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Análise Tática #28: Semana 2, 2018 – Patrick Mahomes e a nova dimensão do ataque dos Chiefs

Mais uma semana de temporada regular nos livros (traduções literais) e a análise tática deste maravilhoso sítio vem novamente destrinchar a posição mais chamativa do jogo: quarterback. Dessa vez falaremos sobre o início avassalador de Patrick Mahomes no Kansas City Chiefs.

Patrick Lavon Mahomes II, vindo de Texas Tech, talvez seja o principal personagem gunslinger do início da temporada. Após passar seu ano de calouro na NFL como redshirt (jogou apenas pré-temporada e na semana 17), o segundanista começou o ano com um desempenho inacreditável, colocando-o ao lado de nomes como Peyton Manning, Tom Brady e Ryan Fitzmagic™ (por que não).

Após os 10 touchdowns em dois jogos (quatro na semana 1 contra os Chargers e 6 na semana 2 contra os Steelers) é impossível não se impressionar com o desempenho do jogador. Mahomes tem como estatísticas totais (atentando ao baixo espaço amostral) 38/55 passes (69.1%), 582 jardas aéreas, 10.6 jardas por passe, 10 TDs e nenhum turnover.

Traduzindo esses números para termos de estatísticas avançadas, Mahomes tem incríveis 13.65 ANY/A (qualquer número acima de 7 é considerado bom). Segundo o Pro Football Focus, Pat teve 235 pass-DYAR (Defense-Adjusted Yards Above Replacement). Suas atuações contribuem para que os Chiefs sejam o segundo time em DVOA na temporada, com 59.4%.

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Dada tamanha produção tão cedo, é natural esperar que de certa forma haja uma queda ao longo do ano. Mahomes na prática é um calouro, então será normal ver o quarterback lançar algum passe duvidoso que gere alguma interceptação que não deveria acontecer.

Além disso, é evidente que as boas atuações dos Chiefs se deram por outros fatores que a atuação do jovem QB, mas como a posição era o principal ponto de interrogação de Kansas City na temporada, é impossível não se impressionar. Antes que a regressão à média inevitavelmente ataque o jogador, vamos curtir o desempenho de Mahomes analisando o tape das melhores jogadas de pontuação dos Chiefs nas duas primeiras semanas.

KC 7-3 SD. Q1 7:12. 2nd & 4 em KC42

Na primeira jogada da análise, vemos um exemplo de como Mahomes tomou uma decisão rápida com o pocket colapsando à sua frente.

Kansas City alinha-se em uma formação com indicação pesada para uma possível corrida para o lado esquerdo da defesa, enquanto Tyrek Hill sai em motion. Dada essa situação, os jogadores indicados em vermelho serão as iscas, enquanto Hill tem a sua frente um defensor marcando em zona, que o passará para o Safety caso Hill vá em profundidade. Como o pocket colapsa pelo A-Gap, toda essa leitura precisa ser de forma rápida, e Mahomes solta a bola com uma mecânica meio questionável (repare na postura torta dos braços).

O fator força no braço é determinante na jogada, e Mahomes consegue conectar o passe no triângulo entre os jogadores circulados em vermelho. A partir de então, a responsabilidade toda é de Tyrek Hill em vencer os adversários em velocidade e disparar à endzone.

KC 24-12 SD. Q3 1:20. 1st & 10 em LAC36

A segunda etapa é outro exemplo de como os Chiefs partiram de uma formação com desenho pesado de corrida para rotas espalhadas pelo campo. Essa foi uma forma de Andy Reid fazer com que a velocidade de seus skill players se sobressaísse a partir do momento em que todos eles cruzassem a linha de scrimmage.

Os Chiefs partem para um four verts, enquanto os Chargers respondem com um Cover 4 na secundária. A chave aqui é a formação pesada, fazendo com que os defensores precisem compensar alinhando um pouco mais para a região das hashmarks.

O jogador circulado em vermelho será a isca, enquanto todos os demais, defendendo rotas go, terão jogadores para observar. Por causa disso, nenhum dos jogadores em zona no fundo do campo é capaz de dobrar a marcação em cima de Tyrek Hill, que ao já sair em velocidade da linha de scrimmage, vence com facilidade seu marcador.

No momento do passe, Hill ainda está atrás do marcador, mas Mahomes vê por antecipação e cálculo de velocidade a vantagem no duelo, e lança um passe no ponto futuro da rota, quase próximo à linha lateral. Tyrek mantém o equilíbrio e continua dentro de campo, indo para o segundo TD de deep ball dos Chiefs na partida da primeira rodada.

KC 0-0 PIT. Q1 13:26 2nd & 15 em PIT15

Agora vamos para a segunda partida da temporada, mostrando como John Keith Butler e Mike Tomlin “ajudaram” Andy Reid no trabalho de fazer o talento de Mahomes se sobressair. Em todas as jogadas da partida da segunda semana, temos o ponto em comum: o uso da seam.

Ao contrário dos exemplos anteriores, essa jogada tem apenas uma rota em profundidade, que atacará o espaço vazio. Reparem que o safety single-high está um pouco deslocado para o lado superior da imagem. Esse offset no posicionamento gera o espaço vazio marcado com o polígono, que será atacado pela rota seam.

As demais rotas da jogada são usadas para prender marcadores à linha de scrimmage. Os recebedores externos adotam posições de screen-pass, enquanto o slot receiver faz o melhor método de quebra de marcação possível: ELE SIMPLESMENTE CATA UM CAVACO BONITO NA JOGADA, EXECUÇÃO 10/10.

Boa parte das leituras de quarterback a nível profissional baseiam-se na identificação de triângulos na defesa. A partir do snap, é exatamente essa leitura que Mahomes deve identificar. Geralmente, essa “progressão” ocorre a partir do Safety no fundo do campo (primeira identificação pré-snap), pelo marcador mais próximo ao recebedor, e ao marcador defensor mais próximo dos dois.

Essas leituras vão sendo alternadas ao longo do campo à medida que o QB avança em sua progressão. Alguns fatores como reação do jogador de defesa em relação ao movimento da jogada influenciam na leitura. O leitor deve estar pensando que é uma quantidade absurda de informação que o quarterback tem que realizar em até 2 segundos, o que justifica que os bons jogadores da posição recebem contratos milionários e por que esse tipo de atleta é o que mais faz diferença em um time em relação a todos os esportes coletivos.

Após essa explicação rudimentar da leitura triângulo do QB (detalhes mais avançados ficam para futuros textos, não vamos queimar tudo agora), observamos a marcação feita na figura, com os três defensores envolvidos na jogada. Um dos jogadores-vértices já passou o recebedor para seu companheiro no fundo do campo, mesmo sendo quase que impossível para o Safety reagir e defender o passe, dado espaço entre os marcadores. Recepção fácil no fundo da endzone.

KC 7-0 PIT. Q1 9:41 2nd & 8 em PIT19

O exemplo a seguir é semelhante ao segundo deste texto, em que os Chiefs utilizam uma formação com desenho pesado para corrida e rotas verticais para maximizar a velocidade dos recebedores contra a defesa. Aqui, Andy Reid incrementa o uso de motion para dar algumas pistas a Mahomes quanto ao tipo de marcação e identificação dos jogadores-chave.

Quanto à leitura-triângulo, Mahomes identifica o single-high mas precisa alterar um dos vértices do triângulo para o box-safety, já que o primeiro irá para o lado oposto da progressão. O recebedor principal é o TE Travis Kelce.

Ao contrário do exemplo anterior, a janela aqui é um pouco mais estreita, sendo necessário um passe mais alto para que Kelce leve vantagem na habilidade atlética.

 

Mudando para (tentar) vencer

É impossível falar de sucesso no mundo esportivo sem pensar em títulos e troféus. Um time que não consegue atingir a glória máxima – ou, ao menos, chegar perto dela – dificilmente é considerado bem sucedido, mesmo que apresente resultados muito acima da média. É, de certa forma, injusto, porém é natural que o verdadeiro reconhecimento seja um privilégio apenas dos campeões.

Na NFL, o Kansas City Chiefs é o mais claro exemplo da subjetividade da palavra “sucesso”. Desde que Andy Reid assumiu o cargo de Head Coach, em 2013, o time tem tido “sucesso” – a subjetividade, aqui, precisa ser ressaltada. Foram 53 vitórias e 27 derrotas em jogos de temporada regular: um respeitável e invejável aproveitamento de 66%. Nas cinco temporadas de Reid como técnico, o Chiefs só ficou de fora dos playoffs em 2014, apesar de ter sido também um ano vitorioso, com o recorde de 9-7.

O problema é que a franquia parece incapaz de dar o próximo passo e se tornar realmente bem sucedida. Nas quatro aparições em pós-temporada, o Chiefs conseguiu apenas uma vitória: um sonoro 30×0 no Wild Card Round da temporada de 2015 contra o Houston Texans, time que compartilha a mesma dificuldade de vencer jogos eliminatórios. Foram cinco jogos, com um aproveitamento de 20%, um contraste enorme com o desempenho na temporada regular.

Com exceção da derrota para o Indianapolis Colts nos playoffs da temporada 2013, um jogo que terminou 45×44 e se tornou instantaneamente um clássico, o Chiefs nunca jogou bem nos playoffs. Apesar de ter perdido por placares não muito elásticos para o New England Patriots em 2015 e para o Pittsburgh Steelers em 2016, a impressão que ficava era de que faltava algo.

A certeza de que mudanças eram necessárias veio na temporada passada. A derrota em casa para o modorrento Tennessee Titans, em uma partida em que era o franco favorito, parece ter sido a gota d’água para um time que parece bom demais para a temporada regular e ruim demais para os playoffs. Algo precisava ser feito.

Confiem no menino.

Mudanças

Também contratado em 2013, o QB Alex Smith era o retrato da bipolaridade do Kansas City Chiefs. Ao mesmo tempo em que fazia jogos bons (alguns muito bons) na temporada regular, que inclusive o colocaram na disputa pelo prêmio de MVP em 2017, decepcionava na pós-temporada. Os números em seus cinco jogos de playoffs pelo Chiefs, com exceção dos quatro TDs no jogo contra o Colts, são bastante medíocres. É claro que a culpa não é apenas dele, mas, assim como o resto do time, parecia que faltava algo.

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Com o QB Patrick Mahomes, primeira escolha da equipe em 2017, sentado no banco havia uma decisão a tomar: manter a segurança do experiente veterano, que parecia já ter mostrado tudo que podia dar, ou acreditar no potencial do talentoso sophomore, no qual investiu alto.

A idade e o alto salário de Alex Smith, porém, parecem ter facilitado uma decisão que já não parecia difícil, especialmente quando o Washington Redskins ofereceu uma escolha de terceiro round do draft de 2018 e o CB Kendall Fuller em troca do QB. O Kansas City Chiefs de 2018 se tornava, oficialmente, o time de Patrick Mahomes.

Não é exagero dizer que Mahomes é a antítese de Smith. O QB veterano, com seus passes curtos e sua hesitação em explorar jogadas longas, talvez seja o que mais se aproxime da clássica definição de game manager. O Chiefs precisa e quer exatamente o oposto disso: um QB com o braço forte que não tenha medo de explorar as virtudes de seu ataque explosivo. Esse é Patrick Mahomes.

Em sua única partida como titular em 2017, contra o Denver Broncos na semana 17, Mahomes causou uma boa impressão e confirmou as expectativas quanto as suas habilidades. Apesar de não ter lançado nenhum TD e ter sido interceptado em um claro overthrow, o então rookie QB foi responsável por liderar o time reserva do Chiefs para a vitória com belos lançamentos.

Analisando uma das jogadas espetaculares de Mahomes no jogo, o analista Brian Baldinger disse que “há muitos QBs nessa liga que jogaram muito tempo que nunca lançaram um passe como esse em suas vidas”. Baldinger não hesitou em colocar Mahomes no mesmo patamar de talento que Carson Wentz, Jimmy Garopollo e DeShaun Watson.

Será, no mínimo, interessante ver o que um QB com a força de Mahomes fará por Tyreek Hill, um dos jogadores mais rápidos e versáteis da liga. Se Hill já causou estragos jogando com Alex Smith, é assustador o que pode acontecer quando são misturados o braço de Mahomes e a criatividade ofensiva de Andy Reid.

O grupo de WRs ainda foi reforçado com Sammy Watkins, que tinha o pedigree para ser um dos melhores recebedores da liga, mas nunca teve seu potencial totalmente atingido devido a seguidas contusões. Se conseguir permanecer saudável, Watkins ocupará a negligenciada posição de WR2 do time, que nos últimos anos não teve nenhum nome de importância.

A adição de Watkins tem o potencial de tornar o Chiefs um dos times com mais talento ofensivo na liga. Resta saber se ele finalmente conseguirá jogar o que sempre se esperou dele e nunca se concretizou. Pode ser sua última chance.

O RB Kareem Hunt poderia – e deveria – ter sido escolhido como o Offensive Rookie Of The Year em 2017. Hunt foi o RB com mais jardas terrestres na liga (1327) e apresentou um dinamismo e uma capacidade de participação também no jogo aéreo que o coloca automaticamente entre os melhores RBs da liga.  Não fosse o surgimento de Alvin Kamara no final do ano, Hunt certamente teria vencido o prêmio. Sua presença, além de exigir o respeito das defesas adversárias com o jogo corrido, representa um excelente porto seguro para Mahomes.

Com um jogo corrido a ser respeitado e recebedores como Hill e Watkins, que exigem que os safeties fiquem um passo atrás para evitar passes longos, é inimaginável o que Travis Kelce pode fazer nesse ataque se for bem aproveitado. Kelce é o melhor TE da liga entre os mortais (Gronk não é mortal) e ainda poderá ser beneficiado por um sistema ofensivo que não focará apenas nele.

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Em teoria, o ataque de Kansas City tem tudo para funcionar e ser um dos melhores da liga, mas não há como fugir do clichê “como será a transição de Patrick Mahomes para a NFL?”. Será que ele estará pronto para, além de aproveitar seus atributos físicos, conseguir fazer a leitura das defesas e limitar os turnovers? Será que ele teria a capacidade de liderança exigida de um franchise QB?

O primeiro entre os mortais.

Defesa

As questões sobre a capacidade de Patrick Mahomes liderar o ataque de Kansas City são legítimas, mas o verdadeiro ponto de interrogação do time em 2018 é a defesa, com uma menção especial à secundária.

Marcus Peters, o principal nome da defesa nas últimas três temporadas e um dos CBs mais talentosos da liga, foi trocado para o Los Angeles Rams por uma lata de cerveja e um pacote de bala de goma. A analogia parece exagerada, e talvez seja, já que o Chiefs recebeu uma escolha de segundo round do draft de 2018 e uma de quarto round em 2019. O problema é que Peters e seus 24 turnovers forçados em três temporadas valem mais do que isso. Questões sobre o temperamento forte do jogador parecem ter pesado para não dar um contrato de longo prazo para o jogador e aceitasse perder seu principal defensor.

Além de Peters, o Chiefs perdeu os CBs Phillip Gaines e Terrence Mitchell, que se tornaram unrestricted free agents, e o S Ron Parker, que foi dispensado. Os nomes não são exatamente de peso e foram responsáveis por uma performance bem medíocre em 2017, mas, contando com Peters, são quatro dos seis principais jogadores que formaram a secundária em 2017.

Para suprir as partidas, chegaram os CBs Kendall Fuller, via troca que mandou Alex Smith para Washington, e David Amerson, que perdeu mais da metade da temporada passada machucado. Fuller teve uma boa temporada em 2017 e é um dos melhores cornerbacks defendendo o slot – o Pro Football Focus o considerou o segundo melhor slot CB da liga na temporada passada.

O S Eric Berry, que retorna ao time após se recuperar de um rompimento do tendão de Aquiles que encerrou precocemente sua temporada de 2017, é um retorno considerável, mas não se sabe exatamente em que forma estará. É provável que o time tenha que depender do S Armani Watts, rookie selecionado no quarto round. É uma secundária mediana que, sem dúvidas, está longe de inspirar confiança, com potencial de apresentar resultados desastrosos.

O front seven também teve suas baixas. Os LBs titulares em 2017 Derrick Johnson e Ramik Wilson trocaram de time na free agency. A linha defensiva perdeu Bennie Logan e não conta mais com o veterano, e um dos símbolos do time, Tamba Hali.

Nenhuma dessas perdas é profundamente lamentada em Kansas City, talvez exceto pela liderança que jogadores como Johnson e Hali exerciam, mas o Chiefs dependerá novamente do ótimo pass rusher Justin Houston e do retorno de Dee Ford, que volta ao time após jogar apenas seis partidas em 2017 devido a uma contusão nas costas. Apesar de Houston ser muito bom, é preciso que jogadores secundários, como Ford, tenham sucesso nas investidas contra os QBs, evitando que marcações duplas das linhas ofensivas adversárias simplesmente anulem o All-Star DE.

Palpite

Em uma divisão razoavelmente acima da média e tendo que enfrentar todos os times da também forte NFC West, além de Pittsburgh Steelers, Jacksonville Jaguars e New England Patriots, é difícil imaginar um cenário em que o Kansas City Chiefs vença mais do que oito jogos. Se a previsão se concretizar, será apenas o segundo ano que o time não estará nos playoffs desde que Andy Reid assumiu o comando. Talvez não faça tanta diferença assim, pois se é difícil imaginar uma temporada regular com mais vitórias do que derrotas, é mais difícil ainda considerar realista uma aparição bem sucedida na pós-temporada.

Quem pode mudar esse cenário? Patrick Mahomes, que terá que justificar o investimento feito pelo time e mostrar que pode ser um franchise QB, carregando o time nas costas e sabendo aproveitar todo o potencial ofensivo que tem a sua disposição.

Em uma liga em que os ataques têm se sobressaído consideravelmente sobre as defesas (alguém assistiu o último Super Bowl?), não seria nenhuma surpresa se o ataque do Chiefs superasse as deficiências defensivas e surpreendesse com uma campanha muito melhor do que a esperada. Entretanto, é claro que ninguém vai colocar a mão no fogo por isso. Espere um 8-8, a certeza de que Patrick Mahomes é o QB do futuro e uma lista de compras para a defesa.

Análise Tática #14 – Semana #7: O drive da vitória do Oakland Raiders

Poucas coisas no football são mais bonitas que um two-minute drill bem gerenciado. O momento em que a onça bebe água, a hora que separa os homens dos meninos. É exatamente aí em que as lendas nascem, não à toa que um dos maiores gerenciadores de two-minute offenses (sdds Peyton) é o responsável por eu estar escrevendo isso neste momento.

Derek Dallas Carr, 26 anos, irmão de David Carr (primeira escolha da história do nosso glorioso e tradicional Houston Texans), teve sua vida destinada a brilhar nesse esporte. Responsável por devolver o Oakland (por enquanto) Raiders aos seus momentos de glória, o QB recebeu um salário de 25 milhões de dólares anuais na última offseason.

Em sua quarta temporada na NFL, a escolha de segunda rodada vinda de Fresno State ainda tem alguns problemas: imprecisão nos passes, pressa no pocket, ineficiência em terceiras descidas, leituras arriscadas e baixa média de jardas por tentativa.

Em 2014, sua primeira vitória na NFL veio exatamente contra os Chiefs após uma jogada digna de piores momentos da semana (a coluna da família brasileira)Agora que você já sabe quem é Derek Carr (achamos importante apresentá-lo a nossa maneira), já pode ler, abaixo, um dos momentos mais divertidos de sua carreira.

Vocês perceberam na semana passada, que, apesar do título, apenas quatro ou cinco jogadas não são o suficiente para entender o que de fato ocorreu em um jogo. Por isso, nessa semana, o foco será o drive final do Oakland Raiders em sua totalida (também não ajudará no contexto macro da partida, vejam o tape completo, é divertidíssimo). O mesmo resultou na vitória por 31-30 no último Thursday Night Football (que em 2017 tem sido assustadoramente divertido).

Após sack dividido entre Khalil Mack e Denico Aultry, os Raiders receberam a bola restando 2:25 no relógio na linha de 25 jardas do campo de defesa, com um tempo por pedir. Foram 16 snaps, sendo 11 jogadas de ataque, 4 faltas e 1 extra point. 85 jardas até a vitória.

Durante esse drive, Derek Carr saiu do shotgun em todos os snaps. Na primeira jogada, o alvo é o WR Amari Cooper, alinhado como o recebedor X. Os Raiders se alinham em formação shotgun ace, com 3 recebedores do lado direito e Cooper isolado. Os Chiefs demonstram uma formação de Cover 2, com Marcus Peters alinhado para marcar em zona (repare que ele volta seu quadril em direção ao QB) e Terrance Mitchell marcando Cooper individualmente.

Após o snap, as rotas se desenvolvem de forma a deixar Amari Cooper, executando uma rota comeback, com marcação individual. Cabe ao mesmo vencer a press coverage de Mitchell na linha de scrimmage e se posicionar para receber o passe.

Ao receber a bola, Cooper se livra de dois marcadores girando o corpo para dentro, até ser tackleado no meio do campo. O two-minute warning parou o relógio ao fim dessa jogada. Os próximos dois lances foram malsucedidos para Oakland após Derek Carr colocar uma bola muito baixa para Amari Cooper no meio do campo e em seguida Johnny Holton cometer um offensive pass interference flagrante.

Em uma situação de 2nd & 20, com 01:47 restantes no relógio, Oakland volta a se alinhar em shotgun, dessa vez com um TE para ajudar nos bloqueios. Os Chiefs mostram blitz e dois safeties na cobertura antes do snap, porém apenas quatro homens iriam perseguir o signal caller.

Novamente Amari Cooper é o alvo da jogada e se encontra alinhado sozinho no lado esquerdo do campo como X. Ele executará primariamente uma rota post em direção ao símbolo dos Raiders no meio do campo. Derek Carr identifica o posicionamento dos safeties (primeira leitura pré-snap que todo QB deve fazer), e aliado à situação relógio-placar, sabe que enfrentará coberturas em zona.

Após um 3-step dropback um pouco atrapalhado, Carr tem o pocket limpo, e com os olhos, consegue atrair um dos safeties para a esquerda (você não o vê acima, mas o verá abaixo) da imagem. Enquanto isso, Cooper vende aos seus marcadores uma rota corner. Logo após, o recebedor executa um double move em direção ao meio do campo, o que configura a post mostrada na imagem antes do snap. Em vermelho, mostra-se a janela que Derek tem no momento do passe, facilmente completado pela excelente coordenação e conhecimento de playbook entre o QB e seu recebedor.

Na minha terra isso tem nome. “Livre pra caralho”, o nome.

Como dito anteriormente, Derek Carr ainda tem alguns problemas a corrigir. O principal deles é se livrar rápido demais da bola, mesmo com pockets limpos (medo de lesões, talvez?). Aqui, observa-se no lado direito um conceito semelhante ao levels (sdds Peyton), em que duas rotas se quebram para o meio ou para a linha lateral em amplitudes diferentes do campo. O objetivo dessa jogada é causar estresse na cobertura em zona, principalmente na comunicação entre CB/S, aproveitando os espaços.

Pode-se contestar que nessa jogada, a linha ofensiva não segurou os bloqueios por tempo suficiente para deixar a rota em azul se desenvolver. Entretanto, parte da proteção contra o passe também é responsabilidade do QB, que deve se posicionar no ponto ideal. Jogadores de OL geralmente treinam a coordenação de pass-protection com dummies posicionados no ponto de proteção, e o QB deverá permanecer no pocket, conforme mostra Pat Kirwan em seu livro Take Your Eye off the Ball (paga nois, Amazon).

Na imagem acima, Derek se desespera com o pass rush e ativa a rota de checkdown, enquanto havia um espaço considerável para escalar no pocket. Observe que o QB mantém corretamente seus olhos vagando pelo lado direito do campo, forçando os safeties a abrirem um espaço no seam. Caso tivesse mantido a calma e andado para frente, Carr poderia conseguir um ganho de aproximadamente 25 jardas para os Raiders. Aqui, houve uma perda de 1 jarda, além do relógio continuar rodando após o tackle dentro de campo.

Os próximos snaps resultaram em passes incompletos após bolas mal colocadas por Derek Carr, o que colocou os Raiders em uma situação de 4th & 11 com 00:41 restantes no relógio.

Formação de empty backfield com 5 recebedores espalhados pelo campo, enquanto os Chiefs colocam três defensive backs no fundo. As rotas são todas verticais e Jared Cook é o alvo da jogada. Ele precisa vencer o marcador fisicamente e receber a bola na marca do first down, enquanto os demais recebedores afastam a marcação em zona para o fundo do campo.

Contra um jogador mais baixo e mais fraco fisicamente, Jared Cook consegue se desvencilhar da marcação, recebe um passe alto e alcança a linha de first down na força física. Conversão que manteve os Raiders vivos na partida.

Nas duas jogadas seguintes, Derek Carr arriscou bolas em cobertura dupla no melhor estilo Brett Favre, duas interceptações dropadas pela defesa dos Chiefs.

Jogou de peruada.

A partir de então, o jogo virou a esquina da loucura. Raiders em 3rd & 10 na linha de 29 do campo de ataque, alinhados em shotgun ace com três recebedores na parte esquerda e apenas um na parte direita. Conceito four verticals (aquela jogada que você usa no Madden até ficar chato) e Jared Cook alinhado de Split-end, receberá uma jump ball na direção do pylon à beira da endzone. Cook recebe a bola e se joga em direção à endzone. Touchdown! Porém, após a revisão da jogada, observou-se pela pylon cam que houve um down by contact a um fio de cabelo da endzone. Após a reversão do lance, a arbitragem retirou 10 segundos do relógio (alguns torcedores do Lions infelizmente morreram) e o Raiders teve 1st & goal na linha de 1 jarda. Os Raiders não correram com Marshawn Lynch pois esse já havia saído na mão com um árbitro e fora devidamente expulso da partida.

Tal qual o nosso Titans (quem é sabe), foi quase.

Houve faltas nos próximos 3 snaps, uma para os Raiders, após Michael Crabtree empurrar demais o coleguinha em uma jogada de fade, e duas seguradas defensivas dos Chiefs, uma delas com o cronômetro zerado. Segundo a regra, se houver uma falta defensiva no momento em que o cronômetro atinge zero, a falta é aplicada e o ataque recebe mais uma jogada. Isso aconteceu duas vezes seguidas nessa partida, salva de palmas para a defesa de Kansas City – ser burro dessa forma é um feito e tanto.

Sem tempo no relógio, Raiders na linha de 2, com shotgun ace e 11 personnel. Nas duas jogadas anteriores, Carr havia tentado 2 passes no meio da endzone, e aqui os Chiefs protegem a linha de gol pelo meio. Após várias chamadas contestáveis ao longo da partida, o coordenador ofensivo, Todd Downing faz Derek Carr executar um roll-out para esquerda, enquanto Michael Crabtree se direciona ao pylon.

Um passe contra o movimento natural do corpo, Derek Carr mostra a força de seu braço. Michael Crabtree protegeu de forma inteligente com o corpo o ponto de recepção, não permitindo que Terrance Mitchell defendesse o passe. O interessante é que a jogada havia sido treinada para o lado contrário, mas Oakland decidiu invertê-la para evitar a cobertura de Marcus Peters.

Vitória dos Raiders em um dos melhores jogos de quinta-feira dos últimos tempos, em que sabemos que os times chegam despreparados ou cansados pela semana curta. A NFL está em um nível de loucura tão absurdo que os melhores jogos de primetime dessa temporada foram exatamente na quinta-feira.

Os torcedores de Chiefs e Raiders ainda não tinham experimentado emoção suficiente, então coube ao kicker Giorgio Tavecchio selar a vitória dos Raiders em um extra point. O mesmo já havia perdido dois field goals ao longo da partida.

Com a vitória, os Raiders dão sobrevida à sua temporada, record de 3-4, sendo 1-2 dentro da AFC West. Do outro lado, será que estamos vendo nos Chiefs (5-2) mais um time começar bem e implodir após cinco jogos? (vide Falcons em 2015 e Vikings em 2016).

Diego Vieira, o estagiário prodígio, mora em Manaus e não é atingido pelo horário dos jogos. Maldito.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Entre o presente e o futuro

Ao contrário da visão que muitos veículos da mídia especializada brasileira passam, o Kansas City Chiefs é muito mais que apenas o seu kicker tupiniquim Cairo Santos. Claro, Cairo tem um importante papel como embaixador do esporte no país e é uma atração à parte para nós brasileiros. Mas os Chiefs não são só Santos, muito pelo contrário: o time tem sido um dos mais interessantes de se assistir na NFL – ao menos durante a temporada regular. E a própria NFL concorda: KC jogará seis jogos de horário nobre em 2017 – mais que qualquer outro time da liga.

O hype em torno dos Chiefs pode ser atribuído ao desempenho nas últimas duas temporadas: em 2015 a equipe emplacou uma sequência de 10 vitórias consecutivas nos últimos 10 jogos, saindo de uma campanha 1-5 para 11-5 e chegando até o Divisional Round dos playoffs, onde foi derrotada pelo New England Patriots. Já em 2016, a segunda posição na classificação da AFC garantiu acesso direto à mesma rodada do Divisional, dessa vez em casa. A vantagem de jogar diante da torcida mais barulhenta do mundo não se fez valer, e os Chiefs acabaram apanhando do Pittsburgh Steelers, em derrota muito doída pela torcida.

Confie seu futuro nas mãos deste ser.

Recomeço

E é dessa derrota que partimos para explicar o ano de 2017 em Kansas City. Após mais uma eliminação nos playoffs, a percepção ao redor da liga – e dentro da franquia – era de que o time comandado por Alex Smith dava conta da temporada regular, mas não tinha forças para vencer em janeiro. Pensando nisso, os Chiefs subiram no último Draft para escolher o QB Patrick Mahomes.

Mahomes é um prospecto notadamente cru, que ainda não tem todos os conhecimentos para jogar na NFL devido ao sistema de jogo em que estava inserido na faculdade. Porém, o talento, o braço e a promessa estão lá, e acredita-se que em pelo menos um ano ele estará pronto para ser titular; de qualquer forma Alex Smith ainda está lá para segurar a posição enquanto Patrick não está pronto.

No papel, a ideia é excelente – concordamos que Alex Smith não vai te levar muito longe nem que ele compre uma companhia aérea chinesa -, mas talvez o elenco dos Chiefs não consiga esperar o desenvolvimento de Mahomes para atuar com ele. Especialmente na defesa, alguns veteranos (óbvio) estão cada vez mais velhos, e não podemos cravar que manterão o desempenho de outros tempos.

O lado bom

Derrick Johnson e Tamba Hali já estão organizando os papéis da aposentadoria; e Justin Houston, que após anos estelares, não foi o mesmo depois da lesão que sofreu em 2015. Recuperado, Houston talvez retome o auge da sua forma, mas não seria surpresa se, após mais uma temporada decepcionante, ele sequer esteja no roster em 2018. A ascensão de Dee Ford pode ajudar nessas posições, mas, se você fez a matemática, ela não bate: são três jogadores em baixa contra um em alta.

Além disso, Dontari Poe, que era uma força no meio da linha defensiva, já não está mais na cidade. Para o seu lugar chega Bennie Logan, e podemos acreditar que não haverá uma perda de qualidade, pois Chris Jones, que se destacou como calouro, está mais experiente em seu segundo ano na liga. E, para piorar, caso o front 7 mostre uma notável regressão, é importante lembrar que KC não tem a escolha de primeira rodada do ano que vem, visto que ela foi utilizada em troca para selecionar Patrick Mahomes.

A secundária, por sua vez, será o ponto forte do grupo: Eric Berry é capaz de ganhar jogos que já estejam perdidos, e Marcus Peters já se consolidou como um dos principais Cornerbacks da NFL. Fecham o grupo o Safety Ron Parker e o CB Steven Nelson.

A verdadeira esperança.

Um grande tristeza

No ataque, pouca coisa muda. O esquema do bom técnico Andy Reid será mantido, assim como o péssimo trabalho controlando o relógio ao final das partidas. Já Alex Smith será aquele QB que não estraga tudo, mas é incapaz de lançar a bola por mais de 15 jardas – mesmo que ele tenha um recebedor livre na 3rd and 17.

A linha ofensiva, que em 2016 não comprometeu, mas também não encheu os olhos, será a mesma (lesões à parte, como sempre): os Chiefs não perderão nenhum jogo porque a OL não conseguiu jogar, e isso já pode ser considerada um vitória em uma liga onde jogam Indianapolis Colts, Minnesota Vikings e Seattle Seahawks.

Já na posição de RB, Jamaal Charles deixa o departamento médico da equipe, mas Charcandrick West e Spencer Ware, que já se mostraram confiáveis, seguem no elenco. Além deles, Kareem Hunt, que chegou no draft com expectativas em torno de seu nome, e CJ Spiller, completam o versátil grupo, que ainda deve contar com algumas jogadas de Tyreek Hill.

Hill, por sua vez, adquire a posição de WR1, que ficou vaga após a saída de Jeremy Maclin pela porta dos fundos. Os outros WRs dos Chiefs são desconhecidos pelo fã-médio do esporte, então não vale nem a pena citá-los. Travis Kelce, por outro lado, é bastante conhecido e, quando Rob Gronkowski não está em campo (aproximadamente 63% do tempo, de acordo com estatísticas oficiais), é considerado por muitos o melhor TE da NFL.

Normalmente não apontamos para os Special Teams das equipes ao fazer nossas previsões, mas em Kansas City a história é um pouco diferente. Tyreek Hill anotou dois TDs em retorno de Punts e um retornando Kickoffs. Cairo Santos, com exceção de um início de carreira errante, não decepciona quando é chamado. Logo, os ST dão aos Chiefs uma dimensão que muitas equipes da liga não sonham.

Palpite: Podemos ir junto com a corrente e falar que os Chiefs terão mais um bom ano, mas a verdade é que o cenário está desenhado para uma catástrofe. A torcida já não aguenta mais Alex Smith e, após uma atuação questionável em uma derrota no Primetime, sua cabeça estará em jogo. Ele sucumbirá a pressão e, eventualmente, perderá a posição para um Patrick Mahomes despreparado. Jogando em uma divisão complicada como a AFC West, o time ficará de fora dos playoffs e Alex Smith irá levar sua mediocridade para outra franquia em 2018. Vocês viram aqui primeiro.

Top Pick Six #9: os 15 melhores HCs da NFL

Último ranking no ar. E para finalizarmos, listamos os 15 melhores HC (head coaches) da NFL. São os cérebros das equipes, responsáveis pelo playbook – alguns inclusive fazem as chamadas das jogadas. Entre os principais técnicos na história da NFL estão nomes como Vince Lombardi, Don Shula, Bill Walsh, Paul Brown, John Madden e George Halas.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí – pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, coloquei a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Rafael. Vamos ao que interessa! 

15° Adam Gase

12 14 11 14 11 10

Time: Miami Dolphins

Idade: 39 anos

Career highlights and awards

AFC champion (2013) / NFL Post-Season Appearances (2011, 2012, 2013, 2014, 2016)

Regular season: 10–6 (.625)

Postseason: 0–1 (.000)

Career: 10–7 (.588)

Um treinador de mentalidade ofensiva, Gase teve muito sucesso como coordenador ofensivo dos Broncos, em 2013, quando ganhou a AFC em um dos ataques mais potentes da história, comandado por um Peyton Manning em seus melhores dias. Após isso, tentou resolver a situação do ataque em Chicago (não deu certo), mas logo em 2016 já foi contratado para o cargo de HC em Miami, onde fez uma boa temporada de início, levando seu time aos playoffs.

14° Sean Payton

5 13 11 10 12 14

Time: New Orleans Saints

Idade: 53 anos

Career highlights and awards

Saints Career Wins Record (94) / Super Bowl (XLIV) / 2x NFC champion (2000, 2009) / 3x NFC South champion (2006, 2009, 2011) / AP Coach of the Year (2006)

Head coaching record

Regular season: 94–66 (.588)

Postseason: 6–4 (.600)

Career: 100–70 (.588)

Payton, que foi um QB nada brilhante em seus tempos de atleta – na NFL jogou apenas nos Bears – é um dos treinadores com mais relação ao seu atual time. Ele treina os Saints desde 2006 e, nesse período, formou uma excelente parceria com o QB Drew Brees, um dos melhores da liga, levando seu time ao título do SB XLIV. Payton é o recordista de vitórias como HC dos Saints: 94.

13° Mike McCarthy

7 10 8 13 8

Time: Green Bay Packers

Idade: 53 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLV) / 6× Division champion (2007, 2011–2014, 2016)

Head coaching record

Regular season: 114–61–1 (.651)

Postseason: 10–8 (.556)

Career: 124–69–1 (.642)

McCarthy, assim como Payton, é o comandante dos Packers desde 2006. Com ele, seu time venceu o Super Bowl XLV em cima dos Steelers. Ele também é seis vezes campeão da divisão norte da NFC, tendo ganhado em 2007, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016. Nos últimos anos, foi alvo de críticas de torcedores e jornalistas, que afirmavam que ele era o responsável por uma queda de rendimento do QB Aaron Rodgers, tido por muitos como o melhor da NFL.

12° Mike Zimmer

14 10 7 15 15 11 6 13

Time: Minnesota Vikings

Idade: 60 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XXX) / NFC champion (1995) /3x NFC East champion (1995, 1996, 1998) / 2x AFC North champion (2009, 2013) / NFC North champion (2015)

Head coaching record

Regular season: 26–21 (.553)

Postseason: 0–1 (.000)

Career: 26–22 (.542)

Com estilo focado na defesa e no jogo físico, Mike Zimmer, que foi coordenador defensivo dos Cowboys, Falcons e Bengals, foi contratado em 2014 para ser o homem a frente da equipe dos Vikings. Tido por muitos torcedores como um técnico ruim, Zimmer tem se mostrado consistente e, mesmo com equipes teoricamente fracas e sem um QB excelente, tem feito boas campanhas baseadas em suas defesas sólidas. Ano passado, chegou a abrir a temporada 5-0, mas o carro desandou e o time acabou ficando fora dos playoffs.

11° Jason Garrett

11 8 8 12 12 13 11

Time: Dallas Cowboys

Idade: 51 anos

Career highlights and awards

NFC Offensive player of the week (1994) / 2× Super Bowl champion (XXVIII, XXX) / PFWA Assistant Coach of the Year (2007) / NFL Coach of the Year (2016)

Head coaching record

Regular season: 58–46 (.558)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 59–48 (.551)

Jason Garrett, que foi QB nos seus tempos de NFL (jogou muito pouco), é head coach dos Cowboys desde 2010. Em seis anos à frente do time teve, no ano passado, a melhor campanha de sua carreira. Puxado pelos calouros Dak Prescott e Ezekiel Elliott, o time de Dallas chegou à semifinal de conferência, onde acabaram derrotados pelos Packers, em um FG no final da partida.

10° Dan Quinn

13 9 12 10 13 8 14 9

Time: Atlanta Falcons

Idade: 46 anos

Career highlights and awards

Super Bowl Champion (XLVIII) / 3x NFC Champion (2013, 2014, 2016)

Head coaching record

Regular season: 19–13 (.594)

Postseason: 2–1 (.667)

Career: 21–14 (.600)

Outro head coach de mentalidade defensiva, Quinn teve sua carreira impulsionada quando atuava como coordenador defensivo dos Seahawks em 2013 e 2014, naquele grande time cuja defesa ficou conhecida como Legion of Boom – time que, inclusive, foi campeão do SB XLVIII dando uma surra nos Broncos de Manning. Em 2015, foi anunciado HC dos Falcons que, por incrível que pareça, vem se destacando por sua força ofensiva. Perderam o último SB na prorrogação para os Patriots, após sofererem uma virada improvável, no que ficou conhecido como um dos melhores Super Bowls já vistos na história do esporte.

09° Ron Rivera

12 5 9 14 10 9 5 15

Time: Carolina Panthers

Idade: 55 anos

Career highlights and awards

2× NFC champion (2006, 2015) / 2x AP NFL Coach of the Year (2013, 2015) / 2× PFWA NFL Coach of the Year (2013, 2015) /PFWA NFL Assistant Coach of the Year (2005)

Head coaching record

Regular season: 50–37–1 (.574)

Postseason: 3–3 (.500)

Career: 53–40–1 (.569)

Ron Rivera teve uma carreira boa como jogador na NFL. Atuou pelos Bears como linebacker de 1984 a 1992, inclusive vencendo o SB XX. Como membro da comissão técnica, principalmente na parte defensiva, passou por Bears, Eagles e Chargers, até ser contratado, em 2011, como HC dos Panthers. Junto com Cam Newton, chegou a disputar o Super Bowl em 2016, mas perdeu para os Broncos. Em 2013 e 2015, foi nomeado o Coach of the Year pela imprensa especializada.

Pouco tiozão.

08° Jack Del Rio

9 7 11 6 9 7 12

Time: Oakland Raiders

Idade: 54 anos

Career highlights and awards

2× All-PAC-10 (1982, 1983) / Third-team All-American (1983) / Consensus All-American (1984) / Second-team All-PAC-10 (1984) / Pop Warner Trophy (1984) / Rose Bowl Co-MVP (1985) / NFL All-Rookie Team (1985) / Saints Rookie of the Year Award (1985) / Pro Bowl (1994) / Super Bowl champion (XXXV) / USC Athletic Hall of Fame (2015) / Earle “Greasy” Neale Award

Head coaching record

Regular season: 87–84 (.509)

Postseason: 1–3 (.250)

Career: 88–87 (.503)

Jack Del Rio foi, assim como Rivera, um grande atleta na NFL. Iniciou sua carreira como jogador atuando como linebacker dos Saints. Passou também por Chiefs, Cowboys, Vikings e Dolphins, durante seus 11 anos como profissional. Em 1997, assumiu um cargo na comissão dos Saints, e de lá pra cá só foi crescendo. Foi HC dos Jaguars de 2003 a 2011 e, em 2015, assumiu os Raiders, já levando o time aos playoffs na última temporada. Venceu o SB XXXV como treinador de LBs dos Ravens.

07° Bill O’Brien

10 14 8 9 7 4 6

Time: Houston Texans

Idade: 47 anos

Career highlights and awards

Paul “Bear” Bryant Award (2012) / Big Ten Coach of the Year (2012) / Maxwell Coach of the Year (2012) / AT&T-ESPN Coach of the Year (2012) / 2× AFC champion (2007, 2011)

Head coaching record

Regular season: 27–21 (.563)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 28–23 (.549)

HC de Penn State, um dos principais times de futebol americano universitário, em 2012 e 2013, Bill O’Brien foi contratado pelos Texans em 2014 para buscar um título inédito para a franquia. Desde que chegou, foi aos playoffs todos os anos, mas a falta de um QB de qualidade tem atrapalhado seus planos. Com a chegada da sensação DeShaun Watson para 2017, a esperança que ronda a cidade de Houston por vôos maiores é alta.

 06° Andy Reid

8 6 3 7 6 6 7 3

Time: Kansas City Chiefs

Idade: 59 anos

Career highlights and awards

Eagles career wins’ record (130) / 6× NFC East Division Champion (2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2010) / NFC Champion (2004) / AP Coach of the Year (2002) / Sporting News Coach of Year (2000, 2002) / Pro Football Weekly Coach of Year (2002) / Maxwell Club NFL Coach of Year (2000, 2002) / Philadelphia Eagles 75th Anniversary Team

Head coaching record

Regular season: 173–114–1 (.602)

Postseason: 11–12 (.478)

Career: 184–125–1 (.595)

Um dos grandes treinadores da história da NFL, Reid comandou os Eagles de 1999 a 2012, sendo o recordista de vitórias por essa franquia (130). Foi seis vezes campeão de divisão na Filadélfia, em 2001, 2002, 2003, 2004, 2006 e 2010. Em 2004, levou a NFC e foi vice-campeão do Super Bowl. Em 2009, perdeu a final da NFC para os Cardinals. Em 2013, foi contratado como HC dos Chiefs, onde está até hoje. Pelo time de Kansas City, vem fazendo ótimas campanhas, mesmo com um QB mediano como Alex Smith à frente do time.

05° Bruce Arians

4 13 6 4 2 4 3 7

Time: Arizona Cardinals

Idade: 64 anos

Career highlights and awards

2× Super Bowl champion (XL, XLIII) / 3× AFC champion (2005, 2008, 2010) / 2× NFL Coach of the Year (2012, 2014)

Head coaching record

Regular season: 45–21–1 (.679)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 46–23–1 (.664)

Arians tentou ser QB, mas melhor pularmos essa parte. Seu sucesso veio mesmo como treinador. Com uma grande mentalidade ofensiva, teve excelentes trabalhos nos Steelers e nos Colts, como coordenador ofensivo. Em 2013, substituiu Ken Wisenhunt nos Cardinals e fez excelentes campanhas, chegando inclusive à final da NFC na temporada de 2015. Em 2012 e 2014, venceu o prêmio de HC do Ano. Como head coach dos Cardinals, vem fazendo um excelente trabalho, e dá esperanças à torcida do time para os próximos anos.

 04° Mike Tomlin

2 3 5 5 3 3 9 4

Time: Pittsburgh Steelers

Idade: 45 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLIII) / 2× AFC champion (2008, 2010) / 5× AFC North champion (2007, 2008, 2010, 2014, 2016) / Motorola NFL Coach of the Year (2008) / Super Bowl champion (XXXVII)* / NFC champion (2002)*

*assistant coach

Head coaching record

Regular season: 103–57 (.644)

Postseason: 8–5 (.615)

Career: 111–62 (.642)

Tomlin, que iniciou sua carreira na NFL como técnico de DBs nos Bucs, ganhou muito respeito após assumir como HC dos Steelers, em 2007. Venceu o Super Bowl XLIII em uma partida memorável contra os Cardinals e, em 2008 foi considerado o técnico do ano. Além disso, detém um coaching record invejável de .644, um dos maiores da liga. Na pós temporada, seu coaching record também é excelente, com .615. Em uma equipe altamente qualificada, puxada pelo triplete Big Ben, Antonio Brown e Le’Veon Bell, Tomlin tem tudo para aumentar o número de vitórias .

03° John Harbaugh

6 4 4 2 4 5 2 5

Time: Baltimore Ravens

Idade: 54 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLVII)

Head coaching record

Regular season: 85–59 (.590)

Postseason: 10–5 (.667)

Career: 95–64 (.597)

John Harbaugh é técnico dos Ravens desde 2008. Sua formação vem de Special Teams: foi coordenador dos Eagles de 1998 a 2007. Ele, inclusive, usa jogadas mirabolantes em seu time de especialistas até hoje. No Super Bowl XLVII, em que foi campeão, no último lance da partida ele proporcionou um lance bizarro de safety, selando a vitória. Com um coaching record de .590 na temporada regular e de .667 nos playoffs, Harbaugh merece a posição no top 3. Como curiosidade, no SB XLVII ele enfrentou o 49ers, que tinha como HC seu irmão Jim Harbaugh, hoje técnico de Michigan no futebol americano universitário – e que certamente estaria entre os melhores deste ranking se ainda estivesse na NFL (aceitem, haters!).

Cadê o chicletes?

02° Pete Carroll

3 2 2 3 5 2 8 2

Time: Seattle Seahawks

Idade: 65 anos

Career highlights and awards

Super Bowl championship (XLVIII) / 2× NFC champion (2013, 2014) / AP national champion (2003, 2004) / 4× Rose Bowl champion (2003, 2006–2008) / 2× Orange Bowl champion (2002, 2004)

Head coaching record

Regular season: 101–69–1 (.594)

Postseason: 10–7 (.588)

Career: 110–76–1 (.591)

Um dos grandes treinadores da história do futebol americano, Pete Carroll é treinador dos Seahawks desde 2010. De 2001 a 2009, comandou o time de USC no futebol americano universitário. Ele é um de apenas três técnicos que foram campeões no College e na NFL (os outros são Jimmy Jonhson e Barry Switzer). Carroll tem uma carreira invejável, especialmente na NCAA, onde teve um recorde de .814. Na NFL, é o líder do time de Seattle, onde não é somente HC, mas também VP. É atualmente o HC mais velho da NFL, com 65 anos.

01° Bill Belichick

1 1 1 1 1 1 1 1

Time: New England Patriots

Idade: 65 anos

Career highlights and awards

5× Super Bowl champion (XXXVI, XXXVIII, XXXIX, XLIX, LI) / 3× AP NFL Coach of the Year (2003, 2007, 2010) / NFL 2000s All-Decade Team / 2x Super Bowl champion (XXI, XXV)*

*As a defensive coordinator

Head coaching record

Regular season: 237–115 (.673)

Postseason: 26–10 (.722)

Career: 263–125 (.678)

Número 1 unânime e de longe o melhor HC da liga. Muitos já o consideram o melhor HC da história da NFL. Como coordenador defensivo, levou os SBs XXI e XXV, pelos Giants. Como HC, venceu outras cinco vezes, todas com o New England Patriots. Melhor treinador da NFL em 2003, 2007 e 2010, Bill Belichick ainda pode vencer mais, e isso é o que impressiona. Seus times são sempre muito dominantes e, para 2017, o Patriots parece continuar invencível. Ele assumiu os Patriots em 2000 e terminou a temporada 5-11; sua única temporada com mais derrotas do que vitórias. Desde 2001, Belichick e os Patriots só não venceram a AFC East em duas das 16 temporadas, uma supremacia absurda. Desde que comanda o time de New England, Belichick chegou a sete Super Bowls.

Algumas curiosidades do ranking:

  • Bill Belichick é a única unanimidade no Top 3 e Top 5. Inclusive, todos os votantes o selecionaram como o melhor HC da NFL;
  • Bruce Arians é o HC com maior diferença entre dois rankings: é o segundo no do Ivo, e décimo terceiro no do Digo;
  • Um total de 21 técnicos diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo;
  • O top 15 contempla 8 técnicos da NFC e 7 da AFC;
  • 9 HCs são comuns a todos os rankings: Belichik, Carroll, Harbaugh, Tomlin, Arians, Reid, Rivera, Quinn e Zimmer;
  • 11 deles já foram campeões do Super Bowl, seja como HC ou apenas como participante da comissão técnica: Belichick, Carroll, Harbaugh, Tomlin, Arians, Del Rio, Rivera, Quinn, Garrett, Zimmer, McCarthy e Payton.
  • Ficaram fora do top 15, em ordem: Jay Gruden (WAS), John Fox (CHI), Kyle Shanahan (SF), Hue Jackson (CLE), Marvin Lewis (CIN) e Jim Caldwell (DET);
  • Todos os treinadores citados são milionários!