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Porque, eventualmente, as coisas têm que dar certo

A maldição de Bobby Layne

Bobby Layne comandou Detroit em três títulos da NFL, até ser trocado em 1958. Ele havia se machucado na última temporada, e os Lions decidiram mandá-lo para Pittsburgh. Ao deixar a cidade, Layne praguejou: seu ex-time não venceria mais nada por 50 anos.

Dito e feito. No intervalo da “maldição”, Detroit só venceria um jogo de playoff – em 1991, o suficiente apenas para não ser a franquia há mais tempo sem vencer na pós temporada. Desde aquela partida, são oito viagens aos playoffs. E oito derrotas.

A maldição deveria terminar em 2008. Naquele ano, a torcida até acreditou que o azar havia acabado, com um grand finale digno de cinema: a temporada marcou os Lions para sempre na história, como o único time a perder todos os dezesseis jogos. Dali pra frente, não dava para cavar mais fundo. A franquia só podia ir para cima. Porém, como não estamos em Hollywood, Detroit até melhorou nos anos subsequentes, mas nada que fizesse o torcedor bater no peito com o orgulho e bradar: “Aqui é Lions, PORRA!!!

Força, amigo.

A desgraça, ela é eterna

Todo time é feito de ídolos. Sem eles, você acaba sendo um New England Patriots: a menos que o melhor técnico de todos os tempos e um menino de ouro salvem a franquia do anonimato, ninguém conhecerá sua história.

Antes que você, torcedor dos Patriots, destile seu ódio nesse texto sobre o Lions, pare para pensar em quantos ídolos você conhece antes de Brady – não vale citar Drew Bledsoe.

Nota da edição: Procuramos por Patriots Idols no Google Imagens e só vimos fotos de jogadores recentes ou da década passada. Então deixamos essa menção aleatória ao time de New England passar.

Mas, e se os ídolos do seu time resolverem parar de jogar por ele, porque simplesmente não aguentam mais? É o caso dos Lions.

Barry Sanders, o maior ídolo da franquia, resolveu se aposentar porque estava insatisfeito com a incapacidade dos Lions de montar um time competitivo. “Era difícil me manter focado em motivado“, Sanders contou em seu livro, que revelou para o mundo o verdadeiro motivo de sua aposentadoria.

Com Calvin Johnson Jr. não foi diferente. O jogador, que abandonou a NFL quando ainda poderia produzir muito, também demorou, mas revelou os motivos de sua aposentadoria: “Não via a chance de eles ganharem um Super Bowl na época. Pelo trabalho que eu fazia, não valia meu tempo continuar batendo a cabeça na parede, e não chegar a lugar nenhum.”

Não os culpamos.

O messias e seus amigos

Finada a maldição de Bobby Layne, os Lions esperam que um homem leve a franquia de volta para o caminho das vitórias: Matthew “is he worth it?” Stafford. Stafford é o quarterback de Detroit desde 2009, quando foi escolhido na primeira escolha geral do draft. Hoje ele é o jogador mais bem pago da liga – amanhã será outro QB de outro time desesperado.

Matthew é um bom jogador, mas possui números bastante questionáveis quando joga contra times com um winning record. Ao menos é a maior certeza que o time tem na posição de quarterback desde que as cores existem.

A banda agora é de um homem só.

Jogando na posição de running back, os Lions contam com Ameer Abdullah e Theo Riddick. O primeiro é mais eficiente correndo com a bola, enquanto o segundo é melhor recebendo passes. Se eles conseguirem se manter saudáveis (não foi o caso em 2016), o backfield pode ser bastante produtivo. Ao menos Zach Zenner, atualmente o segundo melhor RB branco da liga, se mostrou um backup razoável.

O corpo de WRs será comandado por Golden Tate, um dos jogadores mais divertidos da NFL. Marvin Jones Jr, porém, irritou muito a torcida no ano passado, mas já teve seus momentos de destaque. Fecha o grupo Kenny Golladay, que, após jogadas brilhantes na preseason, entrou no radar de muita gente como futuro membro do Hall da Fama – o futuro sem Calvin Johnson realmente não parece muito empolgante. 

Não espere, neste site, mais uma take do tipo “esse é o breakout year do Eric Ebron!“. Nós não diremos isso, porque não será. E é bem possível que Michael Roberts, escolha de quarta rodada esse ano, se destaque mais que ele.

A linha ofensiva foi reforçada durante a offseason, mas perdeu o OT Taylor Decker, que só deve voltar de lesão no meio da temporada. Para o seu lugar, o time trocou dois bonés por Greg Robinson, que é péssimo. Será a missão de Graham Glasgow, Travis Swanson, TJ Lang e Rick Wagner consertar suas eventuais cagadas. Eles são bons jogadores, se pelo menos isso serve de alento.

Tentando ser boa pela primeira vez na história

Começando pela linha defensiva, a defesa de Detroit está repleta de incertezas. A’Shawn Robinson, escolha de segunda rodada em 2016, e Haloti Ngata, já em final de carreira, jogam pelo meio. Com a perda de Kerry Hyder, Ziggy Ansah deve ser o único pass rusher de destaque da equipe.

O corpo de linebackers não era bom, e os reforços que vieram também não são certezas absolutas, o que preocupa. Jarrad Davis não foi a escolha mais empolgante da primeira rodada desse ano, e Paul Worrilow também é recém-chegado, mas vem de uma temporada decepcionante em Atlanta – onde perdeu a titularidade. Tahir Whitehead teve um bom ano em 2016, e talvez seja o jogador mais confiável do grupo.

A secundária é comandada por Darius Slay, um dos melhores cornerbacks da liga. Opostos a ele, Nevin Lawson e Teez Tabor, escolha de segunda rodada, devem revezar a titularidade. O safety Glover Quin tem sido um bom jogador em Detroit, e agora jogará ao lado do pouco-inspirador Tavon Wilson.

Palpite: O time dos Lions não empolga. A ida aos playoffs no ano passado foi algo aleatório, e esse ano a briga será para não ser o pior time da divisão. A equipe conseguirá vencer no máximo meia dúzia de jogos em 2017. A ideia de ser grande vai continuar para o futuro. Essa também será a última temporada (graças a Deus) de Jim Caldwell como um head coach da NFL.