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Cleveland, Joe Thomas, LeBron e Mayfield: uma nova (velha) cidade 635 dias depois

O que você faz em 635 dias?

Não existem canções de amor para Cleveland – ou, se elas existem, bem, não conhecemos. Mas não é como se ela precisasse de sua própria versão para “Sweet Home Alabama”.

Cleveland está no meio do nada, as margens do Lago Erie, em algum lugar entre a Pennsylvania, Michigan e Indiana; como quase tudo nessa vida, claro, localização é mera questão de perspectiva. Não que um estrangeiro não consiga se apaixonar por ela; é calma e aconchegante, diferente dos grandes centros dos EUA. Mas também vazia: desde 1950, a cidade perdeu mais da metade de sua população.

Cleveland agora está em uma encruzilhada entre passado e futuro: andar por suas ruas é como visitar décadas diferentes. Você vê pessoas em esquinas tentando se esconder do frio e, três quarteirões depois, está em um típico bairro de algum subúrbio norte-americano de classe média. E se o centro é limpo e agradável, repleto de vida, normalmente orbitando seus hospitais – a cidade, inegavelmente, é referência em saúde –, a leste, a poucos passos dali, você entra em um deserto pós-industrial.

Cleveland está para baixo”, conta-me um morador de rua, que vive próximo ao First Energy Stadium, casa do Cleveland Browns. “Só quero voltar para Chicago”, continua, antes de me mostrar a direção correta.

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something constructive

about east cleveland”

Turistinha procurando clichês.

Literatura

Darryl Allan Levy (d.a. levy) morava próximo ao rio Cuyahoga, que desaguá no Lago Erie. Ele olhava pela janela e via a ponte Lorain-Carnegie e os “Guardians of Transportation”, esculturas que dão vida àquela passagem. Ele via Cleveland como ela era, mas sempre a imaginava além, queria mais para sua cidade.

Diariamente escrevia seus próprios poemas e, depois, caminhava sobre a ponte – mas ninguém que o via ali conseguiria imaginar que Levy se tornaria uma figura central na contracultura de Cleveland e, como consequência, seria alvo da polícia graças a sua literatura “subversiva”.

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Em 1964, Levy passou uma temporada em Nova York, lendo sua poesia pelos cafés da cidade, mas sempre se queixara do espírito cosmopolita da cidade: “Quase odeio aqui – quero a Cleveland confortável, sofisticada e indiferente”, escreveu a um amigo.

Queixava-se que a cidade que amava não era representada como merecia na literatura; falava sobre Sandburgh, Crane e Williams e como Chicago ou o Brooklyn tinham grandes obras literárias.

Por isso, provavelmente, escreveu “Cleveland Undercovers“, repleto de alusões aos naufrágios no Lago Erie, ao Assassino do Tronco, famoso serial killer que assombrou o estado de Ohio na década de 30, ou ainda profanando Moses Cleaveland, fundador da cidade. Levy é a versão beatnik de Ohio, que o ungiu, da mesma forma que Jack Kerouac e Allen Ginsbergm, a porta-voz de uma juventude que se rebelava para quebrar antigos costumes.

Roteiro fácil, claro, o apreço pela maconha e pelo LSD fez de Levy um alvo da polícia. Em 1966 ele foi indiciado e no ano seguinte acabou preso, sob a acusação de “contribuir com a deliquência”; ele havia permitido que menores de idade lessem seus poemas, permeados por sexo e drogas, algo considerado obsceno na época.

Sua prisão colocou Cleveland no centro de uma discussão nacional e nomes como o próprio Ginsberg e Gary Snyder (vencedor do Pulitzer em 1975) sairiam em sua defesa. Mas Levy nunca se recuperou do episódio e em 1968 confidenciou a vários amigos que deixaria a cidade. Em 24 de novembro daquele mesmo ano, ele se suicidou.

Cleveland, eu dei-lhe

os poemas que ninguém nunca

escreveu sobre você

e você não me deu

NADA”

Há ainda muito de seus poemas naqueles que vivem em Cleveland: você a ama, não quer deixá-la, mas ela não consegue lhe oferecer nada em troca. Então, caso insista em ficar, você precisa se apegar a algo e, bem, só existem três opções. Mesmo que elas teimem em lhe maltratar.

Algo a se apegar: basquete

Na offseason de 2010, LeBron James fez tudo errado. Hoje ele sabe disso. Sua quase cidade natal ligou-se a ele, mas ele decidiu cortar essa ligação da pior forma possível para que o rejeitassem com tanta força que James acabaria em um limbo, uma fadiga mental e física, da qual ele só conseguiria sair mais de um ano depois, durante as finais da NBA de 2011 – para então conquistar seus dois primeiros títulos.

Mas ele nunca se esqueceu do que aconteceu e, no fundo, sempre quis ser perdoado. Quatro anos depois, na offseason de 2014, o roteiro já estava escrito – e ele não se transformou em um reality show televisionado, como em 2010.

James não disse uma palavra. LeBron sequer insinuou algo ou especulou sobre sua decisão: ele a anunciou em um misto entre declaração de amor e pedido por perdão. E então voou para o Brasil assistir a Copa do Mundo.

Logo no primeiro ano, Cleveland retornou as finais da NBA, mas parou no Golden State Warriors. Há uma frase de David Blatt, técnico do Cavaliers na época, capaz de sintetizar o sentimento da cidade em relação aos esportes: “Estamos em Cleveland: nada é fácil por aqui”.

Mas no ano seguinte, LeBron e o Cavs recuperaram um déficit de três jogos para derrotar o mesmo Warriros e dar um título a cidade após 52 anos.

Quando retornou, James escreveu:

“Antes de qualquer um se importar com o lugar onde eu iria jogar basquete, eu era só um garoto do noroeste do estado de Ohio. Foi lá que eu andei, corri e chorei. É onde eu sangrei. É um local que tem um lugar especial no meu coração. As pessoas lá me viram crescer, eu quero dar a eles tanto quanto puder. Quero inspirá-los quando eu puder. Minha relação com o noroeste de Ohio é maior do que o basquete”.

É mais simbólico do que pode parecer e é provável que você só compreenda quando passar por Cleveland. “Meus primos, por exemplo, foram embora de Cleveland. Talvez como LeBron fez, agora eles possam pensar um dia em voltar”, me confidenciou um atendente de um Starbucks no caminho para a Quick Loans Arena, em novembro de 2017 – horas antes do Cavs vencer o Pistons pela temporada regular da NBA.

Destino: felicidade.

Kyrie Irving acabara de partir para Boston; a outra estrela do Cavs também havia recém deixado a equipe. Pergunto como a cidade lidara com um novo abandono. “Se James aprendeu ao partir, nós também: não temos nenhuma mágoa e, bem, lembra daquele arremesso no ano passado?”, diz o jovem, ao relembrar a cesta que garantiu o primeiro título para a franquia. Como já dissemos, a relação da cidade com o esporte, vai além de qualquer simbolismo tangível para aqueles que não estão lá.

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Antes de sair, relembro a conversa com o morador de rua e confesso que gostei mais de Cleveland do que de Chicago, por onde havia passado dias antes – ele se assusta, e pergunta se eu poderia viver ali.

Claro”, respondo. “Bom, não é uma cidade moderna, normalmente é cinzenta, mas você não verá trânsito e o aluguel é barato. Então não descarte essa possibilidade”, diz, antes de se despedir.

Algo a se apegar: football

Você pode não acreditar, mas nas ruas de Cleveland, existe apenas uma pessoa tão respeitada como LeBron James: não é absurdo cravar que a devoção por Joe Thomas está no mesmo patamar. E para entender essa relação, é preciso voltar para 2007: LeBron perderia sua primeira final da NBA naquele ano, mas o Browns tiveram aquele que continua sendo sua melhor temporada na última década.

Cleveland venceu 10 partidas no ano de rookie de Joe Thomas e ele foi ao Pro Bowl pela primeira vez na carreira (ele seria selecionado para o jogo das estrelas em todas as temporadas entre 2007 e 2016). Parecia o desenho de anos promissores, mas o Browns entrou em um espiral de disfunção e desde então foram seis HCs, uma infinidade de OCs e, bem, se contamos direito, 21 quarterbacks iniciando uma partida como titular até o último TNF contra o Jets.

Voltando a Joe Thomas, é difícil expressar o que um LT pode representar para uma organização – a dimensão dos feitos na posição raramente são mensurados por números, mas mesmo assim, Joe conseguiu quebrar essa barreira; ele esteve em campo em todos os snaps até uma lesão (posteriomente) encerrar sua carreira. Ele foi ao Pro Bowl em todas as temporadas que completou. E ele nunca deixou Cleveland.

Hoje entendo LeBron, claro, mas Joe nunca foi embora: ele nos escolheu”, me conta o vendedor da loja oficial do Browns no First Energy Stadium. “Bem, é óbvio que Jim Brown é o maior jogador da história do Browns – não por acaso há uma estátua dele logo ali. Mas mesmo assim, era outra época, uma época em que mesmo o Cleveland Indians havia vencido poucos anos antes, então é difícil expressar o quanto amamos Joe”.

LEIA TAMBÉM: Um bate-papo com Joe Thomas

Em 10 anos, Joe viveu apenas uma temporada com mais vitórias do que derrotas. Seu maior feito, porém, não está dentro de campo: Joe conseguiu ensinar para uma cidade que esporte é muito mais do que vencer; é sobre querer estar onde se está e, por mais difícil que pareça, ser alguém a quem é possível se apegar enquanto a maré não acalma é tão representativo quanto qualquer troféu.

Ame este homem.

Novos ventos

O que você faz em 635 dias? Nesse período o Cleveland Browns perdeu. Mas no TNF da semana 3 desta temporada, Baker Mayfield deu ao Browns algo que ele não tinha há 635 dias: uma vitória.

Substituindo Tyrod Taylor após uma concussão, a primeira escolha geral do draft de 2018 explodiu uma vantagem de 14 pontos do New York Jets contaminando o estádio com um sentimento até então distante: esperança. E inspirando torcedores ao redor do PLANETA a torcer por um franquia até então motivo apenas de COMPAIXÃO.

Ao final de seu primeiro drive, Mayfield já tinha mais jardas do que Tyrod Taylor havia conseguindo em praticamente dois quartos – ele terminaria a partida com 17 passes completos em 23 tentativas para 201 jardas. Assim que Baker pisou em campo, parecia que o Browns havia desbloqueado diversas jogadas antes travadas em seu playbook – ele simplesmente era capaz de fazer o que Tyrod não conseguia.

O cenário em que tudo isso ocorreu dificilmente seria pensado por um ótimo roteirista especialista em CLICHÊS: jogo transmitido nacionalmente, três escolhas de primeira rodada do último draft e, bem, um running back correndo entre o estádio e o hospital enquanto esperava o nascimento de seu primeiro filho – no dia do seu aniversário.

Tudo é épico na vitória comandada por Mayfield: ele levou a equipe a um FG na primeira campanha, recebeu uma conversão de dois pontos ao final do terceiro quarto para empatar a partida e viu o então futuro pai, Carlos Hyde, anotar o TD da vitória.

Direto do túnel do tempo.

O caminho até ali

Nos primeiros 28 minutos de partida Cleveland foi o que havia sido nos últimos anos: uma equipe apática. O ataque estava imóvel enquanto Tyrod Taylor lutava contra sua própria incapacidade (foram quatro passes completos em 14 tentativas) e a de seus companheiros – Antonio Callaway deixou um TD fácil escapar e o jogo corrido simplesmente não fluía.

Para tornar tudo ainda mais cruel, Isaiah Crowell, ex-Browns, anotou dois TDs – no segundo, moleque travesso e rancoroso (rancor, o sentimento mais belo que um ser humano pode cultivar e alimentar), limpou-se com a bola e atirou na arquibancada. Mas logo depois Taylor precisou sair de campo e, com 1 minuto e 23 segundos no relógio, Baker entrou em campo disposto a interromper anos de sofrimento.

Dilly dilly!

Após a vitória, Joe Thomas perguntou a Mayfield onde ele encontrara confiança para jogar, já que não havia treinando como titular durante a semana. “Por mais engraçado que isso possa parecer, foi assim minha vida inteira”, respondeu, antes de perguntar. “Os bares ainda estão abertos? Dilly dilly!”, disse, se referindo a promessa de cerveja gratuita em caso de vitória dos Browns.

Na última quinta-feira, Baker não ganhou apenas um jogo, ele ganhou o direito de construir sua própria narrativa na NFL – assim como já havia feito em sua carreira universitária, onde escreveu sua história semana após semana. Mayfield não apenas derrotou os Buckeyes em Ohio; eles os derrotou e cravou a bandeira de Oklahoma em pleno Ohio Stadium.

Ele não apenas conquistou a titularidade em Texas Tech em seu primeiro ano; ele o fez e então se transferiu para Oklahoma, não apenas inspirando pessoas a fazerem camisas o criticando – ele as comprou para vestir. Mas como o próprio Baker disse após o jogo: “Passado é passado. Você precisa apertar o botão de reset e dar o próximo passo em frente”.

Agora não importa mais se Cleveland teve um dos maiores jogadores da história do basquete (e indiscutivelmente o melhor de sua geração) por 10 anos e o transformou em apenas um título. Não mais importa se Cleveland teve o melhor OT da história da NFL e não conseguiu nada além do que transformá-lo em um símbolo para cidade.

Na última quinta-feira, tudo valeu a pena, afinal, 635 dias depois, Cleveland bebeu cerveja de graça.

Sobre Hard Knocks e esperança

A introdução do Hard Knocks, documentário feito sobre a pré-temporada do Cleveland Browns, traz a pergunta que todos devem se fazer na cidade; o tipo de pergunta que dói só de pensar. Afinal, pela segunda vez em cinco anos, e após ter finalmente trazido o título que sentia que devia à sua cidade de nascença, LeBron James deixa Cleveland para uma cidade maior, mais uma vez deixando todos os habitantes apaixonados órfãos de esporte.

Para esse vazio nos corações, considerando que os Cavaliers já produziram alegrias demais e gastaram toda a sorte com jogadores ao ter LeBron por uns 10 anos (e os Indians jogam beisebol), temos os Browns. Um time que não chega aos playoffs desde 2002 (com Kelly Holcomb – não vamos fingir que conhecemos) e conseguiu a incrível façanha de não ganhar nenhum jogo em 2017.

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Também em Hard Knocks, vemos toda a mandinga de Hue Jackson, cumprindo a promessa de mergulhar no gelado Lago Erie (promessa feita caso não ganhasse nenhum jogo em 2017) na tentativa também de esfriar um pouco seu assento – sabe bem que, se não produzir em 2018, sua posição como Head Coach sequer durará até novembro.

Não à toa, para tentar fazer valer a promessa, com a primeira escolha do draft, além de seu estilo marrento (contrastante ao máximo com a dedicação sinistra de Tyrod Taylor, seu “mentor”) e sua altura levantando dúvidas durante os primeiros estudos no draft, aí está Baker Mayfield, vencedor do Heisman de 2017, que recebe a mesma pressão pela qual já passaram, por exemplo, Brandon Weeden, Johnny Manziel e outros 47 jogadores ao longo da história (QBs draftados pelos Browns, sim).

Como sempre, tudo leva a crer (e, no caso dos Browns, já estivemos errados com certa frequência) que ele tem todo o talento suficiente para trazer a virada para essa franquia.

Dilema de quarterbacks

Na verdade, chamar de dilema tem muito mais a intenção de criar impacto do que expor a realidade. Tyrod Taylor, que foi rejeitado pelos Bills (e substituído por um sem número de QBs bizarros, entre McCarron e Peterman) mesmo depois de ter sido o primeiro QB a levá-los aos playoffs desde Doug Flutie, veio através de uma troca por uma escolha de terceira rodada.

Se parece muito, vale lembrar que os Browns escolheram Cody Kessler e DeShone Kizer, hoje QBs reservas em Jacksonville e Green Bay, por esses rounds. E, apesar de claramente ter a capacidade de liderar um ataque com o talento que listaremos em Cleveland, os Browns precisavam de esperança de verdade para acertar de uma vez por todas.

Esse alguém é o dono do motorhome estacionado no CT dos Browns (que, divertido lembrar, contava até com um mordomo próprio chamado Brogan Roback, que se disfarçou de undrafted free agent para servir Mayfield e cia).

Jovem defesa, velho carrasco

Provavelmente, não existem muitos caras mais xaropes na NFL que Gregg Williams (sempre válido lembrar, a principal mente por trás do bountygate Saintista) – basta assistir suas entrevistas e aparições em Hard Knocks para ter vontade de desvalorizar a defesa e até simpatizar com Todd Haley, o coordenador ofensivo.

De qualquer forma, a reconstrução dessa defesa continua com novas jovens estrelas. Myles Garrett, que já aterrorizou a liga em apenas 11 jogos em 2017 com sete sacks, está finalmente saudável e o céu é o limite para ele. Oposto a ele, estará Emmanuel Ogbah, que teve como principal elogio ao seu potencial a decisão de Cleveland de não escolher Bradley Chubb na quarta posição desse draft por acreditar em sua força para complementar a grande estrela dessa defesa. Na posição de DE, sentiremos falta de Carl Nassib, cortado após os waivers, e que deu aula de investimento para os companheiros de linha defensiva.

Ao invés de Chubb, veio o CB Denzel Ward, de Ohio State (ou ali da esquina, como diriam em Cleveland), já com a responsabilidade de ser o CB1 oposto a Terrance Mitchell, que teve algumas boas aparições pelos Chiefs, mas será titular de verdade pela primeira vez na carreira – provavelmente marcando o slot, enquanto EJ Gaines, que foi trocado em 2017 por Sammy Watkins (junto com uma escolha de segunda rodada, claro). O único a retornar de 2017 nessa secundária é Jabrill Peppers, que será safety junto com Damarious Randall, CB vindo de Green Bay convertido (draftado como S, virou CB, e agora volta à posição original).

Complementando a defesa, Christian Kirksey, é o grande líder do sistema, e James Collins, aquele que tenta trazer a cultura dos Patriots para os Browns – vai dar certo, pode confiar.

Não sei como, apenas façam funcionar

Como tudo em Cleveland, a equipe de suporte do QB móvel (veja bem, em todos os sentidos) é um trabalho em construção. Ao menos, existe um ponto de referência, de um jogador acostumado a jogar em ataques medíocres, agora que Joe Thomas, o left tackle lendário e para sempre injustiçado, desistiu de jogar  e resolveu ser feliz: Jarvis Landry, WR que, ao menos ainda, não é tão lendário assim, aceitou 75,5M de dólares ao longo de cinco anos para tentar fazer parte da reconstrução da franquia – e ele se esforçou para parecer um líder dos jovens WRs dos Browns.

Landry é um recebedor extremamente confiável (vide os vídeos bizarros em que o vemos agarrando qualquer bola lançada de qualquer jeito); utilizado especialmente como válvula de escape com passes curtos em Miami, vide suas 400 recepções nos 4 primeiros anos de liga, um recorde.

VEJA TAMBÉM: Tudo o que o Bills precisa(va) está(va) em Tyrod Taylor

Com esse estilo conservador (que deverá ajudar a abrir espaços para Tyrod/Mayfield), é preciso ter complementos interessantes para adicionar ideias ao ataque: na figura de Josh Gordon, outro da lista de “grandes talentos atrapalhados pela maconha” (tanto por estupidez da liga como dele), os Browns têm exatamente isso – se Gordon chegar a qualquer coisa próxima do que conseguiu quando entrou na liga (nos já distantes 2012/13), em que produziu 137 recepções, 14 TDs e 2451 jardas em 30 jogos, essa dupla é algo próximo do que todo QB sempre sonhou.

Ainda na linha de recebedores para os quais Hue Jackson e Todd Haley terão que ser criativos, podemos adicionar David Njoku, escolha de primeiro round que não teve oportunidades suficientes para explorar toda sua capacidade atlética, além de ter enfrentado probleminhas com drops. Outra arma interessante é Duke Johnson, RB que produz muito mais com recepções (74 para 693 jardas em 2017), e deverá fazer suas aparições no slot e em 3rd downs.

Como companhia, Johnson terá Carlos Hyde, que produziu 1290 em 299 toques no ataque de Kyle Shanahan em San Francisco, na primeira temporada saudável da carreira – para motivar, no seu cangote estará Nick Chubb, jovem estrela vinda de Georgia e escolhido no segundo round do draft e que fez uma boa pré-temporada, apenas para aumentar a competição por ali.

Se as skill positions parecem prontas para explodir, a responsabilidade da linha ofensiva fica ainda maior. Chris Hubbard, ex-titular dos Steelers, deve fazer companhia para Kevin Zeitler, uma grande aquisição na free agency de 2017, do lado direito da linha; JC Tretter, que também desembarcou no ano passado, é o Center; por último, as principais novidades vêm no lado esquerdo: Austin Corbett foi selecionado na primeira posição do segundo round para cuidar da lugar que era de Joel Bitonio, promovido ao blind side, com o desafio nada simples de substituir o cara mais legal que já pisou em Cleveland.

Com tantos nomes interessantes, será ao menos divertido assistir o desenvolvimento do ataque de Tyrod Taylor para, em seguida e ao longo de muitos anos, ser o ataque de Baker Mayfield, o QB que funcionou em Cleveland (você leu aqui primeiro).

Palpite:

Enfrentando times medianos na AFC North, como Ravens e Bengals e a duvidosa AFC West, está claro que Cleveland poderá fazer um número razoável de vitórias e trazer alguma alegria para seus torcedores. Se o ataque encaixar, nove vitórias e chegar aos playoffs é algo possível – apenas para vermos Tyrod Taylor surpreendendo a todos de novo. A aposta segura, porém, fica na casa das 6 ou 7 vitórias, Baker Mayfield jogando cinco jogos mais ao final da temporada e novas toneladas de esperança para o sofrido povo de Cleveland – convenhamos, já seria um 2018 brilhante.

Refazendo o Draft 2017

Todos amamos o draft: mesmo sem assistir boa parte dos jogadores achamos que entendemos alguma coisa, afinal durante abril qualquer beco da internet tem seu próprio mock.

Mas a verdade é que nem aqueles que são pagos pra avaliar jogadores não têm a menor ideia do que estão fazendo: mesmo os melhores “talent evaluators” fazem algumas escolhas – e draft completos – extremamente questionáveis.

Só existe um exercício que permite acertar em cheio as escolhas: refazê-las. E é por isso que faremos esse divertido ensaio por aqui, porque estar certo só não é melhor que ver o New England Patriots perdendo.

Algumas regras simples: como o board está diferente, retiramos as trocas que foram feitas durante o evento. Não faria sentido para Chiefs e Texans trocar pra cima com uma oferta diferente do que aconteceu em 2017. Além disso, o cenário é basicamente aquele de maio/2017: as escolhas de Bengals e 49ers mostrarão isso.

1 – Cleveland Browns: Deshaun Watson (Texans) 

O mais curioso é que os Browns poderiam ter escolhido o melhor QB da classe na #14, porém… Browns. Os fãs de Sashi Brown não querem que você perceba isso, mas Watson vale mais do que a escolha #4 que o time conseguiu por ele.

Já ficava lindão de laranja.

2 – San Francisco 49ers: Marshon Lattimore (Saints) 

Richard Sherman só chegou um ano depois e nem solução sabemos se é. O 49ers pega o melhor CB da classe e que tem potencial pra ser All Pro. O time vai atrás de Kirk Cousins na janela do ano que vem, só não vê quem não quer.

3 – Chicago Bears: Patrick Mahomes (Chiefs)

Mitch Trubisky mostrou vários nada em 2017. O time ainda tem fé nele, mas tudo indica que Patrick Mahomes será um QB melhor.

4 – Jacksonville Jaguars: Kareem Hunt (Chiefs) 

Leonard Fournette foi bem, mas Kareem Hunt foi melhor. Um time que tem Blake Bortles tem que tirar a bola das mãos dele mesmo.

5 – Tennessee Titans: Juju Smith-Schuster (Steelers)

Se é pra fazer um reach por um Wide Receiver, que pelo menos seja pelo melhor da classe, ao menos pelo que vimos em 2017.

6 – New York Jets: Jamal Adams (Jets) 

Nada como ter uma boa peça para começar a reconstruir a secundária, o que se mostrou claramente um dos planos da equipe nos últimos dois anos.

7 – Los Angeles Chargers: Pat Elflein (Vikings)

O time focou em reforçar o interior da linha em 2017, e escolher um dos melhores rookies do ano que pode jogar como Guard ou Center ajudaria a manter Phillip Rivers vivo pelos próximos anos.

8 – Carolina Panthers: Alvin Kamara (Saints)

Alvin Kamara foi o que se esperava de Christian McCaffrey. Não precisamos falar mais nada.

9 – Cincinnati Bengals: Cam Robinson (Jaguars) 

A linha ofensiva foi deprimente em 2017. Muito melhor escolher um LT que um WR que você está pensando em transformar em CB. 

10 – Buffalo Bills: Mitch Trubisky (Bears)

Esperando um ano atrás de Tyrod Taylor, Mitch dá aos Bills a oportunidade de não se desesperar por um QB de 2018 em diante.

11 – New Orleans Saints: Tre’Davious White (Bills)

Não tendo mais Marshon Lattimore, os Saints conseguem um CB de nível de Pro Bowl do mesmo jeito.

Não preciso nem pegar o avião pra se mudar.

12 – Cleveland Browns: Myles Garrett (Browns) 

O mundo dá voltas. Talvez se tivesse jogado todos jogos da temporada, Garrett estaria mais valorizado aqui.

13 – Arizona Cardinals: Evan Engram (Giants) 

Não dá pra lançar bolas só pra Larry Fitzgerald e querer ser feliz ao mesmo tempo.

14 – Philadelphia Eagles: Leonard Fournette (Jaguars)

O time, à essa altura, não tinha RB. E Fournette jogando nesse ataque ao lado de Carson Wentz seria divertido demais.

15 – Indianapolis Colts: TJ Watt (Steelers) 

O time tem uma quantidade enorme de buracos, e pass rusher é uma delas. Bem, não é como se o Colts fosse ser bom mesmo, então o ideal é ir adicionando talento.

16 – Baltimore Ravens: Corey Davis (Titans) 

O jogo contra os Patriots mostrou que Davis pode ser um bom jogador. Como é WR e foi para o Ravens nesse cenário, provavelmente não será.

17 – Washington Redskins: Jonathan Allen (Redskins) 

Allen foi bem até se machucar. Não tem porque o Redskins fazer diferente aqui.

18 – Tennessee Titans: Derek Barnett (Eagles)

Barnett fazia parte da rotação dos Eagles, e se fosse titular absoluto provavelmente teria um impacto ainda maior. Faz sentido para o Titans.

19 – Tampa Bay Buccaneers: Dalvin Cook (Vikings)

Os Bucs queriam Cook, e dessa vez não inventaram moda.

Dias de um futuro esquecido.

20 – Denver Broncos: Ryan Ramczyk (Saints)

Bolles não foi tão mal, mas Ramczyk foi um OT melhor.

21 – Detroit Lions: Adoree’ Jackson (Titans)

Nada como um CB para jogar oposto a Darius Slay. O torcedor dos Lions (o único que conheço) não gostava de Nevin Lawson.

22 – Miami Dolphins: Solomon Thomas (49ers)

Thomas não empolgou em 2017, mas ainda podemos esperar algo dele daqui pra frente. De qualquer forma, Charles Harris também não empolgou mesmo.

23 – New York Giants: Garett Bolles (Broncos)

Porque Eli Manning precisa de mais de um segundo para lançar a bola.

24 – Oakland Raiders: Marcus Williams (Saints) 

Alguém precisa interceptar bolas nessa defesa, e Marcus Williams é esse cara. Não deixe a jogada que marcou sua carreira até aqui te enganar: Williams é um baita jogador.

25 – Houston Texans: Christian McCaffrey (Panthers)

Se o time ainda não tem um QB, que pelo menos consiga um jogador versátil pra tirar a bola das mãos de seja lá quem estiver lançando a bola.

26 – Seattle Seahawks: Dion Dawkins (Bills)

A linha ofensiva é medonha. Dion Dawkins deixou o Bills confortável para trocar Cordy Glenn e com certeza é melhor que seja lá quem o Seahawks escala na ponta da OL.

27 – Kansas City Chiefs: DeShone Kizer (Browns)

Kizer foi colocado numa situação impraticável em Cleveland. Em Kansas City ele teria a oportunidade de não ser fritado. Andy Reid confia no próprio taco a ponto de fazer essa escolha.

28 – Dallas Cowboys: David Njoku (Browns) 

Jason Witten é imortal, mas nem tanto.

29 – Green Bay Packers: Carl Lawson (Bengals) 

Clay Matthews não é confiante como pass rusher há muito tempo. E Carl Lawson jogou mais que muito jogador escolhido na primeira rodada.

30 – Pittsburgh Steelers: John Johnson III (Rams)

Porque o time precisa de ajuda na posição de Safety. Alguém precisa derrubar Chris Hogan correndo livre por aquela secundária.

31 – Atlanta Falcons: OJ Howard (Buccaneers) 

OJ não correspondeu as expectativas em 2017, mas não é todo TE que joga bem como calouro.

32 – New England Patriots: Takkarist McKinley (Falcons)

Porque esse time não tinha pass rusher nem quando terminaria a temporada invicto.

A alegria de vazar da NFC.

É mais difícil do que parece, amigos.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints. Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado. Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

A hora de enxergar a luz no fim do túnel

Cleveland chegou ao fundo do poço na última temporada, com uma campanha com apenas uma vitória e 15 derrotas. Mas o fato é que se tratava de um passo necessário: antes de iniciar o processo de recuperação, era preciso sanar as dúvidas em torno da posição mais importante do football – ter seis quarterbacks em um único ano nunca foi uma receita para o sucesso.

Além disso, é difícil ser pior do que os Browns foram neste passado recente, então ao menos agora há razões para otimismo. Voltando para 2016, a franquia trouxe Hue Jackson como HC na esperança que ele desenvolvesse outro QB em Ohio – ele fez de Andy Dalton alguém um pouco acima da linha da mediocridade, então não podemos duvidar de sua capacidade.

Quem transforma mediocridade em produção ergue o dedo.

E se antes o retorno de RGIII não vingou (nós já sabíamos) e Cody Kessler ainda luta contra uma imaturidade latente e um braço de macarrão, a esperança está em DeShone Kizer, já que, graças ao bom Deus, Brock Osweiler não está mais entre nós.

Melhores do que você supõe

Apesar dos números finais da campanha indicarem o contrário, a verdade é que Cleveland não foi uma piada na última temporada: era apenas uma franquia em reconstrução, que se manteve segura em seu plano e trazia consigo a falta de talento em vários setores. Ainda com isso, sob o comando de Hue Jackson, os Browns conseguiram construir sua própria identidade, além de ter um plano de jogo coeso mantido mesmo nas situações mais adversas – eles jogaram duro, e venderam caro ao menos 5 ou 6 derrotas: Cleveland foi muito melhor do que suas 15 derrotas podem sugerir.

Para 2017, inegavelmente, o elenco é melhor, embora não vejamos muita melhora no jogo aéreo – aliás, na NFL contemporânea, um jogo aéreo como o que os Browns tem hoje tende a mantê-los na irrelevância.

E mesmo que DeShone Kizer surja como um motor propulsor, ainda faltarão armas para auxiliá-lo. Corey Coleman teve que aprender o que era ser um WR praticamente do zero em seu primeiro ano, e não podemos cravar que se tornará um alvo confiável para sua segunda temporada; Kenny Britt chegou da free agency, mas sua carreira na NFL até aqui teve a consistência de uma gelatina; no final das contas, Kizer deve se apoiar muito no rookie TE David Njoku que, além de precisar se ajustar rápido a NFL, precisará se adaptar ao sistema ofensivo intenso e extremamente exigente com TEs de Hue Jackson (que, não obstante, consagrou jogadores medíocres como Gary Barnidge).

A esperança

A OL dos Browns é uma das melhores unidades de bloqueio da NFL. Joe Thomas, além do maior ser humano que já pisou neste planeta, é indiscutivelmente o melhor protetor do blind side da liga (se quiser discorda, discorda aí na sua casa). E o G Joel Bitonio é excelente – para compreender sua importância, tenha em mente que Joel jogou apenas quatro partidas completas na última temporada, e os Browns marcaram mais que 20 pontos em três delas; nas outras 12, o Browns ultrapassou o número apenas quatro vezes.

A gente nunca deixará você esquecer que entrevistamos ele.

Nessas quatro partidas em que Joel esteve em campo, Isaiah Crowell teve média de 6.5 jardas por tentativa, ultrapassando a marca de 120 jardas duas vezes. Sim, esses foram números de Isaiah Crowell. Acredite.

Cleveland, porém, teve alguns problemas na posição de Center, já que Cameron Erving era algo próximo de uma tragédia. Para preencher esta lacuna (era como se o Browns jogasse sem um C. Não estamos exagerando), JC Tretter, ex-Green Bay Packers, desembarca em Ohio. E mesmo que jogue sem usar um braço, Tretter será um imenso reforço quando comparado a Erving (que Deus o tenha).

O outro lado

O Browns demitiu seu coordenador defensivo e um caminhão de assistentes e trouxe o veterano Gregg Williams, que tem em seu currículo um excelente trabalho no finado St. Louis Rams (além do também saudoso bountygate em Nova Orleans), para consertar o setor.

Com a mudança de comando é natural também uma mudança de esquema, que já vinha sendo planejada e teve as escolhas do último draft focadas nesta nova filosofia. O DE Myles Garret, talvez uma das maiores abominações físicas que a humanidade já viu, foi a primeira escolha e tem tudo para se tornar um dos melhores pass rushers da NFL já em sua primeira temporada – com apenas 21 anos.

Crush.

Aliás, deixar Mitchell Trubisky para o Bears e selecionar o óbvio, Myles Garret, é uma das histórias mais simbólicas do último draft; olhe para o passado e raciocine: seria algo como o Texans deixar de escolher Jadeveon Clowney para selecionar Blake Bortles em 2014!

Já Jabril Peppers iniciará o ano como SS, embora tenha jogado também como LB no college (mas não tem estrutura física para a posição em âmbito profissional), e possa também se aventura como CB esporadicamente.

Claro, eles terão que lidar com a curva de aprendizado natural em uma transição entre faculdade e NFL, mas ambos têm o talento necessário para se adaptar rapidamente. Outro grande trunfo desta defesa foi manter o LB Jamie Collins (adquirido ano passado em uma troca com os Patriots), extremamente cobiçado durante a offseason.

Já para a posição de CB, o Browns trouxe Jason McCourty, que deve ser extramente útil – e agora precisará ajudar a suprir a ausência de Joe Haden, aparentemente um torcedor do Steelers que passou alguns anos infiltrado em Cleveland.

Palpite: O Browns não é mais a pior equipe da NFL – no fundo, nem no ano passado eles eram. Cleveland tem umas das grandes OLs da liga e uma defesa jovem e talentosa. Lembra aquelas 5 ou 6 derrotas que foram entregues com muito suor em 2016? Provavelmente em 2017 elas se tornarão vitórias suadas, então uma realidade com algo entre 5 a 7 êxitos não chega a soar um absurdo; um pequeno passo em direção ao Super Bowl em, talvez, 2020.

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

From Cleveland to Brazil: Joe Thomas speaks about the Browns future

It is hard to talk about everything that makes Joe Thomas so effective; he’s probably the quintessential offensive tackle: nobody in the NFL can use their hands better or has the same reaction power.

Joe’s individual accomplishments make us realize how good he really is. After all, since he entered the league in 2007, watching a Browns game was, for a long time, summed in watching the OT’s game: 160 games (he started all games since he was drafted) and 10 trips to the Pro Bowl.

On the other hand, Joe also saw 18 quarterbacks, 8 offensive coordinators and 6 head coaches passing through Cleveland in that span. All these changes led the Browns to just 48 wins, 10 of those in his first year as a player and, since then, just one season with more than 5 (7 in 2013).

The selection

Joe was drafted right after Calvin Johnson. Adrian Peterson came off the board four spots after the Wisconsin lineman. Patrick Willis, the linebacker who made history playing for the San Francisco 49ers and Marshawn Lynch, drafted by the Buffalo Bills, were picks 11 and 12 that year. Darrelle Revis was number 14 and the likes of Eric Weddle and Ryan Kalil were drafted only in the second round.

In my freshman year in college, coaches questioned me whether I’d like to participate in the Scouting Combine, to measure my status for the draft”, Joe remembers. “Until that day, I’d never really thought of reaching the NFL, even with a few more years with the Badgers ahead”.

Combine results showed he would be drafted in the beginning of the first round and amplified Joe’s perception: in that moment, he realized the NFL would become a reality. Years later, with the third pick, the Browns drafted Thomas. And, even if the Draft is generally an erroneous science, it is almost unquestionable that, among that years’ picks, Joe has built one of the most solid careers so far.

A nice guy!

A long winter

Thomas landed in Cleveland at the same time as the Cavs were flirting with the NBA Finals and the city was trying to purge its sports curses trough LeBron James, Akron’s prodigy son. “Definitely, there is a different buzz”, Thomas joked in a Grantland interview at the time. “But I know that even if the people are happy about having a great basketball team, deep down, Cleveland is still a football city”.

And even if neither the Cavaliers nor the Browns won titles in 2007, there was a clear excitement in Ohio; Browns won 10 games in Thomas’ rookie season. “You heard about Believeland. People used to hold posters in the stadium. It looked like it was coming back. But in the following year we had a bad season and since then we got into ‘reset mode’”.

The last “reset”

With each new quarterback and each new head coach, Joe realized this also meant two or three more years of rebuilding, and that pushed him away from his objectives: to make the Browns a winning team. After years in this process, projections are great now.

I think the Browns are gonna be much better this year. We’ve had a huge infusion of talent from free agency and more recently from the draft. I think Sashi Brown did an excellent job during the draft picking talented players while also adding picks in future years”, says Joe, who promises to be a mentor to the rookies. “My favorite thing to tell young players is: be on time, pay attention, and work hard. Those are three simple things but they are the keys to success in the NFL”.

Maybe for the first time, Thomas doesn’t hide his excitement: in his Twitter account, Joe affirmed that Myles Garrett, Jabrill Peppers and David Njoku will all be Hall of Famers. And if the future reserves better days to Cleveland, nothing is better than making the franchise global.

I’m really excited to be playing in London this upcoming season and hope the NFL will continue to expand in future years, including Brazil”, says. “I think this international expansion is one of the best things the NFL has done recently. It’s important for us to realize how many fans we have in other countries and how eager those fans are to be able to enjoy the fantastic NFL product in person”.

*Special thanks to @ShikSundar and @EulerBropleh for making this possible.