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Correndo contra o tempo

Quando entrar em campo para enfrentar o Dallas Cowboys, no dia 10/09, Eli Manning completará 200 jogos consecutivos de temporada regular como QB titular do New York Giants. Se os playoffs forem incluídos na conta, são 212 partidas seguidas como starter. Entre QBs, a marca é a terceira melhor de todos os tempos, atrás apenas do irmão Peyton e de Brett Favre.

O número é impressionante para um esporte em que tantas contusões acontecem. A durabilidade de Eli é um dos motivos que o tornam um dos poucos verdadeiros franchise QBs da NFL. Desde a temporada de 2004, quando foi draftado na primeira escolha geral do draft e assumiu a titularidade do Giants, Eli não perdeu nenhum jogo e se tornou a cara da franquia.

A cara da franquia.

Em 2017, Eli Manning completará 14 temporadas de muitos altos e baixos na NFL. Os dois prêmios de MVP do Super Bowl contrastam com performances medíocres e muitas (muitas mesmo) interceptações. Eli parece adorar os extremos: ou é muito bom, ou é muito ruim.

O tempo, porém, parece ter feito bem a ele. Suas melhores temporadas em termos de estatística vieram depois dos 30 anos completos. Em 2011, por exemplo, ficou a 77 jardas de entrar para o seleto clube de QBs que passaram para cinco mil jardas em uma temporada. Os 35 TDs que lançou em 2015, quando já tinha 34 anos, foram o recorde de sua carreira.

O tempo traz experiência, mas também traz o inevitável declínio. Mesmo jogando razoavelmente bem nas últimas temporadas, Eli mostrou certa queda em sua performance física. Os passes já não são tão potentes e precisos e ele depende muito da habilidade de seus recebedores para mover o ataque.

O New York Giants sabe que a janela de Eli Manning está se fechando e parece estar determinado a conquistar mais um título com seu franchise QB. O time, que nunca teve o costume de gastar na free agency, foi às compras antes da temporada 2016 para tentar melhorar principalmente a defesa, que teve uma performance ridícula em 2015. A queima de dinheiro parece ter dado certo. Em 2016, primeira temporada de Ben McAdoo como head coach, o time conseguiu 11 vitórias e 5 derrotas e voltou aos playoffs pela primeira vez desde que venceu o Super Bowl, na temporada 2011. Porém, a derrota para o Green Bay Packers, logo na rodada de Wild Card, mostrou que ainda falta bastante coisa para que o time seja levado a sério como candidato a chegar ao Super Bowl.

Um novo velho ataque

Em 2016, o sistema ofensivo do Giants foi apenas o 25º melhor da NFL em jardas por partida, abaixo de ataques bem questionáveis, como o do Jacksonville Jaguars, e apenas um pouco acima de times verdadeiramente horrorosos, como o New York Jets e o Cleveland Browns. Os números mostram que o Giants chegou à pós-temporada muito mais por mérito da defesa e que algo teria que ser feito para tornar o ataque mais produtivo em 2017.

O Giants parece acreditar que para melhorar o ataque basta trazer armas novas para Eli Manning. Brandon Marshall foi contratado na free agency para ser o alvo “grande” que faltava, especialmente na red zone. Marshall é um ótimo jogador que há dois anos teve uma temporada de 1502 jardas e 14 TDs recebidos, mas que em 2016 não chegou a 800 jardas e recebeu apenas 3 TDs. Os números ruins na última temporada podem ser creditados à bagunça que foi o New York Jets, mas é possível considerar que Marshall já esteja no final de sua carreira. De qualquer forma, ele ainda deve contribuir de forma significativa para o ataque do Giants.

Outra arma adicionada na offseason foi o TE Evan Engram, draftado no primeiro round do draft de 2017. Engram foi uma das escolhas mais criticadas, por não ser um bom bloqueador e por não atender às reais necessidades do time; ele terá que provar o seu valor como recebedor e parece ser isso que o time espera dele. Após o draft, o General Manager Jerry Reese disse que o Giants vê Engram como uma arma. Engram terá que mostrar que sua presença acrescenta uma dimensão a mais ao ataque, já que nos últimos anos Eli Manning teve que se virar com TEs como  Will Tye e Larry Donnel.

Peguei.

Marshall e Engram devem ser bons complementos a Odell Beckham Jr., talvez o melhor WR da NFL, e Sterling Shepard, um slot receiver muito eficiente. Os quatro formam um dos melhores grupos de recebedores da liga. O problema é que não adianta ter recebedores tão bons se a linha ofensiva não protege o QB. O Giants terá em 2017 basicamente a mesma OL que jogou muito mal em 2016. A única contratação foi D.J. Fluker, veterano que não conseguiu sucesso em seus cinco anos de NFL. Se o setor não mostrar uma evolução razoável, será muito difícil para Eli Manning tirar proveito de suas armas.

Outro problema é a posição de RB. Depois de muitos anos de sofrimento com o nada inspirador Rashad Jennings como titular, o Giants decidiu que Paul Perkins e Shane Vereen são suficientes para comandar o jogo corrido. O problema é que eles não são. Perkins teve oportunidades em 2016 e mostrou ser um jogador mediano. Shane Vereen, além de não conseguir permanecer saudável, é um mero especialista em receber passes. Com um jogo corrido que não inspira quase nenhuma confiança, o Giants novamente deve ter um ataque unidimensional, até o braço de Eli Manning cair.

Spoiler: isso não é uma coisa boa.

Uma pequena grande evolução

Assim como a linha ofensiva, a defesa do Giants retorna praticamente intacta para a temporada 2017. A diferença é que, ao contrário da OL, o retorno da mesma defesa é uma excelente notícia para os torcedores do Big Blue. A única perda entre os titulares foi a do DT Johnathan Hankins, que foi substituído por Dalvin Tomlinson, escolha de segundo round vinda de Alabama.

Tomlinson se junta a uma linha defensiva bastante respeitável, com potencial para ser excelente. O pass rush será comandado por Olivier Vernon, a grande contratação da offseason de 2016 e o grande símbolo da reconstrução da defesa. Do outro lado da linha, Jason Pierre-Paul mostrou que pode jogar mesmo sem metade da mão e renovou seu contrato. Pelo meio, Damon “Snacks” Harrison talvez seja o melhor jogador de linha da liga defendendo o jogo corrido.

E se DL é boa, a secundária é melhor ainda. Até o desastre que foi o segundo tempo do já citado jogo de Wild Card contra o Packers, o Giants tinha feito um trabalho excelente defendendo recebedores. Em 2017, é provável que a evolução continue. Janoris Jenkins, outra das contratações milionárias do ano passado, Dominique Rodgers-Cromartie e Eli Apple formam um dos bons grupos de cornerbacks da NFL, enquanto Landon Collins talvez tenha sido o melhor Safety da liga no ano passado e foi selecionado para o Pro Bowl.

As vitórias que o Giants conseguiu nos Super Bowls contra o New England Patriots foram graças a defesas dominantes, que pressionavam fortemente os QBs adversários e não permitiam grandes avanços. A fórmula parece estar se repetindo. Resta saber se a defesa conseguirá compensar as carências do ataque. E se o time terá a sorte de encontrar o eterno freguês na decisão.

Palpite: talvez o Giants não tenha evoluído o suficiente para melhorar o recorde de 11-5 conseguido em 2016, especialmente no ataque. Se é difícil enxergar uma evolução considerável, também é difícil perceber uma queda muito acentuada. Portanto, é provável que o time consiga 10 vitórias em 2017, principalmente por mérito da defesa. É provável também que esse desempenho seja suficiente para uma vaga nos playoffs, mas o time não deve ir longe. A não ser que Eli Manning esteja inspirado, aí a gente já sabe até onde o Giants pode chegar.

8 maneiras estúpidas que jogadores (e um punter) encontraram para se machucar

Lesões são um dos grandes medos de um jogador profissional, ainda mais na NFL, já que a temporada é muito curta e é importantíssimo estar no seu melhor nível em todos os jogos. Apesar disso, lesionar-se é muito comum entre jogadores; estar sempre saudável é exceção.

Entretanto, todos os dias, jogadores de futebol americano se esforçam para provar que estão longe de serem gênios que valem os milhões de dólares que recebem anualmente.

Essa coletânea é mais uma prova disto: uma coleção de maneiras idiotas em que, por culpa própria ou de outros fatores, atletas acabaram se lesionando.

Jason Pierre-Paul não sabe brincar com fogos de artifício

Essa talvez seja a história mais famosa, especialmente por ser mais recente. Jason Pierre-Paul, defensive end dos New York Giants, vindo de uma ótima temporada, uma das grandes promessas defensivas da NFL, pronto para destruir linhas ofensivas mais um ano e ganhar um contrato multimilionário, resolveu aproveitar o tradicional de feriado de 4 de julho como um bom americano: explodindo fogos de artifício. O problema é que, como um festeiro descuidado, um deles explodiu em sua mão.

Resultado final: várias cirurgias e, em um ato de coragem para tentar acelerar a sua recuperação, JPP amputou 2 dedos da mão. Perdeu todo o treinamento da offseason, alguns jogos da temporada regular e, quando jogou, foi obrigado a usar uma luva bizarra que prejudicou seu desempenho. Além disso, sabe-se lá quando ele voltará a ter oportunidade de garantir aquele contrato gigantesco que, como os tais fogos de artifício, escapou entre seus dedos (desculpem!)

Cause, baby, you're a firework / Come on show 'em what you're worth

Cause, baby, you’re a firework / Come on show ‘em what you’re worth

Gramados não são piscinas: não mergulhe!

Esta lesão não é exatamente de um jogador que já estava na NFL, mas um que era destinado a ela. Adrian Peterson já era um monstro no college football e provavelmente uma das primeiras escolhas do draft de 2007. Só que, na sua última temporada por Oklahoma, em um jogo ganho (27-9, final do último quarto), ele conseguiu mais uma de suas grandes corridas, 53 jardas para o touchdown e a brilhante ideia de mergulhar de cabeça na endzone

Resultado final: uma clavícula quebrada e AP nunca mais voltou a jogar pelos Sooners, e perdendo a oportunidade de bater vários recordes da universidade. Além disso, passou todo o período pre-draft imerso em dúvidas sobre sua condição física, o que fez com que “caísse” no draft, só sendo selecionado na sétima posição pelo Minnesota Vikings.

Os super protetores

Se há algo que nunca esqueceremos é que jogadores de futebol americano ganham MUITO DINHEIRO, então seria natural imaginar que eles se importassem menos que reles mortais com “ter que ir e comprar de novo” algo que eventualmente quebrou, especialmente se, para salvar tal objeto, seja necessário algum movimento muito brusco e perigoso. Bem, não é o caso de Nate Burleson e Darren McFadden.

Comecemos com Burleson. Acidentes de carro são mais comuns do que deveriam entre jogadores da NFL, mas normalmente envolvem drogas ou álcool. Nesse caso, a culpada foi uma pizza. Sim, uma pizza!

Nate voltava tranquilamente para casa com duas caixas de pizza no banco do passageiro, quando a de cima deslizou um pouco e ele tentou salvá-la. Fez um movimento brusco, perdeu o controle do carro e bateu na divisória no meio da pista, quebrando o braço em dois lugares e perdendo boa parte da temporada de 2009.

Pior que ele (afinal pizzas SÃO sagradas) só o que fez McFadden, um jogador já conhecido mais por seu potencial desperdiçado entre lesões que por suas atuações. Eis que Darren estava belo e feliz com seu celular, quando, como já aconteceu com todos nós, o celular cai e em um movimento protetor o gênio se joga para tentar salvá-lo. Resultado: caiu sobre o cotovelo e quebrou o osso, o que o fez perder sessões de treinamento e deixar sua titularidade no Dallas Cowboys mais ameaçada do que nunca.

Já sobre o celular, não temos maiores informações, tampouco sabemos seu paradeiro.

“Não sabemos comemorar”

Aqui a coletânea é grande. Provavelmente é ainda maior do que os já listados, mas vamos aproveitar o que temos à disposição. Dois romperam o joelho e um… bem, deixemos para o final.

O primeiro idiota é Lamarr Houston. Último quarto, os Bears perdendo por 25 pontos, QB reserva dos Patriots em campo, Lamarr Houston consegue um sack. Ao invés de simplesmente voltar para sua posição como seria normal àqueles que estão tomando 25 cocos na cabeça, Houston resolve comemorar com um salto a la Cristiano Ronaldo e, como seria esperado, rompeu o ACL, ficando de fora do resto da temporada.

O próximo da nossa lista fez algo parecido, mas pelo menos tinha razão em estar comemorando. Bill Gramática, jogador dos Cardinals, acertou um chute de 43 jardas no primeiro quarto contra o Giants e saiu comemorando dando um soco no ar, não como faria Pelé, mas como fez Lamarr Houston, Bill caiu de mau jeito e estourou o joelho.

E por último, a comemoração das comemorações, o gênio dos gênios: Gus Frerotte, enquanto jogava pelos Redskins. Sunday Night Football, começo de jogo, o quarterback marca um TD corrido e sai comemorar emocionado, então faz o que qualquer pessoa normal faria, não é? Dá uma cabeçada no muro que separa os torcedores do campo de jogo. Resultado: machucou o pescoço e saiu do jogo, prejudicando seu time, que acabou empatando em 7-7.

O curioso caso do punter Chris Hanson

Obviamente devíamos ter um integrante dessa classe maravilhosa de jogadores que não são exatamente jogadores de futebol americano. Mais do que isso, Chris Hanson é protagonista de dois acidentes bizarros.

O primeiro ocorreu em 2002, na casa do kicker Jaret Holmes, quando uma panela de fondue virou e causou queimaduras de primeiro e segundo grau nos pés dos dois. Por sorte, o acidente foi durante as férias e eles já estavam prontos para o Training Camp.

O segundo ocorreu no ano seguinte, quando o time do Jaguars havia começado a temporada com três derrotas e o treinador Jack del Rio tentou trazer uma nova filosofia para o vestiário: “Keep Chopping Wood” (algo no sentido de “continue lutando, ultrapassando os obstáculos”). Para isso, ele levou um toco de árvore e um machado para o vestiário, e os jogadores iam cortando pedaços do toco todos os dias após os treinamentos.

Um belo dia, após o treinamento, Hanson e outro kicker, Seth Marlen, foram os primeiros no vestiário, quando o punter resolveu deixar a sua marca no toco também. Mas ele errou. Sim, ele errou! Bem, machado fincado no pé direito (pelo menos não era o pé bom, de novo), sangue por todo o vestiário, punter fora da temporada e pior: o treinador provavelmente teve que buscar um novo slogan para a equipe.

Árbitros também podem causar lesões

Essa história ocorreu dentro de campo, mas não teve nada a ver com a partida. Ou quase nada. O árbitro Jeff Triplette lançou o pano amarelo, em uma ação corriqueira de jogo. Só que dessa vez o pano voou e acertou diretamente o olho direito de Orlando Brown, um dos jogadores de linha ofensiva mais bem pagos daquele ano.

Brown levou a mão ao olho e logo em seguida empurrou a zebra ao chão, o que causou sua expulsão. Foram três anos para se recuperar da lesão e uma indenização de mais de 15 milhões de dólares ao jogador por parte da NFL.

Sinta a ameaça.

Sinta a ameaça.

Más companhias

Além de pouco inteligentes, também é notório que a maioria dos jogadores da NFL vem de lugares, digamos, “complicados” e seguem frequentando tais locais mesmo depois de estarem na liga. Por isso, parece quase natural que se envolvam em acidentes. Em um destes se envolveu Linval Joseph, que havia acabado de assinar um contrato de 5 anos e 31,5 milhões de dólares com Minnesota Vikings (<3).

Joseph estava na saída de um clube perto da hora de fechamento em agosto, pouco antes do início da temporada, quando um atirador disparou aparentemente de maneira aleatória pelo lugar e atingiu o defensive tackle de raspão na perna, além de mais nove pessoas. Joseph acabou perdendo a maioria dos jogos da preseason, apesar de não ter sofrido maiores problemas na temporada regular.

Válido lembrar: Plaxico Burress ficou dois anos preso após atirar acidentalmente na própria perna em um clube de Nova York.

Geno Smith apanha por $600

IK Enemkpali era um linebacker em seu segundo ano de NFL, que resolveu convidar o QB titular do seu time, o New York Jets, para um football camp na offseason do ano passado e até pagou a passagem para que ele comparecesse. Por problemas pessoais, Geno Smith não pode ir. IK então pediu que ele devolvesse os 600 dólares que teoricamente lhe haviam custado a passagem, com o que Smith concordou.

O problema aconteceu quando o Geno aparentemente esqueceu de devolver o dinheiro e, em uma manhã de treinamentos, foi confrontado pelo linebacker. Ninguém tem informações exatas de como aconteceu, mas a discussão acabou com um soco que quebrou a mandíbula do então quarterback titular dos Jets.

Graças a lesão, Smith ficou fora várias semanas e com isso perdeu a titularidade para Ryan Fitzpatrick, que quase levou o time aos playoffs – o que não aconteceria com Geno. Apenas pela campanha positiva, 10-6, os torcedores do Jets já podem agradecer IK Enemkpali!

Enemkpali ainda descolou uma vaga nos Bills do comédia Rex Ryan.

Enemkpali ainda descolou uma vaga nos Bills do comédia Rex Ryan.