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Agora ou nunca (nunca)

Um ano atrás, antes da PELOTA subir, o Bucs bradou aos quatro ventos sua relevância  na NFC South – mas, ao contrário do que pretendia, terminou com apenas cinco vitórias e assistiu as outras três franquias da divisão visitarem os playoffs.

Agora Jameis Winston está entrando em sua quarta temporada e (espera-se) recuperado de uma lesão no ombro que o fez perder três jogos em 2017. O torcedor mais otimista, porém, pode pensar que houve tempo também para Jameis encontrar a sinergia dom DeSean Jackson e reconstruir a defesa – mesmo que a seca por ver TDs em janeiro (uma década repleta de frustrações) continue ali.

“É sobre esse playoffs, cara”, disse Winston durante a offseason. “É sobre conquistar algumas vitórias, trazer a torcida para o nosso lado e realmente mudar a cultura por aqui – estamos caminhando nessa direção, e agora é a hora de fazer acontecer”.

Altos e baixos (e mais baixos)

Se a segunda temporada de Winston mostrou sinais claros de evolução, seu último ano pareceu um passo atrás; ele foi extremamente inconsistente e, se havia bons lampejos em determinadas partidas, Jameis parecia completamente perdido na maioria delas.

Você pode afirmar que Winston tem talento de sobra para fazer um excelente 2018 – e não estará errado –, mas a grande questão é se ele estará focado para dar o próximo passo. O que parece, infelizmente, não ser o caso – o quarterback já está suspenso pelas três primeiras partidas e será substituído por (provavelmente) Ryan Fitzpatrick – como já diria o sábio:

O problema de ter um pereba no elenco é que, invariavelmente, alguém fará merda ou se lesionará e, bem, o pereba precisará jogar.

O fato é que se o Bucs não chegar aos playoffs (spoiler: não chegará, e errado é quem espera diferente), Winston receberá boa parte da fatura, mas, se vivemos em um mundo justo (spoiler: não vivemos), é preciso apontar outros “culpados”.

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Mike Evans é uma aberração física e parece ter o talento natural a um WR de elite – mas questiona-se muito sua conduta profissional; em 2017, por exemplo, ele teve apenas 71 recepções (uma queda significativa se comparadas as 96 recepções de 2016) – mas, mesmo assim, Evans chegou a quarta temporada consecutiva com mais de 1000 jardas. Pelo pacote completo, Tampa decidiu apostar no garoto e ofereceu um novo contrato de cinco anos e mais de US$ 80 milhões. Se Mike não corresponder ao dinheiro investido, é certo afirmar que Tampa estará em apuros. No game tape, podemos analisar Evans como o recebedor que deixa as bolas fáceis passarem para só pegar as difíceis.

Ao seu lado, Evans terá DeSean Jackson e… bem, estamos em 2018, você ainda acredita em DeSean Jackson? DeSean é (talvez) um dos WRs mais superestimados da NFL (seu primeiro ano em Tampa foi um fracasso: 50 recepções para pouco mais de 650 jardas) e sua principal habilidade é tornar piores os sistemas ofensivos por onde passa.

Por outro lado, os Bucs tem um bom slot receiver em Adam Humphries e uma promissora dupla de TEs, com Cameron Brate e OJ Howard (de quem se espera uma evolução nítida em sua segunda temporada, para que se torne um alvo mais efetivo para Winston, sobretudo na redzone).

Chris Godwin, WR selecionado no terceiro round em 2017, também deixou uma boa impressão final e de quem é possível esperar um pouco mais de protagonismo – foram 111 jardas na despedida da temporada contra New Orleans.

Há esperança, também, em uma melhora no jogo terrestre (convenhamos: piorar não é uma possibilidade). Graças ao bom Deus, Doug Martin foi despachado – com pelo menos duas temporadas de atraso – para iludir o já sofrido torcedor de Oakland e a camisa 22 agora será usada por Ronald Jones II, selecionado no segundo round do último draft; o jovem teve 12 corridas para mais de 40 jardas durante seus anos em USC, o que mostra bons sinais para o futuro – Martin, por outro lado, teve duas temporadas de 1400 jardas por Tampa Bay, mas nos dois anos derradeiros na Flórida os números despencaram e o RB conseguiu menos de três jardas por tentativa.

Razões para acreditar

Os Bucs parecem ter focado na reconstrução de seu sistema defensivo. Com sua primeira escolha no último draft, eles selecionaram o DT Vita Vea, um monstro em Washington que inevitavelmente conseguirá pressionar o ataque adversário (pior que tá não fica, diria o outro). Além disso, ele será um ótimo complemento para Gerald McCoy, um dos melhores atletas de sua posição (que merece muito mais reconhecimento do que lhe é conferido).

Tampa ainda apostou alto, e buscou no atual campeão, Philadelphia Eagles, Beau Allen e Vinny Curry. Além disso, trouxe Jason Pierre-Paul, ex-Giants – o entrosamento, claro, pode demorar um pouco para chegar, mas de qualquer forma já é um cenário animador para aquela que até então era uma das piores defesas da liga.

A secundária, porém, levanta algumas interrogações: Brent Grimes e Vernon Hargreaves ainda estão ali – Grimes, contudo, já beira os 35 anos e esperar um declínio em suas atuações não seria absurdo. Os rookies MJ Stewart, de North Carolina, e Carlton Davis, de Auburn, competem com Ryan Smith pelo posto de CB3 – e, conforme se saírem, podem também beliscar a vaga de Grimes.

Já o corpo de linebackers segue o mesmo: Lavonte David é excelente e Kwon Alexander (espera-se) livre das lesões é um reforço considerável. Kendell Beckwith deixou a desejar em 2017, mas era apenas seu primeiro ano e, claro, há espaço para evoluir, sobretudo com Noah Spence, do qual se espera finalmente alguma contribuição em campo.

Palpite:

Em 2018 Winston precisa se estabelecer como um quarterback capaz de liderar uma franquia – e, por consequência, levá-la aos playoffs. A tabela, porém, é cruel: nos três primeiros confrontos, Tamba enfrenta Saints (fora), Eagles e Steelers (em casa), todos sem Jameis. Na sequência visita a Chicago e Atlanta e, bem, esperar apenas uma vitória nas cinco primeiras partidas não é uma previsão irrealista. Se tudo der errado e, ao menos, levar a demissão do HC Dirk Koetter, poderemos considerar que foi um bom ano – resta aceitar uma campanha semelhante a de 2017, com no máximo cinco ou seis vitórias, a lanterna da NFC South e planejar o futuro com um HC capaz de colocar Winston nos eixos.

Semanas #8 e #9: os melhores piores momentos

Depois de uma semana de férias, estamos de volta! O motivo das férias é simples: se os GIFs demoram a carregar para você (recomendamos acessar a coluna de um computador – ainda mais o da firma, consuma os dados, ninguém pode te impedir), imagine para quem tem que caçar nos arquivos do Gamepass. Por 10 reais mensais de cada leitor dessa página, prometemos que a coluna sai logo depois do Monday Night Football.

*Os lances que aconteceram na Semana 8 estão sinalizados.

Vamos ao que interessa:

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Durante muitos anos, sexy Rexy Grosmann conquistou a liga com seus passes longos, daqueles que você olha e pensa “que caralhos está acontecendo?”. Em sua homenagem, foi criado o “Fuck It, I’m Going Deep Fan Club“, algo que poderia ser traduzido como “Fã Clube do Foda-se, Vou Tentar o Lançamento Longo”.

1.1 – Semana 8: 

1.1.1 – Phillip Rivers

Apresentando o famoso conceito de punt com braço.

1.1.2 – Trevor Siemian

Prometemos nunca mais cair no conto de Trevor Siemian.

1.2 – Semana 9: 

1.2.1 – Brock Osweiler 

HAHAHAHAHAHA

Agora, com o auxílio da SUPER-CÂMERA™, veja que Brock Osweiler lançou o passe de olhos fechados.

1.2.2 – Joe Flacco 

Nem a deep ball é elite mais.

1.2.3 – Brock Osweiler (sim, de novo)

A cobertura era tripla. Afinal, o que poderia dar errado?

O segredo para evitar passes como esses é mirar no buraco do peru, tal qual recomenda Jon Gruden, técnico campeão de Super Bowl.

2 – O hat trick da desgraça, estrelando Blair Walsh: 

Blair Walsh (aquele). O homem havia errado um chute de 28 jardas contra os Seahawks nos playoffs. Como parte do acordo (única explicação possível), ele recebeu um contrato em Seattle algum tempo depois. E recompensou o time como sabe: errando três Field Goals na derrota apertada contra os Redskins. Foram erros de 44, 39 e 49 jardas. Separamos a reação dele em cada um.

3 – Homens que queriam voar:

3.1 – Semana 8: Antonio Brown

3.2 – Marshall Newhouse

4 – Jameis Winston 

Jameis é um cara muito energético, e seu espírito de liderança é invejável. Porém, como tudo nessa vida, em excesso faz mal. E Jameis se excedeu. Muito. Em seu discurso antes da pelada contra o Saints, Jameis disse algo como “comer o W” (eat the W, que seria algo como comer a vitória – nem em inglês faz sentido mesmo). A reação dos seus colegas de equipe diz tudo. 

5 – Tentativas de truques engraçados que deram errado

Apenas parem.

5.1 – Semana 8: Tyreek Hill

Isso que dá ser exposto a Trevor Siemian.

 

5.2 – O “retorno” de kickoff dos Saints

Temos certeza que no papel estava lindo.

Por esse ângulo fica ainda mais bizarro.

6 – Defesas fazendo o impossível

Já vimos drills em que cones apresentaram mais resistência. Vamos deixar as imagens falarem por si só.

6.1 – New York Giants

6.2 – Dallas Cowboys

7 – Tretas.

As famosas CENAS LAMENTÁVEIS. O retorno da NFL raiz.

7.1 – AJ Green vs Jalen Ramsey 

7.2 – Mike Evans vs Marshon Lattimore

8 – Imagens que trazem PAZ

8.1 – Semana 8: Ainda na NFL raiz, quando o gato invadiu o campo

8.2 – O Special Teams dos Chiefs

Por isso não gostamos de trabalhos em grupo.

8.3 – Semana 8: Lances raros

Entenda porque o jogo entre Ravens e Dolphins não foi tão encantador quanto se imaginava.

9 – Troféu Dez Bryant da Semana 

O Prêmio que premia o jogador de nome que desaponta quando precisamos dele. Só vamos dar um prêmio para semana 9 (já mostramos como você pode ajudar a coluna a crescer – e, por mais 20$ mensais, teremos dois Troféus Dez Bryants por semana).

Foram 6 recepções para 118 jardas (em 12 alvos), mas Julio Jones, ao dropar a bola sendo marcado por ninguém mais ninguém menos que GASPARZINHO, o CB camarada, levou pra casa o Troféu Dez Bryant da Semana. O jogo terminou 20-17 para Carolina, e os torcedores de Atlanta não podem deixar de imaginar o que aconteceria se Jones tivesse feito o que até aquele seu tio velho e racista teria feito: agarrar a bola.

10 – Nossos lances preferidos da semana

10.1 – Semana 8: Travis Benjamin

Você que joga Madden (paga nóis, EA Sports) com certeza já correu pra trás e acabou se fodendo por isso. Travis Benjamin achou razoável correr para trás (“agora eu se consagro!”, pensou ele), e acabou sofrendo um Safety. Gênio.

10.2 – Kirk Cousins

O homem que sacrificou o seu running back para os deuses do futebol americano. Descanse em paz, Rob Kelley.

 

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

O que os olhos veem e o coração sente

Você, leitor, certamente não sabe, mas quando chega o final de julho e começamos a escrever nossas previsões para a temporada fazemos uma espécie de draft para distribuir os times entre os integrantes do site.

Por motivos óbvios, cada um escreve sobre o time que torce, mas os demais estão lá para ser livremente selecionados. As escolhas não têm uma lógica definida. A qualidade do time, por exemplo, não influencia muito nossa vontade de escrever sobre ele: ninguém parecia muito interessado em redigir um texto de duas páginas contando como o New England Patriots já está na final da AFC em 2018, mesmo que ainda estejamos em meados de agosto.

Há, porém, algumas escolhas interessantes, como a do nosso menor aprendiz, que decidiu usar sua primeira escolha com o Los Angeles Rams, por algum motivo que apenas diversas sessões de psicanálise seriam capazes de explicar. Nosso editor chefe usou sua primeira escolha no Cleveland Browns, aparentemente por gostar de escrever sobre fracasso e melancolia.

Os motivos que levaram meus companheiros de site a priorizar escrever textos sobre Rams e Browns não importam. A NFL, ao contrário de alguns outros esportes, é bastante democrática. Podemos torcer por um time e ter simpatia por mais uns dois, cinco ou 31 times. Somos livres para nos fascinar por pequenos detalhes, que muitas vezes são incompreensíveis para os outros, mas que, para nós mesmos, fazem todo o sentido.

Não tive dúvidas na minha primeira escolha: por diversos motivos, o Tampa Bay Buccaneers é o time que mais me interessa em 2017, com exceção do maior de todos, o New York Football Giants. Mas por que o Bucs me fascina e por que o escolhi como primeira opção para escrever um texto sobre seu futuro brilhante?

Pequenos (grandes) laços afetivos

Podemos começar falando de Jameis Winston. Todos nós guardamos na memória algumas jogadas que não se tornam icônicas por não terem impacto profundo no resultado de um jogo ou de um campeonato, mas que são espetaculares e devem sempre ser relembradas.

Jameis Winston foi o responsável pela jogada mais espetacular da temporada 2016 da NFL. O jogo era em Tampa contra o Chicago Bears. O terceiro quarto tinha acabado de começar e o Bucs tinha a bola na linha de 25 jardas do próprio campo em uma 3rd&10. Jameis recebeu o snap e logo foi pressionado pela linha defensiva do Bears. Ao invés de desistir da jogada e aceitar o sack, Winston foi recuando e se esquivando dos defensores até chegar a sua própria endzone.

O sack e o consequente safety eram praticamente inevitáveis, mas Jameis conseguiu deixar os três defensores que ainda o perseguiam para trás, ganhar mais umas 15 jardas e lançar um passe de mais ou menos 60 jardas para o WR Mike Evans.

A jogada resume bem quem é Jameis Winston e por que ele é um dos motivos que me fazem acreditar que Tampa Bay pode chegar longe em 2017. Há uma energia diferente no jogo de Jameis, uma intensidade maior do que vimos na maioria dos QBs.

Ao contrário de idiotas como Jared Goff, Jameis é um líder natural que não desiste das jogadas e carrega o time nas costas, mesmo que aos trancos e barrancos. É como se ele fosse uma mistura da energia de Philip Rivers e da capacidade de improvisação de Ben Roethlisberger. Apesar de ter lançado para mais de quatro mil jardas, seus números não são espetaculares e há muito o que melhorar, especialmente quando falamos em QB rating e fazemos a relação entre número de passes para TD e número de interceptações, que em 2016 terminou 28/18. Jameis ainda precisa cuidar melhor da bola e 2017 deve ser o ano em que ele dará o próximo passo para chegar ao nível de um dos grandes QBs da NFL.

Jameis: isso ainda vai ser grande na NFL.

Uma nova arma

Ajuda para isso não vai faltar: na offseason, Tampa Bay assinou com o explosivo WR DeSean Jackson, que mesmo em fim de carreira deve trazer uma dimensão a mais para o ataque, a da velocidade nos lançamentos em profundidade. Além dele, o Bucs draftou O.J. Howard, que muitos especialistas consideram o melhor TE a chegar à NFL em anos, já que mistura qualidades de bloqueador e recebedor. Normalmente rookie TEs não causam tanto impacto logo em suas primeiras temporadas, mas se isso acontecer o problema não será tão grande, já que em 2016 o Bucs descobriu em Cameron Brate um TE bem efetivo.

Esses jogadores são todos úteis e talentosos, mas são apenas complementos à principal arma de Jameis e mais um dos motivos que me fazem gostar do Bucs. Mike Evans. Em nosso ranking de WRs, fui quem o colocou mais alto, em terceiro, porque acho que ele é um monstro e pode, rapidamente, se tornar o melhor recebedor da NFL.

Evans tem todas as qualidades que um WR top precisa: tamanho, velocidade, agilidade, capacidade de correr rotas e mãos confiáveis. É assustador pensar os números que ele pode conseguir em 2017, levando em conta que as defesas não poderão focar em coberturas duplas ou triplas nele, já que o cobertor será curto se lembrarmos de todos os alvos de Jameis Winston. Somadas todas as dimensões e possibilidades que o ataque do Buccaneers terá em 2017, tenho que confessar que estou apaixonado.

As interrogações

Se existe uma ressalva no encanto que sinto por esse time, é o jogo corrido. Doug Martin é um bom jogador, mas ultimamente está machucado ou suspenso, dificilmente em campo. É difícil contar com ele pra qualquer coisa e houve rumores de que inclusive poderia ser dispensado. Sobram no depth chart Jacquizz Rodgers e Charles Sims, que são razoáveis e podem quebrar um galho, mas não trazem brilho aos olhos.

Filme repetido.

Já a defesa do Tampa Bay Buccaneers não encanta tanto quanto o ataque, mas não chega a atrapalhar ou impossibilitar nossa história de amor. Seu principal jogador é o DL Gerald McCoy, que já está em sua oitava temporada na liga e em 2016 mostrou pequenos sinais de declínio, mas mesmo assim conseguiu sete sacks. Para ajudar os trabalhos de McCoy na linha defensiva, a principal contratação foi o free agent Chris Baker, que chega do Washington Redskins trazendo seus 9,5 sacks, cinco fumbles forçados e 100 tackles em seus dois anos em DC.

No corpo de LBs, o Bucs vai continuar contando com os versáteis Lavonte David e Kwon Alexander, que combinaram para seis sacks e duas interceptações em 2016 e são bons em tackles. A fraqueza da defesa parece estar na secundária: Brent Grimes é um bom jogador, mas já tem 34 anos e está em fim de carreira. Vernon Hargreaves teve apenas uma interceptação em sua temporada de rookie, mesmo jogando razoavelmente bem. O problema é que a profundidade acaba aí. O Bucs parece ter direcionado a maior parte de seus recursos para melhorar o ataque. O time até investiu uma escolha de segundo round no safety Justin Evans, mas é difícil acreditar que sua contribuição seja efetiva já em seu ano de calouro, principalmente em uma divisão com ataques tão potentes.

Palpite: Se fosse obrigado a escolher um time alternativo para chegar ao Super Bowl, seria o Tampa Bay Buccaneers, mas a paixão muitas vezes nos cega. Quero acreditar que o time estará nos playoffs e terá uma participação digna, mas sei que posso estar sendo enganado por mim mesmo. Porém, continuarei otimista e meu coração prevê um surpreendente Bucs na final da NFC.

Análise Tática #2 – Sobre um domingo muito complicado

Jameis Winston foi um dos melhores QBs da semana 1, quando completou 23/32 passes, para 281 jardas, 4 TDs e 1 INT na vitória fora de casa do Tampa Bay Buccaneers contra o Atlanta Falcons. Na semana 2, porém, a coisa desandou e forma retumbante: foram 4 INT, 1 fumble perdido, 27/52 passes completados e apenas 1 TD. O Buccaneers acabou derrotado por 40×7 pelo Arizona Cardinals.

Mas o que fez o time passar de sensação da semana 1 para uma das grandes decepções da semana 2? Não dá para colocar tudo na conta de Jameis Winston: alguns passes foram péssimos, mas Winston não teve muita ajuda de seus companheiros e enfrentou um adversário inspirado, que teve muito mérito em várias jogadas.

Nossa análise tática #2 tentará descobrir por que cada uma das 4 INT lançadas por Winston aconteceu.

Interceptação 1 – Culpa de quem?

A primeira interceptação de Jameis Winston aconteceu em uma tentativa de passe em profundidade para o WR Mike Evans, no alto da tela. A movimentação do safety (no círculo amarelo) para marcar a rota do RB foi decisiva para a leitura de marcação individual do CB Patrick Peterson na rota em profundidade de Evans.

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Com a jogada em andamento, percebemos que Winston tinha duas opções: o passe curto para o RB Doug Martin ou a bomba para Mike Evans. Como o Arizona Cardinals não mandou blitz, os outros dois recebedores estavam muito bem marcados por cinco defensores.

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A escolha pelo passe longo é difícil de ser questionada, já que Mike Evans é um gigante e costuma vencer a disputa de bolas com defensores. Mesmo não tendo quase nenhuma separação de Peterson, como percebemos na imagem abaixo, se o passe tivesse sido bem posicionado e se Evans tivesse a concentração adequada para buscar a bola, poderia ter dado certo.

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Porém, o que aconteceu foi exatamente o oposto. Winston lançou o passe um pouco à frente e Evans não teve a mesma perspicácia de Peterson, que acabou com uma INT relativamente fácil.

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Interceptação 2 – Que passe nojento!

Na jogada da segunda interceptação, o Arizona Cardinals mandou blitz com os dois LBs posicionados no meio do campo. Os quatro recebedores, com rotas diversas, teriam marcação individual.

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Mesmo enfrentando blitz, Winston praticamente não sofreu pressão. Na imagem abaixo percebemos que o pocket estava limpo e que os recebedores estavam todos em marcação individual, com o safety fazendo a leitura da jogada.

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Winstou decidiu lançar para o recebedor que tinha a rota em direção à lateral. A escolha foi boa, já que havia uma pequena separação, mas a execução foi péssima. O passe foi para o único lugar que não podia ser lançado: atrás do recebedor.

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Por outro ângulo, podemos ver que o recebedor nem percebeu a chegada da bola. Novamente, além do passe ruim, o defensor do Cardinals fez uma excelente leitura da jogada.

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Interceptação 3 – O azar!

A terceira interceptação aconteceu numa tentativa de um screen pass. Essa talvez tenha sido a interceptação em que Winston teve menos culpa. O RB Charles Sims, posicionado no alto da tela, receberia um passe curto e contaria com o bloqueio de seus companheiros.

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O problema desse tipo de passe é que, quando o defensor faz a leitura correta, ele pode ser facilmente desviado. E foi exatamente isso que aconteceu.

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Mesmo com o desvio, Charles Sims teve a chance de segurar a bola, ou talvez de, pelo menos, impedir que ela fosse interceptada.

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Porém, Sims permitiu que a bola batesse em suas mãos e sobrasse suavemente para o defensor do Cardinals interceptar e retornar para o TD, em uma gloriosa PICK SIX.

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Interceptação 4 – O desespero!

Na última jogada da partida, com o time perdendo por 40×7, não há explicação nenhuma para que Jameis Winston e Mike Evans estivessem em campo correndo o risco de sofrer uma contusão. Mas estavam; e continuavam fazendo cagadas. A jogada se resumia a duas rotas verticais dos WRs, Mike Evans no alto da tela e Vincent Jackson na parte de baixo.

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O Cardinals não mandou blitz e os dois WRs tiveram marcação individual dos CBs com dois safeties aguardando o passe em profundidade. Winston sofreu pressão pelo seu lado esquerdo e teve que correr para o lado direito para evitar o sack. Enquanto isso, o CB que marcava Vincent Jackson escorregou e deixou o WR completamente sozinho.

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Sem a visão do que acontecia do lado esquerdo do ataque, Winston forçou o passe para Mike Evans, que já estava marcado por dois jogadores. Na parte de baixo da tela, vemos novamente como Jackson estava completamente sozinho.

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Mesmo bem marcado, o passe poderia ter sido completado se Winston tivesse lançado para o fundo da endzone, já que Evans conseguiu uma pequena separação dos marcadores.

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Porém, Winston acabou lançando em direção à lateral da endzone, o que permitiu a recuperação do marcador, que conseguiu a interceptação e selou uma performance bem abaixo da média do QB do Bucs.

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O futuro parece brilhante, mas quem escolhe kicker não merece respeito

A temporada de 2015 deve ter sido um misto de emoções para os torcedores e também para a equipe dos Buccaneers, porque serviu para ratificar fortemente a escolha de Jameis Winston com a primeira escolha do draft – considerando que ele superará os defeitos de novato, mas o talento que ele mostrou (além de números como mais de 4000 jardas e 28 TDs) simplesmente não se encontra todos os dias, com especial esperança na sua evolução quando se considera que ele foi o jogador mais jovem a lançar para essas 4000 jardas, com apenas 21 anos.

Obviamente, apesar do otimismo que possa ter gerado, uma temporada com apenas seis vitórias e último lugar na divisão tem consequências além da decepção da torcida. Após ter conseguido apenas duas vitórias em 2014 (e a primeira escolha do draft que permitiu Jameis Winston), o general manager Jason Licht perdeu a paciência com Lovie Smith e o mandou embora logo ao fim da sua segunda temporada.

Para seu lugar, foi promovido Dirk Koetter, coordenador ofensivo de Smith. O seu sucesso como coordenador é inegável desde os tempos de Jaguars e Falcons, além da sintonia que demonstrou com Jameis. Resta saber como ele trabalhará com as responsabilidades maiores de head coach, ainda que ele saiba que possa contar com o auxílio do DC Mike Smith, antigo treinador dos Falcons (onde trabalharam juntos), no lado defensivo do time.

O mistério do draft

Em um bom draft, existem boas escolhas, existem escolhas óbvias, existem escolhas absurdas, existem escolhas que deveriam gerar a demissão imediata da pessoa que a fez. E aí, por último, depois do fundo do poço, no pré-sal, existe escolher um kicker na segunda rodada. Isso mesmo, se você perdeu a notícia na época do draft, leia de novo e seguimos.

É importante lembrar que Tampa tinha um kicker razoável. Connor Barth não é nenhum monstro que chuta todas de 50 jardas, mas poucos são. Além disso, sua carreira de quase 10 anos na liga mostra o quanto estável ele é: em 2015, ele foi automático em todos os chutes dentro das 40 jardas, indo para 23/28 no total e errando apenas um XP (normal, depois da mudança de regra). E os Bucs consideraram essa como uma das posições que mais necessitava de reforço.

E aí entrou Roberto Aguayo, na 59ª escolha (após trocar picks com Kansas!), a frente de jogadores bem cotados como Vonn Bell (safety, Ohio St) e Jonathan Bullard (DT, Florida) que, veremos a seguir, poderiam servir para essa defesa. Para piorar, a pré-temporada tem sido algo ingrata com o jovem, que já perdeu um XP e 2 FGs – e ainda admitiu estar sentindo a pressão e buscando ajuda psicológica. Alguém não aprendeu a lição que Bryan Anger (punter, Jaguars, 70ª escolha de 2012) e Russel Wilson (75ª escolha) tentaram deixar para todos nós, não é mesmo, Licht?

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Geraldo, um gigante simpático, só queria novos amigos que manjem de football.

A defesa que poderia evoluir

Além da bizarra escolha de Aguayo, as outras três das primeiras quatro escolhas do draft do time foram para tentar ajudar o lado defensivo do time. Com as adições da offseason, a linha defensiva deve se repetir como a unidade mais forte da defesa: os DEs Robert Ayers (9.5 sacks em 2015 pelos Giants) e o novato Noah Spence (11.5 sacks na sua última temporada na universidade de Eastern Kentucky, após ser banido do Big Ten por problemas com drogas) devem tocar o terror nos ataques adversários flanqueando o monstruoso Gerald McCoy, que é basicamente um Suh que joga limpo.

Os linebackers também devem garantir algo de solidez – ainda que só Lavonte David possa ser garantido como um diferencial. Kwon Alexander teve um ano regular como novato, enquanto o recém-chegado Daryl Smith, de 34 anos, foi dispensado dos Ravens mesmo após produzir mais de 100 tackles no ano passado.

O problema mais sério se concentra na secundária: os recém-chegados Brent Grimes, desde o Dolphins (que o cortou porque ele não quis reestruturar o contrato), e Vernon Hargreaves, 11ª escolha do draft, deveriam trazer alguma estabilidade – mas considerando que são essenciais pelo menos 3 CBs para ter uma defesa efetiva, será necessário que, entre Alterraun Verner e Johnthan (não foi escrito errado, editor) Banks, saia alguém minimamente capaz.

Os gigantes do ataque e o Muscle Hamster

O grande defeito de Winston saindo da universidade (o que acabou gerando muita controvérsia no período pré-draft, porque ele botou boa parte da culpa nos seus recebedores) e na sua primeira temporada foi a sua mira. Para colocar em perspectiva, ele acertou apenas 58.3% dos passes, enquanto Joe Flacco (que não é nenhum Drew 68.3% Brees) acertou 64.4%. Ou seja, com uma pequena melhora nisso, a sua produção deverá aumentar ainda mais.

E não é como se os seus alvos não ajudassem. 1.96m é o que têm Mike Evans e Vincent Jackson (“as torres gêmeas”, de acordo com o GM Jason Licht), e lhes falta habilidade – são dois jogadores que buscariam mesmo passes lançados por Josh Freeman, desde que consigam se manter saudáveis, considerando que os dois perderam jogos em 2015. Além disso, também não é possível excluir o tight end Austin Seferian-Jenkins, que batalhou lesões em suas duas primeiras temporadas de liga, mas, dizem, estará finalmente saudável para ser o terceiro amigo monstruoso de Jameis.

E ainda que seja um ataque dominado por gigantes, sobra espaço para um pequeno de 1.75m: Doug Martin, “o hamster musculoso” do alto das suas 1402 jardas (2ª melhor marca da NFL ano passado), que lhe renderam um novo contrato de 5 anos e 36 milhões de dólares. Infelizmente esse contrato coloca dúvidas sobre o desempenho futuro de Martin, que pode ficar muito confortável e suscetível a lesões (como em 2013 e 2014) com tanto dinheiro.

Por fim, para que Martin possa funcionar e Winston tenha tempo suficiente para “caprichar na mira” desde o pocket, será importante um bom trabalho da linha ofensiva. O retorno do RT Demar Dotson de lesão deve colaborar, mas a evolução crucial está nas mãos de Donovan Smith no lado cego, após um primeiro ano fraco, e do recém contratado J.R. Sweezy, que recebeu mais de 30 milhões de dólares mesmo sendo uma negação em Seattle (mais uma grande decisão pra conta de Licht!).

Importante lembrar para fechar o ataque: Roberto Aguayo será uma decepção. Acertará menos de 80% dos chutes e será culpado por pelo menos uma derrota do time – deixando Licht tentado a simplesmente assumir o erro e seguir em frente. Como um bom GM cabeça-dura que se recusa a admitir picks desperdiçados (como a maioria da liga), seguirá empurrando com a barriga por pelo menos mais um ano.

VEM MONSTRO, TEM PRESSÃO NÃO, SAÍ DE CASA COMI PRA CARALHO

Palpite: A NFC ainda está muito forte para os Buccaneers. Fosse na AFC, o time provavelmente teria chance de chegar aos playoffs. Entretanto, existe o fator Jameis para se levar em consideração – quem sabe ele evolua mais rápido do que esperamos e melhore sua produção de 2015. Provavelmente Tampa chegará às nove vitórias e terá novamente a oportunidade de ajeitar a defesa e se preparar para brigar pelos playoffs em 2017.