Posts com a Tag : DeSean Jackson

Análise Tática #27: Semana 1, 2018 – Fitzmagic™

Finalmente a temporada da NFL voltou para que possamos malhar as franquias ruins e reclamar daquele jogo de primetime que foi agendado em março, quando todos os times eram bons, além de cornetas totalmente gratuitas e sem aspecto lógico contra QBs e times que odiamos (no caso todos).

A semana 1 nos proporcionou jogos com tempo-recorde, alguns com “(insira seu time aqui) é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente” e até mesmo algumas surpresas, que inclusive será o assunto da primeira análise tática do novo ano desse esporte maravilhoso (às vezes nem tanto).

Ryan Joseph Fitzpatrick, ou Fitzmagic™ (quando joga bem), ou Fitztragic™ (quando vai mal), de acordo com a preferência do leitor, é conhecido, além de por ter estudado em Harvard (marque sua cartela), por ter uma série de eventos coincidentes envolvendo os times que jogou e os QBs que eram titulares na ocasião de sua contratação. O genial @DrawPlayDave categorizou tais coincidências em um fenômeno conhecido como o “O Ciclo de Ryan Fitzpatrick”.

Fonte: @DrawPlayDave (Twitter).

Os Buccaneers entraram no momento do Ciclo Fitzpatrick em que o titular (Jameis Winston) sai de cena e ele assume e joga bem. Tampa Bay foi a maior surpresa da primeira rodada, conseguindo o upset contra os Saints no Superdome.

Análise Estatística

As estatísticas de Fitzpatrick na partida são sensacionais. 21/28, 417 jardas, 4 TDs, 97.1 de rating. Ryan, além disso correu 12 tentativas para 36 jardas e 1 TD. Em termos de estatísticas avançadas, Fitzpatrick teve incríveis 17.75 ANY/A, bem como foi o QB da semana em DVOA pelo Football Outsiders. Uma atuação de gala em um tiroteio contra a defesa dos Saints, que se acreditava que havia melhorado e apresentou os mesmos problemas do início de 2017.

Análise do Tape

Temos conceitos interessantes a se observar nas cinco jogadas de pontuação ofensiva de Fitzpatrick, seu TD corrido e seus passes lançados para touchdown.

Q1 9:41 TB 7-7 NO. 1st & 10 em TB 42.

Tampa Bay alinha-se em singleback 1×2 com Fitzpatrick undercenter. Os Saints demonstram uma formação com um safety single-high um pouco offset na jogada (Marcus Williams, aquele do tackle errado nos playoffs) tentando disfarçar um possível recuo para cover 2.

Apenas três recebedores atacarão o fundo do campo, sendo DeSean Jackson o destino do passe. O X corre uma rota dig, o Z corre uma comeback, ambas de 10 jardas, enquanto Jackson, partindo do slot, corre o que parece ser uma option-route.

Option-routes, similarmente ao jogo corrido em zone blocking, possuem mesh points. Esse conceito tirado da Run N’ Shoot de Glen “Tiger” Ellison, permite que recebedores aproveitem o espaço vazio no campo com base na leitura de comportamento sobre um defensor específico. No caso da jogada, DeSean Jackson, o recebedor que ataca mais fundo no campo, lê o comportamento do Safety. Observemos na imagem a seguir esse exato momento.

Jackson observa que o S dá um passe para a direção da rota do recebedor X (Mike Evans, quebrando uma dig 10 jardas adiante da linha de scrimmage), tendo essa ajuda, Jackson quebra a rota em direção ao pylon. A proteção é boa o suficiente para que Ryan Fitzpatrick espere essa rota se desenvolver e conecte um passe para TD de 52 jardas. O desenvolvimento completo da jogada.

Q1 1:58 TB 14-10 NO. 1st & Goal em NO 3

O leitor mais veterano de NFL provavelmente não esquece que em 2012 a zone read em formação pistol tomou de assalto a liga (quem pegou, pegou). Essa filosofia de ataque foi como uma tomada espremida até a última gota, o que gerou respostas defensivas nas temporadas seguintes. Apesar disso, esse tipo de jogada não foi completamente descartado, e aparece exatamente no TD corrido de Fitzpatrick na partida.

A zone-read é uma jogada de option com uma leitura (!!!!) simples. O QB lê o movimento de um edge rusher e decide se entrega a bola para o RB ou corre ele mesmo. Se o defensor atacar o meio da linha, o QB corre por fora, se o defensor ficar na posição, o QB faz o handoff.

Nessa jogada específica, o defensor que será vítima da leitura é o EDGE #94 Cameron Jordan. Em situação de linha de gol, Jordan ataca a corrida de Peyton Barber, enquanto Fitzpatrick corre para a endzone. No desenvolvimento, Ryan ainda quebra um tackle na linha de gol para completar o TD.

Q2 4:42 TB 24-17 NO. 3rd & 6 em NO 9

O leitor que viu os últimos playoffs e o jogo de abertura da temporada assistiu o coirmão de ambos os times da NFC South morrer em jogadas de fade na endzone. Essa rota de baixa probabilidade de conversão depende de fatores com um passe preciso como uma linha na agulha pelo QB e que o recebedor consiga vencer o duelo físico contra a press coverage.

O leitor também deve estar pensando que uma jogada dos Bucs nessa situação provavelmente seria para um recebedor como Mike Evans, mas aqui é Chris Godwin quem recebe o TD em uma fade em direção ao pylon. Tampa está com um conceito mirrors com duas fades nas extremidades de campo, enquanto rotas no seam tendem a prender os linebackers e os safeties no miolo. Teoricamente, a jogada está armada para funcionar, resta a execução por meio de Fitzpatrick e Godwin.

Chris Godwin consegue vencer o bump-and-run e ganha a vantage física na jogada, resta a Ryan executar o famigerado backshoulder fade. Fazendo um nitpicking, o passe sai um pouco baixo, mas como Godwin teve a vantagem física na jogada, o recebedor não consegue defender, nem fazer a falta. Touchdown com requintes de crueldade que colocou os Saints em uma desvantagem de 14 pontos próximo ao intervalo.

Q3 2:58 TB 41-24 NO. 3rd & 6 em 50

Agora Fitzpatrick inaugura a sessão incendiária da análise, em que ele torna o dia muito difícil para o single-high Safety de New Orleans. Enfrentando formações com zona no fundo do campo, o QB deve manipular tais marcadores com os olhos, fazendo com que eles ataquem espaços errados, abrindo as janelas de passe.

Nessa jogada, os Saints mostram blitz e um Safety em profundidade, enquanto os Bucs irão atacar o fundo do campo novamente com três rotas longas. O RB terá funções de bloqueio para que as rotas tenham tempo de se desenvolver. O alvo da jogada é Mike Evans, no canto superior da imagem, marcado individualmente por Marshon Lattimore.

Experiente, Fitzpatrick tem a paciência suficiente de olhar para o X receiver no início da jogada, levando o Safety para aquele lado do campo. Evans vence o duelo individual e tem uma grande janela de recepção. Bomba no fundo do campo e touchdown. Acompanhe o desenvolvimento do lance.

 Q4 12:19 TB 48-24 NO. 1st & 10 em NO 36

No último drive em que Tampa Bay pontuou na partida, mais uma vez Fitzpatrick aproveitou-se da indecisão causada no Safety. Mesmo em um espaço mais curto em relação à jogada anterior e os Saints estarem mostrando um formato de dois Safeties em profundidade (afinal, a coisa estava feia), Tampa inunda o weakside e explora a rota mais profunda partindo do strongside.

Formação singleback com set de 1×2 em 11 personnel. DeSean Jackson é o alvo principal da jogada. Como falamos anteriormente, todas as demais rotas quebram para o lado esquerdo do campo, portanto é natural que a defesa reaja dessa forma. Por causa disso, Jackson fica mano-a-mano com o CB do seu lado do campo que estava em posicionamento de marcação em zona. A ajuda do Safety marcado em vermelho não existe e Jackson tem a vantagem do espaço ao ganhar o meio do campo.

  • Diego Vieira está bolando soluções para não deixar a análise tática monótona como um jogo de quinta à noite.

Agora ou nunca (nunca)

Um ano atrás, antes da PELOTA subir, o Bucs bradou aos quatro ventos sua relevância  na NFC South – mas, ao contrário do que pretendia, terminou com apenas cinco vitórias e assistiu as outras três franquias da divisão visitarem os playoffs.

Agora Jameis Winston está entrando em sua quarta temporada e (espera-se) recuperado de uma lesão no ombro que o fez perder três jogos em 2017. O torcedor mais otimista, porém, pode pensar que houve tempo também para Jameis encontrar a sinergia dom DeSean Jackson e reconstruir a defesa – mesmo que a seca por ver TDs em janeiro (uma década repleta de frustrações) continue ali.

“É sobre esse playoffs, cara”, disse Winston durante a offseason. “É sobre conquistar algumas vitórias, trazer a torcida para o nosso lado e realmente mudar a cultura por aqui – estamos caminhando nessa direção, e agora é a hora de fazer acontecer”.

Altos e baixos (e mais baixos)

Se a segunda temporada de Winston mostrou sinais claros de evolução, seu último ano pareceu um passo atrás; ele foi extremamente inconsistente e, se havia bons lampejos em determinadas partidas, Jameis parecia completamente perdido na maioria delas.

Você pode afirmar que Winston tem talento de sobra para fazer um excelente 2018 – e não estará errado –, mas a grande questão é se ele estará focado para dar o próximo passo. O que parece, infelizmente, não ser o caso – o quarterback já está suspenso pelas três primeiras partidas e será substituído por (provavelmente) Ryan Fitzpatrick – como já diria o sábio:

O problema de ter um pereba no elenco é que, invariavelmente, alguém fará merda ou se lesionará e, bem, o pereba precisará jogar.

O fato é que se o Bucs não chegar aos playoffs (spoiler: não chegará, e errado é quem espera diferente), Winston receberá boa parte da fatura, mas, se vivemos em um mundo justo (spoiler: não vivemos), é preciso apontar outros “culpados”.

LEIA TAMBÉM: Jimmy G, San Francisco e a busca pelo QB ideal

Mike Evans é uma aberração física e parece ter o talento natural a um WR de elite – mas questiona-se muito sua conduta profissional; em 2017, por exemplo, ele teve apenas 71 recepções (uma queda significativa se comparadas as 96 recepções de 2016) – mas, mesmo assim, Evans chegou a quarta temporada consecutiva com mais de 1000 jardas. Pelo pacote completo, Tampa decidiu apostar no garoto e ofereceu um novo contrato de cinco anos e mais de US$ 80 milhões. Se Mike não corresponder ao dinheiro investido, é certo afirmar que Tampa estará em apuros. No game tape, podemos analisar Evans como o recebedor que deixa as bolas fáceis passarem para só pegar as difíceis.

Ao seu lado, Evans terá DeSean Jackson e… bem, estamos em 2018, você ainda acredita em DeSean Jackson? DeSean é (talvez) um dos WRs mais superestimados da NFL (seu primeiro ano em Tampa foi um fracasso: 50 recepções para pouco mais de 650 jardas) e sua principal habilidade é tornar piores os sistemas ofensivos por onde passa.

Por outro lado, os Bucs tem um bom slot receiver em Adam Humphries e uma promissora dupla de TEs, com Cameron Brate e OJ Howard (de quem se espera uma evolução nítida em sua segunda temporada, para que se torne um alvo mais efetivo para Winston, sobretudo na redzone).

Chris Godwin, WR selecionado no terceiro round em 2017, também deixou uma boa impressão final e de quem é possível esperar um pouco mais de protagonismo – foram 111 jardas na despedida da temporada contra New Orleans.

Há esperança, também, em uma melhora no jogo terrestre (convenhamos: piorar não é uma possibilidade). Graças ao bom Deus, Doug Martin foi despachado – com pelo menos duas temporadas de atraso – para iludir o já sofrido torcedor de Oakland e a camisa 22 agora será usada por Ronald Jones II, selecionado no segundo round do último draft; o jovem teve 12 corridas para mais de 40 jardas durante seus anos em USC, o que mostra bons sinais para o futuro – Martin, por outro lado, teve duas temporadas de 1400 jardas por Tampa Bay, mas nos dois anos derradeiros na Flórida os números despencaram e o RB conseguiu menos de três jardas por tentativa.

Razões para acreditar

Os Bucs parecem ter focado na reconstrução de seu sistema defensivo. Com sua primeira escolha no último draft, eles selecionaram o DT Vita Vea, um monstro em Washington que inevitavelmente conseguirá pressionar o ataque adversário (pior que tá não fica, diria o outro). Além disso, ele será um ótimo complemento para Gerald McCoy, um dos melhores atletas de sua posição (que merece muito mais reconhecimento do que lhe é conferido).

Tampa ainda apostou alto, e buscou no atual campeão, Philadelphia Eagles, Beau Allen e Vinny Curry. Além disso, trouxe Jason Pierre-Paul, ex-Giants – o entrosamento, claro, pode demorar um pouco para chegar, mas de qualquer forma já é um cenário animador para aquela que até então era uma das piores defesas da liga.

A secundária, porém, levanta algumas interrogações: Brent Grimes e Vernon Hargreaves ainda estão ali – Grimes, contudo, já beira os 35 anos e esperar um declínio em suas atuações não seria absurdo. Os rookies MJ Stewart, de North Carolina, e Carlton Davis, de Auburn, competem com Ryan Smith pelo posto de CB3 – e, conforme se saírem, podem também beliscar a vaga de Grimes.

Já o corpo de linebackers segue o mesmo: Lavonte David é excelente e Kwon Alexander (espera-se) livre das lesões é um reforço considerável. Kendell Beckwith deixou a desejar em 2017, mas era apenas seu primeiro ano e, claro, há espaço para evoluir, sobretudo com Noah Spence, do qual se espera finalmente alguma contribuição em campo.

Palpite:

Em 2018 Winston precisa se estabelecer como um quarterback capaz de liderar uma franquia – e, por consequência, levá-la aos playoffs. A tabela, porém, é cruel: nos três primeiros confrontos, Tamba enfrenta Saints (fora), Eagles e Steelers (em casa), todos sem Jameis. Na sequência visita a Chicago e Atlanta e, bem, esperar apenas uma vitória nas cinco primeiras partidas não é uma previsão irrealista. Se tudo der errado e, ao menos, levar a demissão do HC Dirk Koetter, poderemos considerar que foi um bom ano – resta aceitar uma campanha semelhante a de 2017, com no máximo cinco ou seis vitórias, a lanterna da NFC South e planejar o futuro com um HC capaz de colocar Winston nos eixos.

O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como terceira opção.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.

O que os olhos veem e o coração sente

Você, leitor, certamente não sabe, mas quando chega o final de julho e começamos a escrever nossas previsões para a temporada fazemos uma espécie de draft para distribuir os times entre os integrantes do site.

Por motivos óbvios, cada um escreve sobre o time que torce, mas os demais estão lá para ser livremente selecionados. As escolhas não têm uma lógica definida. A qualidade do time, por exemplo, não influencia muito nossa vontade de escrever sobre ele: ninguém parecia muito interessado em redigir um texto de duas páginas contando como o New England Patriots já está na final da AFC em 2018, mesmo que ainda estejamos em meados de agosto.

Há, porém, algumas escolhas interessantes, como a do nosso menor aprendiz, que decidiu usar sua primeira escolha com o Los Angeles Rams, por algum motivo que apenas diversas sessões de psicanálise seriam capazes de explicar. Nosso editor chefe usou sua primeira escolha no Cleveland Browns, aparentemente por gostar de escrever sobre fracasso e melancolia.

Os motivos que levaram meus companheiros de site a priorizar escrever textos sobre Rams e Browns não importam. A NFL, ao contrário de alguns outros esportes, é bastante democrática. Podemos torcer por um time e ter simpatia por mais uns dois, cinco ou 31 times. Somos livres para nos fascinar por pequenos detalhes, que muitas vezes são incompreensíveis para os outros, mas que, para nós mesmos, fazem todo o sentido.

Não tive dúvidas na minha primeira escolha: por diversos motivos, o Tampa Bay Buccaneers é o time que mais me interessa em 2017, com exceção do maior de todos, o New York Football Giants. Mas por que o Bucs me fascina e por que o escolhi como primeira opção para escrever um texto sobre seu futuro brilhante?

Pequenos (grandes) laços afetivos

Podemos começar falando de Jameis Winston. Todos nós guardamos na memória algumas jogadas que não se tornam icônicas por não terem impacto profundo no resultado de um jogo ou de um campeonato, mas que são espetaculares e devem sempre ser relembradas.

Jameis Winston foi o responsável pela jogada mais espetacular da temporada 2016 da NFL. O jogo era em Tampa contra o Chicago Bears. O terceiro quarto tinha acabado de começar e o Bucs tinha a bola na linha de 25 jardas do próprio campo em uma 3rd&10. Jameis recebeu o snap e logo foi pressionado pela linha defensiva do Bears. Ao invés de desistir da jogada e aceitar o sack, Winston foi recuando e se esquivando dos defensores até chegar a sua própria endzone.

O sack e o consequente safety eram praticamente inevitáveis, mas Jameis conseguiu deixar os três defensores que ainda o perseguiam para trás, ganhar mais umas 15 jardas e lançar um passe de mais ou menos 60 jardas para o WR Mike Evans.

A jogada resume bem quem é Jameis Winston e por que ele é um dos motivos que me fazem acreditar que Tampa Bay pode chegar longe em 2017. Há uma energia diferente no jogo de Jameis, uma intensidade maior do que vimos na maioria dos QBs.

Ao contrário de idiotas como Jared Goff, Jameis é um líder natural que não desiste das jogadas e carrega o time nas costas, mesmo que aos trancos e barrancos. É como se ele fosse uma mistura da energia de Philip Rivers e da capacidade de improvisação de Ben Roethlisberger. Apesar de ter lançado para mais de quatro mil jardas, seus números não são espetaculares e há muito o que melhorar, especialmente quando falamos em QB rating e fazemos a relação entre número de passes para TD e número de interceptações, que em 2016 terminou 28/18. Jameis ainda precisa cuidar melhor da bola e 2017 deve ser o ano em que ele dará o próximo passo para chegar ao nível de um dos grandes QBs da NFL.

Jameis: isso ainda vai ser grande na NFL.

Uma nova arma

Ajuda para isso não vai faltar: na offseason, Tampa Bay assinou com o explosivo WR DeSean Jackson, que mesmo em fim de carreira deve trazer uma dimensão a mais para o ataque, a da velocidade nos lançamentos em profundidade. Além dele, o Bucs draftou O.J. Howard, que muitos especialistas consideram o melhor TE a chegar à NFL em anos, já que mistura qualidades de bloqueador e recebedor. Normalmente rookie TEs não causam tanto impacto logo em suas primeiras temporadas, mas se isso acontecer o problema não será tão grande, já que em 2016 o Bucs descobriu em Cameron Brate um TE bem efetivo.

Esses jogadores são todos úteis e talentosos, mas são apenas complementos à principal arma de Jameis e mais um dos motivos que me fazem gostar do Bucs. Mike Evans. Em nosso ranking de WRs, fui quem o colocou mais alto, em terceiro, porque acho que ele é um monstro e pode, rapidamente, se tornar o melhor recebedor da NFL.

Evans tem todas as qualidades que um WR top precisa: tamanho, velocidade, agilidade, capacidade de correr rotas e mãos confiáveis. É assustador pensar os números que ele pode conseguir em 2017, levando em conta que as defesas não poderão focar em coberturas duplas ou triplas nele, já que o cobertor será curto se lembrarmos de todos os alvos de Jameis Winston. Somadas todas as dimensões e possibilidades que o ataque do Buccaneers terá em 2017, tenho que confessar que estou apaixonado.

As interrogações

Se existe uma ressalva no encanto que sinto por esse time, é o jogo corrido. Doug Martin é um bom jogador, mas ultimamente está machucado ou suspenso, dificilmente em campo. É difícil contar com ele pra qualquer coisa e houve rumores de que inclusive poderia ser dispensado. Sobram no depth chart Jacquizz Rodgers e Charles Sims, que são razoáveis e podem quebrar um galho, mas não trazem brilho aos olhos.

Filme repetido.

Já a defesa do Tampa Bay Buccaneers não encanta tanto quanto o ataque, mas não chega a atrapalhar ou impossibilitar nossa história de amor. Seu principal jogador é o DL Gerald McCoy, que já está em sua oitava temporada na liga e em 2016 mostrou pequenos sinais de declínio, mas mesmo assim conseguiu sete sacks. Para ajudar os trabalhos de McCoy na linha defensiva, a principal contratação foi o free agent Chris Baker, que chega do Washington Redskins trazendo seus 9,5 sacks, cinco fumbles forçados e 100 tackles em seus dois anos em DC.

No corpo de LBs, o Bucs vai continuar contando com os versáteis Lavonte David e Kwon Alexander, que combinaram para seis sacks e duas interceptações em 2016 e são bons em tackles. A fraqueza da defesa parece estar na secundária: Brent Grimes é um bom jogador, mas já tem 34 anos e está em fim de carreira. Vernon Hargreaves teve apenas uma interceptação em sua temporada de rookie, mesmo jogando razoavelmente bem. O problema é que a profundidade acaba aí. O Bucs parece ter direcionado a maior parte de seus recursos para melhorar o ataque. O time até investiu uma escolha de segundo round no safety Justin Evans, mas é difícil acreditar que sua contribuição seja efetiva já em seu ano de calouro, principalmente em uma divisão com ataques tão potentes.

Palpite: Se fosse obrigado a escolher um time alternativo para chegar ao Super Bowl, seria o Tampa Bay Buccaneers, mas a paixão muitas vezes nos cega. Quero acreditar que o time estará nos playoffs e terá uma participação digna, mas sei que posso estar sendo enganado por mim mesmo. Porém, continuarei otimista e meu coração prevê um surpreendente Bucs na final da NFC.