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O New Orleans Saints está voltando

Esses dias, twettamos:

O caso da franquia de Nova Orleans não é diferente. O time sempre foi carregado pelo lendário desempenho de Drew Brees (é assim desde 2006), quando chegou junto com Sean Payton para mudar uma história fracassada dos Saints: o time não ganhou nenhum jogo de playoff durante o século XX e apenas um até a chegada deles; desde então, são seis vitórias em cinco aparições nos playoffs (também igualando a marca da franquia pré-Brees), incluindo o Super Bowl XLIV – e, válido lembrar, jogos eletrizantes perdidos para Marshawn Lynch em 2011 e Alex Smith em 2012; invariavelmente o Saints nos playoffs tem nos trazido coisa boa.

Entretanto, durante a inter-temporada de 2012, o famoso Bountygate foi descoberto e líderes importantes da equipe, como o LB Jonathan Vilma e o DE Will Smith foram envolvidos, obviamente não colaborando com a estabilidade da equipe – que já não contava com o DC Gregg Williams (hoje, surpreendentemente, ainda na NFL, trabalhando nos Browns). Foi o primeiro 7-9 de quatro que viriam em cinco anos.

Apesar da melhora em 2013 (11-5), os anos que seguiram foram de dar orgulho para Jeff Fisher: se Drew Brees seguia quebrando recordes (liderando a liga em jardas passadas em 2014-16), elevando o nível dos jogadores a seu redor e comandando um ataque top 10 como já era habitual, obviamente o problema estava do outro lado, com uma defesa eternamente entre as cinco piores da liga, tanto em jardas como em pontos.

A liderança de um rookie (ou vários)

Cameron Tyler (“Cam” para os mais chegados) Jordan é o principal nome da defesa dos Saints desde que foi draftado, em 2011. Desde 2012, quando assumiu a titularidade, ele acumula uma média de de 9.1 sacks por temporada em um esquema em que ele é responsável por fazer muito do serviço sujo nas trincheiras, como proteger contra o jogo corrido e abrir espaço para os LBs; até 2015, ele era DE em um 3-4. Com um pouco mais de liberdade que ganhou em 2017, Jordan recebeu pela primeira vez a honraria de First Team All-Pro da NFL: afinal, provavelmente nenhum outro jogador conseguiu acumular 13 sacks enquanto também adicionava 12 passes desviados (bons números para mostrar o terror que Jordan causa nos QBs adversários).

Apesar de ser um craque que merece receber as glórias agora que finalmente a defesa parece estar encaixada (já que Cam é o único ponto positivo há anos em um sistema medíocre), a jovem secundária é quem ganhou, merecidamente, maior destaque. Em uma posição em que tradicionalmente se toma tempo para se desenvolver (Xavier Rhodes e Aqib Talib, por exemplo, sequer iniciaram todos os seus jogos quando novatos), Marshon Lattimore não só se mostrou pronto para ser titular poucos meses depois de ter sido escolhido na 11ª posição do draft, como para ser um dos melhores cornerbacks da liga em 2017 (7º melhor, de acordo com a PFF), somando cinco interceptações, uma visita ao Pro Bowl e dois prêmios de Defensive Rookie of the Month, o primeiro jogador na história a consegui-lo.

Mais interessante é que Lattimore não fez parte de um grupo sólido de veteranos. Excetuando Kenny Vaccaro (na IR, portanto indisponível para ajudar a equipe durante os playoffs), que já não é mais o pesadelo como matchup que era quando chegou a liga, o resto da secundária era composta por mais novatos ou segundoanistas: Vonn Bell, que chegou à liga da segunda rodada de 2016; Marcus Williams, da segunda rodada desta temporada, que também já chegou metendo quatro interceptações; e Ken Crawley, undrafted em 2016. Um conjunto interessante que, mesmo tendo executado um trabalho apenas suficiente, mostra um potencial altíssimo – supondo que continue desenvolvendo-se para o futuro.

Turminha do barulho.

Drew Brees precisava de ajuda

Podemos dizer negar e torcer pelo contrário, mas a idade chega para todos. Por mais incrível que seja, até mesmo para Brees ela começaria a pesar – obviamente ele ainda é um Hall of Famer, mas seus números já não são os mesmos do MVP absoluto que carregava a equipe independentemente do que tivesse ao redor: basta olhar os “míseros” 23 TDs lançados, menor valor desde seu segundo ano na liga, e os 386 passes completos, menor valor desde 2009 (!), mesmo que ainda maior número na liga – nada que o tenha impedido de bater o recorde de % de passes completos marcado por Sam Bradford ano passado.

A solução lógica? Adicionar boas peças a seu redor. Obviamente a troca de Bradin Cooks parecia bizarra, mas a melhora na linha ofensiva (foram cedidos apenas 20 sacks em 2017) trazida pelo RT Ryan Ramczyk, trazido com a escolha da trade por Cooks, e o RG Larry Warford, com o dinheiro que seria destinado a Cooks, foi parte importante.

Os skill players foram ainda mais impressionantes; Michael Thomas continua tão assustador quanto possível e é um dos WRs mais confiáveis da liga, enquanto Ted Ginn volta e meia descola uma grande jogada para ajudar o jogo. Mais assustadores ainda são os “reservas de Adrian Peterson”.

Assim que Adrian foi trocado, na bye da equipe na semana 5, a dupla Ingram e Kamara (que, admitimos, criticamos a sua seleção por um time que não precisava de RB. Hoje, porém, compreendemos que foi mais do que justificada) simplesmente explodiu. Ambos acumularam 3094 jardas e 25 TDs combinados, com 288 e 201 toques na bola, respectivamente – Kamara, inclusive, se tornou o segundo com mais recepções na equipe, com 81.

E um time com RBs, sempre válido lembrar, dá sempre uma opção segura para o QB (não à toa, Brees também lançou seu menor número de INT/passe da carreira, mesmo com um braço que já não é tudo aquilo), além de colaborar com o controle do relógio.

Dupla da pesada.

Falta apenas responder: o que é uma defesa suficiente?

Nos 12 anos de Payton-Brees, a defesa dos Saints foi top 10 na liga em número de jardas e pontos cedidos em duas oportunidades: 2010 (em que o time foi animal contra o passe, ainda na tona do desempenho de 2009) e em 2013 – a mais recente, contando com uma grande temporada de estreia do híbrido Kenny Vaccaro, além de jogadores como Keenan Lewis, Malcolm Jenkins e Junior Galette (nenhum segue em New Orleans). Nas demais, teve uma forte tendência a ficar na metade de baixo da lista.

Ainda assim, o time esteve presente nos playoffs algumas mais vezes. A tendência forte desses anos foi a de ceder um pouco menos de pontos que o costumeiro: sempre que cedeu menos de 350 pontos totais (uma média nada absurda de quase 22 por jogo – os Vikings cederam menos de 16 por jogo em 2017, a título de comparação), o time chegou à pós-temporada. Produzindo tipicamente mais de 400 (só em 2007 e 2010 o time não chegou à essa marca), as vitórias inevitavelmente se acumulam.

Repetindo a receita dos bons anos da defesa, 2017 conseguiu ser outra vez suficiente, cedendo apenas 326 pontos (top 10 da liga). Auxiliado pelo jogo corrido e pela pontaria de Drew Brees, produzindo bem mais first downs que os adversários, o cronômetro raramente para e a equipe fica muito mais com a bola que os rivais, com drives mais longos também para a defesa descansar.

Olhando também para a defesa de 2009, que ajudou muito a vencer o Super Bowl, a atual tem a mesma mentalidade de buscar sempre o turnover (basta lembrar as interceptações de Tracy Porter contra Brett Favre e Peyton Manning, nos dois jogos finais): 13,6% (quase 1 em cada 7) dos drives adversários acabaram com um roubo de posse da defesa, especialmente com interceptações (20, número 3 na liga).

Se a história se repete, ela pode ser uma boa lembrança para se apegar.

Torcemos para um milagre de Brees, mas no fundo só esperamos varrer o Falcons

Em três das últimas quatro temporadas, o New Orleans Saints terminou com recorde negativo: um não tão honroso 7-9. O mais estranho é que para New Orleans alcançar uma campanha positiva, a receita parece simples: melhore a defesa e possivelmente você irá aos playoffs.

Por que a receita é simples? Bem, Drew Brees segue sendo Drew Brees! Novamente, ele liderou a liga em jardas lançadas, com um rating de 101. Drew lançou ainda 32 touchdowns e apenas 11 interceptações, com mais de 68% dos passes completos. Porém os números indicam que, apesar do esforço de Brees, o Saints não consegue deixar a mediocridade. E nas três temporadas citadas, é possível culpar a defesa: em todas elas, eles sempre estiveram entre as últimas posições da NFL em rankings defensivos.

Podemos dizer que o New Orleans Saints conhece seu principal problema. Para eles, porém, resolvê-lo tende a ser mais difícil do que parece.

O começo do fim

Se um ataque comandado por Drew Brees sempre merecerá atenção, o único elogio possível para o sistema defensivo de New Orleans é a consistência: são seguidos anos entre os piores da NFL. Em 2015, aliás, a média de pontos sofridos foi superior a 29 pontos por jogo. E graças as limitações no salary cap, para o setor New Orleans buscou apenas um jogador notável: o DT Nick Fairley, que estava no Rams.

Outro reforço será o também DT Sheldon Rankins, originário de Louisville e 12º selecionado no último draft. Mesmo que possa ainda não estar pronto para a NFL, Rankins contribuirá imediatamente, já que poderá exercer alguma pressão no quarterback adversário. E, claro, ele terá o benefício de ter alguém como o DE Cameron Jordan ao seu lado, o que tende acelerar seu desenvolvimento. O fato é que a evolução de todo o sistema passa diretamente pela evolução de Sheldon.

De Jordan se espera que ele seja o motor desta defesa. Em 2015, porém, assim como todo o sistema, ele sucumbiu, mas não se nega seu talento. Agora com um companheiro consistente sua produtividade tende a crescer.

Já da free agency viram dois LBs: Nate Stupar (ex-Falcons) e Craig Robertson (ex-Browns). Nada que possa animar torcedores mais atentos. Aliás, o corpo de LBs causa calafrios: a situação é tão ruim que James Laurinaitis, ex-Rams, é tido como salvador. O Saints é praticamente um deserto de talento na posição que até sua chegada de um jogador como Laurinaitis comemorada.

Na secundária permanecem Delvin Breaux e Kenny Vaccaro que agora, ao menos, não serão atrapalhados por Brandon Browner, que rumou para o Seahawks. Qualquer pessoa com dois neurônios sabe que o simples fato de não contar mais com um jogador como Browner é o maior reforço que uma secundária pode ter.

camjordan

“Alguém quer colaborar comigo nessa porra?”

Oremos por Drew Brees

É difícil imaginar o Saints sem Drew Brees. Ele é o rosto da franquia e o melhor jogador de sua história. Mas em breve será preciso considerar que ele está com quase 40 anos e talvez seja a hora de dizer adeus. Não será fácil e, bem, de qualquer forma, podemos garantir que não será nesta temporada – e talvez nem na próxima.

Como afirmamos, Brees teve bons números em 2015. Mesmo assim, foram suas piores médias desde… 2010. Foi seu menor número de touchdowns desde 2007. E, pela primeira vez desde 2009, ele perdeu uma partida (sim, uma partida).

Mas estamos falando de Drew Brees e suas piores médias são melhores que as de 90% dos QBs da NFL: com 32 passes para TDs, ele ocupou o sétimo lugar na liga. Suas 4870 jardas lideraram a NFL e, bem, se ele não tivesse perdido um jogo (repito: um jogo em seis anos), com certeza ultrapassaria as 5 mil jardas lançadas. Está claro que estamos longe do final da estrada.

O que pesa, porém, é que não há talento ao seu redor. Cooks é seu principal alvo e podemos argumentar que seus números em 2015 foram excelentes: 84 recepções, para 1138 jardas e nove touchdowns. Ok, mas até Willie Snead chegou perto das 1000 jardas, o que apenas evidencia que estamos diante de bons números, mas todos produtos diretos da qualidade de Brees, e não do talento de seus recebedores; em times minimamente decentes, tanto Snead como Cooks, seriam no máximo a terceira opção.

O TE Benjamin Watson rumou para Baltimore e para substituí-lo o Saints achou uma ótima ideia dar US$36 milhões e um contrato de cinco anos para Coby Fleener – e vale lembrar que Fleener já não funcionara com Andrew Luck. Estamos falando que Fleener não teve êxito com alguém como Andrew Luck, não com alguém como, Ryan Tannehill ou Nick Foles. Por que ele funcionará com Drew Brees? Bom, apesar da imprensa local ter elogiado o desempenho de Coby em alguns treinamentos, é difícil apostar em seu sucesso.

Um pouco de esperança, talvez, venha do jogo corrido. Mark Ingram finalmente teve uma temporada eficiente, com quase 800 jardas e média de 4,6 jardas por tentativa (ele ainda teve 50 recepções). Mas perdeu diversos jogos por lesão, o que sobrecarregou CJ Spiller – Spiller, aliás, justificou seu desempenho abaixo das expectativas alegando enfrentar diversas pequenas lesões. Não duvidamos, mas Spiller lida com lesões a carreira inteira, o que o torna pouco confiável.

Já a linha ofensiva apresenta um pouco de solidez. O OT Terron Armstead é extremamente eficiente e joga ao lado de Zach Strief, um dos melhores atletas da posição; em alguns aspectos, o C Max Unger teve os melhores números de sua carreira desde 2009 e o também OT Andrus Peat tem tudo para evoluir em sua segunda temporada.

Mas a verdade é que para o Saints chegar a algum lugar novamente, Drew Brees terá que carregá-los. Ele é capaz de inflar números de receptores medianos e, no meio do caminho, até mesmo fabricar algum TE (beijos, Jimmy Graham), mas sem uma defesa com uma produção minimamente aceitável, não há como Brees vencer sozinho.

A maior conquista da temporada de Brees.

A maior conquista da temporada de Brees. (isso mesmo, dois peixes com uma isca. Incrível!)

Palpite: uma quarta temporada negativa, com um novo 7-9. A defesa irá implodir e mesmo assim Brees lançará poucas interceptações e fará mais do que 35 TDs. Mas novamente todos irão discutir que se está gastando muito com Drew e que seria melhor investir na reconstrução da equipe. Papo entediante. Graças ao QB, Cooks fará 15 TDs e no ano seguinte algum imbecil oferecerá muito por ele – afinal, para existir um mau negócio, tudo que precisa existir é um idiota. E sabemos que a NFL está cheia deles.