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Ainda odiados, cada vez melhores: nada muda em New England

Não somos fãs de discussões definitivas sobre aqueles que são, eventualmente, os melhores da história dentro de campo – invariavelmente, não se chega a lugar algum: Manning pode ter sido melhor que Brady e, na verdade, isso pouco importa. Hoje, e talvez até mesmo quando o sol engolir o planeta terra e todos derretermos, pode ser possível que Rodgers seja enfim considerado um atleta melhor e mais completo que Brady. Ou tudo isso é um misto de delírio e negação e, bem, Brady é melhor que Montana, Elway e Marino somados.

O fato é que se dentro das quatro linhas sempre haverá margem para discussões, fora delas, Bill Belichick construiu um império particular capaz de suplantar qualquer dúvida: em 17 anos, o New England Patriots têm 15 títulos de divisão, chegou no AFC Championship Game 12 vezes e ao Super Bowl outras sete – o número de anéis, claro, você já sabe de cor.

Falando em números, quando isolamos as conquistas do Patriots – e as quantificamos – em um recorte de tempo histórico, eles soam ainda mais irritantes. E ainda assim, não são capazes de contar a história em sua totalidade.

O domínio na AFC é produto direto da máquina que Bill construiu e aperfeiçoou a cada temporada – ele é o Head Coach, o GM e, por um momento, também foi coordenador defensivo; hoje ele talvez mande mais que Robert Kraft e ninguém saiba.

E enquanto é possível comparar jogadores, é quase impossível colocar Bill ao lado de outras treinadores e traçar comparações sólidas: não há HC na NFL contemporânea que sequer se aproxime de seus êxitos e, caso voltemos muito no tempo, pesará a seu favor a longevidade; enquanto grandes nomes como Vince Lombardi e Bill Walsh estiveram na NFL por uma década, nada indica que Belichick não chegará aos 20 anos comandando o Patriots – e, nas próximas semanas, ao seu oitavo Super Bowl, com o sexto título conquistado.

Sim, se existe uma sabedoria popular que deveria ser incorporada ao imaginário coletivo é esta: quando antes você aceitar seu triste destino, menor será frustração. Pode soar duro, mas é a mais pura verdade: estamos todos prestes a entrar em uma realidade em que Brady e Belichick venceram o Super Bowl seis vezes.

Bem louco.

Por que pode dar errado?

A sabedoria popular também nos ensina que quando tudo parece que dará errado é preciso se apegar ao passado. Mesmo dominantes, as derrotas de New England contaram com, claro, o destino: David Tyree recebeu um passe com o capacete, Asante Samuel caiu em desesperança, Randy Moss não alcançou bolas que normalmente alcançaria. Tudo ao mesmo tempo.

Enfim, mesmo para as equipes que costumeiramente estão no topo, algumas vezes, vencer ou perder pode ser determinado por um capacete.

Por que o Patriots vencerá?

Porque, afinal, está é a ordem natural das coisas: nada parece estar acontecendo e, mesmo assim, o New England Patriots está no topo da NFL. Eles podem não ter Tom Brady por quatro jogos, mas Brissett ou Jimmy G (também conhecido como o homem mais lindo que já pisou na terra) darão conta do recado.

Você também pode não ter escolhas de primeira rodada no draft e, mesmo assim, o planeta continuará girando normalmente: tudo está sempre sob controle e nada fará com que a franquia faça uma movimentação desesperada. Com o Patriots aprendemos sempre a esquecer o presente, afinal, eles estão sempre um passo a frente.

É tudo resultado de um longo processo, que pode parecer complexo, mas na verdade é essencialmente simples: faça as coisas certas, repetidamente. Em algum momento elas já funcionaram e você sabe o resultado final. Repita o processo ao longo dos anos e, invariavelmente, os resultados aparecerão.

Lógico, é impossível vencer sempre: times comuns implodem ao não saber lidar com suas frustrações, além de não ser possível controlar todos os fatores, como o capacete de Tyree ou as mãos de Wes Welker.

Ao olhar o sucesso do Patriots, entendemos porque nos desesperamos com os altos e baixos das demais franquias: é inacreditável o que o Vikings vem fazendo, mas parece que, para eles, é a última oportunidade de alcançar a glória – e, caso ela não venha, tudo será implodido. Lembramos que, por muito tempo, Indianapolis rodeou Peyton Manning por idiotas sem a mínima coordenação motora e esperou que seus milagres se repetissem até fevereiro. Ou ainda ficamos pasmos ao sermos confrontados com a ideia de que o Packers está desperdiçando os melhores anos de Aaron Rodgers com uma defesa, ano após ano, composta exclusivamente por débeis mentais.

Enquanto isso, em New England, absolutamente nada sai de controle.

Esperança.

O que nos resta?

O esporte é usado como válvula de escape para nossas frustrações, então é difícil, mas compreensível, aceitarmos o sucesso alheio repetido exaustivamente diante de nossos olhos. Queremos esforço coletivo e jornadas heroicas; queremos que David derrube Golias com uma frequência quase diária – para que assim possamos nos sentir vingados, seja de um boleto atrasado, de um chefe babaca ou do aumento da gasolina.

Por que alguns têm tanto enquanto nós temos tão pouco? De certa forma, a inveja é essencial para a evolução humana. Schadenfreude, palavra alemã que emprestamos para um segmento de nosso podcast (e o resto da civilização também emprestou para usar como julgar melhor), refere-se basicamente à felicidade que sentimos com a desgraça alheia.

Algo, ao mesmo tempo, humano e desprezível, mas que, de alguma forma, tentamos transparecer ainda mais no esporte, ainda mais em nossa relação com o New England Patriots: assim como o resto da liga, queremos ver seu reinado em chamas – mas ao mesmo tempo, podemos deixar esse egoísmo de lado e apreciar um momento tão raro como este, aproveitando o que resta disso: nenhuma dinastia dura para sempre.

A do Patriots, por exemplo, deve durar só mais uma década ou duas décadas. Começando no próximo dia 4.

OBS: se Blake Bortles e os Jaguars vencerem domingo, por favor, esqueçam esse monte de merda.

Quando tudo e nada gira em torno de Blake Bortles

Vamos direto ao que interessa: Blake Bortles. Você sabe quem é, você já riu dele e já até se aventurou com uma ou outra piadinha cretina. É assim com praticamente todos que acompanham a NFL: Bortles já deixou de ser apenas um QB para se tornar um personagem. A percepção que temos dele não vai mudar. Se fosse eliminado em New England, diríamos que ele não chegaria longe. Quando vencer o Super Bowl, diremos que “BLAKE BORTLES venceu o Super Bowl. Fechem a NFL etc etc”.

Ao longo do ano, Bortles alternou diversos momentos: na preseason ele quase perdeu o posto de titular; no início da temporada o time fez tudo para tirar a bola das suas mãos e; no meio da temporada, ele alternou momentos brilhantes (uma sequência avassaladora em dezembro em que foi o melhor QB em diversas métricas) e momentos ruins. Talvez o jogo contra Buffalo – o que mais gente assistiu  – tenha sido seu pior momento na temporada. Mas, no geral, Blake Bortles não foi terrível. Muito pelo contrário: ele mostrou que o time é capaz de vencer com ele. Ou apesar dele, se você preferir.

Não vamos analisar um milhão de estatísticas diferentes para mostrar os aspectos positivos e negativos do seu jogo, afinal a conclusão sobre ele já está tirada: é um dos piores QBs da liga, mas às vezes joga bem. E quando joga bem, é porque embalou. E Blake Bortles está embalado.

Vou ganhar.

O jogo contra Pittsburgh não muito bom, nem muito ruim. O que para Bortles é um tanto quanto atípico, tendo em vista que é um jogador muito 8 ou 60: ou é bom ou é péssimo. Foram 14 de 26 passes completos, para 214 jardas e um touchdown. Números um pouco abaixo do razoável, mas Blake não cometeu nenhum erro fatal na partida, o que, para ele, podemos considerar uma vitória.

A inconstância faz parte do seu jogo, mas ele já conquistou o respeito de seus companheiros, seja pela sua resiliência ou pelo que tem mostrado dentro de campo.

O ataque além de Bortles 

Leonard Fournette mostrou no jogo contra os Steelers porque foi escolhido com a quarta escolha geral do Draft. Suas 109 jardas em 25 tentativas e 3 TDs talvez não dêem a exata dimensão do quanto ele foi dominante e ajudou sua equipe a vencer o jogo. Depois de uma segunda metade de temporada um pouco abaixo do esperado, ele mostrou que está pronto para voltar ser a principal peça do ataque.

A linha ofensiva, uma das principais incógnitas no início do ano, mostrou que, além de dar conta do recado, pode ser uma das forças no ataque de Jacksonville. No duelo contra a defesa de Pittsburgh – a que mais sackou em 2017 -, nenhum sack foi permitido e Bortles não fez nenhuma jogada idiota por sofrer com a pressão. Os números de Fournette e Yeldon na partida mostraram que, apesar do jogo terrestre ser a principal preocupação das defesa que enfrentam os Jaguars, a OL também consegue trabalhar bloqueando para a corrida.

O corpo de recebedores sofreu com lesões ao longo do ano, mas Keelan Cole, Marqise Lee, Allen Hurns e Dede Westbrook já tiveram seus momentos durante a temporada. Não é um grupo recheado com grandes nomes, mas há profundidade na posição. Além deles, Marcedes Lewis também já mostrou que, além de ainda estar vivo, ainda consegue jogar.

Fournette talvez seja a única estrela do lado ofensivo dos Jaguars, mas isso não tem impedido o ataque de mostrar que pode enfrentar qualquer defesa.

Sacksonville 

Uma DL capaz de vencer o jogo sozinha. Um corpo de LBs rápidos e versáteis. Uma secundária que conta com a melhor dupla de CBs da NFL. Jacksonville não despendeu um caminhão de dinheiro no lado defensivo da bola à toa.

Calais Campbell é candidato a MVP na liga esse ano, além de ser First Team All Pro. E prefeito de Sacksonville. Campbell ganhou a honraria quando, ainda no início de dezembro, já havia quebrado o recorde de sacks da franquia em uma temporada. Ele ainda joga ao lado de Yannick Ngakoue (ianiq ngaqüe), que teve 12 sacks no ano, e nessa pós-temporada já se fez presente quando tirou a bola de Ben Roethlisberger. Malik Jackson – aquele – e Marcell Dareus, dois caras que juntos recebem o suficiente para comprar o Carolina Panthers completam a linha defensiva: e eles têm jogado tão bem quanto recebem (tá, talvez nem tanto, mas ainda são melhores que aquele DT estranho que seu time escolheu na quinta rodada dois anos atrás. Muito melhores, aliás).

Telvin Smith foi escolhido Second Team All Pro: seus 102 tackles, maior número da equipe no ano, juntamente com 3 interceptações, certamente contribuíram pra isso. Você deve se lembrar dele rindo de um Steeler enquanto terminava de trotar rumo à endzone. Ele joga ao lado de Myles Jack (90 tackles no ano), que também é bem versátil. Por fim, os restos mortais de Paul Posluszny ainda conseguem uma jogada aqui e acolá, afinal, é muita gente boa jogando ao seu redor e eventualmente sobra algo pra ele: amigo, acredite, até você, que não consegue nem levantar pra pegar uma água durante o jogo por preguiça, conseguiria algum highlight jogando nessa defesa.

Sacksonville: é você que financia.

Você já parou pra ouvir a palavra de Jalen Ramsey? Faça isso agora. “As pessoas falam: “ele é AJ Green, ele nunca passou por isso [um jogo frustrante em que perdeu a cabeça]”, bem, ele nunca enfrentou Jalen Ramsey antes.” Note a eloquência e serenidade em seu olhar ao falar de Green: quisera eu insultar (e poder insultar) dessa forma. Você pode continuar pesquisando sobre seu trash talking, e saiba que ele já garantiu a vitória no Super Bowl. Até Tom Brady se recusou a confrontá-lo nessa declaração. Medo, talvez? Acreditamos que sim.

Jalen também é First Team All Pro, e já está na conversa para ser considerado o melhor CB da NFL. Ao seu lado está AJ Bouye, Second Team All Pro e que teve 6 interceptações no ano. Fecham a secundária Barry Church e Tashaun Gipson, que tiveram cada um 4 interceptações na temporada, mesmo número de Ramsey. Some essas 18 interceptações. O Oakland Raiders de 2017 precisaria de mais de 3 temporadas e meia (3,6 – 57 jogos e dois quartos) para alcançar essa marca.

A unidade defensiva mostrou sua força também no coletivo: Sacksonville foi número 2 em interceptações e sacks, e ainda foi a primeira colocado no ranking do Football Outsiders, melhor que as métricas tradicionais para definir os melhores grupos da NFL.

O sentimento não vai parar

E quem é que vai parar tudo isso? Nick Foles vai conseguir lançar algum passe nessa secundária? A defesa contra o jogo corrido não é muito boa, mas se tirar Foles do jogo os Jaguars poderão focar em parar os RBs dos Eagles.

Case Keenum não vai conseguir outro milagre de Minneapolis, porque seus passes balão serão completados, mas não da forma que ele imaginou.

Tom Brady? Estude mais. Contra um time que tem Tom Coughlin, uma defesa com pass rush dominante e um QB inconstante, New England treme nos playoffs. E não somos nós que estamos falando. São os números (0 vitórias e duas derrotas). Já adiantamos: fechem a NFL antes que aconteça.

Semana #10: os melhores piores momentos

Em uma realidade desconexa em que o Los Angeles Rams e o Jacksonville Jaguars possuem times de respeito, e o New Orleans Saints tem uma defesa, já estamos na semana 10 e a única conclusão que chegamos é que não entendemos nada de futebol americano (e não cansamos de usar esse comentário batido pra introduzir aproximadamente 87% dos textos do site).

Então vamos logo ao que interessa.

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Se você entende inglês, a imagem já é auto-explicativa. Se não entende, as imagens abaixo te mostrarão do que se trata o fã clube que mais cresce no Brasil.

1.1 – Ben Roethlisberger 

Como o jogo era contra os Colts, Big Ben deve ter pensado “dá nada pá nóis”. E então, na segunda jogada do jogo, ele viu que seria fácil, mas nem tanto.

1.2 – Blake Bortles 

Existem motivos para a nossa promoção da temporada ser essa. Este é um deles.

1.3 – Ryan Fitzpatrick versus Josh McCown

Deixemos as imagens falarem por si só.

2 – Chaz Green, ou “acredite em seus sonhos”

Tyron Smith é um dos melhores Left Tackles da liga, e com uma lesão na virilha, era de se esperar que o Dallas Cowboys sentiria falta dele.

Seu substituto, Chaz Green, provavelmente é um sócio-torcedor que venceu a promoção de poder entrar em campo pelo seu time do coração. Deu certo (para os Falcons).

 

Repare que o que Adrian Clayborn faz nas jogadas é basicamente a mesma coisa: correr na direção de Dak Prescott. Ainda descontentes com a situação, os Cowboys colocaram um substituto à altura: Byron Bell. Clayborn não precisou mudar sua estratégia para conseguir o sack, o sexto (!!!) dele no jogo.

3 – Decisões questionáveis

Tão questionáveis quanto aquelas que você toma na sua vida.

3.1 – John Fox

Imagine se você desafiasse uma jogada na esperança de conseguir um touchdown, mas acabasse recebendo um turnover em troca. Qual seria a sua reação? A de John Fox foi essa:

3.2 – Hue Jackson

O relógio, a distância, o tempo de jogo, a situação, tudo mostrava que a jogada certa a se fazer era qualquer uma, menos a que foi escolhida.

4 – Imagens que trazem PAZ

4.1 – Antonio Brown e a secundária dos Colts

Os defensores bateram cabeça. Aparentemente isso atrapalhou Antonio Brown, que deixou a bola passar entre suas mãos. Talvez tenha sido apenas um belo gesto de fair play. Nunca saberemos.

4.2 – Brock Osweiler

Temos certeza que ele enxerga como um QB de NFL deveria?

4.3 – Los Angeles Chargers of Carson by the way of San Diego, California 

Infelizmente não temos como colocar os últimos 4 minutos de tempo regulamentar daquele jogo por aqui. Mas você pode assistir sem medo. O jogo nos rendeu sequências como esta:

5 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Nenhum jogador nos chamou atenção essa semana a ponto de ser digno de merecer o prêmio. Triste, porém verdade.

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Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints. Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado. Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

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PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

Semana #2: os melhores piores momentos

Mais uma semana se passou. Infelizmente Blake Bortles ainda não lançou nenhuma Pick Six, mas mesmo assim temos muita coisa ruim para comentar. Afinal, a rodada foi um show de horrores e já estamos nos questionando se futebol americano é tão legal assim.

1 – Começando com o pé esquerdo – Houston Texans @ Cincinnati Bengals*

Já sabemos que os jogos de quinta-feira a noite são horríveis, e não seria esse em específico que mudaria isso. A expectativa já não era alta e, mesmo assim, podemos dizer que a partida ficou abaixo das expectativas. Falando em bom português: foi uma merda.

Andy Dalton continuou inerte, enquanto seu ataque batia um recorde histórico: os Bengals são o primeiro time desde 1939 a começar o ano com dois jogos em casa e conseguir não marcar nenhum TD.

Esperamos que o jogo sirva de lição para que a NFL nunca mais permita que essas duas equipes se enfrentem e, se for pra deixar acontecer, que pelo menos não seja em um jogo de horário nobre.

*Em respeito ao amigo leitor, não vamos colocar o link dos melhores momentos.

2 – Calvários eternos: porque times ruins não podem ter coisas legais.

2.1 – New Orleans Saints

Todos sabíamos que o bando de jogadores que o time tem e que não jogam no ataque não podia ser chamado de defesa. Aparentemente, eles não sabiam. Ao invés de investir no grupo no draft e na free agency, a equipe foi atrás de alguns acessórios de luxo, como Adrian Peterson.

Resultado: a defesa de New Orleans fez Sam Bradford parecer Tom Brady, e Tom Brady parecer Peyton Manning na temporada regular. Enquanto os defensores passavam vergonha (veja aqui e aqui), Peterson estava se adaptando muito bem a nova função de esquentador-de-banco.

Tenhamos piedade de Drew Brees.

2.2 – San Diego Los Angeles Chargers

Tal qual os Saints, a desgraça dos Chargers vem de outros tempos. Se alguns torcedores (os que sobraram) imaginavam que o azar no final das partidas ficaria em San Diego, já sabemos que não é o caso.

Depois de perder em Denver com um Field Goal bloqueado, a equipe se viu novamente em posição de anotar um FG, dessa vez não para empatar, mas para vencer o jogo. Você já sabe o que aconteceu e, quando Younghoe Koo errou o chute, o estádio explodiu de alegria. Nunca mais acreditaremos que esse time pode vencer algo.

2.3 – New York Jets

Era bem provável que os Jets tomariam uma tamancada dos Raiders – e realmente aconteceu. Mas, em determinado ponto do jogo, a equipe de Nova Iorque havia feito dez pontos, cortado a vantagem de Oakland pra 14-10 e forçado um punt.

A esperança durou pouco: o guerreiro #84 não conseguiu segurar a bola, que foi recuperada pelos Raiders. Dali, Marshawn Lynch anotou o TD e a coisa degringolou de vez.

“A bola tá vindo, o que eu faço?”

A briga pela primeira escolha do draft continua.

3 – Imagens que trazem PAZ.

3.1 – Talvez Jared Goff não seja mesmo um bust, mas ele não precisa acertar o árbitro da sideline para provar isso. Talvez seja apenas uma estratégia ousada que vai muito além da nossa compreensão.

3.2 – Adoramos os fake punts do Los Angeles Rams, mas é inconcebível que, em 2017, ainda tenha gente que caia nisso.

3.3 – Uma discussão frequente que temos aqui no site é se “Deus lança touchdowns com passes merda“? Em mais uma edição de ‘Só joga na defesa porque não consegue segurar a bola’, vemos que é quase isso.

3.4 – Porque, nesse caso, a imagem vale mais que mil palavras. Esperamos que esteja tudo bem.

4 – O retorno de Garbage Time Bortles

Blake Bortles foi o vencedor do primeiro troféu Blake Bortles, o único prêmio que premia a melhor atuação durante o Garbage Time (aqueles minutos finais em que o resultado já está definido, e você nem sabe mais porque está assistindo o jogo).

Não precisamos esperar muito para que Bortles voltasse a mostrar porque é o principal gênio dessa arte. Blake entrou no último período, quando a partida já estava decidida, com 11 de 25 passes completos, 89 jardas e duas interceptações. Nesse último quarto, Bortles completou seus 9 passes, para 134 jardas e um touchdown. Aguardamos ansiosamente os novos capítulos dessa saga.

5 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Sabemos que ele não existiu na semana 1, afinal, só pensamos na ideia agora. O Prêmio Dez Bryant será semanalmente dado àquele jogador de muito nome e muita mídia, mas que não jogou nada na rodada. A inspiração? O jogador que empresta seu nome ao prêmio: quando você mais precisa dele, Dez Bryant não estará lá.

O primeiro vencedor do Prêmio Dez Bryant da semana é Ezekiel Elliott, seu companheiro de equipe. Zeke terminou o jogo contra os Broncos com memoráveis 9 carregadas para um total de 8 jardas. Parabéns!

Magoou.

A semana que vem prometeVocê pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Semana #1: os melhores piores momentos

Depois de muito tempo, finalmente a NFL voltou! Foram alguns meses de espera para que voltássemos a ver o Cleveland Browns perdendo, o Indianapolis Colts fazendo mer*a e o Detroit Lions iludindo sua torcida. Mas para sair do senso comum, vamos apresentar o que de PIOR aconteceu na semana 1 da liga. Os highlights da NFL.com e do SportsCenter não nos interessam: apenas se alguém passou vergonha no processo.

1 – QB Play

Precisamos reconhecer: o talento entre os quarterbacks é o melhor da história do futebol americano. Até mesmo por isso, jogadores como Colin Kaepernick não tem espaço em uma liga que está recheada com titulares e reservas de altíssima qualidade na posição.

Para ilustrar o alto nível de jogo dos signal callers da NFL, separamos algumas atuações de destaque. Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

1.1 – Scott Tolzien: 9/18; 128 jardas; 2 INTs

Tolzien lançou duas pick six, sendo a primeira na sua tentativa de passe número 1 no jogo. Já a segunda foi quase um replay da primeira. Seu rating seria melhor se ele fosse um jogador de Los Angeles. É sério. Ele não durou muito tempo na partida, dando lugar para Jacoby Brissett no início do último quarto. Compartilhe o vídeo para estragar o dia de algum torcedor dos Colts.

1.2 – Andy Dalton: 16/31; 170 jardas; 4 INTs; um Fumble perdido

Um jogo ruim de Andy Dalton ainda surpreende alguém? Contra a boa defesa dos Ravens, ele não conseguiu fazer nada produtivo. Sinceramente, não sabemos mais o que dizer sobre Dalton, apenas sentir. A desgraça alheia pode ser vista aqui.

‘Não pode se’

1.3 – Carson Palmer: 27/48; 269 jardas; 1 TD; 3 INTs

O INSS possui uma fila preferencial para aqueles que não conseguem jogar bem contra a defesa de Detroit. Levando o tape do jogo, Palmer tem uma oportunidade única de vazar logo da liga e parar de passar vergonha.

2 – OL Play

Dizem que jogos são ganhos – ou perdidos – nas trincheiras. Algumas equipes ignoram o plural da palavra, achando que uma linha defensiva de qualidade basta para vencer partidas – lógica curiosa; você tenta fazer o QB adversário passar dificuldades, mas esquece que o seu sofre do mesmo mal. É o caso das três franquias que citaremos abaixo.
Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

2.1 – New York Giants: 3 sacks

Foram apenas 3 sacks permitidos, mas os Giants sofreram com a incompetência de sua linha ofensiva principalmente por medo (justificado). Sabendo que o grupo não conseguiria proteger Eli por muito tempo, o plano de jogo consistiu em passes curtos. Não deu certo e o ataque conseguiu apenas 3 pontos. Além disso, os jogadores conseguiram a proeza de permitir um sack enquanto se apresentavam na transmissão. Veja a letargia do ataque nos melhores momentos.

2.2 – Seattle Seahawks: 3 sacks

Uma imagem vale mais que mil palavras. Russell Wilson, se conseguir se manter vivo, dificilmente conseguirá levar esse ataque longe. Assista os melhores momentos, quem sabe você não descobre se pode ser contratado para ser um jogador dos Seahawks na posição?

Existiu ou não existiu?

2.3 – Houston Texans: 10 sacks

Tom Savage não sabemos nem se existe ou não, e Deshaun Watson não está preparado pra ser um QB titular na NFL. Não ajuda a nenhum deles jogar com uma peneira a sua frente. É melhor o time pagar o LT Duane Brown. Você pode ver a OL de Houston consagrando a defesa de Jacksonville aqui.

3 – O começo avassalador do Detroit Lions

A sequência de jogadas que iniciou o jogo em Detroit (infelizmente vimos muito da peleja) foi medonha: Matthew Stafford lançou um Pick Six e, no drive seguinte, o ataque sofreu um three and out. Na hora de fazer o punt, algo deu absolutamente errado: o punter tentou resolver com as pernas, e acabou morrendo no processo – o time teve que contratar outro cara pra posição.

Felizmente a defesa conseguiu evitar um TD dos Cardinals para então cometer uma falta no chute e dar mais uma chance de Arizona chegar a endzone. Felizmente (?) não aconteceu – Carson Palmer não estava jogando nada.

4 – Imagens que trazem PAZ

Preferimos as jogadas horríveis – aquelas que nos fazem rir – àquele highlight que até aquele seu amigo chato que acha futebol americano é “demorado demais” vai curtir.

4.1 – Jets e Bills: Só de ler o nome das duas equipes você já sabe que vem bos*a. Acompanhe conosco: Tyrod Taylor lançou uma interceptação, que parecia que ia ser retornada para touchdown. Até o jogador dos Jets – que não sabemos quem é – tropeçar em seu companheiro de equipe, que também não sabemos quem é. Para piorar, ele quase sofreu um fumble no processo. Clique aqui se você ainda não entendeu.

4.2 – A defesa dos Saints: Eles já são ruins e precisam de turnovers para conseguir ser pelo menos razoáveis. Não foi o caso na segunda-feira. Veja!

4.3 – Blake Bortles: Allen Robinson se machucou (seriamente, está fora da temporada) e Blake foi lhe consolar DANDO TAPINHAS NO JOELHO MACHUCADO. É sério.

Bônus: o Monday Night Football

A ESPN americana montou uma equipe diferente para a transmissão do jogo entre Chargers e Broncos. Beth Mowins foi a primeira mulher a narrar um jogo da NFL, e achamos que ela foi muito bem – melhor que Joe Buck, por exemplo.

Mas, ao seu lado, colocaram Rex Ryan, que não tem cacoete nenhum para comentar uma partida (apesar de ter alguns insights interessantes). E, na sideline, o repórter foi Sergio Dipp*. Os 30 segundos que ele teve durante a transmissão foram um desastre: claramente nervoso, ele misturou informação nenhuma com desespero total. Para piorar, nem o câmera estava preparado: acharam que um cara aleatório era Vance Joseph, head coach de Denver.

Um ídolo.

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*Estamos torcendo para que ele se recomponha depois do vexame. Sergio reagiu super bem as brincadeiras e temos que reconhecer que não é nada fácil estar em uma transmissão ao vivo no horário mais nobre da TV americana – ainda mais quando inglês não é sequer a sua língua nativa. Força, Sergio!

A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Eu realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando m**da: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar. Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

5 mentiras da offseason que ninguém consegue acreditar

A offseason da NFL é um terreno fértil para que histórias, daquelas bem fantasiosas, sejam contadas sistematicamente. Sem jogos ou performances para avaliar, técnicos e jogadores parecem coagidos a tentar criar um futuro artificial e utópico para mascarar a dura realidade que enfrentarão em breve. Mas você, estimado leitor do Pick Six, não será mais uma das vítimas do conto do vigário. Nós ligamos o nosso detector de mentiras e vamos expor alguns dos Pinóquios da NFL na offseason de 2017:

John Fox e Todd Bowles: dois senhores lunáticos

Em 2016, Chicago Bears e New York Jets tiveram temporadas péssimas: juntos, eles conseguiram somar apenas oito vitórias. Obviamente, tratam-se de times muito fracos, que precisariam de muitos reforços para apenas começar a pensar em ser competitivos em 2017. Mas o que aconteceu com ambos foi justamente o contrário: Bears e Jets perderam seus QBs titulares, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick, e vários outros jogadores-chave, como Alshon Jeffery, Brandon Marshall e Nick Mangold.

Os times fracos e a perda de jogadores relevantes parecem não ter limitado a capacidade dos head coaches John Fox e Todd Bowles de criar um mundo paralelo. John Fox declarou que acredita que o Chicago Bears está em “striking distance”, que pode ser traduzido por algo como “em posição de causar estrago”. Já Todd Bowles acredita que “o elenco possibilita que o Jets seja competitivo em 2017” e que “as expectativas são altas, mas que é muito cedo para saber se o time é capaz de chegar aos playoffs”.

Fox e Bowles são dois grandes mentirosos. Mesmo tendo muita boa vontade e considerando que as “perdas” de Jay Cutler e Ryan Fizpatrick podem, na verdade, ser verdadeiros reforços para os times, não há como levar a sério as declarações dos técnicos. O tempo de Cutler e Fitzmagic enganarem os torcedores realmente acabou e isso é muito bom para que as franquias superem o fim do relacionamento que não deu certo e busquem seu verdadeiro par perfeito. Porém, a falta de respostas, tanto na free agency quanto no draft, para a posição mais importante do football condena os dois times a viver muito abaixo da linha de mediocridade em 2017.

Mesmo que Mike Glennon e seja-lá-quem-for-o-QB-do-Jets façam trabalhos razoáveis, nenhum dos ataques superará a perda de Alshon Jeffery e Brandon Marshall, dois dos melhores WRs da NFL. Além disso, o Chicago Bears joga em uma divisão que tem três times muito fortes e o New York Jets não tem nem chance de sonhar vencer a AFC East enquanto Tom Brady continuar respirando.

John Fox deve acreditar que “striking distance” significa “lutar para não ficar em último na divisão”. Se não acreditar, trata-se apenas de um mentiroso tentando minimizar o desastre da temporada anterior e criar um ambiente favorável à manutenção de seu emprego. Já Bowles deveria ter vergonha de mencionar “Jets” e “playoffs” na mesma frase e saber que o time será competitivo apenas quando se trata da disputa pela primeira escolha do Draft de 2018.

Obviamente, não esperamos que nenhum dos dois treinadores venha a público dizer que seus times são dois lixos. Jogadores precisam de motivação. Mas precisam mentir tão descaradamente?

Acredita quem quer.

Tom Brady e Drew Brees e o dilema da reforma da previdência

A idade parece não ser um problema para Tom Brady e Drew Brees, que estão se aproximando dos 40 e não estão nem cogitando o inevitável declínio físico trazido pela velhice. Brady declarou recentemente que pretende jogar por até mais cinco anos, o que levaria a uma aposentadoria aos 44 na temporada 2021. Drew Brees parece ter ficado com ciúme e logo em seguida afirmou o desejo de permanecer ativo até os seus 45 anos de idade, que o deixaria em campo até a longínqua temporada 2023.

Por mais que os torcedores do New England Patriots e do New Orleans Saints queiram muito acreditar que o prolongamento das carreiras de Brady e Brees vai acontecer, não é o que a história da NFL nos mostra. Nenhum QB conseguiu obter resultados significativos após ultrapassar a marca dos 40 anos. Brett Favre parece ter sido o único a conseguir se aproximar de conseguir vitórias expressivas após completar 40 anos, quando disputou a final da NFC pelo Minnesota Vikings em 2009.

Na nossa idealização de fãs, nossos ídolos são super heróis que podem vencer qualquer barreira, inclusive a da idade. Não queremos acreditar que eles são meros seres humanos, mas são, mesmo que não pareçam. O declínio chega de maneira abrupta. Peyton Manning é a prova disso: conquistou vários recordes da NFL em 2014 e em 2015 foi literalmente carregado pelo Denver Broncos para vencer o SB 50 aos 39 anos.

Em algum momento, em breve, o declínio físico vai atingir Brady e Brees, que parecem mesmo ter a vontade de jogar por muitos anos. Como o desejo de jogar em idade avançada parece ser legítimo, tratam-se de mentiras sinceras, mas ainda assim são mentiras.

“Na primavera ou em qualquer das estações”

Houston Texans: Deus no céu, Tom Savage na terra

A aposentadoria de Tony Romo ainda faz corações despedaçados sangrarem em Houston. Romo parecia a única solução para um time a um QB de distância de uma corrida ao Super Bowl. Não é o que o Texans parece acreditar. De acordo com James Palmer, repórter da NFL Network, o time se sente “confortável” com o inexpressivo Tom Savage sendo o QB titular na próxima temporada.

Essa talvez seja a mentira mais fácil de ser desmascarada. Desde 2014, quando foi draftado pelo Houston Texans, Savage participou de cinco jogos em temporada regular, dois como titular. Conseguiu o astronômico número de 0 TDs anotados e 0 passes para mais de 40 jardas. Portanto, não se enganem: Houston será agressivo no draft e, provavelmente, trará um veterano como Jay Cutler (credo!) ou Colin Kaepernick.

Um monumento temperamental

Ben Roethlisberger é, indiscutivelmente, um grande QB. Nada do que será dito a seguir tem a pretensão de diminuir sua qualidade ou relevância. Mas precisamos dizer a verdade: ele adora fazer um draminha. Nenhum outro jogador da NFL é capaz de se esforçar tanto para mostrar que está jogando machucado. Ben precisa mancar mais do que o necessário e se arrastar em campo para mostrar seu heroísmo.

Nessa offseason o drama se estendeu para um discursinho super falso de uma possível aposentadoria precoce. “Vou usá-la para avaliar, para considerar todas as opções, para avaliar questões de saúde e familiares, avaliar a próxima temporada, se haverá uma próxima temporada”, disse Roethlisberger.

Ninguém no Pìttsburgh Steelers parece ter levado as declarações muito a sério. Por um bom motivo: não demorou muito tempo para Ben encerrar o teatro e anunciar que estará em campo em 2017. Como disse Terrell Suggs, do rival Baltimore Ravens, antes de uma partida em que Ben era dúvida, “ele vai agir como ‘ai, não vou jogar, não sei, fiz só trabalhos individuais, lancei um pouco, mas ainda não sei’ e então vai colocar seu traseiro gordo no campo e jogar normalmente”.

Sempre divertido usar esta foto.

O time do futuro (que nunca chega)

A offseason é o momento perfeito para tentar reconstruir a imagem de jogadores que já mostraram flashes de talento, mas depois falharam completamente. Quem nunca ouviu o famoso “o QB X está trabalhando com um guru de QB” ou “o QB Y está trabalhando para melhorar sua mecânica”?

Blake Bortles parece ser o personagem perfeito para esse modelo de enganação. Depois de um ano muito promissor em 2015, na última temporada Bortles nos proporcionou momentos de ruindade épicos. O Jacksonville Jaguars, porém, está preso a Bortles, já que se trata de um QB de primeiro round do draft e que ainda mostra uma pequena esperança de recuperar pelo menos um pouco do talento que já mostrou.

Nada de anormal até aqui, certo? Mas o general manager Dave Caldwell parece ter ido um pouco longe demais em suas declarações. Entre outras coisas, Caldwell disse que “podemos vencer muitos jogos com Blake. Podemos vencer um Super Bowl com Blake, acho que o futuro é brilhante para ele”. Gostaríamos muito de acreditar em você Dave, mas simplesmente não conseguimos – aliás, nem sua mãe conseguiria.

Troféu Alternativo Pick Six #1: premiando aquilo que realmente importa

O ser humano é fascinado por premiações, não importa o quão relevantes elas sejam. Do Miss Universo ao vencedor do Prêmio Puskas, da final do BBB a eleição para síndico do condomínio, invariavelmente queremos contemplar alguém com um troféu, mesmo que imaginário.

Na NFL não seria diferente e passamos horas e horas discutindo ou mesmo procurando uma hipotética justiça em premiações definidas de maneira arbitrária – e diversas vezes um tanto quanto óbvias. Pensando nisso e inspirados na já tradicional premiação que os colegas do Bola Presa fazem para as bizarrices da NBA, o Pick Six lança sua premiação alternativa, afinal, sabemos que o Framboesa de Ouro é muito mais divertido que o Oscar, não é? Então antes de coroarmos os vencedores, anunciamos nossas categorias.

TROFÉU WES WELKER: com ele premiamos o “melhor” drop da temporada e homenageamos o WR (indiretamente?) responsável por um dos melhores momentos de Gisele Bundchen na NFL. Além, claro, de estar no hall dos grandes drops que o SB já nos proporcionou.

TROFÉU SKIP BAYLESS: uma homenagem a uma das maiores metralhadoras de bosta que a imprensa norte-americana já produziu. Dá nome a este glorioso prêmio o cidadão que já afirmou que Manti Te’o seria o próximo Ray Lewis, que preferia RGIII a Andrew Luck, Josh Freeman a Cam Newton e, bem, vamos parar por aqui. Então o vencedor desta honraria é o integrante da dita “imprensa especializada” responsável por proferir mais asneiras ao longo da temporada.

Metralhadora de bosta.

TROFÉU MICHAEL FABIANO: ele é o guru do fantasy da NFL.com. Mas também já destruiu muitos sonhos dourados neste jogo com suas dicas imbecis, então nada mais justo que o atleta que foi uma decepção na temporada de Fantasy Football levar para casa uma estatueta com o nome do mito Michael Fabiano.

TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN: Rex Grossman deve ser o garoto propaganda do que é ser um quarterback medíocre: com menos de 50 partidas iniciadas, ele tem mais derrotas do que vitórias – e mais interceptações do que touchdowns. Mesmo assim, escorado por uma forte defesa, ele chegou ao Super Bowl XLI, quando silenciou os críticos com vitórias contra Seahawks e Saints nos playoffs – para logo depois voltar a realidade e ser destruído por Peyton Manning e companhia na grande decisão. Por isso o prêmio para melhor atuação de jogador irrelevante homenageia o ex-QB do Chicago Bears (e de mais uma dúzia de outros times)!

TROFÉU BLAKE BORTLES: Blake é um dos reis da irrelevância, o cara mais clutch quando nada importa, possivelmente o único capaz de fazer três touchdowns nos seis minutos finais, quando seu time precisaria de uns seis, mas isso pouco interessa. Por isso o troféu que leva seu nome premia o verdadeiro MVP: o MVP DO GARBAGE TIME.

TROFÉU JIM KELLY: Kelly levou o Buffallo Bills a quatro Super Bowls seguidos. E perdeu todos. Nada mais justo que dar nome ao prêmio que agraciará o melhor jogador de time que só perde.

TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR: sejamos honestos: o prêmio original, Comeback Player of The Year, é um dos mais sem sentido já criados pela NFL – não pela mensagem, claro, mas pelo simples fato de que todo ano três ou quatro jogadores merecem ganhar essa desgraça e raramente temos uma unanimidade. Então criamos o NCPOY, para premiar aquele ser que teoricamente teria um grande retorno, mas na verdade era melhor nem ter voltado dos mortos.

TROFÉU CRAQUE NETO: “Acabei de saber que o Ronaldo está trazendo o Seedorf para o Corinthians”. Mais não precisamos falar. E com esta honraria premiamos a maior besteira escrita ou falada por um integrante do Pick Six – acreditem: falamos muita besteira.

TROFÉU DAVE SHULA: Dave Shula nunca fez muita coisa para justificar um cargo como HC na NFL. Exceto, claro, ser filho de Don e irmão de Mike Shula. Tanto que quando chegou ao cargo e lá ficou por cinco longos anos obteve uma gloriosa carreira em Cincinnati,com 19 vitórias e 52 derrotas. Por isso o troféu que premia o conjunto da obra de piores e mais bizarras decisões de um HC na temporada leva seu nome!

TROFÉU JAMARCUS RUSSELL: JaMarcus talvez seja o maior bust da história da NFL. Primeira escolha geral do draft de 2007 pelo Oakland Raiders, em três temporadas Russell deixou a liga com um recorde de 7-18, 18 TDs e 23 INT. Ah, a escolha seguinte a ele foi um tal de Calvin Johnson, mas não vamos falar sobre isso. De qualquer forma, a honraria que leva seu nome premia a escolha de primeiro round que em sua temporada de estreia provou ter potencial para se tornar um tremendo bust.

TROFÉU TRENT RICHARDSON: Trent chegou a NFL como terceira escolha de primeira rodada do draft e, sendo gentil, sua carreira se resume a corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele era poupado do trabalho de bloquear. Para homenageá-lo, este troféu premia a decepção do ano – e, algumas vezes, da vida.

TROFÉU CHUCK PAGANO: Chuck Pagano foi um dos responsáveis por uma das jogadas mais ridículas da história da NFL (relembre este momento mágico). Por isso o troféu que premia a jogada mais imbecil da temporada leva seu nome!

Agora vamos aos vencedores:

TROFÉU WES WELKER: Odell Beckham teve uma estreia na pós-temporada, digamos, complicada. Mas a culpa poderia recair sobre Justin Bieber. A piada, claro, só se tornou possível porque o WR e seus colegas de time decidiram ir para Miami logo após a vitória contra os Redskins, que eliminou o rival de divisão – e, apesar de todos terem voltado a tempo para se preparar para o jogo contra Green Bay, preferimos polemizar.

De qualquer forma, vamos nos ater aos drops, ambos ridículos para um atleta do nível de Odell. O primeiro veio em uma 3&5 dentro da linha de 30 jardas do Packers quando o placar ainda estava zerado. E foi um drop ridículo. Já o segundo, bem, essa era um touchdown certo. Claro, a culpa da eliminação não deve recair apenas sobre Odell – Sterling Shepard também jogou fora um TD fácil, mas Odell Beckham Jr é o merecedor da primeira edição do TROFÉU WES WELKER de pior drop do ano.

Menção honrosa: Tashaun Gipson & Prince Amukamara. Eles merecem!

Esse dia foi massa.

TROFÉU SKIP BAYLESS*: terminada a temporada para algumas equipes, alguns “jornalistas” percebem uma situação difícil: a vontade de falar sobre o time é grande, mas não há muito o que ser dito. Alguns resolvem não falar nada, outros preferem falar sobre outros assuntos. Mas esses não nos interessam. Vamos destacar aqui aquele que decidiu que a melhor opção era falar merda. Muita merda. É o caso de Brad Wells ou, se você preferir, apenas mais um “Zé Mané” que habita esse mundo.

Wells “cobre” o Indianapolis Colts e já foi o editor chefe do blog da equipe no SB Nation. Hoje ele é só mais um rostinho não tão bonito no Twitter. Segundo o próprio, ele sequer tem fontes em Indianapolis, ou pelo menos foi o que disse em meados outubro.

Esse manja.

Porém, quando o ano acabou, talvez ele tenha se sentido muito à toa e resolveu que seria uma boa ideia brincar com nossa cara, cravando que os Colts iriam atrás de Jon Gruden para cargo de head coach, pois Chuck Pagano balançava no cargo. Além disso, disse também que, a menos que Peyton Manning fosse contratado, Ryan Grigson permaneceria como GM em Indy. Brad Wells ficou quase duas semanas martelando sua “tese” nas redes sociais para que, no final, tudo acontecesse exatamente ao contrário. Até ele achou estranho, o que traduziu brilhantemente como “algo aconteceu”. É claro que algo aconteceu, Brad: você bateu a cabeça em algum momento da sua vida.

Você deve imaginar que, depois disso, Brad Wells resolveu ficar calado. Mas persistente que é, ele retomou sua saga em 2017 com muita #analise. Para ele, seria razoável que os Colts cortassem o CB Vontae Davis, também conhecido como “o único defensor da defesa dos Colts”. Davis está no último ano de seu contrato em Indianapolis e, apesar de uma temporada abaixo para de seus padrões, foi selecionado para o Pro Bowl nas duas temporadas anteriores.

Mas isso não é tudo. Para Brad Wells, que só não é um GM da NFL porque (ainda) não temos cotas para idiotas, o novo GM deveria trocar o WR TY Hilton, líder da NFL em jardas na última temporada. Como argumentos, ele destacou que “ninguém liga para isso” e que o recorde dos Colts na temporada foi 8-8. Sensato, se você for um idiota.

Por fim vale ressaltar que, apesar de ser uma fonte de desinformação, Brad Wells é um cara simpático: ele só conta vantagem por seu número de seguidores de vez em quando. Por tudo isso, Brad Wells é o vencedor do TROFÉU SKIP BAYLESS de integrante da imprensa especializada que mais falou bosta ao longo do ano.

Olha meus followers, galera!

*Colaborou @ColtsNationBR

TROFÉU MICHAEL FABIANO: temos plena consciência de que a culpa não é só dele. Aliás, talvez ele nem tenha culpa, afinal de contas tudo o que pode ser medíocre nessa última temporada em Los Angeles, foi em nome de Jeff Fisher. Mas não é como se 2015 tivesse sido muito melhor; Case Keenum era o mesmo, algo como um saco de bosta, e Todd Gurley ainda assim pareceu o substituto de Adrian Peterson, mesmo voltando de uma lesão de joelho, correndo para mais de 1100 jardas em 13 jogos.

Saudável era esperado que Gurley carregaria sozinho um ataque medíocre, a aposta perfeita para ser um dos primeiros escolhidos no draft. E assim diversos incautos gastaram as primeiras escolhas com Gurley em suas equipes de Fantasy. Resultado: em 2016 ele pareceu que estava voltando de uma lesão grave, correndo para uma média de menos de um first down a cada três corridas. Sugado para o mundo de tristeza de Jeff Fisher, Gurley acabou sendo a principal decepção do ano no fantasy e por isso vence o TROFÉU MICHAEL FABIANO.

Deu ruim.

TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN: Se você não joga fantasy, a chance de já ter ouvido falar nele é muito baixa. Se você acompanha a NFL regularmente e joga fantasy, essa chance aumenta, mas você provavelmente deixou passar. A verdade é que Dwayne Allen é um dos raros casos em que um jogador já é draftado destinado a reserva, afinal ele chegou aos Colts junto com Coby Fleener, para ser, sei lá, o quarto ou quinto alvo de Andrew Luck – e, mesmo com as constantes lesões e agora saída de seu titular, sua maior produção anual foi de apenas 45 recepções, em sua temporada de rookie.

Isso já seria suficiente para caracterizá-lo como irrelevante no grande mundo da nossa liga favorita. Mas, claro, every dog has its day. O de Allen chegou em uma bonita tarde de dezembro, em um jogo (praticamente) tão irrelevante como ele mesmo. Mas, por alguns momentos, foi bonito. Fora de casa, contra o New York Jets, aproveitando-se da inspiração de Andrew Luck, o tight end recebeu nada menos do que 3 TDs somente no primeiro tempo de partida, a metade de seu total na temporada e, junto com ninguém menos que Antonio Brown, um dos dois jogadores a receber 3 passes na endzone em 2016, ganhando assim o TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN de momento estrela dentro de uma vida de irrelevância. Não surpreendentemente, Dwayne Allen recebeu somente mais um passe nesse jogo, acabando com apenas 70 e poucas jardas.

Que que tá acontecendo, caras?

TROFÉU BLAKE BORTLES: voltemos para aquele glorioso TNF entre Titans e Jaguars (saudades!), vencido pelos amigos de Mariota por 36 a 22. Se você olhar apenas para as estatísticas, dirá que Blake Bortles jogou bem. E você estará errado. Os números gerais mostram que Blake completou 33 de 54 passes, para 337 jardas e três touchdowns. Mas vamos isolar os números: no primeiro tempo, Blake completou 8 de 16 tentativas para 64 jardas e o Titans foi para o vestiário com o placar apontando 27 a 0. Já no segundo tempo, Blake completou 25 de 38 passes para 273 jardas… mas, e daí? Com quase quatro touchdowns de vantagem, a defesa de Tennessee dormia em campo enquanto assistia o quarterback de Jacksonville completar dúzias de passes curtos e o relógio implodir. Estamos sendo injustos? Então isolemos as estatísticas da carreira de Blake até a semana #8 da última temporada:

Primeiro período: 1.598 jardas, 4 touchdowns

Segundo período: 2.356 jardas, 15 touchdowns

Terceiro período: 1.912 jardas, 13 touchdowns

Quarto período: 3,364 jardas 26 touchdowns

Blake é um gênio do quarto período, quando nada mais importa. Porque se Bortles estivesse fazendo isso para liderar o Jaguars as vitórias, tudo bem, mas na verdade estamos longe, muito longe disso. Na week #2, por exemplo, os 14 pontos de Jacksonville contra o Chargers vieram no último período, quando San Diego já vencia por 35 a 0. Por tudo isso Blake Bortles leva com folga a primeira edição do TROFÉU BLAKE BORTLES – e infelizmente acreditamos que ele levará todos os anos.

“Virei punter“.

TROFÉU JIM KELLY: Não há qualquer dúvida de que Drew Brees é um dos maiores QBs da história da NFL e um dia terá seu busto exposto em Canton, no Hall of Fame da liga. Comandando o potente ataque do New Orleans Saints, Brees conseguiu se tornar o detentor de grande parte dos recordes de jardas e de passes completados da liga. Entre 2006 e 2016, por exemplo, o QB do Saints liderou a liga em jardas passadas em sete temporadas, ultrapassando a marca de 5000 jardas em cinco delas, também o recorde da NFL. Brees coleciona 54 partidas em sua carreira com 70% dos passes completados e sem interceptações. Em 2015, ainda empatou o recorde de passes para TD em um mesmo jogo, com sete. De forma resumida, se você procurar os recordes de passe da NFL encontrará diversas vezes o nome Drew Brees. O problema é que Brees está condenado a jogar em um time constantemente ruim. Desde que chegou ao New Orleans Saints, em 2006, mesmo obtendo diversos recordes e performances históricas, Brees só viu o recorde da equipe mostrar mais vitórias do que derrotas em cinco temporadas. Nas últimas três, por exemplo, o Saints deixou Jeff Fischer orgulhoso: 7-9. A mediocridade do time parece ser a regra e nem um dos melhores QBs da história consegue superá-la. Nesta última temporada a história não foi diferente e por isso Drew Brees é o vencedor do TROFÉU JIM KELLY de jogador bom condenado a um time ruim.

“Não aguento mais essa merda”

TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR: Em 2012, quando foi eleito Rookie of the Year e comandou o potente e surpreendente ataque do Washington Redskins, Robert Griffin III nos deixou uma excelente primeira impressão. Ameaça pelo ar e pelo chão, RGIII era o pesadelo das defesas adversárias, que pareciam não encontrar resposta para o seu dinamismo. O sonho, porém, durou pouco: contusões minaram o que tornava Griffin um QB diferente e, como resultado, seguiram três temporadas com números horríveis, com polêmicas diversas e, finalmente, com Griffin sentado no banco assistindo o sucesso de Kirk Cousins.

A dispensa pelo Washington Redskins, após o fim da temporada 2015, poderia ser a chance de recomeço para RGIII, que escolheu assinar com o sofrido Cleveland Browns. A mistura de um QB que ainda nos traz boas lembranças com um time desesperado por um salvador nos fez acreditar que uma bela história poderia estar sendo construída. Estávamos completamente enganados. Griffin novamente teve uma contusão séria e parece ter consolidado a imagem de QB de vidro. Mesmo no pouco tempo que esteve em campo, nada de bom foi mostrado: em cinco partidas, RGIII lançou dois TDs, três INTs e sofreu 22 sacks, números suficientes para vencer o não tão desejado TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR.

Fu-deu.

TROFÉU CRAQUE NETO: Os primeiros textos (sérios) do Pick Six foram focados em extensos previews da temporada de cada um dos 32 times da NFL. Ao final de cada um deles, fazíamos apostas sobre o que se podia esperar para o ano que estava começando. Não se pode acertar todos, claro, e ainda que exista muita coisa certa, os erros são mais incríveis. Sério: talvez valha a pena revermos todos só para comparar o antes e depois. E um em especial aconteceu no preview do Atlanta Falcons:

“Palpite: a grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Hum, acho que nos equivocamos levemente. Atlanta teve o ataque mais eletrizante do ano (e um dos melhores da história), junto com MVP e o título do Super Bowl… Bem, ao menos até o terceiro quarto. E nós merecemos o TROFÉU CRAQUE NETO.

TROFÉU DAVE SHULA: Quando um time vai de favorito ao Super Bowl a uma campanha de 6 vitórias sem sequer esboçar qualquer reação ao longo da temporada, especialmente contando com a volta do (ao menos pensávamos) segundo melhor jogador, a primeira pessoa a ser cobrada será o treinador. Obviamente não é culpa dele se os drops se multiplicaram de maneira absurda, a proteção falha constantemente, os LBs antes absolutos começam a perder tackles ou se o GM deixa seu melhor jogador defensivo partir, mas existe uma história que mostra que talvez a cabeça de Ron Rivera estava em outro lugar.

Cam Newton, MVP da temporada de 2015, teve problemas com as bagagens na viagem a Seattle e acabou sem uma camisa social para usar na viagem, optando assim por uma gola rolê, com a qual, em suas próprias palavras, “não faria sentido algum usar uma gravata”. Entretanto, o traje de viagens dos Panthers, estabelecido por Rivera, exige o uso de gravata. Resultado: o grande Derek Anderson iniciou o jogo como titular e lançou uma interceptação em seu primeiro passe, contando com um drop de seu RB. Com isso, Seattle marcou logo um FG fácil e saiu na frente no jogo. Então Ron Rivera recebe o primeiro TROFÉU DAVE SHULA do Pick Six.

Tá tranquilo, tá favorável.

TROFÉU JAMARCUS RUSSELL: Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams, tanto que Los Angeles trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para consegui-lo. Mas ele passou dez semanas, 70 dias de temporada regular, sentado no banco enquanto assistia uma tragédia chamada CASE KEENUM. Ninguém é banco de Case Keenum por dez rodadas por acaso. E quando entrou em campo, Jared não tornou as coisas melhores: em sete partidas, foram 1089 jardas, para 5 touchdowns e 7 interceptações – e um rating de 63.6. E em nenhuma atuação ele teve mais de 65% dos passes completos. Seu “grande” momento aconteceu na week #11, contra os restos mortais de um San Francisco 49ers já cambaleante. Por tudo isso, Jared Goff levou com tranquilidade o TROFÉU JAMARCUS RUSSELL!

TROFÉU TRENT RICHARDSON: Invariavelmente um dos prêmios mais concorridos da temporada. Há muitos candidatos: Allen Robinson teve um ano trágico, assim como Blake Bortles – mas este talvez só tenha retornado a realidade. DeAndre Hopkins era outro de quem talvez esperássemos mais, assim como Todd Gurley, nosso vencedor do TROFÉU MICHAEL FABIANO. Darrele Revis, então, foi umas das coisas mais tristes de se asssitir em um campo de football nesta temporada. Mas nenhum deles foi de MVP a, bem, uma tragédia ambulante.

Cam Newton teve um 2015 dos sonhos. Mais do que isso, haviam motivos claros para confiar que não se tratava de um mero “produto do meio”: Cam nos lembrou Peyton Manning fazendo uma linha ofensiva medíocre parecer a Muralha da China™ e emulou Drew Brees, fazendo recebedores igualmente abaixo da média, como Corey Brown ou Ted Ginn Jr, produzirem decentemente.

Com a volta de Kelvin Benjamin, seu melhor amigo de 2014, se esperavam grandes coisas em 2016. Mas sua temporada de MVP pareceu um sonho distante. Mesmo lançando o maior número de passes de sua carreira, Cam teve 300 jardas menos que em 2015 e praticamente a metade de TDs: foram apenas 19 TDs (mais 5 TDs corridos), para 14 INTs e um rating de 75.8. O maior número de interceptações desde sua temporada de rookie e o pior rating de sua carreira. Até mesmo seus números de corridas, uma de suas maiores armas, foram os piores de sua história.

Ressaca pós Super Bowl? Os pesadelos com Von Miller e um certo fumble não recuperado teriam atrapalhado o sono e suas atuações? Se ele usasse uma gravata sempre tudo melhoraria? Ou Newton nunca foi tudo aquilo e 2015 foi apenas uma temporada da qual teremos saudades, mas jamais se repetirá? Só descobriremos nos próximos meses. Enquanto isso Cam Newton leva o TROFÉU TRENT RICHARDSON de decepção do ano.

Bonita gravata.

TROFÉU CHUCK PAGANO: É difícil descrever certas situações, então deixemos as imagens falarem. Apenas assistam e tentem nos explicar o que aconteceu. Esse talvez seja o maior legado de Rex e Rob Ryan para os Bills. Talvez seja o maior legado da família Ryan para a NFL. Mesmo eles tendo sido demitidos uma semana antes. Foi lindo, mas não entendemos nada – e talvez seja melhor assim; se nem o Twitter oficial do Bills entendeu, por que nós entenderíamos? Então ficaremos com a tese de que tudo não passou de um PROTESTO por todo sofrimento passado pelo roster de Buffalo nas mãos de Ryan ao longo da temporada.

Temporada que vem tem mais!