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A vida é feita de ciclos

O Colts sempre teve sua história associada a um grande jogador. Nos primórdios da franquia, ainda em Baltimore, esse cara era Johnny Unitas. Em Indianapolis, vieram Erick Dickerson e depois Marshall Faulk. E, por fim, você deve se lembrar de um moço alto chamado Peyton Manning. Parece que lançava a bola, o rapaz.

Essa sucessão não parou com a saída de Peyton. Aliás, essa saída se deu muito por conta disso: a ideia de continuar o sucesso que a franquia havia conquistado. Em 2012, menos de um ano depois de ostentar o pior record da NFL, Indianapolis escolheu o QB Andrew Luck, de Stanford.

E tudo parecia seguir de acordo com os planos: Andrew levou a franquia aos playoffs em seus primeiros anos na liga, chegando até a final da AFC em 2014/15, em campanha que contou inclusive com vitória sobre Manning (aquele, não o outro) nos playoffs. Se quiser saber um pouco mais dessa história, falamos sobre isso aqui.

Em 30 segundos, tudo pode mudar

A trajetória vencedora de Luck foi interrompida em 2015. Em meio a um início ruim, o jogador sofreu múltiplas lesões e acabou a temporada na lista de contundidos. Em 2016, o trabalho para recuperar o ombro, lesionado no ano anterior, exigiu muito do jogador e a melhora esperada não veio. Para 2017, o time e o QB optaram por uma cirurgia no ombro – a ideia era deixar quaisquer resquícios da lesão para trás, agora de uma vez por todas.

O resultado você já conhece. O tempo de recuperação foi se estendendo, até chegar no ponto em que a participação de Andrew na temporada fosse descartada. O ombro não mostrava sinais de recuperação, e o ano já parecia perdido mesmo.

Após reavaliar o ombro e alterar um pouco os trabalhos de reabilitação, Luck vai jogar a temporada normalmente. A dúvida fica por conta de como serão suas atuações, já que seu último jogo foi há mais de 500 dias.

Pagano vs Grigson: a origem da ruína

A saga de Andrew Luck foi apenas a cereja no bolo de um processo inevitável, mas que, ironicamente, era mascarado pela própria capacidade de Luck dentro de campo. O time, apesar dos bons resultados, não era bom. Após receber o prêmio de “executivo do ano” (sim) em 2012, Ryan Grigson, o então GM da equipe, não conseguiu realizar bons drafts ou reforçar o time à altura no mercado. Chuck Pagano, o head coach, não mostrava competência para dirigir sequer um bom time, quem dirá um questionável.

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Por conta dessa incompetência, tudo que Andrew não controlava fedia: a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa como um todo. Viradas milagrosas e uma AFC South que beirava o amadorismo ocultavam a verdade: Indianapolis não tinha um bom time.

Sem Andrew Luck, as deficiências da equipe e a ruindade de Grigson e Pagano ficaram escancaradas. Em um intervalo de menos de um ano, ambos foram chutados da franquia.

Reconstruindo (do inglês rebuild)

Para consertar o “elenco” deixado por Ryan Grigson, os Colts foram atrás de Chris Ballard, que é muito bem visto dentro da liga e tido por muitos como um dos melhores avaliadores de talento da NFL.

Daddy.

Em seu primeiro ano como GM, porém, ele não foi bem. O time não contou com Andrew Luck, claro, mas Chris não se mostrou muito ativo ao lidar com a situação. Se os Patriots não tivessem proposto uma troca, Indianapolis teria jogado 2017 com Scott “are you serious?” Tolzien como seu QB. Além disso, a equipe montada não se mostrou competitiva como se deseja, mesmo o trabalhando apenas se iniciando.

Finalmente e, sim, estávamos evitando, chegamos em 2018

Como tudo na vida é um ciclo, o dos Colts está se fechando agora. O ciclo que se inicia lembra muito aquele de 2012: um ou outro nome reconhecível e a esperança que Luck seja o diferencial da equipe. Se antes o ataque tinha Reggie Wayne, hoje ele tem TY Hilton. Se antes a defesa tinha Robert Mathis, hoje ela tem Jabaal Sheard. Não é um cenário animador.

Todos sabemos que um time que tem apenas três jogadores de nível de Pro Bowl (estamos ignorando Jack Doyle e Adam Vinatieri da lista, você não é o único que percebeu) não vai chegar muito longe, mas Indianapolis tem uma carta na manga: a juventude.

O elenco é hoje formado por alguns medalhões (os que já citamos, Eric Ebron, Anthony Castonzo, Al Woods, John Simon…) e muitos jovens. As três escolhas na segundo rodada, um grupo de RBs liderado pelo apenas segundo-anista Marlon Mack, além dos 1st rounders Quenton Nelson e Malik Hooker, e mais um bando de meninos que você não conhece, tornam os Colts um dos 5 times mais jovens da NFL.

Isso torna a temporada de Indy extremamente imprevisível. Se alguns desses jogadores jogarem em alto nível, daqui a um ano provavelmente estaremos falando de uma equipe pronta para disputar a AFC por anos. Por outro lado, se o desempenho for de medíocre pra baixo, a situação pode ser crítica a ponto de vermos a franquia de novo com uma escolha no top 5 do draft.

Um passo de cada vez

Se antes a ruindade do time apareceu quando Andrew Luck se machucou, agora os Colts estão fazendo de tudo para evitar que isso aconteça. A linha ofensiva foi ponto focal da offseason, menos de um ano depois de jogadores como Jeremy Vujnovich atuarem em todos jogos da temporada.

“Como é que eu vim parar aqui?”

A unidade agora conta com Anthony Castonzo, que, no geral, não compromete; Quenton Nelson, talvez o único prospecto universalmente aceito como BOM; Ryan Kelly, que quando jogou foi bem (porém tem sofrido com lesões); Matt Slauson, veterano que já joga na liga há alguns bons nove anos; e Austin Howard, também veterano. Além deles, o calouro Braden Smith, escolha de segunda rodada esse ano, fica na reserva para suprir uma inevitável lesão. Não é o melhor grupo da liga, claro, mas não é a calamidade que vimos nos últimos anos.

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Se antes a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa eram ruins, agora podemos riscar pelo menos a linha ofensiva dessa lista. E isso apenas sete anos depois que Andrew Luck entrou na liga.

Tudo isso, não mais comandado por Chuck Pagano

É importante ressaltar que, também pela primeira vez em sua carreira, Luck terá o que achamos ser um Head Coach de verdade, não apenas um gerador de clichés motivacionais.

Reich chega depois que Josh McDaniels recusou o cargo, e só citamos isso aqui pra deixar bem claro que isso não influenciará em nada na temporada de Indy. Frank chega aos Colts com a credencial de ser uma das mentes envolvidas no processo que culminou com Nick Foles sendo o MVP do Super Bowl.

Tal qual um rookie, tudo que podemos dizer sobre Frank Reich é: esperamos que faça um bom trabalho e, pior que do que estava, dificilmente fica.

Palpite: “É muito difícil saber o que esperar desse time em 2018. Muitos jogadores pouco ou nada jogaram na liga, tornando o nível da equipe extremamente imprevisível. No melhor dos cenários, pode brigar por playoffs e, no pior, pode acabar com uma pick alta no ano que vem. Como o meio-termo talvez seja a opinião mais sensata, um record entre 6 e 10 e 7 e 9 é onde esse time deve terminar o ano.”