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(De novo) esperando que ninguém se machuque de novo

Expectativa é algo recorrente no Houston Texans, especialmente porque, nos últimos anos, a franquia tem ostentado alguns dos melhores elencos da NFL. Mas como na offseason todos os times são bons, nem sempre essa realidade permanece quando a temporada se inicia.

Problemas médicos

Um dos principais fatores para que os Texans assustem tanto a cada offseason e não correspondam à expectativa (além de serem os Texans) em setembro são os frequentes problemas de lesões que acometem o time ao longo das últimas temporadas.

Quase como uma “maldição”, Houston sofre com a perda de jogadores importantes à medida em que se aproxima a hora em que a “onça bebe água”. Na última temporada, tivemos Whitney Mercilus, Deshaun Watson, C.J. Fiedorowicz, Devin Street, D’Onta Foreman e J.J. Watt (esse já sócio do departamento médico) frequentando a Injury Reserve em algum ponto da temporada.

Watt, franchise player dos Texans desde que Andre Johnson parou de ser o santo milagreiro da casa, esteve em campo por apenas oito jogos nas últimas duas temporadas. Jadeveon Clowney sofreu com lesões graves em seus primeiros anos antes de começar a causar impacto na defesa.

JJ, aliás, jogador espetacular dentro e fora do campo, talvez já tenha passado de seu auge físico e técnico por causa das sucessivas graves lesões, algo a se confirmar quando a temporada começar de fato (você viu primeiro aqui).

Tentando ISOLAR as lesões.

Quando as coisas pareciam se ajustar em meio a esse turbilhão que mais parecia um episódio old school de House, e um sopro de esperança parecia se desenvolver em Deshaun Watson, o QB, responsável por um dos jogos mais espetaculares da temporada em 2017, machucou-se exatamente na semana seguinte, rompendo o ligamento cruzado anterior em uma sessão de treinos individuais. Fim de temporada para o calouro, que no momento da lesão, mostrava-se uma das histórias mais sensacionais daquele ano.

Watson vem para a temporada de 2018 com um histórico de ruptura do ligamento cruzado anterior nos dois joelhos, um deles à época em que jogava na universidade de Cleiton, Clemerson, CLEMSON.

O azar em Houston não chega ao nível do Chargers (esse, que aparentemente trocou a saúde de seus jogadores pelo direito de se mudar de cidade), mas o front office aparentemente não se ajudou. Assim como o Vasco contratou Marcelo Oliveira em 2013 após este ser BI-VICE da Copa do Brasil pelo lendário Coritiba-que-chegou-duas-vezes-seguidas-na-final-da-Copa-do-Brasil, os Texans contrataram Tyrann Mathieu, chutado de Arizona pelos constantes problemas de lesão. Um casamento perfeito. Unha e carne.

As entradas

Além do Texugo do Mel™, outras chegadas interessantes em Houston se dão pelo CB Johnson Bademosi e o OG Zach Fulton (fingimos que os conhecemos pra parecer que estudamos o jogo). O time renovou os contratos do CB Johnathan Joseph, um dos melhores da defesa, e do punter já idoso Shane Lechler.

Os Texans não tiveram a escolha de primeira rodada devido à troca do ano anterior, que resoltou na escolha de Deshaun Watson. A primeira pick foi apenas na 68ª escolha, o safety Justin Reid, de Stanford. Com outras duas escolhas ainda na terceira rodada, vieram o T Martinas Rankin, de Mississippi State e TE Jordan Akins, de Central Florida.

Jogadores escolhidos no terceiro dia do draft raramente prosseguem na NFL, então não vamos fingir que entendemos sobre eles. Talvez o DE Duke Ejiofor seja um nome em que o caro leitor se lembre, devido a algum Bowl suspeito visto na TV no final do ano passado.

As saídas

Após ter garantido a vida das próximas três gerações da família Osweiler, os Texans basicamente pagaram uma escolha de segunda rodada para o Cleveland Browns a fim de se livrarem do cap hit e, principalmente, da ruindade do “jogador”.

Outras perdas notáveis se deram pela aposentadoria do TE C.J. Fiedorowicz e pela dispensa do LB Brian Cushing. Este último era um frequentador do tópico de lesões no início do texto, mas ainda assim, uma perda importante de liderança na defesa e daqueles companheiros de equipe que querem crescer seus músculos “naturalmente”.

Um ataque para chamar de seu

Após anos jogando bola trajando chinelo, Bill O’Brien finalmente ganhou uma chuteira oficial em 2017 com a aquisição de Deshaun Watson. Junto com Lamar Miller, D’Onta Foreman e DeAndre Hopkins, o ataque dos Texans parecia ser uma das boas notícias da temporada. Três vitórias e três derrotas antes da bye-week, e um jogo sensacional de Watson contra uma defesa de Seattle que, até aquele momento, ainda não havia sucumbido.

Entretanto, tudo se perdeu como lágrimas na chuva quando Deshaun estourou o joelho nos treinos. A partir de então, os Texans venceram apenas uma das nove partidas restantes. A esperança é a última que morre, então o torcedor espera que as peças do ataque, principalmente os calouros, retornem saudáveis para que a boa impressão deixada nas primeiras semanas de 2017 seja o que esse time verdadeiramente é. 

DeAndre Hopkins assumiu o fardo de ser o principal recebedor da equipe após a saída de Andre Johnson em 2015, e produziu números significativos em suas temporadas, por pior que fosse o cidadão que lançasse (ou pelo menos tentasse jogar) a bola em sua direção. Seu pior desempenho desde o ano de calouro foi exatamente em 2016, quando ocorreu o experimento Brock Osweiler. Em contrapartida, produziu mais de 1000 jardas nas temporadas restantes. Will Fuller aparece como um bom coadjuvante no grupo de recebedores, tornando o ataque muito perigoso verticalmente.

“Poderia jogar a próxima mais na minha direção, por favor?”

Um ataque de propensão vertical precisa que o QB seja hábil o suficiente para se esquivar e uma linha que bloqueie razoavelmente (veja que, por falta desse item, Andrew Luck deixou este mundo). Entretanto, a linha ofensiva dos Texans foi problemática em 2017. O center Nick Martin talvez seja o melhor bloqueador da unidade, enquanto paira a incerteza de se os reforços trarão o impacto (positivo) necessário.

No backfield, D’Onta Foreman, Alfred Blue e Lamar Miller dividirão snaps. Enqunto Foreman se recupera de uma ruptura de tendão de aquiles ocorrida em novembro, Miller perdeu carregadas para Blue, que apesar de bom, não é tanto assim. Essa é a receita preparada para que Deshaun Watson seja bastante exigido a sair do pocket, o que não é muito recomendável quando se já teve os dois joelhos reconstruídos cirurgicamente.

Uma defesa em busca de afirmação 

Durante os anos em que não teve um QB, Houston, como todo bom menino mimado, decidiu que ninguém poderia ter um e, portanto, buscou construir uma defesa com uma única missão: assassinar os signal callers adversários.

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Com as lesões de Whitney Mercilus e JJ Watt, além das perdas na secundária, que caiu da melhor contra o passe para apenas a 24ª no quesito em apenas um ano, a defesa, outrora poderosa, virou um ponto de interrogação. Jadeveon Clowney se tornou um lobo solitário. Entretanto, acredita-se que Mercilus e Watt retornem 100% ao início da temporada, resta saber se os mesmos permanecerão saudáveis. Em uma defesa com atletas que jogam com muita intensidade física e são excelentes tackleadores, lesões são risco a se assumir.

A tabela

Um fator muito importante, que às vezes é deixado de fora da análise é a ordem dos jogos na tabela. Uma sequência de jogos positiva ou negativa pode influir mentalmente no time, ditando assim o rumo de sua temporada. No caso dos Texans, três dos quatro primeiros jogos são fora de casa, um deles em New England (onde os bons morrem cedo). Apesar dessa sequência forte no início, a coisa deve se tornar mais tranquila ao decorrer da temporada.

Palpite

Expectativa é a mãe de todas as derrotas, e uma tabela desfavorável deve complicar as coisas para os Texans numa disputa pela divisão, enquanto os Jaguars possuem um dos melhores elencos da NFL e os Colts rezam para que ocorra o milagre da vida com Andrew Luck. Um ataque com propensão vertical e uma linha com problemas na proteção do passe devem ser fatores que limitarão o desempenho de Deshaun Watson, que ficará sobrecarregado se o trio de running backs não cooperar. Uma campanha 9-7 ou 10-6 deve ser a realidade em Houston, enquanto eles precisarão fazer contas no mês de dezembro para saber o record será suficiente para vencer uma divisão que deve ser embolada. Talvez o time descole uma vaga marota no Wild Card da poderosíssima-mas-só-que-não AFC.

Refazendo o Draft 2017

Todos amamos o draft: mesmo sem assistir boa parte dos jogadores achamos que entendemos alguma coisa, afinal durante abril qualquer beco da internet tem seu próprio mock.

Mas a verdade é que nem aqueles que são pagos pra avaliar jogadores não têm a menor ideia do que estão fazendo: mesmo os melhores “talent evaluators” fazem algumas escolhas – e draft completos – extremamente questionáveis.

Só existe um exercício que permite acertar em cheio as escolhas: refazê-las. E é por isso que faremos esse divertido ensaio por aqui, porque estar certo só não é melhor que ver o New England Patriots perdendo.

Algumas regras simples: como o board está diferente, retiramos as trocas que foram feitas durante o evento. Não faria sentido para Chiefs e Texans trocar pra cima com uma oferta diferente do que aconteceu em 2017. Além disso, o cenário é basicamente aquele de maio/2017: as escolhas de Bengals e 49ers mostrarão isso.

1 – Cleveland Browns: Deshaun Watson (Texans) 

O mais curioso é que os Browns poderiam ter escolhido o melhor QB da classe na #14, porém… Browns. Os fãs de Sashi Brown não querem que você perceba isso, mas Watson vale mais do que a escolha #4 que o time conseguiu por ele.

Já ficava lindão de laranja.

2 – San Francisco 49ers: Marshon Lattimore (Saints) 

Richard Sherman só chegou um ano depois e nem solução sabemos se é. O 49ers pega o melhor CB da classe e que tem potencial pra ser All Pro. O time vai atrás de Kirk Cousins na janela do ano que vem, só não vê quem não quer.

3 – Chicago Bears: Patrick Mahomes (Chiefs)

Mitch Trubisky mostrou vários nada em 2017. O time ainda tem fé nele, mas tudo indica que Patrick Mahomes será um QB melhor.

4 – Jacksonville Jaguars: Kareem Hunt (Chiefs) 

Leonard Fournette foi bem, mas Kareem Hunt foi melhor. Um time que tem Blake Bortles tem que tirar a bola das mãos dele mesmo.

5 – Tennessee Titans: Juju Smith-Schuster (Steelers)

Se é pra fazer um reach por um Wide Receiver, que pelo menos seja pelo melhor da classe, ao menos pelo que vimos em 2017.

6 – New York Jets: Jamal Adams (Jets) 

Nada como ter uma boa peça para começar a reconstruir a secundária, o que se mostrou claramente um dos planos da equipe nos últimos dois anos.

7 – Los Angeles Chargers: Pat Elflein (Vikings)

O time focou em reforçar o interior da linha em 2017, e escolher um dos melhores rookies do ano que pode jogar como Guard ou Center ajudaria a manter Phillip Rivers vivo pelos próximos anos.

8 – Carolina Panthers: Alvin Kamara (Saints)

Alvin Kamara foi o que se esperava de Christian McCaffrey. Não precisamos falar mais nada.

9 – Cincinnati Bengals: Cam Robinson (Jaguars) 

A linha ofensiva foi deprimente em 2017. Muito melhor escolher um LT que um WR que você está pensando em transformar em CB. 

10 – Buffalo Bills: Mitch Trubisky (Bears)

Esperando um ano atrás de Tyrod Taylor, Mitch dá aos Bills a oportunidade de não se desesperar por um QB de 2018 em diante.

11 – New Orleans Saints: Tre’Davious White (Bills)

Não tendo mais Marshon Lattimore, os Saints conseguem um CB de nível de Pro Bowl do mesmo jeito.

Não preciso nem pegar o avião pra se mudar.

12 – Cleveland Browns: Myles Garrett (Browns) 

O mundo dá voltas. Talvez se tivesse jogado todos jogos da temporada, Garrett estaria mais valorizado aqui.

13 – Arizona Cardinals: Evan Engram (Giants) 

Não dá pra lançar bolas só pra Larry Fitzgerald e querer ser feliz ao mesmo tempo.

14 – Philadelphia Eagles: Leonard Fournette (Jaguars)

O time, à essa altura, não tinha RB. E Fournette jogando nesse ataque ao lado de Carson Wentz seria divertido demais.

15 – Indianapolis Colts: TJ Watt (Steelers) 

O time tem uma quantidade enorme de buracos, e pass rusher é uma delas. Bem, não é como se o Colts fosse ser bom mesmo, então o ideal é ir adicionando talento.

16 – Baltimore Ravens: Corey Davis (Titans) 

O jogo contra os Patriots mostrou que Davis pode ser um bom jogador. Como é WR e foi para o Ravens nesse cenário, provavelmente não será.

17 – Washington Redskins: Jonathan Allen (Redskins) 

Allen foi bem até se machucar. Não tem porque o Redskins fazer diferente aqui.

18 – Tennessee Titans: Derek Barnett (Eagles)

Barnett fazia parte da rotação dos Eagles, e se fosse titular absoluto provavelmente teria um impacto ainda maior. Faz sentido para o Titans.

19 – Tampa Bay Buccaneers: Dalvin Cook (Vikings)

Os Bucs queriam Cook, e dessa vez não inventaram moda.

Dias de um futuro esquecido.

20 – Denver Broncos: Ryan Ramczyk (Saints)

Bolles não foi tão mal, mas Ramczyk foi um OT melhor.

21 – Detroit Lions: Adoree’ Jackson (Titans)

Nada como um CB para jogar oposto a Darius Slay. O torcedor dos Lions (o único que conheço) não gostava de Nevin Lawson.

22 – Miami Dolphins: Solomon Thomas (49ers)

Thomas não empolgou em 2017, mas ainda podemos esperar algo dele daqui pra frente. De qualquer forma, Charles Harris também não empolgou mesmo.

23 – New York Giants: Garett Bolles (Broncos)

Porque Eli Manning precisa de mais de um segundo para lançar a bola.

24 – Oakland Raiders: Marcus Williams (Saints) 

Alguém precisa interceptar bolas nessa defesa, e Marcus Williams é esse cara. Não deixe a jogada que marcou sua carreira até aqui te enganar: Williams é um baita jogador.

25 – Houston Texans: Christian McCaffrey (Panthers)

Se o time ainda não tem um QB, que pelo menos consiga um jogador versátil pra tirar a bola das mãos de seja lá quem estiver lançando a bola.

26 – Seattle Seahawks: Dion Dawkins (Bills)

A linha ofensiva é medonha. Dion Dawkins deixou o Bills confortável para trocar Cordy Glenn e com certeza é melhor que seja lá quem o Seahawks escala na ponta da OL.

27 – Kansas City Chiefs: DeShone Kizer (Browns)

Kizer foi colocado numa situação impraticável em Cleveland. Em Kansas City ele teria a oportunidade de não ser fritado. Andy Reid confia no próprio taco a ponto de fazer essa escolha.

28 – Dallas Cowboys: David Njoku (Browns) 

Jason Witten é imortal, mas nem tanto.

29 – Green Bay Packers: Carl Lawson (Bengals) 

Clay Matthews não é confiante como pass rusher há muito tempo. E Carl Lawson jogou mais que muito jogador escolhido na primeira rodada.

30 – Pittsburgh Steelers: John Johnson III (Rams)

Porque o time precisa de ajuda na posição de Safety. Alguém precisa derrubar Chris Hogan correndo livre por aquela secundária.

31 – Atlanta Falcons: OJ Howard (Buccaneers) 

OJ não correspondeu as expectativas em 2017, mas não é todo TE que joga bem como calouro.

32 – New England Patriots: Takkarist McKinley (Falcons)

Porque esse time não tinha pass rusher nem quando terminaria a temporada invicto.

A alegria de vazar da NFC.

É mais difícil do que parece, amigos.

Análise Tática #15 – Semana #8: O tiroteio em Seattle

Mais uma semana de análise tática no Pick Six e dessa vez vamos observar o que aconteceu de mais interessante  no tiroteio de Seattle, onde (infelizmente) o Seahawks venceu o Texans por 41 a 38.

Dentre os quarterbacks o destaque da partida foi o calouro Deshaun Watson, que não se intimidou com o jogo em Seattle e distribuiu bolas para o seu ataque por toda a secundária dos Seahawks. Já Russell Wilson, bem, esse é um veterano com o qual estamos acostumados a presenciar coisas mágicas, principalmente com as cinco CATRACAS HUMANAS a sua frente.

Bill O’Brien, que depois de anos brincando com uma bola de meia, finalmente ganhou uma de couro oficial CAMPO TOTAL 90™, abusou das formações com shifts e motions, com o objetivo de criar situações de leituras favoráveis para seu quarterback. Afinal, técnicos são pagos exatamente para isso, criar situações favoráveis em seu ataque e não rezar para que elas simplesmente aconteçam (estou falando com você mesmo, Rob Chudzinski).

  • Nota da edição: Rob Chudzinski é o coordenador ofensivo dos Colts. Ele é péssimo. Já foi até head coach dos Browns. 

A primeira jogada a ser revisada nessa semana é o TD recebido por Will Fuller logo no drive inicial. Se você acompanha análises táticas de NFL há mais tempo, sabe que a defesa de Seattle é baseada em coberturas single-high, em que Earl Thomas é responsável por patrulhar a secundária, enquanto Kam Chancellor se preocupa com o box. Richard Sherman e o quarto elemento jogam em zona, o que configurará ao todo um cover-3, ou em mano-a-mano, resultando em cover-1.

E se você por acaso também joga Madden (paga nóis, EA Sports), sabe que a melhor forma de combater a cover 3/cover 1 é utilizar rotas verticais que se cruzam na direção do posicionamento do safety single-high. Isso fará com que o mesmo tenha que escolher seu marcador. É exatamente esse matchup que Bill O’Brien cria para que Deshaun Watson o explore. Em uma situação que provavelmente deveria ser uma cover 1 (observe Thomas sozinho no lado esquerdo da imagem, enquanto Richard Sherman realiza a press coverage em DeAndre Hopkins e Shaquill Griffin respeita a velocidade de Will Fuller).

Will Fuller, marcado como recebedor X e o guerreiro marcado como Y combinam rotas fly e post respectivamente, e estas se cruzam à frente de Earl Thomas. No momento em que as rotas se cruzam, Earl Thomas ataca a post ao ler os olhos do QB e deixa Will Fuller sozinho contra Griffin, que é batido facilmente na velocidade. Touchdown Houston Texans.

Cerca de 2 minutos de tempo de jogo depois, 10:21 do primeiro quarto, com o ataque dos Texans em campo, Earl Thomas empatou o jogo com uma pick six. Houston apresenta 3 recebedores do lado esquerdo enquanto o TE Ryan Griffin no lado direito também executará rota. O alvo principal da jogada é Hopkins saindo do slot na rota dig. (“Recebedor principal saindo do slot?” – você deve estar pensando. Sim, técnicos com o mínimo de noção trazem seus WR1 muito mais ágeis que os defensores para o slot em busca de matchups favoráveis, se os mesmos possuírem os atributos físicos necessários – oi de novo, Rob Chudzinski!). Seattle responde com uma cobertura cover 2 – man.

Earl Thomas lê os olhos do QB mais uma vez, pelo fato de estar em zona, pula na rota perfeitamente e conta com os bloqueios para anotar seu touchdown.

Agora vamos observar Russell Wilson e sua saga para sobreviver diante de cinco pessoas que não possuem a coordenação necessária nem para bloquear spam no e-mail, quanto mais atletas de mais de 100 kg. Devido a essa dificuldade, o QB de Seattle (Mr. Nanobubbles) costuma executar passes no tanto MENTIROSOS: bolas que flutuam por minutos e não são interceptadas, passes completos em cobertura tripla, coisas do gênero.

Primeiro quarto com 02:11 restantes, Seattle em fomação de empty backfield 2×3 – pois ajuda na proteção do passe para quê, né? – O plano inicial era executar o conceito curl-flats, mas devido à inépcia da linha ofensiva, toda jogada é perdida. O sack só não ocorreu devido ao atleticismo de Russell Wilson em escapar da pressão, e por que provavelmente os recebedores dos Seahawks treinam improvisações de rotas.

Paul Richardson percebem o espaço deixado no meio da endzone e se dirige para lá, enquanto Russell Wilson acerta passe de 30 jardas após escapar com roll-out para a esquerda. Arremesso contra o movimento do corpo (como não manda o manual) e perfeito.

Voltando a Deshaun Watson, vamos observar o que aconteceu em seu segundo touchdown para Will Fuller, mais um exemplo de como O’Brien usou shifts para dar leituras diferentes para a Legion of Boom. Manter defesas em dúvidas sobre o que vem a seguir é um dos princípios básicos do futebol americano (viu, Chuck Pagano?).

Se você leu o texto sobre a implodida dos Falcons contra os Dolphins, observou a situação do fake motion. Aqui, Deshaun Watson utiliza esse artifício para manter o edge rusher preocupado também com o flat, permitindo que as rotas em profundidade se desenvolvam. Will Fuller realiza uma rota post/corner e recebe um excelente passe fora do alcance do defensor.

Por fim, voltemos a Russell Wilson e observemos como TEs devem ser utilizados na redzone. Sobrando 26 segundos para o fim de jogo Seattle precisava do TD para virar a partida. Russell Wilson já tinha sobrevivido de maneiras inimagináveis com seus passes teleguiados e estava na linha de 18 jardas do campo de ataque em uma 1st & 10.

Quanto ao conceito, nada mais que o four verticals velho de guerra. Uma variação é apresentada já que uma rota go entre as hashmarks também é conhecida como rota seam. A magia do ataque em no-huddle faz com que a defesa de Houston não consiga colocar a cobertura adequada. Jimmy Graham, que apesar de frequentador do prêmio Dez Bryant da Semana (nota da edição: nem disso ele é digno, mas que bom que foi feito o jabá), só tem o trabalho de vencer um linebacker (menor e mais lento).

Até aquela sua tia que anda esquisito pegava esse.

Repare que em uma situação de cobertura normal, haveria tempo para que Jadeveon Clowney conseguisse o sack, já que os indivíduos da linha de Seattle são desprovidos da capacidade de bloquear dentro das regras do esporte. Ainda houve tempo para Deshaun Watson ser interceptado em uma tentativa desesperada de ganhar o jogo em 20 segundos. Seattle avança para 5-2 na temporada, para o desespero dos haters (nós).

Diego Vieira, o estagiário sob supervisão do estagiário, não gosta de esportes.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Qualquer perspectiva de futuro é mais bela sem Brock Osweiler

A temporada 2017 da NFL começou de uma maneira inusitada para o Houston Texans. Ainda em março, em um momento de clara admissão de culpa, raro na liga, o time concordou com uma troca com o Cleveland Browns que enviou o QB Brock Osweiler, contratado há apenas um ano, a escolha de segundo round do draft de 2018 e a escolha de sexto round de 2017. Em troca, Houston recebeu uma mísera escolha de quarto round de 2017. O objetivo era consertar um erro muito óbvio: a ruindade de Osweiler era tão grande quanto o salário que recebia e que causava um rombo no salary cap do time. Osweiler era, talvez, o pior custo-benefício da história da NFL.

Mandá-lo embora e ainda pagar por isso pode parecer uma atitude extrema, em que uma escolha de draft bastante relevante está sendo jogada no lixo, mas não é. Ao invés de continuar insistindo no erro, como muitos times fazem, o Texans preferiu seguir em frente na busca pelo seu franchise QB. Não é à toa que a reação às performances pífias de Osweiler veio tão rápido. Desde 2013, Houston teve nove QBs diferentes que iniciaram partidas como titulares, número igual ao de um time notadamente inapto a encontrar QBs capazes: o mesmo Cleveland Browns que recebeu Brock e hoje até cogita colocá-lo como titular no início da temporada.

Mandar Osweiler para bem longe de Houston foi o primeiro e necessário passo para um time que, há anos, parece estar a um QB de distância de ser um sério candidato a disputar um Super Bowl. O segundo passo foi pular da 25ª escolha do primeiro round do draft para a 12ª,  também em uma troca com o Cleveland Browns, para justamente escolher um QB. Mesmo com declarações de que o time estaria totalmente confortável com o fraco Tom Savage como QB titular para 2017, Houston enviou sua escolha de primeiro round de 2018 para Cleveland e escolheu Deshaun Watson, da Universidade de Clemson. De forma resumida, Houston enviou escolhas de primeiro e de segundo round para Cleveland para se livrar de Osweiler e draftar Watson.

Uma nova perspectiva

O investimento foi muito alto e deve se refletir em campo. Watson é um QB muito mais talentoso que Savage e, mesmo que não inicie a temporada como titular, o que é bastante difícil de compreender, não deve esquentar o banco por muito tempo. É, no mínimo, interessante imaginar o que um QB que teve muito sucesso no college e que é uma ameaça tanto aérea quanto terrestre pode fazer em um time que viu QBs pouco dinâmicos iniciarem jogos nos últimos anos, como Brian Hoyer, Ryan Mallet e o próprio Brock Osweiler. Quando se tornar titular, Watson não deve ter suas fraquezas muito expostas, já que o Houston Texans tem uma defesa forte que não toma muitos pontos e não precisa de um QB fazendo milagres para ganhar jogos.

Em 2017, a proteção que o resto do time proporciona deve ser um dos motivos que trará relativo sucesso a Watson na NFL. É difícil imaginar que o ex-QB de Clemson tenha números astronômicos em sua primeira temporada, mas é fato que ele não deve comprometer. Também é importante lembrar que, desde que assumiu o Texans, em 2014, o técnico Bill O’Brien teve à disposição apenas QBs abaixo da linha da mediocridade. Mesmo assim, conseguiu temporadas com mais vitórias do que derrotas em todos os anos, com duas aparições em playoffs, o que torna bastante possível acreditar que O’Brien saberá aproveitar o potencial de Watson e minimizar suas fraquezas.

Trazendo o famoso “espírito de campeão”.

Talento ao redor

Além de não precisar carregar o time nos braços, Watson tem muito talento ao seu redor. Seu WR principal é DeAndre Hopkins, que em 2015 se tornou o único recebedor da história da NFL a conseguir jogos de pelo menos 100 jardas com quatro QBs diferentes em uma temporada. É um número bastante significativo, que evidencia o talento de Hopkins e mostra que ele pode e deve ser a principal válvula de escape para um QB calouro. Hopkins não teve uma boa temporada em 2016 e não se pode absolvê-lo totalmente da culpa, mas é importante lembrar que a performance de Brock Osweiler foi muito ruim e tudo que DeAndre podia fazer era tentar receber passes que chegavam a aproximadamente 20 metros de onde estava. A temporada mágica de 2015 não deve se repetir para Hopkins, mas as boas performances devem voltar a acontecer a partir do momento em que a química com Watson (ou mesmo Savage) se desenvolver.

Hopkins falou à NFL Network sobre ter DeShaun Watson e Tom Savage como QBs em 2017 e disse estar ansioso: “Você sabe, durante toda a minha carreira eu acho que já joguei com mais QBs do que qualquer WR já jogou nos seus primeiros quatro anos. Nunca tive estabilidade na posição para conseguir estabelecer um entrosamento. Então, é um sentimento muito bom ter dois jogadores que podem ser franchise QBs”.

Ameaça terreste

Além de Hopkins, o ataque do Houston Texans terá a segunda temporada do bom RB Lamar Miller. Assim como Hopkins, em 2016, Miller foi prejudicado pelo ataque anêmico comandado por Osweiler e teve a pior média de jardas por carregada de sua carreira: quatro. Mesmo com as defesas adversárias não respeitando Osweiler e focando em parar o jogo corrido, Miller ultrapassou as 1000 jardas corridas nos 14 jogos que disputou. É difícil acreditar que não haverá uma melhora nos números de Miller se Watson mostrar o mínimo de competência para colocar medo nas defesas adversárias e facilitar a vida do jogo corrido.

Prejudicado por Osweiler ou só mais um produto da defesa dos Colts?

De qualquer forma, em 2017, a engrenagem do ataque do Houston Texans não terá mais uma peça defeituosa na posição de QB e o sucesso individual de cada jogador deve significar o sucesso dos demais. O Texans não terá um dos melhores ataques da NFL, mas também não será um dos piores. Para conseguir um bom desempenho na temporada regular, o ataque será mais do que suficiente, mas é provável que o drama de não ir longe nos playoffs ainda persista por mais um ou dois anos.

Watt & amigos

Os elogios para o ataque do Texans foram razoavelmente generosos, mas não se enganem: a principal força do time sempre foi e ainda é a defesa. Mesmo sem o monstro chamado J.J. Watt por um caminhão de jogos em 2016, a defesa do Texans conseguiu terminar a temporada em primeiro em jardas cedidas por jogo e em décimo primeiro em pontos permitidos. Isso prova que, mesmo sem o seu principal destaque individual, a defesa tem um dos grupos mais consistentes da liga.

Talvez seja otimismo exagerado esperar o mesmo desempenho da secundária, que perdeu na free agency o CB A.J. Bouye, um dos melhores jogadores do time na temporada passada, mas a pressão que a melhor linha defensiva da liga deve colocar nos QBs adversários deve ser suficiente para compensar.

Mesmo assim, J.J. Watt é um monstro e coleciona 70,5 sacks desde 2012, o melhor da NFL. Se estiver saudável, Watt é capaz de carregar a defesa literalmente nos próprios braços. Ao seu lado estará Jadeveon Clowney, que tem sofrido muito com contusões e ainda não justificou a primeira escolha geral do draft que o time gastou nele em 2014, mas já mostrou flashes do que é capaz.

A chave para o sucesso da defesa do Texans está na saúde de Watt e Clowney. É assustador pensar o que os dois podem fazer juntos em uma temporada completa. Se permanecerem saudáveis, não é exagero nenhum dizer que Houston brigará com o Denver Broncos e com o Seattle Seahawks pelo posto de melhor defesa da NFL.

Palpite: Em uma conferência sem grandes times (tirando o New England Patriots) e, principalmente, em uma divisão imprevisível, o Houston Texans deverá chegar aos playoffs novamente com nove ou dez vitórias. Mas as perspectivas de Super Bowl devem esperar um pouco mais, já que o time será eliminado no divisional round dos playoffs por um time mais experiente, como o Pittsburgh Steelers ou qualquer coisa que o valha.

Mock Draft 2017: várias coisas sem sentido no mesmo lugar

Estou certo que todos lembraremos, daqui alguns dias, das asneiras que escreverei logo abaixo. E não seria surpresa se nossos haters gastassem preciosos minutos memorizando as previsões para então nos torturarem em sequência. Postura correta, aliás.

De qualquer forma, não é o primeiro e nem o último Mock Draft que você lerá – e mesmo assim você ainda ficará puto com alguma das escolhas. Sinceramente, meu amigo, até quando? Vamos a elas:

01) Cleveland Browns: Myles Garrett, DE, Texas A&M
Você ainda lê a explicação justificando a escolha dos Browns? Todo ano temos um prospecto que é o “melhor desde Andrew Luck”, e Garrett é esse cara em 2017.

02) San Francisco 49ers: Solomon Thomas, DE, Stanford
Difícil aqui era escolher uma posição em que os 49ers não precisam escolher algum talento para preencher o buraco. Thomas vem pra ajudar o pass rush que não é o mesmo de quatro anos atrás.

03) Chicago Bears: Malik Hooker, S, Ohio State
Aos poucos a defesa de Chicago vai se tornando uma unidade respeitável. Hooker, com sua capacidade de cobrir uma extensa parte do campo, chega para se tornar uma âncora da equipe por muitos anos.

04) Jacksonville Jaguars: Leonard Fournette, RB, LSU
A posição de maior carência no roster de Jacksonville é a linha ofensiva, mas nenhum jogador tem valor para ser escolhido neste ponto do draft. Sendo assim, os Jaguars selecionarão um jogador capaz de fazer aquilo que Blake Bortles tem certa dificuldade: avançar a bola antes do jogo já estar perdido.

05) Tennessee Titans (via Los Angeles Rams): Corey Davis, WR, Western Michigan
Os Titans chegam ao draft precisando de reforços no corpo de recebedores e na secundária. Como a classe é mais forte nessa segunda unidade, a equipe opta por um WR em sua primeira escolha. Davis chega para se tornar o melhor amigo de Marcus Mariota.

06) New York Jets: O.J. Howard, TE, Alabama
Os Jets precisam de uma identidade no ataque e Howard chega para ser o jogador que vai fazer com que a equipe pare de tratar a posição de Tight End como se ela não existisse.

07) Los Angeles Chargers: Jamal Adams, S, LSU
Os Chargers encontram o sucessor de Eric Weddle (algum tempo depois de sua saída). Adams chega para ser um dos grandes jogadores da defesa, com suas jogadas e liderança dentro de campo.

08) Carolina Panthers: Mike Williams, WR, Clemson
Kelvin Benjamim já mostrou que pode e que não pode ser o cara de Cam Newton. Os Panthers escolhem um WR para ajudar o seu quarterback a voltar a ter uma grande temporada.

09) Cincinnati Bengals: Jonathan Allen, DL, Alabama
Ninguém se importa com os Bengals mesmo. Eles pegarão um bom jogador e farão alguma besteira em janeiro se chegarem lá – é isso que vocês precisam saber.

10) Buffalo Bills: Marshon Lattimore, CB, Ohio State
Depois de perder Stephon Gilmore na Free Agency, os Bills vão atrás do melhor CB da classe.

11) New Orleans Saints: Gareon Conley, CB, Ohio State
Já podemos chamar o que os Saints tem de defesa, o que é um avanço se considerarmos o que a franquia tinha há alguns anos. Como a troca com os Patriots por Malcom Butler não deu certo, New Orleans seleciona um CB mais barato, mas com muito potencial.

12) Cleveland Browns: Deshaun Watson, QB, Clemson
Watson já teve uma carreira vitoriosa no College e todos sabemos que você não pode ter tudo nessa vida: selecionado no Browns, sabemos que sua carreira profissional será arruinada. Por que não Mitchel Trubisky? 13 jogos como titular não são necessariamente o que Cleveland  – que tem trabalhado cada vez mais com estatísticas – procuram no seu futuro “QB“.

13) Arizona Cardinals: Deshone Kizer, QB, Notre Dame
Apesar das tentativas do seu técnico da faculdade de boicotá-lo, Kizer é escolhido em uma posição que é boa para os dois lados: ele terá tempo para aprender com Carson Palmer – que a qualquer momento pode simplesmente desaparecer – e Bruce Arians.

14) Philadelphia Eagles (via Minessota): John Ross III, WR, Washington
Nenhuma arma é demais para o menino Carson Wentz, que em alguns momentos confia demais no seu braço para fazer jogadas. Com Ross no time, é só jogar lá no fundo e torcer para que John resolva com sua velocidade.

15) Indianapolis Colts: Christian McCaffrey, RB, Stanford*
Os Colts se dão o luxo que não podem conceder a si mesmos e ignoram a defesa na primeira rodada. McCaffrey vem para tornar o ataque dos Colts uma das melhores unidades da liga, ajudando Andrew Luck de todas as formas possíveis: correndo, recebendo e até mesmo fazendo o trabalho que a linha ofensiva não gosta de fazer (bloquear).

*Nota do editor: clubismo-mo-mo

Vem pra casa, lindo!

16) Baltimore Ravens: Derek Barnett, DE, Tennessee
Com a partida de Elvis Dumervil e a idade chegando a Terrell Suggs, os Ravens decidem dar um upgrade no seu pass rush.

17) Washington Redskins: Dalvin Cook, RB, Florida State
Dalvin Cook chega para não deixar dúvidas sobre a qualidade do jogo corrido em Washington. Kirk Cousins agradece, pois com um ataque mais balanceado ele finalmente vai receber aquela renovação de contrato (ou não).

18) Tennessee Titans: Marlon Humphrey, CB, Alabama
Já dissecamos o plano dos Titans nesse draft, e com a escolha de Humphrey a equipe sai com dois grandes reforços nas duas posições de maior carência no elenco.

19) Tampa Bay Buccaneers: Forrest Lamp, OG, Western Kentucky
É importante proteger Jameis Winston das defesas adversárias e dele mesmo: às vezes o rapaz se empolga tanto quando a jogada colapsa e ele sobrevive que acaba fazendo alguma cagada.

20) Denver Broncos: Garett Bolles, OT, Utah
Alguns torcedores dos Broncos defendem que Siemian é, sim, um bom QB, mas a linha ofensiva não ajuda. Reforçando a linha ofensiva, eles descobrirão que Siemian não é um bom QB.

21) Detroit Lions: Haason Reddick, LB, Temple
O corpo de LBs dos Lions precisa de reforços e um jogador com a versatilidade de Reddick chega para ajudar onde o time precisar – mas, infelizmente, não será suficiente: ele não pode se multiplicar.

22) Miami Dolphins: Reuben Foster, LB, Alabama
Miami se beneficia pelo segundo ano seguido de um jogador que caiu no board devido a alguns problemas extracampo. Com essa adição, a defesa dos Dolphins pode dar o próximo passo e se tornar uma unidade capaz de vencer jogos.

23) New York Giants: David Njoku, TE, Miami
Essa escolha pode ser entendida como um recado a Eli Manning: “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara pra pegar a bola. Ou vai ou racha“.

24) Oakland Raiders: Jarrad Davis, LB, Florida
Os Raiders precisam de ajuda na posição de LB. Não é a pick mais sexy desse draft, mas o jogador chega para melhorar uma defesa já em ascensão – também não é como se fosse possível ela piorar.

25) Houston Texans: Patrick Mahomes, QB, Texas
Sério que você quer saber porque os Texans escolheram um QB? Aproveita que o Game Pass está de graça até o meio de junho e assista ao jogo contra os Patriots: Andy Dalton venceria aquele jogo – ou pelo menos passaria perto.

26) Seattle Seahawks: Ryan Ramzcyk, OT, Wisconsin
Existe uma lenda de que se você tem mais de 1,90, pesa mais de 130 kg e deixa sua identidade cair perto da sede dos Seahawks na mesma semana você vai estar jogando na linha ofensiva de Seattle. Ramzcyk chega para acabar com um dos maiores provedores de empregos do mercado americano.

27) Kansas City Chiefs: Mitch Trubisky, QB, North Carolina
Alex Smith não te levará longe e Kansas City já percebeu isso. E não é como se ele fosse fazer cagadas ao longo da temporada para que o menino Trubisky tenha que sair do banco para resolver alguma bronca, como jogar a bola além da marca do 1st down.

Qualquer perspectiva de futuro é melhor sem Alex Smith.

28) Dallas Cowboys: Kevin King, CB, Washington

Porque o Mock já estava pronto quando lembramos.

29) Green Bay Packers: Quincy Wilson, CB, Florida
Quando me chamaram para fazer esse mock me disseram: “SÓ TIRA O GUNTER DO TIME TITULAR PELO AMOR DE DEUS”.

30) Pittsburgh Steelers: Budda Baker, S, Washington
Alguém precisa tacklear Chris Hogan: o WR dos Patriots está correndo até hoje na secundária de Pittsburgh. Mas no fundo queremos muito que os Steelers escolham um QB para que as pessoas comecem a acreditar em Roethlisberger. Nós sabemos que você não quer se aposentar, Ben.

31) Atlanta Falcons: Charles Harris, LB, Missouri
Atlanta substitui os spin moves de Dwight Freeney pelos de Charles Harris. Queremos acreditar que se Harris estivesse em campo os Patriots não virariam aquele jogo. Queremos.

32) New Orleans Saints (via New England): T. J. Watt, LB, Wisconsin
Como já dissemos, a defesa de New Orleans já pode ser chamada de defesa, mas ainda precisa de alguns reforços. Nada melhor que apostar no gene da família Watt.

Bônus:
Você que torce pra um time que trocou a escolha de primeira rodada (mesmo que seja por Sam Bradford) não foi esquecido.  Até porque não tem como se esquecer de algo que não existe – alô torcida dos Rams:

Los Angeles Rams: Pat Elflein, C, Ohio State
O ataque dos Rams não vai ser bom em 2017, mas ninguém pode impedi-los de tentar. Reforçar a linha ofensiva já é um grande primeiro passo.

Minessota Vikings: Dan Feeney, G, Indiana
Qualquer coisa que não seja o que os Vikings tem no elenco na linha ofensiva já pode ser considerado um reforço.

New England Patriots: Anthony Cioffi, S, Rutgers
A primeira escolha dos Patriots só vem na terceira rodada, nada que vá impedi-los de chegar ao Super Bowl (e provavelmente vencê-lo). Logo, a escolha de um safety de Rutgers que ninguém conhece não vai deixar os torcedores chateados. Enfim, o time não precisa dele mesmo.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e diz que cancelou alguns compromissos para assistir o draft, mas nós sabemos que ele ia ficar em casa de qualquer jeito.

Sobre arte, Bauman, football, MMA e Meryl Streep

Enquanto recebia o Cecil B. DeMille, prêmio pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua carreira, durante o Globo de Ouro no último domingo (8), Meryl Streep sorria. Seu discurso, logo em seguida, foi direcionado quase em sua totalidade ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

Vocês e todos nós nessa sala pertencemos aos segmentos mais vilanizados na sociedade americana atual. Pensem nisso: Hollywood, estrangeiros e imprensa. Mas quem somos nós? E o que é Hollywood?”, questionou. “Só um bando de pessoas de outros lugares. Eu nasci, fui criada e educada nas escolas públicas de Nova Jersey; Viola nasceu em uma cabana em uma plantação na Carolina do Sul; Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por uma mãe solteira no Brooklyn“, lembrou ela antes de citar outros artistas que vieram de partes diferentes do mundo, como Natalie Portman, de Israel, e Ryan Gosling, do vizinho Canadá.

Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros e, se expulsarmos todos eles, vocês não vão ter nada para assistir além de football e MMA, que, aliás, não são arte“, completou. Como temos aqui a premissa de não entrar em discussões políticas e pretendemos mantê-la, nossa conversa começa exatamente neste ponto.

Critico, mas faço igual.

Universalidade

O esporte, assim como o cinema, é um fenômeno social universal, capaz de superar barreiras de gêneros, crenças religiosas, linguagem e, até mesmo, etnias. É tão dinâmico que é criado, recriado, transmitido e transformado pelo homem ao longo da história; hoje é impossível compreendê-lo de maneira uniforme ou linear. Há tantas significações intrínsecas que seu caráter polissêmico é inegável.

A própria definição de “arte” traz consigo discursos distintos, que organizam campos do conhecimento também diferentes entre si. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que faleceu no início deste ano e uma das maiores referências em estudos culturais, em “Ensaios Sobre o Conceito de Cultura”, define “Cultura” como algo ambíguo, sobretudo pela incompatibilidade entre as inúmeras linhas de pensamento que buscam compreendê-la.

Claro, Bauman não se refere à cultura como “arte”, é algo infinitamente mais complexo, mas com um pouco de esforço podemos transpor seus conceitos para ela: é impossível mensurar a evolução da humanidade, sobretudo sua evolução cultural, desde que o homem começou a produzi-la.

Por tudo isso deveria soar óbvio que o próprio conceito de “arte” já se viu esgotado em sua própria definição. E hoje tanto o cinema quanto o esporte influenciam nossa compreensão do mundo: ambos são propriedades adquiridas, que podem ser transformadas e moldadas e fazem parte de um conjunto de práticas que dão forma a padrões culturais; para qualquer sociedade, esporte não é apenas “esporte”, assim como cinema está longe de ser apenas “cinema”. Restringi-los é reduzir a discussão exatamente como Streep fez ao afirmar football e MMA não são formas de arte.

A arte está em constante evolução devido ao encontro de diversas culturas; ela é feita pelo homem ao mesmo tempo em que faz parte do processo de construção da sua identidade. Arte, ou seja, esporte e cinema e o que mais coloquemos nesta categoria, não se trata exclusivamente de elementos tangíveis; ela não pode estar restrita a elementos totalmente conscientes – sempre existirá nela mais do que temos consciência.

Arte, cinema e esporte estão ali, diretamente relacionados à capacidade humana de pensar, produzir e reproduzir símbolos. É perfeitamente possível relacioná-los a partir do momento em que os entendemos de maneira ampla e diversificada: são meios que encontramos para expressar sentimentos e emoções, meios que representam medos, angústias e anseios. Esporte e cinema são, em sua essência, cultura humana estruturada em uma forma de linguagem que permite representar o homem simbolicamente. E isso é arte: não apenas carga emocional, mas também intertextualidade, crítica social e, sobretudo, identidade.

Ignorância gera ignorância

No mesmo discurso, em determinado momento, Meryl afirmou que “desrespeito convida ao desrespeito, a violência incita a violência”. Partindo deste princípio, também parece claro que, para ela, ignorância gera ignorância. Meryl, claro, não ficou sem resposta – e não me refiro à metralhadora verborrágica de Donald Trump direcionada à atriz, o que aqui pouco ou nada nos importa, mas sim às duas comunidades indiretamente atingidas por ela.

Scott Coker, presidente do Bellator, logo escreveu uma carta a convidando para assistir uma luta. Já Kerry Howley, professora da Universidade de Iowa e autora de “Throw”, obra baseada em sua experiência de três anos convivendo com lutadores de MMA disse o óbvio em seu Twitter: o MMA é mais internacional que Hollywood. Além da internacionalidade, é também mais, digamos, ‘democrático’, quando comparado a uma indústria cinematográfica predominantemente branca.

Os lutadores que conheço se identificam como artistas. São pessoas que procuram um estilo de vida que provavelmente não irá torná-los ricos, que é muito difícil e que são estigmatizados, como acabamos de ver”, afirmou Kerry em entrevista à The Atlantic.

E eles fazem isso porque há algo belo e estranho nesta experiência de se abrir a este tipo de violência. Claro, se você não está imerso neste mundo, você só vê Ronda Rousey e pode dizer: ‘oh, ela está atrás de fama e filmes B’. Mas a maioria dos lutadores nunca será Ronda e tem consciência disso. São pessoas que amam o que estão fazendo e buscam aperfeiçoar uma série de artes distintas que foram trazidas aqui a partir de outras culturas”, completou.

Miočić: vencedor do Oscar de melhor atuação inusitada de 2016.

Reflexo social

Passados alguns dias das declarações de Meryl Streep ainda é difícil encontrar um consenso sobre como football ou MMA se misturaram às suas palavras. A aversão de uma parcela da sociedade americana a eles talvez esteja no fato de que ambos são expressões que melhor retratam o que os EUA é hoje. Sim, e aqui não há margem para discussão: atualmente, tanto o MMA como o football são um retrato mais fiel da América contemporânea do que o cinema.

Eles são um microcosmo do que o mesmo EUA que elegeram Donald Trump, a quem Meryl tanto tem aversão, é atualmente. Football é 22 pessoas na mesma faixa de espaço, se debatendo e impulsionando seus pares em frente; nesta mesma faixa há um claro abismo econômico, entre posições “desimportantes” e aquele que rege a orquestra – ou você é capaz de mensurar o tempo necessário para um punter ter o mesmo sucesso financeiro que um quarterback?

Há ainda, naquela mesma faixa de campo, tensões étnicas, cada equipe trazendo consigo características únicas de sua comunidade e, apesar das adversidades, precisando se unir para chegar ao objetivo. MMA, bem, MMA é duas pessoas confinados em uma jaula, cada um por si, a essência do egoísmo humano, lutando por aquilo que acreditam. Quer algo mais norte-americano do que egoísmo e violência?

E se como dissemos no início, a cultura muda ao longo do tempo, algo que não mudou na cultura americana é o amor pelo football – Peter Morris, certa vez, chegou a afirmar: “Se o Beisebol é o passatempo dos EUA, o football é sua paixão”.

Não é só um jogo

Agora voltando ao discurso de Streep, em determinado momento ela afirma que “esse instinto de humilhar, quando é exibido por alguém em uma plataforma pública, por alguém poderoso, é filtrado na vida de todo mundo, porque meio que dá permissão para outras pessoas fazerem o mesmo.  Quando os poderosos usam sua posição para impor, todos perdemos”. Bem, ela tem empatia o suficiente para perceber o que significa alguém ali, com sua representatividade, rebaixar as preferências daqueles que não tem o mesmo poder? Reduzir aquelas pessoas que valorizam o esporte como expressão artística? Guardadas as devidas proporções, é usar o mesmo expediente em que se baseou para criticar Trump.

Já em outra parte de sua fala, ela afirma:O único trabalho do ator é entrar na vida de pessoas diferentes de nós e fazer você sentir como é. Houve muitas, muitas, muitas  atuações poderosas este ano que fizeram exatamente isso”. Ironicamente, Aaron Rodgers havia feito algo semelhante horas antes de Meryl subir ao palco – e no instante em que a bola chegou às mãos de Randal Cobb, alguém pulava no chão da sala enquanto um amigo torcedor do New York Giants socava o sofá. É a essência da construção de uma narrativa particular, não importa a dimensão de seu alcance.

Candidato ao Globo de Ouro de Melhor Milagre de 2017.

Paradoxalmente, um dos lances mais marcantes de Pelé, um dos maiores jogadores de futebol da história, é um gol perdido. E, claro, há inúmeros outros exemplos de instantes em que o esporte flerta diretamente com a arte. Mas ninguém respondeu Streep melhor que Deshaun Watson e Clemson, na final do college football, um dia depois. Com apenas dois minutos no relógio, o peso da derrota no ano anterior em suas costas, eles venceram uma partida carregada de emoção no último segundo. O que aconteceu naquele último segundo foi arte em seu mais puro estado.

Quaisquer que sejam os méritos ou deméritos do football, MMA, basquete, beisebol ou qualquer outro esporte, críticas como a de alguém na posição de Meryl Streep fazem apenas com que determinados nichos se fechem e deixem de perceber semelhanças entre esportes e atividades como cinema, música ou teatro. Todos eles, à sua maneira, são extensões da vida cotidiana, recortes da sociedade e estão cheio de dramas particulares. Ou há algo mais dramático que aqueles segundos que separaram Deshaun Watson do maior momento de sua carreira? O mesmo jovem, que quatro anos antes, disse isto:

Football, MMA e cinema são o que são graças a seu talento para nos cativar, sua capacidade para fazer com que dediquemos tempo, dinheiro e, acima de tudo, nossas histórias para eles. É neles que montamos nossas narrativas, somos parte ou até mesmo autores de histórias. Não há nada mais humano que buscar extrair algum significado enquanto tentamos dar sentido às nossas emoções, seja na frente de uma tela enquanto comemos pipoca, observando as jardas que nos separam da endzone ou movendo aquele chute do atacante adversário em direção a trave no minuto final.

Um filme nunca foi e nunca será apenas um filme. E Meryl, goste ou não, esporte nunca foi e nunca será só um jogo.