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Torcendo para manteiga cair virada para cima

Regressão é um conceito estatístico que pode ser aplicado quando se observa uma variação muito diferente entre amostras de dados. Fazendo um mea culpa por esse momento monóculo, esse conceito ilustra bem as duas últimas temporadas do Atlanta Falcons. Um time que esteve a 25 pontos do paraíso em 2016 (nunca poderemos nos esquecer da vantagem de 28 a 3 ao fim do terceiro quarto no Super Bowl), mostrou-se muito menos explosivo em 2017.

A queda de produção no ataque

Em 2016, Matt Ryan foi MVP em um ataque que se tornou referência de jogo moderno na NFL, ao contar com aplicação de conceitos clássicos já estabelecidos no modelo profissional, além da adição de elementos de College Football. Tudo era lindo até que o sistema se mostrou vítima da própria complexidade no Super Bowl, quando se precisava de chamadas mais simples para queimar tempo. Em 2017, esse cenário mudou.

A substituição de Kyle Shanahan por Steve Sarkisian, vindo de passagens por USC e Alabama, foi como cancelar o pacote de internet mais foda que você tem disponível na sua cidade (ESPAÇO DESTINADO PARA MARCAS INTERESSADAS EM PARCERIAS) e voltar para a internet discada.

Nos primeiros jogos, Sarkisian até tentou manter os conceitos do ataque, muito pela manutenção das peças, mas à medida em que a temporada foi avançando, as tendências ficaram gravadas em game tape, tornando complicada a missão de manter o nível ofensivo.

“Você se importaria em chamar as jogadas no meu lugar?”

Sarkisian foi criticado principalmente por diminuir o envolvimento do WR Julio Jones na endzone: Julio recebeu apenas 3 TDs na temporada. A falta de capacidade do coordenador de variar as chamadas de acordo com a situação de campo fez com que o ataque emperrasse por muitas vezes na redzone. Um exemplo dessa inépcia são as duas partidas nos playoffs. Após uma vitória improvável contra os Rams em Los Angeles, em que a defesa se sobressaiu para parar o ataque mais prolífico da temporada, uma ida à Philadelphia. Um jogo bem feio.

O ataque teve o último drive da partida, com placar em 15 a 10. Após chegar a redzone com uma sequência de boas jogadas, duas tentativas de fade (aquela que, no Madden, você muda no audible) para Julio Jones, uma delas com rollout, determinaram o destino de Atlanta. Os Falcons terminaram o ano com um record 10-6, e a regressão se mostrou clara nas estatísticas das principais peças do ataque. Comparando, Matt Ryan foi de uma temporada de 4944 jardas e 38 TDs para 4095 jardas e 20 TDs, mesmo com as peças em 2017 sendo praticamente as mesmas de 2016.

Para o infortúnio do torcedor do estado da Georgia, não houve manutenção do elenco para 2018, com o time perdendo os WRs Taylor Gabriel e Andre Roberts e o TE Levine Toilolo. Via draft, Atlanta adicionou o WR Calvin Ridley (escolha de primeira rodada) e o RB Ito Smith. Ridley é apontado como um grande corredor de rotas e provavelmente terá uma transição tranquila para o jogo profissional, o que não ocorre com a maioria dos recebedores.

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No papel, um ataque com Matt Ryan, Julio Jones, Mohamed Sanu, Calvin Ridley, Austin Hooper, Jake Matthews, Alex Mack, Andy Levitre, Tevin Coleman e Devonta Freeman é bastante talentoso, mas fica a dúvida se Sarkisian será capaz de fazer tanto talento corresponder dentro de campo. Se o cenário não mudar, é provável que o coordenador ofensivo entregue o boné ao fim da temporada, o que já deveria ter sido feito, inclusive.

Uma defesa modelo

Se o ataque dos Falcons foi decepção, o torcedor não pode reclamar da defesa (na realidade, até pode, pois é inalienável o direito do torcedor à corneta gratuita e injustificável – especialmente quando sua defesa permite AQUELA conversão de terceira descida).

A unidade, construída com a velocidade como foco, deu um grande passo em 2017 para se tornar uma das grandes forças na NFL. O trabalho de Dan Quinn vem dando resultados e é possível ver evoluções inclusive em relação à sua passagem pelo Seahawks.

“Excuse me, but I’ll take this.”

Nomes como Takkarist McKinley, Grady Jarrett, Keanu Neal, De’Vondre Campbell, Desmond Trufant, Robert Alford, além dos principais destaques: Vic Beasley e Deion Jones. Um time muito jovem e talentoso, que ainda terá destaque por pelo menos as próximas cinco temporadas.

Apesar de uma regressão de Beasley no número de sacks, o time aumentou a quantidade de pressões em relação a 2016 e viu os holofotes se voltarem para Deion Jones, atualmente um dos melhores linebackers da liga. À medida em que essa jovem defesa se torna mais experiente, vai roubando espaço com uma das melhores da liga.

A disponibilidade de talento no lado defensivo da bola em Atlanta é enorme, o que se evidencia pelo fato de que, mesmo após as saídas de Dontari Poe e Adrian Clayborn, a expectativa para 2018 é de melhora.

Precisamos falar sobre Special Teams

Apesar de um visível contrabalanço na gestão de ataque e defesa dos Falcons, o fiel da balança para o time salvar o pescoço de Steve Sarkisian está no special teams. Espera-se que a defesa segure ataques logo no início dos drives, com sua agressividade e velocidade. Se o ataque emperrar, a atuação do punter Matt Bosher e do kicker Matt Bryant será essencial como forma de desafogo. O punter pode colocar a defesa em situação de anotar pontos através de turnovers, enquanto o kicker pode garantir aqueles field goals longos essenciais a um ataque que pouco produz quando o campo diminui. Para isso, o Falcons conta com dois dos melhores jogadores da NFL nesse quesito, capazes de ter importante contribuição para o placar das partidas.

Nota do editor: perceba a fé que o jovem tem nos esquemas de Steve Sarkisian. 

Palpite

É praticamente impossível prever o desenrolar da NFC South, que conta com três times que foram aos playoffs em 2017 e ainda tem condições de repetir o feito. Em uma divisão que é uma legítima briga de foice no escuro, não perder jogos para o Tampa Bay Buccaneers em pura implosão será obrigatório. Enquanto isso, a tabela não facilita em nada, com confrontos contra Eagles, Panthers, Saints e Steelers em quatro das cinco primeiras semanas.

O time é talentoso, mas terá que lidar com o azar de ter uma força de tabela muito alta devido à sua divisão. Podemos visualizar um cenário em que o Falcons encaixe uma campanha de 14 vitórias e garanta uma semana de descanso nos playoffs. Mas também pode acontecer de o time “trocar” derrotas com os rivais de divisão, precisando fazer contas para entrar no Wild Card. Tudo parece estar nas mãos do ataque comandado por Steve Sarkisian. A unidade deve ser o fiel da balança ao final da temporada. Com base no histórico do coordenador ofensivo, isso não acontecerá e o time pode terminar o ano com algo entre 8 e 10 vitórias. 

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVPDefensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Análise Tática #13 – Semana #6: Como o Atlanta Falcons foi Atlanta Falcons

A semana 6 mostra que a NFL segue desafiando analistas com suas previsões, afinal, fingimos que conhecemos algo, mas quando a bola sobe, coisas estranhas podem acontecer.

Seis semanas. Esse foi o tempo necessário para a esperança desaparecer completamente e o Cleveland Browns voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

E foi exatamente isso o que aconteceu no Mercedes-Benz Stadium (o estádio moderno com sistema de iluminação semelhante ao do pior inferninho que você conhece na sua cidade): o Atlanta Falcons desperdiçou 17 pontos de vantagem contra o possante Miami Dolphins comandado por Jay I don’t give a damn”  Cutler.

O primeiro tempo inteiro foi dominado pelos Falcons, que abriram 0-17 antes do intervalo. O novo coordenador ofensivo, Steve Sarkisian, ainda executa conceitos do ataque de 2016 comandado por Kyle Shanahan. Afinal, apenas tolos implodem um ano de sucesso por causa de uma derrota, por pior que ela seja.

Ainda no primeiro drive da partida, os Falcons mostraram um dos conceitos ofensivos mais interessantes. 3rd & 8, ainda no campo de defesa, o time se encontra em uma situação óbvia de passe. Ao contrário de tentar explorar rotas longas, o ataque comandado por Matt Ryan aproveita-se do fato de que a defesa dos Dolphins iria marcar em zona e alinha seus recebedores em formação trips-bunch do lado esquerdo.

O recebedor principal da jogada é Taylor Gabriel, camisa 18, indicado pela rota em laranja. Os demais recebedores em bunch (triângulo do lado inferior da imagem) têm por objetivo esticar o campo, reduzindo a quantidade de jogadores protegendo a marca do first down, na linha de 35. A linha ofensiva contém os pass rushers alinhados em 9-tech e Matt Ryan tem tempo de completar um passe fácil.

No momento em que a bola sai das mãos de Matt Ryan, não há nenhum defensor dos Dolphins próximo a Taylor Gabriel. Ótima jogada executada e O first down em um drive que resultaria em Field GoalAtlanta continuou seu domínio, e restando 2:00 no primeiro quarto, viria a marcar seu primeiro touchdown no jogo. Bola na linha de 40 do campo de ataque, os Falcons se alinham em 12 personnel, enquanto Miami mostra um desenho de cover 2 na secundária.

Ao prosseguir, observamos uma situação costumeiramente utilizada pelas defesas da NFL, mas igualmente perigosa. O disfarce de cobertura acontece para esconder do ataque as tendências ou plano de jogo, ao mesmo tempo em que jogadores defensivos fora de posição aumentam as chances da jogada ser mal executada.

Reparem no jogador circulado em azul, toda a jogada vai se desenvolver em cima dele. Em determinado momento da jogada, Austin Hooper, camisa 81 dos Falcons, executa uma rota out, quebrando na altura linha de 25 jardas. Nesse momento, Xavien Howard, camisa 25 dos Dolphins, hesita no lance, sem saber se receberá ou não apoio de um dos Safeties. Esse momento de indecisão é o suficiente para que Marvin Hall consiga a separação suficiente, e Matt Ryan coloque a bola perfeitamente em suas mãos. Touchdown Atlanta.

O jogador vendendo a possibilidade de um end-around (corrida em que o WR sai de uma das laterais e recebe o handoff no backfield também ajuda a segurar os linebackers, construindo o mismatch entre Howard e Hall, dois jogadores que você, leitor, provavelmente nunca tinha ouvido falar antes). Nessa jogada, Atlanta utiliza uma rota atacando o espaço entre os dois Safeties mostrado na leitura pré-snap, mesmo que a defesa dos Dolphins tenha executado algo totalmente diferente de um cover 2.

Já no segundo quarto, Atlanta seguia dominando, aqui aproveitamos para variar um pouco de jogadas de passe e analisar um conceito de corrida. Restando 7:52 no relógio, os Falcons se encontravam na linha de 39 do campo de defesa. Pelas características dos atletas de sua OL e de seus running backs, Atlanta gosta muito de executar jogadas de zone-blocking. Esse conceito de bloqueios funciona de forma muito simples: o jogador deve bloquear o adversário à sua frente. E se não houver ninguém, então partirá para o atleta mais próximo na direção em que a corrida se estabelece. Ao mesmo tempo, o running back deve ser capaz de antever o local em que surgirá o espaço que deverá correr.

Nesse caso, com uma formação de twin-TEs desenvolve-se uma corrida toss para o lado esquerdo do ataque. O Center Alex Mack e o LT Jack Matthews são os únicos jogadores que possuem assignments no segundo nível da defesa, sendo o último, o lead blocker (jogador que Devonta Freeman deverá seguir).

A esse ponto, a corrida já é um sucesso de execução, mas a capacidade atlética de Devonta Freeman a transforma em uma big play. O jogador atinge o segundo nível da defesa em alta velocidade e busca um corte para a direita, resultando num ganho de 44 jardas. Snaps depois, Tevin Coleman completaria o drive com um TD que colocaria os Falcons 17 pontos em vantagem antes do intervalo.

Depois do halftime, todo esse domínio de Atlanta ruiu. Assim como em fevereiro, o time se esqueceu de que a partir daquele momento, precisava queimar cronômetro. Uma série de campanhas curtas colocou de volta o ataque de Miami no jogo. 17 pontos não era uma diferença tão absurda assim, e Adam Gase inteligentemente contou com Jay Ajayi para equilibrar a partida, em vez de tentar a sorte com Jay Cutler. Uma série de boas corridas é sempre suficiente para colocar dúvidas na defesa e fazer com que até mesmo QBs como Cutler rendam bem no play action.

Já no terceiro quarto, 6:25 no relógio e bola na linha de 11. Ataque de Miami alinhado em shotgun singleback com 3 recebedores do lado direito e o TE Julius “It’s so Easy” Thomas do lado esquerdo entre a marcação numérica de 10 jardas e as hashmarks.

Em se tratando de uma 3rd & 7, situação óbvia de passe dentro da red zone, a defesa dos Falcons recuou corretamente em zona. Enquanto isso, a jogada de Miami se desenvolveu entre os dois recebedores mais internos do lado direito da formação, sendo Kenny Stills o alvo principal da jogada.

Aqui, méritos para Jay Cutler. O QB percebe o espaço devido a pass rushers alinhados em 9-tech, escala o pocket, exatamente o tempo em que Kenny Stills precisa para conseguir separação em sua rota, e ainda coloca um passe preciso. Touchdown e os Dolphins iniciam sua reação na partida.

Restando 1:38 ainda no terceiro quarto, os Dolphins tinham a bola novamente na redzone dos Falcons, dessa vez na linha de 7 jardas, em situação de 2nd & 6.

Alinhando com stack receivers, twin TEs e singleback formation, os Dolphins realizam um screen pass em fake motion com Jarvis Landry, ao perceber a marcação individual indicada em marrom.

O snap ocorre no momento em que Landry atinge a hashmark, ao mesmo tempo, em que todos os bloqueios e a rota de Kenny Stills se desenvolvem para a direita, atraindo a defesa. Com isso, Landry aproveita o mismatch e marca mais um touchdown, que naquele momento da partida, deixaria o placar em 14-17.

A vantagem construída no primeiro tempo já não existia mais e o momentum da partida era todo dos Dolphins, que com dois Field Goals no último quarto, conseguiram uma vitória fora de casa por 20-17, agora com record de 3-2. Aos Falcons, fica o aprendizado, mais uma vez, de quando se possui uma grande vantagem no segundo tempo, é necessário controlar o relógio.

Diego Vieira, como todo torcedor dos Colts (aparentemente o site precisava de mais um), também odeia o Atlanta Falcons.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

JJ Watt e Houston: football é maior fora de campo

Houston vem passando por uma série de catástrofes naturais: as chuvas e os eventos decorrentes do furacão Harvey deixaram a cidade destruída e debaixo d’água. Para colocar em perspectiva, na última semana, as chuvas no local foram o equivalente aos últimos 13 meses de precipitação em Manhattan.

Como você pode imaginar, muitas pessoas perderam tudo que tinham e, alguns lugares – casas, inclusive -, acabaram destruídos. O Astrodome, um dos estádios da cidade, tem servido de casa para muitos desabrigados.

É uma situação tensa, que tampouco conseguimos mensurar em palavras – a maioria de nós tem a sorte de nunca perder nada em situações como estas, e não conseguimos imaginar o tamanho da dor e dificuldades que quem sofre as consequências está passando. Mas, em momentos como esse, vemos alguns motivos para, com o perdão do clichê, não perder a fé na humanidade.

Robert Kraft, dono dos Patriots; Amy Adams, dona dos Titans; Christopher Johnson, dono dos Jets e Bob McNair, dono dos Texans doaram, cada um, um milhão de dólares para ajudar na reconstrução de Houston e da vida de seus habitantes.  

Mas quem tem mesmo se destacado é JJ Watt. O DE do Texans começou uma campanha no Twitter para arrecadar 250 mil dólares em doações. A visibilidade de Watt permitiu que a meta fosse, cada vez mais, aumentando. 500 mil dólares foram arrecadados em um um dia. Ao tempo da publicação desse texto, o número já era de 6 milhões e a meta de 10 – esperamos que continue crescendo.

Jogadores como Ezekiel Elliott, Dez Bryant e Chris Paul, da NBA, ajudaram na campanha que começou com uma doação de 100 mil dólares do próprio JJ. O DE tem atualizado seu perfil no Twitter a medida que as metas são batidas, incentivando as pessoas a doar.

O exemplo que ele vem dando mostra a importância dos atletas profissionais para a sua comunidade. Além de proporcionar alegrias dentro de campo, muitos jogadores se comprometem a ajudar os habitantes de suas cidades de outras maneiras. O esporte é uma forma de escapar dos problemas e o impacto no cotidiano das pessoas é ainda maior que aquele causado por uma jogada importante.

Home Sweet Dome

Talvez a história que melhor exemplifica a importância do esporte para uma cidade seja o punt bloqueado pelos Saints contra os Falcons. Em decorrência do furacão Katrina, que devastou New Orleans, os Saints não jogaram sequer um jogo da temporada de 2005 em seu estádio, que serviu de abrigo para os moradores da cidade. Assim, a equipe mandou suas partidas em diferentes locais: no Giants Stadium (em um jogo contra os Giants, teoricamente em casa); no Alamodome, em San Antonio, Texas; e no Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana.

No retorno do time ao Superdome, a jogada, logo no início do jogo, mostrou uma torcida em êxtase por ter seu time de volta após tempos difíceis, tanto para a equipe, quanto para a cidade. O fato de o jogo ter sido no horário nobre (Monday Night Football) apenas elevou a emoção do momento.

Renascimento.

Esses são exemplos do legado mais importante que um atleta – ou uma equipe – profissional pode deixar. Dentro de campo, times e jogadores podem fazer a alegria (ou a tristeza) de milhões de pessoas e servir de inspiração para muitas delas.

Por isso, inspirados em momentos como esses, separamos alguns casos em que jogadores mostram que o esporte é ainda maior fora de campo. Afinal, a NFL está repleta de exemplos como o de JJ Watt. Jogadores que, por afinidade com uma causa, um ideal a seguir, fazem muito fora de campo. Mais do que a sua diversão nas tardes de domingo, eles proporcionam a outras pessoas oportunidades de construir uma vida melhor.

Andrew Luck: um clube do livro.

Você já conhece o Andrew Luck dos passes para touchdown e das grandes jogadas. O que você talvez não conheça sobre o quarterback dos Colts é a sua paixão pela leitura. E que ele tem um clube do livro.

A ideia surgiu a partir de brincadeiras de membros da imprensa que, ao descobrirem a paixão de Luck, sugeriram a criação de um clube; em abril de 2016, Andrew lançou o Andrew Luck Book Club. É um espaço onde ele, quatro vezes por ano, durante a offseason, dá sugestões de livros. Um para crianças, incluindo aqueles que ele lia quando era mais novo, e um para adultos, que ele leu recentemente ou está lendo no momento.

Desde que me entendo por gente, amo ler. Devo isso aos meus pais, que liam para mim todas as noites até eu conseguir fazê-lo sozinho. Eles sempre encorajaram a mim e a meus irmãos a ler“, explicou Luck sobre o seu fascínio pelos livros.

“Sempre senti algo relaxante e agradável em relação à leitura, em parte porque sempre via meus pais lendo. Lembro das viagens de carro de 18 horas que fazíamos todo verão, indo de Houston ao Colorado nas férias da família. Sempre tinha a minha cara enfiada em um livro e ficava em silêncio por pelo menos 10 horas. Isso fazia o tempo passar muito mais rápido e eu sentia que podia “escapar” mais em um livro do que em um filme ou qualquer outra coisa. E ainda sinto isso hoje: ler é a melhor forma de esvaziar a cabeça e dar uma desacelerada”, completa.

Luck também trouxe a paixão pela leitura para dentro do vestiário: desde o início de sua carreira em Stanford, ele trocava livros e sugestões com seus colegas de equipe e técnicos. E essa tradição se manteve na NFL, onde encontrou mais jogadores que compartilhavam o hábito, como Vick Ballard, Matt Hasselbeck e Joe Reitz.

“Na verdade, nunca fiz parte de um clube do livro antes. Queria ter certeza de que, de qualquer forma, fosse simples e divertido e que incentivasse as pessoas a pegar um livro, sentar e ler.”

O clube do livro também encoraja os leitores a interagir nas redes sociais e, em algumas oportunidades, o próprio Luck participa, seja por meio de perguntas e respostas ou por vídeos, até mesmo ao vivo.

Andrew conta que a organização já recebeu retorno de bibliotecas, livrarias, autores, professores, pais e até mesmo de editoras pedindo para promover a iniciativa. Algumas escolas também começaram programas de leitura baseados na ideia. Durante essa inter-temporada, enquanto se recupera de cirurgia no ombro, Luck tem cultivado também o hábito de ler para crianças, em escolas ou hospitais infantis.

Lendo livros e defesas.

É fato que a leitura desempenha um papel importante na formação do ser humano, seja na infância ou na fase adulta. Ler quando pequeno é ainda mais importante, porque assim a pessoa desenvolve esse hábito para a vida toda. Ter um ídolo como Luck, que estimula crianças a ler e vai até elas para isso, cria uma nova geração de leitores. 

Tom Brady: sabendo ser ídolo.

Brady sabe do seu tamanho como jogador; e quando o assunto é ajudar a comunidade, ele fica ainda maior. Logan Schoenhardt, um jovem de 10 anos com um grave câncer no cérebro, ao realizar uma cirurgia, pediu para o médico gravar o número 12 em seu crânio. Quando ficou sabendo da notícia, Tom gravou uma mensagem de apoio ao seu fã.

Infelizmente o câncer retornou, dessa vez com pouca chance de cura. Logan fez uma lista de desejos, e um deles era conhecer seu ídolo. Brady se prontificou a conhecer o menino que, infelizmente, não conseguiu vencer sua doença. Apesar de ser uma história triste, que não teve um final feliz, o quarterback dos Patriots se mostrou muito solidário, realizando o último desejo de um dos seus maiores fãs.

Outra história que envolve o quarterback, é a de Calvin Riley – um jovem de 20 anos que tinha um futuro promissor no baseball quando foi baleado enquanto brincava de Pokemon Go. Calvin, que havia estudado na mesma escola que Tom, infelizmente não sobreviveu. Não havia nada que Brady pudesse fazer nessa situação, mas ele enviou uma carta de duas páginas, escrita à mão, para a família. A família se recusou a revelar o conteúdo do texto, mas disse que foi uma forma de conforto em meio a uma situação tão triste.

Larry Fitzgerald e Anquan Boldin: saindo da zona de conforto.

Em 2012 os WRs Anquan Boldin e Larry Fitzgerald fizeram uma visita a Etiopia. Boldin, quando conheceu um pouco mais sobre a realidade do país, resolveu ir pra lá ajudar e, para isso, chamou o amigo e ex-companheiro de time nos Cardinals.

Larry e Anquan trabalharam carregando pedras, sob a restrição de não dar dinheiro para os habitantes locais: um simples “presente” de 30 dólares para alguém poderia desequilibrar toda a ordem social ali existente. Ao final da viagem, inconformados com a pouca ajuda que puderam oferecer, os jogadores compraram, cada um, uma vaca para a região.

Um ano depois, eles estavam de novo no continente africano, dessa vez no Senegal e com mais um companheiro: o WR Roddy White. Os três visitaram um vilarejo que mal tinha água, e participaram do dia a dia da comunidade, procurando encontrar diferentes formas de ajudar. Boldin destacou a importância de levar a história desses lugares para cada vez mais pessoas.

Dois caras fodas.

Os jogadores ainda desenvolvem trabalhos na África. Fitzgerald, inclusive, participa de organizações que ajudam pessoas com AIDS no continente. Boldin ganhou, em 2015, o Walter Payton Man of the Year Award, prêmio que a NFL dá aos jogadores que mais se envolvem em trabalhos voluntários e de caridade.

Brandon Marshall: defendendo a conscientização.

A bipolaridade é uma doença real, mas que tem como principal adversária a forma como é vista na sociedade: muitas vezes romantizada, muita gente não sabe que existem pessoas que sofrem com ele. O WR Brandon Marshall é uma delas.

Desde que foi diagnosticado com o transtorno, Brandon luta pela causa, criando uma fundação com seu nome para alertar sobre os problemas da doença. O jogador já foi até mesmo multado pela NFL por usar chuteiras verdes – a cor escolhida para a conscientização sobre o assunto.

Pierre Garçon e Ricky Jean François: ajuda humanitária.

Quando o furacão Matthew passou pelo Haiti, Pierre Garçon e Ricky Jean François, então companheiros de equipe em Washington, de descendência haitiana, viajaram em um avião do dono da franquia para levar mantimentos ao país. Pierre e Ricky se mobilizaram também nas redes sociais, para ajudar a conseguir recursos. No país, eles ajudaram a entregar as doações.

Chris Long: o “cara da água”.

O DE Chris Long viajou para a Tanzânia pela primeira vez em 2013, para escalar o monte Kilimanjaro. O jogador se apaixonou pelo lugar, mas, em outras visitas, ficou assustado com a qualidade da água que as pessoas bebiam: a água é marrom com algumas coisas verdes nela“.

Para ajudar na situação, Chris criou a ONG Waterboys, que tem por objetivo melhorar a qualidade do recurso em países africanos. A iniciativa tem apoio de muitos jogadores da liga, e da própria NFL Network.

Você diria não a esse homem?

Andre Johnson, Steve Smith e Pat McAfee: presentes de Natal.

Todo natal o WR Andre Johnson leva crianças em lojas de brinquedo e gasta mais de 15 mil dólares em presentes. Mesmo depois de se aposentar, ele manteve o costume. O WR Steve Smith também tomou parte na ação, que é uma tradição no Baltimore Ravens. No último natal, o P Pat McAfee pagou a conta de luz de 115 famílias em Indianapolis, evitando inclusive que pessoas tivessem a sua eletricidade cortada.

JJ Watt, te amamos

Já falamos de JJ Watt no caso das enchentes de Houston, mas não é de agora que ele mostra seu talento fora de campo. JJ é o criador da JJ Watt Foundation, ONG que procura levar recursos a escolas para que elas possam desenvolver seus programas esportivos. Watt também é um apoiador dos militares, fazendo até mesmo campanhas em parceria com seu patrocinador, a Rebook, para auxiliar veteranos.

O jogador dos Texans também reconhece seus fãs: recentemente, um jovem foi atropelado em Houston e teve sua jersey, do próprio JJ, destruída. Quando ficou sabendo, Watt respondeu que iria ao hospital entregar pessoalmente uma nova camisa. E ele não só cumpriu a promessa, como deu uma de cada modelo para o menino.

Colin Kaepernick: um ativista.

É impossível fazer uma lista como essa sem citar Colin Kaepernick. Deixando toda polêmica de lado, o antigo quarterback dos 49ers já mostrou que não tem medo de manifestar suas ideologias. Ajoelhar durante o hino incomoda muita gente e, devido ao patriotismo de muitos americanos, dá pra entender (com um baita esforço) a rejeição ao jogador.

Acontece que seu gesto, conseguiu o que ele queria: chamar a atenção para a causa do racismo. Não só politicamente, Colin também é engajado na caridade. Recentemente, ele conseguiu um avião para levar água e suprimentos para os necessitados na Somália, doando cerca de 100 mil dólares. Goste ou não de Kaepernick, ele certamente tem um impacto fora de campo, maior até do que aquele que produziria dentro de um estádio.

Cam Newton: amigo da garotada.

Cam Newton é um exemplo um pouco diferente: o jogador, à sua maneira, age dentro e fora de campo. Cam tem o hábito de entregar as bolas dos touchdowns que marca para crianças e, apesar de ser um gesto simples, pode melhorar o dia de quem recebe o souvenir. Newton também tem uma fundação, que tem como missão “garantir que as necessidades sócio-econômicas, educacionais, físicas e emocionais das crianças sejam atendidas.

Já é tradição.

Ndamukong Suh: gigante fora de campo.

A revista Forbes é conhecida por suas listas e, dentre elas, está a de celebridades que mais fazem doações. Na lista de 2012, Ndamukong Suh foi o jogador da NFL que apareceu mais alto: Suh doou 2.6 milhões de dólares para a Universidade de Nebraska, sendo 2 milhões para o departamento atlético e 600 mil para a faculdade de Engenharia poder dar bolsas de estudo. Era, ali, a maior doação única de um jogador de futebol americano.

Esses são alguns exemplos de jogadores que tomam um pouco do seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. Ciente que essa é uma prática comum na liga, a NFL (que é extremamente rigorosa com os códigos de uniforme) estabeleceu, desde a última temporada, que os jogadores teriam uma semana para usar chuteiras personalizadas com as causas que quiserem divulgar.

A ação foi amplamente divulgada, e, durante as transmissões, alguns jogadores inclusive falavam da sua chuteira e o que ela estava representando. O resultado foi muito interessante. Você também pode fazer sua parte. Pesquise sobre seu jogador preferido, provavelmente ele tem algum projeto que você pode ajudar de alguma forma!

45 minutos no paraíso e a próxima grande decepção

Quem gosta de esportes precisa saber conviver com derrotas. Mesmo os melhores times estão sujeitos a elas. Essa constatação é bastante óbvia e todo torcedor a conhece muito bem. Mas existem algumas derrotas especiais, que causam cicatrizes profundas e podem se tornar verdadeiras maldições. O colapso épico que o Atlanta Falcons sofreu no Super Bowl LI é uma delas.

Aceitemos: coração sofrido do torcedor do Falcons só vai parar de sangrar quando o time vencer a grande final da NFL e levar o Lombardi Trophy para casa. Qualquer coisa diferente disso será apenas um prolongamento do sofrimento iniciado quando o placar do jogo contra o New England Patriots estava 28×3 para Atlanta e tudo começou a desmoronar.

A reviravolta no placar do Super Bowl foi tão inacreditável quanto o desempenho do Atlanta Falcons em 2016. O time produziu um dos mais eletrizantes e prolíficos ataques da história da NFL, que colaborou, inclusive, para que o QB Matt Ryan, até então um jogador apenas bom, fosse eleito com sobras o MVP da temporada. Seus principais companheiros de ataque não ficaram atrás: o WR Julio Jones recebeu para 1400 jardas e o RB Devonta Freeman conquistou mais de 1500 jardas totais e anotou 13 TDs. Freeman certamente teria sido o MVP do Super Bowl, se o Falcons não tivesse jogado tudo no lixo.

O ataque era tão bom que até os coadjuvantes conseguiam estatísticas melhores que os titulares de muitos times: o RB Tevin Coleman, por exemplo, se aproximou das 1000 jardas totais e conseguiu 11 TDs.

Até aqui tava tudo bem.

Máquina perfeita e os novos ajustes

O ataque do Atlanta Falcons do ano passado era uma máquina em perfeito funcionamento. A boa notícia para os ainda incrédulos torcedores de Atlanta é que todos os jogadores que faziam parte dessa engrenagem super eficiente continuam no time em 2017.

Nenhuma perda significativa aconteceu. Julio Jones continua sendo, talvez, o melhor WR da NFL. Devonta Freeman deve continuar sendo um dos melhores RBs da liga e Tevin Coleman tem tudo para melhorar e até igualar as performances de Freeman. Mohamed Sanu, Taylor Gabriel e o TE Austin Hooper também são jogadores suficientemente bons para complementar as performances das estrelas.

Até aí tudo parece nos trilhos para que as excelentes performances ofensivas continuem em 2017, mas a má notícia é que o responsável por construir esse ataque maravilhoso e coordená-lo foi embora. Kyle Shanahan, coordenador ofensivo do time em 2016, hoje é head coach do San Francisco 49ers.

Shanahan foi muito criticado pela maneira com que chamou as jogadas no segundo tempo do Super Bowl perdido para o Patriots. As críticas foram justas, já que Atlanta desperdiçou diversas oportunidades de fazer o relógio correr e deixou tempo demais para Tom Brady se transformar ainda mais em um Deus, mas não se pode tirar o mérito do ataque histórico que ele construiu e é preciso, desde já, admitir que Kyle fará falta.

Seu substituto será Steve Sarkisian, técnico que teve longa carreira no college e algumas passagens curtas na NFL. Sarkisian terá o desafio de manter a máquina funcionando como em 2016, mas já é possível adiantar que não conseguirá. Atlanta não repetirá a temporada ofensiva histórica, mas continua tendo o talento necessário para ser um dos melhores ataques da NFL. A regressão é certa, mas resta saber se a ressaca da sofrida derrota no Super Bowl não causará estragos maiores às perturbadas mentes dos Falcões de Atlanta.

O outro lado da bola

As críticas às chamadas ofensivas quando o Alanta Falcons tinha a liderança no segundo tempo do Super Bowl são justas, mas é importante lembrar que a defesa parece ter entrado em estado de choque e apenas assistiu o desfile do New England Patriots para a glória.

É difícil explicar o que realmente aconteceu nos últimos 20 minutos do jogo, já que o sistema defensivo do Falcons incomodou bastante Tom Brady e dominou completamente a partida até a metade do terceiro quarto. Para 2017, a pergunta que fica é: qual defesa do Falcons vai aparecer? A que entregou o jogo para Tom Brady? Ou a que tomou apenas três pontos do poderoso Patriots em metade do Super Bowl e limitou Aaron Rodgers e Russel Wilson a jogos ruins nos playoffs da NFC?

O que sabemos é que o head coach Dan Quinn parece não ter ficado muito satisfeito com o que viu em 2016, já que demitiu o coordenador defensivo Richard Smith para promover o então técnico de defensive backs Marquand Manuel ao cargo.

O futuro a Ele pertence.

O despertar da força?

A principal força da defesa agora comandada por Manuel deve ser a linha defensiva. Vic Beasley liderou a liga em sacks em 2016, com 15,5 e é o principal jogador da defesa. A ele se juntam o lendário e amigo do Pick Six Dontari Poe e a escolha de primeiro round do draft de 2017, Takkarist (grande nome) McKinley, que formam um grupo de respeito tanto contra o jogo corrido quanto colocando pressão nos QBs adversários.

Na secundária, completamente exposta por Tom Brady no segundo tempo do Super Bowl, o principal nome é Desmond Trufant, que retorna de uma contusão no peitoral que o tirou da temporada na semana 9 de 2016, quando já havia se tornado um dos verdadeiros shutdown CBs da NFL.

Trufant fez muita falta e deve comandar uma secundária com jogadores inexperientes, mas com bastante potencial, como o safety Keanu Neal. Não é uma unidade em que se possa confiar totalmente e a força da defesa do Falcons estará na capacidade de colocar pressão nos QBs.

De qualquer forma, com a inevitável regressão da performance do ataque, a defesa do Falcons precisará ser um pouco melhor para vencer uma divisão que tem ataques bastante fortes. Pode acontecer, mas talvez a evolução defensiva não seja suficiente.

Palpite: A empolgação tomará conta da torcida na primeira temporada em seu belo novo estádio e as dores do Super Bowl perdido serão temporariamente amenizadas. O Atlanta Falcons estará nos playoffs, pois ainda é o melhor e mais completo time da divisão, mas não será tão dominante quanto em 2016. Noa pós-temporada, uma vitória é possível, mas a derrota virá e a realidade voltará à tona: a cura para as feridas abertas se chama Lombardi Trophy –  ele ainda demorará um pouco para desembarcar em Atlanta.

Atlanta, Kansas City, a touchdown: a talk with Dontari Poe

What’s your favorite play from last season? One of Antonio Brown’s insane receptions? A spetacular catch from Odell? Le’Veon Bell smoothly running through defenders? Maybe the blocked FG that the Broncos returned to score two points against the Saints?  Or Julian Edelman’s miracle in the Super Bowl?

Well, we respect your choice, but we believe there’s no debate: nothing was prettier than NT Dontari Poe and his 340 pounds finding TE Demetrius Harris completely open in the endzone on Christmas’ night – sending home the former Super Bowl champions Denver Broncos.

Until that moment, no NFL teams had trusted someone like Poe to throw a football – and the Chiefs trusted him to end the postseason chances of one of their biggest rivals. The play starred by Dontari was something extremely rare and beautiful: a guy with his size speeds up, suddenly stops and then rises up, almost in slow motion, and finds the open receiver… the truth is huge bodies aren’t supposed to move so “poetically”. And heavy human beings shouldn’t be capable of putting such a delicate touch on the ball.

You know, sometimes we played during practice. I like to throw the ball without great pretensions. We practiced the play a lot. Inside the field, it’s all about being prepared.”, says Poe, who currently plays for the Atlanta Falcons, in an interview for Pick Six. “Deep inside, I knew it would work, because we practiced that several times. It was a fun play to execute”, he adds.

Poe became the heaviest player in NFL’s history to pass for a TD. The previous record belonged to JaMarcus Russel, with 265 pounds and, well, Russel was a quarterback, not a nose tackle – and it’s Worth remembering that, in the end of 2015, Dontari also had become the heaviest man to run for a TD, passing William “Refrigerator” Perry and his “insignificant” 335 pounds.

A nice guy!

Roots

Another unusual fact in Dontari’s life is that, unlike most Young americans, he had never played football before high school. “I was part of the school’s band, coach Miller saw me and wanted me to play. It was simple: I ended up liking and he motivated me to get better”, he remembers.

Poe then consolidated himself as one of the most promissing prospects of the state of Tennessee and decided to join University of Memphis, where he spent three years before declaring for the NFL draft and becoming the school’s first player to be selected in the first round.

Looking back now, it may seem unbelievable… But I work really hard”, he says. “I had many amazing teammates and coaches. If you have a dream, in the end of the day, it’s just about how much you’re going to work hard to achieve it”.

The connection to Memphis remains untill now: if the city launched Poe to pursue his dreams and football changed his life, making him a professional athlete, his goal now is to retribute. “The Poe Man’s Dream Foundation’s objective is helping kids. I wanted to give something back to Memphis, it was a very good place for me”, he adds.

We want to give the chidren the abilities and the resources that will allow them to be successfull. We are just starting and are going to work to check their needs and help them”, he completes, reminding that his Project has multiple pilars, like food, education and, of course, sports.

Past and future

During the last free agency period, Dontari visited multiple cities, like Indianapolis, Jacksonville and Miami. But he opted for Atlanta, in a one year contract to prove his value and rejoin Scott Piolli, now assistant general manager for the Falcons – when he was Chiefs’ GM, Pioli selected Poe with the pick 11 of the 2012 draft.

I’m grateful for the opportunity Scott gave me in Kansas City. Of course, Pioli being here is a great bonus, but, anyway, Atlanta has a great team and I can contribute to the franchise: I’m anxious to be a Falcon”, he says, without forgetting the five years he spent in Kansas City.

Chiefs fans are great. They supported me during the whole time there and I will miss them. Believe what you hear on TV: they are really loud, but it gives you energy to play hard, after all, you don’t want to disappoint them.”

Atlanta, Kansas City, um TD: uma conversa com Dontari Poe

Qual sua jogada favorita da última temporada? Alguma recepção insana de Antonio Brown? Um TD improvável de Odell? Algum momento em que Le’Veon Bell tenha desfilado em campo? Talvez o bloqueio de FG retornado para dois pontos pela defesa do Broncos contra o Saints? Ou ainda o milagre de Julian Edelman no Super Bowl?

Bom, respeitaremos sua escolha, mas acreditamos que não há debate: nada foi mais bonito que o NT Dontari Poe e suas 340 libras (ou quase 155 kg) encontrando o TE Demetrius Harris livre na endzone na noite de natal – e eliminando o então campeão Denver Broncos.

Até então nenhuma equipe da NFL havia confiado em alguém como Poe para lançar uma bola – e os Chiefs confiaram nele para sepultar as chances de pós-temporada de um de seus maiores rivais.

O momento protagonizado por Dontari foi algo extremamente raro e belo: alguém com seu tamanho aumentar a velocidade, parar repentinamente e então levantar quase em câmera lenta e encontrar um recebedor livre… a verdade é que nenhum corpo tão imenso pode se mover tão poeticamente. E nenhum ser humano tão pesado seria humanamente capaz de colocar na bola um toque tão delicado.

“Sabe, às vezes nós brincávamos durante o treino. Gosto de lançar a bola sem maiores pretensões de vez em quando. Treinamos a jogada bastante. Dentro de campo, é tudo sobre estar preparado”, diz Poe, hoje no Atlanta Falcons, em entrevista ao Pick Six. “No fundo, sabia que daria certo porque nós treinamos isso várias vezes. Foi uma jogada divertida de se executar”, completa.

E assim Poe se tornou o jogador mais pesado da história da NFL a passar para um TD. O recorde anterior pertencia a JaMarcus Russel, com 265 libras (120kg) e, bem, Russel era um quarterback, não um nose tackle – e é válido lembrar que, no final de 2015, Dontari também já havia se tornado o homem mais pesado a marcar um TD correndo, quebrando a marca de William “Refrigerator” Perry e suas insignificantes 335 libras.

É muita simpatia!

Raízes

Outro fato inusitado na vida de Dontari é que, diferente da maioria dos jovens americanos, ele nunca havia jogado football antes do high school. “Estava na bandinha, o técnico Miller me viu e quis que eu jogasse. Foi simples: acabei gostando e ele me incentivou a melhorar”, relembra.

Poe então se consolidou como um dos prospectos mais promissores do estado do Tennessee e decidiu se juntar a Universidade de Memphis, onde passaria três anos antes de se declarar para o draft e se tornar o primeiro jogador da história da universidade a ser selecionado na primeira rodada.

“Olhando agora, pode parecer inacreditável… Mas realmente trabalho duro”, diz. “Tive muitos colegas e treinadores incríveis. Se você tem um sonho, no final do dia, é sobre o quanto você irá trabalhar e se esforçar para alcançá-lo”.

A ligação com Memphis segue até os dias de hoje: se a cidade impulsionou Poe atrás de seus sonhos e o football mudou sua vida, tornando-o um atleta profissional, seu objetivo agora é retribuir.

A Poe Man’s Dream Foundation é para ajudar as crianças. Quis dar algo de volta para Memphis, foi um lugar muito bom pra mim”, reforça.

Queremos dar às crianças as habilidades e os recursos necessários para terem sucesso. Só estamos começando e vamos trabalhar para ver quais são as necessidades e, assim, ajudá-las”, completa, lembrando que seu projeto trabalha diversos pilares, que vão desde a alimentação a educação, além, claro, do esporte.

Passado e futuro

Na última free agency, Dontari visitou diversas cidades, como Indianapolis, Jacksonville e Miami. Mas acabou optando por Atlanta, em um contrato de um ano para provar seu valor e novamente encontrar Scott Pioli, hoje assistente geral dos Falcons – ainda como GM do Chiefs, Pioli selecionara Poe com a pick 11 do draft de 2012.

“Sou grato pela oportunidade que Scott me deu em Kansas City. Claro, Pioli estar aqui é um ótimo bônus, mas de qualquer forma, Atlanta tem um ótimo time e posso contribuir bastante com a franquia: estou ansioso para fazer parte do Falcons”, afirma, sem esquecer os cinco anos que passou em Kansas.

Os torcedores de Kansas City são ótimos. Eles me apoiaram durante toda minha passagem e sentirei falta deles. Pode acreditar no que ouve pela TV: são realmente barulhentos, mas isso só te dá energia para jogar duro, afinal, você não quer decepcioná-los”.

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.

Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville, Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo.

Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

Patriots, Tom Brady e Bill Belichick: quando tudo e nada fazem sentido

Tom Brady tem a equipe ao seu redor, instantes antes de ir para o snap. Ele dá um leve sinal com a mão para Julian Edelman. New England estava oito pontos atrás no marcador, em uma 1&10 na linha de 36 jardas de seu próprio campo. O passe é desviado e paira no ar por segundos que, na verdade, soaram como uma eternidade. Quando três defensores de Atlanta convergiram em direção a bola, Edelman passou entre as pernas de um deles. Ele segura a bola, mas dessa vez por um milésimo de segundo, também quase eternos, ela escapa. Mero capricho antes de Julian agarrá-la definitivamente, sem que ela tocasse a grama.

Dessa vez foi preciso respirar por alguns segundos, quando agora eram necessários minutos, para perceber que estávamos diante do instante definitivo que escancarava a inevitabilidade da vitória de New England – e o consequente fracasso de Atlanta. E mesmo que possam ser apontados outros momentos tão densamente significativos quanto aquela recepção, como o fumble forçado por Hightower ou o sack de Trey Flowers empurrando Matt Ryan em um abismo particular, o lance protagonizado por Edelman flertou com o surreal.

Ali, naquela fração de tempo, se encontravam diversos instantes que definiram a história do esporte, como a recepção de David Tyree anos antes diante do mesmo New England, o arremesso de Ray Allen contra o Spurs no Jogo 6 ou mesmo os minutos derradeiros de Cleveland e Warriors na última decisão da NBA. Havia um pouco também do Chicago Cubs quebrando sua maldição particular e de Patrick Kane com seu Phantom Goal.

Aconteceu ou não aconteceu?

O caminho até aqui

Tudo o que aconteceu no último domingo só foi possível porque Brady e Belichick colocaram o Patriots em condições de vencer, na maior atuação que um quarto período de um Super Bowl já viu. Claro, eles contaram com um auxílio fundamental do sistema defensivo, que após ir para os vestiários retornou avassalador e talvez tenha sido o maior responsável pela vitória. De qualquer forma, não foi uma sensação estranha, após tudo que já vimos esta dupla fazer. Mas há um quê de ironia, quando voltamos duas temporadas no tempo: na week #4 da temporada 2014-2015, contra Kansas City, Tom Brady e o New England Patriots como conhecemos pareciam finalmente ter chegado ao fim.

O destino daquela temporada, porém, terminou com a conquista de mais um Vince Lombardi. E cada vez que alguém credita o sucesso de New England a sorte por Brady ter parado em Foxborough ou a Belichick e seu sistema perfeito, esquece a melhor parte da história: qualquer destes elementos poderiam ter ido para qualquer outro lado.

Além de tudo isto há diversos fatores quase intangíveis que ajudaram a moldar Belichick, New England e, sobretudo, o próprio Brady: quando Adam Vinatieri acertou aquele field goal em meio a uma nevasca, Brady se tornou um pouco do que é hoje. Dois anos depois o mesmo Adam ajudou o Patriots a vencer um jogo de playoff contra o Titans com outra bomba de mais de 45 jardas com termômetros congelados. Se essas bolas não tivessem entrado, talvez não estivéssemos tendo esta conversa.

Talvez isso ajude você a argumentar que a sorte sempre esteve ao lado de Brady e Belichick. Há uma dose de verdade, claro: no segundo Super Bowl da dupla, contra o Panthers em 2004, Carolina havia empatado a partida com menos de dois minutos para o fim. Mas John Kasay inexplicavelmente chutou o kickoff pela lateral, dando a chance para o Patriots começar sua caminhada já na linha de 40 jardas de seu campo; para azar de Kasay (ou sorte de New England), Brady e seu jogo aéreo estavam próximos da perfeição, então eles só precisaram fazer seu trabalho. Na história há ainda a interceptação de Malcolm Butler na linha de uma jarda, quando tudo já parecia perdido diante do Seattle Seahawks em 2014 e diversos outros momentos favoráveis a New England.

Mas também se há uma dose de sorte ao lado de New England, o que dizer da já citada recepção de David Tyree em um Super Bowl que provavelmente o Patriots merecia vencer – o mesmo jogo, aliás, reservou um drop em uma interceptação quase certa de Asante Samuel, quase tão sofrível como o drop de Wes Welker quatro anos depois. E se no passe para Tyree há a inegável carga de “sorte”, a conexão de Eli Manning para Mario Manningham provavelmente foi o mais próximo que o Giants já chegou da perfeição – ou o mais próximo do azar com que New England flertara.

A história do New England, de Brady e Belichick é marcada por toda a casualidade possível a qualquer narrativa, em que de forma quase poética “sorte” e “azar” se relacionam: se o Patriots já viveu a melhor sorte com que você pode sonhar, ele também já conheceu o pior lado do infortúnio que você pode imaginar.

Filme repetido.

As pedras na estrada

Vamos falar a verdade: a NFL é uma liga paranoica e para todos os lados sempre há alguém pensando que Belichick e companhia estão fazendo algo fora das regras. E talvez para a liga o grande legado do Super Bowl LI seja a oportunidade perfeita para enterrar definitivamente o Deflategate.

O fato é que a coisa toda já soa como ridícula, uma histeria não compensada entre evidências e ingenuidade. Desde então várias teorias surgiram com a mesma velocidade em que foram descartadas. Não que seja possível desconsiderar que Brady não sabia o que estava fazendo, longe disso; é ingênuo crer que, coincidentemente, Tom passou a ter contato regular com John Jastremski, responsável pelos equipamentos de jogo, logo após aquela partida em que amassou Indianapolis.

Ao mesmo tempo, talvez finalmente nada disso importe, já que no auge da discussão gente como Boomer Esiason e Rich Gannon sugeriram que em tudo isto não há nenhum impacto real sobre desempenho e que equipes manipulam bolas de football por anosAaron Rodgers, aliás, declarou diversas vezes que se sente mais confortável com bolas mais cheias e, bem, aposto que você não passa tardes imaginando que Rodgers está sentando em seu sofá criando estratégias não convencionais para inflá-las.

De qualquer forma, se você crê que Brady e Belichick fizeram e fazem algo contra as regras, talvez você consiga provar. Mas se você parte da premissa que Tom faz algo que lhe permita ter uma grande vantagem em relação as outras franquias, você estará apenas alimentando a narrativa de “todos estamos contra o Patriots”, tão entediante quanto aquela que vem do próprio New England: “todos estão contra nós”.

Enfim, nenhum problema, você só está escolhendo o caminho mais cômodo. De qualquer forma, os odeie pelo motivo que quiser, por qualquer outra razão. Os odeie até mesmo sem motivo algum – apenas deixe de lado esta muleta.

A chave do sucesso

Todo o êxito de New England, porém, não pode ser resumido a dupla construída entre seu quarterback e seu head coach; não são apelas eles que permaneceram os mesmos ao longo dos últimos 15 anos: o núcleo e a essência do sistema ofensivo do Patriots se aperfeiçoou neste período, estabilizando as transições necessárias e, sobretudo, permitindo a próxima evolução, afinal sua concepção e organização são as mais adequadas para se adaptar a uma NFL em que mudar de pessoas e tendências é a única certeza.

Tudo isto se torna mais absurdo quando consideramos que a liga é construída e planejada para ser homogênea: há o draft que prioriza o equilíbrio e cada franquia, a grosso modo, tem os mesmos recursos e as mesmas instalações. É um cenário em que a homogeneidade faz todo sentido.

Mas por algum motivo que nunca conseguiremos mensurar, no mesmo sexto round em 2000, 16 escolhas antes, o Browns selecionou Spergon Wynn. No primeiro round daquele mesmo ano, o Jets escolheu Chad Pennington. Já na terceira rodada, o 49ers, time da infância de Tom, escolheu Giovanni Carmazzi. E, claro, citamos tudo isso sabendo que o draft está longe de ser uma ciência exata; relembramos apenas para termos a real dimensão do que talvez a humanidade um dia tenha convencionado como “destino”.

Browns, Jets, 49ers e tantos outros o deixaram escapar para que Brady acabasse ao lado do treinador mais brilhante que a NFL já viu. Para que Tom, por muito tempo, estivesse ao lado de uma grande defesa e, ao menos nos primeiros anos de sua carreira, protegido por uma das melhores linhas ofensivas do football, que o manteve saudável em seus melhores anos enquanto, por exemplo, Andrew Luck é violentado jogo após jogo.

Bem louco.

Sorte por estar ao lado de um grande head coach? Por estar em uma franquia que soube compreender suas necessidades para potencializar suas qualidades? Reduzir a trajetória de Brady a estes elementos seria ignorar todo o caminho que ele percorreu, ignorar o que faz sua carreira cada vez mais incrível.

Michael Jordan, por exemplo, teve a “sorte” de passar a maior parte de sua carreira ao lado de Scottie Pippen, alguém que o completava em todos os sentidos possíveis dentro de uma quadra de basquete. Jordan também esteve sob a tutela de Phil Jackson, um dos melhores treinadores que a NBA já viu. Tim Duncan teve a sorte de estar ao lado de Gregg Popovich ou talvez Popovich teve a sorte de estar ao lado de Duncan por duas décadas. Magic Johnson teve Kareem Abdul-Jabbar e depois teve James Worthy. Joe Montava teve Bill Walsh e Jerry Rice.

E se Bill Belichick não tivesse tropeçado com aquela escolha de sexto round há quase 20 anos, não estaria hoje comemorando seu quinto Super Bowl. É assim que a vida funciona e o esporte é o melhor reflexo dela: às vezes é sobre estar no lugar certo na hora certa e todas as peças naturalmente vão convergir, então você só precisará fazer seu trabalho. O ser humano ama a grandeza, se fascina pela glória, mas esquece quão arbitrária ela pode ser. É como nossa própria vida: pensemos o quão aleatórios são os momentos e interseções que definiram exatamente onde estamos hoje?

Nunca torci para o New England Patriots, mas sempre vou admirar a maneira como Brady e Belichick construíram a história da franquia. Sempre olharei para a carreira de Tom Brady com um misto de admiração (ódio) e inveja saudável por tudo isto não ter ocorrido no meu time, mesmo que a história de cada franquia seja repleta de grandes momentos particulares, que não as fazem maiores ou menores que a história construída por New England.

Hoje, Brady tem cinco Super Bowls, foi quatro vezes MVP da decisão e duas vezes MVP da liga. Teve também uma temporada regular sem derrotas, tem mais títulos da AFC East do que cabem em meus dedos e foi responsável pelos melhores 20 minutos finais que uma partida de football já viveu. Trabalho e talentos são tão cruciais para o sucesso quanto qualidades intangíveis como paixão e a sinergia necessária para que todos estes elementos estejam em sincronia.

Ah, claro, a sorte também precisa estar ali e, com altas doses dela, você pode até chegar ao topo, mas nunca conseguirá se manter nele por tanto tempo – e, bem, ninguém que está no topo chegou lá sem alguns acidentes no meio caminho.