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Por mais um último milagre de Minneapolis

Assisti ao jogo na casa da minha namorada, pelo celular, porque afinal de contas ainda não tenho direito de pegar o controle e mandar na TV lá (palavra chave: ainda). O primeiro tempo foi assustadoramente tranquilo, a defesa tão dominante quanto se poderia sonhar (Andrew Sendejo era facilmente o melhor WR de Drew Brees com aquela catch incrível) e o ataque era tão letal quanto pode ser – logo falaremos mais sobre ambos. 17-0. Algo historicamente não usual para um time como os Vikings de Minnesota.

Como passei o tempo inteiro pulando e vibrando, aproveitei o intervalo para dar um pouco de atenção para ela e respirar um pouco (coloquei o despertador para soar ao fim dos 15 minutos de intervalo). Quando o despertador tocou, peguei o celular e liguei no jogo de novo; ao mesmo tempo, minha namorada me avisa:

“Ok, eu vou tomar um banho pra dormir, tá tarde e eu trabalho amanhã.”

Sobre o time do primeiro tempo

A verdade é que, ainda que espetacular, o primeiro tempo foi tudo o que se podia esperar (e, portanto, ainda se espera pelos próximos dois jogos,). A linha defensiva, mesmo com Everson Griffen baleado, e produzindo apenas 2 sacks o jogo todo, perturbou tanto Drew Brees que o fez lançar duas interceptações: a que já citamos, em que Andrew Sendejo mais pareceu um WR que um S; e a outra, num desvio sem querer de Griffen, com a parte de trás da mão, que caiu no colo de Anthony Barr.

Créditos também para o gigantesco Linval Joseph e o do-it-all Eric Kendricks que, como sempre, taparam todos os espaços possíveis, limitando todas as corridas da dupla Kamara e Ingram assim como conseguiram os Panthers.

Diferente dos Panthers, entretanto, a secundária de Minnesota também foi gigante: Xavier Rhodes também manteve Michael Thomas no bolso, assim como Trae Waynes e Mackensie Alexander controlaram Ted Ginn Jr (afinal, apesar de 8 bolas recebidas, o maior ganho do velocista foi de 15 jardas). Harrison Smith, candidato a melhor jogador defensivo do ano mesmo estando fora do Pro Bowl, estava sempre na cobertura quando qualquer outro jogador (de qualquer outra posição: CB, LB  DL ) bobeava.

Do outro lado, no ataque, o time de Minnesota não é espetacular (válido lembrar, também, que a defesa de New Orleans não é de se jogar fora; mas não sobrou em nenhum momento nesses playoffs), mas conseguiu ser eficiente. Diggs e Thielen formam uma das melhores duplas de WRs da NFL hoje e agarram simplesmente qualquer coisa que Keenum joga na direção deles. Eles produzem first downs numa eficiência surpreendente junto com Rudolph e Wright (que se solidifica como WR3 porque sempre consegue converter terceiras descidas) – todos os recebedores de Case parecem estar sempre no lugar certo, na hora certa, sempre se esticando ao máximo e chegando a bolas que Dez Bryant com certeza não chegaria.

O jogo corrido de Latavius Murray e Jerick McKinnon não deixa a torcida sentir saudades de Adrian Peterson: dificilmente eles correrão para 80 jardas de uma vez só, mas igualmente difícil é vê-los correndo para -2 três vezes seguidas como nosso lendário RB fazia. Com uma linha ofensiva que consegue abrir espaços no jogo corrido especialmente no interior com Elflein, Beger e agora Remmers (movido de RT para LG com a ascensão de Rashod Hill), mesmo contra uma boa defesa, de first down em first down, os Vikings vão sempre chegando. Não à toa, tinham uma boa vantagem quando acabou o segundo quarto de partida.

Como a gente estava indo pro vestiário?

O banho

Quando ela falou em parar de ver o jogo, gelei. E se fosse ela quem estava dando sorte? O que eu fiz em seguida foi pior ainda.

“Mas e se for você quem está dando sorte? E se você for tomar banho e a gente tomar a virada?” – Ziquei. Forte. Tentei bater na madeira, tentei todo tipo de reza para tirar toda a desgraça que atraí para mim e para o meu time, tentei IMPEDI-LA de ir. Mas ela foi do mesmo jeito. Pois cheirosa.

E como vocês ainda devem lembrar, era realmente ela quem estava dando sorte. Afinal, o terceiro quarto foi um dos piores da temporada dos Vikings: um drive de sete minutos que acabou em punt, um TD fácil em que Xavier Rhodes perdeu na corrida para Michael Thomas, uma interceptação bizarra de Case Keenum e mais um TD bizarro em que, com Rhodes sentindo, o experiente Terrence Newman caiu no balanço do excelente Michael Thomas.

Nota da edição: Lembrem-se sempre de respeitar o meu Michael Thomas. 

Além disso, provavelmente o jogador mais surpreendente dessa equipe, Andrew Sendejo, foi apagado por uma trombada desnecessária (vindo logo da cidade do Bountygate, também podemos chamar de “trombada bem estranha”) do mesmo Michael Thomas e caiu travado no chão.

Nota da edição.2: Meu Michael Thomas não é desleal. 

O time que não jogou o segundo tempo

Assim como o primeiro tempo foi tudo aquilo que se espera da equipe de Minneapolis, o segundo foi exatamente o que o pior pessimista poderia esperar: a defesa regrediu a 2016 e o ataque mostrou aquela mediocridade latente. Obviamente, como é esperado desde a semana 2 da temporada, os que puxaram o ataque para trás foram a linha ofensiva e Keenum. Um, por ceder à crescente pressão que a defesa adversária trouxe, o que acabou também dificultando o jogo corrido e fazendo com que Keenum não conseguisse trabalhar em paz dentro do pocket e encontrar aquele micro-espaço que precisam os recebedores (o que acabaram tornando-se passes bizarros que passam longe).

Não à toa, Keenum lançou uma interceptação bizarra enquanto era atingido, o que preparou o segundo TD dos Saints no jogo, e Minnesota só pontuou em FGs muito longos (de 49 e 53 jardas), de um Kai Forbath que… Esquece. Não vai ter elogio para kicker até ganhar o Super Bowl.

A defesa, que dominou por dois quartos inteiros, desmontou-se quando perdeu a segurança de Andrew Sendejo. Foi aparente a falta de um “último homem” ali atrás e, mesmo que razoável, Anthony Harris não é metade do homem que é Sendejo – e, considerando que Andrew sofreu uma concussão, a pior lesão possível para se curar, sua recuperação é algo pela qual vale a pena acender uma vela. Ainda na secundária, Xavier Rhodes precisa recuperar o foco de quem parou Antonio Brown e Julio Jones na temporada regular para ajudar o time a ter sucesso nesses playoffs; além disso, é necessário perceber que talvez Terrence Newman já não seja assim uma grande opção que foi nos últimos anos – pelo que Waynes e Alexander tem evoluido a cada snap.

The Minneapolis Miracle

Em algum momento entre a interceptação e o segundo TD a minha namorada estava de volta (o suficiente para ajudar Kai Forbath a acertar os dois FGs que só ela, insensível ao histórico do meu time com kickers, teve coragem de olhar), mas Alvin Kamara enfrentando um simples linebacker, mesmo que Eric Kendricks, é apenas crueldade. 23-21.

Com um minuto e meio de jogo, Drew Brees lançava a bola e conquistava first downs com velocidade. Minha respiração trancava a cada passe completo e vibrava com cada stop. Obviamente, sabemos que Nova Orleans chegou à linha de 25 jardas e, com Zimmer podendo pedir apenas mais dois tempos, esteve a uma jarda (3-and-1) de garantir a vitória. Defensive stop. Ainda assim, era um chute fácil. Não quis olhar, sabendo que um erro bizarro seria basicamente a última esperança, minha namorada também se manteve em silêncio.

“Acertou?”, perguntei um minuto depois. “Aham.”, respondeu ela, já segurando o celular porque eu tremia de raiva. 24-23, 25 segundos restantes. “Acabou.”, simplesmente anunciei e, se estivesse sozinho, com certeza teria largado o celular e ido xingar os pipoqueiros no twitter do site. “Mas, assim, acabou mesmo? Não tem nenhuma chance de eles fazerem pontos?”, perguntou minha namorada, como disse, inocente às dores do futebol americano. Não resisti à esperança: “Tem, até, acho, 0,1% de chance, mas do jeito que estamos jogando, só um milagre”.

Sentei. Primeira jogada, false start de Mike Remmers – agora sim estava tudo perdido. Logo em seguida, Keenum acerta um passe de 19 jardas para Stefon Diggs, no meio do campo, gastando o último pedido de tempo roxo-e-dourado. 18 segundos para o fim.

“Ok, precisamos de mais umas 25 jardas e sair de campo.”, expliquei mais para mim mesmo que para ela. Me frustrei no primeiro passe errado para Jarius Wright e, com 14 segundos, sabia que Keenum sequer tinha braço para vencer a secundária dos Saints já marcando as laterais e assistia apenas porque, afinal, já estava ali mesmo e VAI QUE. Mais um passe errado para McKinnon. 10 segundos.

“Bom, último lance. É agora ou nunca.” – minha cabeça já estava trabalhando nos palavrões dos quais eu xingaria Forbath mesmo que o time entrasse em posição de chutar. Como se diz: o resto é história. Minha namorada tinha razão.

Nota da edição.3: o autor do texto tem uma namorada, caso vocês não tenham percebido até aqui.

Griffen (1,91m, 124kg) depois do milagre e de ter sido girado no ar por Linval Joseph. Gente como a gente.

O que esperamos de Case Keenum?

Estamos vivendo um playoff de defesas: Jaguars, Eagles e um amontoado qualquer controlado malignamente por Belichick – as três igualmente assustadoras. Entretanto, basta olhar o que a defesa dos Vikings foi capaz de produzir durante toda a temporada regular e no primeiro tempo contra Drew Brees para saber que ela é melhor do que as outras – e será a grande responsável por controlar os jogos e permitir que o time ganhe com poucos pontos. Simples assim. Obviamente, será necessário aprender com a falta de concentração que aconteceu no segundo tempo e especialmente torcer pela volta de Andrew Sendejo – ou ajustar o time para jogar sem ele, como fez em 3 jogos na temporada, com destaque para a semana 8, contra os até então imparáveis Los Angeles Rams.

Do outro lado, jogando contra grandes defesas, será necessário contar com um ataque que produza pontos suficientes. Está claro que os recebedores são excelentes, no mínimo no mesmo nível de qualquer um dos outros 3 restantes (mas provavelmente melhores). Considerando que a linha manterá o seu nível médio, o jogo cai na mão de Case Keenum.

Se a vida real fosse igual Madden, certamente Sam Bradford seria uma opção muito superior. Entretanto, e especialmente depois do que aconteceu no domingo 14 à noite, esse time morre ou vive nos braços de Keenum – contando com a sua habilidade ou com sua sorte. Sua habilidade de controlar bem o pocket será colocada a prova contra Philadelphia e seus pés imparáveis (perceba como ele simplesmente não fica fincado enquanto passa pelas suas opções, mas sim sempre se movimentando e evitando a pressão) serão essenciais para isso.

Além disso, colocar os seus recebedores em boa posição evitando, pelo menos alguma vezes, mandar um passe alto demais (vamos ser sinceros, deu certo, mas o passe derradeiro para Diggs, assim como algumas outras catches espetaculares de Thielen, simplesmente não estavam no lugar certo) poderá ser a diferença entre a vida e a morte. Explorar a secundária de um time que basicamente não permite corridas, mas é apenas razoável contra o passe será o caminho da vitória de Minnesota.

Por último e certamente crucial para os Vikings: para alguém que nunca tinha visto um jogo completo, também, a Lu aceitará a sua condição de talismã. E sem banhos no meio do jogo dessa vez.

Tá na agenda!

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

“Gente como a gente”: Kaepernick e o dilema do desemprego

Pelo segundo ano consecutivo, Colin Kaepernick é tema importante da offseason da nossa amada NFL; dessa vez, até mais cedo do que foi em 2016. Isso porque, após uma temporada atribulada em que Chip Kelly o fez iniciar segurando prancheta para o lendário Blaine Gabbert, no dia 3 de março de 2017 ele resolveu ativar uma cláusula e anular seu contrato – que ele tinha reestruturado na semana 6 da temporada anterior justamente para ter essa opção. Desde então, estamos esperando.

Esperando e assistindo, uns mais revoltados do que outros, como Kaepernick está sendo ignorado por toda a liga. Obviamente, sempre devemos considerar que ele ainda não foi contratado porque, como veterano que não está entre os mais cobiçados da liga (deveria, mas com todas os problemas que discutiremos a frente, é compreensível que nenhum time esteja achando que ele é o novo Peyton Manning na free agency), Kaep está esperando o draft e as primeiras lesões da pré-temporada acontecerem para escolher bem o lugar onde terá as devidas oportunidades. Entretanto: algum time ligou para ele falar sobre? Seu nome foi seriamente considerado em alguma reunião entre HC e GM desde fevereiro? As especulações indicam que, até o momento, não.

Mas, observe o listado seguinte: T.J. Yates, Brock Osweiler, Case Keenum e Brian Hoyer, para ater-se somente aos que tiveram passagem e fracassaram no Houston Texans, não só tiveram seus nomes considerados, foram chamados para uma conversa e estão empregados. Osweiler e Brian Hoyer, ao menos pelo o que se diz à imprensa, terão até mesmo chances de começar a temporada como titulares. E ninguém está aqui para discutir se estas ínguas são melhores do que Colin Kaepernick – atem os cintos, iremos mais longe que isso.

“Ai, mas o Kaepernick é polêmico”

Ele foi. E certamente incomodou muita gente (incluso o presidente Trump, que vibra em seu Twitter com o fato de que Kaep ainda esteja sem ser contratado por ninguém). Já exploramos suas motivações em outro texto e por isso não gastaremos tempo nela. Além disso, Colin mesmo já disse que voltará a ficar de pé durante o hino americano porque ele quer ser conhecido como um bom jogador, e não somente como “aquele cara que fica de joelhos durante o hino”. Obviamente, ele acabou novamente criticado com argumentos imbecis como “AI AGORA QUE NÃO TEM MAIS CONTRATO ELE LARGA A IDEOLOGIA”.

Mas esqueçamos isso e vamos nos ater ao football, sabendo que Kaepernick é, sim, bom o suficiente para não ser apenas um jogador facilmente substituível porque a polêmica ao redor do seu nome se tornou maior do que ele próprio (a exemplo do que aconteceu com Chris Kluwe, ex-punter dos Vikings ou nosso amado Tim Tebow, hoje outfielder do Columbia Fireflies).

Melhor do que você pensa.

Dinheiro não deve ser problema

Chase Daniel recebeu, no ano passado, um contrato de 3 anos e 21 milhões de dólares para ser absolutamente backup, considerando que os Eagles já tinham Sam Bradford e pouco tempo depois trocaram um caminhão de escolhas por Carson Wentz (ele já seguiu em frente e voltou para New Orleans, mas porque ele pediu para ser dispensado. Curiosidade: ficou apenas 15 dias desempregado).

Já Mike Glennon, Tyrod Taylor e Alex Smith, que devem ter sua titularidade questionada durante 2017, receberão por volta dos 16 milhões esse ano. O contrato de Kaepernick valeu, em média, 13 milhões anuais nos três anos desde sua renovação com os 49ers – o que o coloca exatamente no meio desse grupo.

Considerando que a época de grandes contratos já passou, é improvável imaginar que Kaepernick venha a pedir mais que algo em torno de 10 milhões, naquele tipo de contrato para “provar o seu valor” e ter a chance de um mega-contrato em 2018. Parece um valor bastante razoável para um QB que deve acabar a temporada como titular e, caso estejamos errados e ele falhe, não será algo que acabará com uma franquia.

OBS: Riley Reiff, Russell Okung, Andrew Witworth e Matt Kalil são todos jogadores de OL com asteriscos ao lado de seus nomes por várias razões e irão ganhar mais dinheiro do que isso.

Kaepernick é melhor do que qualquer reserva que você pode encontrar

Chegaremos bem mais longe do que isso, mas seria mais fácil empregar Kaepernick se ele aceitasse segurar a prancheta e ser uma excelente opção caso o pior aconteça. O primeiro argumento, fácil, é que ele não se “encaixaria em qualquer sistema”, afinal, ele sabe correr. Entretanto, Matt Cassel e Derek Anderson (e sua interceptação premiada) são considerados “opções seguras” a Mariota e Newton, respectivamente. Além disso, Trevone Boykin, Brett Hundley, Cardale Jones e Scott Tolzien, também em sistemas “com mobilidade” (FICA O DESAFIO: TENTE LEMBRAR EM QUAIS TIMES ELES ESTÃO1), provavelmente não são confiáveis sequer para dar aquela ajoelhada e fechar o jogo.

Se a questão é o desemprego, já são 32 vagas que Kaepernick poderia ocupar – mesmo que fosse para substituir o estilo de jogo de Sam Bradford ou Carson Palmer, há a impressão que ele ainda seria bem mais produtivo que Case Keenum e Drew Stanton, ainda que com uma redução mais drástica no salário.

Kaepernick é melhor que uma dúzia de QBs empregos

Façamos o desafio inverso ao do tópico anterior (sem roubar!), quais times têm os seguintes QBs com chances de ser titulares em 2017: Josh McCown, Paxton Lynch, Brian Hoyer, Bryce Petty, Brandon Weeden e Matt Barkley?2 A resposta está no final deste texto, mas espere chegar lá. De qualquer forma, não é com esse fim de feira ainda que devemos comparar Kaepernick.

Pouco tempo antes de iniciar a temporada de 2016, fizemos um ranking de QBs e, como Chip Kelly é um lunático, Colin não aparece nele. Hoje, observando-o passados os “indubitáveis” 7 primeiros e os 4 veteranos seguintes (dois dos quais, Palmer e Romo, estão em vias de ou aposentados), existe algum QB que se possa afirmar inegavelmente superior a Kaepernick?

Mariota e Winston são excelentes jovens que provavelmente chegarão ao nível do top7, serão melhores que Kaep, sem dúvidas, mas ainda precisam dar o salto. Dalton, Taylor e Stafford parecem destinados a esse mesmo nível intermediário ao lado de Kaepernick – e os resultados que estes QBs conseguem são os que devemos esperar dele.

Não obstante, o ex-QB do San Francisco 49ers tem um currículo que estes anteriores não têm. O Super Bowl perdido (por um holding não marcado, importante frisar) lhe iguala a Ryan (e, curiosidade: dos QBs que chegaram ao SB deste século, somente Jake Delhomme e Rex Grossman acabaram as carreiras como meros backups). Já as duas presenças em NFC Championship Games não são igualadas por nenhum dos citados.

Além disso, ao contrário de Mark Sanchez (que também chegou a duas finais da AFC), não é possível dizer que Kaepernick foi totalmente carregado por uma grande defesa ou pelo jogo corrido. Lógico que a defesa estava ali e em grande fase, mas os seus melhores recebedores eram Vernon Davis e Michael Crabtree e, se aquele jogo contra os Packers nos playoffs, por exemplo, é indicação de algo, ele era metade do jogo corrido – não à toa produziu uma média aproximada de 3700 jardas (e 23 TDs para 13 turnovers) nas temporadas em que esteve saudável.

Isso, obviamente, nos tempos felizes com Jim Harbaugh, que no mês passado afirmou que “[Kaepernick] terá uma boa carreira e será um grande quarterback, ganhará títulos” e ainda, de quebra, disse que o jogador “é uma pessoa especial e um herói”.

Por mais que Harbaugh e Kelly tenham esquemas que dão liberdade para o estilo único de Kaepernick, os grandes treinadores sempre adaptaram o seu esquema de jogo para que seus melhores jogadores produzam o seu melhor. Kyle Shanahan, que atualmente prefere contar com Brian Hoyer e Matt Barkley (que, ainda assim, são realmente melhores do que Kaepernick no “estilo tradicional”? Provavelmente não) em San Francisco, começou sua carreira com a ideia justamente diferente disso, ainda que refletida em toda a NFL: “[…] porque ainda que você esteja buscando o seu melhor jogador, tentando ser justo com estes quarterbacks [como Kaepernick], você também está sendo injusto com o time” – ou seja, ele pode até ser melhor, mas Kyle prefere ver Hoyer e Barkley porque eles podem competir na mesma mediocridade. Divirta-se, então.

Perdendo empregos por causa do visual.

Falemos de números

Com um grupo ridículo ao seu redor – Torrey Smith deve ter sido o seu melhor alvo, enquanto Carlos Hyde segue tendo dificuldades em manter-se saudável, o que deu passagem a jogadores como DuJuan Harris e Chris Harper (imagino que ele seja o terceiro irmão de Two and a Half Men), e depois de ter perdido a oportunidade de treinar como titular durante toda a preseason, já que a opção do treinador era Gabbert, Colin ainda assim conseguiu produzir um rating de 90.7, com 18 TDs e 9 turnovers em 11 jogos – o que ao longo de uma temporada completa lhe colocariam ali ao lado dos eternos Alex Smith e Andy Dalton.

Um antigo crítico do jogador, Cian Fahey, um irlandês que escreve um livro chamado “QB Catalogue” após assistir todos os snaps de todos os QBs da liga, aponta sua evolução como jogador dentro do pocket (atacando diretamente a história de que ele só assusta porque pode correr), também considerando a a debilidade da sua linha ofensiva, além de aportar outros dados interessantes: numa estatística chamada “sacks que o QB poderia evitar”, Colin tem 12,5%, enquanto Andy Dalton e Alex Smith poderiam ter evitado mais de 30%; ele ainda é segundo colocado na liga em “ratio de passes interceptáveis lançados”; e a precisão ajustada dos seus passes, também um ponto sempre muito criticado, foi de quase 75% (14º na liga).

Observando, os números indicam fortemente que Kaepernick está, ao menos, na média dos titulares. Ainda que, é de se imaginar, com um grupo um pouco melhor ao seu redor, suas estatísticas só podem melhorar. A última razão restante para não contratar o jogador é que ele seria uma distração no vestiário; fechemos com declarações de seus companheiros, que lhe deram o “The Len Eshmont Award”, um prêmio para o jogador que melhor mostra o espírito de coragem e inspirador do ex-DL dos 49ers:

“Eu vi alguns QBs contratados e Kap é muito melhor que eles. Mas eu não sou GM. Eu não sou head coach. Então isso não compete a mim.”, Carlos Hyde.

“Ele fez uma escolha e está sentindo as consequências disso. Mas acho que ele vai acabar bem. Alguém lhe vai dar um emprego.”, Navorro Bowman.

“Já é hora que Kaepernick assine com alguém. Ele é melhor que todos os QBs contratados até agora.”, Brandon Marshall.

Ao contrário do que estamos assistindo com Adrian Peterson, Kaepernick não é uma questão de “se” e sim de “quando”. O cenário mais bonito seria ele contratado por Cleveland após o time deixar passar os principais QBs do draft (já que eles provavelmente não prestam mesmo), para jogar com o homem-que-fez-Andy-Dalton, Hue Jackson.

Jackson, aliás, deu a seguinte declaração sobre Colin Kaepernick por quem ele e o mítico Al Davis estavam apaixonados na época do draft: “estudando ele, me apaixonei pelo garoto. […] forte, todas as ferramentas para vencer na NFL. Não tinha a menor dúvida de que ele seria bom”. O resto, bem, o resto seria história.

1Se você disse Seattle, Green Bay, Buffalo e Indianapolis, parabéns, você acertou!

2Jets, Broncos, 49ers, Jets de novo, Texans e 49ers de novo.

Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenum, certo?

Em meio ao crescimento de Dak Prescott, as oscilações normais para um novato que Carson Wentz vem sofrendo até aqui, ao menos um dos QBs selecionados no último draft tem tido uma temporada tranquila: Jared Goff.

E enquanto o Rams caminha para sua já tradicional campanha 8-8, Goff não cometeu os mesmos erros tão comuns a rookies que Prescott cometeu ou oscilou como Wentz oscilou após um início quase irretocável. O único “porém” para Jared é que, até a semana 10, ele não participou de um mísero snap: o Los Angeles Rams trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para conseguir Goff e, por longas semanas, ele se restringiu a esquentar o banco.

Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams.

Parecia que a franquia que não vai aos playoffs desde 2004 estava pronta para um recomeço, para apostar seu futuro em um jovem talentoso, certo? Parecia, mas na verdade ele permaneceu sentado enquanto Case Keenum levava a equipe às piores médias da NFL em todos os quesitos ofensivos.

Ninguém entendeu essa merd*.

Ninguém entendeu essa merd*.

E ressalte-se que nunca louvamos Jeff Fisher como um guru ofensivo, muito pelo contrário. Mas mesmo assim os números atuais soam ofensivos até para alguém com tamanha atração pela mediocridade como Fisher.

Na contramão da liga

Hoje o Dallas Cowboys é a melhor equipe da NFL com Dak Prescott comandando as ações. Carson Wentz tem momentos de instabilidade, mas em geral tem jogado razoavelmente bem e conseguido manter o Eagles na disputa por uma vaga na pós-temporada em umas das divisões mais disputadas da liga.

Se formos além, teremos ainda outros bons exemplos: Jacoby Brissett suportou a pressão e conseguiu levar o Patriots à vitória quando exigido e, se ampliarmos o leque até o pior time da NFL, veremos que tanto Cody Kessler como Kevin Hogan tiveram a mesma eficiência que Josh McCown teve com o Cleveland Browns (infelizmente isso quer dizer nenhuma).

Considerando todo este cenário podemos afirmar, sem medo, que todos os atletas acima citados são melhores que Case Keenum – enquanto, aparentemente, ao menos para o Rams, Jared Goff não era.

As razões para a ausência de Goff soam inexplicáveis. O Los Angeles Rams conta com um bom sistema defensivo e, em uma temporada marcada pela igualdade, jogando em uma divisão com um Seattle Seahawks claramente um passo a frente, um San Francisco 49ers que sofreria no primeiro quarto contra algumas equipes do college football e um Arizona Cardinals que pouco lembra a equipe dos últimos dois anos, com um ataque minimamente decente Los Angeles poderia brigar por uma vaga nos playoffs; mas com Keenum este ataque esteve longe, muito longe, de poder ser considerado minimamente decente: foram apenas 139 pontos em 10 semanas, pior marca da liga.

#exausta

#exausta

Talvez Fisher tenha pensado que manter Goff esperando era o melhor para seu desenvolvimento a longo prazo? É uma tese até certo ponto coerente, mas podemos discordar, apesar de muitos especialistas afirmarem que expor Goff nesta situação poderia ser extremamente prejudicial porque erros poderiam abalá-lo, além de, por estar em um sistema ofensivo caótico, seria necessário adquirir hábitos que posteriormente seriam difíceis de serem corrigidos.

Tudo isso, porém, cai por terra quando assumimos que evolução só é possível através da experiência. E se o Rams viu algum talento em Jared durante a faculdade, eles desperdiçaram algumas semanas em que ele poderia estar em campo descobrindo como adequá-lo, como aperfeiçoar suas virtudes e, sobretudo, quais características precisaria deixar para trás na NFL.

Por outro lado, se a preocupação era preservá-lo psicologicamente, tentemos olhar tudo a partir da perspectiva de Jared. O Rams poderia ter selecionado Carson Wentz. O Rams poderia ter mantido suas escolhas de primeira e segunda rodadas e selecionado Dak Prescott, ao que tudo indica o quarterback mais “pronto” desta classe, no terceiro ou quarto round. O Rams poderia ainda ter decido continuar com Keenum, assumindo mais um ano medíocre e preparando o terreno para o draft de 2017. Mas o Rams trocou meia dúzia de escolhas para selecionar Goff e, semana após semana, o preteriu em favor de Keenum.

Goff pode simplesmente ter passado dez semanas entendo aquilo como um simples “Case é melhor que Jared”. É um cenário aterrorizante: o que faz um quarterback ser pior do que Case Keenum? Ele saberia segurar uma bola? Ele poderia pisar em um estádio de football? (Considerando a ficha criminal de alguns jogadores, o que faria alguém ser proibido de entrar num estádio?)

"Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?"

“Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?”

Olhemos então um pouco mais para o passado: os últimos seis quarterbacks selecionados na primeira rodada que chegaram a novembro sem iniciar uma partida na NFL foram Johnny Manziel, Jake Locker, Tim Tebow, Josh Freeman, JaMarcus Russell e Brady Quinn. Tudo bem, não iremos supor que nenhum deles teve sucesso na NFL por não terem iniciado uma partida como profissional em seus primeiros meses na liga, sabemos que eles provavelmente estão desempregados hoje por simplesmente serem ruins.

Mas a verdade é que first picks normalmente são diretamente colocados na linha de fogo, prova disso são os cinco últimos QBs escolhidos na primeira posição do draft antes de Goff: Jameis Winston (bônus para Marcus Mariota, segundo selecionado no mesmo ano), Andrew Luck (também com o bônus de Robert Griffin III), Cam Newton, o já citado Sam Bradford e Matthew Stafford. Todos iniciaram como titulares logo no primeiro ano.

Mas agora isso pouco importa, já que com mais da metade da temporada perdida, enfim Jeff Fisher anunciou que Jared Goff será titular na semana #11. Se Fisher precisou de dez semanas para assumir que este ano não resultará em nada além da já habitual mediocridade, ao menos restam seis partidas para observar Goff em situações reais de jogo.

(Não) há luz no fim do túnel

Durante a derrota para o Panthers, há algumas semanas, os torcedores (?) do Rams perderam a paciência e gritaram “Queremos Goff” (e, dizem, “Queremos Tebow” também ecoou no estádio). Muitos, aliás, deixaram o Memorial Coliseum antes mesmo do final da partida.

Provavelmente a grande questão para eles é a mesma que persegue aqueles que acompanham a NFL: Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenun, certo? A realidade, porém, é que Goff não impressionou na pré-temporada. Na verdade ele foi… horrível. Foram apenas 22 passes completos em 49 tentativas, para 232 jardas, dois touchdowns e duas interceptações.

Aliás, na última partida da pré-temporada, contra o Vikings, Jared protagonizou momentos constrangedores, completando apenas seis passes em 16 tentados para 67 jardas. Neste lance, em formação shotgun, ele dropa o snap e cai com a cara no chão tentando recuperar a bola que, claro, acabou com o Vikings. Pouco tempo depois, uma obra prima difícil de descrever.

Em linhas gerais, o saldo final da participação de Jared na pré-temporada foi um quarterback que parecia distante das condições físicas ideias (e não nos referimos a preparo) para suportar um jogo tão intenso como o football profissional e completamente inseguro de suas capacidades.

O fundo do poço

Agora tudo está jogando contra Jared Goff – assim como, no Rams, jogou contra Sam Bradford. O Los Angeles Rams é um time construído para ganhar com sua defesa, enquanto o quarterback coloca a bola nas mãos de Todd Gurley.

Até aqui, não saiu como o planejado e, claro, Case Keenum não é o único culpado: a linha ofensiva é digna de risos e não há nenhum WR confiável. E enquanto o Rams insiste em dar a bola para Gurley, basta a defesa adversária congestionar a linha de scrimmage e desafiar QB e WRs a jogarem. E aqui entra a parcela de culpa de Keenum: ele não é tão inocente quanto Fisher quer que você pense.

E além deste cenário caótico, Goff encontrará ainda um técnico que historicamente não soube trabalhar com quarterbacks novatos (McNair é a famosa exceção que confirma a regra) e lutando por sua reputação após quatro temporadas colecionando derrotas.

Jared Goff, claro, pode não estar pronto, mas ainda paira sobre ele o benefício da dúvida – algo que Case Keenum já perdeu. Ele pode não melhorar o Rams imediatamente, mas é inconcebível não imaginá-lo como QB da franquia nas duas próximas temporadas pelo menos. É preciso honrar a aposta, é necessário cobrir o alto valor pago para subir no draft e selecioná-lo.

Na última offseason, o Rams se apaixonou por Goff quando foi a Berkeley vê-lo treinar em sua universidade. Choveu muito e mesmo assim Los Angeles aguardou mais um dia, já que Goff queria jogar, queria mostrar seu valor. Naquela offseason, o mau tempo não os assustou. Agora, se os Rams possui alguma real pretensão de em breve deixar a mediocridade, ele também não pode assustá-los.