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Análise Tática #15 – Semana #8: O tiroteio em Seattle

Mais uma semana de análise tática no Pick Six e dessa vez vamos observar o que aconteceu de mais interessante  no tiroteio de Seattle, onde (infelizmente) o Seahawks venceu o Texans por 41 a 38.

Dentre os quarterbacks o destaque da partida foi o calouro Deshaun Watson, que não se intimidou com o jogo em Seattle e distribuiu bolas para o seu ataque por toda a secundária dos Seahawks. Já Russell Wilson, bem, esse é um veterano com o qual estamos acostumados a presenciar coisas mágicas, principalmente com as cinco CATRACAS HUMANAS a sua frente.

Bill O’Brien, que depois de anos brincando com uma bola de meia, finalmente ganhou uma de couro oficial CAMPO TOTAL 90™, abusou das formações com shifts e motions, com o objetivo de criar situações de leituras favoráveis para seu quarterback. Afinal, técnicos são pagos exatamente para isso, criar situações favoráveis em seu ataque e não rezar para que elas simplesmente aconteçam (estou falando com você mesmo, Rob Chudzinski).

  • Nota da edição: Rob Chudzinski é o coordenador ofensivo dos Colts. Ele é péssimo. Já foi até head coach dos Browns. 

A primeira jogada a ser revisada nessa semana é o TD recebido por Will Fuller logo no drive inicial. Se você acompanha análises táticas de NFL há mais tempo, sabe que a defesa de Seattle é baseada em coberturas single-high, em que Earl Thomas é responsável por patrulhar a secundária, enquanto Kam Chancellor se preocupa com o box. Richard Sherman e o quarto elemento jogam em zona, o que configurará ao todo um cover-3, ou em mano-a-mano, resultando em cover-1.

E se você por acaso também joga Madden (paga nóis, EA Sports), sabe que a melhor forma de combater a cover 3/cover 1 é utilizar rotas verticais que se cruzam na direção do posicionamento do safety single-high. Isso fará com que o mesmo tenha que escolher seu marcador. É exatamente esse matchup que Bill O’Brien cria para que Deshaun Watson o explore. Em uma situação que provavelmente deveria ser uma cover 1 (observe Thomas sozinho no lado esquerdo da imagem, enquanto Richard Sherman realiza a press coverage em DeAndre Hopkins e Shaquill Griffin respeita a velocidade de Will Fuller).

Will Fuller, marcado como recebedor X e o guerreiro marcado como Y combinam rotas fly e post respectivamente, e estas se cruzam à frente de Earl Thomas. No momento em que as rotas se cruzam, Earl Thomas ataca a post ao ler os olhos do QB e deixa Will Fuller sozinho contra Griffin, que é batido facilmente na velocidade. Touchdown Houston Texans.

Cerca de 2 minutos de tempo de jogo depois, 10:21 do primeiro quarto, com o ataque dos Texans em campo, Earl Thomas empatou o jogo com uma pick six. Houston apresenta 3 recebedores do lado esquerdo enquanto o TE Ryan Griffin no lado direito também executará rota. O alvo principal da jogada é Hopkins saindo do slot na rota dig. (“Recebedor principal saindo do slot?” – você deve estar pensando. Sim, técnicos com o mínimo de noção trazem seus WR1 muito mais ágeis que os defensores para o slot em busca de matchups favoráveis, se os mesmos possuírem os atributos físicos necessários – oi de novo, Rob Chudzinski!). Seattle responde com uma cobertura cover 2 – man.

Earl Thomas lê os olhos do QB mais uma vez, pelo fato de estar em zona, pula na rota perfeitamente e conta com os bloqueios para anotar seu touchdown.

Agora vamos observar Russell Wilson e sua saga para sobreviver diante de cinco pessoas que não possuem a coordenação necessária nem para bloquear spam no e-mail, quanto mais atletas de mais de 100 kg. Devido a essa dificuldade, o QB de Seattle (Mr. Nanobubbles) costuma executar passes no tanto MENTIROSOS: bolas que flutuam por minutos e não são interceptadas, passes completos em cobertura tripla, coisas do gênero.

Primeiro quarto com 02:11 restantes, Seattle em fomação de empty backfield 2×3 – pois ajuda na proteção do passe para quê, né? – O plano inicial era executar o conceito curl-flats, mas devido à inépcia da linha ofensiva, toda jogada é perdida. O sack só não ocorreu devido ao atleticismo de Russell Wilson em escapar da pressão, e por que provavelmente os recebedores dos Seahawks treinam improvisações de rotas.

Paul Richardson percebem o espaço deixado no meio da endzone e se dirige para lá, enquanto Russell Wilson acerta passe de 30 jardas após escapar com roll-out para a esquerda. Arremesso contra o movimento do corpo (como não manda o manual) e perfeito.

Voltando a Deshaun Watson, vamos observar o que aconteceu em seu segundo touchdown para Will Fuller, mais um exemplo de como O’Brien usou shifts para dar leituras diferentes para a Legion of Boom. Manter defesas em dúvidas sobre o que vem a seguir é um dos princípios básicos do futebol americano (viu, Chuck Pagano?).

Se você leu o texto sobre a implodida dos Falcons contra os Dolphins, observou a situação do fake motion. Aqui, Deshaun Watson utiliza esse artifício para manter o edge rusher preocupado também com o flat, permitindo que as rotas em profundidade se desenvolvam. Will Fuller realiza uma rota post/corner e recebe um excelente passe fora do alcance do defensor.

Por fim, voltemos a Russell Wilson e observemos como TEs devem ser utilizados na redzone. Sobrando 26 segundos para o fim de jogo Seattle precisava do TD para virar a partida. Russell Wilson já tinha sobrevivido de maneiras inimagináveis com seus passes teleguiados e estava na linha de 18 jardas do campo de ataque em uma 1st & 10.

Quanto ao conceito, nada mais que o four verticals velho de guerra. Uma variação é apresentada já que uma rota go entre as hashmarks também é conhecida como rota seam. A magia do ataque em no-huddle faz com que a defesa de Houston não consiga colocar a cobertura adequada. Jimmy Graham, que apesar de frequentador do prêmio Dez Bryant da Semana (nota da edição: nem disso ele é digno, mas que bom que foi feito o jabá), só tem o trabalho de vencer um linebacker (menor e mais lento).

Até aquela sua tia que anda esquisito pegava esse.

Repare que em uma situação de cobertura normal, haveria tempo para que Jadeveon Clowney conseguisse o sack, já que os indivíduos da linha de Seattle são desprovidos da capacidade de bloquear dentro das regras do esporte. Ainda houve tempo para Deshaun Watson ser interceptado em uma tentativa desesperada de ganhar o jogo em 20 segundos. Seattle avança para 5-2 na temporada, para o desespero dos haters (nós).

Diego Vieira, o estagiário sob supervisão do estagiário, não gosta de esportes.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

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Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Análise Tática #12 – Semana #3: Ainda não cansamos de falar de Kansas City

Kareem Hunt não se cansa de bater recordes. Em nossa primeira análise tática de 2017, mostramos como ele conseguiu bater o recorde de jardas totais em uma estreia. Na semana 3, Hunt se tornou o primeiro jogador na história da NFL a anotar TDs de pelo menos 50 jardas em suas três primeiras partidas. No jogo contra o Los Angeles Chargers, a longa corrida de 69 jardas até a endzone veio no último quarto do jogo e selou a vitória do Kansas City Chiefs.

Com o TE Travis Kelce posicionado no slot e com um WR na parte de cima da tela, o Chiefs tinha três bloqueadores do lado esquerdo do campo. A jogada, porém, seria iniciada para o lado direito. Como a jogada provavelmente seria uma corrida, o Chargers deixou apenas um safety em profundidade.

Quando Hunt recebeu a bola, toda a defesa do Chargers se moveu para o lado direito do ataque. Com o bom trabalho dos bloqueadores na parte de cima da tela, foi criado um buraco na defesa.

Um corte rápido para a esquerda fez com que Hunt só tivesse que usar sua velocidade para bater o safety e anotar o TD.

Surpreendentemente, o New England Patriots sofreu bastante para vencer o Houston Texans por 36×33, em Foxborough. A vitória só veio nos segundos finais, com um passe perfeito de Tom Brady para o WR Brandin Cooks. No alto da tela, Cooks tinha uma rota vertical e tinha dois jogadores na marcação: o CB, logo a sua frente, e o S em profundidade.

O problema para o Houston Texans é que a marcação era em zona e nenhum dos dois marcadores fez a leitura correta da rota de Cooks, o que abriu uma pequena janela para Tom Brady, que estava a centímetros de sofrer um sack de Jadeveon Clowney.

O passe, porém, foi perfeito para o espaço dado pela marcação. Quando os defensores perceberam a rota, já era tarde demais. Cooks estava a duas jardas de distância dos dois marcadores e anotou o TD que deu a vitória sofrida para New England – e mais uma vez calou o twitter do site. 

Semana #2: os melhores piores momentos

Mais uma semana se passou. Infelizmente Blake Bortles ainda não lançou nenhuma Pick Six, mas mesmo assim temos muita coisa ruim para comentar. Afinal, a rodada foi um show de horrores e já estamos nos questionando se futebol americano é tão legal assim.

1 – Começando com o pé esquerdo – Houston Texans @ Cincinnati Bengals*

Já sabemos que os jogos de quinta-feira a noite são horríveis, e não seria esse em específico que mudaria isso. A expectativa já não era alta e, mesmo assim, podemos dizer que a partida ficou abaixo das expectativas. Falando em bom português: foi uma merda.

Andy Dalton continuou inerte, enquanto seu ataque batia um recorde histórico: os Bengals são o primeiro time desde 1939 a começar o ano com dois jogos em casa e conseguir não marcar nenhum TD.

Esperamos que o jogo sirva de lição para que a NFL nunca mais permita que essas duas equipes se enfrentem e, se for pra deixar acontecer, que pelo menos não seja em um jogo de horário nobre.

*Em respeito ao amigo leitor, não vamos colocar o link dos melhores momentos.

2 – Calvários eternos: porque times ruins não podem ter coisas legais.

2.1 – New Orleans Saints

Todos sabíamos que o bando de jogadores que o time tem e que não jogam no ataque não podia ser chamado de defesa. Aparentemente, eles não sabiam. Ao invés de investir no grupo no draft e na free agency, a equipe foi atrás de alguns acessórios de luxo, como Adrian Peterson.

Resultado: a defesa de New Orleans fez Sam Bradford parecer Tom Brady, e Tom Brady parecer Peyton Manning na temporada regular. Enquanto os defensores passavam vergonha (veja aqui e aqui), Peterson estava se adaptando muito bem a nova função de esquentador-de-banco.

Tenhamos piedade de Drew Brees.

2.2 – San Diego Los Angeles Chargers

Tal qual os Saints, a desgraça dos Chargers vem de outros tempos. Se alguns torcedores (os que sobraram) imaginavam que o azar no final das partidas ficaria em San Diego, já sabemos que não é o caso.

Depois de perder em Denver com um Field Goal bloqueado, a equipe se viu novamente em posição de anotar um FG, dessa vez não para empatar, mas para vencer o jogo. Você já sabe o que aconteceu e, quando Younghoe Koo errou o chute, o estádio explodiu de alegria. Nunca mais acreditaremos que esse time pode vencer algo.

2.3 – New York Jets

Era bem provável que os Jets tomariam uma tamancada dos Raiders – e realmente aconteceu. Mas, em determinado ponto do jogo, a equipe de Nova Iorque havia feito dez pontos, cortado a vantagem de Oakland pra 14-10 e forçado um punt.

A esperança durou pouco: o guerreiro #84 não conseguiu segurar a bola, que foi recuperada pelos Raiders. Dali, Marshawn Lynch anotou o TD e a coisa degringolou de vez.

“A bola tá vindo, o que eu faço?”

A briga pela primeira escolha do draft continua.

3 – Imagens que trazem PAZ.

3.1 – Talvez Jared Goff não seja mesmo um bust, mas ele não precisa acertar o árbitro da sideline para provar isso. Talvez seja apenas uma estratégia ousada que vai muito além da nossa compreensão.

3.2 – Adoramos os fake punts do Los Angeles Rams, mas é inconcebível que, em 2017, ainda tenha gente que caia nisso.

3.3 – Uma discussão frequente que temos aqui no site é se “Deus lança touchdowns com passes merda“? Em mais uma edição de ‘Só joga na defesa porque não consegue segurar a bola’, vemos que é quase isso.

3.4 – Porque, nesse caso, a imagem vale mais que mil palavras. Esperamos que esteja tudo bem.

4 – O retorno de Garbage Time Bortles

Blake Bortles foi o vencedor do primeiro troféu Blake Bortles, o único prêmio que premia a melhor atuação durante o Garbage Time (aqueles minutos finais em que o resultado já está definido, e você nem sabe mais porque está assistindo o jogo).

Não precisamos esperar muito para que Bortles voltasse a mostrar porque é o principal gênio dessa arte. Blake entrou no último período, quando a partida já estava decidida, com 11 de 25 passes completos, 89 jardas e duas interceptações. Nesse último quarto, Bortles completou seus 9 passes, para 134 jardas e um touchdown. Aguardamos ansiosamente os novos capítulos dessa saga.

5 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Sabemos que ele não existiu na semana 1, afinal, só pensamos na ideia agora. O Prêmio Dez Bryant será semanalmente dado àquele jogador de muito nome e muita mídia, mas que não jogou nada na rodada. A inspiração? O jogador que empresta seu nome ao prêmio: quando você mais precisa dele, Dez Bryant não estará lá.

O primeiro vencedor do Prêmio Dez Bryant da semana é Ezekiel Elliott, seu companheiro de equipe. Zeke terminou o jogo contra os Broncos com memoráveis 9 carregadas para um total de 8 jardas. Parabéns!

Magoou.

A semana que vem prometeVocê pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Semana #1: os melhores piores momentos

Depois de muito tempo, finalmente a NFL voltou! Foram alguns meses de espera para que voltássemos a ver o Cleveland Browns perdendo, o Indianapolis Colts fazendo mer*a e o Detroit Lions iludindo sua torcida. Mas para sair do senso comum, vamos apresentar o que de PIOR aconteceu na semana 1 da liga. Os highlights da NFL.com e do SportsCenter não nos interessam: apenas se alguém passou vergonha no processo.

1 – QB Play

Precisamos reconhecer: o talento entre os quarterbacks é o melhor da história do futebol americano. Até mesmo por isso, jogadores como Colin Kaepernick não tem espaço em uma liga que está recheada com titulares e reservas de altíssima qualidade na posição.

Para ilustrar o alto nível de jogo dos signal callers da NFL, separamos algumas atuações de destaque. Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

1.1 – Scott Tolzien: 9/18; 128 jardas; 2 INTs

Tolzien lançou duas pick six, sendo a primeira na sua tentativa de passe número 1 no jogo. Já a segunda foi quase um replay da primeira. Seu rating seria melhor se ele fosse um jogador de Los Angeles. É sério. Ele não durou muito tempo na partida, dando lugar para Jacoby Brissett no início do último quarto. Compartilhe o vídeo para estragar o dia de algum torcedor dos Colts.

1.2 – Andy Dalton: 16/31; 170 jardas; 4 INTs; um Fumble perdido

Um jogo ruim de Andy Dalton ainda surpreende alguém? Contra a boa defesa dos Ravens, ele não conseguiu fazer nada produtivo. Sinceramente, não sabemos mais o que dizer sobre Dalton, apenas sentir. A desgraça alheia pode ser vista aqui.

‘Não pode se’

1.3 – Carson Palmer: 27/48; 269 jardas; 1 TD; 3 INTs

O INSS possui uma fila preferencial para aqueles que não conseguem jogar bem contra a defesa de Detroit. Levando o tape do jogo, Palmer tem uma oportunidade única de vazar logo da liga e parar de passar vergonha.

2 – OL Play

Dizem que jogos são ganhos – ou perdidos – nas trincheiras. Algumas equipes ignoram o plural da palavra, achando que uma linha defensiva de qualidade basta para vencer partidas – lógica curiosa; você tenta fazer o QB adversário passar dificuldades, mas esquece que o seu sofre do mesmo mal. É o caso das três franquias que citaremos abaixo.
Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

2.1 – New York Giants: 3 sacks

Foram apenas 3 sacks permitidos, mas os Giants sofreram com a incompetência de sua linha ofensiva principalmente por medo (justificado). Sabendo que o grupo não conseguiria proteger Eli por muito tempo, o plano de jogo consistiu em passes curtos. Não deu certo e o ataque conseguiu apenas 3 pontos. Além disso, os jogadores conseguiram a proeza de permitir um sack enquanto se apresentavam na transmissão. Veja a letargia do ataque nos melhores momentos.

2.2 – Seattle Seahawks: 3 sacks

Uma imagem vale mais que mil palavras. Russell Wilson, se conseguir se manter vivo, dificilmente conseguirá levar esse ataque longe. Assista os melhores momentos, quem sabe você não descobre se pode ser contratado para ser um jogador dos Seahawks na posição?

Existiu ou não existiu?

2.3 – Houston Texans: 10 sacks

Tom Savage não sabemos nem se existe ou não, e Deshaun Watson não está preparado pra ser um QB titular na NFL. Não ajuda a nenhum deles jogar com uma peneira a sua frente. É melhor o time pagar o LT Duane Brown. Você pode ver a OL de Houston consagrando a defesa de Jacksonville aqui.

3 – O começo avassalador do Detroit Lions

A sequência de jogadas que iniciou o jogo em Detroit (infelizmente vimos muito da peleja) foi medonha: Matthew Stafford lançou um Pick Six e, no drive seguinte, o ataque sofreu um three and out. Na hora de fazer o punt, algo deu absolutamente errado: o punter tentou resolver com as pernas, e acabou morrendo no processo – o time teve que contratar outro cara pra posição.

Felizmente a defesa conseguiu evitar um TD dos Cardinals para então cometer uma falta no chute e dar mais uma chance de Arizona chegar a endzone. Felizmente (?) não aconteceu – Carson Palmer não estava jogando nada.

4 – Imagens que trazem PAZ

Preferimos as jogadas horríveis – aquelas que nos fazem rir – àquele highlight que até aquele seu amigo chato que acha futebol americano é “demorado demais” vai curtir.

4.1 – Jets e Bills: Só de ler o nome das duas equipes você já sabe que vem bos*a. Acompanhe conosco: Tyrod Taylor lançou uma interceptação, que parecia que ia ser retornada para touchdown. Até o jogador dos Jets – que não sabemos quem é – tropeçar em seu companheiro de equipe, que também não sabemos quem é. Para piorar, ele quase sofreu um fumble no processo. Clique aqui se você ainda não entendeu.

4.2 – A defesa dos Saints: Eles já são ruins e precisam de turnovers para conseguir ser pelo menos razoáveis. Não foi o caso na segunda-feira. Veja!

4.3 – Blake Bortles: Allen Robinson se machucou (seriamente, está fora da temporada) e Blake foi lhe consolar DANDO TAPINHAS NO JOELHO MACHUCADO. É sério.

Bônus: o Monday Night Football

A ESPN americana montou uma equipe diferente para a transmissão do jogo entre Chargers e Broncos. Beth Mowins foi a primeira mulher a narrar um jogo da NFL, e achamos que ela foi muito bem – melhor que Joe Buck, por exemplo.

Mas, ao seu lado, colocaram Rex Ryan, que não tem cacoete nenhum para comentar uma partida (apesar de ter alguns insights interessantes). E, na sideline, o repórter foi Sergio Dipp*. Os 30 segundos que ele teve durante a transmissão foram um desastre: claramente nervoso, ele misturou informação nenhuma com desespero total. Para piorar, nem o câmera estava preparado: acharam que um cara aleatório era Vance Joseph, head coach de Denver.

Um ídolo.

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*Estamos torcendo para que ele se recomponha depois do vexame. Sergio reagiu super bem as brincadeiras e temos que reconhecer que não é nada fácil estar em uma transmissão ao vivo no horário mais nobre da TV americana – ainda mais quando inglês não é sequer a sua língua nativa. Força, Sergio!

Qualquer perspectiva de futuro é mais bela sem Brock Osweiler

A temporada 2017 da NFL começou de uma maneira inusitada para o Houston Texans. Ainda em março, em um momento de clara admissão de culpa, raro na liga, o time concordou com uma troca com o Cleveland Browns que enviou o QB Brock Osweiler, contratado há apenas um ano, a escolha de segundo round do draft de 2018 e a escolha de sexto round de 2017. Em troca, Houston recebeu uma mísera escolha de quarto round de 2017. O objetivo era consertar um erro muito óbvio: a ruindade de Osweiler era tão grande quanto o salário que recebia e que causava um rombo no salary cap do time. Osweiler era, talvez, o pior custo-benefício da história da NFL.

Mandá-lo embora e ainda pagar por isso pode parecer uma atitude extrema, em que uma escolha de draft bastante relevante está sendo jogada no lixo, mas não é. Ao invés de continuar insistindo no erro, como muitos times fazem, o Texans preferiu seguir em frente na busca pelo seu franchise QB. Não é à toa que a reação às performances pífias de Osweiler veio tão rápido. Desde 2013, Houston teve nove QBs diferentes que iniciaram partidas como titulares, número igual ao de um time notadamente inapto a encontrar QBs capazes: o mesmo Cleveland Browns que recebeu Brock e hoje até cogita colocá-lo como titular no início da temporada.

Mandar Osweiler para bem longe de Houston foi o primeiro e necessário passo para um time que, há anos, parece estar a um QB de distância de ser um sério candidato a disputar um Super Bowl. O segundo passo foi pular da 25ª escolha do primeiro round do draft para a 12ª,  também em uma troca com o Cleveland Browns, para justamente escolher um QB. Mesmo com declarações de que o time estaria totalmente confortável com o fraco Tom Savage como QB titular para 2017, Houston enviou sua escolha de primeiro round de 2018 para Cleveland e escolheu Deshaun Watson, da Universidade de Clemson. De forma resumida, Houston enviou escolhas de primeiro e de segundo round para Cleveland para se livrar de Osweiler e draftar Watson.

Uma nova perspectiva

O investimento foi muito alto e deve se refletir em campo. Watson é um QB muito mais talentoso que Savage e, mesmo que não inicie a temporada como titular, o que é bastante difícil de compreender, não deve esquentar o banco por muito tempo. É, no mínimo, interessante imaginar o que um QB que teve muito sucesso no college e que é uma ameaça tanto aérea quanto terrestre pode fazer em um time que viu QBs pouco dinâmicos iniciarem jogos nos últimos anos, como Brian Hoyer, Ryan Mallet e o próprio Brock Osweiler. Quando se tornar titular, Watson não deve ter suas fraquezas muito expostas, já que o Houston Texans tem uma defesa forte que não toma muitos pontos e não precisa de um QB fazendo milagres para ganhar jogos.

Em 2017, a proteção que o resto do time proporciona deve ser um dos motivos que trará relativo sucesso a Watson na NFL. É difícil imaginar que o ex-QB de Clemson tenha números astronômicos em sua primeira temporada, mas é fato que ele não deve comprometer. Também é importante lembrar que, desde que assumiu o Texans, em 2014, o técnico Bill O’Brien teve à disposição apenas QBs abaixo da linha da mediocridade. Mesmo assim, conseguiu temporadas com mais vitórias do que derrotas em todos os anos, com duas aparições em playoffs, o que torna bastante possível acreditar que O’Brien saberá aproveitar o potencial de Watson e minimizar suas fraquezas.

Trazendo o famoso “espírito de campeão”.

Talento ao redor

Além de não precisar carregar o time nos braços, Watson tem muito talento ao seu redor. Seu WR principal é DeAndre Hopkins, que em 2015 se tornou o único recebedor da história da NFL a conseguir jogos de pelo menos 100 jardas com quatro QBs diferentes em uma temporada. É um número bastante significativo, que evidencia o talento de Hopkins e mostra que ele pode e deve ser a principal válvula de escape para um QB calouro. Hopkins não teve uma boa temporada em 2016 e não se pode absolvê-lo totalmente da culpa, mas é importante lembrar que a performance de Brock Osweiler foi muito ruim e tudo que DeAndre podia fazer era tentar receber passes que chegavam a aproximadamente 20 metros de onde estava. A temporada mágica de 2015 não deve se repetir para Hopkins, mas as boas performances devem voltar a acontecer a partir do momento em que a química com Watson (ou mesmo Savage) se desenvolver.

Hopkins falou à NFL Network sobre ter DeShaun Watson e Tom Savage como QBs em 2017 e disse estar ansioso: “Você sabe, durante toda a minha carreira eu acho que já joguei com mais QBs do que qualquer WR já jogou nos seus primeiros quatro anos. Nunca tive estabilidade na posição para conseguir estabelecer um entrosamento. Então, é um sentimento muito bom ter dois jogadores que podem ser franchise QBs”.

Ameaça terreste

Além de Hopkins, o ataque do Houston Texans terá a segunda temporada do bom RB Lamar Miller. Assim como Hopkins, em 2016, Miller foi prejudicado pelo ataque anêmico comandado por Osweiler e teve a pior média de jardas por carregada de sua carreira: quatro. Mesmo com as defesas adversárias não respeitando Osweiler e focando em parar o jogo corrido, Miller ultrapassou as 1000 jardas corridas nos 14 jogos que disputou. É difícil acreditar que não haverá uma melhora nos números de Miller se Watson mostrar o mínimo de competência para colocar medo nas defesas adversárias e facilitar a vida do jogo corrido.

Prejudicado por Osweiler ou só mais um produto da defesa dos Colts?

De qualquer forma, em 2017, a engrenagem do ataque do Houston Texans não terá mais uma peça defeituosa na posição de QB e o sucesso individual de cada jogador deve significar o sucesso dos demais. O Texans não terá um dos melhores ataques da NFL, mas também não será um dos piores. Para conseguir um bom desempenho na temporada regular, o ataque será mais do que suficiente, mas é provável que o drama de não ir longe nos playoffs ainda persista por mais um ou dois anos.

Watt & amigos

Os elogios para o ataque do Texans foram razoavelmente generosos, mas não se enganem: a principal força do time sempre foi e ainda é a defesa. Mesmo sem o monstro chamado J.J. Watt por um caminhão de jogos em 2016, a defesa do Texans conseguiu terminar a temporada em primeiro em jardas cedidas por jogo e em décimo primeiro em pontos permitidos. Isso prova que, mesmo sem o seu principal destaque individual, a defesa tem um dos grupos mais consistentes da liga.

Talvez seja otimismo exagerado esperar o mesmo desempenho da secundária, que perdeu na free agency o CB A.J. Bouye, um dos melhores jogadores do time na temporada passada, mas a pressão que a melhor linha defensiva da liga deve colocar nos QBs adversários deve ser suficiente para compensar.

Mesmo assim, J.J. Watt é um monstro e coleciona 70,5 sacks desde 2012, o melhor da NFL. Se estiver saudável, Watt é capaz de carregar a defesa literalmente nos próprios braços. Ao seu lado estará Jadeveon Clowney, que tem sofrido muito com contusões e ainda não justificou a primeira escolha geral do draft que o time gastou nele em 2014, mas já mostrou flashes do que é capaz.

A chave para o sucesso da defesa do Texans está na saúde de Watt e Clowney. É assustador pensar o que os dois podem fazer juntos em uma temporada completa. Se permanecerem saudáveis, não é exagero nenhum dizer que Houston brigará com o Denver Broncos e com o Seattle Seahawks pelo posto de melhor defesa da NFL.

Palpite: Em uma conferência sem grandes times (tirando o New England Patriots) e, principalmente, em uma divisão imprevisível, o Houston Texans deverá chegar aos playoffs novamente com nove ou dez vitórias. Mas as perspectivas de Super Bowl devem esperar um pouco mais, já que o time será eliminado no divisional round dos playoffs por um time mais experiente, como o Pittsburgh Steelers ou qualquer coisa que o valha.

Balanço do draft: erros, alguns acertos e várias bobagens

Passados os três dias de Draft, podemos fingir que entendemos alguma coisa sobre o que aconteceu e avaliar a escolha de jogadores que agora são profissionais, mas nunca enfrentaram o nível de competitividade da NFL.

Como ninguém liga para as asneiras que dizemos (e se liga, precisa refletir sobre o que diabos está fazendo com sua vida), não será um grande problema. Dessa forma listamos alguns erros, acertos e bobagens do último processo seletivo.

Cagadas (ou porque alguns times não se contentaram em deixar seus torcedores putos durante a temporada e decidiram fazer o mesmo até na offseason)

1) Chicago Bears:

Poderíamos apenas listar alguns tweets dos torcedores de Chicago para mostrar o quão satisfeita a torcida ficou com as escolhas da equipe:

“Um puta desastre!!! Nossa diretoria é horrível!!!”

“Ótimo draft Bears… Vocês perderam a torcida. McCaskey, venda a franquia”

“O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO???”

“Que merda foi essa?”

Bem, estes são alguns dos nossos favoritos. Poderíamos também dizer que a equipe foi a única a tirar menos que “B-” nas notas que o site da NFL dá a cada franquia, mas escolhemos explicar porque os Bears fizeram o que fizeram (bosta).

Mitchell Trubisky, o “futuro” da franquia, é um quarterback que jogou apenas 13 jogos em sua carreira no college. Você pode argumentar que ele não teve oportunidades e, de fato, não teve. Por incompetência própria. O titular da época quando Mitch (ele não quer ser chamado de “Mitch”, mas quem se importa?) era reserva nós não nos demos nem ao trabalho de pesquisar quem seria o meliante e, se algo ainda pode piorar, a comparação de Trubisky com um jogador da NFL atual é com… Jay Cutler.

Já nas escolhas seguintes o Bears selecionou um TE que pode até ser promissor, mas jogava em divisões inferiores do futebol americano universitário, enquanto a escolha de round 3 seria excelente se ela conseguisse se manter em campo – não foi o caso em 2016.

As outras picks são um RB (que eles não precisam) e um jogador de linha ofensiva que duvidamos que você já tenha ouvido falar. Parabéns, Chicago Bears: vocês são oficialmente o novo Cleveland Browns.

2) New York Giants:

Quando dissemos em nosso Mock que os Giants iriam atrás de um TE na primeira rodada nós, pelo menos, acreditávamos que o time escolheria alguém que soubesse bloquear. Evan Engram, porém, é classificado por alguns analistas como WR. Para proteger Eli Manning – o que deveria ser uma prioridade, a medida em que ele ruma para a fila da Previdência Social – a equipe gastou uma escolha daquelas rodadas em que, se alguém diz que entende algo, está mentindo. Nas outras seleções, um jogador de linha defensiva para substituir os que eles não conseguiram segurar na Free Agency; um RB que era reserva em seu time, mas com potencial; um jogador de linha defensiva, que também não era o principal do seu time; e um QB pra aprender com Eli Manning e se tornar seu substituto – seja lá o que diabos isso signifique, temos medo.

3) Los Angeles Rams:

Ninguém liga pros Rams e não somos a exceção que confirma a regra. Não vamos tomar muito do seu, nem do nosso tempo, falando sobre eles. O time, que luta cada vez mais para se tornar irrelevante, esqueceu que precisava montar uma linha ofensiva e, ao invés disso, escolheram dois jogadores de linha defensiva e um fullback, mas ninguém para proteger o futuro da franquia, Todd Gurley. Talvez, no fundo, a mediocridade seja um legado de Jeff Fisher.

Surpresas (ou não, não vamos falar daquele jogador que ninguém conhece e que acabou não sendo draftado)

1) Chicago Bears trocando com o San Francisco 49ers

O Chicago Bears fez o novo GM dos 49ers, John Lynch, parecer Sonny Weaver Jr (GM dos Browns no filme Draft Day, em que toda a história é desenvolvida para que Sonny saia como herói).

Os Bears deram escolhas de terceira e quarta rodada desse ano e mais uma escolha de terceira rodada do ano que vem para subir uma posição no board e escolher um jogador que San Francisco não queria. Experimente digitar no Google “Bears 49ers trade“: você verá manchetes como “49ers roubaram os Bears“, “Como os 49ers conseguiram três escolhas dos Bears?” e “49ers vencem primeira rodada do draft após troca com os Bears“.

Se você acha que os Bears fizeram isso para evitar que outra equipe o fizesse, saiba que até agora ninguém que cobre a NFL conseguiu encontrar alguma franquia disposta a trocar com os 49ers para selecionar Mitch-esquecemos-a-grafia-correta-do-sobrenome-e-não-vamos-pesquisar. A verdade é que nem os 49ers acreditavam que os Bears selecionariam Trubisky.

2) Três WRs sendo escolhidos nas 9 primeiras posições

Não há muito o que dizer sobre isso apenas que foi, de fato, uma surpresa. Poucos mocks apontavam esse cenário. Corey Davis era apontado como provável escolha no TOP 10, mas a seleção de Mike Williams por parte dos Chargers e de John Ross III por parte dos Bengals acabou pegando muita gente desprevenida.

Um amigo para Mariota.

3) O que o desespero pode fazer com algumas franquias

Por alguns segundo, imagine-se na posição de Texans e Chiefs. Uma não tem um quarterback que lançou um touchdown na liga e não se chama Brandon Weeden, enquanto a outra tem Alex “short of the 1st down marker” Smith. Para sair da situação incômoda que estavam, as duas franquias tiveram que dar suas escolhas de primeira rodada em 2018 para escolher quarterbacks que ninguém tem coragem de colocar a mão no fogo.

4) Bônus: como uma música pode ser irritante

Se eu ouvir o “grito de guerra” Fly Eagles Fly mais uma vez, não respondo por meus atos.

Acertos (ou infelizmente não há muita diversão no sucesso alheio) 

1) Cleveland Browns:

Os Browns tem feito tudo certo para se tornarem uma franquia decente e nesse último draft não foi diferente. A equipe saiu da Philadelphia com três seleções na primeira rodada, sendo uma delas o melhor jogador disponível. Além disso, na segunda rodada, o time escolheu DeShone Kizer, que era cotado para sair na primeira. Para completar, os Browns tem ainda cinco escolhas nas duas primeiras rodadas do draft de 2018.

2) Miami Dolphins:

Os Dolphins conseguiram uma classe bem sólida: a franquia adicionou peças para o front seven, que não era exatamente uma necessidade, mas que poderiam ser colocadas como prioridade; secundária e ataque. Além disso, conseguiram um potencial guard titular na quinta rodada e um WR considerado por muitos um sleeper em sua última escolha. Devolvam os Dolphins que nós aprendemos a amar.

3) Los Angeles Chargers:
Parece que os Chargers finalmente perceberam que o tempo de Phillip Rivers está se esgotando. Em suas três primeiras escolhas, a equipe selecionou um WR para se tornar o melhor amigo de Rivers quando Keenan Allen não está em campo (sempre), além de dois guards para fortalecer o interior da linha ofensiva. Na segunda metade do draft, o foco foi reforçar a defesa. Se tudo der certo, Phillip Rivers vencerá dois Super Bowls e entrará no Hall da Fama no lugar de Eli Manning.

4) Bônus: New England Patriots
Se os Patriots escolherem uma tartaruga manca as pessoas vão, pelo menos, tentar entender o lado de Bill Belichick. Não precisamos nem olhar as escolhas para elogiá-las.

**MOMENTO CORNETA**

Perdedores (ou nem todo mundo saiu fortalecido da Philadelphia)

Chuck Pagano:

O cerco está se fechando. Depois de demitir Ryan Grigson e contratar um GM de verdade, os Colts parecem no caminho certo para montar uma equipe competitiva. Chris Ballard tem arrancado elogios de toda liga sobre a forma como tem montado o time durante essa offseason e agora Pagano não tem mais desculpas: com uma defesa mais razoável em mãos, ele tem que mostrar que é capaz de ser um técnico de qualidade. Spoiler: não vai rolar.

Revendo o Mock Draft

Todos sabemos que Mock Drafts não querem dizer nada, mas revê-los depois que tudo realmente acontece é uma ótima oportunidade de xingar quem se dispôs a tentar prever o imprevisível.

Com a exceção sendo a escolha dos Bears, que já mencionamos, acertamos 4 das 5 primeiras escolhas. A partir da sexta, porém, tudo desandou. O outro acerto só veio na posição que os Bills escolheram, mas só aconteceu na escolha 27, devido a troca com os Chiefs.

Já os Saints acabaram escolhendo o jogador que previmos na 10, que também era um CB. A escolha 12 também foi certeira, mas com os Texans escolhendo no lugar dos Browns. Outro acerto só veio na escolha 18, com os Titans escolhendo um CB, mas não quem apontamos. A última escolha que cravamos foi a do Broncos, na 20. Os Lions na 21 também foram de LB, como era esperado. Já na 23, os Giants foram de TE, e o que escrevemos na oportunidade serve perfeitamente para analisar a escolha, que não foi exatamente a mesma: é um recado para Eli Manning, algo como “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara para pegar a bola. Ou vai ou racha”.

A escolha 25 foi um safety, não um QB, mas ao menos acertamos que os Texans iriam atrás de um signal caller, por motivos óbvios. Por outro lado, Seattle não só não escolheu na primeira rodada, como sua primeira escolha não foi um jogador de linha ofensiva: se eles querem que Russell Wilson morra em campo, o problema não é nosso.

Os Falcons, que escolheram na posição, optaram por um pass rusher, o que podemos considerar um acerto. Os Cowboys, não foram de CB, como era de se esperar: a equipe deixou para reforçar a secundária mais a frente no draft. Já os Browns trocaram com os Packers na 29, mas pelo menos acertamos a posição da primeira escolha de Green Bay: CB.

Já a escolha dos Steelers, de acerto, só o lado da bola: Pittsburgh escolheu um LB, e não um S. Por fim, os Saints, por alguns motivos que vão além da compreensão humana, resolveram escolher um jogador de linha ofensiva ao invés de um defensor.

Saldo:

– Quatro escolhas cravadas (1, 4, 5 e 20);

– Escolhas que passaram perto: a posição em que Deshaun Watson foi escolhido (12) e que os 49ers iriam de Solomon Thomas; mesmo que isso tenha acontecido na 3 e não na 2. Não me culpem, a mente humana é incapaz de compreender o que diabos acontece em Chicago;

– Posições acertadas: sete, excluindo as picks acima;

– Uma dúzia de novos inimigos.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e está cada vez mais apaixonado por Chris Ballard.

“Gente como a gente”: Kaepernick e o dilema do desemprego

Pelo segundo ano consecutivo, Colin Kaepernick é tema importante da offseason da nossa amada NFL; dessa vez, até mais cedo do que foi em 2016. Isso porque, após uma temporada atribulada em que Chip Kelly o fez iniciar segurando prancheta para o lendário Blaine Gabbert, no dia 3 de março de 2017 ele resolveu ativar uma cláusula e anular seu contrato – que ele tinha reestruturado na semana 6 da temporada anterior justamente para ter essa opção. Desde então, estamos esperando.

Esperando e assistindo, uns mais revoltados do que outros, como Kaepernick está sendo ignorado por toda a liga. Obviamente, sempre devemos considerar que ele ainda não foi contratado porque, como veterano que não está entre os mais cobiçados da liga (deveria, mas com todas os problemas que discutiremos a frente, é compreensível que nenhum time esteja achando que ele é o novo Peyton Manning na free agency), Kaep está esperando o draft e as primeiras lesões da pré-temporada acontecerem para escolher bem o lugar onde terá as devidas oportunidades. Entretanto: algum time ligou para ele falar sobre? Seu nome foi seriamente considerado em alguma reunião entre HC e GM desde fevereiro? As especulações indicam que, até o momento, não.

Mas, observe o listado seguinte: T.J. Yates, Brock Osweiler, Case Keenum e Brian Hoyer, para ater-se somente aos que tiveram passagem e fracassaram no Houston Texans, não só tiveram seus nomes considerados, foram chamados para uma conversa e estão empregados. Osweiler e Brian Hoyer, ao menos pelo o que se diz à imprensa, terão até mesmo chances de começar a temporada como titulares. E ninguém está aqui para discutir se estas ínguas são melhores do que Colin Kaepernick – atem os cintos, iremos mais longe que isso.

“Ai, mas o Kaepernick é polêmico”

Ele foi. E certamente incomodou muita gente (incluso o presidente Trump, que vibra em seu Twitter com o fato de que Kaep ainda esteja sem ser contratado por ninguém). Já exploramos suas motivações em outro texto e por isso não gastaremos tempo nela. Além disso, Colin mesmo já disse que voltará a ficar de pé durante o hino americano porque ele quer ser conhecido como um bom jogador, e não somente como “aquele cara que fica de joelhos durante o hino”. Obviamente, ele acabou novamente criticado com argumentos imbecis como “AI AGORA QUE NÃO TEM MAIS CONTRATO ELE LARGA A IDEOLOGIA”.

Mas esqueçamos isso e vamos nos ater ao football, sabendo que Kaepernick é, sim, bom o suficiente para não ser apenas um jogador facilmente substituível porque a polêmica ao redor do seu nome se tornou maior do que ele próprio (a exemplo do que aconteceu com Chris Kluwe, ex-punter dos Vikings ou nosso amado Tim Tebow, hoje outfielder do Columbia Fireflies).

Melhor do que você pensa.

Dinheiro não deve ser problema

Chase Daniel recebeu, no ano passado, um contrato de 3 anos e 21 milhões de dólares para ser absolutamente backup, considerando que os Eagles já tinham Sam Bradford e pouco tempo depois trocaram um caminhão de escolhas por Carson Wentz (ele já seguiu em frente e voltou para New Orleans, mas porque ele pediu para ser dispensado. Curiosidade: ficou apenas 15 dias desempregado).

Já Mike Glennon, Tyrod Taylor e Alex Smith, que devem ter sua titularidade questionada durante 2017, receberão por volta dos 16 milhões esse ano. O contrato de Kaepernick valeu, em média, 13 milhões anuais nos três anos desde sua renovação com os 49ers – o que o coloca exatamente no meio desse grupo.

Considerando que a época de grandes contratos já passou, é improvável imaginar que Kaepernick venha a pedir mais que algo em torno de 10 milhões, naquele tipo de contrato para “provar o seu valor” e ter a chance de um mega-contrato em 2018. Parece um valor bastante razoável para um QB que deve acabar a temporada como titular e, caso estejamos errados e ele falhe, não será algo que acabará com uma franquia.

OBS: Riley Reiff, Russell Okung, Andrew Witworth e Matt Kalil são todos jogadores de OL com asteriscos ao lado de seus nomes por várias razões e irão ganhar mais dinheiro do que isso.

Kaepernick é melhor do que qualquer reserva que você pode encontrar

Chegaremos bem mais longe do que isso, mas seria mais fácil empregar Kaepernick se ele aceitasse segurar a prancheta e ser uma excelente opção caso o pior aconteça. O primeiro argumento, fácil, é que ele não se “encaixaria em qualquer sistema”, afinal, ele sabe correr. Entretanto, Matt Cassel e Derek Anderson (e sua interceptação premiada) são considerados “opções seguras” a Mariota e Newton, respectivamente. Além disso, Trevone Boykin, Brett Hundley, Cardale Jones e Scott Tolzien, também em sistemas “com mobilidade” (FICA O DESAFIO: TENTE LEMBRAR EM QUAIS TIMES ELES ESTÃO1), provavelmente não são confiáveis sequer para dar aquela ajoelhada e fechar o jogo.

Se a questão é o desemprego, já são 32 vagas que Kaepernick poderia ocupar – mesmo que fosse para substituir o estilo de jogo de Sam Bradford ou Carson Palmer, há a impressão que ele ainda seria bem mais produtivo que Case Keenum e Drew Stanton, ainda que com uma redução mais drástica no salário.

Kaepernick é melhor que uma dúzia de QBs empregos

Façamos o desafio inverso ao do tópico anterior (sem roubar!), quais times têm os seguintes QBs com chances de ser titulares em 2017: Josh McCown, Paxton Lynch, Brian Hoyer, Bryce Petty, Brandon Weeden e Matt Barkley?2 A resposta está no final deste texto, mas espere chegar lá. De qualquer forma, não é com esse fim de feira ainda que devemos comparar Kaepernick.

Pouco tempo antes de iniciar a temporada de 2016, fizemos um ranking de QBs e, como Chip Kelly é um lunático, Colin não aparece nele. Hoje, observando-o passados os “indubitáveis” 7 primeiros e os 4 veteranos seguintes (dois dos quais, Palmer e Romo, estão em vias de ou aposentados), existe algum QB que se possa afirmar inegavelmente superior a Kaepernick?

Mariota e Winston são excelentes jovens que provavelmente chegarão ao nível do top7, serão melhores que Kaep, sem dúvidas, mas ainda precisam dar o salto. Dalton, Taylor e Stafford parecem destinados a esse mesmo nível intermediário ao lado de Kaepernick – e os resultados que estes QBs conseguem são os que devemos esperar dele.

Não obstante, o ex-QB do San Francisco 49ers tem um currículo que estes anteriores não têm. O Super Bowl perdido (por um holding não marcado, importante frisar) lhe iguala a Ryan (e, curiosidade: dos QBs que chegaram ao SB deste século, somente Jake Delhomme e Rex Grossman acabaram as carreiras como meros backups). Já as duas presenças em NFC Championship Games não são igualadas por nenhum dos citados.

Além disso, ao contrário de Mark Sanchez (que também chegou a duas finais da AFC), não é possível dizer que Kaepernick foi totalmente carregado por uma grande defesa ou pelo jogo corrido. Lógico que a defesa estava ali e em grande fase, mas os seus melhores recebedores eram Vernon Davis e Michael Crabtree e, se aquele jogo contra os Packers nos playoffs, por exemplo, é indicação de algo, ele era metade do jogo corrido – não à toa produziu uma média aproximada de 3700 jardas (e 23 TDs para 13 turnovers) nas temporadas em que esteve saudável.

Isso, obviamente, nos tempos felizes com Jim Harbaugh, que no mês passado afirmou que “[Kaepernick] terá uma boa carreira e será um grande quarterback, ganhará títulos” e ainda, de quebra, disse que o jogador “é uma pessoa especial e um herói”.

Por mais que Harbaugh e Kelly tenham esquemas que dão liberdade para o estilo único de Kaepernick, os grandes treinadores sempre adaptaram o seu esquema de jogo para que seus melhores jogadores produzam o seu melhor. Kyle Shanahan, que atualmente prefere contar com Brian Hoyer e Matt Barkley (que, ainda assim, são realmente melhores do que Kaepernick no “estilo tradicional”? Provavelmente não) em San Francisco, começou sua carreira com a ideia justamente diferente disso, ainda que refletida em toda a NFL: “[…] porque ainda que você esteja buscando o seu melhor jogador, tentando ser justo com estes quarterbacks [como Kaepernick], você também está sendo injusto com o time” – ou seja, ele pode até ser melhor, mas Kyle prefere ver Hoyer e Barkley porque eles podem competir na mesma mediocridade. Divirta-se, então.

Perdendo empregos por causa do visual.

Falemos de números

Com um grupo ridículo ao seu redor – Torrey Smith deve ter sido o seu melhor alvo, enquanto Carlos Hyde segue tendo dificuldades em manter-se saudável, o que deu passagem a jogadores como DuJuan Harris e Chris Harper (imagino que ele seja o terceiro irmão de Two and a Half Men), e depois de ter perdido a oportunidade de treinar como titular durante toda a preseason, já que a opção do treinador era Gabbert, Colin ainda assim conseguiu produzir um rating de 90.7, com 18 TDs e 9 turnovers em 11 jogos – o que ao longo de uma temporada completa lhe colocariam ali ao lado dos eternos Alex Smith e Andy Dalton.

Um antigo crítico do jogador, Cian Fahey, um irlandês que escreve um livro chamado “QB Catalogue” após assistir todos os snaps de todos os QBs da liga, aponta sua evolução como jogador dentro do pocket (atacando diretamente a história de que ele só assusta porque pode correr), também considerando a a debilidade da sua linha ofensiva, além de aportar outros dados interessantes: numa estatística chamada “sacks que o QB poderia evitar”, Colin tem 12,5%, enquanto Andy Dalton e Alex Smith poderiam ter evitado mais de 30%; ele ainda é segundo colocado na liga em “ratio de passes interceptáveis lançados”; e a precisão ajustada dos seus passes, também um ponto sempre muito criticado, foi de quase 75% (14º na liga).

Observando, os números indicam fortemente que Kaepernick está, ao menos, na média dos titulares. Ainda que, é de se imaginar, com um grupo um pouco melhor ao seu redor, suas estatísticas só podem melhorar. A última razão restante para não contratar o jogador é que ele seria uma distração no vestiário; fechemos com declarações de seus companheiros, que lhe deram o “The Len Eshmont Award”, um prêmio para o jogador que melhor mostra o espírito de coragem e inspirador do ex-DL dos 49ers:

“Eu vi alguns QBs contratados e Kap é muito melhor que eles. Mas eu não sou GM. Eu não sou head coach. Então isso não compete a mim.”, Carlos Hyde.

“Ele fez uma escolha e está sentindo as consequências disso. Mas acho que ele vai acabar bem. Alguém lhe vai dar um emprego.”, Navorro Bowman.

“Já é hora que Kaepernick assine com alguém. Ele é melhor que todos os QBs contratados até agora.”, Brandon Marshall.

Ao contrário do que estamos assistindo com Adrian Peterson, Kaepernick não é uma questão de “se” e sim de “quando”. O cenário mais bonito seria ele contratado por Cleveland após o time deixar passar os principais QBs do draft (já que eles provavelmente não prestam mesmo), para jogar com o homem-que-fez-Andy-Dalton, Hue Jackson.

Jackson, aliás, deu a seguinte declaração sobre Colin Kaepernick por quem ele e o mítico Al Davis estavam apaixonados na época do draft: “estudando ele, me apaixonei pelo garoto. […] forte, todas as ferramentas para vencer na NFL. Não tinha a menor dúvida de que ele seria bom”. O resto, bem, o resto seria história.

1Se você disse Seattle, Green Bay, Buffalo e Indianapolis, parabéns, você acertou!

2Jets, Broncos, 49ers, Jets de novo, Texans e 49ers de novo.

5 mentiras da offseason que ninguém consegue acreditar

A offseason da NFL é um terreno fértil para que histórias, daquelas bem fantasiosas, sejam contadas sistematicamente. Sem jogos ou performances para avaliar, técnicos e jogadores parecem coagidos a tentar criar um futuro artificial e utópico para mascarar a dura realidade que enfrentarão em breve. Mas você, estimado leitor do Pick Six, não será mais uma das vítimas do conto do vigário. Nós ligamos o nosso detector de mentiras e vamos expor alguns dos Pinóquios da NFL na offseason de 2017:

John Fox e Todd Bowles: dois senhores lunáticos

Em 2016, Chicago Bears e New York Jets tiveram temporadas péssimas: juntos, eles conseguiram somar apenas oito vitórias. Obviamente, tratam-se de times muito fracos, que precisariam de muitos reforços para apenas começar a pensar em ser competitivos em 2017. Mas o que aconteceu com ambos foi justamente o contrário: Bears e Jets perderam seus QBs titulares, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick, e vários outros jogadores-chave, como Alshon Jeffery, Brandon Marshall e Nick Mangold.

Os times fracos e a perda de jogadores relevantes parecem não ter limitado a capacidade dos head coaches John Fox e Todd Bowles de criar um mundo paralelo. John Fox declarou que acredita que o Chicago Bears está em “striking distance”, que pode ser traduzido por algo como “em posição de causar estrago”. Já Todd Bowles acredita que “o elenco possibilita que o Jets seja competitivo em 2017” e que “as expectativas são altas, mas que é muito cedo para saber se o time é capaz de chegar aos playoffs”.

Fox e Bowles são dois grandes mentirosos. Mesmo tendo muita boa vontade e considerando que as “perdas” de Jay Cutler e Ryan Fizpatrick podem, na verdade, ser verdadeiros reforços para os times, não há como levar a sério as declarações dos técnicos. O tempo de Cutler e Fitzmagic enganarem os torcedores realmente acabou e isso é muito bom para que as franquias superem o fim do relacionamento que não deu certo e busquem seu verdadeiro par perfeito. Porém, a falta de respostas, tanto na free agency quanto no draft, para a posição mais importante do football condena os dois times a viver muito abaixo da linha de mediocridade em 2017.

Mesmo que Mike Glennon e seja-lá-quem-for-o-QB-do-Jets façam trabalhos razoáveis, nenhum dos ataques superará a perda de Alshon Jeffery e Brandon Marshall, dois dos melhores WRs da NFL. Além disso, o Chicago Bears joga em uma divisão que tem três times muito fortes e o New York Jets não tem nem chance de sonhar vencer a AFC East enquanto Tom Brady continuar respirando.

John Fox deve acreditar que “striking distance” significa “lutar para não ficar em último na divisão”. Se não acreditar, trata-se apenas de um mentiroso tentando minimizar o desastre da temporada anterior e criar um ambiente favorável à manutenção de seu emprego. Já Bowles deveria ter vergonha de mencionar “Jets” e “playoffs” na mesma frase e saber que o time será competitivo apenas quando se trata da disputa pela primeira escolha do Draft de 2018.

Obviamente, não esperamos que nenhum dos dois treinadores venha a público dizer que seus times são dois lixos. Jogadores precisam de motivação. Mas precisam mentir tão descaradamente?

Acredita quem quer.

Tom Brady e Drew Brees e o dilema da reforma da previdência

A idade parece não ser um problema para Tom Brady e Drew Brees, que estão se aproximando dos 40 e não estão nem cogitando o inevitável declínio físico trazido pela velhice. Brady declarou recentemente que pretende jogar por até mais cinco anos, o que levaria a uma aposentadoria aos 44 na temporada 2021. Drew Brees parece ter ficado com ciúme e logo em seguida afirmou o desejo de permanecer ativo até os seus 45 anos de idade, que o deixaria em campo até a longínqua temporada 2023.

Por mais que os torcedores do New England Patriots e do New Orleans Saints queiram muito acreditar que o prolongamento das carreiras de Brady e Brees vai acontecer, não é o que a história da NFL nos mostra. Nenhum QB conseguiu obter resultados significativos após ultrapassar a marca dos 40 anos. Brett Favre parece ter sido o único a conseguir se aproximar de conseguir vitórias expressivas após completar 40 anos, quando disputou a final da NFC pelo Minnesota Vikings em 2009.

Na nossa idealização de fãs, nossos ídolos são super heróis que podem vencer qualquer barreira, inclusive a da idade. Não queremos acreditar que eles são meros seres humanos, mas são, mesmo que não pareçam. O declínio chega de maneira abrupta. Peyton Manning é a prova disso: conquistou vários recordes da NFL em 2014 e em 2015 foi literalmente carregado pelo Denver Broncos para vencer o SB 50 aos 39 anos.

Em algum momento, em breve, o declínio físico vai atingir Brady e Brees, que parecem mesmo ter a vontade de jogar por muitos anos. Como o desejo de jogar em idade avançada parece ser legítimo, tratam-se de mentiras sinceras, mas ainda assim são mentiras.

“Na primavera ou em qualquer das estações”

Houston Texans: Deus no céu, Tom Savage na terra

A aposentadoria de Tony Romo ainda faz corações despedaçados sangrarem em Houston. Romo parecia a única solução para um time a um QB de distância de uma corrida ao Super Bowl. Não é o que o Texans parece acreditar. De acordo com James Palmer, repórter da NFL Network, o time se sente “confortável” com o inexpressivo Tom Savage sendo o QB titular na próxima temporada.

Essa talvez seja a mentira mais fácil de ser desmascarada. Desde 2014, quando foi draftado pelo Houston Texans, Savage participou de cinco jogos em temporada regular, dois como titular. Conseguiu o astronômico número de 0 TDs anotados e 0 passes para mais de 40 jardas. Portanto, não se enganem: Houston será agressivo no draft e, provavelmente, trará um veterano como Jay Cutler (credo!) ou Colin Kaepernick.

Um monumento temperamental

Ben Roethlisberger é, indiscutivelmente, um grande QB. Nada do que será dito a seguir tem a pretensão de diminuir sua qualidade ou relevância. Mas precisamos dizer a verdade: ele adora fazer um draminha. Nenhum outro jogador da NFL é capaz de se esforçar tanto para mostrar que está jogando machucado. Ben precisa mancar mais do que o necessário e se arrastar em campo para mostrar seu heroísmo.

Nessa offseason o drama se estendeu para um discursinho super falso de uma possível aposentadoria precoce. “Vou usá-la para avaliar, para considerar todas as opções, para avaliar questões de saúde e familiares, avaliar a próxima temporada, se haverá uma próxima temporada”, disse Roethlisberger.

Ninguém no Pìttsburgh Steelers parece ter levado as declarações muito a sério. Por um bom motivo: não demorou muito tempo para Ben encerrar o teatro e anunciar que estará em campo em 2017. Como disse Terrell Suggs, do rival Baltimore Ravens, antes de uma partida em que Ben era dúvida, “ele vai agir como ‘ai, não vou jogar, não sei, fiz só trabalhos individuais, lancei um pouco, mas ainda não sei’ e então vai colocar seu traseiro gordo no campo e jogar normalmente”.

Sempre divertido usar esta foto.

O time do futuro (que nunca chega)

A offseason é o momento perfeito para tentar reconstruir a imagem de jogadores que já mostraram flashes de talento, mas depois falharam completamente. Quem nunca ouviu o famoso “o QB X está trabalhando com um guru de QB” ou “o QB Y está trabalhando para melhorar sua mecânica”?

Blake Bortles parece ser o personagem perfeito para esse modelo de enganação. Depois de um ano muito promissor em 2015, na última temporada Bortles nos proporcionou momentos de ruindade épicos. O Jacksonville Jaguars, porém, está preso a Bortles, já que se trata de um QB de primeiro round do draft e que ainda mostra uma pequena esperança de recuperar pelo menos um pouco do talento que já mostrou.

Nada de anormal até aqui, certo? Mas o general manager Dave Caldwell parece ter ido um pouco longe demais em suas declarações. Entre outras coisas, Caldwell disse que “podemos vencer muitos jogos com Blake. Podemos vencer um Super Bowl com Blake, acho que o futuro é brilhante para ele”. Gostaríamos muito de acreditar em você Dave, mas simplesmente não conseguimos – aliás, nem sua mãe conseguiria.