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Entre 2014 e o futuro, 1998

Se você começou a assistir futebol americano este século (o que é muito provável, e também o nosso caso), dificilmente viu o Oakland Raiders com um desempenho satisfatório – pior: a franquia foi por muito tempo motivo de piada e, ao pensar em organizações avacalhadas, era o nome que vinha em mente junto com o Cleveland Browns.

Desde 2002, ano em que chegou ao Super Bowl, o Raiders acumulou campanhas que variavam entre o 4-12 e o 5-11, com um 2-14 e um 3-13 nesse meio. Pior do que esses records medonhos, era a inércia do time: mesmo com escolhas altas no Draft, Oakland não conseguia retomar os dias de sucesso do século XX.

Em 2014, porém, isso começou a mudar. Após ameaçar até mesmo terminar o ano 0-16, o Raiders começou a dar sinais de melhora. O time ainda não era bom, mas havia encontrado em Khalil Mack uma futura estrela e em Derek Carr um QB com capacidade de liderança e que parecia ser o cara para tirar a franquia do limbo.

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2015 foi um ano de afirmação. Embora vejamos muitos exemplos de times que saem de campanhas catastróficas para os playoffs nos anos seguintes, o Raiders passou pelo processo de natural de maturação. O record final de 7-9 confirmava a boa impressão do ano anterior, e fez com que as expectativas para 2016 fossem pelo teto.

Dias de luta, dias de glória

A temporada regular de 2016 conseguiu superar essas expectativas. Se em setembro o torcedor esperava que a equipe brigaria pelos playoffs, em dezembro o sonho do Super Bowl tinha deixado de ser uma alucinação para se tornar uma possibilidade.

Amari Cooper e Michael Crabtree faziam provavelmente a melhor dupla de Wide Receivers da liga; Derek Carr despontava como candidato a MVP; Khalil Mack jogou como o Defensive Player of The Year; a linha ofensiva era, se não a melhor, a segunda melhor da liga e Jack del Rio aparecia como possível Coach of The Year.

Mais que amigos: friends.

Tudo isso durou até a semana 16, quando Derek Carr quebrou a perna no jogo contra o Indianapolis Colts. Por mais sólida que fosse a equipe, a perda de seu Quarterback acabou com qualquer chances do time de ir longe na pós-temporada (não vamos linkar a atuação de Connor Cook contra os Texans em respeito à saúde do amigo leitor).

Apesar do final ruim, o saldo de 2016 parecia extremamente positivo. Esperava-se que Oakland fosse uma força dentro da AFC pelos próximos anos.

Tudo que sobe, desce

Como você sabe (ou deveria saber), a realidade pode ser dura. Se o 7-9 de 2015 parecia promissor, o 6-10 de 2017 foi visto como catástrofe. Derek Carr, de contrato novo, começou a ser questionado; Crabtree, que acabou sendo cortado, e Cooper tiveram anos abaixo do esperado e Jack del Rio acabou demitido. Khalil Mack ainda foi bem, mas a defesa dos Raiders era tão eficaz quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Além disso, se antes os jovens talentos eram motivo de esperança para a franquia, os jovens de agora não eram nem talentos nem davam esperanças. Amari Cooper foi a única boa escolha do Draft de 2015; nem mesmo a primeira escolha de 2016, Karl Joseph, passou muita confiança; e a classe de 2017 não teve um grande impacto positivo.

Draftar muito bem (Khalil Mack, Derek Carr e Gabe Jackson em 2014) lhe rende alguns anos de tranquilidade, mas, se o sucesso das seleções não se repetir com o tempo, os times acabam com alguns jogadores muito bons porém caros, mas muitos buracos no elenco. O Raiders sentiu isso na pele.

Apertando o reset  (ou o botão do pânico, vai de cada um)

Após a demissão (e até antes de acordo com algumas fontes) de Jack del Rio, Oakland foi atrás de Jon Gruden, o técnico que derrotou o próprio Raiders no Super Bowl da temporada 2002. Gruden, como você provavelmente já sabe, foi o comentarista dos Monday Night Football nos últimos 10 anos.

De volta.

A contratação divide opiniões. Se por um lado é um técnico vencedor do Super Bowl e que ajudou a montar o último time dos Raiders que chegou lá, por outro ele está há 10 anos afastado do cargo de Head Coach, e há quem afirme que ele nunca foi um grande técnico pra início de conversa.

A única certeza que temos é que Jon não vai ser só mais um entre os 32 treinadores da liga. Se vai dar certo ou errado, ele já mostrou que vai fazer as coisas do seu jeito, querendo jogar um futebol americano como o praticado em 1998. 

E não parece ser da boca pra fora, já que as contratações indicam isso: os Raiders foram atrás de jogadores que eram destaques das suas equipes, mas em 1998. São os casos de Jordy Nelson, Doug Martin e Breno Giacomini (sim, aquele. E sim, ainda existe).

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Além deles, Gruden buscou Ryan Switzer e Martavis Bryant via troca. Estes nem nascidos eram em 1998, mas estão longe de serem certezas na posição. Bryant pode inclusive perder a temporada toda por suspensão. Ainda estão estourando champanhe em Pittsburgh.

O draft também foi um pouco suspeito. As duas melhores escolhas, Arden Key e Maurice Hurst, estavam disponíveis no terceiro e no quinto round por um motivo, e é mais fácil achar um torcedor do Titans que um torcedor do Raiders satisfeito com Kolton Miller na #15. Por fim, Marquette King foi cortado e era tão bom que merecia seu próprio parágrafo. Como se trata de um punter, o parágrafo é curto. Sim, ele já acabou.

Os convocados de Felipão

Passear pelo Depth Chart dos Raiders é como visitar um museu. Para cada Amari Cooper, temos um Marshawn Lynch e um Donald Penn. Para cada Khalil Mack, temos um Leon Hall e um Reggie Nelson. O elenco de Oakland está repleto de nomes conhecidos, de forma que pode pegar o fã casual desprevenido.

Porém talvez a única certeza no time hoje seja Khalil Mack. Derek Carr precisa provar que merece o dinheiro que recebeu em 2017, e Amari Cooper precisa se recuperar do ano aquém que teve. A linha ofensiva, apesar de boa, está cada vez mais velha e pode não ter a mesma força dos últimos anos. Resta saber se Lynch ainda tem gasolina no tanque e se Jared Cook vai se consolidar como boa opção – se você realmente acredita nisso, sentimos muito.

A defesa, porém, dificilmente será pior que a de 2017. Espera-se uma colaboração maior dos jogadores selecionados no ano passado, especialmente de Gareon Conley, além da melhora de Bruce Irvin, que não foi tão bem pelas bandas da Califórnia. Por outro lado, Tahir Whitehead e Derrick Johnson chegam para ocupar o posto de LB mediano deixado por NaVorro Bowman já em fim de carreira.

Palpite

Derek Carr não é o Quarterback que muita gente imaginava, mas também não é o desastre que vimos em 2017. Suas atuações, porém, não serão o suficiente para salvar o time de uma campanha medíocre como a do ano passado. O elenco está mais velho e não terá muita renovação. E, em uma liga como a de hoje, em que Sean McVays e Doug Pedersons são reis, a visão de jogo de Jon Gruden tem tudo para dar errado. Sério, vai dar merda. Não espantaria se o time repetisse o 6-10 do ano passado, mas, enfim, caso chegue aos playoffs, não será um feito tão absurdo. A NFL, como sabemos, é uma caixinha de surpresas #analise #acertada.

Análise Tática #14 – Semana #7: O drive da vitória do Oakland Raiders

Poucas coisas no football são mais bonitas que um two-minute drill bem gerenciado. O momento em que a onça bebe água, a hora que separa os homens dos meninos. É exatamente aí em que as lendas nascem, não à toa que um dos maiores gerenciadores de two-minute offenses (sdds Peyton) é o responsável por eu estar escrevendo isso neste momento.

Derek Dallas Carr, 26 anos, irmão de David Carr (primeira escolha da história do nosso glorioso e tradicional Houston Texans), teve sua vida destinada a brilhar nesse esporte. Responsável por devolver o Oakland (por enquanto) Raiders aos seus momentos de glória, o QB recebeu um salário de 25 milhões de dólares anuais na última offseason.

Em sua quarta temporada na NFL, a escolha de segunda rodada vinda de Fresno State ainda tem alguns problemas: imprecisão nos passes, pressa no pocket, ineficiência em terceiras descidas, leituras arriscadas e baixa média de jardas por tentativa.

Em 2014, sua primeira vitória na NFL veio exatamente contra os Chiefs após uma jogada digna de piores momentos da semana (a coluna da família brasileira)Agora que você já sabe quem é Derek Carr (achamos importante apresentá-lo a nossa maneira), já pode ler, abaixo, um dos momentos mais divertidos de sua carreira.

Vocês perceberam na semana passada, que, apesar do título, apenas quatro ou cinco jogadas não são o suficiente para entender o que de fato ocorreu em um jogo. Por isso, nessa semana, o foco será o drive final do Oakland Raiders em sua totalida (também não ajudará no contexto macro da partida, vejam o tape completo, é divertidíssimo). O mesmo resultou na vitória por 31-30 no último Thursday Night Football (que em 2017 tem sido assustadoramente divertido).

Após sack dividido entre Khalil Mack e Denico Aultry, os Raiders receberam a bola restando 2:25 no relógio na linha de 25 jardas do campo de defesa, com um tempo por pedir. Foram 16 snaps, sendo 11 jogadas de ataque, 4 faltas e 1 extra point. 85 jardas até a vitória.

Durante esse drive, Derek Carr saiu do shotgun em todos os snaps. Na primeira jogada, o alvo é o WR Amari Cooper, alinhado como o recebedor X. Os Raiders se alinham em formação shotgun ace, com 3 recebedores do lado direito e Cooper isolado. Os Chiefs demonstram uma formação de Cover 2, com Marcus Peters alinhado para marcar em zona (repare que ele volta seu quadril em direção ao QB) e Terrance Mitchell marcando Cooper individualmente.

Após o snap, as rotas se desenvolvem de forma a deixar Amari Cooper, executando uma rota comeback, com marcação individual. Cabe ao mesmo vencer a press coverage de Mitchell na linha de scrimmage e se posicionar para receber o passe.

Ao receber a bola, Cooper se livra de dois marcadores girando o corpo para dentro, até ser tackleado no meio do campo. O two-minute warning parou o relógio ao fim dessa jogada. Os próximos dois lances foram malsucedidos para Oakland após Derek Carr colocar uma bola muito baixa para Amari Cooper no meio do campo e em seguida Johnny Holton cometer um offensive pass interference flagrante.

Em uma situação de 2nd & 20, com 01:47 restantes no relógio, Oakland volta a se alinhar em shotgun, dessa vez com um TE para ajudar nos bloqueios. Os Chiefs mostram blitz e dois safeties na cobertura antes do snap, porém apenas quatro homens iriam perseguir o signal caller.

Novamente Amari Cooper é o alvo da jogada e se encontra alinhado sozinho no lado esquerdo do campo como X. Ele executará primariamente uma rota post em direção ao símbolo dos Raiders no meio do campo. Derek Carr identifica o posicionamento dos safeties (primeira leitura pré-snap que todo QB deve fazer), e aliado à situação relógio-placar, sabe que enfrentará coberturas em zona.

Após um 3-step dropback um pouco atrapalhado, Carr tem o pocket limpo, e com os olhos, consegue atrair um dos safeties para a esquerda (você não o vê acima, mas o verá abaixo) da imagem. Enquanto isso, Cooper vende aos seus marcadores uma rota corner. Logo após, o recebedor executa um double move em direção ao meio do campo, o que configura a post mostrada na imagem antes do snap. Em vermelho, mostra-se a janela que Derek tem no momento do passe, facilmente completado pela excelente coordenação e conhecimento de playbook entre o QB e seu recebedor.

Na minha terra isso tem nome. “Livre pra caralho”, o nome.

Como dito anteriormente, Derek Carr ainda tem alguns problemas a corrigir. O principal deles é se livrar rápido demais da bola, mesmo com pockets limpos (medo de lesões, talvez?). Aqui, observa-se no lado direito um conceito semelhante ao levels (sdds Peyton), em que duas rotas se quebram para o meio ou para a linha lateral em amplitudes diferentes do campo. O objetivo dessa jogada é causar estresse na cobertura em zona, principalmente na comunicação entre CB/S, aproveitando os espaços.

Pode-se contestar que nessa jogada, a linha ofensiva não segurou os bloqueios por tempo suficiente para deixar a rota em azul se desenvolver. Entretanto, parte da proteção contra o passe também é responsabilidade do QB, que deve se posicionar no ponto ideal. Jogadores de OL geralmente treinam a coordenação de pass-protection com dummies posicionados no ponto de proteção, e o QB deverá permanecer no pocket, conforme mostra Pat Kirwan em seu livro Take Your Eye off the Ball (paga nois, Amazon).

Na imagem acima, Derek se desespera com o pass rush e ativa a rota de checkdown, enquanto havia um espaço considerável para escalar no pocket. Observe que o QB mantém corretamente seus olhos vagando pelo lado direito do campo, forçando os safeties a abrirem um espaço no seam. Caso tivesse mantido a calma e andado para frente, Carr poderia conseguir um ganho de aproximadamente 25 jardas para os Raiders. Aqui, houve uma perda de 1 jarda, além do relógio continuar rodando após o tackle dentro de campo.

Os próximos snaps resultaram em passes incompletos após bolas mal colocadas por Derek Carr, o que colocou os Raiders em uma situação de 4th & 11 com 00:41 restantes no relógio.

Formação de empty backfield com 5 recebedores espalhados pelo campo, enquanto os Chiefs colocam três defensive backs no fundo. As rotas são todas verticais e Jared Cook é o alvo da jogada. Ele precisa vencer o marcador fisicamente e receber a bola na marca do first down, enquanto os demais recebedores afastam a marcação em zona para o fundo do campo.

Contra um jogador mais baixo e mais fraco fisicamente, Jared Cook consegue se desvencilhar da marcação, recebe um passe alto e alcança a linha de first down na força física. Conversão que manteve os Raiders vivos na partida.

Nas duas jogadas seguintes, Derek Carr arriscou bolas em cobertura dupla no melhor estilo Brett Favre, duas interceptações dropadas pela defesa dos Chiefs.

Jogou de peruada.

A partir de então, o jogo virou a esquina da loucura. Raiders em 3rd & 10 na linha de 29 do campo de ataque, alinhados em shotgun ace com três recebedores na parte esquerda e apenas um na parte direita. Conceito four verticals (aquela jogada que você usa no Madden até ficar chato) e Jared Cook alinhado de Split-end, receberá uma jump ball na direção do pylon à beira da endzone. Cook recebe a bola e se joga em direção à endzone. Touchdown! Porém, após a revisão da jogada, observou-se pela pylon cam que houve um down by contact a um fio de cabelo da endzone. Após a reversão do lance, a arbitragem retirou 10 segundos do relógio (alguns torcedores do Lions infelizmente morreram) e o Raiders teve 1st & goal na linha de 1 jarda. Os Raiders não correram com Marshawn Lynch pois esse já havia saído na mão com um árbitro e fora devidamente expulso da partida.

Tal qual o nosso Titans (quem é sabe), foi quase.

Houve faltas nos próximos 3 snaps, uma para os Raiders, após Michael Crabtree empurrar demais o coleguinha em uma jogada de fade, e duas seguradas defensivas dos Chiefs, uma delas com o cronômetro zerado. Segundo a regra, se houver uma falta defensiva no momento em que o cronômetro atinge zero, a falta é aplicada e o ataque recebe mais uma jogada. Isso aconteceu duas vezes seguidas nessa partida, salva de palmas para a defesa de Kansas City – ser burro dessa forma é um feito e tanto.

Sem tempo no relógio, Raiders na linha de 2, com shotgun ace e 11 personnel. Nas duas jogadas anteriores, Carr havia tentado 2 passes no meio da endzone, e aqui os Chiefs protegem a linha de gol pelo meio. Após várias chamadas contestáveis ao longo da partida, o coordenador ofensivo, Todd Downing faz Derek Carr executar um roll-out para esquerda, enquanto Michael Crabtree se direciona ao pylon.

Um passe contra o movimento natural do corpo, Derek Carr mostra a força de seu braço. Michael Crabtree protegeu de forma inteligente com o corpo o ponto de recepção, não permitindo que Terrance Mitchell defendesse o passe. O interessante é que a jogada havia sido treinada para o lado contrário, mas Oakland decidiu invertê-la para evitar a cobertura de Marcus Peters.

Vitória dos Raiders em um dos melhores jogos de quinta-feira dos últimos tempos, em que sabemos que os times chegam despreparados ou cansados pela semana curta. A NFL está em um nível de loucura tão absurdo que os melhores jogos de primetime dessa temporada foram exatamente na quinta-feira.

Os torcedores de Chiefs e Raiders ainda não tinham experimentado emoção suficiente, então coube ao kicker Giorgio Tavecchio selar a vitória dos Raiders em um extra point. O mesmo já havia perdido dois field goals ao longo da partida.

Com a vitória, os Raiders dão sobrevida à sua temporada, record de 3-4, sendo 1-2 dentro da AFC West. Do outro lado, será que estamos vendo nos Chiefs (5-2) mais um time começar bem e implodir após cinco jogos? (vide Falcons em 2015 e Vikings em 2016).

Diego Vieira, o estagiário prodígio, mora em Manaus e não é atingido pelo horário dos jogos. Maldito.

Top Pick Six #3: os 15 melhores TEs da NFL

Quinta-feira, dia mais um ranking no ar! Nos mesmos moldes da lista que fizemos com os WRs e CBs, ao todo 8 pessoas selecionaram seus 15 melhores TEs entrando na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times já na próxima temporada – desconsiderando o draft, claro.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí 16 pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Um bom Tight End é especialista em recepções e bloqueios. São geralmente jogadores fortes fisicamente, mas com habilidade atlética e velocidade. Exige bom uso das mãos, até por isso temos vários ex-jogadores de basquete que atuam ou atuaram como TEs, como Tony Gonzalez, Jimmy Graham e Antonio Gates. Tony Gonzalez, inclusive, é o segundo atleta com o maior número de recepções na história da NFL, com 1.325, atrás apenas de Jerry Rice (1.549).

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, colocamos a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Ana Clara. Vamos ao que interessa! 

15° Jared Cook

– | – | 13 | 8 | 15 | – | – | 11

Time: Oakland Raiders

Idade: 29 anos

Draft: 2009 / Round: 3 / Pick: 89

College: South Carolina

Career Stats: 303 recepções, 3.880 jardas recebidas, 17 TDs

Em 15° temos um jogador que tinha tudo pra fazer uma temporada espetacular ao lado de Aaron Rodgers, mas infelizmente, devido a lesões, não conseguiu aproveitar totalmente a chance. Seu lance de destaque aconteceu no round divisional dos playoffs, contra os Cowboys, quando fez uma recepção milagrosa na lateral do campo e armou o FG da vitória de seu time. Com a contratação de Bennett pelos Packers, Cook procura um novo lar.

14° Hunter Henry

11 | 11 | 14 | 9 | 13 | 14 | – | 15

Time: Los Angeles Chargers

Idade: 22 anos

Draft: 2016 / Round: 2 / Pick: 35

College: Arkansas

Career Stats: 36 recepções, 478 jardas recebidas, 8 TDs

Garoto que já mostrou muito potencial em 2016, mas que sofreu com fumbles. Talvez por esse motivo não tenha assumido a titularidade. Com certeza será um dos grandes jogadores da liga daqui pra frente, especialmente quando assumir a posição de titular, com a eminência da aposentadoria de Antonio Gates.

Talvez a artrose não permita mais cenas como essa.

13° Antonio Gates

– | 9 | 10 | – | – | – | 11 | 7

Time: Los Angeles Chargers

Idade: 36 anos

Draft: 2003, Undrafted

College: Kent State

Career Stats: 897 recepções, 11.192 jardas recebidas, 111 TDs

Se fizéssemos esse ranking há 4-5 anos, Gates figuraria no top 3. Acontece que, para 2018, a idade já pesou. Com 36 anos e uma vasta experiência, Gates vem sofrendo há tempos com lesões e logo logo deve encerrar sua carreira. Talvez ele esteja no ranking mais pelo seu nome do que pela perspectiva pra próxima temporada.

TOP PICK SIX 1: Os 15 melhores WRs da NFL

12° Cameron Brate

5 | – | – | 14 | 11 | 8 | 14 | 14

Time: Tampa Bay Buccaneers

Idade: 25 anos

Draft: 2014, Undrafted

Career Stats: 81 recepções, 965 jardas recebidas, 11 TDs

Sim, coloquei Brate em quinto lugar do meu ranking. Talvez tenha sido um pouco alto demais, se comparado aos meus colegas, mas o que vi dele ano passado foi uma consistência incrível. Atuando em um ataque potente, com Jameis Winston, Mike Evans e DeSean Jackson, Brate deve ter ainda mais sucesso em 2017, com chances inclusive de brigar no top 5 da posição, em número de jardas recebidas e, principalmente, de TDs.

11° Zach Ertz

13 | 8 | 9 | 12 | 9 | – | 10 | 13

Time: Philadelphia Eagles

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 2 / Pick: 35

College: Stanford

Career Stats: 247 recepções, 2.840 jardas recebidas, 13 TDs

Zach Ertz divide opiniões. Está na liga desde 2013, mas não tem feito as temporadas excepcionais e explosivas que esperávamos dele. Poderia ser porque os QBs não ajudasvam, mas agora ele tem Carson Wentz, que teve flashes de brilhantismo ano passado. Se o time do Eagles realmente engrenar o ataque – o que pode acontecer com a contratação de Alshon Jeffery e Torrey Smith – provavelmente Ertz terá melhores números.

10° Jason Witten

9 | 10 | 15 | 11 | – | 11 | 7 | 10

Time: Dallas Cowboys

Idade: 34 anos

Draft: 2003 / Round: 3 / Pick: 69

College: Tennessee

Career Stats: 1.089 recepções, 11.388 jardas recebidas, 63 TDs

Outra lenda da posição, Jason Witten, acumula sucessos e insucessos jogando pelos Cowboys. Sucessos porque ele se tornou um dos melhores em sua posição. Insucessos porque, mesmo atuando com bons times em Dallas, não conseguiu o tão sonhado título. A chegada de Dak Prescott e Ezekiel Elliott deram um novo ânimo ao Cowboys, e isso pode ajudar Witten a conseguir o anel que lhe falta.

09° Kyle Rudolph

14 | 7 | 11 | 13 | 10 | 6 | 12 | 12

Time: Minnesota Vikings

Idade: 27 anos

Draft: 2011 / Round: 2 / Pick: 43

College: Notre Dame

Career Stats: 265 recepções, 2.621 jardas recebidas, 29 TDs

Achei a posição 9 um pouco demais pra Rudolph, visto que ele não conseguiu se firmar como um dos grandes TEs, desde que entrou na liga, em 2011. Isso posto, vale frisar que ano passado ele foi uma das principais peças do ataque dos Vikings. Se Sam Bradford continuar saudável (duvidamos), Rudolph pode ter em 2017 a melhor temporada de sua carreira.

Vem ser feliz em Green Bay, amigo!

08° Martellus Bennett

10 | – | 8 | 7 | 7 | 10 | 8 | 9

Time: Green Bay Packers

Idade: 30 anos

Draft: 2008 / Round: 2 / Pick: 61

College: Texas A&M

Career Stats: 403 recepções, 4.287 jardas recebidas, 30 TDs

Em oitavo lugar, Martellus Bennett, jogador que ainda não conseguiu se firmar efetivamente em uma equipe, mas que já mostrou todo seu talento. Após uma boa temporada o com os Patriots (e Tom Brady), este será um ano ainda melhor pra ele, pois jogará ao lado de Aaron Rodgers, sendo o principal TE de Green Bay.

07° Delanie Walker

7 | 13 | 7 | 6 | 5 | 7 | 5 | 8

Time: Tennessee Titans

Idade: 32 anos

Draft: 2006 / Round: 6 / Pick: 175

College: Central Missouri

Career Stats: 405 recepções, 4.814 jardas recebidas, 31 TDs

Um dos principais TEs da atualidade, Walker teve excelentes anos nos Titans. Sua boa sequência deve continuar, especialmente com a evolução de seu QB, Marcus Mariota. Acredito que pode finalizar o ano no top 5 em TDs recebidos de toda a liga e, claro, conseguir uma vaga nos playoffs jogando na AFC South.

06° Jimmy Graham

8 | 6 | 3 | 10 | 4 | 5 | 9 | 6

Time: Seattle Seahawks

Idade: 30 anos

Draft: 2010 / Round: 3 / Pick: 95

College: Miami (FL)

Career Stats: 499 recepções, 6.280 jardas recebidas, 59 TDs

Se tivesse continuado no Saints, Graham poderia ser hoje o melhor TE da liga. Se não tivesse sofrido uma séria lesão no tendão patelar, Graham poderia ser hoje o melhor TE da liga. Como o mundo não é feito de “se”, Graham está em sexto lugar. Todos sabem de seu potencial, mas jogando em um time cujo foco é o jogo corrido, e tendo sofrido uma lesão tão séria, fica justo ele estar fora do top 5. Talvez com um ano iluminado dos Seahawks, ele volte a figurar entre os principais TEs da NFL.

TOP PICK SIX #2: Os 15 melhores CBs da NFL

05° Tyler Eifert

6 | 4 | 6 | 5 | 8 | 9 | 6 | 5

Time: Cincinnati Bengals

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 1 / Pick: 21

College: Notre Dame

Career Stats: 123 recepções, 1.491 jardas recebidas, 20 TDs

Assolado por seguidas lesões, Eifert perdeu muitos jogos durante sua carreira. De qualquer forma, é um dos principais alvos de Andy Dalton quando saudável e, entrando em 2017 com novo gás, Eifert pode entregar não somente os TDs de redzone que já está acostumado, como aumentar seu número de jardas recebidas por jogo.

04° Jordan Reed

4 | 5 | 5 | 2 | 6 | 3 | 4 | 3

Time: Washington Redskins

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 3 / Pick: 85

College: Florida

Career Stats: 248 recepções, 2.602 jardas recebidas, 20 TDs

Outro atleta que vem sofrendo com lesões. Mesmo assim, Reed se destaca como o principal atleta do ataque dos Redskins, anotando TDs importantes e fazendo jogadas de efeito. Com Kirk Cousins ainda no comando, ele deve ser beneficiado e, além disso, a equipe ganhou um reforço na posição de WR, com a chegada de Terrelle Pryor.

TOP PICK SIX #4: OS 15 MELHORES LBS DA NFL

03° Greg Olsen

2 | 3 | 2 | 4 | 3 | 4 | 3 | 4

Time: Carolina Panthers

Idade: 32 anos

Draft: 2007 / Round: 1 / Pick: 31

College: Miami (FL)

Career Stats: 622 recepções, 7.365 jardas recebidas, 52 TDs

Um dos melhores jogadores de sua posição em atividade, Olsen abre o top 3. É, sem dúvidas, o alvo de segurança de Cam Newton. Falta-lhe o título de Super Bowl, e se Cam Newton jogar em 2017 o que jogou em 2015, isso é totalmente possível.

Além de tudo, é lindo.

02° Travis Kelce

3 | 2 | 4 | 3 | 2 | 1 | 2 | 2

Time: Kansas City Chiefs

Idade: 27 anos

Draft: 2013 / Round: 3 / Pick: 63

College: Cincinnati

Career Stats: 224 recepções, 2.862 jardas recebidas, 14 TDs

Com certeza Kelce merece o segundo lugar. É um atleta completo, com combinação de atleticismo, físico, rotas precisas e boas mãos. Pode ser, no futuro, o melhor da posição – Felipe, aliás, já o considera: “não há dúvida nenhuma que, em termos de talento puro, Rob Gronkowski é o melhor TE da NFL: ele combina tamanho, velocidade, bloqueios e força de uma forma que poucos da posição conseguiram. No entanto, a grande questão que dá vantagem pro Kelce (principalmente nessa última temporada) é a durabilidade. Enquanto o TE do Chiefs participou de todos os 48 jogos desde 2014, Gronk participou de 38 no mesmo período (e só oito em 2016). Nas estatísticas de jogo, os números dos dois são bem parecidos porque Gronk conta com a vantagem de ter um dos melhores QBs na história da NFL lançando passes. Mas nas estatísticas mais avançadas, a vantagem é de Kelce, que ficou pelo menos no Top 10 em DYAR/DVOA nessas últimas três temporadas enquanto Gronkowski teve desempenho um pouco pior em decorrência de contusões. E tudo isso recebendo passes de Alex Smith“, justifica.

De qualquer forma, sua temporada de 2016 foi muito boa e pode ficar ainda melhor em 2017, caso o ataque dos Chiefs melhore (o que é um pouco complicado por motivos já citados como… Alex Smith).

01° Rob Gronkowski

1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 2 | 1 | 1

Time: New England Patriots

Idade: 27 anos

Draft: 2010 / Round: 2 / Pick: 42

College: Arizona

Career Stats: 405 recepções, 6.095 jardas recebidas, 69 TDs

Gronk era a única chance de termos uma unanimidade entre jogadores de ataque, como o primeiro da posição: não conseguimos. Gronk é um monstro em campo, ainda mais jogando com Brady. Ninguém supera. Porém, desde que iniciou sua carreira, vem sofrendo com lesões sérias e que o afastam por muito tempo dos gramados. Ano passado mesmo, ele não jogou o Super Bowl. Para a próxima temporada, o Patriots está montando um ataque versátil, que conta com Brady, Edelman, Gronk, Cooks, etc. Rob tem tudo para se tornar ainda mais letal neste sistema.

Algumas curiosidades do ranking:

– Apenas Rob Gronkowski foi unanimidade no top 3. Inclusive, ele levou 7 votos para número 1. Apenas o Felipe, do @OQuarterback, o colocou em segundo.

– No top 5, tivemos 3 unanimidades: Gronk, Kelce e Olsen.

– 8 jogadores são comuns aos 8 rankings: Gronk, Kelce, Olsen, Reed, Eifert, Graham, Walker e Rudolph.

– Um total de 23 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo.

– O top 15 contempla 9 jogadores da NFC e 6 da AFC, porém no top 5 temos 3 da AFC e 2 da NFC.

– Somente 2 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts: Olsen e Eifert.

– 2 jogadores não foram draftados: Gates e Brate.

– Somente 2 são campões do Super Bowl: Gronk e Bennett;

– Bennett, Witten e Gates são os jogadores que aparecem com maior diferença de posição entre dois rankings: 9 posições.

– Apenas um time teve dois jogadores entre o top 15: Henry/Gates (LAC).

– Ficaram fora do top 15, em ordem: Eric Ebron (DET), Ladarius Green (PIT), Coby Fleener (NO), Jack Doyle (IND), Dennis Pitta (BAL), Gary Barnidge (CLE), Austin Hooper (ATL), Zach Miller (CHI).

– 22 dos 32 times da liga tem jogadores nos rankings. Não foram citados jogadores de: BUF, MIA, NYJ, HOU, JAX, DEN, OAK, NYG, LAR, SF.

– Dois jogadores que tiveram muito destaque nos últimos anos não foram sequer citados: Vernon Davis, que foi importantíssimo enquanto jogou nos 49ers e teve lampejos nos Redskins, e Julius Thomas, que fez campanhas boas com o Broncos na época que Peyton Manning era o QB – mas no Jaguars, não jogou nada.

– Todos os atletas citados são milionários!

De Rodgers a Ty, passando por Cook: como o Packers voltou a ser Packers

Considerando a frieza dos números, podemos afirmar sem medo que, por mais de um ano, Aaron Rodgers não foi ele mesmo. Já abordamos os problemas de Green Bay há alguns meses, de qualquer forma, é fato que desde a semana 6 de 2015, um dos melhores quarterbacks da NFL lutava contra a mediocridade: partindo da derrota para Denver por 29 a 10 ainda na temporada passada, seus últimos 10 jogos naquele ano trouxeram um percentual de passes completos de apenas 57%, aproximadamente seis jardas por tentativa e um rating inferior a 82; nesse período foram 16 touchdowns e seis interceptações. Green Bay foi derrotado em seis dessas dez partidas, chegando a pós-temporada como wild card após perder para o Vikings em casa na semana 17, em partida que valia o título da NFC North.

O início de 2016 também foi cambaleante, com apenas quatro vitórias nas dez primeiras partidas – que contou com uma sequência de quatro derrotas consecutivas, uma delas uma atuação embaraçosa diante do Titans em Tennessee capaz de justificar qualquer eventual demissão (ou prisão por falta de vergonha) e outra partida constrangedora contra o Redskins.

Hoje, olhando em retrospecto, não havia um sinal claro de que Rodgers ressurgiria antes da sequência de vitórias. Eram números razoáveis para os padrões de Aaron Rodgers, e derrotas como as que ocorreram contra o Falcons ou o Colts estiveram longe de ser vergonhosas. De qualquer forma, o que também precisamos enxergar naquela sequência, é que enquanto o Packers parecia implodir na NFC North, o que o manteve vivo foi o fato de Aaron ser a única peça minimamente funcional em uma equipe aparentemente quebrada.

R-E-L-A-X.

Voltando à velha forma

Se para analisar a queda de produção de Rodgers – e, por consequência, do Packers – era preciso olhar para diversos fatores, compreender o retorno de sua produtividade habitual é um pouco mais simples: o principal fator a ser considerado passa pela melhora na precisão do quarterback; durante a primeira metade da temporada atual, Aaron completou pouco mais de 60% das tentativas, enquanto nas últimas seis partidas, esse número saltou para mais de 70%.

Nesse cenário, o jogo do camisa 12 flui, principalmente, graças a seu talento único para realizar ajustes em janelas de tempo estreitas, fator fundamental para um sistema ofensivo como o de Green Bay, baseado em rotas longas que espera que Rodgers tenha tempo e confie em seus recebedores, exige que eles simplesmente estejam onde se supôs que iram estar para que então Rodgers lance a bola naquele local. Quando isto ocorre, estamos diante de um ataque imprevisível, quase impossível de ser marcado; já quando algo sai errado, mas é dado a Aaron um pouco de tempo, resta ainda um QB capaz de improvisar e encontrar alternativas.

Danny Kelly, em artigo publicado no The Ringer, relembra uma entrevista antiga de Rodgers, onde o quarterback reflete sobre seu estilo de jogo. “Não importa o quão próxima esteja a marcação. Se o defensor me deu as costas, se posso ler seu nome e não vejo a sua cara, considero o recebedor livre e vou lançar a bola sempre. Na hora em que ele vira e encontra a bola, já é tarde. Confio que o nosso cara vai vencê-lo e ficar com a bola”.

O autor então relembra uma gama infinita de lances com as características descritas acima por Rodgers. Na semana 14, contra o Seahawks, Davante Adams bateu DeShawn Shead para um TD de 66 jardas . Já na semana 15, diante do Bears, talvez o melhor exemplo do que Rodgers dissera: uma bomba de 60 jardas para Jordy Nelson, sem nenhuma chance para o CB Cre’von LeBlanc.

Foram esses passes, essas jogadas, que falharam por um longo ano, entre a já citada semana 6 de 2015 e as 11 primeiras semanas desta temporada: agora Rodgers voltou a atacar, sem medo, toda e qualquer cobertura. Outro ponto notável no crescimento do sistema ofensivo de Green Bay é que se seu QB pode castigar a defesa adversária quando está retido no pocket, ele também tem uma capacidade única para escapar da pressão e encontrar a melhor alternativa – fora do pocket, Rodgers terminou ao lado de Jameis Winston em passes para TD (13 de seus 40, mais de 30%).

Quarterbacks comuns normalmente se desesperam quando sob pressão; perdem de vistas seus recebedores, se debatem no pocket enquanto ele entra em colapso e, bem, apenas torcem para não terem uma costela quebrada. Para Aaron Rodgers, porém, trata-se de uma oportunidade para encontrar touchdowns. E mesmo que ele eventualmente não consiga encontrar um recebedor disponível, ele ainda é uma ameaça com os pés – na última partida da semana regular, diante do Lions, foram convertidos três 3rd downs para 8 jardas ou mais; um deles proporcionou um corrida de 25 jardas, a maior do Packers na partida.

Como um WR se tornou o melhor RB de Green Bay

Ty Montgomery alinhou como RB pela primeira vez na semana 3 e, bem, ali, parecia apenas mais um truque de Mike McCarthy, fadado ao fracasso, afinal, quantas vezes vimos, vez ou  outra, Randall Cobb no backfield nos últimos anos? Ele estava ali para correr contra uma defesa naturalmente preparada para conter apenas o passe, quase que como uma pequena piada interna, criada para criar alguns desajustes no adversário, claro, mas em nenhum momento sólida o suficiente para construir um sistema ofensivo ao seu redor.

Mas três semanas depois, Eddie Lacy (que Deus o tenha), com uma lesão no tornozelo, deu adeus à temporada. O joelho de James Starks também não resistiu e ele foi posto de molho na mesma semana e ali Ty começou a ser forçado a participar mais ativamente como um RB regular: foram 16 tentativas para 113 jardas nas semanas seguintes – uma média de mais de 7 por tentativa. Mas ainda assim soava mais como desespero do que qualquer outra coisa: Green Bay apenas lutava contra o tempo e lesões enquanto entregava a bola para um WR(!) correr, não é mesmo?

Um RB em forma.

Para o bem ou para o mal, Starks foi liberado momentaneamente na semana 10, mas algo havia acontecido nas três semanas em que ele esteve ausente: o Packers percebeu que aquela piada inicial, na verdade, se tornara uma das boas histórias desta temporada: Ty Montgomery era o melhor RB de seu elenco. E na semana 15, com 162 jardas em 16 tentativas para dois TDs, Ty sepultara qualquer dúvida: ali ele deixara de ser um tampão, uma alternativa emergencial, para provavelmente se tornar um RB em quem o Packers pode confiar seu futuro.

Para a maior parte dos jogadores, fazer esta transição de WR para RB leva anos. Mas Montgomery, além da adaptação, mostrou também uma capacidade de pensar um ou dois passos adiante. Agora ele não soa mais com um truque; ele corre em grande nível, é extremamente físico e protege a bola de uma maneira que, por exemplo, Starks, RB de ofício, já não protegia mais. Ty também é capaz de antecipar o contato e reagir de forma que o impacto não o derrube.

Como segundo corredor, há ainda Christine Michael, que parece ter se reencontrado em Green Bay após ser chutado de Seattle. Montgomery e Michael forneceram, contra o fraco Chicago na semana 15, uma dupla no backfield que o Packers não tinha desde quando Lacy não lutava contra a balança (nota de edição: tempo em que ele TEORICAMENTE não lutava, já que né) e James Starks não sentia ainda efetivamente o peso da idade. E estes elementos são influências diretas no crescimento de Aaron Rodgers: o quarterback agora tem consigo os benefícios apenas proporcionados pelo equilíbrio entre jogo corrido e jogo aéreo.

“Um TE para chamar de meu”

No início de novembro, quando tentamos diagnosticar os problemas de Green Bay, abordamos a inclusão efetiva de um TE no plano de jogo como uma das soluções para o Packers. Um tight end atlético, quando envolvido no ataque, pode avançar pelo meio do campo abrindo espaço e, consequentemente, diversas novas possibilidades. Já falamos sobre como Rodgers reencontrou sua melhor forma e você provavelmente sabe que Jordy Nelson levará o Comeback Player of the Year. O que talvez não seja tão simples de enxergar é a participação de Jared Cook nisto.

Mesmo quando não é concretamente acionado, ele confere uma nova dimensão ao playbook – o que no Packers, por exemplo, resultou nos já citados lances de Davante Adams contra Seattle e Jordy Nelson diante do Bears. Seu impacto pode ser mais nitidamente sentido na frieza dos números: Green Bay está 8-2 na temporada quando Cook esteve em campo, com média de mais de 28 pontos por jogo, 25 TDs e apenas uma interceptação e seu quarterback com um rating de 114. Já sem ele a campanha cai para 2-4, a média para 24,7 pontos, são 15 TDs e 6 interceptações, além de um rating de 92,3 para Aaron Rodgers.

Jared retornou de lesão na semana 11 e, desde então, em situações de 3rd downs, foram 13 passes em sua direção, com 10 recepções para 175 jardas (e um rating de 118,2). “Creio que o retorno de Cook tem sido importante. Obviamente, ele normalmente é marcado por um linebacker e, nessas situações, isso é uma vantagem, como vimos em vários jogos”, disse Rodgers em entrevista à ESPN.  “Tenho falado sobre isso desde que cheguei: o caminho mais rápido à endzone é pelo centro do campo. Então quanto maior o alvo que você tem recebendo passes, melhor para o QB. Quanto particularmente mais atlético, maior raio de recepção. E Jared Cook tem todas essas qualidades”, completou o head coach Mike McCarthy.

Ajudo e não atrapalho.

Diferenciando-se dos mortais

Hoje Green Bay é um time mais completo; com o braço ou com as pernas, Aaron Rodgers pode vencer qualquer adversário na NFL. É um repertório difícil de ser previsto quando usado em sua totalidade; dispondo de rotas curtas, lances de alta velocidade no meio do campo com Cook ou lançamentos de mais de 50 jardas para Nelson ou Adams. E se algo sair errado, ainda é possível escapar da pressão e avançar no campo com os pés.

Assim, tudo que o Packers fez nas últimas semanas prova que se você der a Rodgers uma equipe versátil, ele tornará jogadores comuns, como Davante Adams, bons jogadores. Tornará ótimos recebedores, como Nelson, ainda melhores. E desde a semana 12, quando Rodgers sugeriu que seria perfeitamente possível para o Packers “run the table”, ele beirou à perfeição: seis vitórias em sequência, o título da NFC North e hoje o Packers é o adversário que ninguém quer enfrentar na pós-temporada; seja o Giants ou qualquer outra equipe que cruze o caminho de Green Bay nos playoffs, ele irá entrar em campo temendo um ataque recheado de possibilidades, irá entrar em campo receoso, sobretudo, com o que Aaron Rodgers vem fazendo.

O complexo paradoxo “Aaron Rodgers-Mike McCarthy”

O que lhe vem a mente quando você pensa em Aaron Rodgers? Passes rápidos sob pressão? Boas decisões tanto no pocket como fora dele? Jogadas eficientes em 3rd downs? De qualquer forma, seriam estes alguns dos fatores que viriam a tona se você deixasse os últimos 12 meses de lado: a realidade é que hoje Rodgers nem de longe lembra o quarterback vencedor do MVP em 2014.

A temporada de 2016, aliás, tem se assemelhado a uma montanha russa. Voltemos, por exemplo, a semana 2, quando contra o Vikings Aaron completou apenas 56% dos passes para apenas 213 jardas e dois turnovers. E, sim, ele foi superado por Sam Bradford: ali, ele já não era Aaron Rodgers, duas vezes MVP; era apenas a memória de um grande quarterback.

R-E-L-A-X

Em meados de 2014, Rodgers tranquilizou todo o Wisconsin com uma palavra de duas sílabas. Mas o que aconteceu até aqui pouco se assemelha com aquele início cambaleante de dois anos atrás; já não se trata apenas de uma queda de produção que poderia ser relativizada ou de se acostumar a um novo sistema. Para um jogador como Aaron Rodgers se trata de uma batalha prolongada para reencontrar o bom football e a consistência que, hoje, faz todo este processo soar estranho e desconfortável.

E se em 2014 Green Bay se recuperou rapidamente após iniciar o ano com uma vitória e duas derrotas, vencendo 11 das 13 últimas partidas – Rodgers terminou aquela temporada com 38 touchdowns e cinco interceptações –, para compreender o momento atual dos Packers é preciso ir além das 10 primeiras semanas de 2016: após a derrota para o Seahawks na decisão da NFC, Green Bay iniciou 2015 com seis vitórias e nenhuma derrota e naquele período, Aaron completou 68% dos passes, com mais de 8 oito jardas por tentativa, para 15 TDs e apenas duas interceptações, além de um rating médio de 115,9.

Veio, porém, a derrota para Denver por 29 a 10 e com ela o início de uma mediocridade ofensiva preocupante: os últimos 10 jogos de Rodgers em 2015 trouxeram um percentual de passes completos de apenas 57%, aproximadamente seis jardas por tentativa e um rating inferior a 82; nesse período foram 16 touchdowns e seis interceptações. Green Bay foi derrotado em seis dessas dez partidas, chegando a pós-temporada como wild card após perder para o Vikings em pleno Lambeau Field na semana 17, em partida que valia o título da NFC North

Por mais estranho que poderia parecer na época, os playoffs reservaram algumas surpresas: a vitória contra o Redskins, em Washington, pode ser classificada como tranquila, enquanto a derrota para Arizona veio apenas no overtime em uma situação atípica, incapaz de ser prevista ou controlada.

Mas aqui também é preciso ressaltar que, apesar de uma última jogada milagrosa, Aaron Rodgers completou apenas 56,3% dos passes para apenas 5,9 jardas por tentativa naquela pós-temporada.

As origens do problema

Quando alguém com tanto talento como Aaron Rodgers oscila por um período de tempo tão extenso é tentamos encontrar uma explicação lógica. Podemos imaginar que a origem desta queda acentuada talvez esteja no início de 2015, quando Mike McCarthy passou a responsabilidade das jogadas ofensivas para Tom Clements; em meados de dezembro, porém, o próprio Mike retomou a função e não houve nenhuma melhora significativa. Outro motivo poderia ser a ausência de Jordy Nelson, seu principal alvo, lesionado na semana 2 da pré-temporada de 2015 e ausente durante toda a última temporada. Tese que perde um pouco de força pelo simples fato de que o sistema ofensivo ainda não teve evolução evidente desde seu retorno.

O dia em que tudo começou a foder.

O dia em que tudo começou a foder.

De qualquer forma, o que todos esses fatores nos mostram, quando aliados a um esquema ofensivo inflexível e engessado, a falta de um recebedor para rotas longas durante a ausência de Nelson, é a potencialização das piores características de alguém com talento inegável: Aaron Rodgers passou a tentar resolver tudo sozinho.

Ao mesmo tempo que possui, indiscutivelmente, o braço mais potente de toda a NFL (nota do Digo: clubismo. Joe Flacco Mr Elite é o braço mais potente) e é capaz de fazer jogadas que aparentemente nenhum outro quarterback no planeta conseguiria, ele se tornou extremamente dependente de seu talento e, ao longo do caminho, foi deixando de lado alguns fundamentos básicos – sobretudo devido a um estilo de jogo que passou a ser unidimensional. E foi assim que Rodgers perdeu sua capacidade de encontrar soluções por conta própria.

Uma montanha russa particular

Rodgers tem em si elementos raros de serem combinados em outros jogadores da posição: atletismo, visão de campo e uma velocidade de raciocínio que o ajuda a liberar a bola das mãos em um piscar de olhos. Tudo isto faz com que ele seja capaz de criar soluções fora do playbook em uma fração de segundos e exemplos disso ainda surgem semana após semana. Para compreender isso, lembremos da partida contra Jacksonville na abertura da temporada atual, quando, improvisando, Rodgers garantiu a vitória para Green Bay.

Em um de seus passes para touchdown, Aaron transitou em um pocket prestes a entrar em colapso, se deslocou para a área mais congestionada da jogada e encontrou Nelson na parte posterior da endzone, enquanto o WR mergulhava em direção ao passe. Como ele enxergou Jordy em meio ao caos? Coisas que só o bom e velho Aaron Rodgers conseguiria fazer. Já o passe para Davante Adams foi ainda mais impressionante. Novamente, ele escapou da pressão enquanto o pocket ruía e, ao mesmo tempo em que postava os pés no chão e era puxado pela camisa, encontrou um passe no único local em que Davante poderia alcançá-lo.

Já o que aconteceu no último confronto contra o Colts foi completamente diferente. O Packers teve diversas oportunidades para dominar a partida e reverter o placar. Talvez por já estar atrás do marcador com 15 segundos de jogo, a “escolha” foi ir desde o início para big plays, sem necessidade alguma. Outra decisão inexplicável foi o retorno da formação com 3 WRs, 1 TE e 1 RB, que há dois anos não funciona em Green Bay, abdicando de uma spread offense que funcionou efetivamente nos dois jogos anteriores à derrota diante de Indianapolis.

O que vimos foi um ataque prepotente, que acreditou que venceria a partida quando bem entendesse, com o fraco TE Richard Rodgers totalmente envolvido no plano de jogo, que em diversos drives se resumiu ao ridículo “duas corridas e um passe”. Nesse cenário, Rodgers se restringiu a ir para o home run e abdicou do básico, esqueceu passes curtos e, bem, inventou demais.

Essa confiança excessiva em suas habilidades talvez explique a queda de produção de Aaron Rodgers nos últimos anos: segundo o Pro Football Focus, Aaron completou 80,6% dos passes em 2011. Em 2012 esse número caiu para 80,2%, para em 2013 chegar a 79,3% e em 2014 na casa dos 75%. Já na temporada passada, foram apenas 73,1%. Em passes para mais de 20 jardas, por exemplo, entre 2011 e 2014, ele nunca esteve abaixo de 51,8%, enquanto em 2015 esse indicador chegou a 39,1%.

Quando o buraco é mais profundo do que pensamos

A pouca versatilidade de seus WRs isenta um pouco Rodgers e torna mais difícil para ele confiar nas opções que dispõe, o que limita significativamente o playbook de McCarthy, excessivamente dependente de atletas que superem coberturas por conta própria. Assim Aaron precisa confiar que seus recebedores estarão onde deveriam estar, combinando velocidade, profundidade e sincronia exatas que a rota pré-estabelecida exige. O que, claro, é diretamente influenciado por situações que muitas vezes fogem do controle dos próprios WRs: um passo mais lento que o previsto já é suficiente para tudo ruir; é quando Rodgers precisa esperar e o desenho da jogada implode, o que o deixa se movimentando dentro do pocket enquanto tenta encontrar alguma solução mágica. 

Um ponto nítido do ataque de Mike McCarthy é que com ele não há meio termo: é quase impossível de defender quando Aaron Rodgers e seus WRs estão sincronizados, como vimos no Super Bowl XLV contra os Steelers ou, mais recentemente, durante toda a temporada regular de 2014. Mas, como citamos anteriormente, a margem de erro é mínima e quando o Packers não tem o tipo de talento necessário para fazê-lo funcionar, tudo falha.

Agora Green Bay precisa encontrar soluções e acrescentar possibilidades que não dependam exclusivamente de fatores como profundidade e separação em sincronia, precisa encontrar opções que não estejam restritas a slants padrões e rotas go. Em poucas palavras, é preciso facilitar o ataque.

Saudades.

Saudades.

Um TE no natal (ou saudades, Finley)

Outro fato significativo é que, atualmente, para parar o ataque do Packers basta ser físico com os recebedores na linha de scrimmage. Como tudo indica que McCarthy não irá alterar o plano de jogo (falaremos especificamente sobre o tamanho deste problema logo a seguir), uma parte dos problemas de Green Bay seria solucionada com um TE eficiente e veloz (Jermichael Finley, quem lembra?).

A ideia era que Jared Cook fosse esse jogador, porém aparentemente foram contratados apenas seus restos mortais. Já Richard Rodgers tem a velocidade de uma paca obesa pós-almoço. Atacar o meio do campo abriria novas possibilidades para Aaron Rodgers, mas para isso é preciso um TE atlético e veloz e hoje o TE de Green Bay é incapaz de vencer um linebacker com sono na velocidade.

A parcela de culpa do chefe

Poderíamos acrescentar nesta conversa toda aquela ladainha, hoje em voga, sobre a importância de evoluir, afinal é inegável que a NFL, assim como qualquer grande liga, evolui diariamente. E grande parte deste processo evolutivo vem desde o college football, passando pela formação inicial de atletas, expostos a técnicas e treinamentos cada vez mais complexos e sofisticados, até toda e qualquer pessoa direta ou indiretamente envolvida com o esporte.

Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações.

Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações.

Neste cenário de constantes mudanças quem mais precisa se adaptar são os head coaches. Há planos de jogos desenvolvidos há décadas que até hoje são confiáveis; há elementos que serão funcionais e úteis independente da época. Assim como, em alguns casos, é preciso abandonar o que não está mais dando certo. E aqui é inegável que o play calling de Green Bay há tempos é duramente criticado pelo simples fato de não funcionar. Ou por já ter se tornado óbvio.

Olhando em retrospecto, McCarthy assumiu o Packers em 2006 e desde então levou a equipe a 108 vitórias, 60 derrotas e um empate. A análise fria dos números indicaria um treinador inquestionável, já que em 11 anos esteve na pós-temporada em oito deles. É aí, porém, que os números começam a pesar contra Mike: nos 15 jogos de playoffs sob seu no comando foram apenas oito vitórias (quatro delas na campanha que trouxe o Super Bowl ao Lambeau Field) e sete derrotas.

O que torna tudo mais triste é que neste período McCarthy teve Brett Favre e Rodgers como quarterbacks. É pouco para uma franquia com tamanha grife e com dois dos melhores QBs da história em suas trincheiras. A realidade é que os melhores anos de Aaron Rodgers estão sendo desperdiçados. Mas ao mesmo tempo em que esta realidade pode soar como um “tapa na cara” para o Packers, é nela que reside a solução: hoje não há nada errado com Rodgers fisicamente e ele continua sendo um dos melhores QBs que a NFL já viu.

Mas, mesmo com um Rodgers oscilante, é preciso que McCarthy tenha consciência que precisa evoluir e abandonar a convicção que restringe Green Bay a um jogo baseado em tempo e precisão. Sem um Jordy Nelson totalmente funcional e saudável, ainda reencontrado o ritmo, é necessário incorporar combinações que não dependam exclusivamente de profundidade-separação e dar chance para jogadores com características distintas serem envolvidos. Do contrário, Aaron Rodgers seguirá pressionado por resultados enquanto tenta resolver tudo por conta própria.  

“Aaron Rodgers é um ótimo quarterback e isso não vai mudar. Ele teve fases em que não jogou tão bem? Claro. Mas aí você coloca pressão e quando se coloca pressão geralmente coisas ruins vão acontecer”, disse Brett Favre. “Ele precisa de um pouco de folga. Ele vai conseguir hoje? Ele vai conseguir semana que vem? Não sei, mas ele é um excelente QB e esse é o ponto principal”, completou o ex-quarterback de Green Bay em entrevista recente a Fox Sports.

É claro que o Packers pode ter sucesso com Rodgers tentando fazer tudo sozinho e é extremamente plausível que, enquanto ele estiver em Green Bay, a pós-temporada seja sempre uma realidade tangível. Porém, o tempo está passando e também é necessário reconhecer que ele dificilmente voltará a ser o quarterback imparável que vimos entre 2011 e 2014 sem um esquema tático que lhe dê algum suporte.

Peter Mortell era eu, você e todos nós: agora nem Rodgers nos salvará

[Quando criamos o Pick Six combinamos que aqueles que quisessem poderiam escrever o preview de seu respectivo time. Começamos com o Packers e, bem, sempre soubemos que isso não daria certo]

Se a pré-temporada da NFL é aquele evento classicamente dispensável, ao menos para os torcedores do Packers ela trouxe uma boa história. Não apenas uma boa história, mas a verdadeira história de todo e qualquer torcedor de Green Bay: por um instante, uma fração de tempo tão efêmera quanto o final de um filme meia boca do Woody Allen (faça sua escolha: qualquer um lançado nos últimos, sei lá, 10 anos), eu, você e todos nós, ao mesmo tempo, pisávamos no Lambeau Field.

Talvez você ainda não tenha conseguido compreender a magnitude desta história, mas tentaremos explicar: imagine que seu avô, por 30 longos anos, algo como 10950 dias, ou 262800 horas, em torno de 15768000 minutos, controlou o relógio do estádio mais sagrado de toda a NFL. Tic-tac, também imagine que seu avô só se tornou responsável por tal função após ter sido convidado por um cidadão chamado Vince Lombardi – aquele que dá nome ao troféu de campeão da NFL. Tic-tac, agora acrescente a esta história o fato de que em 2000 seu pai assumiu a função de seu avô.

Peter Mortell conhece a história acima e, bem, é torcedor fanático do Packers desde que pisou neste mundo. Na verdade, provavelmente já torcia para o Packers antes de nascer.

Mesmo assim, Mortell só assistiu seu primeiro jogo no Lambeau aos três anos de idade e, aos quatro, recebeu como presente uma ação do time. Reza a lenda, afinal, esta história já deixou ser apenas história para integrar toda e qualquer narrativa que importe, que Mortell esteve presente em mais 100 jogos de Green Bay em sua vida, incluindo o Super Bowl XLV. E que, quando criança, se fantasiou de Brett Favre por seis halloweens consecutivos.

Tudo isto parece não ter sido suficiente. E mesmo sendo superior a Tim Masthay, o que, assumimos, não é digno de grandes elogios (para isso basta ter coordenação motora para parar em pé), Mortell foi cortado do roster de Green Bay.

O Packers escolheu o pragmatismo em vez de escolher eu, você e todos nós. O Green Bay Packers expulsou eu, você e todos nós do santo gramado do Lambeau Field. O Packers não merece vencer o Super Bowl enquanto não se desculpar comigo, com você, com todos nós. Não merece vencer nada enquanto não se desculpar com Peter Mortell.

Hoje, o Green Bay Packers só merece comemorar a vitória de Jordan Rodgers no The Bachelor.

“Tanta história me deixou com fome.”

Em paz com o passado

É difícil não pensar no que deu errado em 2015 para o Packers. No fundo era o mesmo time de 2014, sem Jordy. Mesmo assim, esperava-se que o ataque mantivesse suas médias, o que, sabemos, esteve longe de acontecer: foram 23,5 pontos contra 29,7 no ano anterior.

Se a ausência de seu principal alvo era sentida, também é fato que Rodgers não foi o mesmo: por diversas vezes, ele pareceu relapso, por vezes impaciente. Rumores indicavam alguma lesão, o que explicaria os piores números de sua carreira como titular: menos de 61% de passes completos e míseras 6,7 jardas por passe completado.

O fator Randall Cobb também pesou e a ausência de Nelson talvez tenha sido tão sentida para o WR quanto foi para Rodgers. Cobb até teve um início explosivo, com 20 recepções para 245 jardas e 4 TDs em apenas três jogos, mas logo na quarta partida, contra o Chiefs, sofreu uma lesão no ombro e nunca mais foi o mesmo.

O cenário, no entanto, agora é outro: as notícias apontam que Nelson retorna saudável, o que aliviará a carga de trabalho de Randall. Jeff Janis e Jared Cook também tendem a se tornar alvos constantes; Janis, selecionado no sétimo round em 2014, apareceu apenas no fatídico jogo contra o Cardinals, já nos playoffs, mas mesmo assim o HC Mike McCarthy tem declarado que ele está pronto para ser mais acionado. Já o TE Jared Cook sempre prometeu, mas a verdade é que também foi uma eterna decepção em St Louis – ainda que também precisemos assumir que o Rams é uma eterna decepção, e talvez ele não seja o único culpado por basicamente feder nos últimos anos de sua carreira.

Mas se Cook pode ser o TE que procuramos desde que a carreira de Jermichael Finley foi interrompida e ele decidiu ser comentarista de Twitter, precisamos desistir de Davante Adams. Nenhum time que se leve a sério pode ter Davante Adams em seu elenco. Por favor, tirem logo esta desgraça do meu time.

Não sigo este palhaço.

Não sigo este palhaço.

O sucesso começa pela OL, amigos

Se Rodgers teve seus piores números – mas também vale ressaltar que os piores números de Aaron Rodgers possivelmente são melhores que de 90% dos QBs de nossa querida NFL – muito se deve a OL, tão consistente quanto manteiga fora da geladeira.

As lesões foram a justificativa para este caos, mas lesões sempre são muletas em Green Bay. O fato é que ao menos Josh Sitton e TJ Lang, saudáveis, são confiáveis. Além disso, Corey Linsley, apesar de tudo, teve um bom ano em 2015. Há ainda Jason Springs, escolha de segunda rodada, que deve acrescentar alguma profundidade a linha, mas é mais provável que seja um grande bust. Já David Bakhtiari perdeu qualquer respeito após ser o pior ator de Pitch Perfect 2.

De qualquer forma, a OL é fundamental também para outro retorno: não há como negar que Eddie Lacy esteve mais próximo de um boi resignado com o abate do que de um running back na temporada passada. A boa notícia é que não há razão alguma para duvidar que ele volte a seu melhor nível em 2016; após duas temporadas iniciais com mais de 1000 jardas, sua versão obesa correu para apenas 758 jardas e 3 TDs. Agora ele precisa correr para garantir, além de seu almoço, um novo contrato.

Não estamos acostumados, mas temos uma defesa

Mike Daniels é um dos melhores jogadores da NFL, Clay Matthews deve retornar como OLB e não mais como ILB, Julius Peppers aparentemente inspirou a história de Benajmin Button, já que não envelhece. Não estamos acostumados com isso, amigos!

De todo modo, BJ Raji nos deixou, seremos eternamente gratos a ele, mas a verdade é que seus últimos momentos foram decepcionantes e ele pode ser substituído pelo DT Kenny Clark: Clark tem estatura e habilidade, e não será surpresa se logo estiver entre os melhores da NFL. Aliás, o fato de nomes como os já citados Clay e Peppers atraírem a atenção para si pode tornar a adaptação da escolha de primeira rodada vinda de UCLA ainda mais tranquila.

A secundária também inspira confiança: Sam Shields e Damarious Randall estão em sinergia, e Micah Hyde cumpre bem seu papel. Já Ha Ha Clinton-Dix entra em seu terceiro ano de liga com todas as condições de se tornar um dos principais safeties da NFL.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

Palpite: não merecemos depois do que fizemos com Mortell, mas impossível não vencer a NFC North contra um Teddy Bridgewater incapaz de lançar passes de mais de 15 jardas e um kicker que não sabe chutar uma bola; um time que tem Jay Cutler (haha) como QB e um Lions incapaz de ser levado a sério. É injusto, mas o Super Bowl já é realidade. Tudo bem, a verdade é que quero acreditar, mas lá no fundo já estou pensando em qual lesão usarei como desculpa para o fracasso iminente.