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Senso de urgência

Muito era esperado do Detroit Lions e de quebra de Matthew Stafford quando o quarterback assinou um contrato de 6 anos e US$135 milhões em agosto passado. O resultado foi decepcionante: o Lions ficou fora da pós-temporada e Stafford não repetiu as boas atuações de um passado não tão distante. A campanha resultou na demissão de Jim Caldwell e na contratação de Matt Patricia como HC.

Indiretamente é um reencontro em que todos estão apostando: o GM Bob Quinn, responsável pela contratação, passou mais de uma década com Patricia em New England – nas últimas seis temporadas, Matt foi o DC dos Patriots – e o objetivo é implantar o tão alardeado “modelo Patriots” (não sabemos o que isso quer dizer) em uma franquia onde as palavras “sucesso” e “playoffs” teimar em não se encontrar.

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Mas mesmo com contratos até 2022, tanto Quinn como Patricia sabem que há um senso de urgência para vencer agora, com Stafford ainda próximo de seu auge e uma estrutura de apoio que Bob lutou para construir nas últimas três temporadas.

Onde pouco (ou nada) deve mudar

Em meio a todas estas mudanças em SETORES BUROCRÁTICOS, algo permanece imutável em Detroit: Stafford retorna para sua 10ª temporada, com uma sequência de 112 jogos ininterruptos – a terceira mais longa entre os quarterbacks ativos na liga (obrigado, Ben McAdoo).

E mesmo com a chegada de Patricia, o sistema ofensivo não deve sofrer grandes alterações, visto que o OC Jim Bob Cooter, com quem o QB tem ótima relação, foi mantido – Matthew tem médias de 66.3% de passes completados e 270 jardas desde que Cooter assumiu o cargo durante a temporada de 2015.

É inegável que lesões, sobretudo na OL, destruíram o final de temporada do Lions. A ausência de Taylor Decker, que só retornou em novembro (e, claro, sem ritmo), foi fundamental para o declínio do setor; além dele, Rick Wagner, TJ Lang e Travis Swanson perderam um par de jogos por contusões. Para 2018, se o setor permanecer saudável (e espera-se que permaneça), Detroit já terá um ótimo ponto de partida – em 2017 foram 12 combinações diferentes em 16 partidas.

O ataque terrestre também deve evoluir – e, bem, aqui não é como se regredir fosse uma opção. LeGarrette Blount e a escolha de segundo round Kerryon Johnson devem dividir o trabalho pesado enquanto Theo Riddick pode continuar como uma excelente opção em 3rd downs – Ameer Abdullah, se Deus for justo, em breve estará longe de Detroit e também da NFL.

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Já o ataque aéreo é praticamente o mesmo e não é como se ele precisasse mudar: Golden Tate, Marvin Jones e Kenny Golladay são as principais armas. Jones vem de uma temporada de 1.101 jardas, e não há razão para crer que ele não repetirá os números. Golden Tate também ultrapassou a marca das mil jardas (com 92 recepções), enquanto Golladay é jovem e já mostrou potencial e espaço para evoluir.

O reforço, porém, não está em uma contratação, mas sim em uma AUSÊNCIA: Eric Ebron, pela graça de Martha Firestone Ford, está longe de Detroit e foi iludir pobres almas em Indianapolis. Seu substituto será Luke Wilson (ex-Seattle Seahawks), agora com mais de espaço para tentar adquirir um pouco que seja de protagonismo, além de Levine Toilolo, que pouco (ou nada) fez em Atlanta, mas ao menos tem um nome legal.

Mas a verdade é que isso pouco importa: até mesmo um cone seria mais eficiente que Ebron. Boa sorte, Colts, e lembre-se da sabedoria popular: “o problema de ter um pereba no elenco é que, hora ou outra, ele precisará jogar“.

Onde muito (ou pouco) pode mudar

Ao contrário do ataque, a defesa do Lions deve mudar; o setor foi patético na última temporada, ocupando a 27ª colocação em jardas cedidas – e tudo começou a ruir com a lesão de Haloti Ngata na semana 5. E se não deve mudar muito em nomes, ao menos deverá ter alterações em estilo de jogo, já que espera-se que Patricia implante conceitos trazidos de New England.

Devon Kennard chegou na free agency para ajudar o corpo de linebackers – da FA também vieram Christian Jones e Jonathan Freeny. Ezekiel Ansah, agora um dos atletas mais bem pagos de sua posição, retorna com a franchise tag para provar seu valor; na última temporada foram 12 sacks e nos últimos dois anos constantes brigas com lesões.

Já para reforçar a secundária, o Lions tentou trazer Malcolm Butler – mas o perdeu para o Titants. O ótimo Darius Slay (oito interceptações em 2017) precisará de mais ajuda, já que Nevin Lawson tem sido oscilante – DeShawn Shead chegou de Seattle como uma tentativa, mas tampouco conseguiu esquentar os pads e já rumou para a fila do desemprego. Já Quandre Diggs funcionou muito bem como Safety durante o final do ano passado e, ao lado de Glover Quinn, poderá repetir as boas atuações.

Palpite:

Mesmo não chegando aos playoffs pelo segundo ano consecutivo, não se pode dizer que uma campanha 9-7, em uma das divisões mais difíceis da NFL, é motivo para uma implosão completa. Para 2018, com um novo HC e novos métodos, sem no entanto trocar boa parte do roster, é possível imaginar que, em um cenário dos sonhos, o Lions consiga beliscar uma vaga na pós-temporada. A hipótese mais realista, porém, nos lembra que a NFC North é uma verdadeira selva, a tabela é cruel e aposta mais segura é de uma nova frustração em dezembro – bom, não é como se o sofrido torcedor do Lions não estivesse acostumado com decepções.

Um peru amargo, um golpe de marketing e um time ruim

Você deve se perguntar porque diabos, ano após ano, o Lions passa vergonha no dia de Ação de Graças. A resposta óbvia é, que bem, é uma tradição – e todos sabemos que tradições devem ser respeitadas. Então, todos os anos, desde 1934 – excetuando uma pequena interrupção durante o período da segunda Guerra Mundial -, o Detroit Lions entra em campo na quinta-feira de Thanksgiving.

O fato é que hoje os Lions não são sinônimo de muitas coisas boas, então talvez a associação com o dia de “Ação de Graças” seja a melhor delas.

História

Há quase oito décadas, na última quinta-feira de novembro, Detroit se divide entre perus e a bola oval – seja nas épocas boas (qualquer ano com Barry Sanders carregando a pelota em direção ao nada), ou nas más (volte na linha do tempo até 2008 e relembre a gloriosa temporada 0-16).

A tradição, porém, começou com um golpe publicitário de fazer inveja a qualquer agência descolada da Vila Olimpia (SP) nos dias atuais: em 1934 os Lions estavam em sua primeira temporada em Detroit, após deixar Portsmouth (Ohio), ainda como Spartans; uma bela cidade, dizem os registros, mas pequenas demais para uma franquia da NFL.
Mas, mesmo com uma campanha com 10 vitórias e apenas uma derrota, os registros de público eram constrangedores: em média 10 mil #guerreiros acompanhavam o time, em uma cidade cujo a grande paixão era o baseball – o próprio Detroit Tigers tinha vencido um bilhão de jogos naquele distante ano, ocupando todo o espaço no coração daquele sofrido povo de Michigan.

À essa altura ainda havia esperança.

Desesperado para parar de passar vergonha, George A. Richards, proprietário de uma rede de rádios e que havia comprado a franquia e a levado para Detroit teve então a brilhante ideia de “adiantar” o duelo contra o Bears alguns dias – além de usar sua influência para que mais de 90 estações de rádios ao redor dos EUA transmitissem a partida.

Detroit, claro, perdeu, mas uma multidão para os padrões da época (26 mil desocupados) passou pelas catracas, além de muitos (10 mil, esses ainda mais desocupados), terem acompanhado a partida nos arredores do University of Detroit Stadium.

Hoje o Lions tem um campanha de 36 vitórias, 39 derrotas e 2 empates em jogos no dia de Ação de Graças. Entre 2004 e 2012, aliás, uma sequência de 9 derrotas – interrompida por quatro animadores triunfos nos anos seguintes. De qualquer forma, frustrar uma torcida também parece ser tradição em Motor City.

Tradição

Por que passar o feriado mais importante do país sentado ao longo da avenida Woodward enquanto suas extremidades congelam lentamente? Tradição e família, responderá qualquer morador de Detroit, que chegou à Woodward antes mesmo das 8 horas da manhã.

Um povo sofrido.

Então resta acompanhar um dos maiores desfiles do país por cerca de três horas e entao rumar para o Ford Field, assistir o Lions. A casa da franquia, aliás, traz um pouco de calor: é um dos estádios mais charmosos da NFL e, quase como aquela sua tia simpática, o presenteia logo na chegada.c

Dias antes do jogo, em entrevista à imprensa local, o S Glover Quin foi questionado sobre sua memória favorita do dia de Ação de Graças: “Vencer, eu acho. Eu estou invicto”, respondeu. E até então, o Lions vinha com uma campanha incrível em novembro sob o comando de Jim Caldwell (11 vitórias e 3 derrotas, desde 2014). Aliás, com Caldwell como HC, foram 4 vitórias na tradicional data.

“O duelo contra o Eagles foi muito divertido”, relembrou o QB Matthew Stafford, se referindo a partida de 2015. “Sempre que você vence, o peru tem um gosto melhor”, completou.

Naquele dia, Stafford completou 27 passes em 38 tentativas, para 5 TDs e mais de 300 jardas. E, bem, foi um bom dia em Detroit.

Ganhar é melhor que perder. Mas perder faz parte. 

“Tudo bem perder”

Nesta quinta-feira de Ação de Graças o Lions recebeu o Vikings, disputando o topo da NFC North, já que o Bears não merece ser levado a sério e o Packers sem Aaron Rodgers é, na melhor das hipóteses, um amontado de figurantes de The Walking Dead.

E o Lions perdeu, é claro. Como quase sempre perde. Stafford foi irreconhecível nos primeiros trinta minutos e Jim Caldwell ainda não percebeu que tem um time física e mentalmente incapaz de correr com a bola. Mesmo assim, Eric Ebron não dropou nenhuma bola, chocando a torcida local em um claro milagre de Thanksgiving.

A calmaria antes da tempestade.

Mas, por um momento, Detroit empatou o jogo nos instantes finais, bloqueando um FG e retornando-o para TD (confira o lance aqui). Durante aqueles poucos segundos, desconhecidos se abraçaram, o Lions ganhou alguns novos torcedores e tudo fez sentido – mesmo que na realidade, Darius Slay tenha cometido uma falta e Nevin Lawson tenha corrido 85 jardas em vão.

 

Por muito tempo, o jogo de Ação de Graças trazia consigo uma dualidade para Detroit: uma equipe horrível em campo, mas que por um dia o país pararia assisti-la. Perder, no esporte, normalmente lhe faz mais forte e, de qualquer forma, jogar (e perder) no maior feriado nacional, ano após ano, provavelmente seria uma tradição insignificante para torcedores de Patriots, Packers ou Steelers, franquias acostumadas aos holofotes e ao frio de fevereiro.

Mas ir ao Ford Field após congelar na Woodward Avenue ainda é a única a coisa que os Lions têm – e, graças a Deus, esporte não é sobre vencer.

Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Semana #3: os melhores piores momentos

A semana 3 já virou história. Entenda como quiser.

Porém, ao contrário dos milhões de veículos que falaram sobre a rodada da NFL (abraço para os amigos do Jornal Nacional, em especial William Bonner, leitor frequente do site), você sabe que aqui não teremos os melhores momentos ou uma análise política do que vem acontecendo nos EUA.

Sem mais enrolações, vamos para o que de pior aconteceu na rodada!

1 – Começando com o pé direito – Los Angeles Rams @ San Francisco 49ers

Antes do jogo todos nós, especialistas, acreditávamos que seria uma pelada. Talvez a partida não tenha sido a mais técnico da história do futebol americano, mas certamente foi a mais divertido da temporada (pelo menos até então).

Mesmo vencendo o jogo, os Rams protagonizaram um show de horrores. Especificamente os Special Teams dos Rams protagonizaram um show de horrores. Foram três turnovers gerados por algo que acreditamos ser ruindade aliada a burrice extrema. Confira conosco no replay:

Tavon Austin (sempre divertido lembrar do seu salário) não conseguiu segurar um punt e a bola ficou com San Francisco. Clique aqui para ver a merda sendo feita.

O guerreiro #10 dos Rams não percebeu que era só não fazer merda que a vitória estaria encaminhada e retornou o kickoff. A bola acabou com os 49ers. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte II.

São necessários muitos idiotas juntos para que um Onside Kick não seja recuperado. Verifique por conta própria os responsáveis pela pataquada. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte III.

Devolvam o Special Teams dos Rams que aprendemos a amar e respeitar.

2 – Richard Sherman: vai chorar na cama que é lugar quente.

Sherman conseguiu algo que poucos jogadores podem se orgulhar de ter no currículo. Ele cometeu três faltas em uma mesma jogada. Sua inteligência anulou uma interceptação do próprio time e ainda catapultou o ataque dos Titans da própria linha de 44 para a linha adversária de 30 jardas. Gênio.

Durante a jogada, ele cometeu uma pass interference e, após a INT, um holding.

Não satisfeito com as marcações dos juízes, ele reclamou e foi advertido por conduta antidesportiva.

3 – O mundo está repleto de imbecis.

O título é autoexplicativo.

3.1 – Por que alguns defensores são tão idiotas?

Uma coisa que nos incomoda – e deveria incomodar você também -, é quando algum defensor é batido, mas, por algum motivo que não a ação dele próprio na jogada, o passe é incompleto. A câmera então corta para esse defensor e ele celebra como se tivesse feito algo extraordinário. Não fez.

Na jogada que separamos vemos que o CB (desconhecido para nós) está um ou dois passos atrás do recebedor, mas o passe é muito longo e o avanço é zero. Isso não impede o jovem guerreiro #20 de achar que ele fez um ótimo trabalho.

3.2 – Ainda sobre comemorações idiotas de gente imbecil.

Quanto mais palavras dedicarmos a esse jovem, mais perderemos. Basicamente, o imbecil não viu o pedido de fair catch e fez um tackle nervoso. Saiu comemorando, até o momento que percebeu a bandeirinha amarela. Tem que malhar mais o cérebro e menos o braço, colega.

Como eu sou burro!

3.3 – Soltando a bola na beira da endzone 2: o inimigo agora é outro.

O lance mais sensacional da semana 3 ficou por conta do imbecil que esqueceu que você só marca touchdown quando entra na endzone. A jogada é inexplicável e só dá para entender vendo.

4 – Andy Dalton: ele é quem pensamos que ele era.

Pela terceira vez seguida, o famoso hat-trick, Andy Dalton está nos piores momentos da semana.

Dessa vez foi por não ver um recebedor livre logo a sua frente. Talvez a jogada não estivesse aqui se não fosse o ótimo trabalho de Tony Romo, que mostrou como Andy Dalton é burro – ou cego.

5 – Imagens que trazem PAZ.

5.1 –  Porque ver Pacman Jones passando vergonha é muito divertido.

5.2 – Todo mundo já ficou para trás quando andando em grupo porque parou pra amarrar o cadarço. Na NFL esse problema também existe.

5.3 – Se você vai ser um Linebacker ruim, pelo menos seja discreto. Além disso, o site não gosta de LBs que escolhem camisas na casa dos 40. Por tudo isso, sempre que possível traremos Alex Anzalone passando vergonha.

5.4 – Não é um momento horrível, mas ver Larry Fitzgerald em campo é muito divertido. Nesta jogada, ficou feio para o CB. Amamos você, Fitz.

6 – Virou passeio.

Porque nenhum fake punt com uma vantagem de 37 pontos deve passar batido. Parabéns ao Jacksonville Jaguars pela iniciativa. Tem é que pisar no pescoço mesmo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O único prêmio que premia uma atuação desastrosa de um jogador de renome.

Cam Newton lançou três interceptações – uma delas de forma muito especial – contra o que os Saints alegam ser uma defesa. Isso colaborou para que Carolina marcasse apenas 13 pontos contra New Orleans. Talvez os tempos de MVP nunca voltem mais. Parabéns, Cam!

Chateado.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Análise Tática #11 – Semana #1: O ataque dos Chiefs salvou a nossa vida

O jogo de abertura da temporada 2017 da NFL não poderia ter sido mais surpreendente. Alex Smith e Kareem Hunt comandaram a vitória da zebra Kansas City Chiefs sobre o atual campeão do Super Bowl New England Patriots por 42×27.

A vitória do Chiefs por si só já seria algo bem longe do esperado, mas as estatísticas produzidas por Smith e Hunt adicionam um elemento a mais à derrocada do Patriots. Smith, QB conhecido pela mediocridade de seus números,  lançou para 368 jardas e 4 TDs, completando 80% de seus passes, no provável melhor jogo de sua carreira. O rookie RB Kareem Hunt sofreu um fumble em sua primeira corrida como profissional, mas se recuperou com louvor: além de anotar 3 TDs, suas 239 jardas totais foram suficientes para bater o recorde de mais jardas conquistadas por um calouro em seu primeiro jogo.

A jogada a seguir mostra como Alex Smith e Kareem Hunt destruíram o todo poderoso Patriots. No shotgun, Smith tinha Hunt ao seu lado e três recebedores em marcação individual. O Patriots trouxe sete jogadores próximos à linha de scrimmage e deixou apenas um safety em profundidade.

Tyreek Hill, que estava posicionado no slot, na parte de baixo da tela, se deslocou para o outro lado do campo, alterando a marcação do Patriots.

Logo após o snap, o TE Travis Kelce, em uma rota cruzando o campo, atraiu dois marcadores, enquanto Hunt iniciava sua rota em profundidade.

Com Kelce recebendo a atenção de dois marcadores e com os WRs em marcação individual nas extremidades do campo, Hunt acabou marcado por dois LBs, naturalmente mais lentos que ele.

Smith soube aproveitar a vantagem do confronto contra os LBs e, com um passe perfeito, colocou Hunt em posição de anotar um lindo TD de 78 jardas.

O TD de Kareem Hunt foi muito bonito, mas a primeira semana da NFL também trouxe muitas performances horrorosas. Carson Palmer implodiu no jogo contra o Detroit Lions, lançando três INTs sofríveis. Em uma delas, Palmer tinha à disposição três recebedores em rotas em profundidade e o RB David Johnson em um rota curta, em direção à lateral do campo.

O problema é que o QB do Cardinals decidiu lançar exatamente onde havia apenas um defensor do Lions, que sem dificuldades fez a interceptação. Talvez algum dos recebedores tenha errado a rota, mas mesmo assim é um erro inaceitável, já que pelo menos três jogadores estavam em condições de receber o passe.

Outro time que fez nossos olhos sangrarem na semana 1 foi o Cincinnati Bengals. Além das quatro interceptações lançadas por Andy Dalton, a defesa também não fez grandes favores ao time, que acabou derrotado por 20×0 para o Baltimore Ravens. Na jogada a seguir, Jeremy Maclin talvez tenha anotado o TD mais fácil do ano. O Bengals colocou todos os jogadores na linha de scrimmage, sem nenhum safety em profundidade.

Maclin, na posição de slot, tinha uma rota slant, em diagonal em direção ao meio do campo. Seu marcador tentou acompanhá-lo, mas outro recebedor do Ravens, indo na direção contrária, o atrapalhou.

Com o congestionamento prendendo seu marcador, Maclin só teve o trabalho de receber o passe e anotar um TD completamente ridículo de fácil.

Semana #1: os melhores piores momentos

Depois de muito tempo, finalmente a NFL voltou! Foram alguns meses de espera para que voltássemos a ver o Cleveland Browns perdendo, o Indianapolis Colts fazendo mer*a e o Detroit Lions iludindo sua torcida. Mas para sair do senso comum, vamos apresentar o que de PIOR aconteceu na semana 1 da liga. Os highlights da NFL.com e do SportsCenter não nos interessam: apenas se alguém passou vergonha no processo.

1 – QB Play

Precisamos reconhecer: o talento entre os quarterbacks é o melhor da história do futebol americano. Até mesmo por isso, jogadores como Colin Kaepernick não tem espaço em uma liga que está recheada com titulares e reservas de altíssima qualidade na posição.

Para ilustrar o alto nível de jogo dos signal callers da NFL, separamos algumas atuações de destaque. Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

1.1 – Scott Tolzien: 9/18; 128 jardas; 2 INTs

Tolzien lançou duas pick six, sendo a primeira na sua tentativa de passe número 1 no jogo. Já a segunda foi quase um replay da primeira. Seu rating seria melhor se ele fosse um jogador de Los Angeles. É sério. Ele não durou muito tempo na partida, dando lugar para Jacoby Brissett no início do último quarto. Compartilhe o vídeo para estragar o dia de algum torcedor dos Colts.

1.2 – Andy Dalton: 16/31; 170 jardas; 4 INTs; um Fumble perdido

Um jogo ruim de Andy Dalton ainda surpreende alguém? Contra a boa defesa dos Ravens, ele não conseguiu fazer nada produtivo. Sinceramente, não sabemos mais o que dizer sobre Dalton, apenas sentir. A desgraça alheia pode ser vista aqui.

‘Não pode se’

1.3 – Carson Palmer: 27/48; 269 jardas; 1 TD; 3 INTs

O INSS possui uma fila preferencial para aqueles que não conseguem jogar bem contra a defesa de Detroit. Levando o tape do jogo, Palmer tem uma oportunidade única de vazar logo da liga e parar de passar vergonha.

2 – OL Play

Dizem que jogos são ganhos – ou perdidos – nas trincheiras. Algumas equipes ignoram o plural da palavra, achando que uma linha defensiva de qualidade basta para vencer partidas – lógica curiosa; você tenta fazer o QB adversário passar dificuldades, mas esquece que o seu sofre do mesmo mal. É o caso das três franquias que citaremos abaixo.
Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

2.1 – New York Giants: 3 sacks

Foram apenas 3 sacks permitidos, mas os Giants sofreram com a incompetência de sua linha ofensiva principalmente por medo (justificado). Sabendo que o grupo não conseguiria proteger Eli por muito tempo, o plano de jogo consistiu em passes curtos. Não deu certo e o ataque conseguiu apenas 3 pontos. Além disso, os jogadores conseguiram a proeza de permitir um sack enquanto se apresentavam na transmissão. Veja a letargia do ataque nos melhores momentos.

2.2 – Seattle Seahawks: 3 sacks

Uma imagem vale mais que mil palavras. Russell Wilson, se conseguir se manter vivo, dificilmente conseguirá levar esse ataque longe. Assista os melhores momentos, quem sabe você não descobre se pode ser contratado para ser um jogador dos Seahawks na posição?

Existiu ou não existiu?

2.3 – Houston Texans: 10 sacks

Tom Savage não sabemos nem se existe ou não, e Deshaun Watson não está preparado pra ser um QB titular na NFL. Não ajuda a nenhum deles jogar com uma peneira a sua frente. É melhor o time pagar o LT Duane Brown. Você pode ver a OL de Houston consagrando a defesa de Jacksonville aqui.

3 – O começo avassalador do Detroit Lions

A sequência de jogadas que iniciou o jogo em Detroit (infelizmente vimos muito da peleja) foi medonha: Matthew Stafford lançou um Pick Six e, no drive seguinte, o ataque sofreu um three and out. Na hora de fazer o punt, algo deu absolutamente errado: o punter tentou resolver com as pernas, e acabou morrendo no processo – o time teve que contratar outro cara pra posição.

Felizmente a defesa conseguiu evitar um TD dos Cardinals para então cometer uma falta no chute e dar mais uma chance de Arizona chegar a endzone. Felizmente (?) não aconteceu – Carson Palmer não estava jogando nada.

4 – Imagens que trazem PAZ

Preferimos as jogadas horríveis – aquelas que nos fazem rir – àquele highlight que até aquele seu amigo chato que acha futebol americano é “demorado demais” vai curtir.

4.1 – Jets e Bills: Só de ler o nome das duas equipes você já sabe que vem bos*a. Acompanhe conosco: Tyrod Taylor lançou uma interceptação, que parecia que ia ser retornada para touchdown. Até o jogador dos Jets – que não sabemos quem é – tropeçar em seu companheiro de equipe, que também não sabemos quem é. Para piorar, ele quase sofreu um fumble no processo. Clique aqui se você ainda não entendeu.

4.2 – A defesa dos Saints: Eles já são ruins e precisam de turnovers para conseguir ser pelo menos razoáveis. Não foi o caso na segunda-feira. Veja!

4.3 – Blake Bortles: Allen Robinson se machucou (seriamente, está fora da temporada) e Blake foi lhe consolar DANDO TAPINHAS NO JOELHO MACHUCADO. É sério.

Bônus: o Monday Night Football

A ESPN americana montou uma equipe diferente para a transmissão do jogo entre Chargers e Broncos. Beth Mowins foi a primeira mulher a narrar um jogo da NFL, e achamos que ela foi muito bem – melhor que Joe Buck, por exemplo.

Mas, ao seu lado, colocaram Rex Ryan, que não tem cacoete nenhum para comentar uma partida (apesar de ter alguns insights interessantes). E, na sideline, o repórter foi Sergio Dipp*. Os 30 segundos que ele teve durante a transmissão foram um desastre: claramente nervoso, ele misturou informação nenhuma com desespero total. Para piorar, nem o câmera estava preparado: acharam que um cara aleatório era Vance Joseph, head coach de Denver.

Um ídolo.

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*Estamos torcendo para que ele se recomponha depois do vexame. Sergio reagiu super bem as brincadeiras e temos que reconhecer que não é nada fácil estar em uma transmissão ao vivo no horário mais nobre da TV americana – ainda mais quando inglês não é sequer a sua língua nativa. Força, Sergio!

Como ser um time melhor sem um dos melhores jogadores da sua história

Durante o duelo contra o Jacksonville Jaguars na semana 11, em um dos milhares de intervalos comerciais proporcionados pela NFL, Calvin Johnson apareceu no telão do Ford Field. Era na verdade uma pequena peça promocional desejando boa sorte a um dos maiores ídolos da franquia em seu novo projeto pós-aposentadoria: Dancing With Stars. Vários aplausos, mas lá no fundo, tudo soava como falso apoio de amantes recém rejeitados – semanas depois, como um bom Lions, ele terminaria a disputa na terceira colocação. Mas essa é outra história.

A dor é compreensível, afinal, a perda de um grande amor nunca é facilmente superada. E Calvin Johnson sempre esteve naquele rol de jogadores que, mesmo que você odiasse os Lions, era impossível não adorar vê-lo em campo em uma tarde de domingo. E, claro, Calvin tinha um dos apelidos mais legais de todos os esportes: Megatron. Enfim, impossível não gostar de Calvin Johnson.

De qualquer forma, Calvin já era excelente quando estava no college. Quando chegou à NFL, seu sucesso era certo. Joe Anoi, seu companheiro de equipe na faculdade, certa vez chegou a declarar. “Para ser tão talentoso como ele é, para ser tão fisicamente dominante como ele é… Calvin é uma obra-prima que só Deus pode construir. E o que ele faz em campo sequer se compara com o tipo de pessoa que ele é”. Opinião semelhante tem Chan Gailey, seu treinador na universidade de Georgia Tech. “Nunca tive outro como ele, seja na faculdade ou na NFL. Nunca tive outro WR tão grande e rápido e com esta coordenação olho-mão”.

Mas, claro, sempre há que se considerar os argumentos dos detratores: Calvin jogou no período certo para um WR. Hoje, você não pode mais parti-los ao meio, não pode exercer pressão após míseras cinco jardas, não pode marretar seus crânios, você não pode sequer trombá-los quando estão correndo. Caras como Jerry Rice ou Lance Alworth devem ver as partidas atuais e imaginar seguidas temporadas com 2000 jardas e 20 touchdowns – e eles não estariam exagerando. Mas abrir esta margem para a discussão apenas evidencia o quão efetivamente é impossível comparar atletas de eras diferentes; são novas regras, períodos opostos no tempo e situações distintas.

Ao mesmo tempo, se torna impossível desconsiderar suas sete (em nove) temporadas com mais de 1100 jardas recebidas. Ou o absurdo que foi seu ano de 2012, beirando as 2000 jardas – ao todo, foram 1964 – com, fato curioso, apenas 5 TDs. Em nove temporadas, Calvin atingiu 11619 jardas, com uma média de 15,9 jardas por recepção e 83 touchdowns. E tudo isso com um quarterback como Matthew Stafford.

Fazendo coisas impossíveis.

Presente e futuro

E aqui já podemos começar a falar sobre Stafford e o presente do Detroit Lions. Com a aposentadoria repentina de Calvin, a principal dúvida que pairava sobre os fãs do Lions residia também sobre seu QB. Stafford é realmente bom? Matthew tem potencial para ser realmente grande? Ou é apenas mais um quarterback superestimado? Talvez ele apenas tivesse ganhado na loteria ao ter Megatron ao seu lado, não? Quais seriam seus números reais se retirássemos as 20 ou 30 recepções absurdas, toda temporada, que nenhum outro mortal seria capaz de fazer?

As respostas começaram a vir em 2016, com uma versão Lions-sem-Megatron que não faz nada que seja digno de nota: até a semana 15, Detroit tinha uma média de 21.5 pontos por jogo, a 20ª da NFL; eram também 253,6 jardas aéreas (12ª), 81.7 jardas corridas (30ª) para uma média final de 335.3 jardas totais (30ª). A defesa também esteve longe de encher os olhos, sendo uma das poucas a permitirem a Case Keenum (que Deus o tenha!) um jogo de 300 jardas na carreira – algumas semanas depois, ele seria relegado ao banco em Los Angeles.

A sensação é que sem o talento de Calvin Johnson o Lions é chato, pragmático, quase tedioso e incapaz de impor seu jogo sobre qualquer adversário. E mesmo assim, eles estão 9-5. Mas por que uma equipe destinada a perder insiste em vencer?

Bem, enquanto o Lions não se destaca em nenhum aspecto do campo, ao menos eles têm sido minimamente sólidos em cada setor. “Creio que conseguimos construir uma equipe com muita profundidade”, disse o WR Golden Tate durante uma entrevista coletiva. “E quando isso ocorre, você começa a perceber que cada um fazer seu trabalho individual trará bons resultados, e pode ser o suficiente para vencer”, completou.

Senso de equipe

Mesmo que nada salte aos olhos, o Lions tem hoje safeties e cornerbacks seguros, um quarterback, sem seu principal alvo, talvez mais ciente de suas limitações e, consequentemente, mais disposto a jogar a bola para fora ou aceitar o sack, no lugar de lança-la desesperadamente para frente e rezar para que Megatron esteja lá. O Lions tem reduzido riscos inerentes a individualidade, Stafford completa mais de 66% dos passes, segunda melhor média de sua carreira, com 22 touchdowns e apenas 8 interceptações até a week #15. E, bem, ao menos até o duelo contra o Giants na semana #14, nenhum RB havia atrapalhado Detroit.

“Quando você tem 11 caras fazendo seu trabalho, você pode esperar que a outra equipe, em algum momento, force o jogo e cometa um erro. É assim que Caldwell trabalha e eles estão se certificando de que joguemos football de forma inteligente”, disse o linebacker Tahir Whitehead. “Estamos começando a confiar em nossa preparação e no que temos por aqui. Estamos nos provando o tempo todo”, explica Golden Tate.

É está abordagem de equipe, de coletividade, que tem feito Stafford ter o segundo melhor rating de sua carreira (95.8, contra 97 na temporada passada). Em meados de outubro, Jim Bob Cooter, coordenador ofensivo da equipe, já reconhecera que não ter um talento do nível de Calvin Johnson como alvo estava auxiliando Matthew a perceber melhor as nuances do campo: “Quando você tem Calvin Johnson à disposição, um dos melhores WRs de todo o tempo é óbvio que você tenderá a lançar a bola em profundidade, não faz muito sentido não priorizá-lo e, às vezes, você substitui a leitura para fazer isso”.

Em paz com o passado

Claro, tudo isso seria considerado heresia se dito há um ano: somos condicionados a crer que grandes WRs tiram a pressão de WRs secundários e running backs, permitindo que o jogo, tanto aéreo como corrido, flua com mais naturalidade. Quando isto não ocorre, tendemos a culpar os WRs de apoio e não o quarterback. Inegavelmente, esse foi o roteiro do Lions na última década, sempre retornando ao discurso de que Calvin não tinha a ajuda necessária e era sobrecarregado. O Lions até tentou auxiliá-lo e investiu pesado no draft, selecionando Titus Young na segunda rodada em 2011 e Ryan Broyles também na segunda rodada em 2012 – que teve uma carreira digna de nota: 420 jardas, 32 recepções e 2 TDs em três temporadas. Houve tempo ainda para selecionar o TE Eric Ebron na primeira rodada de 2014, mas nada mudou até a chegada de Golden Tate.

Com Tate a pressão sobre Megatron realmente pareceu diminuir – em 2014 foram 144 targets em direção ao ex-WR do Seahawks, o maior número de qualquer recebedor do Lions que não se chamasse Calvin Johnson desde 2001. Naquele ano, o Lions terminou 11-5, contando também com um ótimo e consistente sistema defensivo.

Amizade sincera e verdadeira.

Mas essa ascensão de Golden Tate escondeu outro problema, que só seria revelado na temporada seguinte, quando a defesa ruiu: quando tudo apertava ou parecia perdido, Stafford voltava a recorrer exclusivamente a Calvin.

Em linhas gerais, Golden Tate ainda teve bons números em 2015, com 90 recepções, para 813 jardas e seis TDs – Calvin, porém, foi alvo de 23% dos passes de Stafford, com 88 recepções para 1214 jardas. O problema residia, claro, em situações de two-minute warning, quando Matthew voltava a sua estratégia corriqueira: aqui Calvin foi alvo em mais de 40% das tentativas, ou seja, apesar da solidez de Golden Tate, Johnson ainda era o a fortaleza de Stafford quando realmente importava, limitando possibilidades e restringindo sua capacidade de leitura.

A aposentadoria repentina de Megatron obrigou o Lions a se transformar em momentos críticos – tanto que boa parte das vitórias nesta temporada vieram no último quarto e por uma diferença inferior a 7 pontos. Nestas situações, hoje, nenhum recebedor é alvo em mais de 25% das tentativas.

Como disse o S Glover Quinn: “quando você tem alguém tão talentoso como Calvin, às vezes você só quer forçar a bola para que ele lhe tire de determinadas situações. Isso não irá acontecer mais”. Já o próprio Calvin, quando questionado sobre o sucesso do Lions sem ele, refletiu. “Pensava que seria mais fácil, porque normalmente iriam com marcação dupla em mim, especialmente em certas situações”.

Obviamente, em vez de tornar Detroit completamente previsível, Stafford poderia ter balanceado o talento de Johnson, distribuindo melhor a bola em situações decisivas. É o que grandes quarterbacks fariam. Como Stafford iria procurá-lo em todas as oportunidades, logicamente o adversário iria sobrecarregar os setores do campo em que Calvin estivesse.

Nem tão bom quanto esperávamos, nem tão ruim quanto imaginávamos.

Mas hoje Matthew enfim assumiu uma nova identidade, que tantas equipes tem dificuldade de encontrar. A ausência de Megatron fez com que fosse possível, definitivamente, enxergar nele um bom quarterback – ainda distante dos melhores, claro, mas também bem distante da linha da mediocridade. E talvez o Lions novamente não chegue a pós-temporada em 2016, mas o legado deste ano não pode ser perdido e o futuro pode ser promissor.

“Quem quer que seja, em determinado dia, ele estará lá”, diz Quin, sobre aqueles que agora podem decidir jogos em favor do Lions. “Na semana seguinte, tudo bem, poderá ser outra pessoa: quando você pode confiar em cada atleta do grupo, todos os 53 rapazes podem contribuir e jogar bem, o football se torna mais divertido”.