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O que os olhos veem e o coração sente

Você, leitor, certamente não sabe, mas quando chega o final de julho e começamos a escrever nossas previsões para a temporada fazemos uma espécie de draft para distribuir os times entre os integrantes do site.

Por motivos óbvios, cada um escreve sobre o time que torce, mas os demais estão lá para ser livremente selecionados. As escolhas não têm uma lógica definida. A qualidade do time, por exemplo, não influencia muito nossa vontade de escrever sobre ele: ninguém parecia muito interessado em redigir um texto de duas páginas contando como o New England Patriots já está na final da AFC em 2018, mesmo que ainda estejamos em meados de agosto.

Há, porém, algumas escolhas interessantes, como a do nosso menor aprendiz, que decidiu usar sua primeira escolha com o Los Angeles Rams, por algum motivo que apenas diversas sessões de psicanálise seriam capazes de explicar. Nosso editor chefe usou sua primeira escolha no Cleveland Browns, aparentemente por gostar de escrever sobre fracasso e melancolia.

Os motivos que levaram meus companheiros de site a priorizar escrever textos sobre Rams e Browns não importam. A NFL, ao contrário de alguns outros esportes, é bastante democrática. Podemos torcer por um time e ter simpatia por mais uns dois, cinco ou 31 times. Somos livres para nos fascinar por pequenos detalhes, que muitas vezes são incompreensíveis para os outros, mas que, para nós mesmos, fazem todo o sentido.

Não tive dúvidas na minha primeira escolha: por diversos motivos, o Tampa Bay Buccaneers é o time que mais me interessa em 2017, com exceção do maior de todos, o New York Football Giants. Mas por que o Bucs me fascina e por que o escolhi como primeira opção para escrever um texto sobre seu futuro brilhante?

Pequenos (grandes) laços afetivos

Podemos começar falando de Jameis Winston. Todos nós guardamos na memória algumas jogadas que não se tornam icônicas por não terem impacto profundo no resultado de um jogo ou de um campeonato, mas que são espetaculares e devem sempre ser relembradas.

Jameis Winston foi o responsável pela jogada mais espetacular da temporada 2016 da NFL. O jogo era em Tampa contra o Chicago Bears. O terceiro quarto tinha acabado de começar e o Bucs tinha a bola na linha de 25 jardas do próprio campo em uma 3rd&10. Jameis recebeu o snap e logo foi pressionado pela linha defensiva do Bears. Ao invés de desistir da jogada e aceitar o sack, Winston foi recuando e se esquivando dos defensores até chegar a sua própria endzone.

O sack e o consequente safety eram praticamente inevitáveis, mas Jameis conseguiu deixar os três defensores que ainda o perseguiam para trás, ganhar mais umas 15 jardas e lançar um passe de mais ou menos 60 jardas para o WR Mike Evans.

A jogada resume bem quem é Jameis Winston e por que ele é um dos motivos que me fazem acreditar que Tampa Bay pode chegar longe em 2017. Há uma energia diferente no jogo de Jameis, uma intensidade maior do que vimos na maioria dos QBs.

Ao contrário de idiotas como Jared Goff, Jameis é um líder natural que não desiste das jogadas e carrega o time nas costas, mesmo que aos trancos e barrancos. É como se ele fosse uma mistura da energia de Philip Rivers e da capacidade de improvisação de Ben Roethlisberger. Apesar de ter lançado para mais de quatro mil jardas, seus números não são espetaculares e há muito o que melhorar, especialmente quando falamos em QB rating e fazemos a relação entre número de passes para TD e número de interceptações, que em 2016 terminou 28/18. Jameis ainda precisa cuidar melhor da bola e 2017 deve ser o ano em que ele dará o próximo passo para chegar ao nível de um dos grandes QBs da NFL.

Jameis: isso ainda vai ser grande na NFL.

Uma nova arma

Ajuda para isso não vai faltar: na offseason, Tampa Bay assinou com o explosivo WR DeSean Jackson, que mesmo em fim de carreira deve trazer uma dimensão a mais para o ataque, a da velocidade nos lançamentos em profundidade. Além dele, o Bucs draftou O.J. Howard, que muitos especialistas consideram o melhor TE a chegar à NFL em anos, já que mistura qualidades de bloqueador e recebedor. Normalmente rookie TEs não causam tanto impacto logo em suas primeiras temporadas, mas se isso acontecer o problema não será tão grande, já que em 2016 o Bucs descobriu em Cameron Brate um TE bem efetivo.

Esses jogadores são todos úteis e talentosos, mas são apenas complementos à principal arma de Jameis e mais um dos motivos que me fazem gostar do Bucs. Mike Evans. Em nosso ranking de WRs, fui quem o colocou mais alto, em terceiro, porque acho que ele é um monstro e pode, rapidamente, se tornar o melhor recebedor da NFL.

Evans tem todas as qualidades que um WR top precisa: tamanho, velocidade, agilidade, capacidade de correr rotas e mãos confiáveis. É assustador pensar os números que ele pode conseguir em 2017, levando em conta que as defesas não poderão focar em coberturas duplas ou triplas nele, já que o cobertor será curto se lembrarmos de todos os alvos de Jameis Winston. Somadas todas as dimensões e possibilidades que o ataque do Buccaneers terá em 2017, tenho que confessar que estou apaixonado.

As interrogações

Se existe uma ressalva no encanto que sinto por esse time, é o jogo corrido. Doug Martin é um bom jogador, mas ultimamente está machucado ou suspenso, dificilmente em campo. É difícil contar com ele pra qualquer coisa e houve rumores de que inclusive poderia ser dispensado. Sobram no depth chart Jacquizz Rodgers e Charles Sims, que são razoáveis e podem quebrar um galho, mas não trazem brilho aos olhos.

Filme repetido.

Já a defesa do Tampa Bay Buccaneers não encanta tanto quanto o ataque, mas não chega a atrapalhar ou impossibilitar nossa história de amor. Seu principal jogador é o DL Gerald McCoy, que já está em sua oitava temporada na liga e em 2016 mostrou pequenos sinais de declínio, mas mesmo assim conseguiu sete sacks. Para ajudar os trabalhos de McCoy na linha defensiva, a principal contratação foi o free agent Chris Baker, que chega do Washington Redskins trazendo seus 9,5 sacks, cinco fumbles forçados e 100 tackles em seus dois anos em DC.

No corpo de LBs, o Bucs vai continuar contando com os versáteis Lavonte David e Kwon Alexander, que combinaram para seis sacks e duas interceptações em 2016 e são bons em tackles. A fraqueza da defesa parece estar na secundária: Brent Grimes é um bom jogador, mas já tem 34 anos e está em fim de carreira. Vernon Hargreaves teve apenas uma interceptação em sua temporada de rookie, mesmo jogando razoavelmente bem. O problema é que a profundidade acaba aí. O Bucs parece ter direcionado a maior parte de seus recursos para melhorar o ataque. O time até investiu uma escolha de segundo round no safety Justin Evans, mas é difícil acreditar que sua contribuição seja efetiva já em seu ano de calouro, principalmente em uma divisão com ataques tão potentes.

Palpite: Se fosse obrigado a escolher um time alternativo para chegar ao Super Bowl, seria o Tampa Bay Buccaneers, mas a paixão muitas vezes nos cega. Quero acreditar que o time estará nos playoffs e terá uma participação digna, mas sei que posso estar sendo enganado por mim mesmo. Porém, continuarei otimista e meu coração prevê um surpreendente Bucs na final da NFC.

Free Agency: muitos erros, alguns acertos e uma dúzia de injustiças

A época de free agency na NFL não é nem de longe a mais emocionante entre as ligas americanas no sentido de leilões entre equipes e entrevistas coletivas anunciando destinos em cadeia nacional (não temos um “I’m going to take my talents to South Beach” desde Peyton Manning, que até já se aposentou). Mas o dinheiro, como em qualquer esporte, rola solto.

E, o melhor de tudo, temos times burros com dinheiro demais fazendo o que times burros fazem: dando dinheiro demais para jogadores que não valem tudo aquilo, ao invés de seguir o que fazem as grandes equipes e construir seus rosters pelo draft, para no final acabarem se arrependendo e se afundando em salary caps incontroláveis. O que fazemos nós em relação a isso? Rimos dos trouxas e elogiamos os sábios; trazemos uma lista com os principais assaltos desse ano!

Mas é importante lembrar: é apenas o primeiro ano dos contratos listados, então a chance de estarmos errados é bem grande. Confira:

Como ficar rico enganando desesperados

Ladarius Green, TE, San Diego a Pittsburgh; 4 anos, 20 milhões

Quando Antonio Gates foi suspenso (ou simplesmente perdeu partidas por lesão) por alguns jogos na temporada passada, Ladarius Green parecia seu sucessor: mais do que isso, seria o cara que enterraria a carreira do veterano, o que culminaria na sua aposentadoria (que já esperamos há muitos anos). Green recebeu uma chance melhor ainda (e mais rica) com os Steelers: 20 milhões de dólares para ocupar o posto de Heath Miller, um histórico jogador da franquia e um dos principais alvos de Big Ben por muitos anos.

Como isso acabou? Em meio a especulações sobre como as várias concussões em San Diego poderiam acabar com sua carreira, uma lesão no tornozelo lhe deixou fora das nove primeiras partidas da temporada. Voltou, agora, mas dá sinais de que as esperanças ficarão para 2017.

Como faz uma recepção?

Como faz uma recepção?

Brock Osweiler, QB, Denver a Houston; 4 anos, 72 milhões

Talvez o grande free agent de 2016. Fez o seu nome colocando Peyton Manning no banco (porque o time já não aguentava mais o seu braço molenga e achava que o velho ia acabar morrendo em campo se continuasse ali – mesmo que tenham dito que foi por lesão), sendo levado pela defesa e o jogo corrido aos playoffs, apenas para acabar esquentando banco para o veterano na hora em que a coisa ficou séria. Para ajudar, John Elway, o general manager do seu time original, decidiu que ele não valia mais do que um QB de baixo nível, oferecendo salários ao redor dos 10 milhões anuais.

Obviamente haveria algum time mais desesperado para comprar a história de Brock: no caso, o Houston Texans – que, a essas horas, já deve estar se perguntando que diabos fizeram. A inconstância é de um rookie e, apesar de as vitórias estarem vindo (e que os playoffs sejam uma realidade na fraca NFC South), são muito mais apesar de Osweiler do que por causa dele, como mostram o seu rating de 74.1 e, por exemplo, as 99 jardas lançadas (!) contra Jacksonville.

Coby Fleener, Indianapolis a New Orleans; 5 anos, 36 milhões

Nada como construir uma carreira baseado em “que grande ele poderia ter sido” (não é, Kyle Rudolph?). E Coby Fleener é mais um desses. Selecionado junto com Andrew Luck, a sensação que passava era de que sempre estava faltando algum detalhe para que ele se encontrasse e se tornasse mais um Rob Gronkowski ao lado de seu grande QB. Não aconteceu nos primeiros quatro anos de sua carreira (ainda que em 2014 ele tenha dado esperanças).

Os Saints, com um Drew Brees que parecia estar começando a sentir o peso da idade e a falta de seu grande amor Jimmy Graham, trocado para os Seahawks, resolveram que Fleener seria a solução buscada. Obviamente, o fato de que ele nem sequer conseguiu ser titular absoluto do time por si só fala o quãocaro sairá cada recepção, jarda e TD conquistados pelo cabeludo.

Roubando a própria casa

Às vezes, os enganadores são criados dentro do próprio time. Sempre há aquele jogador que, por alguma razão, convence o GM que é uma bomba de potencial que precisa de só mais um ano para explodir. Ou então jogadores que só produzem dentro do sistema e, saindo dele, não são mais tudo aquilo, sendo substituídos facilmente. Como sempre, isso pode nos trazer grandes cagadas:

Doug Martin, Tampa Bay; 5 anos, 37.5 milhões

Quando o Muscle Hamster chegou à liga, todos vimos um first round pick de muito respeito. Infelizmente, ele também acreditou que não precisava de mais nenhum esforço para seguir sendo bom e, nos dois anos seguintes, não conseguiu sequer igualar as jardas da sua primeira temporada, sendo travado por problemas físicos. No seu quarto ano, o mágico contract year, ele voltou a forma inicial. Coincidência? Bastante discutível. Como reagir a isso? Provavelmente não lhe dando estabilidade e conforto para os próximos cinco anos com 40 milhões. Existem jogadores que não sabem lidar com a falta de pressão.

Em 2016, Martin voltou à velha forma de 2013-14, com uma lesão na coxa que lhe tirou de seis jogos, depois de já não ter conseguido uma média de mais de 3.4 jardas nas duas primeiras partidas. Obviamente, com Doug, já chegamos ao ponto de que tudo se encaixa tão perfeitamente que duvidamos dele: infelizmente, para render, o Hamster só servirá em contratinhos de um ano, pulando de time em time ao redor da NFL (ou seguir enganando e decepcionado, sempre uma possibilidade com a quantidade de idiotas por aí).

Mentira: s.f. Ação ou efeito de mentir. Ludíbrio; falsidade; ilusão....

Mentira: s.f. Ação ou efeito de mentir. Ludíbrio; falsidade; ilusão….

Vinny Curry, Philadelphia; 5 anos, 47,5 milhões

Talvez ainda seja (é) cedo para julgar, mas essa aposta no potencial de que Curry ia tomar a liga por assalto (é o quinto DE mais bem pago) parece que não dará muito certo. Antes de receber o novo contrato, o jogador tinha sido titular em exatamente (sem margem de erro) 0 partidas – obviamente ele fazia parte da rotação (vide seus 9 sacks em 2014), mas ele NUNCA esteve ali para iniciar o jogo. O que o GM achou que ele merecia? Isso mesmo, quase 50 milhões de dólares.

E, como só a NFL pode nos proporcionar, Vinny Curry segue sem nunca ter começado um jogo. Pior: até o momento, em uma defesa que teoricamente lhe serve bem (um 4-3), o jogador conseguiu apenas um sack e meio. Como disse, talvez chegará o momento ao longo desses cinco anos do click em que tudo encaixará e esse contrato parecerá até barato, mas até agora parece que Howie Roseman viu bem mais em Curry do que existia.

Clubes que roubaram jogadores

Obviamente não são apenas os contratantes que sofrem. Às vezes, jogadores também recebem muito menos do que mereciam para sua produção o que certamente criará boas discussões na inter-temporada. Às vezes, times que deixam o jogador ir ficam pensando “talvez ele realmente valesse o que tinha pedido”. De qualquer forma, é sempre legal listar vacilos:

DeMarco Murray, Philadelphia a Tennessee; 4 anos, 25 milhões

Confesso: estou roubando um pouco aqui para contar boas histórias nessa lista. Teoricamente, Murray não era um free agent em 2016, já que tinha um contrato de quatro anos com os Eagles; entretanto, como o time queria muito livrar-se dele, ele basicamente estava no mercado como um. E, como além disso os termos de seu contrato mudaram com os Titãs, ele tem seu lugarzinho aqui. A história é bem famosa: 5 anos, mais de 40 milhões para o melhor corredor de 2014 (1845 jardas), apenas para vê-lo fracassar em 2015 atrás de uma linha ofensiva mediana – Chip Kelly demitido, arrependimento e o time se livrou desse aparente peso morto.

Entretanto, em Tennessee, seu contrato foi negociado para termos muito mais medianos. Ainda que seja o sexto RB mais bem pago, 6 milhões ocupa o espaço merecido no salary cap. Melhor ainda: mesmo com a ameaça (quase certeza no começo da temporada, confessoamos) de ser ultrapassado pelo rookie Derrick Henry, Murray se estabeleceu no time e é titular absoluto, sendo o segundo em número de jardas corridas da liga, voltando aos velhos tempos (e, apesar de correr com uma boa OL, com certeza ele tem muitos méritos em suas 1000 jardinhas).

Casey Hayward, Green Bay a San Diego; 3 anos, 15,3 milhões

Nada como conseguir bons jogadores com problemas de lesões que acabam esnobados pelos seus times originais e assim, baratinhos, caem no seu colo. Em meio a tantos problemas que têm os Chargers (e parece que é sempre assim), Hayward tem sido constantemente seguro, especialmente considerando que ele teve que substituir Jason Verrett, o CB1 do time, que se machucou e não joga a temporada atual. Por um salário muito abaixo da média, o cornerback tem cumprido bem o seu papel, inclusive com cinco interceptações, no topo da NFL.

Pior do que isso: a cada vacilo da secundária, os Packers devem lembrar como alguns problemas poderiam ter sido facilmente solucionados se eles simplesmente tivessem se mantido à filosofia de manter os jogadores criados em casa. Como Ted Thompson dormiu no ponto, sorte de San Diego.

O que temos pra hoje é saudade.

O que temos pra hoje é saudade.

Lorenzo Alexander, Oakland a Buffalo; 1 ano, 885 mil

Rápido: quem tem o maior número de sacks da NFL nesse exato momento ganhando uma mxaria? Errou. O nome da fera é Lorenzo Alexander, o 80º outside linebacker em salário da NFL, e você provavelmente não o reconheceria se passasse por ele na rua. Um veterano que tem pulado de time em time ao redor da NFL, fazendo suas pontinhas como reserva aqui e ali, mas que, aos 33 anos, encaixou na defesa de Rex Ryan, produzindo 10 sacks até o momento (mais do que dobrando o que tinha nos últimos 10 anos de carreira). Sabe quanto Von Miller ganha por cada sack até o momento? Quase 2 milhões de dólares. Alexander? Menos de 100 mil. Pense em um bom negócio.

O futuro parece brilhante, mas quem escolhe kicker não merece respeito

A temporada de 2015 deve ter sido um misto de emoções para os torcedores e também para a equipe dos Buccaneers, porque serviu para ratificar fortemente a escolha de Jameis Winston com a primeira escolha do draft – considerando que ele superará os defeitos de novato, mas o talento que ele mostrou (além de números como mais de 4000 jardas e 28 TDs) simplesmente não se encontra todos os dias, com especial esperança na sua evolução quando se considera que ele foi o jogador mais jovem a lançar para essas 4000 jardas, com apenas 21 anos.

Obviamente, apesar do otimismo que possa ter gerado, uma temporada com apenas seis vitórias e último lugar na divisão tem consequências além da decepção da torcida. Após ter conseguido apenas duas vitórias em 2014 (e a primeira escolha do draft que permitiu Jameis Winston), o general manager Jason Licht perdeu a paciência com Lovie Smith e o mandou embora logo ao fim da sua segunda temporada.

Para seu lugar, foi promovido Dirk Koetter, coordenador ofensivo de Smith. O seu sucesso como coordenador é inegável desde os tempos de Jaguars e Falcons, além da sintonia que demonstrou com Jameis. Resta saber como ele trabalhará com as responsabilidades maiores de head coach, ainda que ele saiba que possa contar com o auxílio do DC Mike Smith, antigo treinador dos Falcons (onde trabalharam juntos), no lado defensivo do time.

O mistério do draft

Em um bom draft, existem boas escolhas, existem escolhas óbvias, existem escolhas absurdas, existem escolhas que deveriam gerar a demissão imediata da pessoa que a fez. E aí, por último, depois do fundo do poço, no pré-sal, existe escolher um kicker na segunda rodada. Isso mesmo, se você perdeu a notícia na época do draft, leia de novo e seguimos.

É importante lembrar que Tampa tinha um kicker razoável. Connor Barth não é nenhum monstro que chuta todas de 50 jardas, mas poucos são. Além disso, sua carreira de quase 10 anos na liga mostra o quanto estável ele é: em 2015, ele foi automático em todos os chutes dentro das 40 jardas, indo para 23/28 no total e errando apenas um XP (normal, depois da mudança de regra). E os Bucs consideraram essa como uma das posições que mais necessitava de reforço.

E aí entrou Roberto Aguayo, na 59ª escolha (após trocar picks com Kansas!), a frente de jogadores bem cotados como Vonn Bell (safety, Ohio St) e Jonathan Bullard (DT, Florida) que, veremos a seguir, poderiam servir para essa defesa. Para piorar, a pré-temporada tem sido algo ingrata com o jovem, que já perdeu um XP e 2 FGs – e ainda admitiu estar sentindo a pressão e buscando ajuda psicológica. Alguém não aprendeu a lição que Bryan Anger (punter, Jaguars, 70ª escolha de 2012) e Russel Wilson (75ª escolha) tentaram deixar para todos nós, não é mesmo, Licht?

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Geraldo, um gigante simpático, só queria novos amigos que manjem de football.

A defesa que poderia evoluir

Além da bizarra escolha de Aguayo, as outras três das primeiras quatro escolhas do draft do time foram para tentar ajudar o lado defensivo do time. Com as adições da offseason, a linha defensiva deve se repetir como a unidade mais forte da defesa: os DEs Robert Ayers (9.5 sacks em 2015 pelos Giants) e o novato Noah Spence (11.5 sacks na sua última temporada na universidade de Eastern Kentucky, após ser banido do Big Ten por problemas com drogas) devem tocar o terror nos ataques adversários flanqueando o monstruoso Gerald McCoy, que é basicamente um Suh que joga limpo.

Os linebackers também devem garantir algo de solidez – ainda que só Lavonte David possa ser garantido como um diferencial. Kwon Alexander teve um ano regular como novato, enquanto o recém-chegado Daryl Smith, de 34 anos, foi dispensado dos Ravens mesmo após produzir mais de 100 tackles no ano passado.

O problema mais sério se concentra na secundária: os recém-chegados Brent Grimes, desde o Dolphins (que o cortou porque ele não quis reestruturar o contrato), e Vernon Hargreaves, 11ª escolha do draft, deveriam trazer alguma estabilidade – mas considerando que são essenciais pelo menos 3 CBs para ter uma defesa efetiva, será necessário que, entre Alterraun Verner e Johnthan (não foi escrito errado, editor) Banks, saia alguém minimamente capaz.

Os gigantes do ataque e o Muscle Hamster

O grande defeito de Winston saindo da universidade (o que acabou gerando muita controvérsia no período pré-draft, porque ele botou boa parte da culpa nos seus recebedores) e na sua primeira temporada foi a sua mira. Para colocar em perspectiva, ele acertou apenas 58.3% dos passes, enquanto Joe Flacco (que não é nenhum Drew 68.3% Brees) acertou 64.4%. Ou seja, com uma pequena melhora nisso, a sua produção deverá aumentar ainda mais.

E não é como se os seus alvos não ajudassem. 1.96m é o que têm Mike Evans e Vincent Jackson (“as torres gêmeas”, de acordo com o GM Jason Licht), e lhes falta habilidade – são dois jogadores que buscariam mesmo passes lançados por Josh Freeman, desde que consigam se manter saudáveis, considerando que os dois perderam jogos em 2015. Além disso, também não é possível excluir o tight end Austin Seferian-Jenkins, que batalhou lesões em suas duas primeiras temporadas de liga, mas, dizem, estará finalmente saudável para ser o terceiro amigo monstruoso de Jameis.

E ainda que seja um ataque dominado por gigantes, sobra espaço para um pequeno de 1.75m: Doug Martin, “o hamster musculoso” do alto das suas 1402 jardas (2ª melhor marca da NFL ano passado), que lhe renderam um novo contrato de 5 anos e 36 milhões de dólares. Infelizmente esse contrato coloca dúvidas sobre o desempenho futuro de Martin, que pode ficar muito confortável e suscetível a lesões (como em 2013 e 2014) com tanto dinheiro.

Por fim, para que Martin possa funcionar e Winston tenha tempo suficiente para “caprichar na mira” desde o pocket, será importante um bom trabalho da linha ofensiva. O retorno do RT Demar Dotson de lesão deve colaborar, mas a evolução crucial está nas mãos de Donovan Smith no lado cego, após um primeiro ano fraco, e do recém contratado J.R. Sweezy, que recebeu mais de 30 milhões de dólares mesmo sendo uma negação em Seattle (mais uma grande decisão pra conta de Licht!).

Importante lembrar para fechar o ataque: Roberto Aguayo será uma decepção. Acertará menos de 80% dos chutes e será culpado por pelo menos uma derrota do time – deixando Licht tentado a simplesmente assumir o erro e seguir em frente. Como um bom GM cabeça-dura que se recusa a admitir picks desperdiçados (como a maioria da liga), seguirá empurrando com a barriga por pelo menos mais um ano.

VEM MONSTRO, TEM PRESSÃO NÃO, SAÍ DE CASA COMI PRA CARALHO

Palpite: A NFC ainda está muito forte para os Buccaneers. Fosse na AFC, o time provavelmente teria chance de chegar aos playoffs. Entretanto, existe o fator Jameis para se levar em consideração – quem sabe ele evolua mais rápido do que esperamos e melhore sua produção de 2015. Provavelmente Tampa chegará às nove vitórias e terá novamente a oportunidade de ajeitar a defesa e se preparar para brigar pelos playoffs em 2017.