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O inferno de Cody Parkey e a lenda de Nick Foles

No clássico da literatura A Divina Comédia, Dante Alighieri descreveu os nove círculos do inferno, descendo de Jerusalém até, em uma linguagem moderna, o colo do capeta – naquela época, só existiam três continentes conhecidos (Europa, Ásia e África), e Dante imaginou que no polo oposto a Europa, algo como 43 jardas distante, estava a ilha do purgatório, que estaria ligada ao inferno por uma passagem aberta após a queda de Lúcifer.

É bem provável que Cody Parkey tenha passado pelos noves círculos enquanto seu chute percorria aquelas pouco mais de 40 jardas. Um chute que bateu em uma trave, beliscou outra caprichosamente, matou o mascote do Bears, transformou companheiros de time que estavam na sideline em memes e, bem, fez Nick Foles mais rico.

Um chute capaz de retratar a angústia de uma torcida que não participava dos playoffs desde 2010 – algo ainda mais dolorido para uma franquia que terminou a temporada com 12 vitórias, seu melhor ano desde o distante 2006.

O mais cruel é que não havia ninguém mais apropriado que Parkey para ser protagonista do destino escapando pela ponta das mãos – ou, bem, pela ponta dos pés: em novembro, Cody havia acertado a trave quatro vezes em um duelo contra o Lions (e mesmo assim o Bears venceu). Na última semana da temporada regular, Parkey carimbou a trave contra o Vikings mais uma vez (e, novamente, o Bears venceu).

Não se flerta com o perigo três vezes. E se há algo que a sabedoria popular (e um técnico de futebol multicampeão) foi capaz de cunhar para a eternidade é o fato de que “a bola pune”.

Um futuro para chamar de seu

Na estreia da temporada afirmamos que se a então improvável derrota do Bears diante do Packers era fruto de uma série de decisões no mínimo questionáveis de um HC em sua primeira temporada e um QB de 24 anos, ao mesmo tempo era evidente que após anos sofrendo nas mãos de gente como Jay Cutler e John Fox, Chicago enfim tinha um sistema ofensivo criativo e moderno. E que melhores dias para a defesa do Bears, com Khalil Mack, Leonard Floyd e Roquan Smith cada vez mais entrosados, eram mera questão de tempo.

Foi assim na rodada de Wild Card: assim como ao longo do ano, Chicago apoiou-se na melhor defesa da NFL para se manter com chances. Foles fez ótimas jogadas em momentos cruciais, mas de uma forma geral, o sistema comandado por Vic Fangio conseguiu manter o Bears no jogo – Nick foi interceptado duas vezes e o jogo terrestre do Eagles beirou o ridículo.

Para o futuro, porém, é preciso ficar de olho no questionável desenvolvimento de Trubisky, que pareceu melhor em seu segundo ano sob o comando de Matt Nagy, mas, algo normal, nunca soou 100% confiável. Vez ou outra, sua capacidade de fazer boas jogadas, ler coberturas e escapar de um pocket em colapso estão lá, mas nunca de forma totalmente consistente – hoje, para classificar Trubisky como um sucesso, seria necessário mais do que Parkey acertar um FG de 40 jardas.

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Já sobre a defesa em si, é preciso voltar no tempo para compreender o quão  complexo é os motivos que levam Chicago a ambicionar um “sistema defensivo” eficiente mais do que outras franquias – mesmo que outras equipes tenham em sua história defesas fantásticas, como lendária “Cortina de Ferro” dos Steelers, o Ravens do final dos anos 90 ou mesmo o Denver Broncos vencedor do SB 50.

De qualquer forma, na história, para o Bears, todos os seus grandes momentos ainda vivos na memória tiveram como pano de fundo uma grande defesa – seja ao vencer a NFL pré-Super Bowl em 1963 ou no histórico time de 1985, que também levantou o troféu, e é por muitos considerado a melhor defesa de todos os tempos; o Bears sempre sentiu que defender era o melhor caminho e moldou sua identidade a partir disso.

“Pode ser diferente em Indianápolis ou Green Bay, onde a torcida quer ver Aaron Rodgers lançar touchdowns. Aqui simplesmente querem nos ver defender”, declarou recentemente o ex-CB Charles Tillman.

Para 2019-2020 Chicago precisará fazer escolhas, que podem não ser suficientes para manter o CB Bryce Callahan e o S Adrian Amos, ambos free agents na próxima intertemporada – mesmo assim, perdas são normais na NFL. Mas a maior mudança no setor pode não estar em um jogador: o DC Vic Fangio fez um trabalho tão eficaz que é cotado como um dos nomes para se tornar HC na próxima temporada; perdê-lo, porém, pode ser um golpe duro no principal sistema defensivo da NFL.

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Mas mesmo que Fangio fique a história nos mostra que é improvável que a defesa de Chicago repita o mesmo desempenho monstruoso; quando se está em um nível sobrenatural é normal dar um passo atrás; lembre-se da própria defesa do Bears de 85, ou ainda do Jacksonville Jaguars de 2017 (agora comparada ao desempenho um pouco mais fraco em 2018).

Aqui note uma possível (futura) semelhança: Jacksonville terminou 2017 como a melhor unidade em DVOA – eles foram ainda mais eficientes que o Bears de 2018. Na temporada atual, porém, o Jaguars caiu para a sexta posição nesta mesma métrica e, como o ataque não compensou essa oscilação natural, não foi possível equacionar o desempenho: de certa forma, Blake Bortles foi um obstáculo que a defesa do próprio Jaguars não foi capaz de superar. E com base naquilo que Trubisky apresentou ao longo da temporada, se tornar o Jacksonville de 2018 pode ser o maior pesadelo que o Bears pode ter em 2019.

De qualquer forma, em um cenário mais adequado a realidade de Chicago, volte ao já citado Broncos de 2015-2016. Mas mesmo assim, após anos sofrendo com Fox e Cutler, ao menos agora há algo a se apegar: em setembro, quando Mack, Floyd e Smith se alinharem no Soldier Field em uma tarde fria de domingo, a história de Chicago estará novamente em seu lugar – basta não deixá-la desaparecer após duas décadas procurando o que fora perdido.

A lenda de Big Dick Nick

Quando Nick Foles derrotou Tom Brady e se tornou o herói improvável do último Super Bowl, você achou que havia acabado. Mas ele fez de novo, e mais uma vez manteve o Eagles vivo em uma temporada que parecia perdida. E, claro, você pode chamá-lo de MVP, Big Dick Nick ou simplesmente de Foles, mas seja qual a nomenclatura escolhida, é hora de reconhecer que ele é muito bom em vencer jogos de football realmente importantes – ou que simplesmente estejamos diante de alguém com poderes concedidos por alguma entidade celestial; talvez esta seja a opção mais lógica.

Mesmo assim, antes de Parkey esbarrar na trave pela sexta (ou sétima, se você for alguém extremamente cruel) vez no ano, e o próprio Foles encontrar Golden Tate na endzone, Nick vinha em sua atuação menos impressionante desde que decidiu se tornar uma lenda; foram 25 passes completos em 40 tentativas, 2 TDs e 2 INTs (a primeira vez desde 2015) e, também pela primeira vez em suas aventuras de janeiro, um rating inferior a 100 (77.7).

Mesmo assim, quando Philly recebeu a bola com pouco menos de 5 minutos no relógios, os torcedores do Eagles dirão que não duvidaram dele por um segundo sequer – eles, claro estarão mentindo.

Quando o ataque chegou a beira da endzone, agora, qualquer analista de obra concluída, pode cravar que era óbvio que Darren Sprolles não chegaria ao paraíso em suas duas corridas. A terceira tentativa também foi em vão e, quando Doug Pederson usou seu primeiro timeout, praticamente implodindo qualquer possibilidade de ter a bola novamente se tudo desse errado, não parecia existir outra alternativa além de uma nova Philly Special. Mas, claro, não importa mais como, Nick encontrou Golden Tate e mais US$ 1 milhão na sua conta.

Mas sua atuação não acabou aí: quando Parkey chutou a bola, de alguma forma, Foles a moveu com os olhos, provando que pode manipular o ar, o espaço ou mesmo tempo. Provando que pode, além de encontrar Golden Tate e derrotar Tom Brady, mover o eixo gravitacional da terra – e, de alguma forma, provando para o front office do Eagles e para quem mais diabos duvida que pode vencer dois Super Bowls em sequência.

A Louisiana é logo ali

Volte no tempo até 2013. Lá, por dois meses, Foles foi o quarterback mais eficiente da NFL. Mas até encontrar Brady e os Patriots em fevereiro passado, tudo acabara ali e Nick, em geral, transitou entre (e abaixo da) linha da mediocridade.

Hoje é irônico ver que o Eagles precisou abrir mão de uma caminhão de escolhas para selecionar Carson Wentz, torná-lo o presente e o futuro da franquia, para ter um backup que eles já haviam descartado os levando para o Super Bowl.

E embora é possível (e muito provavelmente o mais lógico e sábio) que Wentz seja o escolhido para guiar o Philadelphia Eagles pelo futuro, é Foles que tem o amor e a gratidão da Filadéfila – agora imagine o que acontecerá com ele caso consiga repetir o mesmo roteiro de 2018.

Além disso, Foles é um herói improvável porque sua personalidade não pede que ele seja. No próprio Eagles há jogadores muito mais talhados a esse papel – do próprio Wentz, jovem e promissor, a Chris Long ou mesmo Malcom Jenkins, muito mais ativos no vestiário; há ainda Fletcher Cox, indiscutivelmente um dos melhores nomes da sua posição em toda a NFL.

Foles, por outro lado, não nasceu para os holofotes. E, de certa forma, nas últimas décadas, Philadelphia teve inúmeros quarterbacks talentosos que poderiam ter vivido a glória: Randall Cunningham, Donovan McNabb e, mais tarde, Michael Vick. O próprio Wentz, é provável, ainda terá tempo para brilhar. Mas, bem, a verdade é que agora é Nick Foles quem está em um avião a caminho de New Orleans – e, mesmo que pareça improvável, não seria prudente duvidar dele.

Métodos para evitar a ressaca

Philadelphia Eagles campeão do Super Bowl. Há uns dez anos isso seria uma piada tão engraçada quanto a Libertadores do Corinthians, mas, infelizmente, nos últimos anos tivemos um movimento extintor de piadas esportivas (nos resta o Cleveland Browns).

Após anos ameaçando ser alguma coisa, o Eagles teve experimentos interessantes, como o DREAM TEAM™ de 2011 e a projeto Chip Kelly. Esse legado trouxe Doug Pederson, técnico da árvore de Andy Reid, que passou 14 temporadas nos Eagles, caso o leitor tenha esquecido.

Um QB para o futuro (e outro para usar agora)

A chegada de Carson Wentz deu um fio de esperança a uma torcida acostumada a torcer para o que antes era conhecido como “só o Philadelphia Eagles”. Os primeiros jogos da carreira foram animadores, mas havia a ressalva da queda brusca no final do ano de calouro. Em 2017, houve um salto de qualidade. Wentz transformou o status de melhor prospecto desde Andrew Luck (todo draft tem um) em um jogo de alto nível, impressionando ao ponto de ser o principal favorito à corrida de MVP em certo ponto da temporada.

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Porém, um scramble ao fim do jogo contra os Rams em Los Angeles (semana 14) parecia colocar a temporada dos Eagles em cheque. Carson Wentz rompeu o ligamento cruzado anterior (vulgo ACL), o que, pelo timing da lesão, coloca inclusive em dúvida seu status para a abertura da temporada. Sabemos que o torcedor da Philadelphia ficou com o cu na mão, temeu que as atuações de Nick Foles criassem um cenário em que tudo iria por água abaixo, como o jogo do dia de Natal contra os Raiders.

Sem seu Quarterback titular, era inevitável que o destino reservasse mais um ano de Philadephia Eagles é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente, evidenciado pelo fato de Vegas colocar o time como underdog para a primeira partida dos playoffs, mesmo jogando em casa. O jogo foi feio, mas o time venceu, com parte da glória sendo dividida com a implosão mental de Steve Sarkisian nos instantes finais. Contra os Vikings no NFC Championship Game, novamente o Eagles era considerado zebra nas casas de apostas, mas acabou humilhando o adversário, para desespero de 20% do site.

Porque sim.

O Super Bowl LII é história e vimos que Nick Foles não apenas evitou a esparramada de farofa, mas foi fator determinante para a vitória contra os Patriots, algo previsto por absolutamente zero pessoas (quem falar que previu tá mentindo, mesmo que mostre provas).

Em condições normais de temperatura e pressão, seria fácil os Eagles enganarem alguém, conseguindo até mesmo uma escolha de primeira rodada pelo jogador, mas a situação de indefinição do retorno de Wentz fez necessária a permanência de Foles. 

Panorama Tático do Ataque

Se nos playoffs os Eagles revolucionaram a NFL fazendo as pessoas esquecerem da existência do play action fake, em 2018 o uso da Run/Pass Option pode ser mais cauteloso. A “desvantagem” de ser campeão é a dificuldade de o manter desempenho no ano seguinte. Assim, é necessária a reformulação do sistema para evitar que as tendências mostradas no ano anterior não sejam facilmente combatidas na temporada seguinte.

A vantagem é que, ao contrário de outros sistemas que invadiram a NFL nos anos anteriores, como a wildcat formation e a read-option, o RPO ainda não foi exaurido, ainda podendo apresentar uma infinidade de variações de jogada sem esgotar o sistema.

Em contrapartida, o bom e velho pro-style offense ainda será necessário sobretudo para alavancar o jogo de Carson Wentz, que ainda tem muito a evoluir na carreira, apesar do que já foi mostrado ser surpreendente para um jogador vindo da segunda divisão universitária.

Como é comum em times vencedores, os Eagles tiveram muitas perdas de jogadores na offseason, sobretudo no ataque. Saíram os RB LeGarrette Blount e Kenjon Barner; os TE Trey Burton e Brent Celek e o WR Torrey Smith. Outro ponto de interrogação é o retorno do LT Jason Peters, que vem de uma ruptura de ligamentos cruzado anterior e medial colateral. Seu substituto Halapoulivaati Vaitai (tente escrever sem jogar no google), está com dificuldades na pré-temporada, apesar de ter sido consistente na metade final de 2017. Apesar dessa dúvida, o restante do grupo de protetores de Wentz é bem sólido, contando com Stefen Wisniewski, Jason Kelce, Brandon Brooks e Lane Johnson.

O dinamismo entre os running backs deve ser a tônica para o ataque, com Jay Ajayi sendo o peão de carga, enquanto Corey Clement e Darren Sproles (retornando de lesão) devem aumentar a dimensão do jogo aéreo. Complementando o jogo de passes curtos e as terceiras descidas, o TE Zach Ertz deve aumentar sua importância como arma do ataque. Alshon Jeffery é o cara responsável por esticar o campo, e Nelson Agholor finalmente contribui em campo após a cirurgia para remoção das raquetes que tinha no lugar das mãos. O nome novo na WR room deve ser Mike Wallace, que é uma espécie de seleção inglesa dos jogadores de NFL: após anos decepcionando quando se esperava protagonismo, finalmente deve produzir alguma coisa no papel de coadjuvante.

Uma defesa consistente

A profundidade de talento nos Eagles é tão grande que atinge o outro lado da bola. E dessa vez é de verdade, não como no lendário Dream Team de 2011. Se no Super Bowl não teve defesa, a unidade contribuiu bastante durante a jornada até lá, garantindo resultados que encaminharam a campanha de 13 vitórias.

Apesar das perdas do DE Vinny Curry, DT Beau Allen e do OLB Mychael Kendricks, o front office de Philly buscou uma estratégia utilizada por nomes como Al Davis e Bill Polian (na época em que sabiam o que estavam fazendo): fortalecer ainda mais a principal virtude da unidade, nesse caso o front seven. Os Eagles trouxeram o NT Haloti Ngata e o DE Michael Bennett, nomes veteranos mas que ainda contribuíram bastante nas últimas temporadas por Lions e Seahawks, respectivamente.

Um pass rush tão forte deve ajudar sobretudo a secundária, que deve ter problemas para encontrar soluções para a posição de nickel após a saída de Patrick Robinson. O segundanista Sidney Jones deve assumir a posição, enquanto Jalen Mills e Ronald Darby devem ser os outside corners. Os safeties Rodney McLeod e Malcolm Jenkins completam a secundária, com papel importante de ajudar sobretudo Jones, que na prática é calouro, já que perdeu quase toda a sua primeira temporada por lesão.

Palpite

No papel, os Eagles tem o melhor elenco da NFL, e ainda pode evoluir. Para um time tão dominante no ano anterior, sempre há a possibilidade de regressão, enquanto as saídas de Frank Reich e John DeFilippo podem ou não ter um impacto na capacidade criativa de Doug Pederson. Na defesa, Jim Schwartz vai para sua terceira temporada como coordenador, reconquistando o prestígio que perdeu quando esteve em Detroit. Schwartz é bom o suficiente para manter o nível da defesa e até mesmo melhorá-la, mesmo se ocorrerem algumas lesões. Mediante esse cenário de continuidade do trabalho vencedor da última temporada, é praticamente impossível não colocar os Eagles como os favoritos a vencerem o título da NFC East, e até mesmo postulantes à homefield advantage. Uma campanha de 12 ou 13 vitórias deve ser suficiente para manter o time como uma das seeds mais altas da conferência. 

Podcast #9 – Uma coleção de asneiras IX

Estamos de volta! Repercutimos, claro, o Super Bowl: como foi a vitória dos Eagles, os personagens envolvidos e mais algumas bobagens.

Discutimos os assuntos do momento, como a renovação de Jimmy Garoppolo e o pé na bunda que Josh McDaniels deu nos Colts.

Por fim, falamos da offseason e o que podemos esperar desse período maravilhoso.

Participação especial: João Paulo, do @EaglesBR.

 

De favorito a underdog: a história do Philadelphia Eagles

O Philadelphia Eagles de 2017 é o time dos extremos: depois de conquistar a primeira posição na NFC durante a temporada regular e ser um dos favoritos a chegar ao Super Bowl, o time passou a ser um verdadeiro azarão. A contusão de Carson Wentz, que vinha sendo o melhor QB da liga e principal candidato ao prêmio de MVP, teve um impacto muito grande para o Eagles, e não apenas dentro de campo.

O melhor time da Conferência, pelo menos na tabela de classificação, chegou ao Divisional Round dos playoffs como posição número um mais menosprezada dos últimos tempos. Foi a primeira vez na história em que as casas de apostas americanas consideraram que o time com a sexta melhor campanha, o Atlanta Falcons, jogando fora de casa, era o favorito no confronto contra a seed #1 e mandante da partida.

Apesar do descrédito, o primeiro round foi bem sucedido. A vitória contra o Falcons não foi bonita, é claro. O placar de 15×10 não acaba com as dúvidas dos que não acreditam no Eagles sem Carson Wentz. Em um jogo apertado, de pouca inspiração ofensiva, o time mais eficiente venceu, mas não empolgou. Se Atlanta tivesse tido um pouco mais de inspiração nas chamadas ofensivas em seus últimos quatro downs (isso é sim um ataque direto a Steve Sarkisian), quando esteve a duas jardas de vencer o jogo, esse texto não estaria nem sendo escrito.

Saudades Carsinho.

Mas o Eagles contrariou os prognósticos desfavoráveis e venceu, provando que o título de underdog era um pouco exagerado. Agora, na final da Conferência, o adversário é o forte Minnesota Vikings, que vem carregado de energias positivas após uma das jogadas mais épicas de todos os tempos. Assim como no jogo contra o Falcons, o Eagles é novamente considerado zebra: Las Vegas considera que o Vikings tem vantagem de 3,5 pontos no confronto.

O menosprezo externo parece não afetar o time, que usa a narrativa de ser um underdog como motivação. “Prefiro que as pessoas duvidem de nós, ao invés de nos dar tapinhas nas costas”, disse o Right Tackle Lane Johnson, que após o jogo contra o Falcons não hesitou em colocar uma máscara de cachorro e esfregar a vitória na cara dos que consideravam o Eagles como “dogs”.

Apesar de novamente ser subestimado, o Eagles tem todas as condições de bater o Vikings e avançar ao Super Bowl pela primeira vez desde 2005, quando perdeu para o New England Patriots. Como isso acontecerá? As razões são várias.

Torcida e clima

A atmosfera na Philadelphia será extremamente favorável ao Eagles. Na arquibancada, serão 69 mil torcedores sedentos por um Super Bowl. Famosos pelo fanatismo e pelo descontrole (e pelas vaias), são capazes de ser presos por socar o cavalo da polícia, vaiar o Papai Noel e promover brigas épicas no metrô. São esses mesmos torcedores alucinados que tornarão a vida do Minnesota Vikings um inferno durante todo o jogo.

A vantagem de jogar em casa não pode ser menosprezada, especialmente no frio de Philly em Janeiro e contra um time que já se acostumou a jogar no calor de seu novo e confortável estádio coberto.

Essa turminha vai arrumar altas confusões em janeiro!

Eliminar erros

Em um jogo que promete ser disputado até o fim, como foi contra o Falcons, quem errar menos, obviamente, vence. Por isso, é fundamental eliminar alguns deslizes inaceitáveis como os que poderiam ter custado a vitória no Divisional Round. Turnovers, como o fumble de Jay  Ajayi logo no início da partida, e falhas em jogadas de special teams, como o ponto extra perdido por Jake Elliot e o muffed punt que deu a bola para o Falcons já na redzone, simplesmente não podem acontecer. O Minnesota Vikings é um time mais forte que o Atlanta Falcons e certamente conseguirá tirar mais proveito desse tipo de falha em um jogo cujo placar deve ser baixo.

Ter sucesso no jogo corrido

De acordo com o site Number Fire, desde que Jay Ajayi chegou a Philadelphia, na semana 9 da temporada regular, apenas Alvin Kamara tem média de jardas por tentativa superior a do RB do Eagles. Porém, a missão de Ajayi contra o Vikings não será nada fácil. Minnesota tem uma das melhores defesas da NFL contra o jogo terrestre. Além de uma linha defensiva dominante, os linebackers são muito rápidos e versáteis. Correr contra o Vikings é, sim, difícil. Mas mais difícil ainda é travar um duelo aéreo contra a secundária de Minnesota, especialmente quando Nick Foles é seu QB.

Claramente, o ponto forte do ataque do Eagles sem Carson Wentz é pelo chão. Para ter chances reais de vitória, é fundamental estabelecer o jogo terrestre desde o início do jogo, controlar o relógio e manter o placar sob controle.

Esconder Nick Foles

No duelo dos backup QBs, o time que conseguir mascarar as falhas do comandante do seu ataque terá mais chances de sucesso. Isso parece ser mais importante para o Philadelphia Eagles do que para o Minnesota Vikings, que tem Case Keenum jogando bem desde o início da temporada e sendo um QB claramente melhor que Nick Foles.

Contra uma defesa rápida e agressiva, o Eagles precisa tornar o trabalho de Foles o mais simples possível. Leituras rápidas, passes curtos, screens e run-pass options (o novo termo da moda pra quem quer fingir que entende de tática) são maneiras efetivas de minimizar os riscos de turnovers e ganhar jardas, mesmo que poucas, de forma contínua. A experiência que Foles teve no ataque de Chip Kelly, em 2013, quando lançou 27 TDs e apenas 2 INTs, mesmo tendo sido um desvio de percurso, pode e deve ser aproveitada nessa situação.

Pressionar Case Keenum

Brandon Graham, Fletcher Cox, Tim Jernigan e Vinny Curry formam uma das melhores linhas defensivas da NFL, tanto contra o jogo terrestre quanto contra o jogo aéreo. De acordo com o site Pro Football Focus, o Eagles conseguiu pressionar o QB adversário em 41,5% dos dropbacks, enquanto a média da liga é 34,7%. O que mais impressiona é que a linha defensiva consegue colocar pressão no QB em 38,3% dos snaps em que manda apenas quatro pass rushers. Ou seja, em grande parte dos snaps, o Eagles consegue chegar ao cenário ideal para uma defesa: conseguir chegar ao QB sem mandar Blitzes.

Ao mesmo tempo em que a defesa tem um pass rush eficiente, Case Keenum é um dos QBs mais pressionados da NFL: 39,3% das jogadas, de acordo com o PFF. Naturalmente, como a maioria dos QBs, Keenum tem percentual de passes completos e rating consideravelmente inferiores quando está sob pressão. Contra o Saints, ele completou apenas 3 de 11 passes quando estava sob pressão e, inclusive, lançou uma interceptação de sangrar os olhos. A matemática, nesse caso, está ao lado de Philly e pode ser decisiva, afinal títulos já foram decididos por defesas com pass rush eficiente (alô, Denver Broncos!).

Spoiler.

Acreditar no destino

Por último, é preciso acreditar que, mesmo sem seu melhor e mais importante jogador, o Eagles não chegou até a final de Conferência por acaso. Com uma pequena força dos deuses do football, que têm vontades bastante peculiares, o time pode emular um New York Giants de 2007 ou um Baltimore Ravens de 2012, chegar ao Super Bowl e, inclusive, vencê-lo. Basta uma ajudinha do destino, por que não?

O sacrifício de Carson Wentz em nome do terceiro homem de Fisher

De atuações no mínimo duvidosas em 2016 (inclusive acumulando mais turnovers, 21, que touchdowns, 18), para principal candidato a MVP em 2017 – dependendo apenas de duas derrotas de Nick Foles nas próximas semanas para demonstrar sua vital importância –, Carson Wentz derrubou haters a cada semana. Jogos como os contra San Francisco e Kansas City, à la Kaepernick com menos de 60% de passes completos, deixavam os críticos preparados, apenas para acabarem respondidos por atuações como a contra Denver, com 4 TDs dominando a defesa dos Broncos mesmo sem Jason Peters protegendo seu lado cego.

O jogador favorito de LeBron James, teoricamente daqueles torcedores duplos, de Cowboys e Browns, virou muitas cabeças em 2017. Melhor de tudo, frio como os invernos em Fargo, Wentz não está nem aí para tanto hype.

Origens

Carson Wentz nasceu na Carolina do Norte, mas se mudou cedo para Bismarck; é a carinha do midwest rural e sempre lhe veremos como um menino da Dakota do Norte que está se aventurando muito longe – mesmo que na pré-temporada ele chame seus colegas para treinar em Fargo, onde, como definiu Jordan Matthews, “não tem nem uma estação de rádio que toque hip-hop”.

Fargo é onde está a sede de North Dakota State, a universidade onde vimos Carson surgir (por puro esquecimento das grandes universidades dessa parte do país). Esta, inclusive, uma universidade dominante da FCS, ou como preferimos chamar, a segunda divisão do futebol americano universitário (como prova o Fargodome comporta apenas 19 mil espectadores).

Ele inclusive demorou para ter sua oportunidade como titular, já que o time era campeão todo ano e Brock Jensen, o então QB titular, era razoável – como definiu Tim Polasek: “estava claro quão talentoso Wentz era, mas estávamos de mãos amarradas. Estávamos satisfeitos com Brock, ele tinha o time nas mãos e o liderava.”

Com a saída de Brock Jensen e dois anos de experiência acumulados (e, não surpreendentemente, mais dois títulos somados), Wentz entrou para o draft. Somente Steve McNair (que teve uma boa carreira nos Titans, saído de Alcorn State) e Joe Flacco (que passou por Pittsburgh, da NCAA, antes de ir para Delaware) foram selecionados diretamente da FCS no primeiro round – e Carson entrou bem contato para ser o terceiro da lista.

Esquecido anteriormente, foi colocado lado a lado com Jared Goff no draft de 2016 – enquanto Goff tinha mais pedigree, saído de uma universidade da Pac-12, Wentz tinha mais tempo de campo (com boas atuações, mas contra si competindo com adversários duvidosos) e todos os atributos físicos. Em uma decisão que hoje soa incompreensível, mas na época a maioria de nós aplaudimos, os temidos Browns trocaram a oportunidade de escolhê-lo pelos apaixonados Eagles de Doug Pederson – que já tinham Sam Bradford recém-renovado e Chase Daniel recém-contratado brigando pela titularidade na época.

Com a troca de Sam, Carson imediatamente assumiu as rédeas da equipe. Como já dito, a primeira temporada foi cheia de altos e baixos, além das dores típicas de crescimento de um novato: a inconstância no acerto de passes ou de medir a força deles, que animavam os críticos que afirmavam que ele só parecia jogar bem porque enfrentava jogadores fracos na universidade.

Os últimos quatro jogos com a temporada dos Eagles já acabada, entretanto, pareciam uma forte indicação de que a NFL estava ficando mais lenta para Carson.

A temporada atual

Previmos na intertemporada que os Eagles estavam caminhando na direção correta, buscando a evolução de Wentz e Pederson, adicionando peças interessantes de apoio para quem sabe conseguir sonhar com uma pós-temporada agarrada pelos cabelos – doce ilusão. Depois de um início parecido com a temporada de 2016, os Eagles pegaram fogo e emendaram nove vitórias seguidas entre outubro e novembro.

Como nos sentimos obrigados a adicionar asteriscos (que, como veremos no próximo ponto, é o que poderá trazer esperança para Philadelphia), é importante relembrar que a defesa dos Eagles é uma das mais dominantes da liga atualmente, especialmente contra o jogo corrido.

Além disso, Wentz tem sido mais clutch que dominante all-around, conseguindo vitórias como o 37-9 contra Dallas ou 51-23 contra Denver com apenas 168 e 199 jardas, respectivamente, além de contar com mais de 100 jardas de seus running backs em quase todos (menos dois) jogos na temporada.

De qualquer forma, um QB ideal é aquele que aproveita as oportunidades que a vida (defesa adversária) oferece (vide Brady, Tom). Não importa como, 33 touchdowns (inclusive superando o recorde de Donovan McNabb com 3,5 jogos a menos) são o tipo de coisa que o jogador mais valioso do time conquista – garantindo o melhor aproveitamento na redzone da liga e o segundo melhor em conversão de terceiras descidas. Se ajudar a equipe a fabricar vitórias é em que Carson é bom, aposto que ninguém na Wentzylvania vai reclamar.

Vai ficar tudo bem.

Lesão

2017, porém, não pode deixar ninguém em paz. Em uma jogada corajosa, Wentz mergulhou para a endzone (o que seria seu primeiro TD corrido da temporada), sendo esmagado por dois defensores: um batendo na sua cintura, outro na sua canela. É assustador, já que suas pernas parecem moles, não de ossos; naturalmente, o seu joelho não aguentou o impacto, rompendo o ligamento anterior e, notícias mais recentes indicam, mais algum ligamento que pode prejudicar a sua volta. Para adicionar o “toque 2017” ao lance, o TD marcado pelo menino Carson Wentz não foi válido, já que foi marcado holding de Lane Johnson.

Nick Foles e o que janeiro traz

Se algo de bom podemos tirar, é o retorno do lendário Nick Foles, que produziu em sua segunda temporada (tal qual a atual de Wentz) um ratio de 27 TDs para apenas quatro turnovers (duas interceptações), e só não recebeu consideração real para um título de MVP naquele ano de 2013 porque Peyton Manning bateu o recorde de touchdowns lançados em uma só temporada. E porque, bem, era Nick Foles.

Obviamente, pouco tempo depois ele acabou voltando ao esperado, com duas temporadas medíocres na Philadelphia e posteriormente em St Louis, ao ser trocado por Sam Bradford em 2015. Acabou em Kansas City em 2016 antes de voltar para onde tudo começou.

Desde sua grande temporada, as oportunidades foram bem menores devido a lesões e, também, a pura mediocridade, não podemos negar. Ainda assim, substituindo Alex Smith em dois jogos ano passado, Foles lançou 35 passes, com três TDs e nenhum turnover. Contra os Giants no domingo, lançou quatro TDs novamente (sem turnovers) e sem muita ajuda da defesa ou do jogo corrido, em uma apresentação em que só faltou dar o golpe final para não passar tanto aperto.

Seja o que Deus quiser.

Talvez Nick não seja exatamente o homem dos sonhos para o Super Bowl, mas na NFL atual não se pode escolher muito – e dentre os backups possíveis, ele vem mostrando estar entre os melhores (já que profundidade é crucial para um time que está na sua “quarta lesão pesada”, depois de Darren Sproles, Jordan Hicks e Jason Peters).

Considerando que Foles entra na lista de “ex-reféns de Jeff Fisher”, como Keenum e Goff, o ano parece propício para que Nick tenha suas chances. Inclusive, talvez os homens realmente ideais para Seahawks e Chargers chegarem à pós-temporada sejam os também lendários Austin Davis e Kellen Clemens. Você ouviu primeiro aqui.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Se existir um próximo, será melhor; considere uma promessa.

Em busca da direção certa

O desempenho do QB Carson Wentz em sua temporada de rookie está longe de ser um primor. Foram 3782 jardas aéreas conquistadas, apenas 16 TDs e 14 INTs, números que são suficientes para colocá-lo, no máximo, próximo da linha da mediocridade. A NFL, felizmente, não é feita apenas de estatísticas. Assistir um QB em ação muitas vezes nos diz muito mais do que analisar friamente os números que ele produziu.

Desde que pisou no gramado para enfrentar o Cleveland Browns, na primeira semana da temporada de 2016, Wentz aparenta ser o que uma franquia espera de um Quarterback. Os erros, é claro, estão lá, como estão para todos os rookie QBs, mas aparentam ter origem mais na inexperiência do que em uma eventual deficiência o que, claro, seria mais difícil de ser corrigido.

Wentz errou bastante em 2016, mas também acertou. O controle e a liderança que ele tinha no ataque do Philadelphia Eagles são raros para um calouro. Sua capacidade de leitura das defesas, antes mesmo do snap, também chama a atenção. O que mostrou em campo comprova o que muitos especialistas diziam antes mesmo do draft: Wentz é um grande amante e estudioso do football, algo semelhante a Peyton Manning, guardadas as devidas proporções.

Matou no peito.

As armas

Não é à toa que o Eagles decidiu que Carson Wentz é o franchise QB que o time aguardava desde a saída de Donavan McNabb e decidiu construir o futuro ao redor dele. O primeiro passo foi reformular o grupo de recebedores, que em 2016 foi um grande problema para o ataque. O time mandou o inconstante Jordan Matthews para o Buffalo Bills em uma troca e contratou os veteranos Alshon Jeffery e Torrey Smith.

Jeffery tem o talento necessário para ser um dos melhores WRs da liga, sem dúvidas, mas precisa permanecer saudável, o que não era rotina em seus tempos de Chicago Bears. Em cinco anos em Chicago, foram apenas duas temporadas sem perder jogos por contusão. Nos dois anos em que ficou saudável, Jeffery recebeu mais de 1000 jardas aéreas e, em 2013, anotou 10 TDs. Seu talento nunca foi questionado e, se conseguir ficar longe das contusões, Alshon deve ser o principal jogador do ataque do Eagles em 2017.

Torrey Smith, outro contratado na free agency, ficou escondido por dois anos no horroroso San Francisco 49ers, mas em seus três anos de Baltimore Ravens mostrou que pode ser um jogador bastante útil e que adiciona o elemento do passe em profundidade ao ataque. Jeffery e Smith são uma versão um pouco mais pobre do que o Tampa Bay Buccaneers tem em Mike Evans e DeSean Jackson, por exemplo, mas têm a capacidade de complementar um ao outro e oferecer opções que Carson Wentz simplesmente não tinha em 2016.

Além de Jeffery e Simith, Wentz terá à disposição o bom TE Zack Ertz, que merece ser mais acionado, e o WR Nelson Agholor que, segundo os repórteres que acompanham o time, é um dos jogadores que mais evoluiu nessa offseason depois de um turbulento 2016.

Com esse grupo de recebedores e com uma linha ofensiva que tem Jason Peters, Jason Kelce e Lane Johnson, considerada a melhor da NFL pelo site Pro Football Focus, o Philadelphia Eagles pode ter um ataque bem interessante em 2017.

O ponto de interrogação

A dúvida fica para o grupo de RBs: Ryan Mathews, principal corredor do time em 2016, foi dispensado. Para o seu lugar, o Eagles contratou LeGarrette Blount, que deve ser responsável pelo trabalho sujo entre os tackles. As informações sobre Blount, porém, não têm sido boas durante o training camp e chegou, inclusive, a surgir a especulação de que ele poderia ser dispensado.

Além de Blount, o Eagles tem o segundo anista Wendell Smallwood, que teve oportunidades no ano passado e não mostrou muito serviço, e o especialista em receber passes e já idoso Darren Sproles. Em teoria, é um grupo que traz habilidades diversas e que pode se complementar bem, mas algo parece que vai dar errado.

As contratações ofensivas feitas pelo Eagles criaram um ataque com mais talento e mais alternativas, portanto é justo esperar uma performance melhor de Wentz e seus alvos em 2017.

O dono da bola.

O copo meio cheio

A defesa do Philadelphia Eagles em 2016 não teve uma performance horrível. A unidade terminou a temporada em 12º em pontos cedidos e 13º em jardas permitidas, por exemplo. Mas as deficiências de defesa são óbvias e talvez a principal delas seja na posição de cornerback.

Na temporada passada, os defensores do Eagles permitiram que os QBs adversários completassem 60% dos passes. Nolan Carroll e Leodis McKelvin deixaram o time, para a felicidade dos torcedores de Philly. O problema é que quem ficou não inspira confiança e talvez isso tenha motivado a troca com o Buffalo Bills, em que o Eagles enviou Jordan Matthews e recebeu o CB Ronald Darby, que chega e automaticamente entra no time titular. O grupo de linebackers também é uma preocupação. Além do dinâmico Jordan Hicks, não há muita certeza.

A força da defesa talvez esteja na linha defensiva. Fletcher Cox é um dos melhores DTs da NFL e vence constantemente as coberturas duplas que recebe. Além de Cox, o Eagles conta com jogadores de pedigree que ainda não conseguiram atingir todo o potencial que têm, como Brandon Graham, escolha de primeiro round do draft de 2010, e Vinny Curry, que assinou uma extensão contratual de 47,5 milhões de dólares que alguns classificam como o pior contrato de um DL da NFL.

Já Chris Long e Timmy Jernigan chegam via free agency com a expectativa de adicionar elementos a mais no pass rush, que será fundamental para o sucesso da defesa.

Palpite: A evolução, principalmente ofensiva, acontecerá, mas é difícil enxergar esse time ganhando mais do que oito jogos. Um recorde de 8-8 não seria surpreendente. Um 9-7 seria um sucesso absoluto. Mas, como mencionado no início do texto, a NFL não é feita apenas de números. O que o Philadelphia Eagles precisa em 2017-2018 é ter a certeza que encontrou seu QB e que a franquia está no caminho certo.

Divagações de offseason: uma eterna luta contra o tédio

Ao traçar estas linhas, adianto: como é visível o grande interesse que a NBA parece ter tomado no Twitter (NBA!!! Estive até me preocupando com a saída de Ricky Rubio ou a chegada de Jimmy Butler em Minnesota), esse é provavelmente o mês mais tedioso de nossa amada liga.

Para nossa sorte, porém, dentro de poucas semanas devem começar os training camps e, com eles, o contrato de 7 bilhões ao longo de 18 anos de algum suposto astro do basquetebol (sério, os contratos da bola laranja são ridículos) será substituído na escala de relevância do noticiário esportivo pela lesão no dedão do pé do WR4 dos Jets – se Deus (Tebow) permitir.

E como tal, tentemos colocar nossas cabeças para trabalhar e comecemos com suposições. Nem que seja para aparecer logo no início da retrospectiva do ano que vem sobre “percebam como começamos o ano já falando merda”. Pensando nisso, apresentamos nove situações que deveriam acontecer em julho, mas provavelmente não passarão de mera ilusão até meados de setembro:

1 – Kyle Shanahan descolando uma troca por Kirk Cousins

Quem sabe se ele mandasse um 1st round top-10 protected para os Redskins, além de dois core players, Washington desistisse de tanta briga por um novo contrato que nunca acontecerá e aceitasse liberá-lo para o lugar em que Cousins finalmente será feliz. E, inevitavelmente, decepcionará devido à mediocridade que lhe cercará em San Francisco.

Na verdade, adoraríamos sugerir a troca de Philip Rivers ou Eli Manning – vem Davis Webb! – ou algum veteraníssimo, mas como esse é uma época de esperanças, não encontramos nenhuma situação em que poderíamos ser criativos o suficiente – mas imagina que doido Rivers no Broncos?

2 – Alex Smith, Mike Glennon para o banco

Pensamos em adicionar Tom Savage à lista, mas até para essa dupla de medianos, comparar com Savage é muita humilhação – e talvez os Texans sejam sábios o suficiente para colocar o Tom ruim no banco em julho mesmo. Mas, sério: alguém tem alguma dúvida que, mais cedo ou mais tarde, Mahomes e Mitch serão os titulares de Chiefs e Bears?

Alex Smith teria que se transformar no Tom Brady do Oeste para evitar que o novo Brett Favre (a cada passe fué de Smith, Reid olhará para o banco e lembrará que Pat está ali, completamente cru, mas com o canhão que todos amam na liga) tome a sua posição mesmo com uma campanha vitoriosa.

“Alex Smith sentiu um desconforto na alma, precisa meditar e, portanto, vai ficar fora tempo suficiente para Mahomes assumir”, será a manchete que encontraremos.

O veterano tem ainda menos esperança no duelo Mike x Mitch. Entretanto, é válido lembrar: o último time que apostou pesado duplamente em QBs (os Redskins, em 2012, draftando Cousins no quarto round ao invés de apostar em alguma outra posição em que poderia encontrar um titular) acabou se dando bem justo com a opção “secundária”.

Passa credibilidade?

3 – Algum RB admitindo que não correrá para mais de mil jardas na temporada

“É, sabe como é, na verdade estaremos em um grande comitê, vou dividir carregadas com outros dois jogadores medianos como eu e, no final das contas, não vou produzir o suficiente para ser draftado com qualquer das suas três primeiras escolha no fantasy.”

Era só o que queríamos ouvir: um pouco de realidade para variar e poder, assim, evitar as dicas do Michael Fabiano. É claro que em uma época do ano em que todos os times esperam vencer todas as  partidas (menos os Jets, na AFC, e os Rams, na NFC), talvez esperar ouvir verdades de jogadores do grupo de Adrian Peterson e Marshawn Lynch seja excesso de esperança.

4 – Pete Carroll admitindo que tentará matar Russel Wilson

A ideia era começar o tópico listando os titulares possíveis. A verdade: é impossível adivinhar quem serão. Luke Joeckel (daquele maravilhoso draft de 2013) e Ethan Pocic (rookie) são nomes reconhecíveis, mas tampouco passam segurança.

Senhoras e senhores, a OL dos Seahawks. Além disso, Carroll se diz “animado com a evolução da linha”, que cedeu 42 sacks em um jogador liso como Russell Wilson, que também acabou sofrendo com lesões em 2016. Também, com o novo contrato do QB, a janela para a incrível Legion of Boom está se fechando: Kam Chancellor, por exemplo, tem seu contrato acabando esse ano e Michael Bennett e Cliff Avril não estão ficando mais novos.

Se o responsável por manter os bons resultados em Seattle será o marido da Ciara (e seus US$ 20 milhões anuais), é bom que seu head coach e o grande “especialista em linha ofensiva” Tom Cable parem de tentar assassiná-lo.

“Vou te matar”

5 – Jogador reconhecendo que não está totalmente saudável ou em plena forma física

Acontece todo ano. Todo mundo chega das férias voando, melhor forma da carreira e blablabla independente de raça, posição ou idade. Chega o final de setembro, o mesmo craque sente o quadril, o tornozelo, o joelho e admite que “não era bem assim”.

Um belo exemplo, como torcedor dos Vikings, será observar o retorno de Teddy Bridgewater. Por mais emocionante que seja, uma lesão que levaria dois anos para uma boa recuperação está se tornando uma lesão que permitirá que ele volte para competir diretamente pela titularidade com Bradford. Atenção às mentiras: não é bem assim.

6 – Os Chargers encontrarem um estádio de verdade

Ataque gratuito: mas, sério, com um esporte que tem de média 60-70 mil espectadores tanto a nível profissional como a nível universitário, jogar em um estádio que não poderia receber uma final de Libertadores, é uma piada.

7 – Josh Gordon liberado

Maconha: essa droga que destrói famílias na liga e faz as pessoas sofrerem ao redor do mundo. De qualquer forma, especialmente com o aumento de estados americanos que permitem o uso da erva, é uma questão de tempo até que a NFL inevitavelmente supere suas regras de Arábia Saudita e permita que, ao menos, se teste os benefícios que ela pode ter para seus funcionários.

Enquanto isso, já passou da hora de perdermos talentos do nível de Gordon (87 catches, 1646 jardas em 2013 com Brian Hoyer ou algo equivalente) simplesmente por serem maconheiros. Legaliza, Goodell.

8 – Parar de ler esse tipo de texto quando bate a saudades e damos aquela passadinha no site da NFL

Sério? Calma, caras! E, pior, até faria sentido trabalhar com nomes do nível de Odell Beckham, que tem destruído a liga já há algumas temporadas. Mas colocar Carson Wentz como HOFer em potencial é apostar muito, mas muito alto; inclusive, apostamos que Schein não botou nem 10zão em Vegas esperando que Wentz chegue em Canton lá por 2040.

E para não dizer que batemos só em casos fáceis, Jameis Winston e Amari Cooper? Eles têm potencial, lógico, mas tanto quanto, sei lá, Jarvis Landry. Sério, uma média de 1 INT/jogo e ser o WR1a do WR1b Michael Crabtree não são exatamente o que esperamos ver como Hall of Famer em 20 anos.

Mal dá para esperar que cheguem finalmente aqueles reports maravilhosos de Training Camp sobre lesões irrelevantes ou pequenas cenas lamentáveis rapidamente solucionadas.

9 – Um QB machucado sendo substituído por ELE: Colin Kaepernick

Vocês sabiam, quando começaram a ler esse texto, que chegaríamos inevitavelmente aqui. Os mais desiludidos já dizem que Kaep jamais voltará a liga; a regra geral diz que é questão de tempo. Por exemplo, sabemos que, no caso de lesão de Flacco ou Wilson, John Harbaugh e Pete Carroll sabem onde encontrar um quarterback titular.

No resto da liga, será ao menos curioso ver o que acontece quando o inevitável fantasma das lesões atacar e deixar algum time pronto refém de Case Keenum ou Matt Cassel para chegar aos playoffs.

Como dissemos lá no início: talvez não aconteça em julho, mas setembro. E com ele nossa liga favorita, (ansiosos esperamos) sempre chega.

Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenum, certo?

Em meio ao crescimento de Dak Prescott, as oscilações normais para um novato que Carson Wentz vem sofrendo até aqui, ao menos um dos QBs selecionados no último draft tem tido uma temporada tranquila: Jared Goff.

E enquanto o Rams caminha para sua já tradicional campanha 8-8, Goff não cometeu os mesmos erros tão comuns a rookies que Prescott cometeu ou oscilou como Wentz oscilou após um início quase irretocável. O único “porém” para Jared é que, até a semana 10, ele não participou de um mísero snap: o Los Angeles Rams trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para conseguir Goff e, por longas semanas, ele se restringiu a esquentar o banco.

Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams. Parecia que a franquia que não vai aos playoffs desde 2004 estava pronta para um recomeço, para apostar seu futuro em um jovem talentoso, certo? Parecia, mas na verdade ele permaneceu sentado enquanto Case Keenum levava a equipe às piores médias da NFL em todos os quesitos ofensivos.

Ninguém entendeu essa merd*.

Ninguém entendeu essa merd*.

E ressalte-se que nunca louvamos Jeff Fisher como um guru ofensivo, muito pelo contrário. Mas mesmo assim os números atuais soam ofensivos até para alguém com tamanha atração pela mediocridade como Fisher.

Na contramão da liga

Hoje o Dallas Cowboys é a melhor equipe da NFL com Dak Prescott comandando as ações. Carson Wentz tem momentos de instabilidade, mas em geral tem jogado razoavelmente bem e conseguido manter o Eagles na disputa por uma vaga na pós-temporada em umas das divisões mais disputadas da liga.

Se formos além, teremos ainda outros bons exemplos: Jacoby Brissett suportou a pressão e conseguiu levar o Patriots à vitória quando exigido e, se ampliarmos o leque até o pior time da NFL, veremos que tanto Cody Kessler como Kevin Hogan tiveram a mesma eficiência que Josh McCown teve com o Cleveland Browns (infelizmente isso não quer dizer porra nenhuma).

Considerando todo este cenário podemos afirmar, sem medo, que todos os atletas acima citados são melhores que Case Keenum – enquanto, aparentemente, ao menos para o Rams, Jared Goff não era.

As razões para a ausência de Goff soam inexplicáveis. O Los Angeles Rams conta com um bom sistema defensivo e, em uma temporada marcada pela igualdade, jogando em uma divisão com um Seattle Seahawks claramente um passo a frente, um San Francisco 49ers que sofreria no primeiro quarto contra algumas equipes do college football e um Arizona Cardinals que pouco lembra a equipe dos últimos dois anos e, bem, com um ataque minimamente decente Los Angeles poderia brigar por uma vaga nos playoffs; mas com Keenum este ataque esteve longe, muito longe, de poder ser considerado minimamente decente: foram apenas 139 pontos em 10 semanas, pior marca da liga.

#exausta

#exausta

Talvez Fisher tenha pensado que manter Goff esperando era o melhor para seu desenvolvimento a longo prazo? É uma tese até certo ponto coerente, mas podemos discordar, apesar de muitos especialistas afirmarem que expor Goff nesta situação poderia ser extremamente prejudicial porque erros poderiam abalá-lo, além de, por estar em um sistema ofensivo caótico, seria necessário adquirir hábitos que posteriormente seriam difíceis de serem corrigidos.

Tudo isso, porém, cai por terra quando assumimos que evolução só é possível através da experiência. E se o Rams viu algum talento em Jared durante a faculdade, eles desperdiçaram algumas semanas em que ele poderia estar em campo descobrindo como adequá-lo, como aperfeiçoar suas virtudes e, sobretudo, quais características precisaria deixar para trás na NFL.

Por outro lado, se a preocupação era preservá-lo psicologicamente, tentemos olhar tudo a partir da perspectiva de Jared. O Rams poderia ter selecionado Carson Wentz. O Rams poderia ter mantido suas escolhas de primeira e segunda rodadas e selecionado Dak Prescott, no terceiro ou quarto round. O Rams poderia ainda ter decido continuar com Keenum, assumindo mais um ano medíocre e preparando o terreno para o draft de 2017. Mas o Rams trocou meia dúzia de escolhas para selecionar Goff e, semana após semana, o preteriu em favor de Keenum.

Goff pode simplesmente ter passado dez semanas entendo aquilo como um simples “Case é melhor que Jared”. É um cenário aterrorizante: o que faz um quarterback ser pior do que Case Keenum? Ele saberia segurar uma bola? Ele poderia pisar em um estádio de football?

"Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?"

“Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?”

Olhemos então um pouco mais para o passado: os últimos seis quarterbacks selecionados na primeira rodada que chegaram a novembro sem iniciar uma partida na NFL foram Johnny Manziel, Jake Locker, Tim Tebow, Josh Freeman, JaMarcus Russell e Brady Quinn. Tudo bem, não iremos supor que nenhum deles teve sucesso na NFL por não terem iniciado uma partida como profissional em seus primeiros meses na liga, sabemos que eles provavelmente estão desempregados hoje por simplesmente serem ruins.

Mas a verdade é que first picks normalmente são diretamente colocados na linha de fogo, prova disso são os cinco últimos QBs escolhidos na primeira posição do draft antes de Goff: Jameis Winston (bônus para Marcus Mariota, segundo selecionado no mesmo ano), Andrew Luck (também com o bônus de Robert Griffin III), Cam Newton, o já citado Sam Bradford e Matthew Stafford. Todos iniciaram como titulares logo no primeiro ano.

Mas agora isso pouco importa, já que com mais da metade da temporada perdida, enfim Jeff Fisher anunciou que Jared Goff será titular na semana #11. Se Fisher precisou de dez semanas para assumir que este ano não resultará em nada além da já habitual mediocridade, ao menos restam seis partidas para observar Goff em situações reais de jogo.

(Não) há luz no fim do túnel?

Durante a derrota para o Panthers, há algumas semanas, os torcedores (?) do Rams perderam a paciência e gritaram “Queremos Goff” (e, dizem, “Queremos Tebow” também ecoou no estádio). Muitos, aliás, deixaram o Memorial Coliseum antes mesmo do final da partida.

Provavelmente a grande questão para eles é a mesma que persegue aqueles que acompanham a NFL: Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenun, certo? A realidade, porém, é que Goff não impressionou na pré-temporada. Na verdade ele foi… horrível. Foram apenas 22 passes completos em 49 tentativas, para 232 jardas, dois touchdowns e duas interceptações.

Aliás, na última partida da pré-temporada, contra o Vikings, Jared protagonizou momentos constrangedores, completando apenas seis passes em 16 tentados para 67 jardas. Neste lance, em formação shotgun, ele dropa o snap e cai com a cara no chão tentando recuperar a bola que, claro, acabou com o Vikings. Pouco tempo depois, uma obra prima difícil de descrever.

Em linhas gerais, o saldo final da participação de Jared na pré-temporada foi um quarterback que parecia distante das condições físicas ideias (e não nos referimos a preparo) para suportar um jogo tão intenso como o football profissional e completamente inseguro de suas capacidades.

O fundo do poço

Agora tudo está jogando contra Jared Goff – assim como, no Rams, jogou contra Sam Bradford. O Los Angeles Rams é um time construído para ganhar com sua defesa, enquanto o quarterback coloca a bola nas mãos de Todd Gurley.

Até aqui, não saiu como o planejado e, claro, Case Keenum não é o único culpado: a linha ofensiva é digna de risos e não há nenhum WR confiável. E enquanto o Rams insiste em dar a bola para Gurley, basta a defesa adversária congestionar a linha de scrimmage e desafiar QB e WRs a jogarem. E aqui entra a parcela de culpa de Keenum: ele não é tão inocente quanto Fisher quer que você pense.

E além deste cenário caótico, Goff encontrará ainda um técnico que historicamente não soube trabalhar com quarterbacks novatos (McNair é a famosa exceção que confirma a regra) e lutando por sua reputação após quatro temporadas colecionando derrotas.

Jared Goff, claro, pode não estar pronto, mas ainda paira sobre ele o benefício da dúvida – algo que Case Keenum já perdeu. Ele pode não melhorar o Rams imediatamente, mas é inconcebível não imaginá-lo como QB da franquia nas próximas temporadas. É preciso honrar a aposta, é necessário cobrir o alto valor pago para subir no draft e selecioná-lo.

Na última offseason, o Rams se apaixonou por Goff quando foi a Berkeley vê-lo treinar em sua universidade. Choveu muito e mesmo assim Los Angeles aguardou mais um dia, já que Goff queria jogar, queria mostrar seu valor. Naquela offseason, o mau tempo não os assustou. Agora, se os Rams possui alguma real pretensão de em breve deixar a mediocridade, ele também não pode assustá-los.