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Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 2

A estadia de Chuck Pagano em Indianapolis foi tão absurda que precisamos dividir essa análise em duas partes. Segue a primeira.

A temporada de 2014

Andrew Luck e o Indianapolis Colts como um todo tiveram seus melhores desempenhos em 2014. Atingindo 40 TDs e mais de 4000 jardas, Luck jogou como MVP em seu terceiro ano, e sequer entrou na conversa por causa de um Aaron Rodgers espetacular, principalmente no baixo número de turnovers.

A partir de então tornou-se mais claro que o Colts era um time atrapalhado por sua comissão técnica. Pep Hamilton era criticado pelo baixo desempenho do time na redzone e Greg Manusky principalmente nas derrotas produzidas em shootouts: 42-20 contra os Patriots em Indianapolis, 34-51 contra os Steelers em Pittsburgh, 07-42 contra os Cowboys em Dallas. Além disso, o Colts perdeu as duas primeiras partidas da temporada contra os Broncos (24-31 após sair perdendo por 24-0) e Eagles (30-27 após sair vencendo por 6-20), o que viria a ser cotidiano desde então.

Apesar da grande temporada no geral, os pontos negativos foram bem agravantes: várias partidas com inícios lentos (3-and-out nos primeiros drives), defesa mal preparada contra bons QBs, péssima execução na redzone, além da recorrente instabilidade da linha ofensiva. O placar não mostra, mas o time sofreu em algumas vitórias que deveriam ser fáceis, como os Browns e o segundo jogo contra os Texans.

Em nenhum dos 16 jogos da temporada regular de 2014 o Colts teve seu drive inicial da partida terminando em touchdown. Em cinco partidas foram field goals, e no restante muitos punts e turnovers. Basicamente, o time precisou correr atrás do placar na maioria dos jogos, o que diminui o balanço de snaps com jogo corrido, e restringe as possibilidades do plano de jogo.

Como Pep Hamilton é da escola West Coast, provavelmente as jogadas de Indianapolis no início da partida eram previamente designadas, desconsiderando o que o adversário colocava em campo. Outro ponto que prejudicou o desenvolvimento dos drives iniciais foram os erros mentais: muitas faltas de false start holding prejudicavam o andamento.

O problema de ritmo no ataque

Para exemplificar, observe o three-and-out dos Colts contra os Patriots na semana 11 de 2014:

O Colts utiliza um set de 3 WRs, um TE (Coby Fleener) e RB (Trent Richardson), todos alinhados em um conjunto que seria 5 WR. O objetivo é atacar o fundo do campo. Com o lado direito mais carregado, o Colts tenta induzir a defesa dos Patriots àquele lado. O erro aqui é que nenhuma rota ataca o lado esquerdo, abrindo a defesa. O Patriots responde em um conjunto de zonas e anula todas as rotas.

Enquanto isso, o defensive tackle vence seu duelo contra o center e desmonta o pocket, obrigando Luck a ir para o scramble, ganho de 4 jardas.

Na jogada seguinte, uma formação big com twin-TEs, terminando em ganho de 1 jarda de Trent Richardson.

Na terceira jogada, Pep Hamilton mais uma vez tentou atacar a defesa dos Patriots com um conceito de rotas verticais, que responde anulando TY Hilton com a combinação de press coverage e uma marcação em zona no fundo do campo.

Luck realiza sua progressão em leitura hi-lo e termina fazendo o checkdown.

Pep Hamilton tinha problemas para estabelecer um ritmo no ataque dos Colts com suas chamadas, o time era muito dependente de big plays para progredir em campo, e, quando chegava à redzone, estancava exatamente pelo curto espaço de campo. A falta de um jogo terrestre mínimo tornava as coisas ainda mais unidimensionais.

Essas situações criaram um cenário de risco para o jogo de Andrew Luck: sendo obrigado a atacar o campo, o QB conseguiu sua melhor temporada em jardas e TDs, ao mesmo tempo que voltou a crescer em número de turnovers.

Os problemas contra o jogo terrestre

Como mostramos com exemplos de 2012, a defesa dos Colts ainda era muito soft contra a corrida, e Bill Belichick aproveitou-se disso nas duas situações que enfrentou Indianapolis. Na temporada regular, o desconhecido Jonas Gray anotou 4 TDs corridos em pleno Lucas Oil Stadium.

No AFC Championship Game em Foxborough, LeGarrette Blount teve 30 carregadas para 148 jardas e 3 TDs. Comecemos a observar os problemas defensivos do Colts analisando a corrida mais longa de Blount no jogo, para 22 jardas.

O Patriots executa uma outside zone partindo do 22 personnel, indicando uma formação clara de corrida, que mesmo assim o Colts não conseguiu parar. Há pelo menos dois momentos em que a jogada poderia ser encerrada antes de se tornar uma big play. Mesmo preenchendo os gaps de forma correta, nenhum dos jogadores consegue fechar o tackle.

Retira-se essa jogada das estatísticas e ainda temos 29 carregadas para 126 jardas, resultando em 4,34 jardas por tentativa. Mais de um first down a cada 3 jogadas.

A temporada de 2015

O quarto ano do regime Pagano começou com a ilusão de que o Colts seria Super Bowl contender, mesmo o vídeo do jogo contra os Patriots na final de conferência mostrando o contrário.

O pior é que Jim Irsay acreditou e contratou vários veteranos para legitimar esse processo: WR Andre Johnson, RB Frank Gore, G Todd Herremans e OLB Trent Cole chegaram por contratos elevados, embalados pelo win-now. No Draft, Ryan Grigson pensou que nomes como Malcom Brown, Landon Collins, Erick Kendricks não eram bons o suficiente e escolheu Phillip Dorsett, WR de Miami.

Um time com problemas de trincheiras resolveu que a melhor solução era lotar o elenco de skill players, e a realidade de setembro provou que isso foi uma estratégia equivocada. Nos dois primeiros jogos da temporada, Rex Ryan (Bills) e Todd Bowles (Jets) não se intimidaram em atacar Luck com blitzes e capitalizar com erros.

Foram cinco interceptações e três touchdowns em dois jogos. Para exemplificar, vamos observar como as blitzes de Todd Bowles fizeram Luck cometer erros de leitura e como Pep Hamilton não ajustava o esquema para se aproveitar disso.

Hamilton mais uma vez desenha um conceito de rotas longas para iniciar o jogo, enquanto o RB não percebe a blitz chegando pelo lado esquerdo, deixando Luck em apuros.

Andre Johnson não consegue se livrar do press coverage e o timing com Luck é prejudicado. Ele toca a bola e a deixa no ar, interceptada por Buster Skrine.

Problemas de constante pressão contra blitz e rotas longas resultaram na lesão de Luck na semana 3 contra os Titans, que o tirou dos jogos contra Jacksonville e Houston. Luck voltou contra Patriots (o clássico jogo do fake punt), Saints, Panthers e Broncos, quando sofreu a lasceração de rim que o tirou do restante da temporada.

A temporada de 2015 foi atípica, record de 2-5 com Luck em campo e 5-3 com Matt Hasselbeck. Ao todo 10 QBs estiveram no roster de Indianapolis, sendo que além dos dois, Charlie Whitehurst, Josh Freeman e Ryan Lindley também tiveram snaps.

A ineficiência ofensiva dos Colts resultou na demissão de Pep Hamilton após a semana 6 contra os Panthers, e o cargo de coordenador ofensivo dos Colts foi assumido por Rob Chudzinski.

A temporada de 2016

Finalmente chegamos ao ponto em que a habilidade de Andrew Luck não foi mais suficiente para esconder a deficiência técnica dentro de campo e de planejamento dos Colts.

Apesar do segundo melhor ano estatisticamente do quarterback, foram oito derrotas, algumas delas com o que o time podia fazer de pior, como ceder 54 jardas em 35 segundo contra os Lions, ceder 14 pontos seguidos contra Brock Osweiler após estar vencendo por 23-9.

Além disso, o Colts perdeu jogos importantes contra Houston em Indianapolis e Oakland, quando possuía chances de tomar a liderança da AFC South, mesmo com campanha medíocre. Por toda a temporada, Luck teve sessões de treino limitadas devido ao que depois descobrimos ser sua lesão no ombro que o segura até hoje, além de perder o jogo de Thanksgiving na semana 12 por concussão.

Mesmo draftando Ryan Kelly na primeira rodada e ter contratado Joe Philbin para técnico de OL, Luck sofreu 15 sacks nos quatro primeiros jogos, 5 contra Denver e 6 contra Jacksonville. Em contrapartida, a OL melhorou bastante nos bloqueios de jogo terrestre e Frank Gore conquistou 100 jardas em um jogo algumas vezes, fato que não ocorria desde 2012 com Vick Ballard na semana 17.

Após Irsay renovar os contratos de Pagano e Ryan Grigson por 4 anos em janeiro de 2016, a temporada acabou com a demissão do GM. Chris Ballard foi contratado e mesmo assim obrigado a manter Chuck Pagano em 2017.

A temporada de 2017

A offseason de 2017 foi preenchida pela dúvida quanto à saúde de Andrew Luck. Irsay por vezes garantiu que o jogador estaria pronto para a semana 1, enquanto Chris Ballard não prometia nada. A verdade é que o quarterback foi colocado no IR após voltar a sentir dores no mês de outubro, e seguiu para tratamentos alternativos na Holanda.

Com isso, os Colts tiveram que se virar com Scott Tolzien e Jacoby Brissett, obtido por troca com o New England Patriots. O principal fator problemático em 2017 foi a quantidade de viradas que o time sofreu pela falta de ajustes no intervalo, destacando-se jogos contra Seattle, Tennessee, Houston, Pittsburgh, Denver e Baltimore.

A defesa adquiriu boas peças pela estratégia de Ballard em contratar jogadores que brigam por posição. Nomes como Jabaal Sheard, John Simon, Henry Anderson, Quincy Wilson, Malik Hooker, Nate Hairston, Rashaan Melvin e Johnathan Hankins desempenharam bons papéis enquanto estiveram em campo.

No ataque, Chudzinski tentou montar um ataque simplificado em run-pass-option, para facilitar a vida de Brissett, mesmo não sendo sua escola. O QB desempenhou um bom trabalho em algumas partidas, mas erros de leitura e falta de senso de urgência em algumas progressões se tornaram comuns. O ataque não conseguia se manter em campo e ajudar a defesa a descansar, além de não existirem ajustes da comissão técnica como um todo.

O Colts de 2017 é um time com bons valores individuais e sem o plano de jogo ideal, o que recai nos técnicos. Brissett sofreu 51 sacks em 2017, segunda maior marca da história da franquia, somando sua baixa capacidade técnica de se livrar da bola nos momentos certos e a regressão da linha ofensiva após pequena melhora no final de 2016.

Após a demissão de Pagano, o cenário para o Colts em 2018 é de uma reconstrução que na verdade nunca houve. Seis anos de um bom quarterback foram desperdiçados por decisões ruins dentro e fora de campo em todos os escalões do front office, e agora não sabemos em que condições Luck retornará a campo (ou se voltará).

Há diversas opções de jogadores que podem mudar de patamar tanto a defesa quanto o ataque no Draft de 2018. Jim Irsay não pode mais ignorar o fato de que a carreira de seu franchise QB está passando e precisa considerar bons nomes para sua nova comissão técnica para ajudá-lo, e não torcer para que o mesmo resolva tudo, como é padrão em Indianapolis desde os tempos de Jeff George.

  • Diego torce para os Colts e já está pedindo a demissão do próximo técnico.

Análise Tática #22 – Os seis anos de Chuck Pagano – Parte 1

O Pick Six traz para você leitor um trabalho mostrando como o Indianapolis Colts, que teve a sorte grande de draftar dois hall of famers seguidamente, conseguiu não traduzir tal feito em múltiplos Super Bowls. Iremos revisitar em duas partes todos os seis anos de Charles David Pagano como head coach dos Indianapolis Colts. Para você que é um leitor neutro, segue a oportunidade de uma ótima forma de entretenimento.

Chuck Pagano foi contratado pelo Indianapolis Colts em 2012, após a franquia ter demitido o mestre do controle de relógio Jim Caldwell e todas as sus expressões faciais. Em 2011, o torcedor dos Colts que ainda não tinha percebido descobriu que na verdade era Peyton Manning quem carregava o piano, e mesmo com jogadores históricos como Reggie Wayne, Robert Mathis e Dwight Freeney, sem seu QB o time não valia mais que aquele dinheirinho que vem em pipoca doce.

E 2012 começou assim, como reconstrução. Embalado pelo #SuckForLuck, Jim Irsay demitiu Caldwell, Bill e Chris Polian, HC, VP e GM do time, respectivamente, além de ter permitido com que Peyton Manning procurasse outro time para ser feliz. O processo de reconstrução começou com a contratação da dupla Ryan Grigson e Charles Pagano. Grigson tinha histórico do setor de scout no Philadelphia Eagles (apesar de seus colegas de trabalho não entenderem por que ele conseguiu tal emprego). Já Pagano veio tratado como mente defensiva, o guru de DBs que iria revolucionar a defesa dos Colts com coberturas homem-a-homem e single high, após anos executando a defasada Tampa 2 na gestão Dungy-Caldwell.

O draft de 2012 aconteceu e Jim Irsay chamou a responsabilidade garantindo a escolha de Andrew Luck sem mistério nenhum, semanas antes do Colts sequer entrar no relógio. Indianapolis garantiria mais 15 anos de franchise QB ao mesmo tempo em que Grigson garantiu armas para Luck draftando Coby Fleener, Dwayne Allen e T.Y. Hilton.

A temporada de 2012

O coaching staff dos Colts em 2012 era Charles Pagano como HC, Bruce Arians como OC e Greg Manusky como DC. Clyde Christensen permaneceu da gestão anterior para ser o técnico de QBs e desenvolver o talento de Andrew Luck. A primeira partida foi uma derrota por 41-21 contra os Bears de Jay Cutler no Soldier Field, e seria apenas a primeira de onze derrotas (e contando) em seis anos cedendo mais que 40 pontos ao adversário, pior marca da NFL.

Na segunda rodada, Andrew Luck liderou os Colts à sua primeira vitória na liga, em um 23-20 contra o Minnesota Vikings. Após liderar por 20-6 em três quartos, o Colts cedeu o empate tomando 14 pontos seguidos (familiar, caro leitor?). Luck botou o time no braço e colocou Adam Vinatieri em condição de chutar o field goal da vitória.

Bruce Arians enquanto coordenador ofensivo foi responsável por fazer Luck “perder o medo” de arriscar em profundidade, excelente trabalho inclusive que o rendeu o emprego que possui hoje no Arizona Cardinals.

Luck veio do College Football como o prospecto mais completo da história, basicamente o trabalho dos Colts era plugar e jogar, tendo que corrigir alguns erros pequenos como a tendência a arriscar demais. Entretanto, como sabemos, Luck tomava riscos por que sabia que era capaz de converter jogadas, o famoso “só bate quem erra”. Arians então aproveitou-se da capacidade de seu QB para desenvolver um ataque vertical, diferente do que Luck executava em Stanford, um híbrido de West Coast Offense clássica e Spread.

Nessa formação observamos um esquema que foi bastante utilizado no ano de calouro de Luck, e também foi uma das razões o qual era exposto a bastante sacks. Dois TEs em campo, singleback e dois receivers em lados opostos do campo. Reggie Wayne atrai a marcação no meio de campo e Donnie Avery encara seu marcador na rota fly. Luck aproveita o playaction fake e junto com um 5-step dropback, manda um passe perfeito, nada mal para um calouro em seu primeiro jogo em casa.

Normalmente, QBs calouros necessitam de um esquema que mascare suas deficiências para render, isso não aconteceu com Andrew Luck. Pagano e Arians não tiveram medo de expor seu signal-caller a leituras totais de campo, jogadas verticais, ajustes de proteção e option-routes, situações que geralmente apenas QBs com tempo de experiência profissional precisam enfrentar.

Durante o game-winning drive da partida entre Vikings e Colts, o ataque executou o conceito dagger, em que o alvo da jogada foi Reggie Wayne. Inclusive, o camisa 87 foi o principal alvo de Luck durante o ano de calouro e também um dos responsáveis por moldar o jogo de TY Hilton à sua imagem e semelhança. Repare nas rotas profundas e no 5-step drop, constante durante todo regime de Pagano.

Outra característica no jogo de Luck evidente desde suas primeiras atuações é a precisão de passe em janelas curtas. Na jogada abaixo, observe o QB anotando um TD ainda no jogo contra os Vikings em 2012. Esquema desenhado para aproveitar-se do release e do tamanho de Dwayne Allen como alvo na redzone. Luck coloca a bola na altura do peito de Allen com três defensores chegando na jogada, um passe fora de posição provavelmente seria defendido ou interceptado.

A defesa prevent

Uma característica dos Colts sob o comando de Chuck Pagano é diminuir a agressividade em situações de vantagem no placar ou campanhas de dois minutos. Basicamente, esse setor do time não encontrava respostas para os ataques adversários no momento em que era necessário dar um passo a frente, situação que custou derrotas ou precisou de que Andrew Luck resgatasse o time em desvantagem.

Esse tipo de coisa (contra Ponder ou não) foi comum.

Por muitas vezes, a defesa dos Colts parece uma unidade despreparada em campo, como se não houvesse nenhuma detecção dos padrões do adversário, além da baixa ou nula capacidade de ajustes de Chuck Pagano. Em 2012, isso ficou evidente na partida contra os Jaguars, encabeçado na época por Blaine Gabbert e Maurice Jones-Drew. Após abrir 14-3 antes do intervalo, os Colts cederam 19 pontos no segundo tempo para a derrota.

A defesa dos Colts tinha propensão a ceder big plays no jogo terrestre, mesmo contra times que o tinham como ponto primordial do ataque, como os Jaguars anteriormente mencionados. Alternaram-se os problemas de profundidade de elenco na defesa ao longo desses seis anos: quando havia bons LBs (Jerell Freeman), não havia DLs. Quando o front seven foi estabilizado com Cory Redding, houve o experimento LaRon Landry. Observe abaixo a ausência de atleticismo da linha defensiva em 2012 de proteger os gaps contra uma trap.

A campanha “Chuck Strong”

É impossível falar sobre a temporada de 2012 do Indianapolis Colts sem mencionar a ausência de Chuck Pagano de 12 jogos por conta do tratamento de leucemia. Diagnosticado na semana 4, bye week dos Colts, o técnico ficou ausente até a semana 17, quando retornou contra o Houston Texans. O impacto desse fato em campo é notável, por que após uma campanha 1-2, o time venceu 10 dos últimos 13 jogos da temporada, garantindo vaga nos playoffs como wild card.

Esse contexto é importante por que na época não se imaginava que um QB calouro como Andrew Luck, por melhor que fosse, seria capaz de transformar o time imediatamente. Com Bruce Arians acumulando as funções de head coach e coordenador ofensivo, o ataque teve um salto de qualidade, somado aos intangíveis relacionados ao tratamento de Pagano.

Em termos de plano de jogo e auxílio técnico, os 12 jogos de Luck sob a tutela de Bruce Arians e Clyde Christensen foram os melhores em sua carreira. Nesse período, o QB estabeleceu sua química com o veterano Reggie Wayne, principalmente em conversões de terceira descida, ao mesmo tempo em que TY Hilton aumentava gradativamente sua carga de snaps.

O jogo da semana 5 de 2012 contra os Packers é memorável nesse aspecto. Após sofrer 21-0 no primeiro tempo, os Colts conseguiram a primeira grande virada da carreira de Andrew Luck, vencendo por 27-30. Outras vitórias importantes nessa fase foram contra os Lions na semana 13 e contra os Texans na semana 17. Ao mesmo tempo, duas das derrotas foram acachapantes: Contra os Jets (9-35) e Patriots (24-59).

O encerramento da temporada de 2012 veio pela eliminação no wild card contra o Baltimore Ravens (que viriam a ser campeões) por 9 a 24.

A temporada de 2013

Bruce Arians saiu de Indianapolis rumo ao cargo de head coach em Arizona, e para sua reposição, os Colts trouxeram de Stanford o coordenador Pep Hamilton, familiar a Andrew Luck. A intenção com esse movimento era clara: implantar conceitos semelhantes à West Coast Offense híbrida que Luck operou em seus anos de College Football, sob a tutela de Jim Harbaugh e David Shaw.

A temporada de 2013 também pode ser lembrada como aquela em que os Colts derrotaram os melhores times à época: vitórias contra 49ers, Seahawks, Broncos e Chiefs em contextos inexplicáveis. Mas também houve derrotas por mais de 20 pontos contra Rams, Cardinals e Bengals.

A instabilidade na posição de Center

Após anos com uma das melhores duplas QB-Center da história em Peyton Manning e Jeff Saturday, o Colts teve dificuldades ao encontrar estabilidade em um parceiro confiável para Andrew Luck. Nomes como AQ Shipley, Samson Satele, Khaled Holmes e Jonnothan Harrison (este ultimo mais recentemente) se revezaram na posição fundamental da linha ofensiva.

Apesar de o left tackle geralmente ser o jogador mais bem pago, por inúmeras vezes enfrentar o melhor pass rusher adversário, quase sempre individualmente, e proteger o lado cego do quarterback, considera-se o center como posição mais importante taticamente, pois este jogador é responsável por identificar o tipo de front utilizado pelo adversário, se há blitz, e orientar pré-snap os demais jogadores em suas tarefas.

Além disso, o ato do snap é uma tarefa subestimada. Uma boa dupla pode utilizar de hardcount e fazer com que defensores cometam offside, um bom snap também determina a velocidade com que a jogada se desenvolve, dando um segundo a mais para o QB no pocket, que pode ser precioso ao completar um passe.

Por vezes vimos em Samson Satele essas duas deficiências. Guard de origem, o jogador tinha dificuldade em realizar o snap e identificar seus bloqueios. Observe nessa outside zone¸ que Satele não consegue engajar em nenhuma de suas funções na jogada, primeiro e segundo nível. A jogada não é bem-sucedida por outros fatores além.

O experimento Trent Richardson

Para tratar de Trent Richardson nos Colts, é interessante retornarmos ao draft de 2009.

Fonte: Bleacher Report

Na primeira rodada daquele draft, Bill Polian selecionou Donald GODDAMIT Brown, o escolhido para ser o contrabalanço a Peyton Manning no crepúsculo de sua carreira. Obviamente, a escolha deu errado e Donald nunca foi um jogador de elite na NFL, enquanto Polian afirma que teria escolhido Clay Matthews se não fosse por um trade up dos Packers à escolha anterior à sua (você não engana ninguém, Bill) ou mesmo ter passado LeSean McCoy (escolhido na segunda rodada pelos Eagles naquela ocasião).

Mas o que isso tem a ver com Trent Richardson? Bem, após ter ficado óbvio que Donald Brown ter sido uma escolha ruim, Jim Irsay foi para o movimento arriscado. Ryan Grigson e ele concordaram que era uma boa ideia trocar uma escolha de primeira rodada por Trent Richardson. A ideia era acelerar o processo de transformação dos Colts a postulante ao Super Bowl rapidamente. Em campo, o que se viu foi um running back muitas vezes acima do peso que não conseguia realizar as leituras corretas.

Em amarelo, o caminho ideal, em vermelho o caminho que ele escolheu. Fonte: SB Nation

O desenvolvimento da jogada anterior:

Por fim, um lance que talvez estivesse nos melhores piores momentos da semana se a coluna existisse à época. Em um jogo de playoffs, Trent Richardson se atrapalha em trocar a bola de mãos enquanto tenta cortar pelo meio da defesa do Kansas City Chiefs.

 

  • Diego Vieira torce pelo Indianapolis Colts e não sabe como sobreviveu a esse sofrimento.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

Missão Tennessee: surfando em direção ao Super Bowl

Uma outra verdade irrefutável da NFL é que o Tennessee Titans é um time irrelevante e sem graça. Reflita: você, leitor, conhece algum torcedor verdadeiramente apaixonado pelo Titans? Ou então, tem algum amigo que odeia o time de Tennessee do fundo do seu coração? Provavelmente não, porque o Titans, com raras exceções, não desperta amores e ódios. É uma franquia que vive no limbo do pior dos sentimentos: a indiferença.

Isso acontece porque, desde que deixou de ser Houston Oilers para se tornar Tennessee Titans, em 1997, o time não tem incomodado ninguém. É verdade que, em 1999, com apenas dois anos de idade, o Titans chegou ao Super Bowl e esteve a, literalmente, centímetros de levar o Lombardi Trophy para casa, mas o destino, talvez por mero bom senso, não quis que acontecesse. Desde a improvável aparição no SB, foram apenas duas vitórias em playoffs, em 2002 e 2003, ainda nos tempos do QB Steve McNair, umas das poucas estrelas que vestiram o bonito uniforme azul. Sem vencer em pós-temporadas há 14 anos, o Titans tem sido, no máximo, um figurante na NFL.

Não deu.

Novos ventos

Mas isso tudo vai mudar. Apesar do negativismo do início do texto, podemos afirmar com uma boa dose de certeza que esse cenário de mediocridade está muito próximo de ser superado. Sim, é arriscado e corremos o risco de amargar um profundo arrependimento no futuro, mas temos que dizer que, em breve, o Tennessee Titans será uma das grandes forças da NFL.

A reviravolta vai começar já em 2017 e o responsável por ela se chama Marcus Mariota. Enquanto outros times (oi, Browns e Jets) vivem uma luta eterna para encontrar seu franchise QB, o Titans já tem o seu. Em duas temporadas como titular, Mariota não foi perfeito – inclusive cometeu erros difíceis de aceitar –, mas mesmo assim mostrou que tem qualidade mais do que suficiente para tirar a franquia do ostracismo e ser um dos grandes QBs da NFL.

Em 2016, na temporada regular, Mariota passou para 3426 jardas, 26 TDs e apenas nove interceptações, o que resultou em um excelente rating de 95,6. Uma das estatísticas mais impressionantes do QB do Titans é a de eficiência na red zone: de acordo com o site Pro Football Focus, Mariota completou 64% dos passes que tentou nas últimas 20 jardas do campo com 33 TDs e nenhuma interceptação. É necessário repetir e enfatizar: Marcus Mariota nunca lançou uma interceptação na red zone.

É impressionante e, claro, difícil acreditar que esse ritmo possa ser mantido. Porém, mesmo que haja uma regressão nos números, se conseguir terminar uma temporada saudável e reduzir o número de fumbles sofridos (apenas em 2016 foram nove), Canton é o limite para Marcus.

Nota do editor: calma, cara!

Cercado por talento

Reconhecendo a qualidade do QB que tem e a necessidade de aumentar a dose de talento ao redor dele, os técnicos do Tennessee Titans decidiram renovar o corpo de recebedores à disposição de Mariota. O mediano Kendall Wright e o sexagenário Andre Johnson foram dispensados e o time investiu duas altas escolhas do draft de 2017 em WRs: Corey Davis, no primeiro round, e Taywan Taylor, no terceiro. Na free agency, o time contratou o bom Eric Decker, que terá que superar uma contusão no ombro que o tirou da temporada 2016. Os recém-chegados se juntam ao bom Rishard Matthews e a um dos melhores Tight Ends da liga, Delaine Walker.

Além do grupo de recebedores acima da média, Tennessee ainda tem talvez a melhor dupla de RBs da NFL, o que é muito importante para um time que, em 2016, teve a terceira maior porcentagem de corridas da liga e ficou em quarto em jardas por carregada.

Por terra, DeMarco Murray tem tudo para repetir as 1287 jardas corridas que conquistou na temporada passada, a segunda melhor marca de sua carreira. Murray, porém, já tem bastante kilometragem na liga, e precisa de descanso; por isso, Derrick Henry, que não foi tão acionado quanto Murray no ano passado, mostrou que pode e deve ser mais utilizado. Com um ataque aéreo mais perigoso e com uma participação maior de Henry, o Tennessee Titans tem tudo para, no mínimo, estar no top 10 ofensivo da NFL em 2017.

Destino: Canton.

Evolução

O sistema defensivo do Tennessee Titans terminou a temporada 2016 na média em quase todas as estatísticas, apesar de ter tido momentos de brilho, como na vitória por 47×25 contra o Green Bay Packers, em que Aaron Rodgers foi interceptado duas vezes. A força da defesa foi o grupo de DL e LB, responsáveis por 40 sacks, sexta melhor marca da liga. Jurrell Casey, Brian Orakpo e Derrick Morgan, responsáveis por 24 dos 40 sacks de 2016 continuam no time e formam um grupo que pode tanto ser eficiente parando o jogo corrido adversário quanto pressionando o QB.

A secundária, ponto fraco do time na temporada anterior, foi onde o Titans mais investiu. No draft, Tennessee investiu uma de suas escolhas de primeiro round no CB Adoree Jackson, que tem habilidade atlética semelhante a Darrelle Revis e Patrick Peterson e deve ser colocado instantaneamente como titular. Do outro lado do campo, o Titans deve ter o veterano CB Logan Ryan, que chegou do New England Patriots na free agency com um contrato de três anos valendo 30 milhões de dólares. Além deles, a secundária será reforçada pelo ex-Jaguar Johnathan Cyprien, que será um dos safeties titulares.

Com a base da linha defensiva mantida e com as adições à secundária, a única possibilidade para a defesa do Titans é a evolução. É claro que não se trata de uma defesa do mesmo nível de Denver Broncos, Houston Texans ou Seattle Seahawks, mas deve ser suficiente para, junto com um ataque equilibrado, levar o time à pós-temporada pela primeira vez desde 2008.

Palpite: Las Vegas acredita que o Tennessee Titans conseguirá 8,5 vitórias em 2017. Nós discordamos e acreditamos em uma temporada com 10 vitórias e o título de uma divisão que terá apenas um real adversário: o Houston Texans. Nos playoffs, não seria nada surpreendente se o Titans conseguisse pelo menos uma vitória, se tiver a sorte de enfrentar um adversário favorável. Mesmo que o sucesso não chegue tão logo quanto 2017, lembre-se que o Pick Six foi o primeiro a te alertar sobre o futuro brilhante do Tennessee Titans.

A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Eu realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando m**da: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar. Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

Sonho de noites de verão, por Andrew Luck e amigos

A temporada 2017 começará de uma forma diferente para o torcedor do Indianapolis Colts: dessa vez, há esperança. Se no início de sua carreira Andrew Luck conseguiu mascarar as falhas da equipe, levando até mesmo a ideia de que a temporada 2015 era algo como “tudo ou nada” – acabou sendo nada -, nos últimos anos isso não foi possível. Seja por problemas de lesão ou pela simples inaptidão de seus companheiros de equipe de, bem, jogar futebol americano como seres humanos, Andrew não conseguiu levar os Colts aos playoffs.

A situação era tão crítica que até Jim Irsay percebeu. E, para tentar resolver os problemas de Andrew Luck da franquia, demitiu o general manager Ryan Grigson ao final de janeiro. Contamos aqui por que a partida de Grigson pode ser qualificada, basicamente, como “pior que está, não fica”.

Para o seu lugar, os Colts foram até Kansas City buscar Chris Ballard, nome muito bem quisto ao redor da liga (sejamos francos, nem meia dúzia de brasileiros sabiam quem era esse cara até ele chegar em Indy – mas, aparentemente, ele é fera mesmo).

Pelo menos é uma carinha mais confiável depois de Ryan Grigson.

Ballard começou sua trajetória em Indianapolis chutando alguns traseiros: D’Qwell Jackson; Arthur Jones; Patrick Robinson e até mesmo o long snapper, Matt Overton. Além disso, contratos de alguns jogadores carinhosamente apelidados pela torcida de “pesos mortos” não foram renovados, como os casos de Trent Cole e Erik Walden. Para completar, Dwayne “mãos de pedra” Allen foi trocado com o New England Patriots onde, claro, milagrosamente encontrará a coordenação motora necessária para se tornar um atleta profissional.

Já para suprir as “perdas”, a forma como Ballard trabalhou na Free Agency foi diferente daquela que os Colts viram fracassar em 2015, quando a franquia contratou jogadores velhos e caros – o já citado Trent Cole, Andre Johnson, Todd Herremans e Frank Gore. Dessa vez, porém, os reforços foram pontuais e mais baratos.

Nem tudo são flores

Apesar da demissão de Ryan Grigson, o técnico Chuck Pagano foi mantido. Por ter sobrevivido a Black Monday, Chuck tinha o timing a seu favor: não restavam muitas opções de qualidade no mercado e, os nomes que sobravam já estavam apalavrados com outras franquias (coff coff Kyle Shanahan coff coff). Existem também rumores que Jim Irsay pediu para Ballard dar uma chance a Pagano e, caso nada dê certo, ele terá passe livre pra se livrar dele ao final da temporada.

Considerando as mudanças e que Andrew Luck vem de uma cirurgia no ombro, podemos dizer que não há muita pressão para os Colts vencerem nessa temporada. Há, no entanto, a necessidade real de melhora. A torcida não espera que esse time chegue ao Super Bowl – se chegar, ótimo, mas o objetivo principal é evoluir e ter um elenco capaz de competir em alto nível pelos próximos anos.

Respeitem meus meninos

Algumas pessoas insistem em achar que Andrew Luck é overrated. Não vamos perder tempo com elas. Para a posição de quarterback os Colts estão bem servidos, sendo a única interrogação se Luck perderá algum tempo e o quanto isso afetará seu jogo; a cirurgia a que ele foi submetido é considerada delicada e, truque do destino, no ombro que ele usa para lançar.

Por outro lado, se a linha ofensiva foi o calcanhar de aquiles do ataque por muito tempo, hoje podemos dizer que não há tanta preocupação com a unidade quanto em outras épocas. Apesar do número alto de sacks do último ano, claramente houve uma progressão depois da segunda metade da temporada. E, além disso, os bloqueios para a corrida foram uma grata surpresa: de acordo com o Football Outsiders, a unidade foi a terceira melhor da liga no jogo corrido, em jardas ajustadas. Isso considerando que três dos cinco atletas da linha eram calouros em 2017, a tendência para a próxima temporada é de uma melhora ainda mais significativa.

No entanto, o ataque terrestre, quando falamos dos running backs, não é muito animador. Frank Gore está um ano mais velho e cada vez mais lento, enquanto Robert Turbin foi usado mais como fullback em seu primeiro ano. Já o calouro Marlon Mack, um dos atletas mais explosivos dessa classe do draft, ainda é muito inexperiente em alguns aspectos do jogo (bloqueios, por exemplo). Mesmo assim caberá a ele dar explosão as carregadas da equipe e, a menos que alguém surpreenda, o grupo de RBs está longe de empolgar.

No corpo de wide receivers, a exceção sendo a boa adição de Kamar Aiken, os nomes são praticamente os mesmos. TY Hilton liderou a NFL em jardas recebidas, apesar de muita gente achar que ele não é tudo isso. Suck it, haters. Donte Moncrief, que perdeu parte do último ano por lesão, está no último ano de seu contrato e fará de tudo para garantir um bom salário. Abaixo deles no dept chart, restam Phillip Dorsett, que precisa provar seu valor para não ser cortado e Chester Rogers, que tem atraído muitos elogios pelo seu trabalho na offseason.

Maior número de jardas recebidas em 2016. Still underrated.

Melhorou – até porque não havia como ficar pior

A unidade está completamente remodelada. O adeus de jogadores velhos ou meia-bocas obrigou Indianapolis a reformular o setor defensivo: não se surpreenda se em algum momento da temporada todos os jogadores em campo forem nomes que estarão no seu primeiro ano em Indianapolis.

Já a linha defensiva, além de contar com o retorno de Kendall Langford e de Henry Anderson, dessa vez mais saudável, tem a boa adição de Johnathan Hankins, um dos melhores DTs da liga. Além deles, Hassan Ridgeway e TY McGill, que já mostraram potencial, o novato Glover Stewart, e os veteranos Al Woods e Margus Hunt batalham por vagas no elenco final.

O corpo de LBs também será outro: Jon Bostic e Sean Spence devem ser os titulares no lugar de Edwin Jackson e Antonio Morrison, que eventualmente brigarão pela titularidade e podem ser reservas de qualidade, mais experientes e com menor pressão.

No caso do pass rushers, a unidade deixa de ser um asilo: apenas Akeem Ayers retorna. O calouro Tarell Basham e os veteranos Jabaal Sheard, John Simon e Barkevious Mingo dão nova vida ao grupo, que dificilmente será pior que no último ano.

Por fim, a secundária conta com o retorno de Vontae Davis, no último ano de seu contrato; de Rashaan Melvin, que foi uma grata surpresa em 2016; Darius Butler, que pretende ser uma espécie de híbrido entre CB e S em tempo integral, depois de uma boa experiência alternando posições na última temporada; e Clayton Geathers, que deveria ser um dos safeties titulares, mas vem de lesão delicada no pescoço, e seu futuro na liga ainda é incerto.

Em contrapartida, o segundo-anista TJ Green, apesar de seu talento atlético, tem caído cada vez mais no dept chart, treinando muitas vezes com o terceiro time em alguns momentos. Matthias Fairley, que muitos torcedores sequer sabem quem é, pode ser o reserva imediato na posição de safety. Chegam ainda ao grupo Malik Hooker, um steal para os Colts na primeira rodada do draft, e Quincy Wilson, que facilmente poderia ser escolhido na primeira rodada não fosse essa uma classe recheada de bons CBs.

Palpite: A AFC South não é mais a baba que era alguns anos atrás, onde mesmo com elencos fracos, os Colts venciam com facilidade. Como a equipe se sairá dentro da própria divisão definirá a classificação para os playoffs, considerando que a schedule é teoricamente fácil. Não podemos nunca descartar um time comandado por Andrew Luck, mas chegar ao Super Bowl ou mesmo ao AFC Championship, no entanto, pode ser considerado um sonho impossível.

Qualquer perspectiva de futuro é mais bela sem Brock Osweiler

A temporada 2017 da NFL começou de uma maneira inusitada para o Houston Texans. Ainda em março, em um momento de clara admissão de culpa, raro na liga, o time concordou com uma troca com o Cleveland Browns que enviou o QB Brock Osweiler, contratado há apenas um ano, a escolha de segundo round do draft de 2018 e a escolha de sexto round de 2017. Em troca, Houston recebeu uma mísera escolha de quarto round de 2017. O objetivo era consertar um erro muito óbvio: a ruindade de Osweiler era tão grande quanto o salário que recebia e que causava um rombo no salary cap do time. Osweiler era, talvez, o pior custo-benefício da história da NFL.

Mandá-lo embora e ainda pagar por isso pode parecer uma atitude extrema, em que uma escolha de draft bastante relevante está sendo jogada no lixo, mas não é. Ao invés de continuar insistindo no erro, como muitos times fazem, o Texans preferiu seguir em frente na busca pelo seu franchise QB. Não é à toa que a reação às performances pífias de Osweiler veio tão rápido. Desde 2013, Houston teve nove QBs diferentes que iniciaram partidas como titulares, número igual ao de um time notadamente inapto a encontrar QBs capazes: o mesmo Cleveland Browns que recebeu Brock e hoje até cogita colocá-lo como titular no início da temporada.

Mandar Osweiler para bem longe de Houston foi o primeiro e necessário passo para um time que, há anos, parece estar a um QB de distância de ser um sério candidato a disputar um Super Bowl. O segundo passo foi pular da 25ª escolha do primeiro round do draft para a 12ª,  também em uma troca com o Cleveland Browns, para justamente escolher um QB. Mesmo com declarações de que o time estaria totalmente confortável com o fraco Tom Savage como QB titular para 2017, Houston enviou sua escolha de primeiro round de 2018 para Cleveland e escolheu Deshaun Watson, da Universidade de Clemson. De forma resumida, Houston enviou escolhas de primeiro e de segundo round para Cleveland para se livrar de Osweiler e draftar Watson.

Uma nova perspectiva

O investimento foi muito alto e deve se refletir em campo. Watson é um QB muito mais talentoso que Savage e, mesmo que não inicie a temporada como titular, o que é bastante difícil de compreender, não deve esquentar o banco por muito tempo. É, no mínimo, interessante imaginar o que um QB que teve muito sucesso no college e que é uma ameaça tanto aérea quanto terrestre pode fazer em um time que viu QBs pouco dinâmicos iniciarem jogos nos últimos anos, como Brian Hoyer, Ryan Mallet e o próprio Brock Osweiler. Quando se tornar titular, Watson não deve ter suas fraquezas muito expostas, já que o Houston Texans tem uma defesa forte que não toma muitos pontos e não precisa de um QB fazendo milagres para ganhar jogos.

Em 2017, a proteção que o resto do time proporciona deve ser um dos motivos que trará relativo sucesso a Watson na NFL. É difícil imaginar que o ex-QB de Clemson tenha números astronômicos em sua primeira temporada, mas é fato que ele não deve comprometer. Também é importante lembrar que, desde que assumiu o Texans, em 2014, o técnico Bill O’Brien teve à disposição apenas QBs abaixo da linha da mediocridade. Mesmo assim, conseguiu temporadas com mais vitórias do que derrotas em todos os anos, com duas aparições em playoffs, o que torna bastante possível acreditar que O’Brien saberá aproveitar o potencial de Watson e minimizar suas fraquezas.

Trazendo o famoso “espírito de campeão”.

Talento ao redor

Além de não precisar carregar o time nos braços, Watson tem muito talento ao seu redor. Seu WR principal é DeAndre Hopkins, que em 2015 se tornou o único recebedor da história da NFL a conseguir jogos de pelo menos 100 jardas com quatro QBs diferentes em uma temporada. É um número bastante significativo, que evidencia o talento de Hopkins e mostra que ele pode e deve ser a principal válvula de escape para um QB calouro. Hopkins não teve uma boa temporada em 2016 e não se pode absolvê-lo totalmente da culpa, mas é importante lembrar que a performance de Brock Osweiler foi muito ruim e tudo que DeAndre podia fazer era tentar receber passes que chegavam a aproximadamente 20 metros de onde estava. A temporada mágica de 2015 não deve se repetir para Hopkins, mas as boas performances devem voltar a acontecer a partir do momento em que a química com Watson (ou mesmo Savage) se desenvolver.

Hopkins falou à NFL Network sobre ter DeShaun Watson e Tom Savage como QBs em 2017 e disse estar ansioso: “Você sabe, durante toda a minha carreira eu acho que já joguei com mais QBs do que qualquer WR já jogou nos seus primeiros quatro anos. Nunca tive estabilidade na posição para conseguir estabelecer um entrosamento. Então, é um sentimento muito bom ter dois jogadores que podem ser franchise QBs”.

Ameaça terreste

Além de Hopkins, o ataque do Houston Texans terá a segunda temporada do bom RB Lamar Miller. Assim como Hopkins, em 2016, Miller foi prejudicado pelo ataque anêmico comandado por Osweiler e teve a pior média de jardas por carregada de sua carreira: quatro. Mesmo com as defesas adversárias não respeitando Osweiler e focando em parar o jogo corrido, Miller ultrapassou as 1000 jardas corridas nos 14 jogos que disputou. É difícil acreditar que não haverá uma melhora nos números de Miller se Watson mostrar o mínimo de competência para colocar medo nas defesas adversárias e facilitar a vida do jogo corrido.

Prejudicado por Osweiler ou só mais um produto da defesa dos Colts?

De qualquer forma, em 2017, a engrenagem do ataque do Houston Texans não terá mais uma peça defeituosa na posição de QB e o sucesso individual de cada jogador deve significar o sucesso dos demais. O Texans não terá um dos melhores ataques da NFL, mas também não será um dos piores. Para conseguir um bom desempenho na temporada regular, o ataque será mais do que suficiente, mas é provável que o drama de não ir longe nos playoffs ainda persista por mais um ou dois anos.

Watt & amigos

Os elogios para o ataque do Texans foram razoavelmente generosos, mas não se enganem: a principal força do time sempre foi e ainda é a defesa. Mesmo sem o monstro chamado J.J. Watt por um caminhão de jogos em 2016, a defesa do Texans conseguiu terminar a temporada em primeiro em jardas cedidas por jogo e em décimo primeiro em pontos permitidos. Isso prova que, mesmo sem o seu principal destaque individual, a defesa tem um dos grupos mais consistentes da liga.

Talvez seja otimismo exagerado esperar o mesmo desempenho da secundária, que perdeu na free agency o CB A.J. Bouye, um dos melhores jogadores do time na temporada passada, mas a pressão que a melhor linha defensiva da liga deve colocar nos QBs adversários deve ser suficiente para compensar.

Mesmo assim, J.J. Watt é um monstro e coleciona 70,5 sacks desde 2012, o melhor da NFL. Se estiver saudável, Watt é capaz de carregar a defesa literalmente nos próprios braços. Ao seu lado estará Jadeveon Clowney, que tem sofrido muito com contusões e ainda não justificou a primeira escolha geral do draft que o time gastou nele em 2014, mas já mostrou flashes do que é capaz.

A chave para o sucesso da defesa do Texans está na saúde de Watt e Clowney. É assustador pensar o que os dois podem fazer juntos em uma temporada completa. Se permanecerem saudáveis, não é exagero nenhum dizer que Houston brigará com o Denver Broncos e com o Seattle Seahawks pelo posto de melhor defesa da NFL.

Palpite: Em uma conferência sem grandes times (tirando o New England Patriots) e, principalmente, em uma divisão imprevisível, o Houston Texans deverá chegar aos playoffs novamente com nove ou dez vitórias. Mas as perspectivas de Super Bowl devem esperar um pouco mais, já que o time será eliminado no divisional round dos playoffs por um time mais experiente, como o Pittsburgh Steelers ou qualquer coisa que o valha.

De Peyton Manning a Andrew Luck: mesmos erros, mesmas histórias

Com a primeira escolha geral do draft de 1998, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Peyton Manning, de Tennessee. Com a primeira escolha geral do draft de 2012, o Indianapolis Colts selecionou o quarterback Andrew Luck, de Stanford.

Não é só a posição em que foram escolhidos que aproxima a carreira dos dois melhores QBs que a cidade de Indianapolis já viu. Peyton Manning enfrentou dificuldades nos seus primeiros anos na liga e Andrew Luck também o fez. Peyton teve um head coach questionado no início de sua carreira, Andrew ainda o tem. Manning comandava um ataque explosivo quando jovem e Luck ainda o faz.

Esses aspectos em comum trazem a tona a seguinte questão: por que o Colts não consegue aproveitar seus jovens quarterbacks ao máximo? Por que um time que contou com Peyton Manning e conta com Andrew Luck tem um Super Bowl a menos que a franquia que venceu a liga duas vezes com Joe Flacco (aquele!) e Trent Dilfer (quem?) no mesmo período?

Direto do túnel do tempo

Peyton Manning chegou em Indianapolis em 1998, após o time ter uma temporada 3-13. Em seu primeiro ano na liga ele lançou 29 interceptações e os Colts terminaram com o mesmo recorde anterior. Ruim, óbvio, mas aceitável para um rookie, afinal, desde que abandonara Baltimore na calada da noite, a franquia nunca teve uma mentalidade vencedora. A exigência não era a maior do mundo.

Na temporada seguinte o time de Jim Mora terminou o ano 13-3, vencendo 11 dos últimos 12 jogos. Manning foi escolhido para o Pro BowlSecond Team All Pro. Além disso, o RB Edgerrin James despontou na liga e foi escolhido como rookie ofensivo do ano. Mas tal rendimento na temporada regular não garantiu uma boa estreia nos playoffs: derrota por 19-16 para os Titans, jogo em que Peyton completou 19/42 passes, não lançou nenhum touchdown e, mais assustador, correu pra um. Apesar da eliminação, o futuro se mostrava promissor no RCA Dome.

2000 foi marcado pela irregularidade dos Colts e o resultado final de 10-6 evidenciou isso. Mais uma vez, Manning foi Second Team All-Pro e escolhido para o Pro Bowl juntamente com o WR Marvin Harrison e o RB Edgerrin James. Nos playoffs, porém, nova decepção: mais um jogo ruim de seu quarterback (197 jardas e 1 touchdown) e os Colts deixaram uma vantagem de 14 pontos no intervalo escapar para o Dolphins do glorioso Jay Fiedler – uma espécie de Dan Marino ao contrário. Além disso, o kicker Mike Vanderjagt perdeu o que seria o FG da vitória; para se ter uma noção do feito, essa é a vitória mais recente do time de Miami nos playoffs. Sim, há quase 20 primaveras.

Ainda estamos vários parágrafos distantes dessa cena.

Depois de duas derrotas nos playoffs, o técnico Jim Mora – na época o mais velho da NFL – era questionado por não conseguir fazer a equipe dar o “próximo passo”. Nada mudou e a temporada de 2001 foi péssima. A defesa dos Colts permitiu uma média de 30 pontos por jogo, Peyton lançou 23 interceptações e foi sackado 29 vezes, maior marca de sua longa carreira. Após terminar a temporada 6-10, Mora acabou demitido, deixando como legado um dos maiores vídeos da história do futebol americano.

Mudanças (mas nem tanto)

Em 2002, Indianapolis foi buscar o técnico Tony Dungy com o objetivo de consertar aquilo que alguns tinham a audácia de chamar de defesa. Foi também o primeiro ano da equipe na AFC South, depois de 32 temporadas na AFC East. Após 10 vitórias e 6 derrotas na temporada regular, o Colts foi humilhados pelos Jets nos playoffs, perdendo por 41-0. Manning lançou pra 137 jardas e 2 INTs na oportunidade, mesmo tendo novamente sido escolhido para o Pro Bowl naquele ano.

Para curar a ressaca, 2003 foi um grande ano para o time e para Peyton: o time chegou a final da AFC após um recorde de 12-4 na temporada regular. Na vitória por 41-10 no wild card contra os Broncos, Manning teve um rating perfeito (158.3) pela segunda vez na temporada. No Divisional, vitória por 38-31 sobre os Chiefs, em mais um sólido jogo: 304 jardas e 3 TDs. Na final da AFC, uma derrota amarga para os Patriots por 24-14: Peyton foi interceptado e sackado quatro vezes e teve terceiro pior rating da carreira (35,5). Como prêmios individuais, ele foi escolhido 1st Team All Pro, Pro Bowl além de dividir o prêmio de MVP com o também QB Steve McNair.

A temporada de 2004 dos Colts foi marcada por um ataque colossal: 522 pontos totais – os 277 no primeiro tempo dos jogos foi maior que a marca total de 7 equipes naquele ano (para se ter uma ideia, o ataque dos Rams em 2016 marcou 224, ou seja, precisaria de 2,33 temporadas pra alcançar o mesmo que o sistema ofensivo de Indianapolis consegui só em 2004).

Manning lançou ainda 49 TDs, batendo o recorde que na época pertencia a Dan Marino (48), foi novamente MVP, jogador ofensivo do ano, 1st Team All Pro e Pro Bowler. A equipe terminaria a temporada 12-4 e tornaria a vencer os Broncos no Wild Card em mais um grande jogo de seu quarterback: 27/33, 4 TDs 1 INT, uma corrida de 4 jardas pra TD e 145,7 de rating. Já no Divisional, derrota por 20-3 em New England, em partida que a defesa permitiu mais de 200 jardas terrestres e o ataque foi neutralizado.

Mesmo roteiro ou filme repetido? 2005 foi mais um grande ano dos Colts e, como já se tornara habitual, de Manning. O time venceu 14 jogos na temporada regular, incluindo um convincente 40-21 sobre o New England Patriots em Foxborough. Em uma das poucas oportunidades em que lançou para menos de 4000 jardas, ainda assim Peyton teve o melhor rating da liga (104.1). Não foi o suficiente para ser novamente MVP: o camisa 18 ficou atrás de Shaun Alexander na votação. As escolhas para o Pro Bowl e 1st Team All Pro, porém, se mantiveram, além do Walter Payton Man of The Year, conquistado pela primeira vez.

Mas a derrota nos playoffs foi de partir o coração. Enfrentando o último classificado, Pittsburgh, Indianapolis poderia ter passado de fase se não fosse por um jogador esfaqueado que não conseguiu escapar do tackle do ultra-atlético-só-que-não Ben Roethlisberger e um kicker idiota que desperdiçou um chute para empatar a partida com 17s restantes no relógio.

Como o tempo é capaz de curar tudo, 2006 finalmente foi o nosso ano caralho chegou e, com ele, mais recordes foram quebrados: os Colts se tornaram o primeiro time da história a vencer seus nove primeiros jogos em duas temporadas consecutivas. Nos playoffs, Indianapolis derrotou Kansas City por 23-8, em jogo tranquilo. Já no Divisional, em Baltimore, não houve tanta facilidade. Nenhum dos times conseguiu marcar touchdowns e Adam Vinatieri, kicker então recém-contratado, exorcizou todos os demônios imagináveis e marcou 5 FGs na vitória por 15-6.

Era tudo tão mágico que o AFC Championship Game foi um dos jogos mais memoráveis da história. Sério: se você nunca assistiu, assista. Após estar atrás por 21-3 em determinado ponto do jogo, os Colts conseguiram uma dramática vitória por 38-34, em um jogo que contou inclusive com 2 TDs marcados por jogadores de linha ofensiva.

Estávamos diante dos portões do paraíso: o Super Bowl XLI, disputado em Miami contra o Chicago Bears, aconteceu sob forte chuva, que a cada gota que tocava o sagrado uniforme de Indy, lavava anos e mais anos de desgraças intermináveis. No campo, ambas as equipes foram prejudicadas pela bola molhada, mas, no final, o estilo de jogo conservador dos Colts, distribuindo passes curtos, prevaleceu. A franquia e Peyton Manning, finalmente alcançaram o objetivo maior e, enfim, no fundo todos sabíamos que os deuses do football não cometeriam a heresia de permitir que Rex Grossman levantasse o Vince Lombardi.

Ano após ano, nosso time sempre caía. E isso era decepcionante“, disse um emocionado Manning, escolhido MVP da partida. “De alguma forma achamos um jeito de aprender com essas derrotas. E nos tornamos um time melhor por causa disso“, completou.

Aconteceu? É real?

De volta à realidade

Os Colts entraram em 2007 como favoritos para vencer o Super Bowl e o time mostrou sua força no início da temporada. As sete vitórias nos sete primeiros jogos por três anos seguidos foi mais um recorde batido pela equipe. O S Bob Sanders foi escolhido Defensive Player of The Year. Terminando a temporada 13-3, Manning recebeu Phillip Rivers (que mesmo com o ligamento rompido terminou o jogo: abraços, Jay Cutler) e os Chargers naquele que foi o último jogo do RCA Dome. Ele lançou 402 jardas e 3 TDs, mas as 2 interceptações foram custosas na derrota por 28-24, em um duelo de muitas alternâncias de liderança.

Já o início de 2008 não foi muito promissor, mas após 9 vitórias consecutivas, Manning levou os Colts para os playoffs e o seu terceiro prêmio de MVP para casa, além da seleção para mais um 1st Team All Pro. Nos playoffs, o time não conseguiu a revanche contra os Chargers: após empate no tempo normal, San Diego venceu o coin toss e anotou o touchdown na prorrogação.

Para a temporada seguinte, Tony Dungy, técnico hoje no Hall da Fama, se aposentou e em 2009 os Colts contavam com Jim Caldwell como seu novo head coach. Tal mudança no comando não atrapalhou o rendimento da equipe, que terminou o ano 14-2, incluindo uma vitória memorável contra os Patriots, em virada emocionante no último quarto. Peyton foi, pela quarta e última vez em Indianapolis, MVP e 1st Team All Pro, junto com Dallas Clark e Dwight Freeney. Na rodada Divisional dos playoffs, uma vitória tranquila sobre os Ravens em Indy levou os Colts a final da AFC contra os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!). Após começar atrás, Manning comandou a equipe lançando pra mais de 350 jardas e 3 TDs para chegar a seu segundo Super Bowl. Então no quarto SB da franquia, os Colts enfrentaram o New Orleans Saints: derrota por 31-17 na partida que ficou marcada por um onside kick de New Orleans voltando do intervalo e do “retorno pra história” de Tracy Porter.

2010 foi o último ano de Manning como quarterback titular dos Colts. Naquele ano, ele completou 450 passes (melhor marca da história até então, que o próprio Peyton empatou em 2013) para 4700 jardas (também melhor marca pessoal até então) para levar Indianapolis a um recorde de 10-6 e mais uma pós-temporada. Dessa vez, os Jets de Mark Sanchez & Rex Ryan (sim!) levaram a melhor no Lucas Oil Stadium, vencendo o jogo com o relógio expirado. E aquele foi o último jogo de Peyton Manning pelo Indianapolis Colts: após múltiplas cirurgias no pescoço, Peyton perdeu toda a temporada 2011 e os Colts acabaram o ano 2-14 (você ainda lembra de Curtis Painter?), assegurando a primeira escolha do draft seguinte.

Um novo começo

A primeira escolha geral do draft de 2012 e as incertezas em relação ao estado de saúde de Manning fizeram com que os Colts dispensassem seu quarterback para ir atrás de uma reposição mais jovem e que, para muitos, tinha potencial parecido com o de Peyton: Andrew Luck.

Recomeçando essa desgraça.

O primeiro ano de Luck na liga foi um ótimo cartão de visitas. O recorde final de 11-5 veio com muitas viradas emocionantes, incluindo uma partida sensacional contra o Detroit Lions e o provável melhor jogo de Reggie Wayne com a camisa dos Colts. Luck foi selecionado para o Pro Bowl e, para alguns, deveria também ter sido o calouro ofensivo do ano. Ele também quebrou o recorde de jardas lançadas por um rookie, com 4374. Além da escolha de Andrew, o Indianapolis selecionou outros jogadores para compor o ataque da equipe, como o WR TY Hilton e os TEs Coby Fleener e Dwayne Allen. Nos playoffs, os Colts não marcaram touchdowns e acabaram derrotados pelos Ravens, que seriam campeões naquele ano, por 24-9.

Como o ano anterior na verdade era visto como um período de reconstrução, as expectativas para 2013 eram ainda maiores. E, apesar de inconsistente, os Colts fizeram uma boa temporada: vitórias sobre os finalistas da NFC Seahawks e 49ers, além de um jogo inesquecível contra os Broncos no primeiro reencontro de Manning com a equipe. O resultado foi o mesmo do ano anterior: 11-5. Mas Luck teve o seu melhor ano protegendo a bola, lançando 9 INTs, sofrendo apenas um fumble e novamente sendo selecionado para o Pro Bowl.

Já na pós-temporada, o time conseguiu a segunda maior virada da história dos playoffs, revertendo uma desvantagem de 28 pontos em mais um jogo épico que você deveria assistir. No Divisional, a equipe viajou até New England e tomou uma sova: Luck lançou 4 INTs e a defesa permitiu mais de 200 jardas para os RBs adversários, além de seis (sim, SEIS!) touchdowns terrestres.

Está conseguindo encontrar um padrão? Então, lá vamos nós novamente! 2014 foi o melhor ano de Luck na NFL, quebrando recordes e se estabelecendo como um dos grandes nomes da liga: ele bateu o recorde de jardas lançadas da franquia, passando Peyton Manning (4761 x 4700), além de outras marcas importantes. Os bons números e boas atuações eram comemorados, mas faltava dar um passo adiante: contra adversários como New England e Pittsburgh, Indianapolis não conseguia jogar bem, só tomando lavadas. Devido a essa inconsistência, o recorde foi de 11-5 pelo terceiro ano consecutivo.

No Wild Card os Colts jogaram bem e passaram pelos Bengals sem maiores sustos por 26-10. No Divisional a equipe viajou até Denver para enfrentar, mais uma vez, Peyton Manning. Já sentindo a idade, o xerife não jogou bem e os Colts controlaram a partida para vencer por 24-13. O AFC Championship Game, felizmente para os Colts, ficou mais marcado por fatores extra-campo: no jogo que ficou conhecido pelo Deflategate, New England mais uma vez passou o carro sobre a fraca defesa de Indianapolis. Andrew Luck lançou apenas 126 jardas e 2 INTs na derrota por 45-7. E, convenhamos, se as bolas estivessem devidamente infladas não mudaria porra nenhuma.

Novos anos, novas expectativas

Mesmo assim, 2015 chegou com muitas expectativas. As contratações na free agency e a empolgação vinda do ano anterior criaram uma necessidade grande de vencer. Muitos torcedores e analistas usavam inclusive a expressão Super Bowl or Bust. Mas nada saiu como o esperado. Andrew Luck começou o ano de forma irregular, inclusive perdendo alguns jogos por lesão. Quando as coisas pareciam entrar nos trilhos, o QB dilacerou o rim em uma jogada contra os Broncos. Apesar dos esforços do backup Matt Hasselbeck (que também não sobreviveu a linha ofensiva do time até o final da temporada), o ano acabou com um 8-8 e as férias chegaram mais cedo.

Na Black Monday daquela temporada, a expectativa era que o HC Chuck Pagano, então com o contrato terminado, deixasse a franquia. A relação com o GM Ryan Grigson não era das melhores e haviam inclusive relatos de que eles não se falavam. Após uma longa reunião, já no final daquele dia, Pagano e Grigson tiveram seus contratos renovados – vale lembrar que Grigson ainda tinha um ano vigente, mas como uma espécie de “prêmio” pelos bons serviços prestados (HAHAHA), recebeu uma extensão.

Então chegou 2016 e com ele muitas interrogações. Já não se esperava muito daquele mesmo time, e a percepção geral indicava que os Colts só conseguiam bons resultados por jogar em uma divisão fraca. A ideia era consertar a linha ofensiva e reforçar a defesa, os principais problemas da equipe. No draft, quatro OLs foram selecionados, além de outros quatro defensores. Na temporada regular, os Colts perderam muitos jogos no final e/ou por margens pequenas porque, na maioria das vezes, a defesa não conseguiu segurar a vantagem que o ataque construiu.

Andrew Luck ainda perderia um jogo por causa de concussão, além de ser poupado em boa parte dos treinos, mas mesmo assim terminaria o ano com sua melhor taxa de acerto de passe (63,5%) e melhor média de jardas por tentativa completada (7.8); por outro lado igualou o pior número de sacks sofridos na carreira (41, como em 2012): assim, o Colts ficou fora dos playoffs pelo segundo ano consecutivo e pela primeira vez desde 2001 ficou fora da pós-temporada tendo seu QB titular jogando.

Havia a expectativa da demissão de Chuck Pagano, mas ela não aconteceu. Na verdade, quem rodou foi o idiota do Ryan Grigson. Toda esta história apenas nos mostra um padrão, apenas nos evidencia que apenas um Super Bowl nesse longo período está longe de ser o ideal.

Aquela carinha de quem não aguenta mais apanhar.

Mesmos erros, mesmas “desculpas”

Peyton Manning se estabeleceu como um dos maiores quarterbacks da história jogando em Indianapolis, mas diversos fatores que estavam fora de seu controle não permitiram que ele vencesse mais que um SB. Já em quatro anos com o Denver Broncos, o camisa 18 conseguiu os mesmos números do que em 13 temporadas (excluindo 2011) em Indy, quando o assunto é “anéis no dedo”. É, inclusive, emblemático que sua última conquista tenha vindo com ele atuando como coadjuvante, sendo a defesa a grande estrela do time.

Em alguns momentos faltou sorte para os Colts quando Peyton comandava a equipe e podemos dizer que, se não fosse um certo time de New England, Indianapolis poderia ter chegado a mais finais da NFL. Mas também é inegável que faltou competência: o padrão de um sistema defensivo aparentemente mentalmente incapaz de segurar vantagens de 10, 14 pontos nos últimos períodos, além de permitir toneladas de jardas terrestres nos momentos decisivos, é notório.

As semelhanças entre Andrew Luck e Peyton Manning são grandes, mas também é importante ressaltar algumas diferenças. Apesar de não ter as defesas mais fortes da liga, Peyton via algumas estrelas do outro lado da bola em sua equipe: Dwight Freeney, Robert Mathis e Bob Sanders eram capazes de mudar jogos. A linha ofensiva também fazia sua parte e, na primeira metade da carreira, Edgerrin James ajudava muito o ataque. Não podemos esquecer ainda que Tony Dungy era uma grande mente defensiva e Bill Polian entrou para o Hall da Fama na NFL.

Já Andrew não conta com a mesma sorte: o melhor defensor da equipe era Mathis que, no final da sua carreira, já não tinha tanto gás. Vontae Davis teve um grande ano em 2014, mas não mostrou a mesma consistência em outros momentos. A defesa, inclusive, sofre muito para chegar ao QB adversário, o que não era um problema para Freeney. Bob Sanders jogou pouco tempo na liga, mas mesmo assim mostrou mais bola que todos os safetys que os Colts contam hoje no elenco somados. Há, ainda, a questão da linha ofensiva, que paradoxalmente parece tentar matar Luck a cada jogo, e não protegê-lo. Pese também o fato de que o jogo corrido dos Colts só parou de feder em 2016 (não vamos nem falar o que veio antes disso). Chuck Pagano deveria montar uma grande defesa, mas até aqui ele só falhou, e nunca cansaremos de repetir: Ryan Grigson é um imbecil.

A amostragem é menor, mas durante a “era Andrew Luck“, os Colts cometem erros que cometeram com Peyton no início de sua jornada e a insistência com um técnico questionado e a incapacidade de construir uma defesa consistente se destacam. Agora parece que, dessa vez, esses erros se somam a outros ainda maiores: Luck é o QB que mais apanha na NFL e faltam playmakers na defesa.

Tal pai, tal filho.

É claro que não podemos afirmar isto com exatidão, mas em um exercício de imaginação, dá para acreditar que Luck conseguiria levar times como Denver e Seattle ao Super Bowl, como as próprias franquias fizeram nos últimos anos. Ou até mesmo resolver os problemas de equipes que tinham sólidas defesas, mas precisavam de um quarterback, como Bills e Jets em determinados recortes específicos de tempo.

Jim Irsay sabe que tem que aproveitar mais um grande QB em sua franquia e espera que os Colts vençam ao menos dois Super Bowls nessa nova era. Para que isso aconteça, ele precisa tomar as decisões corretas e se livrar de Ryan Grigson foi o primeiro passo. De qualquer forma, é impossível prever o futuro, então resta esperar que Andrew Luck supere as limitações que seu próprio time lhe impõe ou que os Colts, em algum momento, consigam montar uma equipe vencedora ao seu redor. Luck não pode fazer tudo sozinho; na NFL, ninguém é capaz disso.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBR e está procurando um lugar no corpo para tatuar o rosto de Chris Ballard.

Ryan Grigson estrelando “Como vencer na vida mesmo sendo um imbecil”

Que Ryan Grigson é um imbecil não é novidade alguma. A única forma de não saber que ele é um completo imbecil, é se você não o conhece – mas como estamos em um site sobre NFL, provavelmente você sabe que nos referimos ao homem responsável por comandar as operações do Indianapolis Colts entre 2012 e o início de 2017.

De qualquer forma, por algum motivo obscuro que vai além da compreensão humana, seu contrato foi renovado. Mas como já dizia o famoso ditado, “Deus marca touchdowns com passes de merda”, Ryan recentemente foi demitido, naquele que também ficou conhecido como “o primeiro dia do resto de nossas vidas”.

Você pode pensar que estamos exagerando, mas antes de afirmar que fomos tomados pelo clubismo doentio, procure a reação de atletas que trabalharam com Grigson ao logo da carreira. O punter Pat McAfee, aliás, foi um show à parte nas redes sociais.

É difícil encontrar casos tão explícitos de difamação pública de um ex-colega de equipe como os que ocorreram envolvendo Ryan. Além disso, antes mesmo de ser chutado de Indianapolis, já se questionava como diabos Grigson era um General Manager na NFL.

Então para lhe convencer que Ryan Grigson é o que é afirmamos (um completo idiota), elaboramos uma lista com seus “feitos” em Indianapolis. Cuide para não vomitar:

O Draft de 2013

Naquele já distante ano, Grigson escolheu: Bjorn Werner no primeiro round (24ª escolha); Hugh Thornton no terceiro round (86ª escolha); Khaled Holmes no quarto round (121ª escolha); Montori Hughes no quinto round (139ª escolha); John Boyett no sexto round (192ª escolha) e Kerwynn Williams (230ª escolha) e Justice Cunningham no sétimo round (254ª escolha). A escolha de segunda rodada, ele havia trocado por Vontae Davis. O engraçado, porém, é que dois anos após a absurda seleção de Khaled, Grigson deu uma explicação complexa sobre os motivos da escolha, que poderia ser resumida em “fizemos nosso dever de casa”.

Em um pequeno exercício mental, lembraremos que pouco após a seleção de Werner, o Vikings selecionou Xavier Rhodes, CB que já frequentou o Pro Bowl. E Bjorn? Não fazemos ideia de onde está, só sabemos que não é na NFL.

O mais triste é que três anos se passaram desde daquela “aula” sobre construção de elenco ministrada por Grigson e das oito escolhas daquele mesmo draft, nenhum jogador, exceto Thornton que frequentou mais o IR do que um campo de football e não deve voltar para o time em 2017, está hoje no elenco do Colts.

Construindo uma peneira defensiva

Entre 2012 e 2015, Ryan Grigson, o mago do gerenciamento, escolheu um total de 12 jogadores de defesa. Vamos listá-los:

– Josh Chapman no quinto round de 2012 (136ª escolha);

– Tim Fugger no sétimo round de 2012 (214ª escolha;

– Bjorn Werner no primeiro round de 2013 (24ª escolha);

– Montori Hughes no quinto round de 2013 (139ª escolha);

– John Boyett no sexto round de 2013 (192ª escolha);

– Jonathan Newsome no quinto round de 2014 (155ª escolha);

– Andrew Jackson no sexto round de 2014 (203ª escolha);

– D’Joun Smith no terceiro round de 2015 (65ª escolha);

– Henry Anderson no terceiro round de 2015 (93ª escolha);

– Clayton Geathers no quarto round de 2015 (109ª escolha);

– David Parry no quinto round de 2015 (151ª escolha);

– Amarlo Herrera no sexto round de 2015 (207ª escolha);

Para facilitar a visualização destacamos os jogadores que ainda continuam no roster em vermelho sangue – uma clara alusão ao nosso sofrimento diário. Enfim, Grigson conseguiu jogar no lixo todas as escolhas de draft defensivas entre 2012 e 2014 e ainda teve a pachorra de colocar a culpa do fraco desempenho do setor no contrato de Andrew Luck. “Quando você paga a Andrew Luck o que pagamos, vai levar tempo para construir algo no outro lado da bola (defesa)”, disse este jumento ao Indianapolis Star.

Se um torcedor começa a espumar de raiva quando ouve falar em Ryan Grigson, tenha certeza: ele está certo.

Ryan Grigson negociando em busca de mais um WR.

Contratando os caras “certos”

A temporada de 2014 foi um bom ano para os torcedores do Colts. Foi tão boa que provavelmente a alegria invadiu o cérebro de Grigson, afetando ainda mais sua (falta de) inteligência. Então em 2015 ele decidiu utilizar o bom espaço disponível no Salary Cap para investir em veteranos, trazendo nomes como o WR Andre Johnson (três anos / US$ 21 milhões), que passou apenas uma temporada em Indianapolis e hoje curte sua aposentadoria; o OLB Trent Cole (dois anos / US$ 14 milhões), que jogou tão mal em sua primeira temporada que logo em seguida precisou aceitar reduzir seu salário para não estar hoje na fila do INSS; além dos restos mortais do RB Frank Gore e do DE Kendall Langford que, bem, ao menos não têm nos envergonhado.

Após todos estes investimentos certeiros, o Colts terminou 8-8 e não foi aos playoffs. No mesmo ano, Andrew Luck conseguiu machucar o ombro, as costelas e dilacerar um rim. Como prêmio, Ryan Grigson teve seu contrato renovado.

Uma dupla da pesada: LaRon Landry & Greg Toler (ou Greg Toler & LaRon Landry)

Três anos de contrato e 15 milhões de dólares para Greg Toler; quatro anos de contrato e 24 milhões de dólares para LaRon Landry. Se você não sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles. Se você sabe quem são esses caras, saiba que os Colts deram 39 milhões de dólares para eles.

Hoje Greg Toler é reserva nos Redskins, enquanto LaRon Landry não fazemos questão nenhuma de saber onde diabos está.

Este idiota está milionário enquanto reclamamos dele estar milionário.

Saudades, Jerrel Freeman!

O contrato do LB Jerrell Freeman terminou em 2015. A ideia do jogador era continuar em Indianapolis e, quando ele disse para a diretoria que tinha uma proposta de três anos e 12 milhões de dólares dos Bears, disseram pra ele aceitá-la. Freeman teve a melhor nota de LBs de acordo com o Pro Football Focus, enquanto os Colts tiveram cinco LBs titulares diferentes durante a última temporada.

A inexplicável escolha de Philip Dorsett

Esta talvez nem o próprio Grigson consiga explicar. No mesmo ano em que contratou o já citado ex-WR em atividade Andre Johnson por US$21 milhões, Ryan gastou sua escolha de primeira rodada com sim, isso mesmo, outro WR. Naqueles dias, Indianapolis estava desesperado por um Safety, mas por algum motivo desconhecido para qualquer pessoa que tenha no mínimo três neurônios, o Colts deixou Landon Collins para trás e selecionou Phillip Dorsett.

O fim desta história só seria possível em Indianapolis: Dorsset, uma máquina de drops, têm 51 recepções para 753 jardas e incríveis dois TDs desde aquele dia. Já Landon Collins flerta com o Defensive Player of the Year, foi para o Pro Bowl e também selecionado como 1st Team All Pro.

O curioso caso de Trent Richardson

Richardson tem uma média de 3,3 jardas por carregada. Mas isso até seria razoável, não é mesmo? Seria, se você desconsiderar o fato de que Trent não é um jogador de football, então vamos deixar as imagens falarem por si: digite “Trent Richardson Holes” no Google e se divirta com a desgraça alheia.

Sendo gentil, podemos dizer que a carreira de Trent na NFL se resume em corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele é poupado do trabalho de bloquear.

Não bastasse tudo isso, sua primeira corrida nos playoffs foi um fumble! E pouco mais de um ano após ser contratado, Richardson nem viajou com o time para a final da AFC em 2014. Sim, Ryan Grigson deu uma escolha de primeira rodada por esta desgraça.

O futuro é logo ali

Considerando aqueles jogos sem graça, a demissão de Ryan Grigson foi o que de melhor aconteceu no fim de semana das finais de conferência. Apesar de Chuck Pagano ainda estar entre nós, o futuro para os torcedores de Indianapolis já não é tão nebuloso. Já é hora de seguirmos em frente, mas sem nunca esquecer o glorioso legado do maior imbecil que já pisou na face da terra: Ryan Grigson.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e acredita que Ryan Grigson é o culpado de todos os seus problemas.