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Cleveland, Joe Thomas, LeBron e Mayfield: uma nova (velha) cidade 635 dias depois

O que você faz em 635 dias?

Não existem canções de amor para Cleveland – ou, se elas existem, bem, não conhecemos. Mas não é como se ela precisasse de sua própria versão para “Sweet Home Alabama”.

Cleveland está no meio do nada, as margens do Lago Erie, em algum lugar entre a Pennsylvania, Michigan e Indiana; como quase tudo nessa vida, claro, localização é mera questão de perspectiva. Não que um estrangeiro não consiga se apaixonar por ela; é calma e aconchegante, diferente dos grandes centros dos EUA. Mas também vazia: desde 1950, a cidade perdeu mais da metade de sua população.

Cleveland agora está em uma encruzilhada entre passado e futuro: andar por suas ruas é como visitar décadas diferentes. Você vê pessoas em esquinas tentando se esconder do frio e, três quarteirões depois, está em um típico bairro de algum subúrbio norte-americano de classe média. E se o centro é limpo e agradável, repleto de vida, normalmente orbitando seus hospitais – a cidade, inegavelmente, é referência em saúde –, a leste, a poucos passos dali, você entra em um deserto pós-industrial.

Cleveland está para baixo”, conta-me um morador de rua, que vive próximo ao First Energy Stadium, casa do Cleveland Browns. “Só quero voltar para Chicago”, continua, antes de me mostrar a direção correta.

someone sed i should write

something constructive

about east cleveland”

Turistinha procurando clichês.

Literatura

Darryl Allan Levy (d.a. levy) morava próximo ao rio Cuyahoga, que desaguá no Lago Erie. Ele olhava pela janela e via a ponte Lorain-Carnegie e os “Guardians of Transportation”, esculturas que dão vida àquela passagem. Ele via Cleveland como ela era, mas sempre a imaginava além, queria mais para sua cidade.

Diariamente escrevia seus próprios poemas e, depois, caminhava sobre a ponte – mas ninguém que o via ali conseguiria imaginar que Levy se tornaria uma figura central na contracultura de Cleveland e, como consequência, seria alvo da polícia graças a sua literatura “subversiva”.

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Em 1964, Levy passou uma temporada em Nova York, lendo sua poesia pelos cafés da cidade, mas sempre se queixara do espírito cosmopolita da cidade: “Quase odeio aqui – quero a Cleveland confortável, sofisticada e indiferente”, escreveu a um amigo.

Queixava-se que a cidade que amava não era representada como merecia na literatura; falava sobre Sandburgh, Crane e Williams e como Chicago ou o Brooklyn tinham grandes obras literárias.

Por isso, provavelmente, escreveu “Cleveland Undercovers“, repleto de alusões aos naufrágios no Lago Erie, ao Assassino do Tronco, famoso serial killer que assombrou o estado de Ohio na década de 30, ou ainda profanando Moses Cleaveland, fundador da cidade. Levy é a versão beatnik de Ohio, que o ungiu, da mesma forma que Jack Kerouac e Allen Ginsbergm, a porta-voz de uma juventude que se rebelava para quebrar antigos costumes.

Roteiro fácil, claro, o apreço pela maconha e pelo LSD fez de Levy um alvo da polícia. Em 1966 ele foi indiciado e no ano seguinte acabou preso, sob a acusação de “contribuir com a deliquência”; ele havia permitido que menores de idade lessem seus poemas, permeados por sexo e drogas, algo considerado obsceno na época.

Sua prisão colocou Cleveland no centro de uma discussão nacional e nomes como o próprio Ginsberg e Gary Snyder (vencedor do Pulitzer em 1975) sairiam em sua defesa. Mas Levy nunca se recuperou do episódio e em 1968 confidenciou a vários amigos que deixaria a cidade. Em 24 de novembro daquele mesmo ano, ele se suicidou.

Cleveland, eu dei-lhe

os poemas que ninguém nunca

escreveu sobre você

e você não me deu

NADA”

Há ainda muito de seus poemas naqueles que vivem em Cleveland: você a ama, não quer deixá-la, mas ela não consegue lhe oferecer nada em troca. Então, caso insista em ficar, você precisa se apegar a algo e, bem, só existem três opções. Mesmo que elas teimem em lhe maltratar.

Algo a se apegar: basquete

Na offseason de 2010, LeBron James fez tudo errado. Hoje ele sabe disso. Sua quase cidade natal ligou-se a ele, mas ele decidiu cortar essa ligação da pior forma possível para que o rejeitassem com tanta força que James acabaria em um limbo, uma fadiga mental e física, da qual ele só conseguiria sair mais de um ano depois, durante as finais da NBA de 2011 – para então conquistar seus dois primeiros títulos.

Mas ele nunca se esqueceu do que aconteceu e, no fundo, sempre quis ser perdoado. Quatro anos depois, na offseason de 2014, o roteiro já estava escrito – e ele não se transformou em um reality show televisionado, como em 2010.

James não disse uma palavra. LeBron sequer insinuou algo ou especulou sobre sua decisão: ele a anunciou em um misto entre declaração de amor e pedido por perdão. E então voou para o Brasil assistir a Copa do Mundo.

Logo no primeiro ano, Cleveland retornou as finais da NBA, mas parou no Golden State Warriors. Há uma frase de David Blatt, técnico do Cavaliers na época, capaz de sintetizar o sentimento da cidade em relação aos esportes: “Estamos em Cleveland: nada é fácil por aqui”.

Mas no ano seguinte, LeBron e o Cavs recuperaram um déficit de três jogos para derrotar o mesmo Warriros e dar um título a cidade após 52 anos.

Quando retornou, James escreveu:

“Antes de qualquer um se importar com o lugar onde eu iria jogar basquete, eu era só um garoto do noroeste do estado de Ohio. Foi lá que eu andei, corri e chorei. É onde eu sangrei. É um local que tem um lugar especial no meu coração. As pessoas lá me viram crescer, eu quero dar a eles tanto quanto puder. Quero inspirá-los quando eu puder. Minha relação com o noroeste de Ohio é maior do que o basquete”.

É mais simbólico do que pode parecer e é provável que você só compreenda quando passar por Cleveland. “Meus primos, por exemplo, foram embora de Cleveland. Talvez como LeBron fez, agora eles possam pensar um dia em voltar”, me confidenciou um atendente de um Starbucks no caminho para a Quick Loans Arena, em novembro de 2017 – horas antes do Cavs vencer o Pistons pela temporada regular da NBA.

Destino: felicidade.

Kyrie Irving acabara de partir para Boston; a outra estrela do Cavs também havia recém deixado a equipe. Pergunto como a cidade lidara com um novo abandono. “Se James aprendeu ao partir, nós também: não temos nenhuma mágoa e, bem, lembra daquele arremesso no ano passado?”, diz o jovem, ao relembrar a cesta que garantiu o primeiro título para a franquia. Como já dissemos, a relação da cidade com o esporte, vai além de qualquer simbolismo tangível para aqueles que não estão lá.

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Antes de sair, relembro a conversa com o morador de rua e confesso que gostei mais de Cleveland do que de Chicago, por onde havia passado dias antes – ele se assusta, e pergunta se eu poderia viver ali.

Claro”, respondo. “Bom, não é uma cidade moderna, normalmente é cinzenta, mas você não verá trânsito e o aluguel é barato. Então não descarte essa possibilidade”, diz, antes de se despedir.

Algo a se apegar: football

Você pode não acreditar, mas nas ruas de Cleveland, existe apenas uma pessoa tão respeitada como LeBron James: não é absurdo cravar que a devoção por Joe Thomas está no mesmo patamar. E para entender essa relação, é preciso voltar para 2007: LeBron perderia sua primeira final da NBA naquele ano, mas o Browns tiveram aquele que continua sendo sua melhor temporada na última década.

Cleveland venceu 10 partidas no ano de rookie de Joe Thomas e ele foi ao Pro Bowl pela primeira vez na carreira (ele seria selecionado para o jogo das estrelas em todas as temporadas entre 2007 e 2016). Parecia o desenho de anos promissores, mas o Browns entrou em um espiral de disfunção e desde então foram seis HCs, uma infinidade de OCs e, bem, se contamos direito, 21 quarterbacks iniciando uma partida como titular até o último TNF contra o Jets.

Voltando a Joe Thomas, é difícil expressar o que um LT pode representar para uma organização – a dimensão dos feitos na posição raramente são mensurados por números, mas mesmo assim, Joe conseguiu quebrar essa barreira; ele esteve em campo em todos os snaps até uma lesão (posteriomente) encerrar sua carreira. Ele foi ao Pro Bowl em todas as temporadas que completou. E ele nunca deixou Cleveland.

Hoje entendo LeBron, claro, mas Joe nunca foi embora: ele nos escolheu”, me conta o vendedor da loja oficial do Browns no First Energy Stadium. “Bem, é óbvio que Jim Brown é o maior jogador da história do Browns – não por acaso há uma estátua dele logo ali. Mas mesmo assim, era outra época, uma época em que mesmo o Cleveland Indians havia vencido poucos anos antes, então é difícil expressar o quanto amamos Joe”.

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Em 10 anos, Joe viveu apenas uma temporada com mais vitórias do que derrotas. Seu maior feito, porém, não está dentro de campo: Joe conseguiu ensinar para uma cidade que esporte é muito mais do que vencer; é sobre querer estar onde se está e, por mais difícil que pareça, ser alguém a quem é possível se apegar enquanto a maré não acalma é tão representativo quanto qualquer troféu.

Ame este homem.

Novos ventos

O que você faz em 635 dias? Nesse período o Cleveland Browns perdeu. Mas no TNF da semana 3 desta temporada, Baker Mayfield deu ao Browns algo que ele não tinha há 635 dias: uma vitória.

Substituindo Tyrod Taylor após uma concussão, a primeira escolha geral do draft de 2018 explodiu uma vantagem de 14 pontos do New York Jets contaminando o estádio com um sentimento até então distante: esperança. E inspirando torcedores ao redor do PLANETA a torcer por um franquia até então motivo apenas de COMPAIXÃO.

Ao final de seu primeiro drive, Mayfield já tinha mais jardas do que Tyrod Taylor havia conseguindo em praticamente dois quartos – ele terminaria a partida com 17 passes completos em 23 tentativas para 201 jardas. Assim que Baker pisou em campo, parecia que o Browns havia desbloqueado diversas jogadas antes travadas em seu playbook – ele simplesmente era capaz de fazer o que Tyrod não conseguia.

O cenário em que tudo isso ocorreu dificilmente seria pensado por um ótimo roteirista especialista em CLICHÊS: jogo transmitido nacionalmente, três escolhas de primeira rodada do último draft e, bem, um running back correndo entre o estádio e o hospital enquanto esperava o nascimento de seu primeiro filho – no dia do seu aniversário.

Tudo é épico na vitória comandada por Mayfield: ele levou a equipe a um FG na primeira campanha, recebeu uma conversão de dois pontos ao final do terceiro quarto para empatar a partida e viu o então futuro pai, Carlos Hyde, anotar o TD da vitória.

Direto do túnel do tempo.

O caminho até ali

Nos primeiros 28 minutos de partida Cleveland foi o que havia sido nos últimos anos: uma equipe apática. O ataque estava imóvel enquanto Tyrod Taylor lutava contra sua própria incapacidade (foram quatro passes completos em 14 tentativas) e a de seus companheiros – Antonio Callaway deixou um TD fácil escapar e o jogo corrido simplesmente não fluía.

Para tornar tudo ainda mais cruel, Isaiah Crowell, ex-Browns, anotou dois TDs – no segundo, moleque travesso e rancoroso (rancor, o sentimento mais belo que um ser humano pode cultivar e alimentar), limpou-se com a bola e atirou na arquibancada. Mas logo depois Taylor precisou sair de campo e, com 1 minuto e 23 segundos no relógio, Baker entrou em campo disposto a interromper anos de sofrimento.

Dilly dilly!

Após a vitória, Joe Thomas perguntou a Mayfield onde ele encontrara confiança para jogar, já que não havia treinando como titular durante a semana. “Por mais engraçado que isso possa parecer, foi assim minha vida inteira”, respondeu, antes de perguntar. “Os bares ainda estão abertos? Dilly dilly!”, disse, se referindo a promessa de cerveja gratuita em caso de vitória dos Browns.

Na última quinta-feira, Baker não ganhou apenas um jogo, ele ganhou o direito de construir sua própria narrativa na NFL – assim como já havia feito em sua carreira universitária, onde escreveu sua história semana após semana. Mayfield não apenas derrotou os Buckeyes em Ohio; eles os derrotou e cravou a bandeira de Oklahoma em pleno Ohio Stadium.

Ele não apenas conquistou a titularidade em Texas Tech em seu primeiro ano; ele o fez e então se transferiu para Oklahoma, não apenas inspirando pessoas a fazerem camisas o criticando – ele as comprou para vestir. Mas como o próprio Baker disse após o jogo: “Passado é passado. Você precisa apertar o botão de reset e dar o próximo passo em frente”.

Agora não importa mais se Cleveland teve um dos maiores jogadores da história do basquete (e indiscutivelmente o melhor de sua geração) por 10 anos e o transformou em apenas um título. Não mais importa se Cleveland teve o melhor OT da história da NFL e não conseguiu nada além do que transformá-lo em um símbolo para cidade.

Na última quinta-feira, tudo valeu a pena, afinal, 635 dias depois, Cleveland bebeu cerveja de graça.

Sobre Hard Knocks e esperança

A introdução do Hard Knocks, documentário feito sobre a pré-temporada do Cleveland Browns, traz a pergunta que todos devem se fazer na cidade; o tipo de pergunta que dói só de pensar. Afinal, pela segunda vez em cinco anos, e após ter finalmente trazido o título que sentia que devia à sua cidade de nascença, LeBron James deixa Cleveland para uma cidade maior, mais uma vez deixando todos os habitantes apaixonados órfãos de esporte.

Para esse vazio nos corações, considerando que os Cavaliers já produziram alegrias demais e gastaram toda a sorte com jogadores ao ter LeBron por uns 10 anos (e os Indians jogam beisebol), temos os Browns. Um time que não chega aos playoffs desde 2002 (com Kelly Holcomb – não vamos fingir que conhecemos) e conseguiu a incrível façanha de não ganhar nenhum jogo em 2017.

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Também em Hard Knocks, vemos toda a mandinga de Hue Jackson, cumprindo a promessa de mergulhar no gelado Lago Erie (promessa feita caso não ganhasse nenhum jogo em 2017) na tentativa também de esfriar um pouco seu assento – sabe bem que, se não produzir em 2018, sua posição como Head Coach sequer durará até novembro.

Não à toa, para tentar fazer valer a promessa, com a primeira escolha do draft, além de seu estilo marrento (contrastante ao máximo com a dedicação sinistra de Tyrod Taylor, seu “mentor”) e sua altura levantando dúvidas durante os primeiros estudos no draft, aí está Baker Mayfield, vencedor do Heisman de 2017, que recebe a mesma pressão pela qual já passaram, por exemplo, Brandon Weeden, Johnny Manziel e outros 47 jogadores ao longo da história (QBs draftados pelos Browns, sim).

Como sempre, tudo leva a crer (e, no caso dos Browns, já estivemos errados com certa frequência) que ele tem todo o talento suficiente para trazer a virada para essa franquia.

Dilema de quarterbacks

Na verdade, chamar de dilema tem muito mais a intenção de criar impacto do que expor a realidade. Tyrod Taylor, que foi rejeitado pelos Bills (e substituído por um sem número de QBs bizarros, entre McCarron e Peterman) mesmo depois de ter sido o primeiro QB a levá-los aos playoffs desde Doug Flutie, veio através de uma troca por uma escolha de terceira rodada.

Se parece muito, vale lembrar que os Browns escolheram Cody Kessler e DeShone Kizer, hoje QBs reservas em Jacksonville e Green Bay, por esses rounds. E, apesar de claramente ter a capacidade de liderar um ataque com o talento que listaremos em Cleveland, os Browns precisavam de esperança de verdade para acertar de uma vez por todas.

Esse alguém é o dono do motorhome estacionado no CT dos Browns (que, divertido lembrar, contava até com um mordomo próprio chamado Brogan Roback, que se disfarçou de undrafted free agent para servir Mayfield e cia).

Jovem defesa, velho carrasco

Provavelmente, não existem muitos caras mais xaropes na NFL que Gregg Williams (sempre válido lembrar, a principal mente por trás do bountygate Saintista) – basta assistir suas entrevistas e aparições em Hard Knocks para ter vontade de desvalorizar a defesa e até simpatizar com Todd Haley, o coordenador ofensivo.

De qualquer forma, a reconstrução dessa defesa continua com novas jovens estrelas. Myles Garrett, que já aterrorizou a liga em apenas 11 jogos em 2017 com sete sacks, está finalmente saudável e o céu é o limite para ele. Oposto a ele, estará Emmanuel Ogbah, que teve como principal elogio ao seu potencial a decisão de Cleveland de não escolher Bradley Chubb na quarta posição desse draft por acreditar em sua força para complementar a grande estrela dessa defesa. Na posição de DE, sentiremos falta de Carl Nassib, cortado após os waivers, e que deu aula de investimento para os companheiros de linha defensiva.

Ao invés de Chubb, veio o CB Denzel Ward, de Ohio State (ou ali da esquina, como diriam em Cleveland), já com a responsabilidade de ser o CB1 oposto a Terrance Mitchell, que teve algumas boas aparições pelos Chiefs, mas será titular de verdade pela primeira vez na carreira – provavelmente marcando o slot, enquanto EJ Gaines, que foi trocado em 2017 por Sammy Watkins (junto com uma escolha de segunda rodada, claro). O único a retornar de 2017 nessa secundária é Jabrill Peppers, que será safety junto com Damarious Randall, CB vindo de Green Bay convertido (draftado como S, virou CB, e agora volta à posição original).

Complementando a defesa, Christian Kirksey, é o grande líder do sistema, e James Collins, aquele que tenta trazer a cultura dos Patriots para os Browns – vai dar certo, pode confiar.

Não sei como, apenas façam funcionar

Como tudo em Cleveland, a equipe de suporte do QB móvel (veja bem, em todos os sentidos) é um trabalho em construção. Ao menos, existe um ponto de referência, de um jogador acostumado a jogar em ataques medíocres, agora que Joe Thomas, o left tackle lendário e para sempre injustiçado, desistiu de jogar  e resolveu ser feliz: Jarvis Landry, WR que, ao menos ainda, não é tão lendário assim, aceitou 75,5M de dólares ao longo de cinco anos para tentar fazer parte da reconstrução da franquia – e ele se esforçou para parecer um líder dos jovens WRs dos Browns.

Landry é um recebedor extremamente confiável (vide os vídeos bizarros em que o vemos agarrando qualquer bola lançada de qualquer jeito); utilizado especialmente como válvula de escape com passes curtos em Miami, vide suas 400 recepções nos 4 primeiros anos de liga, um recorde.

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Com esse estilo conservador (que deverá ajudar a abrir espaços para Tyrod/Mayfield), é preciso ter complementos interessantes para adicionar ideias ao ataque: na figura de Josh Gordon, outro da lista de “grandes talentos atrapalhados pela maconha” (tanto por estupidez da liga como dele), os Browns têm exatamente isso – se Gordon chegar a qualquer coisa próxima do que conseguiu quando entrou na liga (nos já distantes 2012/13), em que produziu 137 recepções, 14 TDs e 2451 jardas em 30 jogos, essa dupla é algo próximo do que todo QB sempre sonhou.

Ainda na linha de recebedores para os quais Hue Jackson e Todd Haley terão que ser criativos, podemos adicionar David Njoku, escolha de primeiro round que não teve oportunidades suficientes para explorar toda sua capacidade atlética, além de ter enfrentado probleminhas com drops. Outra arma interessante é Duke Johnson, RB que produz muito mais com recepções (74 para 693 jardas em 2017), e deverá fazer suas aparições no slot e em 3rd downs.

Como companhia, Johnson terá Carlos Hyde, que produziu 1290 em 299 toques no ataque de Kyle Shanahan em San Francisco, na primeira temporada saudável da carreira – para motivar, no seu cangote estará Nick Chubb, jovem estrela vinda de Georgia e escolhido no segundo round do draft e que fez uma boa pré-temporada, apenas para aumentar a competição por ali.

Se as skill positions parecem prontas para explodir, a responsabilidade da linha ofensiva fica ainda maior. Chris Hubbard, ex-titular dos Steelers, deve fazer companhia para Kevin Zeitler, uma grande aquisição na free agency de 2017, do lado direito da linha; JC Tretter, que também desembarcou no ano passado, é o Center; por último, as principais novidades vêm no lado esquerdo: Austin Corbett foi selecionado na primeira posição do segundo round para cuidar da lugar que era de Joel Bitonio, promovido ao blind side, com o desafio nada simples de substituir o cara mais legal que já pisou em Cleveland.

Com tantos nomes interessantes, será ao menos divertido assistir o desenvolvimento do ataque de Tyrod Taylor para, em seguida e ao longo de muitos anos, ser o ataque de Baker Mayfield, o QB que funcionou em Cleveland (você leu aqui primeiro).

Palpite:

Enfrentando times medianos na AFC North, como Ravens e Bengals e a duvidosa AFC West, está claro que Cleveland poderá fazer um número razoável de vitórias e trazer alguma alegria para seus torcedores. Se o ataque encaixar, nove vitórias e chegar aos playoffs é algo possível – apenas para vermos Tyrod Taylor surpreendendo a todos de novo. A aposta segura, porém, fica na casa das 6 ou 7 vitórias, Baker Mayfield jogando cinco jogos mais ao final da temporada e novas toneladas de esperança para o sofrido povo de Cleveland – convenhamos, já seria um 2018 brilhante.