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Procurando uma identidade

Uma nova identidade. Para a temporada de 2018, esse é o principal objetivo do Dallas Cowboys. Após Tony Romo ter nos dado mais um motivo pra ligar o SAP nas tardes de domingo e Jason Witten substituir Jon Gruden como COLOR GUY™ no Monday Night Football, cabe ao time encontrar novas lideranças.

Em uma despedida menos glamorosa, Dez Bryant foi defenestrado do Texas, por motivos que vão da queda de produção a ser um péssimo coleguinha de vestiário (fonte: nós achamos isso). Nesse caso, é necessário que Dak Prescott e Ezekiel Elliott assumam seus papéis como líderes do vestiário, tanto técnica quanto pessoalmente.

Uma offseason mais tranquila

Se em 2017 tivemos o circo armado pela punição de Ezekiel Elliott, em 2018 o Dallas Cowboys teve mais paz para trabalhar. Na medida do possível, claro. É intrínseco ao America’s Team a presença nos tabloides, então um circo menos intenso nos jornais ajuda a criar um ambiente em que a  liderança jovem tenha a tranquilidade para trabalhar. A questão Dez Bryant de certa forma é um percalço, porém é mais simples blindar um time às tuitadas de um jogador do que ter um dos seus principais nomes do ataque com problemas com a justiça.

Além dos nomes já citados, Dallas também perdeu o RB Alfred Morris, o WR Brice Butler e o CB Orlando Scandrick como os jogadores mais notáveis (aqueles que o leitor já ouviu falar o nome). Em contrapartida, o time trouxe o WR Allen Hurns, o OT Cameron Fleming e o DE Kony Ealy (o cara-que-seria-MVP-do-Super-Bowl-50-se-os-Panthers-tivessem-ganhado), todos nomes que buscam se firmar. O principal deles, Hurns, vindo de duas temporadas interrompidas por lesão, vem buscando espaço como titular na rotação de recebedores, que está em uma situação de time-que-precisa-de-mais-um-para-completar-a-pelada.

LEIA TAMBÉM: Tony Romo (ou o melhor quarterback que você não soube valorizar)

Outro ponto importante da offseason é a volta do DE Randy Gregory, escolha de segunda rodada no draft de 2015. Após problemas com o uso de maconha (o que não deveria ser problema – mas isso é outra discussão), a NFL aceitou o plano de recuperação do jogador, permitindo sua reintegração após uma suspensão por tempo indeterminado. Gregory, que teve o melhor ano de sua carreira em 2014 na Universidade de Nebraska, era cotado como talento top-5 do draft à época. Agora, o jogador busca espaço em uma liga com tendência de rotações de pass-rush bastante numerosas.

Recarregando (do inglês reloading) 

O Dallas Cowboys fez nove picks no draft de 2018, algumas delas conseguindo bons valores, em escolhas abaixo da cotação de mercado. Na primeira rodada, a escolha do LB Leighton Vander-Esch de Boise State dá a entender que o time busca peças de reposição para Sean eternamente-Lee(sionado). 

Uma substituição quase perfeita, já que o calouro já chega à liga com dúvidas sobre a saúde de seu pescoço. Vander-Esch está em uma daquelas situações de lesões que não se vê ocorrendo em campo (até por que quase ninguém assiste jogos de Boise State) mas aparecem magicamente na época do Combine. Traçando um paralelo, é um boato semelhante ao que ocorreu com Myles Jack, de Jacksonville, à época em que jogava em UCLA. Dallas arriscou a escolha dezenove em Vander-Esch, agora joga a sorte na moedinha para ver se o jogador permanece saudável.

A escolha de Michael Gallup, WR, na posição 81 pode ser o respiro para um grupo de recebedores com déficit de peças, assim como o TE Dalton Schultz, que precisa pisar em sapatos grandes (traduções literais.inc). O recrutamento de Dallas se encerrou com a escolha de Bo Scarbrough, RB do tipo tanque de guerra vindo de Alabama, que provavelmente deve ser familiar ao leitor.

Jason “The Clapper” Garrett

O Homem-Laranja (Garrett, não o outro) merece um tópico especial quando falamos de Dallas Cowboys. Após ser escolhido técnico do ano (sério, isso aconteceu mesmo, por mais absurdo que possa parecer) quando teve Dak Prescott e Ezekiel Elliott em grande fase quando calouros, o homem teve uma temporada de 2017 digna dos melhores momentos de Chuck Pagano.

O ataque comandado pela dupla Garrett e Scott Linehan teve a regressão personificada na atuação do QB Dak Prescott. Se em 2016 Prescott teve 67.8 % de passes completos, 3667 jardas aéreas, 23 TDs e o assustador número de apenas 4 INTs para um QB calouro, em 2017, a produção caiu bastante. 62.9% dos passes completos, 22 TDs e 13 INTs. Ainda, a queda do rating, de 104.9 para 86.6.

Além de números, no game tape vimos um Prescott bastante exposto, principalmente nas partidas em que não teve a ajuda de Zeke Eliott. Uma atuação do nível de 2016 gera a atenção da NFL, e com coordenadores defensivos adversários tendo longos sete meses para estudar as tendências do jogador, Dak teve um rendimento aquém do esperado  em 2017. Nesse aspecto, adivinha, Jason Garrett e Scott Linehan não foram capazes de adaptar o plano de jogo, se é que existe um (o nosso dinheiro está no “não [existe um plano de jogo]”).

No jogo corrido, a perda de Ezekiel Eliott por seis jogos trouxe um problema tanto para o time quanto para o jogador. Zeke  não conseguiu render o esperado antes da punição começar a ser cumprida e até mesmo quando voltou, destacando-se a péssima atuação na altitude de Denver (não é desculpa). Embora falar que Zeke jogou mal é quase uma súplica para gerar a revolta do torcedor de Dallas, é inquestionável a queda de produção quando vemos que as jardas por tentativa caíram de 5.1 para 4.1. Acima das 4 jardas por tentativa é ainda considerado um bom número para RBs, mas a queda de conversão de primeiras descidas para 22.7% ajuda a regular esses números.

A linha ofensiva, outrora melhor da liga, agora tem que lidar com o problema da ausência por tempo indeterminado do center Travis Frederick. Outra questão importante é trabalhar as posições do LG Connor Williams e RT La’el Collins. Linhas ofensivas estão geralmente a uma lesão de serem ruins, e Adrian Clayborn fez suco de Dak Prescott quando Tyron Smith se lesionou contra os Falcons. Para incrementar a rotação, os Cowboys trouxeram o OT Cameron Fleming, que pode acabar sendo o titular no lado direito, mais pela falta de opção que pela sua qualidade técnica.

Uma defesa com duas caras

Ainda na questão da busca de identidade, a defesa do Dallas Cowboys pode ser explicada como a imagem e semelhança de Sean Lee. Como Lee luta contra as lesões, a defesa foi deficitária pela maior parte da temporada.

No pass rush, a atuação de DeMarcus Lawrence de certa forma mascarou o jogo tímido de Taco Charlton, escolha de primeira rodada de 2017. Nesse bolo, adiciona-se a chegada de Kony Ealy como mais uma peça de linha defensiva, sendo importante nas situações de terceira descida. David Irving provém uma boa opção no meio da linha, embora seja uma peça quase única jogando em 3 e 5-tech.

A principal deficiência defensiva a ser tratada por Rod Marinelli é a secundária. Byron Jones, Jeff Heath, Xavier Woods e Chidobe Awuzie são os titulares de uma unidade que além de tudo não tem muitos atletas para profundidade de elenco. A esperança se dá que o trio de LBs com Lee, Vander-Esch e o excelente-but-yet-to-be-seen Jaylon Smith consiga cobrir o passe.

Palpite

A NFC East é mais uma daquelas divisões em que raramente o vencedor do ano anterior consegue defender o título. Se Dallas conseguiu aparições nos playoffs nos últimos anos de Tony Romo e no ano de calouro de Dak Prescott, essa não deve ser a realidade de 2018. O grupo de recebedores é muito fraco e mesmo se os novatos tiverem impacto, não será suficiente para fazer frente aos rivais. A temporada será de reconstrução em Dallas, possivelmente com a demissão de Jason Garrett ao fim do ano. A partir disso, será necessário trazer uma mente moderna para o ataque, que saiba explorar melhor com as habilidades de Prescott e Elliott, enquanto uma escolha no top 10 do draft de 2019 será essencial para tapar alguns buracos do elenco. Nessa questão, provavelmente uma campanha entre cinco e sete vitórias será o teto que esse time pode alcançar.

Semana #7: os melhores piores momentos

A NFL segue se mostrando cada vez mais estranha. Os jogos de quinta-feira estão sendo os mais divertidos, Joe “Iron Man” Thomas (conversou conosco, nunca esqueceremos) se machucou e o Piores Momentos da Semana voltou a sair na terça-feira. Agora que já cumprimos o requisito do editor de sempre introduzir os textos com algo, vamos ao que interessa:

1 – Defesas passando vergonha

Miami Dolphins e Indianapolis Colts. Quem diria.

1.1 – Miami Dolphins

A cabeça até doeu contando quantos defensores perderam o tackle. Paramos em 73.

1.2 – Indianapolis Colts

“O time está mal por que Andrew Luck não joga”, disse o iludido torcedor.

2 – O pior onside kick da história

Alguém avise o rapaz que a bola só precisa viajar 10 jardas. E é ideal também que ela suba.

3 – Kelvin Benjamin 

Você sabe o que é awareness? Entenda o significado da palavra ao ver um exemplo de um rapaz que não o tem. Aparentemente Kelvin Benjamin ficou paralisado por ter feito uma boa jogada (não mostramos ela de propósito – ele não merece). Ainda bem que o juiz estava lá para ajudá-lo.

Preste atenção no relógio e no momento do jogo.

4 – Jeff Heath, verdadeiro herói americano

Quando Dan Bailey se machucou, o Safety Jeff Heath assumiu os kickoffs Extra Points dos Cowboys, e o resultado vai te surpreender. Infelizmente ele não teve a oportunidade de chutar um Field Goal de 47 jardas para se consagrar ainda mais.

5 – Imagens que trazem PAZ

Até hoje não sabemos pAra quem.

5.1 – Trabalhe pra NFL, eles disseram. Vai ser divertido, eles disseram.

A sensibilidade de Mike Evans é comovente. Ele se preocupa apenas em mostrar que pegou a bola.

Strike

5.2 – Khalil Mack

Especialista em fazer os outros passarem vergonha.

5.3 – Ainda sobre verdadeiros heróis nacionais

Repare como o nosso ídolo sequer derruba o copo.

5.4 – Le’Veon Bell 

Nosso amigo @oQuarterback disse tudo.

6 – Jimmy Graham 

Não gostamos dele e não escondemos de ninguém (ver: http://picksix.com.br/podcast-4-uma-colecao-de-asneiras-iv/). Deixaremos as imagens falarem por si só.

6.1 

6.2 

7 – A saga de um torcedor dos Colts

Estragar um carregador. Atropelar o seu celular. Lançar o seu celular no campo. E essa nem é a pior parte. Acompanhe esse emocionante relato de um sofredor.

8 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O prêmio que premia o jogador de nome que, quando você mais precisa dele, desaparece. Lembre-se disso quando pensar em criticar a escolha da semana.

TY Hilton. Sempre evito colocar WRs aqui sem que eles recebam muitos targets – é o caso de TY. Mas depois de duas semanas com jogos medíocres (menos de 50 jardas no total), ele se tornou um forte candidato. Então ele resolveu botar a culpa de sua ineficiência na linha ofensiva. Assim levou o Troféu Dez Bryant para casa. Parabéns!

Foda certas situs.

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Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Um grande hype enfrentando enormes expectativas

Após o surpreendente sucesso na temporada passada, Dallas, ao que tudo indica, está agora em uma nova direção; 11 atletas deixaram a equipe na última free agency, enquanto outros dois se aposentaram. Aliás, estes 11 jogadores começaram mais de 500 jogos de suas carreiras com o Cowboys – incluindo 94 no último ano.

Mesmo assim, o dono e novo hall of famer Jerry Jones mantém o otimismo. “Perdemos um número significativo de atletas, mas fomos seletivos nestas perdas”, justificou o proprietário da franquia durante a offseason.

É importante que os novatos joguem, eles realmente precisam de oportunidades. Eu não ousaria projetar nosso número de vitórias, mas acredito que temos uma equipe melhor do que a que terminou a temporada passada; temos a chance de sermos melhores do jeito correto: mais novos”.

Jaqueta em homenagem a todo o ouro que este homem trouxe para liga.

Pequenos fantasma

Tony Romo sofreu uma lesão durante a pré-temporada de 2016 e, como em qualquer outro dia, todas as perspectivas se dissiparam em Dallas. Naquela ano, porém, tudo foi diferente: havia uma pequena esperança no Texas de que Dak Prescott poderia fazer o trabalho com dignidade até Romo estar recuperado.

Mas Prescott foi tão eficiente que não deixou brechas e assumiu a posição: foram 23 touchdowns e apenas quatro interceptações – e outros 6 TDs corridos. Com mais de 67% dos passes completos, Dak teve média aproximada de 8 jardas por tentativa. Claro, ele tem um ótimo elenco de apoio para auxiliá-lo, mas de qualquer forma é pouco provável que grande parte dos quarterbacks da NFL teriam atuado no mesmo nível que Dak – menos ainda se considerássemos que Prescott era um mero rookie.

Voltando ao elenco de apoio, o integrante de maior destaque, também foi um novato: o RB Ezekiel Elliott correu para 1631 jardas e 16 TDs – ele ainda teve 32 recepções para outros 363 jardas. O fato é que algumas equipes não tiveram respostas para Elliott em seu primeiro ano. Mas tudo pode ser diferente em 2017.

O grande hype a espera de uma grande decepção

Diante do exposto, Prescott terminou o ranking dos 100 melhores jogadores para esta temporada organizado pela NFL Network na 14ª posição. Releia com atenção: 14ª posição.

E que fique claro que aqui não há nada contra Prescott; ele talvez tenha tido a melhor temporada de um quarterback rookie da história da NFL. Mas também é fato que ele não é sequer o melhor jogador ofensivo de Dallas – o já citado Eliott, o WR Dez Bryat, o G Zack Martin e o C Travis Frederick são melhores jogadores que Dak.

Inegavelmente, Prescott é mais valioso, sobretudo por sua posição. E achamos Dak extremamente talentoso e um potencial grande QB para os próximos anos, mas a verdade é que será muito difícil para ele evoluir seus números de maneira proporcional ao hype em sua segunda temporada – entenda que os adversários, agora, tiveram uma offseason toda para estudá-lo e a tabela está longe de ser fácil.

E não é apenas as expectativas em torno de Prescott que podem fazer os sonhos de Dallas desmoronarem: há também a dúvida sobre a possível suspensão de Elliott, que ainda não sabemos como acabará – hoje, ela é de seis jogos, mas o recurso ainda será julgado. A defesa, que já era mediana, perdeu peças-chave, sobretudo na secundária e torce para que alguns novatos consigam preencher os buracos – vale lembrar que Dallas terminou com 7 vitórias e uma derrota em partidas decididas por sete pontos ou menos na última temporada.

Onde realmente mora a esperança

Se você crê que Dallas pode repetir as mais de 10 vitórias da temporada passada, saiba que a esperança para isso ainda mora na linha ofensiva, uma das melhores da NFL nos últimos anos. Zeke foi incrível e Dallas construiu seu sistema ofensivo em torno dele – ele era a base do ataque, e não Prescott. E, claro, Elliott deveria ter conquistado o ROY caso o hype não vencesse.

Pode vir.

O fato é que a linha ofensiva permite que Dallas controle o ritmo das partidas, conquistes caminhões de jardas por terra, mantenha o ataque adversário fora de campo e dê tranquilidade ao seu jovem quarterback. Essa fórmula permanece inalterada: enquanto a OL continuar dominante, os Cowboys podem chegar longe.

Já os WRs Cole Beasley, Dez Bryant e Terrance Williams somaram para 169 recepções, 2223 jardas e 17 touchdowns, uma das melhores unidades da NFL. E enquanto Bryant continua a ser a grande estrela, Beasley, que liderou a equipe em recepções (75), se mostrou uma opção de segurança para Dak. Há ainda o TE Jason Witten, que renovou seu contrato durante a offseason e terminará sua carreira em Dallas – mas apesar de ter jogados as 16 partidas pela 13ª temporada consecutiva, aos 36 anos, parece difícil que Witten siga produzindo efetivamente.

Preenchendo o vazio

Não parece surpresa que Dallas tenha investido suas três primeiras escolhas de draft para reforçar o setor defensivo: a unidade foi fraca quando comparada ao ataque, terminando na 14ª posição da NFL.

Foram 36 sacks, cinco a mais que em 2015, mas mesmo assim a temporada  foi a quinta consecutiva em que a defesa dos Cowboys terminou fora do top 10 da liga. Dallas, aliás, não tem um jogador com dígitos duplos em sacks desde que o DE Jason Hatcher conseguiu 11 em 2013.

Talvez por isso a escolha de primeira rodada tenha sido usada no DE Taco Charlton, de Michigan, trazido para reforçar a linha defensiva (adendo: nenhum jogador da equipe teve mais que seis sacks na temporada passada). Além dele, o setor também espera mais de Demarcus Lawrence, que teve oito sacks em 2015, mas viu o número despencar para apenas um na temporada passada – pese o fato de que ele esteve em campo em apenas nove partidas, devido a uma cirurgia nas costas.

Já na secundária, Dallas perdeu os CBs Brandon Carr e Morris Claiborne e os S Barry Church e JJ Wilcox. Claro, nenhum dos quatro possui números que saltam aos olhos e podem ser considerados perdas irreparáveis, mas enquanto grupo eles contribuíram com 254 tackles, 5 interceptações e 28 passes defendidos na temporada passada – a responsabilidade agora está com uma turma de novatos, que têm potencial, mas não sabemos como se sairão.

Palpite: em Dallas, tudo parece um pouco demais. É, ainda, muito cedo, para o nível de otimismo que se instalou. Prescott pode ter uma segunda temporada maravilhosa, e ainda assim não ter os mesmos números de seu ano de estreia. A defesa está longe de ser uma das melhores da NFL; e um ou dois contratempos, envolvendo Dak, Bryant, Elliott ou mesmo a OL, pode fazer tudo desmoronar – além disso, o calendário não será fácil. De qualquer forma, um número maior que 10 vitórias é factível e o Cowboys pode estar na pós-temporada. Mas também pode facilmente perder o controle da divisão.

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

Tony Romo ou o melhor quarterback que não soubemos valorizar

Era uma tarde de 28 de dezembro de 2008 quando Tony Romo nos mostrou, sem pudor algum, tudo aquilo que o definia; na semana 17 daquela temporada regular, o Eagles anotara 38 pontos na cabeça do Dallas Cowboys e a franquia do Texas estava mais uma vez fora da pós-temporada. Após o jogo, Romo encara os repórteres e diz:

“Se está é a pior coisa que irá acontecer comigo, então tive uma vida muito boa”.

Se naquele dia parecia que Romo não tinha a real noção da importância do football hoje, olhando em retrospecto, percebemos que na verdade nós estávamos errado: Romo tinha a noção exata do que significava, de sua representatividade e da pessoa que se tornara. Somente aquele mesmo Tony Romo seria capaz de sentar ao lado do gramado e assistir a ascensão de Dak Prescott, somente ele saberia a hora exata de sair de deixar os holofotes.

Perspectivas

Quando Romo foi ao chão em setembro passado em duelo desimportante da pré-temporada contra o Seattle Seahawks, a pior parte da notícia em si foi que, no fundo, ninguém pareceu surpreso. Quando tudo ganhou forma e soubemos que uma lesão nas costas o tiraria de ação por algo entre 6 a 10 semanas, não houve choque: houve apenas um misto de tristeza e resignação.

O ar de inevitabilidade, a constatação que Tony tinha à sua disposição provavelmente o melhor Dallas desde que assumira a condição de titular em 2006, tornava tudo ainda mais decepcionante. O que importava, naquela situação, era mais do que a lesão ou o que o Dallas Cowboys perderia com ela: era um momento sobre o que Tony acabaria perdendo.

Não se vá.

Construindo uma equipe para Romo

Entre 2010 e 2014 o Dallas Cowboys seguiu um plano desenvolvido sob medida de maneira perfeita; naquele período, eles usaram quatro de suas cinco escolhas de primeira rodada nos drafts seguintes em peças que se tornariam fundamentais à franquia: o WR Dez Bryant, inegavelmente um dos grandes nomes da NFL, e os integrantes daquele que se consolidaria como uma das melhores linhas ofensivas da liga (Tyron Smith, Travis Frederick e Zack Martin).

O resultado foi um jogo corrido extremamente eficiente, combinado a uma proteção sólida, que permitia a Romo o tempo necessário para encontrar Dez livre 30 ou 40 jardas após o snap. Era um esquema moldado para potencializar o impacto de um quarterback já flertando com seus 35 anos e, enfim, após muitas temporadas em que Romo precisava fazer muito, encontrar soluções e escapar da pressão, agora ele tinha a oportunidade de fazer o que ele sempre fez com eficiência: passes rápidos e precisos e, quando necessárias, bombas de mais de 35 jardas.

Dessa forma, aos 34 anos, ele registrava a melhor temporada de sua carreira: foram 12 vitórias como titular, o primeiro lugar da NFL em porcentagem de conclusão de passes (69,9%) e em jardas por tentativa (8,5) – Aaron Rodgers terminaria aquele ano como MVP indiscutível, mas mesmo assim é inegável que Romo teve uma temporada digna de ser também um real candidato ao prêmio.

Mas quando Dallas foi eliminando em uma decisão polêmica após um passe incompleto para Dez Bryant, a sensação predominante era que Romo e o Cowboys haviam perdido apenas uma oportunidade, afinal, com um ataque terrestre dominante, Bryant em seu auge e Tony na sua melhor forma desde que iniciara sua carreira profissional, era razoável crer que a franquia iria se manter no topo da NFC por mais duas ou três temporadas. Porém, desde aquela derrota, Romo entrou em campo em apenas cinco oportunidades, terminando partidas somente duas vezes.

Um dos caras mais fáceis de gostar (mas o mais difícil de depositar suas esperanças)

Você sabe como Antonio Ramiro entrou nas nossas vidas? Da mesma forma que Tom Brady, em um jogo transmitido nacionalmente, substituindo Drew Bledsoe. Ok, ele nunca levou o Cowboys à glória como Tom levou New England, mas desde seus primeiro momentos injetou energia em um ataque até então inerte, levando uma franquia aparentemente quebrada aos playoffs em 2006 após nove vitórias. O que vem a seguir, porém, todos sabemos.

E a primeira grande frustração, em um FG potencialmente vencedor, deu tom a uma narrativa que seguiria Tony Romo desde aquele dia: para qualquer sucesso de sua trajetória (e foram muitos), sempre haveria mais densidade em suas falhas.

Já no ano seguinte, o Cowboys conquistou 13 vitórias, Romo lançou para 36 TDs, mas no fundo, ele estava muito ocupado passeando com Jessica Simpson pelo México – e, acreditem, a reação da imprensa foi semelhante a ocorrida após o passeio de barco de Odell Beckham e seus amigos.

Tudo era condicionado a fortalecer a narrativa de que Tony podia ser um excelente quarterback, mas lhe faltava aquele fator decisivo, aquele timing que só aqueles que têm a real importância do significado do football possuem: ele era bom o suficiente para ganhar jardas e mais jardas, mas não tinha consigo algo intangível, que só gente como Troy Aikman tinha, que só quem não parecia distraído tinha, já que Romo estava ocupado jogando golfe nas horas vagas e tentando participar do US Open. Ou perdia tempo namorando estrelas como a já citada Jessica Simpson e Carrie Underwood – não importando que Carrie tenha declarado que o relacionamento acabou porque “Tony se importava muito com football”.

Romo viveu o football, mas também viveu além do football. E talvez esse tenha sido seu único “erro”.

Um cara massa.

Você ainda não sabe que sentirá saudades

A hipótese de que qualquer atleta teve sua carreira, seus melhores anos roubados por lesões, é extremamente dolorosa. Mas com Romo, de alguma forma, é ainda pior: a ideia de que Tony é realmente um dos melhores quarterbacks da NFL contemporânea demorou anos para se inserir no inconsciente coletivo.

Tudo isto é traduzido naquele que foi, sem dúvida, seu maior momento como atleta. E naquela fração de tempo, ele não estava levantando um troféu ou anotando touchdowns; ele estava em uma sala, expondo aquilo que melhor o definia.

“Você está triste e para baixo e se pergunta por que isso aconteceu. E neste momento você descobre quem você realmente é, qual sua essência. Você vê que o football é uma meritocracia e nada lhe é dado de graça. Você tem que ganhar tudo, todo dia, tudo de novo. Você tem que provar. É assim que a NFL funciona e é assim que o football funciona”.

A lesão contra o Seahawks o colocara em um lugar em que ele jamais estivera:

“Machucado dois anos em sequência, no meio de seus 30 anos. A imprensa está falando. Todos têm dúvidas, você passou sua carreira trabalhando para chegar aqui. E agora tem que começar tudo de novo. Você se sente quase um estranho. É um lugar sombrio”.

Naquele 15 de novembro, Tony esteve em sua encruzilhada particular, um momento entre ser Tony Romo ou um quarterback definido pelas oportunidades perdidas. Mas você consegue imaginar Tom Brady na sideline enquanto assiste Jimmy Garoppolo levantar o Vince Lombardi? Consegue imaginar Drew Bledsoe aceitando o papel de backup de um calouro selecionado no sexto round? Consegue imaginar Brett Favre estendendo um tapete vermelho para Aaron Rodgers? Bem, se para a primeira situação é possível argumentar que não existe uma resposta concreta, não é possível dizer o mesmo sobre as duas seguintes.

“Há momentos especiais que aparecem, nos quais há um comprometimento compartilhado, tendo um papel enquanto todos fazem as coisas juntos. É isso que você se lembra, não suas estatísticas ou seu prestígio, mas seus relacionamentos e os feitos que você criou junto de um grupo. É difícil fazer isso, mas há muita alegria em fazê-lo. Ao mesmo tempo, queima o desejo de ser o melhor que você jamais foi. Você pode ser ambos”.

As mesmas características que fizeram Romo um quarterback distante da perfeição, lhe ofereceram um outro tipo de grandeza – maior que qualquer esporte pode conferir. O Tony Romo naquela sala de imprensa em 15 de novembro de 2016 era exatamente o mesmo que em dezembro de 2008 afirmara que tivera “uma vida muito boa”: alguém ciente de que há algo além do football do que podemos supor.

Por muito tempo, Tony entrou em um campo e jogou football – e ele foi muito, muito bom naquilo que se propôs a fazer. Mesmo que, apesar de todo seu esforço e sua luta contra lesões, alguns insistissem em não enxergar. Hoje, seu corpo e mente dizem que é hora de ir e, bem, ele já fez alguns milhões de dólares enquanto se divertia nesse esporte, ele não precisa mais jogar.

Agora é hora de continuar se divertindo enquanto assiste Dak e seus antigos companheiros lutarem em campo: é hora de viver, Tony. E, como você mesmo disse, “se isto é o pior que lhe aconteceu, você teve uma vida muito boa”.

Tony Romo e a eterna busca pelo quarterback ideal

A situação de desespero completo enfrentada por alguns times evidencia uma das verdades mais inconvenientes da NFL: encontrar um franchise QB é uma tarefa muito complicada. Pode parecer difícil de acreditar, mas aparentemente não existem 32 seres humanos capazes de comandar um ataque com a mínima competência e se tornar a base ao redor da qual uma franquia de sucesso é construída.

Em 2017, a ausência de oferta em um mercado com alta demanda para preencher vagas disponíveis na posição mais importante parece ainda mais acentuada. Se você acha que é exagero, reflita: dos 32 times da NFL, pelo menos oito (25% da liga) vivem situações que vão do desespero completo a dúvidas significativas quanto à capacidade de seus QBs.

Se existisse um ranking do desespero na busca por um quarterback, certamente San Francisco 49ers, New York Jets, Cleveland Browns e Chicago Bears estariam brigando acirradamente pelo topo, já que não têm absolutamente nenhuma opção viável na posição.

O 49ers, depois de dispensar Blaine Gabbert e de Colin Kaepernick ter optado por deixar o time, chega ao cúmulo de não ter nenhum QB em seu roster atual e é a escolha óbvia para time mais desesperado. O Jets não fica muito atrás, contando apenas com os inexperientes e fracos Bryce Petty e Christian Hackenberg no elenco. Em 2016, Browns e Bears até conseguiram extrair de Robert Griffin III, Cody Kessler e Matt Barkley algumas apresentações que se aproximaram um pouco da linha da mediocridade, mas é difícil acreditar que estejam cogitando iniciar a temporada 2017 apenas com essas opções.

Já Los Angeles Rams e Houston Texans vão pagar em 2017 por erros cometidos em momentos de desespero: na busca por um QB, ambos fizeram investimentos altos em Jared Goff e Brock Osweiler e viram a coisa desandar de maneira retumbante. Mas justamente por terem investido tanto em dois jogadores tão ruins, talvez seja necessário mais um ano de sofrimento para que então a ficha caia definitivamente; hoje, são equipes que vão pensar no futuro da posição, mas que não serão tão agressivas quanto os quatro primeiros aqui citados.

Outras duas incógnitas são Buffalo Bills e Jacksonville Jaguars, que estão em uma espécie de purgatório, já que Tyrod Taylor e Blake Bortles já deram sinais de que podem ser o futuro das franquias, mas também deram indícios de que podem colocar tudo a perder. A situação de Bortles em Jacksonville parece ser mais confortável, já que o time vai esperar que sua escolha de primeiro round volte a ter o desempenho apresentado em 2015. Tyrod tem um futuro mais incerto em Buffalo: o time está visivelmente incomodado em se comprometer com os altos salários do contrato atual do QB. Mas diante das opções disponíveis e de um bom potencial de crescimento do jogador, o Bills não deveria pensar duas vezes em ficar com Taylor e evitar entrar no grupo dos times verdadeiramente sem nada a se apegar.

O número de desesperados não é ainda maior porque não consideramos situações potencialmente complicadas, como a do Miami Dolphins, com a contusão e com as performances medianas de Ryan Tannehill, a do Denver Broncos, com um jogador mediano em Trevor Siemian e um projeto a longo prazo em Paxton Lynch, e a do Minnesota Vikings, que não sabe quando ou mesmo se Teddy Bridgewater voltará a jogar e, enquanto isso, terá que depender do modorrento Sam Bradford. Se esses três times entrassem na estatística dos desesperados, um terço da liga não teria um QB decente. É assustador.

Flw, vlw.

Procurando soluções

Para suprir a demanda pela posição mais importante do football, nada como gastar um bom dinheiro na Free Agency, não é mesmo? Infelizmente, a coisa não é tão simples assim. Colin Kaepernick, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick encabeçam uma lista de Quarterbacks Free Agents nada inspiradora, que ainda conta com nomes obscuros como Brian Hoyer, Josh McCown, Blaine Gabbert, Case Keenum e Mark Sanchez. Nenhum desses jogadores, seja pela qualidade técnica ou por habilidade de liderança, é a solução para times fracos que precisam de performances consistentes.

Se a Free Agency não vai trazer soluções, o otimista pode pensar que do draft podem surgir algumas surpresas, como Dak Prescott. Pode acontecer, é claro, mas se apegar a isso é como dar um tiro no escuro. A chance de acertar é muito pequena, especialmente porque o calouro, por mais talentoso que seja, teria que carregar um New York Jets ou um San Francisco 49ers nas costas.

Além disso, não existem unanimidades na classe de calouros de 2017: não há nenhum Andrew Luck e nenhum Cam Newton, por mais que os agentes tentem nos fazer acreditar no contrário. Escolher um QB no draft desse ano será a prova de fogo para os scouts e dificilmente um milagre acontecerá. Nunca se esqueçam: para cada Russell Wilson descoberto no terceiro round, aproximadamente 37 Christian Ponders são draftados no primeiro.

A melhor opção

No meio dessa bagunça toda está um dos melhores QBs da NFL quando saudável e, provavelmente, o principal nome entre os disponíveis no mercado: Tony Romo.

Sem espaço no Dallas Cowboys após a inesperada ascensão de Dak Prescott, é bem provável que Romo seja trocado ou dispensado pelo Cowboys. Apesar de carregar a fama de “amarelão”, principalmente por situações que aconteceram no início de sua carreira, Tony tem sido um dos quarterbacks mais produtivos e regulares dos últimos anos na NFL.

E não seria exagero nenhum dizer que Romo é melhor que Prescott, se desconsiderados os fatores idade e tendências a contusões. Dallas tem a sorte de ter dois jogadores que poderiam tranquilamente ser a solução para qualquer time da liga, mas pensando no futuro, terá que dispensar ou trocar o melhor deles: é difícil imaginar um cenário em que Tony Romo esteja vestindo a camisa do Cowboys em 2017 e, certamente, todos os 11 times já mencionados até aqui estão salivando para tê-lo.

O problema é que a escolha será, principalmente, do próprio Romo. Em caso de dispensa, o jogador se tornaria Free Agent e poderia negociar com qualquer time da liga. Se Dallas resolver trocá-lo, em respeito pelo que tudo que Tony já fez pela franquia, é provável que o jogador seja consultado antes que negócio seja concretizado. De qualquer forma, Romo é o senhor do seu próprio destino e, nesse ponto de sua carreira, já com muito dinheiro no bolso, é provável que escolha um time que lhe dê uma possibilidade mais palpável de título, o que colocaria um ponto final em uma carreira consistente.

Seguindo essa lógica e pensando também nas necessidades dos times, vamos especular sobre os melhores destinos para Tony Romo. E também sobre situações em que, bem, seria melhor considerar aposentadoria – ou o suicídio.

I’ve been waiting all day for Sunday Night.

O paraíso: Denver Broncos

Denver parece ser um time que está a um QB de distância de voltar para o Super Bowl. A defesa segue dominante e o ataque conta com jogadores talentosos, como Demaryus Thomas e Emmanuel Sanders. Nesse contexto, Tony Romo não chegaria como o salvador da pátria, mas sim como a peça que faltava para completar um time que já é muito bom. Como Denver não toma muitos pontos e prefere correr com a bola, a escolha seria a ideal para Romo inclusive se forem considerados os riscos de contusão, já que no esquema do Broncos, o QB não é tão exigido. Para Denver, além de aumentar bastante as chances de um retorno ao SB, ter Romo como uma ponte para o início da era Paxton Lynch também não é uma má ideia.

Um relacionamento quase perfeito: Houston Texans

O Texans é um time muito parecido com o Broncos: tem sua principal força na defesa, adora correr com a bola e tem bons jogadores no ataque. A diferença é que o conjunto do Texans, apesar de DeAndre Hopkins e JJ Watt, não é tão talentoso quanto o de Denver e Romo estaria um pouco mais distante de um título. As vantagens estão em permanecer no Texas e não estar submetido ao clima de Denver. Além do fato de que vencer a AFC South também é bem mais fácil que vencer a AFC West.

Nem o céu, nem o inferno: Chicago Bears

Pode parecer estranho citar o Chicago Bears, que terminou 3-13 na última temporada, como uma boa opção para Tony Romo, mas o time parece ter o tipo de talento ofensivo do qual ele conseguiria tirar proveito. É claro que essa afirmação depende muito da nada certa renovação de contrato do WR Alshon Jeffery. Se renovar, além de Jeffery, Romo teria à disposição Kevin White, que apesar de ainda não ter mostrado todo seu potencial desde que chegou à NFL, era considerado um dos WRs mais talentosos da classe de 2015. O Bears também tem um jogo corrido muito forte com o surpreendente Jordan Howard. Em Chicago, Romo ainda estaria bem distante de um título, mas é uma opção melhor que as demais – exceto se o Minnesota Vikings decida se livrar de Sam Bradford.

O fundo do poço: San Francisco 49ers

O 49ers é muito ruim e ainda está em uma das divisões mais difíceis da NFL em termos de defesas adversárias. A não ser que queira apanhar constantemente das defesas de Arizona Cardinals, Los Angeles Rams e Seattle Seahawks, é melhor para Romo ficar bem longe da lixeira que é San Francisco hoje.

Martírio sem fim: New York Jets

O Jets acaba de perder o WR Brandon Marshall e o C Nick Mangold, um dos melhores da liga. Sobraram apenas os já não tão novinhos Erick Decker e Matt Forte em um ataque bem fraco. Não existe motivo algum para Tony Romo ir para New York passar frio, enfrentar uma imprensa insuportável e não ter chance nenhuma nem de ganhar a divisão, que já tem dono há anos. Não faça isso, Tony!

É preciso estar louco: Buffalo Bills

O Bills não vai aos playoffs há 17 anos. E não é apenas um Tony Romo que vai mudar essa situação. O time tem muitos pontos de interrogação, tanto no ataque quanto na defesa. Não se sabe com certeza o real estado de saúde do WR Sammy Watkins e o RB LeSean McCoy já tem dado declarações desmotivadas. Junte isso a uma comissão técnica nova, ao frio de Buffalo e terá a receita perfeita para o desastre.

Análise Tática #1 – As melhores e piores jogadas da semana 1

TD mais longo da história do New Orleans Saints

Como a jogada começava na linha de 2 jardas, o Saints optou por incluir um jogador de linha ofensiva a mais no lado direito da linha, ficando com seis bloqueadores, um TE, dois WRs e um RB em campo. Com a linha ofensiva do Saints congestionada, principalmente do lado direito, e acreditando que Brees entregaria a bola para a corrida do RB, o Raiders deixou oito jogadores próximos à linha de scrimmage, para evitar o avanço terrestre. Apenas dois CBs ficaram na marcação individual dos WRs e um Safety ficou posicionado do lado esquerdo do ataque.

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Cooks, na parte de baixo da imagem, não teve grandes dificuldades de se livrar do marcador. O Safety, que antes do snap estava posicionado do lado esquerdo do ataque do Saints, deu alguns passos em direção ao meio do campo, o que foi o estopim para que Brees decidisse para onde lançaria a bola.

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Quando perceberam que não se tratava de jogo corrido, os LBs do Raiders recuaram para fazer a cobertura do passe, o que foi completamente inútil, já que não havia jogadores do Saints no meio do campo. Com um jogador a mais na linha ofensiva e com os LBs todos na cobertura do passe, Brees não chegou nem perto de ser pressionado. Quando o Safety conseguiu fazer a leitura da jogada e voltar para o lado esquerdo, Cooks já tinha conseguido uma jarda de vantagem sobre o CB.

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Quando recebeu o passe, Cooks já estava a duas jardas do marcador. O Safety, que determinou o destino da jogada com sua leitura equivocada, não teve velocidade para alcançar o veloz recebedor do Saints.

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E então foi só comemorar e entrar para a história: Brandin Cooks quebrou o recorde de TD mais longo do New Orleans Saints. Foram 98 jardas, conquistadas sem muito esforço, em um passe perfeito de Drew Brees.

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Garantindo a derrota

Terrance Williams foi extremamente criticado por uma jogada estúpida nos últimos segundos do jogo do Dallas Cowboys contra o New York Giants. Com apenas 12 segundos no relógio, Dallas estava na linha de 45 jardas do próprio campo e precisava de um avanço de mais ou menos 15 jardas para ter uma chance real de chutar o FG da vitória. Além disso, como não tinha mais tempos para pedir, precisava que o recebedor saísse de campo para parar o relógio. Por isso, três dos quatro recebedores que estavam em campo tinham rotas em direção à lateral.

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Quando recebeu o passe de Dak Prescot, Williams estava na linha de 48 jardas do campo do Giants e ainda havia 10 segundos no relógio. Com um marcador à sua frente e aparentemente afetado por um caso raro de diarreia mental, Williams optou pelo avanço pela rota em vermelho e sofreu o tackle quase em cima da linha de 40 jardas, dentro de campo, o que fez com que o relógio continuasse correndo.

Se considerarmos que Williams foi derrubado quando ainda faltavam sete segundos para o fim do jogo e que talvez esse fosse o mesmo tempo que ele levaria para sair do campo e parar o relógio, dá pra imaginar que Dallas teria a bola em mãos, na linha de 45 jardas do Giants, com a possibilidade até de fazer outra jogada rápida para diminuir a distância do chute. Na pior das hipóteses, Dan Bailey teria que tentar um FG de 62 jardas, que é muito difícil, mas não impossível, considerando que o recorde da NFL de FG mais longo é de 63 jardas.

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O também WR Dez Bryant, obviamente uma pessoa com maior capacidade mental, quase enlouqueceu tentando indicar o caminho correto para seu companheiro cuja inteligência é reduzida.

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No final da história, Williams acabou caindo na linha de 41 jardas, o relógio correu e o jogo acabou, para a felicidade das pessoas de bem que torcem para o New York Giants.

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 E um TD bonito para seguir acreditando no football

Charles Sims, RB do Tampa Bay Buccaneers, foi o responsável por um dos TDs mais bonitos da semana 1 da NFL, no jogo contra o Atlanta Falcons. Na linha de 23 jardas do campo de ataque, o Bucs colocou em campo um RB, Sims, e quatro recebedores. Com exceção do jogador próximo a linha de scrimmage, do lado esquerdo, que fez um bloqueio e depois correu para uma rota curta, os recebedores tinham todos rotas em profundidade. Como optou por não mandar nenhum jogador para blitz, todos os LBs e jogadores da secundária do Falcons voltaram para a marcação do passe em profundidade.

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Com todos os recebedores bem marcados e com um vazio enorme no meio do campo, o QB Jameis Winston optou por lançar a bola para seu RB, que estava completamente sozinho na linha de 20 jardas.

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Quando recebeu a bola, Sims foi imediatamente marcado por quatro jogadores do Falcons, sem contar o jogador no começo da endzone. Ou seja, entre Sims e o TD, havia cinco jogadores do Falcons.

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Em uma aula de como não efetuar um tackle, os quatro atletas Falcons que estavam cercando Sims conseguiram levar um corte vergonhoso e permitiram a passagem do RB do Bucs.

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A partir daí, foi só aproveitar o bom bloqueio do TE Austin Seferian Jenkins, superar o último jogador do Falcons incapaz mentalmente e comemorar o TD.

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