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Tentando permanecer relevante

“This one is for Pat!”. Quando John Elway ergueu o Lombardi após a vitória no Super Bowl 50, ele estava (talvez) no ponto mais alto de sua carreira. Depois de vencer a NFL duas vezes como jogador, ele finalmente conseguiu repetir o feito, agora como General Manager.

Não restavam dúvidas: John havia montado em 2013 um dos melhores ataques da história da liga, apenas para ver esse mesmo ataque sendo destroçado pela Legion of Boom. Elway, então, entendeu que “se não pode com eles, junte-se a eles”, e assim montou uma defesa quase tão poderosa quanto aquela unidade comandada por Peyton Manning.

Dois anos depois, Manning já não era mais o mesmo, e quem ficou marcado na conquista do Super Bowl foi o sistema defensivo montado por John. Três anos, dois Super Bowls e duas grandes equipes, bem diferentes entre si. Elway, que já estava no Hall da Fama como jogador, mostrava que poderia repetir o feito como dirigente.

Rostinho que passa credibilidade.

Você é bom, até que não é mais

Duas temporadas se passaram, e essa percepção foi praticamente apagada da cabeça dos torcedores. Se antes John era aplaudido por recrutar Peyton Manning, hoje a questão paira como uma dúvida: é tanto mérito assim contratar aquele que é para muitos o melhor QB da história?

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Os questionamentos vêm em função dos substitutos escolhidos para O Testa. Brock Osweiler (HAHAHA) se tornou um dos piores exemplos possíveis na história da liga, Paxton Lynch só sabe jogar futebol americano se for no Madden e Trevor Siemian foi apenas um devaneio de algumas noites de setembro.

Some isso ao fato de que a defesa não conseguiu repetir as atuações dos playoffs de 2015/16 e você tem um time que, se antes era um dos destaques da liga, passou a ser uma daquelas equipes que você rola os olhos quando descobre que está no Primetime e/ou vai ser a transmissão do segundo horário da ESPN (essas equipes são um oferecimento do Dallas Cowboys™).

Virando a página?

Ciente das pataquadas que fez nos últimos drafts, Elway resolveu mudar a fórmula. Desistiu de apostar em prospectos na posição de QB e foi atrás de nomes de experiência e já consolidados na posição. Bem, Case Keenum não é necessariamente o nome que vem à mente quando falamos dessas características, mas era o que o mercado tinha a oferecer depois que Kirk Cousins resolveu agitar a economia de Minnesota. A escolha é extremamente questionável, ainda mais se considerarmos que a essa altura do ano passado Keenum não era nem nota de rodapé nas matérias que antecipavam a temporada.

Tem tudo pra dar errado.

A defesa também já não é aquela que fez Tom Brady sentir o gostinho dos gramados do Colorado por 60 minutos. Após o título do Super Bowl 50 a saída de Malik Jackson deixou um buraco no meio da linha defensiva. Ano passado o time se livrou de TJ Ward, que por sua vez foi encher o saco em Tampa Bay. E, em 2018, Aqib Talib foi trocado pra Los Angeles por quatro potes de Whey Protein. Além deles, DeMarcus Ware está curtindo a vida de aposentado já há algum tempo. E, claro, repetir o alto nível de jogo com essas ausências foi ainda mais difícil quando o ataque tinha dificuldades até mesmo de entrar em campo (acredite nos seus sonhos).

Por fim, a aposentadoria precoce de Gary Kubiak deixou a franquia sem o técnico que levou o time ao ponto mais alto do pódio (que na NFL não existe). O escolhido, Vance Joseph, fez um trabalho tão ruim em 2017 que haviam rumores de que ele poderia ser demitido após a temporada, colocando-o no hall de técnicos que passaram pelo one-and-done ao lado de lendas do esporte como Jim “cara de rato” Tomsula.

Ano novo, vida nova (mas nem tanto)

Para sair do limbo que é a mediocridade das últimas temporadas, o Broncos e John Elway apostam em um espécie de híbrido daquele time que venceu o Super Bowl com um bando de novas faces.

Case Keenum, como já falamos, vem pra ser a decepção na posição de Quarterback da vez. Paxton Lych é palavra proibida dentro da franquia, a não ser que o assunto seja “troca”. Chad Kelly (sim, aquele), pode acabar levando o posto de backup, mas é mais provável que acabe na cadeia.

Pode apostar que vai dar merda.

O corpo de Wide Receivers é basicamente aquele que você se acostumou a ver: Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas revezando boas e más atuações, com algumas lesões no meio. Chegaram para ajudar, pelo draft, Courtland Sutton e DaeSean Hamilton. Se considerarmos o histórico de Elway draftando jogadores da posição, podemos esperar, dentre outras coisas, vários nada.

Já nas posições de Running Back e Tight End, temos o que podemos descrever como um bando de incógnitas. Se Devontae Booker ainda não mostrou muito serviço, podemos falar o mesmo de Jake Butt. E, tal qual Royce Freeman, Troy Fumagalli (sim!) é um calouro que, ao contrário da indústria do draft, não vamos fingir saber o que esperar deles. Se você está sentindo falta de alguém, CJ Anderson está nos Panthers (nós também esquecemos).

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Por fim, a linha ofensiva, que já vinha melhorando desde as chegadas de Ronald Leary e Garett Bolles, conta agora com o reforço (?) de Jared Veldheer. Pode não ser a melhor unidade da liga, mas já é muita coisa se considerarmos que a NFL é lar de times como o Seattle Seahawks.

A defesa ainda é um esboço daquilo que nos habituamos a ver. Derek Wolfe e Von Miller comandam a linha defensiva, que agora pode contar com a monstruosa adição de Bradley Chubb. Basicamente, a ideia dos Broncos é reeditar a parceria de sucesso que Miller teve com DeMarcus Ware.

Os LBs ainda são comandados por Brandon Marshall e Todd Davis, enquanto a secundária ainda conta com Chris Harris e Darian Stewart. Além deles, a equipe parece esperar boas contribuições de Bradley Roby e Justin Simmons. Por fim, a adição do problemático Xavier Su’a Cravens traz uma opção versátil para a unidade. Se tudo sair como o planejado, Denver pode voltar a ter uma das melhores defesas da NFL.

Palpite

A ideia de mesclar os veteranos do time com novas caras parece boa, mas a vida útil do jogador da NFL é muito curta. Acreditar que alguns atletas vão retomar as grandes atuações e que os novatos vão emplacar requer muito boa vontade. Case Keenum está longe de empolgar como QB. Por tudo isso, e por jogar em uma das divisões mais complicadas da liga, dificilmente o Broncos volta aos playoffs. Uma temporada entre 7-9 e 9-7 pode ser o limite para esse time.

Revisando e resumindo o melhor (e pior) do primeiro quarto

Assim como fazem empresas, apresentando resultados a cada trimestre para que a bolsa e os acionistas entendam o que está acontecendo, resolvemos fazer o mesmo com a NFL. Mais do que isso, traremos agora um resumão de cada uma das divisões da liga, para quem esqueceu que a liga começava em setembro ou acha que perdeu algum detalhe (todos perdemos).

Além disso, times bizarros começaram com o número mágico de 3 vitórias em 3 jogos, que leva times aos playoffs em quase 90% dos casos, como Baltimore e New England sem Brady (que deveria aparecer como salvador, e não apenas para fazer a manutenção do bom desempenho).

Pese ainda o fato de que a liga parece ainda mais equilibrada do que normalmente é, o que dá destaque para times medianos com sorte: por exemplo, os Rams, que foram surrados por Blaine Gabbert (que acabará no banco), deram aula de bola para os garantidos nos playoffs Cardinals e Seahawks.

Previsões infalíveis

Como um quarto da temporada já passou para quase todos os times (Eagles e Packers são os que faltam), nada mais justo do que um quarto da liga, pelo menos no quesito quem vai ou não aos playoffs, já estar definido. E é isso que adiantarei por aqui: mais comentários sobre os motivos logo abaixo.

Times garantidos: Patriots, Broncos (AFC) e Vikings (NFC).

Times fora: Browns, Colts (AFC), 49ers, Bears e Lions (NFC).

AFC South

Sei que serei xingado por já ter tirado os Colts da briga dos playoffs – ou por, pelo menos, ter adiantado que de uma maneira ou de outra eles vão acabar morrendo na praia. Mas é que não consigo mais acreditar em Andrew Luck (8 TDs para 5 turnovers não são números de elite, são números de Eli Manning); pelo menos não enquanto ele estiver em um time que é inevitavelmente freguês dos Jaguars.

Jacksonville que, apesar de grande favorito deste glorioso site, TOMA PAU de todo mundo (menos dos Colts) porque não consegue estabelecer domínio em nenhum elemento do seu jogo: seja o aéreo, seja a defesa, ou muito menos o jogo corrido (MESMO ASSIM CHRIS IVORY TÁ RICO).

Para completar a desgraça que é essa divisão, temos Mariota sendo inapelavelmente atrapalhado pelo seu próprio head coach com suas chamadas bizarras e o Houston Texans, que mesmo sem JJ Watt, conseguem ter até o momento a melhor defesa contra o passe da NFL (praticamente apenas 150 jardas por partida), mas não conseguem produzir muito no ataque devido às limitações de Brock Osweiller, mesmo com Will Fuller (rookie WR) brilhando.

AFC North

A grande divisão que tem apenas três times (que, talvez por isso, são quase sempre muito competitivos) – já que se os Browns não eram considerados para algo antes da temporada, menos ainda com a perda de RG3 e descobrindo que essa defesa é pior do que horrível (lembre-se: é o ataque da dupla Kessler e Pryor que tem mantido o time com chances nos jogos – antes, claro, da inevitável decepção). E falando em mediocridade, o 2-2 até agora parece dizer que os Bengals (6 TDs marcados contra 10 sofridos) deixarão de enganar esse ano; infelizmente para a torcida, isso significa nem ir aos playoffs.

Por outro lado, temos dois times aparentemente bons. Os Steelers deixaram todos com um pé atrás após não conseguirem marcar um TD sequer no clássico da Pensilvânia, mas pareceram ter voltado ao bom ritmo com um 43-14 nos pobres Chiefs – e com Le’Veon Bell chegando inspirado. Além disso, temos o surpreendente Ravens (só o Murilo já sabia, porque avisou no podcast #1), que tem Mike Wallace e Terrance West como jogadores importantes para a campanha, além de uma defesa que é primeiro lugar na NFL em jardas cedidas – posição que ainda tem que provar merecer, já que começaram a temporada contra ataques medíocres (e quando enfrentaram o razoável Raiders, perderam).

AFC East

Essa divisão também dá a impressão de ser disputada por três times, mas de maneira inversa à AFC North. Por aqui, já sabemos que vai dar Patriots – e assim será enquanto Belichik estiver no comando, como eu mesmo escrevi há uns dias (ignore a derrota para os Bills, foi tudo planejado para manter os pés da garotada no chão).

Além disso, temos dois times 1-3 na divisão: o primeiro deles, os Dolphins, cuja vitória (!) no tempo extra contra os Browns deverá ser a desculpa perfeita para a falta de respeito que seguiremos tendo por eles pelos próximos anos (e também a razão para a demissão de Adam Gase logo logo, porque Stephen Ross é doente).

O outro já dois jogos atrás dos Patriots é o New York Jets, de Ryan Fitzpatrick e suas 10 INTs, além de um decadente Darrelle Revis, que já não vale toda a grana que recebe – e ainda assim, a defesa é muito sólida, especialmente o front seven, que trava o jogo corrido adversário e produz muitos sacks.

Por último, temos o Buffalo Bills de Rex Ryan, tão imprevisíveis quanto seu treinador. Os Bills que surraram Arizona e diminuíram New England, estão no top 4 em número de sacks, mas tem menos de 28 minutos de posse por jogo (mesmo com LeSean McCoy), pelo que ainda vão ter que fazer mais para convencer alguém que brigarão pelos playoffs.

Seja sincero: há três semanas atrás, você pediria o autógrafo desse cara na rua?

Seja sincero: há três semanas atrás, você pediria o autógrafo desse cara na rua?

AFC West

Adivinhem que defesa continua maravilhosa? Isso mesmo, a liderada pelo MVP do Super Bowl Von Miller, que já tem 5.5 sacks e ajuda os Broncos a estarem 4-0 mesmo sem QB – já sabemos, pode ser Peyton Manning, Trevor Siemian ou Paxton Lynch (afinal, o ano é dos rookies!), essa defesa irá carregá-lo longe.

Enquanto isso, em uma direção exatamente oposta  está o San Diego Chargers, que demonstrou potencial na primeira metade do primeiro jogo, especialmente por parte de Philip Rivers e Melvin Gordon, mas vai sendo a cada dia mais dizimado pelas lesões, fazendo o time já pensar em 2017.

Os outros dois times da divisão deverão estar nas disputas de wild card até o final, porque produzem bem em algumas partes do jogo – mas são horríveis em outras. Derek Carr (9 TDs, 1 INT) e Michael Crabtree (308 jardas, 4 TDs) começaram a temporada on fire, mas o fraquíssimo desempenho da defesa dá a impressão de que esse 3-1 pode acabar em um 11-5 tão facilmente quanto em um 6-10. Pobre Raiders.

E tal qual uma montanha-russa, vem os Chiefs, que deveriam ser um dos times mais constantes da liga – o bye da semana 5 virá em boa hora, para que Jammal Charles volte de verdade (até se machucar de novo) e para quem sabe Andy Reid bote ordem na casa – e que o time que enfrentou os Jets (e interceptou Fitzmagic 6 vezes) volte para os 12 jogos seguintes, e não o massacrado pelos Steelers.

NFC North

A NFC North está claramente dividida, tanto por número de vitórias quanto por simples qualidade das equipes. De um lado temos os Vikings de Minnesota, que veem somente a defesa dos Broncos (talvez) a sua frente no quesito dominar adversários, sentindo que falta apenas estabelecer o ataque (mesmo dizimado por lesões dos principais jogadores) para tornar-se unanimidade na liga.

Além disso, temos os Empacotadores que, além de simplesmente terem Aaron Rodgers, que é capaz de ganhar qualquer jogo sempre, estão mandando bem na defesa – inclusive sendo os melhores contra o jogo corrido até o momento.

Do outro lado, temos os Bears e os Lions: Chicago que até tentou enganar com boas jogadas da defesa (mas que já voltou ao normal) e Detroit que não consegue defender contra o passe (12 TDs aéreos já sofridos), além de sentir falta de Abdullah para equilibrar o ataque com um jogo corrido decente.

Mas ainda assim não são os piores times da NFL, então por que já estão eliminados? Por estarem em uma divisão que faz com que faltem 4 e 3 jogos, respectivamente, contra dois dos melhores times da liga, o que quase garante mais 4 e 3 derrotas cada, que exigiriam um aproveitamento perfeito nos demais jogos. Então chora, Eminem: não vai ser dessa vez que vai dar para os Lions.

NFC South

Se tivesse que prever um líder para divisão sul da NFC com quatro jogos, provavelmente Atlanta seria minha última escolha. De qualquer forma, até agora o ataque parece ter sido suficiente (mais do que suficiente, na verdade, já que é o melhor da história em jardas até o momento) para cobrir o grande vazio que é essa defesa (metade dos sacks é do eterno gira-gira Dwight Freeney) – resta saber por quanto tempo.

Os outros três times simplesmente não conseguem vencer. Por exemplo, Jameis Winston, a exemplo de Blake Bortles, não está conseguindo o salto de produção que esperávamos para levar os Bucs a outro nível; pelo contrário, suas oito interceptações são grande parte do problema.

A defesa dos Saints, ao contrário da dos Falcons, não está conseguindo ser coberta por Drew Brees & amiguinhos (que tem feito a sua parte, como sempre) – inclusive perdendo um confronto direto. Ou talvez ela seja simplesmente pior do que a de Atlanta, o que é sim uma grande ofensa.

Por último, os atuais vice-campeões estão realmente naquela ressaca: só ganharam de San Francisco até agora, sendo completamente obliterados por Minnesota e essa semana com certeza rolou aquela ligação no meio da noite de Dave Gettleman pedindo para Josh Norman voltar quando ele acordou suando frio após um pesadelo que envolvia Julio Jones e 300 jardas.

NFC East

Assim como não apostaria nos Falcons, muito menos alguém apostaria nos Eagles para serem líderes dessa divisão – em qualquer momento da temporada. Incrivelmente, o general manager da equipe trabalhou bem e se livrou de Sam Bradford antes que a polêmica de sua disputa com Carson Wentz atrapalhasse a equipe, dando a chance ao rookie desde o começo da temporada – o que, até agora, em meio a big plays, tem sido um sucesso.

Logo em seguida temos outro rookie, Dak Prescott, que vem a cada semana tentando se provar melhor opção para Dallas do que Tony Romo – e visivelmente evoluindo nesse processo, mesmo sem ter todas as grandes jogadas de Wentz, ele e Zeke Elliott (outro rookie), são donos do segundo melhor ataque da liga.

Outros times traídos pelas defesas e por lesões é o New York Giants que, ao que parece, ainda terá que dar mais um ano para o treinador novato conseguir tudo o que esse time aparentemente pode produzir (não sabemos se Eli Manning aguentará até lá), porque com um ratio de turnovers de -8, ninguém consegue ir longe. Os Redskins, por outro lado, estão simplesmente voltando ao normal: Cousins não era mesmo tudo aquilo, nem Matt Jones, nem mesmo a defesa e Josh Norman.

“Toca pro pai que ele resolve.”

NFC West

Por último, uma divisão que tem o San Francisco 49ers, que teve como grandes contribuições nessa temporada as polêmicas de Colin Kaepernick (e ele ainda vai acabar sendo titular do time e trazendo as polêmicas ainda mais à luz) e ter ganhado de Jeff Fisher, impedindo que ele estivesse invicto a essa altura da temporada. Los Angeles Rams que, depois da lavada incrível sofrida nas mãos e pernas de Blaine Gabbert, parece ter acordado para a vida e no momento lidera a divisão mesmo com Case Keenum como QB.

Os Cardinals vão seguindo por um caminho deprimente junto com a decadência de Carson Palmer e a defesa não sendo a mesma de antigamente – e só ganharam com Drew Stanton (e seu acerto de menos de 50% dos passes) porque enfrentaram os 49ers.

Já a defesa dos Seahawks, por outro lado, não está decepcionando e carrega uma OL que parece ter como grande objetivo ver Russel Wilson machucado – e, ainda assim, o 3-1 indica que o time tinha muito a piorar para chegar ao nível dos times normais da NFL.

Não precisamos de Peyton Manning, afinal temos Von Miller

Quando entrar em campo em 2016, o Denver Broncos não verá a camisa 18 e a testa gigantesca de um dos maiores jogadores de todos os tempos. Peyton Manning está aposentado e nesse momento deve estar em algum lugar do sul dos EUA extremamente ocupado regando plantas, jogando dominó e gravando comerciais bizarros.

Pode parecer estranho, mas a aposentadoria do QB detentor de grande parte dos recordes da NFL será o grande reforço do Denver Broncos para 2016. Essa afirmação soa ainda mais absurda quando lembramos que existe uma grande possibilidade de que Mark Sanchez seja o quarterback titular do time. Seria a transição do que muitos consideram o maior QB de todos os tempos para um dos jogadores mais risíveis que já pisaram em um gramado.

E como isso pode ser bom para o Broncos? Peyton Manning foi um dos piores QBs da NFL em 2015. Se hoje é considerado um gênio que revolucionou a posição, não foi pelo que fez na temporada passada. É conveniente esquecer estatísticas horrorosas quando o jogador está segurando o Lombardy Trophy em Fevereiro, mas o que Peyton fez em 2015 é tão ruim que merece (e deve) ser lembrado. Foram apenas 9 TDs, 17 INTs e um passer rating de 67,9, o pior da liga. Manning foi tão ruim que virtualmente qualquer QB que vista a camisa do Broncos em 2016 será um reforço, inclusive Mark Sanchez. Estamos falando de um time que venceu um Super Bowl desafiando a lógica da NFL atual, em que QBs são os principais responsáveis pelos sucessos e pelos fracassos. Até mesmo Brock Osweiller, que substituiu Manning em alguns jogos e que acabou recebendo um contrato absurdo no Houston Texans, foi apenas medíocre em 2015. O Broncos conseguiu vencer e se tornar à prova de QBs ruins.

Ok, mas o que isso tudo significa para a temporada 2016 do Denver Broncos? Não vai ser agradável, mas quer dizer que a torcida não precisa entrar em pânico caso Mark Sanchez receba o primeiro snap na revanche contra o Carolina Panthers. Também não precisa ter um colapso nervoso caso o escolhido seja o rookie Paxton Lynch. Até mesmo o desconhecido Trevor Siemian parece ter chance de ganhar a vaga de titular. A verdade é que o Broncos só precisa de um QB que não comprometa. O resto do time resolverá tudo.

Amemos John Elway sobre todas as coisas

John Elway não fez um grande esforço para renovar o contrato de Brock Osweiller, que estava em Denver há quatro anos e deveria ser o sucessor natural de Manning. Elway parece concordar com a tese de que qualquer um pode ter sucesso em Denver e não estava disposto a pagar nada próximo aos US$ 37 milhões garantidos em dois anos que Osweiller recebeu do Houston Texans. Sem opções viáveis no mercado, preferiu contratar um veterano barato para quebrar um galho durante a transição do rookie que escolheu no primeiro round do draft.

O veterano Mark Sanchez e o rookie Paxton Lynch parecem ser os favoritos a vencer a batalha pela titularidade, mas Trevor Siemian (quem?) vem ganhando hype e terá a chance de começar como titular o jogo contra o Los Angeles Rams pela semana 3 da pré-temporada. A não ser que consiga impressionar os técnicos com uma atuação muito acima da média, Siemian não deve passar de um jogador que se destaca nos treinos e que serve para deixar os outros QBs com a pulga atrás da orelha. De qualquer forma, são três jogadores em uma disputa franca pela titularidade.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Mark Sanchez vença a disputa e seja titular até um pouco antes da metade da temporada, quando começará a fazer muita bosta e será substituído por Lynch, já um pouco mais amadurecido. Nenhum deles terá números astronômicos, mas também não estarão entre os piores da liga: o sistema ofensivo do head coach Gary Kubiak costuma mascarar defeitos dos QBs. Com ênfase no jogo corrido e com muitas play actions, Kubiak conseguiu produzir números razoáveis com QBs abaixo da média em Houston, por exemplo.

Quem quer que vença a batalha terá à disposição uma das melhores duplas de recebedores da liga. Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders talvez já tenham passado do auge, mas ainda são WRs acima da média. Times como o Los Angeles Rams e o Tennessee Titans, por exemplo, dariam tudo para ter uma dupla desse calibre. Devido à natureza do ataque e à qualidade da defesa, é difícil imaginar qualquer um dos dois tendo números monstruosos. Demaryius parece ser o que tem mais chance de produzir estatísticas respeitáveis. Se lembrarmos novamente de Gary Kubiak em Houston, lembraremos de Andre Johnson tendo bons números – e mais ninguém. Além disso, como a defesa é muito boa, o ataque não tem a obrigação de marcar muitos pontos, o que limita o teto dos recebedores.

1MARKAUM

“É, torcida, acreditar nessa defesa, né?”

Não temos QB, então vamos correr

O jogo corrido deve ser o pilar de sustentação do ataque. Kubiak deve correr bastante com a bola para limitar as prováveis inconsistências de seus QBs. C.J. Anderson será o principal RB do time e terá que provar que vale o contrato de quatro anos e US$ 18 milhões, com US$ 5 milhões de bônus, assinado em março, quando o Broncos decidiu cobrir o salário oferecido ao jogador pelo Miami Dolphins. Se permanecer saudável, com o volume que poderá receber, deve melhorar os números medíocres de 2015: dividindo as carregadas quase igualmente com Ronnie Hillman, Anderson conseguiu apenas 720 jardas e 5 TDs. Com menos disputa por oportunidades de correr com a bola, já que alguns acreditam até que Hillman deva ser cortado, C.J. deve ultrapassar a marca de 1000 jardas e se aproximar dos 8 TDs. Devontae Booker, rookie escolhido no quarto round, deve servir como complemento e pode receber oportunidades caso Anderson não jogue bem.

Quem quer que esteja correndo com a bola para o Broncos terá que se adaptar a uma linha ofensiva completamente desfigurada. Do quinteto que iniciou o Super Bowl, restou apenas o C Matt Paradis. Como é uma unidade que depende muito do entrosamento, a linha ofensiva deve ter problemas pelo menos nos primeiros jogos e ocupa apenas a posição 28 no ranking do site Pro Football Focus.

Deus no céu e Von Miller na terra

O grande trunfo do Denver Broncos para 2016 é o mesmo que o levou à vitória no Super Bowl: uma defesa agressiva que aterroriza os ataques adversários. Mesmo com as perdas de Danny Trevathan e de Malik Jackson, que só não foi MVP do Super Bowl porque Von Miller existe, o front seven do Broncos deve continuar sendo um dos melhores da NFL.

A linha defensiva deve continuar eficiente contra o jogo corrido e ajudar a colocar pressão no pass rush. Os linebackers, liderados por Von Miller e Brandon Marshall, são os melhores da liga pressionando o quarterback e também são extremamente capazes fazendo a cobertura do passe.

A receita da defesa (quase) perfeita fica completa com a melhor secundária da liga, que permanece intocada. Talvez Chris Harris, Aqib Talib e Bradley Roby individualmente não sejam os melhores jogadores da NFL na posição, mas formam o grupo de cornerbacks mais completo. Já os safeties T.J. Ward e Darian Stewart não são tão brilhantes quanto os cornerbacks, mas não chegam a comprometer.

Se conseguir manter a absurda pressão que colocou nos QBs adversários em 2015 (Cam Newton não consegue esquecer), e não há motivos para acreditar que haverá uma queda drástica, o Broncos continuará sendo a melhor defesa da NFL em 2016. E só ela basta para ter grandes planos.

1MILLERMVP

Sempre legal lembrar de Miller infernizando a vida de Cam Newton.

Palpite: em uma divisão que tem vários times em ascensão, o Denver Broncos terá dificuldades, mas conseguirá uma suada classificação aos playoffs, com o recorde de 10-6. Von Miller continuará comandando a melhor defesa da NFL, enquanto o ataque será razoável e não chegará a prejudicar o time. Entretanto, o desempenho na pós-temporada não será bom o suficiente e Denver acabará eliminado para um time obscuro logo na rodada de Wild Card. Nunca erramos uma previsão, acreditem – mas também ainda não acertamos!