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Alex Smith como você nunca viu

Um dos maiores erros cometidos quando falamos de draft – e dos jogadores nele selecionados – é acreditar que se trata de uma ciência linear. Nós achamos que os resultados são sempre constantes em função do jogador selecionado, e tudo que muda é o time que escolheu uma pessoa ao invés da outra.

O melhor exemplo recente disso é Dak Prescott, selecionado pelo Cowboys na quarta rodada e que se tornou um dos melhores jovens QBs da NFL. Muitos analistas começaram a apontar o grande erro de estratégia dos outros times da NFL em não selecionar um jovem franchise QB em Prescott quando tiveram a chance, esquecendo que o próprio Cowboys passou Dak três vezes e só selecionou o camisa 4 depois de não conseguir DUAS opções que preferiam a ele, Paxton Lynch e Connor Cook (cuzão).

Mas o mais importante as pessoas estão esquecendo: caso Dak Prescott não fosse para Dallas, existe uma chance bastante considerável de que ele nunca teria tido o 2017 que teve, e não teria se tornado o QB que aparenta ser hoje. Ambiente, complementos e desenvolvimento contam muito para a evolução de qualquer jogador, e Dak pode passar seu ano de calouro jogando atrás da melhor linha ofensiva da NFL, complementado por um devastador ataque terrestre que tirava a atenção da defesa de suas costas.

Pense nisso: se Prescott tivesse acabado em um time como o Browns, passado o ano todo tendo que se preocupar em fugir da pressão atrás de uma linha ofensiva ruim, precisando lançar bolas demais por jogar atrás no placar, e sem um jogo terrestre dominante, podem ter certeza que Prescott não teria se desenvolvido tão bem e hoje não seria visto como metade do jogador que é em Dallas. Contexto importa, desenvolvimento importa ainda mais, e esquecemos disso com uma frequência impressionante.

Comparação

Na história recente da NFL talvez não exista um melhor exemplo disso do que Alex Smith. Primeira escolha no draft de 2005 – 23 escolhas antes de Aaron Rodgers – Smith durante muito tempo foi considerado um dos grandes busts da história da NFL.

As estatísticas ajudavam a ratificar essa impressão; entre 2005 e 2010, Alex Smith jogou 54 jogos e completou apenas 57.1% dos seus passes, com 51 TDs, 53 INT, 6.2 Y/A, 5,3 AY/A e um rating de 72.1. Com Aaron Rodgers assumindo a titularidade e se tornando uma superestrela em Green Bay, a narrativa cada vez mais forte era de que o 49ers tinha feito a escolha errada.

Mas embora seja muito provável que San Francisco realmente tenha feito a escolha errada, assumir que o resultado teria sido o mesmo (mas trocado) para os jogadores e times envolvidos é ignorar os trajetos totalmente opostos que Smith e Rodgers enfrentaram na NFL. Smith, quando chegou a San Francisco como escolha #1, enfrentou a pior situação possível para o desenvolvimento de um jovem QB: colocado logo de cara no fogo, atrás de uma horrível linha ofensiva e sem alvos para ajudá-lo, Alex passou seus primeiros anos correndo pela vida, incapaz de desenvolver as habilidades certas por estar sempre precisando jogar atrás no placar e fugir da defesa adversária.

Além disso, em seus primeiros sete anos de NFL, Alex Smith teve seis técnicos e sete coordenadores ofensivos diferentes, um constante fluxo de mudanças que impediam que o jovem QB aprendesse e desenvolvesse um playbook consistente, e cada troca vinha com novas adaptações, novas mudanças, e novas jogadas. Adicione a isso lesões no ombro – geradas e agravadas pelas repetidas pancadas sofridas atrás dessa fraca linha ofensiva – e a verdade é que Alex Smith nunca recebeu em seus anos formadores a condição de se desenvolver e ter sucesso como QB titular de NFL.

Do outro lado, Rodgers teve a melhor situação possível. Ficou três anos aprendendo com a tutela de um QB Hall of Famer (Brett Favre), sem nenhuma pressão ou desespero. Seu técnico, seu playbook, seu estilo de jogo – tudo permaneceu constante desde que chegou à NFL, o que ajudou demais seu desenvolvimento. Quando Rodgers enfim se tornou titular em 2008, estava muito mais maduro e pronto, conhecedor de um playbook estável, em um bom time. A chance de alguém se desenvolver assim era muito maior.

Então sim, é possível que Rodgers desde o começo simplesmente fosse melhor que Smith e merecedor da escolha #1. Mas a verdade é que, se você trocasse Smith e Rodgers na noite do draft, a carreira de ambos teria sido totalmente diferente. Smith nunca teria lidado com tantos problemas e teria se desenvolvido melhor, e Rodgers nunca – repetindo: NUNCA – teria se tornado o QB que é hoje se tivesse começado sua carreira na horrível situação que lhe seria proporcionada pelo 49ers, desenvolvendo maus hábitos e com aprendizado interrompido por constantes mudanças e uma péssima infraestrutura.

A sorte bate a porta

A sorte – e a narrativa sobre a carreira – de Smith mudou em 2011, com a chegada de Jim Harbaugh. Pela primeira vez Smith tinha não apenas um bom técnico e ótimo mentor de QBs para guiá-lo, como também não precisava ser ou se desenvolver em alguém que não era. Harbaugh desenhou todo o playbook do 49ers não em torno de algo que Smith deveria ser, mas do que ele tinha de melhor: a inteligência, paciência, precisão nos passes e boa leitura de jogo.

Agora, atrás de uma boa linha ofensiva e um poderoso jogo terrestre, e complementado pela melhor defesa da NFL, Smith não precisava fazer passes difíceis ou soltar grandes bombas para vencer. O 49ers precisava que ele tomasse conta da bola, trabalhasse o play action, tomasse boas decisões e fosse um complemento, uma peça a mais em um time completo e muito bem montado.

Em 2011, Smith teve seu melhor ano na carreira até então, completando 61.7% dos passe para 17 TDs e 5 INTs, 7.1 jardas por passe (Y/A) e 7.3 jardas ajustadas por passe (AY/A). Com Smith no comando, o 49ers chegou até as Finais da NFC e só não foi ao Super Bowl por conta de dois fumbles em retornos de punt (a atuação de Smith contra o Saints nos playoffs ainda é uma das mais impressionantes da história recente da NFL).

No ano seguinte, porém, Smith acabou indo para o banco depois de uma lesão em favor do maior potencial de Colin Kaepernick, mas novamente vinha tendo um grande ano: 70.2%, 13 TDs, 5 INTs, 8,0 Y/A, 8.1 AY/A. Ao todo, Alex Smith jogou 26 jogos completos sob Jim Harbaugh, e o 49ers venceu 20 deles.

Mas apesar do sucesso individual e coletivo sob Harbaugh, Smith ainda continuava preso aos rótulos. Se agora não era mais o rótulo de bust, o fracasso no draft, agora era um novo: “Game manager”. A ideia era de que Smith tinha sucesso por ser alguém que apenas “gerenciava” o jogo, alguém que só era capaz de evitar erros, dar a bola para o running back, e confiar na defesa – ele não perdia jogos, mas não ganhava, então só teria sucesso em um time que pudesse ganhar jogos por ele. E, apesar de performances como seu lendário jogo contra o Saints em 2011, por exemplo, começou a se espalhar a ideia de que ser um QB sólido, consistente, que fazia as coisas para ajudar seu time a ganhar, mas não lançava para 300 jardas e 3 TDs, não era uma coisa BOA – o que é bastante idiota.

Talvez fosse verdade de que Alex Smith não seria capaz de carregar nas costas rumo ao sucesso um elenco medíocre como, por exemplo, o do Colts, mas até quantos QBs na NFL seriam? Cinco? Ser um QB capaz de levar um bom time longe era bastante valioso por si só, mas a narrativa fez parecer uma coisa ruim, com se Alex fosse incapaz de fazer mais.

Nas seis temporadas desde a chegada de Harbaugh (duas em SF e quatro em Kansas City), Smith jogou 85 jogos na temporada regular como titular, seu time venceu 60 delas e foi cinco vezes aos playoffs (incluindo 2012). E, de alguma forma, a narrativa fazia crer que Smith ainda não era um QB bom o suficiente para ser um titular de um time que aspirasse a mais na NFL.

Trabalhando dentro do limites

As críticas a Smith se baseavam no seu estilo de jogo. Suas forças indiscutivelmente estavam nos passes curtos, na precisão, no controle de jogo e na inteligência, e muito de seus playbooks foram montados em torno dessas características, de forma a minimizar as jogadas de alto risco e focar em eficiência e ganhos curtos. Dadas as forças e fraquezas de Smith, era uma forma inteligente de montar seu ataque, mas não significava que o camisa 11 não era capaz de fazer nada mais.

E, no entanto, foi assim que a narrativa se desenvolveu, ao ponto de que seu próprio time – que foi aos playoffs três vezes na divisão mais competitiva da NFL com Smith – foi atrás de um substituto no draft, trocando múltiplas escolhas para selecionar Pat Mahomes, um quarterback bastante cru, mas com um braço extremamente forte. Ou seja, exatamente o oposto de Smith. O tempo de Alex Smith em Kansas City parecia contado, e os pedidos para que Mahomes fosse titular aumentavam a cada dia, dizendo que era a única chance do Chiefs de subir de patamar ofensivamente.

O verdadeiro MVP

Tudo que Smith fez desde então foi devorar planetas e chutar bundas. Em cinco semanas de NFL, Alex Smith tem sido talvez o melhor jogador da liga. Seus números parecem coisa de videogame: 76.6% de aproveitamento, 11 touchdowns, 0 interceptações, 8.8 jardas por passe, 10.2 jardas ajustadas por passe, 125.8 de rating, 68.1 QBR – tirando touchdowns (onde Smith era #3 depois da Semana 5) e QBR (#4), todas essas marcas lideram a NFL com MUITA folga.

Após cinco rodadas, Smith e o Chiefs tem a melhor campanha da NFL a 5-0, e tem o melhor time, melhor ataque, e o melhor ataque aéreo da NFL (em DVOA), tendo vencido no processo os times #2 (Washington), #5 (Eagles) e #6 (Houston) da NFL em DVOA (além de New England, atualmente #22). Sob qualquer medida possível, é um dos inícios individuais e coletivos mais dominantes da história da NFL, e embora seja precoce falar isso, Smith parece hoje um dos favoritos ao prêmio de MVP da liga, enquanto Kansas City vai se consolidando como o time a ser batido de 2017. Os pedidos por Pat Mahomes parecem a cada dia mais distantes.

Como diabos isso está acontecendo

Mas o mais interessante não é só que Smith tem jogado em nível MVP, mas sim como isso está acontecendo. Durante anos, a história contada sobre Alex Smith era de que seu braço era fraco demais para a NFL, um QB incapaz de fazer passes longos e que só conseguia ser eficiente, o que era de certa maneira um reflexo de seu estilo de jogo; de acordo com o site especializado Football Outsiders, até o começo da temporada 2016 Alex Smith era o quarterback cujos passes viajavam a menor distância em toda a NFL, com seus passes viajando 6.81, 5.97 e 6.87 jardas além da linha de scrimmage em média durante suas três primeiras temporadas no Chiefs (2013-2015). Em 2016, apenas 9,4% de seus passes (46) viajaram mais de 20 jardas no ar, segunda pior marca da NFL entre QBs qualificados, e completou apenas 32.6% deles para 521 jardas e 2 TDs contra 2 interceptações, um rating medíocre de 72.8.

Elite?

Em 2017, no entanto, a história tem sido outra. Nessas cinco rodadas, 12% (19) dos passes do camisa 11 tem sido de mais de 20 jardas, uma marca que teria sido #11 em 2016. Sua média de distância no ar por passe também subiu consideravelmente, para 7.7 em 2017, 18ª melhor marca da NFL (entre 33 QBs qualificados). Smith está lançando bolas longas e passes mais distantes com frequência maior do que em qualquer momento na carreira desde sua volta por cima em 2011, e seus resultados também tem sido melhores do que nunca: nesses passes Smith tem aproveitamento de 57.9% (#1 na NFL), com 440 jardas (#2 na NFL) e 3 TDs (#2 na NFL) contra 0 interceptações, que garantem um rating de 142.0 – a melhor marca de toda a liga.

Alguns desses passes foram jogadas fáceis, como o TD de Tyreek Hill contra o Patriots em uma falha de marcação, mas outros tem sido passes difíceis absolutamente perfeitos, como esse passe maravilhoso para Travis Kelce em rede nacional contra o Redskins, o TD de Hill contra o Chargers e a perfeita bomba para Hill na lateral contra o Texans – jogadas que mostram bastante habilidade e toque nos passes em profundidade.

Essa nova faceta do seu jogo tem um efeito bem maior do que somente as jogadas longas em si. Antes, era muito mais fácil para as defesas se aproximarem da linha de scrimmage – até como precaução contra o forte jogo terrestre do Chiefs – de forma a evitar os passes curtos, e desafiando Smith a vencer com passes longos que castigassem essa formação. Agora que as defesas precisam se preocupar com os passes longos, forçando os safeties a jogarem mais atrás e a defesa a respeitar a zona intermediária, abre-se demais o campo para o jogo terrestre e os passes curtos (ainda a especialidade de Smith), ainda mais em um time com muitas ameaças para conseguir jardas depois da recepção.

E me chamem de cínico, mas pessoalmente não acredito que um QB de 33 anos que até 8 meses atrás não tinha capacidade de lançar bolas longas de repente aprendeu a fazer isso da noite para o dia. Ainda que seja nítido que Smith melhorou o seu jogo em 2017, não é o tipo da coisa que você simplesmente absorve nessa altura da vida. O mais provável é algo que muitos defendiam faz algum tempo: ainda que não seja sua especialidade, Smith tem total capacidade de executar lançamentos mais longos e difíceis, e que se a falta dessa dinâmica no jogo do Chiefs estava limitando a franquia, a solução não era buscar um substituto, e sim dar mais condições e liberdade para Smith explorar essa parte do seu jogo.

E foi o que aconteceu em 2017: em parte porque o elenco de apoio (em especial o veloz Tyreek Hill e a ascensão contínua de Travis Kelce) agora está mais capacitado para esse tipo de jogada, talvez até mesmo pelo esquema tático já ter sido um pouco modificado pensando em Mahomes, mas o Chiefs finalmente começou a colocar Smith em situações favoráveis para esses passes, e com o sucesso e aumento de confiança do seu QB, começou até a usá-lo em situações não tão óbvias ou favoráveis, e em geral com bons resultados.

Até onde se pode chegar

Smith não se tornou Brett Favre da noite para o dia – sua principal força ainda é a inteligência e os passes curtos, e seus números de uso de bolas longas ainda é apenas médio da NFL. Nunca será sua maior força ou o foco do ataque de Kansas City. Mas Smith finalmente ganhou a oportunidade de explorar a totalidade das suas habilidades, e os resultados tem sido melhores do que até o mais otimista defensor de Smith (que devo ser o autor deste texto) se atrevia a sonhar, para ele e para o time.

A pergunta que fica então é o quanto esse nível de performance é sustentável. Smith não passará o ano todo sem interceptações – mesmo em seu melhor ano no quesito (2011) o camisa 11 ainda foi interceptado em 1.1% de seus passes, e isso fazendo passes muito menos complexos e arriscados do que os desse ano.

Me engulam.

Também é difícil acreditar que Smith manterá seus números em aproveitamento, jardas por passe e jardas por passe ajustadas, que atualmente se encontram em níveis que superam os que Tom Brady jamais conseguiu em qualquer ano da carreira. Times agora terão mais vídeos para estudar desse novo Alex Smith, e a novidade que são seus passes longos tende a perder alguma da efetividade com o tempo. Algumas big plays não conseguirão ser repetidas com tanta frequência, e seus números mais absurdos tendem a regredir para a média com o tempo.

Mas a questão mais importante é que sua performance não precisa se manter nesse nível. Claro, seria ótimo para o Chiefs que seu QB repentinamente se tornasse uma mistura de Tom Brady e John Elway, mas ninguém espera que isso aconteça. Mas se Smith já era um QB bom o bastante para levar o Chiefs aos playoffs ano após ano e seu maior problema era a falta de potencial do ataque devido ao seu estilo conservador, a verdade é que esse problema provavelmente não existe mais.

Smith não vai ser tão eficiente assim o ano todo nos passes longos, mas só dessa dimensão existir e estar sendo explorada – e Alex e o Chiefs estarem confortáveis com ela – já muda totalmente o quão bom Alex Smith é, e o quão bom ele e o ataque de Kansas City podem ser com ele no comando.

As estatísticas avançadas dizem que o Chiefs é com folga o melhor time da NFL (em DVOA, o time #2 da NFL – Washington – está mais perto do #10 – Bills – do que do #1 Chiefs), as estatísticas mais básicas (inclusive número de vitórias) concordam, e o teste visual corrobora essa informação. O teto desse time está mais alto do que jamais foi: ninguém está jogando melhor, e o Chiefs parece ter se estabelecido como um dos grandes favoritos ao título da temporada. Tudo graças a Alex Smith, uma frase que pareceria impossível sete anos atrás, mas que pode ser a consagração de uma das histórias de superação mais divertidas que a NFL viu em anos.

Um grande hype enfrentando enormes expectativas

Após o surpreendente sucesso na temporada passada, Dallas, ao que tudo indica, está agora em uma nova direção; 11 atletas deixaram a equipe na última free agency, enquanto outros dois se aposentaram. Aliás, estes 11 jogadores começaram mais de 500 jogos de suas carreiras com o Cowboys – incluindo 94 no último ano.

Mesmo assim, o dono e novo hall of famer Jerry Jones mantém o otimismo. “Perdemos um número significativo de atletas, mas fomos seletivos nestas perdas”, justificou o proprietário da franquia durante a offseason.

É importante que os novatos joguem, eles realmente precisam de oportunidades. Eu não ousaria projetar nosso número de vitórias, mas acredito que temos uma equipe melhor do que a que terminou a temporada passada; temos a chance de sermos melhores do jeito correto: mais novos”.

Jaqueta em homenagem a todo o ouro que este homem trouxe para liga.

Pequenos fantasma

Tony Romo sofreu uma lesão durante a pré-temporada de 2016 e, como em qualquer outro dia, todas as perspectivas se dissiparam em Dallas. Naquela ano, porém, tudo foi diferente: havia uma pequena esperança no Texas de que Dak Prescott poderia fazer o trabalho com dignidade até Romo estar recuperado.

Mas Prescott foi tão eficiente que não deixou brechas e assumiu a posição: foram 23 touchdowns e apenas quatro interceptações – e outros 6 TDs corridos. Com mais de 67% dos passes completos, Dak teve média aproximada de 8 jardas por tentativa. Claro, ele tem um ótimo elenco de apoio para auxiliá-lo, mas de qualquer forma é pouco provável que grande parte dos quarterbacks da NFL teriam atuado no mesmo nível que Dak – menos ainda se considerássemos que Prescott era um mero rookie.

Voltando ao elenco de apoio, o integrante de maior destaque, também foi um novato: o RB Ezekiel Elliott correu para 1631 jardas e 16 TDs – ele ainda teve 32 recepções para outros 363 jardas. O fato é que algumas equipes não tiveram respostas para Elliott em seu primeiro ano. Mas tudo pode ser diferente em 2017.

O grande hype a espera de uma grande decepção

Diante do exposto, Prescott terminou o ranking dos 100 melhores jogadores para esta temporada organizado pela NFL Network na 14ª posição. Releia com atenção: 14ª posição.

E que fique claro que aqui não há nada contra Prescott; ele talvez tenha tido a melhor temporada de um quarterback rookie da história da NFL. Mas também é fato que ele não é sequer o melhor jogador ofensivo de Dallas – o já citado Eliott, o WR Dez Bryat, o G Zack Martin e o C Travis Frederick são melhores jogadores que Dak.

Inegavelmente, Prescott é mais valioso, sobretudo por sua posição. E achamos Dak extremamente talentoso e um potencial grande QB para os próximos anos, mas a verdade é que será muito difícil para ele evoluir seus números de maneira proporcional ao hype em sua segunda temporada – entenda que os adversários, agora, tiveram uma offseason toda para estudá-lo e a tabela está longe de ser fácil.

E não é apenas as expectativas em torno de Prescott que podem fazer os sonhos de Dallas desmoronarem: há também a dúvida sobre a possível suspensão de Elliott, que ainda não sabemos como acabará – hoje, ela é de seis jogos, mas o recurso ainda será julgado. A defesa, que já era mediana, perdeu peças-chave, sobretudo na secundária e torce para que alguns novatos consigam preencher os buracos – vale lembrar que Dallas terminou com 7 vitórias e uma derrota em partidas decididas por sete pontos ou menos na última temporada.

Onde realmente mora a esperança

Se você crê que Dallas pode repetir as mais de 10 vitórias da temporada passada, saiba que a esperança para isso ainda mora na linha ofensiva, uma das melhores da NFL nos últimos anos. Zeke foi incrível e Dallas construiu seu sistema ofensivo em torno dele – ele era a base do ataque, e não Prescott. E, claro, Elliott deveria ter conquistado o ROY caso o hype não vencesse.

Pode vir.

O fato é que a linha ofensiva permite que Dallas controle o ritmo das partidas, conquistes caminhões de jardas por terra, mantenha o ataque adversário fora de campo e dê tranquilidade ao seu jovem quarterback. Essa fórmula permanece inalterada: enquanto a OL continuar dominante, os Cowboys podem chegar longe.

Já os WRs Cole Beasley, Dez Bryant e Terrance Williams somaram para 169 recepções, 2223 jardas e 17 touchdowns, uma das melhores unidades da NFL. E enquanto Bryant continua a ser a grande estrela, Beasley, que liderou a equipe em recepções (75), se mostrou uma opção de segurança para Dak. Há ainda o TE Jason Witten, que renovou seu contrato durante a offseason e terminará sua carreira em Dallas – mas apesar de ter jogados as 16 partidas pela 13ª temporada consecutiva, aos 36 anos, parece difícil que Witten siga produzindo efetivamente.

Preenchendo o vazio

Não parece surpresa que Dallas tenha investido suas três primeiras escolhas de draft para reforçar o setor defensivo: a unidade foi fraca quando comparada ao ataque, terminando na 14ª posição da NFL.

Foram 36 sacks, cinco a mais que em 2015, mas mesmo assim a temporada  foi a quinta consecutiva em que a defesa dos Cowboys terminou fora do top 10 da liga. Dallas, aliás, não tem um jogador com dígitos duplos em sacks desde que o DE Jason Hatcher conseguiu 11 em 2013.

Talvez por isso a escolha de primeira rodada tenha sido usada no DE Taco Charlton, de Michigan, trazido para reforçar a linha defensiva (adendo: nenhum jogador da equipe teve mais que seis sacks na temporada passada). Além dele, o setor também espera mais de Demarcus Lawrence, que teve oito sacks em 2015, mas viu o número despencar para apenas um na temporada passada – pese o fato de que ele esteve em campo em apenas nove partidas, devido a uma cirurgia nas costas.

Já na secundária, Dallas perdeu os CBs Brandon Carr e Morris Claiborne e os S Barry Church e JJ Wilcox. Claro, nenhum dos quatro possui números que saltam aos olhos e podem ser considerados perdas irreparáveis, mas enquanto grupo eles contribuíram com 254 tackles, 5 interceptações e 28 passes defendidos na temporada passada – a responsabilidade agora está com uma turma de novatos, que têm potencial, mas não sabemos como se sairão.

Palpite: em Dallas, tudo parece um pouco demais. É, ainda, muito cedo, para o nível de otimismo que se instalou. Prescott pode ter uma segunda temporada maravilhosa, e ainda assim não ter os mesmos números de seu ano de estreia. A defesa está longe de ser uma das melhores da NFL; e um ou dois contratempos, envolvendo Dak, Bryant, Elliott ou mesmo a OL, pode fazer tudo desmoronar – além disso, o calendário não será fácil. De qualquer forma, um número maior que 10 vitórias é factível e o Cowboys pode estar na pós-temporada. Mas também pode facilmente perder o controle da divisão.

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

Tony Romo ou o melhor quarterback que não soubemos valorizar

Era uma tarde de 28 de dezembro de 2008 quando Tony Romo nos mostrou, sem pudor algum, tudo aquilo que o definia; na semana 17 daquela temporada regular, o Eagles anotara 38 pontos na cabeça do Dallas Cowboys e a franquia do Texas estava mais uma vez fora da pós-temporada. Após o jogo, Romo encara os repórteres e diz:

“Se está é a pior coisa que irá acontecer comigo, então tive uma vida muito boa”.

Se naquele dia parecia que Romo não tinha a real noção da importância do football hoje, olhando em retrospecto, percebemos que na verdade nós estávamos errado: Romo tinha a noção exata do que significava, de sua representatividade e da pessoa que se tornara. Somente aquele mesmo Tony Romo seria capaz de sentar ao lado do gramado e assistir a ascensão de Dak Prescott, somente ele saberia a hora exata de sair de deixar os holofotes.

Perspectivas

Quando Romo foi ao chão em setembro passado em duelo desimportante da pré-temporada contra o Seattle Seahawks, a pior parte da notícia em si foi que, no fundo, ninguém pareceu surpreso. Quando tudo ganhou forma e soubemos que uma lesão nas costas o tiraria de ação por algo entre 6 a 10 semanas, não houve choque: houve apenas um misto de tristeza e resignação.

O ar de inevitabilidade, a constatação que Tony tinha à sua disposição provavelmente o melhor Dallas desde que assumira a condição de titular em 2006, tornava tudo ainda mais decepcionante. O que importava, naquela situação, era mais do que a lesão ou o que o Dallas Cowboys perderia com ela: era um momento sobre o que Tony acabaria perdendo.

Não se vá.

Construindo uma equipe para Romo

Entre 2010 e 2014 o Dallas Cowboys seguiu um plano desenvolvido sob medida de maneira perfeita; naquele período, eles usaram quatro de suas cinco escolhas de primeira rodada nos drafts seguintes em peças que se tornariam fundamentais à franquia: o WR Dez Bryant, inegavelmente um dos grandes nomes da NFL, e os integrantes daquele que se consolidaria como uma das melhores linhas ofensivas da liga (Tyron Smith, Travis Frederick e Zack Martin).

O resultado foi um jogo corrido extremamente eficiente, combinado a uma proteção sólida, que permitia a Romo o tempo necessário para encontrar Dez livre 30 ou 40 jardas após o snap. Era um esquema moldado para potencializar o impacto de um quarterback já flertando com seus 35 anos e, enfim, após muitas temporadas em que Romo precisava fazer muito, encontrar soluções e escapar da pressão, agora ele tinha a oportunidade de fazer o que ele sempre fez com eficiência: passes rápidos e precisos e, quando necessárias, bombas de mais de 35 jardas.

Dessa forma, aos 34 anos, ele registrava a melhor temporada de sua carreira: foram 12 vitórias como titular, o primeiro lugar da NFL em porcentagem de conclusão de passes (69,9%) e em jardas por tentativa (8,5) – Aaron Rodgers terminaria aquele ano como MVP indiscutível, mas mesmo assim é inegável que Romo teve uma temporada digna de ser também um real candidato ao prêmio.

Mas quando Dallas foi eliminando em uma decisão polêmica após um passe incompleto para Dez Bryant, a sensação predominante era que Romo e o Cowboys haviam perdido apenas uma oportunidade, afinal, com um ataque terrestre dominante, Bryant em seu auge e Tony na sua melhor forma desde que iniciara sua carreira profissional, era razoável crer que a franquia iria se manter no topo da NFC por mais duas ou três temporadas. Porém, desde aquela derrota, Romo entrou em campo em apenas cinco oportunidades, terminando partidas somente duas vezes.

Um dos caras mais fáceis de gostar (mas o mais difícil de depositar suas esperanças)

Você sabe como Antonio Ramiro entrou nas nossas vidas? Da mesma forma que Tom Brady, em um jogo transmitido nacionalmente, substituindo Drew Bledsoe. Ok, ele nunca levou o Cowboys à glória como Tom levou New England, mas desde seus primeiro momentos injetou energia em um ataque até então inerte, levando uma franquia aparentemente quebrada aos playoffs em 2006 após nove vitórias. O que vem a seguir, porém, todos sabemos.

E a primeira grande frustração, em um FG potencialmente vencedor, deu tom a uma narrativa que seguiria Tony Romo desde aquele dia: para qualquer sucesso de sua trajetória (e foram muitos), sempre haveria mais densidade em suas falhas.

Já no ano seguinte, o Cowboys conquistou 13 vitórias, Romo lançou para 36 TDs, mas no fundo, ele estava muito ocupado passeando com Jessica Simpson pelo México – e, acreditem, a reação da imprensa foi semelhante a ocorrida após o passeio de barco de Odell Beckham e seus amigos.

Tudo era condicionado a fortalecer a narrativa de que Tony podia ser um excelente quarterback, mas lhe faltava aquele fator decisivo, aquele timing que só aqueles que têm a real importância do significado do football possuem: ele era bom o suficiente para ganhar jardas e mais jardas, mas não tinha consigo algo intangível, que só gente como Troy Aikman tinha, que só quem não parecia distraído tinha, já que Romo estava ocupado jogando golfe nas horas vagas e tentando participar do US Open. Ou perdia tempo namorando estrelas como a já citada Jessica Simpson e Carrie Underwood – não importando que Carrie tenha declarado que o relacionamento acabou porque “Tony se importava muito com football”.

Romo viveu o football, mas também viveu além do football. E talvez esse tenha sido seu único “erro”.

Um cara massa.

Você ainda não sabe que sentirá saudades

A hipótese de que qualquer atleta teve sua carreira, seus melhores anos roubados por lesões, é extremamente dolorosa. Mas com Romo, de alguma forma, é ainda pior: a ideia de que Tony é realmente um dos melhores quarterbacks da NFL contemporânea demorou anos para se inserir no inconsciente coletivo.

Tudo isto é traduzido naquele que foi, sem dúvida, seu maior momento como atleta. E naquela fração de tempo, ele não estava levantando um troféu ou anotando touchdowns; ele estava em uma sala, expondo aquilo que melhor o definia.

“Você está triste e para baixo e se pergunta por que isso aconteceu. E neste momento você descobre quem você realmente é, qual sua essência. Você vê que o football é uma meritocracia e nada lhe é dado de graça. Você tem que ganhar tudo, todo dia, tudo de novo. Você tem que provar. É assim que a NFL funciona e é assim que o football funciona”.

A lesão contra o Seahawks o colocara em um lugar em que ele jamais estivera:

“Machucado dois anos em sequência, no meio de seus 30 anos. A imprensa está falando. Todos têm dúvidas, você passou sua carreira trabalhando para chegar aqui. E agora tem que começar tudo de novo. Você se sente quase um estranho. É um lugar sombrio”.

Naquele 15 de novembro, Tony esteve em sua encruzilhada particular, um momento entre ser Tony Romo ou um quarterback definido pelas oportunidades perdidas. Mas você consegue imaginar Tom Brady na sideline enquanto assiste Jimmy Garoppolo levantar o Vince Lombardi? Consegue imaginar Drew Bledsoe aceitando o papel de backup de um calouro selecionado no sexto round? Consegue imaginar Brett Favre estendendo um tapete vermelho para Aaron Rodgers? Bem, se para a primeira situação é possível argumentar que não existe uma resposta concreta, não é possível dizer o mesmo sobre as duas seguintes.

“Há momentos especiais que aparecem, nos quais há um comprometimento compartilhado, tendo um papel enquanto todos fazem as coisas juntos. É isso que você se lembra, não suas estatísticas ou seu prestígio, mas seus relacionamentos e os feitos que você criou junto de um grupo. É difícil fazer isso, mas há muita alegria em fazê-lo. Ao mesmo tempo, queima o desejo de ser o melhor que você jamais foi. Você pode ser ambos”.

As mesmas características que fizeram Romo um quarterback distante da perfeição, lhe ofereceram um outro tipo de grandeza – maior que qualquer esporte pode conferir. O Tony Romo naquela sala de imprensa em 15 de novembro de 2016 era exatamente o mesmo que em dezembro de 2008 afirmara que tivera “uma vida muito boa”: alguém ciente de que há algo além do football do que podemos supor.

Por muito tempo, Tony entrou em um campo e jogou football – e ele foi muito, muito bom naquilo que se propôs a fazer. Mesmo que, apesar de todo seu esforço e sua luta contra lesões, alguns insistissem em não enxergar. Hoje, seu corpo e mente dizem que é hora de ir e, bem, ele já fez alguns milhões de dólares enquanto se divertia nesse esporte, ele não precisa mais jogar.

Agora é hora de continuar se divertindo enquanto assiste Dak e seus antigos companheiros lutarem em campo: é hora de viver, Tony. E, como você mesmo disse, “se isto é o pior que lhe aconteceu, você teve uma vida muito boa”.

Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenum, certo?

Em meio ao crescimento de Dak Prescott, as oscilações normais para um novato que Carson Wentz vem sofrendo até aqui, ao menos um dos QBs selecionados no último draft tem tido uma temporada tranquila: Jared Goff.

E enquanto o Rams caminha para sua já tradicional campanha 8-8, Goff não cometeu os mesmos erros tão comuns a rookies que Prescott cometeu ou oscilou como Wentz oscilou após um início quase irretocável. O único “porém” para Jared é que, até a semana 10, ele não participou de um mísero snap: o Los Angeles Rams trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para conseguir Goff e, por longas semanas, ele se restringiu a esquentar o banco.

Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams.

Parecia que a franquia que não vai aos playoffs desde 2004 estava pronta para um recomeço, para apostar seu futuro em um jovem talentoso, certo? Parecia, mas na verdade ele permaneceu sentado enquanto Case Keenum levava a equipe às piores médias da NFL em todos os quesitos ofensivos.

Ninguém entendeu essa merd*.

Ninguém entendeu essa merd*.

E ressalte-se que nunca louvamos Jeff Fisher como um guru ofensivo, muito pelo contrário. Mas mesmo assim os números atuais soam ofensivos até para alguém com tamanha atração pela mediocridade como Fisher.

Na contramão da liga

Hoje o Dallas Cowboys é a melhor equipe da NFL com Dak Prescott comandando as ações. Carson Wentz tem momentos de instabilidade, mas em geral tem jogado razoavelmente bem e conseguido manter o Eagles na disputa por uma vaga na pós-temporada em umas das divisões mais disputadas da liga.

Se formos além, teremos ainda outros bons exemplos: Jacoby Brissett suportou a pressão e conseguiu levar o Patriots à vitória quando exigido e, se ampliarmos o leque até o pior time da NFL, veremos que tanto Cody Kessler como Kevin Hogan tiveram a mesma eficiência que Josh McCown teve com o Cleveland Browns (infelizmente isso quer dizer nenhuma).

Considerando todo este cenário podemos afirmar, sem medo, que todos os atletas acima citados são melhores que Case Keenum – enquanto, aparentemente, ao menos para o Rams, Jared Goff não era.

As razões para a ausência de Goff soam inexplicáveis. O Los Angeles Rams conta com um bom sistema defensivo e, em uma temporada marcada pela igualdade, jogando em uma divisão com um Seattle Seahawks claramente um passo a frente, um San Francisco 49ers que sofreria no primeiro quarto contra algumas equipes do college football e um Arizona Cardinals que pouco lembra a equipe dos últimos dois anos, com um ataque minimamente decente Los Angeles poderia brigar por uma vaga nos playoffs; mas com Keenum este ataque esteve longe, muito longe, de poder ser considerado minimamente decente: foram apenas 139 pontos em 10 semanas, pior marca da liga.

#exausta

#exausta

Talvez Fisher tenha pensado que manter Goff esperando era o melhor para seu desenvolvimento a longo prazo? É uma tese até certo ponto coerente, mas podemos discordar, apesar de muitos especialistas afirmarem que expor Goff nesta situação poderia ser extremamente prejudicial porque erros poderiam abalá-lo, além de, por estar em um sistema ofensivo caótico, seria necessário adquirir hábitos que posteriormente seriam difíceis de serem corrigidos.

Tudo isso, porém, cai por terra quando assumimos que evolução só é possível através da experiência. E se o Rams viu algum talento em Jared durante a faculdade, eles desperdiçaram algumas semanas em que ele poderia estar em campo descobrindo como adequá-lo, como aperfeiçoar suas virtudes e, sobretudo, quais características precisaria deixar para trás na NFL.

Por outro lado, se a preocupação era preservá-lo psicologicamente, tentemos olhar tudo a partir da perspectiva de Jared. O Rams poderia ter selecionado Carson Wentz. O Rams poderia ter mantido suas escolhas de primeira e segunda rodadas e selecionado Dak Prescott, ao que tudo indica o quarterback mais “pronto” desta classe, no terceiro ou quarto round. O Rams poderia ainda ter decido continuar com Keenum, assumindo mais um ano medíocre e preparando o terreno para o draft de 2017. Mas o Rams trocou meia dúzia de escolhas para selecionar Goff e, semana após semana, o preteriu em favor de Keenum.

Goff pode simplesmente ter passado dez semanas entendo aquilo como um simples “Case é melhor que Jared”. É um cenário aterrorizante: o que faz um quarterback ser pior do que Case Keenum? Ele saberia segurar uma bola? Ele poderia pisar em um estádio de football? (Considerando a ficha criminal de alguns jogadores, o que faria alguém ser proibido de entrar num estádio?)

"Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?"

“Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?”

Olhemos então um pouco mais para o passado: os últimos seis quarterbacks selecionados na primeira rodada que chegaram a novembro sem iniciar uma partida na NFL foram Johnny Manziel, Jake Locker, Tim Tebow, Josh Freeman, JaMarcus Russell e Brady Quinn. Tudo bem, não iremos supor que nenhum deles teve sucesso na NFL por não terem iniciado uma partida como profissional em seus primeiros meses na liga, sabemos que eles provavelmente estão desempregados hoje por simplesmente serem ruins.

Mas a verdade é que first picks normalmente são diretamente colocados na linha de fogo, prova disso são os cinco últimos QBs escolhidos na primeira posição do draft antes de Goff: Jameis Winston (bônus para Marcus Mariota, segundo selecionado no mesmo ano), Andrew Luck (também com o bônus de Robert Griffin III), Cam Newton, o já citado Sam Bradford e Matthew Stafford. Todos iniciaram como titulares logo no primeiro ano.

Mas agora isso pouco importa, já que com mais da metade da temporada perdida, enfim Jeff Fisher anunciou que Jared Goff será titular na semana #11. Se Fisher precisou de dez semanas para assumir que este ano não resultará em nada além da já habitual mediocridade, ao menos restam seis partidas para observar Goff em situações reais de jogo.

(Não) há luz no fim do túnel

Durante a derrota para o Panthers, há algumas semanas, os torcedores (?) do Rams perderam a paciência e gritaram “Queremos Goff” (e, dizem, “Queremos Tebow” também ecoou no estádio). Muitos, aliás, deixaram o Memorial Coliseum antes mesmo do final da partida.

Provavelmente a grande questão para eles é a mesma que persegue aqueles que acompanham a NFL: Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenun, certo? A realidade, porém, é que Goff não impressionou na pré-temporada. Na verdade ele foi… horrível. Foram apenas 22 passes completos em 49 tentativas, para 232 jardas, dois touchdowns e duas interceptações.

Aliás, na última partida da pré-temporada, contra o Vikings, Jared protagonizou momentos constrangedores, completando apenas seis passes em 16 tentados para 67 jardas. Neste lance, em formação shotgun, ele dropa o snap e cai com a cara no chão tentando recuperar a bola que, claro, acabou com o Vikings. Pouco tempo depois, uma obra prima difícil de descrever.

Em linhas gerais, o saldo final da participação de Jared na pré-temporada foi um quarterback que parecia distante das condições físicas ideias (e não nos referimos a preparo) para suportar um jogo tão intenso como o football profissional e completamente inseguro de suas capacidades.

O fundo do poço

Agora tudo está jogando contra Jared Goff – assim como, no Rams, jogou contra Sam Bradford. O Los Angeles Rams é um time construído para ganhar com sua defesa, enquanto o quarterback coloca a bola nas mãos de Todd Gurley.

Até aqui, não saiu como o planejado e, claro, Case Keenum não é o único culpado: a linha ofensiva é digna de risos e não há nenhum WR confiável. E enquanto o Rams insiste em dar a bola para Gurley, basta a defesa adversária congestionar a linha de scrimmage e desafiar QB e WRs a jogarem. E aqui entra a parcela de culpa de Keenum: ele não é tão inocente quanto Fisher quer que você pense.

E além deste cenário caótico, Goff encontrará ainda um técnico que historicamente não soube trabalhar com quarterbacks novatos (McNair é a famosa exceção que confirma a regra) e lutando por sua reputação após quatro temporadas colecionando derrotas.

Jared Goff, claro, pode não estar pronto, mas ainda paira sobre ele o benefício da dúvida – algo que Case Keenum já perdeu. Ele pode não melhorar o Rams imediatamente, mas é inconcebível não imaginá-lo como QB da franquia nas duas próximas temporadas pelo menos. É preciso honrar a aposta, é necessário cobrir o alto valor pago para subir no draft e selecioná-lo.

Na última offseason, o Rams se apaixonou por Goff quando foi a Berkeley vê-lo treinar em sua universidade. Choveu muito e mesmo assim Los Angeles aguardou mais um dia, já que Goff queria jogar, queria mostrar seu valor. Naquela offseason, o mau tempo não os assustou. Agora, se os Rams possui alguma real pretensão de em breve deixar a mediocridade, ele também não pode assustá-los.

Power Ranking #6 – Não há como lutar contra a turma liderada por Belichik e Brady

Bem amigos do Pick Six!

Mais uma rodada que se foi, hora de mais um Power Ranking, repleto de verdades definitivas e afirmações coerentes e embasadas. Com um dia de atraso, é verdade, mas… bom, nós mandamos, então não precisamos dar desculpas!

Três times seguem firme na briga pela primeira escolha do draft de 2017, enquanto chegamos a conclusão de que quanto antes aceitarmos a verdade, menos sofreremos: entreguem logo o troféu para o Patriots.

Tudo em riba: San Diego Chargers (+11)

Deu ruim: Green Bay Packers (-10)

32 – Cleveland Browns (0 / 0-5)

Ninguém mais tem qualquer resquício de esperança. O lado bom é que, ao menos, eles continuam lutando e Cody Kessler teve bons momentos contra o Titans – o porém é que no final das contas tudo sempre acaba em derrota.

31 – San Francisco 49ers (0 / 1-5)

A mudança para Colin Kaepernick não funcionou como Chip Kelly imaginava. Ao menos não foi pior do que seria com Blaine Gabbert – se é que isso seria sequer possível.

30 – Chicago Bears (0 / 1-5)

Estar vencendo por 16 a 0 e levar a virada nos últimos 15 minutos? Será uma longa temporada para os torcedores de Chicago. Como sempre tentamos ver o lado positivo, a boa notícia é que os fãs dos Bears seguem sem precisar assistir Jay Cutler em campo. Eu ficaria feliz.

29 – Carolina Panthers (-7/ 1-5)

Cinco derrotas. Um quarterback temperamental. Esta temporada é um desastre ou estamos descobrindo que este é o normal do Panthers e o ano passado foi anormal?

28 – New York Jets (-2 / 1-5)

Fitzpatrick deixou de ser Fitzmagic e o futuro é sombrio para os Jatinhos de Nova York. Mas tudo se torna mágico quando Geno Smith, fã de Nickelback e quarterback nas horas de folga, pisa no gramado nos minutos finais. Por favor, continue assim, Jets!

Pensando na aposentadoria.

Pensando na aposentadoria.

27 – Miami Dolphins (+3 / 2-4)

O Dolphins destruiu o Steelers. Venceu por 30-15, mas poderia ter vencido por 50 pontos. Jay Ajayaiaiaiaia é o melhor RB da liga, Tannehill deixou de ser medíocre e o futuro é promissor. A realidade, porém, é uma derrota acachapante para o Bills já na week #8.

26 – Jacksonville Jaguars (-3 / 2-4)

O melhor time da NFL marcou 17 pontos no último quarto (uma média incrível de mais de um ponto por minuto) e virou um jogo que parecia perdido contra o grande Chicago Bears! Seria lindo, se não fosse deprimente passar 45 minutos sendo estuprado por um time liderado por BRYAN HOYER.

25 – Tampa Bay Buccaneers (-1 / 2-3)

A equipe liderada pelo melhor kicker da liga descansou nesta semana e promete retornar imbatível para os próximos jogos.

24 – Cincinnati Bengals (-9 / 2-4)

Andy Dalton e amigos não farão o sofrido povo de Ohio passar vergonha em janeiro nesta temporada, afinal tudo indica que já estarão de férias no período em questão.

23 – Baltimore Ravens (-9 / 3-3)

Três derrotas consecutivas, por menos de 7 pontos. Um caminhão de lesões. Já vimos esse filme e sabemos como ele termina. Desse jeito, não há Harbaugh que consiga tamanho milagre.

22 – Los Angeles Rams (-5 / 3-3)

O Rams é um fenômeno: vence quando não esperamos e também perde quando não esperamos. Ao menos se mantém estável naquilo que uma equipe que contrata Jeff Fisher se propõe: uma campanha 8-8. Vai, Rams!

21 – Indianapolis Colts (-2 / 2-4)

Um time que entregou um jogo para BROCK OSWEILER em três minutos, com 14 pontos de vantagem. Demitam logo Pagano, Grigson e afins! Sério, o que vocês estão esperando?

20 – Tennessee Titans (+7 / 3-3)

Tudo indica que Mariota parou de feder e o jogo corrido aparece entre os mais eficientes da NFL. Já são três vitórias, mas vamos deixar de lado que duas delas foram contra Dolphins e Browns?

19 – Detroit Lions (+6 / 3-3)

Stafford vem jogando bem (sem Megatron!), mas a verdade é que o time segue pouco confiável. Vencer o Redskins, em casa, na próxima semana, pode ser decisivo para qualquer pretensão para a temporada – então já sabemos que o Lions será derrotado.

18 – New Orleans Saints (+2 / 2-3)

São duas vitórias consecutivas, Brees segue sendo Brees (um dos melhores quarterbacks da história) e a defesa continua sendo uma grande bosta. Mesmo assim, nesta divisão, ainda há uma chance – sobretudo se encontrarem uma forma de não tomar 70 pontos por jogo.

17 – San Diego Chargers (+11 / 2-4)

San Diego engoliu uma das melhores defesas da liga e limitou o ataque do Broncos a irrelevância. Tudo bem que ao final da partida, por ser o Chargers, todos acreditamos que a amarelada viria, mas é inegável o tamanho desta vitória. Agora resta perder para Atlanta na próxima rodada e voltar à realidade.

16 – Philadelphia Eagles (-8 / 3-2)

Duas derrotas consecutivas e a realidade já bate a porta dos Eagles. Nosso caso de amor com Carson Wentz está abalado, mas reconhecemos que foi bonito enquanto durou e a chama da paixão pode ser novamente acesa.

15 – Houston Texans (+3 / 4-2)

Dois touchdowns em três minutos? O negócio por Brock Osweiler já parece bom! Mentira. Mas saberemos a verdade nesta rodada, contra Denver. Nosso palpite? Vai dar merda.

14 – Green Bay Packers (-10 / 4-2)

Aaron Rodgers homenageou Brett Favre, presente no Lambeau, com uma atuação digna dos últimos dias do camisa 4. O ataque segue sem funcionar e a secundária inexiste. Saudades, Sam Shields!

Maior concentração de gente decepcionada por metro quadrado.

Maior concentração de gente decepcionada por metro quadrado.

13 – Arizona Cardinals (0 / 3-3)

Vencer esse Jets não é mérito, amigos. Nos recusamos a escrever sobre esse jogo. Desculpem!

12 – New York Giants (+9 / 3-3)

Uma vitória sofrida contra o Ravens e Odell Beckham reencontrando seus melhores momentos e o amor da sua vida. Resta apenas esperar os próximos turnovers de Eli.

11 – Oakland Raiders (-2 / 4-2)

Uma defesa que simplesmente não consegue parar ninguém precisa ser compensada por um ataque extremamente eficiente. Derek Carr é talentoso, há bons recebedores, mas também existem dias em que nada funciona. Difícil acreditar em playoffs com um sistema defensivo pouco confiável como o do Raiders.

10 – Buffalo Bills (+1 / 4-2)

Rex Ryan será demitido antes do final da temporada. Rex Ryan será demitido antes do final da temporada. Rex Ryan será demitido antes do final da temporada. O que? Bom, precisamos manter nossas convicções.

9 – Washington Redskins (+3 / 4-2)

São quatro vitórias seguidas, o ataque voltou a funcionar e a defesa evoluiu um pouco. Na divisão mais embolada da NFL, tudo é possível.

8 – Kansas City Chiefs (+8 / 3-2)

Quem precisa de Jamaal Charles quando se tem SPENCER WARE? A vitória contra o Raiders, em Oakland, foi significativa e o jogo corrido está entre os melhores da NFL. Mas no fundo sabemos que não há como ir longe com Alex Smith como quarterback.

7 – Pittsburgh Steelers (-4 / 4-2)

Não interessa o que pode ter acontecido, uma equipe que quer ser levada a sério não pode perder para o Dolphins. E esse é o Steelers de 2016, completamente imprevisível. Para piorar, perdeu Big Ben por tempo ainda indeterminado. Nada é tão ruim que não possa piorar.

6 – Denver Broncos  (0 / 4-2)

A defesa até se esforçou, forçando alguns turnovers, mas o ataque inexistiu contra o Chargers. Daremos o crédito a Von Miller e amigos, mas uma vitória contra o Texans no próximo Monday Night passa a ser essencial.

5 – Atlanta Falcons (0 / 4-2)

Não há interferência contra o CB queridinho da NFL, não importa o quão escandalosa ela seja. Vitória moral de Matt Ryan e Julio Jones – e o que isto significa? Obviamente, nada!

"Agarra, tem problema não, viu"

“Agarra, tem problema não, viu”

4 – Dallas Cowboys (+3 / 5-1)

Pode aposentar, Tony Romo. Dak Prescott pode tropeçar na bola e deixá-la cair, mas mesmo assim o Dallas vence. O jogo corrido é o melhor da NFL, e a defesa está jogando muito, muito bem. Aliás, a secundária, foi um dos destaques na vitória contra o Packers fora de casa.

3 – Seattle Seahawks (+7 / 4-1)

O famoso décimo segundo jogador talvez seja arbitragem, mas isso pouco ou nada importa. O que conta é mais uma vitória na classificação.

2 – Minnessota Vikings (-1 / 5-0)

O melhor time da NFL até semana passada folgou e mesmo assim perdeu uma posição. Porque Sam Bradford não é Tom Brady. 

1 – New England Patriots (+1 / 5-1)

Vamos logo aceitar a dura realidade e entregar a taça para os comandados do tio Bill. Nos poupará tempo, nos poupará esforço e também nos poupará sofrimento.

 

O nascimento da lenda de Dak Prescott (ou 8 jogos com saudade de Romo)

O potencial para ser o melhor ataque da NFL está ali, dormente. A melhor proteção, um dos melhores recebedores, um dos QBs com melhor rating da história também. O problema é que todos esses elementos já estavam disponíveis no ano passado e o time de Jerry Jones parecia destinado a ir longe nos playoffs, mas parece que Tony Romo não suportou tanta pressão sobre seus ombros (mais exatamente, sobre sua clavícula esquerda, que ele já havia quebrado em 2010) e o sonho acabou já na terceira semana da temporada. Bem, ainda houveram alguns dias de esperança em Brandon Weeden e Matt Cassel, mas quando se nota que ambos não estão no time para essa temporada, nem precisamos relembrar como isso acabou. Na verdade, somos sádicos, então precisamos: de 2-0 para 2-7.

Em 2016, novamente, a maior torcida da NFL tinha grandes razões para ser otimista, pelo menos quando falamos de seu ataque. Apesar dos 36 anos, Tony Romo realizou uma cirurgia para tentar reforçar e evitar novas lesões na clavícula, a única que pareceu capaz de tirá-lo de mais de um jogo em uma temporada (ele esteve presente em pelo menos 15 em 7 das últimas 10) – até o momento em que, em uma jogada duvidosa da preseason (Romo precisava mesmo correr? O tackle foi exagerado?), uma vértebra quebrada e tudo caiu nas mãos do rookie Dak Prescott.

Por outro lado, quando falamos sobre o setor defensivo… bem, a estupidez de alguns jogadores e sua constante dificuldade em largar as drogas deve dificultar bastante os primeiros jogos da temporada.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

Um draft interessante

Qualquer coisa em que Jerry Jones, dono e general manager dos Cowboys desde 1989, coloque a mão tende a se tornar mais divertida, ainda que discutível; vide o maior telão do mundo colocado no AT&T Stadium, que vai de redzone a redzone e é frequentemente atingida por punts e kickoffs. E apesar dos rumores de que seu filho está tomando as rédeas da equipe e tentando controlar suas excentricidades, o draft desse ano provou que ele não tem tanto poder assim – ou está aprendendo a seguir o mesmo caminho do veterano GM, produzindo escolhas que, no geral, tem potencial para serem as melhores do ano ou uma grande oportunidade perdida. Com o Cowboys, não há meio termo.

Depois de grandes movimentações nas primeiras picks pela escolha dos dois principais QBs da classe (os medianos e inexperientes Jared Goff e Carson Wentz) e da estranha seleção de Joey Bosa por parte dos Chargers, Dallas teve em seu colo Jalen Ramsey, CB e S de Florida St, provavelmente o melhor jogador do draft de 2016, e Ezekiel Elliot, RB de Ohio St. A decisão sábia seria escolher Ramsey sem olhar para trás; Jones, porém, preferiu ver Elliot correndo atrás de sua monstruosa linha ofensiva, na expectativa de ter ali o Offensive Rookie Of the Year e um Adrian Peterson (com quem sempre sonhou) pelos próximos anos – mas também seria prudente rezar desde já para que ele não acabe sendo mais um Trent Richardson.

Porém as decisões duvidosas não pararam por aí. Com a terceira escolha da segunda rodada, Jones escolheu o LB Jaylon Smith, de Notre Dame, que a exemplo de Jalen Ramsey poderia ser considerado uma escolha segura não fosse pela lesão gravíssima que sofreu em seu último jogo universitário. Além de romper todos os ligamentos possíveis de seu joelho (ou praticamente), Smith também sofreu danos no nervo, o que pode significar várias coisas além do longo período de recuperação (não é esperado que ele jogue em 2016): uma carreira mais curta do que se espera de um jogador de elite na NFL ou ainda que ele nunca mais alcance o mesmo nível de jogo que alcançou no college.

A lenda de Dak Prescott

O último destaque do draft fica para Dak Prescott, selecionado no fim do quarto round. Era considerado um sério candidato a terceiro ou quarto quarterback escolhido (especialmente pelos Broncos) antes de ser preso por dirigir alcoolizado poucas semanas antes do draft, o que lhe fez ser apenas o oitavo. De qualquer forma, seu nome foi chamado bem antes do esperado.

Romo inesperadamente se estourou em plena pré-temporada e, já que Dak estava se destacando na pré-temporada (78% de passes acertados, 5 TDs e nenhum turnover até o momento, com ratings quase perfeitos nos dois primeiros jogos), a imprensa e os treinadores lhe promoveram rapidamente à titularidade.

E quais são os prognósticos, para além dos jogos amistosos? Ele foi titular por 3 anos em Miss St, onde bateu todos os recordes possíveis, inclusive cometendo somente 22 interceptações em 37 jogos. Seu estilo de jogo foi comparado ao de Tim Tebow na universidade, mas com um passe muito mais profissional. Obviamente é difícil de esperar que um novato não cometa erros graves que acabem atrapalhando a equipe em um jogo ou dois, mas Prescott parece capaz de criar vitórias em um jogo ou dois pelas suas próprias capacidades também.

“Sim, tenho contatos com o Tebow e todas as cagadas do draft foram pensadas. Vim para complementar a trindade.”

Todos nessa defesa são idiotas

Outra grande razão pela qual Jalen Ramsey seria a melhor opção no draft é a quantidade de vacilões e consequente falta de talento no lado defensivo desse time. A linha defensiva, por exemplo, não contará com nenhum pass rusher conhecido pelo menos até a semana 5, quando Demarcus Lawrence (8 sacks em seu segundo ano na NFL) volta de sua suspensão por uso de substâncias proibidas. Ou seja, nas quatro primeiras rodadas, os Cowboys dependerão dos poucos conhecidos DE Jack Crawford e DT Tyrone Crawford (nenhuma relação de parentesco apurada) para tentar exercer alguma pressão no QB.

Randy Gregory, que seria outra opção interessante para jogar do lado oposto de Lawrence após mostrar potencial como rookie, voltou a usar drogas mesmo após estar suspenso pelos quatro primeiros jogos de 2016, o que deverá levar a uma punição por tempo indefinido. Mais do que isso, o jogador se internou em uma clínica de reabilitação e não deve participar da pré-temporada com o time, apenas confirmando as dúvidas sobre seu caráter que lhe levaram a ser draftado somente no segundo round em 2015, mesmo sendo apontado como um dos melhores pass rushers de sua classe.

A situação no grupo de linebackers é ainda mais dramática. Teoricamente, os Cowboys contariam com uma dupla de respeito em Rolando McClain e Sean Lee. Teoricamente. O primeiro segue sendo pouco inteligente e punido pelo uso de substâncias ilícitas (ficará 10 jogos fora em 2016) e Sean Lee infelizmente não consegue se manter saudável – e sinceramente não sabemos quem irá substituí-los; uma competição interessante entre vários jogadores medíocres deve rolar durante a pré-temporada.

Pelo menos a secundária parece estar em razoável (para baixo) estado. Byron Jones foi bem como rookie na posição de safety no ano passado, e o CB Orlando Scandrick volta após uma lesão no joelho. Morris Claiborne (famoso por ter acertado 4/50 no teste de inteligência pré-draft) e Brandon Carr foram mal em 2015, mas pelo menos têm habilidade para mostrar mais e tentar tapar alguns buracos nessa temporada.

O ataque dos sonhos

Não há qualquer razão para imaginar que a linha ofensiva deixe de ser a monstruosidade que tem dominado a NFL nos últimos anos, especialmente com uma temporada de experiência de La’El Collins e a máquina repetindo a formação de sucesso do ano passado. Sabemos que continuidade e entrosamento são essenciais para uma linha ofensiva.

Atrás dela, Prescott e o coordenador ofensivo Scott Linehan terão muitas opções de corredores. Além do rookie Ezekiel Elliot, que deve ser o ponto focal do jogo corrido e uma opção importante no jogo aéreo, os Cowboys também roubaram Alfred Morris dos rivais Washington para complementar o talentoso, mas sempre machucado, Darren McFadden – que talvez se mantenha saudável sendo apenas um jogador complementar.

A única área em que os Cowboys podem parecer um pouco limitados é nas opções de alvos que Prescott terá. O TE Jason Witten ainda é uma opção segura, mas já dá sinais da idade; os WRs Cole Beasley e Terrance Williams (840 jardas e 3TDs em 2015, sendo o que parece demonstrar mais potencial nesse grupo) também serão importantes, mas não se espera muito de ambos. Pelo menos Dak contará com o gigante WR Dez Bryant, que recuperado da lesão do pé que lhe atrapalhou muito em 2015 e com o jogo corrido ganhando atenção, aliado a um QB de verdade lhe lançando bolas, é sério candidato a bater seu recorde pessoal de 1382 jardas conseguidas e igualar seus 16 TDs recebidos em 2014.

Ohio State’s Ezekiel Elliott poses for photos upon arriving for the first round of the 2016 NFL football draft at the Auditorium Theater of Roosevelt University, Thursday, April 28, 2016, in Chicago. (AP Photo/Nam Y. Huh)

Se tudo der errado na liga, Zeke virará estilista.

Palpite: Esse ataque irá eletrizar a NFL e a imprensa americana irá pirar com as 11 vitórias na temporada regular, comemorando o ano novo de 2017 como principal favorito ao Super Bowl. Da maneira mais cruel, nos playoffs, os Cowboys serão lembrados que defense wins championships e tomarão um massacre do Vikings ou do Seahawks (ou de seja lá quem os enfrente). Quem sabe para a temporada que vem Jerry Jones aprenda a lição.