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A última cartada?

Enquanto Drew Brees for o quarterback do New Orleans Saints, eles continuarão sendo candidatos ao título da NFC. Com seu franchise QB completando 39 anos, porém, a franquia está ciente de que sua janela para alcançar mais um Super Bowl está se fechando rapidamente.

Sean Payton é um treinador muito inteligente – afinal, ele está milionário graças a um devaneio em forma de onside kick em uma já distante noite de fevereiro de 2010 – e sabe que precisa deixar tudo em campo nesta temporada.

Como mencionado, Drew completou 39 primaveras na última offseason e, bem, com 38 ele alcançou quase 4400 jardas, 23 TDs e teve apenas oito interceptações – vale lembrar: se não fosse por um erro bizarro, teria levado o Saints ao NFC Championship. Mas como já diria meu avô: “se tivesse um rio aqui, eu estaria pescando – e não falando besteira”.

De qualquer forma, aqueles mais atentos aos números poderão afirmar que 2017 indica um declínio na carreira de um dos grandes quarterbacks da história – para comparar, em 2016, Brees (mais uma vez), havia ultrapassado as 5000 jardas (com 37 touchdowns).

Os números, porém, ocultam outra verdade: pela primeira vez, me muito tempo, New Orleans não dependeu exclusivamente de seu ataque aéreo e pôde avançar pelo chão – se iniciou o último ano com Adrian Peterson (por que, meu Deus?), Mark Ingram e Alvin Kamara, logo ficou claro que aposta em AP era uma furada, e errado é quem esperava diferente. Brees continuou extremamente preciso (72% das tentativas completadas na temporada passada) e, embora a força de seu braço tenha naturalmente diminuído, ele compensa com inteligência: poucos são tão eficientes em identificar e adaptar a jogada ao ponto fraco do adversário quando ele é exposto.

E mesmo que Ingram tenha tido números relativamente sólidos, foi Kamara quem impressionou: com uma média de mais de 6 jardas por tentativa, o rookie RB ainda conseguiu 826 jardas aéreas (em apenas 81 tentativas, média superior a 10), marcando 13 TDs em seu primeiro ano na NFL.

As recepções de Kamara, aliás, são um caso à parte: muitas delas não fazem o menor conexão com a lógica, são apenas momentos em que alguma entidade divina que controla o esporte escancara diante de nossos olhos que nada faz sentido e você precisa lidar com isso; Brees simplesmente atirava a bola para o lado e Alvin encontrava espaços – espaços estes que devem aumentar em 2018, mesmo que Ingram esteja suspenso pelos quatro primeiros jogos (para seu lugar o Saints trouxe Terrance West e, bem, não vamos perder tempo com ele).

Com o ataque terrestre a ponto de se consolidar entre os melhores da liga, os Saints tentam aperfeiçoar as opções aéreas: na offseason buscaram Cameron Meredith (ex-Chicago Bears), que parecia destinado a um ano sólido, interrompido por uma lesão ainda na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada!).

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Meredith terá ao seu lado Michael Thomas (196 recepções em apenas dois anos), alvo em total sinergia com Drew, sobretudo em na redzone ou em 3rd downs – quanto a Ted Ginn, bem sejamos justos e adotemos a mesma diretriz estabelecida com Terrance West: vamos apenas seguir em frente.

Para suprir a ausência (haha) de Coby Fleener na posição de TE, o Saints tentou repatriar Jimmy Graham (que não superou o divórcio e escolheu Green Bay) e, como consolação, trouxe dos mortos Ben Watson (37 anos e 61 recepções por Baltimore na última temporada, contra 74 recepções para 825 jardas pelo próprio Saints dois anos atrás).

Já a linha ofensiva, se não é um PUDIM, está longe de ser um SAGU: saudável, Terron Armstead é um excelente jogador e, bem, Ryan Ramczyk, é uma futura estrela (aceitem) e extremamente eficaz pelo lado esquerdo.

O outro lado da bola

Após anos fedendo, New Orleans investiu alto, seja com escolhas de draft ou mesmo queimando dólares desesperadamente na free agency, para reformular o sistema defensivo. Os resultados começaram a aparecer – e se não estamos no céu, a 17ª posição em 2017 é algo a se comemorar.

O ponto de virada para o Saints voltar a disputar a NFC South, porém, foi a secundária: Marshon Lattimore se provou uma excelente escolha e surgiu como uma melhores CBs da liga – ao seu lado, Ken Crawley, apenas de não ter o mesmo nível, é um bom atleta e eficaz dentro do sistema.

Já a sólida temporada rookie do S Marcus Williams, porém, foi ofuscada após o tackle frustrado em Steffon Diggs – mas uma aposta certeira é que Williams tem talento para superar o peso de sua falha. Na linha defensiva, o DE Cameron Jordan segue como referência: vindo de uma temporada em que teve 13.5 sacks, Jordan é considerado uma dos melhores atletas da posição e líder indiscutível em New Orleans.

Ao seu lado estará Marcus Davenport, selecionado com a 14ª escolha no último draft em um trade up que, bem, ninguém entendeu – agora as expectativas com Marcus são extremamente altas, apesar de ser mais cru que aquele churrasquinho de esquina. Há ainda Sheldon Rankins, que sofreu com lesões em seu primeiro ano, mas melhorou consideravelmente em sua segunda temporada, e Tyeler Davison, selecionado na quinta rodada e que, dizem os especialistas (a equipe Pick Six não se enquadra, tampouco pretende, estar nesta categoria), será eficiente contra o jogo corrido. Spoiler: você, caro leitor, verá jogos dos Saints e provavelmente não notará a existência do jogador.

Palpite:

New Orleans acredita que os últimos anos investindo em talento defensivo darão ainda mais resultado; Sean Payton, claro, sabe que não pode assistir seu QB envelhecer marcando 40 pontos por jogo (enquanto a defesa entrega 50): ele já fez isso por dois ou três anos, é hora de adotar uma nova estratégia. Em um cenário catastrófico, bem, talvez eu esteja cego pela paixão por ter apreciado Drew Brees nos últimos anos e não consiga ver uma ou outra falha já evidente em seu jogo (não consigo e, bem, tentar me mostrar não irá adiantar). De todo modo, hoje o Saints têm um dos melhores sistemas ofensivos da liga e uma defesa (compreensivelmente) subestimada (após anos cheirando cocô). Em um cenário em que Tampa Bay é uma eterna incógnita, Steve Sarkisian está em um projeto consolidado para destruir o ataque do Falcons e Cam Newton pode dar um chilique a qualquer momento, vencer a NFC South – e 10 jogos, apesar da tabela ingrata – não é uma aposta tão insegura assim. Depois disso, basta torcer para que ninguém tenha uma pane mental na pós-temporada.

Nota do editor: o chefe do site adora parênteses e regionalismos da Rússia Brasileira.

Refazendo o Draft 2017

Todos amamos o draft: mesmo sem assistir boa parte dos jogadores achamos que entendemos alguma coisa, afinal durante abril qualquer beco da internet tem seu próprio mock.

Mas a verdade é que nem aqueles que são pagos pra avaliar jogadores não têm a menor ideia do que estão fazendo: mesmo os melhores “talent evaluators” fazem algumas escolhas – e draft completos – extremamente questionáveis.

Só existe um exercício que permite acertar em cheio as escolhas: refazê-las. E é por isso que faremos esse divertido ensaio por aqui, porque estar certo só não é melhor que ver o New England Patriots perdendo.

Algumas regras simples: como o board está diferente, retiramos as trocas que foram feitas durante o evento. Não faria sentido para Chiefs e Texans trocar pra cima com uma oferta diferente do que aconteceu em 2017. Além disso, o cenário é basicamente aquele de maio/2017: as escolhas de Bengals e 49ers mostrarão isso.

1 – Cleveland Browns: Deshaun Watson (Texans) 

O mais curioso é que os Browns poderiam ter escolhido o melhor QB da classe na #14, porém… Browns. Os fãs de Sashi Brown não querem que você perceba isso, mas Watson vale mais do que a escolha #4 que o time conseguiu por ele.

Já ficava lindão de laranja.

2 – San Francisco 49ers: Marshon Lattimore (Saints) 

Richard Sherman só chegou um ano depois e nem solução sabemos se é. O 49ers pega o melhor CB da classe e que tem potencial pra ser All Pro. O time vai atrás de Kirk Cousins na janela do ano que vem, só não vê quem não quer.

3 – Chicago Bears: Patrick Mahomes (Chiefs)

Mitch Trubisky mostrou vários nada em 2017. O time ainda tem fé nele, mas tudo indica que Patrick Mahomes será um QB melhor.

4 – Jacksonville Jaguars: Kareem Hunt (Chiefs) 

Leonard Fournette foi bem, mas Kareem Hunt foi melhor. Um time que tem Blake Bortles tem que tirar a bola das mãos dele mesmo.

5 – Tennessee Titans: Juju Smith-Schuster (Steelers)

Se é pra fazer um reach por um Wide Receiver, que pelo menos seja pelo melhor da classe, ao menos pelo que vimos em 2017.

6 – New York Jets: Jamal Adams (Jets) 

Nada como ter uma boa peça para começar a reconstruir a secundária, o que se mostrou claramente um dos planos da equipe nos últimos dois anos.

7 – Los Angeles Chargers: Pat Elflein (Vikings)

O time focou em reforçar o interior da linha em 2017, e escolher um dos melhores rookies do ano que pode jogar como Guard ou Center ajudaria a manter Phillip Rivers vivo pelos próximos anos.

8 – Carolina Panthers: Alvin Kamara (Saints)

Alvin Kamara foi o que se esperava de Christian McCaffrey. Não precisamos falar mais nada.

9 – Cincinnati Bengals: Cam Robinson (Jaguars) 

A linha ofensiva foi deprimente em 2017. Muito melhor escolher um LT que um WR que você está pensando em transformar em CB. 

10 – Buffalo Bills: Mitch Trubisky (Bears)

Esperando um ano atrás de Tyrod Taylor, Mitch dá aos Bills a oportunidade de não se desesperar por um QB de 2018 em diante.

11 – New Orleans Saints: Tre’Davious White (Bills)

Não tendo mais Marshon Lattimore, os Saints conseguem um CB de nível de Pro Bowl do mesmo jeito.

Não preciso nem pegar o avião pra se mudar.

12 – Cleveland Browns: Myles Garrett (Browns) 

O mundo dá voltas. Talvez se tivesse jogado todos jogos da temporada, Garrett estaria mais valorizado aqui.

13 – Arizona Cardinals: Evan Engram (Giants) 

Não dá pra lançar bolas só pra Larry Fitzgerald e querer ser feliz ao mesmo tempo.

14 – Philadelphia Eagles: Leonard Fournette (Jaguars)

O time, à essa altura, não tinha RB. E Fournette jogando nesse ataque ao lado de Carson Wentz seria divertido demais.

15 – Indianapolis Colts: TJ Watt (Steelers) 

O time tem uma quantidade enorme de buracos, e pass rusher é uma delas. Bem, não é como se o Colts fosse ser bom mesmo, então o ideal é ir adicionando talento.

16 – Baltimore Ravens: Corey Davis (Titans) 

O jogo contra os Patriots mostrou que Davis pode ser um bom jogador. Como é WR e foi para o Ravens nesse cenário, provavelmente não será.

17 – Washington Redskins: Jonathan Allen (Redskins) 

Allen foi bem até se machucar. Não tem porque o Redskins fazer diferente aqui.

18 – Tennessee Titans: Derek Barnett (Eagles)

Barnett fazia parte da rotação dos Eagles, e se fosse titular absoluto provavelmente teria um impacto ainda maior. Faz sentido para o Titans.

19 – Tampa Bay Buccaneers: Dalvin Cook (Vikings)

Os Bucs queriam Cook, e dessa vez não inventaram moda.

Dias de um futuro esquecido.

20 – Denver Broncos: Ryan Ramczyk (Saints)

Bolles não foi tão mal, mas Ramczyk foi um OT melhor.

21 – Detroit Lions: Adoree’ Jackson (Titans)

Nada como um CB para jogar oposto a Darius Slay. O torcedor dos Lions (o único que conheço) não gostava de Nevin Lawson.

22 – Miami Dolphins: Solomon Thomas (49ers)

Thomas não empolgou em 2017, mas ainda podemos esperar algo dele daqui pra frente. De qualquer forma, Charles Harris também não empolgou mesmo.

23 – New York Giants: Garett Bolles (Broncos)

Porque Eli Manning precisa de mais de um segundo para lançar a bola.

24 – Oakland Raiders: Marcus Williams (Saints) 

Alguém precisa interceptar bolas nessa defesa, e Marcus Williams é esse cara. Não deixe a jogada que marcou sua carreira até aqui te enganar: Williams é um baita jogador.

25 – Houston Texans: Christian McCaffrey (Panthers)

Se o time ainda não tem um QB, que pelo menos consiga um jogador versátil pra tirar a bola das mãos de seja lá quem estiver lançando a bola.

26 – Seattle Seahawks: Dion Dawkins (Bills)

A linha ofensiva é medonha. Dion Dawkins deixou o Bills confortável para trocar Cordy Glenn e com certeza é melhor que seja lá quem o Seahawks escala na ponta da OL.

27 – Kansas City Chiefs: DeShone Kizer (Browns)

Kizer foi colocado numa situação impraticável em Cleveland. Em Kansas City ele teria a oportunidade de não ser fritado. Andy Reid confia no próprio taco a ponto de fazer essa escolha.

28 – Dallas Cowboys: David Njoku (Browns) 

Jason Witten é imortal, mas nem tanto.

29 – Green Bay Packers: Carl Lawson (Bengals) 

Clay Matthews não é confiante como pass rusher há muito tempo. E Carl Lawson jogou mais que muito jogador escolhido na primeira rodada.

30 – Pittsburgh Steelers: John Johnson III (Rams)

Porque o time precisa de ajuda na posição de Safety. Alguém precisa derrubar Chris Hogan correndo livre por aquela secundária.

31 – Atlanta Falcons: OJ Howard (Buccaneers) 

OJ não correspondeu as expectativas em 2017, mas não é todo TE que joga bem como calouro.

32 – New England Patriots: Takkarist McKinley (Falcons)

Porque esse time não tinha pass rusher nem quando terminaria a temporada invicto.

A alegria de vazar da NFC.

É mais difícil do que parece, amigos.

O New Orleans Saints está voltando

Esses dias, twettamos:

O caso da franquia de Nova Orleans não é diferente. O time sempre foi carregado pelo lendário desempenho de Drew Brees (é assim desde 2006), quando chegou junto com Sean Payton para mudar uma história fracassada dos Saints: o time não ganhou nenhum jogo de playoff durante o século XX e apenas um até a chegada deles; desde então, são seis vitórias em cinco aparições nos playoffs (também igualando a marca da franquia pré-Brees), incluindo o Super Bowl XLIV – e, válido lembrar, jogos eletrizantes perdidos para Marshawn Lynch em 2011 e Alex Smith em 2012; invariavelmente o Saints nos playoffs tem nos trazido coisa boa.

Entretanto, durante a inter-temporada de 2012, o famoso Bountygate foi descoberto e líderes importantes da equipe, como o LB Jonathan Vilma e o DE Will Smith foram envolvidos, obviamente não colaborando com a estabilidade da equipe – que já não contava com o DC Gregg Williams (hoje, surpreendentemente, ainda na NFL, trabalhando nos Browns). Foi o primeiro 7-9 de quatro que viriam em cinco anos.

Apesar da melhora em 2013 (11-5), os anos que seguiram foram de dar orgulho para Jeff Fisher: se Drew Brees seguia quebrando recordes (liderando a liga em jardas passadas em 2014-16), elevando o nível dos jogadores a seu redor e comandando um ataque top 10 como já era habitual, obviamente o problema estava do outro lado, com uma defesa eternamente entre as cinco piores da liga, tanto em jardas como em pontos.

A liderança de um rookie (ou vários)

Cameron Tyler (“Cam” para os mais chegados) Jordan é o principal nome da defesa dos Saints desde que foi draftado, em 2011. Desde 2012, quando assumiu a titularidade, ele acumula uma média de de 9.1 sacks por temporada em um esquema em que ele é responsável por fazer muito do serviço sujo nas trincheiras, como proteger contra o jogo corrido e abrir espaço para os LBs; até 2015, ele era DE em um 3-4. Com um pouco mais de liberdade que ganhou em 2017, Jordan recebeu pela primeira vez a honraria de First Team All-Pro da NFL: afinal, provavelmente nenhum outro jogador conseguiu acumular 13 sacks enquanto também adicionava 12 passes desviados (bons números para mostrar o terror que Jordan causa nos QBs adversários).

Apesar de ser um craque que merece receber as glórias agora que finalmente a defesa parece estar encaixada (já que Cam é o único ponto positivo há anos em um sistema medíocre), a jovem secundária é quem ganhou, merecidamente, maior destaque. Em uma posição em que tradicionalmente se toma tempo para se desenvolver (Xavier Rhodes e Aqib Talib, por exemplo, sequer iniciaram todos os seus jogos quando novatos), Marshon Lattimore não só se mostrou pronto para ser titular poucos meses depois de ter sido escolhido na 11ª posição do draft, como para ser um dos melhores cornerbacks da liga em 2017 (7º melhor, de acordo com a PFF), somando cinco interceptações, uma visita ao Pro Bowl e dois prêmios de Defensive Rookie of the Month, o primeiro jogador na história a consegui-lo.

Mais interessante é que Lattimore não fez parte de um grupo sólido de veteranos. Excetuando Kenny Vaccaro (na IR, portanto indisponível para ajudar a equipe durante os playoffs), que já não é mais o pesadelo como matchup que era quando chegou a liga, o resto da secundária era composta por mais novatos ou segundoanistas: Vonn Bell, que chegou à liga da segunda rodada de 2016; Marcus Williams, da segunda rodada desta temporada, que também já chegou metendo quatro interceptações; e Ken Crawley, undrafted em 2016. Um conjunto interessante que, mesmo tendo executado um trabalho apenas suficiente, mostra um potencial altíssimo – supondo que continue desenvolvendo-se para o futuro.

Turminha do barulho.

Drew Brees precisava de ajuda

Podemos dizer negar e torcer pelo contrário, mas a idade chega para todos. Por mais incrível que seja, até mesmo para Brees ela começaria a pesar – obviamente ele ainda é um Hall of Famer, mas seus números já não são os mesmos do MVP absoluto que carregava a equipe independentemente do que tivesse ao redor: basta olhar os “míseros” 23 TDs lançados, menor valor desde seu segundo ano na liga, e os 386 passes completos, menor valor desde 2009 (!), mesmo que ainda maior número na liga – nada que o tenha impedido de bater o recorde de % de passes completos marcado por Sam Bradford ano passado.

A solução lógica? Adicionar boas peças a seu redor. Obviamente a troca de Bradin Cooks parecia bizarra, mas a melhora na linha ofensiva (foram cedidos apenas 20 sacks em 2017) trazida pelo RT Ryan Ramczyk, trazido com a escolha da trade por Cooks, e o RG Larry Warford, com o dinheiro que seria destinado a Cooks, foi parte importante.

Os skill players foram ainda mais impressionantes; Michael Thomas continua tão assustador quanto possível e é um dos WRs mais confiáveis da liga, enquanto Ted Ginn volta e meia descola uma grande jogada para ajudar o jogo. Mais assustadores ainda são os “reservas de Adrian Peterson”.

Assim que Adrian foi trocado, na bye da equipe na semana 5, a dupla Ingram e Kamara (que, admitimos, criticamos a sua seleção por um time que não precisava de RB. Hoje, porém, compreendemos que foi mais do que justificada) simplesmente explodiu. Ambos acumularam 3094 jardas e 25 TDs combinados, com 288 e 201 toques na bola, respectivamente – Kamara, inclusive, se tornou o segundo com mais recepções na equipe, com 81.

E um time com RBs, sempre válido lembrar, dá sempre uma opção segura para o QB (não à toa, Brees também lançou seu menor número de INT/passe da carreira, mesmo com um braço que já não é tudo aquilo), além de colaborar com o controle do relógio.

Dupla da pesada.

Falta apenas responder: o que é uma defesa suficiente?

Nos 12 anos de Payton-Brees, a defesa dos Saints foi top 10 na liga em número de jardas e pontos cedidos em duas oportunidades: 2010 (em que o time foi animal contra o passe, ainda na tona do desempenho de 2009) e em 2013 – a mais recente, contando com uma grande temporada de estreia do híbrido Kenny Vaccaro, além de jogadores como Keenan Lewis, Malcolm Jenkins e Junior Galette (nenhum segue em New Orleans). Nas demais, teve uma forte tendência a ficar na metade de baixo da lista.

Ainda assim, o time esteve presente nos playoffs algumas mais vezes. A tendência forte desses anos foi a de ceder um pouco menos de pontos que o costumeiro: sempre que cedeu menos de 350 pontos totais (uma média nada absurda de quase 22 por jogo – os Vikings cederam menos de 16 por jogo em 2017, a título de comparação), o time chegou à pós-temporada. Produzindo tipicamente mais de 400 (só em 2007 e 2010 o time não chegou à essa marca), as vitórias inevitavelmente se acumulam.

Repetindo a receita dos bons anos da defesa, 2017 conseguiu ser outra vez suficiente, cedendo apenas 326 pontos (top 10 da liga). Auxiliado pelo jogo corrido e pela pontaria de Drew Brees, produzindo bem mais first downs que os adversários, o cronômetro raramente para e a equipe fica muito mais com a bola que os rivais, com drives mais longos também para a defesa descansar.

Olhando também para a defesa de 2009, que ajudou muito a vencer o Super Bowl, a atual tem a mesma mentalidade de buscar sempre o turnover (basta lembrar as interceptações de Tracy Porter contra Brett Favre e Peyton Manning, nos dois jogos finais): 13,6% (quase 1 em cada 7) dos drives adversários acabaram com um roubo de posse da defesa, especialmente com interceptações (20, número 3 na liga).

Se a história se repete, ela pode ser uma boa lembrança para se apegar.