Posts com a Tag : Calais Campbell

Quem culparemos quando Bortles se for?

Performances questionáveis dentro de campo fazem com que times ruins precisem inventar maneiras criativas de atrair torcedores para seus estádios. Em Jacksonville, houve uma época em que a ruindade era tanta que o time teve o trabalho de construir uma piscina com vista para o campo. Não era incomum que as imagens dos sofridos torcedores se refrescando no calor da Flórida fossem mais interessantes do que a performance dos atletas em campo.

Mas o tempo em que o principal atrativo de um jogo em Jacksonville era a piscina já ficou para trás. Depois de anos de poucas vitórias e de muita chacota, o Jaguars passou a ser um time respeitável e, muito mais do que isso, um dos principais candidatos a representar a AFC no Super Bowl.

Em 2017, carregado por uma defesa que produziu números históricos, o Jacksonville Jaguars chegou à final da AFC contra o New England Patriots. O confronto de um time em ascensão, que até há pouco tempo era uma grande piada, contra a grande potência do século XXI pode parecer desproporcional, mas no início do último quarto da partida Jacksonville liderava por 10 pontos. O final, é claro, não foi feliz, mas mostra o quão perto o Jaguars está de conquistar o Lombardi Trophy. Se antes o time tinha que administrar decepções, agora precisa controlar as expectativas. Jacksonville vive uma nova era.

Um pilar chamado defesa

O sucesso do Jaguars em 2017 pode ser creditado em grande parte à defesa. Considerada por muitos analistas como uma das melhores da história, a unidade terminou a temporada passada na liderança da NFL em várias das principais estatísticas defensivas: TDs defensivos, jardas aéreas permitidas por jogo, QB rating permitido, porcentagem de passes completos e fumbles forçados. Parece pouco? A defesa do Jaguars ainda terminou em segundo na liga em jardas totais permitidas por jogo, pontos permitidos por jogo, turnovers e sacks, o que levou à criação do apelido de qualidade duvidosa “Sacksonville”, usado inclusive como nome no Twitter.

Nomes infelizes à parte, a defesa foi simplesmente espetacular. Esperar que os resultados estatísticos se repitam em 2018 pode parecer utópico demais, mas ao mesmo tempo não há indícios de uma queda de performance significativa. Além de não ter perdido nenhum jogador fundamental, a defesa ainda foi reforçada no draft.

A linha defensiva, que já tinha Calais Campbell, Yannick Ngakoue, Dante Fowler e Malik Jackson, responsáveis por 42,5 sacks combinados em 2017, viu a chegada de Taven Bryan logo no primeiro round. A escolha não deixa de ser uma surpresa, já que a linha defensiva não tinha nenhuma carência que precisasse ser suprida, mas Bryan é o típico caso de tentativa de reforçar o que já era forte e adicionar flexibilidade tática e profundidade no roster em caso de lesões.

A DL conseguirá colocar pressão nos QBs adversários, não restam dúvidas sobre isso, mas precisa fazer um trabalho melhor contra o jogo corrido: na temporada passada foi a sétima que mais cedeu jardas aos RBs adversários (4,3 por jogada). A melhora nessa estatística passa pela evolução do nose tackle Marcell Dareus (que, perceba, não apareceu na lista de monstros anterior), que chegou via troca no meio da temporada passada e agora terá todo o tempo necessário para se adaptar ao esquema defensivo.

O grupo de linebackers perdeu um dos mais emblemáticos Jaguars nos últimos anos: Paul Posluszny, que se aposentou. Blair Brown deve ser o seu substituto e se junta à atlética dupla de LBs Myles Jack e Telvin Smith, que produziram juntos 192 tackles na temporada passada.

DUUUUVAL

A melhor secundária da liga em 2017 retorna praticamente intacta e não mostra sinais de que possa perder o posto. Extremamente físico, Jalen Ramsey é um monstro e não é exagero considerá-lo o melhor CB da NFL. Para piorar, A.J. Bouye se junta a ele para formar a melhor dupla de CBs da liga. Os safeties Tashaun Gipson e Barry Church completam a base da secundária que, contando apenas esses quatro jogadores, conseguiu espantosas 18 INTs em 2017.

Ataque: a obrigação de dar o próximo passo

Carregado pela excelente defesa, o objetivo ofensivo do Jacksonville Jaguars parece ser apenas um: correr com a bola e administrar o jogo. Em 2017, o time liderou a NFL em corridas (527) e jardas (2262), e foi o segundo em TDs terrestres (18). O RB Leonard Fournette foi o responsável por virtualmente metade dos números conseguidos pelo time nesse departamento, tanto em jardas quanto em TDs.

Os números são bons, especialmente considerando que foram conseguidos em apenas 13 jogos, mas há espaço para evolução: suas 3,9 jardas por tentativa não são nenhum primor. A participação no jogo aéreo também deixou um pouco a desejar, com apenas 302 jardas recebidas e 1 TD; muito distante de jogadores como Le’Veon Bell e Todd Gurley, se é que essa comparação é justa. De qualquer forma, Fournette deve continuar sendo a base ofensiva do time enquanto sua saúde durar.

E não podemos questionar, pois correr muito com a bola parece ser a melhor opção quando o nome do seu quarterback é Blake Bortles. Um dos QBs mais controversos da liga, Bortles teve o menor número de INTs de sua carreira em 2017 e não cometeu nenhum turnover na pós-temporada – basicamente muito mais do que se esperava dele.

Demorou, mas lá vem ele chegando no seu texto…

Em compensação, das temporadas em que jogou todas as partidas, a de 2017 foi a que produziu o menor número de jardas por jogo: 230,4. Sua performance foi suficiente para colocar Jacksonville apenas na metade do ranking de ataques aéreos da liga. Mesmo não tendo sido convincente, a temporada do QB parece ter sido boa o suficiente para o time oferecer uma extensão contratual que o coloca como titular do time nas próximas duas temporadas. Ao mesmo tempo em que manter o QB que esteve na final de conferência parece ser uma decisão razoável, é um pouco questionável pelo fato de Bortles estar longe de ser o tipo de QB que faz a diferença. Na verdade, ele precisa se manter às sombras de uma boa defesa e de um jogo corrido eficiente; se algum desses pilares desabar, é provável que o time todo desabe junto, pois seu QB não será o salvador da pátria.

Para 2018, Bortles terá dois obstáculos a superar além de si mesmo. O primeiro é a linha ofensiva que, apesar de ter contratado o left guard Andrew Norwell, é apenas a 15ª melhor da liga, de acordo com o site Pro Football Focus.

Outra barreira é o grupo de recebedores, que perdeu a dupla de Allens (Robinson e Hurns) e agora conta com jogadores puramente medianos, que não são capazes de elevar o ataque a um nível acima. Donte Moncrief chega de Indianapolis tentando mostrar que pode fazer algo sem Andrew Luck (spoiler: não vai conseguir). Do draft, o Jaguars trouxe o WR DJ Chark, de LSU, no segundo round.

Marqise Lee, Dede Westbrook e Keelan Cole já tiveram momentos promissores, mas estão longe de ser uma garantia de produtividade. Dos cinco jogadores citados, não há certeza sequer de quem serão os dois ou três titulares, o que evidencia que o grupo faz parte do mesmo poço de mediocridade.

Na posição de TE, importante como válvula de escape para um QB medíocre como Bortles, o time dispensou Marcedes Lewis, um jogador bastante útil, após 12 temporadas. O substituto é Austin Seferian-Jenkins, que pode tranquilamente ser descrito pela mesma mediocridade dos WRs.

Palpite

Em uma divisão que parece estar em constante crescimento, mas que ainda tem consideráveis pontos de interrogação, o Jaguars não parece ter muitas barreiras para repetir 2017 e terminar em primeiro lugar. Se estar em campo em janeiro é praticamente uma certeza, é preciso se preparar para o próximo passo. Quando estiver liderando a final da AFC por 10 pontos no último quarto, é preciso finalizar a vitória. Bortles precisa ser melhor, pois não é sempre que a defesa vai compensar as falhas do ataque, especialmente nos playoffs. O problema é que contar com a evolução de um QB que parece já ter atingido o teto do seu desempenho e que não tem grandes recebedores para mascarar suas falhas não é uma boa ideia. O Jaguars vencerá pelo menos um jogo na pós-temporada, novamente carregado pela defesa, mas será eliminado por um adversário com mais poderio ofensivo. As questões que ficarão para 2019 são: por que foi dada uma extensão contratual para Blake Bortles? E quem será o seu substituto?

Análise Tática #24 – Rodada Divisional: A defesa do Jacksonville Jaguars

Chegamos à rodada divisional dos playoffs da temporada de 2017 da NFL, também conhecida como semifinais de conferência. No último domingo, o Jacksonville Jaguars avançou ao AFC Championship Game após uma vitória contra o Pittsburgh Steelers por 45 a 42.

Mesmo cedendo 42 pontos, a defesa de Jacksonville fez jus a reputação de melhor da NFL, principalmente contra um ataque poderoso como dos Steelers (falamos sobre o mesmo aqui). Utilizamos esse texto como referência, e agora vamos entender como a defesa comandada por Doug Marrone dificultou a vida de um ataque lotado de skill players como Pittsburgh.

O Depth Chart

A defesa majoritariamente montada por Gus Bradley atingiu seu potencial na gestão de Doug Marrone e Tom Coughlin, e coordenada por Todd Wash.

Fonte: ESPN

As adições de Marcell Dareus, Barry Church, AJ Bouye e Calais Campbell, possível jogador defensivo do ano, tornaram assustadora uma defesa que já tinha potencial para ser uma das melhores da liga. Foram 21 interceptações, 2 delas retornadas para touchdown, 17 fumbles forçados, 5 deles retornados para touchdown, e 55 sacks.

Em termos de estatísticas avançadas, a defesa dos Jaguars foi a primeira em DVOA (-16,1%), a quarta em Defesa Ponderada (-13,0%), essa estatística considera a importância maior dos últimos jogos da temporada. Ainda falando em DVOA, temos os Jaguars como primeiros em defesa contra o passe (-27.5%) e vigésimo-sextos contra a corrida (-2,8%).

Agora, uma estatística fornecida pelo Football Outsiders que eu gosto muito e ajuda a contextualizar as mencionadas no parágrafo anterior: a defesa dos Jaguars foi a vigésima-nona em variância (7,6%). Essa estatística mede a consistência do time, e combinada com o DVOA, podemos determinar que a defesa teve vários jogos excepcionais e outros na média.

DEF. DVOA

DEFESA PONDERADA RANK DEFESA PASSE RANK PASSE DEFESA CORRIDA

RANK CORRIDA

-16,1% -13,0% 400,0% -27,5% 1,0% -2,8% 26,0%

Não-Ajustado

VAR RANK FORÇA DE TABELA (DVOA) RANK
TOTAL PASSE

CORRIDA

-19,0% -32,5% -3,4% 7,6% 29,0% -5,1% 31

Individualmente, o destaque vai para Calais Campbell, com 14,5 sacks e Jalen Ramsey, com 4 interceptações e 7 passes desviados. Ambos foram selecionados para o 1st team All-Pro. Além deles, Malik Jackson e AJ Bouye foram selecionados ao Pro Bowl.

Estatísticas da partida

Contra os Steelers, a defesa dos Jaguars permaneceu em campo por 31 minutos e 10 segundos 78 jogadas ao todo, forçou 2 turnovers e cedeu 28 first downs. Foram 462 jardas de passe em 37 passes completos de 58 tentados e 83 jardas em 18 corridas. Dados obtidos pelo game chart da ESPN.

O Steelers sempre esteve atrás do placar, o que explica o desequilíbrio na proporção passe-corrida. Ben Roethlisberger teve 8,61 ANY/A (Adjusted Net Yards per Attempt), valor acima da média cedida pelos Jaguars durante toda a temporada.

Estatisticamente, pode parece não ter sido a melhor partida pela defesa dos Jaguars, em que pese o valor da variância apresentada pelo time ao longo da temporada. Entretanto, essa unidade apareceu em momentos-chave, forçando sacks e turnovers em drives que ajudaram o time a manter sempre a vantagem no placar.

Sacksonville

Os sacks conseguidos pela defesa de Jacksonville contra os Steelers reforçam bem a relação de mutualismo entre front e secundária. O conceito de sack-coverage se estabelece quando a cobertura atua tão bem ao não deixar espaços livres no fundo de campo que a linha ofensiva adversária não consegue segurar o pass rush. O quarterback não tem opções para se livrar da bola e sofre o sack.

Observe o que a defesa causa com as rotas internas, ambas são direcionadas ao mesmo ponto, tirando de questão duas opções. Myles Jack em zona acompanha LeVeon Bell, anulando o checkdown. Roethlisberger faz um 3-step dropback, tenta navegar pelo pocket até o momento em que é sackado por Yannick Ngakoue. A bola escapa e Telvin Smith a retorna para touchdown.

Pela visão do front, observa-se que temos dois defensores alinhados em 9-tech (Campbell e Ngakoue) contra o empty backfield dos Steelers.

Ngakoue vende o speed rush para Villanueva, quebra para dentro e consegue arrancar a bola de Roethlisberger pelas costas.

O segundo sack da partida, acontecido quando o placar estaca 28 a 7 para Jacksonville, desenha-se da seguinte forma:

Novamente um conjunto de rotas longas tentando atacar o meio do campo, que os Jaguars marcam rotacionando um conceito de cover 2 a partir de uma cover 1. Roethlisberger se concentra no lado esquerdo do campo e perde o TE Vance McDonald aberto no flat. Observe como os Jaguars não têm medo de deixar alguns pontos do campo abertos em prol de conter os skill players de Pittsburgh.

O front novamente está alinhado em wide 9 technique (Dante Fowler Jr. e Yannick Ngakoue). Fechando a linha defensiva, temos Calais Campbell em 4-tech e Marcell Dareus em 3-tech.

Calais recebe um double team do center e do left guard, abrindo espaço para Dareus invadir o backfield com um corte para dentro. Big Ben não consegue se livrar da bola e aceita o sack.

Interceptação

Agora vamos analisar a jogada da interceptação de Myles Jack sobre Bem Roethlisberger quando o placar ainda marcava 7 a 0 para Jacksonville.

O ataque dos Steelers se alinha em seu tradicional 11 personnel, tendo LeVeon Bell alinhado do lado forte e um set de recebedores em 2×1. A leitura aqui se dá entre o TE Jesse James e o WR Juju Smith-Schuster. Rotas out e dig, respectivamente, que se cruzam e se quebram em amplitudes diferentes do campo.

Jesse James reconhece Myles Jack como seu marcador e tenta fazer o bump-and-run no momento da quebra de rota, porém o linebacker conta com seu atleticismo e se recupera na marcação, tendo tempo de saltar em direção à bola no momento em que o passe chega.

Para deixar a jogada ainda melhor, Myles Jack ainda mostra seu controle de corpo e concentração para pegar a bola desviada por si mesmo e pisar com os dois pés dentro de campo.

Quando tudo e nada gira em torno de Blake Bortles

Vamos direto ao que interessa: Blake Bortles. Você sabe quem é, você já riu dele e já até se aventurou com uma ou outra piadinha cretina. É assim com praticamente todos que acompanham a NFL: Bortles já deixou de ser apenas um QB para se tornar um personagem. A percepção que temos dele não vai mudar. Se fosse eliminado em New England, diríamos que ele não chegaria longe. Quando vencer o Super Bowl, diremos que “BLAKE BORTLES venceu o Super Bowl. Fechem a NFL etc etc”.

Ao longo do ano, Bortles alternou diversos momentos: na preseason ele quase perdeu o posto de titular; no início da temporada o time fez tudo para tirar a bola das suas mãos e; no meio da temporada, ele alternou momentos brilhantes (uma sequência avassaladora em dezembro em que foi o melhor QB em diversas métricas) e momentos ruins. Talvez o jogo contra Buffalo – o que mais gente assistiu  – tenha sido seu pior momento na temporada. Mas, no geral, Blake Bortles não foi terrível. Muito pelo contrário: ele mostrou que o time é capaz de vencer com ele. Ou apesar dele, se você preferir.

Não vamos analisar um milhão de estatísticas diferentes para mostrar os aspectos positivos e negativos do seu jogo, afinal a conclusão sobre ele já está tirada: é um dos piores QBs da liga, mas às vezes joga bem. E quando joga bem, é porque embalou. E Blake Bortles está embalado.

Vou ganhar.

O jogo contra Pittsburgh não muito bom, nem muito ruim. O que para Bortles é um tanto quanto atípico, tendo em vista que é um jogador muito 8 ou 60: ou é bom ou é péssimo. Foram 14 de 26 passes completos, para 214 jardas e um touchdown. Números um pouco abaixo do razoável, mas Blake não cometeu nenhum erro fatal na partida, o que, para ele, podemos considerar uma vitória.

A inconstância faz parte do seu jogo, mas ele já conquistou o respeito de seus companheiros, seja pela sua resiliência ou pelo que tem mostrado dentro de campo.

O ataque além de Bortles 

Leonard Fournette mostrou no jogo contra os Steelers porque foi escolhido com a quarta escolha geral do Draft. Suas 109 jardas em 25 tentativas e 3 TDs talvez não dêem a exata dimensão do quanto ele foi dominante e ajudou sua equipe a vencer o jogo. Depois de uma segunda metade de temporada um pouco abaixo do esperado, ele mostrou que está pronto para voltar ser a principal peça do ataque.

A linha ofensiva, uma das principais incógnitas no início do ano, mostrou que, além de dar conta do recado, pode ser uma das forças no ataque de Jacksonville. No duelo contra a defesa de Pittsburgh – a que mais sackou em 2017 -, nenhum sack foi permitido e Bortles não fez nenhuma jogada idiota por sofrer com a pressão. Os números de Fournette e Yeldon na partida mostraram que, apesar do jogo terrestre ser a principal preocupação das defesa que enfrentam os Jaguars, a OL também consegue trabalhar bloqueando para a corrida.

O corpo de recebedores sofreu com lesões ao longo do ano, mas Keelan Cole, Marqise Lee, Allen Hurns e Dede Westbrook já tiveram seus momentos durante a temporada. Não é um grupo recheado com grandes nomes, mas há profundidade na posição. Além deles, Marcedes Lewis também já mostrou que, além de ainda estar vivo, ainda consegue jogar.

Fournette talvez seja a única estrela do lado ofensivo dos Jaguars, mas isso não tem impedido o ataque de mostrar que pode enfrentar qualquer defesa.

Sacksonville 

Uma DL capaz de vencer o jogo sozinha. Um corpo de LBs rápidos e versáteis. Uma secundária que conta com a melhor dupla de CBs da NFL. Jacksonville não despendeu um caminhão de dinheiro no lado defensivo da bola à toa.

Calais Campbell é candidato a MVP na liga esse ano, além de ser First Team All Pro. E prefeito de Sacksonville. Campbell ganhou a honraria quando, ainda no início de dezembro, já havia quebrado o recorde de sacks da franquia em uma temporada. Ele ainda joga ao lado de Yannick Ngakoue (ianiq ngaqüe), que teve 12 sacks no ano, e nessa pós-temporada já se fez presente quando tirou a bola de Ben Roethlisberger. Malik Jackson – aquele – e Marcell Dareus, dois caras que juntos recebem o suficiente para comprar o Carolina Panthers completam a linha defensiva: e eles têm jogado tão bem quanto recebem (tá, talvez nem tanto, mas ainda são melhores que aquele DT estranho que seu time escolheu na quinta rodada dois anos atrás. Muito melhores, aliás).

Telvin Smith foi escolhido Second Team All Pro: seus 102 tackles, maior número da equipe no ano, juntamente com 3 interceptações, certamente contribuíram pra isso. Você deve se lembrar dele rindo de um Steeler enquanto terminava de trotar rumo à endzone. Ele joga ao lado de Myles Jack (90 tackles no ano), que também é bem versátil. Por fim, os restos mortais de Paul Posluszny ainda conseguem uma jogada aqui e acolá, afinal, é muita gente boa jogando ao seu redor e eventualmente sobra algo pra ele: amigo, acredite, até você, que não consegue nem levantar pra pegar uma água durante o jogo por preguiça, conseguiria algum highlight jogando nessa defesa.

Sacksonville: é você que financia.

Você já parou pra ouvir a palavra de Jalen Ramsey? Faça isso agora. “As pessoas falam: “ele é AJ Green, ele nunca passou por isso [um jogo frustrante em que perdeu a cabeça]”, bem, ele nunca enfrentou Jalen Ramsey antes.” Note a eloquência e serenidade em seu olhar ao falar de Green: quisera eu insultar (e poder insultar) dessa forma. Você pode continuar pesquisando sobre seu trash talking, e saiba que ele já garantiu a vitória no Super Bowl. Até Tom Brady se recusou a confrontá-lo nessa declaração. Medo, talvez? Acreditamos que sim.

Jalen também é First Team All Pro, e já está na conversa para ser considerado o melhor CB da NFL. Ao seu lado está AJ Bouye, Second Team All Pro e que teve 6 interceptações no ano. Fecham a secundária Barry Church e Tashaun Gipson, que tiveram cada um 4 interceptações na temporada, mesmo número de Ramsey. Some essas 18 interceptações. O Oakland Raiders de 2017 precisaria de mais de 3 temporadas e meia (3,6 – 57 jogos e dois quartos) para alcançar essa marca.

A unidade defensiva mostrou sua força também no coletivo: Sacksonville foi número 2 em interceptações e sacks, e ainda foi a primeira colocado no ranking do Football Outsiders, melhor que as métricas tradicionais para definir os melhores grupos da NFL.

O sentimento não vai parar

E quem é que vai parar tudo isso? Nick Foles vai conseguir lançar algum passe nessa secundária? A defesa contra o jogo corrido não é muito boa, mas se tirar Foles do jogo os Jaguars poderão focar em parar os RBs dos Eagles.

Case Keenum não vai conseguir outro milagre de Minneapolis, porque seus passes balão serão completados, mas não da forma que ele imaginou.

Tom Brady? Estude mais. Contra um time que tem Tom Coughlin, uma defesa com pass rush dominante e um QB inconstante, New England treme nos playoffs. E não somos nós que estamos falando. São os números (0 vitórias e duas derrotas). Já adiantamos: fechem a NFL antes que aconteça.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

  • Como baixar o arquivo MP3? Tem um botão no player acima!
  • Como ouvir no meu player de Podcasts? Use nosso feed de RSS para assinar.
  • Já tem no iTunes? SIM! E só procurar por ‘Pick Six’ ou clicar no link! Não se esqueça de nos dar 5 estrelas (sabemos que você gosta), e se inscrever. Nos ajuda bastante!

A angústia de quem ainda espera um final feliz

Existem times irrelevantes na NFL. Times com que sabemos que não vale perder muito tempo, porque ele simplesmente não chegará a lugar nenhum, como não tem chegado nunca. Isso serve para Bengals ou Lions. E servia para Arizona até a chegada de um certo Kurt Warner, que quase deu um título à franquia, não fosse por um certo passe agarrado na ponta dos pés no fundo da endzone.

Quando Kurt se aposentou e o time não tinha um substituto à mão, esperamos outra vez pelo seu retorno à irrelevância. Entretanto, com uma combinação de bons movimentos na free agency (roubando, por exemplo, o LT e QB titulares do Oakland Raiders), a chegada de um grande treinador (também roubado do Indianapolis Colts, enquanto estes ficaram com o original, Chuck Pagano, que era pior) e belos drafts para ajudar a defesa, o time inclusive conseguiu vencer a NFC West contra a Legion of Boom em 2015.

Homão.

Resta, agora, saber se ainda há forças para chegar até o fim e vencer de verdade.

Os tropeços previstos de uma defesa monstruosa

Pode não parecer, mas a unidade mais importante para as campanhas  importantes dos Cardinals tem sido a sua defesa, no top 6 em número de jardas cedidas em três dos últimos quatro anos, inclusive sendo a número 2 de 2016 (pouco mais de 305/jogo). Entretanto, algumas recentes perdas importantes sofridas podem mudar esse panorama.

Calais Campbell é talvez um dos jogadores de linha defensiva mais ignorados da liga, um paralelo talvez com Jurrell Casey (dos Titans, que você também não conhece); seus 8 sacks e seis passes defendidos produzidos da posição de DE de um 3-4 em 2016 são extremamente respeitáveis, assim como seu reconhecimento pelo site PFF.

Já na secundária, o S Tony Jefferson foi ganhando importância ao longo dos anos, fazendo o serviço sujo lá no fundo do campo tanto contra o jogo corrido como contra o passe. Ambos não jogarão em Arizona em 2017, recebendo mega-contratos em Jacksonville e Baltimore, respectivamente.

A mesma secundária, porém, deverá sofrer menos porque ainda conta com Patrick Peterson, um dos melhores cornerbacks da NFL, e Tyrann Mathieu, um dos melhores safeties, All-Pro em 2015, única temporada de suas quatro na liga em que não terminou na injured reserve (o que faz com que nos perguntemos quanto tempo mais ele poderá durar, mesmo com seu contrato de cinco anos). Complementando os craques, há uma disputa entre Antoine Bethea e o rookie Budda Baker para a posição de strong safety, enquanto Justin Bethel é atualmente posicionado do lado oposto de Peterson – de qualquer forma, quem estiver por ali será explorado pelos adversários.

Já o front seven deverá sentir mais a perda para os Jaguars. O time até estará bem servido de pass rushers, com os LBs Markus Golden e Chandler Jones, que somaram 23.5 sacks em 2016. O rookie Haason Reddick se responsabilizará pelo meio da defesa ao lado do veterano Karlos Dansby, em sua 13ª temporada.

O problema se encontra nas trincheiras. Corey Peters retorna como NT, mas ao seu lado estão atualmente posicionados Josh Mauro e Frostee Rucker, que somaram apenas 40 tackles em 2016. A decepção principal fica por conta do maloqueiro Robert Nkemdiche, draftado justamente para substituir Calais, mas que com problemas de dedicação, não deve conseguir tão cedo a oportunidade de ser titular nessa defesa.

O fator David Johnson

Se você não sabe quem é e não sente maravilhas só de ler esse nome, o senhor está perdendo tempo na NFL. Um dos melhores e mais assustadores RBs da liga, deve ser o ponto focal desse ataque por muitos anos ainda – foda-se esse papo de “mimimi QBs são os mais importantes sempre”, Bruce Arians não tem tempo para seus mimimis.

Você diria não a esse homem?

Os que complementarão David Johnson

Se a primeira opção não é o QB, com certeza a segunda é. O problema é que Carson Palmer (draftado em 2003), está beirando os 82 anos de idade e, ainda que seus números mais básicos possam indicar o contrário (4233 jardas, 26 TDs para 18 turnovers), a piora na sua produção é iminente porque Palmer não é Tom Brady.

Mesmo assim ele ainda é um QB perfeitamente adequado para executar o que Bruce Arians espera (aguentar tempo no pocket e fazer lançamentos longos precisos), motivo pelo qual é possível que suas 7.1 jardas lançadas por jogo tenham sido mais reflexo de uma linha ofensiva ruim do que de seu próprio declínio – mas Arizona faria bem em já se preparar para substituí-lo com alguém que não fosse Drew Stanton.

Carson Palmer precisará de tempo para pensar e usar seu braço de velho para soltar a bola para esses alvos – além de que até deuses como David Johnson precisam de algum apoio. O interior da linha ofensiva deverá melhorar, já que Mike Iupati versão 2017, obrigatoriamente, deve ser melhor do que o Iupati de 2016, mas a novidade mesmo fica por conta da troca entre tackles: o seguro Jared Veldheer, que teve um bom 2015, mas jogou apenas metade de 2016, vai para a direita, enquanto D.J. Humphries, que ainda parece “em processo de desenvolvimento” mesmo em seu terceiro ano na liga, é o novo protetor do lado cego de Palmer.

De qualquer forma, é válido lembrar que essa mudança reflete uma necessidade de proteger durante o passe também do lado direito (além do tradicional RT gigantesco que destrói no jogo corrido), com jogadores como J.J. Watt e Von Miller atacando pela esquerda da defesa.

Por último, Palmer e Arians também contam com bons receptores. O time se livrou do WR Michael Floyd ainda durante 2016, mas para seu lugar estão os jovens John Brown (1000 jardas em 2015, o que mostra seu potencial para ser grande após se recuperar de uma lesão na coluna em 2016) e J.J. Nelson (6 TDs em 2016 em apenas 6 starts), além do já veterano Aaron Dobson, que jogou pela última vez em 2015 no New England Patriots. O time também espera mais do TE Troy Niklas, draftado no segundo round de 2014 e também lesionado e 2016.

O alvo estrela, de qualquer maneira, ainda será o hall of famer Larry Fitzgerald, que teve suas primeiras temporadas seguidas com mais de 100 recepções agora, aos 32 e 33 anos. Entretanto, assim como o time deve se preparar para não depender de Drew Stanton como QB, também é hora de começar a se planejar a uma vida sem Fitz como WR, porque ele já diz que não se pegará chorando quando se aposentar.

“A única razão pelo qual ainda estou jogando, é para vencer um campeonato. De um ponto de vista pessoal, já conquistei o suficiente. ”

Previsão: Pode parecer clichê da NFL, mas a temporada de Arizona se concentra nas trincheiras. Se ambas as linhas forem medianas, as capacidades das unidades aéreas (tanto na defesa como no ataque) deverão garantir bons resultados. Além disso, será crucial ter uma campanha melhor em casa do que as 4 vitórias de 2016. Aproveitando-se de 4 vitórias fáceis contra Rams e 49ers, Johnson, Arians e cia poderão chegar aos playoffs – onde, sabemos, na NFC sempre tem jogo (até pegar New England no Super Bowl e perder).

A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Eu realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando m**da: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar. Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

Top Pick Six #6: os 15 melhores DLs da NFL

Dia de mais um ranking no Pick Six! Agora listamos os 15 melhores DL (defensive linemen) da NFL, com DTs (defensive tackle) e DEs (defensive end). Nos mesmos moldes das listas que já fizemos, ao todo 8 pessoas selecionaram seus 15 melhores DLs entrando na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times nesse ano.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí – pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, coloquei a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Rovere.

Vamos ao que interessa!

15° Fletcher Cox
13 | 8 | – | 14 | – | 11 | 7 | 15
Time: Philadelphia Eagles
Idade: 26 anos
Draft: 2012 / Round: 1 / Pick: 12
College: Mississippi State
Career Stats:
Total tackles: 255
Sacks: 28.5
Pass deflections: 9
Forced fumbles: 6
Defensive touchdowns: 1

Abrindo nosso ranking de DLs, Fletcher Cox. Para se ter ideia do quanto bom ele é, em 2012, seu ano de calouro, Cox trocou socos com jogadores dos Lions e foi multado em 21 mil dólares! Após isso, melhorou sua personalidade e seu jogo: com excelentes números durante toda sua carreira assinou, em 2016, uma extensão de contrato de 6 anos, valendo 103 milhões de dólares, com 63 milhões garantidos.

TOP PICK SIX 1: OS 15 MELHORES WRs DA NFL

14° Carlos Dunlap
– | – | – | 8 | 13 | 7 | – | 6
Time: Cincinnati Bengals
Idade: 28 anos
Draft: 2010 / Round: 2 / Pick: 54
College: Florida
Career Stats:
Tackles: 315
Quarterback sacks: 57.0
Pass deflections: 35
Forced fumbles: 15

Dunlap começou seu ano de calouro no banco, mas acabou jogando 12 partidas após substituir atletas lesionados. Carlos terminou aquele ano com 9,5 sacks, o número mais alto anotado por um calouro na história dos Bengals. Em 2013, assinou um contrato de 40 milhões de dólares com o time de Cincinnati, onde já provou seu valor com boas temporadas – dois anos depois, teve a melhor temporada da carreira, com 13,5 sacks e uma vaga no Pro Bowl.

13° Olivier Vernon
8 | 15 | 10 | – | 12 | – | – | 4
Time: New York Giants
Idade: 26 anos
Draft: 2012 / Round: 3 / Pick: 72
College: Miami (FL)
Career Stats:
Total tackles: 259
Sacks: 37.5
Forced fumbles: 4

Vernon iniciou sua carreira dos Dolphins e até teve certo sucesso. Pedindo um salário alto, o time de Miami resolveu negociá-lo e, em 2016, Vernon assinou com os Giants um contrato de 5 anos: 85 milhões de dólares, 52,5 garantidos.

Ao menos sabe comemorar o 4 de julho.

12° Cameron Wake
– | – | 4 | 15 | – | – | 6 | 7
Time: Miami Dolphins
Idade: 35 anos
Draft: 2005, Undrafted
Career Stats:
Total tackles: 288
Sacks: 81.5
Forced fumbles: 21
Fumble recoveries: 2
Interceptions: 1

Cameron só não está ranqueado mais alto porque já tem 35 anos, provavelmente em final de carreira. Draftado em 2005 pelos Giants, mas nem chegou a atuar pela equipe de Nova York e foi dispensado em junho. Sem contrato foi atuar na CFL pelo BC Lions, onde jogou por dois anos. Em 2008, voltou aos EUA e assinou com os Dolphins, onde está até hoje. O time de Miami fez um negócio da China: deu a Wake um contrato de “apenas” 4,9 milhões de dólares, por 4 anos. Este ano, logo após o SB, ele assinou uma extensão até 2018, onde deve atuar suas duas últimas temporadas.

11° Gerald McCoy
7 | 3 | 9 | – | 1 | 1 | – | – | –
Time: Tampa Bay Buccaneers
Idade: 29 anos
Draft: 2010 / Round: 1 / Pick: 3
College: Oklahoma
Career Stats:
Tackles: 222
Quarterback sacks: 42.5
Passes deflections: 19
Forced fumbles: 6

McCoy foi um atleta universitário completo, sendo um dos mais dominantes de sua posição. Não à toa, foi draftado na pick 3 overall. Sua carreira na NFL começou promissora: em sua estréia forçou um fumble na vitória sobre os Browns, em 2010. McCoy já disputou 5 Pro Bowls, o que lhe garantiu, em 2014, um extensão de contrato de 7 anos, valendo 98 milhões de dólares, com 51,5 garantidos. Ele também é um grande filantropo, tendo ajudado diversas pessoas e instituições de Tampa: em 2012, doou US$ 100,000.00 para construção do Tampa Bay Buccaneers Field, onde junto a alguns colegas de time dão aulas de futebol americano para crianças carentes da região.

TOP PICK SIX #2: OS 15 MELHORES CBs DA NFL

10° Ndamukong Suh
11 | 7 | 8 | – | 10 | – | 5 | –
Time: Miami Dolphins
Idade: 30 anos
Draft: 2010 / Round: 1 / Pick: 2
College: Nebraska
Career Stats:
Total tackles: 372
Sacks: 47.0
Forced fumbles: 2
Interceptions: 1
Pass deflections: 26

Um “4-star recruit” ao sair da universidade, Suh foi a pick 2 do draft de 2010, escolhido pelos Lions, após o Rams selecionar Sam Bradford (haha). Suh foi um dos últimos atletas universitários que logo em seu ano de calouro recebeu um contrato muito alto: 5 anos, 68 milhões de dólares, 40 garantidos (hoje essa farra acabou). Suh sempre foi um atleta dominante e, às vezes, se envolvia em confusões – muitos o consideram um jogador sujo. Mesmo assim, jogou em 5 Pro Bowls e, em 2015, assinou com os Dolphins um contrato elevadíssimo de 6 anos, 114 milhões. Esses valores fizeram de Ndamukong o atleta de defesa mais bem pago da história da NFL, ultrapassando J.J. Watt.

Curiosidade: durante sua carreira, Suh já pagou US$ 216,875.00 em multas.

09° Ezekiel Ansah
6 | 10 | – | 6 | 8 | 6 | – | –
Time: Detroit Lions
Idade: 27 anos
Draft: 2013 / Round: 1 / Pick: 5
College: Brigham Young
Career Stats:
Tackles: 163
Sacks: 32.0
Forced fumbles: 9

“Ziggy” Ansah, como é conhecido, tem se mostrado um jogador melhor a cada ano. Ele não era cotado para ser escolhido no draft de 2013 mas, na metade da temporada do college, acabou subindo e chegou a ser colocado no final do primeiro round em alguns mocks. Depois de uma performance absurda no Senior Bowl, Ansah foi considerado o sleeper do draft. Bom, acabou saindo como 5° overall, não tão sleeper. De qualquer forma, sua melhor temporada com os Lions foi em 2015, quando anotou 14,5 sacks, caindo muito de produção em 2016 – sofreu com lesões e teve apenas 2 sacks. Mesmo, assim os Lions usaram a opção do quinto ano de contrato dele e apostam no defensor.

TOP PICK SIX #3: OS 15 MELHORES TEs DA NFL

08° Everson Griffen
12 | 6 | – | 7 | 9 | 8 | 15 | 10
Time: Minnesota Vikings
Idade: 29 anos
Draft: 2010 / Round: 4 / Pick: 100
College: USC
Career Stats:
Total tackles: 234
Sacks: 48.0
Forced fumbles: 7
Fumble recoveries: 4
Interceptions: 1
Defensive touchdowns: 2

Os Vikings conseguiram uma steal no draft ao selecionar Griffen no round 4. Um atleta de força física e habilidades raras, tinha como ídolo Terrell Suggs. Os últimos três anos foram os melhores de sua carreira, e 2017 parece promissor para ele e pra defesa dos Vikings.

Pena que joga no Vikings.

07° Robert Quinn
4 | – | – | 5 | 5 | – | – | 2
Time: Los Angeles Rams
Idade: 26 anos
Draft: 2011 / Round: 1 / Pick: 14
College: North Carolina
Career Stats:
Total tackles: 186
Sacks: 54.0
Forced fumbles: 18
Fumble recoveries: 2
Defensive touchdowns: 1

Quinn é um dos principais jogadores dos Rams (convenhamos, não há muitos). Já tendo atuado em dois Pro Bowls, teve como seu melhor ano 2013, quando anotou incríveis 19 sacks, forçou 7 fumbles e recuperou outros dois. Ano passado ele foi colocado no IR com uma concussão e pode sim, por conta da lesão, sofrer um declínio em 2017. Independente disso, seu talento é grande e há potencial para mais alguns anos jogando em alto nível.

06° Geno Atkins
10 | 12 | 7 | – | 7 | 3 | 8 | –
Time: Cincinnati Bengals
Idade: 29 anos
Draft: 2010 / Round: 4 / Pick: 120
College: Georgia
Career Stats:
Total tackles: 244
Sacks: 52.0
Pass deflections: 6
Forced fumbles: 8
Fumble recoveries: 2
Defensive touchdowns: 1

Outra steal de um draft, Atkins foi selecionado no 4° round de 2010, pelos Bengals. Em 2012, anotou 12,5 sacks, mas no ano seguinte sofreu uma grave lesão nos ligamentos que poderia ter afetado sua carreira. Efeito reverso, desde 2014, Atkins jogou os 16 jogos da temporada regular e foi para três Pro Bowls seguidos.

TOP PICK SIX #4: OS MELHORES LBs DA NFL

05° Joey Bosa
5 | 9 | 3 | 12 | 6 | 15 | 12 | 14
Time: Los Angeles Chargers
Idade: 21 anos
Draft: 2016 / Round: 1 / Pick: 3
College: Ohio State
Career Stats:
Tackles: 41
Sacks: 10.5
Forced fumbles: 1
Fumble recoveries: 0

O que falar deste garoto que mal entrou na NFL e já é top 5 em um de nossos rankings? Bosa é dominante. Apesar de ter perdido alguns jogos ano passado devido à lesões, ele anotou 10,5 sacks e foi considerado o Defensive Rookie of the Year. Sua carreira no college, em Ohio State, também foi excepcional. Bosa iniciou na NFL já de forma controversa: em uma disputa com os Chargers por questões salarias envolvendo seu contrato de calouro, sua mãe chegou a dizer que “deveríamos ter dado uma de Eli Manning”, referindo-se à rejeição de Eli em atuar pelos Chargers, após o draft de 2004.

“Peço desculpas ao jovem Joey Bosa e todos os torcedores do Chargers por um dia ter duvidado de Joey”, Moraes, Rodrigo, 2017.

“Te fode, Rodrigo!”

04° Calais Campbell
9 | – | 6 | 4 | 3 | 5 | 4 | 12
Time: Jacksonville Jaguars
Idade: 30 anos
Draft: 2008 / Round: 2 / Pick: 50
College: Miami (FL)
Career Stats:
Total tackles: 501
Sacks: 56.5
Passes Defended: 42
Forced fumbles: 8
Interceptions: 3
Defensive touchdowns: 1

Campbell jogou até 2016 pelos Cardinals, time que o draftou. Inclusive foi um dos principais atletas do time de Arizona na campanha que os levou à disputa do Super Bowl XLIII. Em 2017, assinou um contrato de 4 anos, 60 milhões, com os Jaguars e deve manter o alto nível de suas atuações por mais alguns anos.

03° Michael Bennett
3 | 4 | – | 3 | 4 | 9 | 3 | 11
Time: Seattle Seahawks
Idade: 31 anos
Draft: 2009, Undrafted
College: Texas A&M
Career Stats:
Tackles: 253
Quarterback sacks: 45.5
Forced fumbles: 8
Pass deflections: 3

Um dos principais jogadores da defesa dos Seahawks, o mais impressionante é que Michael não foi draftado. Seu começo de carreira não foi tão brilhante: logo foi dispensado pelo Seahawks e puxado dos waivers pelos Bucs, onde jogou por quatro temporadas. De volta a Seattle, os melhores anos: venceu o SB XLVIII e teve uma temporada fantástica em 2015, quando anotou 10 sacks, 52 tackles e forçou 2 fumbles.

TOP PICK SIX #5: OS MELHORES Ks DA NFL

02° Aaron Donald
2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 3
Time: Los Angeles Rams
Idade: 25 anos
Draft: 2014 / Round: 1 / Pick: 13
College: Pittsburgh
Career Stats:
Tackles: 164
Sacks: 28.0
Forced fumbles: 4

Quase uma unanimidade como número 2, Aaron Donald é um dos melhores atletas da NFL, independente da posição. Foi ao Pro Bowl em todas as temporadas que jogou e justificou a escolha de primeiro round em 2014, quando também foi o Defensive Rookie of the Year. Ano passado foi o melhor de sua carreira, com 59 tackles, 28,5 tackles for loss, 11 sacks e 4 fumbles forçados. Em 2017, os Rams optaram pela cláusula de quinto ano de contrato, o que indica que ano que vem, ele assinará se tornará multimilionário.

01° J.J. Watt
1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1
Time: Houston Texans
Idade: 28 anos
Draft: 2011 / Round: 1 / Pick: 11
College: Wisconsin
Career Stats:
Tackles: 379
Quarterback sacks: 76.0
Passes defended: 45
Forced fumbles: 15
Interceptions: 1
Touchdowns: 5

Não tinha como ser diferente: Watt foi unanimidade como número 1. Um dos atletas mais dominantes da NFL – se não o mais – só não tem números ainda mais assustadores por conta de lesões. O 3x Defensive Player of the Year já jogou 4 Pro Bowls e é uma máquina de sacks e atropelos nos QBs adversários. Em 2012 e 2014, anotou incríveis 20,5 sacks. Já anotou também TDs ofensivos, em formações bizarras. Em 2014, tornou-se um dos atletas mais bem pagos da NFL, quando assinou um contrato de 6 anos, valendo 100 milhões de dólares.

Algumas curiosidades do ranking:

– J.J. Watt é o segundo atleta de todos os rankings que fizemos até agora que recebeu todos os votos para número 1. O outro foi o kicker Justin Tucker.
– Watt e Donald são os únicos unânimes no top 3.
– Este é o ranking que teve o menor número de atletas comuns aos 8 rankings: 3 (Watt, Donald e Bosa).
– Um total de 31 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo.
– O top 15 contempla 8 jogadores da NFC e 7 da AFC.
– 8 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts: Watt, Donald, Bosa, Quinn, Ansah, Suh, McCoy, Cox.
– Apenas Michal Bennett é campeão do Super Bowl, dos jogadores da lista.
– Robert Quinn é o jogador com maior diferença entre dois rankings: é o segundo na lista do Rovere, e não aparece em três rankings.
– Ficaram fora do top 15, em ordem: Mike Daniels (GB), Cliff Avril (SEA), Cameron Jordan (NO), Jadeveon Clowney (HOU), Jason Pierre-Paul (NYG), Kawann Short (CAR), Jurrell Casey (TEN), Muhammad Wilkerson (NYJ), Brandon Graham (PHI), Charles Johnson (CAR), Danielle Hunter (MIN), Damon Harrison (NYG), Sheldon Richardson (NYJ), Chris Long (PHI), Malik Jackson (JAX), Frank Clark (SEA).
– Todos os atletas citados são milionários!