reshad Jones, talvez o melhor jogador da equipe hoje. Além dele, foi escolhido o TE Mike Gesicki, com o objetivo de substituir Julius Thomas, que conseguiu enganar na NFL por três temporadas após se divorciar Peyton Manning.

Como você já sabe, não fingimos entender sobre o processo de recrutamento da NFL, então as escolhas mais baixas não costumam ser comentadas – mas, nesse caso, vale citar o RB Kalen Ballage. Alguns relatos davam conta que o time esperava muito do jogador, mas recentemente ele ganhou as manchetes por ser xingado por Ryan Tannehill após fazer alguma merda. Irrelevante? Talvez. Divertido? Com certeza.

Falando em Ryan Tannehill, vale mencionar a situação do QB. Após sofrer nova lesão no joelho, ele teve que assistir a inaptidão de Jay Cutler comandando seu ataque em 2017. Para esse ano, imaginava-se até que ele não seria opção, já que o Dolphins estava em posição de ir atrás de um substituto no draft. Não aconteceu, e como o roster tem apenas David Fales, Brock Osweiler e Bryce Petty (somados não dão 0,73% de um quarterback), Tannehill será o signal caller sem controvérsia.

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O ataque comandado por Ryan terá uma linha interessante. Laremy Tunsil, Josh Sitton e Daniel Killgore não estão entre os melhores de suas posições, mas o primeiro um dia pode chegar lá, o segundo já esteve lá e o terceiro flutua na linha da mediocridade – o que, para um OL, é melhor do que muito do que vemos pela liga. O lado direito ainda é incerto, já que Ja’Wuan James tem oscilado e o segundo-anista Isaac Asiata não conseguiu se firmar.

Dentre os WRs, preocupa a falta de um grande nome. Kenny Stills e DeVante Parker não conseguem nada acima da média, sendo que esse último não consegue desenvolver o seu jogo, mesmo entrando no quarto ano na NFL. Albert Wilson e Danny Amendola não são o complemento necessário, apenas mais do mesmo.

O corpo de Running Backs conta com o promissor Kenyan Drake, que já mostrou flashes quando ganhou a titularidade ano passado. Além dele, temos o calouro já citado Ballage e os restos do que um dia acredita-se ter sido Frank Gore.

A defesa ainda depende de Cameron Wake gerando pressão na linha defensiva, já que Charles Harris ainda precisa se provar e não esperamos muita coisa de Robert Quinn. Sem Suh, a DL não tem nenhum nome de impacto, apenas veteranos de calibre médio para baixo. Vale mencionar a adição de William Hayes, faamoso por não acreditar em dinossauros, mas acreditar em sereias.

O miolo do sistema defensivo não conta mais com Lawrence Timmons se arrastando em campo, mas mesmo assim Kiko Alonso ainda precisa se provar em Miami. Se eles jogarem tudo que já foi dito sobre eles, pode ser uma dupla interessante, entretanto esse cenário é pouco provável.

Por fim, a secundária conta com uma dupla de Safeties interessante e alguns CBs de potencial, como Xavien Howard e Cordrea Tankersley. Se eles continuarem a trajetória de crescimento, talvez esse seja o ponto mais forte não apenas da defesa, mas de toda a equipe – o que, bem, diz muito sobre aquilo que o futuro reserva.

Palpite:

Miami montou um time de forma esquisita. As movimentações na offseason, principalmente o mercado, não apontaram para nenhuma estratégia bem definida na construção da equipe. Porém, o Dolphins ainda tem bons jogadores e conta com a sorte de jogar em uma das piores divisões da NFL. Sendo razoável, é possível crer que cenário não seja tão catastrófico como alguns apontam (1st pick), e um record 6-10 ou até mesmo 8-8 não seria surpresa.

Semanas #13 e #14: os melhores piores momentos

Depois de merecidas férias, voltamos com a coluna que já faz parte da cultura brasileira e é um patrimônio nacional. Vamos direto ao que interessa.

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club

À essa altura, todos já aprenderam a amar e respeitar o Fã Clube que mais cresce no Brasil e no mundo.

1.1 – Semana 14

1.1.1 – Tom Brady

Mostrando que, cedo ou tarde, todos querem estar aqui.

1.1.2 – Jay Cutler 

Figurinha carimbada, não só por aqui, mas também na coluna. Repare na situação que Jay resolveu ir deep.

1.1.3 – Russell Wilson 

Intended for Jimmy Graham. Que ainda cometeu falta no lance. Não dá pra nos deixar mais felizes.

1.2 – Semana 13 

1.2.1 – Jay Cutler 

É claro.

1.2.2 – Blaine Gabbert

É claro. intensfies 

1.2.3 – Brett Hundley

A coluna sentirá saudades.

2 – Punts 

Você tira os olhos da TV por um instante e, quando olha, deu merda.

2.1 – Miami Dolphins (Semana 14) 

Fica feio por esse ângulo, né? Então… Só piora.

2.2 – Tennessee Titans (Semana 14)

Teve gente falando em Mike Mularkey pra Coach of the Year. Gente que foi PAGA pra isso.

2.3 – Carolina Panthers (Semana 13)

Aqueles deliciosos casos em que a descrição da jogada é tão boa que merece ser colocada aqui.

3 – Imagens que trazem PAZ.

3.1DeVante Parker (Semana 14)

Dar uma carada na bola infelizmente se mostrou uma estratégia falha para conseguir a recepção.

3.2 – Estatísticas (Semana 14) 

Porque sim.

3.3 – Por que jogar no Special Teams é uma merda (Semana 14)

3.4 – Joe Flacco (Semana 13) 

Faltaram palavras.

3.5 – A defesa dos Redskins (Semana 13)

Da série: estratégias ousadas que infelizmente falharam.

4 – Nossos lances preferidos 

4.1 – Semana 13: William Jackson

Porque cãibras mentais são reais.

4.2 – Semana 14: DeShone Kizer

Porque tudo nessa jogada é lindo. E porque é o Browns.

5 – Troféu Dez Bryant da Semana

Você já sabe do que estamos falando. Aquele jogador de nome que some quando seu time precisa.

Deixa o esquema tático pra depois. Os jogadores do outro time não são tão técnicos. Joga a bola no Dez Bryant. Vai sem medo…

Foram duas interceptações. Nenhuma terceira descida convertida. Um QBR que foi metade do de Jay f*cking Cutler. Por tudo isso, e mais (mais o quê especificamente preferimos não comentar), TOM BRADY vence o Troféu Dez Bryant, o único que faltava na sua coleção. Parabéns!

Mas o que é isso?

Semana #11: os melhores piores momentos

Já estamos na semana 11.  Passou rápido, não é? A essa altura já sabemos quem é quem na NFL (embora não precisássemos chegar até aqui pra lembrar que Jay Cutler não presta), e as brigas já estão definidas – lembrando que a temporada da NFL antecede aquilo que realmente importa: o draft.

Sem mais enrolações, vamos ao que importa: o piores momentos da semana 11, a última com times de folga!

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

A cada semana, mais jogadores (até mesmo de outras posições!) se juntam a SEITA criada por ele, Rex Grossman.

1.1 – Jared Goff 

Ainda ocupa um lugar especial em nossos corações, mesmo tendo lançado em cobertura tripla.

1.2 – Brett Hundley

O homem que destruiu os sonhos do dono do site.

1.3 – Dak Precott 

Porque, toda rodada, alguém nos lembra do conceito conhecido como “PUNT COM O BRAÇO”.

1.4 – Travis Kelce

Uma participação mais que especial. “TEs não são interceptados!”, ele deve ter pensado. Aham, fera. vai nessa.

2 – Imagens que trazem PAZ

2.1 – Este cidadão

A desgraça que é trabalhar para a franquia Chicago Bears. Força, Cairo! 

2.2 – Joe Flacco

A culpa provavelmente foi do Center. Mas o que vale é a narrativa.

2.3 – A defesa dos Saints

Sabe quando você manda aquele All Out Blitz e ainda marca para a defesa ir contra a corrida no Madden (paga nois, EA Sports)? Então…

2.4 – Delanie Walker

Mike Tirico chegou a gritar “TOUCHDOWN“. Errou, pois duvidou da capacidade do ser humano de ser imbecil.

2.5 – O guerreiro #30 de Dallas

Retardado, imbecil, idiota, feio, bobo.

2.6 – O guerreiro #16 de Oakland 

Quase caiu no chão e resolveu descontar no coleguinha. Note como ele dá passos serelepes em direção ao jogador dos Patriots.

2.7 – Connor Barth

Entenda aqui porque Cairo Santos é o novo kicker do Chicago Bears. (Assista com áudio).

2.8 – Este cidadão 

Temos certeza que não é assim que as crianças aprendem a bloquear nas Pee Wee Leagues.

2.9 – Tahir Whitehead

2.10 – Os idiotas do STs de Atlanta

Qualquer kickoff que acaba com o time que chutou pode demitir 11 homens por justa causa.

2.11 – Os idiotas do STs de Seattle

A culpa provavelmente é do técnico que chamou essa merda, mas vamos culpar quem executou mesmo.

3 – A semana do Quarterback 

A cada jogo um desgraçado diferente na posição mais importante do jogo.

3.1 – Brett Hundley

Hundley já teve uma de suas peripécias mostrada acima, mas ele merece ser citado novamente. A falta de perspectiva que o “jogador” dá ao seu time é desanimadora e, segundo relatos de nossa equipe no Lambeau Field, torcedores diziam coisas como “Desculpe, essa é a coisa mais triste que mais vi em um campo de football.” Porém, um alívio: o apito final, e um grito de “HUNDLEY, YOU SUCK!”, que foi acompanhado por uma meia dúzia.

Crack.

3.2 – Marcus Mariota

O queridinho de muitos torcedores que se apoiam em seus stats na redzone, mas nunca viram Mariota com um jogo memorável contra um time de verdade. A verdade é que Marcus é hoje um QB bom, mas as pessoas esperam que ele seja mais. A atuação desastrosa contra os Steelers mostrou que ele ainda precisa evoluir muito se quiser mudar de prateleira. Inclusive quem viu a Análise Tática da Semana pôde acompanhar uma de suas interceptações sendo ESMIUÇADA.

Um dos meus analistas de football preferidos é o Kevin Clark. Para os próximos dois QBs, vou usar as palavras dele como minhas.

3.3 – Jay Cutler

“Quando o RedZone corta pro Jay Cutler em uma terceira descida longa no campo de defesa, o potencial de retorno é bem baixo.”

“O maior truque de Jay Cutler foi convencer o Miami Dolphins que ele tinha deixado a aposentadoria.”

3.4 – Nathan Peterman

“Nathan Peterman é um personagem fictício inventado por uma propaganda de Tyrod Taylor.”

“Nathan Peterman é o primeiro jogador na história dos esportes cuja simples existência é forma de motivação para o time adversário.”

4 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time precisa que a estrela brilhe, afinal é um momento importante? Dez Bryant sabe, mas ele não consegue brilhar nesses momentos.

O Prêmio Dez Bryant da Semana premia o jogador de nome que some durante a partida e/ou em um momento decisivo dela. E, dessa vez, o vencedor do prêmio veste as mesmas cores que Dez.

Podem falar de qualquer ausência, mas Prescott teve um jogo ruim, horrível, o que acabou me custando uma vitória no Fantasy. Acabou a paz em Dallas.

5 – Nosso lance preferido da semana

Como você pôde ver acima, a disputa foi bem acirrada. Mas uma quase-Pick Six de Brock Osweiler, encerrada por um auto-fumble acabou levando o prêmio.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Análise Tática #13 – Semana #6: Como o Atlanta Falcons foi Atlanta Falcons

A semana 6 mostra que a NFL segue desafiando analistas com suas previsões, afinal, fingimos que conhecemos algo, mas quando a bola sobe, coisas estranhas podem acontecer.

Seis semanas. Esse foi o tempo necessário para a esperança desaparecer completamente e o Cleveland Browns voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

E foi exatamente isso o que aconteceu no Mercedes-Benz Stadium (o estádio moderno com sistema de iluminação semelhante ao do pior inferninho que você conhece na sua cidade): o Atlanta Falcons desperdiçou 17 pontos de vantagem contra o possante Miami Dolphins comandado por Jay I don’t give a damn”  Cutler.

O primeiro tempo inteiro foi dominado pelos Falcons, que abriram 0-17 antes do intervalo. O novo coordenador ofensivo, Steve Sarkisian, ainda executa conceitos do ataque de 2016 comandado por Kyle Shanahan. Afinal, apenas tolos implodem um ano de sucesso por causa de uma derrota, por pior que ela seja.

Ainda no primeiro drive da partida, os Falcons mostraram um dos conceitos ofensivos mais interessantes. 3rd & 8, ainda no campo de defesa, o time se encontra em uma situação óbvia de passe. Ao contrário de tentar explorar rotas longas, o ataque comandado por Matt Ryan aproveita-se do fato de que a defesa dos Dolphins iria marcar em zona e alinha seus recebedores em formação trips-bunch do lado esquerdo.

O recebedor principal da jogada é Taylor Gabriel, camisa 18, indicado pela rota em laranja. Os demais recebedores em bunch (triângulo do lado inferior da imagem) têm por objetivo esticar o campo, reduzindo a quantidade de jogadores protegendo a marca do first down, na linha de 35. A linha ofensiva contém os pass rushers alinhados em 9-tech e Matt Ryan tem tempo de completar um passe fácil.

No momento em que a bola sai das mãos de Matt Ryan, não há nenhum defensor dos Dolphins próximo a Taylor Gabriel. Ótima jogada executada e O first down em um drive que resultaria em Field GoalAtlanta continuou seu domínio, e restando 2:00 no primeiro quarto, viria a marcar seu primeiro touchdown no jogo. Bola na linha de 40 do campo de ataque, os Falcons se alinham em 12 personnel, enquanto Miami mostra um desenho de cover 2 na secundária.

Ao prosseguir, observamos uma situação costumeiramente utilizada pelas defesas da NFL, mas igualmente perigosa. O disfarce de cobertura acontece para esconder do ataque as tendências ou plano de jogo, ao mesmo tempo em que jogadores defensivos fora de posição aumentam as chances da jogada ser mal executada.

Reparem no jogador circulado em azul, toda a jogada vai se desenvolver em cima dele. Em determinado momento da jogada, Austin Hooper, camisa 81 dos Falcons, executa uma rota out, quebrando na altura linha de 25 jardas. Nesse momento, Xavien Howard, camisa 25 dos Dolphins, hesita no lance, sem saber se receberá ou não apoio de um dos Safeties. Esse momento de indecisão é o suficiente para que Marvin Hall consiga a separação suficiente, e Matt Ryan coloque a bola perfeitamente em suas mãos. Touchdown Atlanta.

O jogador vendendo a possibilidade de um end-around (corrida em que o WR sai de uma das laterais e recebe o handoff no backfield também ajuda a segurar os linebackers, construindo o mismatch entre Howard e Hall, dois jogadores que você, leitor, provavelmente nunca tinha ouvido falar antes). Nessa jogada, Atlanta utiliza uma rota atacando o espaço entre os dois Safeties mostrado na leitura pré-snap, mesmo que a defesa dos Dolphins tenha executado algo totalmente diferente de um cover 2.

Já no segundo quarto, Atlanta seguia dominando, aqui aproveitamos para variar um pouco de jogadas de passe e analisar um conceito de corrida. Restando 7:52 no relógio, os Falcons se encontravam na linha de 39 do campo de defesa. Pelas características dos atletas de sua OL e de seus running backs, Atlanta gosta muito de executar jogadas de zone-blocking. Esse conceito de bloqueios funciona de forma muito simples: o jogador deve bloquear o adversário à sua frente. E se não houver ninguém, então partirá para o atleta mais próximo na direção em que a corrida se estabelece. Ao mesmo tempo, o running back deve ser capaz de antever o local em que surgirá o espaço que deverá correr.

Nesse caso, com uma formação de twin-TEs desenvolve-se uma corrida toss para o lado esquerdo do ataque. O Center Alex Mack e o LT Jack Matthews são os únicos jogadores que possuem assignments no segundo nível da defesa, sendo o último, o lead blocker (jogador que Devonta Freeman deverá seguir).

A esse ponto, a corrida já é um sucesso de execução, mas a capacidade atlética de Devonta Freeman a transforma em uma big play. O jogador atinge o segundo nível da defesa em alta velocidade e busca um corte para a direita, resultando num ganho de 44 jardas. Snaps depois, Tevin Coleman completaria o drive com um TD que colocaria os Falcons 17 pontos em vantagem antes do intervalo.

Depois do halftime, todo esse domínio de Atlanta ruiu. Assim como em fevereiro, o time se esqueceu de que a partir daquele momento, precisava queimar cronômetro. Uma série de campanhas curtas colocou de volta o ataque de Miami no jogo. 17 pontos não era uma diferença tão absurda assim, e Adam Gase inteligentemente contou com Jay Ajayi para equilibrar a partida, em vez de tentar a sorte com Jay Cutler. Uma série de boas corridas é sempre suficiente para colocar dúvidas na defesa e fazer com que até mesmo QBs como Cutler rendam bem no play action.

Já no terceiro quarto, 6:25 no relógio e bola na linha de 11. Ataque de Miami alinhado em shotgun singleback com 3 recebedores do lado direito e o TE Julius “It’s so Easy” Thomas do lado esquerdo entre a marcação numérica de 10 jardas e as hashmarks.

Em se tratando de uma 3rd & 7, situação óbvia de passe dentro da red zone, a defesa dos Falcons recuou corretamente em zona. Enquanto isso, a jogada de Miami se desenvolveu entre os dois recebedores mais internos do lado direito da formação, sendo Kenny Stills o alvo principal da jogada.

Aqui, méritos para Jay Cutler. O QB percebe o espaço devido a pass rushers alinhados em 9-tech, escala o pocket, exatamente o tempo em que Kenny Stills precisa para conseguir separação em sua rota, e ainda coloca um passe preciso. Touchdown e os Dolphins iniciam sua reação na partida.

Restando 1:38 ainda no terceiro quarto, os Dolphins tinham a bola novamente na redzone dos Falcons, dessa vez na linha de 7 jardas, em situação de 2nd & 6.

Alinhando com stack receivers, twin TEs e singleback formation, os Dolphins realizam um screen pass em fake motion com Jarvis Landry, ao perceber a marcação individual indicada em marrom.

O snap ocorre no momento em que Landry atinge a hashmark, ao mesmo tempo, em que todos os bloqueios e a rota de Kenny Stills se desenvolvem para a direita, atraindo a defesa. Com isso, Landry aproveita o mismatch e marca mais um touchdown, que naquele momento da partida, deixaria o placar em 14-17.

A vantagem construída no primeiro tempo já não existia mais e o momentum da partida era todo dos Dolphins, que com dois Field Goals no último quarto, conseguiram uma vitória fora de casa por 20-17, agora com record de 3-2. Aos Falcons, fica o aprendizado, mais uma vez, de quando se possui uma grande vantagem no segundo tempo, é necessário controlar o relógio.

Diego Vieira, como todo torcedor dos Colts (aparentemente o site precisava de mais um), também odeia o Atlanta Falcons.

Semana #5: os melhores piores momentos

O protocolo pede para que sempre haja um textinho de introdução antes de ir direto ao que interessa. Como sabemos que você vai pular essa parte da coluna, vamos direto ao que interessa.

1 – Começando com o pé torto: o Thursday Night Football

O Tampa Bay Buccaneers sofre com uma maldição que não acomete times grandes, apenas Buffalo Bills e Minnesota Vikings da vida: a franquia não consegue achar um kicker. Roberto Aguayo foi escolhido na segunda rodada do draft em 2016 para, um ano depois, ser chutado pelos restos de perna que habitavam o corpo de Nick Folk.

Aguayo está sem time e Nick Folk perdeu gloriosos três (!!!) Field Goals na derrota dos Bucs para os Patriots. Mas, vamos dar um desconto para o rapaz. O último chute era de trinta e uma jardas.

Errou.

2 – Prêmio Dez Bryant da Semana. 

Gostamos de deixar para dar o Troféu Dez Bryant – o único que premia o jogador de nome que você não pôde confiar durante a rodada – no final da coluna, mas abrimos uma exceção para Ben “Big Ben” Roethlisberger. Afinal, todos já sabiam. Cinco interceptações, duas pick sixes. Não temos mais o que dizer. Parabéns!

Procurando o fundo do poço.

3 – Interceptações medonhas: quem tem QB, tem medo.

Os que não tem choram.

3.1 – Jay Cutler

Estamos negociando os últimos detalhes para que Cutler se torne o patrocinador da coluna no lugar deixado por Andy Dalton.

3.2 – Jared Goff 

Até ontem ele era chamado de bust. Entenda aqui o porque.

3.3 – Jared Goff 2: O Inimigo Agora é Outro

Interceptado em um screen, bicho.

4 – Drops medonhos: na dúvida, vire jogador de soccer.

4.1 – Cooper Kupp

Porque ninguém atrapalha o comeback do nosso Jared Goff e sai impune.

4.2 – O guerreiro #34 de Minnesota

Todos sabemos que receivers que não sabem agarrar a bola viram defensive backs. Nem sempre isso é bom.

5 – Apenas mais uma cagada dos Special Teams do Indianapolis Colts

A unidade que já nos brindou com momentos inesquecíveis ataca novamente. Vamos deixar algo bem claro: se uma jogada nunca foi feita anteriormente na NFL, é bem provável que isso se dê porque ela é uma merda. E não é Chuck Pagano que vai descobrir algum conceito revolucionário. Apenas pare com isso, Colts.

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Os 49ers ainda são péssimos

Porque você não vê muitos sacks em 2 men rush. Aliás, você não vê nem muitos 2 men rush. 

6.2 – Matt Cassel

A culpa não é dele, a culpa é de quem o coloca para jogar. Aqui vemos ele parindo uma futebola em um fumble deveras bizarro.

6.3 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?” ou “O não-retorno de Tavon Austin”

Era um fair catch. O único obstáculo dele era ele mesmo. Não foi suficiente.

7 – A segunda melhor coisa que o Chicago Bears fez no ano.

A primeira, claro, foi selecionar Mitch Trubisky. Um fake punt, um touchdown, defensores passando vergonha. São momentos como esse que alimentam o servidor do Pick Six Brasil.

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Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints.

Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado.

Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

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PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

O melhor time que você insiste não respeitar

Se você precisasse fazer uma lista sobre piores times da NFL, ela certamente começaria com o New York Jets. 49ers está em um processo de tranquila reformulação e os Bills, com certo atraso, estão seguindo pelo mesmo caminho. Por último, você citaria Cleveland (“que apesar de parecer melhorar, é um lixo todo ano”) e Chicago. E é com os Bears que você, leitor, começaria a estar enganado.

Tiremos isso do caminho: estamos traumatizados e ainda não temos certeza de que está superada a escolha de Mitch (Mitch, sim) Trubisky na segunda posição do draft. A pick foi feita após uma troca que envolveu dar aos 49ers duas escolhas de terceiro e uma de quarto round para subir apenas uma escolha – em um exemplo das capacidades do novo GM John Lynch de realizar um bom leilão (ou ao menos fazer os gênios de Chicago acreditarem que havia um).

Mais: Trubisky foi selecionado por um time que tinha assinado com o veterano Mike Glennon, ainda que por efetivamente apenas um ano, garantindo-lhe 18,5 milhões de dólares.

Parecia que Glennon teria a oportunidade de suceder a montanha russa que foi Jay Cutler (que mesmo que seja o inútil que odiamos, detém os principais recordes de um QB em Chicago, incluindo até mesmo número de sacks sofridos e número de viradas no último quarto) ao longo dos últimos 8 anos, antes de ele se aposentar.

Entretanto, dentro de algumas semanas (não dissemos quantas), o show em Chicago será comandado pelo jovem Trubisky – mas não é o novo QB da equipe o verdadeiro ponto de interesse para a Cidade dos Ventos.

O príncipe encantado.

Obs: sempre divertido falar sobre Mark Sanchez e ele está em Chicago. Não que ele vá jogar ou ser útil de qualquer maneira, mesmo que atualmente seja considerado o QB2 no depth chart oficial, mas só para causar aquele desgosto leve lembrando desse gênio incompreendido.

Por que eu draftei Jordan Howard 

O leitor certamente não sabe, mas boa parte dos fundadores do site se conheceram por causa de uma liga de fantasy football. Devido a traumas do ano passado que não cabem ser relembrados, esse que vos escreve tinha apenas uma certeza para o primeiro round do draft desse ano: a primeira escolha seria um running back. Seria necessária muita sorte para ficar com um dos dois principais, David Johnson ou Le’Veon Bell. Assim, a busca, com a sexta escolha, e considerando que os outros jogadores escolheriam WRs, seria pelo terceiro running back mais produtivo da liga.

Ainda que jogadores como Todd Gurley, LeSean McCoy e Melvin Gordon sejam opções mais óbvias, cada um tem seu próprio problema pelo qual Howard não passará. Gurley talvez não seja tudo aquilo que vimos em seu começo e, mais do que isso, os Rams deverão sofrer muitos pontos sem o seu principal defensor (mais a frente, por que acreditar na defesa dos Bears), o que faz o time abandonar o jogo corrido; LeSean McCoy está em uma equipe que tem como principal objetivo perder e recomeçar tudo, enquanto Melvin Gordon está em um ataque que tem muitas outras boas opções além dele.

Somado a isso, é válido lembrar que Jordan Howard correu 1313 jardas (segundo melhor número da NFL) mesmo sendo titular em apenas 13 jogos e com o menor número de tentativas entre os RBs no top 5 de jardas.

Já o interior da linha ofensiva de Chicago deve ser um dos melhores da liga com Josh Sitton (ex-Packers), Kyle Long voltando depois de um 2016 cheio de lesões e o center Cody Whitehair, agora um veterano – o que também deve abrir muitos espaços para Howard e permitir que ele repita a média de 5 jardas por corrida e 27.8% de corridas para first down (também segunda melhor marca da NFL, atrás de Zeke Elliott).

Queria te abraçar na neve também, Jordan, seu lindo.

A falta de alvos (ou uma coleção de eternas promessas)

Além das dúvidas e possíveis mudanças que ocorrerão na posição de quarterback, o titular que for escolhido não deve ter alvos seguros para quem lançar. O mais estável entre os recebedores da equipe, Cameron Meredith, foi mais um dos que deixaram a perna na pré-temporada e volta só ano que vem. Seu espaço deverá ser preenchido por um trio de novatos em Chicago que acumulou, juntos (!), 52 catches, 654 jardas e 4 touchdowns em 2016, menos do que o próprio Meredith conseguiu sozinho.

É válido, entretanto, lembrar que Kevin White foi apenas um novato azarado que sofreu com lesões na pré-temporada de 2016 (jogou apenas 4 jogos ano passado e com limitações) e finalmente está de volta com força total – tendo efetivamente sua primeira temporada.

Já Kendall Wright recebeu mais de 1000 jardas em 2013 (ele já vai para sua sexta temporada!), mas a exemplo de Markus Wheaton (749 jardas e 5 TDs em 2015, sua melhor temporada), nunca conseguiu se estabelecer como uma opção segura para seu time – e agora tentará um renascimento pelos Bears. O time ainda contará com o pequeno novato Tarik Cohen (de 1,68m!) como opção no backfield para o jogo aéreo ao melhor estilo Darren Sproles.

É também preciso lembrar da predileção do head coach John Fox pelo jogo corrido – mesmo com Peyton Manning em Denver, o time nunca deixou de correr com a bola para abrir espaços e conseguir first downs importantes. Além disso, o time tem um novo coordenador ofensivo, Curtis Modkins, que fez a sua carreira como treinador de running backs na NFL e, como OC em San Francisco em 2016, fez parte do quarto time que mais correu com a bola (mesmo estando atrás no placar na maior parte do tempo).

Por isso, atenção a Jordan Howard, o principal jogador desse ataque e que deverá carregar esse lado do time nas costas. Vocês foram avisados aqui primeiro.

A (segunda) melhor defesa da NFC North

E já que lembramos de Kevin White, é válido lembrar que os Bears perderam ano passado mais um jogador por lesão na pré-temporada: o CB Kyle Fuller, que teve duas boas primeiras temporadas para iniciar sua carreira e tentará dar prosseguimento a ela agora em 2017. O time também reforçou a sua secundária, ponto fraco da defesa, trazendo o CB Prince Amukamara, escolha de primeiro round em 2011 (comparado, inclusive, com Patrick Peterson na época), mas que sofreu com lesões, e o S Quintin Demps, titular na boa defesa de Houston.

Seguindo com os problemas de lesões, para não citar um a um, tenha em mente: todos do bom front-seven sofreram com lesões ano passado, mas agora estão finalmente saudáveis.

O grupo de LBs em Chicago é de altíssimo nível: tanto Freeman quanto Trevathan estão entre os melhores insides linebackers da liga, enquanto Leonard Floyd e cia devem criar pânico entre os QBs adversários.

Jerrell Freeman. Danny Trevathan. Essa dupla é foda, bicho.

Para finalizar, lembremos da volta de mais um último jogador que – claro – perdeu boa parte da temporada passada: o NT Eddie Gouldman, âncora dessa linha defensiva. Acompanhado do também potente Akiem Hicks, devem ser os principais responsáveis por fazer o trabalho sujo nas trincheiras e abrir espaço para os habilidosos linebackers que vem logo atrás – ou simplesmente não deixar o ataque passar.

Palpite: Se a defesa é a segunda melhor da divisão (sério, Packers e Lions têm toda a esperança da temporada nas mãos de seus QBs) e o ataque pode ser meio efetivo (VAMOS LÁ, JORDAN HOWARD!), 2017 poderá ser interessante para Chicago. Ninguém espera muito do time e algumas equipes podem acabar sendo pegas de surpresa depois de um início previsivelmente horroroso (ATL, TB, PIT, GB, MIN) de 0-5, mas que pode ser seguido de umas 7 ou 8 respeitáveis vitórias, supondo que quase todos se mantenham saudáveis. Então restará esperar o início da era Trubisky para um 2018 de sonhos mais concretos.

No meio do caminho tinha uma pedra

Durante boa parte do século o Miami Dolphins foi um dos principais representantes da palavra mediocridade na NFL. Após chegar aos playoffs em 2000 e 2001 a equipe ficou seis temporadas longe da pós-temporada, voltando para lá só em 2008. Depois disso foram mais sete longas temporadas sem jogar em janeiro, passando por anos sombrios de Joe Philbin como Head Coach.

2016 começou como um ano normal para o torcedor dos Dolphins. O ínicio de temporada 1-4, e o iminente duelo contra os Steelers praticamente sepultaram qualquer sonho do time de ser pelo menos razoável. Mas, naquele jogo, a realidade começou a mudar em Miami. Jay Ajayi correu para mais de 200 jardas – naquela que seria a primeira de três vezes que isso aconteceria no ano – e os torcedores puderam comemorar a primeira vitória sobre um time de verdade (claro, o Cleveland Browns não conta) na temporada.

Nas 5 rodadas subsequentes, as boas atuações da equipe – e de Ajayi – continuaram vindo, e os Dolphins se viram de volta na briga pelos playoffs. Nem a derrota contra os Ravens desanimou os ânimos de um time embalado, que voltaria a vencer logo na semana seguinte, contra os Cardinals.

Nesse jogo, porém, a sorte foi embora. Apesar da vitória, Miami viu seu QB sair de campo com uma lesão grave. Ryan Tannehill havia parcialmente rompido o ligamento cruzado anterior, e não jogaria mais naquele ano. Tal fato não impediu a classificação para a pós-temporada, já que o backup Matt Moore foi capaz de derrotar os poderosíssimos Jets e Bills. Se vencer um jogo de playoff em Pittsburgh com Tannehill já seria difícil, sem ele se mostrou uma missão impossível. Moore fez o que pode, mas o time foi facilmente derrotado: 30-12.

Apesar da eliminação em janeiro, os Dolphins chegaram em 2017 de cabeça erguida. No primeiro ano de Adam Gase a equipe finalmente mostrou estar em um caminho promissor, tanto por parte da comissão técnica quanto dos jogadores dentro de campo. O bom draft ajudou a alavancar as expectativas ainda mais, e Miami chegou ao seu Training Camp mais otimista do século cheio de confiança.

Porém, como dizem os torcedores de qualquer equipe, inclusive parem com isso, se não é sofrido, não é Dolphins. Logo no início dos treinos Ryan Tannehill voltou a sentir o mesmo joelho que havia lesionado anteriormente, e foi constatado que ele não jogaria a temporada. Poderíamos criticar o amadorismo da equipe diante da situação, já que a escolha de não realizar uma cirurgia no franchise QB foi bastante questionável, mas vamos deixar essa passar, afinal Miami nos deu uma grande alegria: o retorno de Jay Cutler. Contratado para salvar o ano, Jay voltou a NFL da mesma forma que saiu: nem aí.

“Cutler não sabia onde estava quando acordou no hotel”, foi a sua primeira manchete como QB dos Dolphins.

E é assim que os Dolphins chegam na temporada: se por um lado a expectativa é alta, por outro alguns problemas surgem no meio do caminho – e dessa vez eles não atendem pelo nome de Tom Brady e Bill Belichick.

Jay Cutler presents: o ataque dos Dolphins

Já citamos Jay Ajayi como uma das principais peças do ataque, e agora em seu segundo ano como titular, segundo ano saudável, e segundo ano no ataque de Adam Gase, ele tem tudo para jogar ainda mais bola. Além dele, Kenyan Drake, que teve bons momentos em 2016, retorna para ajudar no backfield.

Os recebedores também são os mesmos do ano passado: o excelente slot receiver Jarvis Landry; DeVante Parker, que (dizem) está preparado para ter um ano monstruoso depois de duas primeiras temporadas medianas; Kenny Stills, que agradou o suficiente para receber um contrato novo; e os segundo-anistas Leonte Carroo e Jakeem Grant, que esperam ter uma contribuição maior que na última temporada. O time ainda conta com a chegada do TE Julius Thomas, que teve seus melhores anos sob a batuta de Adam Gase, mas esteve de férias em Jacksonville nos últimos anos.

A linha ofensiva tem tudo para continuar progredindo, mesmo com a saída de Branden Albert. Laremy Tunsil agora jogará como Left Tackle; Mike Pouncey, se conseguir se manter saudável – um baita desafio para ele -, retorna como Center. O grupo ainda tem Ja’Wuan James, antiga escolha de primeira rodada, como Right Tackle; e o calouro Isaac Asiata podendo assumir a titularidade como Guard ao longo do ano. Como você já sabe, esse site preza por não encher linguiça citando nomes de jogadores que o fã-médio não conhece, logo não estranhe se a matemática da OL não fechou: não nos importamos.

E, claro, deixamos o melhor para o final. Jay Cutler. O homem que levou o editor desse site a passar uma madrugada destilando todo seu ódio contra ele – mesmo sendo um torcedor dos Packers. Cutler saiu da aposentadoria porque Adam Gase ligou desesperado procurando ajuda após a re-lesão de Tannehill.

Como eles já haviam trabalhado juntos em Chicago, Jay achou interessante a ideia de uma reunião. Se olharmos os stats, veremos que Cutler e Tannehill tiveram números parecidos no esquema de Gase. Podemos, assim, confiar que ele comandará o ataque sem maiores problemas.

Aqui a bruxa também come solta: a defesa dos Dolphins

Miami se reforçou na defesa durante a offseason. Os reforços eram necessários, mas a linha defensiva é tão boa que, pelo menos inicialmente, não terá nenhum novo titular. Cameron Wake e Ndamukong Suh continuarão fazendo o que fazem de melhor – embora em alguns estados isso não seja permitido.

Jordan Phillips e Andre Branch compõe o resto do grupo. Participarão da rotação Charlie Harris, escolha de primeira rodada, e William Hayes – que não poderíamos deixar de citar, afinal ele não acredita em dinossauros, mas acredita em sereias.

Suh e Cameron caçando QBs.jpg

O corpo de LBs estava fechado: Kiko Alonso, que foi muito bem, obrigado, no ano passado; Lawrence Timmons, recém-chegado de Pittsburgh; e Raekwon McMillan, escolha de segunda rodada. Infelizmente Raekwon também sofreu uma lesão e não jogará a temporada, então os Dolphins ainda estão por definir quem será o titular na sua posição. Não se assuste se um free agent for contratado, mas é bem provável que o titular acabe sendo alguém que você não conhece.

Na secundária Miami também já teve outra grande perda: o CB Tony Lippett, que não seria titular, mas provavelmente o reserva imediato de Byron Maxwell e Xavien Howard. Maxwell e Howard foram bem em 2016, e esse ano a expectativa em torno deles é alta. Reshad Jones, um dos melhores Safeties da NFL volta de lesão e jogará ao lado de Nate Allen, que substituirá Isa Abdul-Quddus, outro fora por de conta lesão.

Palpite: A corrida por Wild Card na AFC esse ano está complicada, mas, jogando em uma divisão em que apenas dois times podem vencer, os Dolphins tem boas chances de retornar aos playoffs. Resta saber se dessa vez eles terão forças para chegar mais longe esse ano – acreditamos que seja possível, mas o time não deve conseguir passar de Steelers ou Patriots quando enfrentar um deles.