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O respeito voltou

Quando foi a última vez que você respeitou o Chicago Bears pelo que a franquia é no presente? É difícil lembrar. O time não joga os playoffs desde o começo da década e, quando esteve próximo de quebrar a sequência negativa, acabou colapsando de maneira que só Aaron Rodgers é capaz de explicar. Antes de tudo isso, bem… Acreditamos que o amigo leitor não quer gastar seu tempo lendo sobre Rex Grossman.

Essa inércia que só se deslocava em direção a fracassos era representada, principalmente, por Jay Cutler. Você sabe quem ele é. A paciência da diretoria com a apatia de Jay eventualmente se esgotou e, ao final da temporada 2016/17, Cutler foi enfim chutado da franquia.

Para o seu lugar o time foi atrás de Mike Glennon, que nos reservamos o direito de ignorar, já que também foi defenestrado de Illinois. Além dele, o Bears selecionou Mitch Trubisky no draft, gastando – desnecessariamente –algumas escolhas para isso. Após anos vivendo a experiência Jay Cutler, Chicago percebeu que uma equipe reflete o seu Quarterback. Se ele é um vencedor, a franquia tende a seguir o mesmo caminho. Se não é… Bem, existem outros esportes para acompanhar.

Por isso, a escolha de Mitch simboliza a virada nos rumos de um time que, além de tudo, carecia de uma personalidade. Agora, com seu novo QB – e seu contrato de calouro – o Bears espera montar uma equipe jovem, dinâmica e capaz de competir com a elite da liga.

Iniciando o processo

O início de carreira de Trubisky não foi muito promissor. Após começar no banco de Glennon, o jovem finalmente recebeu a oportunidade para mostrar seu valor. As atuações não inspiraram muito confiança, mas podemos atribuir isso a dois fatores: em primeiro lugar, o sistema montado pelo técnico John Fox era voltado para uma época em que Jon Gruden ainda prestava como HC; em segundo lugar, não era segredo pra ninguém que Mitch não chegava à NFL “pronto”, seria necessário tempo para que ele pudesse moldar seu jogo ao nível profissional.

Em outros tempos, provavelmente não teríamos essa boa vontade com Trubisky. Acontece que, após protagonizar uma das piores temporadas de calouro da história, Jared Goff provou que é possível realizar um grande salto de qualidade e produtividade no segundo ano.

Percebendo as novas tendências ofensivas da liga e o sucesso de Goff em Los Angeles, Chicago decidiu copiar esse processo. Para isso, a franquia buscou Matt Nagy que, assim como Sean McVay, é uma mente ofensiva da nova geração. A expectativa é que Nagy consiga extrair de Mitch resultados semelhantes aos que McVay conseguiu de Goff.

Está saindo da jaula, o monstro (?)

Para dar continuidade ao processo “salvem a carreira de Trubisky e os nossos traseiros da demissão“, o Bears percebeu que precisava de Wide Receivers. Não de Wide Receivers novos ou promissores, de Wide Receivers mesmo. Afinal, uma pequena busca pelos “tops” do time na posição em 2017 tem Titus Davis (conhecido pelo pseudônimo QUEM?) como primeiro retorno. O resto do elenco você pode encontrar nas famosas listas “Que fim levou?”, de nosso concorrente mais rico.

Por isso, foram contratados Allen Robinson, que conseguiu se provar útil mesmo recebendo passes de Blake Bortles e Taylor Gabriel, que quando usado efetivamente pode ser uma espécie de curinga no ataque. No draft, a escolha de Anthony Miller dará a Kevin White a tranquilidade para não ser nem o WR3, o que pode ajudá-lo a, enfim, deslanchar. Além deles, para a posição de TE, Trey Burton poderá mostrar que é muito mais que uma jogadinha ensaiada – aliás, saudades.

Fechando o ataque, a linha ofensiva composta por Bobby Massie, Kyle Long, Cody Whitehair, Eric Kush e Charles Leno Jr não apenas não compromete, como não surpreenderia se fosse uma 6 ou 7 melhores da NFL no ano. Também underrated, o RB Jordan Howard forma uma dupla interessante com Tarik Cohen, ainda mais agora que estão sob a batuta da mente ofensiva de Matt Nagy.

A defesa, esta sim, uma besta enjaulada com ódio

É importante destacar que, se esse preview tivesse sido escrito com antecedência, os elogios a defesa dos Bears também estariam presentes. Porém, como você já deve saber, a unidade saltou de um bom grupo com grande potencial para uma das grandes forças da conferência, mesmo se tratando da forte NFC.

Khalil Mack, um dos jogadores mais consistentes do esporte e um dos três melhores defensores dos últimos anos, chega para ser o grande nome de um grupo que já era bom, mas ainda não tinha uma super-estrela como ele. Ao seu lado, estará uma linha defensiva composta por Akiem Hicks e Eddie Goldman, ambos bons jogadores, além do LB Leonard Floyd que, além de ótimo jogador, se beneficiará da atenção que será dada aos talentos de Mack. Fechando o grupo de linebackers, Roquan Smith, um dos calouros mais interessantes do ano v e que de fato conhecemos, afinal esteve nos playoffs do College – jogará junto de Danny Trevathan, outro, adivinhem, bom jogador.

Na secundária, Adrian Amos e Eddie Jackson formam uma dupla interessante e underrated que pode inclusive melhorar em relação ao ano anterior, já que tratam-se de jogadores novos.

Por fim, Prince Amukamara e Kyle Fuller não formam a melhor tandem de CBs, mas, quando são eles o (talvez) elo mais fraco da defesa, é um sinal de que será difícil se preparar para enfrentar essa unidade em 2018.

Palpite

Por se tratar de um time novo, um QB ainda inexperiente e um Head Coach em seu primeiro ano, o Bears, mesmo sendo uma franquia de potencial, ainda é muito imprevisível. Um cenário em que as peças não se encaixem como o esperado é perfeitamente plausível, assim como uma situação parecida como a dos Rams em 2017, em que tudo vai bem, obrigado e a equipe surpreende a todos. Como a possibilidade mais razoável provavelmente é o meio-termo, podemos esperar uma evolução considerável em relação aos anos anteriores. Porém, levando em conta os times da NFC e da própria divisão, sonhar com playoffs já em 2018 pode ser demais. Mais que um bom record final, o que o torcedor mais espera é que a temporada mostre que a franquia está, enfim, de volta ao caminho das vitórias.

A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

“A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um novo alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando merda: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar.

Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

Cansamos de apanhar, agora podemos bater. Ou pelo menos dar uns tapas

2016 será interessante para a AFC South. Todos os quatro times parecem ter razões para acreditar que podem chegar aos playoffs (e até mesmo ir longe neles). Surpreendentemente, o mais equilibrado dos quatro parece ser o Jacksonville Jaguars.

David Caldwell, com bons drafts para corrigir erros bizarros anteriores como Blaine Gabbert e Bryan Anger, em conjunto com Gus Bradley, que foi o coordenador defensivo que produziu a defesa do Seahawks ao lado de Pete Carroll, realizaram um excelente trabalho para tirar Jacksonville da eterna mediocridade.

Sabiamente também, Gus Bradley roubou o guru Greg Olson dos Raiders, famoso especialmente por ser apontado como um dos grandes responsáveis pela excepcional campanha de Josh Freeman (!) em 2011. Olson agora é o coordenador ofensivo e a pessoa ideal para trabalhar o crescimento de Blake Bortles que evoluiu de maneira nítida entre 2014 e 2015 – ele foi o QB que conquistou mais jardas em passes de mais de 20 jardas, um registro importante para seu estilo de jogo e seu braço potente.

Além disso, o time tem trabalhado também com o salary cap na assinatura de jogadores livres. Nos últimos anos, tem sido sempre a equipe com mais dinheiro para gastar, sem sofrer apertos e posteriormente perder jogadores importantes por falta de dólares em sua conta (como acontece com Saints e Ravens, por exemplo).

Um dos grandes exemplos da sabedoria com gastos pôde ser vista nessa offseason: os Jaguars entraram na briga por Oliver Vernon (7.5 sacks em 2015), mas pularam fora quando os Giants se aventuraram em torná-lo um dos jogadores mais bem pagos da liga. O tempo dirá quem fez bosta.

[Spoiler I: o Giants]

Bortles vai ser foda, o resto será moda

Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos sem medo que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo nesta temporada.

O mérito, claro, não será só dele. Tanto Greg Olson, coordenador ofensivo, como técnico de quarterbacks Nathaniel Hackett, vão contribuir diretamente com seu crescimento. E os números recentes de Bortles só ratificam esta ideia: em 2015 foram 4428 jardas, 35 TDs e 18 interceptações (além de 310 jardas e dois touchdowns terrestres) – ok, também sabemos que o Jaguars venceu apenas cinco partidas, mas esta é outra história.

Aliás, falando em histórias, uma das boas da última offseason, esse período caracteristicamente fértil em nada e coisa nenhuma, envolve o próprio Bortles: após o final da última temporada, Olson e Hackett deram uma lista de tarefas para o QB executar durante as “férias”. E no topo dela estava escrito “Entre em contato com colegas da NFL que você admira”.

“Queríamos que ele procurasse QBs com estilo de jogo semelhante ao seu, caras que estivessem em um nível mais alto”, justificou Olson. Bortles então buscou conselhos com Carson Palmer, do Arizona Cardinals, e Aaron Rodgers, do Green Bay Packers. “Aaron foi incrível. Me disse para não tentar marcar 21 pontos cada vez que tenho a bola. Era algo que precisava aprender. Já Palmer me aconselhou a aperfeiçoar o relacionamento, a química que tenho com os colegas de time”, contou Blake a um jornal de Jacksonville.

Aquela carinha de "me escolham no Fantasy".

Aquela carinha de “me escolham no Fantasy”.

O exemplo acima mostra Bortles reconhecendo que precisa crescer e dando um passo a mais para se consolidar como a referência do Jaguars. Talento ao seu redor, não será problema; ele conta com dois bons WRs ao seu lado, Allen Robinson e Allen Hurns. Além, claro, da já citada capacidade de Greg Olson, que sempre conseguiu extrair o máximo de todos os quarterbacks que treinou – menos Blaine Gabbert, mas Gabbert sempre foi um caso perdido.

De qualquer forma, é preciso apontar que os números de Bortles melhoraram significativamente em sua segunda temporada; foram menos turnovers, maior média de pontos, porcentagem de passes completos superior e menos sacks sofridos.

Lançar, lançar e lançar

É animador saber que você poderá lançar bolas para Allen Robinson – em 2015 foram 80 recepções, 1400 jardas e 14 TDs. E era apenas sua segunda temporada, o que torna tudo ainda mais assustador: este desgraçado pode ser ainda melhor. Se você tem uma possível estrela em Robinson e um excelente WR2 em Hurns, como não se animar? Hurns, aliás, se tornou o primeiro WR da história a marcar ao menos um TD em sete jogos seguidos.

Mas, claro, nem tudo são flores e a decepção foi Julius Thomas. O TE, que veio do Denver Broncos após duas temporadas espetaculares (dele ou de Peyton Manning, eis a questão?), perdeu as quatro primeiras partidas por lesão o que, convenhamos, não justifica seus números no restante da temporada: apenas 46 recepções para 455 jardas (e um caminhão de drops). Agora, com um training camp completo e saudável, o Jaguars espera que Julius Thomas dê um retorno mais efetivo.

[Spoiler II: vão se decepcionar]

Tá tranquilo, tá favorável.

Tá tranquilo, tá favorável.

Temos dinheiro, mas precisamos torrá-lo?

O ataque aéreo é promissor, mas há dois pontos que o Jaguars precisa evoluir com urgência se possui maiores pretensões: sua linha ofensiva, que permitiu 122 sacks (e, sim, esse número foi conferido e está correto. Bortles sofreu 106 deles e inacreditavelmente está vivo) nos últimos dois anos, e seu jogo corrido que, bem, está fora do top 20 da NFL em cada uma das últimas cinco temporadas.

Para tentar corrigir a ineficiência do jogo terrestre, Jacksonville aproveitou-se da já citada flexibilidade no salary cap. E se antes os elogiamos por saber gastar, agora queremos saber se um contrato de mais de US$ 30 milhões para Chris Ivory era mesmo necessário? Bom, aceitemos: hoje ele é o sétimo RB mais bem pago da NFL – e isso já flertando com o final de sua carreira.

De qualquer forma, Ivory teve um excelente início em 2015 pelo New York Jets, mas caiu ao final da temporada, perdendo carregadas para BILAL POWELL – o que, sabemos, nunca é um bom sinal. Como dinheiro não era um problema para os Jaguars e toda e qualquer alma pode se dar ao luxo de rasgar verdinhas quando lhe convém, não vamos implicar com isto.

A grande questão é o que a assinatura com Ivory representa para TJ Yeldon e quanto isto custará ao seu desenvolvimento. Yeldon teve 740 jardas e 36 recepções em sua temporada como rookie – a média de 4,1 jardas por tentativa pode não ser fenomenal, mas é boa para um novato atrás de uma linha ofensiva medíocre (repetimos: 122 sacks em dois anos). Agora, obviamente, Ivory irá estar presente na maioria dos snaps. A pergunta a ser respondia é se valerá a pena tê-lo contratado às custas da evolução de um running back jovem.

[Spoiler III: não, vai dar merda]

Não contem com isso.

Não contem com isso.

Construindo a defesa também pelo draft

Impossível falar da defesa dos Jaguars sem falar do draft, já que o time contará com três rookies que valeriam tranquilamente escolhas de top 10, cada um em um nível do sistema defensivo. O primeiro, realmente escolhido na quinta posição em 2016 (passando surpreendentemente por Cowboys e Chargers), é Jalen Ramsey, que reforçará muito a secundária e, nas palavras dos próprios Cowboys, “é capaz de eliminar metade do campo para o adversário”.

Ele terá a companhia de Davon House como CB externo e dois novos jogadores trazidos como free agents: Prince Amukamara, que tem muito potencial, mas tem tido dificuldades para se manter saudável, e Tashaun Gipson, um safety trazido de Cleveland que deve servir para melhorar a cobertura e permitir que John Cyprien foque em suas atribuições de strong safety, mais perto dos LBs.

Outro rookie é Myles Jack, que só caiu para a segunda rodada por grandes dúvidas sobre o seu joelho; antes do draft, ele chegou a postar vídeos pulando e enterrando bolas no basquete, mas sua durabilidade só será posta à prova quando for exposto de verdade à dureza da NFL. Ele deverá ser acompanhado dos razoáveis Dan Skuta e Telvin Smith (128 tackles em 2015), considerando que ganhe a posição do também pouco durável Paul Posluszny.

O último rookie é o DE Dante Fowler Jr, que apesar de ter sido escolhido na 3ª posição em 2015, sofreu uma lesão na pré-temporada que o pôs na injury reserve, efetivamente adiando sua primeira temporada – agora, saudável, deverá se dedicar a justificar sua posição de escolha.

Oposto a ele, 90 milhões mais rico, Malik Jackson foi trazido de Denver para ser o principal “faz-tudo” da defesa, pressionando o quarterback e impedindo a corrida por dentro e por fora (considerando que ele já jogou como DE e DT pelos Broncos).

[Spoiler IV: Malik vai conseguir]

Palpite: Os Jaguars parecem prontos para chegar aos playoffs. Times assim têm fortes tendências a decepcionarem, mas acreditamos mais na mística de Greg Olson. Além disso, as outras três equipes tem mais cara de decepção que Jacksonville, logo, Jaguars campeões da AFC South pela primeira vez na história. Tudo bem, lá no fundo, talvez não seja o que realmente acreditamos – mas é o que queremos!