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Não há luz no fim no túnel (tampouco uma equipe confiável)

O quarto quarterback a iniciar a temporada em quatro anos, sexto a iniciar uma partida nesse mesmo período de tempo (o último a conseguir começar duas temporadas foi o grande Michael Vick em 2012-13): essa é a condição em que estreará Carson Wentz na principal liga de futebol americano, depois de apenas dois anos como titular na “segunda divisão” do football universitário, sob uma pressão que ele jamais teve na vida.

Pressão essa que vai muito além do valor investido em escolhas do draft para subir à segunda posição para levá-lo à Filadélfia. A torcida dos Eagles é conhecida por ser uma das mais impacientes dos Estados Unidos (e já estamos todos ansiosos por essa revolta constante quando o draft aterrissar na cidade ano que vem) – eles vaiam até o Papai Noel. E também há salários em jogo: só esse ano, o time vai pagar mais de 15 milhões de dólares a Chase Daniel e Sam Bradford para não jogarem; um absurdo, considerando-se que esses contratos foram feitos meses antes do draft e Doug Pederson e companhia poderiam ter se adiantado e economizado alguns trocado (e espaço no cap).

Sam Bradford, inclusive, cuja saída abriu as portas para Wentz atropelar Chase Daniel (que, inclusive, com certeza foi enganado com a oportunidade de tomar a posição assim que Bradford se machucasse). A proposta de troca do Minnesota Vikings, dando a oportunidade ao time de recuperar a escolha de primeira rodada investida na troca por Wentz, foi boa demais para ser recusada.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

Desistindo da temporada

É valido lembrar já no começo do texto ao mais otimista dos torcedores que a temporada de 2016 será de muito aprendizado e surras para os Eagles. Por mais brilhante que seja o futuro de Carson Wentz, a velocidade do jogo na FCS (a já mencionada segunda divisão em que ele jogava) é muito reduzida em relação a da NFL – e abrir mão de Bradford, assim como voltou a dar esperança a Minnesota, levou o último QB suficientemente adaptado a liga de Philadelphia.

Além disso, Wentz perdeu treinamentos e oportunidades da pré-temporada (mais um motivo pelo qual Chase Daniel deve estar felizão com o comando da equipe) por conta de uma lesão nas costelas, além de disputas contratuais, e não há talento ou físico que possa superar isso, especialmente no caso de um jogador tão cru.

Mas pelo menos o rookie entra em uma condição boa, né?

Não. Na verdade, muito pelo contrário, a começar pela companhia no backfield. Ryan Mathews já realizou boas partidas na NFL, mas nunca conseguiu ser constante quando titular (sua média de 5.1 jardas por corrida veio sendo o RB2 atrás de DeMarco Murray), especialmente por ser mais sensível a lesões que o já citado Bradford (jogou as 16 partidas somente em 2013, em seus 6 anos de liga); a outra opção é Darren Sproles, que aos 33 anos parece eminente a sua decadência.

Falando em opções, Wentz também não terá grandes recebedores (talvez o mais seguro seja o próprio Sproles): o grupo foi apontado pela PFF como o pior da NFL e o único reforço trazido foi Dorial Green-Beckham (em uma troca por um OL sem nome), que fracassou nos Titans, outro time que tampouco é conhecido pelos seus WRs.

Suas melhores opções deverão ser Jordan Matthews, que apesar de suas quase 1000 jardas e 8 TDs atrapalhou muito a vida de Bradford com drops, Nelson Agholor, que teve apenas 23 recepções como novato, e Zach Ertz, que assinou um novo contrato com o valor de 42 milhões de dólares (5 anos) mesmo sem nunca ter recebido mais de 4 touchdowns em uma temporada (mas 853 jardas ano passado).

Por último, a proteção também vai mal das pernas. Os melhores jogadores da linha, os tackles, têm problemas: Jason Peters, left tackle, está sentindo o peso da idade e seu nível já vem caindo desde o ano passado, enquanto Lane Johnson, o homem da direita, está suspenso por 10 jogos pelo uso de esteroides e será substituído por um jogador que deveria ser guard ou por um rookie. Por dentro, Wentz ao menos receberá os snaps do confiável Jason Kelce e Brandon Brooks foi trazido de Houston para reforçar a linha – quem começará como left guard ainda é uma incógnita, pois Allen Barbre pode acabar como RT.

Ao menos temos Fletcher Cox

A situação do outro lado da bola é um pouco mais otimista, especialmente com a chegada de Jim Schwartz (medíocre como head coach, um grande coordenador defensivo). O DT Fletcher Cox (9.5 sacks em 2015) assinou em junho um merecido novo contrato com 63 milhões garantidos e deverá trazer terror por dentro da linha defensiva dos Eagles, que volta a jogar na formação 4-3. No pass rush, ele terá a companhia de Brandon Graham, Connor Barwin (7 sacks ano passado) e Vinny Curry, que também recebeu um novo contrato e parece destinado a despontar nessa nova formação, mesmo após um 2015 decepcionante.

Atrás deles, Philadelphia sofreu reformas importantes no seu back seven. O LB Kiko Alonso e o CB Byron Maxwell foram enviados para o Miami Dolphins para que os times trocassem as escolhas de primeira rodada (manobra que depois permitiu a troca pela segunda escolha, Carson Wentz), mas não é como estejam prestes a fazer muita falta, especialmente o segundo.

O dono da bola.

O dono da bola.

Alonso será substituído por Nigel Bradham, também vindo do Buffalo Bills, mas tendo uma passagem bem menos impressionante por ali. Ele será acompanhado de Jordan Hicks, voltando de uma lesão no peitoral que interrompeu um bom início que teve como novato, e Mychal Kendricks, que protege bem contra a corrida e… só.

A secundária estará bem servida dos safeties Malcolm Jenkins e Rodney McLeod, vindo dos Rams por 37 milhões de dólares. Além disso, Leodis McKelvin e Ron Brooks deverão ser substitutos mais do que suficientes à mediocridade de Byron Maxwell, jogando do lado oposto a Nolan Carroll – mesmo que isso não signifique que qualquer um desses CBs será grande coisa.

Palpite: A defesa pode até tentar nos enganar e gerar um pouco de otimismo com bons jogadores, mas a situação do ataque é de reforma total e não ilude: esse é o pior time da NFC East. De qualquer forma, com a troca de Bradford o próprio time admite estar mais interessado em seguir trabalhando e construindo uma nova equipe ao redor de Wentz nos próximos anos – a disputa pela primeira escolha de 2017 será intensa. Seria uma pena se ela já tivesse sido trocada para os Browns.