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Refazendo o Draft 2017

Todos amamos o draft: mesmo sem assistir boa parte dos jogadores achamos que entendemos alguma coisa, afinal durante abril qualquer beco da internet tem seu próprio mock.

Mas a verdade é que nem aqueles que são pagos pra avaliar jogadores não têm a menor ideia do que estão fazendo: mesmo os melhores “talent evaluators” fazem algumas escolhas – e draft completos – extremamente questionáveis.

Só existe um exercício que permite acertar em cheio as escolhas: refazê-las. E é por isso que faremos esse divertido ensaio por aqui, porque estar certo só não é melhor que ver o New England Patriots perdendo.

Algumas regras simples: como o board está diferente, retiramos as trocas que foram feitas durante o evento. Não faria sentido para Chiefs e Texans trocar pra cima com uma oferta diferente do que aconteceu em 2017. Além disso, o cenário é basicamente aquele de maio/2017: as escolhas de Bengals e 49ers mostrarão isso.

1 – Cleveland Browns: Deshaun Watson (Texans) 

O mais curioso é que os Browns poderiam ter escolhido o melhor QB da classe na #14, porém… Browns. Os fãs de Sashi Brown não querem que você perceba isso, mas Watson vale mais do que a escolha #4 que o time conseguiu por ele.

Já ficava lindão de laranja.

2 – San Francisco 49ers: Marshon Lattimore (Saints) 

Richard Sherman só chegou um ano depois e nem solução sabemos se é. O 49ers pega o melhor CB da classe e que tem potencial pra ser All Pro. O time vai atrás de Kirk Cousins na janela do ano que vem, só não vê quem não quer.

3 – Chicago Bears: Patrick Mahomes (Chiefs)

Mitch Trubisky mostrou vários nada em 2017. O time ainda tem fé nele, mas tudo indica que Patrick Mahomes será um QB melhor.

4 – Jacksonville Jaguars: Kareem Hunt (Chiefs) 

Leonard Fournette foi bem, mas Kareem Hunt foi melhor. Um time que tem Blake Bortles tem que tirar a bola das mãos dele mesmo.

5 – Tennessee Titans: Juju Smith-Schuster (Steelers)

Se é pra fazer um reach por um Wide Receiver, que pelo menos seja pelo melhor da classe, ao menos pelo que vimos em 2017.

6 – New York Jets: Jamal Adams (Jets) 

Nada como ter uma boa peça para começar a reconstruir a secundária, o que se mostrou claramente um dos planos da equipe nos últimos dois anos.

7 – Los Angeles Chargers: Pat Elflein (Vikings)

O time focou em reforçar o interior da linha em 2017, e escolher um dos melhores rookies do ano que pode jogar como Guard ou Center ajudaria a manter Phillip Rivers vivo pelos próximos anos.

8 – Carolina Panthers: Alvin Kamara (Saints)

Alvin Kamara foi o que se esperava de Christian McCaffrey. Não precisamos falar mais nada.

9 – Cincinnati Bengals: Cam Robinson (Jaguars) 

A linha ofensiva foi deprimente em 2017. Muito melhor escolher um LT que um WR que você está pensando em transformar em CB. 

10 – Buffalo Bills: Mitch Trubisky (Bears)

Esperando um ano atrás de Tyrod Taylor, Mitch dá aos Bills a oportunidade de não se desesperar por um QB de 2018 em diante.

11 – New Orleans Saints: Tre’Davious White (Bills)

Não tendo mais Marshon Lattimore, os Saints conseguem um CB de nível de Pro Bowl do mesmo jeito.

Não preciso nem pegar o avião pra se mudar.

12 – Cleveland Browns: Myles Garrett (Browns) 

O mundo dá voltas. Talvez se tivesse jogado todos jogos da temporada, Garrett estaria mais valorizado aqui.

13 – Arizona Cardinals: Evan Engram (Giants) 

Não dá pra lançar bolas só pra Larry Fitzgerald e querer ser feliz ao mesmo tempo.

14 – Philadelphia Eagles: Leonard Fournette (Jaguars)

O time, à essa altura, não tinha RB. E Fournette jogando nesse ataque ao lado de Carson Wentz seria divertido demais.

15 – Indianapolis Colts: TJ Watt (Steelers) 

O time tem uma quantidade enorme de buracos, e pass rusher é uma delas. Bem, não é como se o Colts fosse ser bom mesmo, então o ideal é ir adicionando talento.

16 – Baltimore Ravens: Corey Davis (Titans) 

O jogo contra os Patriots mostrou que Davis pode ser um bom jogador. Como é WR e foi para o Ravens nesse cenário, provavelmente não será.

17 – Washington Redskins: Jonathan Allen (Redskins) 

Allen foi bem até se machucar. Não tem porque o Redskins fazer diferente aqui.

18 – Tennessee Titans: Derek Barnett (Eagles)

Barnett fazia parte da rotação dos Eagles, e se fosse titular absoluto provavelmente teria um impacto ainda maior. Faz sentido para o Titans.

19 – Tampa Bay Buccaneers: Dalvin Cook (Vikings)

Os Bucs queriam Cook, e dessa vez não inventaram moda.

Dias de um futuro esquecido.

20 – Denver Broncos: Ryan Ramczyk (Saints)

Bolles não foi tão mal, mas Ramczyk foi um OT melhor.

21 – Detroit Lions: Adoree’ Jackson (Titans)

Nada como um CB para jogar oposto a Darius Slay. O torcedor dos Lions (o único que conheço) não gostava de Nevin Lawson.

22 – Miami Dolphins: Solomon Thomas (49ers)

Thomas não empolgou em 2017, mas ainda podemos esperar algo dele daqui pra frente. De qualquer forma, Charles Harris também não empolgou mesmo.

23 – New York Giants: Garett Bolles (Broncos)

Porque Eli Manning precisa de mais de um segundo para lançar a bola.

24 – Oakland Raiders: Marcus Williams (Saints) 

Alguém precisa interceptar bolas nessa defesa, e Marcus Williams é esse cara. Não deixe a jogada que marcou sua carreira até aqui te enganar: Williams é um baita jogador.

25 – Houston Texans: Christian McCaffrey (Panthers)

Se o time ainda não tem um QB, que pelo menos consiga um jogador versátil pra tirar a bola das mãos de seja lá quem estiver lançando a bola.

26 – Seattle Seahawks: Dion Dawkins (Bills)

A linha ofensiva é medonha. Dion Dawkins deixou o Bills confortável para trocar Cordy Glenn e com certeza é melhor que seja lá quem o Seahawks escala na ponta da OL.

27 – Kansas City Chiefs: DeShone Kizer (Browns)

Kizer foi colocado numa situação impraticável em Cleveland. Em Kansas City ele teria a oportunidade de não ser fritado. Andy Reid confia no próprio taco a ponto de fazer essa escolha.

28 – Dallas Cowboys: David Njoku (Browns) 

Jason Witten é imortal, mas nem tanto.

29 – Green Bay Packers: Carl Lawson (Bengals) 

Clay Matthews não é confiante como pass rusher há muito tempo. E Carl Lawson jogou mais que muito jogador escolhido na primeira rodada.

30 – Pittsburgh Steelers: John Johnson III (Rams)

Porque o time precisa de ajuda na posição de Safety. Alguém precisa derrubar Chris Hogan correndo livre por aquela secundária.

31 – Atlanta Falcons: OJ Howard (Buccaneers) 

OJ não correspondeu as expectativas em 2017, mas não é todo TE que joga bem como calouro.

32 – New England Patriots: Takkarist McKinley (Falcons)

Porque esse time não tinha pass rusher nem quando terminaria a temporada invicto.

A alegria de vazar da NFC.

É mais difícil do que parece, amigos.

Tentando curar a grande ressaca

Se a ascensão foi rápida, a queda foi ainda mais intensa. E agora, novamente, o Carolina Panthers se encontra no chão, tentando escalar a montanha mágica com um misto de novos e velhos talentos. Claro, o “velho” não é tão velho assim: Cam Newton recém completou 28 anos, e entra em sua sétima temporada na NFL – o grande “porém” é que, inegavelmente, ele deu alguns (vários) passos para trás em 2016, com uma de suas temporadas profissionais com menor percentual de passes completos, apenas 52,9%; além disso, seu YPA esteve abaixo de 7 pela primeira vez, enquanto seu touchdown-to-interception ratio, que antes figurava em 35:10, chegou a 19:14.

O fato é que, após chegar ao Super Bowl, em um ano com 15 vitórias e apenas uma derrota, a temporada que passou trouxe um choque de realidade a franquia da Carolina do Norte. Para o novo ano, Newton, além da pressão inerente por retornar ao nível que o levou ao MVP em 2015, terá ainda que superar uma lesão em seu ombro após uma cirurgia em meados de março.

As novas armas

Para recuperar a força ofensiva, o Panthers investiu alto no draft para dar nova vida a um sistema que parecia velho e lento em 2016: o RB Christian McCaffrey e WR Curtis Samuel entrarão rapidamente em campo para adicionar velocidade e juventude ao Carolina.

McCaffrey será uma arma extremamente versátil no arsenal ofensivo e se, por um lado deve dividir carregadas com os restos mortais de Jonathan Stewart, será ainda um alvo de Newton, principalmente em formações como slot. Já Curtis traz um estilo de jogo comparado aos bons tempos de Percy Harvin (você, jovem, já não lembrará dessa época) e pode explodir em campo sempre que receber a bola.

Chama “esperança” isso aí.

Samuel já é um cenário melhor que confiar em Ted Ginn e sua mera presença anima um corpo de recebedores que flertou com a irrelevância na temporada passada: Kelvin Benjamin, talvez então o alvo mais confiável de Cam, parecia lutar contra lesões e seu próprio corpo em 2016 e nunca efetivamente se reencontrou, enquanto Devin Funchess talvez tenha se consolidado como uma das maiores decepções a já pisar em Charlotte – com incríveis 23 recepções para 371 jardas em um 2016 já distante.

Mesmo assim, o alvo preferido de Newton continuará sendo o TE Greg Olsen – amanhã e enquanto ele ainda tiver forças para estar em campo. É ótimo ter alguém como Olsen para confiar, já que é impossível sequer ter algum resquício de esperança com a OL, setor que tem sido horrível há anos no Panthers e que, claro, tende a continuar fedendo.

Protegendo Cam

Proteger Cam Newton e mantê-lo saudável irá determinar como esta temporada se desenrolará para o Panthers. A aposta para isso foi no ex-Viking Matt Kalil, responsável agora por proteger o lado cego do quarterback – mesmo assim, tudo na negociação, desde o contrato válido por cinco anos e US$55 milhões, é questionável, já que basta perguntar a qualquer torcedor de Minnesota para ouvir que Matt não é um bloqueador decente; a verdade é que Kalil teve um bom início de carreira, mas as inúmeras lesões o trituraram.

O acordo com Kalil, aliás, acabou sendo um dos últimos atos do então GM Dave Gettleman, demitido em meados de julho, em um atitude clara de uma franquia que tem total controle e convicção em seus atos, afinal, demitir um GM após a Free Agency e faltando pouco mais de um mês para o começo da temporada é uma prática que consta em todos os manuais de gestão de uma franquia da NFL.

De todo modo, se Matt tende a ser uma decepção – ou na melhor das hipóteses apenas não irá suprir as altas expectativas -, Carolina tem em seu irmão, Ryan, um dos melhores C da NFL, que terá ao seu lado a companhia de dois G extremamente talentosos: Andrew Norwell e Trai Turner.

Outro ponto positivo para Carolina é que a tabela se mostra significativamente mais fácil em 2017 e da FA ainda desembarcaram o DE Julius Peppers e o CB Captain Munnerlyn diretamente da NFC North, dois veteranos que já jogaram em Charlotte e devem se encaixar relativamente bem no cotidiano da franquia.

Volta, bb!

Reconstruindo a casa

Cam Newton foi o MVP em 2015, mas talvez a principal razão para o Panthers ter chegado ao Super Bowl tenha sido seu sistema defensivo que, assim como toda a equipe, regrediu muito em 2016 graças ao adeus de Josh Norman e as lesões do LB Luke Kuechly.

Para 2017, Carolina terá o primeiro ano de Steve Wilks como coordenador defensivo, substituindo Sean McDermott que assumiu como HC do Buffalo Bills. E, para se sobressair na NFC South enfrentando Jameis Winston, Drew Brees e Matt Ryan, melhorar a secundária é fundamental.

James Bradberry, escolhido na segunda rodada do draft em 2016, jogou muito bem como novato na temporada passada, mas é improvável que ele atinja o status que Norman atingiu em Carolina se não tiver auxílio. A secundária, aliás, foi incendiada na primeira metade da temporada passada, mas evoluiu com o passar do tempo e o entrosamento de James e Daryl Worley.

Já sobre a linha defensiva, o Panthers tem o retorno do já citado Julius Peppers, que obviamente não está ficando mais jovem, mas teve bons números com o Packers em 2016 já com um papel limitado – mesma situação do DE Charles Johnson que aos 31 anos perdeu toda offseason por conta de uma cirurgia e precisará ter seu tempo em campo dosado.

Inegavelmente, o grande trunfo do sistema defensivo do Panthers é o corpo de LBs – mesmo que esse não tenha sido o caso após a concussão de Kuechly. Luke, porém, está de volta e junto com Shaq Thompson e Thomas Davis formam o melhor trio da posição na NFL.

Palpite: Mesmo com todas as mudanças e a tentativa de reconstruir o sistema defensivo, a chave para o sucesso do Panthers ainda é Cam Newton: ele precisará usar as novas armas de maneira eficaz e também precisará se livrar da bola mais rapidamente, já que conta com uma OL capaz de passar vergonha no college. Além disso, precisará vencer jogos no quarto período, o que esteve longe de ocorrer em 2016. E mesmo que Carolina tenha cercado seu quarterback com uma boa equipe, o topo da montanha só será alcançado se, de alguma forma, Cam atuar como em 2015 (antes do Super Bowl, claro). Bom, não vai acontecer e 8 vitórias é uma realidade mais palpável.