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Análise Tática #14 – Semana #7: O drive da vitória do Oakland Raiders

Poucas coisas no football são mais bonitas que um two-minute drill bem gerenciado. O momento em que a onça bebe água, a hora que separa os homens dos meninos. É exatamente aí em que as lendas nascem, não à toa que um dos maiores gerenciadores de two-minute offenses (sdds Peyton) é o responsável por eu estar escrevendo isso neste momento.

Derek Dallas Carr, 26 anos, irmão de David Carr (primeira escolha da história do nosso glorioso e tradicional Houston Texans), teve sua vida destinada a brilhar nesse esporte. Responsável por devolver o Oakland (por enquanto) Raiders aos seus momentos de glória, o QB recebeu um salário de 25 milhões de dólares anuais na última offseason.

Em sua quarta temporada na NFL, a escolha de segunda rodada vinda de Fresno State ainda tem alguns problemas: imprecisão nos passes, pressa no pocket, ineficiência em terceiras descidas, leituras arriscadas e baixa média de jardas por tentativa.

Em 2014, sua primeira vitória na NFL veio exatamente contra os Chiefs após uma jogada digna de piores momentos da semana (a coluna da família brasileira)Agora que você já sabe quem é Derek Carr (achamos importante apresentá-lo a nossa maneira), já pode ler, abaixo, um dos momentos mais divertidos de sua carreira.

Vocês perceberam na semana passada, que, apesar do título, apenas quatro ou cinco jogadas não são o suficiente para entender o que de fato ocorreu em um jogo. Por isso, nessa semana, o foco será o drive final do Oakland Raiders em sua totalida (também não ajudará no contexto macro da partida, vejam o tape completo, é divertidíssimo). O mesmo resultou na vitória por 31-30 no último Thursday Night Football (que em 2017 tem sido assustadoramente divertido).

Após sack dividido entre Khalil Mack e Denico Aultry, os Raiders receberam a bola restando 2:25 no relógio na linha de 25 jardas do campo de defesa, com um tempo por pedir. Foram 16 snaps, sendo 11 jogadas de ataque, 4 faltas e 1 extra point. 85 jardas até a vitória.

Durante esse drive, Derek Carr saiu do shotgun em todos os snaps. Na primeira jogada, o alvo é o WR Amari Cooper, alinhado como o recebedor X. Os Raiders se alinham em formação shotgun ace, com 3 recebedores do lado direito e Cooper isolado. Os Chiefs demonstram uma formação de Cover 2, com Marcus Peters alinhado para marcar em zona (repare que ele volta seu quadril em direção ao QB) e Terrance Mitchell marcando Cooper individualmente.

Após o snap, as rotas se desenvolvem de forma a deixar Amari Cooper, executando uma rota comeback, com marcação individual. Cabe ao mesmo vencer a press coverage de Mitchell na linha de scrimmage e se posicionar para receber o passe.

Ao receber a bola, Cooper se livra de dois marcadores girando o corpo para dentro, até ser tackleado no meio do campo. O two-minute warning parou o relógio ao fim dessa jogada. Os próximos dois lances foram malsucedidos para Oakland após Derek Carr colocar uma bola muito baixa para Amari Cooper no meio do campo e em seguida Johnny Holton cometer um offensive pass interference flagrante.

Em uma situação de 2nd & 20, com 01:47 restantes no relógio, Oakland volta a se alinhar em shotgun, dessa vez com um TE para ajudar nos bloqueios. Os Chiefs mostram blitz e dois safeties na cobertura antes do snap, porém apenas quatro homens iriam perseguir o signal caller.

Novamente Amari Cooper é o alvo da jogada e se encontra alinhado sozinho no lado esquerdo do campo como X. Ele executará primariamente uma rota post em direção ao símbolo dos Raiders no meio do campo. Derek Carr identifica o posicionamento dos safeties (primeira leitura pré-snap que todo QB deve fazer), e aliado à situação relógio-placar, sabe que enfrentará coberturas em zona.

Após um 3-step dropback um pouco atrapalhado, Carr tem o pocket limpo, e com os olhos, consegue atrair um dos safeties para a esquerda (você não o vê acima, mas o verá abaixo) da imagem. Enquanto isso, Cooper vende aos seus marcadores uma rota corner. Logo após, o recebedor executa um double move em direção ao meio do campo, o que configura a post mostrada na imagem antes do snap. Em vermelho, mostra-se a janela que Derek tem no momento do passe, facilmente completado pela excelente coordenação e conhecimento de playbook entre o QB e seu recebedor.

Na minha terra isso tem nome. “Livre pra caralho”, o nome.

Como dito anteriormente, Derek Carr ainda tem alguns problemas a corrigir. O principal deles é se livrar rápido demais da bola, mesmo com pockets limpos (medo de lesões, talvez?). Aqui, observa-se no lado direito um conceito semelhante ao levels (sdds Peyton), em que duas rotas se quebram para o meio ou para a linha lateral em amplitudes diferentes do campo. O objetivo dessa jogada é causar estresse na cobertura em zona, principalmente na comunicação entre CB/S, aproveitando os espaços.

Pode-se contestar que nessa jogada, a linha ofensiva não segurou os bloqueios por tempo suficiente para deixar a rota em azul se desenvolver. Entretanto, parte da proteção contra o passe também é responsabilidade do QB, que deve se posicionar no ponto ideal. Jogadores de OL geralmente treinam a coordenação de pass-protection com dummies posicionados no ponto de proteção, e o QB deverá permanecer no pocket, conforme mostra Pat Kirwan em seu livro Take Your Eye off the Ball (paga nois, Amazon).

Na imagem acima, Derek se desespera com o pass rush e ativa a rota de checkdown, enquanto havia um espaço considerável para escalar no pocket. Observe que o QB mantém corretamente seus olhos vagando pelo lado direito do campo, forçando os safeties a abrirem um espaço no seam. Caso tivesse mantido a calma e andado para frente, Carr poderia conseguir um ganho de aproximadamente 25 jardas para os Raiders. Aqui, houve uma perda de 1 jarda, além do relógio continuar rodando após o tackle dentro de campo.

Os próximos snaps resultaram em passes incompletos após bolas mal colocadas por Derek Carr, o que colocou os Raiders em uma situação de 4th & 11 com 00:41 restantes no relógio.

Formação de empty backfield com 5 recebedores espalhados pelo campo, enquanto os Chiefs colocam três defensive backs no fundo. As rotas são todas verticais e Jared Cook é o alvo da jogada. Ele precisa vencer o marcador fisicamente e receber a bola na marca do first down, enquanto os demais recebedores afastam a marcação em zona para o fundo do campo.

Contra um jogador mais baixo e mais fraco fisicamente, Jared Cook consegue se desvencilhar da marcação, recebe um passe alto e alcança a linha de first down na força física. Conversão que manteve os Raiders vivos na partida.

Nas duas jogadas seguintes, Derek Carr arriscou bolas em cobertura dupla no melhor estilo Brett Favre, duas interceptações dropadas pela defesa dos Chiefs.

Jogou de peruada.

A partir de então, o jogo virou a esquina da loucura. Raiders em 3rd & 10 na linha de 29 do campo de ataque, alinhados em shotgun ace com três recebedores na parte esquerda e apenas um na parte direita. Conceito four verticals (aquela jogada que você usa no Madden até ficar chato) e Jared Cook alinhado de Split-end, receberá uma jump ball na direção do pylon à beira da endzone. Cook recebe a bola e se joga em direção à endzone. Touchdown! Porém, após a revisão da jogada, observou-se pela pylon cam que houve um down by contact a um fio de cabelo da endzone. Após a reversão do lance, a arbitragem retirou 10 segundos do relógio (alguns torcedores do Lions infelizmente morreram) e o Raiders teve 1st & goal na linha de 1 jarda. Os Raiders não correram com Marshawn Lynch pois esse já havia saído na mão com um árbitro e fora devidamente expulso da partida.

Tal qual o nosso Titans (quem é sabe), foi quase.

Houve faltas nos próximos 3 snaps, uma para os Raiders, após Michael Crabtree empurrar demais o coleguinha em uma jogada de fade, e duas seguradas defensivas dos Chiefs, uma delas com o cronômetro zerado. Segundo a regra, se houver uma falta defensiva no momento em que o cronômetro atinge zero, a falta é aplicada e o ataque recebe mais uma jogada. Isso aconteceu duas vezes seguidas nessa partida, salva de palmas para a defesa de Kansas City – ser burro dessa forma é um feito e tanto.

Sem tempo no relógio, Raiders na linha de 2, com shotgun ace e 11 personnel. Nas duas jogadas anteriores, Carr havia tentado 2 passes no meio da endzone, e aqui os Chiefs protegem a linha de gol pelo meio. Após várias chamadas contestáveis ao longo da partida, o coordenador ofensivo, Todd Downing faz Derek Carr executar um roll-out para esquerda, enquanto Michael Crabtree se direciona ao pylon.

Um passe contra o movimento natural do corpo, Derek Carr mostra a força de seu braço. Michael Crabtree protegeu de forma inteligente com o corpo o ponto de recepção, não permitindo que Terrance Mitchell defendesse o passe. O interessante é que a jogada havia sido treinada para o lado contrário, mas Oakland decidiu invertê-la para evitar a cobertura de Marcus Peters.

Vitória dos Raiders em um dos melhores jogos de quinta-feira dos últimos tempos, em que sabemos que os times chegam despreparados ou cansados pela semana curta. A NFL está em um nível de loucura tão absurdo que os melhores jogos de primetime dessa temporada foram exatamente na quinta-feira.

Os torcedores de Chiefs e Raiders ainda não tinham experimentado emoção suficiente, então coube ao kicker Giorgio Tavecchio selar a vitória dos Raiders em um extra point. O mesmo já havia perdido dois field goals ao longo da partida.

Com a vitória, os Raiders dão sobrevida à sua temporada, record de 3-4, sendo 1-2 dentro da AFC West. Do outro lado, será que estamos vendo nos Chiefs (5-2) mais um time começar bem e implodir após cinco jogos? (vide Falcons em 2015 e Vikings em 2016).

Diego Vieira, o estagiário prodígio, mora em Manaus e não é atingido pelo horário dos jogos. Maldito.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

Em busca da redenção

Os Raiders terminaram a temporada passada com mais vitórias do que derrotas e retornaram a pós-temporada pela primeira vez desde 2002. Apesar disso, ela terminou de forma nada agradável, com um anunciado segundo divórcio com Oakland e um casamento com Las Vegas com data marcada – em um roteiro de traição digno das melhores (piores) novelas mexicanas.

Mas tudo começou a ruir quando Derek Carr fraturou sua perna direita em um lance sem nenhum sentido lógico, durante uma vitória por 33 a 25 contra o Colts na tarde anterior ao Natal. Depois, já sem Carr, Oakland foi destroçada por Denver (24-6), terminando a temporada regular 12-4, para depois ser derrotado por Houston por 27 a 14 no wild card em uma partida em que assistimos Connor Cook (cuzão) desfilar toda sua incompetência e ensinar ao HC Jack Del Rio uma importante lição: “Não perca seu quarterback”, declarou durante o último NFL Scouting Combine.

De qualquer forma, ao longo da temporada passada, abordamos a situação de Oakland diversas vezes no Pick Six; por um período extenso, a franquia foi uma grande confusão. Desde a perda do Super Bowl, passaram pelo Raiders nove treinadores e 18 QBs, até tudo mudar com a chegada de Del Rio e a consolidação de Carr. E, após o fim trágico para uma temporada mágica, houve ainda a chega de Marshawn Lynch, quase como uma resposta aos fãs após a confirmação da mudança para Las Vegas.

Incertezas

Obviamente, se espera que Derek Carr se recupere de sua lesão, mas mesmo assim o Raiders enfrentará muita incerteza naquela que será sua primeira temporada no Oakland Coliseum (aliás, nunca o nome de um estádio fez tanto sentido) enquanto a nova casa em Las Vegas é construída.

Em 2016, Oakland teve um dos melhores desempenhos em casa da NFL, mas agora sabemos como os torcedores irão responder após a “traição” (ou ao business, como você preferir): “Invariavelmente há o fato de que um determinado número de torcedores está desapontado até que chegará um ponto em que não apoiarão mais”, disse Jack.

Parabéns, é exatamente esse o tipo de pessoa que você quer irritar.

As boas notícias

Oakland teve um dos melhores sistemas ofensivos da NFL em 2016 e é bem provável que ele retorne ainda melhor. Com Carr saudável e o retorno de Lynch após um ano de férias (ou aposentadoria, como você preferir), não há motivos para duvidar disso: Lynch correu para mais de 9 mil jardas e 74 TDs em nove temporadas e tirou férias (ou se aposentou, como você preferir), após lutar contra lesões em 2015.

Porém é inegável que, saudável, é uma adição e tanto para um jogo que corrido que até então tinha Latavius Murray como seu principal nome; agora a combinação de Lynch com Jalen Richard e DeAndre Washington dá a Oakland três boas armas – consideremos ainda que o Raiders tem também o FB Jamize Olawale, com (algumas) boas corridas na temporada passada.

Este, claro, é o cenário ideal, mas é preciso ressaltar o que citamos anteriormente: a última vez que Lynch entrou em campo foi em 2015, quando correu para 417 jardas e três touchdowns em sete partidas (média inferior a quatro jardas por tentativa). O que Oakland precisa é uma versão 70% próxima do running back do Seattle Seahawks que teve quatro temporadas consecutivas com mais de 1000 jardas entre 2011 e 2014. Se isso acontecer, Derek Carr terá o campo ainda mais aberto, para encontrar seus alvos.

O preço que se paga

Antes da lesão, talvez por um delírio coletivo, Derek Carr era cogitado para o MVP – seus números eram dignos: 3937 jardas, 28 TDs e apenas seis interceptações. Seu rating anual, aliás, prova sua evolução: 76.6 em sua temporada como rookie, 91.1 no segundo ano e 96.7 no ano passado.

Tudo isto resultou em uma extensão contratual de cinco anos, o tornando o quarterback mais bem pago da NFL (ao menos por ora): US$ 125 milhões, 70 deles garantidos.

“RICO!!!”

Para justificar o valor pago, Carr terá como alvos Amari Cooper, quarta escolha geral do draft de 2015, um talento raro, embora não tenha dado o salto esperado em 2016. Michael Crabtree é a outra opção e se espera que continue sendo acionado na redzone: na temporada passada foram 8 TDs, boa parte deles no final das partidas.

Há, ainda, o TE Jared Cook; Cook sempre foi uma grande promessa, mas nunca entregou realmente aquilo que dele se esperava como profissional – o que pesa a seu favor é que, ao menos em Green Bay, ele teve alguns lampejos (méritos de Aaron Rodgers?), então ao menos há um resquício de esperança.

O quão longe se pode ir

Oakland tem um ataque intenso que certamente o levará aos playoffs, mas na verdade é seu sistema defensivo que nos mostrará o quão longe eles podem chegar em janeiro, por isso o Raiders focou em posições defensivas durante a free agency.

O LB Jelani Jenkins veio do Dolphins – em 2016 ele lutou contra uma lesão no joelho, mas tem apenas 25 anos e sua presença pode reforçar uma unidade historicamente pobre; em contrapartida, os Raiders perderam o LB Perry Riley. A linha defensiva também perdeu Dan Williams e Stacy McGee, mas trouxe o DT Eddie Vanderdoes, selecionado na terceira rodada do draft, mas visto como uma escolha de primeira até lesões invadirem sua carreira no college.

Por outro lado, há alguns pontos fortes no sistema defensivo de Oakland: Khalil Mack é um dos melhores defensores da NFL. Mack começou em 2016 em marcha lenta, com apenas um sack em seus cinco primeiros cinco jogos, mas mesmo assim terminou o ano com 11. Se você precisasse apostar em alguém para ter um 2017 excelente, poderia escolher Khalil sem medo – que deve ter grande ajuda de Bruce Irvin (7 sacks em seu primeiro ano em Oakland).

A secundária pode evoluir com a adição de Gareon Conley, escolha 24 do último draft – ele, porém, enfrenta sérias acusações de estar envolvido em um caso de estupro. Mas como sabemos que nossa querida NFL aparentemente não se importa com esta situações, é bem provável que ele esteja em um campo de football em setembro.

Palpite: Esse ataque é capaz de levar Oakland aos playoffs, assumindo que Carr permaneça saudável. Mas inegavelmente eles precisam evoluir defensivamente para chegar ao Super Bowl. De qualquer forma, cedo saberemos o destino do Raiders: eles têm uma das tabelas mais difíceis da NFL e serão testados logo de cara, com três jogos fora de casa (?) nas quatro primeiras semanas. Mais de 10 vitórias e o título da AFC West, de qualquer forma, é uma realidade palpável – tal qual uma decepção em janeiro.

Uma grande enfermaria em Los Angeles II

Vamos tirar duas coisas do caminho para poder falar normalmente do Chargers: primeiro, Joey Bosa, talvez você não saiba que eu exista, mas perdoe pelas críticas. Você é muito melhor (10,5 sacks em apenas 12 jogos melhor) do que esperávamos e plenamente capaz de ser o que quiser nessa vida (se resolver largar o football para virar astronauta, vai na fé. Vai dar certo, não deixaremos ninguém duvidar de ti). Segundo, provavelmente Chargers é o melhor time da divisão. Mas não se iluda, daqui para frente é só ladeira abaixo.

(Sério. O time tem bom grupo de LBs. Enquanto o texto era escrito, Denzel Perryman, inside linebacker líder do grupo, se machucou e está fora por pelo menos um mês. Time desgraçado.)

Outro problema que incomoda bastante ao analisar ex-time de San Diego é o seu estádio. Por pior que a equipe tenha sido nos últimos anos e mesmo com a constante ameaça de abandonar a cidade, a média de público esteve sempre acima dos 60 mil por partida (exceto em 2016: 57 mil), ainda que se possa afirmar que boa parte desses eram torcedores das equipes adversárias.

Ao mudar-se para LA para ser inquilino de Stan Kroenke (e assim, como fica claro para qualquer um que queira ver, ser o time simpático secundário da cidade), o time resolve alugar um estádio de futebol de 27 mil pessoas para jogar pelos próximos três anos, porque a construção do novo estádio foi adiada. Faz algum sentido para os senhores? Pois nem para a torcida deles, já que esta sequer lotou o StubHub Center na estreia da equipe na cidade (a efeitos de comparação, os Rams bateram o recorde de público em um jogo de preseason da NFL em sua estreia em 2016).

Mais deserto que a Arena Amazonas.

A última grande novidade fica por conta do HC Anthony Lynn, que fez seu nome estabelecendo um potente jogo corrido com LeSean McCoy e tornando Tyrod Taylor em um QB especialmente capaz. Veremos o que ele pode fazer com um QB candidato ao Hall da Fama.

Nem Philip Rivers quis ir para LA

Philip Rivers é um cara tão injustiçado quanto os defensores do Jacksonville Jaguars. Titular em todos os jogos do time desde 2006 (jogando inclusive com joelho estourado e alma costurada), lançando para mais de 4000 jardas e 25 TDs desde 2008 (exceto em 2012).

Não obstante, é importante lembrar os absurdos 30 turnovers em 2016, que mostram que ele já não é mais o cara para carregar sozinho o time, já que a idade parece estar pesando sobre seu braço direito (aliás, sua porcentagem de acerto de passes diminuiu bastante entre a primeira e a segunda metade da temporada).

Além disso, o quarterback foi um dos principais críticos da mudança para Los Angeles, tanto que ele não abandonará sua residência no norte de San Diego em prol de seus oito filhos. O jogador optou por fazer diariamente o caminho de aproximadamente 120km entre sua casa e o novo CT dos Chargers – no famoso trânsito infernal da região.

A ajuda vem…

Quando Rivers está sob pressão, ele é perigoso. Obviamente, só nos resta imaginar o que ele seria capaz de fazer tendo tempo para jogar (spoiler: ele é um monstro). Sabendo disso, o time não poupou esforços para melhorar a linha ofensiva: para substituir o aposentado King Dunlap, o time trouxe o bom LT Russell Okung (com um contrato teoricamente monstruoso, mas que é essencialmente de 2 anos) que teve sua primeira temporada saudável pelo rival Denver Broncos. Além disso, o draft foi bom para a unidade e permitiu a adição dos guards Feeney e Lamp (começou com “my name is Forrest, Forrest Lamp” e, adivinha, também explodiu o joelho), que deveriam ter sido escolhidos antes do que realmente foram pelos Chargers.

Danny Woodhead (o Darren Sproles 2.0) deixa o time, mas deverá ser substituído por Branden Oliver (o Darren Sproles 3.0) sem muita perda de qualidade. O RB principal da equipe, Melvin Gordon, finalmente marcou seu primeiro TD da carreira em 2016 – e adicionou mais 11 em apenas 13 jogos. Obviamente, esses “apenas 13 jogos” nos levam ao próximo tópico: a maldição que afeta o Los Angeles Chargers.

Ou seria Mike Tolbert 2.0?

… se ficar inteira

Por exemplo, a única temporada em que Okung disputou os 16 jogos foi em 2016. Melvin Gordon também ainda não aguentou chegar ao final do ano saudável. O grupo de WRs é ainda mais afetado: Keenan Allen, teoricamente o principal alvo de Rivers, perdeu todo 2016, tendo ficado de fora também por metade da temporada de 2015; para substituí-lo, o time escolheu Mike Williams na 7ª posição do draft. Acho que o leitor já pode adivinhar que, durante a pré-temporada, Williams também se machucou (uma hérnia de disco, que pode até mesmo tirar o jogador da temporada).

Ainda que tenha dificuldades em estabelecer um WR1 (o que melhoraria bastante a sua vida e o peso da idade no seu braço), Rivers não acabará carente de alvos: Tyrell Williams surgiu do nada e substituiu Keenan Allen superando as 1000 jardas em 2016; Dontrelle Inman e Travis Benjamin também tiveram um 2016 razoável, aproveitando as oportunidades que apareceram (basicamente, se você passar por 2016 e 2017 sem ter ao menos um recebedor dos Chargers em seu time de fantasy football, você não se aventurou o suficiente nos waivers).

Além disso, é válido lembrar dos TEs Hunter Henry e Antonio Gates, que combinaram para 15 TDs em 2016. Resumindo: ajuda existirá para Philip Rivers produzir, resta saber se será suficiente.

Surpreenda-se: o outro lado é bom também

Ainda que Keenan Allen seja a lesão mais lembrada do ano amaldiçoado dos Chargers (sério, 23 jogadores acabaram na injured reserve; para comparar, os Patriots colocaram apenas cinco atletas lá), provavelmente a lesão mais dolorosa ocorreu do outro lado do passe: era esperado que o CB Jason Verrett se tornasse outro grande defensor da NFL, até que seu joelho resolveu explodir.

Em 2017, ele deverá voltar e formar dupla com o outro excelente cornerback Casey Hayward, uma das melhores contratações de San Diego (e, provavelmente, da liga) nos últimos anos. Ainda que ambos sejam anões para os padrões com que o novo coordenador defensivo Gus Bradley (fracassado em números nos Jaguars, mas arquiteto original da Legion of Boom e de uma boa defesa em Jacksonville) está acostumado, não se vê a defesa aérea de Los Angeles devendo algo – especialmente com a aparente ascensão do undrafted Michael Davis (esse sim, com quase 1,9m) e da escolha de 5º round Desmond King, aparentemente um faz-tudo na secundária.

A chegada de Bradley trouxe mais mudanças à equipe: o time abandonará o 3-4 e passará a defender com um 4-3, servindo às habilidades do seu melhor pass-rusher, Joey Bosa (eu já pedi perdão, caras).

“Não ia ser um bostão?”

Do outro lado, Melvin Ingram, que passou quatro anos sonhando com algum complemento nessa defesa, agora deverá servir como um bom complemento para a jovem estrela. O novo esquema também deverá ser benéfico para o meio da linha, composta por Corey Liuget e Brandon Mebane, o primeiro por ter mais liberdade para ir atrás do QB (conseguiu 17 sacks entre 2012-14) e o segundo tendo que tapar menos buracos como NT – fazendo um serviço mais parecido com o que tinha em Seattle.

Previsão: 9-11 vitorias, vencendo Jets e Oakland no final da temporada para chegar aos playoffs. Isso, obviamente, supondo que o time se cure da maldição que o afeta já há alguns anos e que a home field advantage de um estádio de 27 mil lugares seja conseguida com a pressão esperada pelo mão-de-vaca do Dean Spanos. Caso contrário, provavelmente o highlight da temporada será ver o kicker sul-coreano Younghoe Koo (!) em campo, com todos os trocadilhos que isso deverá trazer.

Entre o presente e o futuro

Ao contrário da visão que muitos veículos da mídia especializada brasileira passam, o Kansas City Chiefs é muito mais que apenas o seu kicker tupiniquim Cairo Santos. Claro, Cairo tem um importante papel como embaixador do esporte no país e é uma atração à parte para nós brasileiros. Mas os Chiefs não são só Santos, muito pelo contrário: o time tem sido um dos mais interessantes de se assistir na NFL – ao menos durante a temporada regular. E a própria NFL concorda: KC jogará seis jogos de horário nobre em 2017 – mais que qualquer outro time da liga.

O hype em torno dos Chiefs pode ser atribuído ao desempenho nas últimas duas temporadas: em 2015 a equipe emplacou uma sequência de 10 vitórias consecutivas nos últimos 10 jogos, saindo de uma campanha 1-5 para 11-5 e chegando até o Divisional Round dos playoffs, onde foi derrotada pelo New England Patriots. Já em 2016, a segunda posição na classificação da AFC garantiu acesso direto à mesma rodada do Divisional, dessa vez em casa. A vantagem de jogar diante da torcida mais barulhenta do mundo não se fez valer, e os Chiefs acabaram apanhando do Pittsburgh Steelers, em derrota muito doída pela torcida.

Confie seu futuro nas mãos deste ser.

Recomeço

E é dessa derrota que partimos para explicar o ano de 2017 em Kansas City. Após mais uma eliminação nos playoffs, a percepção ao redor da liga – e dentro da franquia – era de que o time comandado por Alex Smith dava conta da temporada regular, mas não tinha forças para vencer em janeiro. Pensando nisso, os Chiefs subiram no último Draft para escolher o QB Patrick Mahomes.

Mahomes é um prospecto notadamente cru, que ainda não tem todos os conhecimentos para jogar na NFL devido ao sistema de jogo em que estava inserido na faculdade. Porém, o talento, o braço e a promessa estão lá, e acredita-se que em pelo menos um ano ele estará pronto para ser titular; de qualquer forma Alex Smith ainda está lá para segurar a posição enquanto Patrick não está pronto.

No papel, a ideia é excelente – concordamos que Alex Smith não vai te levar muito longe nem que ele compre uma companhia aérea chinesa -, mas talvez o elenco dos Chiefs não consiga esperar o desenvolvimento de Mahomes para atuar com ele. Especialmente na defesa, alguns veteranos (óbvio) estão cada vez mais velhos, e não podemos cravar que manterão o desempenho de outros tempos.

O lado bom

Derrick Johnson e Tamba Hali já estão organizando os papéis da aposentadoria; e Justin Houston, que após anos estelares, não foi o mesmo depois da lesão que sofreu em 2015. Recuperado, Houston talvez retome o auge da sua forma, mas não seria surpresa se, após mais uma temporada decepcionante, ele sequer esteja no roster em 2018. A ascensão de Dee Ford pode ajudar nessas posições, mas, se você fez a matemática, ela não bate: são três jogadores em baixa contra um em alta.

Além disso, Dontari Poe, que era uma força no meio da linha defensiva, já não está mais na cidade. Para o seu lugar chega Bennie Logan, e podemos acreditar que não haverá uma perda de qualidade, pois Chris Jones, que se destacou como calouro, está mais experiente em seu segundo ano na liga. E, para piorar, caso o front 7 mostre uma notável regressão, é importante lembrar que KC não tem a escolha de primeira rodada do ano que vem, visto que ela foi utilizada em troca para selecionar Patrick Mahomes.

A secundária, por sua vez, será o ponto forte do grupo: Eric Berry é capaz de ganhar jogos que já estejam perdidos, e Marcus Peters já se consolidou como um dos principais Cornerbacks da NFL. Fecham o grupo o Safety Ron Parker e o CB Steven Nelson.

A verdadeira esperança.

Um grande tristeza

No ataque, pouca coisa muda. O esquema do bom técnico Andy Reid será mantido, assim como o péssimo trabalho controlando o relógio ao final das partidas. Já Alex Smith será aquele QB que não estraga tudo, mas é incapaz de lançar a bola por mais de 15 jardas – mesmo que ele tenha um recebedor livre na 3rd and 17.

A linha ofensiva, que em 2016 não comprometeu, mas também não encheu os olhos, será a mesma (lesões à parte, como sempre): os Chiefs não perderão nenhum jogo porque a OL não conseguiu jogar, e isso já pode ser considerada um vitória em uma liga onde jogam Indianapolis Colts, Minnesota Vikings e Seattle Seahawks.

Já na posição de RB, Jamaal Charles deixa o departamento médico da equipe, mas Charcandrick West e Spencer Ware, que já se mostraram confiáveis, seguem no elenco. Além deles, Kareem Hunt, que chegou no draft com expectativas em torno de seu nome, e CJ Spiller, completam o versátil grupo, que ainda deve contar com algumas jogadas de Tyreek Hill.

Hill, por sua vez, adquire a posição de WR1, que ficou vaga após a saída de Jeremy Maclin pela porta dos fundos. Os outros WRs dos Chiefs são desconhecidos pelo fã-médio do esporte, então não vale nem a pena citá-los. Travis Kelce, por outro lado, é bastante conhecido e, quando Rob Gronkowski não está em campo (aproximadamente 63% do tempo, de acordo com estatísticas oficiais), é considerado por muitos o melhor TE da NFL.

Normalmente não apontamos para os Special Teams das equipes ao fazer nossas previsões, mas em Kansas City a história é um pouco diferente. Tyreek Hill anotou dois TDs em retorno de Punts e um retornando Kickoffs. Cairo Santos, com exceção de um início de carreira errante, não decepciona quando é chamado. Logo, os ST dão aos Chiefs uma dimensão que muitas equipes da liga não sonham.

Palpite: Podemos ir junto com a corrente e falar que os Chiefs terão mais um bom ano, mas a verdade é que o cenário está desenhado para uma catástrofe. A torcida já não aguenta mais Alex Smith e, após uma atuação questionável em uma derrota no Primetime, sua cabeça estará em jogo. Ele sucumbirá a pressão e, eventualmente, perderá a posição para um Patrick Mahomes despreparado. Jogando em uma divisão complicada como a AFC West, o time ficará de fora dos playoffs e Alex Smith irá levar sua mediocridade para outra franquia em 2018. Vocês viram aqui primeiro.

As dores e alegrias de Denver

Mais uma temporada que se inicia em Denver, e mais uma vez Von Miller será a verdadeira face do Broncos – uma máquina de demolir quarterbacks adversários em um sistema defensivo capaz de aterrorizá-los por terra ou pelo ar. Mas infelizmente, nada disso parece adiantar, já que Denver não aparenta ter um quarterback mentalmente capaz de vencer jogos – na verdade, se Trevor Siemian ou Paxton Lynch forem algo próximo a um ser humano com coordenação motora, já será uma vitória.

O novo HC Vance Joseph herdou um time recém campeão do Super Bowl – parece distante, mas há apenas dois anos Peyton Manning e companhia levantavam o Lombardi Trophy. E se o ano que seguiu a conquista foi quase trágico, John Elway tratou de reformular o corpo técnico da equipe: Mike McCoy, ex-HC do Chargers, é o novo OC.

Além dele, desembarcaram no Colorado nomes como Bill Musgrave, Jeff Davidson e Geep Chryst, todos com responsabilidade de reconstruir um sistema ofensivo que agrediu nossos olhos ao longo da última temporada. Elway argumenta que, para retornar aos playoffs pela sexta vez nos últimos sete anos, é necessário trabalhar com pessoas com “atitude, que odeiam perder” – para ele, o caminho para a pós-temporada começa nas trincheiras.

Quase decolando

Em 2016, o ataque do Broncos sempre parecia prestes a decolar – embora isso nunca tenha acontecido de fato. Mesmo assim, Trevor Siemian terminou seu primeiro ano com 8 vitórias (e 6 derrotas), 18 TDs e 10 INT – Siemian, porém, passou por uma cirurgia em seu ombro esquerdo e perdeu boa parte dos treinos de pré-temporada. Mesmo assim, estamos falando de uma franquia que entregou o comando de seu ataque para alguém como Trevor Siemian após alguns anos com Peyton Manning, certo?

E, bem, se perguntássemos se aquele ataque, liderado por um dos maiores QBs de todos os tempos, vencedor do Super Bowl em 2016, era significativamente melhor que o comandado por Trevor no ano seguinte, o que você responderia? Possivelmente ouviríamos um “sim” tão certo quanto o próximo fiasco do Jacksonville Jaguars, mas isso não pode ser considerado uma verdade absoluta: em 2015-2016, o ataque do Broncos teve média de pouco mais de 22 pontos por partida; na temporada seguinte, o número ficou um pouco acima de 20.

Logicamente não estamos sequer cogitando que Siemian é tão bom quanto Manning, mesmo em sua versão figurante de The Walking Dead; os números apenas ajudam a entender que nem Trevor ou mesmo Paxton Lynch podem ser apontados como o principal motivo da derrocada do Broncos; o maior culpado é a linha ofensiva, que passou a figurar entre as piores unidades de bloqueio da NFL.

Se juntar os dois, não dá um.

Tapando buracos

Pensando nisso, todos os esforços da offseason foram focados em fortalecer a OL, seja via draft com a escolha do OT Garet Bolles na primeira rodada ou na free agency, com as contrações do LG Ron Leary e do RT Menelik Watson (grandes bost*) – além disso, Vance Joseph já demonstrou que o novo esquema ofensivo exigirá que o QB libere a bola mais rapidamente o que, invariavelmente, deverá trazer consigo uma redução no número de sacks.

Outro fator já apontado pelo corpo técnico é que, com o reforço da OL, Denver tentará também se impor através do jogo terrestre: CJ Anderson entra em uma temporada decisiva para sua carreira; Devontae Booker pode ganhar mais oportunidades e há, ainda, o restos mortais de Jamaal Charles – que com cinco temporadas com mais de 1000 jardas, se conseguir parar em pé, dará ao Broncos oportunidades para diversificar ainda mais seu sistema ofensivo.

Voa, cavalinho!

A melhora da linha ofensiva é uma necessidade fundamental para que Paxton Lynch assuma o posto de QB titular – convenhamos, ninguém espera que uma escolha de primeira rodada, mesmo que ainda em estado bruto e precisando de desenvolvimento, vá esquentar o banco de Trevor Siemian por muito tempo, certo?

Quando isto acontecer, naquele período obscuro que compreende o limbo entre a última semana da pré-temporada e a week 6, Lynch precisará que Demaryus Thomas consiga agarrar passes; não se nega o talento de Demaryius, mas também não podemos fazer vistas grossas aos inúmeros drops de 2016 – Joseph, aliás, já desafiou Thomas a voltar “a ser uma estrela”.

O fato é que Sanders tem sido uma arma mais confiável para Denver do que Demaryius e, para que eles consigam atingir todo seu potencial, precisarão de ajuda, sobretudo na redzone – é aqui que a seleção do TE Jake Butt, que deve entrar em campo apenas em meados de outubro, pode auxiliar a dupla de WRs.

A esperança

O principal motivo pelo qual os Broncos conseguiram vencer o Super Bowl 50, apesar do desempenho horrível de Manning, foi a solidez de seu sistema defensivo; Denver bloqueou o ataque mais explosivo da liga na época sem maiores problemas.

Se juntar os dois, dá quatro.

Mesmo que seja nítido alguns passos para trás, a narrativa de que a defesa dos Broncos não consegue mais fazer jus às expectativas não passa de uma grande bobagem – desmentida por qualquer estatística. E a verdade é que ela foi a principal razão para a franquia terminar a temporada passada com um recorde positivo e quase beliscar uma vaga nos playoffs.

Para 2017, Denver trouxe os NTs Domata Peko, que procura reverter a queda que mostrou ano passado em Cincinnati, e Zach Kerr, que deve se adaptar ao esquema sem maiores problemas. Mesmo assim, o Broncos precisa que o LB Brandon Marshall se recupere efetivamente de uma lesão no tendão que o acompanhou na temporada que passou.

Já Von Miller é uma entidade sobrenatural, uma força da natureza, e deve perseguir o prêmio de melhor jogador defensivo, que perdeu em 2016 por um voto para Khalil Mack. Shane Ray substituirá o aposentado DeMarcus Ware e a secundária, comandada por Chris Harris e Aqib Talib, que aparenta não envelhecer, tentará liderar a NFL na defesa contra o passe pela terceira temporada consecutiva.

Palpite: Os Broncos acreditam que os problemas da OL começaram a ser solucionados. Mesmo assim, ainda há a questão do quarterback: essa defesa foi capaz de carregar um decrépito Peyton Manning até a glória, mas conseguirá fazer o mesmo com Lynch ou Siemian? Não é sábio duvidar – mas também seria pouco inteligente apostar nisso. Mesmo assim, seria burrice acreditar um time comandado por Alex Smith, além do fato de que o Chargers é pouco ou nada confiável. Em uma divisão em que apenas o Oakland Raiders parece a frente, algo entre sete ou nove vitórias é uma realidade palpável – mas talvez, ainda assim, insuficiente para retornar aos playoffs.

Antonio Gates era San Diego. Mas já é tempo de Hunter Henry

Quando Philip Rivers completou um passe de 11 jardas para Antonio Gates, que acabou derrubado no meio do campo, na linha de 27 jardas, o San Diego Chargers se viu em uma dramática luta contra o tempo. O relógio rolava e só restavam 15 segundos no último quarto. Em uma quarta descida e sem tempo para pedir, o ataque tentava, desesperadamente, sair de campo para que o time de especialistas entrasse e tivesse tempo suficiente para a derradeira tentativa de Field Goal. Ao contrário do que pode parecer, a urgência do momento não era resultado da busca por uma vaga nos playoffs, uma folga na primeira rodada ou mesmo uma vitória heróica contra um rival de divisão. O San Diego Chargers lutava, apenas, para levar o jogo contra o Cleveland Browns, na melancólica semana 16, para a prorrogação. O snap até saiu um pouco antes de o cronômetro zerar, mas o chute de 45 jardas de Josh Lambo fez uma curva à direita e não chegou nem perto de alterar o placar. A comemoração eufórica dos torcedores de Cleveland decretava: San Diego entraria para a história como o único time a perder para o péssimo Cleveland Browns em 2016.

A derrota, com placar apertado, pode parecer apenas um lapso pontual, afinal temporadas sem vitórias são raras, mesmo para os piores times. Em algum momento o Cleveland Browns teria que arrumar um jeito de vencer e, consequentemente, haveria uma vítima. Essa, porém, é uma explicação rasa, quase supersticiosa. O recorde de 5-11 mostra que a derrota para o pior time da NFL desde o Detroit Lions de 2008 é apenas a cereja no bolo de uma temporada completamente frustrante, marcada por contusões, por derrotas inexplicáveis, pelo declínio de um dos melhores QBs da NFL, pela demissão do técnico Mike McCoy e pelas melancólicas notícias da provável mudança para Los Angeles.

O San Diego Chargers ensina: como entregar um jogo

O San Diego Chargers mostrou que a temporada 2016 seria um desastre completo logo na semana 1. Contra o Kansas City Chiefs, vencia por 21 pontos faltando 18 minutos para o fim do jogo. Conseguiu tomar o empate e perder na prorrogação. Além de sofrer a derrota, que se tornou a maior virada sofrida na história da franquia, o Chargers perdeu seu principal WR, Keenan Allen, com os ligamentos do joelho rompidos. Na semana quatro, tinha 13 pontos de vantagem contra o New Orleans Saints, em casa, no último quarto, mas sofreu dois fumbles que culminaram em TDs dos Saints, que acabaram virando o jogo. Philip Rivers ainda teve a chance de reverter o desastre, mas foi mais uma vez interceptado no drive que poderia ter recuperado a vitória.

O Chargers conseguia ser patético até nos momentos em que demonstrava brilho e proporcionava esperança. Na semana 5, por exemplo, em uma tentativa de virada contra o Oakland Raiders, que vencia por 10 pontos no último período, Philip Rivers liderou um drive para TD e em seguida levou o time a uma tentativa de FG de 36 jardas. Assim como nos momentos de desespero da derrota para o Browns, o kicker Josh Lambo errou, é claro. Nas semanas 6 e 7, o time viveu seu melhor momento, com vitórias expressivas contra Denver Broncos e Atlanta Falcons, o que fez com que desavisados ingênuos (nós) acreditassem mais do que deveriam e colocassem o Chargers demasiadamente alto nos Power Rankings. As quatro (quatro!) interceptações de Rivers apenas no quarto período determinaram a derrota por 31×24 para o Miami Dolphins, na semana 10, e o fim de qualquer esperança de recuperação. Mesmo em alguns momentos deixando a impressão de que era melhor do que o recorde de 5-11 mostrava, o San Diego Chargers não tinha mais nada a fazer em 2016.

Oooops.

Procura-se um culpado

Após a derrota para o Kansas City Chiefs, na última semana da temporada, os gritos revoltados do que ainda resta da torcida do Chargers tinham um alvo muito bem definido: o head coach Mike McCoy. Enquanto os atletas eram ovacionados na saída de campo, o técnico era energicamente vaiado. Não foi à toa que, momentos após o fim do jogo, McCoy foi demitido. Quando um time consegue perder pelas maneiras mais variadas e sofridas possíveis, como foi o caso do Chargers de 2016, é impossível dizer objetivamente que a culpa é apenas de um indivíduo, nesse caso McCoy, e que ele merece ser demitido. Mas, aproveitando toda a subjetividade que o esporte proporciona, é ao mesmo tempo impossível dizer que ele não merece pagar o pato. Em quatro anos como head coach do San Diego Chargers, McCoy conseguiu um aproveitamento de apenas 42% e apenas uma aparição em playoffs, em seu primeiro ano, 2013, quando conseguiu vencer o Cincinnati Bengals na semana de Wild Card (como qualquer outro time faria) e foi derrotado logo em seguida pelo Denver Broncos. Nas duas últimas temporadas, foram nove vitórias e 21 derrotas, com a impressão de que, com um comandante melhor, os resultados não teriam sido tão vexatórios.

É claro que Mike McCoy não estava em campo quando Melvin Gordon e Travis Benjamin sofreram os fumbles que permitiram a virada do Saints. McCoy também não lançou quatro interceptações em apenas um período. Muito menos chutou os FGs que poderiam mudar a história de pelo menos dois jogos. Porém, desde o início da temporada de 2015, o San Diego Chargers perdeu dezoito jogos por oito pontos ou menos. Vale lembrar que foram 32 jogos disputados nesse período, ou seja, o Chargers perdeu mais da metade dos jogos que disputou nas duas últimas temporadas pela diferença de uma posse de bola ou menos. Isso evidencia que nessas partidas existiram grandes erros estratégicos, que só podem ser colocados na conta do head coach; ou alguém acredita que times comandados por Bill Bellichik ou Pete Carroll conseguiriam tais façanhas?

Além de errar como estrategista, Mike McCoy também não soube desempenhar o papel de líder. A apatia com que reagia aos desdobramentos do jogo era contagiante, no pior sentido possível. Em jogadas decisivas das partidas, era quase necessário checar a pulsação do técnico, que não demonstrava qualquer tipo de reação. McCoy era um morto-vivo na sideline e isso pode ter sido decisivo para os momentos em que o time precisava daquele esforço extra para vencer uma partida. Talvez com um pouco mais de energia vinda do banco não teríamos ficado apenas com a impressão de que o Chargers era melhor do que o número de vitórias que conseguiu.

Mesmo com todos os defeitos, Mike McCoy não foi o único culpado pelas tragédias propiciadas em 2016. As contusões não podem ser usadas como desculpa, já que todos os times, em maior ou menor grau, sofrem com elas, porém a perda de jogadores-chave, tanto do ataque quando da defesa, foi decisiva para que o time não atingisse seu potencial: atletas como Keenan Allen, Manti Te’o, Danny Woodhead, Brandon Mebane, Jason Verrett e Brandon Flowers, que seriam titulares em quase todos os times da NFL, foram colocados na injury reserve em algum momento da temporada e não voltaram mais em 2016. Além deles, Melvin Gordon e Antonio Gates, duas peças importantes do ataque, também não estiveram 100% durante o ano todo e perderam vários jogos.

Você sabia que Gates jogou basquete na faculdade?

Outro responsável pelo ano trágico dos Bolts foi o QB Philip Rivers, mas com ele as cobranças não podem ser exageradas. Se existiram alguns poucos momentos de brilho, eles passaram pelo braço do camisa 17. Vivendo nas sombras dos quatro títulos de Super Bowls conquistados por Ben Roethlisberger e Eli Manning, seus colegas do draft de 2004, um dos mais frutíferos da história, Rivers é um dos QBs mais subestimados da liga. 2016 foi um ano de altos e baixos para ele, que teve o segundo maior número de TDs desde que entrou na liga, com 33, mas bateu seu recorde pessoal de interceptações e liderou a NFL em 2016, com 21. O rating de 87,9 foi o segundo pior de sua carreira em temporadas completas e reflete o declínio apresentado em campo. Rivers parece não ter mais a força no braço que um dia já teve e tem visível dificuldade em posicionar adequadamente os passes longos. Além disso, as decisões equivocadas tem se tornado rotina e não é exagero dizer que o Chargers perdeu mais de um jogo devido a interceptações perfeitamente evitáveis no último quarto.

A avaliação da performance de Philip Rivers é mais complexa do que apenas dizer que ele está em declínio. É louvável que um QB consiga, repetidamente, superar contusões em seu corpo de recebedores e transformar jogadores médios, como Tyrell Williams e Dontrell Inman, e um TE já na fase final de sua carreira, em quase estrelas. Portanto, não se enganem: se existe a possibilidade de sucesso em um futuro próximo, ela passa pelas mãos de Philip Rivers.

Passa, também, por um grupo de jovens jogadores que, surpreendentemente, mostrou que pode ser o responsável pela transição da geração Rivers-Gates para a geração Gordon-Henry-Bosa.

Bosa: uma lenda. Nunca duvidamos.

A mudança

Se o passado ─ tanto o recente quanto o mais distante ─ não reserva uma quantidade significativa de boas lembranças para o torcedor do San Diego Chargers, o futuro também não traz muito alento, especialmente pela incerteza que ele reserva. A cidade que hoje chora e protesta pela perda do time é a mesma que vetou, através de um plebiscito, o uso de dinheiro público para a construção de um novo estádio, que certamente manteria o time na cidade. Com escritórios já alugados em Los Angeles, a mudança para a maior cidade da Califórnia parece inevitável e coloca um ponto final em 55 anos de história. Só o tempo dirá se a decisão foi a correta, mas o estádio vazio no último jogo do Rams, último time a se mudar para Los Angeles, mostra que a lógica de mercado que guia a busca por uma nova casa pode ser um tiro pela culatra. Por maior que seja, Los Angeles não parece ser o tipo de lugar que vai acolher um time ─ dois muito menos ─ e carregá-lo para as glórias.

Philip Rivers, católico fervoroso, republicano convicto e pai de oito filhos, já demonstrou que não considera a libertária Los Angeles uma cidade adequada para viver com seus rebentos. Quando as primeiras notícias sobre LA surgiram, Rivers comemorou publicamente que não estaria com contrato vigente quando a potencial mudança aconteceria. Desde então, renovou seu contrato por quatro anos e não tocou mais no assunto. Contratos, porém, podem ser rescindidos, especialmente por um QB de idade avançada que não está mais jogando por dinheiro. Se Rivers decidir não se mudar para Los Angeles, será mais um obstáculo ao estabelecimento do Chargers na nova cidade. Em uma liga em que verdadeiros franchise QBs são escassos, poucos pagam para ver um Jared Goff – quanto mais dois.

O adeus

Esse texto começou contando a história de uma recepção de Antonio Gates, um dos melhores TEs da história da liga e futuro membro do Hall of Fame da NFL. E vai terminar da mesma forma. No provável último jogo em San Diego, Gates, talvez o maior Charger da história, empatou o recorde de Tony Gonzalez para TDs recebidos por um TE, com 111, o que se transformou em um alento aos já saudosos fãs. Gates poderia ter superado o recorde se a comissão técnica do Chargers não fosse tão burocrática e não preferisse chutar FGs que não valem nada em um jogo que também não vale nada. Mas o passado já ficou para trás. Ironicamente, Hunter Henry, o bom rookie TE, foi quem recebeu o que pode ter sido o último passe para touchdown em San Diego. O futuro da franquia se mostrava naquele TD. Pena que o futuro talvez não seja mais ali.

E assim, ao som de Stand By Me, Gates e Henry, o passado e o futuro, entraram no túnel para talvez nunca mais voltar.

Entre um dono querendo fugir e vizinhos quase-campeões

A offseason dos Raiders começou agitada já em fevereiro. Bom, janeiro, na verdade, ou até antes, considerando que eles não tinham chances de playoffs na temporada passada. Começou agitada porque os Raiders eram um dos times envolvidos, junto com Chargers e Rams, em um possível retorno à Los Angeles (já foram Los Angeles Raiders entre 1982-94), com um projeto solitário. No final das contas, o tal do projeto não foi aprovado pelos donos da NFL e coube ao owner, Mark Davis (e seu corte de cabelo maravilhoso), voltar a buscar opções para conseguir um novo estádio: Las Vegas, San Antonio ou mesmo um acordo com a própria prefeitura de Oakland – afinal, não é como se faltasse paixão na torcida alvinegra na cidade.

Também durante a offseason, os torcedores da cidade viram seus vizinhos, o Golden State Warriors (a Oracle Arena é anexa ao Oakland Coliseum), realizarem a melhor campanha da história da temporada regular da NBA, só para terem sua alegria destruída por LeBron James e o Cleveland Cavaliers na final. Um time de Cleveland campeão? Claro que não seria na NFL! Bom, quem sabe os Raiders não usam isto como motivação e se vingam dos Browns nos playoffs da NFL? Não, não se vingarão porque os Browns não vão aos playoffs nem a pau.

Mas entre várias historinhas, há um bom time de football. Mais do que isso, um time jovem cheio de potencial, com um ataque interessante liderado por Derek Carr em sua terceira temporada (aquela temporada que já se convencionou nomear de “AGORA VAI”) e uma defesa feroz liderada pelo candidato a DPOY Khalil Mack que, se chegar próximo às expectativas, vai ser uma presença constante nos playoffs pelos próximos anos, quebrando uma seca de 13 temporadas sem chegar lá (desde que perderam o Super Bowl para o Bucs em 2003. Sim, para o Bucs).

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Markinho, filho do lendário Al Davis, cansou do playground em Oakland.

Ou vai ou racha

Historicamente, o terceiro ano é um período muito importante no desenvolvimento dos QBs, o que separa homens dos meninos, já que é ali que acabam desculpas clássicas como “ele ainda não teve tempo suficiente para se adaptar” ou “é a primeira temporada que ele é o titular indiscutível desde o training camp”. Não, a hora é agora, especialmente para a classe de quarterbacks de 2014 (que inclui ainda nomes como Bridgewater, Bortles, Garoppolo), que além do próprio desempenho, também terão o desempenho dos “colegas” para ser comparado.

E quem olha os números de Derek Carr por cima verá um futuro Tom Brady, com seus 32 TDs e apenas 13 interceptações. Ok, nos empolgamos: sabemos que valores como 7 jardas por passe tentado e pouco mais de 60% de passes completos não colocam nenhum QB no hall da fama; Carr ainda precisa e pode evoluir significativamente.

E mais do que capacidade para evoluir, Carr terá ajuda para provar que é realmente o franchise QB que Oakland busca desde Rich Gannon (MVP em 2002 que jogou seus últimos cinco anos na Califórnia): o Raiders provavelmente teve melhor linha ofensiva da NFL junto com os Cowboys na temporada passada e ainda fizeram um investimento de 58 milhões de dólares em 5 anos para trazer Kelechi Osemele (LG, mas que jogou bem sendo improvisado como LT pelos Ravens ano passado), o que só poderá torná-la ainda melhor e garantir que o time terá tempo para desenvolver o jogo aéreo, além de espaços para o jogo corrido, qualidades importantes para quem enfrenta Kansas City e Denver duas vezes por ano.

Por fim, mas certamente não menos importante, Carr conta com alvos de respeito. Além do running back Latavius Murray que serve como escape para momentos de pressão (41 passes recebidos ano passado), o time tem uma dupla de wide receivers de alto nível: Amari Cooper, que tende a melhorar após uma primeira temporada rara entre rookies (1070 jardas, 6 TDs), na qual ainda enfrentou diversos problemas com lesões, e Michael Crabtree, com 9 TDs recebidos ano passado – Crabtree, aliás, parece estar reencontrando aquele potencial que demonstrou em seus primeiros anos em San Francisco: como as defesas focam em Amari Cooper, sobram espaços, que devem ser aproveitados.

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Marca o touchdown e ainda mostra a língua.

Khalil Mack e amigos vão pegar você

O que Khalil Mack, Bruce Irvin e Mario Edwards têm em comum além de atropelarem linhas ofensivas, serem muito rápidos e, se possível fosse, comerem QBs no café da manhã? Todos eles compõem o front seven do Raiders (que é ancorado pelo gigante – literalmente – Dan Williams) e vão trabalhar em um dos pass-rush mais ferozes da liga. Mais do que isso, Khalil Mack é um dos melhores (melhor?) jogadores defensivos da liga e o primeiro jogador escolhido para All-Pro Team em duas posições (LB e DE).

É incrível pensar que poderiam ser ainda melhores se Aldon Smith, suspenso por um ano e que virou hit no twitter após postar um vídeo fumando maconha falando “ninguém sabe que sou eu, não tá escrito Aldon Smith em lugar nenhum”, fosse menos idiota e pudesse colaborar na perseguição aos atacantes adversários também.

Além disso, a secundária também foi reforçada, mesmo com a aposentadoria de Charles Woodson depois de 18 grandes anos na NFL. A chegada de Sean Smith (40 milhões em 4 anos) como CB e de dois novos safeties, o veterano Reggie Nelson e o rookie Karl Joseph, deve ser benéfica para o setor, responsável por ter cedido quase 25 pontos por jogo na temporada anterior.

O time é inteiro bom, mas…

No meio do caminho há uma pedra. No caso, algumas pedras. O caminho para os playoffs será muito difícil, a começar pela briga dentro da própria divisão: a defesa dos Broncos segue nada menos que incrível (mesmo que Mark Sanchez seja o QB. Aceitem: estamos em 2016 e Mark Sanchez ainda é o quarterback de algum time), os Chargers talvez esteja finalmente saudáveis e os Chiefs são candidatos aos playoffs com um time tão equilibrado quanto e mais experiente que o Raiders. Além disso, os piores QBs no caminho de Oakland serão Brock Osweiller e Tyrod Taylor, ambos teoricamente com capacidade próxima a do próprio Derek Carr – excluindo, obviamente, o Broncos: sabemos que eles não dependem de um QB para ganhar nada.

Provavelmente, os primeiros cinco jogos (@NO, ATL, @TEN, @BAL, SD), aparentemente mais fáceis que o restante da tabela, serão cruciais para definir o destino do Raiders esta temporada – se ganhar menos de quatro partidas das cinco iniciais, mais um ano longe dos playoffs. E a razão é bem simples: ganhar mais da metade dos outros 11 jogos será uma grande superação.

Palpite: 8-8, terceiro lugar na AFC West, jogando bem e perdendo vários jogos no detalhe (dois por erros de kicker) e, novamente, muita esperança para sair da fila na temporada 2017-2018. Além disso, Mark Davis vai visitar mais três cidades interessadas em ser a nova casa dos Raiders e Derek Carr verá mais dinheiro do que você em toda sua vida antes da metade do ano que vem.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (*e o Cleveland Browns)

Na pré-temporada, sempre parece claro que todo time na NFL terá 100% dos jogadores saudáveis e que todos são top 5 em suas posições e os que não são, fizeram o melhor para chegar a essa condição durante o período longe dos treinadores. Pensando assim, parece óbvio que todos os times, menos o Browns, terminarão 19-0 na temporada, atropelando todos os adversários com vitórias por 30-0 – porque o head coach, em um ato de humildade, pede para o time tirar o pé:

Classificação

Para a sorte de nossos leitores, nós do PickSix não nos deixamos enganar. Sabemos perfeitamente que, se no final das contas, um time ganha o Super Bowl, é mais por culpa dos outros 31 do que por méritos próprios.

Obviamente, para um melhor entendimento, escreveremos elaborados previews sobre cada uma das equipes (não se deixe enganar pelas otimistas), mas a lista seguir deve servir como resumo suficiente como a principal razão do por que seu time não vai ganhar o Super Bowl LI:

AFC North: provavelmente a divisão mais furada da NFL e a com maiores possibilidades de que um dos times só chegue aos playoffs porque conseguiu uma campanha perfeita nos confrontos internos.

Baltimore Ravens – O contrato de Joe Flacco está matando um time que chegou e ganhou duas vezes o Super Bowl em belos esforços coletivos.

Cincinatti Bengals – Depois de 2015, acho que está mais do que claro que Andy Dalton nunca vai ganhar um jogo de playoff, seja por culpa própria ou não.

Pittsburgh Steelers – O ataque mais incrível e a defesa mais bosta da NFL. Talvez não cheguem nem nos playoffs.

NFC North: a divisão das desculpas esfarrapadas. Todos os times parecem prontos para ganhar o Super Bowl, mas sempre no ano seguinte quando tudo magicamente irá dar certo.

Chicago Bears – Jay Cutler é o QB mais deprimente em uma divisão ganha por um Teddy Bridgewater que não consegue lançar para mais de 15 jardas.

Detroit Lions – Um time que recém terminou uma temporada com um 7-9 após uma campanha de recuperação e perde o melhor jogador do seu ataque. Não é exatamente a receita para chegar ao título.

Green Bay Packers – O time sempre tem alguma lesão para botar a culpa dos seus fracassos, seja de Aaron Rodgers ou de um linebacker reserva. Esse ano não será diferente.

Minnesota Vikings – E quando tudo parecer que vai dar certo para os Vikings, algo completamente inexplicável acontecerá. Pode ser uma lesão ou um FG de menos de 30 jardas errado a 10 segundos do fim.

Tem coisas que só acontecem com o Lions...

Tem coisas que só acontecem com o Lions…

AFC South: a divisão mais disputada da Conferência Americana. Infelizmente, qualquer um deles que chegue aos playoffs já terá gastado todo o fôlego e morrerá sem nem chegar na praia.

Houston Texans – Nunca um time da NFL jogou o Super Bowl em casa e não vai ser Brock Osweiller o responsável por conseguir tal façanha.

Indianapolis ColtsQuarterbacks são tudo na NFL. Mas não quando o único bom jogador do seu time é o quarterback.

Jacksonville JaguarsDream team da temporada de 2016. Não precisa entender muito de futebol americano para saber como isso vai acabar.

Tennessee Titans – Talvez o time mais triste da NFL, já que os Browns pelo menos não iludem o torcedor. Vão acabar com a carreira do Mariota.

NFC South: o QB que jogue bem ganhará essa divisão. Infelizmente nenhum dos times parece ter muito além disso.

Atlanta Falcons – Matty Ice fez o James Hunt e nunca mais voltou aos playoffs desde que ganhou uma partida lá.

Carolina Panthers – Kelvin Benjamin terá a desculpa de que está voltando de lesão e a defesa terá a desculpa de que perdeu Josh Norman.

New Orleans Saints – Drew Brees é muito melhor jogador do que Joe Flacco, mas seu contrato acabou igualmente com o time (e com o meu fantasy nessa necessidade de não ter um WR principal).

Tampa Bay Buccaneers – Como todo bom QB que não se chame Russell Wilson, Jameis Winston “precisará de mais um ano para se desenvolver”.

Agora assista aí de camarote.

Agora assista aí de camarote.

AFC West: se tem uma divisão da qual não sairá um campeão do Super Bowl é essa. A defesa dos Broncos operou um milagre em 2015, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Denver Broncos – Mark Sanchez no time (e ele ainda acabará sendo titular) elimina automaticamente a chance de qualquer time chegar ao Super Bowl.

Kansas City Chiefs – Na AFC, Alex Smith só é mais QB que Mark Sanchez, o que no fundo não quer dizer porra nenhuma.

Oakland Raiders – O dono do time está mais interessado na mudança de cidade do que na temporada. Certo ele.

San Diego Chargers – Philip Rivers terá mais filhos do que TDs e Joey Bosa começará jogos como QB, já que foi draftado para jogar fora de posição mesmo.

NFC West: já foi indiscutivelmente a melhor divisão da liga. Hoje é apenas fonte de expectativas e decepções.

Arizona Cardinals – Quando não se machuca, Palmer pipoca na hora da verdade. Seriam meus favoritos ao Super Bowl se tivessem Tim Tebow.

Los Angeles Rams – Pode demorar algumas rodadas, mas logo o owner Stan Kroenke vai perceber que os estádios vazios em St Louis não eram mais culpa de Case Keenum que da cidade (Jared Goff é um bust).

San Francisco 49ers – Por mais que falemos de Titans ou Browns, a equipe de Chip Kelly é a mais bosta da NFL. Um RT ex-aposentado deve ser o melhor jogador do time (Anthony Davis).

Seattle Seahawks – Muito amados para um time que não tem linha ofensiva (e uma linha defensiva cheia de jogadores insatisfeitos).

AFC East: aquela eterna disputa pelas vagas de wild card atrás dos Patriots.

Buffalo Bills – Rex Ryan conseguiu estragar uma defesa que parecia pronta para carregar o time. Além disso, o melhor alvo do time, Sammy Watkins podia tentar parar de se estourar.

Miami Dolphins – Adam Gase vai ajudar Ryan Tannehill a melhorar, mas Suh recebeu 80 milhões para liderar essa defesa e não irá.

New England Patriots – Vão ganhar a divisão, mas Belichik e Brady não vão mais conseguir roubar para chegar à grande decisão. Talvez Garoppolo tenha novas ideias.

New York Jets – Geno Smith foi considerado como substituto de Ryan Fitzpatrick. O time poderia começar respeitando o próprio QB titular.

NFC East: divisão com mais hype da NFL. A imprensa americana ama todos eles, mas nós não nos deixamos enganar tão facilmente.

Dallas Cowboys – Tony Romo está do tamanho dos jogadores da melhor linha ofensiva da NFL. Além disso, todos nessa defesa são idiotas.

New York Giants – Pagarão mais de 25 milhões de dólares por ano para um gordo de linha defensiva e um DE com apenas 29 sacks na carreira.

Philadelphia Eagles – Um time que conseguirá ser pior sem Chip Kelly. E porque odiamos Sam Bradford.

Washington Redskins – Por mais que todos queiramos crer no contrário, Kirk Cousins vai acabar se provando pior do que Robert Griffin III.

*Cleveland Browns – excluído da lista original pelo simples fato de, bem, não podemos considerá-los um time de football.