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Análise Tática #29: As cinco melhores jogadas de Andrew Luck

Véspera do Thursday Night Football da semana 5 entre Colts e Patriots, partida com a narrativa interessante provocada pelas peripécias de Josh McDaniels na intertemporada. Apesar de Chris Ballard, GM dos Colts, ter jogado para a torcida com seu “The rivalry is back on”, a verdade é que os Patriots são totalmente favoritos à partida, esperando-se até uma goleada. Apesar disso, o site Pick Six, que em seus 40% é Indianapolis Colts, e esta é uma casa em que o clubismo não é só permitido como também incentivado, trouxemos uma análise tática exclusiva sobre as cinco melhores jogadas de Andrew Luck, escolhidas após uma larga análise de nossa equipe (à moda caralha).

Após a notícia de que Andrew Luck, não a pessoa original, apenas a sua mente transferida para um novo corpo de anfitrião (quem viu a segunda temporada de Westworld sabe do que estou falando), finalmente retornou aos treinos sem limitações (traduzindo, finalmente conseguiram ensinar o corpo robótico a jogar futebol americano), cabe a este redator exercer o seu direito INALIENÁVEL de CLUBISMO e defender o atleta em questão, apesar de atuações inconsistentes contra Redskins e Eagles e fios de esperança contra Bengals. A atuação COMO NAS ANTIGAS contra os Texans dá novamente ao torcedor de Indianapolis O DIREITO DE SONHAR.

Sem estar saudável desde a temporada de 2014, graças ao trabalho da dupla dinâmica Ryan Grigson e Chuck Pagano (parte 1, parte 2), e pelo fato de o time dos Colts ser ruim, as pessoas esqueceram como Andrew Luck é bom. Não as culpo, por que uma temporada com Scott Tolzien e Jacoby Brissett faz até o mais apaixonado dos torcedores repensar as suas opções na vida.

#05 – Passe de 42 jardas para TD vs Detroit. Semana 13, 2012

A primeira jogada do nosso ranking é uma da temporada de calouro, em 2012. Jogo fora de casa contra o Detroit Lions, em mais uma das viradas que marcaram a carreira do camisa 12.

Na situação, Luck era treinado por Bruce Arians e Clyde Christensen, em meio às turbulências da leucemia que acometeu Chuck Pagano em 2012, que rendeu a campanha #ChuckStrong, servindo até como motivação extra-campo. Como viu-se ao longo da carreira de Andrew Luck, o Colts tinha dificuldade em começar os jogos, obrigando o quarterback a resgatar o time nos momentos finais quase que semanalmente. Assim foi no Ford Field na semana 13 de 2012, com os Colts virando um 23 a 14 em determinado momento do terceiro quarto.

A jogada que veremos aqui ocorreu quando a partida estava 21 a 33 aos 2:45 restantes do último quarto, em uma 1ª para 10.

Indianapolis parte de uma formação shotgun singleback com um set de recebedores em 3×1. Partindo de um conceito derivado do Levels, a combinação de rotas causa um estresse entre o safety e o corner back da parte inferior da jogada. Lavon Brazill (sdds) consegue a separação. Enquanto isso, Andrew Luck enfrenta pressão pelo lado direito, escapa para o lado oposto e encontra a janela para uma bomba precisa até a redzone.

Essa jogada mostra a capacidade de Andrew Luck em arriscar em profundidade sob pressão, algo que foi necessidade por boa parte de sua carreira. Vários drives do Indianapolis Colts sobreviviam aos erros mentais da linha ofensiva graças às jogadas de grande ganho.

#04 – Passe de 8 jardas para TD vs Denver. Semana 09, 2015

O cenário: Colts capengando em uma temporada que deveria ser Super Bowl contender, tendo Luck perdido dois jogos por lesão nas costelas, enfrentam um Denver Broncos (que viria a ser campeão do Super Bowl), invictos com sete vitórias, em um jogo vespertino no Lucas Oil Stadium. Empate por 17 a 17 no início do último quarto.

Na jogada anterior, Luck tinha sofrido um tackle de Danny Trevathan que no dia seguinte saberíamos que renderia uma laceração nos rins. Luck enfrenta uma blitz de três homens vindos pelo weakside, com os demais homens da linha aplicando stunts. Essa jogada é um exemplo do que faltou para ajudar Andrew Luck na sua carreira: rotas rápidas para queimar a blitz.

Ahmad Bradshaw adota uma posição de bloqueio, mas no ponto do snap, parte explorando o ponto vazio deixado por T.J. Ward (blitzer). Em uma jogada bem desenhada, Luck dá apenas um passo de dropback e planta os pés para o passe, enquanto Bradshaw se projeta à endzone por inércia.

Escolhi essa jogada pois demonstra o que Luck é capaz de fazer. O cara lançou um TD contra a melhor defesa da NFL à época, encarando um matchup desfavorável com uma HEMORRAGIA NOS RINS.

#03 – Passe de 32 jardas vs Denver. AFC Divisional, 2014

No que talvez foi o maior upset promovido pelo Indianapolis Colts de Chuck Pagano, Luck teve uma de suas melhores partidas de sua carreira, principalmente por ter convertido as jogadas em momentos decisivos. Essa é uma delas, passe numa 3rd & 16 no terceiro quarto, contra uma secundária, se ainda não era tudo o que foi capaz de fazer, já era notável na liga.

Essa jogada mostra bem o que Luck é capaz de fazer tendo um pocket minimamente limpo. A linha ofensiva conteve muito bem um four-men-rush com Von Miller, Derek Wolfe, Malik Jackson e DeMarcus Ware, dando tempo para Luck encontrar uma janela estreita para Coby Fleener na rota seam em meio ao tráfego de defensores.

Conversão fundamental para Indianapolis ter construído a vantagem que gerou a vitória. Destaque para o trabalho de pernas de Luck no 3-step-dropback, enquanto ele movimenta o pescoço em relação às duas laterais antes do passe.

#02 – Passe de 36 jardas para TD vs Cincinnati. AFC Wild Card, 2014

Voltamos à semana anterior em relação à outra posição de nosso ranking. Jogo de wild card contra o Cincinnati Bengals, que de certa forma o Colts controlou com facilidade, raridade durante o regime de Chuck Pagano, em que o time se esforçava para dificultar jogos exatamente fáceis.

Nessa jogada em questão, vemos o atleticismo espetacular de Andrew Luck, capaz de zipar um passe de 36 jardas sem o apoio dos pés no chão, ao se projetar em velocidade escalando o pocket, enquanto Carlos Dunlap tentava o sack.

O passe em questão parte em uma jogada de play action e é pura obra-prima. Biomecanicamente falando, Luck usa sua quantidade de movimento para projetar a bola, juntamente com a força do braço. Pela falta dos pés plantados, a espiral não sai perfeita, mas com uma potência suficiente para encontrar Donte Moncrief na lateral da endzone. Outro destaque vai pela capacidade do quarterback em enxergar o espaço para escalar o pocket sem tirar os olhos do fundo de campo.

#01 – Passe de 64 jardas para TD vs. Kansas City. AFC Wild Card, 2013

Talvez o jogo mais espetacular da carreira de Andrew Luck até aqui. Protegendo a bola, não foi uma atuação segura, já que as 3 interceptações nos primeiros 40 minutos de jogo ajudaram a cavar o buraco de 38 a 10 que o time se meteu em determinado momento da partida.

No momento em que a partida estava 44 a 38 para Kansas City, Luck tinha um drive de 80 jardas para percorrer e tomar a liderança pela primeira (e que seria a única) vez na partida.

No que parecia se desenvolver um drill de média duração para sobretudo queimar o relógio, Luck e TY Hilton aproveitaram para atacar em profundidade com uma rota post. Cover 2 beater clássico, com a bola viajando 45 jardas pelo ar e atingindo Hilton no exato ponto em que as duas zonas dos safeties se encontravam. Observe que os mesmos se chocam, facilitando o caminho para Eugene carregar a bola até a endzone.

  • Diego Vieira já está preparado para a traulitada de quinta à noite, pois Colts é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente.

Análise Tática #28: Semana 2, 2018 – Patrick Mahomes e a nova dimensão do ataque dos Chiefs

Mais uma semana de temporada regular nos livros (traduções literais) e a análise tática deste maravilhoso sítio vem novamente destrinchar a posição mais chamativa do jogo: quarterback. Dessa vez falaremos sobre o início avassalador de Patrick Mahomes no Kansas City Chiefs.

Patrick Lavon Mahomes II, vindo de Texas Tech, talvez seja o principal personagem gunslinger do início da temporada. Após passar seu ano de calouro na NFL como redshirt (jogou apenas pré-temporada e na semana 17), o segundanista começou o ano com um desempenho inacreditável, colocando-o ao lado de nomes como Peyton Manning, Tom Brady e Ryan Fitzmagic™ (por que não).

Após os 10 touchdowns em dois jogos (quatro na semana 1 contra os Chargers e 6 na semana 2 contra os Steelers) é impossível não se impressionar com o desempenho do jogador. Mahomes tem como estatísticas totais (atentando ao baixo espaço amostral) 38/55 passes (69.1%), 582 jardas aéreas, 10.6 jardas por passe, 10 TDs e nenhum turnover.

Traduzindo esses números para termos de estatísticas avançadas, Mahomes tem incríveis 13.65 ANY/A (qualquer número acima de 7 é considerado bom). Segundo o Pro Football Focus, Pat teve 235 pass-DYAR (Defense-Adjusted Yards Above Replacement). Suas atuações contribuem para que os Chiefs sejam o segundo time em DVOA na temporada, com 59.4%.

LEIA TAMBÉM: As particularidades de um jogo na neve

Dada tamanha produção tão cedo, é natural esperar que de certa forma haja uma queda ao longo do ano. Mahomes na prática é um calouro, então será normal ver o quarterback lançar algum passe duvidoso que gere alguma interceptação que não deveria acontecer.

Além disso, é evidente que as boas atuações dos Chiefs se deram por outros fatores que a atuação do jovem QB, mas como a posição era o principal ponto de interrogação de Kansas City na temporada, é impossível não se impressionar. Antes que a regressão à média inevitavelmente ataque o jogador, vamos curtir o desempenho de Mahomes analisando o tape das melhores jogadas de pontuação dos Chiefs nas duas primeiras semanas.

KC 7-3 SD. Q1 7:12. 2nd & 4 em KC42

Na primeira jogada da análise, vemos um exemplo de como Mahomes tomou uma decisão rápida com o pocket colapsando à sua frente.

Kansas City alinha-se em uma formação com indicação pesada para uma possível corrida para o lado esquerdo da defesa, enquanto Tyrek Hill sai em motion. Dada essa situação, os jogadores indicados em vermelho serão as iscas, enquanto Hill tem a sua frente um defensor marcando em zona, que o passará para o Safety caso Hill vá em profundidade. Como o pocket colapsa pelo A-Gap, toda essa leitura precisa ser de forma rápida, e Mahomes solta a bola com uma mecânica meio questionável (repare na postura torta dos braços).

O fator força no braço é determinante na jogada, e Mahomes consegue conectar o passe no triângulo entre os jogadores circulados em vermelho. A partir de então, a responsabilidade toda é de Tyrek Hill em vencer os adversários em velocidade e disparar à endzone.

KC 24-12 SD. Q3 1:20. 1st & 10 em LAC36

A segunda etapa é outro exemplo de como os Chiefs partiram de uma formação com desenho pesado de corrida para rotas espalhadas pelo campo. Essa foi uma forma de Andy Reid fazer com que a velocidade de seus skill players se sobressaísse a partir do momento em que todos eles cruzassem a linha de scrimmage.

Os Chiefs partem para um four verts, enquanto os Chargers respondem com um Cover 4 na secundária. A chave aqui é a formação pesada, fazendo com que os defensores precisem compensar alinhando um pouco mais para a região das hashmarks.

O jogador circulado em vermelho será a isca, enquanto todos os demais, defendendo rotas go, terão jogadores para observar. Por causa disso, nenhum dos jogadores em zona no fundo do campo é capaz de dobrar a marcação em cima de Tyrek Hill, que ao já sair em velocidade da linha de scrimmage, vence com facilidade seu marcador.

No momento do passe, Hill ainda está atrás do marcador, mas Mahomes vê por antecipação e cálculo de velocidade a vantagem no duelo, e lança um passe no ponto futuro da rota, quase próximo à linha lateral. Tyrek mantém o equilíbrio e continua dentro de campo, indo para o segundo TD de deep ball dos Chiefs na partida da primeira rodada.

KC 0-0 PIT. Q1 13:26 2nd & 15 em PIT15

Agora vamos para a segunda partida da temporada, mostrando como John Keith Butler e Mike Tomlin “ajudaram” Andy Reid no trabalho de fazer o talento de Mahomes se sobressair. Em todas as jogadas da partida da segunda semana, temos o ponto em comum: o uso da seam.

Ao contrário dos exemplos anteriores, essa jogada tem apenas uma rota em profundidade, que atacará o espaço vazio. Reparem que o safety single-high está um pouco deslocado para o lado superior da imagem. Esse offset no posicionamento gera o espaço vazio marcado com o polígono, que será atacado pela rota seam.

As demais rotas da jogada são usadas para prender marcadores à linha de scrimmage. Os recebedores externos adotam posições de screen-pass, enquanto o slot receiver faz o melhor método de quebra de marcação possível: ELE SIMPLESMENTE CATA UM CAVACO BONITO NA JOGADA, EXECUÇÃO 10/10.

Boa parte das leituras de quarterback a nível profissional baseiam-se na identificação de triângulos na defesa. A partir do snap, é exatamente essa leitura que Mahomes deve identificar. Geralmente, essa “progressão” ocorre a partir do Safety no fundo do campo (primeira identificação pré-snap), pelo marcador mais próximo ao recebedor, e ao marcador defensor mais próximo dos dois.

Essas leituras vão sendo alternadas ao longo do campo à medida que o QB avança em sua progressão. Alguns fatores como reação do jogador de defesa em relação ao movimento da jogada influenciam na leitura. O leitor deve estar pensando que é uma quantidade absurda de informação que o quarterback tem que realizar em até 2 segundos, o que justifica que os bons jogadores da posição recebem contratos milionários e por que esse tipo de atleta é o que mais faz diferença em um time em relação a todos os esportes coletivos.

Após essa explicação rudimentar da leitura triângulo do QB (detalhes mais avançados ficam para futuros textos, não vamos queimar tudo agora), observamos a marcação feita na figura, com os três defensores envolvidos na jogada. Um dos jogadores-vértices já passou o recebedor para seu companheiro no fundo do campo, mesmo sendo quase que impossível para o Safety reagir e defender o passe, dado espaço entre os marcadores. Recepção fácil no fundo da endzone.

KC 7-0 PIT. Q1 9:41 2nd & 8 em PIT19

O exemplo a seguir é semelhante ao segundo deste texto, em que os Chiefs utilizam uma formação com desenho pesado para corrida e rotas verticais para maximizar a velocidade dos recebedores contra a defesa. Aqui, Andy Reid incrementa o uso de motion para dar algumas pistas a Mahomes quanto ao tipo de marcação e identificação dos jogadores-chave.

Quanto à leitura-triângulo, Mahomes identifica o single-high mas precisa alterar um dos vértices do triângulo para o box-safety, já que o primeiro irá para o lado oposto da progressão. O recebedor principal é o TE Travis Kelce.

Ao contrário do exemplo anterior, a janela aqui é um pouco mais estreita, sendo necessário um passe mais alto para que Kelce leve vantagem na habilidade atlética.

 

Análise Tática #27: Semana 1, 2018 – Fitzmagic™

Finalmente a temporada da NFL voltou para que possamos malhar as franquias ruins e reclamar daquele jogo de primetime que foi agendado em março, quando todos os times eram bons, além de cornetas totalmente gratuitas e sem aspecto lógico contra QBs e times que odiamos (no caso todos).

A semana 1 nos proporcionou jogos com tempo-recorde, alguns com “(insira seu time aqui) é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente” e até mesmo algumas surpresas, que inclusive será o assunto da primeira análise tática do novo ano desse esporte maravilhoso (às vezes nem tanto).

Ryan Joseph Fitzpatrick, ou Fitzmagic™ (quando joga bem), ou Fitztragic™ (quando vai mal), de acordo com a preferência do leitor, é conhecido, além de por ter estudado em Harvard (marque sua cartela), por ter uma série de eventos coincidentes envolvendo os times que jogou e os QBs que eram titulares na ocasião de sua contratação. O genial @DrawPlayDave categorizou tais coincidências em um fenômeno conhecido como o “O Ciclo de Ryan Fitzpatrick”.

Fonte: @DrawPlayDave (Twitter).

Os Buccaneers entraram no momento do Ciclo Fitzpatrick em que o titular (Jameis Winston) sai de cena e ele assume e joga bem. Tampa Bay foi a maior surpresa da primeira rodada, conseguindo o upset contra os Saints no Superdome.

Análise Estatística

As estatísticas de Fitzpatrick na partida são sensacionais. 21/28, 417 jardas, 4 TDs, 97.1 de rating. Ryan, além disso correu 12 tentativas para 36 jardas e 1 TD. Em termos de estatísticas avançadas, Fitzpatrick teve incríveis 17.75 ANY/A, bem como foi o QB da semana em DVOA pelo Football Outsiders. Uma atuação de gala em um tiroteio contra a defesa dos Saints, que se acreditava que havia melhorado e apresentou os mesmos problemas do início de 2017.

Análise do Tape

Temos conceitos interessantes a se observar nas cinco jogadas de pontuação ofensiva de Fitzpatrick, seu TD corrido e seus passes lançados para touchdown.

Q1 9:41 TB 7-7 NO. 1st & 10 em TB 42.

Tampa Bay alinha-se em singleback 1×2 com Fitzpatrick undercenter. Os Saints demonstram uma formação com um safety single-high um pouco offset na jogada (Marcus Williams, aquele do tackle errado nos playoffs) tentando disfarçar um possível recuo para cover 2.

Apenas três recebedores atacarão o fundo do campo, sendo DeSean Jackson o destino do passe. O X corre uma rota dig, o Z corre uma comeback, ambas de 10 jardas, enquanto Jackson, partindo do slot, corre o que parece ser uma option-route.

Option-routes, similarmente ao jogo corrido em zone blocking, possuem mesh points. Esse conceito tirado da Run N’ Shoot de Glen “Tiger” Ellison, permite que recebedores aproveitem o espaço vazio no campo com base na leitura de comportamento sobre um defensor específico. No caso da jogada, DeSean Jackson, o recebedor que ataca mais fundo no campo, lê o comportamento do Safety. Observemos na imagem a seguir esse exato momento.

Jackson observa que o S dá um passe para a direção da rota do recebedor X (Mike Evans, quebrando uma dig 10 jardas adiante da linha de scrimmage), tendo essa ajuda, Jackson quebra a rota em direção ao pylon. A proteção é boa o suficiente para que Ryan Fitzpatrick espere essa rota se desenvolver e conecte um passe para TD de 52 jardas. O desenvolvimento completo da jogada.

Q1 1:58 TB 14-10 NO. 1st & Goal em NO 3

O leitor mais veterano de NFL provavelmente não esquece que em 2012 a zone read em formação pistol tomou de assalto a liga (quem pegou, pegou). Essa filosofia de ataque foi como uma tomada espremida até a última gota, o que gerou respostas defensivas nas temporadas seguintes. Apesar disso, esse tipo de jogada não foi completamente descartado, e aparece exatamente no TD corrido de Fitzpatrick na partida.

A zone-read é uma jogada de option com uma leitura (!!!!) simples. O QB lê o movimento de um edge rusher e decide se entrega a bola para o RB ou corre ele mesmo. Se o defensor atacar o meio da linha, o QB corre por fora, se o defensor ficar na posição, o QB faz o handoff.

Nessa jogada específica, o defensor que será vítima da leitura é o EDGE #94 Cameron Jordan. Em situação de linha de gol, Jordan ataca a corrida de Peyton Barber, enquanto Fitzpatrick corre para a endzone. No desenvolvimento, Ryan ainda quebra um tackle na linha de gol para completar o TD.

Q2 4:42 TB 24-17 NO. 3rd & 6 em NO 9

O leitor que viu os últimos playoffs e o jogo de abertura da temporada assistiu o coirmão de ambos os times da NFC South morrer em jogadas de fade na endzone. Essa rota de baixa probabilidade de conversão depende de fatores com um passe preciso como uma linha na agulha pelo QB e que o recebedor consiga vencer o duelo físico contra a press coverage.

O leitor também deve estar pensando que uma jogada dos Bucs nessa situação provavelmente seria para um recebedor como Mike Evans, mas aqui é Chris Godwin quem recebe o TD em uma fade em direção ao pylon. Tampa está com um conceito mirrors com duas fades nas extremidades de campo, enquanto rotas no seam tendem a prender os linebackers e os safeties no miolo. Teoricamente, a jogada está armada para funcionar, resta a execução por meio de Fitzpatrick e Godwin.

Chris Godwin consegue vencer o bump-and-run e ganha a vantage física na jogada, resta a Ryan executar o famigerado backshoulder fade. Fazendo um nitpicking, o passe sai um pouco baixo, mas como Godwin teve a vantagem física na jogada, o recebedor não consegue defender, nem fazer a falta. Touchdown com requintes de crueldade que colocou os Saints em uma desvantagem de 14 pontos próximo ao intervalo.

Q3 2:58 TB 41-24 NO. 3rd & 6 em 50

Agora Fitzpatrick inaugura a sessão incendiária da análise, em que ele torna o dia muito difícil para o single-high Safety de New Orleans. Enfrentando formações com zona no fundo do campo, o QB deve manipular tais marcadores com os olhos, fazendo com que eles ataquem espaços errados, abrindo as janelas de passe.

Nessa jogada, os Saints mostram blitz e um Safety em profundidade, enquanto os Bucs irão atacar o fundo do campo novamente com três rotas longas. O RB terá funções de bloqueio para que as rotas tenham tempo de se desenvolver. O alvo da jogada é Mike Evans, no canto superior da imagem, marcado individualmente por Marshon Lattimore.

Experiente, Fitzpatrick tem a paciência suficiente de olhar para o X receiver no início da jogada, levando o Safety para aquele lado do campo. Evans vence o duelo individual e tem uma grande janela de recepção. Bomba no fundo do campo e touchdown. Acompanhe o desenvolvimento do lance.

 Q4 12:19 TB 48-24 NO. 1st & 10 em NO 36

No último drive em que Tampa Bay pontuou na partida, mais uma vez Fitzpatrick aproveitou-se da indecisão causada no Safety. Mesmo em um espaço mais curto em relação à jogada anterior e os Saints estarem mostrando um formato de dois Safeties em profundidade (afinal, a coisa estava feia), Tampa inunda o weakside e explora a rota mais profunda partindo do strongside.

Formação singleback com set de 1×2 em 11 personnel. DeSean Jackson é o alvo principal da jogada. Como falamos anteriormente, todas as demais rotas quebram para o lado esquerdo do campo, portanto é natural que a defesa reaja dessa forma. Por causa disso, Jackson fica mano-a-mano com o CB do seu lado do campo que estava em posicionamento de marcação em zona. A ajuda do Safety marcado em vermelho não existe e Jackson tem a vantagem do espaço ao ganhar o meio do campo.

  • Diego Vieira está bolando soluções para não deixar a análise tática monótona como um jogo de quinta à noite.

Análise Tática #26 – As jogadas-chave do Super Bowl LII

O Super Bowl LII talvez tenha sido a final da NFL mais prolífica da história em termos de ataque. Foram 1152 jardas totais somando os dois times, recorde da liga seja para jogos de temporada regular ou playoffs.

Como ninguém esperava, inclusive nós do site, como vocês podem conferir no preview tático, o Eagles se saiu melhor que o New England Patriots em um festival ofensivo. Podem conferir em qualquer analista brasileiro ou de fora, seja texto, vídeos ou podcast, absolutamente ninguém esperava isso.

Apontamos no preview tático que a chave para a vitória dos Eagles seria a atuação da defesa, mas esse ponto não envelheceu bem. Como apontou nosso amigo Vitor Camargo do Two-Minute Warning, a responsabilidade da vitória é em boa parte no ataque e na capacidade que Nick Foles teve de causar estragos com passes a partir da média distância. Parafraseando o que nosso colega escreveu (leia o texto completo), Philly venceu apesar da atuação defensiva e não por causa da mesma.

Comparando, foi algo assim que Blake Bortles não conseguiu. O QB dos Jaguars executou muito bem o plano de jogo, mas para vencer os Patriots é preciso mais que isso, e o ataque de Jacksonville não tinha teto suficiente para se sobressair.

As estatísticas

Total de 143 jogadas a partir da linha de scrimmage, apenas um punt entre os dois times (chutado pelo Philadelphia Eagles), um sack (que definiu o confronto), uma interceptação e um turnover on downs. Para completar o festival, houve também extra points perdidos e chutados na trave.

O Philadelphia Eagles executou 71 jogadas ofensivas, converteu 25 first downs em 34min04s de posse de bola. Teve ganho de 538 jardas em 10 drives, 374 jardas pelo ar e 164 jardas terrestres. Nick Foles completou 27 de 43 passes e o time correu com a bola 27 vezes.

O New England Patriots, por sua vez, executou 72 jogadas ofensivas em 25min56s de posse de bola, converteu 29 first downs. Teve ganho de 613 jardas em 11 drives, 500 jardas pelo ar e 113 terrestres. Tom Brady completou 28 de 48 passes e o time correu com a bola 22 vezes.

A bola longa dos Eagles

Jogadas de passe de mais de 20 jardas tiveram um fator importante em relação ao plano de jogo dos Eagles. Esticar o campo é um mantra repetido por técnicos de futebol americano e funciona como uma das premissas do jogo, deixando a defesa sempre em dúvida sobre o que virá a seguir.

Como o Eagles correu bem com a bola, média de 6,1 jardas por tentativa, o Patriots foi obrigado a aproximar os jogadores da linha de scrimmage como compensação. E essa dúvida é suficiente para armar o playaction fake. Foi exatamente isso o que vimos no primeiro touchdown da partida, passe de Nick Foles para Alshon Jeffery.

Observe na imagem, um conceito de rotas cruzadas perto do segundo “I” no logo do Super Bowl, com Alshon Jeffery atacando a endzone e Nick Foles a partir do playaction. Os jogadores de linha ofensiva estão em posição de três apoios e encaram 4-men-rush. A linha contém muito facilmente o rush dos Patriots, permitindo que Nick Foles fique confortável para escalar o pocket.

Olhando a defesa dos Patriots, eles estão marcando de forma individual todas as rotas, e as do meio disfarçando a posição dos marcadores como se estivessem em zona. Apenas um safety está em profundidade (cover 1 man). Esse cenário é ideal para Nick Foles atirar no fundo do campo, e o safety ficando preso nas rotas do meio ajudou. Passe perfeito e Alshon Jeffery ainda fez uma recepção física.

O interessante dessa jogada é sobre os seguintes pontos: esse cenário construído é o que não seria ideal para os Eagles ganharem dos Patriots. Foi repetido intensamente de que o ataque coordenado por Doug Pederson não poderia cair em situações que eles precisassem confiar no braço de Nick Foles, o que exatamente aconteceu. Os Eagles mostraram para Bill Belichick e Matt Patricia que eles podiam explorar a bola longa a partir do playaction, e isso aconteceu repetidas vezes, já que o jogo corrido se desenvolveu.

As Trick Plays

Como em uma tarde de College Football qualquer, além do tiroteio, o Super Bowl apresentou as trick plays. Duas jogadas de reverse-pass para o quarterback, cada uma executada por um dos times.

Aos 12:04 restantes do Q2, os Patriots estão na linha de 35. James White parte do outside para o lado de Brady, e este entrega a bola para o corredor. A linha bloqueia para a esquerda dando a entender de se trata de uma inside zone. Entretanto, White entrega a bola para Danny Amendola, configurando o reverse. Brady parte em uma rota wheel e Danny Amendola arrisca o passe na linha de 25 (10 jardas a partir da linha de scrimmage). Tom Brady derruba a bola, colocada à frente de seu corpo.

O interessante dessa jogada, é que por todo o processo do Super Bowl houve a dúvida sobre a lesão reportada na mão de Brady. Segundo informações, o jogador se machucou em um treinamento e precisou sofrer quatro suturas na mão direita (a de lançamento). Apesar de toda essa novela, a verdade é que pela forma como o passe foi colocado, Brady, um QB de 40 anos, não tinha atleticismo suficiente para buscar essa bola, o que nos rendeu essa belíssima imagem.

Ele realmente não pode passar e receber passes ao mesmo tempo.

Agora observemos a chamada conhecida como Philly Special. Opção de Nick Foles para converter uma quarta descida para o touchdown restando 34 segundos antes do intervalo, quando os Eagles venciam por 15 a 12. Segundo relatos, essa jogada foi colocada no plano de jogo contra o Minnesota Vikings, mas não se fez necessária. Assim como a trick play dos Patriots, trata-se de um reverse pass para o quarterback, com alguns diferenciais.

Os Eagles se alinham em singleback com stack do lado direito. Nick Foles sai da posição de shotgun disfarçando que vai passar instruções de bloqueio à linha ofensiva, a estilo Peyton Manning. O QB toca as costas do right tackle, o snap sai diretamente para o RB em wildcat, esse se desloca para a esquerda em uma outside zone, faz o handoff para Trey Burton.

Nesse instante, Nick Foles parte da posição de linha ofensiva em direção à endzone. Touchdown. Aqui, cabe salientar que a questão da trick play, como o próprio nome sugere, é surpreender completamente a defesa adversária. Geralmente, isso começa snaps antes armando uma possível leitura de tendência a partir de determinado personnel.

No caso dos Eagles, o personnel com Corey Clement em campo indica uma jogada de corrida em zona ou passe, pela versatilidade do atleta em executar ambos os tipos de conceito – simplificando ao máximo a leitura, evidentemente, as possibilidades são maiores que isso. Como podemos ver nas primeiras amostras do NFL Turning Point pela NFL Films, Doug Pederson decidiu pela conversão da quarta descida e em discussão com Nick Foles, o quarterback chamou a jogada.

Como podemos conferir, jogadas antes, Nick Foles converteu uma terceira descida com ganho de 55 jardas a partir de um passe para Clement em uma rota wheel. Esse lance e mais outros com o camisa 30 em campo semearam a dúvida suficiente para fazer a trick play funcionar. Como disse Matt Patricia na coletiva pós-jogo a única forma de parar esse tipo de jogada é a defesa estar completamente ciente do que está acontecendo em campo, pois o reverse anula qualquer ajuste tático que poderia ser desenhado na cobertura.

Linha desbalanceada

Doug Pederson apresentou em seu plano de jogo uma variedade de conceitos que colocaram em cheque a capacidade de ajuste pelo New England Patriots. Um desses é a linha desbalanceada.

Acrescenta-se um jogador a mais de OL, geralmente um tackle e não um tight end, e este jogador se declara elegível a receber o passe para a arbitragem, mas sequer correrá uma rota. Sabemos que a linha ofensiva convencional se posiciona de forma simétrica em relação ao center. A OL desbalanceada posiciona um jogador a mais em um dos lados.

Na imagem acima, vemos o touchdown corrido de LeGarrete Blount partindo de uma inside zone com linha desbalanceada. O jogador extra é o camisa 73 Isaac Seumalo, marcado no retângulo vermelho. Ele alinha como um TE bloqueador, mas com melhor capacidade de realizar a função que um jogador com esse rótulo.

Acrescentar um jogador de linha na inside zone permitiu que o LT Halapoulivaati Vaitai bloqueasse em segundo nível, e esse foi o fator diferencial para que Blount chegasse a endzone.

A capacidade de ajustes de New England

Se tem alguma coisa que eu tive capacidade acertar nos previews sobre os Patriots é a capacidade de ajustes de Bill Belichick e o uso de Rob Gronkowski como ponto focal do ataque (“mas aí até eu”, deve estar pensando o caro leitor). Após um primeiro tempo ruim na conexão Brady-Gronk, a dupla começou a clicar as jogadas no início de terceiro quarto, resultando em um drive para touchdown apenas com recepções do Tight End.

Comparando com o que foi feito no primeiro tempo, a defesa dos Eagles não travou apenas um jogador na marcação individual de Gronkowski, confiando na capacidade de execução do defensor que estivesse no matchup.

A jogada apresentada acima ocorreu no jogo contra os Titans e uma vez anterior no primeiro tempo do Super Bowl, e ilustra exatamente o que o New England Patriots tem de melhor: a capacidade de ajustes táticos do staff de Bill Belichick e passar isso aos jogadores. Temos os Patriots alinhando em 11 personnel com set 2×2 e stack no lado esquerdo. A linha está em posição de 2 apoios e a situação de placar e relógio (PHI 32-26 NE Q4 9:22) indica o passe.

Amendola sai em motion da posição de Split-end para o lado do right tackle. Nesse momento, podemos ver os jogadores dos Eagles apontando entre si, o que significa que eles estão reajustando as marcações individuais na jogada. O Safety ataca o ponto em que as rotas dos três recebedores se cruzando no lado direito e deixa Gronkowski no mano a mano. Matchup que beira o injusto e touchdown para os Patriots, que naquele momento empataria o jogo em 32 pontos.

A pressão dos Eagles

O número de sacks leva a crer que Tom Brady jogou com pocket limpo a maioria das vezes. Mas esse tipo de análise preguiçosa focando apenas em drives brutos sempre leva a tirar conclusões erradas de qualquer situação estatística. Por vezes o front dos Eagles foi capaz de apressar passes ou acertar Brady com hits. Levar pancada de jogadores de mais de 140 kg afeta um QB de 40 anos de idade, por melhor que ele seja, simplesmente por questões físicas.

Essa pressão constante, principalmente em speed rush permitiu que Brady escapasse do sack algumas vezes escalando o pocket, mas quando ela vinha pelos A e B gaps, deixava o QB dos Patriots com a movimentação limitada, tendo que arriscar passes antes da hora. Isso explica principalmente a taxa de 56,25% passes completos (28/48), um pouco abaixo do que Brady normalmente produz.

Na jogada que praticamente selou o Super Bowl em favor dos Eagles, vemos Derek Barnett e Chris Long alinhados em wide-9-technique, enquanto Fletcher Cox (5-tech) e Brandon Graham (4-tech) estão na parte interna da linha. No resto do front, quando a jogada se desenvolver, percebemos que a defesa dos Eagles rotaciona para a direita, apesar de não ser uma fire zone blitz, e o mais importante, Malcolm Jenkins defende o flat, rota de James White, único jogador no lance livre para a recepção.

Chris Long é o jogador que consegue a melhor pressão em Brady com o speed rush, impulsionando o QB à direção de Brandon Graham, que consegue o strip-sack. A bola cai no chão e é recuperada por Derek Barnett. Os Eagles aproveitam o turnover na redzone e fecham o placar em 41 a 33.

O plano de jogo dos Eagles

Percebemos que o Eagles conseguiu a vitória no Super Bowl LII em uma situação de jogo que por muitas vezes pareceu desfavorável em determinados momentos. O maior tempo de posse de bola, o sucesso na conversão de terceiras descidas e a capitalização de pontos após drives em que parecia que o ataque dos Patriots havia entrado na partida foi essencial para que o time saísse com a vitória.

Doug Pederson explicou a ousadia na chamada das jogadas como “ser conservador é uma ótima maneira de terminar a temporada 8-8”, e o time, além de ser agressivo nas chamadas, conseguiu as converter, o que é mais importante.

Os Eagles jogaram com um quarterback reserva e conseguiram vencer os Patriots em um tiroteio. A secundária não conseguiu conter os recebedores dos Patriots (as 505 jardas aéreas não deixam mentir) e mesmo assim o time conseguiu responder em todas as instâncias do jogo.

O Super Bowl LII mostra ainda mais a importância de um coaching staff competente na construção de um plano de jogo. Pederson e sua equipe usaram a melhor arma dos Patriots contra eles, e surpreenderam mostrando leituras diferentes ao que havia passado na temporada regular. Por exemplo: no touchdown que deu a vantagem aos Eagles no final do último quarto, Zach Ertz correu uma rota slant em marcação individual, movimento que ele só tinha repetido no ano de calouro (2013).

Além do mais, tendo que responder drives de touchdowns para manter a vantagem no placar, Doug Pederson manteve a compostura e continuou apostando no plano de jogo montado, em vez de se afobar e tentar buscar Money plays que talvez estivessem marcadas do outro lado do jogo estratégico. Isso ajudou, sobretudo, a manter Nick Foles confiante e confortável a executar a melhor atuação de sua carreira.

Análise Tática #25 – Parte 4: O ataque do New England Patriots

Metamorfose. A unidade comandada por Tom Brady e coordenada por Josh McDaniels mostra, além de tudo, ser a prova do tempo e imprevisível. O time é capaz, mais do que qualquer outro na liga já foi, a ajustar adequadamente a cada adversário e explorar suas fraquezas.

O Patriots já foi um time de spread offense no início da década, aplicou bastante 12 personnel quando Rob Gronkowski e Aaron Hernández jogavam juntos, utilizou de run-heavy para vencer os Colts na final de conferência em 2014. Nos playoffs, New England utilizou bastante formações com dois running-backs contra os Titans e contra os Jaguars valeu-se bastante dos passes em rotas cruzadas.

E esse filme se repete há 18 anos. Domingo será a oitava aparição em Super Bowl da dupla Bill Belichick e Tom Brady, e na maioria delas o time manteve o grau alto de desempenho. Se nos três títulos entre 2001 e 2004 a fortaleza do time era a defesa, no Super Bowl XLIX e LII, o ataque fez seu trabalho. Esse cenário se repetirá no US Bank Stadium no domingo, com Tom Brady sendo responsável por comandar o melhor setor do time.

Estatísticas

Os Patriots conseguiram 8 touchdowns na pós-temporada, sendo 5 passados por Tom Brady e 3 corridos. Brady não foi interceptado e o único giveaway dos Patriots foi um fumble cometido Dion Lewis contra os Jaguars.

Passes para Running Backs

Utilizar os jogadores de backfield no jogo aéreo é uma arma utilizada por vários times da liga. Masterizado pela West Coast Offense de Bill Walsh, o passe para RBs é uma forma de criar uma dimensão extra para a defesa ler, aumentando as possibilidades de sucesso das jogadas.

O Patriots extrapola a dimensão do passe para RBs com o conceito jet-sweep. Trick plays são sempre pontos utilizados como inversores de fase no jogo, uma forma de “tapa na cara” do adversário.

A Jet-Sweep consiste em uma forma de passe parecido com o levantamento do vôlei. Um jogador sai em motion em direção ao quarterback, e no momento em que ele se encontra, sai o snap. O QB toca a bola com a ponta dos dedos e o ballcarrier a pega no ar. Com a bola na mão, o RB corre uma rota wheel na direção oposta do campo, como se fosse um end around.

Nesse outro exemplo, o Patriots ataca o flat a partir do playaction em uma jogada que deveria ser de passe longo mas as opções estão marcadas. Os Titans estão sem safeties por estarem preocupados com o jogo corrido nesse ponto da partida, aspecto básico do futebol americano.

Tom Brady se livra da pressão e encontra Dion Lewis para um ganho de 8 jardas.

Rob Gronkowski como eixo motor

Falar sobre como Gronkowski é bom é chover no molhado. O TE é uma aberração física, criando um matchup desfavorável em 90% das defesas da NFL, mesmo após tantas lesões.

Bill Belichick investiu no TE após a derrota contra os Jets no divisional round de 2011. A partir daquele momento, o Patriots fez a transição do spread offense para um ataque de rotas mais curtas. Como diz Chris B. Brown em “The Essential Smart Football”, Belichick usa os TEs para tornar o ataque flexível mesmo com um set pesado, sendo capaz de receber passes e bloquear com a mesma excelência.

Isso nos ajuda a entender como Belichick trata seus RBs como assets descartáveis, ao mesmo tempo em que tem apreço por seu QB e seu TE. Mesmo se não fossem talentos geracionais dentro de suas posições, as tarefas que esses dois desempenham no ataque são primordiais para a execução do mesmo. Belichick pensa primeiro nas tarefas, ter dois talentos absurdos executando as mesmas é quase como um bônus que ninguém é tolo de recusar.

Simplesmente marcar Rob Gronkowski seja individualmente ou em zona é uma tarefa quase impossível. Além disso, Belichick e Josh McDaniels ainda potencializa ao máximo as chances de seu TE na jogada chamando um slant-flats.

Aqui, basta Tom Brady mandar um backshoulder fade e esperar que seu jogador ganhe a bola na força física. Basicamente, se um jogador tentar defender esse passe, fará uma falta de interferência, colocando os Patriots na linha de gol. Exemplo de como o Patriots é tão dominante por tanto tempo, um time que além de ter bons jogadores, ainda utiliza o sistema para maximizar suas habilidades.

Ajuste às necessidades

Em boa parte do AFC Championship Game os Patriots estiveram sem Rob Gronkowski, que saiu do jogo por concussão. Em parágrafos anteriores, eu disse que Gronk é o ponto central do ataque (à exceção do quarterback), então como o Patriots conseguiu a virada sem seu principal recebedor?

Bem, é de conhecimento geral que os Patriots são o time que melhor ajusta o plano de jogo de acordo com a situação. É talvez a capacidade que mais importa pelo fato de essa dinastia durar tanto tempo. Quando Gronkowski saiu do jogo, Josh McDaniels passou a colocar em campo sets mais variados de recebedores, bem como a habilidade dos mesmos em rotas curtas. Forma semelhante à que utilizou para combater a Legion of Boom no Super Bowl XLIX.

A jogada acima mostra as rotas utilizadas no primeiro touchdown de Danny Amendola no jogo contra os Jaguars. Sem Edelman, Amendola foi o responsável por usar as rotas de opção com cortes curtos ao longo da temporada. Aqui, ele corre uma shallow cross contra uma marcação em zona, e reagindo ao posicionamento em zona dos linebackers, cruza o campo inteiro. As demais rotas têm o objetivo de atrair os jogadores dos Jaguars para o fundo da endzone.

Observe que Brady poderia ter tentado o backshoulder fade em Brandin Cooks alinhado de Split-end, mas esse é um passe de baixa taxa de conversão. Ele espera a segunda leitura e conta com Amendola ganhando jardas após a recepção para o touchdown.

O TD da virada contra os Jaguars é mais um exemplo de como Brady tem a paciência de esperar a melhor opção para o passe aparecer livre, bem como o excelente trabalho de Dante Scarnecchia com a linha ofensiva ao permitir que isso aconteça. Duas rotas dig ao fundo da endzone enquanto Cooks corre uma slant/out.

Brady espera Amendola aparecer em cima do “P de Patriots” na endzone e manda o passe perfeito, o tipo de conexão que só é possível graças à capacidade do QB de antecipar esse momento. Vitória por 24 a 20 e os Patriots vão para o oitavo Super Bowl comandados por Bill Belichick.

Pontos-chave para o Super Bowl

É tolice não considerar os Patriots como favoritos no Super Bowl LII, ao mesmo tempo que também não se deve descartar o trabalho dos Eagles. Conter o poderoso front seven dos Eagles é uma necessidade. David Andrews terá um trabalho primordial contra Fletcher Cox no A-Gap.

Ano passado em Houston vimos um Patriots que parecia despreparado (uma novidade) contra os Falcons e que conseguiu fazer história graças aos ajustes de intervalo. Esse tipo de previsão não é possível de ser feita, já que seria pretensão afirmar que os técnicos não se preparariam adequadamente para um jogo da grandeza do Super Bowl.

Com Gronkowski fora do protocolo de concussão, o TE terá sua segunda atuação na grande final totalmente saudável fisicamente, já que esteve fora ano passado e jogou machucado no Super Bowl XLVI, em Indianapolis. O terror dos matchups será mais uma vez o eixo motor dos recebedores do New England Patriots.

 

Análise Tática #25 – Parte 3: a defesa dos Eagles

A terceira parte da nossa análise sobre o Super Bowl contempla a defesa dos Eagles. A unidade coordenada por Jim Schwartz foi uma das melhores da temporada, e fator importante para o time ter conseguido a seed #1 mesmo com a lesão de Carson Wentz.

A defesa dos Eagles nos playoffs apareceu sobretudo no jogo da rodada divisional contra o Atlanta Falcons, segurando o time da Georgia a apenas 10 pontos. Nessa partida, o ponto-chave da atuação da Philadelphia foi a atuação na redzone, reduzindo Atlanta a um field goal logo no primeiro drive da partida e um touchdown três campanhas depois.

Defesa de Redzone

O primeiro drive dos Falcons estancou na redzone após 7 jogadas partindo da linha de 26 jardas do campo de defesa. Ao chegar na linha 17 do campo de ataque, os Falcons correram a primeira descida, completaram um passe de 3 jardas na segunda e um passe incompleto na terceira, resultando em um field goal de 33 jardas por Matt Bryant.

Claro que a inépcia ofensiva dos Falcons se deve muito à capacidade de Steve Sarkisian, mas aqui não vamos considerar a capacidade de Jim Schwartz de ajustar sua defesa no campo curto. Esse ajuste será importantíssimo no Super Bowl LII, pois seria inocência pensar que um ataque comandado Tom Brady não conseguirá chegar à redzone algumas vezes durante a partida. Reduzir os Patriots a field goals será substancial para que a defesa ajude o ataque dos Eagles mantenha o controle da partida.

Q1 10:38 – 1st & 10 at PHI 17

Observando a distribuição do front de Philadelphia, observamos que os Falcons parte de uma jogada com dois motions para uma formação pesada de corrida (Strong, com Levine Toilolo ao lado do LT) e uma outside zone para o weakside. Hooper e Alex Mack são os dois jogadores que pela filosofia de bloqueios em zona (“bloqueie o homem à sua frente ou ao seu lado no sentido em que vai a jogada”), atacam o segundo nível.

O único defensor que fica desbloqueado a priori é o LB Mychal Kendricks, camisa 95. Ele é o mesmo que fecha o tackle. Observe que o camisa 71 Wes Schweitzer tenta engajar um bloqueio em Kendricks, mas tarde demais e o Eagle fecha a jogada. Perda de uma jarda por Devonta Freeman.

Q2 09:58 – 2nd & 11 at PHI 18

Os Falcons tentam atacar a defesa dos Eagles com um passe rápido no flat, a partir de um conceito semelhante com o smash (forçando a barra, é verdade, mas preciso dar alguma referência). Apesar disso, Jalen Mills (camisa 31) consegue fechar o tackle marcando essa região do campo em zona.

O pass rush ataca com um 4-men-rush, porém a velocidade do passe de Matt Ryan permite que o passe fosse completo. Aqui, provavelmente era uma jogada de passe designado e o QB fez uma leitura rápida, Com 11 jardas para o first down, Mills consegue fechar bem o ângulo do tackle, evitando que Austin Hooper conseguisse contornar em direção à endzone. Ganho de três jardas, que colocou os Falcons em situação óbvia de passe.

Q1 09:14 – 3rd & 8 at PHI 15

Nessa jogada ficam claros dois pontos: a inépcia ofensiva dos Falcons em concentrar as rotas no miolo do campo, e a capacidade da defesa dos Eagles em ler rotas de opção. Esse tipo de rota não dá para ter certeza da existência e de como eles operam realmente, a menos que se tenha o playbook. Mas conseguimos ter pistas de acordo com a movimentação do wide receiver.

No nível mais simples, o WR atinge o mesh point e quebra a rota para uma direção ou outra de acordo com a marcação na região em que se encontra. Mas na maioria das vezes, o uso de rotas de opção tende a ser mais complexo que isso e exige uma coordenação de leitura absurda entre QB e WR. Em algumas situações em que vemos QBs lançando passes totalmente fora de alcance é por que provavelmente ocorreu uma falta de sintonia no sentido da leitura da opção correta.

Falando especificamente sobre a jogada, os Falcons concentraram 3 rotas cortando para a região central do campo, facilitando o trabalho da defesa dos Eagles. O backfield com formação splitbacks tem o objetivo de tentar abrir a defesa, mas não é o que acontece.

Quando a jogada se desenvolve, toda a possibilidade de Matt Ryan explorar os matchups nas rotas wheel acaba pela ferocidade do pass rush dos Eagles, e ele tem que agir rápido e procurar uma opção para soltar a bola. Ele encontra Taylor Gabriel próximo a linha de 10 jardas mas não é suficiente para converter em um novo grupo de descidas. Excelente defesa de redzone por parte dos Eagles.

A Pick Six contra os Vikings

O NFC Championship Game foi destacado pela explosividade do ataque dos Eagles utilizando a Run/Pass Option. Entretanto, a defesa dos Eagles conseguiu um touchdown quando a partida ainda estava empatada, o que ajudou a mudar o momentum.

Conceito semelhante ao dagger, enquanto a defesa dos Eagles responde com uma Cover 2-Man híbrida, com marcação individual apenas no recebedor Z, enquanto o outro lado da jogada permanece totalmente em marcação em zona. O alvo da jogada é Adam Thielen, alinhado no slot do lado direito, e executará uma rota corner.

Patrick Robinson alinhado em um espaço de 8 jardas de Thielen, dá a entender que está marcando individualmente, mas ao realizar o bump-and-run, ele permanece em zona. Keenum não percebe a mudança e lança a bola em Thielen. Robinson no meio do caminho, a intercepta e a leva para endzone.

Pontos-chave para o Super Bowl (Capitão Óbvio)

É de conhecimento geral de que a melhor forma para vencer Tom Brady é pressioná-lo pelo meio da linha. A forma utilizada por Steve Spagnuolo no Super Bowl XLII se tornou quase um mantra na mente dos adversários do New England Patriots nos playoffs desde então.

Claro que essa estratégia deu certo algumas vezes, como no Super Bowl XLII e XLVI e no AFC Championship Game da temporada de 2015, ao mesmo tempo em que o Atlanta Falcons sackou Tom Brady 5 vezes no Super Bowl LI e não conseguiu a vitória. Times como o Indianapolis Colts de 2006 e o Baltimore Ravens de 2012 conseguiram outras estratégias defensivas para vencer o New England Patriots.

Apesar disso, a melhor forma condizente com as capacidades do Philadelphia Eagles aqui é não ceder touchdowns em campanhas na redzone. Como observamos anteriormente, o time lida muito bem com coberturas híbridas. Essa habilidade da defesa de Jim Schwartz pode ser essencial no confronto de pranchetas contra Josh McDaniels.

Mesclar coberturas é essencial para dificultar a leitura de Tom Brady e principalmente não cair no erro do Atlanta Falcons e do Jacksonville Jaguars. Duas defesas fortes em marcação individual mas que na hora decisiva tiveram que mudar para coberturas em zona por causa do cansaço dos atletas. Se o Eagles conseguir marcar com a mesma eficiência das duas formas, tende a levar vantagem e ajudar o front seven a conseguir os sacks.

 

 

Análise Tática #25 – Parte 2: o ataque dos Eagles

A temporada de 2017 foi o ponto de virada do ataque do Philadelphia Eagles. Após o ano de calouro de Carson Wentz, em que houve uma clara regressão na metade final da temporada, os Eagles se tornaram o time mais quente da liga. O balanço com a defesa permitiu com que por semanas o mesmo fosse o melhor time da liga.

Semana 14 da temporada regular, lesão de Carson Wentz e todo o desdobramento que você já leu aqui, então vamos pular essa parte da história. Mas além de contar com o ótimo desempenho de um quarterback reserva, o trabalho de Doug Pederson (HC), Frank Reich (OC) e John DeFilippo (QB coach) foi de extrema importância para atenuar a queda de nível do ataque com Nick Foles.

A Run/Pass Option

Mas como esses três homens encontraram a solução mágica? Bem, imagino que o leitor tenha ouvido repetidamente na temporada regular o chamado termo RPO martelado a exaustão pelos comentaristas da televisão ou no twitter. A Run/Pass Option (ou Ridiculous Protection Offense) é uma forma de simplificar a leitura do quarterback.

Esse sistema foi uma alternativa que os treinadores, principalmente no High School ou no futebol americano universitário encontraram para produzir maiores ganhos de jarda por jogada e não massacrar jogadores novatos com leituras complexas de campo inteiro ou progressões. Os técnicos de NFL adotaram esses esquemas modernos com o mesmo objetivo, encontrar novas formas de vencer.

Na temporada de 2012, vimos a utilização da zone read option a partir de formações pistol, em que o QB lia o comportamento de um defensor específico (geralmente um edge rusher) e optava pelo handoff ao running-back ou corria ele mesmo.

Programas universitários como Army, Navy e Georgia Tech utilizam a triple-option flexbone offense, outro derivado desse conceito, baseado quase que exclusivamente em conceitos de jogo terrestre. A maioria da NCAA costuma adotar a RPO dentro de sistemas de spread offense

O processo da RPO consiste em fazer uma leitura pré-snap ou pós-snap e decidir pelo passe ou pela corrida. Uma jogada é construída adotando um sistema de bloqueios para corrida como base e um conceito de passe com recebedores espalhados pelo campo. A linha bloqueará como se fosse uma corrida e o quarterback observará a reação de um jogador específico que terá tarefa dupla na jogada. Tal atleta é chamado de conflict defender.

As leituras pré-snap em RPO

Um quarterback realiza duas leituras básicas quando trabalha em RPO: contar a relação de jogadores no box (box count read) e quantos defensores cercam a área onde estará seu recebedor primário (ratio read). Se há pelo menos um bloqueador para cada atleta no box, a situação está favorável para a corrida, portanto o QB realizará o hand off.

Caso contrário, deverá olhar para a região do campo designada e realizar contagem semelhante. Aqui, o trabalho do coordenador ofensivo na preparação pré-jogo é essencial, pois se identifica a região do passe e marca-se a hard deck line como limite, geralmente localizada a 7 jardas da linha de scrimmage. Jogadores de defesa além dessa linha não serão considerados, pois estão muito distantes para reagir a tempo e atacar a bola. Esse tipo de procedimento funciona muito bem quando a RPO é construída com conceitos de passe em screen.

As leituras pós-snap em RPO

Em jogadas de passe mais profundo, geralmente o quarterback precisará adotar uma leitura pós-snap. Nesse caso, ele deverá identificar o defensor que terá tarefas de passe e corrida na mesma jogada, outro ponto em que o coordenador ofensivo deverá ser importante.

Esse jogador em conflito tomará um movimento e com base nisso o quarterback tomará sua decisão. Se tal jogador for um linebacker ou um edge rusher, a linha ofensiva sequer precisará bloqueá-lo, tendo em vista que a dúvida sobre o que virá na jogada será o suficiente para tirá-lo de ação.

A Run/Pass Option aplicada pelos Eagles

O Eagles aproveitou a primeira jogada da partida contra os Vikings para testar a Run/Pass Option. Primeira jogada do primeiro drive e evidentemente, a defesa de Minnesota quer conter a ameaça de Jay Ajayi (DjeiAdjai) no jogo terrestre.

Essa condição é propícia para vender a ameaça da RPO, dando à defesa mais uma dimensão a se preocupar, e aumentar a complexidade dos ajustes que deverão ser feitos. Além de passe e corrida, a defesa tem a ameaça intermediária a se preocupar.

Observando a disposição dos atletas em campo, observamos Philadelphia alinhada em 11 personnel, partindo do shotgun e com um set de recebedores em 2×1. O Tight End está do lado direito e terá funções de bloqueio. Jay Ajayi está no strongside (mesmo lado que o TE) e executará uma inside zone junto com a linha.

Nick Foles fará as leituras tradicionais: observar a quantidade de safeties em campo, o posicionamento dos demais defensive backs. Dentro da Run/Pass Option, Foles realiza a box count e percebe que há mais defensores no box que bloqueadores, e a ratio read indica a situação favorável para o passe.

Antes do snap, ele precisa identificar o defensor em conflito, e aqui estamos facilitando e marcamos o mesmo com o quadrado azul. O traço laranja indica a direção que o mesmo tomará quando snap acontecer, em direção a corrida.

O snap ocorre, o defensor em conflito toma o passo em falso e Foles sabe que precisa executar o roll-out para a direita, permitindo que Nelson Agholor executa a rota shallow-cross marcada em laranja, cruzar o campo até o lado direito, em que haverá a vantagem numérica.

Terrance Newman não consegue antecipar a rota (observe os passinhos para trás) e Agholor terá a vantagem física na recepção. First down.

O contraponto: leitura tradicional

Para mostrar a diferença de análise durante uma jogada entre a Run/Pass Option e o Pro-Style, vamos observar uma jogada “normal”, em que Nick Foles executou os procedimentos que todo pocket passer deve fazer na NFL.

Observemos a disposição em campo dos atletas no touchdown longo de Philadelphia logo antes do intervalo. Os Eagles armaram um set de 3×1 recebedores partindo de um 11 personnel no shotgun. O TE Zach Ertz está alinhado em spread, como se fosse um wide receiver, ainda que no slot. Isso indica para a defesa que o mesmo provavelmente correrá uma rota.

Nesse screenshot logo antes do snap, podemos identificar os safeties em campo. Um mais próximo ao box e outro mais distante. Pela situação de relógio e descida-distância, podemos determinar mesmo sem ver as rotas desenhadas, que a jogada será um passe. Outro ponto que ajuda a confirmar isso, basta observar o posicionamento dos jogadores de linha ofensiva, em dois apoios, postura adotada geralmente para recuar e proteger o quarterback.

Quando a jogada se desenvolve, observamos que as rotas dos três recebedores alinhados na parte superior têm o objetivo de inundar o lado esquerdo do campo, atraindo a defesa para lá (conceito flood). Duas rotas out que se quebram em profundidades diferentes e uma rota go.

Do lado direito, vemos Alshon Jeffery vendendo ao seu marcador uma rota post que termina na linha de 35 do campo de ataque. Como o defensor reagiu a esse hook up, Jeffery aproveita-se para criar a separação em direção ao fundo do campo.

Agora concentremos as nossas atenções em como Nick Foles observa o front dos Vikings. É essencial ao trabalho de todo quarterback identificar as techniques dos jogadores de linha defensiva, o que o ajudará a determinar de onde virá a pressão.

Antes do snap, Foles ajusta a pressão, indicando ao left tackle para atentar-se ao speed rush de Everson Griffen. Minnesota tem dois rushers alinhados abertos, formando a wide-9 tech, estância típica de quando o front tem certeza de que vai defender o passe. Danielle Hunter ainda se desloca em stunt para o A-gap, buscando confundir os bloqueios, mas é contido pelo center Jason Kelce, que estava flutuando entre os assignments.

No pass-block tradicional, geralmente os jogadores de linha ofensiva bloqueiam regiões que formam um semicírculo em volta do quarterback. Se algum jogador de defesa estiver pressionando o QB dentro desse determinado ângulo, o jogador de OL responsável pelo tal deverá efetuar o bloqueio. Os stunts são exatamente criados para confundir os bloqueadores quanto a suas tarefas, mas aqui não foi o caso, pela excelente linha ofensiva dos Eagles, mesmo com o desfalque do LT titular Jason Peters.

Voltando ao comportamento de Nick Foles na jogada, observe como ele mantém a cabeça virada para sua esquerda enquanto navega pelo pocket. Enfrentando uma cover 3, ele tenta atrair o safety do meio àquela direção. Foles quase sofre o sack por Griffen, mas ele consegue escalar o pocket até o ponto amarelo e se livrar dos rushers. Nesse momento, ele vira o rosto para a direita e conecta a big play com Alshon Jeffery.

Observando o desenvolvimento da jogada em campo aberto, conseguimos compreender que é nesse momento em que Jeffery consegue a separação em direção à endzone. TD e os Eagles viravam a partida antes do intervalo.

Run/Pass Option versus Pro-Style

Apesar de RPO ser o termo da moda e diferentes técnicos na liga estarem utilizando conceitos em seus playbooks, a leitura em estilo profissional ainda será por muito tempo a mais adequada a se vencer na liga. Dificilmente, veremos um time executar as jogadas de opção como base de seus ataques, mas é claro que essa nova dimensão dada ao jogo merece ser explorada, criando novas formas de vencer os oponentes.

Contra os Patriots, será essencial que o ataque comandado por Doug Pederson saiba executar bem as jogadas de opção e dosá-las na quantidade correta quanto aos conceitos profissionais. A defesa de Bill Belichick é a que melhor se prepara contra o adversário na liga, ainda mais quando o técnico tem duas semanas para explorar jogos anteriores e detectar tendências.

Nenhum time é capaz de vencer os Patriots jogando bem apenas de um lado da bola. A relação de interdependência entre ataque e defesa dos Eagles será importantíssima para que o time consiga manter Brady fora de campo e construir vantagem no placar. Para isso, o time precisará executar suas jogadas, no sistema que for, em um nível próximo a perfeição.

Análise Tática #25 – Especial Super Bowl LII

O ápice da temporada, o maior evento esportivo anual do planeta. O Super Bowl LII em Minneapolis está definido e será o confronto entre o New England Patriots e o Philadelphia Eagles.

Enquanto os Patriots buscam o sexto título de sua história, os Eagles buscam seu primeiro na era Super Bowl. Vencedores nas edições XXXVI (2001), XXXVIII (2003), XXXIX (2004), XLIX (2014) e LI (2016), o time de Massachusetts busca o título em anos consecutivos pela primeira vez desde 2004.

A principal força do time de New England é o ataque comandado pelo QB Tom Brady (prazer, Capitão Óbvio), líder na maioria das estatísticas avançadas, e provavelmente será anunciado MVP no sábado anterior à final.

A defesa do time teve momentos de dúvidas após a lesão de Dont’a Hightower e pela instabilidade do pass-rush. Nos playoffs, a unidade coordenada por Matt Patricia contornou as dificuldades e apareceu em momentos importantes contra Tennessee e Jacskonville, em que pese ter enfrentado ataques pouco explosivos.

Já o Philadelphia Eagles, melhor time da temporada regular, contornou lesões em posições importantes (QB Carson Wentz, LT Jason Peters, RB Darren Sproles e LB Jordan Hicks) e finalizou a primeira posição da NFC.

Nos playoffs, os Eagles contaram principalmente com sua defesa para vencer os Falcons e com a excelente atuação de Nick Foles para bater os Vikings.

Em razão do ponto máximo da temporada, a análise tática das próximas duas semanas virá em textos separados para cada unidade de cada time, (à exceção do special teams). Dois por semana. O espaço amostral da análise será determinado pelas duas partidas de cada time nos playoffs. Confira cada análise nos links abaixo:

Análise Tática #25 – Parte 1: A defesa dos Patriots

Por boa parte da temporada regular, a defesa dos Patriots foi alvo de críticas da torcida e dos especialistas – principalmente após as lesões do calouro Derek Rivers e de Dont’a Hightower, discutivelmente melhor jogador da unidade.

As atuações instáveis de Stephen Gillmore e Malcolm Butler, bem como a fragilidade do pass rush e dos linebackers em rotas laterais foram motivos de preocupação em Foxborough, mesmo que nós saibamos que no final das contas, Bill Belichick sempre encontra um jeito de fazer a unidade produzir.

As estatísticas

Contra Tennessee no divisional round o principal número a se mencionar é os oito sacks obtidos contra Marcus Mariota. Foram 61 jogadas e 27min04s em campo por 10 campanhas, cedendo 65 jardas terrestres em 16 tentativas. Foram 202 jardas aéreas em 22 passes completos de 37 tentados.

Contra Jacksonville no AFC Championship Game, a defesa passou 35min08s em campo, em 71 jogadas divididas em 12 drives. Foram 101 jardas terrestres em 32 tentativas e 273 jardas aéreas em 23 passes completos de 36 tentativas. Dessa vez, foram 3 sacks.

Apesar de boas atuações, em nenhuma das duas partidas a defesa dos Patriots forçou turnovers.

A importância dos sacks contra Tennessee

A defesa dos Patriots colocou o ataque de Tennessee em quinze situações de terceira descida, permitindo apenas cinco conversões.  Dos oito sacks, dois foram nessas ocasiões, em que a defesa forçou os punts.

Em uma unidade em que nenhum jogador é exatamente uma estrela da liga, New England se sobressai principalmente pela leitura pré-snap de cada jogador e a dedicação dos mesmos em cumprir sua função na jogada. Tennessee alinha seus recebedores em um set 2×2 em stack formation, concentrando a defesa no meio do campo.

Observe que o safety Patrick Chung lê o motion de Delanie Walker e o acompanha, dando a entender que o mesmo estará em cobertura individual contra o mesmo, apesar de seu posicionamento de quadril dizer o contrário.

Observe também que o jogador marcado com uma estrela (Corey Davis) está cercado por pelo menos três jogadores de New England. Esse sistema de cobertura é constantemente utilizado por Belichick e Patricia para anular recebedores velozes dos adversários. Pelo menos dois jogadores irão marcar o principal WR em uma combinação de marcação individual e zona half, semelhante à cobertura cover 2-man, porém acontecendo em apenas um lado do campo..

No momento em que a jogada se desenvolve, a secundária rotacional de um desenho de cover 2 para uma cover 1, com todas as rotas tendo pelo menos um jogador marcando individualmente. É como se New England tivesse uma superioridade numérica na cobertura, portanto, nenhuma rota dará uma janela de passe confiável para Mariota.

No front, temos os seguintes alinhamentos de techniques (9-0-3-8), enquanto o defensor na 3-tech (Rufus Johnson) ficará de QB-Spy em Mariota. Trey Flowers na 9 tech é o jogador que traz a pressão pelo speed rush, forçando Mariota a escalar o pocket. O espaço preenchido por Rufus Johnson tira a possibilidade do scramble de Mariota e ajuda a Deatrich Wise a fechar o sack.

Como mostramos no texto sobre a defesa do Jacksonville Jaguars, esse é um tipo de sack obtido graças à excelente cobertura, o chamado sack-coverage.

O cover 2-man aparece empregado em sua totalidade nessa jogada no terceiro quarto, o segundo sack em terceira descida conquistado pelo New England Patriots. Pela situação, consideremos que o alvo principal seja Delanie Walker no meio do campo, por ser o recebedor mais confiável e ter o melhor matchup em tese.

Walker é marcado de forma individual, enquanto no flat do lado esquerdo de campo, o esquema de cover 2 anula o checkdown de Marcus Mariota. Ele novamente está sem opções para passar a bola, enquanto enfrenta um 3-men rush com spy. Observemos o front de New England.

Dessa vez a linha varia o alinhamento das techs para 9-4-0-8, com o defensor na 4-tech em QB Spy. Com o objetivo de prender Mariota no pocket, o flat do lado esquerdo está coberto por uma marcação em zona, enquanto no lado com a marcação individual, está justamente posicionado o espião. Além disso, esse é o lado em que a pressão vem pelo speed rush.

Adam Butler (#70) ataca pelo A-gap do lado direito da linha enquanto Kyle Van Noy (#53) permanece em spy. Essa combinação é suficiente para gerar pânico em Mariota e fazer com que o mesmo tire o olho de suas progressões. Mais um sack em terceira descida.

Os ajustes contra o jogo corrido de Jacksonville

É de conhecimento geral que o ataque do Jacksonville Jaguars é uma unidade predicada ao jogo terrestre. Como mostrado anteriormente, foram 101 jardas em 32 tentativas, uma média 3.2 jardas por corrida, abaixo do ideal de 4 YPC (yards per carry). Considera-se tal valor para determinar que o jogo terrestre de uma unidade foi bem aplicado durante a partida.

Essa jogada no segundo quarto mostra como o Jacksonville Jaguars estava utilizando conceitos de misdirection para utilizar o jogo corrido de Leonard Fournette. O misdirection aplicado ao jogo terrestre tem o objetivo de tirar alguns jogadores da defesa da direção da jogada.

Aqui, os jogadores alinhados em trips-bunch se deslocarão para a direita, atraindo os defensores marcando em zona para aquele lado. O movimento de Blake Bortles vendendo o draw ajuda a dar veracidade a essa tentativa.

A corrida se desenvolve como uma outside zone para o lado direito, com Fournette atacando o espaço entre o left guard e o center (A-Gap). Observe que ficam apenas 5 jogadores do lado em que se desenvolve a jogada, e apenas o safety Patrick Chung não está bloqueado, podendo reagir ao tackle. Fournette consegue ganhar 13 jardas na jogada, em drive que terminaria em touchdown para os Jaguars.

Observemos agora os Jaguars realizando uma inside zone no início do último quarto da partida, quando os Patriots buscavam a virada no placar. Conter Leonard Fournette e Corey Grant foi um dos pontos chave para que o Patriots tivesse tempo de relógio, considerando o jogo quase limpo em termos de turnovers (apenas Myles Jack forçou um fumble em drives anteriores).

O leitor já deve estar familiarizado com o sistema de zone blocking, o jogador bloqueará o adversário à sua frente ou ajudará o bloqueio ao seu lado na direção em que a jogada se desenvolve, de olho na possibilidade de atacar o segundo nível da defesa.

Observe pelo alinhamento dos recebedores, que os Jaguars tentarão repetir o misdirection. Mas provavelmente pela análise de tendências e situação da partida, os Patriots basicamente sabem que será uma corrida. Bill Belichick se sobressai como técnico exatamente nesse ponto, New England quase sempre faz os ajustes corretos no segundo tempo de jogos importantes, mesmo nas derrotas.

Malcom Brown consegue fechar o tackle a partir da 0-tech, após receber apenas o bloqueio do center de Jacksonville. Com os linebackers fechando as opções no mesh point de Fournette, o mesmo não consegue ganhar mais que duas jardas.

Uma unidade que mesmo sem jogadores de elite é capaz de ajustar tão bem graças à competência de seu coaching staff. Essa capacidade foi importante para os Patriots diante dos Falcons no Super Bowl LI e deverá ser novamente fundamental em Minneapolis.

Dessa vez, Belichick e Matt Patricia deverão estar atento a uma arma que já os derrotou na temporada, a Run-Pass-Option, dessa vez empregada pelos Eagles.

Análise Tática #24 – Rodada Divisional: A defesa do Jacksonville Jaguars

Chegamos à rodada divisional dos playoffs da temporada de 2017 da NFL, também conhecida como semifinais de conferência. No último domingo, o Jacksonville Jaguars avançou ao AFC Championship Game após uma vitória contra o Pittsburgh Steelers por 45 a 42.

Mesmo cedendo 42 pontos, a defesa de Jacksonville fez jus a reputação de melhor da NFL, principalmente contra um ataque poderoso como dos Steelers (falamos sobre o mesmo aqui). Utilizamos esse texto como referência, e agora vamos entender como a defesa comandada por Doug Marrone dificultou a vida de um ataque lotado de skill players como Pittsburgh.

O Depth Chart

A defesa majoritariamente montada por Gus Bradley atingiu seu potencial na gestão de Doug Marrone e Tom Coughlin, e coordenada por Todd Wash.

Fonte: ESPN

As adições de Marcell Dareus, Barry Church, AJ Bouye e Calais Campbell, possível jogador defensivo do ano, tornaram assustadora uma defesa que já tinha potencial para ser uma das melhores da liga. Foram 21 interceptações, 2 delas retornadas para touchdown, 17 fumbles forçados, 5 deles retornados para touchdown, e 55 sacks.

Em termos de estatísticas avançadas, a defesa dos Jaguars foi a primeira em DVOA (-16,1%), a quarta em Defesa Ponderada (-13,0%), essa estatística considera a importância maior dos últimos jogos da temporada. Ainda falando em DVOA, temos os Jaguars como primeiros em defesa contra o passe (-27.5%) e vigésimo-sextos contra a corrida (-2,8%).

Agora, uma estatística fornecida pelo Football Outsiders que eu gosto muito e ajuda a contextualizar as mencionadas no parágrafo anterior: a defesa dos Jaguars foi a vigésima-nona em variância (7,6%). Essa estatística mede a consistência do time, e combinada com o DVOA, podemos determinar que a defesa teve vários jogos excepcionais e outros na média.

DEF. DVOA

DEFESA PONDERADA RANK DEFESA PASSE RANK PASSE DEFESA CORRIDA

RANK CORRIDA

-16,1% -13,0% 400,0% -27,5% 1,0% -2,8% 26,0%

Não-Ajustado

VAR RANK FORÇA DE TABELA (DVOA) RANK
TOTAL PASSE

CORRIDA

-19,0% -32,5% -3,4% 7,6% 29,0% -5,1% 31

Individualmente, o destaque vai para Calais Campbell, com 14,5 sacks e Jalen Ramsey, com 4 interceptações e 7 passes desviados. Ambos foram selecionados para o 1st team All-Pro. Além deles, Malik Jackson e AJ Bouye foram selecionados ao Pro Bowl.

Estatísticas da partida

Contra os Steelers, a defesa dos Jaguars permaneceu em campo por 31 minutos e 10 segundos 78 jogadas ao todo, forçou 2 turnovers e cedeu 28 first downs. Foram 462 jardas de passe em 37 passes completos de 58 tentados e 83 jardas em 18 corridas. Dados obtidos pelo game chart da ESPN.

O Steelers sempre esteve atrás do placar, o que explica o desequilíbrio na proporção passe-corrida. Ben Roethlisberger teve 8,61 ANY/A (Adjusted Net Yards per Attempt), valor acima da média cedida pelos Jaguars durante toda a temporada.

Estatisticamente, pode parece não ter sido a melhor partida pela defesa dos Jaguars, em que pese o valor da variância apresentada pelo time ao longo da temporada. Entretanto, essa unidade apareceu em momentos-chave, forçando sacks e turnovers em drives que ajudaram o time a manter sempre a vantagem no placar.

Sacksonville

Os sacks conseguidos pela defesa de Jacksonville contra os Steelers reforçam bem a relação de mutualismo entre front e secundária. O conceito de sack-coverage se estabelece quando a cobertura atua tão bem ao não deixar espaços livres no fundo de campo que a linha ofensiva adversária não consegue segurar o pass rush. O quarterback não tem opções para se livrar da bola e sofre o sack.

Observe o que a defesa causa com as rotas internas, ambas são direcionadas ao mesmo ponto, tirando de questão duas opções. Myles Jack em zona acompanha LeVeon Bell, anulando o checkdown. Roethlisberger faz um 3-step dropback, tenta navegar pelo pocket até o momento em que é sackado por Yannick Ngakoue. A bola escapa e Telvin Smith a retorna para touchdown.

Pela visão do front, observa-se que temos dois defensores alinhados em 9-tech (Campbell e Ngakoue) contra o empty backfield dos Steelers.

Ngakoue vende o speed rush para Villanueva, quebra para dentro e consegue arrancar a bola de Roethlisberger pelas costas.

O segundo sack da partida, acontecido quando o placar estaca 28 a 7 para Jacksonville, desenha-se da seguinte forma:

Novamente um conjunto de rotas longas tentando atacar o meio do campo, que os Jaguars marcam rotacionando um conceito de cover 2 a partir de uma cover 1. Roethlisberger se concentra no lado esquerdo do campo e perde o TE Vance McDonald aberto no flat. Observe como os Jaguars não têm medo de deixar alguns pontos do campo abertos em prol de conter os skill players de Pittsburgh.

O front novamente está alinhado em wide 9 technique (Dante Fowler Jr. e Yannick Ngakoue). Fechando a linha defensiva, temos Calais Campbell em 4-tech e Marcell Dareus em 3-tech.

Calais recebe um double team do center e do left guard, abrindo espaço para Dareus invadir o backfield com um corte para dentro. Big Ben não consegue se livrar da bola e aceita o sack.

Interceptação

Agora vamos analisar a jogada da interceptação de Myles Jack sobre Bem Roethlisberger quando o placar ainda marcava 7 a 0 para Jacksonville.

O ataque dos Steelers se alinha em seu tradicional 11 personnel, tendo LeVeon Bell alinhado do lado forte e um set de recebedores em 2×1. A leitura aqui se dá entre o TE Jesse James e o WR Juju Smith-Schuster. Rotas out e dig, respectivamente, que se cruzam e se quebram em amplitudes diferentes do campo.

Jesse James reconhece Myles Jack como seu marcador e tenta fazer o bump-and-run no momento da quebra de rota, porém o linebacker conta com seu atleticismo e se recupera na marcação, tendo tempo de saltar em direção à bola no momento em que o passe chega.

Para deixar a jogada ainda melhor, Myles Jack ainda mostra seu controle de corpo e concentração para pegar a bola desviada por si mesmo e pisar com os dois pés dentro de campo.