Posts com a Tag : Jarvis Landry

Sobre Hard Knocks e esperança

A introdução do Hard Knocks, documentário feito sobre a pré-temporada do Cleveland Browns, traz a pergunta que todos devem se fazer na cidade; o tipo de pergunta que dói só de pensar. Afinal, pela segunda vez em cinco anos, e após ter finalmente trazido o título que sentia que devia à sua cidade de nascença, LeBron James deixa Cleveland para uma cidade maior, mais uma vez deixando todos os habitantes apaixonados órfãos de esporte.

Para esse vazio nos corações, considerando que os Cavaliers já produziram alegrias demais e gastaram toda a sorte com jogadores ao ter LeBron por uns 10 anos (e os Indians jogam beisebol), temos os Browns. Um time que não chega aos playoffs desde 2002 (com Kelly Holcomb – não vamos fingir que conhecemos) e conseguiu a incrível façanha de não ganhar nenhum jogo em 2017.

LEIA MAIS: Um bate-papo com Joe Thomas

Também em Hard Knocks, vemos toda a mandinga de Hue Jackson, cumprindo a promessa de mergulhar no gelado Lago Erie (promessa feita caso não ganhasse nenhum jogo em 2017) na tentativa também de esfriar um pouco seu assento – sabe bem que, se não produzir em 2018, sua posição como Head Coach sequer durará até novembro.

Não à toa, para tentar fazer valer a promessa, com a primeira escolha do draft, além de seu estilo marrento (contrastante ao máximo com a dedicação sinistra de Tyrod Taylor, seu “mentor”) e sua altura levantando dúvidas durante os primeiros estudos no draft, aí está Baker Mayfield, vencedor do Heisman de 2017, que recebe a mesma pressão pela qual já passaram, por exemplo, Brandon Weeden, Johnny Manziel e outros 47 jogadores ao longo da história (QBs draftados pelos Browns, sim).

Como sempre, tudo leva a crer (e, no caso dos Browns, já estivemos errados com certa frequência) que ele tem todo o talento suficiente para trazer a virada para essa franquia.

Dilema de quarterbacks

Na verdade, chamar de dilema tem muito mais a intenção de criar impacto do que expor a realidade. Tyrod Taylor, que foi rejeitado pelos Bills (e substituído por um sem número de QBs bizarros, entre McCarron e Peterman) mesmo depois de ter sido o primeiro QB a levá-los aos playoffs desde Doug Flutie, veio através de uma troca por uma escolha de terceira rodada.

Se parece muito, vale lembrar que os Browns escolheram Cody Kessler e DeShone Kizer, hoje QBs reservas em Jacksonville e Green Bay, por esses rounds. E, apesar de claramente ter a capacidade de liderar um ataque com o talento que listaremos em Cleveland, os Browns precisavam de esperança de verdade para acertar de uma vez por todas.

Esse alguém é o dono do motorhome estacionado no CT dos Browns (que, divertido lembrar, contava até com um mordomo próprio chamado Brogan Roback, que se disfarçou de undrafted free agent para servir Mayfield e cia).

Jovem defesa, velho carrasco

Provavelmente, não existem muitos caras mais xaropes na NFL que Gregg Williams (sempre válido lembrar, a principal mente por trás do bountygate Saintista) – basta assistir suas entrevistas e aparições em Hard Knocks para ter vontade de desvalorizar a defesa e até simpatizar com Todd Haley, o coordenador ofensivo.

De qualquer forma, a reconstrução dessa defesa continua com novas jovens estrelas. Myles Garrett, que já aterrorizou a liga em apenas 11 jogos em 2017 com sete sacks, está finalmente saudável e o céu é o limite para ele. Oposto a ele, estará Emmanuel Ogbah, que teve como principal elogio ao seu potencial a decisão de Cleveland de não escolher Bradley Chubb na quarta posição desse draft por acreditar em sua força para complementar a grande estrela dessa defesa. Na posição de DE, sentiremos falta de Carl Nassib, cortado após os waivers, e que deu aula de investimento para os companheiros de linha defensiva.

Ao invés de Chubb, veio o CB Denzel Ward, de Ohio State (ou ali da esquina, como diriam em Cleveland), já com a responsabilidade de ser o CB1 oposto a Terrance Mitchell, que teve algumas boas aparições pelos Chiefs, mas será titular de verdade pela primeira vez na carreira – provavelmente marcando o slot, enquanto EJ Gaines, que foi trocado em 2017 por Sammy Watkins (junto com uma escolha de segunda rodada, claro). O único a retornar de 2017 nessa secundária é Jabrill Peppers, que será safety junto com Damarious Randall, CB vindo de Green Bay convertido (draftado como S, virou CB, e agora volta à posição original).

Complementando a defesa, Christian Kirksey, é o grande líder do sistema, e James Collins, aquele que tenta trazer a cultura dos Patriots para os Browns – vai dar certo, pode confiar.

Não sei como, apenas façam funcionar

Como tudo em Cleveland, a equipe de suporte do QB móvel (veja bem, em todos os sentidos) é um trabalho em construção. Ao menos, existe um ponto de referência, de um jogador acostumado a jogar em ataques medíocres, agora que Joe Thomas, o left tackle lendário e para sempre injustiçado, desistiu de jogar  e resolveu ser feliz: Jarvis Landry, WR que, ao menos ainda, não é tão lendário assim, aceitou 75,5M de dólares ao longo de cinco anos para tentar fazer parte da reconstrução da franquia – e ele se esforçou para parecer um líder dos jovens WRs dos Browns.

Landry é um recebedor extremamente confiável (vide os vídeos bizarros em que o vemos agarrando qualquer bola lançada de qualquer jeito); utilizado especialmente como válvula de escape com passes curtos em Miami, vide suas 400 recepções nos 4 primeiros anos de liga, um recorde.

VEJA TAMBÉM: Tudo o que o Bills precisa(va) está(va) em Tyrod Taylor

Com esse estilo conservador (que deverá ajudar a abrir espaços para Tyrod/Mayfield), é preciso ter complementos interessantes para adicionar ideias ao ataque: na figura de Josh Gordon, outro da lista de “grandes talentos atrapalhados pela maconha” (tanto por estupidez da liga como dele), os Browns têm exatamente isso – se Gordon chegar a qualquer coisa próxima do que conseguiu quando entrou na liga (nos já distantes 2012/13), em que produziu 137 recepções, 14 TDs e 2451 jardas em 30 jogos, essa dupla é algo próximo do que todo QB sempre sonhou.

Ainda na linha de recebedores para os quais Hue Jackson e Todd Haley terão que ser criativos, podemos adicionar David Njoku, escolha de primeiro round que não teve oportunidades suficientes para explorar toda sua capacidade atlética, além de ter enfrentado probleminhas com drops. Outra arma interessante é Duke Johnson, RB que produz muito mais com recepções (74 para 693 jardas em 2017), e deverá fazer suas aparições no slot e em 3rd downs.

Como companhia, Johnson terá Carlos Hyde, que produziu 1290 em 299 toques no ataque de Kyle Shanahan em San Francisco, na primeira temporada saudável da carreira – para motivar, no seu cangote estará Nick Chubb, jovem estrela vinda de Georgia e escolhido no segundo round do draft e que fez uma boa pré-temporada, apenas para aumentar a competição por ali.

Se as skill positions parecem prontas para explodir, a responsabilidade da linha ofensiva fica ainda maior. Chris Hubbard, ex-titular dos Steelers, deve fazer companhia para Kevin Zeitler, uma grande aquisição na free agency de 2017, do lado direito da linha; JC Tretter, que também desembarcou no ano passado, é o Center; por último, as principais novidades vêm no lado esquerdo: Austin Corbett foi selecionado na primeira posição do segundo round para cuidar da lugar que era de Joel Bitonio, promovido ao blind side, com o desafio nada simples de substituir o cara mais legal que já pisou em Cleveland.

Com tantos nomes interessantes, será ao menos divertido assistir o desenvolvimento do ataque de Tyrod Taylor para, em seguida e ao longo de muitos anos, ser o ataque de Baker Mayfield, o QB que funcionou em Cleveland (você leu aqui primeiro).

Palpite:

Enfrentando times medianos na AFC North, como Ravens e Bengals e a duvidosa AFC West, está claro que Cleveland poderá fazer um número razoável de vitórias e trazer alguma alegria para seus torcedores. Se o ataque encaixar, nove vitórias e chegar aos playoffs é algo possível – apenas para vermos Tyrod Taylor surpreendendo a todos de novo. A aposta segura, porém, fica na casa das 6 ou 7 vitórias, Baker Mayfield jogando cinco jogos mais ao final da temporada e novas toneladas de esperança para o sofrido povo de Cleveland – convenhamos, já seria um 2018 brilhante.

Seja o que Deus quiser

Todos já passamos por isso: aquela prova complicada chegando, você não sabe nada, tampouco começou a estudar. Os dias se passam e, para não se desesperar, você simplesmente desiste: “na hora dou um jeito. Ninguém nunca tira 0, não vai acontecer comigo né?”. O resultado chega e, bem, digamos que agora você se planejará melhor para a prova (ou para o ano que vem, já que o semestre já era).

Essa estratégia, apesar de burra, é vista não apenas no seu mundinho particular. É algo que vemos no universo dos esportes o tempo todo, e o mais recente exemplo disso é o Miami Football Dolphins (sim, aquele). Não, não estamos comparando o Dolphins com um estudante incompetente. Estamos comparando com você. Se achou que a primeira frase estava errada, bem, aí é porque a carapuça serviu. Não podemos fazer nada.

Chegando aqui

Precisamos fazer um mea culpa. Se você leu o preview de Miami no ano passado sabe do que estamos falando. O panorama que traçamos apontava uma equipe em crescimento, e nem a ideia de Jay Cutler nos fez colocar a mão na consciência: “os Dolphins possuem boas chances de retornar aos playoffs.” Você já sabe que não rolou. Erramos feio, erramos rude.

Além de não chegar a pós-temporada, o time não jogou bem – por mais paradoxal que possa parecer. Não é só o record 6-10 que mostra isso. Nos rankings de DVOA (a única estatística possível), os Dolphins tiveram seu ataque ranqueado na 27a posição, e a defesa foi ainda pior, uma colocação abaixo.

Assim, em apenas um ano, a lua de mel com Adam Gase acabou. Se antes o técnico era apontado como uma das mentes mais promissoras da liga, agora sua situação é o inverso disso: caso sua equipe repita a temporada medíocre, é provável que Gase esteja sacando o FGTS em 2019.

O processo de (des)construção

Ainda em 2017 Miami trocou o RB Jay Ajayi para Philadelphia por quatro barrinhas de proteína. Na época, foi dito que a comissão técnica queria “punir” o jogador pela sua indisciplina. Provavelmente alguém viu os Patriots enviando Jamie Collins para os Browns e quis replicar o conceito, mas talvez esse alguém não tenha capturado a essência da questão.

A situação de Jarvis Landry, como era previsto, foi se arrastando até que o jogador recebeu a franchise tag apenas para ser trocado para Cleveland (ei! Talvez alguém tenha entendido) por não apenas outras quatro barrinhas, mas uma caixa delas.

Além deles, o Dolphins ainda cortou o DT Ndamukong Suh e o C Mike Pouncey. O primeiro de forma questionável, já que era o melhor jogador da equipe e um dos melhores defensores da liga. O segundo, apesar de ter sido um dos pilares da linha ofensiva no passado, sofria com lesões há algum tempo.

As reposições foram questionáveis. Para o lugar de Landry, chegaram Danny Amendola e Albert Wilson que, somados, totalizam 73% de um Wide Receiver. Robert Quinn, já bem longe do auge, e Josh Sitton, também velho mas ainda bom, chegaram em Miami.

Junta tudo e vê no que dá

No draft, Miami buscou o S Minkah Fitzpatrick, que pode vir a formar uma dupla interessante com Reshad Jones, talvez o melhor jogador da equipe hoje. Além dele, foi escolhido o TE Mike Gesicki, com o objetivo de substituir Julius Thomas, que conseguiu enganar na NFL por três temporadas após se divorciar Peyton Manning.

Como você já sabe, não fingimos entender sobre o processo de recrutamento da NFL, então as escolhas mais baixas não costumam ser comentadas – mas, nesse caso, vale citar o RB Kalen Ballage. Alguns relatos davam conta que o time esperava muito do jogador, mas recentemente ele ganhou as manchetes por ser xingado por Ryan Tannehill após fazer alguma merda. Irrelevante? Talvez. Divertido? Com certeza.

Falando em Ryan Tannehill, vale mencionar a situação do QB. Após sofrer nova lesão no joelho, ele teve que assistir a inaptidão de Jay Cutler comandando seu ataque em 2017. Para esse ano, imaginava-se até que ele não seria opção, já que o Dolphins estava em posição de ir atrás de um substituto no draft. Não aconteceu, e como o roster tem apenas David Fales, Brock Osweiler e Bryce Petty (somados não dão 0,73% de um quarterback), Tannehill será o signal caller sem controvérsia.

LEIA TAMBÉM: Jay Cutler, você não sabe jogar!

O ataque comandado por Ryan terá uma linha interessante. Laremy Tunsil, Josh Sitton e Daniel Killgore não estão entre os melhores de suas posições, mas o primeiro um dia pode chegar lá, o segundo já esteve lá e o terceiro flutua na linha da mediocridade – o que, para um OL, é melhor do que muito do que vemos pela liga. O lado direito ainda é incerto, já que Ja’Wuan James tem oscilado e o segundo-anista Isaac Asiata não conseguiu se firmar.

Dentre os WRs, preocupa a falta de um grande nome. Kenny Stills e DeVante Parker não conseguem nada acima da média, sendo que esse último não consegue desenvolver o seu jogo, mesmo entrando no quarto ano na NFL. Albert Wilson e Danny Amendola não são o complemento necessário, apenas mais do mesmo.

O corpo de Running Backs conta com o promissor Kenyan Drake, que já mostrou flashes quando ganhou a titularidade ano passado. Além dele, temos o calouro já citado Ballage e os restos do que um dia acredita-se ter sido Frank Gore.

A defesa ainda depende de Cameron Wake gerando pressão na linha defensiva, já que Charles Harris ainda precisa se provar e não esperamos muita coisa de Robert Quinn. Sem Suh, a DL não tem nenhum nome de impacto, apenas veteranos de calibre médio para baixo. Vale mencionar a adição de William Hayes, faamoso por não acreditar em dinossauros, mas acreditar em sereias.

O miolo do sistema defensivo não conta mais com Lawrence Timmons se arrastando em campo, mas mesmo assim Kiko Alonso ainda precisa se provar em Miami. Se eles jogarem tudo que já foi dito sobre eles, pode ser uma dupla interessante, entretanto esse cenário é pouco provável.

Por fim, a secundária conta com uma dupla de Safeties interessante e alguns CBs de potencial, como Xavien Howard e Cordrea Tankersley. Se eles continuarem a trajetória de crescimento, talvez esse seja o ponto mais forte não apenas da defesa, mas de toda a equipe – o que, bem, diz muito sobre aquilo que o futuro reserva.

Palpite:

Miami montou um time de forma esquisita. As movimentações na offseason, principalmente o mercado, não apontaram para nenhuma estratégia bem definida na construção da equipe. Porém, o Dolphins ainda tem bons jogadores e conta com a sorte de jogar em uma das piores divisões da NFL. Sendo razoável, é possível crer que cenário não seja tão catastrófico como alguns apontam (1st pick), e um record 6-10 ou até mesmo 8-8 não seria surpresa.

Análise Tática #13 – Semana #6: Como o Atlanta Falcons foi Atlanta Falcons

A semana 6 mostra que a NFL segue desafiando analistas com suas previsões, afinal, fingimos que conhecemos algo, mas quando a bola sobe, coisas estranhas podem acontecer.

Seis semanas. Esse foi o tempo necessário para a esperança desaparecer completamente e o Cleveland Browns voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

E foi exatamente isso o que aconteceu no Mercedes-Benz Stadium (o estádio moderno com sistema de iluminação semelhante ao do pior inferninho que você conhece na sua cidade): o Atlanta Falcons desperdiçou 17 pontos de vantagem contra o possante Miami Dolphins comandado por Jay I don’t give a damn”  Cutler.

O primeiro tempo inteiro foi dominado pelos Falcons, que abriram 0-17 antes do intervalo. O novo coordenador ofensivo, Steve Sarkisian, ainda executa conceitos do ataque de 2016 comandado por Kyle Shanahan. Afinal, apenas tolos implodem um ano de sucesso por causa de uma derrota, por pior que ela seja.

Ainda no primeiro drive da partida, os Falcons mostraram um dos conceitos ofensivos mais interessantes. 3rd & 8, ainda no campo de defesa, o time se encontra em uma situação óbvia de passe. Ao contrário de tentar explorar rotas longas, o ataque comandado por Matt Ryan aproveita-se do fato de que a defesa dos Dolphins iria marcar em zona e alinha seus recebedores em formação trips-bunch do lado esquerdo.

O recebedor principal da jogada é Taylor Gabriel, camisa 18, indicado pela rota em laranja. Os demais recebedores em bunch (triângulo do lado inferior da imagem) têm por objetivo esticar o campo, reduzindo a quantidade de jogadores protegendo a marca do first down, na linha de 35. A linha ofensiva contém os pass rushers alinhados em 9-tech e Matt Ryan tem tempo de completar um passe fácil.

No momento em que a bola sai das mãos de Matt Ryan, não há nenhum defensor dos Dolphins próximo a Taylor Gabriel. Ótima jogada executada e O first down em um drive que resultaria em Field GoalAtlanta continuou seu domínio, e restando 2:00 no primeiro quarto, viria a marcar seu primeiro touchdown no jogo. Bola na linha de 40 do campo de ataque, os Falcons se alinham em 12 personnel, enquanto Miami mostra um desenho de cover 2 na secundária.

Ao prosseguir, observamos uma situação costumeiramente utilizada pelas defesas da NFL, mas igualmente perigosa. O disfarce de cobertura acontece para esconder do ataque as tendências ou plano de jogo, ao mesmo tempo em que jogadores defensivos fora de posição aumentam as chances da jogada ser mal executada.

Reparem no jogador circulado em azul, toda a jogada vai se desenvolver em cima dele. Em determinado momento da jogada, Austin Hooper, camisa 81 dos Falcons, executa uma rota out, quebrando na altura linha de 25 jardas. Nesse momento, Xavien Howard, camisa 25 dos Dolphins, hesita no lance, sem saber se receberá ou não apoio de um dos Safeties. Esse momento de indecisão é o suficiente para que Marvin Hall consiga a separação suficiente, e Matt Ryan coloque a bola perfeitamente em suas mãos. Touchdown Atlanta.

O jogador vendendo a possibilidade de um end-around (corrida em que o WR sai de uma das laterais e recebe o handoff no backfield também ajuda a segurar os linebackers, construindo o mismatch entre Howard e Hall, dois jogadores que você, leitor, provavelmente nunca tinha ouvido falar antes). Nessa jogada, Atlanta utiliza uma rota atacando o espaço entre os dois Safeties mostrado na leitura pré-snap, mesmo que a defesa dos Dolphins tenha executado algo totalmente diferente de um cover 2.

Já no segundo quarto, Atlanta seguia dominando, aqui aproveitamos para variar um pouco de jogadas de passe e analisar um conceito de corrida. Restando 7:52 no relógio, os Falcons se encontravam na linha de 39 do campo de defesa. Pelas características dos atletas de sua OL e de seus running backs, Atlanta gosta muito de executar jogadas de zone-blocking. Esse conceito de bloqueios funciona de forma muito simples: o jogador deve bloquear o adversário à sua frente. E se não houver ninguém, então partirá para o atleta mais próximo na direção em que a corrida se estabelece. Ao mesmo tempo, o running back deve ser capaz de antever o local em que surgirá o espaço que deverá correr.

Nesse caso, com uma formação de twin-TEs desenvolve-se uma corrida toss para o lado esquerdo do ataque. O Center Alex Mack e o LT Jack Matthews são os únicos jogadores que possuem assignments no segundo nível da defesa, sendo o último, o lead blocker (jogador que Devonta Freeman deverá seguir).

A esse ponto, a corrida já é um sucesso de execução, mas a capacidade atlética de Devonta Freeman a transforma em uma big play. O jogador atinge o segundo nível da defesa em alta velocidade e busca um corte para a direita, resultando num ganho de 44 jardas. Snaps depois, Tevin Coleman completaria o drive com um TD que colocaria os Falcons 17 pontos em vantagem antes do intervalo.

Depois do halftime, todo esse domínio de Atlanta ruiu. Assim como em fevereiro, o time se esqueceu de que a partir daquele momento, precisava queimar cronômetro. Uma série de campanhas curtas colocou de volta o ataque de Miami no jogo. 17 pontos não era uma diferença tão absurda assim, e Adam Gase inteligentemente contou com Jay Ajayi para equilibrar a partida, em vez de tentar a sorte com Jay Cutler. Uma série de boas corridas é sempre suficiente para colocar dúvidas na defesa e fazer com que até mesmo QBs como Cutler rendam bem no play action.

Já no terceiro quarto, 6:25 no relógio e bola na linha de 11. Ataque de Miami alinhado em shotgun singleback com 3 recebedores do lado direito e o TE Julius “It’s so Easy” Thomas do lado esquerdo entre a marcação numérica de 10 jardas e as hashmarks.

Em se tratando de uma 3rd & 7, situação óbvia de passe dentro da red zone, a defesa dos Falcons recuou corretamente em zona. Enquanto isso, a jogada de Miami se desenvolveu entre os dois recebedores mais internos do lado direito da formação, sendo Kenny Stills o alvo principal da jogada.

Aqui, méritos para Jay Cutler. O QB percebe o espaço devido a pass rushers alinhados em 9-tech, escala o pocket, exatamente o tempo em que Kenny Stills precisa para conseguir separação em sua rota, e ainda coloca um passe preciso. Touchdown e os Dolphins iniciam sua reação na partida.

Restando 1:38 ainda no terceiro quarto, os Dolphins tinham a bola novamente na redzone dos Falcons, dessa vez na linha de 7 jardas, em situação de 2nd & 6.

Alinhando com stack receivers, twin TEs e singleback formation, os Dolphins realizam um screen pass em fake motion com Jarvis Landry, ao perceber a marcação individual indicada em marrom.

O snap ocorre no momento em que Landry atinge a hashmark, ao mesmo tempo, em que todos os bloqueios e a rota de Kenny Stills se desenvolvem para a direita, atraindo a defesa. Com isso, Landry aproveita o mismatch e marca mais um touchdown, que naquele momento da partida, deixaria o placar em 14-17.

A vantagem construída no primeiro tempo já não existia mais e o momentum da partida era todo dos Dolphins, que com dois Field Goals no último quarto, conseguiram uma vitória fora de casa por 20-17, agora com record de 3-2. Aos Falcons, fica o aprendizado, mais uma vez, de quando se possui uma grande vantagem no segundo tempo, é necessário controlar o relógio.

Diego Vieira, como todo torcedor dos Colts (aparentemente o site precisava de mais um), também odeia o Atlanta Falcons.