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Senso de urgência

Muito era esperado do Detroit Lions e de quebra de Matthew Stafford quando o quarterback assinou um contrato de 6 anos e US$135 milhões em agosto passado. O resultado foi decepcionante: o Lions ficou fora da pós-temporada e Stafford não repetiu as boas atuações de um passado não tão distante. A campanha resultou na demissão de Jim Caldwell e na contratação de Matt Patricia como HC.

Indiretamente é um reencontro em que todos estão apostando: o GM Bob Quinn, responsável pela contratação, passou mais de uma década com Patricia em New England – nas últimas seis temporadas, Matt foi o DC dos Patriots – e o objetivo é implantar o tão alardeado “modelo Patriots” (não sabemos o que isso quer dizer) em uma franquia onde as palavras “sucesso” e “playoffs” teimar em não se encontrar.

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Mas mesmo com contratos até 2022, tanto Quinn como Patricia sabem que há um senso de urgência para vencer agora, com Stafford ainda próximo de seu auge e uma estrutura de apoio que Bob lutou para construir nas últimas três temporadas.

Onde pouco (ou nada) deve mudar

Em meio a todas estas mudanças em SETORES BUROCRÁTICOS, algo permanece imutável em Detroit: Stafford retorna para sua 10ª temporada, com uma sequência de 112 jogos ininterruptos – a terceira mais longa entre os quarterbacks ativos na liga (obrigado, Ben McAdoo).

E mesmo com a chegada de Patricia, o sistema ofensivo não deve sofrer grandes alterações, visto que o OC Jim Bob Cooter, com quem o QB tem ótima relação, foi mantido – Matthew tem médias de 66.3% de passes completados e 270 jardas desde que Cooter assumiu o cargo durante a temporada de 2015.

É inegável que lesões, sobretudo na OL, destruíram o final de temporada do Lions. A ausência de Taylor Decker, que só retornou em novembro (e, claro, sem ritmo), foi fundamental para o declínio do setor; além dele, Rick Wagner, TJ Lang e Travis Swanson perderam um par de jogos por contusões. Para 2018, se o setor permanecer saudável (e espera-se que permaneça), Detroit já terá um ótimo ponto de partida – em 2017 foram 12 combinações diferentes em 16 partidas.

O ataque terrestre também deve evoluir – e, bem, aqui não é como se regredir fosse uma opção. LeGarrette Blount e a escolha de segundo round Kerryon Johnson devem dividir o trabalho pesado enquanto Theo Riddick pode continuar como uma excelente opção em 3rd downs – Ameer Abdullah, se Deus for justo, em breve estará longe de Detroit e também da NFL.

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Já o ataque aéreo é praticamente o mesmo e não é como se ele precisasse mudar: Golden Tate, Marvin Jones e Kenny Golladay são as principais armas. Jones vem de uma temporada de 1.101 jardas, e não há razão para crer que ele não repetirá os números. Golden Tate também ultrapassou a marca das mil jardas (com 92 recepções), enquanto Golladay é jovem e já mostrou potencial e espaço para evoluir.

O reforço, porém, não está em uma contratação, mas sim em uma AUSÊNCIA: Eric Ebron, pela graça de Martha Firestone Ford, está longe de Detroit e foi iludir pobres almas em Indianapolis. Seu substituto será Luke Wilson (ex-Seattle Seahawks), agora com mais de espaço para tentar adquirir um pouco que seja de protagonismo, além de Levine Toilolo, que pouco (ou nada) fez em Atlanta, mas ao menos tem um nome legal.

Mas a verdade é que isso pouco importa: até mesmo um cone seria mais eficiente que Ebron. Boa sorte, Colts, e lembre-se da sabedoria popular: “o problema de ter um pereba no elenco é que, hora ou outra, ele precisará jogar“.

Onde muito (ou pouco) pode mudar

Ao contrário do ataque, a defesa do Lions deve mudar; o setor foi patético na última temporada, ocupando a 27ª colocação em jardas cedidas – e tudo começou a ruir com a lesão de Haloti Ngata na semana 5. E se não deve mudar muito em nomes, ao menos deverá ter alterações em estilo de jogo, já que espera-se que Patricia implante conceitos trazidos de New England.

Devon Kennard chegou na free agency para ajudar o corpo de linebackers – da FA também vieram Christian Jones e Jonathan Freeny. Ezekiel Ansah, agora um dos atletas mais bem pagos de sua posição, retorna com a franchise tag para provar seu valor; na última temporada foram 12 sacks e nos últimos dois anos constantes brigas com lesões.

Já para reforçar a secundária, o Lions tentou trazer Malcolm Butler – mas o perdeu para o Titants. O ótimo Darius Slay (oito interceptações em 2017) precisará de mais ajuda, já que Nevin Lawson tem sido oscilante – DeShawn Shead chegou de Seattle como uma tentativa, mas tampouco conseguiu esquentar os pads e já rumou para a fila do desemprego. Já Quandre Diggs funcionou muito bem como Safety durante o final do ano passado e, ao lado de Glover Quinn, poderá repetir as boas atuações.

Palpite:

Mesmo não chegando aos playoffs pelo segundo ano consecutivo, não se pode dizer que uma campanha 9-7, em uma das divisões mais difíceis da NFL, é motivo para uma implosão completa. Para 2018, com um novo HC e novos métodos, sem no entanto trocar boa parte do roster, é possível imaginar que, em um cenário dos sonhos, o Lions consiga beliscar uma vaga na pós-temporada. A hipótese mais realista, porém, nos lembra que a NFC North é uma verdadeira selva, a tabela é cruel e aposta mais segura é de uma nova frustração em dezembro – bom, não é como se o sofrido torcedor do Lions não estivesse acostumado com decepções.