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Ainda há muito a ser feito

Não é segredo para ninguém que o Buffalo Bills estava insatisfeito com Tyrod Taylor – Rex Ryan (que Deus o tenha) sempre deu indiretas sobre a situação do QB e, bem, diante do Chargers na temporada passada o Bills optou por Nathan Peterman em uma das experiências mais constrangedoras que o football já presenciou. Mesmo assim, Tyrod superou a punhalada e conseguiu levar Bufallo aos playoffs após alguns séculos; como recompensa, não teve seu contrato renovado.

Mas ao quebrar uma seca de 17 anos sem chegar a pós-temporada, o Bills deu aos seus torcedores uma razão para sonhar – durante o caminho, o novo GM Brandon Beane e o HC Sean McDermott ganharam as chaves da cidade. É fato, porém, que caso Buffallo tivesse um ataque mais consistente, eles poderiam ter aproveitado um pouco mais sua aventura em janeiro – e não uma eliminação amarga para o Jacksonville Jaguars (10-3) no Wild Card.

Além disso, é notório que a classificação só veio após o evento, já cunhado na posteridade, como o MILAGRE DE ANDY DALTON – que venceu Baltimore quando nada mais estava em jogo, além do AMOR PRÓPRIO.

Um (não tão) belo futuro

Para 2018, Buffalo buscou AJ McCarron nos Bengals mas, claro, seus planos passavam pelo draft e, após uma suruba (troca de escolhas), a franquia selecionou Josh Allen – ninguém quer seu futuro nas mãos de um morfético como McCarron. Se o jogador não consegue sequer disputar posição com Andy Dalton, tem-se muito a refletir sobre tal.

O jovem de Wyoming é móvel e tem força no braço (marque na sua cartela), embora ainda seja considerado por especialistas (reforçamos: categoria na qual não nos enquadramos) extremamente cru. O plano inicial era que AJ fizesse a transição inicial enquanto o jovem QB é preparado, mas aparentemente McCarron morreu (mas passa bem) já na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada) e Allen será jogada aos leões já nos próximos dias.

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E talvez não no sentido figurado, visto que linha ofensiva está aos pedaços (e perdeu três bons nomes na última offseason: Richie Incognito e Eric Wood estão na fila do INSS e Cordy Gleen rumou para o Bengals). Dion Dawkins entra em seu segundo ano com mais responsabilidade – e há espaço para evolução, já que sua temporada como rookie foi empolgante para o então sofrido torcedor de Buffalo Ao seu lado ele terá Russel Rodine, titular por um bom tempo em Cincinatti (o que pode dizer muito e, ao mesmo tempo, nada). Wyatt Teller, rookie de Virginia Tech selecionado no 5º round também reforça o setor.

Por tudo isso, não restará muita opção (ao menos no início) além de entregar a bola para LeSean McCoy e torcer para que a magia aconteça – LeSean correu para 3300 jardas (média de mais de 4.5 por tentativa) e 22 TDs desde que desembarcou em Bufallo há três anos em uma troca com o Eagles que, a cada dia que passa, parece ser boa demais para ser verdade. Há, ainda, a adição de Chris Ivory – que se não empolga, servirá ao menos para dividir a carga de trabalho e dar alguns minutos para McCoy tomar seu Gatorade.

De qualquer forma, se a OL for capaz de manter Allen em uma posição minimamente vertical (seja lá o que isso signifique), o conjunto ofensivo entregará melhores números – bom, não é como se existisse muito espaço para regredir, embora dependa de um ataque aéreo problemático.

Kelvin Benjamin chegou na offseason e seu passado inspira pouca (para não dizer nenhuma) confiança; já Zay Jones entra em sua segunda temporada precisando provar a que veio (spoiler: vai dar merda, vide suas aventuras durante as férias, devidamente registradas em vídeo na rede mundial de computadores).

Restam o WR Jeremy Kerley e o TE Charles Clay, que vem da melhor temporada de sua carreira – novamente: pode dizer muito, mas ao mesmo tempo pode não dizer nada (e é mais provável que não diga nada).

O perigo mora ao lado

O Bills cedeu menos de 17 pontos em 10 partidas em 2017 – e isso inclui a eliminação para o Jaguars. Muito disso se deve a uma das melhores secundárias da liga; o então rookie CB Tre’Davious White foi excepcional, enquanto os Safeties Jordan Poyer e Micah Hyde, também brilharam. Esperar uma nova temporada sólida e com poucos pontos cedidos é uma aposta quase certeira; os três combinaram para 246 tackles e 14 INTs.

A perda de EJ Gaines, agora em Cleveland, será sentida; para seu lugar o Bills trouxe os restos mortais de Vontae Davis e, por mais que a nostalgia encante, você sabe que não dará certo.

Outra seleção de primeira rodada no último draft foi o linebacker Tremaine Edmunds, para reforçar um setor que foi apenas digno no ano que passou – Edmunds terá ao seu lado Matt Milano, agora em sua segunda temporada, e o eterno Lorenzo Alexander – uma inegável referência em Buffalo, mas de quem se espera, compreensivelmente, uma queda de produção.

Já para exercer pressão no ataque adversário, o Bills conta com Jerry Hughes e Shaq Lawson – Kyle Williams e Adolphus Washington completam o quarteto que combinou para 12 sacks na última temporada. Espera-se também que o novo milionário do pedaço, Star Lotulelei (que recém assinou um contrato de cinco anos e US$50 milhões sem o menor sentido lógico), faça algo (spoiler: não fará. Você leu aqui – e em vários lugares – primeiro).

Palpite

Ao chegar aos palyoffs pela primeira vez desde o longínquo 1999 o Bills enlouqueceu as ruas de Buffalo. Foi bonito, mas é o momento de voltar à realidade: Tyrod Taylor pode ter suas limitações, mas tinha experiência e números dignos (22-20). O plano de McCarron dar tempo para Josh Allen se preparar ruiu antes mesmo do bom senso mandar abortá-lo. Em geral, se a defesa seguir em alto nível e McCoy carregar o ataque nas costas, é possível sonhar com a segunda colocação da AFC East, mas dessa vez sem playoffs. Para Josh Allen, o futuro imediato é negro: cinco das sete primeiras partidas serão fora de casa e sua adaptação não será facilitada. Como timing é uma mera questão de perspectiva, tudo pode dar certo daqui cinco ou seis anos, quando os WRs atuais forem substituídos por atletas profissionais e um certo Tom Brady já estiver aposentado.

Cansamos de apanhar, agora podemos bater. Ou pelo menos dar uns tapas

2016 será interessante para a AFC South. Todos os quatro times parecem ter razões para acreditar que podem chegar aos playoffs (e até mesmo ir longe neles). Surpreendentemente, o mais equilibrado dos quatro parece ser o Jacksonville Jaguars.

David Caldwell, com bons drafts para corrigir erros bizarros anteriores como Blaine Gabbert e Bryan Anger, em conjunto com Gus Bradley, que foi o coordenador defensivo que produziu a defesa do Seahawks ao lado de Pete Carroll, realizaram um excelente trabalho para tirar Jacksonville da eterna mediocridade.

Sabiamente também, Gus Bradley roubou o guru Greg Olson dos Raiders, famoso especialmente por ser apontado como um dos grandes responsáveis pela excepcional campanha de Josh Freeman (!) em 2011. Olson agora é o coordenador ofensivo e a pessoa ideal para trabalhar o crescimento de Blake Bortles que evoluiu de maneira nítida entre 2014 e 2015 – ele foi o QB que conquistou mais jardas em passes de mais de 20 jardas, um registro importante para seu estilo de jogo e seu braço potente.

Além disso, o time tem trabalhado também com o salary cap na assinatura de jogadores livres. Nos últimos anos, tem sido sempre a equipe com mais dinheiro para gastar, sem sofrer apertos e posteriormente perder jogadores importantes por falta de dólares em sua conta (como acontece com Saints e Ravens, por exemplo).

Um dos grandes exemplos da sabedoria com gastos pôde ser vista nessa offseason: os Jaguars entraram na briga por Oliver Vernon (7.5 sacks em 2015), mas pularam fora quando os Giants se aventuraram em torná-lo um dos jogadores mais bem pagos da liga. O tempo dirá quem fez bosta.

[Spoiler I: o Giants]

Bortles vai ser foda, o resto será moda

Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos sem medo que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo nesta temporada.

O mérito, claro, não será só dele. Tanto Greg Olson, coordenador ofensivo, como técnico de quarterbacks Nathaniel Hackett, vão contribuir diretamente com seu crescimento. E os números recentes de Bortles só ratificam esta ideia: em 2015 foram 4428 jardas, 35 TDs e 18 interceptações (além de 310 jardas e dois touchdowns terrestres) – ok, também sabemos que o Jaguars venceu apenas cinco partidas, mas esta é outra história.

Aliás, falando em histórias, uma das boas da última offseason, esse período caracteristicamente fértil em nada e coisa nenhuma, envolve o próprio Bortles: após o final da última temporada, Olson e Hackett deram uma lista de tarefas para o QB executar durante as “férias”. E no topo dela estava escrito “Entre em contato com colegas da NFL que você admira”.

“Queríamos que ele procurasse QBs com estilo de jogo semelhante ao seu, caras que estivessem em um nível mais alto”, justificou Olson. Bortles então buscou conselhos com Carson Palmer, do Arizona Cardinals, e Aaron Rodgers, do Green Bay Packers. “Aaron foi incrível. Me disse para não tentar marcar 21 pontos cada vez que tenho a bola. Era algo que precisava aprender. Já Palmer me aconselhou a aperfeiçoar o relacionamento, a química que tenho com os colegas de time”, contou Blake a um jornal de Jacksonville.

Aquela carinha de "me escolham no Fantasy".

Aquela carinha de “me escolham no Fantasy”.

O exemplo acima mostra Bortles reconhecendo que precisa crescer e dando um passo a mais para se consolidar como a referência do Jaguars. Talento ao seu redor, não será problema; ele conta com dois bons WRs ao seu lado, Allen Robinson e Allen Hurns. Além, claro, da já citada capacidade de Greg Olson, que sempre conseguiu extrair o máximo de todos os quarterbacks que treinou – menos Blaine Gabbert, mas Gabbert sempre foi um caso perdido.

De qualquer forma, é preciso apontar que os números de Bortles melhoraram significativamente em sua segunda temporada; foram menos turnovers, maior média de pontos, porcentagem de passes completos superior e menos sacks sofridos.

Lançar, lançar e lançar

É animador saber que você poderá lançar bolas para Allen Robinson – em 2015 foram 80 recepções, 1400 jardas e 14 TDs. E era apenas sua segunda temporada, o que torna tudo ainda mais assustador: este desgraçado pode ser ainda melhor. Se você tem uma possível estrela em Robinson e um excelente WR2 em Hurns, como não se animar? Hurns, aliás, se tornou o primeiro WR da história a marcar ao menos um TD em sete jogos seguidos.

Mas, claro, nem tudo são flores e a decepção foi Julius Thomas. O TE, que veio do Denver Broncos após duas temporadas espetaculares (dele ou de Peyton Manning, eis a questão?), perdeu as quatro primeiras partidas por lesão o que, convenhamos, não justifica seus números no restante da temporada: apenas 46 recepções para 455 jardas (e um caminhão de drops). Agora, com um training camp completo e saudável, o Jaguars espera que Julius Thomas dê um retorno mais efetivo.

[Spoiler II: vão se decepcionar]

Tá tranquilo, tá favorável.

Tá tranquilo, tá favorável.

Temos dinheiro, mas precisamos torrá-lo?

O ataque aéreo é promissor, mas há dois pontos que o Jaguars precisa evoluir com urgência se possui maiores pretensões: sua linha ofensiva, que permitiu 122 sacks (e, sim, esse número foi conferido e está correto. Bortles sofreu 106 deles e inacreditavelmente está vivo) nos últimos dois anos, e seu jogo corrido que, bem, está fora do top 20 da NFL em cada uma das últimas cinco temporadas.

Para tentar corrigir a ineficiência do jogo terrestre, Jacksonville aproveitou-se da já citada flexibilidade no salary cap. E se antes os elogiamos por saber gastar, agora queremos saber se um contrato de mais de US$ 30 milhões para Chris Ivory era mesmo necessário? Bom, aceitemos: hoje ele é o sétimo RB mais bem pago da NFL – e isso já flertando com o final de sua carreira.

De qualquer forma, Ivory teve um excelente início em 2015 pelo New York Jets, mas caiu ao final da temporada, perdendo carregadas para BILAL POWELL – o que, sabemos, nunca é um bom sinal. Como dinheiro não era um problema para os Jaguars e toda e qualquer alma pode se dar ao luxo de rasgar verdinhas quando lhe convém, não vamos implicar com isto.

A grande questão é o que a assinatura com Ivory representa para TJ Yeldon e quanto isto custará ao seu desenvolvimento. Yeldon teve 740 jardas e 36 recepções em sua temporada como rookie – a média de 4,1 jardas por tentativa pode não ser fenomenal, mas é boa para um novato atrás de uma linha ofensiva medíocre (repetimos: 122 sacks em dois anos). Agora, obviamente, Ivory irá estar presente na maioria dos snaps. A pergunta a ser respondia é se valerá a pena tê-lo contratado às custas da evolução de um running back jovem.

[Spoiler III: não, vai dar merda]

Não contem com isso.

Não contem com isso.

Construindo a defesa também pelo draft

Impossível falar da defesa dos Jaguars sem falar do draft, já que o time contará com três rookies que valeriam tranquilamente escolhas de top 10, cada um em um nível do sistema defensivo. O primeiro, realmente escolhido na quinta posição em 2016 (passando surpreendentemente por Cowboys e Chargers), é Jalen Ramsey, que reforçará muito a secundária e, nas palavras dos próprios Cowboys, “é capaz de eliminar metade do campo para o adversário”.

Ele terá a companhia de Davon House como CB externo e dois novos jogadores trazidos como free agents: Prince Amukamara, que tem muito potencial, mas tem tido dificuldades para se manter saudável, e Tashaun Gipson, um safety trazido de Cleveland que deve servir para melhorar a cobertura e permitir que John Cyprien foque em suas atribuições de strong safety, mais perto dos LBs.

Outro rookie é Myles Jack, que só caiu para a segunda rodada por grandes dúvidas sobre o seu joelho; antes do draft, ele chegou a postar vídeos pulando e enterrando bolas no basquete, mas sua durabilidade só será posta à prova quando for exposto de verdade à dureza da NFL. Ele deverá ser acompanhado dos razoáveis Dan Skuta e Telvin Smith (128 tackles em 2015), considerando que ganhe a posição do também pouco durável Paul Posluszny.

O último rookie é o DE Dante Fowler Jr, que apesar de ter sido escolhido na 3ª posição em 2015, sofreu uma lesão na pré-temporada que o pôs na injury reserve, efetivamente adiando sua primeira temporada – agora, saudável, deverá se dedicar a justificar sua posição de escolha.

Oposto a ele, 90 milhões mais rico, Malik Jackson foi trazido de Denver para ser o principal “faz-tudo” da defesa, pressionando o quarterback e impedindo a corrida por dentro e por fora (considerando que ele já jogou como DE e DT pelos Broncos).

[Spoiler IV: Malik vai conseguir]

Palpite: Os Jaguars parecem prontos para chegar aos playoffs. Times assim têm fortes tendências a decepcionarem, mas acreditamos mais na mística de Greg Olson. Além disso, as outras três equipes tem mais cara de decepção que Jacksonville, logo, Jaguars campeões da AFC South pela primeira vez na história. Tudo bem, lá no fundo, talvez não seja o que realmente acreditamos – mas é o que queremos!