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Análise Tática #30 – A linha ofensiva do Indianapolis Colts

Dominação nas trincheiras. Faz parte dos jargões do futebol americano que o jogo de playoff é vencido a partir das linhas. Em janeiro, com tempo ruim e times melhores, o confronto físico decide os vencedores.

Também não é novidade para ninguém que durante o início de carreira, Andrew Luck foi o quarterback mais sackado da NFL. Cercado por um coaching staff e front office incompetentes, Andrew foi capaz de mascarar as deficiências do Indianapolis Colts e competir até a pós-temporada, até que apenas sua capacidade técnica não foi mais suficiente.

A quantidade de pressões sofridas por dropback chegou a níveis tão absurdos que Luck sofreu 100 sacks nas 3 primeiras temporadas. Como sabemos, em 2015 o quarterback teve lesões no ombro e costelas, agravadas por um acidente de snowboard em 2016, e uma laceração nos rins.

Andrew Luck merecia adicional por insalubridade.

Em 2016, temporada em que jogou lesionado, estando semanalmente nos injury reports, Luck sofreu 41 sacks, maior marca da sua carreira em uma temporada. Em 2017, a saga do ombro atingiu níveis jamais vistos e Andrew perdeu toda a temporada. Como desgraça pouca é bobagem, a linha ofensiva dos Colts contou com lesões do Center Ryan Kelly ao longo da temporada (não havia perdido um único snap na carreira até então desde os tempos de futebol universitário em Alabama), além de deficiências em outras posições, que resultaram em um total de 56 sacks, pior marca da temporada e recorde histórico da franquia.

Solucionando o que não tinha solução

O leitor deve saber que o general manager Chris Ballard (D@ddy) escolheu no draft o Guard Quenton Nelson (Notre Dame), com a sexta escolha geral. Outra adição de linha ofensiva via draft foi o então Guard, agora Right Tackle Braden Smith, de Auburn, escolhido na segunda rodada. Pelo período de Free Agency, as adições foram: Austin Howard (ruim), Matt Slauson (na injury reserve, mas ajuda no treinamento dos colegas) e Mark Glowinski, contratado no meio da temporada e despontando como titular absoluto na posição de Right Guard.

O mês de setembro foi de instabilidade, considerando as ausências do veterano Anthony Castonzo e a indefinição nas demais posições, com a linha cedendo 9 sacks, metade da quantidade total da temporada. Até o sexto jogo, derrota para os Jets que marcou a campanha de 1-5 da qual começou a virada da equipe, foram ao todo 12 sacks. Além disso, a instabilidade no jogo corrido era notória, com o comitê de Running Backs ainda não estabilizado pela ausência de Marlon Mack. Os calouros Nyheim Hines e Jordan Wilkins dividiam snaps com o veterano Christine Michael (sim, ele ainda existe, e esteve nos Colts essa temporada).

Tal cenário forçava Andrew Luck a lançar a bola muitas vezes por partida, tal como em seus tempos de Chuck Pagano. Entre as semanas 4 e 5, em que os Colts perderam para os Texans na prorrogação e em seguida perderam para os Patriots no Thursday Night Football, Luck lançou a bola um total de 121 vezes em um intervalo de quatro dias corridos, nada ideal para um Quarterback vindo de uma cirurgia no ombro direito. Apesar de naquele momento não estar se resultando em vitórias, já era possível ver sendo implantada a receita para tirar Luck desse cenário desfavorável.

Esse manja.

Antes de ver o game tape do que deu certo, vamos observar exemplos de jogadas do início da temporada em que a linha ofensiva ainda estava instável (ainda era um cocô em chamas).

Quenton Nelson testado contra os Bengals

Em sua estreia na NFL, o calouro Quenton Nelson sofreu contra o pass rush dos Bengals, principalmente na figura dos jogadores Geno Atkins e Carlos Dunlap.

Em seu primeiro snap na liga, Quenton alinha contra Geno Atkins e comete um holding após ser batido em um rush para dentro. Nelson tenta se recuperar na jogada, mas seu equilíbrio está comprometido e a única opção é fazer a falta.

Por vezes em sua partida de abertura, a linha ofensiva teve que lidar stunts. Nelson é particularmente bom para reconhecer esse tipo de movimentação dos defensores, mas é necessária uma coordenação precisa com os companheiros para que a contenção ocorra. Na jogada específica, Atkins consegue confundir Nelson e o Center Ryan Kelly, permitindo que o Defensive Tackle Ryan Glasgow (#98) atinja Luck, resultando em passe incompleto.

Os sacks contra os Texans

Quatro sacks cedidos contra o Houston Texans na semana 4 em Indianapolis foi a maior quantidade que a linha ofensiva dos Colts permitiu durante toda a temporada. Vamos observar o que aconteceu em cada uma dessas jogadas.

Colocando em contexto, 4 sacks em 65 jogadas de passe é ruim, mas o estrago poderia ser maior considerando o matchup nas pontas. Na primeira partida entre Colts e Texans na temporada, J.J. Watt e Jadeveon Clowney alinharam contra os tackles Le’Raven Clark e Denzelle Good (he’s not). Bem, eu não espero que o leitor neutro conheça esses nomes.

Jadeveon Clowney bate Le’Raven Clark com um speed rush enquanto J.J. Watt contém a possibilidade de scramble de Andrew Luck cortando para o ombro interno de Denzelle Good. O sack ocorre antes mesmo de Luck atingir o ponto de proteção ideal.

O sack seguinte foi creditado contra Denzelle Good, também com um speed rush, dessa vez de J.J. Watt. Antes de analisar a jogada, vale falar que o Indianapolis Colts tem que ser PROIBIDO de abrir o teto do Lucas Oil Stadium para sempre. Denzelle Good tenta compensar o rush de Justin James jogando o peso do corpo para trás, mas o camisa #99 se aproveita disso e usa as mãos para cortar para dentro e atingir Luck. Sack que colocou Indianapolis em situação perigosa de campo.

Agora um strip sack provocado por J.J. Watt e recuperado por Duke Ejiofor (#53) já dentro da linha de 10 jardas. Também com um speed rush, Watt vence Denzelle Good pelo ombro externo e atinge a bola.

Já na prorrogação quando os Colts tentavam marchar em campo para vencer a partida, o quarto sack dos Texans acabou por prejudicar o andamento do drive, que iria terminar na decisão de tentar converter a 4th & 4. Nesse caso, o sack é creditado contra Quenton Nelson, que perde equilíbrio ao sofrer um stunt de Jadeveon Clowney, resultando em perda de 10 jardas.

A evolução através do jogo corrido

A volta de Marlon Mack contra os Jets (semana 6), e a volta de Anthony Castonzo contra os Bills (semana 7) foram as peças que faltavam para o ataque dos Colts engrenar nos dois níveis. A considerar os adversários, Bills e Raiders, o jogo terrestre teve um salto de qualidade com o retorno de seus titulares, gerando estatísticas que não aconteciam a tempos. Pela primeira vez desde 2007 (Joseph Addai) os Colts tiveram um corredor ultrapassando a marca de 100 jardas terrestres em duas partidas consecutivas – Marlon Mack.

A destacar a alternância entre Marlon Mack e Nyheim Hines como os Running Backs responsáveis por esse salto de qualidade no backfield (127 jardas contra os Jets, 220 jardas contra os Bills e 222 jardas contra os Raiders). A escalação titular fixou-se com Anthony Castonzo (LT), Quenton Nelson (LG), Ryan Kelly (C), Mark Glowinski (RG) e Braden Smith (RT), e produziu o desempenho de elite que chamou a atenção de toda a liga.

Pela primeira vez na carreira ajudado por um jogo terrestre minimamente capaz de controlar jogos, Andrew Luck começou a aumentar gradativamente a média de jardas aéreas por tentativa de passe, à medida em que Frank Reich passou a ter confiança a deixar o QB recém-recuperado de lesão a “soltar o braço”. Luck começou a soltar a bola cada vez mais rápido também, ajudando a linha ofensiva a manter os bloqueios.

Análise dos esquemas de bloqueio

O pilar do ataque montado por Frank Reich é a variação de jogadas em formações diferentes. Os Colts costumam chamar jogadas de corridas a partir de diversas formações, seja com sets pesados ou de recebedores espalhados em campo, com TE bloqueador (Ryan Hewitt) por vezes alinhando como FB na I-formation ou tomando uma instância de bloqueio vindo de motion de uma posição slot. A partir do momento em que o jogo terrestre começou a dar sinais de evolução, Marlon Mack (segundanista) e Nyheim Hines (calouro) começaram a concentrar a maior parte dos snaps, ainda com a contribuição adicional do também calouro Jordan Wilkins.

Uma das principais estratégias de bloqueio utilizadas pelos Colts, que vem rendendo boas jogadas é a movimentação de jogadores em bloqueios pull. Essa técnica acontece quando um bloqueador sai de sua posição inicial para bloquear em outra região do campo, geralmente oposta a que ele estava. Esse tipo de movimentação geralmente ocasiona uma demora na defesa em reagir ao movimento da linha e ajustar o preenchimento dos gaps, e funciona muito bem contra fronts com jogadores em 2-gap-technique.

Fronts 2-gap são geralmente construídos com jogadores que precisam ter o domínio físico sobre o bloqueador, e a movimentação de pull tem o objetivo de anular tal comportamento, fazendo com que o defensive lineman tenha que agir como um tackleador de campo aberto.

Um dos conceitos usados pelo Colts  na temporada 2018 para combater fronts 2-gap é o Trap-Wham-Block. Nesse tipo de jogada, um jogador externo ataca o centro da linha de scrimmage para bloquear o jogador de linha defensiva alvo da jogada lateralmente.

Indianapolis por diversas vezes utiliza o Wham Block com os TEs, principalmente Jack Doyle e Ryan Hewitt a partir de formações big. Depois da lesão, Mo-Alie Cox assumiu o papel de Doyle nessas jogadas. Esse tipo de movimentação geralmente é feito com a intenção de liberar Quenton Nelson e Ryan Kelly rapidamente das designações iniciais para atacar o segundo nível da defesa, ambos jogadores com grande eficiência em realizar bloqueios em campo aberto.

Nessa jogada da partida contra os Raiders (semana 8) vemos o Trap-Wham-Block sendo aplicado para permitir que Ryan Kelly ataque os LBs.

Por reconhecimento dos assignments, Mark Glowinski, o Right Guard também ataca o segundo nível, ajudando Ryan Kelly. A corrida de Marlon Mack não é exatamente explosiva, mas ganhou as jardas necessárias para um novo set de descidas.

Outro exemplo de Wham Block por parte de Jack Doyle. Dessa vez, o RB2 Nyheim Hines ganha 15 jardas.

Dessa vez, o lineman que sai em pull é o left tackle Anthony Castonzo. Nessa jogada, destaca-se também o trabalho do rookie Quenton Nelson executando bloqueio em dois jogadores ao mesmo tempo na jogada.

Na jogada subsequente, os Colts mostram mais um exemplo de sua variedade de jogadas novamente partindo do shotgun, agora correndo uma outside zone com dois jogadores executando pull. Esse conceito é conhecido como Toss Sweep. Nesse caso, Ryan Kelly e Mark Glowinski partem em sweep limpando o caminho para Nyheim Hines no strongside.

Como explicamos nesse texto do ano passado, a filosofia de bloqueios em zona dá uma leitura específica para os jogadores de linha. Kelly e Glowinski estão no campo aberto, então a inteligência desses jogadores em identificar corretamente os adversários a serem bloqueados é essencial para que a jogada funcione.

O fator Ryan Kelly na proteção do passe

Selecionado na décima-oitava escolha do draft de 2018, o center vindo de Alabama jogou todos os snaps de sua carreira universitária como titular sem sofrer lesões, e foi escolhido à época por Jim Irsay com à certeza de ser uma cornerstone para uma linha ofensiva que precisava de investimentos. Apesar disso, como as coisas nunca são fáceis para o Indianapolis Colts e uma temporada de calouro sólida, apesar de abaixo do radar, o segundo ano de Ryan Kelly foi recheado por lesões.

Uma fratura na perna em uma atividade conjunta com o Detroit Lions no training camp o tirou de toda a pré-temporada de 2017, e quando retornou, o jogador não mostrava o mesmo desempenho da temporada anterior, uma vez que a linha ofensiva dos Colts como um todo era a pior da liga. Outras lesões acabaram por encerrar a temporada de Kelly, fazendo com que o jogador fosse para a injury reserve no mês de dezembro.

Em 2018, desde que a linha ofensiva dos Colts se estabeleceu na formação titular de Castonzo, Nelson, Kelly, Glowinski e Smith. Entre as semanas 6 e 11 (Jets, Bills, Raiders, Jaguars e Titans), Luck não sofreu nenhum sack. Uma sequência de quase 300 dropbacks sem ser derrubado, que impulsionou uma virada de uma campanha de 1-5 para 5-5 até então.

Contra os Titans, Ryan Kelly sofreu uma lesão na perna que o afastaria das próximas 3 partidas, sendo substituído pelo center reserva Evan Boehm. Nesse caso, não só a qualidade na proteção do passe caiu para níveis “humanos” (Luck sofreu 6 sacks no período, interrompendo a sequência recorde desde 1991), bem como o jogo terrestre dominante teve uma queda de desempenho – o ataque registrou 118 jardas corridas contra os Dolphins, 41 contra os Jaguars e 50 contra os Texans.

No retorno de Kelly contra os Cowboys, não somente Luck não voltou a ser derrubado como também o ataque terrestre registrou 178 jardas contra a defesa de Dallas, uma das melhores parando a corrida até então.

O time que venceu nove dos últimos dez jogos na temporada regular tem uma identidade claramente definida por dominação nas trincheiras, podendo controlar a posse de bola com jogo terrestre à vontade se estiver com sua linha ofensiva titular completa. Além disso, os Colts contam com um Quarterback que já se mostrou competente o bastante para ganhar jogos quando não tinha nenhum desses fatores para o ajudar. Na rodada de Wild Card dos playoffs essa receita se mostrou mais fatal que nunca para o Houston Texans, que não mostraram a menor resistência, mesmo tendo bastante talento na defesa.

A partida de Wild Card

Impulsionado por uma linha ofensiva no ápice de seu jogo na temporada e de um excelente plano de jogo por parte do técnico Frank Reich, Marlon Mack atingiu a melhor marca de sua carreira com 148 jardas terrestres contra o Houston Texans. Assim como na partida anterior contra os Titans, dois touchdowns nas duas primeiras campanhas da partida ajudaram a ditar o ritmo da partida e permitir com que os Colts controlassem o adversário com jogo terrestre.

Quenton Nelson, que dispensa apresentações, e fizemos questão de destacar o início complicado de carreira que teve, teve partida fenomenal. O calouro First Team All-Pro colecionou pancakes ao longo da partida (e da temporada, como indicado pelo ex-jogador de linha ofensiva Brian Baldinger, no twitter). Para observar tamanha dominação por parte da linha ofensiva dos Colts, vamos analisar algumas jogadas.

No início do jogo, as conversões de terceira descida foram importantes para ditar o ritmo de ataque. Os Colts converteram 7 de 7 tentativas antes de chutarem o primeiro punt. Na primeira tentativa, Luck tem um pocket limpo para completar um passe de 12 jardas para T.Y. Hilton e mover as correntes.

A linha defensiva dos Texans tenta atacar com o mesmo stunt que os Colts teve problema para parar no início da temporada, mas dessa vez o resultado é totalmente diferente. De Glowinski (#64) para a esquerda, todos os jogadores fazem a técnica de slide protection para este lado da linha para compensar os stunts e manter o pocket limpo. Luck mantém-se no ponto de proteção até que Hilton vença o duelo contra o marcador.

A jogada acima, do segundo drive dos Colts na partida, é um exemplo de como Frank Reich usa misdirection para criar situações favoráveis para o ataque. Chester Rogers é visto em motion pré-snap carregando um Safety para longe da direção em que ocorrerá a jogada.

Corrida em pull, com Quenton Nelson e Ryan Kelly sendo os leading blockers abrem caminho para uma corrida de 25 jardas de Marlon Mack. Pela câmera lateral da All-22. Podemos perceber que a movimentação pré-snap é essencial para permitir tamanho ganho. O safety acompanha a movimentação de Chester Rogers e o snap sai no momento em que o camisa #80 passa pelas costas de Luck.

O camisa #20 dos Texans não acompanha a movimentação até o fim, mas é tarde demais para que o mesmo possa reagir na jogada e evitar a big play. Excelente chamada e play design por parte de Frank Reich, bem como a execução por parte dos jogadores.

Agora a jogada que colocou o placar em 14 a 0 para os Colts, praticamente selando um domínio absoluto do time na partida. Corrida sweep para a esquerda da tela. Dessa vez, o TE Eric Ebron (#85) sai em motion novamente tirando o Safety Justin Reid (#20) da direção da corrida.

Aqui cabe a explicação de que a corrida sweep é um tipo de jogada em que o corredor atravessa a linha executando o bloqueio em uma determinada direção, enquanto o lineman da ponta bloqueia o edge rusher com um movimento no sentido oposto à direção da corrida, servindo de “âncora”, permitindo com que o corredor “vire a esquina”.

Mo-Alie Cox (#81) é o âncora da linha, enquanto Ebron se movimenta em motion para que fiquem apenas 3 defensores do lado do campo em que a corrida vai se desenvolver. Observe no decorrer do gif que quatro jogadores da linha ofensiva dos Colts se deslocam para aquele lado.

Nesse caso, a jogada é tão bem executada que Marlon Mack além do caminho que tomou, poderia ter escolhido o gap aberto entre Quenton Nelson e Ryan Kelly, conquistando o TD sem ser tocado.

  • Diego Vieira acredita que está vivendo um sonho ao ver a OL dos Colts jogar nesse nível.

Análise Tática #29 – As cinco melhores jogadas de Andrew Luck

Véspera do Thursday Night Football da semana 5 entre Colts e Patriots, partida com a narrativa interessante provocada pelas peripécias de Josh McDaniels na intertemporada. Apesar de Chris Ballard, GM dos Colts, ter jogado para a torcida com seu “The rivalry is back on”, a verdade é que os Patriots são totalmente favoritos à partida, esperando-se até uma goleada. Apesar disso, o site Pick Six, que em seus 40% é Indianapolis Colts, e esta é uma casa em que o clubismo não é só permitido como também incentivado, trouxemos uma análise tática exclusiva sobre as cinco melhores jogadas de Andrew Luck, escolhidas após uma larga análise de nossa equipe (à moda caralha).

Após a notícia de que Andrew Luck, não a pessoa original, apenas a sua mente transferida para um novo corpo de anfitrião (quem viu a segunda temporada de Westworld sabe do que estou falando), finalmente retornou aos treinos sem limitações (traduzindo, finalmente conseguiram ensinar o corpo robótico a jogar futebol americano), cabe a este redator exercer o seu direito INALIENÁVEL de CLUBISMO e defender o atleta em questão, apesar de atuações inconsistentes contra Redskins e Eagles e fios de esperança contra Bengals. A atuação COMO NAS ANTIGAS contra os Texans dá novamente ao torcedor de Indianapolis O DIREITO DE SONHAR.

Sem estar saudável desde a temporada de 2014, graças ao trabalho da dupla dinâmica Ryan Grigson e Chuck Pagano (parte 1, parte 2), e pelo fato de o time dos Colts ser ruim, as pessoas esqueceram como Andrew Luck é bom. Não as culpo, por que uma temporada com Scott Tolzien e Jacoby Brissett faz até o mais apaixonado dos torcedores repensar as suas opções na vida.

#05 – Passe de 42 jardas para TD vs Detroit. Semana 13, 2012

A primeira jogada do nosso ranking é uma da temporada de calouro, em 2012. Jogo fora de casa contra o Detroit Lions, em mais uma das viradas que marcaram a carreira do camisa 12.

Na situação, Luck era treinado por Bruce Arians e Clyde Christensen, em meio às turbulências da leucemia que acometeu Chuck Pagano em 2012, que rendeu a campanha #ChuckStrong, servindo até como motivação extra-campo. Como viu-se ao longo da carreira de Andrew Luck, o Colts tinha dificuldade em começar os jogos, obrigando o quarterback a resgatar o time nos momentos finais quase que semanalmente. Assim foi no Ford Field na semana 13 de 2012, com os Colts virando um 23 a 14 em determinado momento do terceiro quarto.

A jogada que veremos aqui ocorreu quando a partida estava 21 a 33 aos 2:45 restantes do último quarto, em uma 1ª para 10.

Indianapolis parte de uma formação shotgun singleback com um set de recebedores em 3×1. Partindo de um conceito derivado do Levels, a combinação de rotas causa um estresse entre o Safety e o Cornerback da parte inferior da jogada. Lavon Brazill (sdds) consegue a separação. Enquanto isso, Andrew Luck enfrenta pressão pelo lado direito, escapa para o lado oposto e encontra a janela para uma bomba precisa até a redzone.

Essa jogada mostra a capacidade de Andrew Luck em arriscar em profundidade sob pressão, algo que foi necessidade por boa parte de sua carreira. Vários drives do Indianapolis Colts sobreviviam aos erros mentais da linha ofensiva graças às jogadas de grande ganho.

#04 – Passe de 8 jardas para TD vs Denver. Semana 09, 2015

O cenário: Colts capengando em uma temporada que deveria ser Super Bowl contender, tendo Luck perdido dois jogos por lesão nas costelas, enfrentam um Denver Broncos (que viria a ser campeão do Super Bowl), invictos com sete vitórias, em um jogo vespertino no Lucas Oil Stadium. Empate por 17 a 17 no início do último quarto.

Na jogada anterior, Luck tinha sofrido um tackle de Danny Trevathan que no dia seguinte saberíamos que renderia uma laceração nos rins. Luck enfrenta uma blitz de três homens vindos pelo weakside, com os demais homens da linha aplicando stunts. Essa jogada é um exemplo do que faltou para ajudar Andrew Luck na sua carreira: rotas rápidas para queimar a blitz.

Ahmad Bradshaw adota uma posição de bloqueio, mas no ponto do snap, parte explorando o ponto vazio deixado por T.J. Ward (blitzer). Em uma jogada bem desenhada, Luck dá apenas um passo de dropback e planta os pés para o passe, enquanto Bradshaw se projeta à endzone por inércia.

Escolhi essa jogada pois demonstra o que Luck é capaz de fazer. O cara lançou um TD contra a melhor defesa da NFL à época, encarando um matchup desfavorável com uma HEMORRAGIA NOS RINS.

#03 – Passe de 32 jardas vs Denver. AFC Divisional, 2014

No que talvez foi o maior upset promovido pelo Indianapolis Colts de Chuck Pagano, Luck teve uma de suas melhores partidas de sua carreira, principalmente por ter convertido as jogadas em momentos decisivos. Essa é uma delas, passe numa 3rd & 16 no terceiro quarto, contra uma secundária, se ainda não era tudo o que foi capaz de fazer, já era notável na liga.

Essa jogada mostra bem o que Luck é capaz de fazer tendo um pocket minimamente limpo. A linha ofensiva conteve muito bem um four-men-rush com Von Miller, Derek Wolfe, Malik Jackson e DeMarcus Ware, dando tempo para Luck encontrar uma janela estreita para Coby Fleener na rota seam em meio ao tráfego de defensores.

Conversão fundamental para Indianapolis ter construído a vantagem que gerou a vitória. Destaque para o trabalho de pernas de Luck no 3-step-dropback, enquanto ele movimenta o pescoço em relação às duas laterais antes do passe.

#02 – Passe de 36 jardas para TD vs Cincinnati. AFC Wild Card, 2014

Voltamos à semana anterior em relação à outra posição de nosso ranking. Jogo de wild card contra o Cincinnati Bengals, que de certa forma o Colts controlou com facilidade, raridade durante o regime de Chuck Pagano, em que o time se esforçava para dificultar jogos exatamente fáceis.

Nessa jogada em questão, vemos o atleticismo espetacular de Andrew Luck, capaz de zipar um passe de 36 jardas sem o apoio dos pés no chão, ao se projetar em velocidade escalando o pocket, enquanto Carlos Dunlap tentava o sack.

O passe em questão parte em uma jogada de play action e é pura obra-prima. Biomecanicamente falando, Luck usa sua quantidade de movimento para projetar a bola, juntamente com a força do braço. Pela falta dos pés plantados, a espiral não sai perfeita, mas com uma potência suficiente para encontrar Donte Moncrief na lateral da endzone. Outro destaque vai pela capacidade do Quarterback em enxergar o espaço para escalar o pocket sem tirar os olhos do fundo de campo.

#01 – Passe de 64 jardas para TD vs. Kansas City. AFC Wild Card, 2013

Talvez o jogo mais espetacular da carreira de Andrew Luck até aqui. Protegendo a bola, não foi uma atuação segura, já que as 3 interceptações nos primeiros 40 minutos de jogo ajudaram a cavar o buraco de 38 a 10 que o time se meteu em determinado momento da partida.

No momento em que a partida estava 44 a 38 para Kansas City, Luck tinha um drive de 80 jardas para percorrer e tomar a liderança pela primeira (e que seria a única) vez na partida.

No que parecia se desenvolver um drill de média duração para sobretudo queimar o relógio, Luck e TY Hilton aproveitaram para atacar em profundidade com uma rota post. Cover 2 beater clássico, com a bola viajando 45 jardas pelo ar e atingindo Hilton no exato ponto em que as duas zonas dos Safeties se encontravam. Observe que os mesmos se chocam, facilitando o caminho para Eugene carregar a bola até a endzone.

  • Diego Vieira já está preparado para a traulitada de quinta à noite, pois Colts é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente.

A vida é feita de ciclos

O Colts sempre teve sua história associada a um grande jogador. Nos primórdios da franquia, ainda em Baltimore, esse cara era Johnny Unitas. Em Indianapolis, vieram Erick Dickerson e depois Marshall Faulk. E, por fim, você deve se lembrar de um moço alto chamado Peyton Manning. Parece que lançava a bola, o rapaz.

Essa sucessão não parou com a saída de Peyton. Aliás, essa saída se deu muito por conta disso: a ideia de continuar o sucesso que a franquia havia conquistado. Em 2012, menos de um ano depois de ostentar o pior record da NFL, Indianapolis escolheu o QB Andrew Luck, de Stanford.

E tudo parecia seguir de acordo com os planos: Andrew levou a franquia aos playoffs em seus primeiros anos na liga, chegando até a final da AFC em 2014/15, em campanha que contou inclusive com vitória sobre Manning (aquele, não o outro) nos playoffs. Se quiser saber um pouco mais dessa história, falamos sobre isso aqui.

Em 30 segundos, tudo pode mudar

A trajetória vencedora de Luck foi interrompida em 2015. Em meio a um início ruim, o jogador sofreu múltiplas lesões e acabou a temporada na lista de contundidos. Em 2016, o trabalho para recuperar o ombro, lesionado no ano anterior, exigiu muito do jogador e a melhora esperada não veio. Para 2017, o time e o QB optaram por uma cirurgia no ombro – a ideia era deixar quaisquer resquícios da lesão para trás, agora de uma vez por todas.

O resultado você já conhece. O tempo de recuperação foi se estendendo, até chegar no ponto em que a participação de Andrew na temporada fosse descartada. O ombro não mostrava sinais de recuperação, e o ano já parecia perdido mesmo.

Após reavaliar o ombro e alterar um pouco os trabalhos de reabilitação, Luck vai jogar a temporada normalmente. A dúvida fica por conta de como serão suas atuações, já que seu último jogo foi há mais de 500 dias.

Pagano vs Grigson: a origem da ruína

A saga de Andrew Luck foi apenas a cereja no bolo de um processo inevitável, mas que, ironicamente, era mascarado pela própria capacidade de Luck dentro de campo. O time, apesar dos bons resultados, não era bom.

Após receber o prêmio de “executivo do ano” (sim) em 2012, Ryan Grigson, o então GM da equipe, não conseguiu realizar bons drafts ou reforçar o time à altura no mercado. Chuck Pagano, o head coach, não mostrava competência para dirigir sequer um bom time, quem dirá um questionável.

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Por conta dessa incompetência, tudo que Andrew não controlava fedia: a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa como um todo. Viradas milagrosas e uma AFC South que beirava o amadorismo ocultavam a verdade: Indianapolis não tinha um bom time.

Sem Andrew Luck, as deficiências da equipe e a ruindade de Grigson e Pagano ficaram escancaradas. Em um intervalo de menos de um ano, ambos foram chutados da franquia.

Reconstruindo (do inglês rebuild)

Para consertar o “elenco” deixado por Ryan Grigson, os Colts foram atrás de Chris Ballard, que é muito bem visto dentro da liga e tido por muitos como um dos melhores avaliadores de talento da NFL.

Daddy.

Em seu primeiro ano como GM, porém, ele não foi bem. O time não contou com Andrew Luck, claro, mas Chris não se mostrou muito ativo ao lidar com a situação. Se os Patriots não tivessem proposto uma troca, Indianapolis teria jogado 2017 com Scott “are you serious?” Tolzien como seu QB. Além disso, a equipe montada não se mostrou competitiva como se deseja, mesmo o trabalhando apenas se iniciando.

Finalmente e, sim, estávamos evitando, chegamos em 2018

Como tudo na vida é um ciclo, o dos Colts está se fechando agora. O ciclo que se inicia lembra muito aquele de 2012: um ou outro nome reconhecível e a esperança que Luck seja o diferencial da equipe. Se antes o ataque tinha Reggie Wayne, hoje ele tem TY Hilton. Se antes a defesa tinha Robert Mathis, hoje ela tem Jabaal Sheard. Não é um cenário animador.

Todos sabemos que um time que tem apenas três jogadores de nível de Pro Bowl (estamos ignorando Jack Doyle e Adam Vinatieri da lista, você não é o único que percebeu) não vai chegar muito longe, mas Indianapolis tem uma carta na manga: a juventude.

O elenco é hoje formado por alguns medalhões (os que já citamos, Eric Ebron, Anthony Castonzo, Al Woods, John Simon…) e muitos jovens. As três escolhas na segundo rodada, um grupo de RBs liderado pelo apenas segundo-anista Marlon Mack, além dos 1st rounders Quenton Nelson e Malik Hooker, e mais um bando de meninos que você não conhece, tornam os Colts um dos 5 times mais jovens da NFL.

Isso torna a temporada de Indy extremamente imprevisível. Se alguns desses jogadores jogarem em alto nível, daqui a um ano provavelmente estaremos falando de uma equipe pronta para disputar a AFC por anos. Por outro lado, se o desempenho for de medíocre pra baixo, a situação pode ser crítica a ponto de vermos a franquia de novo com uma escolha no top 5 do draft.

Um passo de cada vez

Se antes a ruindade do time apareceu quando Andrew Luck se machucou, agora os Colts estão fazendo de tudo para evitar que isso aconteça. A linha ofensiva foi ponto focal da offseason, menos de um ano depois de jogadores como Jeremy Vujnovich atuarem em todos jogos da temporada.

“Como é que eu vim parar aqui?”

A unidade agora conta com Anthony Castonzo, que, no geral, não compromete; Quenton Nelson, talvez o único prospecto universalmente aceito como BOM; Ryan Kelly, que quando jogou foi bem (porém tem sofrido com lesões); Matt Slauson, veterano que na liga há alguns bons nove anos; e Austin Howard, também veterano. Além deles, o calouro Braden Smith, escolha de segunda rodada esse ano, fica na reserva para suprir uma inevitável lesão. Não é o melhor grupo da liga, claro, mas não é a calamidade que vimos nos últimos anos.

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Se antes a linha ofensiva, o jogo corrido e a defesa eram ruins, agora podemos riscar pelo menos a linha ofensiva dessa lista. E isso apenas sete anos depois que Andrew Luck entrou na liga.

Tudo isso, não mais comandado por Chuck Pagano

É importante ressaltar que, também pela primeira vez em sua carreira, Luck terá o que achamos ser um Head Coach de verdade, não apenas um gerador de clichés motivacionais.

Reich chega depois que Josh McDaniels recusou o cargo, e só citamos isso aqui pra deixar bem claro que isso não influenciará em nada na temporada de Indy. Frank chega aos Colts com a credencial de ser uma das mentes envolvidas no processo que culminou com Nick Foles sendo o MVP do Super Bowl.

Tal qual um rookie, tudo que podemos dizer sobre Frank Reich é: esperamos que faça um bom trabalho e, pior que do que estava, dificilmente fica.

Palpite

É muito difícil saber o que esperar desse time em 2018. Muitos jogadores pouco ou nada jogaram na liga, tornando o nível da equipe extremamente imprevisível. No melhor dos cenários, pode brigar por playoffs e, no pior, pode acabar com uma pick alta no ano que vem. Como o meio-termo talvez seja a opinião mais sensata, um record entre 6 e 10 e 7 e 9 é onde esse time deve terminar o ano.

Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 2

A estadia de Chuck Pagano em Indianapolis foi tão absurda que precisamos dividir essa análise em duas partes. Segue a primeira.

A temporada de 2014

Andrew Luck e o Indianapolis Colts como um todo tiveram seus melhores desempenhos em 2014. Atingindo 40 TDs e mais de 4000 jardas, Luck jogou como MVP em seu terceiro ano, e sequer entrou na conversa por causa de um Aaron Rodgers espetacular, principalmente no baixo número de turnovers.

A partir de então tornou-se mais claro que o Colts era um time atrapalhado por sua comissão técnica. Pep Hamilton era criticado pelo baixo desempenho do time na redzone e Greg Manusky principalmente nas derrotas produzidas em shootouts: 42-20 contra os Patriots em Indianapolis, 34-51 contra os Steelers em Pittsburgh, 07-42 contra os Cowboys em Dallas. Além disso, o Colts perdeu as duas primeiras partidas da temporada contra os Broncos (24-31 após sair perdendo por 24-0) e Eagles (30-27 após sair vencendo por 6-20), o que viria a ser cotidiano desde então.

Apesar da grande temporada no geral, os pontos negativos foram bem agravantes: várias partidas com inícios lentos (3-and-out nos primeiros drives), defesa mal preparada contra bons QBs, péssima execução na redzone, além da recorrente instabilidade da linha ofensiva. O placar não mostra, mas o time sofreu em algumas vitórias que deveriam ser fáceis, como os Browns e o segundo jogo contra os Texans.

Em nenhum dos 16 jogos da temporada regular de 2014 o Colts teve seu drive inicial da partida terminando em touchdown. Em cinco partidas foram field goals, e no restante muitos punts e turnovers. Basicamente, o time precisou correr atrás do placar na maioria dos jogos, o que diminui o balanço de snaps com jogo corrido, e restringe as possibilidades do plano de jogo.

Como Pep Hamilton é da escola West Coast, provavelmente as jogadas de Indianapolis no início da partida eram previamente designadas, desconsiderando o que o adversário colocava em campo. Outro ponto que prejudicou o desenvolvimento dos drives iniciais foram os erros mentais: muitas faltas de false start holding prejudicavam o andamento.

O problema de ritmo no ataque

Para exemplificar, observe o three-and-out dos Colts contra os Patriots na semana 11 de 2014:

O Colts utiliza um set de 3 WRs, um TE (Coby Fleener) e RB (Trent Richardson), todos alinhados em um conjunto que seria 5 WRs. O objetivo é atacar o fundo do campo. Com o lado direito mais carregado, o Colts tenta induzir a defesa dos Patriots àquele lado. O erro aqui é que nenhuma rota ataca o lado esquerdo, abrindo a defesa. O Patriots responde em um conjunto de zonas e anula todas as rotas.

Enquanto isso, o Defensive Tackle vence seu duelo contra o Center e desmonta o pocket, obrigando Luck a ir para o scramble, ganho de 4 jardas.

Na jogada seguinte, uma formação big com twin-TEs, terminando em ganho de 1 jarda de Trent Richardson.

Na terceira jogada, Pep Hamilton mais uma vez tentou atacar a defesa dos Patriots com um conceito de rotas verticais, que responde anulando TY Hilton com a combinação de press coverage e uma marcação em zona no fundo do campo.

Luck realiza sua progressão em leitura hi-lo e termina fazendo o checkdown.

Pep Hamilton tinha problemas para estabelecer um ritmo no ataque dos Colts com suas chamadas, o time era muito dependente de big plays para progredir em campo, e, quando chegava à redzone, estancava exatamente pelo curto espaço de campo. A falta de um jogo terrestre mínimo tornava as coisas ainda mais unidimensionais.

Essas situações criaram um cenário de risco para o jogo de Andrew Luck: sendo obrigado a atacar o campo, o QB conseguiu sua melhor temporada em jardas e TDs, ao mesmo tempo que voltou a crescer em número de turnovers.

Os problemas contra o jogo terrestre

Como mostramos com exemplos de 2012, a defesa dos Colts ainda era muito soft contra a corrida, e Bill Belichick aproveitou-se disso nas duas situações que enfrentou Indianapolis. Na temporada regular, o desconhecido Jonas Gray anotou 4 TDs corridos em pleno Lucas Oil Stadium.

No AFC Championship Game em Foxborough, LeGarrette Blount teve 30 carregadas para 148 jardas e 3 TDs. Comecemos a observar os problemas defensivos do Colts analisando a corrida mais longa de Blount no jogo, para 22 jardas.

O Patriots executa uma outside zone partindo do 22 personnel, indicando uma formação clara de corrida, que mesmo assim o Colts não conseguiu parar. Há pelo menos dois momentos em que a jogada poderia ser encerrada antes de se tornar uma big play. Mesmo preenchendo os gaps de forma correta, nenhum dos jogadores consegue fechar o tackle.

Retira-se essa jogada das estatísticas e ainda temos 29 carregadas para 126 jardas, resultando em 4,34 jardas por tentativa. Mais de um first down a cada 3 jogadas.

A temporada de 2015

O quarto ano do regime Pagano começou com a ilusão de que o Colts seria Super Bowl contender, mesmo o vídeo do jogo contra os Patriots na final de conferência mostrando o contrário.

O pior é que Jim Irsay acreditou e contratou vários veteranos para legitimar esse processo: WR Andre Johnson, RB Frank Gore, G Todd Herremans e OLB Trent Cole chegaram por contratos elevados, embalados pelo win-now. No draft, Ryan Grigson pensou que nomes como Malcom Brown, Landon Collins, Erick Kendricks não eram bons o suficiente e escolheu Phillip Dorsett, WR de Miami.

Um time com problemas de trincheiras resolveu que a melhor solução era lotar o elenco de skill players, e a realidade de setembro provou que isso foi uma estratégia equivocada. Nos dois primeiros jogos da temporada, Rex Ryan (Bills) e Todd Bowles (Jets) não se intimidaram em atacar Luck com blitzes e capitalizar com erros.

Foram cinco interceptações e três touchdowns em dois jogos. Para exemplificar, vamos observar como as blitzes de Todd Bowles fizeram Luck cometer erros de leitura e como Pep Hamilton não ajustava o esquema para se aproveitar disso.

Hamilton mais uma vez desenha um conceito de rotas longas para iniciar o jogo, enquanto o RB não percebe a blitz chegando pelo lado esquerdo, deixando Luck em apuros.

Andre Johnson não consegue se livrar do press coverage e o timing com Luck é prejudicado. Ele toca a bola e a deixa no ar, interceptada por Buster Skrine.

Problemas de constante pressão contra blitz e rotas longas resultaram na lesão de Luck na semana 3 contra os Titans, que o tirou dos jogos contra Jacksonville e Houston. Luck voltou contra Patriots (o clássico jogo do fake punt), Saints, Panthers e Broncos, quando sofreu a lasceração de rim que o tirou do restante da temporada.

A temporada de 2015 foi atípica, record de 2-5 com Luck em campo e 5-3 com Matt Hasselbeck. Ao todo 10 QBs estiveram no roster de Indianapolis, sendo que além dos dois, Charlie Whitehurst, Josh Freeman e Ryan Lindley também tiveram snaps.

A ineficiência ofensiva dos Colts resultou na demissão de Pep Hamilton após a semana 6 contra os Panthers, e o cargo de coordenador ofensivo dos Colts foi assumido por Rob Chudzinski.

A temporada de 2016

Finalmente chegamos ao ponto em que a habilidade de Andrew Luck não foi mais suficiente para esconder a deficiência técnica dentro de campo e de planejamento dos Colts.

Apesar do segundo melhor ano estatisticamente do Quarterback, foram oito derrotas, algumas delas com o que o time podia fazer de pior, como ceder 54 jardas em 35 segundo contra os Lions, ceder 14 pontos seguidos contra Brock Osweiler após estar vencendo por 23-9.

Além disso, o Colts perdeu jogos importantes contra Houston em Indianapolis e Oakland, quando possuía chances de tomar a liderança da AFC South, mesmo com campanha medíocre. Por toda a temporada, Luck teve sessões de treino limitadas devido ao que depois descobrimos ser sua lesão no ombro que o segura até hoje, além de perder o jogo de Thanksgiving na semana 12 por concussão.

Mesmo draftando Ryan Kelly na primeira rodada e contratando Joe Philbin para técnico de OL, Luck sofreu 15 sacks nos quatro primeiros jogos, 5 contra Denver e 6 contra Jacksonville. Em contrapartida, a OL melhorou bastante nos bloqueios de jogo terrestre e Frank Gore conquistou 100 jardas em um jogo algumas vezes, fato que não ocorria desde 2012 com Vick Ballard na semana 17.

Após Irsay renovar os contratos de Pagano e Ryan Grigson por 4 anos em janeiro de 2016, a temporada acabou com a demissão do GM. Chris Ballard foi contratado e mesmo assim obrigado a manter Chuck Pagano em 2017.

A temporada de 2017

A offseason de 2017 foi preenchida pela dúvida quanto à saúde de Andrew Luck. Irsay por vezes garantiu que o jogador estaria pronto para a semana 1, enquanto Chris Ballard não prometia nada. A verdade é que o Quarterback foi colocado no IR após voltar a sentir dores no mês de outubro, e seguiu para tratamentos alternativos na Holanda.

Com isso, os Colts tiveram que se virar com Scott Tolzien e Jacoby Brissett, obtido por troca com o New England Patriots. O principal fator problemático em 2017 foi a quantidade de viradas que o time sofreu pela falta de ajustes no intervalo, destacando-se jogos contra Seattle, Tennessee, Houston, Pittsburgh, Denver e Baltimore.

A defesa adquiriu boas peças pela estratégia de Ballard em contratar jogadores que brigam por posição. Nomes como Jabaal Sheard, John Simon, Henry Anderson, Quincy Wilson, Malik Hooker, Nate Hairston, Rashaan Melvin e Johnathan Hankins desempenharam bons papéis enquanto estiveram em campo.

No ataque, Chudzinski tentou montar um ataque simplificado em run-pass-option, para facilitar a vida de Brissett, mesmo não sendo sua escola. O QB desempenhou um bom trabalho em algumas partidas, mas erros de leitura e falta de senso de urgência em algumas progressões se tornaram comuns. O ataque não conseguia se manter em campo e ajudar a defesa a descansar, além de não existirem ajustes da comissão técnica como um todo.

O Colts de 2017 é um time com bons valores individuais e sem o plano de jogo ideal, o que recai nos técnicos. Brissett sofreu 51 sacks em 2017, segunda maior marca da história da franquia, somando sua baixa capacidade técnica de se livrar da bola nos momentos certos e a regressão da linha ofensiva após pequena melhora no final de 2016.

Após a demissão de Pagano, o cenário para o Colts em 2018 é de uma reconstrução que na verdade nunca houve. Seis anos de um bom Quarterback foram desperdiçados por decisões ruins dentro e fora de campo em todos os escalões do front office, e agora não sabemos em que condições Luck retornará a campo (ou se voltará).

Há diversas opções de jogadores que podem mudar de patamar tanto a defesa quanto o ataque no draft de 2018. Jim Irsay não pode mais ignorar o fato de que a carreira de seu franchise QB está passando e precisa considerar bons nomes para sua nova comissão técnica para ajudá-lo, e não torcer para que o mesmo resolva tudo, como é padrão em Indianapolis desde os tempos de Jeff George.

  • Diego torce para os Colts e já está pedindo a demissão do próximo técnico.

Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 1

O Pick Six traz para você leitor um trabalho mostrando como o Indianapolis Colts, que teve a sorte grande de draftar dois hall of famers seguidamente, conseguiu não traduzir tal feito em múltiplos Super Bowls. Iremos revisitar em duas partes todos os seis anos de Charles David Pagano como head coach dos Indianapolis Colts. Para você que é um leitor neutro, segue a oportunidade de uma ótima forma de entretenimento.

Chuck Pagano foi contratado pelo Indianapolis Colts em 2012, após a franquia ter demitido o mestre do controle de relógio Jim Caldwell e todas as sus expressões faciais. Em 2011, o torcedor dos Colts que ainda não tinha percebido descobriu que na verdade era Peyton Manning quem carregava o piano, e mesmo com jogadores históricos como Reggie Wayne, Robert Mathis e Dwight Freeney, sem seu QB o time não valia mais que aquele dinheirinho que vem em pipoca doce.

E 2012 começou assim, como reconstrução. Embalado pelo #SuckForLuck, Jim Irsay demitiu Caldwell, Bill e Chris Polian, HC, VP e GM do time, respectivamente, além de ter permitido com que Peyton Manning procurasse outro time para ser feliz. O processo de reconstrução começou com a contratação da dupla Ryan Grigson e Charles Pagano. Grigson tinha histórico do setor de scout no Philadelphia Eagles (apesar de seus colegas de trabalho não entenderem por que ele conseguiu tal emprego). Já Pagano veio tratado como mente defensiva, o guru de DBs que iria revolucionar a defesa dos Colts com coberturas homem-a-homem e single high, após anos executando a defasada Tampa 2 na gestão Dungy-Caldwell.

O draft de 2012 aconteceu e Jim Irsay chamou a responsabilidade garantindo a escolha de Andrew Luck sem mistério nenhum, semanas antes do Colts sequer entrar no relógio. Indianapolis garantiria mais 15 anos de franchise QB ao mesmo tempo em que Grigson garantiu armas para Luck draftando Coby Fleener, Dwayne Allen e T.Y. Hilton.

A temporada de 2012

O coaching staff dos Colts em 2012 era Charles Pagano como HC, Bruce Arians como OC e Greg Manusky como DC. Clyde Christensen permaneceu da gestão anterior para ser o técnico de QBs e desenvolver o talento de Andrew Luck. A primeira partida foi uma derrota por 41-21 contra os Bears de Jay Cutler no Soldier Field, e seria apenas a primeira de onze derrotas (e contando) em seis anos cedendo mais que 40 pontos ao adversário, pior marca da NFL.

Na segunda rodada, Andrew Luck liderou os Colts à sua primeira vitória na liga, em um 23-20 contra o Minnesota Vikings. Após liderar por 20-6 em três quartos, o Colts cedeu o empate tomando 14 pontos seguidos (familiar, caro leitor?). Luck botou o time no braço e colocou Adam Vinatieri em condição de chutar o field goal da vitória.

Bruce Arians enquanto coordenador ofensivo foi responsável por fazer Luck “perder o medo” de arriscar em profundidade, excelente trabalho inclusive que o rendeu o emprego que possui hoje no Arizona Cardinals.

Luck veio do College Football como o prospecto mais completo da história, basicamente o trabalho dos Colts era plugar e jogar, tendo que corrigir alguns erros pequenos como a tendência a arriscar demais. Entretanto, como sabemos, Luck tomava riscos por que sabia que era capaz de converter jogadas, o famoso “só bate quem erra”.

Arians então aproveitou-se da capacidade de seu QB para desenvolver um ataque vertical, diferente do que Luck executava em Stanford, um híbrido de West Coast Offense clássica e Spread.

Nessa formação observamos um esquema que foi bastante utilizado no ano de calouro de Luck, e também foi uma das razões o qual era exposto a bastante sacks. Dois TEs em campo, singleback e dois receivers em lados opostos do campo. Reggie Wayne atrai a marcação no meio de campo e Donnie Avery encara seu marcador na rota fly. Luck aproveita o playaction fake e junto com um 5-step dropback, manda um passe perfeito, nada mal para um calouro em seu primeiro jogo em casa.

Normalmente, QBs calouros necessitam de um esquema que mascare suas deficiências para render, isso não aconteceu com Andrew Luck. Pagano e Arians não tiveram medo de expor seu signal-caller a leituras totais de campo, jogadas verticais, ajustes de proteção e option-routes, situações que geralmente apenas QBs com tempo de experiência profissional precisam enfrentar.

Durante o game-winning drive da partida entre Vikings e Colts, o ataque executou o conceito dagger, em que o alvo da jogada foi Reggie Wayne. Inclusive, o camisa 87 foi o principal alvo de Luck durante o ano de calouro e também um dos responsáveis por moldar o jogo de TY Hilton à sua imagem e semelhança. Repare nas rotas profundas e no 5-step drop, constante durante todo regime de Pagano.

Outra característica no jogo de Luck evidente desde suas primeiras atuações é a precisão de passe em janelas curtas. Na jogada abaixo, observe o QB anotando um TD ainda no jogo contra os Vikings em 2012. Esquema desenhado para aproveitar-se do release e do tamanho de Dwayne Allen como alvo na redzone. Luck coloca a bola na altura do peito de Allen com três defensores chegando na jogada, um passe fora de posição provavelmente seria defendido ou interceptado.

A defesa prevent

Uma característica dos Colts sob o comando de Chuck Pagano é diminuir a agressividade em situações de vantagem no placar ou campanhas de dois minutos. Basicamente, esse setor do time não encontrava respostas para os ataques adversários no momento em que era necessário dar um passo a frente, situação que custou derrotas ou precisou de que Andrew Luck resgatasse o time em desvantagem.

Esse tipo de coisa (contra Ponder ou não) foi comum.

Por muitas vezes, a defesa dos Colts parece uma unidade despreparada em campo, como se não houvesse nenhuma detecção dos padrões do adversário, além da baixa ou nula capacidade de ajustes de Chuck Pagano. Em 2012, isso ficou evidente na partida contra os Jaguars, encabeçado na época por Blaine Gabbert e Maurice Jones-Drew. Após abrir 14-3 antes do intervalo, os Colts cederam 19 pontos no segundo tempo para a derrota.

A defesa dos Colts tinha propensão a ceder big plays no jogo terrestre, mesmo contra times que o tinham como ponto primordial do ataque, como os Jaguars anteriormente mencionados. Alternaram-se os problemas de profundidade de elenco na defesa ao longo desses seis anos: quando havia bons LBs (Jerell Freeman), não havia DLs. Quando o front seven foi estabilizado com Cory Redding, houve o experimento LaRon Landry. Observe abaixo a ausência de atleticismo da linha defensiva em 2012 de proteger os gaps contra uma trap.

A campanha “Chuck Strong”

É impossível falar sobre a temporada de 2012 do Indianapolis Colts sem mencionar a ausência de Chuck Pagano de 12 jogos por conta do tratamento de leucemia. Diagnosticado na semana 4, bye week dos Colts, o técnico ficou ausente até a semana 17, quando retornou contra o Houston Texans. O impacto desse fato em campo é notável, por que após uma campanha 1-2, o time venceu 10 dos últimos 13 jogos da temporada, garantindo vaga nos playoffs como wild card.

Esse contexto é importante por que na época não se imaginava que um QB calouro como Andrew Luck, por melhor que fosse, seria capaz de transformar o time imediatamente. Com Bruce Arians acumulando as funções de head coach e coordenador ofensivo, o ataque teve um salto de qualidade, somado aos intangíveis relacionados ao tratamento de Pagano.

Em termos de plano de jogo e auxílio técnico, os 12 jogos de Luck sob a tutela de Bruce Arians e Clyde Christensen foram os melhores em sua carreira. Nesse período, o QB estabeleceu sua química com o veterano Reggie Wayne, principalmente em conversões de terceira descida, ao mesmo tempo em que TY Hilton aumentava gradativamente sua carga de snaps.

O jogo da semana 5 de 2012 contra os Packers é memorável nesse aspecto. Após sofrer 21-0 no primeiro tempo, os Colts conseguiram a primeira grande virada da carreira de Andrew Luck, vencendo por 27-30. Outras vitórias importantes nessa fase foram contra os Lions na semana 13 e contra os Texans na semana 17. Ao mesmo tempo, duas das derrotas foram acachapantes: Contra os Jets (9-35) e Patriots (24-59).

O encerramento da temporada de 2012 veio pela eliminação no wild card contra o Baltimore Ravens (que viriam a ser campeões) por 9 a 24.

A temporada de 2013

Bruce Arians saiu de Indianapolis rumo ao cargo de head coach em Arizona, e para sua reposição, os Colts trouxeram de Stanford o coordenador Pep Hamilton, familiar a Andrew Luck. A intenção com esse movimento era clara: implantar conceitos semelhantes à West Coast Offense híbrida que Luck operou em seus anos de College Football, sob a tutela de Jim Harbaugh e David Shaw.

A temporada de 2013 também pode ser lembrada como aquela em que os Colts derrotaram os melhores times à época: vitórias contra 49ers, Seahawks, Broncos e Chiefs em contextos inexplicáveis. Mas também houve derrotas por mais de 20 pontos contra Rams, Cardinals e Bengals.

A instabilidade na posição de Center

Após anos com uma das melhores duplas QB-Center da história em Peyton Manning e Jeff Saturday, o Colts teve dificuldades ao encontrar estabilidade em um parceiro confiável para Andrew Luck. Nomes como AQ Shipley, Samson Satele, Khaled Holmes e Jonnothan Harrison (este ultimo mais recentemente) se revezaram na posição fundamental da linha ofensiva.

Apesar de o left tackle geralmente ser o jogador mais bem pago, por inúmeras vezes enfrentar o melhor pass rusher adversário, quase sempre individualmente, e proteger o lado cego do quarterback, considera-se o center como posição mais importante taticamente, pois este jogador é responsável por identificar o tipo de front utilizado pelo adversário, se há blitz, e orientar pré-snap os demais jogadores em suas tarefas.

Além disso, o ato do snap é uma tarefa subestimada. Uma boa dupla pode utilizar de hardcount e fazer com que defensores cometam offside, um bom snap também determina a velocidade com que a jogada se desenvolve, dando um segundo a mais para o QB no pocket, que pode ser precioso ao completar um passe.

Por vezes vimos em Samson Satele essas duas deficiências. Guard de origem, o jogador tinha dificuldade em realizar o snap e identificar seus bloqueios. Observe nessa outside zone¸ que Satele não consegue engajar em nenhuma de suas funções na jogada, primeiro e segundo nível. A jogada não é bem-sucedida por outros fatores além.

O experimento Trent Richardson

Para tratar de Trent Richardson nos Colts, é interessante retornarmos ao draft de 2009.

Fonte: Bleacher Report

Na primeira rodada daquele draft, Bill Polian selecionou Donald GODDAMIT Brown, o escolhido para ser o contrabalanço a Peyton Manning no crepúsculo de sua carreira. Obviamente, a escolha deu errado e Donald nunca foi um jogador de elite na NFL, enquanto Polian afirma que teria escolhido Clay Matthews se não fosse por um trade up dos Packers à escolha anterior à sua (você não engana ninguém, Bill) ou mesmo ter passado LeSean McCoy (escolhido na segunda rodada pelos Eagles naquela ocasião).

Mas o que isso tem a ver com Trent Richardson? Bem, após ter ficado óbvio que Donald Brown ter sido uma escolha ruim, Jim Irsay foi para o movimento arriscado. Ryan Grigson e ele concordaram que era uma boa ideia trocar uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. A ideia era acelerar o processo de transformação dos Colts a postulante ao Super Bowl rapidamente. Em campo, o que se viu foi um Running Back muitas vezes acima do peso que não conseguia realizar as leituras corretas.

Em amarelo, o caminho ideal, em vermelho o caminho que ele escolheu. Fonte: SB Nation

O desenvolvimento da jogada anterior:

Por fim, um lance que talvez estivesse nos melhores piores momentos da semana se a coluna existisse à época. Em um jogo de playoffs, Trent Richardson se atrapalha em trocar a bola de mãos enquanto tenta cortar pelo meio da defesa do Kansas City Chiefs.

  • Diego Vieira torce pelo Indianapolis Colts e não sabe como sobreviveu a esse sofrimento.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

JJ Watt e Houston: football é maior fora de campo

Houston vem passando por uma série de catástrofes naturais: as chuvas e os eventos decorrentes do furacão Harvey deixaram a cidade destruída e debaixo d’água. Para colocar em perspectiva, na última semana, as chuvas no local foram o equivalente aos últimos 13 meses de precipitação em Manhattan.

Como você pode imaginar, muitas pessoas perderam tudo que tinham e, alguns lugares – casas, inclusive -, acabaram destruídos. O Astrodome, um dos estádios da cidade, tem servido de casa para muitos desabrigados.

É uma situação tensa, que tampouco conseguimos mensurar em palavras – a maioria de nós tem a sorte de nunca perder nada em situações como estas, e não conseguimos imaginar o tamanho da dor e dificuldades que quem sofre as consequências está passando. Mas, em momentos como esse, vemos alguns motivos para, com o perdão do clichê, não perder a fé na humanidade.

Robert Kraft, dono dos Patriots; Amy Adams, dona dos Titans; Christopher Johnson, dono dos Jets e Bob McNair, dono dos Texans doaram, cada um, um milhão de dólares para ajudar na reconstrução de Houston e da vida de seus habitantes.  

Mas quem tem mesmo se destacado é JJ Watt. O DE do Texans começou uma campanha no Twitter para arrecadar 250 mil dólares em doações. A visibilidade de Watt permitiu que a meta fosse, cada vez mais, aumentando. 500 mil dólares foram arrecadados em um um dia. Ao tempo da publicação desse texto, o número já era de 6 milhões e a meta de 10 – esperamos que continue crescendo.

Jogadores como Ezekiel Elliott, Dez Bryant e Chris Paul, da NBA, ajudaram na campanha que começou com uma doação de 100 mil dólares do próprio JJ. O DE tem atualizado seu perfil no Twitter a medida que as metas são batidas, incentivando as pessoas a doar.

O exemplo que ele vem dando mostra a importância dos atletas profissionais para a sua comunidade. Além de proporcionar alegrias dentro de campo, muitos jogadores se comprometem a ajudar os habitantes de suas cidades de outras maneiras. O esporte é uma forma de escapar dos problemas e o impacto no cotidiano das pessoas é ainda maior que aquele causado por uma jogada importante.

Home Sweet Dome

Talvez a história que melhor exemplifica a importância do esporte para uma cidade seja o punt bloqueado pelos Saints contra os Falcons. Em decorrência do furacão Katrina, que devastou New Orleans, os Saints não jogaram sequer um jogo da temporada de 2005 em seu estádio, que serviu de abrigo para os moradores da cidade. Assim, a equipe mandou suas partidas em diferentes locais: no Giants Stadium (em um jogo contra os Giants, teoricamente em casa); no Alamodome, em San Antonio, Texas; e no Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana.

No retorno do time ao Superdome, a jogada, logo no início do jogo, mostrou uma torcida em êxtase por ter seu time de volta após tempos difíceis, tanto para a equipe, quanto para a cidade. O fato de o jogo ter sido no horário nobre (Monday Night Football) apenas elevou a emoção do momento.

Renascimento.

Esses são exemplos do legado mais importante que um atleta – ou uma equipe – profissional pode deixar. Dentro de campo, times e jogadores podem fazer a alegria (ou a tristeza) de milhões de pessoas e servir de inspiração para muitas delas.

Por isso, inspirados em momentos como esses, separamos alguns casos em que jogadores mostram que o esporte é ainda maior fora de campo. Afinal, a NFL está repleta de exemplos como o de JJ Watt. Jogadores que, por afinidade com uma causa, um ideal a seguir, fazem muito fora de campo. Mais do que a sua diversão nas tardes de domingo, eles proporcionam a outras pessoas oportunidades de construir uma vida melhor.

Andrew Luck: um clube do livro.

Você já conhece o Andrew Luck dos passes para touchdown e das grandes jogadas. O que você talvez não conheça sobre o quarterback dos Colts é a sua paixão pela leitura. E que ele tem um clube do livro.

A ideia surgiu a partir de brincadeiras de membros da imprensa que, ao descobrirem a paixão de Luck, sugeriram a criação de um clube; em abril de 2016, Andrew lançou o Andrew Luck Book Club. É um espaço onde ele, quatro vezes por ano, durante a offseason, dá sugestões de livros. Um para crianças, incluindo aqueles que ele lia quando era mais novo, e um para adultos, que ele leu recentemente ou está lendo no momento.

Desde que me entendo por gente, amo ler. Devo isso aos meus pais, que liam para mim todas as noites até eu conseguir fazê-lo sozinho. Eles sempre encorajaram a mim e a meus irmãos a ler“, explicou Luck sobre o seu fascínio pelos livros.

“Sempre senti algo relaxante e agradável em relação à leitura, em parte porque sempre via meus pais lendo. Lembro das viagens de carro de 18 horas que fazíamos todo verão, indo de Houston ao Colorado nas férias da família. Sempre tinha a minha cara enfiada em um livro e ficava em silêncio por pelo menos 10 horas. Isso fazia o tempo passar muito mais rápido e eu sentia que podia “escapar” mais em um livro do que em um filme ou qualquer outra coisa. E ainda sinto isso hoje: ler é a melhor forma de esvaziar a cabeça e dar uma desacelerada”, completa.

Luck também trouxe a paixão pela leitura para dentro do vestiário: desde o início de sua carreira em Stanford, ele trocava livros e sugestões com seus colegas de equipe e técnicos. E essa tradição se manteve na NFL, onde encontrou mais jogadores que compartilhavam o hábito, como Vick Ballard, Matt Hasselbeck e Joe Reitz.

“Na verdade, nunca fiz parte de um clube do livro antes. Queria ter certeza de que, de qualquer forma, fosse simples e divertido e que incentivasse as pessoas a pegar um livro, sentar e ler.”

O clube do livro também encoraja os leitores a interagir nas redes sociais e, em algumas oportunidades, o próprio Luck participa, seja por meio de perguntas e respostas ou por vídeos, até mesmo ao vivo.

Andrew conta que a organização já recebeu retorno de bibliotecas, livrarias, autores, professores, pais e até mesmo de editoras pedindo para promover a iniciativa. Algumas escolas também começaram programas de leitura baseados na ideia. Durante essa inter-temporada, enquanto se recupera de cirurgia no ombro, Luck tem cultivado também o hábito de ler para crianças, em escolas ou hospitais infantis.

Lendo livros e defesas.

É fato que a leitura desempenha um papel importante na formação do ser humano, seja na infância ou na fase adulta. Ler quando pequeno é ainda mais importante, porque assim a pessoa desenvolve esse hábito para a vida toda. Ter um ídolo como Luck, que estimula crianças a ler e vai até elas para isso, cria uma nova geração de leitores. 

Tom Brady: sabendo ser ídolo.

Brady sabe do seu tamanho como jogador; e quando o assunto é ajudar a comunidade, ele fica ainda maior. Logan Schoenhardt, um jovem de 10 anos com um grave câncer no cérebro, ao realizar uma cirurgia, pediu para o médico gravar o número 12 em seu crânio. Quando ficou sabendo da notícia, Tom gravou uma mensagem de apoio ao seu fã.

Infelizmente o câncer retornou, dessa vez com pouca chance de cura. Logan fez uma lista de desejos, e um deles era conhecer seu ídolo. Brady se prontificou a conhecer o menino que, infelizmente, não conseguiu vencer sua doença. Apesar de ser uma história triste, que não teve um final feliz, o quarterback dos Patriots se mostrou muito solidário, realizando o último desejo de um dos seus maiores fãs.

Outra história que envolve o quarterback, é a de Calvin Riley – um jovem de 20 anos que tinha um futuro promissor no baseball quando foi baleado enquanto brincava de Pokemon Go. Calvin, que havia estudado na mesma escola que Tom, infelizmente não sobreviveu. Não havia nada que Brady pudesse fazer nessa situação, mas ele enviou uma carta de duas páginas, escrita à mão, para a família. A família se recusou a revelar o conteúdo do texto, mas disse que foi uma forma de conforto em meio a uma situação tão triste.

Larry Fitzgerald e Anquan Boldin: saindo da zona de conforto.

Em 2012 os WRs Anquan Boldin e Larry Fitzgerald fizeram uma visita a Etiopia. Boldin, quando conheceu um pouco mais sobre a realidade do país, resolveu ir pra lá ajudar e, para isso, chamou o amigo e ex-companheiro de time nos Cardinals.

Larry e Anquan trabalharam carregando pedras, sob a restrição de não dar dinheiro para os habitantes locais: um simples “presente” de 30 dólares para alguém poderia desequilibrar toda a ordem social ali existente. Ao final da viagem, inconformados com a pouca ajuda que puderam oferecer, os jogadores compraram, cada um, uma vaca para a região.

Um ano depois, eles estavam de novo no continente africano, dessa vez no Senegal e com mais um companheiro: o WR Roddy White. Os três visitaram um vilarejo que mal tinha água, e participaram do dia a dia da comunidade, procurando encontrar diferentes formas de ajudar. Boldin destacou a importância de levar a história desses lugares para cada vez mais pessoas.

Dois caras fodas.

Os jogadores ainda desenvolvem trabalhos na África. Fitzgerald, inclusive, participa de organizações que ajudam pessoas com AIDS no continente. Boldin ganhou, em 2015, o Walter Payton Man of the Year Award, prêmio que a NFL dá aos jogadores que mais se envolvem em trabalhos voluntários e de caridade.

Brandon Marshall: defendendo a conscientização.

A bipolaridade é uma doença real, mas que tem como principal adversária a forma como é vista na sociedade: muitas vezes romantizada, muita gente não sabe que existem pessoas que sofrem com ele. O WR Brandon Marshall é uma delas.

Desde que foi diagnosticado com o transtorno, Brandon luta pela causa, criando uma fundação com seu nome para alertar sobre os problemas da doença. O jogador já foi até mesmo multado pela NFL por usar chuteiras verdes – a cor escolhida para a conscientização sobre o assunto.

Pierre Garçon e Ricky Jean François: ajuda humanitária.

Quando o furacão Matthew passou pelo Haiti, Pierre Garçon e Ricky Jean François, então companheiros de equipe em Washington, de descendência haitiana, viajaram em um avião do dono da franquia para levar mantimentos ao país. Pierre e Ricky se mobilizaram também nas redes sociais, para ajudar a conseguir recursos. No país, eles ajudaram a entregar as doações.

Chris Long: o “cara da água”.

O DE Chris Long viajou para a Tanzânia pela primeira vez em 2013, para escalar o monte Kilimanjaro. O jogador se apaixonou pelo lugar, mas, em outras visitas, ficou assustado com a qualidade da água que as pessoas bebiam: a água é marrom com algumas coisas verdes nela“.

Para ajudar na situação, Chris criou a ONG Waterboys, que tem por objetivo melhorar a qualidade do recurso em países africanos. A iniciativa tem apoio de muitos jogadores da liga, e da própria NFL Network.

Você diria não a esse homem?

Andre Johnson, Steve Smith e Pat McAfee: presentes de Natal.

Todo natal o WR Andre Johnson leva crianças em lojas de brinquedo e gasta mais de 15 mil dólares em presentes. Mesmo depois de se aposentar, ele manteve o costume. O WR Steve Smith também tomou parte na ação, que é uma tradição no Baltimore Ravens. No último natal, o P Pat McAfee pagou a conta de luz de 115 famílias em Indianapolis, evitando inclusive que pessoas tivessem a sua eletricidade cortada.

JJ Watt, te amamos

Já falamos de JJ Watt no caso das enchentes de Houston, mas não é de agora que ele mostra seu talento fora de campo. JJ é o criador da JJ Watt Foundation, ONG que procura levar recursos a escolas para que elas possam desenvolver seus programas esportivos. Watt também é um apoiador dos militares, fazendo até mesmo campanhas em parceria com seu patrocinador, a Rebook, para auxiliar veteranos.

O jogador dos Texans também reconhece seus fãs: recentemente, um jovem foi atropelado em Houston e teve sua jersey, do próprio JJ, destruída. Quando ficou sabendo, Watt respondeu que iria ao hospital entregar pessoalmente uma nova camisa. E ele não só cumpriu a promessa, como deu uma de cada modelo para o menino.

Colin Kaepernick: um ativista.

É impossível fazer uma lista como essa sem citar Colin Kaepernick. Deixando toda polêmica de lado, o antigo quarterback dos 49ers já mostrou que não tem medo de manifestar suas ideologias. Ajoelhar durante o hino incomoda muita gente e, devido ao patriotismo de muitos americanos, dá pra entender (com um baita esforço) a rejeição ao jogador.

Acontece que seu gesto, conseguiu o que ele queria: chamar a atenção para a causa do racismo. Não só politicamente, Colin também é engajado na caridade. Recentemente, ele conseguiu um avião para levar água e suprimentos para os necessitados na Somália, doando cerca de 100 mil dólares. Goste ou não de Kaepernick, ele certamente tem um impacto fora de campo, maior até do que aquele que produziria dentro de um estádio.

Cam Newton: amigo da garotada.

Cam Newton é um exemplo um pouco diferente: o jogador, à sua maneira, age dentro e fora de campo. Cam tem o hábito de entregar as bolas dos touchdowns que marca para crianças e, apesar de ser um gesto simples, pode melhorar o dia de quem recebe o souvenir. Newton também tem uma fundação, que tem como missão “garantir que as necessidades sócio-econômicas, educacionais, físicas e emocionais das crianças sejam atendidas.

Já é tradição.

Ndamukong Suh: gigante fora de campo.

A revista Forbes é conhecida por suas listas e, dentre elas, está a de celebridades que mais fazem doações. Na lista de 2012, Ndamukong Suh foi o jogador da NFL que apareceu mais alto: Suh doou 2.6 milhões de dólares para a Universidade de Nebraska, sendo 2 milhões para o departamento atlético e 600 mil para a faculdade de Engenharia poder dar bolsas de estudo. Era, ali, a maior doação única de um jogador de futebol americano.

Esses são alguns exemplos de jogadores que tomam um pouco do seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. Ciente que essa é uma prática comum na liga, a NFL (que é extremamente rigorosa com os códigos de uniforme) estabeleceu, desde a última temporada, que os jogadores teriam uma semana para usar chuteiras personalizadas com as causas que quiserem divulgar.

A ação foi amplamente divulgada, e, durante as transmissões, alguns jogadores inclusive falavam da sua chuteira e o que ela estava representando. O resultado foi muito interessante. Você também pode fazer sua parte. Pesquise sobre seu jogador preferido, provavelmente ele tem algum projeto que você pode ajudar de alguma forma!

Sonho de noites de verão, por Andrew Luck & amigos

A temporada 2017 começará de uma forma diferente para o torcedor do Indianapolis Colts: dessa vez, há esperança. Se no início de sua carreira Andrew Luck conseguiu mascarar as falhas da equipe, levando até mesmo a ideia de que a temporada 2015 era algo como “tudo ou nada” – acabou sendo nada -, nos últimos anos isso não foi possível. Seja por problemas de lesão ou pela simples inaptidão de seus companheiros em, bem, jogar futebol americano como seres humanos, Andrew não conseguiu levar os Colts aos playoffs.

A situação era tão crítica que até Jim Irsay percebeu. E, para tentar resolver os problemas de Andrew Luck da franquia, demitiu o general manager Ryan Grigson ao final de janeiro. Contamos aqui por que a partida de Grigson pode ser qualificada, basicamente, como “pior que está, não fica”.

Para o seu lugar, os Colts foram até Kansas City buscar Chris Ballard, nome muito bem quisto ao redor da liga (sejamos francos, nem meia dúzia de brasileiros sabiam quem era esse cara até ele chegar em Indy – mas, aparentemente, ele é fera mesmo).

Pelo menos é uma carinha mais confiável depois de Ryan Grigson.

Ballard começou sua trajetória em Indianapolis chutando alguns traseiros: D’Qwell Jackson; Arthur Jones; Patrick Robinson e até mesmo o long snapper, Matt Overton. Além disso, contratos de alguns jogadores carinhosamente apelidados pela torcida de “pesos mortos” não foram renovados, como os casos de Trent Cole e Erik Walden. Para completar, Dwayne “mãos de pedra” Allen foi trocado com o New England Patriots onde, claro, milagrosamente encontrará a coordenação motora necessária para se tornar um atleta profissional.

Já para suprir as “perdas”, a forma como Ballard trabalhou na Free Agency foi diferente daquela que os Colts viram fracassar em 2015, quando a franquia contratou jogadores velhos e caros – o já citado Trent Cole, Andre Johnson, Todd Herremans e Frank Gore. Dessa vez, porém, os reforços foram pontuais e mais baratos.

Nem tudo são flores

Apesar da demissão de Ryan Grigson, o técnico Chuck Pagano foi mantido. Por ter sobrevivido a Black Monday, Chuck tinha o timing a seu favor: não restavam muitas opções de qualidade no mercado e, os nomes que sobravam já estavam apalavrados com outras franquias (coff coff Kyle Shanahan coff coff). Existem também rumores que Jim Irsay pediu para Ballard dar uma chance a Pagano e, caso nada dê certo, ele terá passe livre para se livrar dele ao final da temporada.

Considerando as mudanças e que Andrew Luck vem de uma cirurgia no ombro, podemos dizer que não há muita pressão para os Colts vencerem nessa temporada. Há, no entanto, a necessidade real de melhora. A torcida não espera que esse time chegue ao Super Bowl – se chegar, ótimo, mas o objetivo principal é evoluir e ter um elenco capaz de competir em alto nível pelos próximos anos.

Respeitem meus meninos

Algumas pessoas insistem em achar que Andrew Luck é overrated. Não vamos perder tempo com elas. Para a posição de quarterback os Colts estão bem servidos, sendo a única interrogação se Luck perderá algum tempo e o quanto isso afetará seu jogo; a cirurgia a que ele foi submetido é considerada delicada e, truque do destino, no ombro que ele usa para lançar.

Por outro lado, se a linha ofensiva foi o calcanhar de aquiles por muito tempo, hoje podemos dizer que não há tanta preocupação com a unidade quanto em outras épocas. Apesar do número alto de sacks do último ano, claramente houve uma progressão depois da segunda metade da temporada.

E, além disso, os bloqueios para a corrida foram uma grata surpresa: de acordo com o Football Outsiders, a unidade foi a terceira melhor da liga no jogo corrido, em jardas ajustadas. Isso considerando que três dos cinco atletas da linha eram calouros em 2017, a tendência para a próxima temporada é de uma melhora ainda mais significativa.

No entanto, o ataque terrestre, quando falamos dos running backs, não é muito animador. Frank Gore está um ano mais velho e cada vez mais lento, enquanto Robert Turbin foi usado mais como fullback em seu primeiro ano. Já o calouro Marlon Mack, um dos atletas mais explosivos dessa classe do draft, ainda é muito inexperiente em alguns aspectos do jogo (bloqueios, por exemplo). Mesmo assim caberá a ele dar explosão as carregadas da equipe e, a menos que alguém surpreenda, o grupo de RBs está longe de empolgar.

No corpo de wide receivers, a exceção sendo a boa adição de Kamar Aiken, os nomes são praticamente os mesmos. TY Hilton liderou a NFL em jardas recebidas, apesar de muita gente achar que ele não é tudo isso. Suck it, haters. Donte Moncrief, que perdeu parte do último ano por lesão, está no último ano de seu contrato e fará de tudo para garantir um bom salário. Abaixo deles no dept chart, restam Phillip Dorsett, que precisa provar seu valor para não ser cortado e Chester Rogers, que tem atraído muitos elogios pelo seu trabalho na offseason.

Maior número de jardas recebidas em 2016. Still underrated.

Melhorou – até porque não havia como ficar pior

A unidade defensiva está completamente remodelada. O adeus de jogadores velhos ou meia-bocas obrigou Indianapolis a reformular o setor: não se surpreenda se em algum momento da temporada todos os jogadores em campo forem nomes que estarão no seu primeiro ano em Indianapolis.

Já a DL, além de contar com o retorno de Kendall Langford e de Henry Anderson, dessa vez mais saudável, tem a boa adição de Johnathan Hankins, um dos melhores DTs da liga. Além deles, Hassan Ridgeway e TY McGill, que já mostraram potencial, o novato Glover Stewart, e os veteranos Al Woods e Margus Hunt batalham por vagas no elenco final.

O corpo de LBs também será outro: Jon Bostic e Sean Spence devem ser os titulares no lugar de Edwin Jackson e Antonio Morrison, que eventualmente brigarão pela titularidade e podem ser reservas de qualidade, mais experientes e com menor pressão.

No caso do pass rushers, a unidade deixa de ser um asilo: apenas Akeem Ayers retorna. O calouro Tarell Basham e os veteranos Jabaal Sheard, John Simon e Barkevious Mingo dão nova vida ao grupo, que dificilmente será pior que no último ano.

Por fim, a secundária conta com o retorno de Vontae Davis, no último ano de seu contrato; de Rashaan Melvin, que foi uma grata surpresa em 2016; Darius Butler, que pretende ser uma espécie de híbrido entre CB e S em tempo integral, depois de uma boa experiência alternando posições na última temporada; e Clayton Geathers, que deveria ser um dos Safeties titulares, mas vem de lesão delicada no pescoço, e seu futuro na liga ainda é incerto.

Em contrapartida, o segundo-anista TJ Green, apesar de seu talento atlético, tem caído cada vez mais no dept chart, treinando muitas vezes com o terceiro time em alguns momentos. Matthias Fairley, que muitos torcedores sequer sabem quem é, pode ser o reserva imediato na posição de safety. Chegam ainda ao grupo Malik Hooker, um steal para os Colts na primeira rodada do draft, e Quincy Wilson, que facilmente poderia ser escolhido no round 1 não fosse essa uma classe recheada de bons CBs.

Palpite: A AFC South não é mais a baba que era alguns anos atrás, onde mesmo com elencos fracos, os Colts venciam com facilidade. Como a equipe se sairá dentro da própria divisão definirá a classificação para os playoffs, considerando que a schedule é teoricamente fácil. Não podemos nunca descartar um time comandado por Andrew Luck, mas chegar ao Super Bowl ou mesmo ao AFC Championship, no entanto, pode ser considerado um sonho impossível.

O caminho até o Hall da Fama: 7 jogadores que não estarão lá

Em meio ao período de inatividade da NFL há muito pouco que se discutir. Vez ou outra surge alguma notícia bombástica, algo como “técnico X diz que jogador Y está tendo uma ótima offseason”. O resto do tempo é preenchido por training camps e gifs inúteis.

Neste cenário de vazio em nossas almas e corações, não espere nenhuma notícia ou análise profunda sobre um tópico qualquer, ainda mais neste site desprezível que você aprendeu a amar. Mas, claro, não é porque estamos lhe dizendo que esse texto não fala sobre algo importante que você precisa parar de lê-lo: por ser uma lista, você pode só passar o olho nos nomes, não ler explicação alguma e ir diretamente as redes sociais do autor ofendê-lo.

(Sério, tá aqui o link).

Não, seu jogador preferido não está no Hall da Fama, trouxa!

Um dos tópicos que pode despertar maior paixão em torcedores é o Hall da Fama. Só de falar isso você já consegue escutar de longe um apaixonado pelo San Diego Chargers (R.I.P) gritando que Phillip Rivers é melhor que Eli Manning. Pode até ser, mas quem vai ter um busto em Canton e a jaqueta dourada daqui a alguns anos será o homem que nos deu a alegria de ver Tom Brady derrotado em um Super Bowl. Duas vezes.

Então, com o intuito de iluminá-lo, após um estudo extenso e com diversas bases científicas, preparamos uma lista com alguns nomes que, além de Rivers, não estarão em Canton. Pode se desesperar.

1. Andrew Luck

O barbudo mais bonito da liga entrou na NFL com toda a carreira já programada: o melhor prospecto da história seria um dos melhores QBs da história, que venceria inúmeros Super Bowls e terminaria com um dos bustos mais belos do Hall da Fama.

Pena que esqueceram de combinar isso com o time que o draftou. O Indianapolis Colts, que outrora já contou com a tríade de pior comando (Irsay-Grigson-Pagano) em qualquer liga esportiva, não tem ajudado Luck em sua jornada. A menos que Chris Ballard consiga dar um golpe em Jim Irsay ou Chuck Pagano nasça novamente, a tendência é que a miséria de Andrew seja mantida.

Chance de estarmos errados: 12%

2. Richard Sherman

Não negamos: é um excelente jogador. Mas talvez não tão bom quanto ele imagine. Porém, fora (e às vezes até mesmo dentro de campo), é chato para caralho. Toda essa chatice fará com que eventualmente os Seahawks fiquem cansados e o troquem por um pacote de balas com alguma franquia irrelevante, que marcam presença naquela lista intitulada “franquias-com-que-ninguém-se-importa” (oi, Tennessee Titans!), evitando com que Richard se dirija para a eternidade. Quando ele perceber que não será selecionado, certamente brigará com o comitê, que o deixará de fora para sempre.

Chances de estarmos errados: 25%

3. Dez Bryant

Dez muitas vezes figura no topo da lista de algumas pessoas como melhor WR da NFL. Mas a verdade é que ele não tem uma temporada com mais de 1000 jardas desde 2015. Você pode inventar qualquer tipo de desculpa, porém os números mostram que mesmo se jogasse os 16 jogos no último ano, pela sua média, não chegaria a famigerada marca.

TY Hilton, por exemplo, que você provavelmente acha que é um WR mais “do meio do pacote”, tem números mais consistentes. Aceitem: Bryant terminará sua carreira na NFL lembrado por um drop e não tem nada que os torcedores dos Cowboys possam fazer pra mudar isso.

Chance de estarmos errados: nenhuma (0%). Podem cobrar.

4. Le’Veon Bell

Tido por muitos como o melhor RB da liga, algo compreensível, já que ninguém assiste os Cardinals para ver que David Johnson é melhor, Bell só teve duas temporadas com mais de 1000 jardas terrestres – e só jogou mais do que 13 jogos uma vez em sua carreira, já tendo inclusive cumprido uma suspensão por acender um cigarro diferenciado.

Por não se manter saudável e considerando a pouca vida útil dos running backs na liga, podemos tirar as pretensões do menino Le’Veon de receber uma jaqueta dourada. No entanto, seus companheiros de equipe, Ben e Antonio, terão o acessório para mostra a ele no reencontro do Super Bowl que venceram juntos. Ah, Bell também não tem Super Bowl para alavancar suas credenciais.

Sad, but true.

Chances de estarmos errados: 26%

5. Travis Kelce

Travis Kelce era a principal arma do ataque mais chato da NFL até a chegada do garoto-foguete Tyreek Hill. Não sabemos em que mundo ser a válvula de escape de Alex Smith leva alguém até Canton. Além disso, Kelce só teve uma temporada com mais de 1000 jardas na carreira.

Chance de estarmos errados: 35% (tudo depende de quando Alex Smith for chutado de Kansas City)

6. Gerald McCoy

Gerald McCoy é um excelente jogador e poderia muito bem acabar no Hall da Fama. Mas, pense bem: quando te perguntam sobre um bom jogador, mesmo um defensor, você NUNCA pensa nele. Quando por um acaso do destino, ele habita sua mente, você até poderá vislumbrar sua habilidade, mesmo não tendo visto um jogo dos Bucanneers nos últimos quatro anos.

Chance de estarmos errados: 20%

7. Jimmy Graham

O mundo está dividido entre duas pessoas: as que sabem e as que não sabem que Jimmy Graham é overrated. Além de não ter noção alguma da “arte de bloquear”, o cidadão só teve duas de suas oito temporadas na liga com mais de 1000 jardas.

Isso sendo uma TORRE e jogando com dois QBs baixos. Graham é apenas um bom jogador, e qualquer oportunidade que temos de trazer essa realidade deve ser aproveitada.

Chance de estarmos errados: 0,1%

7.1 Mike McCarthy

Ele treinou Brett Favre e Aaron Rodgers. É o famoso “assim até eu”. Mesmo tendo uma jornada longa na liga e vencendo um Super Bowl (acreditamos que o playcalling MEDROSO não permitirá um novo Lombardi), McCarthy ficará de fora do Hall da Fama, onde só os verdadeiros grandes técnicos podem pisar.

Chance de estarmos errados: 5%

Descubra: o editor odeia um desses caras.

Bônus:

8. Jogador que estará no Hall da Fama, quer você queira ou não, quer você goste ou não:

Justin Tucker. Assista ele acertando um FG qualquer de 830 jardas e tente discordar.

Chances de estarmos errados: menores do que no caso do Dez Bryant.