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Análise Tática #8 – É impossível parar Rob Gronkowski

Robert Paxton Gronkowski talvez seja a principal arma ofensiva da NFL. Muito rápido para ser marcado por linebackers e muito grande para ser marcado por defensive backs, o tight end do New England Patriots é o grande pesadelo dos coordenadores defensivos da liga. Após perder os dois primeiros jogos com uma contusão na coxa e ter os snaps limitados nas semanas 3 e 4, Gronk já recebeu para 484 jardas. Isso resulta em uma média de 118 jardas por jogo, se forem descontadas as duas semanas em que praticamente não jogou. Para efeito de comparação, AJ Green e Julio Jones, os dois WRs mais produtivos da NFL nessa temporada, têm a média de 112 e 107 jardas por jogo, respectivamente.

Além da média absurda de jardas, os três TDs que anotou entre as semanas 6 e 8 foram suficientes para estabelecer o novo recorde do New England Patriots para um TE: desde 2010, quando foi draftado, Gronkowski já anotou 69. Nos sete anos em que está na liga, descontados os jogos perdidos por contusão, Gronk disputou 86 partidas, o que resulta em uma média de 0,8 TDs por partida. Trata-se de um monstro, de um candidato certo ao Hall of Fame da NFL e, se permanecer saudável, do melhor TE da história.

E como parar um jogador tão bom? Marcação individual não funciona. É como se estivesse completamente desmarcado. A solução para as defesas é planejar marcação dupla, ou até mesmo tripla, certo? Mais ou menos. O cobertor é curto. Além de ser um dos melhores jogadores da liga, Gronk também joga em um dos melhores (senão o melhor) ataques da liga. Se a ênfase das defesas for parar Rob Gronkowski, Tom Brady não terá dificuldades em tirar proveito do que estiver à sua disposição. É por isso que é difícil imaginar um cenário em que o New England Patriots não esteja disputando o Super Bowl em Fevereiro. Não estamos felizes com isso, mas temos que aceitar a (dura) realidade.

Para mostrar como a conexão Tom Brady-Rob Gronkowski é a melhor da liga, analisaremos os três TDs anotados pela dupla em 2016. Não há mágica ou rotas complexas: é apenas Rob Gronkowski recebendo passes perfeitos de Tom Brady e humilhando defensores. Confira:

TD 1 – Week 6:

Gronk costuma receber passes longos com frequência, mas também é a arma perfeita em passes curtos, na redzone. No jogo contra o Buffalo Bills, na semana 6, Gronk era o único recebedor posicionado na parte de cima da tela, com dois marcadores nas proximidades. O deslocamento do RB James White para o lado direito do ataque puxou um dos defensores e deixou Gronk com marcação individual.

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No momento do passe, Brady acha Gronk sem dificuldades.

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TD 2 – Week 7:

No jogo contra o Pittsburgh Steelers, na semana 7, Gronk estava posicionado no alto da tela, junto com dois outros recebedores do Patriots. Com rota em profundidade, o TE do Patriots tinha dois potenciais marcadores: o safety, na linha de 25 jardas, e o linebacker do lado esquerdo do ataque.

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No momento do passe, os dois marcadores estão próximos a Gronkowski, mas a antecipação de Brady e a rota perfeita, deslocando o safety para a parte de cima da tela, garantem o sucesso da jogada.

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Quando recebeu a bola, Gronk já tinha deixado o LB para trás, enquanto o safety fazia a leitura errada da jogada. Mais um TD tranquilo para o Patriots.

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TD 3 – Week 8:

Contra o Buffalo Bills, na semana 8, uma jogada muito parecida: Gronk com rota em profundidade junto com dois recebedores no mesmo lado do campo, mas dessa vez com marcação individual, sem o safety para ajudar. Mesmo sem RB próximo a Brady, o Bills deixou dois LBs congestionando o meio do campo.

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Um dos DBs do Bills se juntou ao LB que estava próximo à linha de scrimmage, fazendo marcação dupla na rota curta. Brady fez a fácil leitura de Gronk em marcação individual na rota em profundidade, já batendo o marcador.

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Quando recebe o passe, Gronk já abriu duas jardas para o marcador e apenas desfila para a endzone.

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Ele não anda, ele desfila.

Para esse time, o único preview que importará é dos playoffs

“Deflategate is finally over”, era o anúncio que ecoava pelos jornais e sites esportivos quando finalmente Tom Brady desistiu que ia deixar de lutar contra a suspensão de quatro jogos pelos incidentes da já longínqua final da AFC da temporada de 2014, em que bolas murchas ajudaram (ou não) o time de Boston a bater os Colts por uma ampla margem de 45-7. Além disso, Bill Belichik também perdeu sua primeira escolha no draft deste ano e a quarta de 2017, o que pode ter sido mais um fator motivador para trocar Chandler Jones (mais sobre a seguir). Dessa vez, após muito drama, reviravoltas e julgamentos, o comissário Roger Goodell levou a melhor.

Outro acontecimento importante da offseason dos Patriots foi a mencionada troca do pass-rusher Chandler Jones, responsável por 12.5 sacks em 2015, pelo guard Jonathan Cooper, sétima escolha do draft de 2013 e por uma escolha de segundo round em 2016 (novamente trocada, resultando no G Joe Thuney e no WR Malcolm Mitchell). Jones, o principal responsável para colocar pressão no QB nessa defesa, foi trocado especialmente porque Belichik buscava ter mais opções no draft e, principalmente, porque Belichik considera mais importante renovar com os LBs Donta Hightower e Jamie Collins (também em ano de receber um novo contrato), acreditando que não teria salary cap suficiente para manter os três – e ao invés de perdê-lo de graça no final da temporada, preferiu apostar em um guard cheio de potencial, mas com problemas com lesões, e em dois jogadores aparentemente medianos (mas sabemos que o Lord Sith pode produzir sua mágica nesses tipinhos) no draft.

WaterBoy

Water boy, muso das sidelines. QB reserva nas horas vagas.

Não vai acontecer de novo

O ano era 2001, o QB e titular indiscutível Drew Bledsoe havia assinado um contrato de 10 anos e (então recorde) 103 milhões de dólares, quando, no segundo jogo da temporada, sofre hemorragia interna após um tackle de um jogador dos Jets e é substituído pela escolha 199 do draft do ano interior. O resto, como dizem, é história: Bill Belichik tomaria nas rodadas seguintes uma decisão discutível, mas certeira, Tom Brady seria o MVP do Super Bowl daquele ano e o aparentemente intocável e ídolo da torcida nunca mais vestiria a camisa dos Patriots, trocado para o Buffalo Bills.

15 anos depois, tudo o queríamos era ver um pouco de história se repetindo – quase não nos importaria ver os Patriots campeões do Super Bowl de novo desde que Tom Brady estivesse vendo tudo de fora com cara de bunda. Infelizmente, não parece que vai acontecer. Jimmy Garoppolo terá a primeira oportunidade de ser titular em jogos de verdade na NFL e sofrerá um batismo de fogo jogando contra as ferozes (e inclusive contra o ex-companheiro Chandler Jones) defesas de Cardinals, Texans e Bills. Mais do que isso, seus números (7 TDs, 3 INTs, 7,4 jardas por passe) em sete jogos contra defesas medíocres em pré-temporada não empolgam.

Com atuações pouco espetaculares, mas eficientes (Bill Belichik fez Matt Cassel produzir uma campanha 11-5), de Jimmy Garoppolo (palpite: 10 TDs, 5 interceptações, e trocado para algum time desesperado e pouco inteligente por uma escolha de segundo round ano que vem. 2º palpite: Washington Redskins), é provável que os Patriots comecem com uma campanha de pelo menos duas vitórias antes que Tom Brady retorne para levar New England mais uma vez aos playoffs.

O motor rumo aos playoffs

Falando em Brady, era de esperar que o jogador estivesse começando a fazer a curva agora que está chegando aos 39 anos. Entretanto, jogando de maneira inteligente e eficiente (4770 jardas, 36 TDs e somente 7 interceptações em 2015), aproveitando-se dos passes curtos e rápidos, além do entrosamento criado ao longo dos anos com o monstro TE Rob Gronkowski, seu alvo favorito e sério candidato a mais de 15 TDs todos os anos enquanto saudável (a vida de festeiro sempre parece roubar-lhe alguns jogos da sua condição física todos os anos), e o seguro WR Julian Edelman (692 jardas e 7 TDs em apenas 9 jogos), Tom afirma que pretende jogar até os 45 anos.

Além dos alvos tradicionais, o quarterback contará com ainda mais ajuda do que teve em 2015. O WR Chris Hogan e o TE Martellus Bennett foram trazidos para tentar emular jogadores que fizeram sucesso na equipe no passado e que até agora não foram substituídos a altura: o eterno WR Wes Welker e o complemento perfeito de Gronkowski, o hoje preso TE Aaron Hernandez. O time da Nova Inglaterra também contará com o retorno de um saudável RB Dion Lewis, que impactou a NFL com sua habilidade em evitar tackles (os famosos dibres) e grande produção em apenas sete jogos.

Brady também deverá contar com melhor proteção após ser destruído na final da AFC pela defesa dos Broncos, já que o T Nate Solder estará de volta após atuar em apenas quatro jogos em 2015. Além disso, a competição que adicionou os dois novos guards já mencionados (Cooper e Thuney) aos titulares medianos (Tre Jackson e Shaq Mason, rookies em 2015) só pode ser benéfica para escolher os melhores à frente de Brady. Entretanto, perder Sebastian Vollmer na segunda semana da pré-temporada deverá ser um grande golpe à linha, já que Marcus Cannon não parece ser um RT capaz na NFL – nem parece possível que o time encontre um substituto melhor a essa altura.

Apostando em veteranos

As grandes perdas dos Patriots essa temporada parecem concentrar-se no lado defensivo. Além de Chandler Jones, o time também perdeu o DT Akiem Hicks (para os Bears) e dispensou o DT Dominique Easley por causar problemas no vestiário. Para resolver o problema de falta de opções na linha, Belichik contará com dois novos veteranos que já demonstraram qualidade, mas não tiveram no seu melhor em 2015: o DT Terrance Knighton (de Washington, mas que jogou bem pelos Broncos) e o DE Chris Long (titular em apenas cinco partidas pelos Rams ano passado).

Atrás deles, os já comentados LBs Collins e Hightower devem repetir as boas atuações da temporada anterior, e para complementá-los e tentar adicionar um pouco de profundidade ao grupo, foi trazido o bust Shea McLellin, em uma tentativa de que o HC faça dos seus milagres. Na secundária, caberá ao sempre presente S Devin McCourty e ao herói do Super Bowl XLIX Malcom Butler, oposto ao CB Logan Ryan, tentarem compensar a fraca linha defensiva que os Patriots devem ter esse ano.

BUTLEY

Jogada que permitirá uma carreira de 10 anos a Malcolm Butler.

Sempre importante lembrar: Bellichik tem fama de tirar leite de pedra e fazer jogadores medíocres parecerem elite. Logo, não nos deve surpreender se essa defesa aparentemente mediana acabar entre as 10 melhores no final das contas.

Palpite: 13-3, folga na primeira rodada dos playoffs e a lenda continua. Jimmy Garoppolo continua só sendo lindo no banco a partir da quinta rodada e Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.