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JJ Watt e Houston: football é maior fora de campo

Houston vem passando por uma série de catástrofes naturais: as chuvas e os eventos decorrentes do furacão Harvey deixaram a cidade destruída e debaixo d’água. Para colocar em perspectiva, na última semana, as chuvas no local foram o equivalente aos últimos 13 meses de precipitação em Manhattan.

Como você pode imaginar, muitas pessoas perderam tudo que tinham e, alguns lugares – casas, inclusive -, acabaram destruídos. O Astrodome, um dos estádios da cidade, tem servido de abrigo para muitos desabrigados.

É uma situação tensa, que tampouco conseguimos mensurar em palavras – a maioria de nós tem a sorte de nunca perder nada em situações como estas, e não conseguimos imaginar o tamanho da dor e dificuldades que quem sofre as consequências está passando. Mas, em momentos como esse, vemos alguns motivos para, com o perdão do clichê, não perder a fé na humanidade.

Robert Kraft, dono dos Patriots; Amy Adams, dona dos Titans; Christopher Johnson, dono dos Jets e Bob McNair, dono dos Texans doaram, cada um, um milhão de dólares para ajudar na reconstrução de Houston e da vida de seus habitantes.  

Mas quem tem mesmo se destacado é JJ Watt. O DE do Texans começou uma campanha no Twitter para arrecadar 250 mil dólares em doações. A visibilidade de Watt permitiu que a meta fosse, cada vez mais, aumentando. 500 mil dólares foram arrecadados em um um dia. Ao tempo da publicação desse texto, o número já era de 6 milhões e a meta de 10 – esperamos que continue crescendo.

Jogadores como Ezekiel Elliott, Dez Bryant e Chris Paul, da NBA, ajudaram na campanha que começou com uma doação de 100 mil dólares do próprio JJ. O DE tem atualizado seu perfil no Twitter a medida que as metas são batidas, incentivando as pessoas a doar.

O exemplo que ele vem dando mostra a importância dos atletas profissionais para a sua comunidade. Além de proporcionar alegrias dentro de campo, muitos jogadores se comprometem a ajudar os habitantes de suas cidades de outras maneiras. O esporte é uma forma de escapar dos problemas e o impacto no cotidiano das pessoas é ainda maior que aquele causado por uma jogada importante.

Home Sweet Dome

Talvez a história que melhor exemplifica a importância do esporte para uma cidade seja o punt bloqueado pelos Saints contra os Falcons. Em decorrência do furacão Katrina, que devastou New Orleans, os Saints não jogaram sequer um jogo da temporada de 2005 em seu estádio, que serviu de abrigo para os moradores da cidade. Assim, a equipe mandou suas partidas em diferentes locais: no Giants Stadium (em um jogo contra os Giants, teoricamente em casa); no Alamodome, em San Antonio, Texas; e no Tiger Stadium, em Baton Rouge, Louisiana.

No retorno do time ao Superdome, a jogada, logo no ínicio do jogo, mostrou uma torcida em êxtase por ter seu time de volta após tempos difíceis, tanto para a equipe, quanto para a cidade. O fato de o jogo ter sido no horário nobre (Monday Night Football) apenas elevou a emoção do momento.

Renascimento.

Esses são exemplos do legado mais importante que um atleta – ou uma equipe – profissional pode deixar. Dentro de campo, times e jogadores podem fazer a alegria (ou a tristeza) de milhões de pessoas e servir de inspiração para muitas delas.

Por isso, inspirados em momentos como esses, separamos alguns casos em que jogadores mostram que o esporte é ainda maior fora de campo. Afinal, a NFL está repleta de exemplos como o de JJ Watt. Jogadores que, por afinidade com uma causa, um ideal a seguir, ou até mesmo pura bondade no coração, fazem muito fora de campo. Mais do que a sua diversão nas tardes de domingo, eles proporcionam a outras pessoas oportunidades de construir uma vida melhor.

Andrew Luck: um clube do livro.

Você já conhece o Andrew Luck dos passes para touchdown e das grandes jogadas. O que você talvez não conhece sobre o quarterback dos Colts é a sua paixão pela leitura. E que ele tem um clube do livro.

A ideia surgiu a partir de brincadeiras de membros da imprensa que, ao descobrirem a paixão de Luck, sugeriram a criação de um clube do livro; em abril de 2016, Andrew lançou o Andrew Luck Book Club. É um espaço onde ele, quatro vezes por ano, durante a offseason, dá sugestões de livros. Um para crianças, incluindo aqueles que ele lia quando era mais novo, e um para adultos, que ele leu recentemente ou está lendo no momento.

Desde que me entendo por gente, eu amo ler. Devo isso aos meus pais, que liam para mim todas as noites até eu conseguir fazê-lo sozinho. Eles sempre encorajaram a mim e a meus irmãos a ler“, explicou Luck sobre o seu fascínio pelos livros. “Sempre senti algo relaxante e agradável em relação à leitura, em parte porque sempre via meus pais lendo. Lembro das viagens de carro de 18 horas que fazíamos todo verão, indo de Houston ao Colorado nas férias da família. Sempre tinha a minha cara enfiada em um livro e ficava em silêncio por pelo menos 10 horas. Isso fazia o tempo passar muito mais rápido e eu sentia que podia “escapar” mais em um livro do que em um filme ou qualquer outra coisa. E ainda sinto isso hoje: ler é a melhor forma de esvaziar a cabeça e dar uma desacelerada“, completa.

Luck também trouxe a paixão pela leitura para dentro do vestiário: desde o início de sua carreira em Stanford, ele trocava livros e sugestões com seus colegas de equipe e técnicos. E essa tradição se manteve na NFL, onde  encontrou mais jogadores que compartilhavam o hábito, como Vick Ballard, Matt Hasselbeck e Joe Reitz.

Na verdade, nunca fiz parte de um clube do livro antes. Queria ter certeza de que, de qualquer forma, fosse simples e divertido e que incentivasse as pessoas a pegar um livro, sentar e ler.” O clube do livro também encoraja os leitores a interagir nas redes sociais e, em algumas oportunidades, o próprio Luck participa, seja por meio de perguntas e respostas ou por vídeos, até mesmo ao vivo.

Andrew conta que a organização já recebeu retorno de bibliotecas, livrarias, autores, professores, pais e até mesmo de editoras pedindo para promover a iniciativa. Algumas escolas também começaram programas de leitura baseados na ideia. Durante essa inter-temporada, enquanto se recupera de cirurgia no ombro, Luck tem cultivado também o hábito de ler para crianças, em escolas ou hospitais infantis.

Lendo livros e defesas.

É fato que a leitura desempenha um papel importante na formação do ser humano, seja na infância ou na fase adulta. Ler quando pequeno é ainda mais importante, porque assim a pessoa desenvolve esse hábito para a vida toda. Ter um ídolo como Luck, que estimula crianças a ler e vai até elas para isso, cria uma nova geração de leitores. 

Tom Brady: sabendo ser ídolo.

Brady sabe do seu tamanho como jogador; e quando o assunto é ajudar a comunidade, ele fica ainda maior. Logan Schoenhardt, um jovem de 10 anos com um grave câncer no cérebro, ao realizar uma cirurgia, pediu para o médico gravar o número 12 em seu crânio. Quando ficou sabendo da notícia, Tom gravou uma mensagem de apoio ao seu fã.

Infelizmente o câncer retornou, dessa vez com pouca chance de cura. Logan fez uma lista de desejos, e um deles era conhecer seu ídolo. Brady se prontificou a conhecer o menino que, infelizmente, não conseguiu vencer sua doença. Apesar de ser uma história triste, que não teve um final feliz, o quarterback dos Patriots se mostrou muito solidário, realizando o último desejo de um dos seus maiores fãs.

Outra história que envolve o quarterback, é a Calvin Riley – um jovem de 20 anos e tinha um futuro promissor no baseball quando foi baleado enquanto brincava de Pokemon Go. Calvin, que havia estudado na mesma escola que Tom, infelizmente não sobreviveu. Não havia nada que Brady pudesse fazer nessa situação, mas ele enviou uma carta de duas páginas, escrita à mão, para a família. A família se recusou a revelar o conteúdo do texto, mas disse que foi uma forma de conforto em meio a uma situação tão triste.

Larry Fitzgerald e Anquan Boldin: saindo da zona de conforto.

Em 2012 os WRs Anquan Boldin e Larry Fitzgerald fizeram uma visita a Etiopia. Boldin, quando conheceu um pouco mais sobre a realidade do país, resolveu ir pra lá ajudar e, para isso, chamou o amigo e ex-companheiro de time nos Cardinals. Larry e Anquan trabalharam carregando pedras, sob a restrição de não dar dinheiro para os habitantes locais: um simples “presente” de 30 dólares para alguém poderia desequilibrar toda a ordem social ali existente. Ao final da viagem, inconformados com a pouca ajuda que puderam oferecer, os jogadores compraram, cada um, uma vaca para a região.

Um ano depois, eles estavam de novo no continente africano, dessa vez no Senegal e com mais um companheiro: o WR Roddy White. Os três visitaram um vilarejo que mal tinha água, e participaram do dia a dia da comunidade, procurando encontrar diferentes formas de ajudar. Boldin destacou a importância de levar a história desses lugares para cada vez mais pessoas.

Dois caras fodas.

Os jogadores ainda desenvolvem trabalhos na África. Fitzgerald, inclusive, participa de organizações que ajudam pessoas com AIDS no continente. Boldin ganhou, em 2015, o Walter Payton Man of the Year Award, prêmio que a NFL dá aos jogadores que mais se envolvem em trabalhos voluntários e de caridade.

Brandon Marshall: defendendo a conscientização.

A bipolaridade é uma doença real, mas que tem como principal adversária a forma como é vista na sociedade: muitas vezes romantizada, muita gente não sabe que existem pessoas que sofrem com a doença. O WR Brandon Marshall é uma delas. Desde que foi diagnosticado com o transtorno, Brandon luta pela causa, criando uma fundação com seu nome para alertar sobre os problemas da doença. O jogador já foi até mesmo multado pela NFL por usar chuteiras verdes – a cor escolhida para a conscientização sobre o assunto.

Pierre Garçon e Ricky Jean François: ajuda humanitária.

Quando o furacão Matthew passou pelo Haiti, Pierre Garçon e Ricky Jean François, então companheiros de equipe em Washington, de descendência haitiana, viajaram em um avião do dono da franquia para levar mantimentos ao país. Pierre e Ricky se mobilizaram também nas redes sociais, para ajudar a conseguir recursos. No país, eles ajudaram a entregar as doações.

Chris Long: o “cara da água”.

O DE Chris Long viajou para a Tanzânia pela primeira vez em 2013, para escalar o monte Kilimanjaro. O jogador se apaixonou pelo lugar, mas, em outras visitas, ficou assustado com a qualidade da água que as pessoas bebiam: a água é marrom com algumas coisas verdes nela. Para ajudar na situação, Chris criou a ONG Waterboys, que tem por objetivo melhorar a qualidade do recurso em países africanos. A iniciativa tem apoio de muitos jogadores da liga, e da própria NFL Network.

Você diria não a esse homem?

Andre Johnson, Steve Smith e Pat McAfee: presentes de Natal.

Todo natal o WR Andre Johnson leva crianças em lojas de brinquedo e gasta mais de 15 mil dólares em presentes. Mesmo depois de se aposentar, ele manteve o costume. O WR Steve Smith também tomou parte na ação, que é uma tradição no Baltimore Ravens. No último natal, o P Pat McAfee pagou a conta de luz de 115 famílias em Indianapolis, evitando inclusive que pessoas tivessem a sua eletricidade cortada.

JJ Watt, te amamos

Já falamos de JJ Watt no caso das enchentes de Houston, mas não é de agora que ele mostra seu talento fora de campo. JJ é o criador da JJ Watt Foundation, ONG que procura levar recursos a escolas para que elas possam desenvolver seus programas esportivos. Watt também é um apoiador dos militares, fazendo até mesmo campanhas em parceria com seu patrocinador, a Rebook, para auxiliar veteranos.

O jogador dos Texans também reconhece seus fãs: recentemente, um jovem foi atropelado em Houston e teve sua jersey, do próprio JJ, destruída. Quando ficou sabendo, Watt respondeu que iria ao hospital entregar pessoalmente uma nova camisa. E ele não só cumpriu a promessa, como deu uma de cada modelo para o menino.

Colin Kaepernick: um ativista.

É impossível fazer uma lista como essa sem citar Colin Kaepernick. Deixando toda polêmica de lado, o antigo quarterback dos 49ers já mostrou que não tem medo de manifestar suas ideologias. Ajoelhar durante o hino incomoda muita gente e, devido ao patriotismo de muitos americanos, dá pra entender (com um baita esforço) a rejeição ao jogador.

Acontece que seu gesto, conseguiu o que ele queria: chamar a atenção para a causa do racismo. Não só politicamente, Colin também é engajado na caridade. Recentemente, ele conseguiu um avião para levar água e suprimentos para os necessitados na Somália, doando cerca de 100 mil dólares. Goste ou não de Kaepernick, ele certamente tem um impacto fora de campo, maior até do que aquele que produziria dentro de um estádio.

Cam Newton: amigo da garotada.

Cam Newton é um exemplo um pouco diferente: o jogador, à sua maneira, age dentro e fora de campo. Cam tem o hábito de entregar as bolas dos touchdowns que marca para crianças e, apesar de ser um gesto simples, pode melhorar o dia de quem recebe o souvenir. Newton também tem uma fundação, que tem como missão “garantir que as necessidades sócio-econômicas, educacionais, físicas e emocionais das crianças sejam atendidas.

Já é tradição.

Ndamukong Suh: gigante fora de campo.

A revista Forbes é conhecida por suas listas e, dentre elas, está a de celebridades que mais fazem doações. Na lista de 2012, Ndamukong Suh foi o jogador da NFL que apareceu mais alto: Suh doou 2.6 milhões de dólares para a Universidade de Nebraska, sendo 2 milhões para o departamento atlético e 600 mil para a faculdade de Engenharia poder dar bolsas de estudo. Era, ali, a maior doação única de um jogador de futebol americano.

Esses são alguns exemplos de jogadores que tomam um pouco do seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. Ciente que essa é uma prática comum na liga, a NFL (que é extremamente rigorosa com os códigos de uniforme) estabeleceu, desde a última temporada, que os jogadores teriam uma semana para usar chuteiras personalizadas com as causas que quiserem divulgar.

A ação foi amplamente divulgada, e, durante as transmissões, alguns jogadores inclusive falavam da sua chuteira e o que ela estava representando. O resultado foi muito interessante. Você também pode fazer sua parte. Pesquise sobre seu jogador preferido, provavelmente ele tem algum projeto que você pode ajudar de alguma forma!

Ryan Grigson estrelando “Como vencer na vida mesmo sendo um imbecil”

Que Ryan Grigson é um imbecil não é novidade alguma. A única forma de não saber que ele é um completo imbecil, é se você não o conhece – mas como estamos em um site sobre NFL, provavelmente você sabe que nos referimos ao homem responsável por comandar as operações do Indianapolis Colts entre 2012 e o início de 2017.

De qualquer forma, por algum motivo obscuro que vai além da compreensão humana, seu contrato foi renovado. Mas como já dizia o famoso ditado, “Deus marca touchdowns com passes de merda”, Ryan recentemente foi demitido, naquele que também ficou conhecido como “o primeiro dia do resto de nossas vidas”.

Você pode pensar que estamos exagerando, mas antes de afirmar que fomos tomados pelo clubismo doentio, procure a reação de atletas que trabalharam com Grigson ao logo da carreira. O punter Pat McAfee, aliás, foi um show à parte nas redes sociais.

É difícil encontrar casos tão explícitos de difamação pública de um ex-colega de equipe como os que ocorreram envolvendo Ryan. Além disso, antes mesmo de ser chutado de Indianapolis, já se questionava como diabos Grigson era um General Manager na NFL.

Então para lhe convencer que Ryan Grigson é o que é afirmamos (um completo idiota), elaboramos uma lista com seus “feitos” em Indianapolis. Cuide para não vomitar:

O Draft de 2013

Naquele já distante ano, Grigson escolheu: Bjorn Werner no primeiro round (24ª escolha); Hugh Thornton no terceiro round (86ª escolha); Khaled Holmes no quarto round (121ª escolha); Montori Hughes no quinto round (139ª escolha); John Boyett no sexto round (192ª escolha) e Kerwynn Williams (230ª escolha) e Justice Cunningham no sétimo round (254ª escolha). A escolha de segunda rodada, ele havia trocado por Vontae Davis. O engraçado, porém, é que dois anos após a absurda seleção de Khaled, Grigson deu uma explicação complexa sobre os motivos da escolha, que poderia ser resumida em “fizemos nosso dever de casa”.

Em um pequeno exercício mental, lembraremos que pouco após a seleção de Werner, o Vikings selecionou Xavier Rhodes, CB que já frequentou o Pro Bowl. E Bjorn? Não fazemos ideia de onde está, só sabemos que não é na NFL.

O mais triste é que três anos se passaram desde daquela “aula” sobre construção de elenco ministrada por Grigson e das oito escolhas daquele mesmo draft, nenhum jogador, exceto Thornton que frequentou mais o IR do que um campo de football e não deve voltar para o time em 2017, está hoje no elenco do Colts.

Construindo uma peneira defensiva

Entre 2012 e 2015, Ryan Grigson, o mago do gerenciamento, escolheu um total de 12 jogadores de defesa. Vamos listá-los:

– Josh Chapman no quinto round de 2012 (136ª escolha);

– Tim Fugger no sétimo round de 2012 (214ª escolha;

– Bjorn Werner no primeiro round de 2013 (24ª escolha);

– Montori Hughes no quinto round de 2013 (139ª escolha);

– John Boyett no sexto round de 2013 (192ª escolha);

– Jonathan Newsome no quinto round de 2014 (155ª escolha);

– Andrew Jackson no sexto round de 2014 (203ª escolha);

– D’Joun Smith no terceiro round de 2015 (65ª escolha);

– Henry Anderson no terceiro round de 2015 (93ª escolha);

– Clayton Geathers no quarto round de 2015 (109ª escolha);

– David Parry no quinto round de 2015 (151ª escolha);

– Amarlo Herrera no sexto round de 2015 (207ª escolha);

Para facilitar a visualização destacamos os jogadores que ainda continuam no roster em vermelho sangue – uma clara alusão ao nosso sofrimento diário. Enfim, Grigson conseguiu jogar no lixo todas as escolhas de draft defensivas entre 2012 e 2014 e ainda teve a pachorra de colocar a culpa do fraco desempenho do setor no contrato de Andrew Luck. “Quando você paga a Andrew Luck o que pagamos, vai levar tempo para construir algo no outro lado da bola (defesa)”, disse este jumento ao Indianapolis Star.

Se um torcedor começa a espumar de raiva quando ouve falar em Ryan Grigson, tenha certeza: ele está certo.

Ryan Grigson negociando em busca de mais um WR.

Contratando os caras “certos”

A temporada de 2014 foi um bom ano para os torcedores do Colts. Foi tão boa que provavelmente a alegria invadiu o cérebro de Grigson, afetando ainda mais sua (falta de) inteligência. Então em 2015 ele decidiu utilizar o bom espaço disponível no Salary Cap para investir em veteranos, trazendo nomes como o WR Andre Johnson (três anos / US$ 21 milhões), que passou apenas uma temporada em Indianapolis e hoje curte sua aposentadoria; o OLB Trent Cole (dois anos / US$ 14 milhões), que jogou tão mal em sua primeira temporada que logo em seguida precisou aceitar reduzir seu salário para não estar hoje na fila do INSS; além dos restos mortais do RB Frank Gore e do DE Kendall Langford que, bem, ao menos não têm nos envergonhado.

Após todos estes investimentos certeiros, o Colts terminou 8-8 e não foi aos playoffs. No mesmo ano, Andrew Luck conseguiu machucar o ombro, as costelas e dilacerar um rim. Como prêmio, Ryan Grigson teve seu contrato renovado.

Uma dupla da pesada: LaRon Landry & Greg Toler (ou Greg Toler & LaRon Landry)

Três anos de contrato e 15 milhões de dólares para Greg Toler; quatro anos de contrato e 24 milhões de dólares para LaRon Landry. Se você não sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles. Se você sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles.

Hoje Greg Toler é reserva nos Redskins, enquanto LaRon Landry não fazemos questão nenhuma de saber onde diabos está.

Este idiota está milionário enquanto reclamamos dele estar milionário.

Saudades, Jerrel Freeman!

O contrato do LB Jerrell Freeman terminou em 2015. A ideia do jogador era continuar em Indianapolis e, quando ele disse para a diretoria que tinha uma proposta de três anos e 12 milhões de dólares dos Bears, disseram pra ele aceitá-la. Freeman teve a melhor nota de LBs de acordo com o Pro Football Focus, enquanto os Colts tiveram cinco LBs titulares diferentes durante a última temporada.

A inexplicável escolha de Philip Dorsett

Esta talvez nem o próprio Grigson consiga explicar. No mesmo ano em que contratou o já citado ex-WR em atividade Andre Johnson por US$21 milhões, Ryan gastou sua escolha de primeira rodada com sim, isso mesmo, outro WR. Naqueles dias, Indianapolis estava desesperado por um Safety, mas por algum motivo desconhecido para qualquer pessoa que tenha no mínimo três neurônios, o Colts deixou Landon Collins para trás e selecionou Phillip Dorsett.

O fim desta história só seria possível em Indianapolis: Dorsset, uma máquina de drops, têm 51 recepções para 753 jardas e incríveis dois TDs desde aquele dia. Já Landon Collins flerta com o Defensive Player of the Year, foi para o Pro Bowl e também selecionado como 1st Team All Pro.

O curioso caso de Trent Richardson

Richardson tem uma média de 3,3 jardas por carregada. Mas isso até seria razoável, não é mesmo? Seria, se você desconsiderar o fato de que Trent não é um jogador de football, então vamos deixar as imagens falarem por si: digite “Trent Richardson Holes” no Google e se divirta com a desgraça alheia.

Sendo gentil, podemos dizer que a carreira de Trent na NFL se resume em corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele é poupado do trabalho de bloquear.

Não bastasse tudo isso, sua primeira corrida nos playoffs foi um fumble! E pouco mais de um ano após ser contratado, Richardson nem viajou com o time para a final da AFC em 2014. Sim, Ryan Grigson deu uma escolha de primeira rodada por esta desgraça.

O futuro é logo ali

Considerando aqueles jogos sem graça, a demissão de Ryan Grigson foi o que de melhor aconteceu no fim de semana das finais de conferência. Apesar de Chuck Pagano ainda estar entre nós, o futuro para os torcedores de Indianapolis já não é tão nebuloso. Já é hora de seguirmos em frente, mas sem nunca esquecer o glorioso legado do maior imbecil que já pisou na face da terra: Ryan Grigson.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e acredita que Ryan Grigson é o culpado de todos os seus problemas.

Eterno retorno: entre o limbo, o nada e lugar nenhum

Quando a temporada de 2015 começou, Marcus Mariota parecia a reencarnação de Steve Young (não que ele já tenha morrido); quando ela chegou ao final, estava mais para um RGIII a partir do seu segundo ano. Em resumo, podemos afirmar que suas 2818 jardas, 21 TDs e 16 turnovers (Mariota sofreu tantos fumbles quanto Adrian Peterson, 6, para liderar a NFL) em 12 jogos como um rookie demonstram potencial em alguns momentos, mas também deixava claro que ele ainda estava passando por um processo de crescimento em diversos aspectos.

Uma pessoa que não deve ter ficado muito feliz com as growing pains de Mariota é o agora ex-head coach Ken Wisenhunt, que foi demitido após vencer apenas 3 de 23 jogos em um ano e meio no time. Importante notar o imediatismo quase brasileiro da diretoria dos Titans, já que o time era basicamente um deserto de talento na chegada de Wisenhunt (treinador dos Cardinals de Kurt Warner que chegaram ao Super Bowl XLIII) e era sabido que provavelmente Marcus Mariota precisaria de mais de um ano para desenvolver seu talento.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

Agora, não é como se o novo treinador, antes técnico de tight ends do time, Mike Mularkey (somente uma campanha vitoriosa como head coach em quatro anos) fosse uma grande opção ou mudança, especialmente porque grande parte da comissão técnica foi mantida. Como coordenadores, Mularkey trouxe Terry Robiskie, antigo treinador de WRs nos Falcons (que tiveram os bons WRs Roddy White e Julio Jones nos últimos oito anos), e o eterno Dick LeBeau, que foi “aposentado” pelos Steelers porque suas ideias já foram um pouco ultrapassadas na NF – Pittsburgh acabou sentindo sua falta, mas isso é mais problema deles que vantagem para Tennessee.

A troca do século (o retorno)

Apesar de 2016 não ter o melhor dos prognósticos – o time de Music City empolga tão pouco que o único jogo de destaque que terá é o Thursday Night Football, em que obrigatoriamente jogam todas as equipes da NFL -, o draft desse ano parece que dará todas as oportunidades para que, caso os Titans trabalhem bem, o time seja uma força na NFL nos próximos anos. Após ter a pior campanha da NFL pelo segundo ano seguido, Tennessee recebeu a primeira escolha do draft. Após muita especulação, ela foi passada para os Rams, que a utilizaram para selecionar seu futuro QB Jared Goff. 

Em troca, o time acabou um caminhão de escolhas em altas posições no draft (especialmente porque o desempenho de Los Angeles não deverá ser muito bom nesse ano): duas de primeira rodada, duas de segunda e duas de terceiro, que somadas às suas próprias escolhas, deve servir para uma grande infusão de talento no time nos próximos anos. O que era desesperadamente necessário.

Temos o pass rush, mas nada muito além disso

Nos tempos de Peyton Manning, por muitos anos pareceu que tudo o que um time precisava para vencer a AFC South era ter um bom quarterback. Esses tempos acabaram – hoje, os quatro times da divisão têm (aparentemente) bons jogadores liderando seus ataques (incluindo Andrew Luck nos Colts) e, especialmente Texans e Jaguars, parecem ter todas as peças para boas defesas. Nessa batalha, os Titans parecem largar como claro último time.

No entanto, caso isso aconteça, não será por falta de pressão nos QBs adversários. O OLB Brian Orakpo conseguiu finalmente uma temporada saudável após sofrer para manter-se em campo nos seus últimos três anos em Washington, produzindo 7 sacks, mesmo número do DE Jurrell Casey, provavelmente o melhor jogador dessa defesa e único que presta na linha defensiva. Eles terão ainda a companhia do OLB Derrick Morgan, que muitos colocavam como futura estrela após o contrato de quatro anos e 30 milhões assinado no começo da temporada de 2015, mas que acabou muito limitado por uma lesão no ombro; e do rookie Kevin Dodd, enquanto este também se recupera de uma lesão no pé. Se todos se mantiverem saudáveis, muitos quarterbacks estarão correndo por suas vidas contra essa defesa.

Apesar disso, o resto da defesa se limita a mediano. Na secundária, o melhor jogador é o S Da’Norris Searcy – que se destaca mais pelo contexto que por sua própria habilidade. Ao seu lado, Searcy terá provavelmente Rashad Johnson, trazido dos Cardinals. Para completar a secundária, os Titans terão Jason McCourty, irmão gêmeo de Devin McCourty dos Patriots e o menos talentoso dos dois, além uma competição entre vários cornerbacks que não deveriam ser titulares do outro lado: Perrish Cox ou os recém contratados Brice McCain ou Antwon Blake, ambos pouco confiáveis em Dolphins e Steelers, respectivamente.

Marcus Mariota e (poucos) amigos

Ou ainda nenhum amigo. Outra razão pela produção duvidosa e quatro jogos perdidos de Mariota em 2015 foi o grupo ao seu redor. Pelo menos a impressão que ficou nessa offseason é de que o novo GM Jon Robinson fez muito para melhorá-lo, a começar pela linha ofensiva. Além do left tackle Taylor Lewan, que tem sido o ponto forte da proteção, o guard escolhido na primeira rodada de 2013 Chace Warmack deve receber mais uma (e provavelmente última) chance de provar que não é mais um bust – mas o time deve ter novos jogadores nas outras três posições.

Jack Conklin, de Michigan St, foi a primeira escolha do time no draft desse ano (antes dos provavelmente superiores Laremy Tunsil e Taylor Lewan) e já deverá tomar a posição de RT para si. O center Ben Jones, trazido dos Texans, e Jeremiah Pouatasi, rookie RT em 2015, deverá mover-se para right guard, que parece ser sua posição ideal.

Na questão “alvos” a situação não é tão boa. Primeiro, porque Mariota não parece ter no grupo atual um WR1 indiscutível. Kendall Wright é um bom alvo de segurança no estilo Wes Welker e deverá ser importante, mas não pode ser o foco do ataque. Rishard Matthews (662 jardas em 11 jogos) e Harry Douglas também não são maus jogadores, mas rendem melhor como complemento. Restará a esperança de que um dos grandalhões Dorial Green-Beckham ou Justin Hunter aprenda a segurar os passes lançados para eles, já que o potencial físico já têm – ou ainda o rookie Tajae Sharpe, que tem feito uma boa pré-temporada.

Os Titans ainda trouxeram o veterano WR Andre Johnson para o training camp, mas considerando a decepção que ele foi pelos Colts no ano passado (503 jardas, 4 TDs), não será nenhuma surpresa se ele acabe servindo mais como mentor durante a preparação e cortado quando o time tenha que decidir seus 53 jogadores para a temporada.

Não lembro como segura.

Não lembro como segura.

Também por essa mediocridade, Tennessee deve ser um time prioritariamente corredor em 2016. Mais do que isso, um time dedicado a atropelar defesas na força bruta. O time enviou uma escolha de quarta rodada para os Eagles em troca da decepção de 2015 DeMarco Murray, que não se adaptou bem ao estilo de jogo de Chip Kelly, e ainda investiu uma escolha de segunda rodada em Derrick Henry, que detém agora o maior número de jardas corridas da história de Alabama, uma universidade conhecida por produzir grande running backs (incluindo Forrest Gump). Com essa dupla Thunder & Thunder, qualquer defesa mais leve sofrerá para parar o ataque corrido dos Titans.

Palpite: O único elemento que pode empolgar nesse time é o jogo corrido (combinado com Mariota), mas para esse estilo funcionar seria preciso uma boa defesa, que não existe. Os Titans são um time em formação e disputando uma divisão difícil, o que lhes acabará garantindo um novo recorde entre 3-13 e 5-11. Mike Mularkey acabará demitido e Nashville poderá ter um time bom, mas terá de esperar até, mais ou menos, 2019.