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Podcast #8 – Uma coleção de asneiras VIII

É clima de playoffs na redação do PickSix e com um convidado especial… que não está lá, afinal, o Giba é torcedor do Baltimore Ravens, o time que fez a cagada do ano 2017.

Mesmo assim, tentamos fazer ele passar pela nossa tradicional tortura “Schadenfraude” e acabamos aprendendo um pouco mais sobre o amor dos corvos por Joe Flacco.

Obviamente, falamos das nossas expectativas, torcidas (VAI TITANS!), esperanças (afinal, temos um torcedor dos Vikings entre nós) e sobre o medo dos Falcons.

Fechamos com o típico “jogo que queremos ver” – para variar, com mais ilusões que, acreditamos, o leitor cobrará  em breve. Se acertarmos, seremos insuportáveis – acompanhe.

Um conto de dois Joe Flaccos

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o corvo disse: “Nunca mais”.

Dois escritores

Todo 19 de janeiro, durante quase 70 anos, entre meia noite e o nascer do sol, um homem com um casaco longo e uma bengala dourada deixou três rosas e meia garrafa de conhaque no túmulo do escritor Edgar Allan Poe, em Baltimore – a última vez o que o viram foi em janeiro de 2009 e, antes disso, contam que o homem cobria o rosto para não ser identificado. O ritual coincidia com o dia de nascimento de Poe – que veio ao mundo em Boston, mas o deixou em Baltimore. A única pessoa que afirmava saber a identidade do misterioso visitante morreu sem revelar o segredo.

O fato é que ninguém sabe o que diabos levou Poe a Baltimore ou o que ele fez entre 27 de setembro e 03 de outubro de 1849 – data em que foi encontrado nas ruas, vagando bêbado ou drogado, sem maiores explicações. Ele viria a falecer quatro dias depois, já no hospital, que não conseguiu justificar a morte do escritor; não existe um atestado de óbito, e as especulações transitam entre diabetes, todo tipo de tumores, raiva, alguma DST ou ainda overdose de alguma porcaria (o Ravens ainda não existia na época, então descartamos a possibilidade do desgosto).

A história, porém, tratou de tornar Allan Poe muito maior na morte do que em vida. Edgar é considerado o pai das histórias de detetive, do conto de horror, uma espécie de expoente do movimento gótico e ele provavelmente teve mais influência na cultura pop do que qualquer escritor de língua inglesa do século XIX: sem Poe, H. P. Lovecraft e Stephen King não seriam os mesmos; Thriller, de Michael Jackson, é inegavelmente influenciado por sua obra e saiba que todas as características de Sherlock Holmes existiam muito antes de Arthur Conan Doyle dar vida ao mais famoso detetive da literatura (Google: Auguste Dupin pesquisar). E, bem, não temos certeza, mas talvez até mesmo o Batman seja um corvo, e não um morcego.

Mas o que se sabe sobre sua obra mais famosa, “O Corvo”, um poema assustador que tem se mantido vivo por mais de 170 anos? Bom, desde sua publicação, em 1845, ela foi tão amada quanto desprezada – e se boa parte da crítica tripudiou as linhas traçadas por Poe, o público amou e o fez o escritor de todos os EUA.

Naquelas linhas, perda, claro, é o tema central, assim como em toda a obra de Edgar. “De todos os temas melancólicos, qual, de acordo com a compreensão universal da humanidade, é o mais melancólico?”. Poe uma vez se perguntou. “A morte”, ele mesmo respondeu, de certa forma revisitando sua vida.

Seu pai, um bêbado contumaz, o abandonou, enquanto sua mãe morreu vítima de tuberculose quando Allan ainda era uma criança – ele então foi separado de seus irmãos e criado por uma família adotiva; sua “nova” mãe, pouco tempo depois também foi vítima da tuberculose, enquanto o pai o rejeitava. A morte também bateu a sua porta mais uma vez, quando levou sua esposa, Virginia, aos 25 anos (ela se casara com o escritor aos 13). Você ganhará um prêmio se adivinhar qual doença a matou.

Hoje falar sobre Poe em Baltimore é uma experiência confusa: há sempre dois Poes. Há pessoas que o amam e que o odeiam. Há o Poe gênio, na mesma medida em que há o Poe farsante. Há o poeta melancólico, mas também há o beberrão irremediável. Há o inventor de um estilo literário, da mesma forma que há o viciado charlatão.

Mas também ainda há sua presença nas ruas da cidade onde ele foi encontrado vagando sem rumo antes de sua morte; uma cidade que se orgulha de seu legado, afinal de contas, ninguém se veste de preto melhor do que aquele que inventou um estilo sombrio por natureza – e nada combina mais com um corvo do que as ruas mal iluminadas de Baltimore.

Daqui nada se leva?

Duas cidades

Em 2015, a morte de Freddie Gray, um afro-americano que estava sob custódia da polícia desencadeou uma reação em massa – tudo isso enquanto Baltimore registrava a maior taxa de assassinatos (344 no ano) de sua história. E se em 2016 a cidade registrou 318 homicídios, o número até dezembro deste ano já chega a 319; mantida a média mensal até aqui, Baltimore quebrará um recorde do qual não se orgulha.

É uma guerra de gangues, uma batalha pelas ruas. Você tem jovens de 18 anos matando uns aos outros. Muitos são de famílias ‘quebradas”. É um problema tão intratável que estará conosco por muito tempo”, disse Michael Olesker, ex-colunista do Baltimore Sun, ao Guardian.

Esse foi o mundo retratado em The Wire, seriado da HBO exibido entre 2002 e 2008. Provavelmente uma das melhores séries da história da televisão (se não concorda, pode discordar aí na sua casa e não nos encha o saco), The Wire expôs a sociedade de Baltimore ao mostrar a guerra diária entre policiais e traficantes nas ruas da cidade – o efeito direto da batalha exibido na tela mostrava a quebra de confiança entre polícia e as comunidades mais pobres.

The Wire nunca ganhou um Emmy ou foi um sucesso estrondoso de audiência; seu mérito está em transformar a televisão em algo mais denso (e intelectualmente aceitável) do que jamais fora até ali, incomodando até mesmo autoridades da cidade; o criador do programa, David Simon, relatou diversas vezes que algumas pessoas tornaram as histórias pessoais, embora ele afirmasse que tanto questões até certo ponto mais simples como as próprias histórias narradas ali existiam nacionalmente.

Mesmo assim, a mistura de tráfico, violência, desemprego e falta de perspectivas relatados por The Wire persiste em Baltimore 15 anos depois. Em abril deste ano, o prefeito da cidade chegou a pedir ajuda ao FBI para combater o alto número de assassinatos.

Quando Freddie Gray morreu aos 25 anos em abril de 2015, seis policiais foram acusados, mas nenhum foi condenado. Na época, um relatório do departamento de justiça apontou diversos indícios de discriminação por parte da polícia – mesmo em atos cotidianos, como buscas e apreensões. O mesmo relatório apontou ainda que os moradores acreditavam existir duas Baltimores: uma rica e próspera e a outra pobre e discriminada – como a região de Greenmount West, a mesma retratada em The Wire, 15 anos atrás.

15 anos depois quase nada mudou.

Quase invisível

Você dificilmente perceberá Joe Flacco ao longo de uma temporada regular da NFL – exceto, claro, se você for um torcedor do Ravens ou ele acabou em seu time de fantasy; um sinal de que, bem, você perdeu o controle de sua vida.

Flacco nunca teve um jogo para mais de 400 jardas e só passou da marca das 4 mil em uma temporada – ele também nunca correu para mais de 200 jardas em um ano. Aliás, em toda sua carreira, ele só teve dois jogos com 4 TDs e um com 5 TDs.

Mas o que mantém Joe Flacco na NFL até hoje? Primeiro, um mercado na posição extremamente complexo e, por vezes, incompreensível. Segundo, regularidade (nada como transitar na linha da mediocridade): em suas primeiras sete temporadas, Flacco venceu 72 de 112 partidas. Terceiro, e talvez a explicação mais provável, a simples existência de Rahim Moore, que perdeu a cabeça alguns anos atrás.

Uma qualidade inegável, porém, é a força de seu braço, evidenciada em uma estatística chamada “clutch-weighted expected points based on penalties”, a qual vamos humildemente traduzir para “jogue a porra da bola longe, torça por uma falta e veja o que diabos acontece”. Bem, Flacco liderou a NFL neste “quesito” em muitas de suas temporadas, seja lá o que diabos isso signifique.

De certa forma, Flacco resiste por sua durabilidade, bolas jogadas para o alto e defesas adversárias cometendo “pass interference”. Ninguém em sã consciência gostaria de justificar o alto salário do seu quarterback apenas com esse pacote, não é? Mas ainda que pareça estranho, para o torcedor de Baltimore, parece haver um pouco de sentido nesta equação.

“O melhor quarterback da NFL”

Joe Flacco chegou ao Ravens em 2008 e logo levou a equipe a pós-temporada. As duas primeiras aventuras em janeiro, porém, não trazem boas lembranças aos torcedores do Ravens: nos cinco primeiros jogos, ele nunca passou de 200 jardas, e seu rating transitou entre incríveis 10 e 89.4 – foram seis interceptações, apenas um TD; aliás, o jogo contra o Steelers, em 2009, teve três delas.

Mas no terceiro ano, tudo começou a mudar, mesmo que timidamente: foram duas partidas longe de Baltimore, a primeira uma vitória arrasadora contra Kansas City – a partida seguinte terminaria com mais uma derrota para o grande rival; naquele ano, contra o Steelers, Joe completou 16 passes em 30 tentativas, para 125 jardas, 1 TD e 1 INT, terminando com um rating de 61.1. No inverno seguinte, mais duas partidas, uma vitória contra Houston e uma derrota apertada para New England (vai pro inferno, Billy Cundiff).

Sabemos como a temporada de 2012 terminou: a química com Torrey Smith atingiu o ápice, Flacco teve 11 TDs e nenhuma interceptação e seu menor rating foi de 106.2, o que levou John Harbaugh (amamos mesmo assim) a proferir frase a seguir: “Joe é o melhor quarterback da NFL”.

Não há muita lógica nas palavras de Harbaugh e elas não precisam ser levadas a sério; era apenas um HC defendendo seu QB. Mesmo assim lembre-se: na última semana da temporada atual, apenas cinco quarterbacks que iniciaram a rodada como titulares já venceram um Super Bowl. Flacco é um deles – esse número chegaria no máximo a sete, caso Aaron Rodgers estivesse vivo e Ben McAdoo não fosse um completo retardado.

Mas, da mesma forma que é verdade que o Ravens venceu o Super Bowl XLVII muito por méritos, digamos, extra-Flacco (Ray Rice e Bernard Pierce foram melhores que qualquer alma que pisou no M&T Bank Stadium nos últimos cinco anos, e Torrey Smith e Anquan Boldin, cada um sem um braço, hoje seriam melhor que qualquer WR que o Ravens tem em campo) os números já citados também mostram que ele foi espetacular naquela pós-temporada.

Aqueles quatro jogos, porém, em janeiro também foram a única vez que Flacco teve uma sequência de 10 TDs sem nenhuma interceptação. Durante toda sua carreira, ele esteve muito abaixo disso: seu melhor ano foi 2014, com 27 TDs, 12 INT e um rating de 91 – as mais de 4 mil jardas viriam apenas em 2016 (com 20 TDs e 15 INT). E Joe nunca esteve no top 10 em qualquer estatística durante dez temporadas na NFL.

De certa forma, o ataque do Ravens nos últimos anos se resumiu a estratégia “deixe Joe lançar a maldita bola”. O problema é que, como qualquer outra equipe, eles precisam de peças ao redor para que o plano, por mais primitivo que pareça, possa funcionar – ele funcionou quando Baltimore teve Ray Rice em grande fase, além de WRs com coordenação motora. Hoje, porém, o ataque se limita a Joe: RBs não vão brotar no gramado e não há um recebedor minimamente confiável – se você confia em Maclin, você tem sérios problemas e aconselhamos procurar um médico.

Mas quando você olha ao redor, de certa forma, você percebe que Baltimore segue sendo Baltimore: há Suggs e CJ Mosley aterrorizando QBs; há Eric Weddle ainda extremamente confiável liderando uma unidade interessante, mas que oscila um pouco. Há Justin Tucker, o melhor K da NFL, e há John Harbaugh, um dos melhores HCs da liga.

Tudo isso é suficiente para três meses de temporada regular: controlar linhas ofensivas, forçar turnovers, fazer uma ou duas grandes jogadas por partida, posicionar a bola pouco ou nada a frente do meio campo enquanto aguarda um petardo de Tucker. Então, de repente, você está na briga por playoffs e ninguém ao redor da liga compreende de fato como diabos isso aconteceu.

Será que sabe mesmo?

Uma partida, duas sensações

O Ravens venceu o Texans no MNF da semana #12, mas esteve longe de um desempenho de encher os olhos – no início do segundo tempo, vaias e gritos “Vamos, Joe”, se misturavam nas arquibancadas. A relação do torcedor com seu QB é marcado por um misto de amor e ódio; gratidão e desilusão se confundem, enquanto passes de quatro jardas não são completados.

Dentro de campo a OL de Baltimore foi péssima contra uma defesa de Houston entediada – Jadeveon Clowney, sozinho indiretamente determinou o que o Ravens devia ou não fazer. Nem mesmo a defesa manteve o nível das partidas anteriores: foram seis faltas (uma ou outra inexistente) e a secundária passou vergonha contra DeAndre Hopkins; Brandon Carr, aliás, é uma das decepções do ano. Mesmo assim, foram dois turnovers fundamentais, forçados nos momentos certos.

Terrell Suggs, porém, continua a desafiar o tempo: foram dois sacks, o último deles forçando um fumble que praticamente selou a vitória do Ravens – embora o pass rush não tenha funcionado, ele apareceu quando mais era preciso e a torcida já flertava com a impaciência.

E para compensar a ineficácia ofensiva, Harbaugh precisou ser extremamente agressivo, arriscando em um fake punt e uma 4&1 ainda no primeiro tempo. Conversões fundamentais para colocar Baltimore no controle do jogo – John sabia que era uma partida em que vencer era a única alternativa.

Amor e ódio

E Flacco? Bem, ele terminou o jogo com 20 passes completos em 32 tentativas, para 141 jardas – uma média incrível de 4.4 jardas por tentativa. Ele também não teve nenhuma grande jogada; o momento em que mais chegou perto  disso foi em uma bomba lançada para Mike Wallace, aparentemente incapaz de escapar da marcação e alcançar a bola.

Foi terrível e agressivo aos olhos na maior parte do tempo, marcado pelo ar de decepção e pelos gritos de “C’mon, Joe”. Mas, claro, com Joe há sempre aquele ponto fora de curva, aquele grande momento solitário em meio ao mar de tristeza habitual: uma corrida de 25 jardas, para encerrar a partida, que faz cada torcedor do Ravens crer que Joe tem capacidade de ser melhor do que realmente é. Que na maior parte do tempo ele pode ser aquele QB que venceu New England em Foxborough em janeiro – e vendeu caro as derrotas.

E é aqui que chegamos ao velho debate, hoje quase uma piada. Nós lutamos contra o legado de Joe Flacco e parece cada vez mais provável que as próximas gerações também lutem: por que devemos valorizar alguns jogos incríveis de Joe enquanto temos diante de nossos olhos uma quantidade esmagadora de péssimas partidas?

Em 2017, Joe tinha 1734 jardas até a semana 12, com míseros 9 TDs e 11 INT – um rating de 74.4, pouco acima do pior de sua carreira (73,1 em 2013) – em algumas estatísticas isoladas, aliás, Flacco tem um ano pior que nomes como Trevor Siemian (rating) e DeShone Kizer (jardas passadas).

Ninguém aguentava mais.

Quando os números ao seu redor expõe uma realidade que você não quer ver, é preciso se agarrar àquilo que o faz seguir em frente, seja um poema de Allan Poe, um dos melhores seriados de TV da história ou, para o torcedor do Ravens, aquilo que seu quarterback pode se tornar em janeiro. É isso que mantém viva a relação entre Baltimore e Joe: o Ravens pode chegar aos playoffs e, se chegarem, Flacco pode ser diferente.

No fundo, sabemos que é mera ilusão de ótica, e na verdade o torcedor do Ravens está amarrado a Flacco ao menos até 2020 – em 2016 Baltimore assinou uma extensão de três anos com o QB, que lhe garantiu um bônus de US$ 40 milhões, além de US$ 44 milhões em dinheiro garantido.

Mesmo assim você não pode julgar um torcedor por se agarrar em falsas esperanças. Baltimore é tradicionalmente um lugar onde é preciso se agarrar a falsas esperanças, afinal lá há dois Poes, duas cidades e, claro, na melhor das hipóteses, dois Joe Flaccos.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Semana #3: os melhores piores momentos

A semana 3 já virou história. Entenda como quiser.

Porém, ao contrário dos milhões de veículos que falaram sobre a rodada da NFL (abraço para os amigos do Jornal Nacional, em especial William Bonner, leitor frequente do site), você sabe que aqui não teremos os melhores momentos ou uma análise política do que vem acontecendo nos EUA.

Sem mais enrolações, vamos para o que de pior aconteceu na rodada!

1 – Começando com o pé direito – Los Angeles Rams @ San Francisco 49ers

Antes do jogo todos nós, especialistas, acreditávamos que seria uma pelada. Talvez a partida não tenha sido a mais técnico da história do futebol americano, mas certamente foi a mais divertido da temporada (pelo menos até então).

Mesmo vencendo o jogo, os Rams protagonizaram um show de horrores. Especificamente os Special Teams dos Rams protagonizaram um show de horrores. Foram três turnovers gerados por algo que acreditamos ser ruindade aliada a burrice extrema. Confira conosco no replay:

Tavon Austin (sempre divertido lembrar do seu salário) não conseguiu segurar um punt e a bola ficou com San Francisco. Clique aqui para ver a merda sendo feita.

O guerreiro #10 dos Rams não percebeu que era só não fazer merda que a vitória estaria encaminhada e retornou o kickoff. A bola acabou com os 49ers. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte II.

São necessários muitos idiotas juntos para que um Onside Kick não seja recuperado. Verifique por conta própria os responsáveis pela pataquada. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte III.

Devolvam o Special Teams dos Rams que aprendemos a amar e respeitar.

2 – Richard Sherman: vai chorar na cama que é lugar quente.

Sherman conseguiu algo que poucos jogadores podem se orgulhar de ter no currículo. Ele cometeu três faltas em uma mesma jogada. Sua inteligência anulou uma interceptação do próprio time e ainda catapultou o ataque dos Titans da própria linha de 44 para a linha adversária de 30 jardas. Gênio.

Durante a jogada, ele cometeu uma pass interference e, após a INT, um holding.

Não satisfeito com as marcações dos juízes, ele reclamou e foi advertido por conduta antidesportiva.

3 – O mundo está repleto de imbecis.

O título é autoexplicativo.

3.1 – Por que alguns defensores são tão idiotas?

Uma coisa que nos incomoda – e deveria incomodar você também -, é quando algum defensor é batido, mas, por algum motivo que não a ação dele próprio na jogada, o passe é incompleto. A câmera então corta para esse defensor e ele celebra como se tivesse feito algo extraordinário. Não fez.

Na jogada que separamos vemos que o CB (desconhecido para nós) está um ou dois passos atrás do recebedor, mas o passe é muito longo e o avanço é zero. Isso não impede o jovem guerreiro #20 de achar que ele fez um ótimo trabalho.

3.2 – Ainda sobre comemorações idiotas de gente imbecil.

Quanto mais palavras dedicarmos a esse jovem, mais perderemos. Basicamente, o imbecil não viu o pedido de fair catch e fez um tackle nervoso. Saiu comemorando, até o momento que percebeu a bandeirinha amarela. Tem que malhar mais o cérebro e menos o braço, colega.

Como eu sou burro!

3.3 – Soltando a bola na beira da endzone 2: o inimigo agora é outro.

O lance mais sensacional da semana 3 ficou por conta do imbecil que esqueceu que você só marca touchdown quando entra na endzone. A jogada é inexplicável e só dá para entender vendo.

4 – Andy Dalton: ele é quem pensamos que ele era.

Pela terceira vez seguida, o famoso hat-trick, Andy Dalton está nos piores momentos da semana.

Dessa vez foi por não ver um recebedor livre logo a sua frente. Talvez a jogada não estivesse aqui se não fosse o ótimo trabalho de Tony Romo, que mostrou como Andy Dalton é burro – ou cego.

5 – Imagens que trazem PAZ.

5.1 –  Porque ver Pacman Jones passando vergonha é muito divertido.

5.2 – Todo mundo já ficou para trás quando andando em grupo porque parou pra amarrar o cadarço. Na NFL esse problema também existe.

5.3 – Se você vai ser um Linebacker ruim, pelo menos seja discreto. Além disso, o site não gosta de LBs que escolhem camisas na casa dos 40. Por tudo isso, sempre que possível traremos Alex Anzalone passando vergonha.

5.4 – Não é um momento horrível, mas ver Larry Fitzgerald em campo é muito divertido. Nesta jogada, ficou feio para o CB. Amamos você, Fitz.

6 – Virou passeio.

Porque nenhum fake punt com uma vantagem de 37 pontos deve passar batido. Parabéns ao Jacksonville Jaguars pela iniciativa. Tem é que pisar no pescoço mesmo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O único prêmio que premia uma atuação desastrosa de um jogador de renome.

Cam Newton lançou três interceptações – uma delas de forma muito especial – contra o que os Saints alegam ser uma defesa. Isso colaborou para que Carolina marcasse apenas 13 pontos contra New Orleans. Talvez os tempos de MVP nunca voltem mais. Parabéns, Cam!

Chateado.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Análise Tática #11 – Semana #1: O ataque dos Chiefs salvou a nossa vida

O jogo de abertura da temporada 2017 da NFL não poderia ter sido mais surpreendente. Alex Smith e Kareem Hunt comandaram a vitória da zebra Kansas City Chiefs sobre o atual campeão do Super Bowl New England Patriots por 42×27.

A vitória do Chiefs por si só já seria algo bem longe do esperado, mas as estatísticas produzidas por Smith e Hunt adicionam um elemento a mais à derrocada do Patriots. Smith, QB conhecido pela mediocridade de seus números,  lançou para 368 jardas e 4 TDs, completando 80% de seus passes, no provável melhor jogo de sua carreira. O rookie RB Kareem Hunt sofreu um fumble em sua primeira corrida como profissional, mas se recuperou com louvor: além de anotar 3 TDs, suas 239 jardas totais foram suficientes para bater o recorde de mais jardas conquistadas por um calouro em seu primeiro jogo.

A jogada a seguir mostra como Alex Smith e Kareem Hunt destruíram o todo poderoso Patriots. No shotgun, Smith tinha Hunt ao seu lado e três recebedores em marcação individual. O Patriots trouxe sete jogadores próximos à linha de scrimmage e deixou apenas um safety em profundidade.

Tyreek Hill, que estava posicionado no slot, na parte de baixo da tela, se deslocou para o outro lado do campo, alterando a marcação do Patriots.

Logo após o snap, o TE Travis Kelce, em uma rota cruzando o campo, atraiu dois marcadores, enquanto Hunt iniciava sua rota em profundidade.

Com Kelce recebendo a atenção de dois marcadores e com os WRs em marcação individual nas extremidades do campo, Hunt acabou marcado por dois LBs, naturalmente mais lentos que ele.

Smith soube aproveitar a vantagem do confronto contra os LBs e, com um passe perfeito, colocou Hunt em posição de anotar um lindo TD de 78 jardas.

O TD de Kareem Hunt foi muito bonito, mas a primeira semana da NFL também trouxe muitas performances horrorosas. Carson Palmer implodiu no jogo contra o Detroit Lions, lançando três INTs sofríveis. Em uma delas, Palmer tinha à disposição três recebedores em rotas em profundidade e o RB David Johnson em um rota curta, em direção à lateral do campo.

O problema é que o QB do Cardinals decidiu lançar exatamente onde havia apenas um defensor do Lions, que sem dificuldades fez a interceptação. Talvez algum dos recebedores tenha errado a rota, mas mesmo assim é um erro inaceitável, já que pelo menos três jogadores estavam em condições de receber o passe.

Outro time que fez nossos olhos sangrarem na semana 1 foi o Cincinnati Bengals. Além das quatro interceptações lançadas por Andy Dalton, a defesa também não fez grandes favores ao time, que acabou derrotado por 20×0 para o Baltimore Ravens. Na jogada a seguir, Jeremy Maclin talvez tenha anotado o TD mais fácil do ano. O Bengals colocou todos os jogadores na linha de scrimmage, sem nenhum safety em profundidade.

Maclin, na posição de slot, tinha uma rota slant, em diagonal em direção ao meio do campo. Seu marcador tentou acompanhá-lo, mas outro recebedor do Ravens, indo na direção contrária, o atrapalhou.

Com o congestionamento prendendo seu marcador, Maclin só teve o trabalho de receber o passe e anotar um TD completamente ridículo de fácil.

Elite é só uma questão de ser

O que você pensa quando pensa no Baltimore Ravens? Talvez venha a memória a vitória no Super Bowl XLVII, talvez você se lembre que o time tem sido deveras medíocre desde então, ou talvez você simplesmente dê uma risadinha ao pensar nas piadas “Is Joe Flacco Elite?

A verdade é que ninguém sabe o que esperar dos Ravens. Se em 2014/2015 eles quase derrotaram os Patriots em New England, no ano seguinte a campanha foi de 5-11. Já no ano passado, um meio-termo: 8-8, e a não-ida aos playoffs foi decidida por um touchdown de Antonio Brown no apagar das luzes.

Antes desse intervalo, temos uma temporada de 8-8 e, um ano antes, o título do Super Bowl em 2012, que já citamos. Voltando ainda mais no tempo, entre 2008 e 2012 Baltimore venceu pelo menos um jogo de pós-temporada em todas as temporadas, perdendo duas finais da AFC no meio do caminho.

Mas o que mudou? Por que a franquia perdeu a consistência de outrora para se tornar, hoje, um time medíocre (na plena acepção da palavra)? Afinal, não sabemos se o time escolherá no Top 10 do draft ou brigará de igual para igual contra Pittsburgh ou New England nos playoffs.

Uma das causas do declínio de Baltimore pode ser o salário de Joe Flacco. Desde que teve seu vínculo renovado, Flacco passou a ocupar uma parte considerável do Salary Cap, o que impediu o time de trazer reforços, ou manter quem era da casa – veja Kelechi Osemele, um dos melhores Guards da liga, hoje em Oakland, como um bom exemplo deste paradoxo. Ao mesmo tempo que expulsava outros talentos do time, Joe se mostrou incapaz de ser o carregador de piano que se espera de um QB Elite (sim, é uma piadinha infame).

Outra provável causa é a perda de jogadores que foram peças importantes durante a boa fase da equipe. Ray Lewis e Ed Reed se aposentaram depois do Super Bowl XLVII, e talvez nunca serão substituídos a altura – tratam-se de dois Hall of Famers. Além deles, os Ravens também não contam mais com Haloti Ngata, peça importante da linha defensiva campeã da liga. Já Terrell Suggs, a última âncora daquela defesa que continua na cidade, tem envelhecido e sua produção não é mais a mesma.

Squad goals.

Do outro lado da bola, Baltimore também viu algumas peças que davam identidade ao ataque deixarem a equipe. Desde a saída de Ray Rice, o time só teve um bom ano correndo com a bola – em 2014, justamente aquele que voltou aos playoffs. Além dele, Anquan Boldin também foi embora e, com as lesões de Denis Pitta, Joe Flacco não teve mais a mesma consistência de seus recebedores (sabemos que Steve Smith Sr jogou bem, mas sofreu com algumas lesões e, quando estava em campo, era praticamente a única peça confiável recebendo a bola).

Concluindo: a perda de peças importantes e a confiança em um quarterback razoável fizeram com que os Ravens se tornassem uma franquia extremamente irregular. Será a missão de John Harbaugh evitar que seu time continue navegando rumo a ilha da insignificância, onde habita o Cincinnati Bengals.

O único lugar do mundo em que Joe Flacco é rei

O ataque dos Ravens não foi bem em 2016 (vigésima quarta posição em DVOA). E em 2017, para piorar, contará com um Joe Flacco baleado e que corre o risco de não começar a temporada jogando, apesar do que diz a comissão técnica. Logo, a expectativa não é a maior do mundo.

Considerando que Joe esteja saudável, não acreditamos que isso fará muita diferença. Se você o assistiu jogando recentemente, sabe que ele não é o cara que vai inspirar um ataque. Flacco fará o suficiente para que seu time vença algo em torno de 6 jogos – qualquer record acima disso será fruto do time ao redor dele.

Nunca mais.

No corpo de recebedores, a aposentadoria de Steve Smith deixou um buraco. Sem ele, Baltimore ficou sem um autêntico WR 1. Mike Wallace já provou que não é capaz de cumprir a função; e Breshad Perriman, escolha de primeira rodada em 2015, tem lutado contra lesões e é uma incógnita. Jeremy Maclin foi contratado e poderá assumir o posto, considerando que já fez esse papel em Kansas City e na Philadelphia com algum sucesso. Vindo de um ano de lesão, porém, não sabemos se ele conseguirá. Por fim, Griff Whalen, talvez o gênio mais incompreendido de toda a NFL, fecha o grupo.

Nota do Editor: Houve uma briga muito grande sobre citar ou não Griff Whalen no texto, já que ele está enterrado no fundo do Dept Chart. Após ameaças de demissão, decidimos ceder.

Os RBs serão Terrance West e Danny Woodhead. Woodhead talvez seja o que inspire mais confiança, mas, além de ter dificuldades em se manter saudável, ele é mais eficiente recebendo passes do que carregando a bola. Já West teve no ano passado o seu melhor ano carregando a bola, com 4 jardas por tentativa. Conclusão: ele também não é a solução para o jogo corrido, mas é o que o time tem.

Dentre os TEs, podemos citar dois fatos: o primeiro é que você provavelmente nem conhece os caras. O segundo é que está todo mundo machucado. Maxx Williams e Benjamin Watson, que devem ser os titulares, são incertezas, já que voltam de lesões.

Por fim, a linha ofensiva, que não é um dos problemas da equipe, mas não conta com jogadores muito conhecidos – somos fiéis ao ideal de não encher linguiça com nomes que o amigo leitor nunca ouviu falar. Ronnie Stanley, escolha de primeira rodada em 2016, e Marshal Yanda, um dos melhores Guards da NFL devem ser os destaques do grupo. Além deles, os Ravens escolheram Nico Saragusa (quarta rodada) e Jermaine Eluemunor (quinta rodada) no último draft.

Os verdadeiros responsáveis por levar Joe Flacco longe

Baltimore resolveu reforçar a defesa durante a offseason. Tanto na free agency quanto no draft. Talvez Ozzie Newsome tenha finalmente percebido que não dá pra esperar que Joe Flacco seja o responsável por levar o time às vitórias.

A linha defensiva terá a volta de Brandon Williams, que renovou seu contrato e é um sólido DT, e Terrell Suggs, que já citamos, e, mesmo com a idade, ainda é um bom jogador. Para ajudá-los , foram escolhidos o DT Chris Wormley e o OLB Tim Williams. O grupo tem tudo para ser uma força essa temporada.

Já dentre os LBs, o excelente CJ Mosley será o comandante da unidade, que contará também com o rookie Tyus Bowser e o segundo-anista Kamalei Correa, de quem se espera uma evolução em relação ao seu ano de calouro. 

Ainda dói.

Na secundária, Brandon Carr, recém-chegado de Dallas, e Marlon Humprey, escolha de primeira rodada, chegam para acabar com os problemas da posição de CB 2. O bom Jimmy Smith será o CB 1. Por fim, os safeties titulares serão Eric Weddle, que foi muito bem em seu primeiro ano em Baltimore, e Tony Jefferson, jogador bastante underrated e que chega de Arizona.

O melhor para o final.

Não nos esquecemos de Justin Tucker, o melhor kicker da NFL. É o que diz a máxima: “quem tem Tucker pode sonhar.” Com ele em campo, os Ravens não precisam chegar muito perto da endzone para garantir alguns pontinhos – basta chegar ao meio do campo.

Palpite: Baltimore focou nos problemas da defesa durante a offseason, mas deixou o ataque com muitos buracos. John Harbaugh é um excelente técnico (o editor deste site aparentemente o ama), mas o time não conseguirá chegar aos playoffs, já que existem times melhores na AFC. Um 6-10 da vida é o que podemos esperar em 2017.

Confiamos em John Harbaugh (e temos Justin Tucker)

É difícil duvidar de certos times, sobretudo quando comandados por determinados treinadores; mesmo com um deprimente 5-11 na temporada que passou, foi a primeira campanha negativa de Baltimore em oito anos sob o comando de John Harbaugh: o Ravens nunca teve duas temporadas com aproveitamento inferior a 50% neste século – aliás, 2015 foi apenas a quarta vez, desde 1998, com mais derrotas do que vitórias. E a equipe sempre reagiu na temporada seguinte (10, 13 e 11 vitórias).

Vale lembrar que o 2015 do Baltimore Ravens foi marcado por lesões, tornando complexo analisar a temporada sem considerá-las determinantes: em dado momento 20 jogadores estavam no IR – eles ainda precisaram movimentar seu roster 100 vezes durante o ano, um número fora de qualquer padrão lógico.

Não é fácil perder seu QB1 (Joe Flacco), seu principal RB (Justin Forsett), seu melhor WR (Steve Smith), sua escolha de primeira rodada (o também WR Breshad Perriman) e seu melhor pass rusher (Deus, como sentimos saudade de Terrell Sugs). Perdas estas que resultaram basicamente em uma secundária que ocupou o último lugar em interceptações, um pass rush que passaria vergonha na CFL e um ataque com profundidade tão densa quanto a do Tietê.

Nada será como antes: esqueçamos 2015!

De toda a infinidade de lesões sofridas pelo Ravens na temporada passada, a de Flacco foi a mais significativa; é ele quem move o ataque e, bem, ruim com Joe Flacco, pior com Matt Schaub e Jimmy Clausen – mesmo que Flacco tenha tido números semelhantes aos de um Nick Foles com incontinência urinária.

Para 2016, proteger o lado cego (e consequentemente o joelho esquerdo recentemente reconstruído) de seu QB será fundamental. Aliás, o próprio Flacco assumiu que não sabe como reagirá a sua primeira pancada – algo natural, claro.

Agora, o responsável por protegê-lo será o OT Ronnie Stanley, vindo de Notre Dame e escolhido na primeira rodada do draft. Stanley tem potencial para se tornar um bom left tackle, contando com seu físico para manter a pressão longe do pocket. De qualquer forma, até Stanley passar pelo processo natural de adaptação à NFL, é bem provável que Flacco sofra. Aliás, se Ronnie Stanley possuir coordenação motora para parar em pé sem tropeçar em suas próprias pernas, ninguém sentirá saudades dos últimos momentos do antigo dono da posição e recém aposentado Eugene Moore.

Mas a grande perda linha ofensiva será Kelechi Osmele, que assinou com o Oakland Raiders – Ryan Jensen deve ocupar seu lugar, mas a verdade é que eficiência é uma palavra que nunca pareceu fazer parte de seu vocabulário.

Acabei de ver meu saldo.

Acabei de ver meu saldo bancário.

Busca pelo equilíbrio

O envelhecimento do setor ofensivo é outra questão chave para Baltimore: Steve Smith já está com 37 anos, o G Marshall Yanda completou 31 recentemente e Justin Forsett é um running back com 30 primaveras completas e voltando de lesão. É um time construído para vencer imediatamente: não há tempo a perder.

Porém, para ajudar os já citados Forsett e Smith, Baltimore achou uma boa ideia trazer uma dupla composta pelo WR Mike Wallace (que reprovou no teste físico pré training camp; um atleta profissional reprovar no training camp equivale a um motorista reprovar no exame psicotécnico na busca por sua CNH) e pelo RB Trent Richardson. Dois cidadãos que somados tem o valor semelhante a um saco de bosta (o que só valida nossa teoria do absurdo que é tantos não-jogadores recebendo inúmeras oportunidades enquanto Tim Tebow segue, literalmente, esperando). Richardson, porém, durou apenas dez dias e já não está mais entre nós – porém o simples fato de um time ainda cogitá-lo para qualquer função que não seja segurar Gatorade na sideline, é assustador.

Já para auxiliar o que restou do TE Dennis Pitta, o escolhido foi Benjamin Watson, que veio de New Orleans e, se for um ser humano digno, tem um acordo com Drew Brees para encaminhar metade do salário para seu antigo QB pelo restante de sua carreira.

Alguém nos ajude

É difícil prever como Steve Smith irá retornar, afinal ele já está com 37 anos e lesões no tendão de Aquiles costumam ser cruéis – mas também já aprendemos a nunca duvidar de Steve Smith. Outra incógnita é o quanto Breshad Perriman pode render. E já que Mike Wallace tem tanta credibilidade quanto uma nota de US$3 e Dennis Pitta não possui uma célula saudável em seu corpo, é provável que Kamar Aiken (75 recepções para 944 jardas em 2015) se torne a principal válvula de escape de Joe Flacco.

Restará a Baltimore torcer para um maior protagonismo ao seu jogo corrido; mas vale lembrar que Forsett não foi eficaz no ano que passou (média de 4,2 jardas por tentativa, compensadas pelas mais de 30 recepções). Dessa forma espera-se que o rookie Kenneth Dixon, que teve uma boa passagem por Louisiana Tech e surpreendeu no combine, possa preencher esta lacuna.

E se ofensivamente nada der certo, sempre será possível chegar pouco além do meio campo e confiar em Justin Tucker – possivelmente um dos únicos kickers, essa raça desnecessária, que possa ser considerado gente.

Sou kicker mas sou legal.

“Sou kicker mas sou legal”.

Retornando das cinzas

O Ravens de 2015 começou a ruir quando o tendão de Aquiles de Terrell Suggs rompeu, logo na primeira partida da temporada. Era o sinal de que, bem, não seria um bom ano. Como já citamos, a lesão de Suggs somada, claro, a outros fatores, levou todo o sistema defensivo de Baltimore a um colapso.

Aos 33 anos, Terrell pode não retornar 100% fisicamente, mas com metade de seu potencial a situação melhorará significativamente – o que só reitera a tragédia ocorrida na última temporada, quando exceto Elvis Dumervil nenhuma alma se salvou e pressionou minimamente o quarterback adversário.

A secundária é outra incógnita: o CB Jimmy Smith já demonstrou potencial, ao permitir apenas seis touchdowns em suas primeiras quatro temporadas (em 2015, porém, foram seis sob sua cobertura). Outro fator que pode ser fundamental para melhorar o setor é a presença do FS Eric Weedle, contratado na free agency após deixar San Diego. Eric tende a aliviar a carga de trabalho tanto de Smith, como de Lardarius Webb e com certeza preencherá o buraco deixado desde a partida de Ed Reed, em 2012.

Ser hater é um hobby

É legal odiar Flacco, podemos tornar isto público sem maiores ressentimentos. Mas faremos isso se o Ravens assumir que comprometeu seu futuro ao renovar o contrato do QB por valores absurdos. Ok, Flacco lhes deu um Super Bowl, o que não é pouco e gratidão é algo em falta da humanidade, mas depois disso… Aceitemos: Flacco é um bom quarterback, mas ganha como MVP. Só essa temporada irá custar US$22,5 milhões – e em 2020 ganhará quase US$30 milhões. Ele será o QB do Ravens por mais quatro ou cinco anos: até lá Flacco segue jogando e eu continuo com raiva. E assim persistimos com esse impasse.

Palpite: John Harbaugh é um grande head coah e não precisa provar nada a ninguém: algum milagre ele fará se o asilo dos Ravens se mantiver minimamente saudável – o que significa que Harbaugh precisa que basicamente eles permaneçam em pé. Jogar contra o Browns duas vezes é uma benção, a tabela parece razoável e oito vitórias não soa como nenhum absurdo. Elas virão, mas também não irão levar Baltimore aos playoffs (Tom Brady agradece). Não será agradável de assistir, mas ao menos não fará nossos olhos sangrarem.