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Power Ranking Offseason #2 – Março

Não escondemos de ninguém que é muito mágico projetar a força de equipes sem vê-las jogando. Ano após ano  caímos nessa, mesmo sendo criados no país que gerou a inesquecível seleção de 2006, o melhor time do mundo quando o assunto é papel.

Por isso, já com muitas mudanças em relação a temporada 2017/18, tudo que está escrito abaixo tem uma enorme chance de se provar uma enorme asneira em setembro. Enfim, do jeito que a gente gosta.

1 – Philadelphia Eagles (1)

O melhor time da NFL teve reforços pontuais nas posições em que sofreu perdas. O maior “desfalque” em 2018 será Torrey Smith, mas não podemos sequer chamá-lo de desfalque.

2 – Los Angeles Rams (5)

Aqib Talib e Marcus Peters em uma secundária comandada por Wade Phillips é assustador. Já amávamos os Rams e eles conseguiram nos dar ainda mais motivos para continuarmos essa relação. Que sejo eterno enquanto dure.

3 – Minnesota Vikings (8)

Será mesmo que Kirk Cousins um upgrade em relação ao Case Keenum de 2017? Talvez não muito, mas o time é o mesmo e poderia ter vencido o Super Bowl não fosse uma noite de histeria coletiva na Philadelphia.

4 – New England Patriots (2)

O time sofreu diversas perdas no mercado e, pelo menos na última offseason, as movimentações de Bill Belichick não se mostraram tão acertadas. Mas duvidar dos Patriots é o caminho mais fácil pra ter a boca calada em janeiro/fevereiro.

Acabou?

5 – New Orleans Saints (3)

O Saints sempre se reforça de forma estranha, mas, reforços à parte, o time que vem de 2017 é extremamente competitivo. Com a volta de Drew Brees e um ano mais experiente, a equipe pode fazer barulho. Pena que só descobriremos em seis meses.

6 – Atlanta Falcons (4)

Os nomes que deixaram a franquia, assim como os que chegaram, não mudam o fato de que é um time forte e jovem. Porém a franquia não fez nada demais até aqui na offseason, assim fica difícil falar bem em um mundo em que o que importa é o que está bombando agora no Twitter.

7 – Jacksonville Jaguars (6)

O time manteve Blake Bortles, mas contratou Andrew Norwell para tentar correr ainda mais com a bola. No entanto, contratar Donte Moncrief e renovar com Marqise Lee foi pior do que renovar com Allen Robinson. Apostar na defesa novamente talvez seja arriscado.

8 – Pittsburgh Steelers (7)

Poucas mudanças, como era de se esperar. A dúvida fica por conta de LeVeon Bell, que quer um contrato novo (e de preferência que não seja de apenas um ano).

9 – Kansas City Chiefs (9)

O ataque promete ser no melhor estilo dedo no cu, gritaria e bola longa. Pode dar certo, pode dar errado, mas será divertido. Não sabemos o que esperar da defesa, mas Eric Berry de volta aquece o coração de toda e qualquer pessoa de bem.

10 – Green Bay Packers (11)

Os reforços da Free Agency foram bons, mas seriam excelentes se estivéssemos em 2014. De qualquer forma você já sabe que só um nome importa em Green Bay: DeShone Kizer Aaron Rodgers.

R-E-L-A-X.

11 – Los Angeles Chargers (15)

Estamos há tempos removidos daquele mês de setembro em que os kickers de San Diego chutaram até tiro de meta para fora. O time é bom, mas sempre encontra maneiras revolucionárias de perder, mas não na offseason.

12 – San Francisco 49ers (12)

Richard Sherman pode se mostrar um baita reforço, e o ataque só deve evoluir. Jimmy continua e continuará lindo.

13 – Carolina Panthers (10)

Um time que perde um Guard All Pro e troca um bom CB jovem por um WR decadente só merece cair na nossa lista.

14 – Houston Texans (13)

Os reforços até que foram interessantes, mas o que importa mesmo é saber se JJ Watt e Deshaun Watson voltarão com tudo.

15 – Baltimore Ravens (17)

Melhorar na posição de receiver só não era mais difícil que piorar, e os Ravens melhoraram (um pouco). O time, assim como Joe Flacco, ainda não inspira confiança.

16 – Dallas Cowboys (16)

Quase nada mudou. No time e no nosso Power Ranking. Ainda não sabemos se Dak Prescott é bom (2016) ou ruim (2017).

17 – Detroit Lions (19)

O time parece empenhado em fazer o jogo corrido voltar a funcionar, pena que com as escolhas erradas. Porém, os jogos mais divertidos do primeiro horário você só vê aqui.

18 – Tennessee Titans (20)

Qualquer movimentação interessante fica desinteressante quando sabemos que foi feita pelo Tennessee Titans. Pelo menos se livraram dos pesos mortos (Murray, Mularkey, Decker).

19 – Chicago Bears (26)

Candidato fortíssimo ao “Los Angeles Rams de 2017”, esse time está a um Sean McVay e um salto do naipe Goff-16>17 de ser interessante.

20 – Seattle Seahawks (14)

A franquia tenta, a cada ano, diminuir o número de jogadores de verdade que jogam ao lado de Russell Wilson. O último que sair apague a luz.

Rindo, mas de nervoso.

21 – Tampa Bay Buccaneers (23)

Talvez agora, no segundo ano do “agora vai”, o time, enfim, vá.

22 – Denver Broncos (21)

Case Keenum é um upgrade na posição mais importante do jogo, mas não é como se estivéssemos falando de Peyton Manning. E será que a defesa ainda é tão forte? Talvez não.

23 – Cleveland Browns (32)

Isso mesmo, nenê! Na offseason você não perde todos os jogos que disputa e, no caso dos Browns, você pode fazer movimentos interessantes. Tyrod Taylor não é a solução, mas pode tomar conta das crianças enquanto vocês ajeitam os horários de trabalho.

24 – Oakland Raiders (22)

A defesa ainda conta com vários “ninguém” esperando Khalil Mack fazer algo. O ataque não inspira confiança, e Jordy Nelson está mais próximo da aposentadoria do que das 1000 jardas.

25 – Buffalo Bills (18)

O time está em claro rebuild, mas por enquanto as escolhas do draft ainda não formam um time. E é melhor que o QB escolhido comece jogando no dia 1, por motivos de Nathan Peterman.

26 – Washington Redskins (27)

Porque pela primeira vez em anos a franquia finalmente tem o QB que quer. Uma pena que o time não seja tão bom.

27 – New York Jets (29)

A franquia vai atrás de um QB no draft, isso está bem claro. O resto do time talvez já seja melhor que o que estava disponível em 2017.

28 – Cincinnati Bengals (31)

Um Left Tackle já ajuda muito em uma OL que contava com praticamente nada. Quem sabe Andy Dalton não volta a jogar como o décimo sétimo melhor QB que ele de fato é?

29 – Miami Dolphins (24)

Coloque uma criança de seis anos que não sabe ler para jogar o modo franquia no Madden (paga nois, EA Sports). Talvez os moves façam mais sentido do que os que a diretoria de Miami fez nessa offseason.

30 – New York Giants (28)

Por mais que eles tentem acreditar, esse time não vai longe em 2018. Além disso, menos dois jogadores bons na linha ofensiva mais um jogador bom na linha ofensiva dá menos um jogador bom na linha ofensiva como resultado. A matemática é básica.

Do tempo que o torcedor dos Giants podia sorrir.

31 – Arizona Cardinals (25)

Que tal se livrar de um dos pilares da sua defesa pra contratar um QB sem joelho por 20 milhões por ano e Mike Glennon? Será um último ano difícil para Larry Fitz.

32 – Indianapolis Colts (30)

Por incrível que pareça, o time só conseguiu piorar até aqui. Ainda bem que existe o draft e a possibilidade do renascimento de Andrew Luck.

#SuperBowlChallenge: nossos palpites

O Pick Six é composto por pessoas que não entendem porcaria nenhuma e gostam de cagar regra. Mas mesmo assim vocês pediram, e aqui estamos expondo nossos palpites para o #SuperBowlChallenge.

Obviamente, passaremos vergonha e seremos humilhado por algum leitor mentalmente mais capaz que nós (convenhamos, está longe de ser algo difícil).

Aliás, se você ainda não se inscreveu na disputa pelo já tradicional MIMO SURPRESA, pare o que está fazendo e distribua pitacos abalizados e coerentes – isso, claro, antes de ler nossos palpites logo abaixo; não se deixe influenciar por nosso retardo mental.

Cadu

É difícil imaginar um cenário em que New England Patriots e Pittsburgh Steelers não estejam na final da AFC. Mas se tem um time que pode surpreender é o Kansas City Chiefs. O provável confronto com o Patriots no Divisional Round é o que teremos de mais emocionante na Conferência. De qualquer forma, o vencedor será derrotado na final pelo Steelers, que seguirá para o Super Bowl e ganhará seu sétimo título.

Na NFC, fazer previsões é um desafio enorme. Com exceções de Carolina Panthers e Philadelphia Eagles, que parecem estar um pouco abaixo dos demais, o equilíbrio toma conta da Conferência. O confronto Los Angeles Rams x Atlanta Falcons tem o potencial de criar um monstro, já que o vencedor deve sair muito embalado.

O grande desafio estará nas mãos do time que passar por Minnesota. Se o Rams bater Falcons e Vikings em sequência, não terá dificuldade para vencer o Saints, que é um time bom, mas não com a força necessária para vencer qualquer outro na final da NFC.

Diego

A rodada de wild card, principalmente na AFC é um grande “é o que sobrou”; Chiefs e Jaguars devem passar já que são times mais organizados que os adversários, enquanto em Falcons @ Rams e Panthers @ Saints aposto no homefield advantage. Para a rodada divisional, o Eagles é o grande candidato a one and done pelo simples fator Nick Foles, enquanto o Vikings deve sobreviver.

Já na AFC, todo mundo sabe que só há três formas de derrotar o New England Patriots nos playoffs: ser Mark Sanchez, ser Joe Flacco ou não deixar o time de Foxborough terminar com a seed #1. Como nenhum dessas três coisas aconteceu, o Patriots deve ser o representante da AFC no Super Bowl, enquanto a maldição da sede não deixará os Vikings passarem do NFC Championship Game. Duelo de QBs no Super Bowl LII com vitória dos Patriots, pois Belichick é um melhor técnico que Sean Payton e, aceitemos, isso fará a diferença.

Digo

O palpite mais clubista do PickSix está aqui mesmo. Será dolorido quando der errado, mas tem sua lógica além da própria torcida. Porém, pelo começo: Kansas City é o único certeiro (queira José Aldo ou não); Jaguars e Saints são apostas seguras porque, bem, Bills e Panthers parecem já ter feito demais só por chegar até aqui.

Por último, Rams e Falcons são o jogo mais difícil para apostas – combinando a “tentativa de escolher enfrentar os Eagles na segunda parte dos playoffs ao escalar o time reserva contra Garoppolo” e o peso da inexperiência de Goff e cia, o Falcons é quem passa de fase.

Nas semifinais de conferência, Falcons e Steelers passam por ser simplesmente melhores e mais completos que seus adversários (Philadelphia provavelmente é o time com menos chance de Super Bowl entre os 12). O Vikings passa por já ter demonstrado ser capaz de parar qualquer grande ataque, enquanto a defesa dos Saints parece destinada a uma pipocada quando menos se espera; Kansas City de Alex Smith, sim, é uma escolha do coração. Esse time já mostrou ser capaz de parar Belichick e Brady uma vez, por que não uma segunda?

Seguindo a mesma lógica, um Pittsburgh Steelers mais descansado é simplesmente melhor que os Chiefs, como já mostraram na semana 6. E se os Vikings são capazes de parar um ataque da NFC South, por que não dois? E apostar contra o próprio time em um Super Bowl em casa simplesmente seria inumano (nota do editor: ou burro. O que é o caso).

Murilo

O Titans sequer existe e não gastarei meu tempo com ele – assim como o Chiefs não deverá gastar. A história do Bills foi linda (obrigado, Joe Flacco), mas infelizmente ela acabará no próximo domingo. É triste aceitar que o já citado Chiefs será triturado por Tom Brady, que posteriormente também acabará com Big Ben & companhia – se você acha que o Jaguars terá alguma chance, por favor, procure um médico: você está delirando.

Do outro lado, a defesa do Rams triturá Matty Ice e depois comerá Case Keenum com farinha – tudo isso enquanto você, enfim, se convence que está assistindo o início da jornada de Jared Thomas Goff rumo ao Hall of Fame (quanto antes você aceitar, melhor).

O Saints sofrerá um pouco, apenas por esporte, mas no fim do dia vencerá o Panthers e depois passará sem problemas pelo Eagles – que nestes playoffs, graças ao óbito de Carson Wentz (descanse em paz!), só é mais relevante que o Titans – que como já citamos, nem existe. Sério, parem de inventar times.

Voltando o que interessa, uma final entre Saints e Patriots será algo mágico, mesmo que todos saibamos que, bem, essa desgraça comandada por Tom Brady vencerá novamente.

Mas é indigno vencer algo apostando no Patriots; seria como faturar uma grande BOLADA, mas lá no fundo saber que se trata de DINHEIRO SUJO. E, bem, eu não conseguiria conviver com minha consciência comemorando uma vitória do Patriots.

Então pela minha família, pelos meus filhos (que nem nasceram), pelo Brasil e pelo povo brasileiro, o Saints vencerá essa merd*.

Rafael

Panthers, Titans e Bills são times que já chegam na rodada do Wild Card mortos. Queremos acreditar que o Falcons ainda está vivo, mas a verdade é que o time sensacional que vemos no papel não existe, e a equipe será eliminada pelo Rams.

Chiefs e Jaguars não têm forças pra vencer Patriots e Steelers, respectivamente. Não se engane com o duelo da temporada regular: Pittsburgh vai dar uma sova em #Sacksonville (foram vocês que financiaram essa merd*) e não sobrará um defensor para contar história. Aceitemos: os playoffs da AFC só serão interessantes daqui a duas semanas.

O Eagles também chega morto & enterrado na pós-temporada, por motivos de Nick Foles. O Saints só precisa não se boicotar pra chegar na final da NFC, onde enfrentará o Vikings que, assim como na temporada regular, vencerá o Rams (<\3).

Na final da AFC, é bem impossível que Belichick perca para os Steelers novamente (o jogo da temporada regular ele perdeu no campo e sabe disso), ainda mais jogando em Foxborough. Acontece que não quero estar certo se isso significar ver o lado negro da força no Super Bowl novamente.

Na NFC, muita coisa mudou desde que Vikings e Saints se encontraram lá na semana 1. Mas Minnesota, com uma ótima defesa e com um ataque capaz de vencer a defesa de New Orleans, vencerá o jogo. Será a vingança daquele jogo em que Brett Favre teve uma de suas múltiplas cãibras mentais.

Enfim, valerá a máxima: ataques vencem jogos, defesas vencem campeonatos. A ofensiva dos Steelers será anulada pela defesa dos Vikings no primeiro Super Bowl jogado pelo time da casa. Se preparem para viver em um mundo em que Minnesota (!), e Case Keenum (!!!!) possuem um anel. Talvez assim finalmente consigamos acabar com a NFL.

(nota da edição: outro idiota)

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

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Análise Tática #13 – Semana #6: Como o Atlanta Falcons foi Atlanta Falcons

A semana 6 mostra que a NFL segue desafiando analistas com suas previsões, afinal, fingimos que conhecemos algo, mas quando a bola sobe, coisas estranhas podem acontecer. Seis semanas. Esse foi o tempo necessário para a esperança desaparecer completamente e o Cleveland Browns voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

E foi exatamente isso o que aconteceu no Mercedes-Benz Stadium (o estádio moderno com sistema de iluminação semelhante ao do pior inferninho que você conhece na sua cidade): o Atlanta Falcons desperdiçou 17 pontos de vantagem contra o possante Miami Dolphins comandado por Jay I don’t give a damn”  Cutler.

O primeiro tempo inteiro foi dominado pelos Falcons, que abriram 0-17 antes do intervalo. O novo coordenador ofensivo, Steve Sarkisian, ainda executa conceitos do ataque de 2016 comandado por Kyle Shanahan. Afinal, apenas tolos implodem um ano de sucesso por causa de uma derrota, por pior que ela seja.

Ainda no primeiro drive da partida, os Falcons mostraram um dos conceitos ofensivos mais interessantes. 3rd & 8, ainda no campo de defesa, o time se encontra em uma situação óbvia de passe. Ao contrário de tentar explorar rotas longas, o ataque comandado por Matt Ryan aproveita-se do fato de que a defesa dos Dolphins iria marcar em zona e alinha seus recebedores em formação trips-bunch do lado esquerdo.

O recebedor principal da jogada é Taylor Gabriel, camisa 18, indicado pela rota em laranja. Os demais recebedores em bunch (triângulo do lado inferior da imagem) têm por objetivo esticar o campo, reduzindo a quantidade de jogadores protegendo a marca do first down, na linha de 35. A linha ofensiva contém os pass rushers alinhados em 9-tech e Matt Ryan tem tempo de completar um passe fácil.

No momento em que a bola sai das mãos de Matt Ryan, não há nenhum defensor dos Dolphins próximo a Taylor Gabriel. Ótima jogada executada e O first down em um drive que resultaria em Field GoalAtlanta continuou seu domínio, e restando 2:00 no primeiro quarto, viria a marcar seu primeiro touchdown no jogo. Bola na linha de 40 do campo de ataque, os Falcons se alinham em 12 personnel, enquanto Miami mostra um desenho de cover 2 na secundária.

Ao prosseguir, observamos uma situação costumeiramente utilizada pelas defesas da NFL, mas igualmente perigosa. O disfarce de cobertura acontece para esconder do ataque as tendências ou plano de jogo, ao mesmo tempo em que jogadores defensivos fora de posição aumentam as chances da jogada ser mal executada.

Reparem no jogador circulado em azul, toda a jogada vai se desenvolver em cima dele. Em determinado momento da jogada, Austin Hooper, camisa 81 dos Falcons, executa uma rota out, quebrando na altura linha de 25 jardas. Nesse momento, Xavien Howard, camisa 25 dos Dolphins, hesita no lance, sem saber se receberá ou não apoio de um dos safeties. Esse momento de indecisão é o suficiente para que Marvin Hall consiga a separação suficiente, e Matt Ryan coloque a bola perfeitamente em suas mãos. Touchdown Atlanta.

O jogador vendendo a possibilidade de um end-around (corrida em que o WR sai de uma das laterais e recebe o handoff no backfield também ajuda a segurar os linebackers, construindo o mismatch entre Howard e Hall, dois jogadores que você leitor, provavelmente nunca tinha ouvido falar antes. Nessa jogada, Atlanta utiliza uma rota atacando o espaço entre os dois safeties mostrado na leitura pré-snap, mesmo que a defesa dos Dolphins tenha executado algo totalmente diferente de um cover 2.

Já no segundo quarto, Atlanta seguia dominando, aqui aproveitamos para variar um pouco de jogadas de passe e analisar um conceito de corrida. Restando 7:52 no relógio, os Falcons se encontravam na linha de 39 do campo de defesa. Pelas características dos atletas de sua OL e de seus running backs, Atlanta gosta muito de executar jogadas de zone-blocking. Esse conceito de bloqueios funciona de forma muito simples: o jogador deve bloquear o adversário à sua frente. E se não houver ninguém, então partirá para o atleta mais próximo na direção em que a corrida se estabelece. Ao mesmo tempo, o running back deve ser capaz de antever o local em que surgirá o espaço que deverá correr.

Nesse caso, com uma formação de twin-TEs desenvolve-se uma corrida toss para o lado esquerdo do ataque. O center Alex Mack e o left tackle Jack Matthews são os únicos jogadores que possuem assignments no segundo nível da defesa, sendo o último, o lead blocker (jogador que Devonta Freeman deverá seguir).

A esse ponto, a corrida já é um sucesso de execução, mas a capacidade atlética de Devonta Freeman a transforma em uma big play. O jogador atinge o segundo nível da defesa em alta velocidade e busca um corte para a direita, resultando num ganho de 44 jardas. Snaps depois, Tevin Coleman completaria o drive com um TD que colocaria os Falcons 17 pontos em vantagem antes do intervalo.

Depois do halftime, todo esse domínio de Atlanta ruiu. Assim como em fevereiro, o time se esqueceu de que a partir daquele momento, precisava queimar cronômetro. Uma série de campanhas curtas colocou de volta o ataque de Miami no jogo. 17 pontos não era uma diferença tão absurda assim, e Adam Gase inteligentemente contou com Jay Ajayi para equilibrar a partida, em vez de tentar a sorte com Jay Cutler. Uma série de boas corridas é sempre suficiente para colocar dúvidas na defesa e fazer com que até mesmo QBs como Cutler rendam bem no play action.

Já no terceiro quarto, 6:25 no relógio e bola na linha de 11. Ataque de Miami alinhado em shotgun singleback com 3 recebedores do lado direito e o TE Julius “It’s so Easy” Thomas do lado esquerdo entre a marcação numérica de 10 jardas e as hashmarks.

Em se tratando de uma 3rd & 7, situação óbvia de passe dentro da red zone, a defesa dos Falcons recuou corretamente em zona. Enquanto isso, a jogada de Miami se desenvolveu entre os dois recebedores mais internos do lado direito da formação, sendo Kenny Stills o alvo principal da jogada.

Aqui, méritos para Jay Cutler. O QB percebe o espaço devido a pass rushers alinhados em 9-tech, escala o pocket, exatamente o tempo em que Kenny Stills precisa para conseguir separação em sua rota, e ainda coloca um passe preciso. Touchdown e os Dolphins iniciam sua reação na partida.

Restando 1:38 ainda no terceiro quarto, os Dolphins tinham a bola novamente na redzone dos Falcons, dessa vez na linha de 7 jardas, em situação de 2nd & 6.

Alinhando com stack receivers, twin TEs e singleback formation, os Dolphins realizam um screen pass em fake motion com Jarvis Landry, ao perceber a marcação individual indicada em marrom. O snap ocorre no momento em que Landry atinge a hashmark, ao mesmo tempo, em que todos os bloqueios e a rota de Kenny Stills se desenvolvem para a direita, atraindo a defesa. Com isso, Landry aproveita o mismatch e marca mais um touchdown, que naquele momento da partida, deixaria o placar em 14-17.

A vantagem construída no primeiro tempo já não existia mais e o momentum da partida era todo dos Dolphins, que com dois Field Goals no último quarto, conseguiram uma vitória fora de casa por 20-17, agora com record de 3-2. Aos Falcons, fica o aprendizado, mais uma vez, de quando se possui uma grande vantagem no segundo tempo, é necessário controlar o relógio.

Diego Vieira, como todo torcedor dos Colts (aparentemente o site precisava de mais um), também odeia o Atlanta Falcons.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Power Ranking: semanas #1 e #2

Nunca nos cansaremos de envergonhar amigos, leitores e familiares (assumindo que eles leiam o site, o que é bastante improvável). Por isso, voltamos com o nosso Power Ranking! De duas em duas semanas traremos a famigerada lista que elenca as franquias da NFL de acordo com a força de seus times. Lembrando que não odiamos o seu time: odiamos todos os times.

32 – New York Jets (0-2)

O Jets de 2017 é o time menos inspirador da história da NFL.

31 – Indianapolis Colts (0-2)

O time até lutou e chegou à prorrogação contra o Cardinals, mas Andrew Luck representa aproximadamente 93,67% do time. Imaginem o que sobrou.

30 – Cleveland Browns (0-2)

A reconstrução começa a dar sinais de resultado e DeShone Kizer parece ser o futuro da franquia, mas a empolgação precisa ser totalmente contida quando se trata de Browns.

29 – San Francisco 49ers (0-2)

Temos que admitir: foi divertido ver o 49ers dando trabalho para o Seattle Seahawks. Mas talvez isso seja o melhor que Kyle Shanahan consiga fazer em seu primeiro ano como Head Coach.

28 – Chicago Bears (0-2)

Até ameaçou mostrar que poderia fazer algo em 2017 assustando o Atlanta Falcons na semana 1, mas times ruins são times ruins, e vice-versa.

27 – Buffalo Bills (1-1)

O rookie Zay Jones dropou o passe que daria a vitória contra o Carolina Panthers e uma posição melhor nesse ranking. Se LeSean McCoy for contido, o ataque do Bills simplesmente não existe.

26 – Cincinnati Bengals (0-2)

Se trocasse de camisa com o New York Giants*, ninguém ia nem perceber.
*Nota da edição: mesmo assim, por algum motivo, os dois times não estão colados na lista.

25 – New Orleans Saints (0-2)

Uma frase publicada no Twitter resume bem o que é o New Orleans Saints: “antes de se aposentar, Drew Brees deveria ter a chance de jogar contra a defesa do Saints pelo menos uma vez”.

Medo.

24 – Jacksonville Jaguars (1-1)

Os 10 sacks contra o Houston Texans na semana 1 renderam o duvidoso apelido de “Sacksonville”. Mas foi só depender um pouco de Blake Bortles na semana 2 que já lembramos quem são os verdadeiros Jaguars.

23 – New York Giants (0-2)

O Giants vive uma rara situação em que todos são culpados pelo desastre. Não há um jogador que se salve nesse ataque horroroso, mas a defesa é boa.

22 – Arizona Cardinals (1-1)

Ganhar do Colts não quer dizer nada. Sem David Johnson, esse time não vai a lugar algum.

21 – Houston Texans (1-1)

DeShaun Watson claramente não está pronto para ser um QB na NFL. Tom Savage nem deveria estar na NFL. Houston, temos um problema com QBs.

20 – Washington Redskins (1-1)

É difícil escrever mais de uma linha sobre um time quando a única coisa que ele consegue fazer é flertar com a linha da mediocridade.

19 –  Los Angeles Rams (1-1)

O Rams nos enganou na semana 1 jogando contra o Colts. Jared Goff parecia Tom Brady e Cooper Kupp parecia Jerry Rice, mas a realidade sempre bate na nossa porta.

18 – Los Angeles Chargers (0-2)

Esse é o melhor time 0-2 que você verá. Poderíamos fazer muitas piadas com o kicker coreano, mas tem um monte de pau no koo que já fez, então não vamos ficar repetindo.

17 – Tennessee Titans (1-1)

O Titans às vezes parece muito bom, às vezes parece muito ruim. Marcus Mariota não está tendo o início de temporada que muitos previam.

16 – Miami Dolphins (1-0)

Excelente vitória fora de casa contra o Chargers, em seu único jogo da temporada. Jay Cutler conseguiu não estragar tudo.

Disseram que era um casamento perfeito.

15 – Seattle Seahawks (1-1)

Colocar Seattle na posição 15 de um ranking é uma heresia, mas é bastante divertido ao mesmo tempo. Tão divertido quanto ver o time sofrer para vencer o 49ers em casa.

14 – Philadelphia Eagles (1-1)

Chegou a dar um pouco de trabalho ao Chiefs e Carson Wentz vem mostrando a evolução que se esperava dele.

13 – Carolina Panthers (2-0)

Não está sendo bonito, mas de alguma forma o Panthers chegou a 2-0. A explicação para o sucesso no início da temporada tem dois nomes: 49ers e Bills.

12 – Detroit Lions (2-0)

O Lions é a representação mais perfeita de um time que parece bom, mas que no máximo vai chegar a um 9-7.

11 – Tampa Bay Buccaneers (1-0)

Temos apenas um jogo para avaliar o Bucs e foi praticamente contra o vento, mas até agora não há nada para reclamar.

10 – Dallas Cowboys (1-1)

Lidar com o Giants na semana 1 foi tranquilo, mas uma viagem a Denver na outra semana fez os Cowboys colocarem os pés no chão.

9 – Minnesota Vikings (1-1)

Era difícil imaginar que a ausência de Sam Bradford poderia ser tão relevante para um time. Com ele, o Vikings parecia o melhor time da liga. Sem ele, parece o Jacksonville Jaguars.

Muito mais que um rostinho bonito e joelhos de vidro.

8 – Baltimore Ravens (2-0)

A defesa é dominante e o ataque é competente.

7 – Pittsburgh Steelers (2-0)

Duas vitórias e o ataque ainda não jogou nem 20% do que é capaz.

6 – Green Bay Packers (1-1)

Perder para o Falcons fora de casa com dois cones jogando como Tackle é normal, mas a enfermaria já começa a ficar lotada.

5 – New England Patriots (1-1)

É claro que esse time vai subir no ranking ao longo da temporada, infelizmente, mas jogar contra a defesa do Saints é como ter uma semana de bye.

4 – Atlanta Falcons (2-0)

Não se enganem: se não fosse um drop bizarro de Jordan Howard na semana 1, o Falcons teria perdido para o modorrento Bears e estaria 1-1.

3 – Oakland Raiders (2-0)

Independente da qualidade dos adversários, Oakland está atropelando sem dificuldade nenhuma.

2 – Denver Broncos (2-0)

Trevor Siemian é o melhor QB da NFL no momento. Lidem com isso, mas não levem tão a sério.

1 – Kansas City Chiefs (2-0)

Venceu dois bons adversários de forma convincente e vem mostrando um inesperado dinamismo ofensivo. Resta saber como a lesão de Eric Berry afetará a defesa a longo prazo. Já conseguem imaginar Alex Smith segurando o Lombardi Trophy em Fevereiro? A gente também não.

Are you mad?

 

JJ Watt e Houston: football é maior fora de campo

Houston vem passando por uma série de catástrofes naturais: as chuvas e os eventos decorrentes do furacão Harvey deixaram a cidade destruída e debaixo d’água. Para colocar em perspectiva, na última semana, as chuvas no local foram o equivalente aos últimos 13 meses de precipitação em Manhattan.

Como você pode imaginar, muitas pessoas perderam tudo que tinham e, alguns lugares – casas, inclusive -, acabaram destruídos. O Astrodome, um dos estádios da cidade, tem servido de abrigo para muitos desabrigados.

É uma situação tensa, que tampouco conseguimos mensurar em palavras – a maioria de nós tem a sorte de nunca perder nada em situações como estas, e não conseguimos imaginar o tamanho da dor e dificuldades que quem sofre as consequências está passando. Mas, em momentos como esse, vemos alguns motivos para, com o perdão do clichê, não perder a fé na humanidade.

Robert Kraft, dono dos Patriots; Amy Adams, dona dos Titans; Christopher Johnson, dono dos Jets e Bob McNair, dono dos Texans doaram, cada um, um milhão de dólares para ajudar na reconstrução de Houston e da vida de seus habitantes.  

Mas quem tem mesmo se destacado é JJ Watt. O DE do Texans começou uma campanha no Twitter para arrecadar 250 mil dólares em doações. A visibilidade de Watt permitiu que a meta fosse, cada vez mais, aumentando. 500 mil dólares foram arrecadados em um um dia. Ao tempo da publicação desse texto, o número já era de 6 milhões e a meta de 10 – esperamos que continue crescendo.

Jogadores como Ezekiel Elliott, Dez Bryant e Chris Paul, da NBA, ajudaram na campanha que começou com uma doação de 100 mil dólares do próprio JJ. O DE tem atualizado seu perfil no Twitter a medida que as metas são batidas, incentivando as pessoas a doar.

O exemplo que ele vem dando mostra a importância dos atletas profissionais para a sua comunidade. Além de proporcionar alegrias dentro de campo, muitos jogadores se comprometem a ajudar os habitantes de suas cidades de outras maneiras. O esporte é uma forma de escapar dos problemas e o impacto no cotidiano das pessoas é ainda maior que aquele causado por uma jogada importante.

Home Sweet Dome

Talvez a história que melhor exemplifica a importância do esporte para uma cidade seja o punt bloqueado pelos Saints contra os Falcons. Em decorrência do furacão Katrina, que devastou New Orleans, os Saints não jogaram sequer um jogo da temporada de 2005 em seu estádio, que serviu de abrigo para os moradores da cidade. Assim, a equipe mandou suas partidas em diferentes locais: no Giants Stadium (em um jogo contra os Giants, teoricamente em casa); no Alamodome, em San Antonio, Texas; e no Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana.

No retorno do time ao Superdome, a jogada, logo no ínicio do jogo, mostrou uma torcida em êxtase por ter seu time de volta após tempos difíceis, tanto para a equipe, quanto para a cidade. O fato de o jogo ter sido no horário nobre (Monday Night Football) apenas elevou a emoção do momento.

Renascimento.

Esses são exemplos do legado mais importante que um atleta – ou uma equipe – profissional pode deixar. Dentro de campo, times e jogadores podem fazer a alegria (ou a tristeza) de milhões de pessoas e servir de inspiração para muitas delas.

Por isso, inspirados em momentos como esses, separamos alguns casos em que jogadores mostram que o esporte é ainda maior fora de campo. Afinal, a NFL está repleta de exemplos como o de JJ Watt. Jogadores que, por afinidade com uma causa, um ideal a seguir, ou até mesmo pura bondade no coração, fazem muito fora de campo. Mais do que a sua diversão nas tardes de domingo, eles proporcionam a outras pessoas oportunidades de construir uma vida melhor.

Andrew Luck: um clube do livro.

Você já conhece o Andrew Luck dos passes para touchdown e das grandes jogadas. O que você talvez não conhece sobre o quarterback dos Colts é a sua paixão pela leitura. E que ele tem um clube do livro.

A ideia surgiu a partir de brincadeiras de membros da imprensa que, ao descobrirem a paixão de Luck, sugeriram a criação de um clube do livro; em abril de 2016, Andrew lançou o Andrew Luck Book Club. É um espaço onde ele, quatro vezes por ano, durante a offseason, dá sugestões de livros. Um para crianças, incluindo aqueles que ele lia quando era mais novo, e um para adultos, que ele leu recentemente ou está lendo no momento.

Desde que me entendo por gente, eu amo ler. Devo isso aos meus pais, que liam para mim todas as noites até eu conseguir fazê-lo sozinho. Eles sempre encorajaram a mim e a meus irmãos a ler“, explicou Luck sobre o seu fascínio pelos livros. “Sempre senti algo relaxante e agradável em relação à leitura, em parte porque sempre via meus pais lendo. Lembro das viagens de carro de 18 horas que fazíamos todo verão, indo de Houston ao Colorado nas férias da família. Sempre tinha a minha cara enfiada em um livro e ficava em silêncio por pelo menos 10 horas. Isso fazia o tempo passar muito mais rápido e eu sentia que podia “escapar” mais em um livro do que em um filme ou qualquer outra coisa. E ainda sinto isso hoje: ler é a melhor forma de esvaziar a cabeça e dar uma desacelerada“, completa.

Luck também trouxe a paixão pela leitura para dentro do vestiário: desde o início de sua carreira em Stanford, ele trocava livros e sugestões com seus colegas de equipe e técnicos. E essa tradição se manteve na NFL, onde  encontrou mais jogadores que compartilhavam o hábito, como Vick Ballard, Matt Hasselbeck e Joe Reitz.

Na verdade, nunca fiz parte de um clube do livro antes. Queria ter certeza de que, de qualquer forma, fosse simples e divertido e que incentivasse as pessoas a pegar um livro, sentar e ler.” O clube do livro também encoraja os leitores a interagir nas redes sociais e, em algumas oportunidades, o próprio Luck participa, seja por meio de perguntas e respostas ou por vídeos, até mesmo ao vivo.

Andrew conta que a organização já recebeu retorno de bibliotecas, livrarias, autores, professores, pais e até mesmo de editoras pedindo para promover a iniciativa. Algumas escolas também começaram programas de leitura baseados na ideia. Durante essa inter-temporada, enquanto se recupera de cirurgia no ombro, Luck tem cultivado também o hábito de ler para crianças, em escolas ou hospitais infantis.

Lendo livros e defesas.

É fato que a leitura desempenha um papel importante na formação do ser humano, seja na infância ou na fase adulta. Ler quando pequeno é ainda mais importante, porque assim a pessoa desenvolve esse hábito para a vida toda. Ter um ídolo como Luck, que estimula crianças a ler e vai até elas para isso, cria uma nova geração de leitores. 

Tom Brady: sabendo ser ídolo.

Brady sabe do seu tamanho como jogador; e quando o assunto é ajudar a comunidade, ele fica ainda maior. Logan Schoenhardt, um jovem de 10 anos com um grave câncer no cérebro, ao realizar uma cirurgia, pediu para o médico gravar o número 12 em seu crânio. Quando ficou sabendo da notícia, Tom gravou uma mensagem de apoio ao seu fã.

Infelizmente o câncer retornou, dessa vez com pouca chance de cura. Logan fez uma lista de desejos, e um deles era conhecer seu ídolo. Brady se prontificou a conhecer o menino que, infelizmente, não conseguiu vencer sua doença. Apesar de ser uma história triste, que não teve um final feliz, o quarterback dos Patriots se mostrou muito solidário, realizando o último desejo de um dos seus maiores fãs.

Outra história que envolve o quarterback, é a Calvin Riley – um jovem de 20 anos e tinha um futuro promissor no baseball quando foi baleado enquanto brincava de Pokemon Go. Calvin, que havia estudado na mesma escola que Tom, infelizmente não sobreviveu. Não havia nada que Brady pudesse fazer nessa situação, mas ele enviou uma carta de duas páginas, escrita à mão, para a família. A família se recusou a revelar o conteúdo do texto, mas disse que foi uma forma de conforto em meio a uma situação tão triste.

Larry Fitzgerald e Anquan Boldin: saindo da zona de conforto.

Em 2012 os WRs Anquan Boldin e Larry Fitzgerald fizeram uma visita a Etiopia. Boldin, quando conheceu um pouco mais sobre a realidade do país, resolveu ir pra lá ajudar e, para isso, chamou o amigo e ex-companheiro de time nos Cardinals. Larry e Anquan trabalharam carregando pedras, sob a restrição de não dar dinheiro para os habitantes locais: um simples “presente” de 30 dólares para alguém poderia desequilibrar toda a ordem social ali existente. Ao final da viagem, inconformados com a pouca ajuda que puderam oferecer, os jogadores compraram, cada um, uma vaca para a região.

Um ano depois, eles estavam de novo no continente africano, dessa vez no Senegal e com mais um companheiro: o WR Roddy White. Os três visitaram um vilarejo que mal tinha água, e participaram do dia a dia da comunidade, procurando encontrar diferentes formas de ajudar. Boldin destacou a importância de levar a história desses lugares para cada vez mais pessoas.

Dois caras fodas.

Os jogadores ainda desenvolvem trabalhos na África. Fitzgerald, inclusive, participa de organizações que ajudam pessoas com AIDS no continente. Boldin ganhou, em 2015, o Walter Payton Man of the Year Award, prêmio que a NFL dá aos jogadores que mais se envolvem em trabalhos voluntários e de caridade.

Brandon Marshall: defendendo a conscientização.

A bipolaridade é uma doença real, mas que tem como principal adversária a forma como é vista na sociedade: muitas vezes romantizada, muita gente não sabe que existem pessoas que sofrem com a doença. O WR Brandon Marshall é uma delas. Desde que foi diagnosticado com o transtorno, Brandon luta pela causa, criando uma fundação com seu nome para alertar sobre os problemas da doença. O jogador já foi até mesmo multado pela NFL por usar chuteiras verdes – a cor escolhida para a conscientização sobre o assunto.

Pierre Garçon e Ricky Jean François: ajuda humanitária.

Quando o furacão Matthew passou pelo Haiti, Pierre Garçon e Ricky Jean François, então companheiros de equipe em Washington, de descendência haitiana, viajaram em um avião do dono da franquia para levar mantimentos ao país. Pierre e Ricky se mobilizaram também nas redes sociais, para ajudar a conseguir recursos. No país, eles ajudaram a entregar as doações.

Chris Long: o “cara da água”.

O DE Chris Long viajou para a Tanzânia pela primeira vez em 2013, para escalar o monte Kilimanjaro. O jogador se apaixonou pelo lugar, mas, em outras visitas, ficou assustado com a qualidade da água que as pessoas bebiam: a água é marrom com algumas coisas verdes nela. Para ajudar na situação, Chris criou a ONG Waterboys, que tem por objetivo melhorar a qualidade do recurso em países africanos. A iniciativa tem apoio de muitos jogadores da liga, e da própria NFL Network.

Você diria não a esse homem?

Andre Johnson, Steve Smith e Pat McAfee: presentes de Natal.

Todo natal o WR Andre Johnson leva crianças em lojas de brinquedo e gasta mais de 15 mil dólares em presentes. Mesmo depois de se aposentar, ele manteve o costume. O WR Steve Smith também tomou parte na ação, que é uma tradição no Baltimore Ravens. No último natal, o P Pat McAfee pagou a conta de luz de 115 famílias em Indianapolis, evitando inclusive que pessoas tivessem a sua eletricidade cortada.

JJ Watt, te amamos

Já falamos de JJ Watt no caso das enchentes de Houston, mas não é de agora que ele mostra seu talento fora de campo. JJ é o criador da JJ Watt Foundation, ONG que procura levar recursos a escolas para que elas possam desenvolver seus programas esportivos. Watt também é um apoiador dos militares, fazendo até mesmo campanhas em parceria com seu patrocinador, a Rebook, para auxiliar veteranos.

O jogador dos Texans também reconhece seus fãs: recentemente, um jovem foi atropelado em Houston e teve sua jersey, do próprio JJ, destruída. Quando ficou sabendo, Watt respondeu que iria ao hospital entregar pessoalmente uma nova camisa. E ele não só cumpriu a promessa, como deu uma de cada modelo para o menino.

Colin Kaepernick: um ativista.

É impossível fazer uma lista como essa sem citar Colin Kaepernick. Deixando toda polêmica de lado, o antigo quarterback dos 49ers já mostrou que não tem medo de manifestar suas ideologias. Ajoelhar durante o hino incomoda muita gente e, devido ao patriotismo de muitos americanos, dá pra entender (com um baita esforço) a rejeição ao jogador.

Acontece que seu gesto, conseguiu o que ele queria: chamar a atenção para a causa do racismo. Não só politicamente, Colin também é engajado na caridade. Recentemente, ele conseguiu um avião para levar água e suprimentos para os necessitados na Somália, doando cerca de 100 mil dólares. Goste ou não de Kaepernick, ele certamente tem um impacto fora de campo, maior até do que aquele que produziria dentro de um estádio.

Cam Newton: amigo da garotada.

Cam Newton é um exemplo um pouco diferente: o jogador, à sua maneira, age dentro e fora de campo. Cam tem o hábito de entregar as bolas dos touchdowns que marca para crianças e, apesar de ser um gesto simples, pode melhorar o dia de quem recebe o souvenir. Newton também tem uma fundação, que tem como missão “garantir que as necessidades sócio-econômicas, educacionais, físicas e emocionais das crianças sejam atendidas.

Já é tradição.

Ndamukong Suh: gigante fora de campo.

A revista Forbes é conhecida por suas listas e, dentre elas, está a de celebridades que mais fazem doações. Na lista de 2012, Ndamukong Suh foi o jogador da NFL que apareceu mais alto: Suh doou 2.6 milhões de dólares para a Universidade de Nebraska, sendo 2 milhões para o departamento atlético e 600 mil para a faculdade de Engenharia poder dar bolsas de estudo. Era, ali, a maior doação única de um jogador de futebol americano.

Esses são alguns exemplos de jogadores que tomam um pouco do seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. Ciente que essa é uma prática comum na liga, a NFL (que é extremamente rigorosa com os códigos de uniforme) estabeleceu, desde a última temporada, que os jogadores teriam uma semana para usar chuteiras personalizadas com as causas que quiserem divulgar.

A ação foi amplamente divulgada, e, durante as transmissões, alguns jogadores inclusive falavam da sua chuteira e o que ela estava representando. O resultado foi muito interessante. Você também pode fazer sua parte. Pesquise sobre seu jogador preferido, provavelmente ele tem algum projeto que você pode ajudar de alguma forma!

45 minutos no paraíso e a próxima grande decepção

Quem gosta de esportes precisa saber conviver com derrotas. Mesmo os melhores times estão sujeitos a elas. Essa constatação é bastante óbvia e todo torcedor a conhece muito bem. Mas existem algumas derrotas especiais, que causam cicatrizes profundas e podem se tornar verdadeiras maldições. O colapso épico que o Atlanta Falcons sofreu no Super Bowl LI é uma delas.

Aceitemos: coração sofrido do torcedor do Falcons só vai parar de sangrar quando o time vencer a grande final da NFL e levar o Lombardi Trophy para casa. Qualquer coisa diferente disso será apenas um prolongamento do sofrimento iniciado quando o placar do jogo contra o New England Patriots estava 28×3 para Atlanta e tudo começou a desmoronar.

A reviravolta no placar do Super Bowl foi tão inacreditável quanto o desempenho do Atlanta Falcons em 2016. O time produziu um dos mais eletrizantes e prolíficos ataques da história da NFL, que colaborou, inclusive, para que o QB Matt Ryan, até então um jogador apenas bom, fosse eleito com sobras o MVP da temporada. Seus principais companheiros de ataque não ficaram atrás: o WR Julio Jones recebeu para 1400 jardas e o RB Devonta Freeman conquistou mais de 1500 jardas totais e anotou 13 TDs. Freeman certamente teria sido o MVP do Super Bowl, se o Falcons não tivesse jogado tudo no lixo. O ataque era tão bom que até os coadjuvantes conseguiam estatísticas melhores que os titulares de muitos times: o RB Tevin Coleman, por exemplo, se aproximou das 1000 jardas totais e conseguiu 11 TDs.

Até aqui tava tudo bem.

Máquina perfeita e os novos ajustes

O ataque do Atlanta Falcons do ano passado era uma máquina em perfeito funcionamento. A boa notícia para os ainda incrédulos torcedores de Atlanta é que todos os jogadores que faziam parte dessa engrenagem super eficiente continuam no time em 2017.  Nenhuma perda significativa aconteceu. Julio Jones continua sendo, talvez, o melhor WR da NFL. Devonta Freeman deve continuar sendo um dos melhores RBs da liga e Tevin Coleman tem tudo para melhorar e até igualar as performances de Freeman. Mohamed Sanu, Taylor Gabriel e o TE Austin Hooper também são jogadores suficientemente bons para complementar as performances das estrelas.

Até aí tudo parece nos trilhos para que as excelentes performances ofensivas continuem em 2017, mas a má notícia é que o responsável por construir esse ataque maravilhoso e coordená-lo foi embora. Kyle Shanahan, coordenador ofensivo do time em 2016, hoje é head coach do San Francisco 49ers.

Shanahan foi muito criticado pela maneira com que chamou as jogadas no segundo tempo do Super Bowl perdido para o Patriots. As críticas foram justas, já que Atlanta desperdiçou diversas oportunidades de fazer o relógio correr e deixou tempo demais para Tom Brady se transformar ainda mais em mito, mas não se pode tirar o mérito do ataque histórico que ele construiu e é preciso, desde já, admitir que Kyle fará falta.

Seu substituto será Steve Sarkisian, técnico que teve longa carreira no college e algumas passagens curtas na NFL. Sarkisian terá o desafio de manter a máquina funcionando como em 2016, mas já é possível adiantar que não conseguirá. Atlanta não repetirá a temporada ofensiva histórica do ano passado, mas continua tendo o talento necessário para ser um dos melhores ataques da NFL. A regressão é certa, mas resta saber se a ressaca da sofrida derrota no Super Bowl não causará estragos maiores às perturbadas mentes dos Falcões de Atlanta.

O outro lado da bola

As críticas às chamadas ofensivas quando o Alanta Falcons tinha a liderança no segundo tempo do Super Bowl são justas, mas é importante lembrar que a defesa parece ter entrado em estado de choque e apenas assistiu o desfile do New England Patriots para a glória.

É difícil explicar o que realmente aconteceu nos últimos 20 minutos do jogo, já que o sistema defensivo do Falcons incomodou bastante Tom Brady e dominou completamente a partida até a metade do terceiro quarto. Para 2017, a pergunta que fica é: qual defesa do Falcons vai aparecer? A que entregou o jogo para Tom Brady? Ou a que tomou apenas três pontos do poderoso Patriots em metade do Super Bowl e limitou Aaron Rodgers e Russel Wilson a jogos ruins nos playoffs da NFC?

O que sabemos é que o head coach Dan Quinn parece não ter ficado muito satisfeito com o que viu em 2016, já que demitiu o coordenador defensivo Richard Smith para promover o então técnico de defensive backs Marquand Manuel ao cargo.

O futuro a Ele pertence.

O despertar da força?

A principal força da defesa agora comandada por Manuel deve ser a linha defensiva. Vic Beasley liderou a liga em sacks em 2016, com 15,5 e é o principal jogador da defesa. A ele se juntam o lendário e amigo do Pick Six Dontari Poe e a escolha de primeiro round do draft de 2017, Takkarist (grande nome) McKinley, que formam um grupo de respeito tanto contra o jogo corrido quanto colocando pressão nos QBs adversários.

Na secundária, completamente exposta por Tom Brady no segundo tempo do Super Bowl, o principal nome é Desmond Trufant, que retorna de uma contusão no peitoral que o tirou da temporada na semana 9 de 2016, quando já havia se tornado um dos verdadeiros shutdown CBs da NFL.

Trufant fez muita falta e deve comandar uma secundária com jogadores inexperientes, mas com bastante potencial, como o safety Keanu Neal. Não é uma unidade em que se possa confiar totalmente e a força da defesa do Falcons estará na capacidade de colocar pressão nos QBs. De qualquer forma, com a inevitável regressão da performance do ataque, a defesa do Falcons precisará ser um pouco melhor para vencer uma divisão que tem ataques bastante fortes. Pode acontecer, mas talvez a evolução defensiva não seja suficiente.

Palpite: A empolgação tomará conta da torcida na primeira temporada em seu belo novo estádio e as dores do Super Bowl perdido serão temporariamente amenizadas. O Atlanta Falcons estará nos playoffs, pois ainda é o melhor e mais completo time da divisão, mas a dominação não será tão grande quanto em 2016. Noa pós-temporada, uma vitória é possível, mas a derrota virá e a realidade voltará à tona: a cura para as feridas abertas se chama Lombardi Trophy –  ele ainda demorará um pouco para desembarcar em Atlanta.

Atlanta, Kansas City, a touchdown: a talk with Dontari Poe

What’s your favorite play from last season? One of Antonio Brown’s insane receptions? A spetacular catch from Odell? Le’Veon Bell smoothly running through defenders? Maybe the blocked FG that the Broncos returned to score two points against the Saints?  Or Julian Edelman’s miracle in the Super Bowl?

Well, we respect your choice, but we believe there’s no debate: nothing was prettier than NT Dontari Poe and his 340 pounds finding TE Demetrius Harris completely open in the endzone on Christmas’ night – sending home the former Super Bowl champions Denver Broncos.

Until that moment, no NFL teams had trusted someone like Poe to throw a football – and the Chiefs trusted him to end the postseason chances of one of their biggest rivals. The play starred by Dontari was something extremely rare and beautiful: a guy with his size speeds up, suddenly stops and then rises up, almost in slow motion, and finds the open receiver… the truth is huge bodies aren’t supposed to move so “poetically”. And heavy human beings shouldn’t be capable of putting such a delicate touch on the ball.

You know, sometimes we played during practice. I like to throw the ball without great pretensions. We practiced the play a lot. Inside the field, it’s all about being prepared.”, says Poe, who currently plays for the Atlanta Falcons, in an interview for Pick Six. “Deep inside, I knew it would work, because we practiced that several times. It was a fun play to execute”, he adds.

Poe became the heaviest player in NFL’s history to pass for a TD. The previous record belonged to JaMarcus Russel, with 265 pounds and, well, Russel was a quarterback, not a nose tackle – and it’s Worth remembering that, in the end of 2015, Dontari also had become the heaviest man to run for a TD, passing William “Refrigerator” Perry and his “insignificant” 335 pounds.

A nice guy!

Roots

Another unusual fact in Dontari’s life is that, unlike most Young americans, he had never played football before high school. “I was part of the school’s band, coach Miller saw me and wanted me to play. It was simple: I ended up liking and he motivated me to get better”, he remembers.

Poe then consolidated himself as one of the most promissing prospects of the state of Tennessee and decided to join University of Memphis, where he spent three years before declaring for the NFL draft and becoming the school’s first player to be selected in the first round.

Looking back now, it may seem unbelievable… But I work really hard”, he says. “I had many amazing teammates and coaches. If you have a dream, in the end of the day, it’s just about how much you’re going to work hard to achieve it”.

The connection to Memphis remains untill now: if the city launched Poe to pursue his dreams and football changed his life, making him a professional athlete, his goal now is to retribute. “The Poe Man’s Dream Foundation’s objective is helping kids. I wanted to give something back to Memphis, it was a very good place for me”, he adds.

We want to give the chidren the abilities and the resources that will allow them to be successfull. We are just starting and are going to work to check their needs and help them”, he completes, reminding that his Project has multiple pilars, like food, education and, of course, sports.

Past and future

During the last free agency period, Dontari visited multiple cities, like Indianapolis, Jacksonville and Miami. But he opted for Atlanta, in a one year contract to prove his value and rejoin Scott Piolli, now assistant general manager for the Falcons – when he was Chiefs’ GM, Pioli selected Poe with the pick 11 of the 2012 draft.

I’m grateful for the opportunity Scott gave me in Kansas City. Of course, Pioli being here is a great bonus, but, anyway, Atlanta has a great team and I can contribute to the franchise: I’m anxious to be a Falcon”, he says, without forgetting the five years he spent in Kansas City.

Chiefs fans are great. They supported me during the whole time there and I will miss them. Believe what you hear on TV: they are really loud, but it gives you energy to play hard, after all, you don’t want to disappoint them.”

Atlanta, Kansas City, um TD: uma conversa com Dontari Poe

Qual sua jogada favorita da última temporada? Alguma recepção insana de Antonio Brown? Um TD improvável de Odell? Algum momento em que Le’Veon Bell tenha desfilado em campo? Talvez o bloqueio de FG retornado para dois pontos pela defesa do Broncos contra o Saints? Ou ainda o milagre de Julian Edelman no Super Bowl?

Bom, respeitaremos sua escolha, mas acreditamos que não há debate: nada foi mais bonito que o NT Dontari Poe e suas 340 libras (ou quase 155 kg) encontrando o TE Demetrius Harris livre na endzone na noite de natal – e eliminando o então campeão Denver Broncos.

Até então nenhuma equipe da NFL havia confiado em alguém como Poe para lançar uma bola – e os Chiefs confiaram nele para sepultar as chances de pós-temporada de um de seus maiores rivais. O momento protagonizado por Dontari foi algo extremamente raro e belo: alguém com seu tamanho aumentar a velocidade, parar repentinamente e então levantar quase em câmera lenta e encontrar um recebedor livre… a verdade é que nenhum corpo tão imenso pode se mover tão poeticamente. E nenhum ser humano tão pesado seria humanamente capaz de colocar na bola um toque tão delicado.

Sabe, às vezes nós brincávamos durante o treino. Gosto de lançar a bola sem maiores pretensões de vez em quando. Treinamos a jogada bastante. Dentro de campo, é tudo sobre estar preparado”, diz Poe, hoje no Atlanta Falcons, em entrevista ao Pick Six. “No fundo, sabia que daria certo porque nós treinamos isso várias vezes. Foi uma jogada divertida de se executar”, completa.

E assim Poe se tornou o jogador mais pesado da história da NFL a passar para um TD. O recorde anterior pertencia a JaMarcus Russel, com 265 libras (120kg) e, bem, Russel era um quarterback, não um nose tackle – e é válido lembrar que, no final de 2015, Dontari também já havia se tornado o homem mais pesado a marcar um TD correndo, quebrando a marca de William “Refrigerator” Perry e suas insignificantes 335 libras.

É muita simpatia!

Raízes

Outro fato inusitado na vida de Dontari é que, diferente da maioria dos jovens americanos, ele nunca havia jogado football antes do high school. “Estava na bandinha, o técnico Miller me viu e quis que eu jogasse. Foi simples: acabei gostando e ele me incentivou a melhorar”, relembra.

Poe então se consolidou como um dos prospectos mais promissores do estado do Tennessee e decidiu se juntar a Universidade de Memphis, onde passaria três anos antes de se declarar para o draft e se tornar o primeiro jogador da história da universidade a ser selecionado na primeira rodada.

Olhando agora, pode parecer inacreditável… Mas realmente trabalho duro”, diz. “Tive muitos colegas e treinadores incríveis. Se você tem um sonho, no final do dia, é sobre o quanto você irá trabalhar e se esforçar para alcançá-lo”.

A ligação com Memphis segue até os dias de hoje: se a cidade impulsionou Poe atrás de seus sonhos e o football mudou sua vida, tornando-o um atleta profissional, seu objetivo agora é retribuir. “A Poe Man’s Dream Foundation é para ajudar as crianças. Quis dar algo de volta para Memphis, foi um lugar muito bom pra mim”, reforça.

Queremos dar às crianças as habilidades e os recursos necessários para terem sucesso. Só estamos começando e vamos trabalhar para ver quais são as necessidades e, assim, ajudá-las”, completa, lembrando que seu projeto trabalha diversos pilares, que vão desde a alimentação a educação, além, claro, do esporte.

Passado e futuro

Na última free agency, Dontari visitou diversas cidades, como Indianapolis, Jacksonville e Miami. Mas acabou optando por Atlanta, em um contrato de um ano para provar seu valor e novamente encontrar Scott Pioli, hoje assistente geral dos Falcons – ainda como GM do Chiefs, Pioli selecionara Poe com a pick 11 do draft de 2012.

Sou grato pela oportunidade que Scott me deu em Kansas City. Claro, Pioli estar aqui é um ótimo bônus, mas de qualquer forma, Atlanta tem um ótimo time e posso contribuir bastante com a franquia: estou ansioso para fazer parte do Falcons”, afirma, sem esquecer os cinco anos que passou em Kansas.

Os torcedores de Kansas City são ótimos. Eles me apoiaram durante toda minha passagem e sentirei falta deles. Pode acreditar no que ouve pela TV: são realmente barulhentos, mas isso só te dá energia para jogar duro, afinal, você não quer decepcioná-los”.