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Missão Tennessee: surfando em direção ao Super Bowl

Uma outra verdade irrefutável da NFL é que o Tennessee Titans é um time irrelevante e sem graça. Reflita: você, leitor, conhece algum torcedor verdadeiramente apaixonado pelo Titans? Ou então, tem algum amigo que odeia o time de Tennessee do fundo do seu coração? Provavelmente não, porque o Titans, com raras exceções, não desperta amores e ódios. É uma franquia que vive no limbo do pior dos sentimentos: a indiferença.

Isso acontece porque, desde que deixou de ser Houston Oilers para se tornar Tennessee Titans, em 1997, o time não tem incomodado ninguém. É verdade que, em 1999, com apenas dois anos de idade, o Titans chegou ao Super Bowl e esteve a, literalmente, centímetros de levar o Lombardi Trophy para casa, mas o destino, talvez por mero bom senso, não quis que acontecesse. Desde a improvável aparição no SB, foram apenas duas vitórias em playoffs, em 2002 e 2003, ainda nos tempos do QB Steve McNair, umas das poucas estrelas que vestiram o bonito uniforme azul. Sem vencer em pós-temporadas há 14 anos, o Titans tem sido, no máximo, um figurante na NFL.

Não deu.

Novos ventos

Mas isso tudo vai mudar. Apesar do negativismo do início do texto, podemos afirmar com uma boa dose de certeza que esse cenário de mediocridade está muito próximo de ser superado. Sim, é arriscado e corremos o risco de amargar um profundo arrependimento no futuro, mas temos que dizer que, em breve, o Tennessee Titans será uma das grandes forças da NFL.

A reviravolta vai começar já em 2017 e o responsável por ela se chama Marcus Mariota. Enquanto outros times (oi, Browns e Jets) vivem uma luta eterna para encontrar seu franchise QB, o Titans já tem o seu. Em duas temporadas como titular, Mariota não foi perfeito – inclusive cometeu erros difíceis de aceitar –, mas mesmo assim mostrou que tem qualidade mais do que suficiente para tirar a franquia do ostracismo e ser um dos grandes QBs da NFL.

Em 2016, na temporada regular, Mariota passou para 3426 jardas, 26 TDs e apenas nove interceptações, o que resultou em um excelente rating de 95,6. Uma das estatísticas mais impressionantes do QB do Titans é a de eficiência na red zone: de acordo com o site Pro Football Focus, Mariota completou 64% dos passes que tentou nas últimas 20 jardas do campo com 33 TDs e nenhuma interceptação. É necessário repetir e enfatizar: Marcus Mariota nunca lançou uma interceptação na red zone.

É impressionante e, claro, difícil acreditar que esse ritmo possa ser mantido. Porém, mesmo que haja uma regressão nos números, se conseguir terminar uma temporada saudável e reduzir o número de fumbles sofridos (apenas em 2016 foram nove), Canton é o limite para Marcus.

Nota do editor: calma, cara!

Cercado por talento

Reconhecendo a qualidade do QB que tem e a necessidade de aumentar a dose de talento ao redor dele, os técnicos do Tennessee Titans decidiram renovar o corpo de recebedores à disposição de Mariota. O mediano Kendall Wright e o sexagenário Andre Johnson foram dispensados e o time investiu duas altas escolhas do draft de 2017 em WRs: Corey Davis, no primeiro round, e Taywan Taylor, no terceiro. Na free agency, o time contratou o bom Eric Decker, que terá que superar uma contusão no ombro que o tirou da temporada 2016. Os recém-chegados se juntam ao bom Rishard Matthews e a um dos melhores Tight Ends da liga, Delaine Walker.

Além do grupo de recebedores acima da média, Tennessee ainda tem talvez a melhor dupla de RBs da NFL, o que é muito importante para um time que, em 2016, teve a terceira maior porcentagem de corridas da liga e ficou em quarto em jardas por carregada.

Por terra, DeMarco Murray tem tudo para repetir as 1287 jardas corridas que conquistou na temporada passada, a segunda melhor marca de sua carreira. Murray, porém, já tem bastante kilometragem na liga, e precisa de descanso; por isso, Derrick Henry, que não foi tão acionado quanto Murray no ano passado, mostrou que pode e deve ser mais utilizado. Com um ataque aéreo mais perigoso e com uma participação maior de Henry, o Tennessee Titans tem tudo para, no mínimo, estar no top 10 ofensivo da NFL em 2017.

Destino: Canton.

Evolução

O sistema defensivo do Tennessee Titans terminou a temporada 2016 na média em quase todas as estatísticas, apesar de ter tido momentos de brilho, como na vitória por 47×25 contra o Green Bay Packers, em que Aaron Rodgers foi interceptado duas vezes. A força da defesa foi o grupo de DL e LB, responsáveis por 40 sacks, sexta melhor marca da liga. Jurrell Casey, Brian Orakpo e Derrick Morgan, responsáveis por 24 dos 40 sacks de 2016 continuam no time e formam um grupo que pode tanto ser eficiente parando o jogo corrido adversário quanto pressionando o QB.

A secundária, ponto fraco do time na temporada anterior, foi onde o Titans mais investiu. No draft, Tennessee investiu uma de suas escolhas de primeiro round no CB Adoree Jackson, que tem habilidade atlética semelhante a Darrelle Revis e Patrick Peterson e deve ser colocado instantaneamente como titular. Do outro lado do campo, o Titans deve ter o veterano CB Logan Ryan, que chegou do New England Patriots na free agency com um contrato de três anos valendo 30 milhões de dólares. Além deles, a secundária será reforçada pelo ex-Jaguar Johnathan Cyprien, que será um dos safeties titulares.

Com a base da linha defensiva mantida e com as adições à secundária, a única possibilidade para a defesa do Titans é a evolução. É claro que não se trata de uma defesa do mesmo nível de Denver Broncos, Houston Texans ou Seattle Seahawks, mas deve ser suficiente para, junto com um ataque equilibrado, levar o time à pós-temporada pela primeira vez desde 2008.

Palpite: Las Vegas acredita que o Tennessee Titans conseguirá 8,5 vitórias em 2017. Nós discordamos e acreditamos em uma temporada com 10 vitórias e o título de uma divisão que terá apenas um real adversário: o Houston Texans. Nos playoffs, não seria nada surpreendente se o Titans conseguisse pelo menos uma vitória, se tiver a sorte de enfrentar um adversário favorável. Mesmo que o sucesso não chegue tão logo quanto 2017, lembre-se que o Pick Six foi o primeiro a te alertar sobre o futuro brilhante do Tennessee Titans.