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Análise Tática #7 – Como provamos que kickers não servem para nada

Arizona Cardinals e Seattle Seahawks protagonizaram um dos jogos mais bizarros da história da NFL. Sem muita inspiração ofensiva no tempo normal, que terminou com o ridículo placar de 3×3, os times acabaram trocando FGs na prorrogação e empataram por 6×6, em uma sequência de eventos que desafia nossa capacidade de acreditar no impossível.

O Arizona Cardinals teve a primeira posse de bola no tempo extra e saiu na frente com um FG de 45 jardas do K Chandler Catanzaro. Para continuar vivo, o Seattle Seahawks precisava pelo menos chutar um FG e empatar a partida, o que acabou acontecendo, com um chute de 36 jardas de Steven Hauschka.

A partir daí, qualquer pontuação venceria o jogo. Mas o improvável aconteceu: depois de dois bons drives, em que os ataques conseguiram chegar muito perto de marcar o TD da vitória, Catanzaro e Hauschka perderam FGs de 24 e 28 jardas, respectivamente, e nos presentearam com o primeiro empate na NFL desde 2014. Além da emoção dos dois chutes perdidos no final da prorrogação, tivemos também a consolidação da nossa certeza de que kickers não são seres humanos e não merecem respeito. Pelo menos não foi nos playoffs, não é verdade, Blair Walsh?

Assim como a capacidade dos kickers de acertar chutes curtos, a performance ofensiva de Cardinals e Seahawks no tempo normal foi péssima, na prorrogação os ataques conseguiram mover a bola e quase marcaram TDs que evitariam a vergonha dos kickers. A seguir analisaremos duas jogadas que poderiam ter vencido a partida na última posse de bola de cada time.

David Johnson:

O Arizona Cardinals teve a bola na linha de 5 jardas do Seattle Seahawks, na melhor chance de marcar o TD e acabar com o jogo ali mesmo. A melhor opção para entrar na endzone era entregar a bola para o RB David Johnson, certamente o melhor RB da liga nesse ano. O Cardinals colocou dois WRs na parte de baixo da tela que fariam o bloqueio para Johnson, enquanto o Seahawks congestionou o meio do campo. Com o bloqueio dos WRs, Johnson teria apenas um marcador individual na parte de baixo da tela.

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Quando recebeu a bola, o RB do Cardinals percebeu que não conseguiria nada pelo meio e cortou rapidamente em direção à lateral. A movimentação do jogador do Seahawks no meio do campo, em cima da linha da endzone, seria decisiva para o desfecho da jogada.

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Johnson conseguiu abrir vantagem em relação aos defensores e parecia ter caminho livre para marcar o TD da vitória.

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Mas a persistência dos defensores do Seahawks fez com que Johnson parasse a cerca de 5,37 cm da endzone e forçou a demonstração de brilhantismo do K do Cardinals.

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Doug Baldwin:

Após o chute errado de Arizona, foi a vez de Seattle mover a bola desde a sua linha de 1 jarda e chegar em posição de anotar os pontos da vitória. A jogada mais espetacular do drive foi uma recepção do WR Doug Baldwin, posicionado no slot e com rota em direção à lateral. A movimentação em direção ao meio do campo do WR posicionado na parte de baixo da tela foi decisiva para que Baldwin recebesse o passe e pudesse tentar o avanço.

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Quando recebeu a bola, Baldwin tinha apenas um CB em marcação individual. O Safety, na linha de 20 jardas, já se movimentava em direção à bola. Ambos seriam vergonhosamente batidos.

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Primeiro foi o CB que não conseguiu acompanhar a velocidade de Baldwin e perdeu o tackle.

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Depois foi a vez do S, que tentou um tackle baixo e foi basicamente humilhado.

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Baldwin só foi parado na linha de 10 jardas, em uma excelente posição para que o kicker ganhasse o jogo. Infelizmente, como já mencionamos, kickers não servem pra nada.

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Análise Tática #2 – Sobre um domingo muito complicado

Jameis Winston foi um dos melhores QBs da semana 1, quando completou 23/32 passes, para 281 jardas, 4 TDs e 1 INT na vitória fora de casa do Tampa Bay Buccaneers contra o Atlanta Falcons. Na semana 2, porém, a coisa desandou e forma retumbante: foram 4 INT, 1 fumble perdido, 27/52 passes completados e apenas 1 TD. O Buccaneers acabou derrotado por 40×7 pelo Arizona Cardinals.

Mas o que fez o time passar de sensação da semana 1 para uma das grandes decepções da semana 2? Não dá para colocar tudo na conta de Jameis Winston: alguns passes foram péssimos, mas Winston não teve muita ajuda de seus companheiros e enfrentou um adversário inspirado, que teve muito mérito em várias jogadas.

Nossa análise tática #2 tentará descobrir por que cada uma das 4 INT lançadas por Winston aconteceu.

Interceptação 1 – Culpa de quem?

A primeira interceptação de Jameis Winston aconteceu em uma tentativa de passe em profundidade para o WR Mike Evans, no alto da tela. A movimentação do Safety (no círculo amarelo) para marcar a rota do RB foi decisiva para a leitura de marcação individual do CB Patrick Peterson na rota em profundidade de Evans.

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Com a jogada em andamento, percebemos que Winston tinha duas opções: o passe curto para o RB Doug Martin ou a bomba para Mike Evans. Como o Arizona Cardinals não mandou blitz, os outros dois recebedores estavam muito bem marcados por cinco defensores.

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A escolha pelo passe longo é difícil de ser questionada, já que Mike Evans é um gigante e costuma vencer a disputa de bolas com defensores. Mesmo não tendo quase nenhuma separação de Peterson, como percebemos na imagem abaixo, se o passe tivesse sido bem posicionado e se Evans tivesse a concentração adequada para buscar a bola, poderia ter dado certo.

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Porém, o que aconteceu foi exatamente o oposto. Winston lançou o passe um pouco à frente e Evans não teve a mesma perspicácia de Peterson, que acabou com uma INT relativamente fácil.

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Interceptação 2 – Que passe nojento!

Na jogada da segunda interceptação, o Arizona Cardinals mandou blitz com os dois LBs posicionados no meio do campo. Os quatro recebedores, com rotas diversas, teriam marcação individual.

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Mesmo enfrentando blitz, Winston praticamente não sofreu pressão. Na imagem abaixo percebemos que o pocket estava limpo e que os recebedores estavam todos em marcação individual, com o Safety fazendo a leitura da jogada.

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Winstou decidiu lançar para o recebedor que tinha a rota em direção à lateral. A escolha foi boa, já que havia uma pequena separação, mas a execução foi péssima. O passe foi para o único lugar que não podia ser lançado: atrás do recebedor.

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Por outro ângulo, podemos ver que o recebedor nem percebeu a chegada da bola. Novamente, além do passe ruim, o defensor do Cardinals fez uma excelente leitura da jogada.

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Interceptação 3 – O azar!

A terceira interceptação aconteceu numa tentativa de um screen pass. Essa talvez tenha sido a interceptação em que Winston teve menos culpa. O RB Charles Sims, posicionado no alto da tela, receberia um passe curto e contaria com o bloqueio de seus companheiros.

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O problema desse tipo de passe é que, quando o defensor faz a leitura correta, ele pode ser facilmente desviado. E foi exatamente isso que aconteceu.

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Mesmo com o desvio, Charles Sims teve a chance de segurar a bola, ou talvez de, pelo menos, impedir que ela fosse interceptada.

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Porém, Sims permitiu que a bola batesse em suas mãos e sobrasse suavemente para o defensor do Cardinals interceptar e retornar para o TD, em uma gloriosa PICK SIX.

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Interceptação 4 – O desespero!

Na última jogada da partida, com o time perdendo por 40×7, não há explicação nenhuma para que Jameis Winston e Mike Evans estivessem em campo correndo o risco de sofrer uma contusão. Mas estavam; e continuavam fazendo cagadas. A jogada se resumia a duas rotas verticais dos WRs, Mike Evans no alto da tela e Vincent Jackson na parte de baixo.

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O Cardinals não mandou blitz e os dois WRs tiveram marcação individual dos CBs com dois Safeties aguardando o passe em profundidade. Winston sofreu pressão pelo seu lado esquerdo e teve que correr para o lado direito para evitar o sack. Enquanto isso, o CB que marcava Vincent Jackson escorregou e deixou o WR completamente sozinho.

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Sem a visão do que acontecia do lado esquerdo do ataque, Winston forçou o passe para Mike Evans, que já estava marcado por dois jogadores. Na parte de baixo da tela, vemos novamente como Jackson estava completamente sozinho.

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Mesmo bem marcado, o passe poderia ter sido completado se Winston tivesse lançado para o fundo da endzone, já que Evans conseguiu uma pequena separação dos marcadores.

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Porém, Winston acabou lançando em direção à lateral da endzone, o que permitiu a recuperação do marcador, que conseguiu a interceptação e selou uma performance bem abaixo da média do QB do Bucs.

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