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Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

Porque, eventualmente, as coisas têm que dar certo

A maldição de Bobby Layne

Bobby Layne comandou Detroit em três títulos da NFL, até ser trocado em 1958. Ele havia se machucado na última temporada, e os Lions decidiram mandá-lo para Pittsburgh. Ao deixar a cidade, Layne praguejou: seu ex-time não venceria mais nada por 50 anos.

Dito e feito. No intervalo da “maldição”, Detroit só venceria um jogo de playoff – em 1991, o suficiente apenas para não ser a franquia há mais tempo sem vencer na pós temporada. Desde aquela partida, são oito viagens aos playoffs. E oito derrotas.

A maldição deveria terminar em 2008. Naquele ano, a torcida até acreditou que o azar havia acabado, com um grand finale digno de cinema: a temporada marcou os Lions para sempre na história, como o único time a perder todos os dezesseis jogos. Dali pra frente, não dava para cavar mais fundo. A franquia só podia ir para cima. Porém, como não estamos em Hollywood, Detroit até melhorou nos anos subsequentes, mas nada que fizesse o torcedor bater no peito com o orgulho e bradar: “Aqui é Lions, PORRA!!!

Força, amigo.

A desgraça, ela é eterna

Todo time é feito de ídolos. Sem eles, você acaba sendo um New England Patriots: a menos que o melhor técnico de todos os tempos e um menino de ouro salvem a franquia do anonimato, ninguém conhecerá sua história.

Antes que você, torcedor dos Patriots, destile seu ódio nesse texto sobre o Lions, pare para pensar em quantos ídolos você conhece antes de Brady – não vale citar Drew Bledsoe.

Nota da edição: Procuramos por Patriots Idols no Google Imagens e só vimos fotos de jogadores recentes ou da década passada. Então deixamos essa menção aleatória ao time de New England passar.

Mas, e se os ídolos do seu time resolverem parar de jogar por ele, porque simplesmente não aguentam mais? É o caso dos Lions.

Barry Sanders, o maior ídolo da franquia, resolveu se aposentar porque estava insatisfeito com a incapacidade dos Lions de montar um time competitivo. “Era difícil me manter focado em motivado“, Sanders contou em seu livro, que revelou para o mundo o verdadeiro motivo de sua aposentadoria.

Com Calvin Johnson Jr. não foi diferente. O jogador, que abandonou a NFL quando ainda poderia produzir muito, também demorou, mas revelou os motivos de sua aposentadoria: “Não via a chance de eles ganharem um Super Bowl na época. Pelo trabalho que eu fazia, não valia meu tempo continuar batendo a cabeça na parede, e não chegar a lugar nenhum.”

Não os culpamos.

O messias e seus amigos

Finada a maldição de Bobby Layne, os Lions esperam que um homem leve a franquia de volta para o caminho das vitórias: Matthew “is he worth it?” Stafford. Stafford é o quarterback de Detroit desde 2009, quando foi escolhido na primeira escolha geral do draft. Hoje ele é o jogador mais bem pago da liga – amanhã será outro QB de outro time desesperado.

Matthew é um bom jogador, mas possui números bastante questionáveis quando joga contra times com um winning record. Ao menos é a maior certeza que o time tem na posição de quarterback desde que as cores existem.

A banda agora é de um homem só.

Jogando na posição de running back, os Lions contam com Ameer Abdullah e Theo Riddick. O primeiro é mais eficiente correndo com a bola, enquanto o segundo é melhor recebendo passes. Se eles conseguirem se manter saudáveis (não foi o caso em 2016), o backfield pode ser bastante produtivo. Ao menos Zach Zenner, atualmente o segundo melhor RB branco da liga, se mostrou um backup razoável.

O corpo de WRs será comandado por Golden Tate, um dos jogadores mais divertidos da NFL. Marvin Jones Jr, porém, irritou muito a torcida no ano passado, mas já teve seus momentos de destaque. Fecha o grupo Kenny Golladay, que, após jogadas brilhantes na preseason, entrou no radar de muita gente como futuro membro do Hall da Fama – o futuro sem Calvin Johnson realmente não parece muito empolgante. 

Não espere, neste site, mais uma take do tipo “esse é o breakout year do Eric Ebron!“. Nós não diremos isso, porque não será. E é bem possível que Michael Roberts, escolha de quarta rodada esse ano, se destaque mais que ele.

A linha ofensiva foi reforçada durante a offseason, mas perdeu o OT Taylor Decker, que só deve voltar de lesão no meio da temporada. Para o seu lugar, o time trocou dois bonés por Greg Robinson, que é péssimo. Será a missão de Graham Glasgow, Travis Swanson, TJ Lang e Rick Wagner consertar suas eventuais cagadas. Eles são bons jogadores, se pelo menos isso serve de alento.

Tentando ser boa pela primeira vez na história

Começando pela linha defensiva, a defesa de Detroit está repleta de incertezas. A’Shawn Robinson, escolha de segunda rodada em 2016, e Haloti Ngata, já em final de carreira, jogam pelo meio. Com a perda de Kerry Hyder, Ziggy Ansah deve ser o único pass rusher de destaque da equipe.

O corpo de linebackers não era bom, e os reforços que vieram também não são certezas absolutas, o que preocupa. Jarrad Davis não foi a escolha mais empolgante da primeira rodada desse ano, e Paul Worrilow também é recém-chegado, mas vem de uma temporada decepcionante em Atlanta – onde perdeu a titularidade. Tahir Whitehead teve um bom ano em 2016, e talvez seja o jogador mais confiável do grupo.

A secundária é comandada por Darius Slay, um dos melhores cornerbacks da liga. Opostos a ele, Nevin Lawson e Teez Tabor, escolha de segunda rodada, devem revezar a titularidade. O safety Glover Quin tem sido um bom jogador em Detroit, e agora jogará ao lado do pouco-inspirador Tavon Wilson.

Palpite: O time dos Lions não empolga. A ida aos playoffs no ano passado foi algo aleatório, e esse ano a briga será para não ser o pior time da divisão. A equipe conseguirá vencer no máximo meia dúzia de jogos em 2017. A ideia de ser grande vai continuar para o futuro. Essa também será a última temporada (graças a Deus) de Jim Caldwell como um head coach da NFL. 

Como ser um time melhor sem um dos melhores jogadores da sua história

Durante o duelo contra o Jacksonville Jaguars na semana 11, em um dos milhares de intervalos comerciais proporcionados pela NFL, Calvin Johnson apareceu no telão do Ford Field. Era na verdade uma pequena peça promocional desejando boa sorte a um dos maiores ídolos da franquia em seu novo projeto pós-aposentadoria: Dancing With Stars. Vários aplausos, mas lá no fundo, tudo soava como falso apoio de amantes recém rejeitados – semanas depois, como um bom Lions, ele terminaria a disputa na terceira colocação. Mas essa é outra história.

A dor é compreensível, afinal, a perda de um grande amor nunca é facilmente superada. E Calvin Johnson sempre esteve naquele rol de jogadores que, mesmo que você odiasse os Lions, era impossível não adorar vê-lo em campo em uma tarde de domingo. E, claro, Calvin tinha um dos apelidos mais legais de todos os esportes: Megatron. Enfim, impossível não gostar de Calvin Johnson.

De qualquer forma, Calvin já era excelente quando estava no college. Quando chegou à NFL, seu sucesso era certo. Joe Anoi, seu companheiro de equipe na faculdade, certa vez chegou a declarar. “Para ser tão talentoso como ele é, para ser tão fisicamente dominante como ele é… Calvin é uma obra-prima que só Deus pode construir. E o que ele faz em campo sequer se compara com o tipo de pessoa que ele é”. Opinião semelhante tem Chan Gailey, seu treinador na universidade de Georgia Tech. “Nunca tive outro como ele, seja na faculdade ou na NFL. Nunca tive outro WR tão grande e rápido e com esta coordenação olho-mão”.

Mas, claro, sempre há que se considerar os argumentos dos detratores: Calvin jogou no período certo para um WR. Hoje, você não pode mais parti-los ao meio, não pode exercer pressão após míseras cinco jardas, não pode marretar seus crânios, você não pode sequer trombá-los quando estão correndo. Caras como Jerry Rice ou Lance Alworth devem ver as partidas atuais e imaginar seguidas temporadas com 2000 jardas e 20 touchdowns – e eles não estariam exagerando. Mas abrir esta margem para a discussão apenas evidencia o quão efetivamente é impossível comparar atletas de eras diferentes; são novas regras, períodos opostos no tempo e situações distintas.

Ao mesmo tempo, se torna impossível desconsiderar suas sete (em nove) temporadas com mais de 1100 jardas recebidas. Ou o absurdo que foi seu ano de 2012, beirando as 2000 jardas – ao todo, foram 1964 – com, fato curioso, apenas 5 TDs. Em nove temporadas, Calvin atingiu 11619 jardas, com uma média de 15,9 jardas por recepção e 83 touchdowns. E tudo isso com um quarterback como Matthew Stafford.

Fazendo coisas impossíveis.

Presente e futuro

E aqui já podemos começar a falar sobre Stafford e o presente do Detroit Lions. Com a aposentadoria repentina de Calvin, a principal dúvida que pairava sobre os fãs do Lions residia também sobre seu QB. Stafford é realmente bom? Matthew tem potencial para ser realmente grande? Ou é apenas mais um quarterback superestimado? Talvez ele apenas tivesse ganhado na loteria ao ter Megatron ao seu lado, não? Quais seriam seus números reais se retirássemos as 20 ou 30 recepções absurdas, toda temporada, que nenhum outro mortal seria capaz de fazer?

As respostas começaram a vir em 2016, com uma versão Lions-sem-Megatron que não faz nada que seja digno de nota: até a semana 15, Detroit tinha uma média de 21.5 pontos por jogo, a 20ª da NFL; eram também 253,6 jardas aéreas (12ª), 81.7 jardas corridas (30ª) para uma média final de 335.3 jardas totais (30ª). A defesa também esteve longe de encher os olhos, sendo uma das poucas a permitirem a Case Keenum (que Deus o tenha!) um jogo de 300 jardas na carreira – algumas semanas depois, ele seria relegado ao banco em Los Angeles.

A sensação é que sem o talento de Calvin Johnson o Lions é chato, pragmático, quase tedioso e incapaz de impor seu jogo sobre qualquer adversário. E mesmo assim, eles estão 9-5. Mas por que uma equipe destinada a perder insiste em vencer?

Bem, enquanto o Lions não se destaca em nenhum aspecto do campo, ao menos eles têm sido minimamente sólidos em cada setor. “Creio que conseguimos construir uma equipe com muita profundidade”, disse o WR Golden Tate durante uma entrevista coletiva. “E quando isso ocorre, você começa a perceber que cada um fazer seu trabalho individual trará bons resultados, e pode ser o suficiente para vencer”, completou.

Senso de equipe

Mesmo que nada salte aos olhos, o Lions tem hoje safeties e cornerbacks seguros, um quarterback, sem seu principal alvo, talvez mais ciente de suas limitações e, consequentemente, mais disposto a jogar a bola para fora ou aceitar o sack, no lugar de lança-la desesperadamente para frente e rezar para que Megatron esteja lá. O Lions tem reduzido riscos inerentes a individualidade, Stafford completa mais de 66% dos passes, segunda melhor média de sua carreira, com 22 touchdowns e apenas 8 interceptações até a week #15. E, bem, ao menos até o duelo contra o Giants na semana #14, nenhum RB havia atrapalhado Detroit.

“Quando você tem 11 caras fazendo seu trabalho, você pode esperar que a outra equipe, em algum momento, force o jogo e cometa um erro. É assim que Caldwell trabalha e eles estão se certificando de que joguemos football de forma inteligente”, disse o linebacker Tahir Whitehead. “Estamos começando a confiar em nossa preparação e no que temos por aqui. Estamos nos provando o tempo todo”, explica Golden Tate.

É está abordagem de equipe, de coletividade, que tem feito Stafford ter o segundo melhor rating de sua carreira (95.8, contra 97 na temporada passada). Em meados de outubro, Jim Bob Cooter, coordenador ofensivo da equipe, já reconhecera que não ter um talento do nível de Calvin Johnson como alvo estava auxiliando Matthew a perceber melhor as nuances do campo: “Quando você tem Calvin Johnson à disposição, um dos melhores WRs de todo o tempo é óbvio que você tenderá a lançar a bola em profundidade, não faz muito sentido não priorizá-lo e, às vezes, você substitui a leitura para fazer isso”.

Em paz com o passado

Claro, tudo isso seria considerado heresia se dito há um ano: somos condicionados a crer que grandes WRs tiram a pressão de WRs secundários e running backs, permitindo que o jogo, tanto aéreo como corrido, flua com mais naturalidade. Quando isto não ocorre, tendemos a culpar os WRs de apoio e não o quarterback. Inegavelmente, esse foi o roteiro do Lions na última década, sempre retornando ao discurso de que Calvin não tinha a ajuda necessária e era sobrecarregado. O Lions até tentou auxiliá-lo e investiu pesado no draft, selecionando Titus Young na segunda rodada em 2011 e Ryan Broyles também na segunda rodada em 2012 – que teve uma carreira digna de nota: 420 jardas, 32 recepções e 2 TDs em três temporadas. Houve tempo ainda para selecionar o TE Eric Ebron na primeira rodada de 2014, mas nada mudou até a chegada de Golden Tate.

Com Tate a pressão sobre Megatron realmente pareceu diminuir – em 2014 foram 144 targets em direção ao ex-WR do Seahawks, o maior número de qualquer recebedor do Lions que não se chamasse Calvin Johnson desde 2001. Naquele ano, o Lions terminou 11-5, contando também com um ótimo e consistente sistema defensivo.

Amizade sincera e verdadeira.

Mas essa ascensão de Golden Tate escondeu outro problema, que só seria revelado na temporada seguinte, quando a defesa ruiu: quando tudo apertava ou parecia perdido, Stafford voltava a recorrer exclusivamente a Calvin.

Em linhas gerais, Golden Tate ainda teve bons números em 2015, com 90 recepções, para 813 jardas e seis TDs – Calvin, porém, foi alvo de 23% dos passes de Stafford, com 88 recepções para 1214 jardas. O problema residia, claro, em situações de two-minute warning, quando Matthew voltava a sua estratégia corriqueira: aqui Calvin foi alvo em mais de 40% das tentativas, ou seja, apesar da solidez de Golden Tate, Johnson ainda era o a fortaleza de Stafford quando realmente importava, limitando possibilidades e restringindo sua capacidade de leitura.

A aposentadoria repentina de Megatron obrigou o Lions a se transformar em momentos críticos – tanto que boa parte das vitórias nesta temporada vieram no último quarto e por uma diferença inferior a 7 pontos. Nestas situações, hoje, nenhum recebedor é alvo em mais de 25% das tentativas.

Como disse o S Glover Quinn: “quando você tem alguém tão talentoso como Calvin, às vezes você só quer forçar a bola para que ele lhe tire de determinadas situações. Isso não irá acontecer mais”. Já o próprio Calvin, quando questionado sobre o sucesso do Lions sem ele, refletiu. “Pensava que seria mais fácil, porque normalmente iriam com marcação dupla em mim, especialmente em certas situações”.

Obviamente, em vez de tornar Detroit completamente previsível, Stafford poderia ter balanceado o talento de Johnson, distribuindo melhor a bola em situações decisivas. É o que grandes quarterbacks fariam. Como Stafford iria procurá-lo em todas as oportunidades, logicamente o adversário iria sobrecarregar os setores do campo em que Calvin estivesse.

Nem tão bom quanto esperávamos, nem tão ruim quanto imaginávamos.

Mas hoje Matthew enfim assumiu uma nova identidade, que tantas equipes tem dificuldade de encontrar. A ausência de Megatron fez com que fosse possível, definitivamente, enxergar nele um bom quarterback – ainda distante dos melhores, claro, mas também bem distante da linha da mediocridade. E talvez o Lions novamente não chegue a pós-temporada em 2016, mas o legado deste ano não pode ser perdido e o futuro pode ser promissor.

“Quem quer que seja, em determinado dia, ele estará lá”, diz Quin, sobre aqueles que agora podem decidir jogos em favor do Lions. “Na semana seguinte, tudo bem, poderá ser outra pessoa: quando você pode confiar em cada atleta do grupo, todos os 53 rapazes podem contribuir e jogar bem, o football se torna mais divertido”.

Será que ainda restam esperanças sem Calvin Johnson?

A verdade é que quando há uma pergunta no título inicial de um texto, a resposta dela é normalmente um grande e definitivo não. Entretanto, a resposta para a pergunta destas linhas mal escritas é: pô, não havia vida nem com ele – ao menos não muita.

Matt Stafford parece destinado a ser um quarterback eternamente razoável com um braço incrível, Jim Caldwell fez o seu nome na NFL graças ao brilhantismo de Peyton Manning e a defesa não é capaz de parar uma Hail Mary de 63 jardas no último lance de um jogo que garantiria um sweep sobre o Green Bay Packers pela primeira vez em aparentemente nunca.

Além disso, Martha Firestone Ford (neta dos fundadores da Firestone, casada com um descendente do próprio Henry Ford), a dona de 90 anos do time, demitiu o presidente e o GM no meio da temporada, quando o time chegou a uma campanha de 1-7, a pior da NFL, com direito a um discurso apaixonado falando da necessidade de mudança de cultura dentro do time, que nunca sequer chegou a um Super Bowl (e à final da NFC somente uma vez, há 25 anos).

E já que estamos falando da cultura de derrota impregnada no time de Detroit, é válido lembrar que o caso de Calvin Johnson não é exatamente inédito para os leões. Barry Sanders, provavelmente o melhor running back da sua geração, um dos sete únicos na história a correr para mais de 2000 jardas (em 1997), se aposentou aos 31 anos com quatro anos restantes de um contrato de 35 milhões de dólares, possivelmente porque estava cansado de jogar em um time que não tinha grandes ambições ou capacidades; os Lions ganharam apenas um jogo de playoff durante sua carreira – inclusive, o único jogo de pós-temporada ganho pelo time na NFL moderna. Não valia a pena arriscar sua saúde por tão pouco.

O copo meio cheio

A segunda metade da temporada, com uma campanha de 6-2 (sendo uma das derrotas aquela bizarrice contra Green Bay), dá razão a qualquer torcedor que queira ter esperança nesse time; pelo menos mostra que talvez Jim Caldwell e Matt Stafford tenham capacidade de liderar e se motivar mesmo quando jogando “por nada”.

Além disso, o time ainda tem bons jogadores dos dois lados da bola. O genioso Golden Tate (lembre-se, ele e Percy Harvin brigaram no vestiário do Super Bowl 48) continuará sendo o alvo de segurança para o quarterback (189 recepções nos últimos dois anos), enquanto Ahmeer Abdullah (maior número de jardas em retornos de kickoff em 2015) mostrou potencial suficiente para ser o dono do backfield do time essa temporada. A linha ofensiva também promete ser melhor, com o novo draftado Taylor Decker cobrindo o lado cego de Stafford, enquanto o G Larry Warford deve voltar a seu desempenho de 2014.

Do outro lado, Detroit tem alguns candidatos a All-Pro. Ziggy Ansah segue sua evolução enquanto aprende cada vez mais sobre a posição de defensive end, demonstrada pelos seus 14.5 sacks no ano passado, que só prometem aumentar; Darius Slay, depois de uma campanha fraca como rookie, jogou como um legítimo shutdown corner em 2015; e o linebacker DeAndre Levy estará de volta nessa temporada depois de perder 15 jogos da passada.

Acima disso, essa defesa é comandada pelo coordenador defensivo Teryl Austin, provavelmente um dos melhores da liga, inclusive parecendo destinado a um trabalho como head coach em breve.

lions defense

A grande razão de esperança é maltratar os QBs adversários até eles ficarem piores que Stafford.

Quem sabe um copo não tão cheio assim

Apesar de alguns bons pontos, a situação não é nada boa. A primeira dúvida facilmente apontada é se Matthew Stafford capaz de continuar produzindo sem o seu principal alvo. Claro, o rating próximo a 100 do quarterback na temporada pode parecer uma clara indicação de que ele está finalmente chegando ao alto nível na posição, mas se o próprio Aaron Rodgers sofreu na temporada passada sem Jordy Nelson (que não chega perto do nível hall of famer de Calvin Johnson), parece nebuloso o futuro do ataque aéreo de Detroit, por mais que Matthew siga lá produzindo suas 4500 jardas e 25 TDs – em contrapartida, podem aumentar o número de turnovers e ampliar a pressão sobre a defesa, já que o ataque fica menos tempo em campo. E não, por mais que seu contrato de 40 milhões de dólares pareça indicar o contrário, Marvin Jones não tem qualidade suficiente para substituir Calvin à altura.

Ainda como opção para a saída do Megatron, os leões trouxeram o veteraníssimo e sempre confiável Anquan Boldin (apesar dos 35 anos, 371 targets e 3026 jardas recebidas nos últimos três anos pelos 49ers), mas que também já parece destinado a fazer a curva e tornar-se apenas mais uma lenda que se arrasta em campo há alguns anos (pode continuar surpreendendo, mas mais cedo que tarde sua hora deve chegar).

A linha ofensiva, apesar da promessa de melhora, foi especialmente problemática em 2015. Os jogadores Riley Riff e Laken Tomlinson, ambos escolhidos no primeiro round do draft, além do center Travis Swanson, jogaram muito mal no ano passado, e não há exatamente um prospecto de grande melhora entre eles – e o único reforço trazido para a área foi Geoff Schwartz que, apesar de talentoso, tem passado mais tempo no departamento médico do que em campo.

Além disso, a defesa continua a perder peças importantes sem conseguir repô-las. Desde a dupla Suh e Fairley, dois monstros do interior da linha defensiva, que se foram e não foram repostos, criando um vazio no meio, até jogadores complementares importantes como Jason Jones, que jogava do outro lado da linha e aproveitava as oportunidades abertas por Ansah, e Abdul-Quddus, que fazia um bom trabalho na parte traseira da secundária, não houve reposição no mesmo nível.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Megatron fazendo milagres para ajudar Stafford? Não mais.

Talvez o copo esteja vazio

Quando se quer analisar as expectativas para a temporada de um time, além dos 22 titulares, é inevitável observar os principais adversários do time no caminho para os playoffs. E os Lions estão na divisão mais difícil da conferência nacional, quiçá da NFL. Vikings e Packers foram aos playoffs na temporada passada e parecem destinados a jogá-los novamente esse ano; além disso, os Bears se reforçaram muito e também parecem candidatos a ter mais vitórias do que derrotas. O time também terá em seu calendário a cada dia mais forte AFC South, que deverá criar grandes dificuldades.

Palpite: 5-11, Jim Caldwell na corda bamba (talvez demitido; se não, vai ser apenas uma preparação para ser demitido em 2017) e Marvin Jones com o título de bust dado pela imprensa antes da metade da temporada. Vitórias contra Eagles e Rams darão uma sensação de AGORA VAI, mas daí para frente restará aquele sofrimento tradicional.