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Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 2

A estadia de Chuck Pagano em Indianapolis foi tão absurda que precisamos dividir essa análise em duas partes. Segue a primeira.

A temporada de 2014

Andrew Luck e o Indianapolis Colts como um todo tiveram seus melhores desempenhos em 2014. Atingindo 40 TDs e mais de 4000 jardas, Luck jogou como MVP em seu terceiro ano, e sequer entrou na conversa por causa de um Aaron Rodgers espetacular, principalmente no baixo número de turnovers.

A partir de então tornou-se mais claro que o Colts era um time atrapalhado por sua comissão técnica. Pep Hamilton era criticado pelo baixo desempenho do time na redzone e Greg Manusky principalmente nas derrotas produzidas em shootouts: 42-20 contra os Patriots em Indianapolis, 34-51 contra os Steelers em Pittsburgh, 07-42 contra os Cowboys em Dallas. Além disso, o Colts perdeu as duas primeiras partidas da temporada contra os Broncos (24-31 após sair perdendo por 24-0) e Eagles (30-27 após sair vencendo por 6-20), o que viria a ser cotidiano desde então.

Apesar da grande temporada no geral, os pontos negativos foram bem agravantes: várias partidas com inícios lentos (3-and-out nos primeiros drives), defesa mal preparada contra bons QBs, péssima execução na redzone, além da recorrente instabilidade da linha ofensiva. O placar não mostra, mas o time sofreu em algumas vitórias que deveriam ser fáceis, como os Browns e o segundo jogo contra os Texans.

Em nenhum dos 16 jogos da temporada regular de 2014 o Colts teve seu drive inicial da partida terminando em touchdown. Em cinco partidas foram field goals, e no restante muitos punts e turnovers. Basicamente, o time precisou correr atrás do placar na maioria dos jogos, o que diminui o balanço de snaps com jogo corrido, e restringe as possibilidades do plano de jogo.

Como Pep Hamilton é da escola West Coast, provavelmente as jogadas de Indianapolis no início da partida eram previamente designadas, desconsiderando o que o adversário colocava em campo. Outro ponto que prejudicou o desenvolvimento dos drives iniciais foram os erros mentais: muitas faltas de false start holding prejudicavam o andamento.

O problema de ritmo no ataque

Para exemplificar, observe o three-and-out dos Colts contra os Patriots na semana 11 de 2014:

O Colts utiliza um set de 3 WRs, um TE (Coby Fleener) e RB (Trent Richardson), todos alinhados em um conjunto que seria 5 WR. O objetivo é atacar o fundo do campo. Com o lado direito mais carregado, o Colts tenta induzir a defesa dos Patriots àquele lado. O erro aqui é que nenhuma rota ataca o lado esquerdo, abrindo a defesa. O Patriots responde em um conjunto de zonas e anula todas as rotas.

Enquanto isso, o defensive tackle vence seu duelo contra o center e desmonta o pocket, obrigando Luck a ir para o scramble, ganho de 4 jardas.

Na jogada seguinte, uma formação big com twin-TEs, terminando em ganho de 1 jarda de Trent Richardson.

Na terceira jogada, Pep Hamilton mais uma vez tentou atacar a defesa dos Patriots com um conceito de rotas verticais, que responde anulando TY Hilton com a combinação de press coverage e uma marcação em zona no fundo do campo.

Luck realiza sua progressão em leitura hi-lo e termina fazendo o checkdown.

Pep Hamilton tinha problemas para estabelecer um ritmo no ataque dos Colts com suas chamadas, o time era muito dependente de big plays para progredir em campo, e, quando chegava à redzone, estancava exatamente pelo curto espaço de campo. A falta de um jogo terrestre mínimo tornava as coisas ainda mais unidimensionais.

Essas situações criaram um cenário de risco para o jogo de Andrew Luck: sendo obrigado a atacar o campo, o QB conseguiu sua melhor temporada em jardas e TDs, ao mesmo tempo que voltou a crescer em número de turnovers.

Os problemas contra o jogo terrestre

Como mostramos com exemplos de 2012, a defesa dos Colts ainda era muito soft contra a corrida, e Bill Belichick aproveitou-se disso nas duas situações que enfrentou Indianapolis. Na temporada regular, o desconhecido Jonas Gray anotou 4 TDs corridos em pleno Lucas Oil Stadium.

No AFC Championship Game em Foxborough, LeGarrette Blount teve 30 carregadas para 148 jardas e 3 TDs. Comecemos a observar os problemas defensivos do Colts analisando a corrida mais longa de Blount no jogo, para 22 jardas.

O Patriots executa uma outside zone partindo do 22 personnel, indicando uma formação clara de corrida, que mesmo assim o Colts não conseguiu parar. Há pelo menos dois momentos em que a jogada poderia ser encerrada antes de se tornar uma big play. Mesmo preenchendo os gaps de forma correta, nenhum dos jogadores consegue fechar o tackle.

Retira-se essa jogada das estatísticas e ainda temos 29 carregadas para 126 jardas, resultando em 4,34 jardas por tentativa. Mais de um first down a cada 3 jogadas.

A temporada de 2015

O quarto ano do regime Pagano começou com a ilusão de que o Colts seria Super Bowl contender, mesmo o vídeo do jogo contra os Patriots na final de conferência mostrando o contrário.

O pior é que Jim Irsay acreditou e contratou vários veteranos para legitimar esse processo: WR Andre Johnson, RB Frank Gore, G Todd Herremans e OLB Trent Cole chegaram por contratos elevados, embalados pelo win-now. No Draft, Ryan Grigson pensou que nomes como Malcom Brown, Landon Collins, Erick Kendricks não eram bons o suficiente e escolheu Phillip Dorsett, WR de Miami.

Um time com problemas de trincheiras resolveu que a melhor solução era lotar o elenco de skill players, e a realidade de setembro provou que isso foi uma estratégia equivocada. Nos dois primeiros jogos da temporada, Rex Ryan (Bills) e Todd Bowles (Jets) não se intimidaram em atacar Luck com blitzes e capitalizar com erros.

Foram cinco interceptações e três touchdowns em dois jogos. Para exemplificar, vamos observar como as blitzes de Todd Bowles fizeram Luck cometer erros de leitura e como Pep Hamilton não ajustava o esquema para se aproveitar disso.

Hamilton mais uma vez desenha um conceito de rotas longas para iniciar o jogo, enquanto o RB não percebe a blitz chegando pelo lado esquerdo, deixando Luck em apuros.

Andre Johnson não consegue se livrar do press coverage e o timing com Luck é prejudicado. Ele toca a bola e a deixa no ar, interceptada por Buster Skrine.

Problemas de constante pressão contra blitz e rotas longas resultaram na lesão de Luck na semana 3 contra os Titans, que o tirou dos jogos contra Jacksonville e Houston. Luck voltou contra Patriots (o clássico jogo do fake punt), Saints, Panthers e Broncos, quando sofreu a lasceração de rim que o tirou do restante da temporada.

A temporada de 2015 foi atípica, record de 2-5 com Luck em campo e 5-3 com Matt Hasselbeck. Ao todo 10 QBs estiveram no roster de Indianapolis, sendo que além dos dois, Charlie Whitehurst, Josh Freeman e Ryan Lindley também tiveram snaps.

A ineficiência ofensiva dos Colts resultou na demissão de Pep Hamilton após a semana 6 contra os Panthers, e o cargo de coordenador ofensivo dos Colts foi assumido por Rob Chudzinski.

A temporada de 2016

Finalmente chegamos ao ponto em que a habilidade de Andrew Luck não foi mais suficiente para esconder a deficiência técnica dentro de campo e de planejamento dos Colts.

Apesar do segundo melhor ano estatisticamente do quarterback, foram oito derrotas, algumas delas com o que o time podia fazer de pior, como ceder 54 jardas em 35 segundo contra os Lions, ceder 14 pontos seguidos contra Brock Osweiler após estar vencendo por 23-9.

Além disso, o Colts perdeu jogos importantes contra Houston em Indianapolis e Oakland, quando possuía chances de tomar a liderança da AFC South, mesmo com campanha medíocre. Por toda a temporada, Luck teve sessões de treino limitadas devido ao que depois descobrimos ser sua lesão no ombro que o segura até hoje, além de perder o jogo de Thanksgiving na semana 12 por concussão.

Mesmo draftando Ryan Kelly na primeira rodada e ter contratado Joe Philbin para técnico de OL, Luck sofreu 15 sacks nos quatro primeiros jogos, 5 contra Denver e 6 contra Jacksonville. Em contrapartida, a OL melhorou bastante nos bloqueios de jogo terrestre e Frank Gore conquistou 100 jardas em um jogo algumas vezes, fato que não ocorria desde 2012 com Vick Ballard na semana 17.

Após Irsay renovar os contratos de Pagano e Ryan Grigson por 4 anos em janeiro de 2016, a temporada acabou com a demissão do GM. Chris Ballard foi contratado e mesmo assim obrigado a manter Chuck Pagano em 2017.

A temporada de 2017

A offseason de 2017 foi preenchida pela dúvida quanto à saúde de Andrew Luck. Irsay por vezes garantiu que o jogador estaria pronto para a semana 1, enquanto Chris Ballard não prometia nada. A verdade é que o quarterback foi colocado no IR após voltar a sentir dores no mês de outubro, e seguiu para tratamentos alternativos na Holanda.

Com isso, os Colts tiveram que se virar com Scott Tolzien e Jacoby Brissett, obtido por troca com o New England Patriots. O principal fator problemático em 2017 foi a quantidade de viradas que o time sofreu pela falta de ajustes no intervalo, destacando-se jogos contra Seattle, Tennessee, Houston, Pittsburgh, Denver e Baltimore.

A defesa adquiriu boas peças pela estratégia de Ballard em contratar jogadores que brigam por posição. Nomes como Jabaal Sheard, John Simon, Henry Anderson, Quincy Wilson, Malik Hooker, Nate Hairston, Rashaan Melvin e Johnathan Hankins desempenharam bons papéis enquanto estiveram em campo.

No ataque, Chudzinski tentou montar um ataque simplificado em run-pass-option, para facilitar a vida de Brissett, mesmo não sendo sua escola. O QB desempenhou um bom trabalho em algumas partidas, mas erros de leitura e falta de senso de urgência em algumas progressões se tornaram comuns. O ataque não conseguia se manter em campo e ajudar a defesa a descansar, além de não existirem ajustes da comissão técnica como um todo.

O Colts de 2017 é um time com bons valores individuais e sem o plano de jogo ideal, o que recai nos técnicos. Brissett sofreu 51 sacks em 2017, segunda maior marca da história da franquia, somando sua baixa capacidade técnica de se livrar da bola nos momentos certos e a regressão da linha ofensiva após pequena melhora no final de 2016.

Após a demissão de Pagano, o cenário para o Colts em 2018 é de uma reconstrução que na verdade nunca houve. Seis anos de um bom quarterback foram desperdiçados por decisões ruins dentro e fora de campo em todos os escalões do front office, e agora não sabemos em que condições Luck retornará a campo (ou se voltará).

Há diversas opções de jogadores que podem mudar de patamar tanto a defesa quanto o ataque no Draft de 2018. Jim Irsay não pode mais ignorar o fato de que a carreira de seu franchise QB está passando e precisa considerar bons nomes para sua nova comissão técnica para ajudá-lo, e não torcer para que o mesmo resolva tudo, como é padrão em Indianapolis desde os tempos de Jeff George.

  • Diego torce para os Colts e já está pedindo a demissão do próximo técnico.

Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 1

O Pick Six traz para você leitor um trabalho mostrando como o Indianapolis Colts, que teve a sorte grande de draftar dois hall of famers seguidamente, conseguiu não traduzir tal feito em múltiplos Super Bowls. Iremos revisitar em duas partes todos os seis anos de Charles David Pagano como head coach dos Indianapolis Colts. Para você que é um leitor neutro, segue a oportunidade de uma ótima forma de entretenimento.

Chuck Pagano foi contratado pelo Indianapolis Colts em 2012, após a franquia ter demitido o mestre do controle de relógio Jim Caldwell e todas as sus expressões faciais. Em 2011, o torcedor dos Colts que ainda não tinha percebido descobriu que na verdade era Peyton Manning quem carregava o piano, e mesmo com jogadores históricos como Reggie Wayne, Robert Mathis e Dwight Freeney, sem seu QB o time não valia mais que aquele dinheirinho que vem em pipoca doce.

E 2012 começou assim, como reconstrução. Embalado pelo #SuckForLuck, Jim Irsay demitiu Caldwell, Bill e Chris Polian, HC, VP e GM do time, respectivamente, além de ter permitido com que Peyton Manning procurasse outro time para ser feliz. O processo de reconstrução começou com a contratação da dupla Ryan Grigson e Charles Pagano. Grigson tinha histórico do setor de scout no Philadelphia Eagles (apesar de seus colegas de trabalho não entenderem por que ele conseguiu tal emprego). Já Pagano veio tratado como mente defensiva, o guru de DBs que iria revolucionar a defesa dos Colts com coberturas homem-a-homem e single high, após anos executando a defasada Tampa 2 na gestão Dungy-Caldwell.

O draft de 2012 aconteceu e Jim Irsay chamou a responsabilidade garantindo a escolha de Andrew Luck sem mistério nenhum, semanas antes do Colts sequer entrar no relógio. Indianapolis garantiria mais 15 anos de franchise QB ao mesmo tempo em que Grigson garantiu armas para Luck draftando Coby Fleener, Dwayne Allen e T.Y. Hilton.

A temporada de 2012

O coaching staff dos Colts em 2012 era Charles Pagano como HC, Bruce Arians como OC e Greg Manusky como DC. Clyde Christensen permaneceu da gestão anterior para ser o técnico de QBs e desenvolver o talento de Andrew Luck. A primeira partida foi uma derrota por 41-21 contra os Bears de Jay Cutler no Soldier Field, e seria apenas a primeira de onze derrotas (e contando) em seis anos cedendo mais que 40 pontos ao adversário, pior marca da NFL.

Na segunda rodada, Andrew Luck liderou os Colts à sua primeira vitória na liga, em um 23-20 contra o Minnesota Vikings. Após liderar por 20-6 em três quartos, o Colts cedeu o empate tomando 14 pontos seguidos (familiar, caro leitor?). Luck botou o time no braço e colocou Adam Vinatieri em condição de chutar o field goal da vitória.

Bruce Arians enquanto coordenador ofensivo foi responsável por fazer Luck “perder o medo” de arriscar em profundidade, excelente trabalho inclusive que o rendeu o emprego que possui hoje no Arizona Cardinals.

Luck veio do College Football como o prospecto mais completo da história, basicamente o trabalho dos Colts era plugar e jogar, tendo que corrigir alguns erros pequenos como a tendência a arriscar demais. Entretanto, como sabemos, Luck tomava riscos por que sabia que era capaz de converter jogadas, o famoso “só bate quem erra”. Arians então aproveitou-se da capacidade de seu QB para desenvolver um ataque vertical, diferente do que Luck executava em Stanford, um híbrido de West Coast Offense clássica e Spread.

Nessa formação observamos um esquema que foi bastante utilizado no ano de calouro de Luck, e também foi uma das razões o qual era exposto a bastante sacks. Dois TEs em campo, singleback e dois receivers em lados opostos do campo. Reggie Wayne atrai a marcação no meio de campo e Donnie Avery encara seu marcador na rota fly. Luck aproveita o playaction fake e junto com um 5-step dropback, manda um passe perfeito, nada mal para um calouro em seu primeiro jogo em casa.

Normalmente, QBs calouros necessitam de um esquema que mascare suas deficiências para render, isso não aconteceu com Andrew Luck. Pagano e Arians não tiveram medo de expor seu signal-caller a leituras totais de campo, jogadas verticais, ajustes de proteção e option-routes, situações que geralmente apenas QBs com tempo de experiência profissional precisam enfrentar.

Durante o game-winning drive da partida entre Vikings e Colts, o ataque executou o conceito dagger, em que o alvo da jogada foi Reggie Wayne. Inclusive, o camisa 87 foi o principal alvo de Luck durante o ano de calouro e também um dos responsáveis por moldar o jogo de TY Hilton à sua imagem e semelhança. Repare nas rotas profundas e no 5-step drop, constante durante todo regime de Pagano.

Outra característica no jogo de Luck evidente desde suas primeiras atuações é a precisão de passe em janelas curtas. Na jogada abaixo, observe o QB anotando um TD ainda no jogo contra os Vikings em 2012. Esquema desenhado para aproveitar-se do release e do tamanho de Dwayne Allen como alvo na redzone. Luck coloca a bola na altura do peito de Allen com três defensores chegando na jogada, um passe fora de posição provavelmente seria defendido ou interceptado.

A defesa prevent

Uma característica dos Colts sob o comando de Chuck Pagano é diminuir a agressividade em situações de vantagem no placar ou campanhas de dois minutos. Basicamente, esse setor do time não encontrava respostas para os ataques adversários no momento em que era necessário dar um passo a frente, situação que custou derrotas ou precisou de que Andrew Luck resgatasse o time em desvantagem.

Esse tipo de coisa (contra Ponder ou não) foi comum.

Por muitas vezes, a defesa dos Colts parece uma unidade despreparada em campo, como se não houvesse nenhuma detecção dos padrões do adversário, além da baixa ou nula capacidade de ajustes de Chuck Pagano. Em 2012, isso ficou evidente na partida contra os Jaguars, encabeçado na época por Blaine Gabbert e Maurice Jones-Drew. Após abrir 14-3 antes do intervalo, os Colts cederam 19 pontos no segundo tempo para a derrota.

A defesa dos Colts tinha propensão a ceder big plays no jogo terrestre, mesmo contra times que o tinham como ponto primordial do ataque, como os Jaguars anteriormente mencionados. Alternaram-se os problemas de profundidade de elenco na defesa ao longo desses seis anos: quando havia bons LBs (Jerell Freeman), não havia DLs. Quando o front seven foi estabilizado com Cory Redding, houve o experimento LaRon Landry. Observe abaixo a ausência de atleticismo da linha defensiva em 2012 de proteger os gaps contra uma trap.

A campanha “Chuck Strong”

É impossível falar sobre a temporada de 2012 do Indianapolis Colts sem mencionar a ausência de Chuck Pagano de 12 jogos por conta do tratamento de leucemia. Diagnosticado na semana 4, bye week dos Colts, o técnico ficou ausente até a semana 17, quando retornou contra o Houston Texans. O impacto desse fato em campo é notável, por que após uma campanha 1-2, o time venceu 10 dos últimos 13 jogos da temporada, garantindo vaga nos playoffs como wild card.

Esse contexto é importante por que na época não se imaginava que um QB calouro como Andrew Luck, por melhor que fosse, seria capaz de transformar o time imediatamente. Com Bruce Arians acumulando as funções de head coach e coordenador ofensivo, o ataque teve um salto de qualidade, somado aos intangíveis relacionados ao tratamento de Pagano.

Em termos de plano de jogo e auxílio técnico, os 12 jogos de Luck sob a tutela de Bruce Arians e Clyde Christensen foram os melhores em sua carreira. Nesse período, o QB estabeleceu sua química com o veterano Reggie Wayne, principalmente em conversões de terceira descida, ao mesmo tempo em que TY Hilton aumentava gradativamente sua carga de snaps.

O jogo da semana 5 de 2012 contra os Packers é memorável nesse aspecto. Após sofrer 21-0 no primeiro tempo, os Colts conseguiram a primeira grande virada da carreira de Andrew Luck, vencendo por 27-30. Outras vitórias importantes nessa fase foram contra os Lions na semana 13 e contra os Texans na semana 17. Ao mesmo tempo, duas das derrotas foram acachapantes: Contra os Jets (9-35) e Patriots (24-59).

O encerramento da temporada de 2012 veio pela eliminação no wild card contra o Baltimore Ravens (que viriam a ser campeões) por 9 a 24.

A temporada de 2013

Bruce Arians saiu de Indianapolis rumo ao cargo de head coach em Arizona, e para sua reposição, os Colts trouxeram de Stanford o coordenador Pep Hamilton, familiar a Andrew Luck. A intenção com esse movimento era clara: implantar conceitos semelhantes à West Coast Offense híbrida que Luck operou em seus anos de College Football, sob a tutela de Jim Harbaugh e David Shaw.

A temporada de 2013 também pode ser lembrada como aquela em que os Colts derrotaram os melhores times à época: vitórias contra 49ers, Seahawks, Broncos e Chiefs em contextos inexplicáveis. Mas também houve derrotas por mais de 20 pontos contra Rams, Cardinals e Bengals.

A instabilidade na posição de Center

Após anos com uma das melhores duplas QB-Center da história em Peyton Manning e Jeff Saturday, o Colts teve dificuldades ao encontrar estabilidade em um parceiro confiável para Andrew Luck. Nomes como AQ Shipley, Samson Satele, Khaled Holmes e Jonnothan Harrison (este ultimo mais recentemente) se revezaram na posição fundamental da linha ofensiva.

Apesar de o left tackle geralmente ser o jogador mais bem pago, por inúmeras vezes enfrentar o melhor pass rusher adversário, quase sempre individualmente, e proteger o lado cego do quarterback, considera-se o center como posição mais importante taticamente, pois este jogador é responsável por identificar o tipo de front utilizado pelo adversário, se há blitz, e orientar pré-snap os demais jogadores em suas tarefas.

Além disso, o ato do snap é uma tarefa subestimada. Uma boa dupla pode utilizar de hardcount e fazer com que defensores cometam offside, um bom snap também determina a velocidade com que a jogada se desenvolve, dando um segundo a mais para o QB no pocket, que pode ser precioso ao completar um passe.

Por vezes vimos em Samson Satele essas duas deficiências. Guard de origem, o jogador tinha dificuldade em realizar o snap e identificar seus bloqueios. Observe nessa outside zone¸ que Satele não consegue engajar em nenhuma de suas funções na jogada, primeiro e segundo nível. A jogada não é bem-sucedida por outros fatores além.

O experimento Trent Richardson

Para tratar de Trent Richardson nos Colts, é interessante retornarmos ao draft de 2009.

Fonte: Bleacher Report

Na primeira rodada daquele draft, Bill Polian selecionou Donald GODDAMIT Brown, o escolhido para ser o contrabalanço a Peyton Manning no crepúsculo de sua carreira. Obviamente, a escolha deu errado e Donald nunca foi um jogador de elite na NFL, enquanto Polian afirma que teria escolhido Clay Matthews se não fosse por um trade up dos Packers à escolha anterior à sua (você não engana ninguém, Bill) ou mesmo ter passado LeSean McCoy (escolhido na segunda rodada pelos Eagles naquela ocasião).

Mas o que isso tem a ver com Trent Richardson? Bem, após ter ficado óbvio que Donald Brown ter sido uma escolha ruim, Jim Irsay foi para o movimento arriscado. Ryan Grigson e ele concordaram que era uma boa ideia trocar uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. A ideia era acelerar o processo de transformação dos Colts a postulante ao Super Bowl rapidamente. Em campo, o que se viu foi um running back muitas vezes acima do peso que não conseguia realizar as leituras corretas.

Em amarelo, o caminho ideal, em vermelho o caminho que ele escolheu. Fonte: SB Nation

O desenvolvimento da jogada anterior:

Por fim, um lance que talvez estivesse nos melhores piores momentos da semana se a coluna existisse à época. Em um jogo de playoffs, Trent Richardson se atrapalha em trocar a bola de mãos enquanto tenta cortar pelo meio da defesa do Kansas City Chiefs.

 

  • Diego Vieira torce pelo Indianapolis Colts e não sabe como sobreviveu a esse sofrimento.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

JJ Watt e Houston: football é maior fora de campo

Houston vem passando por uma série de catástrofes naturais: as chuvas e os eventos decorrentes do furacão Harvey deixaram a cidade destruída e debaixo d’água. Para colocar em perspectiva, na última semana, as chuvas no local foram o equivalente aos últimos 13 meses de precipitação em Manhattan.

Como você pode imaginar, muitas pessoas perderam tudo que tinham e, alguns lugares – casas, inclusive -, acabaram destruídos. O Astrodome, um dos estádios da cidade, tem servido de abrigo para muitos desabrigados.

É uma situação tensa, que tampouco conseguimos mensurar em palavras – a maioria de nós tem a sorte de nunca perder nada em situações como estas, e não conseguimos imaginar o tamanho da dor e dificuldades que quem sofre as consequências está passando. Mas, em momentos como esse, vemos alguns motivos para, com o perdão do clichê, não perder a fé na humanidade.

Robert Kraft, dono dos Patriots; Amy Adams, dona dos Titans; Christopher Johnson, dono dos Jets e Bob McNair, dono dos Texans doaram, cada um, um milhão de dólares para ajudar na reconstrução de Houston e da vida de seus habitantes.  

Mas quem tem mesmo se destacado é JJ Watt. O DE do Texans começou uma campanha no Twitter para arrecadar 250 mil dólares em doações. A visibilidade de Watt permitiu que a meta fosse, cada vez mais, aumentando. 500 mil dólares foram arrecadados em um um dia. Ao tempo da publicação desse texto, o número já era de 6 milhões e a meta de 10 – esperamos que continue crescendo.

Jogadores como Ezekiel Elliott, Dez Bryant e Chris Paul, da NBA, ajudaram na campanha que começou com uma doação de 100 mil dólares do próprio JJ. O DE tem atualizado seu perfil no Twitter a medida que as metas são batidas, incentivando as pessoas a doar.

O exemplo que ele vem dando mostra a importância dos atletas profissionais para a sua comunidade. Além de proporcionar alegrias dentro de campo, muitos jogadores se comprometem a ajudar os habitantes de suas cidades de outras maneiras. O esporte é uma forma de escapar dos problemas e o impacto no cotidiano das pessoas é ainda maior que aquele causado por uma jogada importante.

Home Sweet Dome

Talvez a história que melhor exemplifica a importância do esporte para uma cidade seja o punt bloqueado pelos Saints contra os Falcons. Em decorrência do furacão Katrina, que devastou New Orleans, os Saints não jogaram sequer um jogo da temporada de 2005 em seu estádio, que serviu de abrigo para os moradores da cidade. Assim, a equipe mandou suas partidas em diferentes locais: no Giants Stadium (em um jogo contra os Giants, teoricamente em casa); no Alamodome, em San Antonio, Texas; e no Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana.

No retorno do time ao Superdome, a jogada, logo no ínicio do jogo, mostrou uma torcida em êxtase por ter seu time de volta após tempos difíceis, tanto para a equipe, quanto para a cidade. O fato de o jogo ter sido no horário nobre (Monday Night Football) apenas elevou a emoção do momento.

Renascimento.

Esses são exemplos do legado mais importante que um atleta – ou uma equipe – profissional pode deixar. Dentro de campo, times e jogadores podem fazer a alegria (ou a tristeza) de milhões de pessoas e servir de inspiração para muitas delas.

Por isso, inspirados em momentos como esses, separamos alguns casos em que jogadores mostram que o esporte é ainda maior fora de campo. Afinal, a NFL está repleta de exemplos como o de JJ Watt. Jogadores que, por afinidade com uma causa, um ideal a seguir, ou até mesmo pura bondade no coração, fazem muito fora de campo. Mais do que a sua diversão nas tardes de domingo, eles proporcionam a outras pessoas oportunidades de construir uma vida melhor.

Andrew Luck: um clube do livro.

Você já conhece o Andrew Luck dos passes para touchdown e das grandes jogadas. O que você talvez não conhece sobre o quarterback dos Colts é a sua paixão pela leitura. E que ele tem um clube do livro.

A ideia surgiu a partir de brincadeiras de membros da imprensa que, ao descobrirem a paixão de Luck, sugeriram a criação de um clube do livro; em abril de 2016, Andrew lançou o Andrew Luck Book Club. É um espaço onde ele, quatro vezes por ano, durante a offseason, dá sugestões de livros. Um para crianças, incluindo aqueles que ele lia quando era mais novo, e um para adultos, que ele leu recentemente ou está lendo no momento.

Desde que me entendo por gente, eu amo ler. Devo isso aos meus pais, que liam para mim todas as noites até eu conseguir fazê-lo sozinho. Eles sempre encorajaram a mim e a meus irmãos a ler“, explicou Luck sobre o seu fascínio pelos livros. “Sempre senti algo relaxante e agradável em relação à leitura, em parte porque sempre via meus pais lendo. Lembro das viagens de carro de 18 horas que fazíamos todo verão, indo de Houston ao Colorado nas férias da família. Sempre tinha a minha cara enfiada em um livro e ficava em silêncio por pelo menos 10 horas. Isso fazia o tempo passar muito mais rápido e eu sentia que podia “escapar” mais em um livro do que em um filme ou qualquer outra coisa. E ainda sinto isso hoje: ler é a melhor forma de esvaziar a cabeça e dar uma desacelerada“, completa.

Luck também trouxe a paixão pela leitura para dentro do vestiário: desde o início de sua carreira em Stanford, ele trocava livros e sugestões com seus colegas de equipe e técnicos. E essa tradição se manteve na NFL, onde  encontrou mais jogadores que compartilhavam o hábito, como Vick Ballard, Matt Hasselbeck e Joe Reitz.

Na verdade, nunca fiz parte de um clube do livro antes. Queria ter certeza de que, de qualquer forma, fosse simples e divertido e que incentivasse as pessoas a pegar um livro, sentar e ler.” O clube do livro também encoraja os leitores a interagir nas redes sociais e, em algumas oportunidades, o próprio Luck participa, seja por meio de perguntas e respostas ou por vídeos, até mesmo ao vivo.

Andrew conta que a organização já recebeu retorno de bibliotecas, livrarias, autores, professores, pais e até mesmo de editoras pedindo para promover a iniciativa. Algumas escolas também começaram programas de leitura baseados na ideia. Durante essa inter-temporada, enquanto se recupera de cirurgia no ombro, Luck tem cultivado também o hábito de ler para crianças, em escolas ou hospitais infantis.

Lendo livros e defesas.

É fato que a leitura desempenha um papel importante na formação do ser humano, seja na infância ou na fase adulta. Ler quando pequeno é ainda mais importante, porque assim a pessoa desenvolve esse hábito para a vida toda. Ter um ídolo como Luck, que estimula crianças a ler e vai até elas para isso, cria uma nova geração de leitores. 

Tom Brady: sabendo ser ídolo.

Brady sabe do seu tamanho como jogador; e quando o assunto é ajudar a comunidade, ele fica ainda maior. Logan Schoenhardt, um jovem de 10 anos com um grave câncer no cérebro, ao realizar uma cirurgia, pediu para o médico gravar o número 12 em seu crânio. Quando ficou sabendo da notícia, Tom gravou uma mensagem de apoio ao seu fã.

Infelizmente o câncer retornou, dessa vez com pouca chance de cura. Logan fez uma lista de desejos, e um deles era conhecer seu ídolo. Brady se prontificou a conhecer o menino que, infelizmente, não conseguiu vencer sua doença. Apesar de ser uma história triste, que não teve um final feliz, o quarterback dos Patriots se mostrou muito solidário, realizando o último desejo de um dos seus maiores fãs.

Outra história que envolve o quarterback, é a Calvin Riley – um jovem de 20 anos e tinha um futuro promissor no baseball quando foi baleado enquanto brincava de Pokemon Go. Calvin, que havia estudado na mesma escola que Tom, infelizmente não sobreviveu. Não havia nada que Brady pudesse fazer nessa situação, mas ele enviou uma carta de duas páginas, escrita à mão, para a família. A família se recusou a revelar o conteúdo do texto, mas disse que foi uma forma de conforto em meio a uma situação tão triste.

Larry Fitzgerald e Anquan Boldin: saindo da zona de conforto.

Em 2012 os WRs Anquan Boldin e Larry Fitzgerald fizeram uma visita a Etiopia. Boldin, quando conheceu um pouco mais sobre a realidade do país, resolveu ir pra lá ajudar e, para isso, chamou o amigo e ex-companheiro de time nos Cardinals. Larry e Anquan trabalharam carregando pedras, sob a restrição de não dar dinheiro para os habitantes locais: um simples “presente” de 30 dólares para alguém poderia desequilibrar toda a ordem social ali existente. Ao final da viagem, inconformados com a pouca ajuda que puderam oferecer, os jogadores compraram, cada um, uma vaca para a região.

Um ano depois, eles estavam de novo no continente africano, dessa vez no Senegal e com mais um companheiro: o WR Roddy White. Os três visitaram um vilarejo que mal tinha água, e participaram do dia a dia da comunidade, procurando encontrar diferentes formas de ajudar. Boldin destacou a importância de levar a história desses lugares para cada vez mais pessoas.

Dois caras fodas.

Os jogadores ainda desenvolvem trabalhos na África. Fitzgerald, inclusive, participa de organizações que ajudam pessoas com AIDS no continente. Boldin ganhou, em 2015, o Walter Payton Man of the Year Award, prêmio que a NFL dá aos jogadores que mais se envolvem em trabalhos voluntários e de caridade.

Brandon Marshall: defendendo a conscientização.

A bipolaridade é uma doença real, mas que tem como principal adversária a forma como é vista na sociedade: muitas vezes romantizada, muita gente não sabe que existem pessoas que sofrem com a doença. O WR Brandon Marshall é uma delas. Desde que foi diagnosticado com o transtorno, Brandon luta pela causa, criando uma fundação com seu nome para alertar sobre os problemas da doença. O jogador já foi até mesmo multado pela NFL por usar chuteiras verdes – a cor escolhida para a conscientização sobre o assunto.

Pierre Garçon e Ricky Jean François: ajuda humanitária.

Quando o furacão Matthew passou pelo Haiti, Pierre Garçon e Ricky Jean François, então companheiros de equipe em Washington, de descendência haitiana, viajaram em um avião do dono da franquia para levar mantimentos ao país. Pierre e Ricky se mobilizaram também nas redes sociais, para ajudar a conseguir recursos. No país, eles ajudaram a entregar as doações.

Chris Long: o “cara da água”.

O DE Chris Long viajou para a Tanzânia pela primeira vez em 2013, para escalar o monte Kilimanjaro. O jogador se apaixonou pelo lugar, mas, em outras visitas, ficou assustado com a qualidade da água que as pessoas bebiam: a água é marrom com algumas coisas verdes nela. Para ajudar na situação, Chris criou a ONG Waterboys, que tem por objetivo melhorar a qualidade do recurso em países africanos. A iniciativa tem apoio de muitos jogadores da liga, e da própria NFL Network.

Você diria não a esse homem?

Andre Johnson, Steve Smith e Pat McAfee: presentes de Natal.

Todo natal o WR Andre Johnson leva crianças em lojas de brinquedo e gasta mais de 15 mil dólares em presentes. Mesmo depois de se aposentar, ele manteve o costume. O WR Steve Smith também tomou parte na ação, que é uma tradição no Baltimore Ravens. No último natal, o P Pat McAfee pagou a conta de luz de 115 famílias em Indianapolis, evitando inclusive que pessoas tivessem a sua eletricidade cortada.

JJ Watt, te amamos

Já falamos de JJ Watt no caso das enchentes de Houston, mas não é de agora que ele mostra seu talento fora de campo. JJ é o criador da JJ Watt Foundation, ONG que procura levar recursos a escolas para que elas possam desenvolver seus programas esportivos. Watt também é um apoiador dos militares, fazendo até mesmo campanhas em parceria com seu patrocinador, a Rebook, para auxiliar veteranos.

O jogador dos Texans também reconhece seus fãs: recentemente, um jovem foi atropelado em Houston e teve sua jersey, do próprio JJ, destruída. Quando ficou sabendo, Watt respondeu que iria ao hospital entregar pessoalmente uma nova camisa. E ele não só cumpriu a promessa, como deu uma de cada modelo para o menino.

Colin Kaepernick: um ativista.

É impossível fazer uma lista como essa sem citar Colin Kaepernick. Deixando toda polêmica de lado, o antigo quarterback dos 49ers já mostrou que não tem medo de manifestar suas ideologias. Ajoelhar durante o hino incomoda muita gente e, devido ao patriotismo de muitos americanos, dá pra entender (com um baita esforço) a rejeição ao jogador.

Acontece que seu gesto, conseguiu o que ele queria: chamar a atenção para a causa do racismo. Não só politicamente, Colin também é engajado na caridade. Recentemente, ele conseguiu um avião para levar água e suprimentos para os necessitados na Somália, doando cerca de 100 mil dólares. Goste ou não de Kaepernick, ele certamente tem um impacto fora de campo, maior até do que aquele que produziria dentro de um estádio.

Cam Newton: amigo da garotada.

Cam Newton é um exemplo um pouco diferente: o jogador, à sua maneira, age dentro e fora de campo. Cam tem o hábito de entregar as bolas dos touchdowns que marca para crianças e, apesar de ser um gesto simples, pode melhorar o dia de quem recebe o souvenir. Newton também tem uma fundação, que tem como missão “garantir que as necessidades sócio-econômicas, educacionais, físicas e emocionais das crianças sejam atendidas.

Já é tradição.

Ndamukong Suh: gigante fora de campo.

A revista Forbes é conhecida por suas listas e, dentre elas, está a de celebridades que mais fazem doações. Na lista de 2012, Ndamukong Suh foi o jogador da NFL que apareceu mais alto: Suh doou 2.6 milhões de dólares para a Universidade de Nebraska, sendo 2 milhões para o departamento atlético e 600 mil para a faculdade de Engenharia poder dar bolsas de estudo. Era, ali, a maior doação única de um jogador de futebol americano.

Esses são alguns exemplos de jogadores que tomam um pouco do seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. Ciente que essa é uma prática comum na liga, a NFL (que é extremamente rigorosa com os códigos de uniforme) estabeleceu, desde a última temporada, que os jogadores teriam uma semana para usar chuteiras personalizadas com as causas que quiserem divulgar.

A ação foi amplamente divulgada, e, durante as transmissões, alguns jogadores inclusive falavam da sua chuteira e o que ela estava representando. O resultado foi muito interessante. Você também pode fazer sua parte. Pesquise sobre seu jogador preferido, provavelmente ele tem algum projeto que você pode ajudar de alguma forma!

Sonho de noites de verão, por Andrew Luck e amigos

A temporada 2017 começará de uma forma diferente para o torcedor do Indianapolis Colts: dessa vez, há esperança. Se no início de sua carreira Andrew Luck conseguiu mascarar as falhas da equipe, levando até mesmo a ideia de que a temporada 2015 era algo como “tudo ou nada” – acabou sendo nada -, nos últimos anos isso não foi possível. Seja por problemas de lesão ou pela simples inaptidão de seus companheiros de equipe de, bem, jogar futebol americano como seres humanos, Andrew não conseguiu levar os Colts aos playoffs.

A situação era tão crítica que até Jim Irsay percebeu. E, para tentar resolver os problemas de Andrew Luck da franquia, demitiu o general manager Ryan Grigson ao final de janeiro. Contamos aqui por que a partida de Grigson pode ser qualificada, basicamente, como “pior que está, não fica”.

Para o seu lugar, os Colts foram até Kansas City buscar Chris Ballard, nome muito bem quisto ao redor da liga (sejamos francos, nem meia dúzia de brasileiros sabiam quem era esse cara até ele chegar em Indy – mas, aparentemente, ele é fera mesmo).

Pelo menos é uma carinha mais confiável depois de Ryan Grigson.

Ballard começou sua trajetória em Indianapolis chutando alguns traseiros: D’Qwell Jackson; Arthur Jones; Patrick Robinson e até mesmo o long snapper, Matt Overton. Além disso, contratos de alguns jogadores carinhosamente apelidados pela torcida de “pesos mortos” não foram renovados, como os casos de Trent Cole e Erik Walden. Para completar, Dwayne “mãos de pedra” Allen foi trocado com o New England Patriots onde, claro, milagrosamente encontrará a coordenação motora necessária para se tornar um atleta profissional.

Já para suprir as “perdas”, a forma como Ballard trabalhou na Free Agency foi diferente daquela que os Colts viram fracassar em 2015, quando a franquia contratou jogadores velhos e caros – o já citado Trent Cole, Andre Johnson, Todd Herremans e Frank Gore. Dessa vez, porém, os reforços foram pontuais e mais baratos.

Nem tudo são flores

Apesar da demissão de Ryan Grigson, o técnico Chuck Pagano foi mantido. Por ter sobrevivido a Black Monday, Chuck tinha o timing a seu favor: não restavam muitas opções de qualidade no mercado e, os nomes que sobravam já estavam apalavrados com outras franquias (coff coff Kyle Shanahan coff coff). Existem também rumores que Jim Irsay pediu para Ballard dar uma chance a Pagano e, caso nada dê certo, ele terá passe livre pra se livrar dele ao final da temporada.

Considerando as mudanças e que Andrew Luck vem de uma cirurgia no ombro, podemos dizer que não há muita pressão para os Colts vencerem nessa temporada. Há, no entanto, a necessidade real de melhora. A torcida não espera que esse time chegue ao Super Bowl – se chegar, ótimo, mas o objetivo principal é evoluir e ter um elenco capaz de competir em alto nível pelos próximos anos.

Respeitem meus meninos

Algumas pessoas insistem em achar que Andrew Luck é overrated. Não vamos perder tempo com elas. Para a posição de quarterback os Colts estão bem servidos, sendo a única interrogação se Luck perderá algum tempo e o quanto isso afetará seu jogo; a cirurgia a que ele foi submetido é considerada delicada e, truque do destino, no ombro que ele usa para lançar.

Por outro lado, se a linha ofensiva foi o calcanhar de aquiles do ataque por muito tempo, hoje podemos dizer que não há tanta preocupação com a unidade quanto em outras épocas. Apesar do número alto de sacks do último ano, claramente houve uma progressão depois da segunda metade da temporada. E, além disso, os bloqueios para a corrida foram uma grata surpresa: de acordo com o Football Outsiders, a unidade foi a terceira melhor da liga no jogo corrido, em jardas ajustadas. Isso considerando que três dos cinco atletas da linha eram calouros em 2017, a tendência para a próxima temporada é de uma melhora ainda mais significativa.

No entanto, o ataque terrestre, quando falamos dos running backs, não é muito animador. Frank Gore está um ano mais velho e cada vez mais lento, enquanto Robert Turbin foi usado mais como fullback em seu primeiro ano. Já o calouro Marlon Mack, um dos atletas mais explosivos dessa classe do draft, ainda é muito inexperiente em alguns aspectos do jogo (bloqueios, por exemplo). Mesmo assim caberá a ele dar explosão as carregadas da equipe e, a menos que alguém surpreenda, o grupo de RBs está longe de empolgar.

No corpo de wide receivers, a exceção sendo a boa adição de Kamar Aiken, os nomes são praticamente os mesmos. TY Hilton liderou a NFL em jardas recebidas, apesar de muita gente achar que ele não é tudo isso. Suck it, haters. Donte Moncrief, que perdeu parte do último ano por lesão, está no último ano de seu contrato e fará de tudo para garantir um bom salário. Abaixo deles no dept chart, restam Phillip Dorsett, que precisa provar seu valor para não ser cortado e Chester Rogers, que tem atraído muitos elogios pelo seu trabalho na offseason.

Maior número de jardas recebidas em 2016. Still underrated.

Melhorou – até porque não havia como ficar pior

A unidade está completamente remodelada. O adeus de jogadores velhos ou meia-bocas obrigou Indianapolis a reformular o setor defensivo: não se surpreenda se em algum momento da temporada todos os jogadores em campo forem nomes que estarão no seu primeiro ano em Indianapolis.

Já a linha defensiva, além de contar com o retorno de Kendall Langford e de Henry Anderson, dessa vez mais saudável, tem a boa adição de Johnathan Hankins, um dos melhores DTs da liga. Além deles, Hassan Ridgeway e TY McGill, que já mostraram potencial, o novato Glover Stewart, e os veteranos Al Woods e Margus Hunt batalham por vagas no elenco final.

O corpo de LBs também será outro: Jon Bostic e Sean Spence devem ser os titulares no lugar de Edwin Jackson e Antonio Morrison, que eventualmente brigarão pela titularidade e podem ser reservas de qualidade, mais experientes e com menor pressão.

No caso do pass rushers, a unidade deixa de ser um asilo: apenas Akeem Ayers retorna. O calouro Tarell Basham e os veteranos Jabaal Sheard, John Simon e Barkevious Mingo dão nova vida ao grupo, que dificilmente será pior que no último ano.

Por fim, a secundária conta com o retorno de Vontae Davis, no último ano de seu contrato; de Rashaan Melvin, que foi uma grata surpresa em 2016; Darius Butler, que pretende ser uma espécie de híbrido entre CB e S em tempo integral, depois de uma boa experiência alternando posições na última temporada; e Clayton Geathers, que deveria ser um dos safeties titulares, mas vem de lesão delicada no pescoço, e seu futuro na liga ainda é incerto.

Em contrapartida, o segundo-anista TJ Green, apesar de seu talento atlético, tem caído cada vez mais no dept chart, treinando muitas vezes com o terceiro time em alguns momentos. Matthias Fairley, que muitos torcedores sequer sabem quem é, pode ser o reserva imediato na posição de safety. Chegam ainda ao grupo Malik Hooker, um steal para os Colts na primeira rodada do draft, e Quincy Wilson, que facilmente poderia ser escolhido na primeira rodada não fosse essa uma classe recheada de bons CBs.

Palpite: A AFC South não é mais a baba que era alguns anos atrás, onde mesmo com elencos fracos, os Colts venciam com facilidade. Como a equipe se sairá dentro da própria divisão definirá a classificação para os playoffs, considerando que a schedule é teoricamente fácil. Não podemos nunca descartar um time comandado por Andrew Luck, mas chegar ao Super Bowl ou mesmo ao AFC Championship, no entanto, pode ser considerado um sonho impossível.

O caminho até o Hall da Fama: 7 jogadores que não estarão lá

Em meio ao período de inatividade da NFL há muito pouco que se discutir. Vez ou outra surge alguma notícia bombástica, algo como “técnico X diz que jogador Y está tendo uma ótima offseason”. O resto do tempo é preenchido por training camps e gifs inúteis.

Neste cenário de vazio em nossas almas e corações, não espere nenhuma notícia ou análise profunda sobre um tópico qualquer, ainda mais neste site desprezível que você aprendeu a amar. Mas, claro, não é porque estamos lhe dizendo que esse texto não fala sobre algo importante que você precisa parar de lê-lo: por ser uma lista, você pode só passar o olho nos nomes, não ler explicação alguma e ir diretamente as redes sociais do autor ofendê-lo.

(Sério, tá aqui o link).

Não, seu jogador preferido não está no Hall da Fama, trouxa!

Um dos tópicos que pode despertar maior paixão em torcedores é o Hall da Fama. Só de falar isso você já consegue escutar de longe um apaixonado pelo San Diego Chargers (R.I.P) gritando que Phillip Rivers é melhor que Eli Manning. Pode até ser, mas quem vai ter um busto em Canton e a jaqueta dourada daqui a alguns anos será o homem que nos deu a alegria de ver Tom Brady derrotado em um Super Bowl. Duas vezes.

Então, com o intuito de iluminá-lo, após um estudo extenso e com diversas bases científicas, preparamos uma lista com alguns nomes que, além de Rivers, não estarão em Canton. Pode se desesperar.

1. Andrew Luck

O barbudo mais bonito da liga entrou na NFL com toda a carreira já programada: o melhor prospecto da história seria um dos melhores QBs da história, que venceria inúmeros Super Bowls e terminaria com um dos bustos mais belos do Hall da Fama.

Pena que esqueceram de combinar isso com o time que o draftou. O Indianapolis Colts, que outrora já contou com a tríade de pior comando (Irsay-Grigson-Pagano) em qualquer liga esportiva, não tem ajudado Luck em sua jornada. A menos que Chris Ballard consiga dar um golpe em Jim Irsay ou Chuck Pagano nasça novamente, a tendência é que a miséria de Andrew seja mantida.

Chance de estarmos errados: 12%

2. Richard Sherman

Não negamos: é um excelente jogador. Mas talvez não tão bom quanto ele imagine. Porém, fora (e às vezes até mesmo dentro de campo), é chato pra caralho. Toda essa chatice fará com que eventualmente os Seahawks fiquem cansados e o troquem por um pacote de balas com alguma franquia irrelevante, que marcam presença naquela lista intitulada “franquias-com-que-ninguém-se-importa” (oi, Tennessee Titans!), evitando com que Richard se dirija para a eternidade. Quando ele perceber que não será selecionado, certamente brigará com o comitê, que o deixará de fora para sempre.

Chances de estarmos errados: 25%

3. Dez Bryant

Dez muitas vezes figura no topo da lista de algumas pessoas como melhor WR da NFL. Mas a verdade é que ele não tem uma temporada com mais de 1000 jardas desde 2015. Você pode inventar qualquer tipo de desculpa, porém os números mostra que mesmo se jogasse os 16 jogos no último ano, pela sua média, não chegaria a famigerada marca.

TY Hilton, por exemplo, que você provavelmente acha que é um WR mais “do meio do pacote”, tem números mais consistentes. Aceitem: Bryant terminará sua carreira na NFL lembrado por um drop e não tem nada que os torcedores dos Cowboys possam fazer pra mudar isso.

Chance de estarmos errados: nenhuma (0%). Podem cobrar.

4. Le’Veon Bell

Tido por muitos como o melhor RB da liga, algo compreensível, já que ninguém assiste os Cardinals pra ver que David Johnson é melhor, Bell só teve duas temporadas com mais de 1000 jardas terrestres – e só jogou mais do que 13 jogos uma vez em sua carreira, já tendo inclusive cumprido uma suspensão por acender um cigarro diferenciado.

Por não se manter saudável e considerando a pouca vida útil dos running backs na liga, podemos tirar as pretensões do menino Le’Veon de receber uma jaqueta dourada. No entanto, seus companheiros de equipe, Ben e Antonio, terão o acessório para mostra a ele no reencontro do Super Bowl que venceram juntos. Ah, Bell também não tem Super Bowl para alavancar suas credenciais.

Sad, but true.

Chances de estarmos errados: 26%

5. Travis Kelce

Travis Kelce era a principal arma do ataque mais chato da NFL até a chegada do garoto-foguete Tyreek Hill. Não sabemos em que mundo ser a válvula de escape de Alex Smith leva alguém até Canton. Além disso, Kelce só teve uma temporada com mais de 1000 jardas na carreira.

Chance de estarmos errados: 35% (tudo depende de quando Alex Smith for chutado de Kansas City)

6. Gerald McCoy

Gerald McCoy é um excelente jogador e poderia muito bem acabar no Hall da Fama. Mas, pense bem: quando te perguntam sobre um bom jogador, mesmo um defensor, você NUNCA pensa nele. Quando por um acaso do destino, ele habita sua mente, você até poderá vislumbrar sua habilidade, mesmo não tendo visto um jogo dos Bucanneers nos últimos quatro anos.

Chance de estarmos errados: 20%

7. Jimmy Graham

O mundo está dividido entre duas pessoas: as que sabem e as que não sabem que Jimmy Graham é overrated. Além de não ter noção alguma da “arte de bloquear”, o cidadão só teve duas de suas oito temporadas na liga com mais de 1000 jardas. Isso sendo uma TORRE e jogando com dois QBs baixos. Graham é apenas um bom jogador, e qualquer oportunidade que temos de trazer essa realidade deve ser aproveitada.

Chance de estarmos errados: 0,1%

7.1 Mike McCarthy

Ele treinou Brett Favre e Aaron Rodgers. É o famoso “assim até eu”. Mesmo tendo uma jornada longa na liga e vencendo um Super Bowl (acreditamos que o playcalling MEDROSO não permitirá um novo Lombardi), McCarthy ficará de fora do Hall da Fama, onde só os verdadeiros grandes técnicos podem pisar.

Chance de estarmos errados: 5%

Descubra: o editor odeia um desses caras.

Bônus:

8. Jogador que estará no Hall da Fama, quer você queira ou não, quer você goste ou não:

Justin Tucker. Assista ele acertando um FG qualquer de 830 jardas e tente discordar.

Chance de estarmos errados: menor do que no caso do Dez Bryant.

De Peyton Manning a Andrew Luck: mesmos erros, mesmas histórias

Com a primeira escolha geral do draft de 1998, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Peyton Manning, de Tennessee. Com a primeira escolha geral do draft de 2012, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Andrew Luck, de Stanford.

Não é só a posição em que foram escolhidos que aproxima a carreira dos dois melhores QBs que a cidade de Indianapolis já viu. Peyton Manning enfrentou dificuldades nos seus primeiros anos na liga e Andrew Luck também o fez. Peyton teve um head coach questionado no início de sua carreira, Andrew ainda o tem. Manning comandava um ataque explosivo quando jovem e Luck ainda o faz.

Esses aspectos em comum trazem a tona a seguinte questão: por que o Colts não consegue aproveitar seus jovens quarterbacks ao máximo? Por que um time que contou com Peyton Manning e conta com Andrew Luck tem um Super Bowl a menos que a franquia que venceu a liga duas vezes com Joe Flacco (aquele!) e Trent Dilfer (quem?) no mesmo período?

Direto do túnel do tempo

Peyton Manning chegou em Indianapolis em 1998, após o time ter uma temporada 3-13. Em seu primeiro ano na liga ele lançou 29 interceptações e os Colts terminaram com o mesmo recorde anterior. Ruim, óbvio, mas aceitável para um rookie, afinal, desde que abandonara Baltimore na calada da noite, a franquia nunca teve uma mentalidade vencedora. A exigência não era a maior do mundo.

Na temporada seguinte o time de Jim Mora terminou o ano 13-3, vencendo 11 dos últimos 12 jogos. Manning foi escolhido para o Pro BowlSecond Team All Pro. Além disso, o RB Edgerrin James despontou na liga e foi escolhido como rookie ofensivo do ano. Mas tal rendimento na temporada regular não garantiu uma boa estreia nos playoffs: derrota por 19-16 para os Titans, jogo em que Peyton completou 19/42 passes, não lançou nenhum touchdown e, mais assustador, correu pra um. Apesar da eliminação, o futuro se mostrava promissor no RCA Dome.

2000 foi marcado pela irregularidade dos Colts e o resultado final de 10-6 evidenciou isso. Mais uma vez, Manning foi Second Team All-Pro e escolhido para o Pro Bowl juntamente com o WR Marvin Harrison e o RB Edgerrin James. Nos playoffs, porém, nova decepção: mais um jogo ruim de seu quarterback (197 jardas e 1 touchdown) e os Colts deixaram uma vantagem de 14 pontos no intervalo escapar para o Dolphins do glorioso Jay Fiedler – uma espécie de Dan Marino ao contrário. Além disso, o kicker Mike Vanderjagt perdeu o que seria o FG da vitória; para se ter uma noção do feito, essa é a vitória mais recente do time de Miami nos playoffs. Sim, há quase 20 primaveras.

Ainda estamos vários parágrafos distantes dessa cena.

Depois de duas derrotas nos playoffs, o técnico Jim Mora – na época o mais velho da NFL – era questionado por não conseguir fazer a equipe dar o “próximo passo”. Nada mudou e a temporada de 2001 foi péssima. A defesa dos Colts permitiu uma média de 30 pontos por jogo, Peyton lançou 23 interceptações e foi sackado 29 vezes, maior marca de sua longa carreira. Após terminar a temporada 6-10, Mora acabou demitido, deixando como legado um dos maiores vídeos da história do futebol americano.

Mudanças (mas nem tanto)

Em 2002, Indianapolis foi buscar o técnico Tony Dungy com o objetivo de consertar aquilo que alguns tinham a audácia de chamar de defesa. Foi também o primeiro ano da equipe na AFC South, depois de 32 temporadas na AFC East. Após 10 vitórias e 6 derrotas na temporada regular, o Colts foi humilhados pelos Jets nos playoffs, perdendo por 41-0. Manning lançou pra 137 jardas e 2 INTs na oportunidade, mesmo tendo novamente sido escolhido para o Pro Bowl naquele ano.

Para curar a ressaca, 2003 foi um grande ano para o time e para Peyton: o time chegou a final da AFC após um recorde de 12-4 na temporada regular. Na vitória por 41-10 no wild card contra os Broncos, Manning teve um rating perfeito (158.3) pela segunda vez na temporada. No Divisional, vitória por 38-31 sobre os Chiefs, em mais um sólido jogo: 304 jardas e 3 TDs. Na final da AFC, uma derrota amarga para os Patriots por 24-14: Peyton foi interceptado e sackado quatro vezes e teve terceiro pior rating da carreira (35,5). Como prêmios individuais, ele foi escolhido 1st Team All Pro, Pro Bowl além de dividir o prêmio de MVP com o também QB Steve McNair.

A temporada de 2004 dos Colts foi marcada por um ataque colossal: 522 pontos totais – os 277 no primeiro tempo dos jogos foi maior que a marca total de 7 equipes naquele ano (para se ter uma ideia, o ataque dos Rams em 2016 marcou 224, ou seja, precisaria de 2,33 temporadas pra alcançar o mesmo que o sistema ofensivo de Indianapolis consegui só em 2004).

Manning lançou ainda 49 TDs, batendo o recorde que na época pertencia a Dan Marino (48), foi novamente MVP, jogador ofensivo do ano, 1st Team All Pro e Pro Bowler. A equipe terminaria a temporada 12-4 e tornaria a vencer os Broncos no Wild Card em mais um grande jogo de seu quarterback: 27/33, 4 TDs 1 INT, uma corrida de 4 jardas pra TD e 145,7 de rating. Já no Divisional, derrota por 20-3 em New England, em partida que a defesa permitiu mais de 200 jardas terrestres e o ataque foi neutralizado.

Mesmo roteiro ou filme repetido? 2005 foi mais um grande ano dos Colts e, como já se tornara habitual, de Manning. O time venceu 14 jogos na temporada regular, incluindo um convincente 40-21 sobre o New England Patriots em Foxborough. Em uma das poucas oportunidades em que lançou para menos de 4000 jardas, ainda assim Peyton teve o melhor rating da liga (104.1). Não foi o suficiente para ser novamente MVP: o camisa 18 ficou atrás de Shaun Alexander na votação. As escolhas para o Pro Bowl e 1st Team All Pro, porém, se mantiveram, além do Walter Payton Man of The Year, conquistado pela primeira vez.

Mas a derrota nos playoffs foi de partir o coração. Enfrentando o último classificado, Pittsburgh, Indianapolis poderia ter passado de fase se não fosse por um jogador esfaqueado que não conseguiu escapar do tackle do ultra-atlético-só-que-não Ben Roethlisberger e um kicker idiota que desperdiçou um chute para empatar a partida com 17s restantes no relógio.

Como o tempo é capaz de curar tudo, 2006 finalmente foi o nosso ano caralho chegou e, com ele, mais recordes foram quebrados: os Colts se tornaram o primeiro time da história a vencer seus nove primeiros jogos em duas temporadas consecutivas. Nos playoffs, Indianapolis derrotou Kansas City por 23-8, em jogo tranquilo. Já no Divisional, em Baltimore, não houve tanta facilidade. Nenhum dos times conseguiu marcar touchdowns e Adam Vinatieri, kicker então recém-contratado, exorcizou todos os demônios imagináveis e marcou 5 FGs na vitória por 15-6.

Era tudo tão mágico que o AFC Championship Game foi um dos jogos mais memoráveis da história. Sério: se você nunca assistiu, assista. Após estar atrás por 21-3 em determinado ponto do jogo, os Colts conseguiram uma dramática vitória por 38-34, em um jogo que contou inclusive com 2 TDs marcados por jogadores de linha ofensiva.

Estávamos diante dos portões do paraíso: o Super Bowl XLI, disputado em Miami contra o Chicago Bears, aconteceu sob forte chuva, que a cada gota que tocava o sagrado uniforme de Indy, lavava anos e mais anos de desgraças intermináveis. No campo, ambas as equipes foram prejudicadas pela bola molhada, mas, no final, o estilo de jogo conservador dos Colts, distribuindo passes curtos, prevaleceu. A franquia e Peyton Manning, finalmente alcançaram o objetivo maior e, enfim, no fundo todos sabíamos que os deuses do football não cometeriam a heresia de permitir que Rex Grossman levantasse o Vince Lombardi.

Ano após ano, nosso time sempre caía. E isso era decepcionante“, disse um emocionado Manning, escolhido MVP da partida. “De alguma forma achamos um jeito de aprender com essas derrotas. E nos tornamos um time melhor por causa disso“, completou.

Aconteceu? É real?

De volta à realidade

Os Colts entraram em 2007 como favoritos para vencer o Super Bowl e o time mostrou sua força no início da temporada. As sete vitórias nos sete primeiros jogos por três anos seguidos foi mais um recorde batido pela equipe. O S Bob Sanders foi escolhido Defensive Player of The Year. Terminando a temporada 13-3, Manning recebeu Phillip Rivers (que mesmo com o ligamento rompido terminou o jogo: abraços, Jay Cutler) e os Chargers naquele que foi o último jogo do RCA Dome. Ele lançou 402 jardas e 3 TDs, mas as 2 interceptações foram custosas na derrota por 28-24, em um duelo de muitas alternâncias de liderança.

Já o início de 2008 não foi muito promissor, mas após 9 vitórias consecutivas, Manning levou os Colts para os playoffs e o seu terceiro prêmio de MVP para casa, além da seleção para mais um 1st Team All Pro. Nos playoffs, o time não conseguiu a revanche contra os Chargers: após empate no tempo normal, San Diego venceu o coin toss e anotou o touchdown na prorrogação.

Para a temporada seguinte, Tony Dungy, técnico hoje no Hall da Fama, se aposentou e em 2009 os Colts contavam com Jim Caldwell como seu novo head coach. Tal mudança no comando não atrapalhou o rendimento da equipe, que terminou o ano 14-2, incluindo uma vitória memorável contra os Patriots, em virada emocionante no último quarto. Peyton foi, pela quarta e última vez em Indianapolis, MVP e 1st Team All Pro, junto com Dallas Clark e Dwight Freeney. Na rodada Divisional dos playoffs, uma vitória tranquila sobre os Ravens em Indy levou os Colts a final da AFC contra os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!). Após começar atrás, Manning comandou a equipe lançando pra mais de 350 jardas e 3 TDs para chegar a seu segundo Super Bowl. Então no quarto SB da franquia, os Colts enfrentaram o New Orleans Saints: derrota por 31-17 na partida que ficou marcada por um onside kick de New Orleans voltando do intervalo e do “retorno pra história” de Tracy Porter.

2010 foi o último ano de Manning como quarterback titular dos Colts. Naquele ano, ele completou 450 passes (melhor marca da história até então, que o próprio Peyton empatou em 2013) para 4700 jardas (também melhor marca pessoal até então) para levar Indianapolis a um recorde de 10-6 e mais uma pós-temporada. Dessa vez, os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!) levaram a melhor no Lucas Oil Stadium, vencendo o jogo com o relógio expirado. E aquele foi o último jogo de Peyton Manning pelo Indianapolis Colts: após múltiplas cirurgias no pescoço, Peyton perdeu toda a temporada 2011 e os Colts acabaram o ano 2-14 (você ainda lembra de Curtis Painter?), assegurando a primeira escolha do draft seguinte.

Um novo começo

A primeira escolha geral do draft de 2012 e as incertezas em relação ao estado de saúde de Manning fizeram com que os Colts dispensassem seu quarterback para ir atrás de uma reposição mais jovem e que, para muitos, tinha potencial parecido com o de Peyton: Andrew Luck.

Recomeçando essa desgraça.

O primeiro ano de Luck na liga foi um ótimo cartão de visitas. O recorde final de 11-5 veio com muitas viradas emocionantes, incluindo uma partida sensacional contra o Detroit Lions e o provável melhor jogo de Reggie Wayne com a camisa dos Colts. Luck foi selecionado para o Pro Bowl e, para alguns, deveria também ter sido o calouro ofensivo do ano. Ele também quebrou o recorde de jardas lançadas por um rookie, com 4374. Além da escolha de Andrew, o Indianapolis selecionou outros jogadores para compor o ataque da equipe, como o WR TY Hilton e os TEs Coby Fleener e Dwayne Allen. Nos playoffs, os Colts não marcaram touchdowns e acabaram derrotados pelos Ravens, que seriam campeões naquele ano, por 24-9.

Como o ano anterior na verdade era visto como um período de reconstrução, as expectativas para 2013 eram ainda maiores. E, apesar de inconsistente, os Colts fizeram uma boa temporada: vitórias sobre os finalistas da NFC Seahawks e 49ers, além de um jogo inesquecível contra os Broncos no primeiro reencontro de Manning com a equipe. O resultado foi o mesmo do ano anterior: 11-5. Mas Luck teve o seu melhor ano protegendo a bola, lançando 9 INTs, sofrendo apenas um fumble e novamente sendo selecionado para o Pro Bowl.

Já na pós-temporada, o time conseguiu a segunda maior virada da história dos playoffs, revertendo uma desvantagem de 28 pontos em mais um jogo épico que você deveria assistir. No Divisional, a equipe viajou até New England e tomou uma sova: Luck lançou 4 INTs e a defesa permitiu mais de 200 jardas para os RBs adversários, além de seis (sim, SEIS!) touchdowns terrestres.

Está conseguindo encontrar um padrão? Então, lá vamos nós novamente! 2014 foi o melhor ano de Luck na NFL, quebrando recordes e se estabelecendo como um dos grandes nomes da liga: ele bateu o recorde de jardas lançadas da franquia, passando Peyton Manning (4761 x 4700), além de outras marcas importantes. Os bons números e boas atuações eram comemorados, mas faltava dar um passo adiante: contra adversários como New England e Pittsburgh, Indianapolis não conseguia jogar bem, só tomando lavadas. Devido a essa inconsistência, o recorde foi de 11-5 pelo terceiro ano consecutivo.

No Wild Card os Colts jogaram bem e passaram pelos Bengals sem maiores sustos por 26-10. No Divisional a equipe viajou até Denver para enfrentar, mais uma vez, Peyton Manning. Já sentindo a idade, o xerife não jogou bem e os Colts controlaram a partida para vencer por 24-13. O AFC Championship Game, felizmente para os Colts, ficou mais marcado por fatores extra-campo: no jogo que ficou conhecido pelo Deflategate, New England mais uma vez passou o carro sobre a fraca defesa de Indianapolis. Andrew Luck lançou apenas 126 jardas e 2 INTs na derrota por 45-7. E, convenhamos, se as bolas estivessem devidamente infladas não mudaria porra nenhuma.

Novos anos, novas expectativas

Mesmo assim, 2015 chegou com muitas expectativas. As contratações na free agency e a empolgação vinda do ano anterior criaram uma necessidade grande de vencer. Muitos torcedores e analistas usavam inclusive a expressão Super Bowl or Bust. Mas nada saiu como o esperado. Andrew Luck começou o ano de forma irregular, inclusive perdendo alguns jogos por lesão. Quando as coisas pareciam entrar nos trilhos, o QB dilacerou o rim em uma jogada contra os Broncos. Apesar dos esforços do backup Matt Hasselbeck (que também não sobreviveu a linha ofensiva do time até o final da temporada), o ano acabou com um 8-8 e as férias chegaram mais cedo.

Na Black Monday daquela temporada, a expectativa era que o HC Chuck Pagano, então com o contrato terminado, deixasse a franquia. A relação com o GM Ryan Grigson não era das melhores e haviam inclusive relatos de que eles não se falavam. Após uma longa reunião, já no final daquele dia, Pagano e Grigson tiveram seus contratos renovados – vale lembrar que Grigson ainda tinha um ano vigente, mas como uma espécie de “prêmio” pelos bons serviços prestados (HAHAHA), recebeu uma extensão.

Então chegou 2016 e com ele muitas interrogações. Já não se esperava muito daquele mesmo time, e a percepção geral indicava que os Colts só conseguiam bons resultados por jogar em uma divisão fraca. A ideia era consertar a linha ofensiva e reforçar a defesa, os principais problemas da equipe. No draft, quatro OLs foram selecionados, além de outros quatro defensores. Na temporada regular, os Colts perderam muitos jogos no final e/ou por margens pequenas porque, na maioria das vezes, a defesa não conseguiu segurar a vantagem que o ataque construiu.

Andrew Luck ainda perderia um jogo por causa de concussão, além de ser poupado em boa parte dos treinos, mas mesmo assim terminaria o ano com sua melhor taxa de acerto de passe (63,5%) e melhor média de jardas por tentativa completada (7.8); por outro lado igualou o pior número de sacks sofridos na carreira (41, como em 2012): assim, o Colts ficou fora dos playoffs pelo segundo ano consecutivo e pela primeira vez desde 2001 ficou fora da pós-temporada tendo seu QB titular jogando.

Havia a expectativa da demissão de Chuck Pagano, mas ela não aconteceu. Na verdade, quem rodou foi o idiota do Ryan Grigson. Toda esta história apenas nos mostra um padrão, apenas nos evidencia que apenas um Super Bowl nesse longo período está longe de ser o ideal.

Aquela carinha de quem não aguenta mais apanhar.

Mesmos erros, mesmas “desculpas”

Peyton Manning se estabeleceu como um dos maiores quarterbacks da história jogando em Indianapolis, mas diversos fatores que estavam fora de seu controle não permitiram que ele vencesse mais que um SB. Já em quatro anos com o Denver Broncos, o camisa 18 conseguiu os mesmos números do que em 13 temporadas (excluindo 2011) em Indy, quando o assunto é “anéis no dedo”. É, inclusive, emblemático que sua última conquista tenha vindo com ele atuando como coadjuvante, sendo a defesa a grande estrela do time.

Em alguns momentos faltou sorte para os Colts quando Peyton comandava a equipe e podemos dizer que, se não fosse um certo time de New England, Indianapolis poderia ter chegado a mais finais da NFL. Mas também é inegável que faltou competência: o padrão de um sistema defensivo aparentemente mentalmente incapaz de segurar vantagens de 10, 14 pontos nos últimos períodos, além de permitir toneladas de jardas terrestres nos momentos decisivos, é notório.

As semelhanças entre Andrew Luck e Peyton Manning são grandes, mas também é importante ressaltar algumas diferenças. Apesar de não ter as defesas mais fortes da liga, Peyton via algumas estrelas do outro lado da bola em sua equipe: Dwight Freeney, Robert Mathis e Bob Sanders eram capazes de mudar jogos. A linha ofensiva também fazia sua parte e, na primeira metade da carreira, Edgerrin James ajudava muito o ataque. Não podemos esquecer ainda que Tony Dungy era uma grande mente defensiva e Bill Polian entrou para o Hall da Fama na NFL.

Já Andrew não conta com a mesma sorte: o melhor defensor da equipe era Mathis que, no final da sua carreira, já não tinha tanto gás. Vontae Davis teve um grande ano em 2014, mas não mostrou a mesma consistência em outros momentos. A defesa, inclusive, sofre muito para chegar ao QB adversário, o que não era um problema para Freeney. Bob Sanders jogou pouco tempo na liga, mas mesmo assim mostrou mais bola que todos os safetys que os Colts contam hoje no elenco somados. Há, ainda, a questão da linha ofensiva, que paradoxalmente parece tentar matar Luck a cada jogo, e não protegê-lo. Pese também o fato de que o jogo corrido dos Colts só parou de feder em 2016 (não vamos nem falar o que veio antes disso). Chuck Pagano deveria montar uma grande defesa, mas até aqui ele só falhou, e nunca cansaremos de repetir: Ryan Grigson é um imbecil.

A amostragem é menor, mas durante a “era Andrew Luck“, os Colts cometem erros que cometeram com Peyton no início de sua jornada e a insistência com um técnico questionado e a incapacidade de construir uma defesa consistente se destacam. Agora parece que, dessa vez, esses erros se somam a outros ainda maiores: Luck é o QB que mais apanha na NFL e faltam playmakers na defesa.

Tal pai, tal filho.

É claro que não podemos afirmar isto com exatidão, mas em um exercício de imaginação, dá para acreditar que Luck conseguiria levar times como Denver e Seattle ao Super Bowl, como as próprias franquias fizeram nos últimos anos. Ou até mesmo resolver os problemas de equipes que tinham sólidas defesas, mas precisavam de um quarterback, como Bills e Jets em determinados recortes específicos de tempo.

Jim Irsay sabe que tem que aproveitar mais um grande QB em sua franquia e espera que os Colts vençam ao menos dois Super Bowls nessa nova era. Para que isso aconteça, ele precisa tomar as decisões corretas e se livrar de Ryan Grigson foi o primeiro passo. De qualquer forma, é impossível prever o futuro, então resta esperar que Andrew Luck supere as limitações que seu próprio time lhe impõe ou que os Colts, em algum momento, consigam montar uma equipe vencedora ao seu redor. Luck não pode fazer tudo sozinho; na NFL, ninguém é capaz disso.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBR e está procurando um lugar no corpo para tatuar o rosto de Chris Ballard.

Ryan Grigson estrelando “Como vencer na vida mesmo sendo um imbecil”

Que Ryan Grigson é um imbecil não é novidade alguma. A única forma de não saber que ele é um completo imbecil, é se você não o conhece – mas como estamos em um site sobre NFL, provavelmente você sabe que nos referimos ao homem responsável por comandar as operações do Indianapolis Colts entre 2012 e o início de 2017.

De qualquer forma, por algum motivo obscuro que vai além da compreensão humana, seu contrato foi renovado. Mas como já dizia o famoso ditado, “Deus marca touchdowns com passes de merda”, Ryan recentemente foi demitido, naquele que também ficou conhecido como “o primeiro dia do resto de nossas vidas”.

Você pode pensar que estamos exagerando, mas antes de afirmar que fomos tomados pelo clubismo doentio, procure a reação de atletas que trabalharam com Grigson ao logo da carreira. O punter Pat McAfee, aliás, foi um show à parte nas redes sociais.

É difícil encontrar casos tão explícitos de difamação pública de um ex-colega de equipe como os que ocorreram envolvendo Ryan. Além disso, antes mesmo de ser chutado de Indianapolis, já se questionava como diabos Grigson era um General Manager na NFL.

Então para lhe convencer que Ryan Grigson é o que é afirmamos (um completo idiota), elaboramos uma lista com seus “feitos” em Indianapolis. Cuide para não vomitar:

O Draft de 2013

Naquele já distante ano, Grigson escolheu: Bjorn Werner no primeiro round (24ª escolha); Hugh Thornton no terceiro round (86ª escolha); Khaled Holmes no quarto round (121ª escolha); Montori Hughes no quinto round (139ª escolha); John Boyett no sexto round (192ª escolha) e Kerwynn Williams (230ª escolha) e Justice Cunningham no sétimo round (254ª escolha). A escolha de segunda rodada, ele havia trocado por Vontae Davis. O engraçado, porém, é que dois anos após a absurda seleção de Khaled, Grigson deu uma explicação complexa sobre os motivos da escolha, que poderia ser resumida em “fizemos nosso dever de casa”.

Em um pequeno exercício mental, lembraremos que pouco após a seleção de Werner, o Vikings selecionou Xavier Rhodes, CB que já frequentou o Pro Bowl. E Bjorn? Não fazemos ideia de onde está, só sabemos que não é na NFL.

O mais triste é que três anos se passaram desde daquela “aula” sobre construção de elenco ministrada por Grigson e das oito escolhas daquele mesmo draft, nenhum jogador, exceto Thornton que frequentou mais o IR do que um campo de football e não deve voltar para o time em 2017, está hoje no elenco do Colts.

Construindo uma peneira defensiva

Entre 2012 e 2015, Ryan Grigson, o mago do gerenciamento, escolheu um total de 12 jogadores de defesa. Vamos listá-los:

– Josh Chapman no quinto round de 2012 (136ª escolha);

– Tim Fugger no sétimo round de 2012 (214ª escolha;

– Bjorn Werner no primeiro round de 2013 (24ª escolha);

– Montori Hughes no quinto round de 2013 (139ª escolha);

– John Boyett no sexto round de 2013 (192ª escolha);

– Jonathan Newsome no quinto round de 2014 (155ª escolha);

– Andrew Jackson no sexto round de 2014 (203ª escolha);

– D’Joun Smith no terceiro round de 2015 (65ª escolha);

– Henry Anderson no terceiro round de 2015 (93ª escolha);

– Clayton Geathers no quarto round de 2015 (109ª escolha);

– David Parry no quinto round de 2015 (151ª escolha);

– Amarlo Herrera no sexto round de 2015 (207ª escolha);

Para facilitar a visualização destacamos os jogadores que ainda continuam no roster em vermelho sangue – uma clara alusão ao nosso sofrimento diário. Enfim, Grigson conseguiu jogar no lixo todas as escolhas de draft defensivas entre 2012 e 2014 e ainda teve a pachorra de colocar a culpa do fraco desempenho do setor no contrato de Andrew Luck. “Quando você paga a Andrew Luck o que pagamos, vai levar tempo para construir algo no outro lado da bola (defesa)”, disse este jumento ao Indianapolis Star.

Se um torcedor começa a espumar de raiva quando ouve falar em Ryan Grigson, tenha certeza: ele está certo.

Ryan Grigson negociando em busca de mais um WR.

Contratando os caras “certos”

A temporada de 2014 foi um bom ano para os torcedores do Colts. Foi tão boa que provavelmente a alegria invadiu o cérebro de Grigson, afetando ainda mais sua (falta de) inteligência. Então em 2015 ele decidiu utilizar o bom espaço disponível no Salary Cap para investir em veteranos, trazendo nomes como o WR Andre Johnson (três anos / US$ 21 milhões), que passou apenas uma temporada em Indianapolis e hoje curte sua aposentadoria; o OLB Trent Cole (dois anos / US$ 14 milhões), que jogou tão mal em sua primeira temporada que logo em seguida precisou aceitar reduzir seu salário para não estar hoje na fila do INSS; além dos restos mortais do RB Frank Gore e do DE Kendall Langford que, bem, ao menos não têm nos envergonhado.

Após todos estes investimentos certeiros, o Colts terminou 8-8 e não foi aos playoffs. No mesmo ano, Andrew Luck conseguiu machucar o ombro, as costelas e dilacerar um rim. Como prêmio, Ryan Grigson teve seu contrato renovado.

Uma dupla da pesada: LaRon Landry & Greg Toler (ou Greg Toler & LaRon Landry)

Três anos de contrato e 15 milhões de dólares para Greg Toler; quatro anos de contrato e 24 milhões de dólares para LaRon Landry. Se você não sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles. Se você sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles.

Hoje Greg Toler é reserva nos Redskins, enquanto LaRon Landry não fazemos questão nenhuma de saber onde diabos está.

Este idiota está milionário enquanto reclamamos dele estar milionário.

Saudades, Jerrel Freeman!

O contrato do LB Jerrell Freeman terminou em 2015. A ideia do jogador era continuar em Indianapolis e, quando ele disse para a diretoria que tinha uma proposta de três anos e 12 milhões de dólares dos Bears, disseram pra ele aceitá-la. Freeman teve a melhor nota de LBs de acordo com o Pro Football Focus, enquanto os Colts tiveram cinco LBs titulares diferentes durante a última temporada.

A inexplicável escolha de Philip Dorsett

Esta talvez nem o próprio Grigson consiga explicar. No mesmo ano em que contratou o já citado ex-WR em atividade Andre Johnson por US$21 milhões, Ryan gastou sua escolha de primeira rodada com sim, isso mesmo, outro WR. Naqueles dias, Indianapolis estava desesperado por um Safety, mas por algum motivo desconhecido para qualquer pessoa que tenha no mínimo três neurônios, o Colts deixou Landon Collins para trás e selecionou Phillip Dorsett.

O fim desta história só seria possível em Indianapolis: Dorsset, uma máquina de drops, têm 51 recepções para 753 jardas e incríveis dois TDs desde aquele dia. Já Landon Collins flerta com o Defensive Player of the Year, foi para o Pro Bowl e também selecionado como 1st Team All Pro.

O curioso caso de Trent Richardson

Richardson tem uma média de 3,3 jardas por carregada. Mas isso até seria razoável, não é mesmo? Seria, se você desconsiderar o fato de que Trent não é um jogador de football, então vamos deixar as imagens falarem por si: digite “Trent Richardson Holes” no Google e se divirta com a desgraça alheia.

Sendo gentil, podemos dizer que a carreira de Trent na NFL se resume em corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele é poupado do trabalho de bloquear.

Não bastasse tudo isso, sua primeira corrida nos playoffs foi um fumble! E pouco mais de um ano após ser contratado, Richardson nem viajou com o time para a final da AFC em 2014. Sim, Ryan Grigson deu uma escolha de primeira rodada por esta desgraça.

O futuro é logo ali

Considerando aqueles jogos sem graça, a demissão de Ryan Grigson foi o que de melhor aconteceu no fim de semana das finais de conferência. Apesar de Chuck Pagano ainda estar entre nós, o futuro para os torcedores de Indianapolis já não é tão nebuloso. Já é hora de seguirmos em frente, mas sem nunca esquecer o glorioso legado do maior imbecil que já pisou na face da terra: Ryan Grigson.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e acredita que Ryan Grigson é o culpado de todos os seus problemas.

O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo de acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do PickSix: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que disse anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, me dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs um ano, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos. E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo ou ainda um eleitor de Donald Trump, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependentes de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival a New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não criação de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago. Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos e uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinado em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí já parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro). Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga as traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais – quer você goste ou não.